Brasileirão 1975 – Corinthians 3×2 Grêmio

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Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

No Brasileirão de 1975, o Grêmio enfrentou o Corinthians pela antepenúltima rodada da segunda fase. As duas equipes conseguiram classificação para a fase seguinte, na qual foram eliminadas.

A reclamação de Ênio Andrade sobre o pênalti marcado para o Corinthians, na matéria da Zero Hora transcrita abaixo, não se sustenta. No vídeo fica claro que Picasso não tinha segurado a bola. Porém fica a dúvida, o carrinho que o atacante corintiano deu no goleiro gremista foi legal?

Foto: Domicio Pinheiro

 

NOS TRÊS GOLS, TODA A FORÇA DE VAGUINHO.

Grêmio jogou ontem à tarde no estádio do Morumbi contra o Corintians e manteve a tradição de nunca ter vencido ao “Timão” de São Paulo. Apesar de os dois gols de Tarciso e da pressão final em busca do empate, o time de Ênio Andrade não jogou bem e o Coríntians mereceu a vitória. Agora, ainda com 11 pontas ganhos, em terceiro lugar no seu grupo, o Grêmio precisa vencer o América do Rio, quarta-feira, no Olímpico para garantir a classificação à fase final.

A partida iniciou com o Grêmio se defendendo e o Coríntians explorando a velocidade de Vaguinho em busca da jogada de fundo. Com o tempo, Neca demonstrou ser um dos melhores jogadores do Grêmio na partida, mesmo deixando Russo jogar desmarcado. lúra não jogava bem e falhava na marcação a Adãozinho A única opção de ataque do Grêmio eram os lançamentos longos para Tarciso, isolado na frente.

Apesar de todos os erros do Grêmio, o Corintians só conseguiu fazer seu primeiro gol no final do primeiro tempo. Bolívar chutou Vaguinho sem bola, depois de estar batido na jogada, e levou cartão amarelo aos 44 minutos. Na jogada seguinte, o lateral cedeu escanteio displicentemente e assistiu Zé Maria fazer o passe para Vaguinho. O ponteiro centrou, Adilson dominou a bola no risco da pequena área e chutou forte, de meia-virada, junto ao travessão, sem chance de defesa para Picasso. 1 a 0. Eram 45 minutos.

Já no início do segundo tempo o Corintiansf ez outro gol, numa falha de Beto Fuscão. Adilson fez um lançamento nas costas de Bolívar aos três minutos, Beto Fuscão foi na cobertura mas atrasou fraco para Picasso. Vaguinho disputou a bola com o goleiro do Grêmio, ambos cairam e o atacante sofreu pênalti de Picasso ao tentar levantar-se. Cláudio fez a cobrança com perfeição aos quatro minutos, 2 a 0.

O Grêmio, entretanto, não se entregava. Aos 12 minutos Neca deu um balãozinho em Sérgio mas não conseguiu fazer o gol Tarciso, aos 14 minutos, é que aproveitou uma confusão na área do Coríntians, depois que Bolívar fez o centro e Sérgio soqueou a bola, e no sétimo toque do ataque do Grêmio conseguiu mandar a bola, de leve, para o canto esquerdo do gol adversário, fazendo 2 a 1.

O Coríntians continuava jogando melhor que a equipe de Ênio Andrade e aos 19 minutos Pita ganhou de Celso e Tadeu, fez o centro e conseguiu lançar Vaguinho, pelo outro lado. O ponteiro-direito cruzou forte, Vladimir, que estava na marca do pênalti, se abaixou e cabeceou tranqüilamente, 3 a 1 para o Coríntians.

O Grêmio ainda conseguiu seu segundo gol aos 30 minutos, através de Tarciso. Loivo cobrou uma falta de Vladimir em Cacau, pelo lado direito, Sérgio soltou a bola, Neca e Tarciso entraram e o centroavante tocou para as redes do Coríntians, 3 a 2.” (Danilo Miralles, Zero Hora, segunda-feira, 3 de novembro de 1975)

 

Foto: Domicio Pinheiro (Tardes de Pacaembu)

O CORÍNTIANS, QUASE NAS FINAIS

O Corintians voltou a perder gols incríveis, teve momentos brilhantes e medíocres, foi corajoso e medroso, mas mesmo com um futebol irregular e sem ritmo, mereceu ganhar do Grêmio por 3 a 2 ontem no Morumbi, praticamente garantindo, com 10 pontos, a sua classificação para o primeiro turno da fase final do Campeonato Brasileiro.

Durante 45 minutos do primeiro tempo, o Corinthians jogou como quis, dominou o meio de campo. Sérgio não fez uma única defesa e os atacantes perderam três excelentes oportunidades de gol, Mesmo assim, no último minuto conseguiu abrir a contagem com um gol de Adilson, ganhou ânimo para o segundo tempo, quando os dois times tiveram maior número de falhas individuais e táticas, mas fizeram quatro gols, numa repetição constante de, jogadas ofensivas e erros das retaguardas, construindo um resultado justo e inesperado.

