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Taça Brasil 1959 – Grêmio 1×0 Atlético Paranaense

August 13, 2019
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Foto: A Hora

O primeiro jogo da história do Grêmio na Taça Brasil (por consequência o primeiro jogo do tricolor em uma competição nacional) ocorreu em setembro de 1959, quando recebeu o Atlético Paranaense no Olímpico, pelo jogo de ida das oitavas de final do torneio criado pela CBD para indicar o representante brasileiro na primeira edição da Copa Libertadores.

O Grêmio venceu por 1×0, graças a um gol de Juarez (que era dúvida para a partida, em função de uma gripe). No Atlético o grande destaque foi o centro-médio Tocafundo (que aparece na foto acima afastando um ataque gremista).

Interessante notar que a crônica do Correio do Povo, apesar de elogiar a solidez defensiva do time paranaense, criticou o falta de ambição ofensiva dos visitantes, que teriam ficado “apenas no “FRICOTE” à meia distância da área tricolor“.

É válido também apontar para o fato do Atlético ter usado sua camisa com listras horizontais (que só foi abandonada no final dos anos 80) e o Grêmio ter usado meias pretas como mandante.

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Foto: Correio do Povo

PRIMEIRO PASSO DO GRÊMIO NA “TAÇA BRASIL”: 1X0 SÔBRE O ATLÉTICO

Foi uma boa partida de futebol a que disputaram domingo, no Olímpico, o Atlético Paranaense e o Grêmio Pôrto Alegrense, quando o tricolor debutava na “Taça Brasil”. Pelo escore mínimo, os gaúchos saíram vencedores, mas a bem da verdade deve-se dizer que foi difícil estabelecer mesmo esta pequena superioridade.

Usando de uma forma de atuar totalmente diversa do antagonista, manobrando com a bola no chão e trocando passes pequenos e certos, a equipe atleticana foi envolvendo o Grêmio pouco a pouco até chegar a exercer por momentos um certo domínio da cancha.

Mas, o tricampeão gaúcho estava sempre atento e sempre disposto a não se deixar surpreender, assim que, quando se pensava que chegara a hora do Atlético marcar, surgia o defensor gremista cortando certo, na hora certa.

O sistema de bloqueio estabelecido por seu turno pela defensiva do Atlético, não deu margem a liberdade alguma para a ofensiva gremista que se viu assim manietada. Apenas uma única vez além do goal esteve em situação realmente propícia para marcar. Foi quando Tocafundo salvou o tento certo.

Aliás Tocafundo, com uma brilhante atuação particular, demonstrou a forma esplêndida porque atravessa no momento Ao beirar os 30 anos de idade mostrou-se o mesmo guri de outros tempos, dando um verdadeiro “show” de classe, experiência e sobretudo vitalidade e categoria.

Foi o maior jogador em campo, e organizador do serviço de bloqueio e marcação. Recuando êle próprio para dentro da área, evitou que o número de quedas de sua meta fôsse aumentado. No ataque é que faltou gente ao Atlético. Não tiveram os curitibanos aquele homem capaz de decidir tudo, e resolver com facilidade a partida, marcando goals. Ficando apenas no “fricote” à meia distância da área tricolor.

De qualquer forma, foi uma boa partida, em certos momentos equilibrada, noutros instantes pendendo ora para um, ora para outro bando.

Aos 8 minutos da segunda fase, Juarez desfez a estabilidade do marcador, desviando com um toque de cabeça, para o fundo das redes, um escanteio cobrado pelo ponteiro Ví. Era o 1×0 que permaneceria até o final da contenda, num espelhamento perfeito do que foi o jogo entre Atlético e Grêmio, pela nova e interessante competição denominada, “Taça Brasil”.

Um público de cêrca de 10.000 pessoas presenciou o jogo, fazendo passar pelas bilheterias a importância de 245.000 cruzeiros. Este público saiu satisfeito com o que viu que na verdade, foi uma boa partida. Além da atuação individual de Tocafundo, o melhor jogador em campo, é preciso salientar Sano, William, Péricles e Gaivota, no Atlético, e Orlando, Ortunho e Elton no Grêmio.” (Correio do Povo, terça-feira, 15 de setembro de 1959)

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JUAREZ DECIDIU EM FAVOR DO GRÊMIO O PRIMEIRO COMPROMISSO DA TAÇA BRASIL

Um belo espetáculo, que soube agradar o público que acorreu ontem à tarde ao Estádio Olímpico, ofereceram o Grêmio Porto-Alegrense e o Atlético Paranàense, na primeira partida que disputarão da série de quatro pontos válida pela Taça Brasil. Belo espetáculo porque teve os ingredientes necessários: momentos e lances de elevado quilate técnico e, sobretudo, sensação, a pairar sôbre o Estádio durante os noventas minutos da contenda.

A vitória tricolor, acusada no final pelo escore mínimo, diz bem o que foi o prélio em disputa e paridade de fôrças e reflete; com justiça, os méritos que o quadro local somou para alcançar o triunfo.

