Archive for the ‘1954’ Category

Gauchão 1954 – Juventude 3×1 Grêmio – Exame de sangue no juiz

April 14, 2015
Não tenho tido tempo e/ou paciência para fazer atualizações mais frequentes aqui no blog. Tenho sido mais assíduo no tumblr ( futebolgaucho.tumblr.com ), onde adoto um critério mais livre para as postagens. 
Contudo alguns materiais poderiam tranquilamente ser postados aqui também, como essas imagens de um confronto de 1954 entre Juventude e Grêmio em Caxias. Os detalhes do uniforme tricolor nas fotos já seriam motivo suficiente para um post, mas o detalhe mais curioso do jogo está na crônica da Folha da Tarde, ao relatar que o juiz Hans Lutzkat, depois de ter expulsado Itamar (aos 6 minutos do segundo tempo), Sarará (aos 25 minutos do segundo tempo) e o restante do time do Grêmio (aos 35 minutos do segundo tempo). Em razão disso “ao terminar a partida, por solicitação de diretores do clube da capital do Estado, o referee foi levado por ambulancia do SANDU ao Hospital Del Mese, afim de ser submetido a exame de sangue para verificar se não estava sob ação alcóolica”

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1954 – Santa Fe 0x0 Grêmio

May 14, 2013

O primeiro encontro entre Independiente Santa Fe e Grêmio ocorreu em janeiro de 1954. O jogo valia pela segunda rodada da Copa da Forças Armadas. Na primeira partida o tricolor havia sido goleado pelo Millonarios (confronto abordado em outro post)
O Grêmio estava no final de uma excursão iniciada ainda em dezembro de 1954 e  que passara por México, Equador e Colômbia. Os registros dão conta que depois de uma semana na capital colombiana, o tricolor se mostrou melhor ambientado a altitude e apresentou um rendimento superior a partida anterior. Ainda assim a partida terminou num modorrento 0x0 onde os goleiros dos dois times foram os principais destaques. 

“Así perdió Carlos Arango la oportunidad de dar ayer el triunfo al Santa Fe, cuando el portero Sergio, del Gremio estaba completamente vencido, pero los equipos enfrentados ayer en El Campín, parecia que estuviesen apostando a quien hiciera menos goles”


“Los 3 mil espectadores que sacrificaram su almuerzo por asistir a El Campin, salieron totalmente desinflados, ya que fue muy poco, por no decir nada, lo que se vio de futbol. Una que otra jugada del Santa Fe en el primer tiempo y contados avances de calidade del Grêmio entre los 35 y 40 minutos de la complementaria, fue todo lo que se dio a los aficionados. El resto del encuentro no fue otra cosa que pesimo entrenamiento” (El tiempo – 28 de janeiro de 1954)

Plantel tricolor esperando o ônibus que o levaria até o local da partida

INDEPENDIENTE SANTA FÉ

Melhor aclimatado, o quadro do Grêmio rendeu mais na segunda partida do torneio quadrangular internacional de Bogotá, na tarde de 27 de janeiro, contra o Independiente Santa Fé. O jôgo terminou empatado sem abertura de contagem frente ao adversário que era o vice-lider da competição, junto com o Rampla Júniors, de Montevideo.
Apesar de ser dia útil, a partida foi presenciada por um bom público, tendo a equipe colombiana formado com 5 jogadores estrangeiros.
Exibindo um jôgo rasteiro e vistoso, os tricolores conseguiram impressionar, reabilitando-se do insucesso da última apresentação frente ao Milionários, campeão dos profissionais da Colômbia e líder do torneio.
O arqueiro Sérgio teve uma grande atuação, e Victor foi  o melhor homem da ofensiva. Na equipe contrária, o arqueiro Sanchez fêz uma série de defesas de vulto, salvando o Santa Fé da derrota.
No segundo tempo, na altura dos 17 minutos, Moyano cometeu pênalte, sem que o árbitro determinasse a cobrança de penalidade máxima a favor dos gaúchos.
Assim, com um volume de jôgo superior ao da estréia no torneio, os tricolores deixaram boa impressão, inclusive porque a ausência da vitória para os visitantes constitui-se em injustiça. Os chutes continuados dos gremistas contra o arco dos locais, mòrmente na fase final, estiveram por decretar a sua queda, só não acontecendo nenhum tento por falta de sorte e porque Sanchez estava muito inspirado.
Foi árbitro da partida, com atuação regular, o juiz paraguaio Ruben Heyen. A renda se elevou a 76 mil pesos colombianos.” (Edison Pires  – Revista Super Grêmio – Nº 3 – Página 93)

