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Amistoso em 1977 – Grêmio 1×0 San Lorenzo

April 29, 2014

O primeiro confronto entre Grêmio e San Lorenzo aconteceu em março de 1977 no estádio Olímpico. Foi um amistoso que serviu como pagamento do ponta Ortiz, que havia atuado no tricolor no ano anterior. O time de Telê Santana começava a tomar forma e esse jogo era o último antes da estreia no Gauchão daquela temporada.
A grande atração da noite era o retorno de Alcindo Martha de Freitas aos gramados brasileiros, depois de um longo período no futebol mexicano. Pelos relatos e fotos da época, o “Bugre” estava longe da forma ideal. Por isso acabou sentindo bastante a falta de ritmo no primeiro tempo (quando Tarciso desperdiçou um pênalti), mas pediu para permanecer na segunda etapa, quando marcou, aos 4 minutos, superando o goleiro La Volpe que até então fazia grande partida.

O gol

Iura e Tadeu Ricci tabelaram, aos 4 minutos, na intermediária do San Lorenzo de Almagro. A jogada foi cortada por Nicolau. A bola ficou com Alcindo que chutou rápido, na dividida com Sanz, tomando efeito, encobrindo o goleiro La Volpe e caindo dentro do gol.” (Folha da Tarde – 24 de março de 1977)
 “No intervalo, Alcindo garantiu que voltaria para a etapa final. E cumpriu a palavra: voltou para marcar seu gol. Eram 4 minutos do segundo tempo quando o árbitro marcou uma falta nas proximidades da área do San Lorenzo. Alcindo caminhou para ajeitar a bola. Agora não havia Tarciso para atrapalhar. Alcindo fez a cobrança com força, a bola bateu na barreira, subiu e tomou efeito, impedindo qualquer tentativa de defesa de La Volpe” (Zero Hora – 24 de março de 1977)

TELÊ: “O Alcindo jogou mais como um prêmio para a torcida. A sua estréia talvez tenha sido prematura porque ele ainda não está em condições. Mas fez o gol e isso é importante. Sabemos que ele tem condições técnicas, mas precisa estar em forma. E para quem estava parado há tanto tempo, foi muito bem”
ALCINDO: “ Eu queria apenas ter mais umas chances. Estava gostando dos dois ponteiros, mas tinha dificuldade porque ainda estou fora de forma. Como minha condição de jogo deve demorar quase um mês, vou me preparar bem. Quero perder peso em excesso e treinarpois só participei de meio coletivo e estava há três meses parado.”

“Para Fischer, ex-jogador do Botafogo do Rio de Janeiro e Vitória da Bahia, o Grêmio está jogando um bom futebol, “mas se quiser ser campeão terá que melhorar muito”. Hoje para ele deu tudo certo, porque o juiz ajudou principalmente para a sua defesa. O Alcindo teve muita sorte, pois a bola que ele chutou bateu em Sanz e acabou deslocando o goleiro La Volpe, que ia certo no lance” (Folha da Tarde – 24 de março de 1977)

Fontes: Folha da Tarde, Globo Esporte e Zero Hora

Grêmio 1×0 San Lorenzo

GRÊMIO: Remi; Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho; Vitor Hugo, Iura (Jerônimo) e Tadeu Ricci; Tarciso, Alcindo (Delmar) e Eder
Técnico: Telê Santana 
SAN LORENZO: La Volpe; Lupo, Nicolau (Sanchez), Sanz e Villar (Ruiz); Palmieri, Pedro ChazarretaMario Mendoza (Gauna); Olivares (Premici),  Fischer e Mário Rizzi
Técnico: Rogelio Dominguez
Amistoso
Data: 23 de março de 1977, quarta-feira, 21h15min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 15.720 pagantes
Renda: Cr$ 354.575,00
Juiz: Nazarino Pinzon
Auxiliares: Elinei Macedo e Ivo Morel
Gol: Alcindo, aos 4 minutos do segundo tempo 

1977 – Gauchão – Grêmio 1×0 Inter

September 25, 2012

Depois de 3 turnos e 33 jogos, Grêmio e Inter finalmente começaram a decidir o Campeonato Gaúcho de 1977 em 25 de setembro. Começaram e terminaram, porque o tricolor tinha a vantagem de precisar apenas de dois dos quatro pontos disputados nas finais. Bastavam dois empates ou uma simples vitória para garantir a título. E o jejum foi quebrado com uma vitória logo no primeiro jogo da final, disputado no Olímpico. Mas não foi fácil.
O Grêmio sofreu para confirmar a sua melhor campanha no campo. Aos 25 minutos do primeiro tempo Tarciso desperdiçou um pênati. Aos 42 André Catimba fez  o gol do jogo, saltou para a sua antológica comemoração e deixou o campo machucado.
O segundo tempo foi de pura tensão e pouco futebol, até que a torcida invadiu o gramado minutos antes do termino do jogo. Formou-se uma confusão generalizada, onde o juiz levou um voadora de um torcedor, Escurinho agrediu o torcedor e acabou sendo surrado pela massa, e o Inter deixou o campo. O juiz Luis Torres aguardou que Brigada retomasse a ordem, esperou 30 minutos pelos colorados e decretou o Grêmio como vencedor. Todo esse cenário só postergou a entrega formal da taça, mas a festa já tinha se iniciado, contando inclusive com a presença de Gilberto Gil no vestiário.

Zero Hora

Grêmio campeão com o gol de André
Os oito anos de sofrimento do Grêmio terminaram com o time de Telê Santana vencendo o Inter por 1 a 0, ontem no estádio Olímpico. Mas a festa que a torcida do Grêmio esperava fazer não pôde ser como ela queria. O jogo foi interrompido aos 42 minutos do segundo tempo, houve invasão de campo e o Inter acabou se retirando do estádio, depois de ter jogadores agredidos, alegando que não havia condições de segurança para a partida chegar a seu final.

