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Gauchão 1960 – Inter 1×5 Grêmio

February 14, 2020
1960 cp vieira

Foto: Correio do Povo

No primeiro turno da etapa metropolitana do Gauchão de 1960 o Grêmio venceu o Inter por 5×1 nos Eucaliptos. Foi o famigerado classico onde os dirigentes gremistas prometeram, no intervalo do jogo, dobrar o bicho caso a diferença de gols em favor do tricolor fosse dobrada(o primeiro tempo tinha encerrado em 3×1)

Esse bicho de vinte mil cruzeiros equivaleria a cerca de quatro mil reais nos dias de hoje.

Há uma divergência nas fontes históricas sobre os autores dos gols gremistas.

O Diário de Notícias, os livro “A História dos Grenais” e “História do Grêmio, passado e presente de um grande clube” e a Revista Grêmio 70 n.º6 creditam o segundo gol do Grêmio à Juarez. Contudo, o Correio do Povo, o Jornal do Dia e a Revista do Grêmio -Ano V – nº 28 – afirmam que o gol foi de Marino. A questão é saber se a bola ja havia entrado antes de Juarez apanhar o rebote do chute de Marino.

Interessante notar que os jornais da época escalam o Grêmio no WM, colocando Enio Rodrigues ao lado e Elton e posicionando Milton num “quinteto ofensivo. Por tudo que li sobre esse time do Foguinho, acho que o mais adequado seria a escalação no 4-2-4 com Enio Rodrigues na zaga e Milton mais proximo de Elton no meio campo.

1960 cp gol inter

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO EM ESPLÊNDIDA ATUAÇÃO VENCEU O INTERNACIONAL NOS EUCALIPTOS: CINCO A UM

O quadro vencedor foi uma máquina e dominou completamente o seu adversário o, principalmente na fase derradeira — Juarez (2), Marino, Gessi e Vi marcaram para os tricolores — Ivo Diogo, autor do único tento dos rubros — Vitória do Internacional nos aspirantes: 2 x 1— Renda recorde nos Eucaliptos: Cr$ 1.588.050,00

A vitória do Grêmio sobre o Internacional, domingo, foi justa e merecida. O quadro tricolor, desde os primeiros minutos da contenda evidenciou melhor classe e padrão de jogo, dominando completamente as jogadas e a cancha. O resultado final foi 5 a 1, como podia ter sido maior, devendo-se a Silveira, numa tarde de gala, esse resultado. O Grêmio, depois.do empate da contenda, passou a dominá-la mais flagrantemente, infiltrando-se na defesa do Internacional como queria e desejava. O sexteto defensivo dos colorados, salvo o arqueiro, esteve apático, perdido. Sua meia-cancha foi batida irremediavelmente. Vilmar voltou a claudicar, apesar da confiança do treinador Teté. Nesse setor, residiu o maior fracasso dos rubros. Osmar e Louro estiveram sempre ausentes, notadamente Louro. Pelo seu lado Marino entrava com facilidade espantosa, abrindo desde o começo do embate o caminho para a goleada. Kim batalhou bastante, mas acabou perdido com os demais companheiros. Zangão foi outro elemento negativo na tarde de domingo. Vi esteve à vontade e inclusive levou o Grêmio para os ataques. Outro elemento ausente no ataque rubro foi Paulo Vecchio. O “guri” inventou de passar por Airton e por consecutivas vezes não conseguiu o seu intento. Entrou no gramado para dominar o atlético zagueiro tricolor e foi até o fim do prélio sem poder realizar nada de aproveitável. Alfeu, esforçado, e Ivo Diogo fêz o primeiro tento da tarde.

Deraldo foi negação, completamente dominado por Figueiró. Pulou multo durante o jogo, fêz “piruetas” em vão e nada de consistente apresentou para o seu quadro. Do onze internacionalista, apenas Silveira pode ser destacado. Os demais foram figuras quase apagadas, notadamente depois da fulminante reação do Grêmio. Antes, ainda alguns atletas do Internacional fizeram alguma coisa. Depois, nada de aproveitável realizaram no gramado. Foi, talvez, dêsses últimos tempos, o Gre-Nal mais fácil para os tetracampeões. Nos fêz lembrar aqueles vários anos de supremacia dos colorados, no futebol metropolitano.

