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Gauchão 1979 – Octagonal final – Inter 1×2 Grêmio

April 14, 2019
1979 grenal inter 1x2 gremio olivio lamas placar - Cópia

Foto: Olivio Lamas (Placar)

Com essa vitória por 2×1 no Beira-Rio o Grêmio encaminhou o título do Gauchão de 1979.

Duas curiosidades:
– A diretoria colorada franqueou a entrada para qualquer torcedor que estivesse usando uma camisa vermelha ou portasse uma bandeira do Inter.

– O VT do jogo foi exibido a noite pela TV Guaíba (que havia sido inaugurada naquele ano).

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Foto: Correio do Povo

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Fotos: Correio do Povo

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Foto: Correio do Povo

GRÊMIO, MODÉSTIA A PARTE
Com cinco pontos ganhos à frente do Inter, o time de Paulo César está a um passo do título. Basta, apenas, que mantenha a regularidade do campeonato. Em 45 jogos do campeonato, apenas nove pontos perdidos.

A palavra mais ouvida no vestiário do Grêmio, após a vitória sobre o Inter: humildade. Quem se arriscava a falar em título já ganho recebia logo severos olhares de advertência. E, se era assim, convenhamos, não falta mais nada. Só uma hecatombe (como a de 1961, quando o Inter, com seis pontos na frente e três jogos a disputar, acabou entregando o ouro) pode melar a festa final do Grêmio.

São cinco pontos sobre o Inter, sete jogos a disputar — os do returno do octogonal, e o Grêmio mostra o time mais humilde e justamente o mais bem armado, orientado e guerreiro. Como se viu neste domingo, no Beira-Rio. Considerando que em dois turnos (38 partidas) mais sete jogos do turno inicial do octogonal, o Grêmio perdeu apenas nove pontos, o prognóstico é óbvio: ao Inter, não restam mais de 10% de esperanças matemáticas.

Sem contar com Falcão para o Gre-Nal, Zé Duarte preferiu uma formação que — podia se apostar — abriria um buraco no meio-campo. Zé dizia que precisava ganhar, por isso, arriscava com um time ofensivo. Respeitável. Só que Fantôni, que é malandro velho, preferiu manter sua estratégia de esperar atrás para ver no que dava — inclusive com o anão-guerrilheiro Jurandir, que só entra para marcar Falcão. Não deu outra. Em 12 minutos, o jogo estava liquidado. Fixado na idéia de atacar, o Inter esqueceu de cadenciar e perdeu no meio-campo, descuidou-se atrás e tomou dois gols.

E daí, pra virar? Sabe-se que isso é difícil. Ainda mais quando, do outro lado, segurando os mais entusiasmados, só soltando o time na certa, calculando tudo, está uma raposa como Paulo Cé-sar. Que bem merecia, para coroar sua atuação, ter marcado o terceiro numa de suas escapadas.

Depois do gol de Jurandir, pegando um rebote, e do de Baltazar, que escapou livre, foi esse o trabalho do Grêmio: 78 minutos de tensa porém segura contenção. Uma grande partida do time que em 45 jogos do campeonato não cansou de demonstrar que é o mais bem armado. Para o Inter, que conseguiu o seu golzinho nos descontos, fica o consolo de ter jogado sem três titulares importantes, entre eles Falcão. Eu disse consolo? Me enganei. Não há o que console uma torcida que perde o campeonato e, além de tudo, vê seu time disputando o segundo lugar com o São Paulo.” (Divino Fonseca, Revista Placar, Edição n.º 488, 31 de agosto de 1979)

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Fonte: Correio do Povo

GRÊMIO ESTÁ CADA VEZ MAIS PRÓXIMO DO TÍTULO

Com a vitória do último domingo, o Grêmio é o virtual campeão de 1979. Ganhando do Internacional por dois a um, depois de vencer até quase o final por dois a zero, o Grêmio aumentou a distância que o separa do Internacional. Os cinco pontos de vantagem dão ao Grêmio condições de conseguir o título por antecipação duas rodadas antes do dia 20 de setembro, data do próximo Gre-Nal.

Os golos da merecida vitória gremista foram marcados por Jurandir e Baltazar, no primeiro tempo e Chico Espina, anotou para o Internacional.

O árbitro Carlos Martins teve uma excelente atuação no Gre-Nal, bem auxiliado por Justimiano Goularte e Hermínio Goulart. A renda chegou perto dos três milhões de cruzeiros.

No final da partida a torcida do Grêmio comemorou vivamente o resultado, e dirigentes e jogadores foram até a beira do campo para saudar os torcedores. Os jogadores Baltazar e Jurandir foram os mais aplaudidos e o vice-presidente Fernando Zacouteguy, entusiasmado, sugeriu que os torcedores colocassem as faixas.

A VITÓRIA

O entusiasmo de Zacouteguy era perfeitamente compreensível, pois o Grêmio jogou uma grande partida e taticamente surpreendeu ao Internacional. Zé Duarte esperava, um Grêmio retrancado e foi exatamente o contrário, logo nos primeiros minutos de Gre-Nal. O Grêmio tomou a iniciativa e partiu para cima do Internacional tentando fazer o primeiro golo. E não demorou muito para conseguir. Aos sete minutos houve falta em Tarciso e Paulo César e Éder ficaram em posição de cobrar. Éder veio de longe e disparou um chute forte que Benitez não segurou firme. A defesa do Internacional estava desatenta ao rebote mas Jurandir, bem colocado, não perdeu a oportunidade e atirou para marcar.

Um golo tão, cedo só poderia causar um forte impacto psicológico no Inter e, antes mesmo que o time tivesse oportunidade de se recompor em campo, o Grêmio já estava fazendo dois a zero. Larri dominou bola na saída de área e ao tentar dar um passe para Batista entregou para Jurandir que trocou passes com Baltazar. O centroavante escapou, venceu a Larri e Batista, entrou na área e na saída do geleiro Benitez desviou com o pé esquerdo. Daí para diante o Grêmio não chutou mais a golo e o Inter teve domínio territorial. Mas a oportunidade só veio numa falta cobrada por Jair, de longa distância, que Manga, em excelente defesa, atirou para fora.

