Gauchão 2001 – Grêmio 4×2 Inter

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

Dos Gre-Nais que eu vi, esse teve foi um dos placares mais enganosos. Os 2×0 do primeiro tempo saíram muito barato. Ainda não me conformei que o Grêmio deixou o Inter chegar perto do empate quando poderia/deveria ter imposto uma goleada histórica. E gol do Luis Claudio foi um dos mais lamentáveis que o Grêmio já tomou.

É curioso notar que na crônica da Zero Hora, David Coimbra coloca Anderson Polga como volante no Grêmio, enquanto a própria ficha técnica da Zero Hora escala o Grêmio num 3-5-2 com Polga de zagueiro.

Foto: Placar (Agência RBS)

“GRÊMIO GOLEIA E JÁ ESTÁ NA FINAL DO GAUCHÃO
Num dos melhores Gre-Nais dos últimos anos, o time do Olímpico fez 4 a 2 no Inter e levou o primeiro turno por antecipação

Os 4 a 2 que o Grêmio enfiou no Inter, ontem à tarde, no Estádio Olímpico, reafirmam uma verdade que, nos anos 70, era ensinada todos os dias pelo velho técnico Abílio dos Reis, ele com sua inconfundível voz roufenha:
– Quem ganha o meio-campo, ganha o jogo.

Foi assim no belo e trepidante Gre-Nal 348. O meio-campo do Grêmio foi absoluto, o time de Títe venceu até com alguma facilidade e conquistou, com antecipação, o título do primeiro turno do Campeonato Gaúcho.

Anderson Polga, Eduardo Costa, Tinga e Zinho, eis os nomes do jogo. Anderson Polga marcou o perigoso Fábio Pinto e foi perfeito. Passou quase todo o jogo com a ameaça de expulsão pendendo sobre sua cabeça (levou um cartão amarelo aos cinco minutos) e nem assim se perturbou. Fez uma partida sólida como as arquibancadas de pedra do Olímpico.

Eduardo Costa, com a atuação de ontem, tem de pensar em se matricular em um curso de italiano com urgência – um dirigente da Inter, de Milão, estava no estádio para observá-lo. Deve estar boquiaberto até agora. Eduardo Costa teve uma atuação de luxo, no desarme, no passe escorreito, m distribuição do jogo.

Zinho deu o ritmo ao time. Experiente e esperto, comandou seus jovens companheiros e ainda marcou o quarto gol, de pênalti. Finalmente, Tinga. Este merece um ponto de exclamação. Movimentou-se como um volante holandês e ainda arrumou fôlego para fazer dois gols.

O harmônico meio-de-campo do Grêmio contou com o auxílio luxuoso de uma zaga consistente, formada pelo aniversariante Marinho e pelo inteligente Mauro Galvão, além de um ataque sempre perigoso, com Renato Martins, afinal um centroavante ortodoxo, e Rodrigo Mendes.

Já o Inter foi sempre vacilante. Uma defesa insegura, um meio-campo frágil e um ataque que teve alguns lampejos agudos apenas no segundo tempo. No primeiro, o domínio do Grêmio foi irretorquível. O Inter mal entrou na área do excelente Danrlei. Aos 23 minutos aconteceu o previsível: Tinga fez 1 a 0. O Inter só assustava Danrlei com as cobranças de falta de Fábio Rochemback. Aos 42, Tinga, de novo, recebeu um passe notável de Renato Martins e ampliou.

O Inter voltou a campo disposto a atacar, no segundo tempo. E o Grêmio a contra-atacar. Num desses contragolpes, Eduardo Costa fez grande jogada pela direita, entrou na área e atrasou a bola para Rodrigo Mendes marcar 3 a 0. A impressão era de que o Grêmio aplicaria uma goleada devastadora. A torcida gritava olé nas arquibancadas e os jogadores trocavam passes delicados no meio do campo.

Essa desconcentração foi fatal. Aos 23, Rochemback jogou a bola para Luiz Cláudio dentro da área. O centroavante dominou, levantou para ele mesmo e, de bicicleta, assinalou o gol mais plástico da partida. A confiança dos gremistas trincou com o gol surpresa. Dois minutos depois, Luiz Cláudio, outra vez, foi a linha de fundo, cruzou e Fábio Pinto completou para a rede.

O jogo se revestiu de uma urgência e de um nervosismo que eletrizou as arquibancadas. O empate do Inter parecia iminente. Mas, aos 40, Eduardo Costa, mais uma vez, puxou o contra-ataque, passou para linho, que foi derrubado na área por Fernando Cardoso: pênalti. O próprio Zinho cobrou e fechou o placar: 4 a 2. Alivio para os gremistas. E justiça. Venceu quem foi melhor.” (David Coimbra, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 2001)

 

MELHORES MOMENTOS
1° TEMPO

♦ 2 minutos – Renato Martins deixa Rodrigo Mendes frente a frente com João Gabriel. O atacante do Grêmio para, pensa e erra.

