Brasileirão 1985 – Grêmio 2×0 Inter

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Foto: Mauro Mattos (Zero Hora)

Até hoje foram disputados 58 Gre-Nais pelo Campeonato Brasileiro. Nesses 58 clássicos foram 23 vitórias do Grêmio, 16 empates e 19 vitórias do Inter (a esta conta devem ser acrescentados dois empates, se também considerarmos o Gre-Nais pela Seletiva para a Libertadores em 1999).

Desses 58 Gre-Nais, 6 foram realizados na Arena, 34 no Beira-Rio, 1 no Centenário e 17 no Olímpico. Curiosamente os dez primeiros Gre-Nais pelo Brasileirão foram todos de mando do Inter.

O primeiro Gre-Nal do Brasileirão no Olímpico aconteceu em 10 de fevereiro de 1985, vitória tricolor por 2×0. O grande destaque daquela noite de domingo foi Renato Portaluppi, que deu passe para o primeiro e marcou o segundo gol.

Evaristo de Macedo, então técnico da Seleção, esteve presente no Olímpico nesse dia. Contudo, não convocou Renato durante sua curta passagem como treinador da CBF (vale fazer a ressalva de que Renato teve uma série de lesões nesse primeiro semestre de 1985).

Uma curiosidade dessa partida é o uso do calção branco pelo Grêmio no clássico. Só encontrei outro registro disso na década de 40 (em 1975 o Grêmio usou camisa celeste no Beira-Rio, em 1983 camisa branca no Beira-Rio e em 1997 a camisa “negresco” no Olímpico, mas em todas essas ocasiões o calção utilizado foi o preto).

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Foto: Mauro Mattos (Zero Hora)

TALENTO DE RENATO DECIDIU O GRE-NAL
Ponteiro fez jogada brilhante no gol de Ademir e marcou o segundo, em chute violento

O Grêmio venceu com méritos o Gre-Nal de ontem no Estádio Olímpico por 2×0, numa partida em que o grande destaque foi o talento do ponteiro-direito Renato — que marcou o segundo gol e fez toda a jogada do primeiro. Foi falsa a impressão do primeiro tempo de que os dois times estariam satisfeitos com um empate. No início do segundo, empurrados pelo entusiasmo das duas torcidas, os times passaram a se comportar de uma forma menos cuidadosa, transformando a partida num dos mais atraentes jogos da Taça de Ouro.

No início, com esquemas extremamente cuidadosos, tanto o Grêmio como o Internacional realizaram raríssimas jogadas ofensivas, tanto que o primeiro chute a gol só surgiu aos 18 minutos — Ruben Paz bateu prensado com Baidek, de dentro da área, e Mazaropi segurou. Aos 36, Renato bateu da entrada da área, rasteiro, mas fraco, facilitando a defesa de Gilmar. Fora disso, as conclusões se limitaram a chutes de média distância, geralmente fora do gol, o que criava uma expectativa de empate num jogo que não agradava a ninguém.

No segundo tempo, por obra e iniciativa das torcidas, houve uma transformação total do jogo: os dois times estavam mais ambiciosos em campo e a vantagem ficou com o Grêmio, que marcava melhor, mesmo que fosse necessário cometer uma infinidade de faltas. Seguro na defesa e com a confiança que essa segurança assegurava, o Grêmio marcou um gol logo aos 14 minutos — Ademir — e completou concretamente uma vantagem que começava a aparecer em campo. Esse gol desestruturou — pelo menos do ponto de vista defensivo — o time do Internacional: bem marcado no ataque e procurando a pressão sobre o adversário, o Inter começou a errar na marcação. O segundo gol, de Renato, aos 20 minutos, estabeleceu definitivamente a vitória do Grêmio e a liderança isolada do grupo A da Taça de Ouro.” (Pedro Macedo, Zero Hora, segunda-feira, 11 de fevereiro de 1985)

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

DEU GRÊMIO POR CAUSA DO PONTEIRO RENATO
A velocidade, o drible e a força do ponta-direita Renato, exibidas em duas jogadas no segundo tempo, deram a vitória de 2 a 0 ao Grêmio contra o Internacional, domingo, à noite, no Olímpico Aos 14 minutos, Renato driblou Mauro Galvão, deu uma meia-lua em Ademir e passou para Ademir Padilha marcar. Aos 20, ele venceu na corrida o lateral André Luís e disparou uma bomba, que o goleiro Gilmar não conseguiu segurar.

A rigor, essas foram as duas grandes jogadas do Gre-Nal, que durante o primeiro tempo apresentou um futebol truncado, cheio de faltas no meio de campo. O primeiro chute perigoso só aconteceu aos 36 minutos, quando o mesmo Renato arrematou rasteiro, exigindo que o goleiro Gilmar fizesse boa defesa para escanteio. O Inter não conseguia boas jogadas, pois o cérebro do time, Ruben Paz, estava apagado.