Delegação gremista passeando por Bogotá

“Nos primeiro vinte minutos de jogo, o Grêmio Porto Alegrense pressionou ligeiramente, mas daí em diante o interesse pelo jogo decaiu consideravelmente, salvo em algumas ações.

Ainda que os brasileiros houvessem treinado e se considerassem mais adaptados à altitude da Colômbia, cinco de seus jogadores sofreram asfixia durante o jogo, e tiveram de ser medicados.” (Correio do Povo – 28 de janeiro de 1954)

 Atletas e dirigentes gremistas na frente do seu hotel em Bogotá

 
Fontes: Revista Super Grêmio, Correio do Povo e El Tiempo

Independiente Santa Fe 0x0 Grêmio

SANTA FE: Sánchez, Moyano e Marik; De la Hoz, Reyes (Navarro) e Cativiela; Ardila (Cardonita), Saco, Arango, Deibe (Pericullo) e Quintero 
GRÊMIO: Sergio; Pipoca e Altino (Mauro); Roberto, Sarará (Zé Ivo)  e Noronha; Camacho, Mujica (Torres) Vitor, Alvim e Itamar.
Técnico: Telêmaco Frazão de Lima

Data: 27 de janeiro de 1954, quarta-feira, 12:15
Local: Estádio El Campin, em Bogotá – Colômbia
Juiz: Mario Rubén Heyn (Paraguai)

1954 – Millonarios 5×1 Grêmio

October 29, 2012

A história dos confrontos entre Millonarios e Grêmio teve início em 24 de janeiro de 1954. O tricolor estava na parte de final  de uma excursão ao exterior, iniciada no final do ano de 1953, tendo passado pelo México e Equador até chegar em Bogotá, onde faria os seus três últimos jogos antes do retorno para Porto Alegre.
A chamada Copa da Forças Armadas era um torneio de início de temporada, disputado pelos clubes locais (Santa Fé e Millonarios) e clubes convidados do Brasil (Grêmio) e do Uruguai (Rampla Jr.). O embate entre o Millonarios e Grêmio foi o primeiro jogo do torneio e o placar final foram acachapantes 5×1 para o time da casa.
Mesmo tendo desembarcado em Bogotá quatro dias antes da partida, o Grêmio sentiu bastante os efeitos da atitude. O tricolor até iniciou bem a partida, marcando um gol através de Vitor logo aos 14 minutos. Solano Patiño empatou para o Millonarios aos 31 minutos do primeiro tempo. Os 45 minutos finais foram desastrosos para o time de técnico Telemâco, que logo aos 3 minutos sofreu a virada. O time da casa ainda marcou outras três vezes sem que o Grêmio conseguisse reagir. 
O destaque do jogo foi o paraguaio Solano Patiño, que jogou emprestado, uma vez que era jogador do Boca Juniors de Cali. O grande nome do Millonarios era o argentino Adolfo Pedernera, que acumulava as funções de treinador e jogador em Bogotá. Pedernera (integrante da chamada máquina do River Plate) foi um dos percursores do “El Dorado” do futebol colombiano  ao deixar o futebol argentino para se somar a liga pirata da Colômbia.
Um dado curioso é que a imprensa de Bogotá se referia ao Grêmio e seus atletas como “cariocas”, e seguiu fazendo isso mesmo depois de ser introduzida a expressão “Gaúcho”
Segue abaixo algumas fotos, crônicas e a ficha da partida.

 Na foto acima vemos os jogadores Camacho e Pipoca, seguidos pelo treinador Telemâco Frazão de Lima, retornando ao vestiário do estádio El Campin no intervalo da partida.

