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Brasileirão 1973 – Atlético Paranaense 2×0 Grêmio

November 26, 2019
1973 athletico pr fora placar sergio lopes

Foto: Placar

 

No Brasileirão de 1973, Atlético Paranaense e Grêmio se enfrentaram no Couto Pereira. Vitória dos mandantes por 2×0.

Mesmo com o revés, o Grêmio permaneceu na segunda posição geral da primeira fase (tendo encerrado essa etapa três pontos atrás do líder Palmeiras).

 

1973 athletico pr fora diario da tarde caio primeiro gol

Foto: Diário da Tarde

FOI A 2.ª DERROTA DO GRÊMIO

Curitiba — O Grêmio perdeu para o Atlético Paranaense por 2 a 0, no Estádio Belfot Duarte e ao final o técnico Carlos Froner disse que não poderia falar apenas na ausência de Mazinho, Tarciso e Humberto Ramos “porque um time que creditar’ a derrota à falta de três dos seus jogadores não pode entrar no Campeonato Nacional”. Isso só seria um exagero se os três jogadores ausentes fossem simples peças de um time não as peças mais importantes de um esquema, como são Mazinho, Humberto Ramos e Tarciso. Sem eles o Grêmio abriu o seu meio-campo, desprotegeu a sua defesa e teve enorme dificuldade quando com a bola dominada de passar ao ataque, A falta de Mazinho deixou Carlos Alberto sobrecarregado na marcação, perturbou a defesa e Ancheta teve que cobrir todas as posições porque Beto, com uma fita apache encobrindo um curativo na testa não podia cabecear e isso preocupou desde o início.

E o Atlético, bem armado, ia à frente com força e desde o início criou jogadas perigosas, principalmente através de Lourival, Caio e Sicupira, seus principais jogadores. A falha de marcação na defesa era explorada com tabelas rápidas, e para superar o meio-campo do Grêmio, o Atlético usava quatro jogadores de bom toque de bola à exceção de Sergio Lopes, mais plantado, de extrema movimentação. Logo aos 6 minutos, depois de boa jogada de Caio e Sicupira, Didi Duarte quase marcou. E aos 12 minutos, depois de saída errada da defesa do Grêmio, Cláudio perdeu para Didi Duarte, este tabelou com Caio, foi derrubado e na cobrança da falta com barreira, Caio chutou muito bem, com efeito, vencendo a Picasso e marcando 1 a 0.

Até os 35 minutos o Grêmio não acertou nenhum chute no golo de Nascimento, e só o Atlético jogava na frente, sempre disposto e criando mais oportunidades. Quase no fim do primeiro tempo, Sicupira foi à linha de fundo e cruzou. Caio esperou a queda da bola, cabeceou no travessão e na volta Sidnei chegou atrasado, quase embaixo do golo, perdendo a chance de fazer o segundo. O Grêmio, pouco antes, teve uma bola chutada contra o travessão do golo de Nascimento, com Carlos Alberto tentando de fora da área.

MUDANÇA — A entrada de Lairton aos 8 minutos do segundo tempo, em lugar de Iura, parecia resolver o problema do Grêmio. Em poucos minutos ele já tinha conseguido duas jogadas de multo perigo em um chute certo no golo, que Nascimento evitou fazendo boa defesa. Paulo Sérgio já estava bem colocado. Oberti voltava um pouco para ajudar na preparação e o placar poderia mudar a qualquer momento. Mas o Atlético, que se jogava na defesa, teve acima tudo sorte — na base de um contra-ataque, Caio cabeceou para trás, a bola caiu entre os zagueiros e Sicupira, passando na corrida, tomou a frente na jogada, avançou um pouco e chutou fazendo 2 a 0, aos 13 minutos. A partir daí o jogo ficou resolvido. O Grêmio continuou todo no ataque, às vezes desordenadamente (depois Froner tirou Paulo Sergio e colocou Bolivar), o goleiro Nascimento fez defesas excelentes mas no todo o Atlético estava bem colocado e garantiu a vitória por 2 a 0, ganhando melhores condições para disputar uma vaga entre os 20 classificados para as semi-finais.” (Edegar Schmidt, Correio do Povo, 27 de novembro de 1973)

