Brasileirão 1981 – Semifinal – Jogo de Volta – Grêmio 0x1 Ponte Preta

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Foto: Luiz Avila (Zero Hora)

Há exatos 40 anos se registrava, no  estádio Olímpico, o maior público presente da história do futebol gaúcho. Mais de 98 mil pessoas presenciaram a classificação do Grêmio as finais do Brasileirão 1981, perdendo por 1×0 para a Ponte Preta mas se valendo do bom resultado feito em Campinas no jogo de ida das semifinais.

Eu sempre achei bastante peculiar que esse público seja tão maior do que os demais registrados no Olímpico na década de 80. Há uma diferença de mais de 15% em relação ao segundo maior público pagante registrado na Azenha (74.238 pagantes no segundo jogo da final do Brasileirão de 1982). Lembro de, certa feita, ter visto o Antônio Augusto sustentar que essa diferença se deve ao fato de que para esse jogo foram exigidos dois ingressos para cada pessoa que decidisse ir na social como acompanhante de sócio. Não encontrei nenhuma evidência dessa exigência nos jornais da época, como pode ser visto no material transcrito abaixo (contudo, vi essa exigência no anúncio do preço dos ingressos da final da Libertadores de 1995).

Acho interessante também notar que o site oficial do Grêmio, bem como diversas outras páginas citam o número de 98.421 (85.751 pagantes) enquanto nos jornais da época é informado o público de 98.499 (85.721 pagantes).

 

Foto: Luiz Armando Vaz (Zero Hora)

Foto: Jurandir Silveira (Correio do Povo)

Foto: Manchete (Fonte: Acervo Histórico do Grêmio)

Foto: Nico Esteves (Placar)

 

O time de Tarciso – De León, Baltazar, China, Casemiro, Paulo Isidoro e companhia – poderia até perder por 1 a 0. Foi justamente o placar do embate com os paulistas. Apesar da derrota, a torcida comemorou fervorosamente a classificação para a decisão do campeonato. “Eu nunca tinha visto o Olímpico com torcedores tão empolgados. Foi uma loucura. Era um momento de busca por algo inédito, mas havia uma grande organização da torcida”, comenta Tarciso.

Para o ex-atacante, o tropeço em casa diante de quase 100 mil torcedores mudou a postura do time para a final contra o São Paulo: “A gente sabia que seria um jogo difícil. Só que o problema foi que a Ponte apareceu aqui com outro esquema de jogo. Nos enganaram e a gente demorou para entender como eles estavam jogando. Acabou que a Ponte nos empurrou para trás e conseguiu o gol. Acho que nos fechamos muito por causa da vantagem. Mas o erro ensina”.

E ensinou. Na decisão de 81, o Tricolor gaúcho não deu chances para os são-paulinos. O primeiro jogo no Olímpico terminou 2 a 1. No duelo de volta, outra vitória dos gremistas, agora por 1 a 0. “A derrota na semifinal foi muito importante, porque nos deu uma visão bem ampla do que precisaríamos para ser campeões. Não basta só querer, tem que jogar e ter vontade”, conclui Flecha Negra.” (Correio do  Povo – 27 de novembro de 2012)

Foto: Luiz Armando Vaz (Zero Hora)

 

 

 

“GRÊMIO PREVÊ RENDA DE Cr$ 11 milhões
Expectativa de 85 mil torcedores

 
Se os 75 mil ingressos forem vendidos, a renda de hoje no Olímpico deverá chegar aos Cr$ 11 milhões – um recorde no Rio Grande do Sul. Os dirigentes gremistas acreditam que o Olímpico receberá mais de 85 mil torcedores, pois os sócios pagam separado o seu ingresso e o dinheiro é repassado depois para o borderô da partida.

 
Os preços para o jogo de hoje forma aumentados em relação a outras partidas: mil cadeiras numeradas a Cr$ 300; 25 mil arquibancadas superiores a Cr$ 3000; 25 mil arquibancadas inferiores a Cr$ 70,00; 10 mil sociais a Cr$ 70,00; 5 mil menores a Cr$ 20,00. É certo que a maior parte dos ingressos já deve estar nas mãos de cambistas, e por isto mesmo bem mais caras. As bilheterias do Estádio Olímpico deverão abrir às 9 horas da manhã. A direção do Grêmio recebeu diversos pedidos de reservas de ingressos do interior do estado, o que deverá trazer alguma dificuldade para a compra hoje.” (Zero Hora, domingo, 26 de abril de 1981)

 

OS RECORDES DESTA TORCIDA
Maior público e renda no Rio Grande do Sul. E o público no Olímpico sofreu muito também

 
Foram 98.499 corações batendo apressadamente durante 90 minutos, vibrando com o Grêmio que perdeu por 1 a 0 para a Ponte Preta, mas garantindo a sua vaga na decisão da Taça de Ouro e na Libertadores. Foi uma torcida que sofreu deste o momento do gol de Osvaldo aos 20 minutos do primeiro tempo. Mas esta torcida bateu todos os recordes de público e renda no Rio Grande do Sul. Os ingressos um pouco mais caros resultaram num total de Cr$ 11.142.990,00 – e 85.721 foram quem pagaram ingressos; 12.778 não pagaram: eram menores de 12 que não pagam nada no Olímpico, pessoal de imprensa e convidados especiais do próprio Grêmio. […]” (Zero Hora, segunda-feira, 27 de abril de 1981)

