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Amistoso em 1972 – Grêmio 1×0 River Plate

October 29, 2018
cp 1972 river foto

Foto: Correio do Povo

Em 1972, Grêmio e River Plate se enfrentaram na Fonte Nova pela Taça Cidade de Salvador. Pelo segundo ano seguido o tricolor comandado por Otto Glória (treinador de Portugal na Copa de 1966) superou os “Millonarios” treinados por Didi.

Acho válido lembrar que Valdir Espinosa (que foi o lateral-direito gremista nessa partida) me disse que Otto Glória foi o melhor técnico com quem ele trabalhou enquanto era jogador.

“GRÊMIO BATE RIVER E GANHA TAÇA
Salvador (De Jodoé Souza) — O Grêmio conquistou o primeiro título de 72, ao laurear-se na Taça Cidade de Salvador, quadrangular que terminou domingo na capital baiana. O tricolor gaúcho começou a ficar campeão ao ganhar do River Plate de 1×0, golo de Loivo nos primórdios da partida. Depois veio a derrota do Fluminense, também de 1×0, para o Vitória e a confirmação da conquista gremista. O time gaúcho terminou invicto o torneio, com 2 pontos perdidos e quatro ganhos. Em segundo ficaram River e Vitória com 3 perdidos e 3 ganhos e por fim o Fluminense, que só ganhou 2 pontos, perdendo quatro.

RITMO GREMISTA – Otto Glória só ameaçou lançar Ancheta na meia-cancha. Mas houve mudança no setor. O Grêmio começou o jogo com o River sem Caio e com um tripé formado por Jadir-Torino-Gaspar. E o acionar do setor melhorou. Não só porque Jadir e Gaspar apressaram o seu ritmo de jogo, como e principalmente porque Torino foi um portento, especialmente nos lançamentos, o seu forte. Com isso, o time gremista não deu chances para os argentinos no importante setor de campo. Como se não bastasse, logo aos 6 minutos Loivo conseguiu acertar as redes do goleiro Barisio. O 1 x 0 cedo deu mais força para os tricolores, que se aproveitassem a metade das oportunidades que criram para marcar, teriam chegado ao intervalo com uma vitória mais expressiva. Aliás, Carlos chegou a fazer 2×0, mas a intervenção errada de um “bandeirinha” fez o árbitro anular o gol.

No segundo tempo, o panorama não foi diferente. Mesmo com Didi mexendo no seu time em busca de maior efetividade. O Grêmio continuou no jogo e perdendo gol, um em cima de outro, às vezes por falta de perícia dos atacantes, outras pela perfeita atuação do goleiro Barisio, que brilhou intensamente.

O domínio de meia-cancha gremista era tão flagrante que Didi afastou Merlo e colocou Laraigné. Só que Otto não dormiu no ponto: tirou Gaspar, bastante empregado, e colocou o descansado Caio. O River nem chegou a ter chance para reagir, mesmo porque não demorou muito o lateral Perez foi expulso, depois de acertar Flecha e ainda reclamar. Com 10, tudo ficou mais difícil para o time argentino, que acabou fazendo um bom negócio ao perder só de 1 x 0, pois Loivo e Flecha, que acertou o poste, tiveram tudo para marcar mais gols no excelente Barisio” (Correio do Povo, 01 de fevereiro de 1972)

“RUY CARLOS OSTERMANN – TABELINHA
O Grêmio provou contra o River aquilo que eu dizia do River: é um time de jovens inocentados pelo 4-2-4 de Didi. O Grêmio atacou e as situações de golo em desacordo com o único golo feito, foram superiores a uma dezena bem contada. * E o primeiro título obtido pelo futebol gaúcho, a Taça Cidade de Salvador, foi também o mais raro de todos os títulos: obtido com um único golo em três partidas. Mas sempre com uma atenuante de importância: um golo contra nenhum * Suspeitei que a idéia de aproveitar Ancheta no meio campo era urna forma de tomar também o problema do meio campo do Grêmio urgente. Fachin não responde a isso, mas enumera as prioridades: 1) Obberti; 2) Mazinho; 3) Deca;. e, 4) o meio campo. A partir de hoje o Grêmio começa a pensar neste jogador.” (Correio do Povo, 01 de fevereiro de 1972)

1972 river jornal dos sports

Grêmio 1×0 River Plate
GRÊMIO: Jair; Valdir Espinosa, Ancheta, Beto e Everaldo; Jadir, Torino e Gaspar (Caio); Flecha, Carlos (Bira) e Loivo
Técnico: Otto Glória

RIVER PLATE: Barisio; Zucarine, Rodriguez, Daute e Perez;  Reinaldo Merlo (Larraignee) e J.J. Lopez;  Beto Alonso, Moretti, Martinez e Ghiso (Granato).
Técnico: Didi

