Archive for the ‘1962’ Category

1962 – Amistoso – B1909 2×5 Grêmio

April 20, 2012

Há 50 anos, o Grêmio enfrentava o B1909, na cidade Odense, na Dinamarca. Era a sétima partida do Grêmio na excursão européia realizada naquele ano.
No campo o tricolor não teve maiores dificuldades, estabelecendo a goleada já no primeiro tempo, mas na alimentação o time passou por uma experiência curiosa. Enquanto Airton, de dieta, se alimentava a base de chás e torradas, Ortunho, inadvertidamente, saboreou um filé de cavalo (Carne encontrada no país escandinavo).

“Nova vitória do Grêmio na Dinamarca 
Odense, Dinamarca, 21 (A.P.) – A equipe de futebol do Grêmio Porto Alegrense, voltou a atuar em gramados da Dinamarca ontem à tarde, ao enfrentar amistosamente nesta cidade o esquadrão do B-1909. O quadro visitante foi o vitorioso pela contagem de cinco a dois. 

Já ao finalizar o primeiro tempo o quadro brasileiro estava com ampla vantagem no marcador, por 4×1. A crônica local apreciou bastante a produção da equipe sul-americana, cujos jogadores deram uma demonstração de habilidade no manejo da bola. Cêrca de 5 mil afeiçoados aplaudiram as belíssimas jogadas do quadro gremista. 

 O avante Abílio, logo aos 2 minutos de ações, colocou o Grêmio em vantagem no placar. Aos 17, Vieira aumentou para dois. Per Jacobsen, aos 18, diminuiu a vantagem dos visitantes. Mais tarde, Marino e Abílio elevaram o marcador para 4×1. 

No segundo período, os brasileiros passaram a demonstrar sua habilidade no campo de jôgo, maravilhando aos afeiçoados dinamarqueses. Faziam combinações de um extremo a outro sem contudo procurar marcar mais tentos. Em um contra-golpe, Palle Hansen marcou o segundo tento para os locais. Quando apenas faltava um minuto para o término da contenda, Marino marcou o quinto goal gremista” (Correio do Povo – 1962) 

Per Jacobsen recebeu passe de Kähler e marcou o primeiro gol para os dinamarqueses, superando Airton e o goleiro Henrique.
Abilio em lance com o zagueiro Nielsen e o arqueiro Rask.
” Em plena manhã de Sexta-feira Santa, no dia 20 de abril, em Odense, perante numerosa assistência, o Grêmio defrontou-se com a representação local do 1909, um dos vice-líderes do certame da primeira divisão da Dinamarca. Os rapazes do Estádio Olímpico, pelo que realizaram durante os primeirs 45 minutos, mereceram a sensacional vitória obtida no gramado de Odense, por 5×2. Iniciram a contenda os pupilos de Enio Rodrigues com uma disposição extraordinária e já no primeiro minuto, numa investida fulminante, Abílio, num tiro rasteiro, movimentou o placarcara A ação dos tricolores foi das notavéis nesta primeira fase. A seguir o placar novamente foi movimentado através de Vieira. Até os 34 minutos, seu domínio foi patente. O conjunto do 1909, vice-líder do certame local, não desenvolveu seu costumeiro jôgo, isto porque foi colhido de surprêsa pelos tricolores que largaram na frente, trazendo assim um certo mal-estar a defensiva contrária. Na fase final, o quadro local voltou com grande disposição, mas encontrou a defesa tricolor muito sólida, com o lateral Sérgio aparecendo como principal figura. Também foi digna de registro a performance cumprida pelo atacante Abílio, que se revelou um dos pontos altos da equipe gremista.

[…]

O juiz Fred Hansen, do quadro da Fifa, teve ba atuação, tendo apenas deixado de passar uma penalidade máxima de cado lado.
Auxiliares – Anton e Gerner, com perfeito trabalho na marcação dos impedimentos.