1973 athletico pr fora correio do povo caio beto

Foto: Correio do Povo

 

“Sempre bato faltas desta maneira. Tinha eu , o Sicupira e o Sidney, mas achei que a distância e a colocação eram para mim. Acertei e partimos na frente do Grêmio. No Grêmio eu não batia faltas, porque o Flecha era o principal cobrador, por isso a surpresa deles”, comentava Caio, autor do primeiro gol atleticano na vitória de domingo, frente ao seu ex-clube, o Grêmio. No Atlético tudo e alegria e fé na classificação, que agora já ficou mais perto. “Com esta vitória frente ao Grêmio, tudo melhorou, passamos para o 22º lugar, está bem melhor, né?” dizia Didi Duarte.” (Diário do Paraná, terça-feira, 27 de novembro de 1973)

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Foto: Diário da Tarde

A ÚNICA COISA RUIM DESSE JOGO: A RENDA

Esse jogo de ontem em Belfort Duarte foi assim: de um lado, um time jogando para o gol – jogando certo, com poucas falhas, quase perfeito:: do outro um time se defendendo muito, indo de vez em quando ao ataque. Resultado, teria que ganhar o tine de futebol certo, que procurava o gol e, esse foi o Atlético Paranaense, que derrotou o Grêmio Portoalegrense por dois gols a zero, num jogo de técnica e velocidade e, que teve como única coisa ruim a arrecadação (Cr$ 78.317,00), que trouxe novos prejuízos para o rubro-negro […]” (Diário da Tarde, segunda-feira, 26 de novembro de 1973)

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Foto: Diário da Tarde

Atlético Paranaense 2×0 Grêmio

ATLÉTICO-PR: Nascimento; Julio, Di, Alfredo e Ladinho; Lourival e Sergio Lopes; Sidnei, Sicupira (Bene). Caio e Didi Duarte (Renatinho).
Técnico: Lanzoninho

GRÊMIO: Picasso; Claudio, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Carlos Alberto e Paulo Sergio (Bolivar); Carlinhos, Iura (Lairton), Oberti e Loivo.
Técnico: Carlos Froner

Brasileirão 1973 – Primeira fase – Returno – 4ª Rodada
Data: 25 de novembro de 1973, domingo, 16h00min
Local: Estádio Couto Pereira, em Curitiba-PR
Publico: 8.751
Renda: Cr$ 78.317,00
Juiz: Luis Carlos Felix – RJ
Auxiliares: Joaquim Gonçalves e Josias Paulino
Gols: Caio, aos 12 minutos do 1º tempo e Sicupira, aos 13 minutos do 2º tempo

Brasileirão 1973 – Grêmio 0x0 Corinthians

October 4, 2019
1973 gremio 0x0 corinhtians paulo sergio rivellino cp

Foto: Correio do Povo

Eu ainda não criei um nome para essa série sobre alguns dos posts que tenho feito aqui no blog. Tinha pensado em “Partidas (não tão) Aleatórias”, onde posto matérias sobre jogos com o mesmo adversário do próximo compromisso do Grêmio, pelo mesmo campeonato, com o mesmo mandato, mas num jogo que não teve nenhum aspecto particularmente memorável.

No de hoje, posto sobre um 0x0 entre Grêmio e Corinthians pelo Brasileirão de 1973 no Olímpico.

