Brasileirão 1995 – Grêmio 2×1 São Paulo

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Foto: José Doval (Zero Hora)

 

É fácil verificar algumas semelhanças entre esse próximo Grêmio Vs São Paulo e o confronto pelo Brasileirão de 1995. Nas duas ocasiões o jogo era o antepenúltimo compromisso do Grêmio no Campeonato Brasileiro. Em 1995, assim como hoje, o Grêmio estava com seu foco voltado para uma outra decisão.

Um elemento marcante daquele jogo foi um embate entre Felipão e Telê Santana. Na época o técnico são-paulino era também colunista da Folha de São Paulo e, antes das finais da Copa do Brasil, escreveu queO Grêmio, em certas ocasiões, mostra-se uma equipe desleal” e que “o time gaúcho é um reflexo do Luiz Felipe, seu treinador. Na época em que ele era jogador, sempre foi considerado um atleta violento. Tinha pouca técnica e fazia muitas jogadas agressivas.” Meses depois, Felipão respondeu em uma entrevista para Placar, apontando para a hipocrisia do seu acusador: “Telê não olha o próprio rabo. Quando era do Grêmio, em 1977, ele contratou o Oberdã só para dar porrada.

 

Foto: José Doval (Zero Hora)

 

LUIZ FELIPE LEVA A MELHOR NO DUELO COM TELÊ SANTANA

Desde a disputa pela Copa do Brasil, no primeiro semestre deste ano, Luiz Felipe tem sido criticado pelo técnico Telê Santana, do São Paulo. “Ele incita os seus jogadores à violência”, insiste Tele. Sábado, no Estádio Olímpico, vencer os paulistas era uma questão de honra para o treinador gremista. O Grêmio não fez um bom primeiro tempo, chegou a estar perdendo por 1 a 0, mas ao final da partida Luiz Felipe deixou o gramado de cabeça erguida, amparado na vitória de 2 a 1. Além da derrota, Telê não pode evitar a ironia do destino. O São Paulo fez 18 faltas, apenas duas a menos que o Grêmio, e ainda teve um jogador expulso por excesso de violência.

A tarde ensolarada de sábado levou mais de 10 mil pessoas ao estádio. Eufóricos com o clima de acerto de contas entre Luiz Felipe e Telê, os torcedores não resistiram e vaiaram o técnico do São Paulo toda a vez que o polêmico treinador deixou o banco de reservas para passar instruções aos jogadores.

Preocupado com a alta velocidade das jogadas, Luiz Felipe pedia mais atenção no meio-campo e na zaga, que perdiam o confronto com Cláudio, Almir e Sierra. Em 12 minutos de jogo, o Grêmio levou perigo ao gol de Rogério duas vezes, enquanto o São Paulo perdia uma boa chance. O time de Tele desperdiçou a primeira oportunidade, mas foi fulminante na segunda, aos 17 minutos: aparando um cruzamento baixo do lateral Cláudio, o atacante Luciano colocou no canto esquerdo de Danrlei. Cinco minutos mais tarde, Arilson empatou cobrando falta, mas o inseguro árbitro Jose Rabelo anulou o gol, alegando toque de mão. Pouco depois, Rabelo voltou a anular um gol, desta vez aquele que seria o segundo de São Paulo, por falta na defesa.

Com 10 homens em campo – Bordon foi expulso por fazer falta violenta em Carlos Miguel – o São Paulo voltou mais cauteloso, para a etapa final. Levado pela torcida, o time de Luiz Felipe mostrou determinação para buscar o empate, com ataques sucessivos. À insistência foi recompensada com uma falta sobre Paulo Nunes, dentro da área: pênalti. À torcida pediu que Dinho cobrasse: O volante chutou com força e empatou. Luiz Felipe começava a derrubar Telê Santana do alto do pedestal.