A CONFIRMAÇÃO

Zé Duarte atendeu o apelo da torcida e colocou Borracha no time. Sacou Mário e adiantou Adilson. Quando parecia eminente o crescimento do time do Internacional com a entrada de Borracha Adilson teve torção de tornozelo, depois de atirar uma bola no poste direito de Manga. A entrada de Washinton, pouco acrescentou ao time e aos poucos o Grêmio foi mandando mais e mais na partida.

Apertando a marcação no meio de campo e utilizando Baltazar para o contra-ataque, o Grêmio foi um time perigoso e bem organizado contra um adversário nervoso, desorganizado e pouco inspirado no ataque. Orlando Fantoni usou apenas uma substituição, retirando Éder e colocando Jésum para reter mais a bola no ataque. Aos 45 minutos Tonho driblou dois jogadores do Grêmio e a bola sobrou para Chico Espina chutar de longe e fazer o golo do Inter. A tentativa de reação veio tarde e o Grêmio ganhou com justiça.” (Correio do Povo, terça-feira, 28 de agosto de 1979)

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FIM DE CAMPEONATO – Lasier Martins

A questão inicial do Terceiro Tempo de ontem foi se o campeonato estaria terminado ou não. E por 9×3 a Equipe da Guaíba respondeu que sim. Belmonte, Samuel, Joabel, Cagliari, Érico, Ibsen, Élio, Edgar e este colunista afirmaram que o Grêmio já é campeão gaúcho de 79. Ranzolin, Lauro e Milton foram os votos dissidentes.

O Grêmio fez por merecer o título, porque se determinou a ganhá-lo com mais acertos que erros. Deflagrou unia mobilização geral desde o início do ano, que contagiou desde o pedreiro do Olímpico Total ao ponta-esquerda do time. Basta ver a prova: os operários da construção civil fizeram apenas meia greve nas obras do Olímpico e o Éder do Gre-Nal foi um operário no time. Em meio a estes extremos trabalharam seriamente dirigentes, torcida e outros. O Departamento Médico foi eficiente nas curas rápidas de seus pacientes, o departamento de futebol exigiu disciplina em campo e o departamento jurídico sempre foi diligente para evitar punições pesadas aos raros infratores. O Grêmio cuidou de tudo e de todos. Por isso e merecidamente, ainda muito cedo ganhou o campeonato regional e tende a distanciar-se ainda mais do segundo colocado.

A própria regularidade dos disputantes do título autoriza a lógica do maior distanciamento. O Inter continua esfacelado como time e o returno terá a fórmula de um torneio: curto e atropelado. Em três semanas estará terminado e nesse tempo não haverá condições para reviravoltas. Acreditar que o Grêmio perca cinco pontos e o Internacional nenhum até o final é acreditar em história da carochinha.

Abstraído o aspecto estatístico do campeonato, ressalta maliciosa prevenção da Federação contra o Internacional. No primeiro turno o clube jogou apenas em um domingo em seu estádio e no returno novamente só terá um jogo naquele dia mais favorável a boa arrecadação. No total do octogonal o Inter terá jogado duas vezes em domingos e o Grêmio cinco. Mais uma derrota do Inter, só que esta no terreno político, onde neste ano perdeu todas para a mater.

O Inter começa a pensar na utilização de mais juvenis no restante do campeonato. Se não incidir nos mesmos excessos da famosa juvenilização da época do sr. Braga Gastal, poderá projetar novos craques. Entretanto, esta política impõe muita habilidade. O Inter é hoje um time derrotado e confiar seu reerguimento a jogadores inexperientes é uma temeridade. Conviria à direção no restante de sua gestão salvar o que ainda puder e evitar mais queimações”. (Lasier Martins – Correio do Povo, terça-feira, 28 de agosto de 1979)

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A GRANDE DIFERENÇA – Antônio Goulart

As atenções agora estão voltadas para a frente e todas as projeções apontam, como não poderia deixar de ser, o Grêmio como virtual campeão gaúcho de 1979. Mas o Gre-Nal não é jogo que se esgota em 24 horas. A ressaca emocional do clássico – como diria Nelson Rodrigues — perdura por mais tempo, dando validade também a considerações sob aspectos técnicos da partida.

Há alguns princípios que são imutáveis no futebol, como o de que a vitória está sempre mais próxima da equipe que se predispõe a atacar mais. E o Grêmio fez isso, pelo menos enquanto esteve interessado em construir um marcador que lhe garantisse o triunfo, o que durou menos de uma dúzia de minutos. Depois, manteve o jogo sob controle e o fez com a mais absoluta tranqüilidade e segurança, considerando o estado de ânimo que o clássico costuma despertar.

Ainda sob o ângulo ofensivo, o simples confronto dos dois setores que atuaram domingo no Beira-Rio já revela a grande diferença. De um lado um trio especialista — Tarciso, Baltazar e Éder — e que vem atuando há bastante tempo. Do outro, três que nunca haviam jogado juntos neste Octogonal – Jair, Mário e Chico Espina. Aqui, apenas dois com características nitidamente ofensivas, mas um deles é reserva. E, no segundo tempo, o centroavante foi substituído por um homem de armação, Washington. E era o Internacional que mais precisava da vitória. Mas não teve ataque para entrar com a bola uma vez sequer na área do Grémio.

Este foi o Gre-Nal de resultado mais lógico e indiscutível dos últimos tempos. Se o Grémio não optasse pela precaução, teria construído urna goleada. O Grêmio fez o jogo da determinação, da organização e do equilíbrio, técnico e emocional (nenhum cartão amarelo contra cinco do adversário, apenas um detalhe). Entrou em campo sabendo o que queria, organizou-se para esse objetivo e tratou de buscá-lo antes que o outro sequer tivesse despertado para a realidade.

O Internacional, é justo que se mencione, pagou tributo a uma situação de emergência: desfalque de três titulares, a perda de outro (Adilson) durante a partida e as condições precárias de Batista. Mas, diante do que vi em campo, não me arriscaria a dizer que o resultado seria muito diferente se a equipe estivesse completa. O time colorado foi tão flagrantemente inferior, que o próprio torcedor aceitou o resultado, conformado e triste, mas sem revolta ou qualquer tipo de contestação. Se reações houve, foi mais devido ás atuações deficientes de alguns jogadores, corno Hermes, Larri, Mário e Washington.

