Libertadores 1995 – Palmeiras 5×1 Grêmio

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Há exatos 25 anos o Grêmio se classificava para a semifinal da Libertadores de 1995, num senhor sufoco, depois de levar 5×1 de virada do Palmeiras.

Esse é provavelmente o jogo que eu mais fiquei nervoso em todo minha vida de torcedor (talvez só o jogo contra o Santos na Vila Belmiro, em 2007, chegou perto desse em matéria de nervosismo).

Interessante observar que a Zero Hora e o Correio do Povo nada falaram sobre o pênalti inventado pelo Antonio Pereira da Silva (Enquanto um colunista do Estadão reconhece que a falta foi inexistente).

É curioso notar também que a Folha, Zero Hora e Correio do Povo afirmam que o Jardel fez o gol com a barriga, quando na imagem da TV fica claro que ele utilizou outra parte do corpo para marcar.

Foto: Gazeta Esportiva

PALMEIRAS GOLEIA GRÊMIO, MAS SAI DA LIBERTADORES
O Palmeiras goleou ontem o Grêmio por 5 a 1, mas foi eliminado da Taça Libertadores da América. Pelo Palmeiras, marcaram Cafu (dois), Amaral, Mancuso e Paulo Isidoro. No final, a torcida aplaudiu o time e gritou “é tricampeão”, título que o Palmeiras ganhará se superar o Corinthians na decisão do Paulista, domingo. O Grêmio se classificou porque havia vencido o jogo em Porto Alegre por 5 a 0. Vai jogar nas semifinais contra o Emelec, do Equador. O primeiro jogo, quarta-feira, será em Guayaquil. Para tentar o “milagre” _expressão dos jogadores palmeirenses_, a diretoria do clube usou recursos especiais. Escalou oito gandulas para apressar a reposição de bola. Três ficaram atrás do gol do Grêmio, dois em cada lateral. Os gandulas, além disso, moviam-se acompanhando o lance.O Palmeiras iniciou o jogo tentando intimidar os jogadores do Grêmio. Aos 10s, o volante Mancuso atingiu o gremista Adílson sem bola. O juiz não deu falta.A 1min, 2min, 6min, 6min30 e 7min, palmeirenses fizeram faltas.Na cobrança da última infração, cometida por Antônio Carlos, quase na linha de fundo da defesa, o Grêmio marcou. O lateral Arce cobrou e o centroavante Jardel marcou com a barriga. Com o gol, o Palmeiras passou a mostrar nervosismo. O técnico Carlos Alberto Silva berrava a todo momento, corrigindo a colocação dos jogadores.O Palmeiras só chegou ao primeiro gol graças a um erro da arbitragem. Alex Alves tocou para Cafu, em impedimento. Ele disputou a bola com dois adversários e tocou na saída do goleiro Murilo _que jogou com uma contusão na mão esquerda.O empate fez o Palmeiras crescer. Aos 39min, Alex Alves invadiu a área pela direita e tocou para Amaral. O volante cortou um adversário e fez 2 a 1.No segundo tempo, Antônio Carlos e Mancuso continuaram a jogar com violência. Aos 6min, no meio-campo, o zagueiro chutou o meia Arílson, que teve de ser atendido fora de campo.
Aos 12min, Alex Alves invadiu a área e tocou para Paulo Isidoro no meio. Com um toque, ele desviou a bola de Murilo: 3 x 1.Aos 12min, Alex Alves invadiu a área e tocou para Paulo Isidoro no meio. Com um toque, ele desviou a bola de Murilo: 3 x 1.Aos 22min, Antônio Carlos entrou na área e foi derrubado por Arce, perdeu o equilíbrio e caiu. O juiz marcou pênalti. Mancuso bateu e fez 4 x 1.Aos 39min, Cafu foi lançado na direita e chutou no meio das pernas do goleiro Murilo. O Palmeiras atacou ainda mais, mas não fez o sexto gol. (Marcelo Damato – Folha de São Paulo, 3 de agosto de 1995)

Foto: Orlando Kissner (Estadão)