“24 DE JANEIRO – Alguns jogadores, acompanhados dos dirigentes, foram à missa, sendo que a maioria permaneceu tôda a manhã no hotel, já que o almôço foi servido às 10,30. Deixamos o hotel com destino ao Estádio, por volta das 13 horas em ônibus especial. Todos os jogadores mostravam-se bem dispostos e durante todo o trajeto foram cantando as nossas marchas carnavalescas, bem como a marcha oficial do Cinquentenário do Grêmio. Depois das clássicas massagens ministradas pelo Biscadrdi, a turma, carregando uma enorme bandeira colombiana, deu entrada na cancha sob ovações de uma massa de torcedores calculadas em mais de 30 mil pessoas, que lotava quase por completo o belíssimo estádio local. Sob a arbitragem do juiz uruguaio Luiz A. Fernandes, que por sinal teve uma grande atuação, o jôgo foi iniciado, com a saída da nossa equipe. Já nos primeiros cinco minutos notava-se que o nosso adversário possuía mais valores que nossa equipe. Decorriam cerca de 14 minutos quando Tesourinha, numa de suas escrimagens, cedeu o balão para Vitor que, após fintar o Zuluaga, alinhou a pelota nos fundos das redes contrárias, marcando o nosso primeiro e único tento. Os colombianos, ou por outra, os argentinos, já que quase todo o team do Milionários é composto de jogadores buenairenses, passou a atacar com mais volume de jôgo, até que aos 31 minutos Noronha se deixou envolver numa jogada, dando lugar a uma confusão dentro da nossa área, do que se aproveitou Solando, jogador que pertence ao Boca Juniors, de Barranquila, e que jogou como refôrço para, num tiro rasteiro, empatar a peleja para os Milionários. Nosso quadro lutou de igual para igual até os 45 minutos finais, sendo que as equipes atuaram com a seguinte formação: Grêmio: – Sérgio – Pipoca e Altino – Roberto – Sarará e Noronha – Tesourinha – Mujica – Vitor – Alvim e Itamar.

Milionários com Ochoa – Pini e Zuluaga – Martinez – Rossi e Soria – Leticiano – Villaverde – Solano – Genes e Valeck. Iniciado o segundo tempo os locais entraram com Cozzi no arco e o afamado Pederneiras, que também é o treinador da equipe apareceu na meia direita em lugar de Villaverde, que passou para a ponta esquerda substituindo Valeck. Aos três minutos de jôgo, já se notava que nosso quadro estava atordoado dentro da cancha. Aos 5 minutos Pipoca falhou lamentavelmente numa jogada, dando lugar a Solano invadir a área, que se encontrava sem nenhuma cobertura, Sérgio saiu em falso, indo ao encontro do center-forward local, que conseguiu levar a melhor e alinhar a pelota nos fundos das rêdes: 2 a 1. Dois minutos mais tarde formou-se uma indecisão no trio final, tendo Noronha e Pipoca se deixando envolver o que resultou no terceiro tento dos locais marcados pelo mesmo Solano. Nossa equipe se acovardou por completo, dando prova de cansaço e ressentir da altitude, pos notava-se que nossos jogadores não tinham nenhuma disposição para disputar a pelota. Na altura dos 11 minutos, os locais conseguiram mais um ponto, ou seja, o quarto, por intermédio de Villaverde, aproveitando-o de uma trama muito bem urdida por Pederneiras. Nosso quadro já estava completamente entregue e algumas modificações nesta altura foram feitas como sejam, a entrada de Camacho para a meia esquerda, saindo Alvim de campo, e também Torres entrando no lugar de Itamar na ponta esquerda, passando êste jogador para a meia, em substituição a Camacho. Coube a Villaverde encerrar a contagem da tarde, aos 35 minutos, quando nosso zagueiro Pipoca falhou novamente em um lance de que também participou Sarará. Os locais passaram a fazer várias modificações em sua equipe, tendo Avila entrando em lugar de Solano. Podemos dizer que realizamos a pior partida de nossa gira. Aliás não estava eu enganado quando mandei dizer que nosso quadro já havia rendido demais e que se encontrava a esta altura completamente esgotado. Também tivemos pela frente um grande quadro com um padrão vistoso, tipo porteño, enquanto nosso team nada apresentou, nem padrão e nem tática de jogo. Assim que, depois do jôgo, ficamos para assistir ao encontro de fundo que reunia os quadros de Independiente de Santa Fé e Rampla Juniores de Montevideu.