Atlético “dá a Pinta”

A fraca apresentação do Ferroviário, uma semana atrás, deve ter influído negativamente sôbre o conceito do atual futebol, paranaense entre nós, devendo tal fator ser levado em conta para explicar a fraca arrecadação O Atlético, porém, teve o dom de em poucos momentos desfazer a má impressão e dar uma mostra de suas reais possibilidades. Algumas avançadas iniciais bem conduzidas evidenciaram que o campeão das Araucárias sabia o que fazer com a pelota. A maneira como resistiram às primeiras avançadas tricolores demonstraram quo também suas defensiva sabia agir direito: O espetáculo já ganhou muito em interêsse nesses primeiros minutos. Os restantes 45 dessa etapa foram mais ou menos no mesmo ritmo: as cargas revezavam-se defronte das cidadelas de Henrique e William, luzindo notadamente os zagueiros de cada bando para manter incólume o setor que defendiam. E o conseguiram nessa primeira fase.

Defesas “Roubam” o Espetáculo

Os dois blocos defensivos aparecem como os maiores responsáveis pelo ambiente de permanente tensão vividos pelo assistentes que ontem foi ao Olímpico. Souberam manter, durante largo tempo, aquele 0 x 0 pouco propício a cardíacos e não permitiram nunca um distanciamento capaz de oferecer a distensão do ambiente…

Segundo Tempo-Trouxe Vitória

Reiniciada a partida, na etapa complementar, sentiu-se a mesma situação do primeiro <>. E numa investida tricolor surgiu o tento que daria a vitória aos locais. Até aí não haviam surgido os méritos que justificassem essa vantagem, fruto de um lance isolado. O Grêmio, porém, sacara contra o futuro. E passaria, depois de avantajado no marcador, a mostrar porque o conseguira: firmeza na defensiva como antes, agora aliada a uni domínio que não houvera na etapa inicial. Milton e Elton passaram a comandar a meia-cancha, graças notadamente ao trabalho do «insider». Daí o maior volume de jôgo dos tricolores, daí a pressão que inclusive exerceram sôbre os campeões paranaenses, daí a, daí a justificativa cristalina para o triunfo que abre caminho largo para o tricampeão gaúcho na Taça Brasil.

Faltou Chute

Dentre muitas virtudes, apresentou uma deficiência a equipe campeã do Paraná. No geral, atuou certo: passes bem feitos, preocupação de manter a bola no chão, jogando, assim um futebol plástico e que bem coroado é produtivo. Faltou, porém, o coroamento: o arremate. Pelo menos ontem, os avantes do Atlético demonstraram insegurança e indecisão para atirar a «goal», razão por que poucas vezes exigiram a Henrique. As avançadas, em sua maior parte, perdiam-se no excesso de tramas que, se envolviam por momentos a defesa tricolor, logo evaporavam-se pela falta da conclusão.

O Tento Solitário

O «goal» Único da partida surgiu aos 8 minutos do período complementar. Juarez foi seu autor. Vieira cobrou um escanteio à esquerda e, quando o balão «pingava» sôbre a área, Juarez, com belo toque de cabeça, deslocou o arqueiro William e atingiu o canto esquerdo da meta Paranaense. Decidia-se aí o prélio.

Destaques

Um nome dominou a partida: Tocafundo. Soberbo. Jogando recuado, cobrindo sua área, Tocafundo foi o organizador das linhas defensivas de sua equipe, Tranquilo e clássico mas também vigoroso e decidido, Tocafundo foi a maior barreira que tiveram pela frente os avantes gremistas. Jerônimo cumpriu excelente trabalho na etapa Inicial, mas na segunda deixou evidente a mesma deficiência física de seus últimos tempos de Pôrto Alegre. Savo, Altemir, Gaivota e Péricles apareceram bem.
No quadro do Grêmio, Calvet, Orlando e Airton (êste apesar de algumas brincadeiras perigosas…) foram melhores. O ataque esteva apagado, valendo por lampejos de Gessi e o esfôrço de Gessi. Na meia-cancha, Milton cumpriu excelente trabalho, embora pouco ajudado por Elton. ~

Arbitragem

Júlio Salsamente, da Federação Paranaense, dirigiu a partida o cumpriu excelente atuação. Se erros cometeu, foram de pequena monta, incapazes de truncar o desenvolvimento do prélio e influir em seu resultado. Seus auxiliares foram Flávio Cavedine e Guilherme Sroka.” (A Hora, segunda-feira, 14 de setembro de 1959)

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ENIO MELLO – ESPORTE TEM DISSO

1 — Durante a semana acentuamos que o Atlético representaria melhor o futebol paranaense que o jovem conjunto do Ferroviário que, há 8 dias, aqui esteve. Embora soubessemos qual tinha sido o comportamento do quadro de Motorzinho nos dois turnos eliminatórios do campeonato das araucárias, confiávamos na categoria, na classe da maioria de seus integrantes. Lembramos a tradição atleticana sua condição de clube que sempre bem representou o associativo do Paraná e o grande número de jogadores experientes de seu plantei, como: Tocafundo, Belfari, Sano, Jerônimo e Taíco. O último não jogou, mas os outros quatro estiveram na equipe.

2 — E três deles justificaram, amplamente, nossa expectativa. Tocafundo, a maior figura do gramado, foi o mesmo jogador de ótimos recursos que vimos atuar antes mesmo de transferir-se para ou Palmeiras. Com um ar de quem não quer nada com a bola, o veterano jogador vai bloqueando os adversários na área, fazendo praça de grande categoria, de uma tranquilidade impressionante, em certos momentos e de uma resistência leonina, nas ocasiões em que são exigidos decisão e esfôrço. Um senhor jogador o centro-médio recuado do Atlético (atuando no estilo de Orlando, Formiga e Billy Wright.)