O jogo não teve a movimentação técnica de outros Gre-Nais, nem chegou a ter jogadas, empolgantes, com freqüência. Teve duas características, ditadas pelo gol de André. O Inter começou mais cauteloso, fazendo questão de prender a bola e só indo à frente com segurança. O Grêmio mostrava mais força ofensiva, embora no início sentisse a marcação por pressão do adversário.

Como maior preocupação defensiva Gardel em cima de André (Marinho sobrava),
Vacaria matava Tarciso com a ajuda de Caçapava, enquanto o resto marcava por setor. Mesmo assim o Grêmio levava ligeira vantagem tática, pois a movimentação e postura de seus jogadores era melhor. Tanto que ia à frente com mais perigo do que o adversário. No entanto, o primeiro lance perigoso de gol só foi ocorrer aos 19 minutos. Caçapava demorou para sair com a bola da defesa, Éder recebeu um passe de Iura e chutou forte para Benitez fazer boa defesa.

Aos 22 minutos o Grêmio teve uma grande chance de abrir o marcador, quando Gardel colocou a mão na bola dentro da área, em jogada que sua defesa tinha dominado, assustado com a proximidade de André e Éder. O juiz assinalou, os jogadores do Inter reclamaram muito, fizeram catimba, mas Luis Torres confirmou o pênalti. Tarciso, encarregado da cobrança, chutou forte, mas seu pé bateu no chão e a bola desviou para fora, pelo lado esquerdo de Benitez, que saltara para o canto direito.

O pênalti perdido deu moral ao Inter, sua torcida começou a gritar. Mas o Grêmio era melhor em campo e numa jogada rápida, acabou fazendo seu gol. Aos 42 minutos, Tarciso bateu uma falta pela direita, a bola veio para Tadeu que fez um “corta-luz” levando o seu marcador. Iura, com a bola, atraiu a marcação de Caçapava e Gardel e deu para o lado esquerdo onde entrava André. O centroavante ainda trocou de pé e chutou forte, bem colocado, no ângulo direito de Benitez que pulou inutilmente. Aí o trabalho do Grêmio foi só esperar terminar o primeiro tempo.

Para o segundo, em desvantagem, o Internacional voltou mais ambicioso, enquanto era a vez do Grêmio prender a bola, segurar o resultado. Buscando mais força, Gainete tirou Bereta (Batista foi para lateral), entrando Jair e Santos saiu para Dario entrar. O Inter foi cercando, Telê colocou Alcindo no lugar de André, que se lesionara na comemoração do gol. Depois foi a vez de Wilson substituir Iúra o Grêmio foi dando cada vez mais espaço ao adversário, enquanto esperava o tempo passar.
O clima do jogo ficou muito nervoso alguns jogadores já deixavam a bola para ir com mais violência no adversário. Mas Luis Torres ainda controlava as ações. Éder já tirava bola em sua área pelo lado direito, o Grêmio ia recuando, tentando jogar em contra-ataques, uma tática que sempre deu os melhores resultados contra mesmo adversário. A defesa do Inter avançava, procurando se juntar ao ataque. O tempo ia passando, entrou nos 15 minutos finais, quando começou, pouco a pouco, a invasão de campo pelos torcedores. Primeiro os do Grêmio, eufóricos com a vitória. E a invasão de campo aconteceu porque a torcida achou que a partida estava terminada, quando o juiz paralisou uma jogada aos 42 minutos. Houve invasão geral, alguns jogadores do Inter brigaram com torcedores, acabou abandonando o estádio a partida teve de ser suspensa. O Grêmio fez sua festa, só não pode complementá-la, embora a euforia dos torcedores fosse
justa, o time jogou melhor, merecia sair vitorioso. Teve a melhor campanha do campeonato, foi o melhor no Gre-Nal da decisão. Agora a questão se transfere para os tribunais, o Grêmio com a garantia de ter vencido dentro de campo, enquanto o Inter desesperado vai tentar mudar o resultado no TJD. E só se consola em ter prejudicado a grande comemoração do adversário. (Zero Hora – 26/09/2012)


“A partir daí a confusão foi enorme. Escurinho e Cláudio, que também entrara em campo, conversavam com Luís Torres quandoeste foi agredido por um torcedor. Escuro foi atrás do torcedor, e agrediu o desconhecido. Depois apanhou de vários torcedores e teve que sair do Olímpico direto para o hospital, com o nariz fraturado, a face cortada, e suspeita de traumatismo craniano” (Zero Hora – 26 de setembro de 1977)

“De repente, de bermudas desfiadas, alpargatas, camiseta desenhada, cabelos encaracolados à moda africana, lá estava Gilberto Gil no vestiário do Grêmio. Os olhos estavam completamente vermelhos – Gil chorava com o título conquistado pelo Grêmio – mas o astral estava ótimo.” (Zero Hora – 26 de setembro de 1977)

Correio do Povo


“O CAMPEÃO DE CAMPO. HÁ OUTRO?

Escrevo antes de saver o que fez a Federação com a súmula do Torres. Já existe um campeão, o Grêmio. Ganhou quatro gre-nais, empatou um, perdeu apenas dois. O campeão passa por essa contabilidade. No Rio Grande do Sul não existe outra forma de avaliação. Imagine-se um campeão que tivesse o número de vitória e empates que teve o Internacional. Não poderia ser o campeão porque teria ganho cinco pontos e o Grêmio nove.” (Ruy Carlos Ostermann – Correio do Povo – 27 de setembro de 1977)

Folha da Tarde 

“O Gre-nal não chegou a terminar com futebol, pois quando faltavam seis minutos para o seu encerramento, parte da sofrida e emocionada torcida do Grêmio invadiu o gramado. Não houve condições a partir desse incidente, até que os policiais militares tirassem os torcedores do campo, do jogo continuar. Mas quando isso ocorreu, o time e a delegação do Inter já haviam abandonado as dependências do Olímpico. Alguns jogadores do Inter, como Escurinho e Luisinho, tinha sido espancados por torcedores do Grêmio.

