Brasileirão 1996 – Vasco 1×1 Grêmio

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Foto: Agliberto Lima (Revista Nação Tricolor 1996, Ano I, nº 02)

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Foto: Agliberto Lima (Revista Nação Tricolor 1996, Ano I, nº 02)

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Foto: Agliberto Lima (Revista Nação Tricolor 1996, Ano I, nº 02)

No Brasileirão de 1996, o Grêmio conseguiu um empate com o Vasco graças à um gol marcado por Paulo Nunes aos 48 minutos dos segundo tempo. Esse foi o tipo de jogo que demonstra bem como aquele time de Felipão tinha capacidade de terminar a fase de classificação mais bem colocado do que a 6ª posição que acabou conquistando.

Curiosa a reclamação pelos cinco minutos de acréscimos (que hoje são corriqueiros).

Uma vez que o Vasco atuou com seu fardamento branco, o Grêmio optou por utilizar meias pretas, o que só aconteceria mais outra vez na competição.

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

 

GOL NO FIM EVITA A DERROTA DO GRÊMIO
O time gaúcho dominou o Vasco, mas por pouco não saiu de São Januário com um resultado inesperado

LEONARDO OLIVEIRA Enviado Especial/Rio

O Grêmio dominou, empurrou o Vasco para trás, mas acabou saindo de campo com a convicção de que teve muita sorte, ao arrancar um empate de 1 a 1 com o Vasco, ontem à tarde, no Estádio de São Januário, depois de sofrer um gol aos 40 minutos do segundo tempo. Apesar do resultado favorável, a equipe do técnico Luiz Felipe perdeu uma grande chance de conseguir três pontos fora de casa. Os cariocas ficaram com um jogador a menos logo aos 11 minutos, depois que o estreante Borçato fez uma falta violenta em Carlos Miguel. O bicampeão gaúcho disputa na quarta-feira o seu terceiro jogo consecutivo fora de casa, contra o Atlético-PR, em Curitiba.

O Vasco preparou uma verdadeira festa para enfrentar o Grêmio. Antes do jogo, as jogadoras do clube que serviram à Seleção Brasileira na Olimpíada foram homenageadas pela diretoria. Os 20 mil torcedores presentes (o público divulgado foi de 9.010) ao estádio foram ao delírio quando o folclórico massagista Santana saudou a todos vestindo um fraque branco e uma camiseta do clube. Mas bastou a bola rolar para o Grêmio acabar com a euforia dos cariocas. Nos primeiros 10 minutos, o domínio foi total dos gaúchos.

Quando o Vasco equilibrou, o volante Borçato — que segundo a imprensa carioca está na equipe apenas por ser amigo de Edmundo — foi expulso. Com um jogador a menos, o técnico Alcir Portela colocou o volante Sidnei no lugar do atacante Toninho. A mudança deixou Edmundo isolado entre os zagueiros do Grêmio. Apesar da inoperância do ataque adversário e da vantagem no meio-campo, a equipe de Luiz Felipe não tinha objetividade, exagerando nos toques laterais na intermediária.

A conversa com Luiz Felipe no intervalo alertou os jogadores. Aos dois minutos, Émerson perdeu uma grande chance de marcar, chutando, sozinho, para fora. Depois da entrada de Afonso no lugar do confuso Émerson, aos 15 minutos, os passes laterais foram trocados por cruzamentos para a área. Aos 40, o lateral Pimentel cansou de defender e puxou um contra-ataque da sua defesa. Depois de tabelar com Macedo, encobriu o goleiro Danrlei, marcando um bonito gol. Aos 48 minutos, quando tudo parecia perdido e os alto-falantes de São Januário gritavam que estava na hora de o árbitro terminar o jogo, o Grêmio chegou ao empate. Depois da cobrança de escanteio, o goleiro Caetano falhou, Adilson cabeceou na trave e Paulo Nunes, na volta, colocou para a rede, garantindo um resultado mais justo para a partida de São Januário.” (Leonardo Oliveira, Zero Hora, segunda-feira, 2 de setembro de 1996)

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 “HERÓI PAULO NUNES SALVA O TIME

Ao final de cada jogo do Grêmio, o atacante Paulo Nunes é saudado como o melhor jogador da equipe em campo. O reconhecimento já virou rotina. Ontem, no Estádio de São Januário, no Rio, não foi diferente. Quando a equipe já dava por perdido um jogo que estava dominando, o atacante marcou seu quarto gol na competição e garantiu o empate salvador. Enquanto o técnico Luiz Felipe trabalha para enquadrar os candidatos a substitutos de Jardel, Paulo Nunes se encarrega de assumir a posição de goleador da equipe — e não decepciona.

