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Amistoso em 1975 – Grêmio 0x1 Seleção Uruguaia

July 5, 2019
zh uruguai 1975 a1

Foto: Zero Hora

Pela estatística oficial da AUF, a Seleção Uruguaia fez nessa Copa América o seu primeiro jogo oficial em um estádio do Grêmio (e seu segundo jogo em Porto Alegre, depois da derrota por 1×0 para a Argentina no Beira-Rio pela Taça Independência de 1972) no empate em 2×2 com o Japão.

Contudo, pode se dizer que a estatística do Grêmio é um pouco diferente. Em 2003, ano do centenário tricolor, o clube lançou um Mini-CD, no qual constavam todas fichas técnicas das partidas da temporada de 2002 e uma lista com todos os jogos do Grêmio desde a sua fundação. Os dados são creditados ao Museu Hermínio Bittencourt. No ano de 1975, consta um amisto entre Grêmio e “Sel. Uruguai” no Olímpico em 19 de fevereiro (conforme imagem abaixo).

mini cd 1975

Os jornais brasileiros da época se referem ao adversário do tricolor naquela noite como Seleção Uruguaia, mas deixam claro que o amistoso foi marcado pela “Mutual Uruguaya de Futbolistas Profesionales“, sendo que parte da renda seria revertida para os atletas (em razão disso o time uruguaio viajou em um avião da Força Aérea Uruguaia e se hospedou na concentração do Olímpico).

Nas fotos publicadas no Correio do Povo e na Zero Hora não fica suficientemente claro, mas parece que os uruguaios atuaram com o distintivo da Mutual na sua camisa (e não o da AUF).

Era uma jovem equipe Charrua, mas quatro jogadores que vieram a Porto Alegre também haviam ido a Copa de 1974. E 7 atletas que atuaram pela no Olímpico acabaram sendo convocados para disputar a Copa América de 1975 em setembro/outubro do mesmo ano.

Hugo Bagnulo, era na época treinador do Peñarol, não retornou ao comando da celeste, mas voltaria a encontrar (juntamente com Fernando Morena, segundo maior artilheiro da história da Libertadores) o Grêmio de Tarciso na final da Libertadores de 1983. Walter Corbo seria o goleiro campeão gaúcho de 1977 pelo tricolor e Hebert Revétria, autor do único gol do jogo, iria se tornar herói do título mineiro do Cruzeiro em 1977.

zh uruguai 1975 iura 1

OS URUGUAIOS VENCERAM COM UMA FALHA DE ANCHETA

O maior público que foi ao Olímpico este ano, não viu a boa partida ontem à noite, nem parecida com aquela contra ao Penharol. A falta de conjunto da Seleção Uruguaia obrigou os jogadores a usarem uma retranca muito fechada e o time dirigido por Ênio Andrade não soube entrar na área adversária. Um gol de Revetria, numa jogada de oportunismo de Rodolfo de Rodrigues depois de urna falha de Ancheta, deu a vitória aos uruguaios. No Grêmio, ainda não ficou definido o meio-campo titular. Neca foi o melhor jogador em campo, Luís Carlos recebeu muitas vaias por tentar chutar de longe e Nenê, pouco lançado, foi substituído no final e saiu muito aplaudido pela torcida que aprovou seu futebol.

A partida iniciou com os jogadores dos dois times se movimentando muito e o bom público incentivando. Porém, o ritmo foi diminuindo, os uruguaios começaram a “catimbar”, Agomar Martins marcava todas as faltas e o nível técnico da partida piorou demais. O grande mérito do time da MUTUAL era a marcação defensiva, o Grêmio não conseguia nem ao menos criar oportunidades de gol.

A base do esquema da Seleção do Uruguai estava no meio campo. Acosta, que depois saiu lesionado e foi substituído por Rivero, Agresta e Laclau marcavam individualmente, e de cima, a Cacau, lúra e Néca. O sistema de armação montado por Ênio Andrade não funcionava e as bolas que chegavam ao gol de Corbo surgiam de chutes a longa distância e isolados de Néca principalmente, que apesar de não ser brilhante conseguia ser o melhor em campo nestes primeiros 45 minutos.

A partir dos 30 minutos do primeiro tempo o Grêmio melhorou um pouco e o ponteiro esquerdo Nenê, mais lançado, ainda pode fazer algumas boas jogadas individuais, sempre incentivado e aplaudido pela torcida.