Sob a alegação de que não havia garantias para seus jogadores, os dirigentes do Inter optaram pelo abandono do campo. No entanto, a precipitada atitude da direção do Inter não influenciou na decisão do árbitro Luís Torres. Ao perceber que os policiais militares tinham adquirido o controle sobre a torcida, deu um prazo de meia hora para que o time dirigido por Carlos Gainete voltasse ao gramado. O do Grêmio permaneceu, batendo bola, sob os aplausos e gritos emocionados de seus torcedores.
Quando encerrou-se o prazo determinado, Luis Torres proclamou o Grêmio como vencedor do Gre-Nal pelo escorede 1 a 0, que já tinha sido obtido durante a partida, através de André” (Folha da Tarde – 26 de setembro de 1977)

“Luís Torres fez o que pôde, para dirigir o Gre-Nal mais catimbado do ano. Socos, pontapés, cotoveladas, sempre longe das vistas do apitador. Mas Torres teve um erro capital, aos 8 minutos: Santos, inexplicavelmente, empurrou André, dentro da área. O árbitro não marcou nada. Havia muita gente em sua frente. Isso não justifica. Sua sorte foi que o Grêmio acabou fazendo um gol.” (Ataíde Ferreira – Folha da Tarde – 26 de setembro de 1977)



Grêmio 1×0 Inter

GRÊMIO: Corbo, Eurico, Cassiá, Oberdan e Ladinho; Vitor Hugo, Tadeu Ricci e  Iúra (Vilson); Tarciso, André (Alcindo) e Éder.
Técnico: Telê Santana

INTER: Benitez, Beretta (Jair), Gardel, Marinho e Vacaria, Caçapava, Batista e Escurinho, Valdomiro, Luisinho e Santos (Dario).
Técnico: Gainete

Data: 25 de setembro de 1977, domingo 
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre – RS
Público: 57.186 pagantes

Renda: CR$ 1.642.960,00
Arbitragem: Luis Torres
Auxiliares: Adão Alipio Soares e Paulo Serafim.
Cartões Amarelos: Marinho, Dario, Corbo e Cassiá
Gol: André Catimba, aos 42 minutos do primeiro tempo

1977 – Gauchão – Inter 0x2 Grêmio

September 18, 2012

O Campeonato Gaúcho de 1977 teve uma fórmula disputa que parece pouco usual para os dias de hoje, mas era bem comum na época: 3 turnos para apurar os finalistas. O Inter ganhou o primeiro, o Grêmio ganhou o segundo e a dupla chegou a última rodada do terceiro turno empatada na liderança, e ali se enfrentariam no Beira-Rio no dia 18 de setembro de 1977. O ganhador ficaria em vantagem nas finais.

O clima do campeonato era pesado. O Grêmio reclamava da FGF. O Inter se queixava de Agomar Martins, que no GreNal anterior não apitou o pênalti numa falta cometida por Ancheta, marcando equivocadamente a cobrança fora da área.

O presidente do Inter, Frederico Arnaldo Ballvé lembrava que este Grenal do terceiro turno seria “diferente”, pois seria disputado no Beira-Rio e “Lá, juiz nenhum terá coragem de nos roubar. Nós não criamos clima de hostilidade durante o campeonato, mas se querem ver quem é melhor nisso, vamos criar um clima pior ainda.” O juiz da partida foi escolhido num sorteiro na manhã do jogo e o vice de futebol do Inter, Artur Dallegrave repetiu “o Inter não vai ser roubado no Beira-Rio.

E por essas coincidências do futebol também ocorreu um lance polêmico no GreNal 234. Mais uma falta cometida dentro da área que o juiz não marcou pênalti.

O Grêmio adotou uma postura cautelosa na primeira meia hora do clássico. Aos 32 minutos Tarciso arrancou da intermediária em passou para Iura. O “Passarinho” sairia na cara do goleiro Manga não fosse o toque de mão de Bereta, dentro da área. Mas Carlos Martins marcou falta fora da área. Contudo essa polêmica durou pouco segundos. Tadeu Ricci cobrou a falta no ângulo, inaugurando o placar.

Com o 1×0 o Grêmio passou a dominar o jogo e ainda marcou o segundo com Tarciso, eleito o melhor em campo. A vitória colocou o Grêmio em vantagem para as finais do campeonato. Bastava um vitória (ou dois empates) para quebrar o jejum.

Folha da Tarde

“Arbitragem

Carlos Martins foi um árbitro que soube controlar os ânimos dos jogadores e evitar a violência. Mostrou cartão amarelo de maneira correta e não influiu no resultado do jogo, por sorte. Isto porque cometeu um grande erro, ao não assinalar a mão de Bereta dentro da área. Estava próximo ao lance, mas determinou que a falta fosse batida de fora da área. Assim mesmo Tadeu Ricci marcou o gol. Além desse erro, inverteu faltas. Mas num aspecto geral, seu trabalho pode ser considerado como bom. Os auxiliares Adão Alípio Soares e Paulo Serafim não cometeram erros.”
(Folha da Tarde – 19 de setembro de 1977)


Os gols

1 a 0 – 31 minutos do período inicial – Num contra-ataque do Grêmio, sem muita agressividade, Bereta disputou o lance com Iúra, dentro da área, desequilibrou-se e na queda tocou com mão na bola. O árbitro não marcou o pênalte, alegando ter sido a mão fora da área. Tadeu cobrou a falta, no ângulo.

2 a 0 – 21 minutos do segundo tempo – O Inter atacava desordenadamente, quando Iúra pegou a bola pela ponta-esquerda, mas no meio-campo. Correu até quase a linha de escanteio, driblou Bereta e passou a bola para André, que evitou Marinho e cruzou alto na área pequena. Tarciso entrou correndo e de cabeça marcou o gol.” (Folha da Tarde – 19 de setembro de 1977)


“Pois os 2 x 0 ainda saíram bareto para o Inter, pela superioridade gremista e o seu (dele Inter) completo desarvoramento, principalmente depois dos 30 minutos, quando sofreu o primeiro gol.

