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Taça Brasil 1959 – Grêmio 1×0 Atlético Paranaense

August 13, 2019
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Foto: A Hora

O primeiro jogo da história do Grêmio na Taça Brasil (por consequência o primeiro jogo do tricolor em uma competição nacional) ocorreu em setembro de 1959, quando recebeu o Atlético Paranaense no Olímpico, pelo jogo de ida das oitavas de final do torneio criado pela CBD para indicar o representante brasileiro na primeira edição da Copa Libertadores.

O Grêmio venceu por 1×0, graças a um gol de Juarez (que era dúvida para a partida, em função de uma gripe). No Atlético o grande destaque foi o centro-médio Tocafundo (que aparece na foto acima afastando um ataque gremista).

Interessante notar que a crônica do Correio do Povo, apesar de elogiar a solidez defensiva do time paranaense, criticou o falta de ambição ofensiva dos visitantes, que teriam ficado “apenas no “FRICOTE” à meia distância da área tricolor“.

É válido também apontar para o fato do Atlético ter usado sua camisa com listras horizontais (que só foi abandonada no final dos anos 80) e o Grêmio ter usado meias pretas como mandante.

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Foto: Correio do Povo

PRIMEIRO PASSO DO GRÊMIO NA “TAÇA BRASIL”: 1X0 SÔBRE O ATLÉTICO

Foi uma boa partida de futebol a que disputaram domingo, no Olímpico, o Atlético Paranaense e o Grêmio Pôrto Alegrense, quando o tricolor debutava na “Taça Brasil”. Pelo escore mínimo, os gaúchos saíram vencedores, mas a bem da verdade deve-se dizer que foi difícil estabelecer mesmo esta pequena superioridade.

Usando de uma forma de atuar totalmente diversa do antagonista, manobrando com a bola no chão e trocando passes pequenos e certos, a equipe atleticana foi envolvendo o Grêmio pouco a pouco até chegar a exercer por momentos um certo domínio da cancha.

Mas, o tricampeão gaúcho estava sempre atento e sempre disposto a não se deixar surpreender, assim que, quando se pensava que chegara a hora do Atlético marcar, surgia o defensor gremista cortando certo, na hora certa.

O sistema de bloqueio estabelecido por seu turno pela defensiva do Atlético, não deu margem a liberdade alguma para a ofensiva gremista que se viu assim manietada. Apenas uma única vez além do goal esteve em situação realmente propícia para marcar. Foi quando Tocafundo salvou o tento certo.

Aliás Tocafundo, com uma brilhante atuação particular, demonstrou a forma esplêndida porque atravessa no momento Ao beirar os 30 anos de idade mostrou-se o mesmo guri de outros tempos, dando um verdadeiro “show” de classe, experiência e sobretudo vitalidade e categoria.

Foi o maior jogador em campo, e organizador do serviço de bloqueio e marcação. Recuando êle próprio para dentro da área, evitou que o número de quedas de sua meta fôsse aumentado. No ataque é que faltou gente ao Atlético. Não tiveram os curitibanos aquele homem capaz de decidir tudo, e resolver com facilidade a partida, marcando goals. Ficando apenas no “fricote” à meia distância da área tricolor.

De qualquer forma, foi uma boa partida, em certos momentos equilibrada, noutros instantes pendendo ora para um, ora para outro bando.

Aos 8 minutos da segunda fase, Juarez desfez a estabilidade do marcador, desviando com um toque de cabeça, para o fundo das redes, um escanteio cobrado pelo ponteiro Ví. Era o 1×0 que permaneceria até o final da contenda, num espelhamento perfeito do que foi o jogo entre Atlético e Grêmio, pela nova e interessante competição denominada, “Taça Brasil”.