GOL DE OPORTUNISMO

O segundo tempo mostrou a Seleção Uruguaia com algumas modificações, e para melhor. O Grêmio continuou a se resumir nas boas jogadas de Neca e nem as entradas de Luís Carlos e Loivo, em lugar de lúra e Nenê, respectivamente, fizeram o gol de Corbo ao menos perigar. As vaias que o meio campista Luis Carlos ouviu de sua torcida foram injustas já que o jogador tinha ordens de Ênio Andrade para chutar de longa distância e seu erro foi apenas cumpri-las à risca.

A Seleção Uruguaia aproveitou uma falha do uruguaio Ancheta aos 16 minutos do segundo tempo e fez o gol da vitória. O zagueiro escorregou, Rodolfo Rodrigues lhe tirou a bola e atrasou para Revetria, que entrou no lugar de Morena e jogou bem melhor, O centroavante não teve dificuldades para fazer o gol.

No final da partida Ancheta ainda mostrou instabilidade emocional ao responder irritado as provocações da torcida. ” (Zero Hora, 20 de fevereiro de 1975)

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AFINAL, ZEQUINHA JOGOU BEM

Zequinha teve uma boa atuação contra a seleção do Uruguai. Rápido drible seco e boas cruzadas sobre o arco de Corbo, Zequinha foi bastante lançado nos primeiros 30 minutos do primeiro tempo e fez vibrar a torcida: Desde que chegou do Botafogo – comprado por Cr$ 800 mil – Zequinha nunca teve um bom comportamento. Ontem, ele, talvez ameaçado de perder a posição para o ex-Juvenil João Carlos, retribuiu a confiança que Ênio Andrade e o Supervisor Verardi vem demonstrando nesta série de amistosos. Com a atuação de Zequinha, dificilmente ele sairá do time titular. Verardi considera o jogador como o melhor na posição no Brasil e parece que Zequinha desta vez vai desencabular.

NENÊ AGRADOU E O PASSE CUSTA Cr$ 250 MIL

Nenê fez o último teste no Grêmio. Verardi, antes do logo, ainda tentou prorrogar o período de observação do Jogador Junto ao Botafogo de Ribeirão Preto, mas o clube paulista não concordou com a pretensão do Grêmio. Nenê queria ficar no Grêmio e a sua atuação contra a seleção do Uruguai foi boa e, assim, ele tem grandes chances de ficar:

– O jogo foi muito disputado, eles se fecharam na defesa e catimbaram a partida, principalmente o meu marcador que não deu folga, enquanto eu estive em campo.

Nenê tem o passe fixado em Cr$ 250 mil e o Botafogo de Ribeirão Preto tem pressa na volta do jogador porque o campeonato paulista inicia nesta semana.

ÊNIO: – JOGO PARECIA FÁCIL MAS ENGANOU

Ênio Andrade ficou abatido com o resultado do jogo em que a sua equipe perdeu uma partida que parecia fácil no início e num lance isolado os uruguaios conseguiram a vitória que parecia impossível. Depois da derrota Ênio Andrade não quis falar muito e procurou elogiar a equipe do Grêmio, dizendo que a seleção uruguaia veio para buscar um empate e saiu com a vitória:

— O jogo era para o Grêmio, entretanto num contra-ataque eles conseguiram fazer um gol e ganhar a partida injustamente. Eu vou falar com os nossos jogadores que uma derrota dessas acontece no futebol. Nem sempre a melhor equipe em campo ganha o jogo, a noite não era para o Grêmio.

BAGNULO: – COM O PENHAROL EU JÁ DEVIA TER GANHO

O treinador da seleção Uruguaia Hugo Bagnulo estava satisfeito depois da vitória de 1 a 0 sobre o Grêmio. Com a voz rouca, Bagnulo disse que quando do jogo do Penharol, já tinha sentido que a equipe do Grêmio era muito boa mas que o resultado de ontem à noite veio fazer justiça com os uruguaios. Para Bagnulo o resultado foi o melhor possível porque a seleção uruguaia foi convocada sem fazer nenhum coletivo para o jogo contra o Grêmio.