Antes da partida, os vascaínos fizeram questão de lembrar que a passagem de Paulo Nunes pelo arqui-rival Flamengo ainda não tinha sido esquecida. Mas os cânticos que colocavam em questão a masculinidade do atacante gremista não o perturbaram. Durante toda a partida, foi o jogador mais competente da equipe, deslocando-se por todos os lados e participando ativamente da marcação no meio-campo. Nunca deu sossego para os atacantes. Dos pés deles saíram as jogadas mais perigosas.

A determinação do ponteiro pretendido por times espanhóis foi recompensada com o gol heróico aos 48 minutos do segundo tempo. Depois de vencer o goleiro Caetano, desviando de cabeça para a rede, Paulo Nunes fez questão de correr em direção às gerais de São Januário e debochar dos incrédulos vascaínos. O empate foi bem ao estilo do time armado por Luiz Felipe: nos descontos e sofrido.

Estilo a que Paulo Nunes conseguiu se adaptar com perfeição, contrariando todos os prognósticos. Quando chegou a Porto d Alegre, no início do ano passado, muitos que conseguisse vencer no disputado futebol gaúcho. Os críticos até tinham subsídios para tanto descrédito. Franzino e com o jeito malemolente dos cariocas, o surfista nas horas vagas Paulo Nunes tinha tudo para não acertar no Grêmio.

Mas Paulo Nunes não só superou o descrédito, como venceu o frio do Sul e as marcações duras do disputado futebol gaúcho e comprovou para os cariocas, principalmente os flamenguistas, que ainda poderia jogar em uma grande equipe.

A saída da Gávea não foi nada pacífica, O jogador recém havia se recuperado de uma cirurgia e amargava a reserva. Fora da noite carioca (ele confessa que era um freqüentador assíduo) e com o auxílio de Luiz Felipe, sagrou-se bicampeão da Copa Libertadores da América e, depois da saída do seu companheiro de ataque Jardel, transformou-se no maior destaque da equipe. “Tudo o que eu tenho hoje, eu agradeço ao Luiz Felipe, ele é como se fosse o meu segundo pai“, reconhece. (Zero Hora, segunda-feira, 2 de setembro de 1996)

 

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

 

GRÊMIO EMPATA CONTRA O VASCO NOS ACRÉSCIMOS
Com um futebol de ritmo preguiçoso e desprovido de criatividade, o Grêmio ficou apenas no empate em 1 a 1, ontem à tarde, no São Januário, diante de um Vasco da Gama que jogou desde os 11 minutos com um jogador a menos devido à expulsão do volante Borçato. No final, o resultado até foi festejado pelos gremistas, já que o time conseguiu empatar apenas nos acréscimos.

Foi a terceira partida consecutiva em que o Grémio perdeu uma grande oportunidade de somar não um, mas 3 pontos. A primeira foi contra o Vitória, a segunda contra o Corinthians, e a terceira ontem. Com isso, o time manteve uma honrosa, mas inútil invencibilidade, e caiu na tabela de classificação, ficando na obrigação de vencer o Atlético, em Curitiba, quarta-feira.

A torcida do Vasco ainda fazia festa para Edmundo, quando aos 11 minutos, Borçato foi expulso após levar o segundo cartão amarelo. A partir daí, o Grêmio assumiu o controle do jogo. O Vasco recuou, ficando somente Edmundo, em grande atuação, na frente. Com toques para os lados, cruzamentos fracos e imprecisos e poucas jogadas pelas pontas, o Grêmio não soube aproveitar a chance de somar 3 pontos em pleno São Januário.

O Grêmio parecia acreditar que o gol sairia ao natural, sem maior esforço. Acabou surpreendido por Pimentel, que, aos 40 minutos, avançou meio campo sem ser combatido, e chutou por cobertura para fazer 1 a O. O Grêmio acordou e, na pressão, empatou aos 48 minutos, por Paulo Nunes, de cabeça.” (Correio do Povo, segunda-feira, 2 de setembro de 1996)

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Foto: Correio do Povo

 

“FELIPÃO AGRADECE A DEUS E FAZ CRÍTICAS

“Temos que erguer as mãos para o céu e agradecer a Deus pelo resultado”, desabafou o técnico do Grêmio, após o jogo contra Vasco. Luiz Felipe Scolari ficou irritado com a falta de poder ofensivo do seu time, “que dominou o jogo, mas não criou”. Na sua avaliação, o Grêmio jogou errado, tentando entrar pelo meio. “Deveríamos explorar bolas aéreas e cavar faltas perto da grande área do Vasco”.