No confronto dos dois treinadores, Zé Duarte perdeu em tudo para Orlando Fantoni, dando a impressão de não haver se preparado convenientemente para um clássico que só conhecia de ouvir falar ou pela televisão. Enquanto o técnico estreante mandava a campo uma equipe sem muita convicção, mais na base do “vamos ver o que é que dá”, o outro se dava ao luxo de mover apenas numa peça, mas no ponto certo, considerando-se o que representava a partida. E com esta alteração (Jurandir), criou um novo repertório de jogadas, que funcionou tanto no sentido da construção, participando dos dois golos, como no sentido da destruição, impedindo que o adversário se armasse por aquele setor.

DOIS TOQUES – Teria sido o próprio transcorrer, do jogo, praticamente decidido logo aos 12 minutos, que determinou a boa atuação de Carlos Martins? Ou foi o árbitro que soube se impor e manter o controle de tudo? Acho que as duas coisas contribuíram. O que também não deixa de ser um elogio. * Conforme previ aqui, aumentaram o preço dos ingressos e sobrou espaço nas arquibancadas, e a renda ficou muito aquém do esperado. Prejuízo para os clubes e para o torcedor”. (Antônio Goulart – Correio do Povo, terça-feira, 28 de agosto de 1979)

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Foto: Correio do Povo

INTER: Benitez; Hermes, Mauro, Larry e Bereta, Batista, Tonho e Adilson, (Washington); Jair, Mário (Borracha) e Chico Espina.
Técnico: Zé Duarte

GRÊMIO: Manga; Vilson, Ancheta, Vantuir, Dirceu; Vitor Hugo, Jurandir e Paulo César Caju; Tarciso, Baltazar e Éder Aleixo (Jesum)
Técnico: Orlando Fantoni

Data: 26 de agosto de 1979, domingo
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 2.491.760,00
Árbitro: Carlos Martins
Assistentes: Herminio Goulart e Justiimiano Goularte
Cartões Amarelos: Larri, Batista, Adilson e Mario

Gauchão 1979 – 1º Turno – Grêmio 0x1 Juventude

March 28, 2019
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Foto: Zero Hora

 

Em maio de 1979, o Grêmio foi derrotado pelo Juventude no Olímpico por 1×0, com um gol de José Luiz Plein, aproveitando uma saída equivocada do goleiro Manga. Foi a única derrota do tricolor na campanha de 52 (CINQUENTA E DOIS!!!) jogos do título (com 42 vitórias e 9 empates)

O detalhe é que André Catimba teve dois pênaltis defendidos pelo goleiro Rafael. No jogo seguinte, contra o Bagé, o Grêmio teve  uma penalidade máxima marcada a seu favor e Paulo César Caju converteu.

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Foto: Zero Hora

 INCRÍVEL! GRÊMIO PERDE DOIS PÊNALTIS E O JOGO!
Rafael defendeu dois pênaltis chutados por André. E Plein marcou, aproveitando erro de Manga

Pouco antes de iniciar a partida, André disse que não acreditava em bruxaria. Aos 31 minutos do primeiro tempo, depois de ter perdido seu segundo pênalti em dois minutos, deve ter começado a acreditar. Azar de André, sorte de Plein que, aos 17 minutos do segundo tempo, marcou o gol que garantiu a vitória do Juventude e ainda o deixou como goleador isolado do campeonato. Agora o Inter também é líder ao lado do Grêmio, por pontos perdidos.

Pênaltis

Fantoni escolheu cuidadosamente os jogadores para formar o time que enfrentaria o Juventude, o adversário mais perigoso antes do Gre-Nal do dia 13 deste mês. Em parte, a equipe correspondeu: tomou a iniciativa na partida e estabeleceu o domínio total em campo, sempre pressionando o Juventude em seu próprio campo. No entanto, havia um obstáculo importante: a marcação do seu meio-campo.

Jorge permaneceu sempre junto a Paulo César, permitindo pouca liberdade ao jogador do Grêmio que não tinha espaço para desenvolver seu futebol. Mesmo assim, diante da má atuação de lúra, ainda era Paulo César o jogador mais Importante e eficiente na armação, conseguindo pelo menos errar pouco.

O Juventude foi poucas vezes à frente e sempre lentamente. Mesmo assim, teve a primeira oportunidade de gol numa jogada que os zagueiros do Grêmio permitiram que Ivanildo dominasse livre na área e chutasse torto, pela linha de fundo. Mas, pela insistência do Grêmio no ataque — ainda errando muito — o Grêmio acabaria ando jogadas perigosas na área do Juventude. Na primeira, aos 25 minutos, Paulo César foi derrubado num pênalti claro que Rui Canedo não marcou. Quatro minutos depois, Edson trancou Tarciso na área e, desta vez, o pênalti estava confirmado: André bateu fraco, no canto direito e Rafael teve tempo para defender — Toninho, no rebote, chutou para escanteio. Na cobrança, Paulo César dominou a bola cabeceada por Vantuir e bateu forte. Rafael estava fora do gol e Toninho defendeu com a mão, num novo pênalti que o juiz — a menos de três metros do lance — marcou com segurança. Mas André novamente bateu fraco, no mesmo canto direito, para nova defesa de Rafael.

Surpresa

Com estas duas defesas, a resistência do Juventude aumentou muito no segundo tempo. Mesmo que o Grêmio tivesse uma modificação importante (Paulo César passou a jogar mais à frente, lura recuou um pouco) e, com isso, se tornasse mais eficiente no ataque, o Juventude ainda mantinha certa tranquilidade para defender-se, recuando até mesmo o goleador Plein.