– A nossa equipe é composta de jogadores jovens e mostraram que eles tem condições de disputar partidas de nível internacional, como foi contra o Grêmio, uma equipe de bons jogadores como Ancheta, Zequinha e Nenê.” (Zero Hora, quinta-feira, 20 de fevereiro de 1975)

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SELEÇÃO URUGUAIA – RENOVAR: A ÚNICA SOLUÇÃO PARA A CRISE URUGUAIA

O meia cancha Montegazza deverá ir para o Leon do México, Carlos Rodrigues, atacante e goleador do Nacional, será negociado com o Monterey, do mesmo país, e o zagueiro Gimenez já falou que pretende deixar o Uruguai. Estes são apenas os informes do futebol uruguaio que atualmente, pode ser considerado crítica. A verdade é que está havendo um êxodo dos bons valores, devido aos baixos salários – e não existe qualquer perspectiva que a situação se modifique.

Uma tentativa que até agora não teve resultados satisfatórios foi a criação da Mutual, Associação dos Jogadores Profissionais do Uruguai. Parte do dinheiro ganho pela Seleção em amistosos (como o de ontem, com o Grêmio) é dividido entre os jogadores profissionais do país. Uma vez por ano os clubes cedem seus jogadores, é escolhido técnico e fica formada então a Seleção Uruguaia cuja supervisão fica a cargo da Mutual.

Hugo Bagnulo, 59 anos, foi o técnico escolhido para dirigir a Seleção neste amistoso com o Grêmio. Além de ser técnico do Penharol, ele já treinou a Seleção do seu pais nas eliminatórias da última Copa, em 73 classificou-se mas logo, inexplicavelmente (por injustiça , dizem alguns) foi cortado.

O fato de ter sido escolhido para treinar o selecionado neste amistoso lhe deu novas esperanças de ficar no cargo até a Copa de 78, na Argentina. Embora, (e ele sabe disso), seja difícil para a Seleção Uruguaia conseguir a classificação, se os melhores jogadores forem negociados , como se espera. Hugo Bagnulo, no entanto, procura não se preocupar.

“Muitos destes jogadores que foram emprestados para o amistoso com o Grêmio estarão na Copa da Argentina. Eles são jovens e tem talento”.

E, por enquanto, não custam muito caro aos clubes. O centroavante Hebert Revetria, por exemplo foi o goleador do campeonato juvenil do ano passado, e, agora, com apenas 18 anos , já está vestindo a camiseta da Seleção Uruguaia_ Mas ele mesmo não esconde seu receio em relação aos baixos salários pagos nos clubes de seu pais. “Creio que a situação vá mudar”, ele diz, aparentemente sem acreditar nas próprias palavras.

Mesmo que não venha a ter grandes valores no time, o técnico Bagnulo, caso volte a ser técnico do selecionado, já tem pelo menos os critérios táticos em mente. São os mesmos adotados no Penharol. —Ninguém pode negar que a Copa da Alemanha incluiu o futebol sul-americano. A tendência é do jogo se tornar mais movimentado, com os jogadores se deslocando constantemente. É isto que estou procurando fazer com o Penharol e, quem, sabe, farei na Seleção Uruguaia, se for convocado.

Para Bagnulo, o ideal seria uma Seleção montada desde agora, “formando pelo menos um time base”:

— O negócio e não deixar nada para a última hora. Este selecionado que formamos para o amistoso com o Grêmio, por exemplo, foi reunido na última hora. Muitos destes jogadores eu até nem conheço direito. Não se pode permitir que isto aconteça perto de uma Copa do Mundo, quando tudo se torna mais sério.

A SELEÇÃO É NOVA, SEM EXPERIÊNCIA

A Mutual – Associação dos Jogadores Profissionais do Uruguai – tomou como base para a escolha dos jogadores cio selecionado uruguaio que enfrentou o Grêmio ontem à noite, o talento demonstrado por cada um.

Mas, de todos que formaram a delegação apenas sete já participaram de outros jogos vestindo a camiseta da seleção – Corbo – Garisto, Mario Gonzales, Zoryez, Morena, Silva e Forlan. Os demais são todos jovens alguns se profissionalizaram recentemente), obrigatoriamente escalados pela Mutual – que não tinha outra alternativa, pois muitos jogadores mais conhecidos foram negociados. Além disso, a seleção que fora formada não vinha tendo bons resultados. Por isto a decisão foi remodelar completamente o plantel de jogadores, e esperar melhores resultados.