A vitória tricolor foi a do muito superior em execução de jogadas e plano de jogo. Marcação rígida, solidariedade tanto nas ações ofensivas como defensivas, onde sempre havia, perto, além do que estava com a bola, mais um ou dois – enfim, um time orientado, que mordeu, que valeu pelo todo mas com cada um dentro do seu rendimento normal para cima. E mesmo jogando no estádio adversário, ainda, quando a catimba foi útil, soube fazê-la. Oberdan esteve sempre em cima do juiz, sem acinte, mas com a utilidade que isso pode produzir, enquanto isso, do outro lado, ninguém nesse tarefa. Indiferença total…

É difícil destacar no time do Grêmio sem usar a palavras todos, mas uma nota especial para Oberdan, que não só foi insuperável como zagueiro, como estabeleceu um comando, em campo, cuja influência foi sentida em todos os quadrantes do gramado.” (Cid Pinheiro Cabral – Folha da Tarde – 19 de setembro de 1977)


Placar

“Sérgio Moacir afinal fez entrar Escurinho no lugar de Luisinho, que não mostrou jeito para ajudar o meio-campo nem disposição para as divididas. Mas tal era a tensão do Inter, que o primeiro lance de Escuro foi um pontapé sem bola em Vítor Hugo.

Briga: Em teoria não era GreNal para isso – Ninguém queria ficar fora dos jogos decisivos. Iúra começou dando uns bicos nas canelas de Falcão, mas logo levou um pito de Oberdã. A violência do Inter, contudo, ao sentir a derrota leva a pensar que muitos jogadores tenham perdido o jogo e algo mais. Senão, como interpretar a escandalosa agressão de Manga a Tarciso, ele que, aos 40 anos, nunca havia sido expulso a
ntes?” (Divino Fonseca – Revista Placar – 23 de setembro de 1977)

Correio do Povo

“Com o resultado favorável, o Grêmio cresceu em campo, favorecido também pela perturbação do Inter, que passou a atacar desordenadamente. Cauteloso na defesa, o Grêmio passou a explorar mais ainda as jogadas de contra-ataque, principalmente com Tarciso e Tadeu Ricci, que souberam aproveitar muito bem os espaços deixados na meia-cancha e defesa do Inter.

Os dois time voltaram sem modificações para o segundo tempo. Igualmente o panorama do jogo não mudou muito. O Grêmio sempre esteve mais perto dos 2 a 0, do que o Inter do empate. A pressão do Inter era tranqüilizada pela boa colocação da defesa do Grêmio que, por sua vez, continuava insistindo nos contra-ataques, sempre com relativo perigo” (Correio do Povo – 19 de setembro de 1977)

Zero Hora

“Antes da partida, a torcida do Grêmiopresentia a vitória no clássico. Uma hora e meia antes do início do GreNal, os torcedores já ocupavam todo o espaço destinado as suas acomodações nas gerais e arquibancadas do Beira-Rio. Pouco a pouco, a cor azul começou a encher os espaços vazios no meio da torcida do Inter.

A partida foi realizada no campo do adversário e a administração do Inter se encarregou de colocar faixas nos locais que seriam ocupados por sua torcida. Pois a massa gremista deu uma demonstração de sua força colorindo o Beira-Rio de azul, com muito maior número de faixas e bandeiras.

Acima da torcida do Internacional, nas arquibancadas, estavam as faixas com os dizeres: Adão não sofria porque o Grêmio não existia, Camisa 12, Octacampeão, Chegou a hora da verdade, Garra, Colora..Qua..Qua. Os tricolores, que tomaram conta de boa parte do Beira-Rio, respondiam com as suas faixas: O Inter não vencia porque Hofmeister não existia, Tribunal de Justiça deles, Tem senhora suspeita no TJD, Grêmio, ontem, hoje, sempre.

As 26 bandeiras coloradas fixas nas arquibancadas, eram as únicas, enquanto os gremistas entravam no estádio carregando e agitando mais de 30 bandeiras” (Zero Hora – 19 de setembro de 1977)


“Até os 24 minutos, a partida continuava indefinida, com poucos lances mais fortes. Num escanteio para o Inter, Marinho subiu para a área. Durante a jogada, acertou um tapa no rosto de Iúra. O meia-direita reclamou e recebeu cartão amarelo. Aos 32 minutos, houve o lance do gol do Grêmio. Numa disputa de bola, Bereta cometeu toque dentro da área: pênalti. Carlos Martins marcou fora da área. Na cobrança, Tadeu marcou. Quase ao final do primeiro tempo, o juiz mostrou cartão amarelo Bertta, por falta violenta em Éder.

Na segunda etapa, como na fase inicial, Carlos Martins teve pequenos erros. Marcou faltas vencidas e até algumas faltas inexistentes mas na maior parte do jogo. Martins deixou a bola andar, sem truncar muito o andamento do jogo. Aos 15 minutos, Oberdan levou cartão amarelo por segurar demais a bola. Aos 30 minutos, Escurinho acertou violentamente Vitor Hugo, num lance claro de expulsão. Mas o juiz deu só cartão amarelo.” (Zero Hora – 19 de setembro de 1977)


O Placar

32 minutos, do primeiro tempo, 1 a 0, Tadeu Ricci. O Inter foi à frente, Vitor Hugo tomou a bola e lançou a Éder. O ponteiro, com a defesa aberta, sofreu combate de Beretta, passou a bola para Iúra, que cercado por Marinho e Caçapava foi avançando para entra na área, chocou-se com os adversários e na disputa entre Éder e Beretta, a bola foi tocada com a mão pelo lateral. Iúra ainda protestou pedindo pênalti, o juiz deu falta fora da área. Manga formou a barreira com seis jogadores, se postou no canto esquerdo. Tadeu Ricci, encarregado da cobrança, tocou no canto por cima da barreira, bem no ângulo, para o pulo inútil de Manga.

