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1965 – Grenal em Caxias e a Taça dividida ou esquecida

February 23, 2013
Como já foi amplamente divulgado nos últimos dias Grêmio e Inter já disputaram um clássico em Caxias. Foi em 1965, pela última rodada do Torneio da Festa da Uva daquele ano.

O resultado foi de um empate em 0x0. Foi um jogo literalmente sonolento, uma vez que os jornais registraram diversos torcedores dormindo nas arquibancadas da Baixada Rubra. Os relatos da partida registram pouquissímos lances de ataque, se destacando uma bola colocada no travessão pelo colorado Darlan e um gol anulado de Airton.
O curioso é que o site do Grêmio considera este torneio como um troféu conquistado, e diversas fontes afirmam que o título foi dividido pela dupla Grenal. Mas consta no Correio do Povo da época que “O torneio da Festa da Uva será decidido com um nôvo clássico Gre-Nal, a ser realizado possivelmente em Caxias do Sul. A data será oportunidade estudada, tendo em vista os compromissos já assumidos por tricolores e rubros

Resta saber se efetivamente os clubes decidiram dividir a taça ou simplesmente esqueceram dela.

“O SONO DOS DESILUDIDOS…Êste jovem pagou 1.000 cruzeiros para dormir assim, ao ar livre, sob a azuada de dez mil pessoas. Aliás, as máquinas fotográficas registraram muitos flagrantes semelhantes, o que é uma raridade: jamais se soube que alguém dormisse em Gre-Nal. Talvez tenha influído no de ontem o caráter cem por cento amistoso de que se revestiu.” (Folha da Tarde – 22 de março de 1965)

“ARBITRAGEM
Não foi boa a conduta de Ricardo Alberto Silva. O correto argentino deixou de assinalar um penalty claro de Luiz Carlos (tranco com a perna) em Valter, aos 29´ do tempo derradeiro. Guilherme Sroka (bem) e Libino Hahn (tem que aprender a assinalar impedimento) no 2º half-time “inventou” dois impedimentos contra o Inter que foi de corar.”  (Folha da Tarde – 22 de março de 1965)

“Não sei o que faltou ao clássico foram aquelas lutas de torcidas que comumente lhe serve de moldura quente em Porto Alere, e que o torna um pouco jogo de futebol, um pouco luta de convicções. Mas que lhe faltou algum ingrediente, faltou… Uma das provas é que, pela primeira vez na história do clássico, e apesar da tarde fresca, fotografos bateram chapas de gente ressonandoan nas arquibancadas, enquanto o jogo andava…” (Cid Pinheiro Cabral -Folha da Tarde – 22 de março de 1965)
“Embora não se disputassse uma partidade de campeonato, reduzindo-se, assim, as responsabilidades dos atletas e treinadores, as duas equipes se aferraram, desde o início, a um terrível 4-2-4, que faria inveja ao “muro” do Zezé Moreira, ao mundialmente famoso “ferrolho suíço” e outros bichos… Com isso, tivemos um jôgo de meio de campo, trancado, repetido, monótono, a provocar em alguns assistentes, como se viu, a oportunidade para a sesta que não foi possível depois do meio dia, tal o afã com que, bem cedo, o público dirigiu-se, cheio de esperanças, à Baixada Rubra…” (Cid Pinheiro Cabral -Folha da Tarde – 22 de março de 1965)

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“Covnvite ao sono. Este torcedor resolveu tirar sua “soneca” durante o clássico. Aliás, o Gre-Nal foi um verdadeira “pelada” e convite a um bom sono”

[…]

“Ortunho voltou a distribuir o “sarrafo”;. Andou fazendo uns “carinhos” em Puccinelli, como aqui (foto). Mas, além do lateral, também outros craques da dupla “apelaram” em algumas oportunidades.” (Zero Hora – 22 de março de 1965)

“Ora, os escarlates no prélio decisivo tiveram uma atitude de jogo que só aqueles que reconhecem superioridade no adversário a praticam.

Depois de 70 minutos de igualdade, com domínios esporádicos de cada um, o Internacional se encolheu, caiu na defesa, sendo dominado então pelos do Olímpico” (Larry Pinto de Faria – Zero Hora – 22 de março de 1965)

“Nós últimos vinte e cinco minutos de jogo, Carlos Froner encontrou aquela que parece ser no momento a melhor fórumula ofensiva dos tricolores, isto é, com Joaozinho triangulando livremente pelo flanco direito (e com isso forçando mais os lances pela extrema) abrindo a defensiva contrária para a penetração de dois ponta-de-lança objetivos que são Alcindo e Valter” (Prof. Mendes Ribeiro – Zero Hora – 22 de março de 1965)

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Foi sem dúvida um Gre-Nal sem o ingrediente necessário, que era o gol, deixando o público recorde na Baixada Rubra frustrado, com a falta de lances de área.

[…]

ARBITRAGEM – Ricardo Alberto Silva foi o dirigente do Gre-Nal, com atuação falha. Deixou passar duas penalidades máximas”  (Correio do Povo  – 23 de março de 1965)

Grêmio 0x0 Inter

GRÊMIO: Alberto; Altemir, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo E Sérgio Lopes; Marino, Joãozinho (Valter), Alcindo e Vieira.
Técnico: Carlos Froner
INTER: Célio; Carlos Alberto, Scala, Luiz Carlos e Sadi; Ica e Edmílson; Puccinelli, Darlan (Ênio Souza), Vanderlei e Gilberto Andrade.
Técnico: Sérgio Moacir Torres
Data: 21 de março de 1965 – Grenal 176
Local: Baixada Rubra em Caxias do Sul
Renda: Cr$ 7.807.600
Juiz: Ricardo Alberto Silva
Auxiliares: Guilherme Sroka e Libino Hahn
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