O quadro gremista esteve quase como uma máquina. Tanto é assim, que o golo do Internacional não perturbou a equipe tricolor, que recebeu o contraste naturalmente. Ao em vez de cair, de “achicar-se”, o Grêmio redobrou suas energias, subindo de produção e alcançando urna vitória das mais contundentes sôbre seu adversário. Suas linhas agiram muito bem e Suli, a rigor, não foi empregado a fundo. Fêz algumas defesas, é verdade, mas não foram de molde a exigi-lo demasiadamente. O tento de Ivo Diogo foi surpreendente. O atacante colorado atirou bem, de esquerda, sôbre o canto direito de Suli, batendo-o irremediavelmente. Airton e Ortunho estiveram bem, marcando com precisão. Figueiró dominou sua ala e Elton não parou um instante, levando seus companheiros à luta. Enio Rodrigues atendeu bem o seu setor, demonstrando coesão e segurança. O ataque todo foi uma só peça: esteve explêndido. Com Juarez no centro, os cinco dianteiros fizeram um bom trabalho de deslocamentos, dominando completamente a defensiva colorada. Esse domínio se fêz sentir mais na segunda fase, quando os artilheiros do Grêmio, inclusive, exibiram um futebol como há muito não o faziam. Serenos e produtivos, os cinco atacantes do Grêmio deram uma boa exibição de futebol ao grande público que compareceu aos Eucaliptos. Assim, a rigor, a vitória do Grémio foi justa e liquida. Foi melhor quadro. Teve mais presença no gramado e acima de tudo atirou-se à luta para vencer. E não fosse o Silveira, talvez o resultado tivesse sido bastante maior. O arqueiro salvou pelos menos 4 tentos certos. A conquista, assim, foi do melhor quadro, do melhor conjunto e de quem realmente jogou com sangue e apetite. O Grêmio demonstrou maior coesão e entendimento em suas linhas.

OS SEIS TENTOS DA TARDE

O primeiro tento da tarde foi marcado aos 14 minutos. Foi seu autor o ponta-de-lança Ivo Diogo. O atleta colorado entrou pelo centro, depois de receber de Paulo Vecchio. De pé esquerdo, atirou canto direito do arco confiado a Suli.

Aos 30 minutos surgiu o empate. Juarez foi o autor do tento. Gerou-se uma. confusão frente ao arco de Silveira e surgiu Juarez, para atirar inapelavelmente.

Aos 38 minutos, Marino colocou o Grêmio em vantagem. O ponteiro direito, que agiu com facilidade no seu setor, pois Louro nunca lhe atacou, entrou para o centro, derivando para a esquerda. Daí, sem ângulo, atirou forte. A pelota bateu no travessão e ganhou às rêdes. Juarez, que vinha no lance, completou a jogada e o tento.

Dois minutos depois, coube a Gessi aumentar o marcador para, três, numa jogada explêndida dentro da área colorada. O couro, atirado por Milton, foi de encontro ao travessão, voltando ao gramado. Gessi, atento à jogada, colocou inteligentemente a bola nas rêdes de Silveira. E com 3×1, finalizou a primeira fase do grande embate.

No tempo derradeiro mais dois tentos assinalou o Grêmio. O primeiro por intermédio de Vi, aos 25 minutos dêsse tempo. Foi um tento de “garra” do ponteiro tricolor. Encerrando a contagem, aos 43 minutos, Juarez marcou o último tento da tarde. O centroavante tricolor entrou na área, jogou o corpo para todos os lados, enganou dois adversários e atirou certeiro. Era o último tento da partida, que chegou ao seu final com o resultado de 5×1.

FORMAÇÃO DOS DOIS QUADROS

Os dois quadros atuaram assim formados:

GRÊMIO: Suli: Figueiró, Airton e Ortunho: Elton e Enio Rodrigues; Marino, Gessi, Juarez, Milton e Vieira.