22 minutos do segundo tempo, 2 a 0, Tarciso. A jogada (ensaiada) começou com a reposição rápida de bola em jogo por Corbo. O goleiro entregou a Iúra, este sofreu combate de Caçapava, passou para André no lado direito da área do Inter. O centroavante driblou Beretta, foi perseguido por Marinho na corrida e já dentro da área, quase na linha de gundo, cruzou para trás. Tarciso entrou rápido, por trás de Vacaria e cabeceou para baixo, no meio de gol de Manga, que não aiu para cortar o cruzamento que passara dentro da sua pequena área.” (Zero Hora – 19 de setembro de 1977)


Internacional 0x2 Grêmio

INTER: Manga; Bereta, Beliato, Marinho e Vacaria; Caçapava, Falcão e Luisinho (Escurinho); Valdomiro, Dario e Santos (Benítez)
Técnico: Sérgio Moacir

GRÊMIO: Corbo; Eurico, Cassiá, Oberdã e Ladinho; Vítor Hugo, Tadeu Ricci e Iúra (Wilson); Tarciso, André (Alcindo) e Éder.
Técnico: Telê Santana

8ª Rodada – 3º Turno – Campeonato Gaúcho 1977
Data: 18 de setembro de 1977, domingo, 15h3o minutos
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 1.955.940,00
Árbitro: Carlos Martins
Auxiliares: Adão Alípio Soares e Paulo Serafim
Cartões Amarelos: Iúra, Bereta, Escurinho e Oberdã
Cartão Vermelho: Manga
Gols: Tadeu Ricci, aos 32 minutos do primeiro tempo e Tarciso, aos 22 minutos do segundo tempo

109 Anos e as memórias do Olímpico

September 15, 2012
Hoje é um dia de festa. De comemorar 109 anos. De abraçar o Olímpico e automaticamente lembrar dos grande momentos do Estádio.

Em 1977 o clube deu início as obras para completar o anel superior do estádio, deixando conforme o previsto no projeto original. Para isso, voltou-se a sua torcida, vendendo títulos de sócios e cadeiras para custear a obra.

A campanha, veículada a partir de agosto daquele ano, apelava para as memórias das partidas memoráveis disputadas na Azenha. Abaixo alguns exemplos.

“O dia em que Ortunho jogou (e ganhou) um Grenal com a cabeça quebrada.”

“O dia em que Volmir Massaroca entortou o famoso Djalma Santos.”

“O dia em que Iura conquistou o mais rápido gol dos grenais.”

“É para os jovens campeões que o Olímpico vai crescer, vai se tornar o maior, o mais completo e confortável estádio do sul do país”

“O presidente do Grêmio pediu a colaboraçao de todos para a obra”

1977 – Gauchão – Grêmio 2×1 Inter

August 14, 2012

1977 gol iura certo1977 IURA ZH Telmo Cúrcio da Silva V

Há 35 anos o Grêmio vencia o Inter por 2×1, no clássico disputado no Olímpico pelo Gauchão de 1977. O resultado praticamente encaminhou a conquista do segundo turno da competição pelo tricolor.

Esse GreNal entrou para história em virtude do gol de Iúra, marcado logos aos 14 segundos de jogo.

Mas também foi marcado por outros fatos. Como já foi abordado em aqui no blog, o clima da competição era tenso. O Grêmio cansou de se queixar da FGF e rompeu com a entidade e pedindo seu afastamento do certame.

Na semana grenal, o inevitável debate sobre quem seria o árbitro aconteceu. O Inter deixou bem claro que queria Agomar Martins no apito. O Grêmio disse que não se manifestaria sobre o assunto, uma vez que tinha cortado relação com a Federação. Contudo, o Vice de futebol gremista, Nelson Olmedo aproveitou a ocasião para cutucar: “se a direção do Inter escolher o árbitro, não ficarei surpreso, pois acredito que o fato não é novidade.”

Coincidência ou não, o comando da arbitragem coube a Agomar. O Grêmio saiu na frente com o gol relâmpago de Iura e ampliou com Tarciso no início do segundo tempo. Hermínio descontou para os colorados aos 8 da etapa final. Aos 38, Dario foi lançado e foi derrubado por Ancheta dentro da área. Agomar apitou a infração e imediatamente foi pressionado pelos atletas gremistas. O bandeirinha foi consultado e Agomar acabou marcando falta fora da área. Valdomiro cobrou na trave e o jogo encerrou 2×1.

Encerrou com uma briga generalizada, iniciada por Éder e Batista. Dias depois, Agomar Martins pediu licenciamento do quadro de árbitros da FGF.

Os jornais da época registram que, apesar do erro do juiz, o Grêmio foi melhor que o Inter na partida. Ibsen Pinheiro disse que “no jogo o Grêmio foi melhor” e Cid Pinheiro Cabral afirmou que “O Grêmio venceu e mereceu”.

Outro fato digno de nota foi a divisão das torcidas. Já registrei no blog a celeuma em torno da colocação da torcida visitante. Mesmo com o estádio em obras, foram colocados a venda 58 mil ingressos. Segundo a Folha da Tarde: “A torcida do Inter quebrou um grade de proteção e passou para o local que o Grêmio tinha reservado para seus sócios, mas que estava vago. Na passagem, arrancaram bandeiras do Grêmio, um distintivo de madeira e a faixa “Olímpico Total”. Destruíram também parte da cobertura do material da obra e ficaram tranquilamente no território conquistado.”

Seguem abaixo algumas reportagens sobre aquela partida:

Folha da Tarde


” – Não, com este olho roxo não.
– Mas não é a cores!
– Não, não fica bem, sou teu faixa, mas não insiste, hoje não
(Diálogo de Falcão e de um repórter de tv, domingo depois do Gre-Nal)

Edegar Schmidt – Folha da Tarde 16 de agosto de 1977

Zero Hora



 

A reportagem da Grêmio.Net conversou com Iúra sobre aquele momento:

Grêmio.Net: Iúra, o que você mais lembra daquele gol?