[…]

O público que sempre aplaudia as jogadas bonitas executadas pelos atletas dos dois bandos, no final do cotêjo, com palmas prolongadas homenageou o quadro visitante. A representação local, contou com 2 atletas no selecionado da Dinamarca.
As substituições da equipe gremista foram feitas na fase final. No início do 2º tempo, apareceu Adroaldo, entrando na ponta direita, e Marino, para o miolo, em lugar de Juarez. A entrada de Fernando deu-se na metade do 2º tempo, quando Enio tratou de poupar Joãozinho, já que o resultado estava garantido.”  (Revista Super Grêmio – Nº 5)

B1909 2×5 Grêmio

B1909: Rask; Lnde, Nielsen e Tehansen; Madsen e Per Jacobsen; Kahler, Hansen, Enóstrem, Danielsen e Palle Hansen.
Técnico: Walther Pfeiffer
GRÊMIO: Henrique; Sérgio, Airton, Elton e Ortunho; Joãozinho (Fernando) e Milton; Marino (Adroaldo), Juarez (Marino), Abílio e Vieira
Técnico: Ênio Rodrigues

De pé: Milton, Sérgio, Ortunho, Henrique, Airton e Elton 
Agachados: Marino, Joãozinho, Juarez, Abilio e Vieira.
Advertisements

Sugestão – Uniforme de 1962

April 6, 2012

Em outubro do ano passado, eu sugeri ao marketing do Grêmio que os uniformes de 2012 poderiam homenagear a equipe de 1962, aproveitando os 50 anos da conquista da Taça Legalidade, da excursão européia e do título do chamado “Supercampeonato” Gaúcho.

A idéia foi bem recebida e a partir daí a Martina Schreiner e eu elaboramos uma análise dos uniformes daquela temporada e enviamos o material para o clube. O trabalho em questão pode ser visualizado abaixo:

Como vimos nessa semana, o uniforme de 1962 foi lembrado na atual camisa reserva. Como já disse, em termos gerais eu gostei dessa camisa branca de 2012, muito embora eu preferisse que as listras tivessem continuidade nas costas da camisa, tal como era usada há 50 anos atrás (como se vê na foto abaixo, aonde Gessi e Marino enfrentam o São José no Olímpico)

Penso da mesma forma em relação ao uniforme retrô lançado. Se é uma réplica, as listras também deveriam aparecer nas costas da camisa.

E me parece que faltou um pouco de atenção da Topper em relação aos detalhes desse modelo retrô. A ordem das listras da gola foi invertida, ficando diferente do que era usado na época (conforme se pode observar nas fotos abaixo).

Milton, Valério e Vieira

Elton e Airton

Taça da Legalidade 1962 – Inter 1 x 2 Grêmio

March 9, 2012
Link

No dia 11 de março de 1962 o Grêmio, já campeão da Taça da Legalidade ia até o Estádio dos Eucaliptos enfrentar o Internacional pela último rodada do campeonato sul-brasileiro. Era a chance de coroar aquela campanha com uma vitória em clássico, uma vez que o Grenal do primeiro turno terminou empatado.
O Grêmio terminou os primeiros 45 minutis atrás do marcador, mas se recompos no segundo tempo e conseguiu a virada com gols de Vieira e Joãozinho, sagrando-se assim campeao invictro do torneio.

“Na foto acima, vemos um flagrante do match clássico de anteontem, no momento em que a meta tricolor passou por apuros: Gilberto,da extrema esquerda, chutou forte: a bola passou entre todos os jogadors, para finalmente sair pela linha de fundo da meta guardada por Irno. É interessante salientar ainda, como pode ser observado, o número de “penetras” que se encontrar localizado atrás da cidadela então guarnecida por Irno (no 1ºtempo). Felizmente, para acabar com tais abusos, a Polícia, de acordo com a alta direção da FRGF, determinará de agora em diante que somente entrarão no local da disputa pessoas credenciadas e portadoras de emblemas especiais, medida que de fato há muito tempo merecia ser olhada pelas direções dos nossos clubes.” (Correio do Povo – 13 de março de 1962)


Inter 1 x 2 Grêmio

GRÊMIO: Irno, Sérgio, Airton, Ortunho e Mourão; Elton, e Milton; Adroaldo, Gessi, (Juarez) Joãozinho e Vieira
Técnico: Ênio Rodrigues

INTERNACIONAL: Gainete, Zangão, Ari, Cláudio e Nilo; Sérgio Lopes e Osvaldinho; Sapiranga, Flávio (Tite), Larri (Vevé) e Gilberto.
Técnico: Carlos Froner


Taça da Legalidade (Campeonato Sul-brasileiro) – 10ª Rodada
Data: 11 de março de 1962, domingo
Local: Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre
Renda: Cr$ 1.497.100,00
Juiz: Romulado Arpi Filho
Gols: Sapiranga, Joãozinho e Vieira

Taça da Legalidade 1962 – Grêmio 1 x 1 Inter

February 10, 2012

Há 50 anos, Grêmio e Inter se enfrentavam pela 5ª rodada da Taça da Legalidade. A competição, também chamada de “torneio sul-brasileiro“, reunia os campeões e vice dos estaduais do sul do país em 1961.