INTERNACIONAL Silveira, Zangão, Osmar e Louro (Ezequiel, quando transcorriam 39′ da 1.a etapa); Kim e Barradinhas; Alfeu, Ivo Diogo, Paulo Vecchio, Vilmar e Deraldo.

BOA ATUAÇÃO DE CLINAMULTE

Dirigiu a contenda, o árbitro baiano Clinamulte Vieira França. Seu trabalho agradou. Esteve sereno e preciso na marcação das faltas. Acompanhou bem as jogadas e dominou a partida. Boa estréia. Por outro lado, a parte disciplinar do embate cooperou para o seu excelente trabalho. Os dois quadros, salvo pequenos senões, comportaram-se com lealdade e disciplina.

PRELIMINAR

Preliminarmente jogaram as equipes de aspirantes. O Internacional, com um esquadrão jovem e cheio de vontade, foi o vencedor por dois a um, tentos de Oli. Para o Grêmio converteu o centromédio Sérgio. Foi um embate disputado e cheio de ótimos lances. Djalma Moura foi o árbitro, com excelente trabalho. Os dois quadros disputaram esse jogo assim constituídos:

INTERNACIONAL – Beno: Joel, Poleto e Dilson: Cláudio e Danúbio; Zózimo, Oli, Paulo Berg e Sepe.

GRÊMIO – Raul; Machado, Mala e Léo; Sérgio e Altino; Adroaldo, Cardoso, Joãozinho, Newton e Volnei.

RENDA RECORDE NOS EUCALIPTOS

A renda atingiu a apreciável soma de Cr$ 1.588.050,00. Foi arrecadação recorde nos Eucaliptos. “(Correio do Povo, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

5X1 NÃO DIZ TUDO: DIFERENÇA DE CATEGORIA FOI PASMOSA

Grêmio: Que Time! Que Futebol! Que Colosso!

Equipe tricolor maravilhou o enorme público presente (1.588.050,00 cruzeiros) praticando um futebol perfeito, de ouro 18 quilates — Internacional “bombardeado” do início ao fim — Juaraz (3), Gessy e Vieira marcaram para o Grêmio, tendo Ivo Diogo descontado (abrindo o escore…) – Grande arbitragem do baiano Clinamulte França.

GRÊMIO BRINCOU DE ‘GATO E RATO’ COM O INTERNACIONAL

(Diário de Notícias, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

“GRÊMIO, NOS EUCALIPTUS, DESMONTOU PEÇA POR PEÇA A EQUIPE ARMADA LABORIOSAMENTE POR TETÉ: 5X1
Marcaram para o Grêmio: Juarez (2), Gessi, Marino e Vieira — Os colorados arrancaram na frente, com um tento de Ivo Diogo, mas não resistiram a avalanche tricolor — Apenas Silveira se salvou no onze rubro, rubricando uma grande atuação – Boa estréia do baiano Clinamulte Vieira França – Arrecadação recorde: Cr$ 1.588.050,00

[…]

“O bicho do Grêmio pela vitória no Grenal já estava estipulado: Cr$ 10.000,00. No caso do escore chegar a cinco tentos o bicho subiria para vinte mil cruzeiros. […] Como se viu, tudo estava previsto no Grêmio – até mesmo a goleada por 5 tentos”

” (Jornal do dia, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

“Pagando o ingresso mais caro do Brasil, uma imensa multidão tomou de assalto o Estádio dos Eucaliptos, avido por assistir as emoções do Grenal de número 153. E o resultado foi esse: renda recorde em Grenais, com uma arrecadação de Cr$ 1.588.050,00.

– O <Bicho> dos gremistas foi excepcional, também recorde nos clássicos: Cr$ 20.000,00. O prêmio oferecido inicialmente era de dez mil cruzeiros, entretanto, os diretores do Grêmio, eufóricos com a vitória parcial, ao término da primeira etapa, prometeram aos seus atletas <> dobrado, se eles conseguissem dobrar, também, a diferença de tentos àquela altura. Os jogadores aceitaram de bom grado a proposta e alcançaram o objetivo, marcaram mais dois tentos na etapa complementar, justificando assim o <bicho-monstro>.