1973 gremio 0x0 corinhtians guaiba

EMPATE FOI PRÊMIO PARA DUAS GRANDES EQUIPES

Grêmio e Corintians não mereciam perder, ontem à noite, na mais empolgante partida que a torcida gremista assistiu, no Olímpico, no atual campeonato Nacional. O jogo foi bom, foi rápido, emocionante, dois times bem organizados, o público viu vários lances emocionantes. O empate foi um prêmio justo para os dois grandes adversários. Grande público assistiu à partida que teve a presença ilustre de Emílio Garrastazu Médici, presidente da República.

O Grêmio encontrou um adversário forte, bem colocado na defesa, adiantando a zaga para deixar o ataque em impedimento e muitas vezes conseguindo. O Corintians procurou no primeiro tempo — e conseguiu — tirar todo o espaço para a jogada do Grêmio em profundidade. E partindo com segurança nas organização da jogada, o Coríntians conseguiu, no primeiro tempo, as melhores oportunidades para marcar.

A primeira foi quando Paulo Borges passou a bola para o lateral Zé Maria, na grande área, centrar forte e Picasso defender. O rebote foi apanhado por Roberto que cabeceou no canto oposto mas o goleiro do Grêmio foi bem no lance e agarrou a bola. Logo depois houve o choque de Mazinho com Roberto, Mazinho saiu com suspeita de fratura na perna esquerda entrando Humberto Ramos. Ainda no primeiro tempo a segunda chance do Coríntians: Rivelino entrou para marcar e Beto calçou na hora mas Roberto apanhou rebote novamente e outra vez Picasso salvou o Grêmio.

SEGUNDO TEMPO — Tarciso, a pedido de Froner, ainda conseguiu jogar 10 minutos depois entrou Oberti, sem reflexos mas tentando acertar. O jogo nos primeiros minutos do segundo tempo não teve o mesmo ritmo do primeiro tempo e o Grêmio cresceu mas custou a criar as chances de golo. A meia-cancha, sem espaço, retinha a bola e quando o mesmo surgia — Tabajara deu piques, três vezes — nem Humberto, nem Paulo Sérgio conseguiam a visão do lance para soltar a bola. O Corintians trocou Vaguinho por Lance mas nada conseguiu porque a defesa do Grêmio esteve perfeita, com Beto sendo o melhor dos zagueiros. A partir dos 30 minutos o Grêmio manteve o mesmo ritmo e aproveitou a queda de produção do Corintians e aí a equipe de Froner ganhou a melhor oportunidade. Cláudio projetou-se pela direita e levantou para a área quando Carlinhos cabeceou.

O goleiro Ado saiu mal e a cabeçada de Carlinhos bateu no poste direito. O Grêmio continuou pressionando mas o jogo era de zero a zero, nenhum time merecia perder no excelente Grêmio e Corinthians. ” (Correio do Povo, 15 de novembro de 1973)

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GRÊMIO 0x0 CORINTIANS

Porto Alegre (Sucursal) — Numa partida emocionante e bem disputada, que teve inclusive a presença do Presidente Mediei, Grêmio e Corintians empataram de 0 a 0 no Estádio Olímpico. O time gaúcho foi melhor no segundo tempo quando, graças ao seu excepcional preparo físico, esteve sempre criando chances de gol.”  (Jornal do Brasil, 15 de novembro de 1973)

GRÊMIO: Picasso, Cláudio, Ancheta, Beto e Jorge Tabajara; Carlos Alberto e Paulo Sérgio; Carlinhos, Mazinho (Humberto Ramos), Tarciso (Oberti) e Loivo
Técnico: Carlos Froner

CORINTHIANS: Ado, Zé Maria, Laércio, Vagner e Vladimir; Tião c Rivelino; Paulo Borges, Roberto, Vaguinho (Lance) e Adãozinho
Técnico: Yustrich

Campeonato Brasileiro 1973
Data: 14 de novembro de 1973
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$196.749,00
Juiz: Armando Marques
Auxiliares: Hernani José de Castro e José Carlos Bezerra

Brasileirão 1973 – Grêmio 1×0 Santos – O último jogo de Pelé no Olímpico

April 25, 2019
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Foto: Correio do Povo

Em jogo válido pelo Brasileirão de 1973, mas disputado em janeiro de 1974, Pelé fez seu último jogo no Estádio Olímpico.