[…]

Na volta, de ônibus, vieram todos os nossos jogadores tristes e à noite, depois do jantar, foram todos dormir, isso muito cêdo. Houve comentários entre os jogadores depois do prélio, conforme mandei dizer, e todos são unânimes em afirmar que altitude foi o fator principal de nossa péssima produção. Devo dizer que Roberto, Sarará e Camacho, que foi substituído, foram os únicos que escaparam da debacle bem como Tôrres que, embora seja esteja em segundo lugar na classificação de nossos artilheiros, entrou nos últimos minutos como vem acontecendo ultimamente.” (Edison Pires – Diário de Viagem – Revista Super Grêmio – Nº 3 – Páginas 115 e 116)

“Na chamada “Pequena Temporada Internacional de Foot-Ball”, que teve por cenário o Estádio “Nemésio Camacho”, de Bogotá, o Grêmio participou do quadrangular em que tomaram parte também o Milionários de Cali e o Santa Fé, da Colômbia e o Rampla Junior do Uruguai.

Concluindo sua “tournée” por gramados do México, Equador e Colômbia, o clube tricolor gaúcho defrontou-se primeiramente com um dois mais categorizados quadros colombianos – O Milionários – ao qual cedeu a vitória por 5 x 1, no dia 24 de janeiro.

A equipe gremista vencia o Milionários por 1×0, no primeiro tempo, quando os atletas tricolores começaram a sentir os efeitos da altitude. Cinco jogadores tiveram de ser socorridos para aliviar a asfixia. Depois de meia hora de jôgo, os colombianos tomaram as rédeas da partida e iniciaram a “virada”. Assim mesmo, no primeiro tempo, as ações puderam ser equilibradas até o final, quando terminou empatado em 1×1.

Com o estádio quase lotado, a equipe tricolor adentrou-se no gramado portanto a bandeira do país amigo e ovacionada pela torcida colombiana que, pela primeira vez, via atuar um clube gaúcho em sua terra.

Tratando-se de uma agremiação do porte do Milionáros, que representava verdadeiro combinado internacional (a grande maioria era de jogadores argentinos), havia que prever-se uma partida cheia de categoria e equilíbrio, o que veio a se confirmar através de um bom primeiro tempo, quando a igualdade no marcador deu a dimensão da contenda.

Coube a Tesourinha proporcionar a Vitor a oportunidade de abrir a contagem, aos 14 minutos, quando êste último conquistou o único tentou da esquadra tricolor recebendo a bola do ponteiro direito e driblando a Zuluaga para arrematar com êxito contra o arco de Ochoa.

Solano, aos 31 minutos, empatou para o Milionários, permanecendo êste resultado até o fim do primeiro período, ao longo do qual a equipe gremista conseguiu impor-se em igualdade de condições no gramado.

No segundo tempo, iniciado com algumas alterações do quadro colombiano as coisas pioraram para os gaúchos que demonstraram visíveis sinais de terem sido atingidos em cheio pelos perniciosos efeitos da grande atitude.

Já aos 5 minutos, Solano fazia o segundo golo, seguido do terceiro, ainda por intermédio de Solano, aos 7 minutos, cabendo a Villaverde ampliar para 4 o marcador do Milionários, aos 11 minutos.

Tentou o treinador gremista, a esta altura, introduzir substituições, alcançado com isto mais equilíbrio de fôrças, até que, aos 35 minutos, novamente Villaverde deu cifras definitivas ao placar marcando o quinto golo do Milionários.