– A nota trágico-cômica do clássico foi o aparecimento de um sapinho, amarrado com fitas tricolores, que surgiu, não se sabe como, junto ao arco que coube a Suli. O arqueiro gremista não gostou do batráquio rondando a sua meta e solicitou a sua remoção. O auxiliar de massagista tricolor entrou em campo e, segurando pelas pontas das fitas, atirou o sapinho por sobre os muros do estádio, na rua Barão de Guaíba” (Jornal do dia, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

1960 cp juarez

Foto: Correio do Povo

1960 cp gol gessi

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO: Suli; Figueiró, Airton, Ênio Rodrigues e Ortunho; Elton e Milton Kuelle; Marino, Gessi, Juarez e Vieira.
Técnico: Foguinho

INTER: Silveira; Zangão, Osmar, Louro (Ezequiel); Kim e Barradas; Alfeu, Ivo Diogo, Paulo Vecchio, Vilmar e Deraldo
Técnico: Teté

Gols: Ivo Diogo, aos 14 minutos; Juarez aos 30, Marino aos 38 e Gessi aos 40 minutos do primeiro tempo; Vieira aos 25 e Juarez aos 42 minutos do segundo tempo

Gauchão 1960 – Aimoré 1×3 Grêmio

February 8, 2020
1960 aimore cp alberto

Foto: Correio do Povo

Este foi o último jogo entre essas equipes no antigo estádio da “Taba Índia” (o estádio Cristo Rei seria inaugurado em março de 1961)

Na meta do Aimoré nessa partida estava o goleiro Alberto (foto acima), que viria a jogar no Grêmio a partir de 1963.

1960 aimore cp suli

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO E INTERNACIONAL VENCERAM AIMORÉ E SÃO JOSÉ
Praticamente encerrado domingo o primeiro turno do metropolitano

Tricolores apresentaram bom trabalho na “taba” e o resultado foi de 3×1 — Vi, Marino e Gessi, os goleadores — Tomasi marcou o tento do Aimoré

O Grêmio Porto-Alegrense encerrou seus compromissos do primeiro turno na condição de invicto. O líder do certame, jogando na “Taba India”, em São Leopoldo, conquistou um triunfo tranquilo sobre o Aimoré, por 3 a 1.

O Aimoré não ofereceu, em realidade, resistência aos tricolores, que jogaram uma partida sem maiores preocupações, demonstrando uma flagrante superioridade sôbre o adversaria.

Pouco trabalho teve a defesa do Grêmio, que bloqueou por inteiro o ataque dos “capilés”, os quais poucas vezes colocaram Suli em ação, a não ser na cobrança de faltas ou em intervenções.

Enquanto isso a linha de frente gremista passou a exercer domínio sobre a retaguarda do Aimoré, especialmente depois dos vinte minutos iniciais, até quando o jogo esteve aparentemente equilibrado.

Depois disso viu se o Grêmio caminhando à vontade na cancha, com perfeito entendimento entre suas linhas, sobressaindo-se o trabalho do ligação Milton, que manobrou no meio de campe de forma magnifica, constituindo-se no melhor jogador dos vinte dois.

O Aimoré, bastante longe da equipe da temporada passada e tendo pela frente um Grêmio que vem jogando um futebol apurado, pouco pôde fazer, melhorando apenas quando os tricolores retraíram-se após o placarde já estar em três a zero, quando aliás a representação leopoldense conquistou o gôlo de honra.

Após o tento do quadro “indio” o Grêmio voltou a apertar o cerco e levou a peleja até seu final em flagrante superioridade, conquistando mais um triunfo, prêmio justo pela bela jornada cumprida.

RENDA: 264.880 cruzeiros.

JUIZ: Laje Filho, com bom trabalho, apesar de haver deixado passar uma penalidade máxima de Afonso em Marino.