Luiz Felipe disse também que Danrlei falhou no gol de Pimentel, “pois estava adiantado e errou a mão na hora de fazer a defesa”. Ele voltou a criticar os jogadores de meio e defesa, que permitiram que o lateral do Vasco penetrasse livre. “Os jogadores não querem se expor ao ridículo e só ficam cercando”. (Correio do Povo, segunda-feira, 2 de setembro de 1996)

 

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

“O empate com o Vasco teve um sabor de derrota para o Grêmio. Com a expulsão de Borçato, aos 11 minutos do primeiro tempo, o Vasco perdeu força ofensiva, permitindo ao Grêmio tomar o controle da partida.O empate veio nos descontos, com Paulo Nunes.” (Zero Hora, segunda-feira, 16 de dezembro de 1996)

 

“O JOGO: Apesar de atuar com um jogador a mais durante 80 minutos, o Grêmio não ousou e o Vasco viu facilitado seu trabalho de equilibrar a partida.” (Tabelão Placar 1996)

 

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DIRIGENTES PROTESTAM

O fato de o árbitro Oscar Roberto de Godói ter dado 50 minutos de jogo no segundo tempo — o Grêmio empatou aos 48min — fez alguns vascaínos perderem a cabeça após o jogo. O choro era livre. O advogado do clube, Paulo Reis, berrava pateticamente que o Vasco não vence por culpa da imprensa.

Outros também não mediam as palavras, como o ex-jogador e deputado estadual Roberto Dinamite. ‘”Não é querer justificar esses atos, mas se o que aconteceu aqui fosse lá no Sul. a delegação do Vasco e a Arbitragem nem sairiam do estádio”. comentou Roberto.

No mesmo tom, o vice-presidente de futebol. Eurico Miranda, não Se conformava com o empate do Grêmio. “Os clubes não têm nada a fazer. É por isso que se um juiz como esse tem dois ou três dentes quebrados depois do jogo não vai poder reclamar”, ameaçava. Segundo Eurico, há um esquema organizado pelo diretor da Comissão de Arbitragem da CBF, Ivens Mendes, para prejudicar o Vasco.

“Não é de hoje que eu venho afirmando que os árbitros têm uma orientação dele, no sentido de que o Vasco não se classifique entre os oito em hipótese alguma. Os jogadores do Vasco já estavam avisados sobre isso. Eu pedi a abertura de inquérito na CBF e ninguém fez nada. Mandaram para o Tribunal julgar e dizer que eu estava ofendendo o Ivens”, reclamava o dirigente.

Lucidez mesmo era mais fácil de ser encontrada entre os jogadores. Como Pimentel, que não satisfeito em sair como o melhor do time e marcar um golaço, deu uma lição aos dirigentes e assessores: “Tudo bem, o árbitro não precisava dar cinco minutos de acréscimo, um ou dois estava bom. Mas o nosso time bobeou. Não podíamos tomar um gol daqueles naquela hora”. (Ricardo Gonzalez, Jornal do Brasil, segunda-feira, 2 de setembro de 1996)

 

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

 

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Fonte: Pioneiro

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Vasco 1×1 Grêmio

VASCO: Caetano; Pimentel, João Luiz, Alex e Cássio; Luisinho, Borçato, Juninho (Macedo) e Válber (Ranielli); Edmundo e Toninho (Sydnei)
Técnico: Alcir Portela

GRÊMIO: Danrlei; Aílton, Mauro Galvão, Adílson e Roger; Dinho, Goiano, Émerson (Zé Afonso) e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Saulo (Rogério)
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Brasileirão 1996 – 7ª Rodada – 1ªFase
Data: 1º de setembro de 1996, domingo, 17h00min
Local: Estádio São Januário, no Rio de Janeiro, RJ
Público: 9.010
Renda: R$ 96.970,00
Árbitro: Oscar Roberto de Godói (SP)
Auxiliares: Carlos Roberto da Silva e Jovair de Almeida
Cartões Amarelos: Sydnei; Aílton, Roger, Goiano, Mauro Galvão, Zé Afonso e Adílson
Cartão Vermelho: Borçato
Gols: Pimentel, 40 minutos do 2º tempo e Paulo Nunes,aos  48 minutos  do 2° tempo

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