3 — Dois jogadores seguiram em méritos o centro-médio como elementos para base da estrutura do quadro atleticano: Sano e Jerônimo. Ambos muito bons, tão eficientes que, com colaboradores bem mais modestos em recursos e capacidade de realização, sustentaram luta parelha com os tricampeões gaúchos, durante três quartas partes da peleja. Sómente quando o preparo físico do Grêmio passou a exercer predomínio e os dois homens de meia cancha do Atlético deram sinais de exaustão é que o tricolor passou a predominar. Tal aconteceu nos 15 minutos finais da contenda. O que faz com que possamos afirmar que toda a base de homogeneidade e rendimento técnico do quadro de Motorzinho se assenta nos três elementos que destacamos. Craques experientes, de boa categoria, afeitos aos grandes embates. Justamente como esperávamos, como proclamamos, ao asseverar que esta equipe tinha condições de opor tenaz resistência ao Grêmio. O resultado e andamento do prélio confirmaram nosso vaticínio.” (A Hora, segunda-feira, 14 de setembro de 1959)

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(Jornal A Hora, 14 de setembro de 1959)

Grêmio 1×0 Atlético Paranaense

GRÊMIO: Henrique; Orlando, Airton, Calvet e Ortunho; Elton e Milton Kuelle; Rudimar, Gessi, Juarez e Vieira
Técnico: Osvaldo Rolla

ATLÉTICO PARANAENSE: William; Altemir, Lindomar e Belfare; Sano e Tocafundo; Péricles, Gaivota, Tiquinho, Jerônimo e Tião
Técnico: Motorzinho

Taça Brasil 1959 – Oitavas de final – jogo de ida
Data: 13 de setembro de 1959, domingo, 15h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 245.900,00
Árbitro: Júlio Salsamendi
Auxiliares: Guilherme Sroka e Flavio Cavedini
Gol: Juarez, aos 8 minutos do segundo tempo

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Brasileirão 2019 – Flamengo 3×1 Grêmio

August 12, 2019

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Não sou muito fã da camisa reserva toda branca do Grêmio, especialmente nessa combinação com calção preto e meia branca. O kit infantil com essa camisa reserva é vendido um calção azul. Na necessidade de usar uma camisa branca, preferiria ver mais azul na combinação do uniforme.

fla 2019 cFotos: Alexandre Vidal (C.R. Flamengo)

FLAMENGO: Diego Alves; Rafinha, Thuler, Pablo Marí e Filipe Luís (Renê, 16/2ºT); Cuéllar (Piris da Motta, 32/2ºT), Willian Arão, Berrío (Everton Ribeiro, 20’/2º), Gerson, Arrascaeta; Bruno Henrique
Técnico: Jorge Jesus

GRÊMIO: Júlio César; Léo Moura, Paulo Miranda, David Braz e Juninho Capixaba A; Thaciano, Darlan, Galhardo (Everton, 11/2ºT), Luan (Da Silva, 39/2ºT), Pepê e Luciano (Patrick, 24/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

14ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2019
Data: 10 de agosto de 2019, Sábado, 19h00min
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Público: 57.644 (53.970 pagantes)
Renda: R$ 2.420.747,00
Árbitro: Braulio da Silva Machado (FIFA-SC)
Assistentes: Helton Nunes (SC) e Alex dos Santos (SC)
VAR: Rodrigo D’alonso Ferreira (SC)
Cartões amarelos: Rafinha, Pablo Marí, Berrío, Cuéllar, Thaciano, Juninho Capixaba
Gols: Willian Arão, aos 28 minutos e Galhardo (de pênalti), aos 50 do primeiro tempo, Arrascaeta, aos 5, e Éverton Ribeiro, aos 46 minutos do segundo tempo.

Robertão 1969 – Flamengo 0x3 Grêmio

August 10, 2019
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Foto: Correio do Povo

No Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969 o Grêmio conseguiu uma categórica vitória por 3×0 sobre o Flamengo no Maracanã (local onde o tricolor tem retrospecto interessante. Iniciando com uma vitória em 1950 e só sofrendo o primeiro revés em 1974)

É de se notar que o Grêmio está usando uma meia mais escura que a tradicional, o que eu suponho ser da cor cinza (uma vez que o tom nas fotos difere do azul da camisa e do preto do calção e camisa).

RECUPERAÇÃO GREMISTA VEIO FULMINANTE: 3 X 0 NO FLAMENGO COM BELA EXIBIÇÃO NO MARACANÃ

RIO, 15 (Dos enviados especiais) — O Grêmio somou os primeiros pontos no “RGP” de forma sensacional, pois aplicou 3×0 Flamengo em pleno Maracanã. E para dobrar o até então invicto rubro-negro da Gávea, o heptacampeão gaúcho mostrou do tudo o que sabe, através de um futebol moderno, insinuante, tática e tecnicamente de alto nível. Um resultado que além de, colocar o tricolor entre os líderes no Grupo B do “Robertão”, manteve a invencibilidade gremista em confronto com o Flamengo e no “maior estádio do mundo”.

Ao final do primeiro tempo, a representação gaúcha já vencia de 1 x 0, tento anotado por Alcindo. Na etapa decisiva, Flecha e Loivo, que substituiu Alcindo, voltaram a alimentar o marcador. O paulista Romualdo Arppi não teve trabalho na condução do jôgo, cuja renda superou ou a casa dos 90 mil cruzeiro novos, soma das melhores, considerando que choveu até pouco antes da partida.