Pelas condições do jogo, o gol do próprio Plein, aos 17 minutos, surpreendeu até mesmo a equipe do Juventude, que ainda contou com o erro de Manga para obter a vantagem. Precipitado nos passes, o Grêmio ainda assim continuava jogando todo no campo do Juventude e criando oportunidades. Só que faltava a tranqüilidade para concluir corretamente a jogada, como aconteceu com lura aos 18 minutos (pouco antes de ser substituído por Nardela, ele recebeu um excelente passe de André e chutou para fora Guando estava livre na área) e com Paulo César aos 20: Tarciso cruzou e, mesmo livre na área pequena, cabeceou para fora.

Para piorar mais ainda a situação do Grêmio, o Juventude se tornava perigoso no contra-ataque e, aos 38, Vicente salvou quase de dentro do gol uma bola chutada por Plein que encobriu Manga. Depois disto, o logo chegou ao final sem que o Grêmio ameaçasse sequer o empate.

O PLACAR
PLEIN para o Juventude — 1 a 0 aos 17 minutos do segundo tempo — Plein recebeu uma bola alta quase na intermediária do Grêmio. Vítor Hugo estava na jogada mas Manga saiu de sua área e cabeceou fraco, ganhando do centroavante mas chocando-se com o zagueiro e caindo junto. Plein ficou livre com a bola dominada e teve a tranqüilidade necessária para meter o pé esquerdo na bola, que entrou no gol vazio lentamente.” (Zero Hora, sexta-feira, 4 de maio de 1979)

A EXTRAORDINÁRIA VITÓRIA DO JUVENTUDE

Foi uma noite de glórias para o futebol de Caxias do Sul e principalmente para o Juventude na quinta-feira quando derrotou o Grêmio em pleno Estádio Olímpico por 1×0 gol marcado por Plein aos 17 minutos do segundo tempo depois de uma falha de Manga.

A vitória do Juventude foi pintada com lances de heroísmo que dificilmente será esquecido pelo torcedor do Juventude. Rafael defendeu dois pênaltes cobrados por André, o segundo muito mal assinalado por Rui Canedo. Rafael acabou se constituindo na grande personalidade da partida.

Depois de passar muitas dificuldades no primeiro tempo, o Juventude melhorou na etapa complementar com a entrada de Valdo no meio de campo, tendo em vista uma lesão de Casemiro. Marco foi obrigado a colocar Jorge na lateral direita e passar Toninho para a esquerda. O Grêmio ficou um time nervoso e inseguro e o Juventude jogando com bastante habilidade e muito bem posicionado acabou marcando o gol que lhe daria a vitória.

Foi praticamente um lançamento de Rafael que pressentiu o avanço dos zagueiros do Grêmio. Manga tentou tirar de cabeça. Plein inteligentemente apenas tocou de leve para as redes. Aos 37 minutos, num lance empolgante, Vicente tirou na marca, alguns dizem que entrou, depois de uma jogada monumental de Plein que chegou a dar um balãozinho no goleiro Manga. Foi urna vitória extraordinária. A vitória da década.” (Jornal de Caxias, sábado, 5 de maio de 1979)

PLEIN DEDICA VITÓRIA E O GOL A RAFAEL

O torcedor gremista quase nem acreditou. Não bastasse os dois pênaltis perdidos por André no primeiro tempo, Plein aos 17 minutos da segunda etapa acabava de marcar o gol do Juventude que viria a ser o da vitória. Ele aproveitou a falha de Manga que saíra de seu gol e provou mais uma vez porquê é considerado um dos maiores goleadores do futebol gaúcho. E assumiu a liderança dos artilheiros com 14 gois, contra os 13 de André.

— O Juventude mostrou hoje o futebol que ficamos devendo daquela outra apresentação aqui em Porto Alegre — disse ele ao final de jogo. Aquele time que jogou contra o Inter não era o Juventude. Nosso verdadeiro futebol é este que foi mostrado aqui no Olímpico. Conseguimos passar por todas as dificuldades, vencemos, foi-se o último invicto, só posso dizer que realmente estamos todos muito felizes.

O centroavante não aceitava as indicações de melhor jogador em campo. Na sua opinião o melhor jogador havia sido o goleiro Rafael, “pois além de defender os dois pênaltis batidos pelo André que teve muito azar também, foi na verdade o autor intelectual do gol que marquei. Foi ele quem me viu sozinho com o Vítor Hugo e lançou a bola. Aproveitei a indecisão do Manga e do Vantuir e conseguir marcar, “comentou ele” (Zero Hora, sexta-feira, 4 de maio de 1979)

ANDRÉ NÃO DEIXOU PAULO CÉSAR CHUTAR O SEGUNDO
E Fantoni não entende a guerra só contra o Grêmio
Foi grande o choro do Grêmio ao final da partida. Mas a declaração que causou impacto maior foi a de Paulo César. Isto porque, o meia-cancha gremista — é batedor oficiai de pênaltis da equipe — foi impedido por André de cobrar o segundo pênalti, depois que o goleador havia já perdido um: “Eu cheguei pro André e pedi prá bater: ele achou melhor bater novamente.” Paulo César ficou chateado principalmente porque é o jogador que mais treina cobranças depois dos treinos, mas até agora não chutou nenhum no campeonato.
Enquanto isto, o técnico Orlando Fantoni garantia que André havia cobrado pela segunda vez por ordem sua, depois de ouvir os jogadores. Mas a declaração mais importante do treinador gremista foi com relação a diferença de “motivação”, das equipes do interior o enfrentam Grêmio e Inter:
— Admirei a diferença de motivação das duas partidas do Juventude, contra nós e contra o Inter. Parece que a motivação é outra. Mas foi bom, pois o Grémio compreendeu que, se quiser vencer o campeonato, vai ter que fazer o possível e o impossível. Vencer o campeonato é mais difícil para o Grêmio do que para qualquer outra equipe. A guerra aqui parece ser para apenas impedir o Grêmio de ganhar o campeonato. Vamos ter que lutar até morrer para ganhar. Mas, quem sabe esta derrota não tenha sido para nossa felicidade. Agora repito: não tem nem comparação, qualquer um que assistiu os dois Jogos do Juventude em Porto Alegre viu a diferença.” (Zero Hora, sexta-feira, 4 de maio de 1979)