E o Grêmio ganhou por 1×0, com um gol de Carlinhos, já nos acréscimos do segundo tempo.

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SENSACIONAL VITÓRIA DO GRÊMIO

O Grêmio precisava da vitória para aspirar a uma classificação ou continuar lutando por ela. O importante golo de Carlinhos, no fim do jogo, confirmou a melhor exibição gremista, principalmente no segundo tempo. O Santos veio a Porto Alegre com Pelé (que não jogou bem) e uma das melhores campanhas na fase semifinal do campeonato nacional.

Exatamente por isso o técnico Carlos Froner cuidou, inicialmente, de brecar o início das jogadas na meia-cancha do Santos, que tinha o recuo de Pelé. Assim Froner deixou Carlinhos na reserva e colocou Humberto Ramos como falso ponteiro-direito. Fixo na ponta, o jogador mais habilidoso do ataque gremista, ficou, praticamente sem função, pois nunca teve um companheiro para dar continuidade às jogadas. O Santos começou dando um susto no Grêmio quando Mazinho, batendo Jorge Tabajara e cruzando forte, fez Beto, na tentativa de rebater, atirar no poste direito de Picasso. Depois Humberto Ramos foi liberado da função de jogar na ponta e passou a acionar pelo meio e o Grêmio cresceu de produção.

A melhor oportunidade do primeiro tempo foi um escanteio que Loivo cobrou certo para, Mazinho cabecear no travessão, com o goleiro Cejas saltando tarde, e por isso batida totalmente no lance. Pelé adiantado começou a voltar para buscar o jogo que não chegava até ele, e Edu foi marcado por Renato Cogo. Assim o primeiro tempo terminou zero a zero.

SEGUNDO TEMPO
No segundo tempo, o Grêmio cresceu muito de produção e dominou o Santos que passou a contar com o recuo de Pelé e a penetração de Brecha, meia-cancha, como ponta-de-lança. Sentindo a pressão gremista o Santos passou a tocar a bola e a demorar na cobrança de faltas ou laterais, com a clara intenção de fazer o tempo passar, uma vez que o empate seria bom. O treinador Pepe só não contava com a entrada de Carlinhos no lugar de Humberto Ramos. Aí Mazinho fez a função de Humberto e o Grêmio teve a formação mais racional, a que realmente mostrou um time melhor que o Santos e com vontade de ganhar. A primeira grande oportunidade do segundo tempo foi um chute de Tarciso que bateu nos dois postes do goleiro Cejas. Cada vez mais aumentava a pressão gremista e o Santos só teve um grande lance, que Nenê desperdiçou depois de receber ótimo passe de Pelé. Antes Brecha fora lançado pelo mesmo jogador e, livre, arremessou para fora.

E quando parecia que o jogo terminaria mesmo empatado, Carlinhos foi recompensado por sua grande atuação e por ter mudado a feição do jogo. Ele recebeu de C. Alberto, que estava na linha de escanteio, caiu pela meia direita e arrematou em curva com o pé esquerdo, 30 segundos além do tempo regulamentar. A bola ainda raspou em Nenê e encobriu o goleiro Cejas, para estabelecer a mais importante vitória gremista na fase semifinal.” (Correio do Povo, terça-feira, 29 de janeiro de 1974)

 

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Ruy Carlos Ostermann – Correio do Povo, terça-feira, 29 de janeiro de 1974

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SANTOS CONFIAVA NO EMPATE, O GRÊMIO MARCOU E GANHOU

O Santos não conseguiu dominar e vencer o Grêmio. Como o jogo estava terminando, preferiu optar pelo empate. Mas acabou sendo surpreendido por um gol de Carlinhos nos segundos finais e teve que se conformar com uma derrota inesperada, principalmente pela maneira como vinha jogando ultimamente O favoritismo não adiantou nada.