IRRESISTIVEL — O Grêmio cumpriu uma atuação de gala no Maracanã. Com um futebol tranquilo, preciso e de força coletiva, os tricolores não tomaram conhecimento do e poderiam ter chegado a uma goleada. Muito cedo os gremistas apresentara perfeição na defensiva, onde Ari Erclio despontava, e atacaram de maneira envolvente através, especialmente, de Flecha e Volmir. E o Flamengo, coma um ataque dispersivo, um meio de campo sem força e uma retaguarda tonta com a velocidade dos atacantes gaúchos, foi pacificamente envolvido. Como se não bastasse, contara o Grêmio, afora o perfeito entrosamento dos setores, com jogadores em plano individual muito acima. Pois também Jadir, como destruidor, Júlio Amaral no apoio e Davi, defendendo e investindo, brilhavam intensamente. No período complementar, o Flamengo chegou a forçar o jôgo, levando o Grêmio a um resguardo. Mas isso não durou muito. Paulatinamente, os tricolores, no mesmo ritmo com que prevaleceram nos 45 minutos, liquidaram com o adversário.

OS GOLOS — Alcindo fêz 1 x 0, aos 15 minutos de ações. Renato lançou em profundidade, o «Bugre» levou a melhor sôbre Manicera, iludiu a Sidnei que abandonou a meta e com leve toque acertou as rêdes.

Aos 58 minutos, Flecha aumentou. E de forma sensacional. O ponteiro recebeu na intermediária flamenguista, bateu a dois contrários na corrida e mesmo acossado e sem ângulo, na grande área alvejou forte e certeiro. Faltavam 3 minutos para o final, quando Loivo marcou o terceiro. Flecha bateu a Paulo Henrique e fêz o cruzamento. O substituto de Alcindo entrava pelo meio e de bate-pronto estufou os barbantes de Sidnei.” (Correio do Povo, terça-feira, 16 de setembro de 1969)

MARACANÃ – FLA, A DECEPÇÃO
A bola veio descendo. Alcindo fingiu que ia para um lado, e saiu para o outro. Manicera se estatelou no chão, completamente batido no lance. O goleiro Sidnei ainda tentou salvar a situação, mas o atacante gaúcho foi mais rápido. Quase entrou com bola e tudo. Eram 28 minutos do primeiro tempo, 1 a 0 Grêmio. ‘

Tão perdido como Manicera neste lance, estava o Flamengo desde o início da partida. O gol saiu naturalmente, a favor da equipe armada com mais inteligência, mais disposta à luta e contando com jogadores de maior categoria. O placar apontava 1 a 0, no primeiro tempo, mas para os torcedores cariocas parecia muito mais. Nunca uma reação se mostrou tão impossível.

O Flamengo jamais se encontrou. A exceção do goleiro Sidnei, que demonstrou mais uma vez ser um elemento de boa categoria, os demais eram figuras dispersas de uma equipe sem conjunto e com valores individuais duvidosos, sobretudo para um time que possui a maior torcida da cidade, talvez a maior do país. Um dos mercados consumidores pior explorados do mundo.

Ao Grêmio bastou usar a paciência e a velocidade de dois jogadores sempre perigosos, como Alcindo e o ponteiro-direito Flexa. O time gaúcho, a exemplo do que fez nos dois últimos torneios, manteve-se bem fechado na sua defesa, com o médio Jadir dando proteção constante aos zagueiros. O meio de campo nunca foi multo importante para os adversários do Flamengo. O seu objetivo era o de manter-se bem armado atrás, procurando a vitória na base dos contra-ataques.

O Flamengo, um time perdido, caiu na armadilha. Foi todo à frente, exercendo um domínio territorial duvidoso, pois ao chegar na frente da área adversário nada mais conseguia de positivo. Ao contrário das últimas partidas, o juvenil Ademir, surpreendentemente mal marcado por Everaldo, foi o melhor dos atacantes cariocas. Mas suas jogadas foram desperdiçadas por um Fio lento e dispersivo e por um Dionisio bem marcado, sem poder dar das suas cabeçadas. Na ponta esquerda, ninguém. Luis Cláudio, no primeiro tempo, e Bianchini, no segundo, foram figuras inexpressivas.

Mas, o ataque jogar mal já era até esperado. Estava desfalcado dos seus dois ponteiros, Doval e Arilson. A defesa é que foi a maior surpresa. De Murilo a Paulo Henrique, ninguém se entendeu e todos os contra-ataques gaúchos levaram pânico e desordem. Era só os atacantes do Grêmio terem tido um pouco mais de sorte nas conclusões e o placar não seria apenas 3 a O. De tudo, ficam as palavras do dirigente George Helal: — O Flamengo está satisfeito com os jogadores que tem.” (Jornal do Brasil, segunda-feira, 15 de setembro de 1969)

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GRÊMIO GANHA COMO QUER NOS ERROS DO FLA
O Flamengo perdeu para o Grêmio por 3 a 0 e, pelos erros de estruturação que mostrou, o placar até que não fêz justiça a superioridade do time gaúcho, melhor do primeiro ao último minuto da partida. Enquanto o Grêmio se mostrava consciente de sua força, plantada na defesa e rápido no ataque, o Flamengo perdia-se numa troca de passes inconsequente. […]” (Jornal dos Sports, 15 de setembro de 1969)

 

 