INTERNACIONAL ofereceu prêmio-extra para os jogadores do Juventude. Só que os dirigentes foram avisados e não permitiram o “expediente”: — Nós não fomos procurados pelo Grêmio quando do jogo com o Inter e estamos com o Fernando Zacouteguy: nada de bicho-extra. O Juventude é um clube médio, mas nós mesmos nos encarregamos de premiar nossos jogadores. Foram as declarações do vice-presidente Gastão Brito, confirmando a oferta oficial feita pelo Inter. E nem foi preciso, como ficou comprovado durante a partida.” (Zero Hora, sexta-feira, 4 de maio de 1979)

juventude pioneiro tabe

Fonte: Pioneiro

 

Grêmio 0x1 Juventude

GRÊMIO: Manga: Enrico, Vicente, Vantuir e Dirceu; Vitor Hugo, Iura (Nardela) e Paulo César Caju; Tarciso, André Catimba e Éder Aleixo
Técnico: Orlando Fantoni

JUVENTUDE: Rafael; Toninho, Gonçalves, Edson, Casemiro (Jorge); Assis, Jorge (Valdo) e Cacau; Kásper, Plein e Ivanildo.
Técnico: Marco Eugênio

Gauchão 1979 – 1º Turno – 17ª Rodada
Data: 03 de maio de 1979, quinta-feira
Público: 25.978 pagantes
Renda: Cr$ 1.028.215,00
Árbitro: Rui Canedo
Auxiliares: Adão Alípio Soares e Estemir Vilhena da Silva
Gol: Plein, aos 17 minutos do segundo tempo

Gauchão 1979 – Octogonal Final – Grêmio 0x0 Juventude

March 27, 2019
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Foto: Correio do Povo

Na quarta rodada do octagonal final do Gauchão de 1979 o Grêmio não saiu do 0x0 com o Juventude no Olímpico. Foi o primeiro empate do tricolor na fase final da competição (na qual entrara com dois pontos extras).

É interessante notar que no segundo tempo o técnico Orlando Fantoni optou por usar André Catimba e Baltazar ao mesmo tempo, uma estratégia que ele usou por algumas vezes naquela temporada.

1979 radio guaiba

JUVENTUDE NÃO DEIXOU O GRÊMIO AUMENTAR DIFERENÇA PARA 4 PONTOS

O Grêmio não jogou bem no último domingo mas outra vez foi favorecido no campeonato por um tropeço do Internacional diante do São Paulo. Empatando em zero a zero com o Juventude e aproveitando a derrota do Internacional, o Grêmio aumentou a diferença para três pontos na liderança rolada do campeonato gaúcho.

Favorito para ganhar o jogo, o Grêmio teve pela frente um adversário retrancado e disposto exclusivamente a não perder. Assim mesmo o Juventude poderia ter feito um golo no primeiro tempo, quando houve um contra-ataque organizado por Plein.

O Grêmio errou exatamente no setor que vem sendo um dos melhores do time: o meio-de-campo. Ali o Grêmio foi apático, sem organização, sem criatividade e por isso facilitou o trabalho do adversário.

O Grêmio, além do mais, jogou com lentidão e a bola demorava muito a sair da meia-cancha para as duas pontas. Nas poucas vezes que foi para a direita o time ainda teve o azar de ter Tarciso muito bem marcado e jogando mal.

SEGUNDO TEMPO

Orlando Fantoni começou o segundo tempo já com lúra no lugar de Nardela e depois retirou Tarciso para juntar André ao lado de Baltazar no comando do ataque.

O Juventude não mudou sua maneira de jogar e continuou a marcação forte no meio-de-campo, nas laterais e dentro da área. O domínio territorial foi todo do Grêmio mas faltou criatividade para o ataque.

As melhores oportunidades do segundo tempo o Grêmio as teve com cabeçadas de Baltazar. Aos 7 minutos uma falta cobrada por Éder não foi defendida por Rafael e Baltazar cabeceou no travessão. Aos 9 minutos, em jogada de £der, Baltazar novamente quase marcou. Apoiado pela torcida o time, na base do entusiasmo, tentou fazer o golo. E foi assim até o final da partida sem ser incomodado pelo Juventude, excessão do lance aos 40 minutos, quando Plein escapou e poderia ter marcado não fosse a pronta intervenção de Ancheta.” (Correio do Povo, terça-feira, 21 de agosto de 1979)

1979 tv guaibaGrêmio 0x0 Juventude

GRÊMIO: Manga; Vilson, Ancheta, Vantuir e Dirceu; Vitor Hugo, Nardela (Iura, intervalo) e Paulo César Caju; Tarciso (André Catimba), Baltazar e Éder Aleixo
Técnico: Orlando Fantoni

JUVENTUDE: Rafael; Vinhas, Tadeu Vieira, Ademir e Toninho; Jorge, Cacau e Valdo; Casper, Plein e Ivanildo
Técnico: Carlos Gainete

Data: 19 de agosto de 1979, domingo
Local: Estádio Olímpico, Porto Alegre.
Renda: Cr$ 928.360,00
Árbitro: Luis Guaranha
Auxiliares: Adão Alípio Soares e Paulo Salazar

Gauchão 1979 – Octogonal Final – Juventude 0x1 Grêmio

March 24, 2019
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Foto: Jornal de Caxias

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Foto: Jornal de Caxias

Em setembro de 1979, Juventude e Grêmio se enfrentavam pela quarta e última vez naquela temporada. O tricolor foi ao Alfredo Jaconi com time misto, uma vez que já havia assegurado o título do Gauchão na rodada anterior, na vitória de 3×0 sobre o Brasil de Pelotas.

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Foto: Pioneiro

GRÊMIO GANHOU COM O MISTO

Com golo de Nardela a um minuto do segundo tempo, e com a penalidade máxima desperdiçada por Plein, o misto do Grêmio venceu o Juventude, ontem à noite, no Alfredo Jaconi. 

PRIMEIRO TEMPO — O Grémio esteve diferente no período de abertura, ontem, no AIfredo Jaconi, contra o Juventude. Ao invés do time competitivo de todo o campeonato, preferiu promover uma apresentação alegre, com congestionamento na meia-cancha e lentidão nos lances ofensivo.