Os problemas internos que existem no Grêmio são os mesmos que existiam quando, nas eliminatórias, sofreu a goleada de 4 a 0 para o Santos no Pacaembu. Foi o último jogo entre os dois. Acontece que naquele tempo nada transparecia, muito pelo contrário, a imagem do time gaúcho era a mais tranquila possível e todos o apontavam como um exemplo de disciplina dentro e fora do campo.

Hoje a situação é outra, Oberti vendido para o Old Boys da Argentina, depois de acusado pelo técnico Carlos Fronner de jogar dopado, revelou que a situação interna do Grêmio não é o que se dizia mas muito pelo contrário: o ambiente é dos piores, com todo tipo de brigas e interferências no trabalho dos jogadores, técnico, e demais áreas administrativas.

Talvez seja por isto que o jogo de ontem foi tão ruim O Grêmio, para não sofrer nova goleada, e desta ver com repercussão pior ainda, por se tratar do jogo em Porto Alegre, começou na retranca. O Santos, por sua vez, não estava em grande dia. Pelé, que ultimamente tem se cansado de mostrar que continua o melhor jogador do mundo, acompanhou o baixo rendimento do time. Em outras palavras, não fez nada a não ser trocar passes e fazer uns poucos lançamentos visando principalmente a esquerda, na esperança de que Edu fizesse alguma coisa.

O jogo foi se desenrolando assim monótono para a decepção da torcida. No segundo tempo a situação continuava a mesma, com apenas uma diferença: Carlinhos e Tarciso, antes isolados no ataque, ganharam mais um companheiro: o ponta-esquerda Loivo que recebeu ordens para avançar também. Mas só nos momentos de contra-golpes.

O jogo ficou um pouco mais movimentado, Carlinhos, o mais perigoso, passou a jogar mais livre de marcação, pois agora a defesa santista tinha que dividir a atenção pelas duas extremas. Contra-atacando assim, o gol surgiu. Foi muito mais por unta questão de sorte, do que por bom futebol. Aos 45 minutos, quando as esperanças tinham sido abandonadas, Carlinhos, recebeu a bola de Marinho pelo meio e venceu Cejas saiu bem, mas foi enganado com um toque pelo alto e o Grêmio ganhou o jogo. Foi uma vitória apagada onde as boas atuações foram totalmente individuais. Como a de Carlinhos que voltou muito bem, e esforçou-se o tempo todo contra uma das mais respeitadas defesas do país.

No Santos pode ser destacada a atuação do Mazinho e de Clodoaldo, um lutador incansável. Cejas não pode ser culpado pelo gol pois nada podia fazer. Durante o jogo não teve, como Picasso, momentos de grande perigo. Carlos Alberto também esteve bem, apesar de vir de três jogos parado devido à suspensão pelas ofensas ao juiz Carlos Costa numa briga com Cejas.” (Folha de São Paulo, segunda-feira, 28 de janeiro de 1974)

tabela

GRÊMIO VENCE SANTOS NO FINAL

Porto Alegre (Sucursal) — A torcida do Grêmio já estava saindo do Estádio Olímpico, consolada com um empate frente no Santos, quando 30 segundos além do tempo regulamentar Carlinhos chutou forte, a bola bateu em Zé Carlos e foi para as redes sem chance para Cejas, garantindo a vitória do time gaúcho por 1 a 0.

Um grande público assistiu à partida entusiasmado com a possibilidade de ver Pelé, mas o jogador não repetiu suas boas atuações, devido à dura marcação que recebeu da defesa do Grêmio e principalmente de Carlos Alberto que lhe perseguiu por todo o campo. A renda, surpreendente, pois o estádio praticamente lotou, foi de Cr$ 272 mil 768. O juiz Luis Carlos Félix teve uma boa atuação.