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Flamengo 0x3 Grêmio

FLAMENGO: Sidnei; Murilo, Manicera, Guilherme e Paulo Henrique; Liminha e Rodrigues Neto; Ademir, Fio, Dionísio, Luís Cláudio (Bianchini).
Técnico: Tim

GRÊMIO: Arlindo; Renato, Ari Ercílio, Áureo e Everaldo; Jadir e Júlio Amaral; Flecha, Davi (João Severiano), Alcindo (Loivo) e Volmir
Técnico: Sergio Moacir Torres

Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1969 – 1ª Fase – 3ª Rodada
Data: 14 de setembro de 1969
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ
Público: 30 938
Renda: NCr$ 92.822,75
Árbitro: Romualdo Arppi Filho (SP)
Assistentes: José Aldo Pereira (RJ) e Luis Carlos Felix (RJ)
Gols: Alcindo, aos 27 minutos do 1º tempo; Flecha, aos 14 minutos do 2º tempo e Loivo aos 38 minutos do 2º tempo

Libertadores 2019 – Libertad 0x3 Grêmio

August 2, 2019

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O jogo foi tão tranquilo para o Grêmio que o Presidente Romildo se deu ao luxo de dar entrevista no intervalo, quando o placar de 3×0 já estava construído.

Achei bem estranha essa aplicação do número no calção (parece ter sido usado um tom de cinza em cima da peça branca)

Gremio x LibertadGremio x LibertadFotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Libertad 0x3 Grêmio

LIBERTAD: Martín Silva; Ivan Piris, Luis Cardozo, Paulo da Silva e Matías Espinoza. Antonio Bareiro, Alexander Mejía, Blas Cáceres (Cristian Riveros aos 31/2ºT) e Iván Franco (Rodrigo Rivero, aos 31/2ºT); Adrián Martínez e Oscar Cardozo (Benítez, aos 22/2ºT)
Técnico: José Chamot

GRÊMIO: Paulo Victor: Leonardo, David Braz, Kannemann e Cortez; Maicon (Thaciano, intervalo), Matheus Henrique; Alisson, Jean Pyerre, Everton (Diego Tardelli, aos 14/2ºT); André (Luan, aos 27/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

Libertadores 2019 – Oitavas de Final – jogo de volta
Local: Estádio Defensores Del Chaco, no Paraguai-PAR
Data: 1º de agosto, quinta-feira, 21h30min
Árbitro: Vitor H. Carrillo (PER)
Assistentes: Johny Bossio (PER) e Jesus Sanchez (PER)
VAR: Daniel Fedorczuk (URU)
Cartão amarelo: Cáceres, Iván Piris, Mejía (Libertad-PAR), Thaciano (Grêmio)
Gol: Jean Pyerre (de pênalti), aos 6 minutos, André, aos 19 minutos e 46 minutos do primeiro tempo

Brasileirão 2019 – CSA 0x0 Grêmio

July 31, 2019

Gremio x CSAGremio x CSA

É impressionante como o nível de concentração e intensidade do time do Grêmio caem nesses jogos do Brasileirão.

Gremio x CSA
Gremio x CSAFotos:
Lucas Uebel (Grêmio.net)

CSA 0x0 Grêmio

CSA: Jordi; Dawhan, Alan Costa, Luciano Castan e Carlinhos; Nilton (Naldo, 30/2ºT), João Vitor e (Jean Cléber, 19/2ºT); Didira, Jonatan Gómez e Maranhão (Rodolfo Gamarra, 24/2ºT); Ricardo Bueno
Técnico: Argel Fucks

GRÊMIO: Julio César; Léo Moura, Geromel, Paulo Miranda e Juninho Capixaba; Rômulo, Darlan e Mendes; Rafael Galhardo (Everton, 25/2ºT), Luan (Da Silva, 38/2ºT) e Pepê; Diego Tardelli  (Patrick, 38/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

12ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2019
Data: 29 de Julho de 2019, segunda-feira, 20h00min
Local: Estádio Rei Pelé, em Maceió -AL
Público: 11.918 pagantes
Renda: R$ 166.035,00
Árbitro: Caio Max Augusto Vieira (RN/CBF)
Assistentes: Fabrício Vilarinho da Silva (FIFA/GO) e Kléber Lúcio Gil (FIFA/SC)
VAR: Márcio Henrique de Gois (SP/CBF)
Cartões amarelos: Luciano Castán, Ricardo Bueno, Didira, Jordi (CSA),Paulo Miranda, Juninho Capixaba

Copa do Brasil 2019 – Bahia 0x1 Grêmio

July 18, 2019

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Renato demonstração convicção (palavra que poderia facilmente ser substituída por “teimosia” em caso de derrota) e repetiu a escalação do jogo de ida. Mas dessa vez o time teve um desempenho bem superior ao da semana passada. Não foi uma atuação avassaladora, mas sim bastante segura. A equipe controlou a posse de bola (e por consequência o jogo) no primeiro tempo e aproveitou os contra-ataques na etapa final. Em um deles, aos 19 minutos, Alisson recebeu bom passe de Matheus Henrique, passou por dois marcadores e chutou de pé esquerdo para fazer o gol da classificação.