 Assim, mesmo dominando a partida, o Grêmio não conseguiu abrir o escore nos primeiros 45 minutos. Havia o maior volume, com Cardaccio estreando com segurança, mas a finalização custou a acontecer. Em decorrência, o Juventude tinha condições para se recuperar.

O futebol alegre do Grêmio teve muita troca de passes e jogadas vibrantes de Jesum pela esquerda. Porém, em nenhuma houve a ameaça mais séria à defesa caxiense. Pelo contrário, foi o Juventude que, numa arrancada rápida de contra-ataque, teve uma oportunidade desperdiçada por Cacau.

Assim, mesmo mandando no jogo, o Grêmio não conseguiu abrir o escore. O Juventude, Porém, mostrou muitas falhas na linha de zagueiros. Manteve o escore sem abertura, mas o Grêmio estava muito alegre para explorar estas falhas.

SEGUNDO TEMPO — O futebol alegre do primeiro tempo, num lance rápido a um minuto desta fase final, foi premiado: Ladinho cobrou falta Nardela se antecipou aos zagueiros caxienses e marcou de cabeça. O Grêmio estava com 1 x 0 e a partida ainda nem havia esquentado, no tempo derradeiro.

Depois do golo, como é natural, o Grêmio passou a jogar  com mais cautela. Cardaccio e Nardela ficaram mais atrás, enquanto Iúra podia ir à frente, acompanhando os deslocamentos de Jurandir, André e Jesum – mais tarde Leandro. O Juventude não t nha condições de reagir, pois o adversário fechava bem os espaços.

Aos 32 minutos, a melhor oportunidade do empate foi desperdiçada pelo Juventude. Plein recolheu na entrada da área, avançou e foi derrubado por Valderez. O lance foi duvidoso, mas o árbitro Nazarino Pinzon assinalou a penalidade máxima. Plein bateu mal, muito mal para fora.

Com 1 x o, o Grêmio venceu a partida. Mereceu, apesar do futebol bem mais inferior ao do time titular ao longo do campeonato. O futebol alegre deu só para o gasto. (Correio do Povo, quinta-feira, 13 de setembro de 1972)

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O QUE É ISSO?
“Eu mandei avisar o Jesum, que se ele continuasse atentar fazer pouco dos jogadores do Juventude era para eles baixarem o pau”. Afirmação de Carlos Gainete, completamente perturbado no túnel durante o jogo de quarta-feira contra o Grêmio. Jesum fez “gato e sapato” para cima de Vinhas. Em tempo: Ivanildo “desmoralizou” o lateral Edegar do Esportivo, em Bento, num jogo em que os dois times empataram em um gol e o Espinosa não mandou nenhum recado.” (Jornal de Caxias, 15 de Setembro de 1979) 

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Foto: Pioneiro

GRÊMIO: Remi; Eurico, Valderez, Vicente e Ladinho, Cardarccio, Nardela e Iúra: Jurandir, André e Jesum (Leandro)
Técnico: Orlando Fantoni

JUVENTUDE: Luís Carlos; Toninho, Moacir, Vinhas e Ademir; Cacau, Plein e Valdo (Lacir); Maurinho, Rinaldo (Marquinho) e Ivanildo
Técnico: Carlos Gainete

Gauchão 1979 – Octagonal final – 12ª Rodada
Data: 12 de setembro de 1979, quarta-feira
Renda: Cr$ 221.920,00
Arbitragem: Nazarino Pinzon
Auxiliares: Euclides Angeli e Darli Etges
Gol: Nardela, aos 2 minutos do segundo tempo

Gauchão 1979 – Segundo Turno – Juventude 0x1 Grêmio

March 23, 2019
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Foto: Correio do Povo

No segundo turno do Gauchão de 1979, o Grêmio conseguiu uma magra vitória sobre o Juventude no Alfredo Jaconi.

O personagem do jogo foi o juiz José Luis Barreto, que deixou de dar um pênalti para o tricolor no primeiro tempo, quando o lateral Alcione usou a mão para evitar um gol olímpico de Éder Aleixo (o que teria sido o seu terceiro gol olímpico com a camisa tricolor) e marcou uma penalidade bastante duvidosa em Paulo César Caju no final da partida.

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Foto: Pioneiro

1979 pioneiro junho foto - gol

Foto: Pioneiro

FOI DIFÍCIL MAS GRÊMIO BATEU JUVENTUDE

Com um golo de Paulo César Lima cobrando pênalti que ele mesmo sofreu, no final do jogo, o Grêmio ganhou do Juventude, domingo último, no estádio Alfredo Jaconi. Foi uma vitória muito difícil e ao mesmo tempo importantíssima para um time que já conseguiu o primeiro ponto extra no atual campeonato. O Grêmio apenas jogou bem no segundo tempo, pois no primeiro o técnico Orlando Fantoni resolveu dar liberdade ao Juventude e esperar o adversário no próprio campo, o que abou criando problemas para o seu time. O plano era puxar o Juventude durante os primeiros 15 minutos e depois, gradativamente, ir subindo para o ataque. Mas isso não deu resultado e o time de Marco Eugênio foi superior na primeira etapa.

O mau estado do gramado dificultou os dois times, que erraram muitos passes. O Juventude teve o domínio territorial do jogo, mas a rigor chutou apenas de fora da área. A melhor chance foi numa cobrança, de falta com barreira, através de Kasper. O ponteiro cobrou com precisão e Manga fez extraordinária defesa.

SEGUNDO TEMPO

A etapa complementar mostrou um Grêmio bem mais motivado e organizado. O Juventude sentiu o impacto de um adversário que mudara completamente sua forma de jogar e cedeu terreno.

A pequena desvantagem que havia no meio-de-campo foi corrigida, quando entrou Jurandir na ponta esquerda em lugar de Éder. Antes de ser substituído, já com Jurandir pulando na pista, Éder cobrou quatro escanteios em seqüência e no último Alcione usou a mão para defender, quando a bola ia para as redes. O árbitro, mal colocado, nada marcou. Minutos depois Orlando Fantoni deu mais força ao ataque, colocando Baltazar no lugar de Nardela. Baltazar acabou perdendo, numa jogada de Vilson, um golo certo, quando apanhou o cruzamento e atirou por cima. O Juventude, no segundo tempo, teve a melhor oportunidade numa falta novamente cobrada por Kasper que Manga defendeu.