Pelo ritmo imposto pelo Grêmio nos primeiros 10 minutos de jogo (acompanhado das vaias da torcida, normal seria se esperar por mais um jogo sem gols ou então a vitória do Corintians, que mais procurava o gol de Picasso, por um a zero. Logo aos 8 minutos, o Corintians perdeu a grande chance de sair na frente: Vaguinho cruzou, Picasso rebateu e Russo, livre na pequena área, chutou prensado, formando uma confusão sem que a bola chegasse a entrar. Aos 21 minutos, num toque sutil de Adãozinho, a bola cobriu Picasso e o gol, saiu rente à trave. Aos 41′, outro gol perdido: Zé Maria ganhou de Bolívar, chegou livre à frente do goleiro e chutou, vendo a bola mansamente tomar o caminho da linha de fundo, com. César chegando atrasado.

Nesses três lances, o Corintians resumiu o domínio total a um adversário indeciso e sem a mínima coragem para partir em busca da vitória, Apenas Neca, inteligente e habilidoso, tentava as jogadas individuais, porem deixando Tarciso isolado entre Cláudio e Darei, enquanto os ponteiros Zequinha e Nenê eram dominados por Zé Maria e Vladimir.

Para perder essas três chances, o Corintians contou com a falta de imaginação de seus atacantes, com boa vontade mas sem nenhum sentido prático, principalmente pela péssima atuação de Vaguinho nessa fase e pelos seguidos passes errados de Adilson, sem que Russo ou Adãosinho tivessem o domínio de meio campo prejudicado, pois como o Grêmio apenas se defendia, Pita também podia atacar, porém sem noção.

Pelo quadro indefinido do primeiro tempo, mesmo com o gol de Adilson (aproveitou com um chute forte, da pequena área, o bom cruzamento de Vaguinho, após receber de Zé Maria), seria difícil sequer imaginar a correria e quatro gols no segundo tempo, quando muitos outros gols ainda poderiam ter sido marcados.

Logo aos 3 minutos, o Corintians chegou aos dois a zero e, pela movimentação dos atacantes, até a goleada passou a fazer parte das previsões. O gol foi de pênalti (bem cobrado por Cláudio), mas precedido de uma jogada inteligente: Adilson fez o lançamento longo para a corrida de Vaguinho. Ele venceu Bolivar, perdeu o pique e a bola para Beto que atrasou curto, permitindo a entrada de Vaguinho que chutou e não pode aproveitar o rebote ao ser seguro por Picasso pelas pernas.

Sérgio fez uma defesa excelente em cabeçada de Neca, mas foi indeciso no lance que originou o primeiro gol do Grêmio, aos 14 minutos. Rebateu uma bola alta que poderia segurar e Cláudio confundiu-se com Darci, deixando a sobra para o atacante Tarciso diminuir. Entretanto, como continuava ganhando o meio de campo e seus Jogadores se movimentavam em alta velocidade’ foi fácil chegar a três a um’ depois de boa jogada de Pita, cruzamento de Vaguinho e gol de cabeça de Vladimir, aos 19 minutos. Três a um suficientes para o Corintians parar.

O Grêmio criou coragem, diminuiu para 3 a 2 dez minutos depois (Volmir cobrou uma falta, Sérgio falhou e rebateu, Tarciso só tocou para o gol ) e, como o Corintians, perdeu outras chances de gol. A melhor de todas, com Zequinha, aos 34′ e, pelo Corintians, de Adilson’ aos 41′.

Até os 25 minutos, quando vencia por 3 a 1, o Corintians ainda foi superior e calmo, mas foi caindo, mesmo mantendo a vantagem. Russo parou em campo e deixou Adãosinho perdido entre Neca, lura e Cacau, que ainda contavam com o apoio de Volmir. Pita sentiu cansaço, César deixou de correr e, Milton Buzetto, manteve ao seu lado, no banco, o Volante Helinho, quando o Grêmio ganhava no centro do campo e partia para contra-ataques perigosos e envolventes, que só teve coragem de iniciar quando o jogo estava praticamente perdido” (Flavio Adauto, Folha de São Paulo, segunda-feira, 3 de novembro de 1975)

 

Foto: Terceiro Tempo – Tardes de Pacaembu

 

ÊNIO ANDRADE ARRANJOU UMA DESCULPA: O JUIZ.

Reclamações, em futebol, principalmente depois de resultados negativos, já é algo comum por parte dos perdedores. Sempre, entre os derrotados, há alguém para culpar o juiz como o responsável pela vitória do time adversário. Ao finalizar a partida de ontem á tarde, frente ao Coríntians em São Paulo, dirigentes, treinador e jogadores do Grémio não esqueciam de justificar suas falhas apontando Luis Carlos Félíx como mal intencionado contra o Grêmio.