48311050437_21a23bbab6_kGremio x BahiaFotos: Felipe Oliveira (EC Bahia) e Lucas Uebel (Grêmio FBPA)

Bahia 0x1 Grêmio

BAHIA: Douglas Friedrich; Nino Paraíba, Lucas Fonseca, Juninho e Moisés; Elton (Shaylon, 23’/2º), Gregore; Elber (Arthur Caíke, 11/2ºT), Ramires (Fernandão ,36/2ºT) e Artur; Gilberto
Técnico: Roger Machado

GRÊMIO: Paulo Victor; Leonardo Gomes, Geromel, Kannemann e Cortez; Matheus Henrique, Maicon (Rômulo, 34/2ºT); Alisson (Pepê, 36/2ºT), Jean Pyerre (Luan, 17/2ºT) e Everton; André
Técnico: Renato Portaluppi

Copa do Brasil 2019 – Quartas de final – jogo de volta
Data: 17 de julho de 2019, às 19h15min
Local: Arena Fonte Nova, em Salvador – BA
Público: 46.663 (46.341 pagantes)
Renda: R$1.349.590,50
Árbitro: Braulio da Silva Machado (SC)
VAR: Bruno Arleu de Araújo (RJ)
Auxiliares: Kleber Lucio Gil (SC) e Bruno Raphael Pires (GO)
Cartões amarelos: Elton, Gilberto, Fernandão, Gregore ; Kannemann, Maicon, Everton, Matheus Henrique
Cartão vermelho: Moisés (27 do 2ºT)
Gol: Alisson, aos 19 minutos do segundo tempo

Brasileirão 2019 – Grêmio 2×1 Vasco

July 15, 2019

Brasileiro Championship - Gremio v Vasco da Gamagremio vasco Jeferson Guareze AGIF

 

Ao meu ver o segundo gol do Vasco foi bem anulado. Não vejo justificativa para o Rossi ter colocado a mão na cara do Matheus Henrique no início da jogada.

 

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– Média de público do Grêmio na Arena na atual temporada:
21.951 (19.962 pagantes)

– Média de público do Grêmio como mandante em 2019:
22.900 (20.862 pagantes)

– Média de Público do Grêmio no Brasileirão 2019:
18.872 (17.197 pagantes)

– Média de público nos últimos dez jogos contra o Vasco pelo Brasileirão em casa:
20.891 (18.414 pagantes)

– Média de público nos jogos contra o Vasco pelo Brasileirão na Arena:
21.628 (19.274 pagantes)

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Fotos: Diego Vara (Veja) e Jeferson Guareze (CBF)

Grêmio 2×1 Vasco

GRÊMIO: Paulo Victor; Léo Moura, David Braz, Rodriguez e Juninho Capixaba; Rômulo (Everton), Matheus Henrique (Da Silva), Thaciano, Jean Pyerre e Pepê; Luan (Patrick)
Técnico: Renato Portaluppi

VASCO: Fernando Miguel; Pikachu, Henríquez, Ricardo e Danilo Barcelos; Richard, Raul e Marcos Júnior (Lucas Mineiro); Rossi, Valdívia (Marrone) e Marquinho (Talles)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Data: 13/07/2019 (Sábado), às 17h
Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre – RS
Público: 11.281 (9.701 pagantes)
Renda: R$ 362.148.00
Árbitro: Rodolpho Toski Marques (PR)
Auxiliares: Bruno Boschilia (PR) e Victor Hugo Imazu dos Santos (PR)
VAR: Paulo Roberto Alves Junior (PR)
Cartões amarelos: Juninho Capixaba, Thaciano; Richard, Rossi, Henríquez, Fernando Miguel
Gols: Yago Pikachu,(de pênalti) aos 14 minutos do primeiro tempo; Pepê, aos 15 minutos do segundo tempo e aos 41 minutos do segundo tempo

Copa do Brasil 2019 – Grêmio 1×1 Bahia

July 11, 2019

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O Grêmio fez um primeiro tempo razoável, no qual saiu em vantagem depois do pênalti sofrido e convertido por Everton. Mas não mostrou nenhum poder de reação após sofrer o gol de empate no início da etapa final. O time pareceu demasiadamente cansado, quase como estivesse fazendo sua primeira partida na temporada.

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– Média de público do Grêmio na Arena na atual temporada:
23.583 (21.518 pagantes)

– Média de público do Grêmio como mandante em 2019:
22.543 (20.531 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil 2019:
25.244 (23.117 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil desde 1989
23.325 pagantes

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil na Arena
30.427 (28.128 pagantes)

– Média de público do Grêmio em quartas-de-final de Copa do Brasil desde 1989
29.233 pagantes

– Média de público do Grêmio em quartas-de-final de Copa do Brasil na Arena
33.733 (31.384 pagantes)

– Média de público do Grêmio contra o Bahia na Copa do Brasil:
27.652 pagantes

Gremio x Bahia

Fotos: Correio do Povo, Lucas Uebel (Grêmio.net) e Felipe Oliveira (EC Bahia),

GRÊMIO: Paulo Victor; Leonardo Gomes, Geromel, Kannemann e Cortez; Maicon, Matheus Henrique; Alisson (Pepê, 20/2ºT), Jean Pyerre (Luan, 20/2ºT) e Everton; André (Felipe Vizeu, 33/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

BAHIA: Douglas Friedrich; Nino Paraíba (Flávio, 22/1ºT), Lucas Fonseca, Juninho e Moisés; Elton, Gregore; Elber, Ramires (Alejandro Guerra, 27/2ºT), Artur; Gilberto (Fernandão, 39/2ºT)
Técnico: Roger Machado

Data: 10/07/2019, quarta-feira, às 19h15min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre-RS
Público: 28.838 (26.674 pagantes)
Renda: R$ 892.916,00
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)
Auxiliares: Rodrigo Correa (RJ) e Luiz Claudio Regazone (RJ)
VAR: Rodrigo Nunes de Sá (CBF-RJ)
Cartões amarelos: Leonardo (GRE); Moisés, Lucas Fonseca (BAH)
Gols: Everton, (de pênalti) aos 46 minutos do primeiro tempo (GRE); Gilberto, aos 3 minutos do segundo tempo

Brasileirão 2019 – Grêmio 1×0 Fortaleza

June 11, 2019

Gremio x Fortaleza

O Grêmio precisava ganhar. Ganhou. Com um gol “no apagar das luzes”, depois de noventa minutos de uma atuação pouco inspirada.