♦ 14 minutos – Lê cobra falta e Danrlei espalma a escanteio.

♦ 14 minutos – Zinho passa para Rodrigo, que chuta de perna direita. João Gabriel defende.

♦ 17 minutos – Rodrigo chuta de direita e João Gabriel espalma a escanteio. Na cobrança, Galvão cabeceia e Guerreiro salva debaixo das traves.

♦ 23 minutos – Escanteio da esquerda. A bola sobra para Tinga no lado direito da área. Ele chuta forte e alto: gol.

♦ 31 minutos – Rochemback bate falta com violência e efeito. Danrlei tira com os pés.

♦ 42 minutos – Marinho passa para Renato, que, de peto, toca para Tinga fazer 2 a O.

 

2° TEMPO

♦ 8 minutos – Confusão na área do Grêmio. Lê acerta um chute na trave.

♦ 11 minutos – Danrlei faz duas grandes defesas em uma falta de Rochemback e, em seguida, num chute de Gil Baiano.

♦ 16 minutos – Eduardo Costa avança pela direita e passa para Rodrigo marcar 3 a 0.

♦ 23 minutos – Luiz Cláudio domina a bola na área, levanta para ele mesmo e, de bicicleta, desconta: 3 a 1

♦ 25 minutos – Luiz Cláudio corre pela direita, cruza e Fábio Pinto faz 3 a 2.

♦ 27 minutos – Marcelo perde gol na frente de Danrlei.

♦ 34 minutos – Tinga recupera a bola, passa para Rodrigo, que gol.

♦ 40 minutos – Eduardo lança Zinho que é derrubado na área por Cardozo. Pênalti, Zinho cobra e amplia: 4 a 2.” (Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 2001)

Foto: Edison Vara (Placar) – Fonte: Interpedia

Foto: Edison Vara (Placar)

NÚMEROS DO JOGO (Zero Hora, 2 de abril de 2001)
GRÊMIO INTER
Passes errados 52 54
Faltas cometidas 16 20
Jogadas de linha de fundo 6 4
Finalização corretas 6 7
Finalizações erradas 3 7
Escanteios a favor 4 5
Impedimentos 1 1
Cartões amarelos 5 3

 

Foto: Paulo Franken (Zero Hora)

 “O GRE-NAL DE TITE

Um é elétrico, comanda seu time com rédea curta, invade o campo para vibrar nos gols, esforça-se para interferir no andamento da partida. O outro é pacato, não grita com os jogadores e passa a nítida impressão de estar resignado com tudo o que acontece à sua frente.

A vitória do Grêmio por 4 a 2 no clássico de ontem à tarde foi o triunfo de Tite, o determinado, sobre Zé Mário, o conformado.

Normalmente exaltado, Tite desta vez extrapolou, principalmente no primeiro tempo. Xingou o tempo todo o bandeira José Franco Filho, postado rio lado das sociais, bateu boca várias vezes com o árbitro reserva Ronaldo Silva e por muito pouco não acabou expulso.

— Não dá mais, eu vou embora se você não der cartão para eles — protestou o treinador em um dos momentos de maior exasperação, quase sapateando de raiva.

— Deu, deu, agora chega — gritou o árbitro Fabiano Gonçalves, ameaçando puxar o cartão vermelho.

O fato é que a energia de Tite chegou aos jogadores. Marinho, Polga e Eduardo Costa, normalmente vistos com desconfiança pela torcida, desdobraram-se no combate aos adversários e foram quase perfeitos.

— Os jogadores entenderam que só a capacidade de mobilização poderia superar os problemas decorrentes da falta de entrosamento — afirmou o treinador, dentro de seu estilo didático. — Não se tem padrão de jogo com 15 ou 16 jogos e com um time que é 70% diferente do ano passado.

Também coube a Tite a tarefa de manter o grupo mobilizado mesmo diante dos atrasos salariais. Seu argumento: os objetivos profissionais têm que estar acima de situações momentâneas. E quanto a Zé Mário? No primeiro tempo, quando virou uma presa fácil para o Grêmio, o Inter foi o espelho fiel de seu treinador. Embora tenha ficado o tempo todo à beira do gramado, Zé Mário só se manifestou pela primeira vez aos 25 minutos, reclamando de uma saída errada de Leandro Guerreiro.

Dá para dizer que Zé Mário só acordou após o segundo gol do Inter. Aí, sim, gesticulou um pouco mais e chegou a mostrar-se revoltado com o outro árbitro reserva, Rogério Gonçalves, que permitia a Tite passar instruções quase dentro do campo. Já era tarde. A essa altura, seus gritos eram abafados pelo coro de “burro, burro” da torcida colorada e de ” Zé Mário, Zé Mário”, um deboche dos gremistas.