No inicio de suas explicações sobre a vitoria do Corintians, Ênio Andrade fez questão de dizer que não tem o hábito de acusar as arbitragens, mas quanto a de ontem ele não podia ficar quieto. Segundo o treinador do Grêmio, sua equipe foi bastante prejudicada pelo juiz, que estava influenciado pela torcida paulista e por isso prejudicou o Grêmio, principalmente em lances decisivos.

Para ele, antes de fazer falta em Vaguinho o lance que ocasionou o pênalti – Picasso tinha a bola segurada.

Para ele, Vaguinho empurrou Picasso e assim ele soltou a bola. Somente nesse momento o juiz assinalou falta e contra o Grêmio. Ênio garante que aquele lance não poderia ser pênalti, porque a primeira falta era a favor do Grêmio.

Depois de encontrar um culpado para a derrota , Ênio Andrade disse que o Grêmio, no período inicial, procurou observar o esquema tático do Coríntians e jogar da maneira mais tranqüila, para ir à frente, como fez no segundo tempo, Mas ele não esperava que o Coríntians, também procurasse jogar ofensivamente.” (Danilo Miralles, Zero Hora, 3 de novembro de 1975)

 

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

“CORÍNTIANS 3 X GRÊMIO 2

São Paulo — O Coríntians, jogando com aplicação tática e inteiramente na ofensiva, conseguiu com justiça uma boa vitória ontem, por 3 a 2, sobre o Grêmio, tendo no atacante Vaguinho sua principal figura em campo.
Os gols do Coríntians foram marcados por Adilson, Cláudio de pênalti e Vladimir, assinalando Tarciso 2 para o Grêmio. A renda foi de Cr$ 442 mil 884, com 28 mil 126 pagantes, e o juiz foi Luis Carlos Félix, com excelente atuação.

REAÇÃO DESESPERADA O Coríntians atuou com Sérgio, Zé Maria, Darci, Cláudio e Vladimir; Russo, Adãozinho e Pita; Vaguinho, Adilson e César (Geraldo). O Grêmio, com Picasso, Celso, Tadeu, Beto e Bolívar; Cacau (Oscar), Iura e Neca; Zequinha, Tarciso e Nenê (Loivo).

Desde os primeiros minutos de jogo, o Coríntians se lançou inteiramente ao ataque. As oportunidades de gol foram surgindo a todo instante, mas Vaguinho, Adãozinho, Adilson e Pita as desperdiçavam infantilmente. Somente aos 45 minutos da primeira etapa foi que o quadro paulista traduziu em gol sua superioridade em campo: Zé Maria cobrou um córner curto para Vaguinho e este centrou certeiramente para Adilson completar para as redes.

No segundo tempo, o panorama do jogo não se modificou. Aos 4 minutos, Picasso cometeu um pênalti em Vaguinho. Cláudio cobrou e ampliou o placar para 2 a 0. Embora de maneira desordenada, principalmente pelo desentrosamento do meio de campo, o Grêmio reagiu na base do espirito de luta e aos 16 minutos marcou seu primeiro gol, através de Tarciso.

Entusiasmado com esse gol, o time gaúcho abandonou quase que completamente a defensiva, do que se aproveitou o Coríntians. Aos 21 minutos, Vaguinho centrou para a área e o zagueiro Vladimir cabeceou para as redes.

Depois dos 3 a 1, no entanto, Inexplicavelmente o time do Coríntians recuou. Aos 29 minutos, Tarciso, se aproveitando de uma rebatida do goleiro Sérgio, marcou o segundo gol do Grêmio. O quadro gaúcho voltou a se motivar e partiu decisivamente para o ataque que só não conseguindo o empate pelos erros dos seus próprios atacantes, principalmente Zequinha, na complementação das jogadas.” (Jornal do Brasil, segunda-feira, 3 de novembro de 1975)

 

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

 

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

CORINTHIANS: Sérgio; Zé Maria, Darcy, Cláudio Marques, Wladimir, Russo, Adãozinho, Vaguinho, Adílson, César (Geraldão) e Pita
Técnico: Mílton Buzetto

GRÊMIO: Picasso; Celso, Tadeu, Beto Fuscão e Bolívar; Cacau (Osmar), Iúra e Neca; Zequinha, Tarciso e Nenê (Loivo)
Técnico: Ênio Andrade

Campeonato Brasileiro 1975 – 2ª Fase – 8ª Rodada
Data: 02 de novembro de 1975, domingo, 16h00min
Local: Morumbi, em São Paulo, SP
Público: 28.126
Renda: Cr$ 442.884,00
Árbitro: Luís Carlos Félix
Auxiliares: Manoel Espezin Neto e Juan de La Passion
Gols: Adílson aos 45 do 1º Tempo; Cláudio Marques (de pênalti) aos 4, Tarciso aos 15, Wladimir aos 20 e Tarciso aos 30 do 2º Tempo.

 

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