Do time-base uruguaio, cinco jogadores estão estreando na Seleção: Tabares e Carlos Rodrigues, do Nacional de Montevideo, Rodolfo Rodrigues, do Defensor, Acosta, do Penharol, e Agresta do Liverpool.

Partindo destes jogadores, o técnico Hugo Bagnulo pretende formar a nova Seleção Uruguaia, “com rapazes jovens e decididos a representarem bem o pais“.” (Zero Hora, quinta-feira, 20 de fevereiro de 1975)


GRÊMIO ENFRENTA À NOITE O URUGUAI COM ZEQUINHA AMEAÇADO

Porto Alegre – Zequinha, ameaçado de punição caso não se empenhe, volta à condição de titular e é uma das atrações do Grêmio na partida amistosa desta noite contra a Seleção Uruguaia, no Estádio Olímpico. Os uruguaios chegam somente às 15h a esta Capital.

O Grêmio terá ainda o reaparecimento de Iúra, recuperado de uma contusão, e Nenê, ponta-esquerda do Botafogo de Ribeirão Preto que está em testes na equipe gaúcha. O time iniciará com Picasso, Cláudio. Ancheta, Beto e Tabaiara: Cacau. Iúra e Neca; Zequinha. Tarciso e Nenê.

Os 18 jogadores uruguaios selecionados pelo técnico Hugo Bagnolo para o jogo de hoje são Acosta, Alvez. Agreste, Apolinario, Corbo, Forlan (sobrinho de Pablo Forlan, do São Paulo), Garisto, Gonzalez. Morena, Revetria, Rivero, Carlos Rodrigues, Rodolfo Rodrigues, Ramon Silva, Tabares, Laclau. Zoryez e Gerolami. A equipe ainda não foi escalada.

A dificuldade para reunir todos os jogadores da Seleção Uruguaia motivou o adiamento da chegada da delegação a Porto Alegre prevista para ontem. No avião procedente de Montevidéu chegaram apenas o médico San Martin e o secretário do Sindicato dos Jogadores Profissionais do Uruguai (Mutual), Carlos Rodrigues.

Depois de o Fluminense desistir da contratação de Zequinha, a direção do Grêmio resolveu prestigiar o jogador que, na opinião do presidente Luis Carvalho “ainda é o melhor ponta-direita do Brasil.” Só que o retorno de Zequinha à condição de titular, depois da longa ausência provocada pela operação de meniscos, se deve ao fato de alguns diretores estarem inconformados com seus altos ordenados (Cr$ 30 mll mensais). Assim, se Zequinha não tiver boas atuações, ou apresentar pouco empenho nos treinos e jogos amistosos, será multado em 40% de seu salário, numa medida que visa diminuir a despesa com o jogador.” (Jornal do Brasil, quarta-feira, 19 de fevereiro de 1975)


— Com um gol de Revetria, aos 16 minutos do segundo tempo, a Seleção Uruguaia venceu ao Grêmio por 1 a 0, ontem à noite no Estádio Olimpico, em Porto Alegre, numa partida amistosa promovida pelo Sindicato dos jogadores Profissionais do Uruguai (MutuaI)

— Embora demonstrando falhas táticas e falta de entrosamento a Seleção Uruguaia conseguiu reagir ao domínio do time gaúcho no primeiro tempo e soube se impor na etapa final, principalmente depois da entrada de Revetria no lugar de Morena, que estava sendo multo bem marcado par Ancheta.” (Jornal do Brasil, quinta-feira, 20 de fevereiro de 1975)

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Foto: Correio do Povo

GRÊMIO FOI SEMPRE MELHOR MAS PERDEU PARA O URUGUAI: 1 A 0

Com a presença de grande público ontem à noite, no Estádio Olímpico, a equipe do Grêmio, embora jogando melhor, acabou perdendo para a seleção do Uruguai por um a zero, golo de Revetria, aos 16 minutos do segundo tempo. O time gremista, que apresentou apoiador Neca, vindo do Esportivo, em grande noite, destacando-se como o melhor do jogo, embora as muitas situações criadas ao longo dos 90, minutos, não conseguiu marcar.