Foi assim que a representação tricolor, completamente esgotada pela longa caminhada, e vítima, acima de tudo da altitude, realizou a pior partida de sua excursão.”  (Revista Super Grêmio – Nº 3 – Páginas 92 e 93)

Fontes: Revista Super Grêmio, Correio do Povo e El Tiempo

Millonarios 5×1 Grêmio

MILLONARIOS: Ochoa (Julio Cozzi); Pini e Zuluaga; Martinez, Rossi e Soria; Leticiano Guzmán, Villaverde, Solano Patiño (Avila), Genes e Valeck  (Pedernera)
Técnico: Adolfo Pedernera
GRÊMIO: Sérgio; Pipoca e Altino; Roberto, Sarará e Noronha; Tesourinha, Mujica, Vitor (Camacho), Alvim e Itamar (Torres)
Técnico: Telêmaco Frazão de Lima
Data: 24 de janeiro de 1954, domingo, 14:00
Local: Estádio El Campin, em Bogotá Colômbia
Juiz: Luís Alberto Fernandez
Gols: Victor aos 14 e Solano Patiño aos 31 minutos do primeiro tempo; Solano Patiño aos 3 e aos 5, e Villaverde aos 10 e aos 35 minutos do segundo tempo

Como foi a inauguração do Olímpico

September 19, 2012


Hoje o Estádio Olímpico completa 58 anos. Talvez seja o seu último aniversário. Todos sabem que a partida de inauguração foi Grêmio 2×0 Nacional do Uruguai. Mas como foi a cerimônia de abertura? Qual era o clima da cidade no dia?

Eu fiz uma pesquisa nos jornais da época e encontrei alguns dados curiosos.

– O Grêmio tinha cerca de 11.000 sócios em 1954. Nenhum deles precisou pagar ingresso para ver o jogo inagural.

– Cinco dias antes da inaguração o estádio ainda estava em obras e última parte de arquibancadas estava recebendo o cimento. Os jogadores já treinavam no gramado do Olímpico.

– O estádio tinha somente 7 portões naquela época.

– O presidente Saturnino Vanzelotti deixou claro no seu discurso que o estádio não estava completo e que as obras deveria seguir nos anos que viriam.

Seguem abaixo algumas fotos e textos retirados dos jornais Correio do Povo e Folha da Tarde Esportiva:


“O PRIMEIRO SÓCIO

Às 12 horas em ponto o esportisita Hermínio Bitencourt, que estava no controle dos portões, distribuiu o policiamento e ordenou a abertura das sete entradas do Estádio. O primeiro associado tricolor a penetrar no Estádio Olímpico foi o dr. Dario Strasntassen.

[…]

GRANDES FILAS

Grandes filas organizaram-se em torno do Estádio, por volta do meio-dia, e até às três horas o movimento foi intenso. Somenta à noite a reportagem teve conhecimento dos dados oficiais sobre o numero de assistentes e o total da renda. O sr. Siqueira, chefe das arrecadações da FRGF, forneceunos os dados sobre este movimento.

SÓCIOS E CONVIDADOS

Nos portões de sócios e convidados os relógios acusaram 20.238 pessoas, não incluídos os menores. Estão incluídos nesta soma associados, convidados especiais, cronistas esportivos, etc.

10.848 GERAIS

Foram vendidas 10.848 entradas gerais, que renderam Cr$ 325.440,00. As bilheterias acusaram a venda de 2.222 meias-gerais, num total de Cr$ 44.440,oo. Foram vendidas 1.936 entradas colegiais, somando Cr$ 19.360.

APENAS 267 CADEIRAS VENDIDAS

Talvez devido ao preço altíssimo das cadeiras, que foram postas à venda a razão de 200 cruzeiros cada uma, a renda foi fraca, neste setor. Foram vendidas, apenas 267, que deram um renda total de Cr$ 53.400,00.
A renda total foi de Cr$ 442.640,00, não sendo quebrado o recorde total de assistentes: 35.511

SE OS SÓCIOS PAGASSEM

As entradas vendidas, em número de 15.273, acusaram a soma de Cr$ 442.640,00. Se os sócios do Grêmio houvessem contribuido com gerais, teríamos então quebrado todos os recordes, já que se teria recolhido Cr$ 1.049.780,00.” (Folha Esportiva – 20 de setembro de 1954)


“Dois triunfos espetaculares rubricou o Grêmio Porto Alegrense, na tarde de anteontem.

O primeiro deles, que constituiu, igualmente uma grande surpresa para o nosso público, foi a solene inauguração do Estádio Olímpico, situado à avenida Carlos Barbosa.

A nova Baixada suplantou em muito a imaginação popular, evindenciando um conjunto de linhas harmoniosas e as mais amplas e confortáveis instalações.