“TREINADOR GREMISTA TEMEU ELIMINAÇÃO

O técnico do Grêmio, Luiz Felipe, disse que a goleada sofrida para o Palmeiras revelou deficiências em sua equipe, que terão que ser corrigidas para a disputa das semifinais da Taça Libertadores, contra o Emelec, do Equador.
“Embora o resultado tenha sido bom para nós, propiciamos ao Palmeiras todas as condições para fazer gols”, analisou.
Ele disse que de maneira nenhuma esperava que o Grêmio tomasse tantos gols. “Acho que foi a maior goleada que sofremos nos últimos dois ou três anos”, afirmou.
Luiz Felipe admitiu que chegou a temer pela eliminação do Grêmio. “É claro que fiquei com medo, porque, quando o Palmeiras fez o quinto gol, ainda tinha cinco minutos pela frente.”
“O Palmeiras teve força muito superior ao Grêmio, em todos os sentidos”, reconheceu.
O técnico disse que não considera o Emelec um adversário mais fácil que o Palmeiras. “O Palmeiras não chegou às semifinais da Libertadores e o Emelec, sim. Então o Emelec é melhor”, disse.
Luiz Felipe agradeceu a Cafu por ter desejado boa sorte ao Grêmio na sequência da Taça Libertadores: “Eu também desejo que o Palmeiras tenha felicidade nas próximas competições que disputar.” (Mário Moreira – Folha de São Paulo, 3 de agosto de 1995)

Foto: José Francisco Diório (Estadão)

TÉCNICO SILVA FAZ ELOGIO A JOGADORES

O técnico Carlos Alberto Silva, do Palmeiras, saiu de campo com lágrimas nos olhos após a goleada sobre o Grêmio. Ele se disse “chateado” com a eliminação do time.
“Se faltou mais um gol, sobrou disposição para todo mundo. Os jogadores se mataram em campo para conseguir o resultado.”
Segundo o treinador, o que atrapalhou o Palmeiras ontem foi a ansiedade. “Infelizmente, no nosso único erro, levamos um gol. Não era mesmo para nós nos classificarmos.”
Para Cafu, o azar do Palmeiras foi ter levado o gol no início do jogo. “Pensei que nossa equipe iria desmontar, mas isso não aconteceu. Tentamos até o fim.”
Todos os jogadores concordaram que a goleada de ontem dá um ânimo novo para a segunda partida da final do Campeonato Paulista, domingo, contra o Corinthians.
“Precisamos entrar com a mesma disposição contra o Corinthians”, afirmou o volante Amaral, que ontem marcou seu primeiro gol em mais de dois anos como profissional do Palmeiras. “Agradeço a Deus pelo gol. Foi um momento muito bonito para mim.”
Além dele, também Mancuso e Cafu marcaram seus primeiros gols com a camisa do Palmeiras.
Cafu agradeceu à torcida pelo incentivo ao time. “Eles nos deram força até o final.” (Mário Moreira – Folha de São Paulo, 3 de agosto de 1995)

ALBERTO HELENA JR. – REPETIRÁ O PALMEIRAS A ATUAÇÃO DE QUARTA?

A pergunta que certamente atormenta o amante do futebol é por que um time como o Palmeiras, com a tradição do Palmeiras, com o elenco do Palmeiras, com a estrutura do Palmeiras, não joga, senão sempre, pelo menos vez ou outra com o empenho, o desprendimento e o talento demonstrados na inesquecível noite da última quarta-feira?
Não é preciso ser palmeirense para cair de paixão por um time capaz de realizar a façanha de meter cinco gols no Grêmio, num jogo sem sobressaltos, sem expulsões, brigas ou quizumbas. Apenas, movido pelo coração, atacar, atacar e atacar um time experimentado nas artes das defesas marciais como o Grêmio.
Mas atacar com classe, categoria, juízo, mesmo levando um gol desmoralizante pela singeleza de seu desenho.
Meu querido amigo, calejadíssimo e frio analista Sérgio Noronha, na sua coluna do “Jornal do Brasil”, confessou que foram os cinco minutos finais de um dos jogos mais eletrizantes que viu na sua vida, longa e bem vivida, diga-se.
Cá entre nós, ouso supor que muitos corintianos vestiram-se de verde naqueles momentos em que o impossível esteve vivo, concreto, ao alcance de um gesto mais feliz dos palmeirenses. Menos pela impossibilidade que se tornava plausível, mas muito mais pela forma como o time estava virando a lógica de cabeça pra baixo. Isto é, praticando um futebol belíssimo, sob o comando desse argentino extraordinário chamado Mancuso.
E aqui entra um repórter de “O Globo”, ligando pra minha casa. Queria saber qual o meu melhor ataque do mundo. Incauto, respondi que era a linha do Ajax, com seus crioulos e brancos maravilhosos, nigerianos e holandeses. Era véspera da estréia de Edmundo no Flamengo, e certamente frustrei-lhe, sem querer, posto que esperava que eu dissesse: Edmundo, Romário e Sávio. A verdade é que esse ataque ainda não existe.
Ou, pelo menos, não pudemos vê-lo em ação. O que existe, o que está gravado em teipe e na memória dos que assistiram aos últimos jogos do Ajax e a goleada palestrina, é a certeza de que, sem essa determinação anímica, não há ataque que entre para a história do futebol.
No fundo, não há ataque, simplesmente. A diferença é que o Palmeiras jogou assim, premido por circunstâncias muito especiais, enquanto o Ajax joga assim, em quaisquer circunstâncias.
Sei que estou dando voltas para não chegar ao centro da questão. E a questão hoje é saber se o Palmeiras será capaz de repetir tal performance diante do Corinthians, na decisão do campeonato.
Ah, se pudesse responder tais perguntas… Estaria milionário, numa praia do Taiti, mergulhado naqueles olhos verdes, distante de dilemas como esse. E oferecendo a vocês a paz do meu silêncio.” (Folha de São Paulo, 6 de agosto de 1995)