Erro do Grêmio

O Grêmio atuou com Picasso, Renato, Ancheta, Beto e Jorge Tabajara, Carlos Alberto, Paulo Sérgio e Mazinho, Humberto Ramos (Carlinhos), Tarciso e Loivo.

O Santos teve Cejas, Carlos Alberto, Marinho, Vicente e Zé Carlos, Clodoaldo, Brecha (Léo) e Nené, Marinho, Pelé e Edu. O Santos começou a partida muito bem, aproveitando as deficiências táticas do Grêmio, já que o técnico Carlos Froner deixou Carlinhos na reserva, preferindo escalar na sua posição o meia Humberto Ramos, que acabou perdido entre a ponta e o meio-campo. Aos 6 minutos, o time paulista perdeu unia boa chance quando Mazinho cruzou forte e Ancheta, na ânsia de defender, acabou mandando a bola na trave, para defesa posterior de Picasso.

Aos 10 minutos, num contra-ataque, o Grêmio por pouco não surpreendeu o Santos, mas Humberto Ramos chutou muito alto, apesar de só ter Cejas pela frente. Mais tarde, vendo o erro tático, Carlos Froner mandou que Mazinho se deslocasse para a ponta e Humberto Ramos voltasse para o meio-campo. A partida ficou mais equilibrada, apesar dos defeitos no ataque. O time gaúcho manteve-se firme na defesa, vigiando incessantemente todos os passos de Pelé. E contendo os pontos de qualquer maneira.

Mazinho, aos 32 minutos, quase colocou o Grêmio em vantagem. Ele escorou um escanteio bem cobrado por Loivo e cabeceou forte, mas a bola acabou batendo na trave e foi para fora.

Santos melhor

Prendendo a bola no meio-campo e esfriando os ataques do Grêmio, o Santos começou melhor o segundo tempo. Aos 10 minutos, a melhor jogada de Pelé: ele recebeu a bola de Clodoaldo e lançou Brecha, que correu sozinho para a área do Grémio e acabou chutando para fora.

Em seguida, o técnico do Grêmio fez a substituição de Humberto Ramos por Carlinhos, que acabou mudando todo o esquema tático da equipe, passando a explorar as jogadas pela ponta-direita. O Santos, sentindo a pressão e o apoio cia torcida ao time gaúcho, passou a catimbar o jogo. Aos 24 minutos, Tarciso realizou duas boas jogadas: na primeira, tentou encobrir Cejas e o goleiro defendeu; na segunda, chutou de fora da área, sendo que a bola bateu na. trave direita, correu na risca do gol e bateu na esquerda, terminando nas mãos do goleiro.

O ritmo de jogo do Grêmio no final foi impressionante, mas a torcida já eslava deixando o Estádio Olímpico quando aconteceu o gol. O lance começou com uma cobrança de escanteio por Loivo. Houve confusão na área e Carlinhos, de pé esquerdo, chutou forte, sendo que a bola foi para as redes depois de bater em Zé Carlos, enganando Cejas. Passavam 30 segundos do tempo regulamentar e o Grémio então, com a vitória, começava a sair da crise interna e a ter novamente esperanças na classificação.” (Jornal do Brasil, segunda-feira, 28 de janeiro de 1974)

colocaçoes

Brasileirao 1973 Gremio 1x0 Santos ingressos

GRÊMIO: Picasso: Renato Cogo, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Carlos Alberto, Paulo Sérgio e Humberto Ramos (Carlinhos); Tarciso, Mazinho e Loivo
Técnico: Carlos Froner

SANTOS: Cejas; Carlos Alberto Torres, Marinho Perez, Vicente e Zé Carlos; Clodoaldo e Brecha (Léo); Mazinho, Nenê, Pelé e Edu
Técnico: Pepe

Data: 27 de janeiro de 1974, domingo, 18h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 262.763,00
Juiz: Luís Carlos Félix
Auxiliares: Eraldo Palmerini e Rubens Carvalho