Em 13 de fevereiro de 1962, o Grenal disputado no olímpico terminou em 1×1. O jogo marcou a estréia de Gainete com a camisa 1 do Inter, que deixou o campo lesionado nos minutos finais, tendo sido considerado um dos destaques da partida.

A renda foi considerada vultuosa, com a arrecadação passando os 3 milhões de cruzeiros. O ingresso mais caro custava 350 cruzeiros, o mais barato saía por 50. Lembrando que no câmbio do dia, 1 dólar correspondia a 310 cruzeiros.

Os debates posteriores ao jogo se voltaram a justiça do placar e a violência que se viu em campo.

O centroavante Juarez, disse que aquele tinha sido o Grenal “mais desleal” que havia disputado.

O presidente do Grêmio, Pedro Pereira, gostou do resultado, afirmando que o 1×1 “nos satisfez, pois continuamos líderes do Torneio Sul-Brasileiro e ainda invictos.”.

Carlos Stechman, diretor de futebol colorado, deu a seguinte declaração “Jogo muito corrido e disputado. Acho que o resultado, pelas circunstâncias do jogo, teve um escore justo“.

Seu treinador, Carlos Froner, pensava de forma diferente: “Injusto o resultado pelo que produziu o Internacional. Era pra ter ganho facilmente

Ênio Rodrigues, técnico tricolor, se queixou de forma lacônica: “Só lamento que o Internacional não tenha vindo a campo para jogar. Honesta e sinceramente, é só que posso dizer“.

As imagens são da Revista do Grêmio e dos jornais “Folha Esportiva” e “Correio do Povo”

Num Gre-Nal que não chegou a ser um espetáculo sob o aspecto técnico, aconteceu um empate em um ponto. Os colorados, numa prova de melhor acerto inicial, saltaram na frente. Os gremistas, melhores no tempo conclusivo, conseguiram igualar.

O clássico – um dos mais violentos dos últimos tempos – teve seu brilho empanado por uma série de jogadas agressivas e ditadas pela má intenção de alguns jogadores. Isto de ambos os lados. Entretando neste particular, cabe uma contundente acusação aos homens de defesa do Internacional, mormente Zangão, Cláudio e Sergio Lopes. que foram os que usaram do expediente de jogar pesado como a intenção visível de atingir os rivais. Por parte do Grêmio, igualmente aconteceram lances plenos de violência. Destacaram-se neste particular Ortunho, Sérgio (que no final se corrigiu) e Mourão.

Por paradoxal que isto pareça, ou seja o excesso de “botinadas”, a atuação do árbitro paulista foi – em linhas gerais – de aceitável para boa. Mesmo em jogadas onde a má fé imperava, com tato e habilidade procurou resolver as dificuldades sem perder a personalidade.

[…]

0 1×1, pelo que o Internacional rendeu nos primeiros 45 minutos e pela produção do Grêmio no período derradeiro, deu-nos a impressão de ter sido justo. Se aconteceram alguns momentos de bom Football, a verdade manda que se diga que na maioria das vezes o embate esteve excessivamente truncado pela deslealdade de muitos jogadores. Uma pena que isto tenha acontecido. Se de outra forma tivesse agido os elementos que mais se destacaram no jogo do “mais homem”, certeza temos que o Gre-Nal 158 seria tecnicamente um bom espetáculo e acompanharia de perto a fabulosa importância arrecadada. (ANTONIO CARLOS PORTO – Folha Esportiva – 14 de fevereiro de 1962)

O Gre-nal de ontem, no Olímpico, terminou empatado em um goal. Resultado, até certo ponto, justo.

A equipe colorada foi quem trabalhou melhor em muitas partes de encontro. Pelo menos seu ataque teve agressividade. Procurou mais o gola, deixando de lago o jogo “tico-tico”. Com uma formação de emergência, que Froner colocou em campo, o Internacional fez mais do que se esperava.