A seleção uruguaia, por sua vez voltou satisfeita para Montevidéu, depois de vingar os 2 a 1 que o Penharol levou no Olímpico há duas semanas atrás. O jogo não agradou ao público, principalmente no primeiro tempo, quando foi muito truncado para a cobrança, de faltas. O ponteiro Zequinha, que voltou ao time, realizou um ótimo primeiro tempo, merecendo inclusive o aplauso da torcida. Cacau foi outro que apareceu bem. Ele que ainda não havia conseguido realizar nenhuma boa atuação. O ponteiro Nenê, que terminou ontem seu período de testes, jogou até 15 minutos da segunda etapa, fazendo boas jogadas embora recebendo poucos lançamentos da meia-cancha. Nenê retorna hoje para São Paulo e já deverá receber a palavra final da direção sobre a sua contratação.

PRIMEIRO TEMPO

Pouca coisa de bom futebol se viu no primeiro tempo da partida. O Grêmio dominou os primeiros 45 minutos criando sete boas situações para o seu ataque, sendo que cinco delas foram criadas e arrematadas através de Neca, que foi o melhor da partida, com destaque principalmente no primeiro tempo. Além de aparecer com grande movimentação, recuando para dar cobertura à defensiva nas poucas vezes em que o ataque da seleção uruguaia tentou chegar até a meta de Picasso, foi o autor de três perigosos chutes contra a goleira, de Corbo.

Zequinha, também fez boas jogadas sendo aplaudido pela torcida ao final do primeiro tempo. Tanto Zequinha como o ponteiro Nenê foram um pouco prejudicados na primeira etapa pelo sistema como jogou o Grêmio. Com a má atuação de Tarciso, Neca preocupava-se em descer para o ataque, embolando muito o jogo pelo meio. Mesmo assim, nas poucas oportunidades em que foram acionados, os dois ponteiros realizaram excelentes jogadas. A seleção uruguaia criou no primeiro tempo apenas uma boa situação, através de Fernando Morena. O goleador no campeonato uruguaio nada fez na noite de ontem que confirmasse seu prestígio, sendo inclusive substituído por Revetria, que acabou marcando o golo da vitória uruguaia.

SEGUNDO TEMPO

Na segunda etapa da partida o Grêmio procurou corrigir alguns defeitos observados no primeiro tempo, principalmente tentando explorar mais os ponteiros Zequinha e Nenê (Loivo) que foram pouco acionados nos primeiros 45 minutos. Aos 16 minutos o ataque uruguaio surpreendeu a defensiva gremista, numa jogada criada por Laclau, Ancheta que tentou a cobertura, atrapalhou-se, deixando Revetria livre para o arremate que marcou o único gol da partida. Os uruguaios, que já haviam jogado bastante fechados no primeiro tempu, recuaram mais ainda tornando completamente estéreis as tentativas do ataque gremista que teve em Tarciso a pior figura.” (Correio do Povo, quinta-feira, 20 de fevereiro de 1975)

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Correio do Povo, 13 de fevereiro de 1975

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GRÊMIO: Picasso; Claudio, Ancheta, Beto Fuscão e Jorge Tabajara; Cacau, Iura (Luis Carlos) e Neca; Zequinha, Tarciso e Nene (Loivo)
Técnico: Ênio Andrade

SELEÇÃO URUGUAIA: Walter Corbo: Alvez, Tabarez, Gerolami (Ruben Albanese) e Xavier (Zoryez); Acosta (Rivero), Agresta (Garisto) e Laclau; Carlos Rodriguez (Richard Forlan) Fernando Morena (Revetria) e Rodolfo “Pichu” Rodriguez.
Técnico: Hugo Bagnulo

Data: 19 de fevereiro de 1975, quarta-feira, 21h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 154.877,00
Árbitro: Agomar Martins
Auxiliares: Vilson Silveira e Adilson Silveira
Gol: Revétria, aos 16 minutos do segundo tempo

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Gauchão 1975 – Grêmio 1×0 São José

March 9, 2019

1975 gremio 1x0 sao jose

No Gauchão de 1975 o Grêmio treinado por Ênio Andrade recebeu o São José treinado por Poletto, e só garantiu a vitória com um gol de Vilson, aos 31 minutos do segundo tempo.