— Se a diretoria achar que tenho de sair, tudo bem —afirmou após o jogo. — Mas estou certo de que um dia nosso trabalho ainda virá à tona. Futebol não é só Gre-Nal.

Tanto o presidente Fernando Miranda como o vice de futebol, Márcio Abreu, garantiram ontem à noite que nada muda no comando do time. Mas mudanças deverão ocorrer esta semana, quem sabe até na comissão técnica.” (Luis Henrique Benfica, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 2001)

 

 

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

 

 

 

OS ATLETAS DE CRISTO VOLTAM AO OLÍMPICO
GRE-NAL 348 – Jogadores mostram mensagens de louvor nas camisetas

Eles estão de volta. Ressurgiram das cinzas, feito a mitológica Fênix, Rubens Cardoso, Marinho, Itaqui, Anderson Lima e Zinho reeditaram ao final do Gre-Nal o movimento dos atletas de Cristo, expurgado do Olímpico no começo do ano passado sob acusação de provocar passividade em campo.

Por baixo da camiseta tricolor, exibiram com orgulho inscrições de louvor a Deus, atitude parecida com a adotada pelo São Caetano na Copa João Havelange.

O lateral-esquerdo Rubens Cardoso trouxe a frase “Deus é fiel”. Itaqui optou por “100% Jesus”, enquanto o Zagueiro Marinho preferiu mandar um recado sutil à direção que o afastou do grupo depois de algumas más atuações: “Deus exalta o justo”.

Iniciado com o goleiro João Leite e o ex-gremista Baltazar nos anos 80, o movimento ganhou adeptos e virou uma legião. Capitão, Macedo, Murilo, Fabinho, Hernani, todos foram mandados embora. Em um determinado momento, restou apenas Itaqui, ainda por cima renegado a reserva. Agora, de cara nova, os atletas de Cristo mostram sua força

– Fizemos as camisas no mesmo lugar – disse Cardoso.

O clima no vestiário gremista era de festa total. Nem a surpreendente briga entre o goleiro Danrlei e o diretor-executivo Denis Abrahão, na entrada do túnel, atrapalhou a festa. Ao final do jogo, Danrlei, aos gritos, correu em direção à Abrahão.

— Comigo é cara a cara! A vitória é do grupo! – gritou Danrlei, irritado.

Dênis nada respondeu e preferiu não aparecer na sala de conferências para esclarecer o episódio. O repórter Farid Germano Filho, da Rádio Gaúcha, perguntou a Danrlei o motivo da briga, mas ele não quis tocar no assunto ou responder se o motivo eram as críticas feitas ao árbitro Carlos Simon na semana passada, desaprovadas pela direção, O presidente José Alberto Guerreiro falou sobre o episódio:

– Sempre pude haver alguma discussão, é claro.

Hoje, o presidente estará em São Paulo na reunião do Clube dos 13. Além disso, examinará om a ISL como ficará o contrato do clube diante da concordata suíça. Por um lado, é até bom: assim resolvemos esta questão de uma vez por todas – afirmou Guerreiro.” (Diogo Olivier, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 2001)

 

Foto: Edison Vara (Placar)

 

Grêmio 4×2 Inter

 

GRÊMIO: Danrlei; Marinho, Mauro Galvão e Ânderson Polga; Ânderson Lima, Eduardo Costa, Tinga, Zinho e Rubens Cardoso; Rodrigo Mendes (Warley) e Renato Martins (Itaqui)
Técnico: Tite

INTER: João Gabriel; Denílson, Espínola, Fernando Cardozo e Marcelo Santos (Marco Aurélio); Leandro Guerreiro (Gil Baiano), Fábio Rochemback, Carlinhos e Lê (Marcelo); Luiz Cláudio e Fábio Pinto
Técnico: Zé Mário

Gauchão 2001 – Octogonal Final – 1º Turno – 6ª Rodada
Data: 1º de abril de 2001, domingo
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 29.062 (26.417 pagantes)
Renda: R$ 240.795,00
Juiz: Fabiano Gonçalves
Auxiliares: José Franco Filho e André Veras
Cartões Amarelos: Danrlei, Ânderson Lima, Marinho, Ânderson Polga, Eduardo Costa; Fernando Cardozo, Marcelo Santos, Gil Baiano
Gols: Tinga aos 23 minutos e aos 43 do 1º tempo; Rodrigo Mendes, aos 16 minutos, Luiz Cláudio aos 23; Fábio Pinto aos 24 e Zinho (de pênalti) aos 42 minutos do 2º tempo.

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