Brasileirão 1996 – Grêmio 3×1 Flamengo

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Foto: Zero Hora

Como eu disse na semana passada, foi nessa partida contra o Flamengo que Zé Alcino foi titular pela primeira vez na campanha do Brasileirão de 1996.

Interessante notar que José Mitchell (do Jornal do Brasil) apesar de chamar o atacante do Grêmio de Zé “Alcindo”, observou corretamente que o novo camisa nove tricolor atuava mais pelos lados do campo, tendo Paulo Nunes passado mais para o centro do ataque.

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Foto: José Ernesto (Correio do Povo)

PAULO NUNES VIVE NOITE DE `MATADOR´

Marcou todos os gols na vitória de 3 a 1 sobre o Flamengo, no estádio Olímpico, formando dupla endiabrada com Zé Alcino

Quando marcou seu terceiro gol, Paulo Nunes correu para a beira do gramado, ajoelhou-se diante da torcida, fez o sinal-da-cruz e depois ergueu os olhos e as mãos para o céu. Com seus três gols, Paulo Nunes levou o Grêmio a vencer o Flamengo por 3 a 1, ontem à noite, no Olímpico, e, de quebra, mostrou que é o verdadeiro sucessor do matador Jardel e reassumiu a artilharia isolada do Campeonato Brasileiro com 11 gols.

Para chegar a essa posição, Paulo Nunes contou ontem com uma parceria que não vinha tendo nas últimas partidas: Zé Alcino. E foi exatamente dos pés de Zé Alcino que saiu o passe para o gol que abriu o caminho da vitória. Aos 5 minutos, ele invadiu a área pela direita e cruzou na medida para o goleador gremista simplesmente encostar para a rede. O Grêmio começava a recuperar a tranqüilidade abalada. Aos 19 minutos, Zé Alcino cruzou, Goiano errou e a bola sobrou para Paulo Nunes, que dominou e chutou com categoria.

Na arquibancada, a torcida fazia a sua festa, aplaudindo os jogadores a cada lance. Além dos dois atacantes, Carlos Miguel e, especialmente, Émerson davam o ritmo do jogo. No sistema defensivo, tudo perfeito, inclusive com André Silva revelando qualidades até para ser mantido. Aos 35 minutos, Zé Alcino dominou pelo meio e enfiou para o endiabrado Paulo Nunes, que entrou livre, driblou o goleiro e fez 3 a 0.

No segundo tempo, o Grêmio reduziu seu ritmo. Carlos Miguel foi poupado. Entrou João Antônio. O Flamengo passou a pressionar. Num contra-ataque, aos 9 minutos, Zé Alcino fez bela jogada individual e quase marcou o quarto gol. Aos 19, Athirson entrou pela direita e bateu cruzado para fazer 3 a 1. Logo depois, Luciano foi expulso injustamente pelo árbitro, que passou a errar muito. Mesmo com um a menos, o Grêmio garantiu a vitória.” (Correio do Povo, quinta-feira, 10 de outubro de 1996)

“O JOGO: O Grêmio foi superior ao Flamengo no primeiro tempo e definiu a vitória cedo, em mais uma ótima apresentação de Paulo Nunes.” (Tabelão Placar 96)


“Mais do que o jogo de Paulo Nunes, autor dos três gols do Grêmio, a partida marcou o ajuste final de Luiz Felipe no time. Com a entrada de Zé Alcino no lado direito do ataque, ele resolveu os problemas ofensivos da equipe
.”(Zero Hora, segunda-feira, 16 de dezembro de 1996)

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OUTRO VEXAME DO FLA

De novo, o carrasco foi também ex-rubro-negro, Paulo Nunes, autor dos três gols da vitória do Grêmio

PORTO ALEGRE — O Flamengo parece ter-se acostumado a perder, como temia o presidente Kleber Leite. Ontem, no Estádio Olímpico, sofreu sua terceira derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro (está em 12° lugar, com 20 pontos ganhos), escapando inclusive de ser goleado no primeiro tempo. O Grêmio ficou nos 3 a 1, porque o Flamengo jogou com raça no segundo tempo, quando conseguiu seu gol, marcado por Atirson, um dos poucos que se salvaram.