Como já foi lembrado pelo Beto Xavier, no primeiro semestre daquele ano o Grêmio praticamente adotou a camisa azul celeste como seu fardamento número 1.

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POR POUCO O GRÊMIO NÃO PAROU NA RETRANCA DO SÃO JOSÉ

Depois de um primeiro tempo de futebol mal jogado e vaiado pelos torcedores, sem chutar uma só bola contra a meta do São José e sem explosão nas jogadas de ataque, o Grêmio só conseguiu marcar aos 31 minutos da segunda etapa, alcançando uma difícil vitória, por 1 x 0. O técnico Paulo Sérgio Poletto armou um esquema para neutralizar as principais jogadas do Grêmio, colocando dois homens sobre Zequinha, e Nenê. Sua meia-cancha jogou recuada para reforçar o bloqueio defensivo, criando grandes dificuldades para o ataque gremista. Com a vitória de ontem à noite, no Olímpico, os tricolores assumem a liderança isolada do campeonato gaúcho, por pontos ganhos, pelo menos até hoje à noite, quando o Internacional jogará contra o São Paulo, de Rio Grande.

PRIMEIRO TEMPO

O São José entrou em campo com um esquema bem armado para dificultar as principais jogadas do Grêmio. O lateral-direito Norival e o ponteiro Rogério encarregaram-se da marcação de Nenê, enquanto Pedro e Joãozinho, pela esquerda, colaram em Zequinha, para evitar suas cruzadas. A meia-cancha do São José reforçou a defesa para bloquear o ataque gremista e apenas Emir permanecia, eventualmente, na frente aguardando os lançamentos que, em número de dois ou três, não chegaram a resultar em boas jogadas contra a meta de Picasso.

O maior defeito do Grêmio no primeiro tempo foi a lentidão. Nenhuma situação de golo foi criada nos primeiros 45 minutos de jogo. Cacau por duas vezes ensaiou jogadas de penetração, lançando Tarciso, que terminaram em chutes dispersivos. O ponteiro Nenê, pouco acionado, teve duas oportunidades para o arremate final. Na primeira, errou a meta e na segunda, lançado em profundidade, acabou perdendo a bola para o lateral Norival. Tarciso, aos 30 minutos, recebeu um passe pelo meio, atrás dos zagueiros, mas o goleiro Cláudio, com grande tranquilidade, saiu da área e conseguiu dar um balãozinho no avente gremista e chutar para o meio, do campo.

SEGUNDO TEMPO

Mesmo com uma temperatura de 10 graus, a torcida tricolor procurou esquentar o jogo na segunda etapa, incentivando o time, o que não havia feito nos primeiros 45 minutos. Nenê, aos 8 minutos, criou a primeira situação que ajudou a animar um pouco mais os torcedores. Recebeu uma bola pela esquerda, venceu a mareação de Norival, mas chutou por cima da meta de Cláudio, numa bela jogada. A essa altura Paulo Sergio Poletto precisou retirar Norival, uma das melhores figuras da equipe, lesionado, colocando Flávio em seu lugar.

Embora aumentando bastante o ritmo de jogo, o Grêmio continuou encontrando dificuldades para penetrar na área adversária até os 31 minutos, quando a torcida tricolor conseguiu respirar aliviada, depois de muito sofrimento, com o golo de Vilson. Nenê sofreu uma falta pelo lado esquerdo, Bolívar cobrou por cima e, na saída do arqueiro Cláudio, Vilson marcou de cabeça.” (Correio do Povo, 5 de junho de 1975)

guaiba

ingressos

Grêmio 1×0 São José

GRÊMIO Picasso; Vilson, Beto Bacamarte, Beto Fuscão e Bolivar; Cacau, Iúra (Luis Freire) e Neca; Zequinha, Tarciso e Nenê
Técnico: Ênio Andrade

São José: Claudio, Norival (Flavio), Paulinho, Paulo Sousa e Pedro; Celso, Vasquez e Dorinho; Rogério (Antonio Carlos), Emir e Joãozinho
Técnico: Paulo Sérgio Poletto

Gauchão 1975
Data: 4 de junho de 1975, quarta-feira
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 79.441,00
Árbitro: Luis Louruz
Auxiliares: Paulo Serafim e Adão Alipio Soares
Gol: Vilson, aos 31 minutos do segundo tempo