Eu achei questionável a expulsão do Osvaldo. Me pareceu ser lance de cartão amarelo (embora o vermelho não seja de todo descabido). Sei que o protocolo permite o uso do VAR para “agravamento de punição”, mas não parece ter sido um “erro claro e óbvio” do árbitro.

De 2010 para cá o Grêmio fez sete jogos como mandante fora de Porto Alegre. A média de público nessas partidas é de 8.848 (7.519 pagantes).

Desses sete, cinco foram pelo Brasileirão (os cinco em Caxias do Sul). Média das cinco partidas de Brasileirão disputadas em Caxias é de 11.786 (10.011). O público de sábado foi bem fraco, quase a metade do segundo pior, que foi registrado contra o Botafogo em 2014, numa quarta-feira, as 22 horas.

– Média de público do Grêmio na Arena na atual temporada:
23.255 (21.196 pagantes)

– Média de público do Grêmio como mandante em 2019:
22.173 (20.171 pagantes)

– Média de Público do Grêmio no Brasileirão 2019:
20.769 (19.071 pagantes)

Gremio x FortalezaFotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Grêmio 1×0 Fortaleza

GRÊMIO: Paulo Victor; Léo Moura, Pedro Geromel, Rodriguez e Leonardo Gomes;  Thaciano (André, aos 29/2ºT), Maicon, Alisson, Jean Pyerre  e Diego Tardelli (Patrick, aos 40/2ºT); Felipe Vizeu (Pepê, aos 9/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

FORTALEZA: Felipe Alves; Tinga, Quintero, Roger Carvalho (Natan, aos 30/1ºT) e Carlinhos; Felipe, Juninho, Marlon (Gabriel Dias, aos 31/2ºT), Romarinho e Osvaldo; Kieza (André Luis, aos 16/2ºT)
Técnico: Rogério Ceni

8ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2019
Data: 08/6/2019, sábado, 19h00min
Local: Estádio Centenário, em Caxias do Sul – RS
Público: 4.865 (3.761 pagantes)
Renda: R$ 153.420,00
Árbitro: Sávio Pereira Sampaio (DF)
Auxiliares: Bruno Boschilla (PR) e José Reinaldo Nascimento Júnior (DF)
VAR: José Claudio Roca Filho (SP)
Cartões amarelos: Alisson, Felipe, Marcelo Boeck, Felipe Alves, Carlinhos
Cartão vermelho: Osvaldo
Gol: Pepê, aos 44 minutos do 2º tempo

Brasileirão 1981 – Grêmio 2×0 Fortaleza

June 8, 2019

1981 zh fortaleza casa newmar

O primeiro jogo entre Grêmio e Fortaleza em solo gaúcho aconteceu justamente no ano do primeiro título nacional do tricolor.

O confronto foi válido pela segunda rodada da segunda fase do Brasileirão de 1981. Na partida anterior, o Grêmio foi duramente derrotado pelo São Paulo no Morumbi, o que fez com que o técnico Ênio Andrade começasse a promover alterações na equipe. Casemiro fez seu primeiro jogo oficial como titular (ainda como lateral direito) na temporada e Newmar fez sua estreia na competição.

Newmar marcou o primeiro gol do jogo e (o então muito questionado) Baltazar fechou o placar no segundo tempo.

1981 zh fortaleza casa baltazar ado

GRÊMIO SUPERA O FORTALEZA MAS A TORCIDA NÃO GOSTA
Apesar da vitória, o time do Olímpico, nervoso, mostrou muitos erros

O Grêmio venceu ao Fortaleza sem entusiasmar sua torcida no Estádio Olímpico. Com um gol de Newmar no primeiro tempo e Baltazar no início do segundo, o time de Ênio Andrade conseguiu assim assumir a vice-liderança do Grupo. Está ao lado do Internacional de Limeira contra quem joga domingo próximo, mas ganha o confronto por ter uma vitória enquanto o time paulista tem dois empates. O 2 a 0 não satisfez os torcedores e alguns jogadores inclusive reclamaram.

A vitória do Grêmio satisfez os otimistas e pessimistas. Os otimistas porque somente uma equipe teve iniciativa, apresentou um trabalho coletivo aceitável e construiu excelentes oportunidades de gol. Os pessimistas porque foi o Grêmio também que continuou mostrando problemas individuais ¡á conhecidos como a pouca objetividade de Odair e Renato Sá — sem falar em suas dificuldades para concluir com perigo — e a má fase de Baltazar que chegou a irritar a torcida com seus impedimentos sucessivos e gols perdidos.