Um público de cêrca de 10.000 pessoas presenciou o jogo, fazendo passar pelas bilheterias a importância de 245.000 cruzeiros. Este público saiu satisfeito com o que viu que na verdade, foi uma boa partida. Além da atuação individual de Tocafundo, o melhor jogador em campo, é preciso salientar Sano, William, Péricles e Gaivota, no Atlético, e Orlando, Ortunho e Elton no Grêmio.” (Correio do Povo, terça-feira, 15 de setembro de 1959)

diario de noticias 15 setembro 1959 pg 13

JUAREZ DECIDIU EM FAVOR DO GRÊMIO O PRIMEIRO COMPROMISSO DA TAÇA BRASIL

Um belo espetáculo, que soube agradar o público que acorreu ontem à tarde ao Estádio Olímpico, ofereceram o Grêmio Porto-Alegrense e o Atlético Paranàense, na primeira partida que disputarão da série de quatro pontos válida pela Taça Brasil. Belo espetáculo porque teve os ingredientes necessários: momentos e lances de elevado quilate técnico e, sobretudo, sensação, a pairar sôbre o Estádio durante os noventas minutos da contenda.

A vitória tricolor, acusada no final pelo escore mínimo, diz bem o que foi o prélio em disputa e paridade de fôrças e reflete; com justiça, os méritos que o quadro local somou para alcançar o triunfo.

Atlético “dá a Pinta”

A fraca apresentação do Ferroviário, uma semana atrás, deve ter influído negativamente sôbre o conceito do atual futebol, paranaense entre nós, devendo tal fator ser levado em conta para explicar a fraca arrecadação O Atlético, porém, teve o dom de em poucos momentos desfazer a má impressão e dar uma mostra de suas reais possibilidades. Algumas avançadas iniciais bem conduzidas evidenciaram que o campeão das Araucárias sabia o que fazer com a pelota. A maneira como resistiram às primeiras avançadas tricolores demonstraram quo também suas defensiva sabia agir direito: O espetáculo já ganhou muito em interêsse nesses primeiros minutos. Os restantes 45 dessa etapa foram mais ou menos no mesmo ritmo: as cargas revezavam-se defronte das cidadelas de Henrique e William, luzindo notadamente os zagueiros de cada bando para manter incólume o setor que defendiam. E o conseguiram nessa primeira fase.

Defesas “Roubam” o Espetáculo

Os dois blocos defensivos aparecem como os maiores responsáveis pelo ambiente de permanente tensão vividos pelo assistentes que ontem foi ao Olímpico. Souberam manter, durante largo tempo, aquele 0 x 0 pouco propício a cardíacos e não permitiram nunca um distanciamento capaz de oferecer a distensão do ambiente…

Segundo Tempo-Trouxe Vitória

Reiniciada a partida, na etapa complementar, sentiu-se a mesma situação do primeiro <>. E numa investida tricolor surgiu o tento que daria a vitória aos locais. Até aí não haviam surgido os méritos que justificassem essa vantagem, fruto de um lance isolado. O Grêmio, porém, sacara contra o futuro. E passaria, depois de avantajado no marcador, a mostrar porque o conseguira: firmeza na defensiva como antes, agora aliada a uni domínio que não houvera na etapa inicial. Milton e Elton passaram a comandar a meia-cancha, graças notadamente ao trabalho do «insider». Daí o maior volume de jôgo dos tricolores, daí a pressão que inclusive exerceram sôbre os campeões paranaenses, daí a, daí a justificativa cristalina para o triunfo que abre caminho largo para o tricampeão gaúcho na Taça Brasil.

Faltou Chute

Dentre muitas virtudes, apresentou uma deficiência a equipe campeã do Paraná. No geral, atuou certo: passes bem feitos, preocupação de manter a bola no chão, jogando, assim um futebol plástico e que bem coroado é produtivo. Faltou, porém, o coroamento: o arremate. Pelo menos ontem, os avantes do Atlético demonstraram insegurança e indecisão para atirar a «goal», razão por que poucas vezes exigiram a Henrique. As avançadas, em sua maior parte, perdiam-se no excesso de tramas que, se envolviam por momentos a defesa tricolor, logo evaporavam-se pela falta da conclusão.