Quando o empate parecia certo Paulo Cesar fez uma jogada individual e entrou pela esquerda. Na hora do chute foi derrubado por Assis e Barreto marcou o pênalti que Paulo César cobrou com perfeição.” (Correio do Povo, terça-feira, 12 de junho de 1979)

ANTÔNIO GOULART: “Quando digo que o, Grêmio está se habituando perigosamente a enfrentar dificuldades e depois ganhar as partidas, é que isso pode conduzir a equipe a uma aceitação da realidade, sem se preocupar com o esforço de corrigir os defeitos ou encontrar outras soluções, já que o resultado final, do ponto de vista numérico, acaba satisfazendo. Nos sete jogos que disputou neste turno, o Grêmio, a rigor, só conseguiu impor o seu ritmo e ganhar com tranquilidade no primeiro: nos 3 a 0 sobre o Riograndense, em Santa Maria.

Mais dia menos dia, pôde ocorrer o inesperado. Já contra o Juventude, domingo, não fosse o pênalte, que para mim não existiu, nos minutos finais, o Grêmio teria deixado, um ponto no Alfredo Jaconi. Não nego que a vitória acabou _senda justa, porque se houve um time que mereceu fazer um golo foi o do Grêmio, apesar d6 primeiro tempo desorganizado. O Juventude  mostrou organização mas não teve finalização, a não ser nas três cobranças de falta de Kasper e num chute de Cacau. O Grêmio não teve harmonia mas buscou mais a vitória e criou, além do golo de Paulo César, mais duas situações: aquela em que o zagueiro Alcione tirou a bola com o braço e o juiz não viu e o chute desperdiçado por Baltazar quase do risco da pequena área. O que também não deixa de ser pouco para 90 minutos de jogo.” (Correio do Povo, terça-feira, 12 de junho de 1979)

INTERVALO  DA RODADA  – Lasier Martins

José Luiz Barreto, outrora ótimo árbitro, parece que não atravessa bom momento. Ainda há poucos dias, apitando no jogo do Inter contra o Pelotas, no Beira-Rio, invalidou golo de Adilson, julgado legítimo pela quase totalidade das pessoas respeitáveis que opinaram. Anteontem, em Grêmio e Juventude, não viu o pênalte de Alcione tirando a bola com a mão no golo olímpico que Éder fazia.

Teve sorte o Grêmio, porque, por coincidência, reclamando com maior veemência, parece ter condicionado a arbitragem para o lance final, onde, na dúvida, Barreto deu pênalte de Assis sobre Paulo César. Vantagem gremista, que não perdeu o ponto num jogo onde merecia o castigo pela má partida.

Aliás, como alguém já definiu, a campanha gremista vem sendo um treinamento para cardíacos. Basta ver o retrospecto: Estrela, São Paulo, Esportivo, Gaúcho e Juventude. Em qualquer desses últimos jogos, apesar de sua hierarquia, não fez sequer uma exibição convincente. Em todos eles, à exceção do empate em Bento, ganhou penando.” (Correio do Povo, terça-feira, 12 de junho de 1979)

CLASSIFICAÇÃO

Vencendo ao Juventude e igualando o número de jogos, o Grêmio chegou junto ao Internacional na contagem de pontos do segundo turno, mantendo a vantagem, de um ponto, que foi a diferença do primeiro turno. O Caxias que não perde há dez rodadas, e de 22 pontos disputados conquistou 20, conservou a liderança com os clubes do interior na disputa do ponto extra, O Esportivo, em quarto, continua com excelente regularidade. As derrotas do São Paulo, 14 de Julho e Brasil, praticamente não alteraram as posições do bloco intermediário, onde o Novo Hamburgo é o destaque.

Após a oitava rodada a classificação do segundo turno é a seguinte:

PG J V E D GF GC S PG
1 – Inter 13 7 6 1 0 16 0 16 13
2 – Grêmio 13 7 6 1 0 13 3 10 13
3 – Caxias 12 7 5 2 0 12 4 8 12
4 – Esportivo 11 8 4 3 1 7 3 4 11
5 – São Paulo 8 7 3 2 2 6 6 0 8
6 – N. Hamburgo 8 7 3 2 2 11 7 4 8
7 – Inter-SM 8 7 2 4 1 2 1 1 8
8 – Brasil 8 8 3 2 3 7 6 1 8
9 – Pelotas 8 7 2 4 1 4 3 1 8
10 – Gaúcho 7 7 2 3 2 7 6 1 7
11 – 14 de Julho 7 8 3 1 4 8 8 -1 7
12 – Estrela 7 7 2 3 2 6 3 3 7
13 – São Borja 7 7 3 1 3 9 12 -4 7
14 – Farroupilha 6 8 1 4 3 4 7 -3 6
15 – Juventude 5 7 2 1 4 2 6 -2 5
16–Riograndense 5 7 2 1 4 5 13 -8 5

.” (Correio do Povo, terça-feira, 12 de junho de 1979)

A arbitragem do jogo Juventude e Grêmio mereceu as mais duras críticas por parte de vários setores especializados da crônica esportiva. O importante é que em cada jogo, é uma atuação. Assim como os jogadores tem boa atuação em uma partida, e na, seguinte podem jogar mal, o mesmo acontece com os árbitros. Apitam bem num jogo, apitam mal em outro. Mas definir um árbitro como sempre mau apenas por uma partida, não é tanto justo assim. Afinal, se formos levar em conta as críticas feitas tis arbitragens, veremos que apenas dois ou três árbitros do Estado seriam aceitos pelos dirigentes e cronistas. Ora, se isto fosse posto em prática, chegaríamos à conclusão de que o certame não teria continuidade, por falta de árbitros. Mas o certame continua. E é de se prever, quando um árbitro tem má atuação, que ele tanto pode deixar de dar uma penalidade máxima existente, como poderá dar uma penalidade máxima não existente. Faz parte de sua má atuação naquele jogo. Foi o que aconteceu com José Luiz Barreto no jogo Juventude e Grémio. Ele merece ser criticado tão duramente, tanto na penalidade não marcada (Alcione) como na marcação da penalidade duvidosa (Assis) no final do jogo. Porém, criticá-lo ao extremo pela penalidade última, e não criticá-lo com a mesma veemência pela penalidade primeira não marcada, já é discriminar a atuação. Na verdade, José Luiz Barreto deve ser criticado na mesma intensidade pelas duas falhas. Porque ambas são falhas de idêntica gravidade. Por seu turno, o departamento de árbitros, se estiver atento, deverá chamar atenção do Barreto pelo que fez aqui. Um árbitro não pode ser considerado apto quando Pratica tantos erros. ” (Editoria de Esportes, Pioneiro, quarta-feira, 13 de junho de 1979)