No segundo tempo, até acontecer o primeiro golo, a partida permanecia sem bons lances de área. Mas Renato, em apenas seis minutos, despertou, fez duas grandes Jogadas e levou o Grêmio à vitória, garantindo a liderança do time no seu grupo na Taça de Ouro.

O Internacional, depois dos golos, ainda tentou esboçar reação. Mas esbarrou no sistema defensivo gremista, que esteve sempre muito atento. Ruben Paz, em noite opaca, permaneceu não conseguindo armar as jogadas de ataque. A vitória do Grêmio acabou sendo justa, mas a qualidade do clássico ficou aquém da expectativa dos torcedores.” (Pioneiro, terça-feira, 12 de fevereiro de 1985)

GRE-NAL I
Inter não poderia mesmo ter vencido ao Grêmio no domingo à noite. Seu ataque esteve irreconhecível. Os ponteiros Jussiê e Silvinho foram medíocres, Para Silvinho havia a explicação da gripe que o acometeu durante a semana, mas Jussiê não tinha desculpa. Sem abastecimento dos ponteiros e com Ruben Paz e Luis Freire não jogando nada, Kita afundou. O Inter como conjunto teve um desempenho apagado por causa das más atuações individuais.

GRE-NAL II
Apesar da badalação feita pela crônica, o time do Grêmio também não foi o primor que se pintou. Os dois a zero, nascidos em lances individuais de Renato – belíssimos, diga-se de passagem -, foram das poucas coisas que o time produziu. Teve alguns arremates de longa distância, mas as jogadas de penetração estiveram ausentes. Algumas individualidades luziram com regularidade, como Valdo e outras por alguns instantes, como foi o caso de Renato. Foi o suficiente para ganhara jogo.” (Guiomar Chies, Pioneiro, terça-feira, 12 de fevereiro de 1985)

Foto: Jurandir Silveira (Placar)

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

MINELLI VENCE A PRIMEIRA
Há 17 clássicos que o Grêmio não derrotava o velho rival

“O jogador passa, mas a bola não”, avisava antes do jogo o zagueirão Baidek. Mas foi o contrário: quem não passou, domingo no Olímpico, foram os homens do Inter. O Grêmio cometeu praticamente o dobro de faltas, o que acabou sendo o ingrediente mais picante da receita de Rubens Minelli para chegar à vitória em seu primeiro Gre-Nal como técnico tricolor (também a primeira do time nos últimos 17 clássicos oficiais). “Foi a saída que encontramos para truncar um adversário com mais conjunto”, ensinava ele.

Para construir os 2 x 0, e ganhar a liderança dos grupos A e B. com oito pontos ganhos em cinco jogos, o Grêmio acrescentou um condimento igualmente forte: o futebol de Renato. assistido pelo treinador da Seleção. Evaristo de Macedo. No primeiro gol, ele driblou dois adversários antes de cruzar na medida para Ademir emendar no ar. No segundo, arremeteu como um touro furioso e, mesmo com pouco ângulo, soltou um torpedo certeiro.

Não faltou nem mesmo o lance psicológico no clássico gaúcho: Minelli e o preparador físico Gilberto Tim ressaltaram o favoritismo do Inter em todas as entrevistas anteriores ao jogo, o que aguçou a vontade dos jogadores gremistas e deixou muito confiante, os craques colorados. Conclusão: enquanto os primeiros se matavam em campo, os últimos paravam ao perder um lance.

De tal maneira empenhados que pareciam se multiplicar em campo, os tricolores deixaram uma dúvida no ar: onde vai entrar o clássico porém lento meia argentino Sabella? Justamente no lugar de Valdo, que é quem mais se movimenta?(Placar, Edição n.º 769, 15 de fevereiro de 1985)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: Guaracy Andrade (Zero Hora)

GRÊMIO: Mazaropi; Ronaldo, Baidek, Luis Eduardo e Casemiro; China, Luis Fernando (Sérgio Peres, intervalo) e Valdo; Renato, Roberto César e Ademir (Tarciso, 31 do 2ºT).
Técnico: Rubens Minelli

INTER:  Gilmar; Luis Carlos Winck, Aloísio, Mauro Galvão e André Luiz; Ademir Kaeffer, Luis Freire e Rubén Paz; Jussiê, Kita e Silvinho (Paulo Santos, 22 do 2ºT)
Técnico:  Otacílio Gonçalves

Brasileirão 1985 – 1ª Fase – 1º Turno – 5ª Rodada
Data: 10 de fevereiro de 1985, domingo, 20h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 32.341 pagantes
Renda: Cr$ 186.994.000,00
Árbitro: Carlos Martins
Auxiliares: Justimiano Gularte e César Carrasco

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