Com capacidade para cerca de 50.000 pessoas, todos os que compareceram ao Estádio ficaram otimamente situados, podendo torcer e vibrar perfeitamente instalados, sentados e sem o constraginmento habitual em nossas arquibancadas.

E foi um acontecimento impressionante e que perdurará por certo, na retina do público, o majestoso e bem organizado desfile que deu início às solenidades.

Via-se, inicialmente, um menino simbolizando o Mosqueteiro, que acompanhava, uma encantadora garota, a qual durante o longo desfile, executava repetidas acrobacias, sob aplausos entusiasticos.

Sob o dístico – O Grêmio de ontem – viam-se as bandeiras nacional, riograndense e do Grêmio conduzidas, respectivamente pelos atletas Ilse Gerdau, Pedro Mayerski e o veterano campeão dr. Augusto Maria Sisson. Seguiam-se os dirigentes gremista, destacando-se o grandes beneméritos da construção do Estádio: Saturnino Vanzelotti, Alfredo Obino e Silvio Toigo Filho, que constituem, hoje em dia, sem favor algum, o “tri de ouro” da família tricolor.

Sucederam-se atletas de todos os atuais departamentos tanto masculinos como femininos e o “Grêmio do futuro”, onde se viam meninos e meninas, que estão dando os primeiros passos na senda esportiva.

Sócios fundadores, ex-presidentes, diretores antigos todo o Grêmio, emfim, estava presente na pista olímpica, acompanhados por delegações dos clubes co-irmãos, todos com os seus respectivos pavilhões.

Ao som do Hino Nacional, foi hasteada a Banderia Brasileira e , logo após, o general Ernesto Dorneles, governador do Estado, desmanchava o laço de fita tricolor, dando por inaugurado o Estádio Olímpico.

D. Vicente Scherer, arcebispo metropolitano, deu a bênção do ritual, seguindo-se diveros oradores, sendo o discurso oficial proferido pelo dr. Ari Delgado, ex-jogador, atualmente prestimoso membro da diretoria.

Todas essas solenidades foram muito aplaudidas, constituindo, em conjunto, um espetaculo grandioso e agradavel ao mesmo tempo.

[…]

A renda das bilheterias esteve aquém do calculo previsto.

Tão somente Cr$ 442.640,00 passaram pelos “bordereaux”, acusando uma assitência de 35.511 pessoas.

Deve se ressaltar, entanto, que mais de 18.000 espectadores entraram gratuitamente, o que veio prejudicar em muito o montante da arrecadação.

Outro espetáculo magnifico era o representando pelas filas de torcedores, que, desde, o meeio-dia, se comprimiam ao redor da grandiosa Baixada.

Por vários quilometros se estendiam os esportistas, a esppera do instante de penetrarem no Estadio, indo as “bichas” desde a avenida Carlos Barbosa e rua da Azenha e José de Alencar, até além da Igreja do Menino Deus.

Nada mais será preciso escrevermos, para justificar o sucesso que alcançou a inaguração do monumental Estádio Olímpico do Grêmio Porto-Alegrense.” (Correio do povo – 21 de setembro de 1954)

“Aproximadamente às 15 horas, começou o desfile no Estádio Olímpico. A frente vinha uma banda da Brigada Militar do Estado, cadencinado a marcha.

O público de pé, aclamou vibrantemente os atletas e diretores de agora e do passado. As manifestações chegaram em certos casos ao delírio, provocando emoções profundas a todos.

“O GRÊMIO DE ONTEM”

Sob este dístico, desfilaram os homens que defenderam o prestígio esportivo do Grêmio nas liças do passado. Como porta-bandeiras havia a atleta Ilse Gerdau, Pedro Mayesky e dr. Augusto Maria Sisson, jogador de football dos primeiros tempos do tricolor cinquentenário. Nas colunas seguintes, viam-se homens como Luiz Carvalho, Luiz Assunção, Telêmaco Frazão de Lima, Alfredo Day, Luiz Luz, Nenê, Augusto Teixeira (Tigre), Eduardo de Rose, Túlio de Rose e os mais velhos como Waldemar Karl, Schuback, Mordieck e Dorival Fonseca. Baskettballistas, atletas e tenista de outrora também formaram no pelotão de “O Grêmio de ontem”.” (Folha Esportiva – 20 de setembro de 1954)