Iúra: O que eu mais me lembro é que foi um gol que serviu pra eu tirar um peso das costas. Sempre fui muito respeitado tanto pela torcida do Inter quanto pela torcida do Gremio graças as minhas atuações convincentes. Ainda assim, elas não revertiam em títulos. Quando fiz aquele gol, senti, naquele momento, que o título era nosso. Tanto que saí fora do meu normal. Corri pra torcida e sentindo a energia daquela massa. Foi uma coisa espetacular. Inesquecível!

Grêmio.Net: Você lembra como foi a jogada do gol?

Iúra: Era uma jogada ensaiada pelo Telê Santana. Mas o interessante é que ela não terminava comigo e sim com o Tarciso na direita. Na hora da saída de bola, senti que o Tarciso não tinha corrido. Aproveitei minha velocidade e fui concluir o cruzamento do Eder. Só tive trabalho de colocar para as redes. Tenho que agradecer à ajuda divina e ao Telê que me deixou na história.

Grêmio.Net: E como você curte essa repercussão durante estes 30 anos? Até hoje as pessoas relembram esse gol.

Iúra: Onde quer que eu vá, seja convidado para participar dos veteranos do Grêmio, ou para proferir uma palestra, ou até mesmo num bate-papo sobre futebol, o gol dos 14 segundos sempre é lembrado, seja pelos torcedores do Grêmio como pelos colorados. Esse gol ficou registrado em fotos e nas rádios, mas acho que o Grêmio não tem em vídeo. Uma pena. Ele deveria estar registrado em todas as fitas que mostram as imagens da história do Clube.

Placar



Fotos:
Folha da Tarde, Grêmio.net, Placar e Zero Hora

Grêmio 2×1 Inter

GRÊMIO: Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho; Vítor Hugo, Tadeu Ricci e Iúra (Zequinha); Tarciso, André Catimba e Eder Aleixo
Técnico: Telê Santana

INTERNACIONAL: Manga; Hermínio, Beliato, Garde e Vacaria; Caçapava (Escurinho), Batista e Falcão; Valdomiro, Luisinho e Lula (Dario)

Técnico: Sérgio Moacir

Segundo Turno -Campeonato Gaúcho 1977
Data: 14 de agosto de 1977, domingo
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 45.868 pagantes
Renda: Cr$ 1.097,780,00
Árbitro: Agomar Martins
Auxiliares: Justimiano Goulart e Hermínio Goulart
Cartões Amarelos: André, Éder, Oberdan, Ancheta, Gardel e Batista
Cartões Vermelhos: Éder e Batista
Gols: Iúra, aos 14 segundos do 1ºtempo. Tarciso aos 3 minutos do 2º tempo e Hermínio aos 8 do 2º tempo

Gre-Nal em um estádio em obras

August 8, 2012

E o GreNal do dia 26 de agosto já virou assunto em Porto Alegre. Não só pela tendência natural de se querer antecipar o clima do clássico, mas principalmente pela sugestão feita pela Brigada Militar de que o jogo da 19ª rodada seja disputado com torcida única.
Tal sugestão provocou um forte debate, trazendo a tona a questão da disputa da Copa das Confederações e Copa de 2014 e da recente liberação do Beira-Rio. Eu pergunto: O estádio tem ou não condições de jogo? A torcida visitante pode ou não comparecer? Um GreNal é tão diferente dos demais jogos?

Até é possível entender ou minimizar a situação em virtude das circunstâncias, mas possibilidade de se realizar o jogo com uma torcida única é muito triste. Nisso o tão criticado presidente Paulo Odone foi muito correto na sua manifestação contra tal cenário. Mas a situação poderia não só ser triste, como também se tornar injusta caso a torcida gremista seja a única privada assistir o jogo no estádio do rival. Menos mal que parece que a direção colorada aceita que o tratamento seja o mesmo na última rodada do Brasileirão.

Romantismo e ingenuidade a parte, é muito decepcionante perceber que os direitos e as possibilidades de quem gosta de frequentar os estádios de futebol são cada vez menores. São pequenas concessões feitas ao longo do tempo que mudam a experiência de se “ir a campo”.

Curiosamente, há 35 anos o debate era outro. O Gauchão de 1977 era disputado a todo vapor. O clima era tenso. O Grêmio tinha rompido relações com a FGF e um Gre-Nal a ser disputado no Olímpico se avizinhava. O Estádio do tricolor recebia obras visando o fechamento do anel superior. Isso motivou uma vistoria da Brigada Militar e uma discussão sobre onde seria colocada a torcida do Inter e como se daria a divisão das torcidas.

O presidente Hélio Dourado queria alterar o posicionamento da torcida visitante, afastando-a das obras. A Brigada Militar vetou. Por sua vez a Brigada queria a colocação de uma cerca entre as torcidas. O Grêmio não concordou. A Brigada cedeu e Inter anuiu.

É interessante notar que, em plena ditadura militar, a Brigada Militar parecia ser mais flexível e aberta ao diálogo no que se refere ao futebol. Abaixo algumas matérias da Folha da Tarde e da Zero Hora sobre a questão.


“Os torcedores da dupla Grenal vão ficar lado à lado no Grenal. O presidente Hélio Dourado não concordou com a colocação de uma cerca divisória nas gerais do Olímpico e o tenente-coronel Valdir Pontes anunciou que não colocará mais policiais entre os torcedores no domingo.

A divisão das duas torcidas foi o assunto mais discutido ontem à tarde, quando a Comissão de Vistoria da Segurança Pública esteve no Olímpico observando as condições de segurança do estádio, principalmente na parte onde estão sendo levantados os módulos das arquibancadas, atrás da goleira que fica para a rua Eurico Lara.

[…]

Os representantes do Grêmio, durante a vistoria, Mario Leitão e Túlio Macedo, chegaram a concordar em repor à tempo uma cerca para dividir as torcidas no jogo de domingo. Mas Nelson Olmedo se manifestou contrário a providência. E mais tarde, oficialmente, o presidente Hélio Dourado afirmava: “É inviável a colocação de uma divisão no estádio”.