Data: 30 de janeiro de 1972
Local: Estádio Fonte Nova, em Salvador-BA
Árbitro: Saul Mendes
Auxiliares: José Gomes e Jairo Câmara
Cartão Vermelho: Perez (27/2ºT)
Gol: Loivo, aos 6 minutos do 1º tempo

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Camisa Branca 1972

January 28, 2013
Uma das camisas mais obscuras usadas pelo Grêmio é a branca de 1972 (Não é citada no Memorial do Clube e nem no livro  “A história das camisas dos 12 maiores times do Brasil“)
É uma variação interessante em relação ao uniforme reserva usado na década de 1960. As listras do peito ganham uma nova disposição e as listras da manga ficam um pouco acima da barra.
Foi a camisa usada no jogo em que Everaldo acertou um soco no juiz José Favile Neto.

1972 – O soco de Everaldo

October 18, 2012

Há 40 anos, Grêmio e Cruzeiro se enfrentaram pela 12ª Rodada do Campeonato Brasileiro de 1972. O jogo terminou empatado em 1×1, com gols de Lima para os visitantes e Oberti para o tricolor. Mas o dia 18 de outubro de 1972 entrou para história do futebol não por esses gols, e sim pelo soco que Everaldo acertou no juiz Jose Favile Neto.
Everaldo não vivia um  bom momento. Poucos meses antes ele havia sido inexplicavelmente deixado de fora da seleção brasileira por Zagallo (o que motivou o épico 3×3 com a seleção Gaúcha no Beira-Rio). Já Grêmio e Cruzeiro estavam bem no campeonato nacional e faziam uma partida bem disputada no Olímpico.
Aos 25 minutos, Everaldo reclamou do juiz e foi duramente advertido com o cartão amarelo. Aos 32 minutos, Palhinha arrancou em velocidade, ingressou na área, foi desarmado na bola por Beto Bacamarte e caiu no chão. José Favile Neto apitou e enquanto corria para a marca do pênalti recebeu um soco de Everaldo, que atingiu em cheio o seu olho.
Everaldo deixou o gramado sem olhar para trás. Depois de ser prestado o devido atendimento médico ao árbitro o jogo continuou, o Cruzeiro converteu o pênalti e o Grêmio conseguiu o gol de empate ainda no primeiro tempo.
Passado alguns dias Everaldo deu algumas explicações e anunciou que renunciaria ao prêmio “Belfort Duarte”. Todo o episódio provocou um rápido debate sobre a maratona de jogos, sobre a ruindade da arbitragem e sobre a maneira autoritária que os juízes buscam validar essa ruindade. Um debate que, infelizmente, segue atual.

“Quando um jogador como o lateral do Grêmio, modelo de correção e disciplina na sua carreira de atleta, chega ao ponto de mandar o braço na cara do juiz, alguma coisa deve estar errada! É muito mais lógico a gente procurar a origem da atitude do atleta exemplar como o Everaldo, do que a punição pura e simples de um crime de que ele não é o unico autor” (João Saldanha – Zero Hora)

“Aos 25 minutos do primeiro tempo de Grêmio e Cruzeiro, Everaldo reclamou da marcação de José Favile Neto. O juiz não gostou, se irritou demais e acabou fazendo um grande cena para advertí-lo, apresentando uma nova tática ao puxar os cartões vermelho e amarelo ao mesmo tempo. Como o vermelho aparece muito mais, Everaldo levou um susto, pensando que Favile tinha lhe expulso” (Folha da Tarde – 19 de outubro de 1972)

Grêmio 1×1 Cruzeiro

GRÊMIO: Jair; Everaldo, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Jadir e Ivo Wortmann; Buião (Renato Cogo), Oberti, Lairton e Loivo
Técnico: Daltro Menezes
CRUZEIRO: Hélio; Lauro, Darci Menezes, Fontana e Vanderelei; Piazza (Rinaldo) e Zé Carlos; Eduardo Amorim (Misael), Roberto Batata, Palhinha e Lima.
Técnico: Hilton Chaves
12ª Rodada -1ª Fase – Campeonato Brasileiro 1972

Data: 18 de outubro de 1972
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 23.667 pagantes
Renda: Cr$ 147.548,00
Árbitro: José Favile Neto
Auxiliares: Jeferson de Freitas e Airton Bernardoni
Cartões Vermelhos: Everaldo e Fontana
Gols: Lima (pênalti) aos 41 minutos do primeiro tempo e Oberti, aos 47 minutos do 1º tempo

Ginásio David Gusmão

June 6, 2012

Interessante esse anúncio de venda de cadeiras cativas no ginásio do Grêmio publicado em outubro de 1972.

Curioso é que o local ainda era chamado de “Ginásio Olímpico”, tendo recebido posteriormente o nome do presidente David Gusmão e que o endereço do clube ainda não era o “Largo dos Campeões”