“Foi, por isso, particularmente feliz o presidente tricolor quando, chamado a dizer algumas palavras ao microfone, acentuou que as obras do estádio aindão não foram completadas. E, cheio de confiança, declarou: “É tocar para a frente!” (Folha Esportiva – 20 de setembro de 1954)

“Com as deficiências naturais de uma inauguração, o espetáculo de ontem no Estádio Olímpico do Grêmio Pôrto Alegrense, mesmo assim, ficará inesquecível para aquelas trinta e três mil e tantas pessoas que o assistiram confortavelmente instaladas na nova praça de esportes, sem contar as outras dez mil e muitas que tudo apreciaram de cima dos morros circunvizinhos” (Amaro Junior – Folha Esportiva – 20 de setembro de 1954)

A convite de Saturnino Vanzelotti e de Silvio Toigo, visitamos ontem, durante duas horas – que em menos tempo não é possível vêr tudo – o Estádio Olímpico do Grêmio Pôrto Alegrense.
[…]

O que ali estará plantado no dia 19 aos olhos do público, terá custado realmente 20.000.000 de cruzeiros. Mas valerá, sem exagero, algum, cinquenta milhões, na concretização do melhor negócio que um clube de futebol já fez em sua vida, no Brasil.


A TRANSCEDENCIA DA OBRA
Poderriamos dedicar ao estádio do Grêmio todos os adjetivos laudatórios em “oso” – fabuloso, grandioso, etc – que estariamos batizando condignamente o que nosso olhos viram.

Preferimos, porém, botar os olhos mais adiante. Que influência terá para o esporte, e desde já para o futebol de Pôrto Alegre, esse cenário modelar, que convidda, que atrai? Isso é o mais importante, o transcendente. Sabemos todos que o “bloco de choque” do futebol metropolitano, isto é, aquele corpo de assistentes mais ou menos permanente, que lhe dá vida, lotando os nosso exíguos estádios de até hoje anda oa redor das 15 000 pessoas. Excepcionalmente e sujeitand-se a sacríficos inauditos, tem chegado a 20.000. Não há em realidade possibilidade para mais. Daí a estagnação.

A importância maior do Estádio Olímpico, do ponto de vista do interesse e do bem coletivo, e abstraindo-se desde logo o que representará na vida privada da agremiação cinquentenária – a importância maior está reconheçamos, na influência decisiva que terá para o aumento da coletividade futebolística pôrto-alegrense. […] ” (Cid Pinheiro Cabral – Correio do Povo – 15 de setembro de 1954)

“No Estádio Olímpico da Avendia Carlos Barbosa praticaram durante 90 minutos os players do plantel tricolor. Os profissionais abateram os reservas por 4×0, goals de Tesourinha, Camacho, Zunino e Torres. Os quadros treinaram com as seguintes formações:

TITULARES – Sérgio; Roberto e Orli; Silvio, Sarará e Mauro; Tesourinha, Vitor, Camacho, Zunino e Torres

RESERVAS – Vilson; Mirão e Celso; Hugo, Roni e Português; Milton, Delem, Chico Preto, Alvim e Jorginho”(Correio do Povo – 15 de setembro de 1954)


“À esquerda, a última parte das arquibancadas que será posta em condições. Hoje receberá cimento e até domingo estará pronta. Trabalha-se a jato na Av. Carlos Barbosa: cerca de 300 operários
” (Correio do Povo – 15 de setembro de 1954)

“O Liverpool só amanhã entrará em ação na festa inaugural do Estádio Olímpico, embora também tome parte, hoje, no desfile de atletas que antecipará o grande jogo Nacional x Grêmio” (Correio do Povo – 19 de setembro de 1954)

“Visão panorâmica do pavilhão social, quando recebia ontem os últimos retoques. Poderá abrigar 20.000 sócios. Metade dessa cifar já está coberto, com o aumento vertiginoso nos últimso tempo do quadro social tricolor.” (Correio do Povo – 15 de setembro de 1954)