O Tento Solitário

O «goal» Único da partida surgiu aos 8 minutos do período complementar. Juarez foi seu autor. Vieira cobrou um escanteio à esquerda e, quando o balão «pingava» sôbre a área, Juarez, com belo toque de cabeça, deslocou o arqueiro William e atingiu o canto esquerdo da meta Paranaense. Decidia-se aí o prélio.

Destaques

Um nome dominou a partida: Tocafundo. Soberbo. Jogando recuado, cobrindo sua área, Tocafundo foi o organizador das linhas defensivas de sua equipe, Tranquilo e clássico mas também vigoroso e decidido, Tocafundo foi a maior barreira que tiveram pela frente os avantes gremistas. Jerônimo cumpriu excelente trabalho na etapa Inicial, mas na segunda deixou evidente a mesma deficiência física de seus últimos tempos de Pôrto Alegre. Savo, Altemir, Gaivota e Péricles apareceram bem.
No quadro do Grêmio, Calvet, Orlando e Airton (êste apesar de algumas brincadeiras perigosas…) foram melhores. O ataque esteva apagado, valendo por lampejos de Gessi e o esfôrço de Gessi. Na meia-cancha, Milton cumpriu excelente trabalho, embora pouco ajudado por Elton. ~

Arbitragem

Júlio Salsamente, da Federação Paranaense, dirigiu a partida o cumpriu excelente atuação. Se erros cometeu, foram de pequena monta, incapazes de truncar o desenvolvimento do prélio e influir em seu resultado. Seus auxiliares foram Flávio Cavedine e Guilherme Sroka.” (A Hora, segunda-feira, 14 de setembro de 1959)

diario de noticias 13 setembro 1959 pg 14

ENIO MELLO – ESPORTE TEM DISSO

1 — Durante a semana acentuamos que o Atlético representaria melhor o futebol paranaense que o jovem conjunto do Ferroviário que, há 8 dias, aqui esteve. Embora soubessemos qual tinha sido o comportamento do quadro de Motorzinho nos dois turnos eliminatórios do campeonato das araucárias, confiávamos na categoria, na classe da maioria de seus integrantes. Lembramos a tradição atleticana sua condição de clube que sempre bem representou o associativo do Paraná e o grande número de jogadores experientes de seu plantei, como: Tocafundo, Belfari, Sano, Jerônimo e Taíco. O último não jogou, mas os outros quatro estiveram na equipe.

2 — E três deles justificaram, amplamente, nossa expectativa. Tocafundo, a maior figura do gramado, foi o mesmo jogador de ótimos recursos que vimos atuar antes mesmo de transferir-se para ou Palmeiras. Com um ar de quem não quer nada com a bola, o veterano jogador vai bloqueando os adversários na área, fazendo praça de grande categoria, de uma tranquilidade impressionante, em certos momentos e de uma resistência leonina, nas ocasiões em que são exigidos decisão e esfôrço. Um senhor jogador o centro-médio recuado do Atlético (atuando no estilo de Orlando, Formiga e Billy Wright.)

3 — Dois jogadores seguiram em méritos o centro-médio como elementos para base da estrutura do quadro atleticano: Sano e Jerônimo. Ambos muito bons, tão eficientes que, com colaboradores bem mais modestos em recursos e capacidade de realização, sustentaram luta parelha com os tricampeões gaúchos, durante três quartas partes da peleja. Sómente quando o preparo físico do Grêmio passou a exercer predomínio e os dois homens de meia cancha do Atlético deram sinais de exaustão é que o tricolor passou a predominar. Tal aconteceu nos 15 minutos finais da contenda. O que faz com que possamos afirmar que toda a base de homogeneidade e rendimento técnico do quadro de Motorzinho se assenta nos três elementos que destacamos. Craques experientes, de boa categoria, afeitos aos grandes embates. Justamente como esperávamos, como proclamamos, ao asseverar que esta equipe tinha condições de opor tenaz resistência ao Grêmio. O resultado e andamento do prélio confirmaram nosso vaticínio.” (A Hora, segunda-feira, 14 de setembro de 1959)