 

 

Ruy Carlos Ostermann  – “DERROTA INSUFICIENTE

Um público maravilhoso, o maior que já pagou ingresso em Porto Alegre e o maior que já assistiu a um jogo — foram 12.721 que entraram com carteirinha, a serviço ou no bolo — teve de resignar-se com uma derrota do Grêmio para a Ponte. E teve de admitir a curiosa mas verdadeira ambigüidade: que a derrota não era suficiente e havia a classificação para a Libertadores depois dela e o direito de decidir com o São Paulo sexta no Olímpico e domingo no Morumbi. Por isto, na saída do estádio havia, no melhor exemplo que era o Patrono Fernando Kroeff, um rosto amargurado pela derrota quase anulando o sorriso e os olhos brilhantes motivados pela classificação.

Dizer-se que foi capricho de um campeonato mal planejado e erro: o Grêmio se classificou derrotado por 1 a 0 pela Ponte por força indiscutível do retrospecto melhor que conquistara no campo, nos jogos anteriores. Foi a vitória em Campinas, num jogo de surpresa e muita determinação, que permitiu a sobra de ontem, tão grande que nela coube esta derrota insuficiente.

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Mas o Grêmio, pelo que jogou ontem, não ganharia o jogo para sua imensa e entusiasmada torcida: jogou mal, descontrolado, errado na maior parte do tempo, com erros técnicos e coletivos e muito descompassado. A Ponte jogou bem melhor do que fizera em Campinas. Tocou a bola, como sempre, aproximou seus principais ¡jogadores (Edson, Odirlei, Lola, Osvaldo, Humberto, Nenê, não pela ordem nem pelo lugar mas pela importância de cada um). No primeiro tempo avançou Osvaldo, juntou-o a Lola em cima de Newmar e De León e formou assim o Grêmio a atrasar China para a cobertura dos zagueiros de área; abriu-se um espaço dolorosamente grande entre China e seus dois companheiros, Paulo Isidoro e Vilson Tadei — era a área de manobra da Ponte.

O resultado de primeiro tempo, 1 a 0, foi correto, mas a incapacidade da Ponte em chegar a um gol mais também pareceu correta.

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 Baltazar chutou uma vez só, Tarciso lambem só uma vez, o Grêmio no total chutou apenas 9 vezes em 90 minutos de jogo. Mas a Ponte, que precisava fazer ao menos dois gols, fez um, de cabeça, numa cobrança de falta da linha de fundo, e chutou menos ainda do que o Grêmio, sete vezes no total. Pouco, tão pouco que fazer gois, ontem, era tarefa duríssima para quem perdeu e para quem ganhou. A Ponte, que teve maior insistência, iniciativa e bola sob controle, insistiu — por força da característica dominante de seus jogadores que estavam na frente — no toque de bola mesmo na hora em que se exigia o chute.

Foi, inegavelmente, uma das vantagens materiais que o Grêmio teve a seu favor.

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E ganha, agora, do São Paulo? Pois pode ganhar, se o Botafogo ganhou uma vez e ontem estava ganhando de 2 a 0 quando começou a perder num gol de pênalti do São Paulo. O futebol é uma atividade lógica: o São Paulo tem mais time do que qualquer outro time em atividade no pais este ano mas leva gols (três na decisão com o Botafogo) e pode continuar levando. No Olímpico ao menos.

O Grêmio terá de melhorar muito. Mas nem precisa porque ¡á está na Libertadores e agora tudo é vantagem.” (Ruy Carlos Ostermann, Zero Hora, segunda-feira, 27 de abril de 1981)

 

Foto: Correio do Povo

Foto: Correio do Povo

 

 

Foto: Antônio Pacheco (Zero Hora)

 

 

Grêmio 0x1 Ponte Preta

GRÊMIO: Leão; Uchôa, Newmar, De Léon e Casemiro; China, Paulo Isidoro, Vilson Tadei e Renato Sá (Jurandir); Tarciso e Baltazar.
Técnico: Ênio Andrade

PONTE PRETA: Carlos; Edson Boaro, Nenê Santana, Juinho Fonseca e Odirlei; Celso, Humberto, Osvaldo e Zé Mário; Serginho e Lola
Técnico: Jair Picerni

Brasileirão 1981 – Semifinal – Jogo de Volta
Data: 26 de abril de 1981, domingo, 17h00min
Local: Olímpico, Porto Alegre-RS;
Público: 98.499 (85.721 pagantes)
Renda: Cr$ 11.142.990,00
Árbitro: Maurílio José Santiago (MG)
Auxiliares: Alvimar Gaspar dos Reis e Edson Alcântara de Amorim
Cartão Amarelo: Odirlei (PP)
Gol: Osvaldo, aos 20 minutos do 1º tempo

One Response to “Brasileirão 1981 – Semifinal – Jogo de Volta – Grêmio 0x1 Ponte Preta”

  1. Brasileirão 1981 – Todos os jogos da Campanha | Grêmio1983 Says:

    […] 26/04/1981 –  Grêmio 0x1 Ponte Preta […]

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