A 18 minutos do final da partida, Jardel, como de hábito, subiu mais que a defesa adversária e marcou: 2 a 1. Lume Felipe se vingou das provocações de Telê Santana com uma vitória de virada e o Grêmio subiu para 16 pontos no segundo turno e 28 na classificação geral. Agora, livre definitivamente da ameaça de rebaixamento, o time passa a pensar apenas em Tóquio.” (Zero Hora, segunda-feira, 13 de novembro de 1995)

OS DESEMPENHOS (Zero Hora, 13 de novembro de 1995)
GRÊMIO SÃO PAULO
Conclusões a gol 9 6
Escanteios cedidos 5 8
Faltas cometidas 20 18
Impedimentos sofridos 4 6

ADÍLSON É APROVADO E GARANTE A SUA VAGA

O zagueiro Adilson voltou ao time do Grêmio sábado, depois de um longo período longe dos gramados. Operado de um grave problema de coluna, o capitão gremista fez uma exibição cautelosa diante do São Paulo. O  suficiente entanto, para provar que estará em condições para a decisão do Mundial Interclubes contra o Ajax, dia 28.

 Adilson só jogou a segunda etapa. Entrou no lugar de Luciano para dar mais segurança ao setor defensivo do time. Além disso, Adilson tem uma missão importante no esquema de Luiz Felipe. Com ele na equipe, Dinho e Goiano não precisam recuar para dar início à jogada. O próprio zagueiro se encarrega de sair com a bola dominada e distribui-la para o meio-campo. “Isso deixa a equipe mais adiantada e, em consequência, melhora a marcação”, disse Adilson, logo depois da partida.

A torcida gremista que compareceu ao estádio sábado não viu o Adilson vigoroso e campo.  Mesmo assim, o zagueiro mostrou habilidade. O capitão do Grêmio aparou a bola no peito, deu um “chapéu” sobre um adversário, fez lançamentos e comandou a defesa e o meio-campo. Nof inal do jogo, foi muito aplaudido. “Quero agradece o carinho dos torcedores com uma grande vitória em Tóquio”, disse. “Em toda a minha carreira, nunca recebi tanto apoio de um clube e de uma torcida como neste período aqui no Grêmio.” (Zero Hora, segunda-feira, 13 de novembro de 1995)

 

“A boa fase do Grêmio, com a vitória de virada no Olímpico, foi suficiente para convencer até o técnico Telê Santana, do São Paulo, sobre as condições em que se encontra o bicampeão da Copa Libertadores, duas semanas antes da decisão em Tóquio. Telê não economizou elogios ao Grêmio. ” O sistema de marcação é muito bom, com dois zagueiros firmes, dois volantes de contensão e dois meias criativos, mas também um atacante rápido, o Paulo Nunes, que cria condições para um atacante perigoso, o Jardel, um ótimo cabeceador”, resumiu. Telê ressaltou que o Grêmio não têm destaques individuais e o que prevalece é o senso coletivo. “Isso que o Arce, que faz as jogadas para o Jardel, não atuou” (Zero Hora, segunda-feira, 13 de novembro de 1995)

 

Foto: José Doval (Zero Hora)

 

SÃO PAULO PERDE PARA GRÊMIO E FICA EM 7º

O São Paulo perdeu para o Grêmio por 2 a 1, ontem, em Porto Alegre (RS), e ficou em situação muito ruim na luta por uma vaga nas semifinais do Brasileiro.
O time está em sétimo no Grupo B, com sete pontos em sete jogos. O Grêmio lidera o Grupo A, com 16 pontos, ao lado do Corinthians, mas com três jogos a mais.
O São Paulo marcou o primeiro gol aos 16min. O lateral Cláudio cruzou da direita e Luciano mergulhou para cabecear.
Ainda no primeiro tempo, o juiz Jorge Rabelo anulou dois gols: um do Grêmio, aos 22min -Arílson bateu falta e Goiano teria tocado com a mão na bola-, e um do São Paulo, aos 29min -Pedro Luiz marcou após escanteio, mas foi marcada falta de Edmílson.
Aos 34min, o zagueiro Bordon, que já tinha um cartão amarelo, foi expulso.
No segundo tempo, o Grêmio conseguiu o empate aos 14min, por meio de um pênalti cobrado por Dinho. Aos 19min, o goleiro Rogério evitou de forma espetacular um gol de cabeça de Arílson, mas, aos 27min, Alexandre cruzou e Jardel cabeceou, na pequena área, para marcar o segundo gol.” (Folha de São Paulo, domingo, 12 de novembro de 1995)