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(Jornal A Hora, 14 de setembro de 1959)

Grêmio 1×0 Atlético Paranaense

GRÊMIO: Henrique; Orlando, Airton, Calvet e Ortunho; Elton e Milton Kuelle; Rudimar, Gessi, Juarez e Vieira
Técnico: Osvaldo Rolla

ATLÉTICO PARANAENSE: William; Altemir, Lindomar e Belfare; Sano e Tocafundo; Péricles, Gaivota, Tiquinho, Jerônimo e Tião
Técnico: Motorzinho

Taça Brasil 1959 – Oitavas de final – jogo de ida
Data: 13 de setembro de 1959, domingo, 15h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 245.900,00
Árbitro: Júlio Salsamendi
Auxiliares: Guilherme Sroka e Flavio Cavedini
Gol: Juarez, aos 8 minutos do segundo tempo

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Taça Brasil 1959 – Atlético-MG 1×4 Grêmio

November 21, 2016

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Atlético Mineiro e Grêmio nunca se encontraram na Copa do Brasil, mas o primeiro o confronto entre as equipes aconteceu na primeira edição da Taça Brasil, em 1959.

Era o jogo de ida das quartas de final da competição e mesmo jogando fora de casa, no Estádio Independência, o Grêmio conseguiu uma importante vitória, de virada, por 4×1. Os gols foram assim descritos pelo jornal Diário de Notícias:

“A MARCHA DO PLACAR

Aos 13 minutos da fase inicial Calvet cometeu penalidade máxima em Alvinho que o juiz confirmou com precisão. E o “insider” com certeiro chute decretou a abertura da contagem; aos 18 – empatou o Grêmio por intermédio de uma jogada infeliz de Benito, numa bola cruzada da esquerda; quando decorriam 10 minutos da fase derradeira – Milton ~ que entrou no lugar de Rudimar (êste foi para a extrema), concluiu com raro oportunismo uma bola deixada pela seu companheiro Gessy; coube ao “ponta-de-lança” visitante – Gessy – aos 24 minutos, dilatar a contagem para três numa investida fulminante, que culminou com um chute violento; finalmente Juarez, que vinha sendo bem marcado assinalou o 4o contranste para o Grêmio, aos 32 minutos. Recebeu o comandante de Gessy e invadiu célere a área. Edgar ainda tentou fechar o ângulo mas foi tarde, porque o chute foi forte e rasteiro.
A renda foi excelente: 836.880 cruzeiros e a partida foi muito bem arbitrada pelo juiz gaúcho Artur Vilarinho.”

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Fontes: Acervo Histórico do Grêmio, Diário de Notícias e Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense – Passado e Presente de um grande clube (Edison Pires)

Atlético-MG 1×4 Grêmio

ATLÉTICO-MG: Edgar (Veludo); William, Anísio e Haroldo; Ilton e Benito; Nilson, Tomazinho, Alvino, Luis Carlos e Moreira (Murtinho)
Técnico: Airton Moreira

GRÊMIO: Henrique; Elton, Airton e Ortunho; Sergio e Calvet; Vieira, Gessi, Juarez, Rudimar e Cláudio (Milton)
Técnico: Foguinho

Data: 18 de outubro de 1959
Local: Estádio Independência – Belo Horizonte – MG
Juiz: Artur Vilarino (RS)
Renda: Cr$ 836.880,00
Gols: Alvinho (de pênalti) aos 13 minutos e Benito (contra) aos 18 minutos do primeiro tempo. Milton*, aos 10, Gessy aos 24 e Juarez aos 32 minutos do segundo tempo.

*algumas fontes citam Gessy como autor do segundo gol do Grêmio