Paulo Nunes, mais um ex-jogador rubro-negro (como aconteceu com Edmundo, no domingo), foi o responsável pelo terceiro pesadelo do Flamengo. O atacante marcou três gols, poderia ter feito mais, se não tivesse saído por cansaço, e assumiu a liderança isolada da artilharia com 11 gols.

A derrota deixou a dúvida: o que tem sido pior no time do Flamengo? A sua frágil defesa, que até três rodadas era a menos vazada e agora contabiliza 11 gols sofridos em três jogos? O meio-campo, em que a criatividade não existe? Ou o ataque, que parece não ter entrado em campo nos últimos jogos? Bebeto, por exemplo, voltou a jogar muito mal.

Ontem, no Olímpico, a combinação desses fatores negativos foi responsável por mais uma derrota. Aos 5min, numa bola perdida num dos muitos passes errados de Iranildo no meio-campo, o Grêmio partiu para o rápido contra-ataque, em três toques. Dos pés de Emerson para Zé Alcindo, que cruzou para Paulo Nunes marcar 1 a 0, completamente livre. Paulo Nunes (pelo meio) e Zé Alcindo (pela ponta direita) se movimentavam e confundiam os zagueiros.

O Flamengo não conseguia ficar com a bola. O Grêmio, muito superior, não deixava o adversário jogar e ainda neutralizava as jogadas com seguidas faltas. O time de Joel ainda conseguiu perder um gol feito (Marques, livre, demorou para chutar), até que Paulo Nunes se aproveitou de um chute errado de Zé Alcindo para fazer 2 a 0, aos 19min. Gol de pura sorte.

Paulo Nunes ainda tinha mais para mostrar. Aos 35min, recebeu a bola em seu próprio campo, partiu em velocidade sem ser combatido, driblou Zé Carlos e tocou para o gol vazio: 3 a 0 no placar, três gols de Paulo Nunes e o 11º o do novo artilheiro do Brasileiro.

Tudo ou nada — Sorte do Flamengo que o primeiro tempo terminou — o Grêmio perdeu duas oportunidades para ampliar, para desespero do técnico Joel Santana. “Vamos voltar com tudo para o segundo tempo. Perdido por três, perdido por seis”, gritava Joel na saída de campo para o vestiário.

Joel fez mais do que gritar: trocou Atirson e Gilberto de lado. Em uma de suas primeiras jogadas como lateral-esquerdo, Atirson driblou dois adversários e chutou cruzado para marcar um bonito gol, aos 15min. Luciano foi expulso, o Grêmio ficou com um jogador a menos e o Flamengo tentou então reagir. Na base da raça, depois de duas substituições que nada acrescentaram (os atacantes Marcos e Jacinto no lugar de Gilberto e Marques), o Flamengo procurou o segundo gol. Quase conseguiu com Mancuso, que chutou no travessão.

O Flamengo, que teve de amargar mais uma derrota, volta a jogar domingo contra o Paraná, no Maracanã, com o presidente Kleber Leite ratificando sua confiança na comissão técnica rubro-negra. “O Joel Santana é um dos três melhores técnicos do Brasil. Está mantido no cargo e tem o meu apoio”.  (José Mitchell, Jornal do Brasil, quinta-feira, 10 de outubro de 1996)

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GRÊMIO: Danrlei; Marco Antônio, Luciano, Adílson e André Silva; Mauro Galvão, Goiano, Émerson e Carlos Miguel (João Antônio); Paulo Nunes (Wágner) e Zé Alcino (Aílton)
Técnico: Luiz Felipe Scolari

FLAMENGO: Zé Carlos; Gilberto (Marcão), Juan, Júnior Baiano e Athirson; Márcio Costa, Mancuso, Fábio Baiano e Iranildo (Pingo); Marques (Jacinto) e Bebeto
Técnico: Joel Santana

14ª Rodada – Primeira Fase – Brasileirão 1996
Data: 09 de outubro de 1996
Árbitro: Dalmo Bozzano (SC)
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre
Público: 12.505 (8.833 pagantes)
Renda: R$ 86.741,00
Cartões Amarelos: Émerson, Goiano e Marco Antônio (G); Júnior Baiano, Mancuso e Jacinto (F)
Cartão Vermelho: Luciano (G)
Gols: Paulo Nunes (G), 5, 19 e 35 minutos (1° tempo); Athirson (F), 15 minutos (2° tempo).

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