GRÊMIO FESTEJA DERROTA DE TELÊ
O Grêmio já havia conseguido o que queria no Campeonato Brasileiro: afastar o risco de rebaixamento para a segunda divisão.
Anteontem, no entanto, o técnico Luiz Felipe e seus jogadores deram à vitória sobre o São Paulo a importância de um desabafo há muito desejado.
“Foi um ‘cala-boca’ para o Telê Santana, que passou todo o primeiro semestre dizendo que nosso time era violento e que só sabia vencer batendo no adversário”, disse o volante Dinho.
“O meu gol foi o ‘gol São Paulo’, para quem fala muito, mas não ganha nenhum título”, disse o atacante Jardel.
O técnico Luiz Felipe foi irônico: “Eles dizem que nós batemos, que somos indisciplinados. Acho que este São Paulo que perdeu para nós e que bateu o tempo todo não é o time do Telê, deve ser o time treinado pelo Muricy (auxiliar de Telê)”.
A exemplo dos jogadores do São Paulo, os do Grêmio também se queixaram da arbitragem de Jorge Rabelo. “Ele anulou um gol nosso e um gol deles. Foi muito mal”, disse Paulo Nunes.” (Léo Gerchmann, Folha de São Paulo, segunda-feira, 13 de novembro de 1995)

“O volante Alemão disse que o São Paulo foi “roubado”.
“O Luiz Felipe (técnico do Grêmio), mesmo assim, conseguiu ser mais decepcionante que o juiz. Sabia que eu tinha cartão amarelo e mandou o Arílson me provocar”, afirmou Alemão. Para ele, esse tipo de recomendação é “coisa de mau caráter” (Folha de São Paulo, segunda-feira, 13 de novembro de 1995)

 

Foto: José Doval (Zero Hora)

 

“O JOGO: O Grêmio teve a domínio da partida, mas a zaga demonstrava insegurança no primeiro tempo. No segundo tempo, os gaúchos atacaram mais e as paulistas procuraram se defender.” (Placar, Tabelão 95 n.º 10)


Grêmio 2×1 São Paulo

GRÊMIO: Danrlei; Wágner Fernandes (Alexandre), Rivarola, Luciano (Adílson) e Roger; Dinho, Goiano, Arílson e Carlos Miguel; Paulo Nunes (Magno) e Jardel
Técnico: Luiz Felipe Scolari

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Cláudio, Pedro Luiz, Bordon e André; Alemão, Edmílson, Sierra (Gilmar) e Aílton; Almir (Alexandre) e Luciano
Técnico: Telê Santana

Campeonato Brasileiro 1995 – Segunda Fase – 7ª Rodada
Data: 11 de novembro de 1995, sábado, 16h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 10.298 (7.008 pagantes)
Renda: R$ 69.255,00
Juiz: Jorge Fernando Rabelo (RJ)
Cartões amarelos: Aílton, Pedro Luiz, Alemão, Gilmar e André (SP); Carlos Miguel, Paulo Nunes e Roger (G)
Cartão vermelho: Bordon, aos 38 minutos do 1º tempo
Gols: Luciano, aos 16min do primeiro tempo; Dinho (de pênalti), aos 14 minutos, e Jardel, aos 27 minutos do segundo tempo

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