Preliminar: aspirantes do Grêmio 2, aspirantes do Aimoré, 0.” (Correio do Povo, terça-feira, 30 de agosto de 1960)

LÍDER PASSOU PELO AIMORÉ ESBANJANDO CATEGORIA: 3 X 1 (Diário de Notícias, terça-feira, 30 de agosto de 1960)

GRÊMIO TERMINOU INVICTO E COMO LÍDER ABSOLUTO O PRIMEIRO TURNO DO CERTAME
O Aimoré não foi obstáculo para o elenco treinado por Osvaldo Rola, que marcha firme em busca do pentacampeonato — Os «Índios» resistiram apenas os primeiros 20 minutos da partida e perderam por três tentos contra um — Vieira. Marino e Gessi marcaram os tentos vitoriosos – Tomasi anotou o tento de honra dos leopoldenses.” (Jornal do dia, terça-feira, 30 de agosto de 1960)

Revista do Grêmio n.º 28, ano VFonte: Grêmio História

Aimoré 1×3 Grêmio

GRÊMIO: Suli; Figueiró, Airton, Bruno e Ortunho; Elton e Milton Kuelle; Cardoso, Gessi, Marino e Vieira
Técnico: Foguinho

AIMORÉ: Alberto; Amáncio,; Soligo, Afonso e Carlos; Gilnei (Jara) e Fernando; Darci, Tomasi, Gilberto e Balzareti
Técnico: Joni Alves

Data: 28 de agosto de 1960, domingo 15h30mibn
Local: Estádio da Taba Índia, São Leopoldo-RS
Renda: CR$ 264.880,00
Árbitro: José Gonçalves Lage Filho
Auxiliares: Djalma Moura e Heron Di Lorenzi
Gols: Vieira aos 23 minutos e Marino aos 29 minutos do primeiro tempo. Gessi aos 4 minutos e Tomasi, aos 24 minutos do segundo tempo

Gauchão 1960 – Grêmio 2×1 São José

January 30, 2020
foto CP

Uma fase do embate de ontem, aparecendo na jogada, Bandeira e Ortunho, que por sinal esteve meio indeciso na noite de ontem” (Correio do Povo)

 

 

Em 19 de dezembro de 1960, o Grêmio recebeu o São José pela penúltima rodada do terceiro turno do Metropolitano de 1960. O tricolor já era o campeão da cidade e aguardava o início do quadrangular final do Gauchão de 1960 (que só iniciaria em janeiro de 1961) quando enfrentaria os campeões das outras regiões do estado.

É interessante notar nas reportagens transcritas abaixo que só a Folha da Tarde questionou tão duramente a atuação do juiz na partida.

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PAULINHO EM BOM NÍVEL – O arqueiro Paulinho voltou a cumprir bom trabalho ontem à noite. Aparece numa defesa, acossado por Juarez e sob as vistas atentar de Itamar, grande valor zequinha na noite de ontem” (Folha da Tarde)

SÃO JOSÉ JOGOU MELHOR MAS PERDEU 2X1
Elton (penalti), Pinto e Airton marcaram os tentos — O embate foi fraco, melhorando na fase final — Renda: Cr$ 130.000,00

O resultado do jôgo de ontem, no Olímpico, foi até certo ponto injusto para o São José. Injusto pelo que o clube do Passo d’Areia apresentou na fase derradeira, ocasião em que dominou as jogadas e as ações. Acontece, que a sua linha dianteira, por diversas ocasiões preparou e inclusive venceu as jogadas, pecando nos arremates. Tramou bem no centro do gramado e conseguiu envolver o Grêmio, que esteve irreconhecível na noite de ontem, apresentando um futebol muito aquém de suas verdadeiras qualidades. O resultado de 2×1, para os tricolores, até certo ponto, foi injusto. Um empate, seria o resultado mais coerente com o jôgo.

Os primeiros quarenta e cinco minutos foram de mau futebol, uma vez que as duas equipes se equivaleram em mediocridade. Enquanto o Grêmio mostrava desentendimento em suas diversas linhas, o São José pecava a cada instante, tornando o embate inexpressivo. Poucas foram as jogadas que salvaram o espetáculo, na fase inicial. Houve no primeiro tempo alguns lances bons, que afinal não foram aproveitados, surgindo depois os dois que redundaram nos tentos assinalados. O primeiro foi aos 30 minutos. Marino apontou forte e Luiz Luz cometeu toque na pequena área. Clinamulte cobrou o penalti e Elton marcou. Bem cobrado, com violência. Depois, aos 44 minutos, por intermédio de Pinto, o São José empatou.