GOL DE LETRA – ROBERTO BENEVIDES
NOITE DE FÉ

O Palmeiras de Mancuso mostrou que todos os sonhos são possíveis quando a fé move a bola    

       A descrença era generalizada, tanto que os dirigentes do Palmeiras apelaram para a promoção — com um ingresso, entravam dois torcedores. Que diabos, então, foram fazer no Parque Antártica 12 ou 13 mil Palmeirenses? Claro: é pouca gente para um Palmeiras x Grêmio que valia uma vaga nas semifinais da Libertadores da América. Acontece que, depois dos 5 a 0 em Porto Alegre, o Grêmio já tinha a vaga como certa. A generalizada descrença palmeirense era mais do que justificada. O incrível, porém, é que tenham ido ao estádio mais de 10 mil crentes. Acreditavam no inacreditável: uma vitória do Palmeiras por uma diferença de cinco gols, no mínimo!

Longe dali, diante da telinha de televisão, os incrédulos certamente se sentiram robustecidos em sua descrença quando Jardel fez 1 a 0 para o Grêmio, logo no comecinho do jogo, O que era improvável, mais do que difícil, quase impossível passou para a categoria do absolutamente impossível, pelo menos aos olhos razoáveis dos que não acreditam em milagres, Mas os jogadores do Palmeiras também entraram em campo movidos pela mesmíssima (e, aparentemente, absurda) fé das arquibancadas e, ao final, por muito pouco o impossível não se fez possível no Parque Antártica. O Palmeiras acabou vencendo o Grêmio por 5 a 1. Faltou um golzinho para se classificar. Não é tudo para quem queria o absoluto, mas é muito mais do que poderiam imaginar os realistas de todas as torcidas
O impossível é possível – eis a lição que Mancuso e companhia legaram ao futebol e, portanto, à vida na poluída noite paulistana de quarta-feira. Enquanto houver a mundo e uma bola rolar em algum campinho, ninguém mais poderá se dar por vencido diante da vantagem esmagadora de um adversário. Bastará que alguém lembre ao derrotado que, certa vez, 13 rapazes comandados por Carlos Alberto Silva precisavam reverter uma desvantagem de cinco gols e por pouco, muito pouco não conseguiram. Depois deles, todos ficaram sabendo que nada é impossível. No futebol, pelo menos.
É verdade: Cafu estava impedido no primeiro gol; não houve o pênalti em Antônio Carlos que o juiz marcou para Mancuso converter no quarto gol, jamais se vira antes em qualquer estádio brasileiro uma equipe tão numerosa e rápida de gandulas não foi propriamente delicado o transporte de gremistas pelos maqueiros de plantão no Parque Mi com. Nada disso, porém, se compara aos prejuízos impostos ao Palmeiras no Olímpico numa partida que jamais chegaria a 5 a 0 se Rivaldo não tivesse sido expulso injustamente e Danrley muito justamente tivesse sido mandado para fora. Infelizmente, as complicações em campo vão se tornando rotina no futebol brasileiro.
Releve-se tudo o que de errado se viu neste duplo embate entre palmeirenses e gremistas para se celebrar a noite em que o Palmeiras de Mancuso mandou para escanteio todas as descrenças e mostrou a crédulos e incrédulos que todos os sonhos são possíveis quando é a fé que move a bola.  Quem não acreditou e ficou em casa jamais saberá o que perdeu
■ Roberto Benevides é editor de Esporte do Estadão”   (Estado de São Paulo, sexta-feira, 4 de agosto de 1995)

“[…] O Palmeiras tinha todos os motivos para ficar tenso, mas foi o Grêmio que reagiu mal, Cafu, impedido, empatou aos 28 minutos e, aos 39, Amaral fez 2 a 1. […]” (Zero Hora, 3 de agosto de 1995)

