Sobre a reunião do conselho de 16 de dezembro de 2021

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A reunião do Conselho Deliberativo de 16 de dezembro de 2021 teve a seguinte ordem do dia:

– Exame do balancete do trimestre vencido (julho a setembro);
– Discutir e votar o orçamento do exercício de 2022;
– Decidir sobre pedido do Conselho de Administração de suplementação do orçamento para o exercício de 2021;
– Assuntos Gerais.

Eu fiquei com a sensação de dessa vez, pela combinação rebaixamento e época do ano, houve um interesse maior sobre o que aconteceu na reunião. Infelizmente a notícia publicado no site do clube pouco ajuda neste aspecto, e os balancetes ainda não foram publicados no portal de governança. Independente disso, acho que sempre é importante que os conselheiros tentem dar as suas impressões sobre o que foi apresentado, discutido e votado.

Sobre os dois primeiros itens da pauta, me chamou a atenção questões relacionadas ao faturamento do quadro social:

•   Ao final do terceiro trimestre de 2021 a arrecadação social líquida estava 22% abaixo do orçado para o período (no segundo trimestre estava 14% abaixo e se projeta que o ano feche com 18,5% abaixo).
•   Para 2022, o orçamento prevê que o quadro social arrecade 6% mais do que irá terminar arrecadando na atual temporada. Achei uma estimativa demasiadamente otimista, especialmente considerando os dados acima, que demonstram que a mera volta da torcida aos estádios não é o suficiente para recuperar plenamente as receitas nesta rubrica. No final da reunião, o conselheiro Marcelo Pinto Ribeiro fez um questionamento sobre os planos para o quadro social e o Presidente Romildo Bolzan respondeu, muito rapidamente, sobre a ideia de aumentar os descontos nas redes de convênio do Grêmio e criar um programa de cashback.

Mas, excetuada essa questão do quadro social,  eu achei que o orçamento estava razoável e adequado, e por isso votei pela aprovação.

Diferente foi meu voto para a questão da suplementação. A apresentação do pedido de suplementação orçamentária (assim como os temas anteriores) foi feita pelo controller Fabiano Wurdig. Ele enfatizou o fato de haver um superávit, mesmo com a suplementação, e tratou de abrir as rubricas de despesas, afirmando que boa parte delas não teria um efeito direto/imediato no caixa. Afirmou ainda que esses gastos extra se davam em função do fretamento de aviões para jogos da Libertadores e Sul-americana, por uma provisão feita em razão de uma autuação do fisco espanhol na venda de Arthur para o Barcelona e pelo efeito contábil da rescisão e consequente baixa dos atletas dispensados no decorrer do ano.

O conselheiro Eduardo Magrisso perguntou ao Controller sobre quando a gestão havia percebido a necessidade de fazer uma suplementação orçamentária. Foi respondido que entre agosto e setembro. Pra mim este é o ponto fundamental para a rejeição do pedido de suplementação. Ainda que a pergunta não tivesse sido respondida de forma objetiva, os fatos apresentados como ensejadores das despesas extras todos eram conhecidos muito antes do final do ano. E ainda assim a gestão não apresentou nenhuma justificativa para o pedido ter sido apresentado tão tardiamente.

Ao meu ver o fato de haver um superávit é, na melhor das hipóteses, um atenuante nesta questão, mas de forma alguma pode servir como justificativa para que se autorize despesas depois de que elas já tenha sido feitas. Esse é um problema sobre o qual eu já havia me manifestado em uma reunião realizada em novembro de 2014. De qualquer forma me manifestei também nessa reunião, lembrando que em 2016 o pedido de suplementação foi apresentado no final de agosto e em 2017 foi apresentado no início de outubro. Não vejo razão para o clube ter regredido neste aspecto.

Infelizmente a maioria dos conselheiros entendeu por aprovar o pedido de suplementação. Entendo perfeitamente a surpresa e indignação de muitos sócios (como, por exemplo,o  Lucas Von ) mas a realidade do conselho é essa e, desde que a questão dos votos dos conselheiros jubilados foi aprovada, dificilmente a gestão sofrerá qualquer tipo de derrota dentro do conselho deliberativo.

Diversos conselheiros fizeram manifestações interessantes na reunião. Entre eles eu destacaria três:

•   O conselheiro Pierre Gonçalves, que falou da necessidade da direção restabelecer/melhorar a comunicação com os sócios, torcidas, imprensa e outros clube e entidades.

• O conselheiro Alexis Efremides, que falou sobre o esgotamento do modelo atual de gestão, que centraliza e concentra o poder na mão de poucas pessoas.

• E o conselheiro Daniel Follmann, que fez um detalhado histórico dos insucessos, equívocos, descasos e incoerências da gestão do clube nas últimas temporadas, que serviu de mote para questionar se a diretoria se sentia motivada a fazer as correções que se apresentam como necessárias.

O presidente Romildo Bolzan, que até então estava bastante quieto, respondeu o questionamento do conselheiro Daniel Follmann. Ele estava visivelmente e compreensivelmente chateado, e se dirigiu diversas vezes ao conselheiros pedindo desculpas. Contudo, em nenhum momento citou quais teriam sido os erros da gestão em 2021 e igualmente não explicou o que será feito de maneira diferente em 2022. O máximo que ele falou, em resposta a uma pergunta do conselheiro Juarez Aiquel sobre a fala de Denis Abrahão (sobre não ter visto gestão de futebol por parte dos seus antecessores), foi enfatizar que havia sim gestão de futebol e que o problema em 2021 foi uma falta de sintonia no vestiário.

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