                                                                    ***

Veio o segundo tempo. O São José esteve melhor e a partida tomou outra feição. Os zequinhas procuraram botar a pelota no terreno, dando insano trabalho à defesa do Grêmio, principalmente. Mas acontece que o ataque do São José, em que pese esse rápido domínio, não soube aproveitar três grandes oportunidades. A dianteira do Passo d’Areia pecou nos momentos decisivos, “mastigando” demasiadamente a pelota. Então, a defesa do Grêmio passou a defender com mais desembaraço, dominando a situação e salvando por várias vezes, principalmente Airton e Enio Rodrigues. Por fim, veio o tento da vitória do Grêmio, após uma rápida reação. A linha do tricolor — com o apoio de sua torcida — fêz uma carga cerrada ao arco do São José. Marino perdeu grande oportunidade, quando tinha o goal à sua disposição. Mas o Grêmio não parou e voltou ao ataque, dominando a cancha. Surgiu um comer. Vieira bateu, e Airton, abandonando o seu posto, de cabeça, decretou a derrota do São José, aos 40 minutos da fase derradeira. E assim o prélio foi ao seu final, com a vitória do Grêmio por 2 x 1” (Correio do Povo, terça-feira, 20 de dezembro de 1960)

O tento da vitória gremista surgiu aos 40 minutos. Daltro cedeu escanteio e Vieira bateu com multa precisão. A pelota descreveu um arco completo e Airton, que fora tentar a conquista do tento da vitória, postando-se dentro da área zequinha, saltou com os zagueiros contrários e, favorecido pelo seu alto porte, cabeceou com êxito, enviando a pelota para o fundo do arco defendido por Paulinho e. assim, alcançando seu objetivo, pois êsse tento foi o único registrado nesse período e que deu a vitória ao Grêmio” (Jornal do dia, terça-feira, 20 de dezembro de 1960)

“SÃO JOSÉ PERDEU INJUSTAMENTE PARA O GRÊMIO: JUIZ INFLUIU

Quatro fatores levaram o São José à derrota, na noite de ontem, no Estadia Olímpico. Vamos enumerá-los:  1.º) – a marcação do penalty inexistente de Luiz Luz; 2.) — a anulação do tento de Joeci; 3.º) – a não marcação de um penalty contra o Grêmio e 4º) — o vento contrário no segundo tempo.

Três destes  fatores tem apenas dois culpados; o juiz Clinamulte Vieira França e a bandeirinha  Guilherme Sroka.

A marcação do penalty de Luiz Luz foi multo duvidosa. E muito errada a sua assinalação. Primeiramente porque foi “bola na mão”. Marino deu “uma “selada” ao braço do zagueiro central Zequinha. Nunca poderia ser marcado penalty.

[…]

Aos 26 minutos do primeiro tempo, Elton abriu a contagem cobrando penalidade máxima que já comentamos. Empatou Pinto aos 44 minutos, escorando de cabeça uma bola lançada por Alexandre, na cobrança de uma falta. O tento da vitória do Grêmio surgiu aos 41 minutos, da etapa final. VI cobrou o escanteio. A bola já havia penetrado quando Airton entrou para conferir.” (Folha da Tarde, terça-feira, 20 de dezembro de 1960)

Grêmio Porto Alegrense, já pentacampeão metropolitano, voltou a cancha para enfrentar, em compromisso valido, pelo terceiro turno do certame da Divisão de Honra, a equipe do São José, em seu penúltimo compromisso no campeonato deste ano.