Por isso junto com os aplausos ao final do primeiro tempo podiam ser ouvidas vaias que voltaram durante o segundo tempo ¡unto com os pedidos de alguns torcedores por Heber. Mas foi Baltazar o primeiro a levantar a torcida quando fez um gol, anulado, aos 10 minutos de jogo por causa de uma falta no goleiro. Não demorou muito para Newmar fazer o seu e tranqüilizar mais a torcida. Mas quem não mostrou tranqüilidade foi o time do Grêmio.

Mesmo enfrentando uma equipe fraca, com preparo físico deficiente e praticamente sem ataque — o Fortaleza só teve mesmo o ponteiro Mazola a tentar algo — o Grêmio mostrou muito nervosismo nas conclusões perdendo grandes situações de gol. Aos 27 por exemplo Baltazar perdeu de cima ao chutar no travessão uma cruzada de Tarciso. Na seqüência Renato Sá chutou para fora.

O segundo tempo iniciou bem, com um gol de Baltazar, logo a três minutos e o Grêmio seguiu dominando, criando boas situações de gol mas a repetição dos erros nas conclusões fez com que o resultado permanecesse o mesmo. Baltazar foi substituído por Heber e saiu bastante vaiado. Odair saiu para a entrada Vilson Tadei. Casemiro e Newmar, as novidades, saíram-se bem especialmente o primeiro que foi importante na ligação da defesa com o ataque.
Depois de De León obrigar Ado a fazer mais uma boa defesa tentando aumentar o resultado, foi a vez de Paulo Isidoro ter excelente chance. Nos últimos minutos Heber marcou mas o juiz não validou: o centroavante concluiu e Marcão tirou de dentro. Tanto o árbitro como o bandeirinha estavam mal colocados e não deram o gol.

O Placar

1 x 0 — Newmar para o Grêmio aos 13 min. do primeiro tempo. Odair cobrou o escanteio e o zagueiro de cabeça acertou o canto esquerdo do goleiro Ado que falhou, a bola veio de longe.

2 x 0 — Baltazar para o Grêmio aos 3 min. do segundo tempo. A jogada começou com um cruzamento de Casemiro pelo lado direito. Baltazar acertou o travessão do Fortaleza e no rebote, o centroavante marcos o segundo gol gaúcho.” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

“Jogo ruim onde o Grêmio chutou 27 bolas a gol marcou só duas vezes, prova da fragilidade do Fortaleza e da inoperância do ataque gremista” (Emanuel Mattos, Revista Placar, Edição n.º 566 – 20 de março de 1981)

1981 zh fortaleza casa baltazar1981 chamada gaucha gremio fortaleza

TARCISO E ISIDORO PEDEM MAIS APOIO

O jogo recém havia terminado e foi o ponteiro Tarciso o primeiro a fazer críticas ao comportamento da torcida do Grémio durante o jogo contra o Fortaleza. “É uma pena a torcida não ter compreendido e não nos aplaudir nesta vitória muito importante” disse ele. Logo depois foi a vez de Paulo Isidoro desabafar:

— Acho que é bobagem ficar se preocupando com isto. Mas se a torcida não está satisfeita que entre ela em campo e faça o que nós estamos fazendo!

Todos os jogadores sem exceção estranharam as atitudes da torcida impaciente em muitos momentos e inclusive vaiando a alguns jogadores especialmente a Baltazar. Tadei chegou a fazer um apelo dizendo que “este e o início de urna nova etapa onde todos precisam se unir para ajudar o clube”. E o zagueiro Newmar, tentou dar uma pista para o problema: “creio que é uma consequência dos erros nas conclusões” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

ÊNIO VAI MANTER TADEI NA EQUIPE

Com o resultado de 2 a 0 definido desde o início do segundo tempo, o técnico Ênio Andrade tratou de aproveitar os 21 minutos finais para testar aquela que deverá ser a formação da equipe no jogo contra o Internacional: com Vilson Tadei na meia cancha e Renato Sá na ponta esquerda, saindo Odair.

— O Tadei e um jogador de habilidade e como o Renato faz um trabalho Importante na ligação do ataque com a meia cancha, tornando a equipe menos vulnerável, poderei escalar os dois neste jogo em Limeira.

Enio Andrade diz que estranhou o comportamento da torcida vaiando alguns jogadores em determinados momentos, elogiou o trabalho de Casemiro, e Newmar na primeira partida de ambos na equipe explicando que eles poderão continuar, o mesmo acontecendo com Vilson Tadei. “Com o jogo definido tratei de já ir testando esta nova formação”, disse ele. ” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

1981 classificaççao
Fotos: Zero Hora

GRÊMIO: Leão; Casemiro, Newmar, De León e Dirceu; China, Paulo Isidoro e Renato Sá; Tarciso, Baltazar (Eber) e Odair (Vilson Tadei)
Técnico: Ênio Andrade

FORTALEZA: Ado; Roberto, Marcão, Totó e Roner; Chinesinho, Odilan (Bosco) e Dudé; Mazola, Chico Explosão (Rogério) e Tiquinho.
Técnico: César Morais

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – Grupo I – 2ª Rodada
Data: 12 de março de 1981, quinta-feira, 21h00min
Local: Estádio Olímpico- Porto Alegre
Público: 16.044 (14.947 pagantes)
Renda: Cr$ 1.691.630,00
Árbitro: Eraldo Palmerini (PR)
Auxiliares: Iolando Rodrigues e Alvir Renzi (SC)
Gols: Newmar aos 13 minutos do 1º tempo e Baltazar aos 3 minutos do 2º tempo