Brasileirão 1973 – Fortaleza 0x1 Grêmio

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Carlinhos é quem ameaça o goleiro Lulinha, em lance que até parece o golo marcado pelo ponteiro gremista” (Correio do Povo, 17 de janeiro de 1974)

 

O primeiro confronto da história entre Fortaleza e Grêmio aconteceu no estádio Castelão, numa situação muito semelhante com a de agora. Um jogo disputado em janeiro, válido pelo campeonato brasileiro do ano anterior.

Lendo a matéria do Correio do Povo transcrita abaixo eu fico me perguntando por que nunca ficou definido que GOLO é a única grafia correta.

 


 

“REABILITAÇÃO GREMISTA COM GOLO DE CARLINHOS

FORTALEZA (João Carlos Belmonte, enviado especial) — O Grêmio, fazendo excelente apresentação, se recuperou totalmente da sua estréia na semifinal do Campeonato Nacional, ganhando do Fortaleza, ontem à noite no Castelão, por 1 a 0 — gol de Carlinhos no segundo tempo.

Depois de enfrentar muitos problemas para a formação do seu time, o Grêmio, na noite de ontem, conseguiu a escalação de uma das suas melhores formações (com Tarciso principalmente) sobrando chance inclusive para que Mazinho, ainda sem sua melhor forma, fosse poupado pois Humberto Ramos, que domingo só entrou no segundo tempo, tinha melhores condições. E desde o início o Grêmio mostrou que poderia repetir as suas boas partidas da fase de classificação, usando muito bem as deficiências do time adversário e desde cedo criando oportunidades para marcar. Aos 16 minutos, Tarciso, com um trabalho muito bom, já conseguia um bom chute, que bateria na trave para salvar o Fortaleza do primeiro gol, depois de boa jogada de combinação do ataque do Grêmio com lançamento para o seu ponta-de-lança. O primeiro tempo terminou com zero a zero mas o Grêmio, por tudo que conseguiu fazer, merecia melhor sorte desde a etapa inicial de partida. O pequeno goleiro Lulinha, durante os primeiros 45 minutos, foi bastante exigido.

Para chegar a esta boa atuação, o Grêmio contou com um trabalho muito bom de seu meio-campo, principalmente de Paulo Sérgio. A defesa estava segura, e os laterais, principalmente Claudio, tinham muita liberdade para subir ao apoio. A partir do meio-campo, depois de um trabalho certo de marcação de Zé Carlos e Zé Roberto, Paulo Sérgio tinha muita categoria para fazer lançamentos, aproveitando-se muito bem, do espaço que a defesa do Fortaleza deixava, alegadamente porque Wilson, que não jogava há muito tempo, não fazia o trabalho normal de Queirós, segundo o seu técnico e alguns de seus jogadores, muito mais acostumado a jogar ao lado de Pedro Basílio. Este espaço no lado esquerdo da defesa do Fortaleza sempre foi muito bem aproveitado pelo Grêmio, principalmente por Paulo Sérgio.

No segundo tempo, sem fazer nenhuma alteração no começo, o Grêmio continuou apertando o ritmo, criando situações e aos 19 minutos, numa excepcional jogada de Paulo Sérgio, Carlinhos marcou o golo da vitória. Paulo Sérgio, avançando ao sentir o espaço deixado pelo quarto zagueiro, tocou certo para Carlinhos. Ele partiu muito bem e, na saída do goleiro, tocou por cima, com categoria. A bola entrou mansamente no 1 a 0 do Grêmio.

Exatamente no memento do golo, Froner já tratava de colocar Mazinho no lugar de Humberto Ramos, já cansado. E. o Grêmio, depois do golo, ainda teve outras oportunidades muito boas — Tarciso, em jogada de Paulo Sérgio, obrigou Lulinha a uma defesa muito difícil. E Carlinhos, que fez o golo da vitória, ainda teve duas oportunidades excelentes, talvez melhores do que aquela que terminou no golo, semente perdendo porque já estava cansado para apanhar lançamentos tão bons como fazia Paulo Sérgio.

A segunda modificação do time do Grêmio visou apenas segurar um pouco mais a principal jogada do Fortaleza, no apoio de Louro. Bolívar entrou no lugar de Loivo e com isso o Grêmio protegeu melhor o lado esquerdo de sua defesa, muito atacado pelas subidas de Louro em combinação com Amilton Rocha.

O Fortaleza, entretanto, reagiu um pouco no final, mas a última boa chance do jogo foi do Grêmio. Outra vez Paulo Sérgio fez grande lançamento, Carlinhos partiu livre mas cansado, perdendo a bola quase na linha de fundo.” (João Carlos Belmonte, Correio do Povo, quinta-feira, 17 de janeiro de 1974)

“GRÊMIO             1
FORTALEZA        0

FORTALEZA (Do correspondente Egídio Serpa) — O Grêmio conseguiu arrancar uma Importante vitória, pelo diminuto placar de 1 a 0, ao Fortaleza, na noite de ontem, no Estádio Plácido Castelo, numa partida multo disputada e com bastante equilíbrio na primeira fase. O gol único foi assinalado por Carlinhos, para os gaúchos, aos 19 minutos do segundo tempo. O juiz foi Romualdo Arpi Filho, auxiliado por Sílvio Silveira e Bartolomeu Lordelo.” (Egídio Serpa , Jornal dos Sports, quinta-feira, 17 de janeiro de 1974)


 

FORTALEZA: Lulinha; Louro, Pedro Basílio, Wilkson e Bauer; Zé Carlos e Zé Roberto; Hamilton Rocha, Hamilton Melo (Lucinho), Marciano e Reginaldo (Beijoca)
Técnico: Mozart Gomes

GRÊMIO: Picasso; Cláudio, Ancheta, Renato Cogo e Jorge Tabajara; Carlos Alberto, Humberto Ramos (Mazinho) e Paulo Sérgio; Carlinhos, Tarciso e Loivo (Bolívar)
Técnico: Carlos Froner

Campeonato Brasileiro 1973 – Terceira Fase – 2ª Rodada
Data: 16 de janeiro de 1974, quarta-feira
Local: Estádio Castelão, em Fortaleza, CE
Público: 14.194
Renda: Cr$ 101.578,00
Árbitro: Romualdo Arpi Filho
Auxiliares: Sílvio Silveira e Bartolomeu Lordelo
Gol: Carlinhos aos 20 minutos do segundo tempo.

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