Não foi fácil o triunfo obtido pelos campeões ontem à noite no Estádio Olímpico, já que o marcador final foi de 2 x 1, sendo que segundo gol gremista foi obtido quando faltavam apenas cinco minutos para findar o prélio.” (Diário de Notícias, terça-feira, 20 de dezembro de 1960)

GRÊMIO: Suli; Figueiró, Airton, Ênio Rodrigues e Ortunho; Elton e Milton Kuelle; Marino, Gessi, Juarez e Vieira.
Técnico: Foguinho

SÃO JOSÉ: Paulinho; Mossoró, Luiz Luz e Daltro; Bandeira e Itamar; Alexandre, Alteu. Pinto, Osquinha e Joeci.
Técnico: Luizinho

Data: 19 de dezembro de 1960, segunda-feira
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: CR$ 136.610,00
Árbitro: Clinamulte Vieira França
Auxiliares: Agomar Martins e Guilherme Sroka

Taça Brasil 1960 – Fluminense 1×1 Grêmio

September 23, 2015
Clóvis afasta a bola enquanto Pinheiro e Marino observam 
O primeiro confronto entre Fluminense e Grêmio no Maracanã ocorreu no dia 21 de Outubro de 1960, valendo como partida de desempate nas quartas de final da Taça Brasil daquele ano.
No primeiro jogo, no Olímpico, o Grêmio venceu com um gol de Elton. Na partida de volta, o Fluminense venceu por 4×2 nas Laranjeiras, onde, reza a lenda, o gramado teria tido suas dimensões reduzidas por ordem do técnico Zezé Moreira, visando que o melhor preparo físico da equipe gremista não prevalecesse.
O terceiro jogo foi marcado novamente para a Capital Guanabara, restando a dúvida sobre em qual estádio seria disputado. O Fluminense queria utilizar novamente as Laranjeiras, mas o presidente do Grêmio, João Leitão de Abreu, conseguiu que a partida fosse levada para o Maracanã, que foi liberado as pressas, uma vez que passava por reformas.
Jogando de branco, o Fluminense saiu na frente logo aos 4 minutos, com um gol de Jair Francisco. O Grêmio chegou ao empate aos 33 minutos do segundo tempo, em um pênalti sofrido por Milton e convertido por Elton. O jogo foi pra prorrogação, na qual o Fluminense jogava pelo empate em função de ter melhor saldo de gols (na época chamado de goal-average) nos jogos anteriores.
Um fato pitoresco na partida foi a postura de Zezé Moreira,  técnico do Fluminense. Ao final dos 90 minutos ele invadiu o gramado para ofender e agredir (deu um pontapé nas nádegas” segundo o Jornal do Brasil) o juiz Olten Aires de Abreu. Não fosse isso suficiente, o ex-treinador da seleção brasileira ainda “investiu” contra o fotógrafo do Correio do Povo José Abraham, o Espanhol. O curioso é que a Folha Esportiva de Porto Alegre afirma que Zezé foi autuado em flagrante, tendo que pagar fiança para  ir pra casa enquanto o Jornal do Brasil afirma que o técnico apenas teve que pedir desculpas ao árbitro nos vestiários. Ainda, o jornal gaúcho afirma que o juiz deixou de dar um pênalti para o Grêmio enquanto o periódico carioca nada registrou sobre o tema.
Vieira cercado por Edmilson, Jair Marinho e Pinheiro.
 O técnico Foguinho tentou ingressar no campo para ajudar o fotógrafo José Abraham, mas foi contido por Ortunho e pelo dirigente Hamilton Braga.

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Fontes: Folha Esportiva, Jornal do Brasil, Diário de Notícias, Revista do Esporte e Jornalheiros

Fluminense 1×1 Grêmio

FLUMINENSE: Castilho; Jair Marinho, Pinheiro, Clóvis e Altair; Edmílson e Paulinho; Maurinho, Waldo, Jair Francisco e Escurinho.
Técnico: Zezé Moreira

GRÊMIO: Suli; Figueiró, Aírton, Ênio Rodrigues e Ortunho; Élton e Mílton Kuelle; Vieira, Marino, Gessi e Jurandir (Juarez)
Técnico: Foguinho

Taça Brasil 1960, quartas-de-final, decisão da Zona Sul
Data: 21 de outubro de 1960, sexta-feira, 21h30min
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ
Público: 26.631 pagantes
Renda: Cr$ 1.119.961,00.
Árbitro: Olten Aires de Abreu (SP).
Auxiliares: Antônio Viug e Clinamute Vieira França.
Gols: Jair Francisco, aos 4 do primeiro tempo e Élton (de pênalti) aos 33 do segundo tempo.