Diante da posição assumida pelos dirigentes do Grêmio em não faze alterações no estádio, Valdir Pontes argumentou:

– A casa é do Grêmio e seus dirigentes é quem assumem a responsabilidade. Vamos juntar as duas torcidas. Mas isto não é a primeira vez que acontece. Outras vezes unimos torcedores e os resultados foram excepcionais.” (Zero Hora, 11 de agosto de 1977)

Ballvé lembra que o cordão de isolamento é coisa recente, antes não era usado: “Não sei, num jogo como esse pode se esperar tudo. Mas me lembro que até pouco tempo atrás não se usava isolamento entre as duas torcidas. No Maracanã, Mineirão e outros grandes estádio, também não se usa. De qualquer forma, acho que a Brigada deve saber o que está fazendo.” (Zero Hora, 11 de agosto de 1977)



1977 – Gauchão – Grêmio 10 x 0 Pelotas

July 31, 2012

Em 31 de julho de 1977 o Grêmio enfrentou o Pelotas pela 9ª rodada do 2º turno do Gauchão daquele ano. O jogo entrou para história devido aos 10 x 0 aplicados pelo tricolor, a maior goleada da história do confronto entre os dois clubes.

Uma curiosidade é que o centroavante André Catimba, titular da equipe, vivia um período de poucos gols (apenas um naquele campeonato até aquela data) e não anotou nenhum tento na goleada. Seu reserva, o já veterano Alcindo, entrou na metade do segundo tempo e marcou dois.

Mas o jogo foi também o estopim de uma briga do Grêmio com a federação gaúcha. O clima era tenso. Em julho o Presidente Hélio Dourado pedia imparcialidade na FGF. O pedido pareceu ter sido em vão. O inverno de 1977 foi bastante chuvoso no Rio Grande do Sul. A goleada do Grêmio se deu num olimpico completamente encharcado, enquanto o Inter teve o seu jogo contra o Caxias adiado.

A medida por si só causou revolta, mas foi a montagem da tabela dos jogos adiados pela chuva que causou um impasse entre a dupla, e o Grêmio, ao entender que a federação favoreceu o Internacional, decidiu romper com a entidade e pedir seu afastamento do campeonato.

“NINGUÉM PODE RECLAMAR MAIS QUE O TIME DE TELÊ NÃO FAZ GOLS
Pobre Pelotas. Tomou um gol no início do jogo e acabou levando dez. O azar do time de Getúlio Saldanha foi pegar o Grêmio uma semana depois de um empate contra o Juventude. E a disposição da equipe da capital foi intensa, apesar do gramado encharcado facilitar a nivelação técnica dos dois times. O Grêmio marcou logo aos 3 min e continuo exercendo forte pressão na área do Pelotas que não teve condições de sair da defesa equilibrando as ações. No final do primeiro tempo, o ritmo de Telê não tinha diminuído e as pessoas que estavam no Olímpico admitiam que o Pelotas seria goleado implacavelmente, porque a vitória do Grêmio estava garantida por 3 a 0.
Durante a semana Telê fez correções no ataque. A falta de gol no jogo contra o Juventude preocupou treinado que passou a exigir uma melhor aplicação do ataque do Grêmio, principalmente com relação ao posicionamento dos ponteiros Tarciso e Éder. Na segunda fase, isso foi confirmado somente o Grêmio tinha as iniciativas de atacar. O Pelotas jogava muito mal na defesa, como fizera no primeiro tempo, e no ataque Saldanha explorava apenas a experiência do centroavante Tião Abatiá, isolado entre os zagueiros Ancheta e Oberdan.
Se o ataque do Grêmio jogava sem marcação, a meia-cancha com Iúra, em tarde inspirada, dominava o setor, participando junto com Vitor Hugo e Tadeu Ricci em todas jogadas de frente. Os gols no segundo tempo continuavam , para alegria dos torcedores que estavam no frio molhados pela chuva fina que caiu toda a tarde. Getulio Saldanha ainda modificou a equipe colocando Paulo Vieira no lugar de Cito na defesa e Mortosa no lugar de Edson, mas as providências não ajudaram. Pelo lado do Grêmio, Telê foi obrigado a modificar o time por problema de lesão. Entrou Alcindo no lugar de André, machucado na mão direita e Vilson substituindo Oberdan que sentiu a perna direita.
No final os jogadores do Pelotas estavam desolados. O goleio Leomar, todo embarrado, depois de tomar dez gols, foi cumprimentado por Corbo, com a camiseta impecavelmente limpa. Até o trio de arbitragem foi abraçar o goleiro do Pelotas, que como os demais jogadores, foram goleados humilhantemente no Olímpico e em nenhum momento do jogo apelar para a violência (Evaldo Gonçalves – Zero Hora – 1º de agosto de 1977)

CHUVA E BARRO Em poucos minutos de jogo os jogadores estavam cobertos de barro. O gramado do estádio Olímpico não oferecia nenhuma condição de jogo. E os dirigentes gremistas só queriam saber o que vai acontecer com a partida do Internacional e Caxais, transferida para hoje. Tudo indicava que o valia para alguns times, não valia para outros – no caso, o campo embarrado, a chuva constante e o frio intenso. Jogadores do Grêmio e Pelotas jogaram em péssimas condições e o gramado vai ter de ser restaurado para o próximo domingo. Isso significa que os coletivos terão de ser disputados em outro local – e onde achar um gramado em condições em Porto Alegre? Se em Caxias não houve futebol – nem gols, a coisa mais importante de uma partida – em Porto Alegre sobrou. Contra o Juventude, o Grêmio fez uma boa partida, mas faltou o gol.
Ontem, como todo o tempo ruim houve goleada , a torcida saiu vingada daquele resultado contra o Juventude (e a mesma torcida deve ter se perguntado como é que o Cruzeiro de Porto Alegre venceu esse mesmo Juventude por 2 a 1 no sábado a noite)
Quando os jogadores voltavam para o segundo tempo, Telê chegou para André e disse: – Olha se houver mais um gol nesse segundo tempo, eu tiro você e coloco Alcindo.