O DESEMPENHO DAS EQUIPES (Zero Hora, 3 de agosto de 1995)
PALMEIRAS GRÊMIO
Conclusões a gol 12 2
Escanteios cedidos 1 13
Faltas cometidas 21 31
Impedimentos sofridos 5 4

“[…] Arílson também reclamou da arbitragem: “O juiz deu um gol impedido e não houve pênalti”, disse.” […] (Zero Hora, 3 de agosto de 1995)

“[….] Luiz Felipe também reclamou de irregularidades no gol de Cafu e no pênalti em Antônio Carlos. […]” (Zero Hora, 3 de agosto de 1995)

GRÊMIO VIVE UMA NOITE DE TERROR

Levou 5 a 1 do Palmeiras, mas garantiu sua vaga nas semifinais da Libertadores

Mesmo sendo goleado por 5 a 1 pelo Palmeiras, ontem à noite, no Parque Antártica, o Grêmio garantiu sua classificação à semifinal da Taça Libertadores da América. Na próxima fase, irá enfrentar o Emelec. O primeiro jogo será dia 9, em Guayaquil, no Equador.

A noite de terror para a torcida gremista começou com um instante de sonho. Logo aos 8 minutos. Arce cruzou da esquerda e Jardel, que era segurado pela camisa por Cléber. conseguiu tocar com a barriga para fazer 1 a 0. A torcida palmeirense calou. O jogo começou a ficar violento, com os jogadores do Palmeiras batendo forte. O árbitro deu cartões amare-los, mas acabou intimidado.

Aos 29 minutos, Cafu recebeu a bola em impedimento e na disputa com Murilo empatou o jogo. O gol sacudiu a torcida e o time paulista. Aos 38. Alex Alves foi ao fundo e tocou para Amaral fazer 2 a 1. No meio-campo. o argentino Mancuso era um guerreiro, empurrando o time ao ataque.

No segundo tempo, o Palmeiras foi com tudo para cima do Grêmio. Aos 13 minutos. Alex fez grande jogada e deixou Paulo Isidoro livre para desviar de Murilo e ampliar. O Grêmio ficou desesperado. Aos 24, Mancuso fez 4 a 1, batendo pênalti sofrido por Antônio Carlos. A pressão palmeirense continuou intensa. Luiz Felipe alterou o time para tentar uma retenção de bola. Não deu certo. Aos 39, Cafu aparou a bola na área e bateu cruzado para fazer 5 a 1. O Palmeiras lutou para tentar mais um gol, o que levaria a decisão aos pênaltis.” (Correio do Povo, 3 de agosto de 1995)

SEGURANÇA SEM NENHUM TRABALHO 
O Grêmio chegou ontem ao Parque Antárctica esperando um clima de guerra. A única coisa que encontrou foi um silencio sepulcral dos torcedores paulistas. As torcidas organizadas do Palmeiras ainda se encontravam em suas sedes quando o ônibus com a delegação gremista chegou ao estádio. às 19h15min. O Grêmio ainda contava com o reforço de 10 seguranças cedidos pelo Co-Corinthians. A PM enviou 15 homens. Todo o esquema se mostrou desnecessário. pois os encarregados pela segurança não trabalharam. E nas bilheterias. apesar do preço de R$ 10.00, sobraram ingressos. “ (Correio do Povo, 3 de agosto de 1995)

Foto: Marcos Mendes (O Estado de São Paulo)

Foto: Gazeta Esportiva

PALMEIRAS: Sérgio; Índio, Antônio Carlos, Cléber e Wagner; Amaral (Magrão), Mancuso, Cafu e Paulo Isidoro; Alex Alves (Maurílio) e Müller.
Técnico: Carlos Alberto Silva

GRÊMIO: Murilo; Arce, Rivarola, Scheidt e Roger; Adílson, Goiano, Arílson (André Vieira) e Carlos Miguel; Paulo Nunes (Vágner Mancini) e Jardel (Nildo)
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Libertadores 1995 Quartas de final – jogo de volta
Data: 2 de agosto de 1995
Local: Parque Antártica (São Paulo)
Juiz: Antônio Pereira da Silva
Auxiliares: Sidrack Marinho e Arnaldo Pinto
Público: 7.615
Renda: R$ 84.509,00
Cartão Amarelo: Antônio Carlos, Cléber, Wágner, Mancuso, Alex Alves, Adílson e Carlos Miguel
Gols: Jardel aos 8, Cafu aos 29 e Amaral aos 39 minutos do 1°tempo; Paulo Isidoro aos 13, Mancuso (de pênalti) aos 24 e Cafu aos 39 minutos do 2°tempo.

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