Os rubros, no primeiro tempo, trabalharam mais à vontade, procurando o tento de qualquer maneira. Mas, com um sentido prático de jogo. O ataque era bem lançado. Já para a segunda fase, vendo que o quadro não aguentaria o train de jogo, Froner colocou Vevé. Isto para fortalecer o jogo de armação. Foi, então, que caiu de produção o Internacional. Inclusive, o próprio Sapiranga jogou atrasado! Mas, mesmo assim, os escarlates em algumas oportunidades acertaram o goal de Irno. A defesa é que jogou pesada demais. Zangão, Ari, Cláudio e Sérgio Lopes (em algumas oportunidades) distribuiram “ripa” a valer. (Correio do Povo, 14 de fevereiro de 1962)

MARCHA DA CONTAGEM

SÉRGIO LOPES, 11´- Gilberto Ganhou um lance rápido na extrema, servindo Flávio que, incontinente, cedeu a Alfeu. Disparou e defesa na perna de Airton. No rebote, em estilo sensacional, Sério Lopes, num “sem pulo” atirou mortalmente. Grande goal.

ELTON, 69´- Aconteceu uma falta de Ari em Juarez. Elton, que instantes antes já fizera Gainete brilhar em lance idêntico, foi encarregado da cobrança,próximo à área. Atirando rasteiro, forte e com a colaboração de uma “raspada” na perna de Vevé, bateu Gainete, estabelecendo a contagem final: 1×1. (Folha Esportiva – 14 de fevereiro de 1962)

OS GOALS –

No primeiro tempo, vencia o Internacional por 1×0. Gilberto criou confusão na área. Airton quis tirar bonitinho. Flávio chutou e a pelota bateu no zagueiro. Sérgio Lopes, numa meia-virada sensacional, de pé esquerdo, atingiu o canto esquerdo do arco de Irno, sem defesa. Um golaço, que valeu o ingresso! Isto aconteceu aos 11 minutos.

Na fase final, aos 28 minutos, Ari cometeu falta em Juarez. O juiz marcou bem. Elton bateu forte no canto direito, sem defesa para Gainete, que gritava que queria mais atleta na barreira. Mas não foi atendido. (Correio do Povo, 14 de fevereiro de 1962)

O JUIZ – Anacleto Pietrobom andou bem na arbitragem, no aspecto técnico. No aspecto disciplinar deixou muito a desejar. Não exagerando, nada menos do que 5 atletas mereciam expulsão: Ortunho, Sérgio, Zangão, Cláudio e Ari! (Correio do Povo, 14 de fevereiro de 1962)

“PÚBLICO ENORME VIU UM GRENAL SEM VENCEDOR – Lotado o Olímpico, com renda beirando os 3 milhões, uma assistência enorme viu Grêmio e Internacional empatar em 1 ponto. O resultado do clássico foi justo. Os gremistas cederam terreno e deram ocasião dos colorados atuarem muito melhor no 1º tempo. Para o período final aconteceu inversão: o Grêmio atacando e Internacional na defensiv. Na incidência acima Gainete (notável estréia) salta e cata o balão, protegido por Nilo (outra boa estréia), enquanto Marino e Juarez vêm com o propósito de hostilizar” (Folha Esportiva – 14 de fevereiro de 1962)


Grêmio 1 x 1 Inter

GRÊMIO: Irno; Sérgio, Aírton, Ortunho e Mourão; Elton e Milton; Marino, João Severiano, Juarez e Vieira.
Técnico: Ênio Rodrigues

INTER: Gainete (Beno); Zangão, Ari, Cláudio e Nilo; Sérgio Lopes e Osvaldinho; Sapiranga, Alfeu, Flávio (Vevé) e Gilberto.

Técnico: Carlos Froner

5ª Rodada – Taça da Legalidade 1962
Data: 13 de Fevereiro de 1962, terça-feira, 21h15min
Público: 35 mil
Renda: Cr$ 3.023.120,00
Juiz: Anacleto Pietrobom – SP
Auxiliares: Hélio Mesquita e Guilherme Sroka
Gols: Sérgio Lopes (Inter) aos 11 minutos do primeiro tempo; Elton (Grêmio) aos 28 do segundo tempo.