A SORTE DE ALCINDO A princípio a medida era para poupar um jogador, e movimentar o outro. Mas Alcindo entrou e fez gols – coisa que o outro centroavante – titular, não tinha conseguido fazer. André se movimentou bastante abriu espaços para seus companheiros entrarem na área, mas não fez seu. No momento que soube da possível alteração pediu tempo para tentar seu gol, mas ele saiu machucado antes disso. Alcindo diria mais tarde:
– Dessa vez deu sorte, a gente chutava e a bola entrava. Teve partidas em que se fazia força e a bola não ia para dentro. Agora foi bem diferente. (Zero Hora – 1º de agosto de 1977)

“Enquanto os jogadores tomavam banho no reduzido vestiário das equipes visitantes, Getulio Saldanha, 46 anos, treinador do Pelotas, parecia bastante irritado com todos eles. Há mais de 25 anos no clube , ele nunca havia passado por uma situação igual a de ontem. “É vergonhoso”, sentenciava, “simplesmente inadmissível dos nossos jogadores. Eles são os culpados por toda esta vergonha que nós passamos aqui dentro do Olímpico. Nem saberei o que dizer quando voltar a Pelotas. Foi muito horrível, horrível…”

Depois do resultado de ontem, a situação de Saldanha está bastante insegura. Existem muitos comentários que garantem que o clube está interessado em Marco Eugênio, recentemente afastado do Caxias. Ele garante não saber nada à respeito: “Não sei o que pode acontecer depois de um resultado destes. Isto, os homens decidirão. O que eu posso dizer é nossos jogadores foram muito irresponsáveis. Avisei para eles não poderiam jogar daquela maneira. Eles voltaram para o segundo tempo insistindo neste mesmo erro. Mereceram perder, mesmo”.

Aproveitou para fazer elogios ao Grêmio e compará-lo ao Inter, que enfrentou há 45 dias atrás: “O Grêmio foi quase perfeito hoje à tarde. O time está certo, bem montado e com muitas chances de ganhar o campeonato. Os jogadores mostram mais vontade e mais preparo físico que os do Inter. O Grêmio luta mais e praticamente não dá espaço para o adversário. No entanto, isto não justifica uma goleada como esta. Eu só posso dizer que estou envergonhado por toda esta imensa negatividade que o Pelotas mostrou”. (Zero Hora – 1º de agosto de 1977)

GRÊMIO: Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdã (Vilson) e Ladinho; Vítor Hugo, Tadeu Ricci e Iúra; Tarciso, André Catimba (Alcindo) e Éder Aleixo:
Técnico: Telê Santana

PELOTAS: Leomar; Vinhas, Darci Munique, Fernando (Paulo Vieira) e Cito; Sílvio Vieira, Édson (Mortosa) e Flavio Correia; Francisco, Tião Abatiá e Jorge Luís
Técnico: Getulio Saldanha

Campeonato Gaúcho 1977 – 2º Turno – 9ª Rodada
Data: 31 de julho de 1977
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 8.586 pagantes.
Renda: Cr$ 142.619,00
Árbitro: Luís Torres
Auxiliares: Sílvio Rodrigues e Estemir Silva
Cartões Amarelos: Eurico, Édson e Jorge Luís
Gols: Eurico 3, Éder 35 e Anchta 43 do 1º tempo; Iúra 4, Tarciso 12, Alcindo 25, Éder 29, Iúra 38, Éder 42 e Alcindo 44 do 2º tempo

PLACAR
(1 a 0) – 3 min. EURICO jogada de Tadeu Ricci que entro pela direita entre Fernando Xavier e Cito cruzando para trás. Eurico ajeitou para o pé esquerdo e acertou o ângulo direito de Leomar.
(2 a 0) – 35 min. ÉDER – Iúra investiu pela meia-esquerda e lançou um passe na medida para Éder que vinha na corrida. O ponteiro chutou forte por cima. Leomar tocou na bola.
(3 a 0) – 43 min. ANCHETA – Na cobrança de uma falta de Jorge em Tarciso, o meia Tadeu Ricci cobrou rasteiro para área. Oberdan e Eurico falharam, Ancheta tocou de leve, para o gol.

II TEMPO
(4 a 0) – 4 min. IÚRA – Depois de uma jogada combinada com Tadeu Ricci, Iúra ganhou o rebote com o lateral Vinhas e Rapidamente chutou para o gol. O Pelotas reclamou de toque de Iúra.
(5 a 0) – 10 min. TARCISO – O centroavante André penetrou pelo meio e quando ia marcar sofreu um calço do lateral esquerdo Cito. Tarciso cobrou a penalidade com perfeição, enganando Leomar.
(6 a 0) – 25 min. ALCINDO – Logo após entrar no lugar de André, Alcindo aproveitou o rebote de um chute forte de Éder da esquerda e, com calma, tocou para dentro do gol do Pelotas.
(7 a 0) – 29 min. ÉDER – Mais uma participação de Alcindo na área do Pelotas. De costas para o gol, o centroavante serviu a Éder que vinha na corrida. O ponteiro chutou de primeira sem chances de defesa.
(8 a 0) – 38 min. IÚRA – Um dos mais bonitos gol do jogo. Iúra em jogada individual pela esquerda venceu o lateral Vinhas e chutou encobrindo o goleiro Leomar, que chegou a colocar a mão na bola.
(9 a 0) – 42 min. ÉDER – O ponteiro envolveu o seu marcador, na corrida invadiu a área e na saída do goleiro tocou no canto com a bola rente ao poste esquerdo.
(10 a 0) – 44 min. ALCINDO – Mesmo de costas para o gol na entrada da área, Alcindo deu uma meia virada e encobriu Leomar que estava adiantado no gol. (Zero Hora – 1º de agosto de 1977)