MARCO EUGÊNIO: AGORA COMEÇOU O CAMPEONATO PARA NÓS

O resultado diante do Grêmio não parece ter esmorecido a disposição do Juventude. Ontem pela manhã os jogadores estiveram reunidos com o técnico, quando foram abordados vários aspectos. E Marco Eugênio diz que “o campeonato para nós começou agora”. E lembra um detalhe muito importante: “Vamos disputar até mesmo o título do interior. Ocorre que o clube mais distante de nós é o Caxias, com cinco pontos de vantagem, mas que ainda não enfrentou a dupla Gre-Nal. E os dois jogos serão em Porto Alegre”. Depois Marco Eugênio volta a analisar a equipe diante do que apresentou diante do Grêmio. — “Se nós continuarmos apresentando o futebol que jogamos contra o Grêmio e contra o Brasil, vamos somar muitos pontos, ainda”.

DEFECÇÕES

Diante do Grêmio, além de ter perdido a partida em circunstância discutível, o Juventude ainda teve dois jogadores eliminados do jogo de hoje, em Passo Fundo: Casemiro com três cartões amarelos e Alcione expulso. O técnico, porém, contará com o retorno do Edson, devendo jogar na lateral direita, ou qualquer outra mudança que possa ser mais útil no momento. A partida diante do Grêmio foi muito vibrante, muito disputada. Alguns alegam que o Juventude teve pouca coragem. Pode ser que isto seja verdadeiro, porém no ataque o Juventude teve poucas opções quando se tratava de jogadas concatenadas. Foi o seu erro maior. Porque com elas, poderia até ter vencido o jogo.” (Pioneiro, quarta-feira, 13 de junho de 1979)

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Fonte: Pioneiro

Juventude 0 x 1 Grêmio

GRÊMIO: Manga; Vilson, Ancheta, Vantuir e Dirceu: Valderez, Nardela (Baltazar) ePaulo Cesar Caju;  Tarciso, André Catimba e Éder Aleixo(Jurandir)
Técnico: Orlando Fantoni

JUVENTUDE: Rafael: Alcione, Gonçalves, Ademir e Casemiro: Assis, Cacau e Jorge; Kasper, Plein e Maurinho (Ivanildo)
Técnico:  Marco Eugênio

Gauchão 1979 – Segundo Turno – 7ª Rodada
Data: 10 de junho de 1979, domingo
Local: Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul-RS
Público: 16.260 pagantes
Renda: Cr$ 671.520,00
Arbitro: José Luis Barreto
Auxiliares: por Erick Fucks e Ricardo Piva
Gol: Paulo César Caju (de pênalti)

1979 – Rosario Central 1×2 Grêmio

March 5, 2019
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Foto: Mauro Matos (Correio do Povo)

 

Grêmio e Rosario Central se enfrentaram pela primeira vez em fevereiro de 1979, na semana anterior ao carnaval. Era o sexto jogo do tricolor na temporada e o segundo de uma excursão à Argentina agenciada pelo empresário Juan Figer.

O Grêmio, que começava a ajustar suas novas contratações na equipe comandada por Orlando Fantoni, venceu por 2×1 com gols de Éder e Jurandir.

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Foto: Zero Hora – Fonte: GrêmioPédia

GRÊMIO CAMPEÃO NA ARGENTINA, NA FORÇA E NA REAÇÃO

O Grêmio, depois de uma virada marcante no segundo tempo, ontem à noite, venceu o Rosário Central e conquistou o título – o primeiro da temporada — de campeão do Torneio Internacional Cidade de Rosário, Argentina, No período inicial, prejudicado por uma penalidade máxima inexistente (nos 45 finais repetiu o mesmo erro) assinalada pelo árbitro, o Grêmio perdeu e foi uma equipe nervosa. Depois, com Éder empatando na cobrança de uma falta, e Jurandir concluindo jogada de Dirceu pela esquerda, o representante gaúcho estabeleceu a vantagem, Mais tarde, numa visível intenção de evitar a vitória do Grêmio, o juiz marcou outra penalidade máxima que só ele viu. Desta vez, porem, o excepcional Manga voou e caiu quieto com a bola, que Heredia bateu buscando o canto esquerdo. E, a partir daí, Grémio assegurou os 2 a 1.

PRIMEIRO TEMPO

Antes de iniciar o jogo, numa confissão apressada de boca de túnel, Orlando Fantoni deixou evidenciada uma preocupação: a ausência de lura, que poderia ter reflexos na movimentação do time. E, para azar do Grêmio, Renato Sá não teve condições de manter a rotação do meio-campo, deixando o ataque distanciado. E. assim, além de retardar a arrancada ofensiva, ainda deixava a velocidade de Tarciso se, dispersar.

No detalhe, a dificuldade tricolor. Mais ainda: uma penalidade máxima inexistente — obstrução de Éder e, não, falta em Orte — deixou o time nervoso. Com isso, de certa forma, entrando na catimba dos argentinos, especialistas em manhas, o Grêmio começou a se perturbar.

Apesar destes detalhes, se não fosse o lance isolado de Éder em Orte, uma penalidade máxima assinalada aos 11 minutos, numa interpretação errónea do árbitro, o Grêmio poderia ser sustentado o placar em branco nos primeiros 45 minutos. Prova disso, o Rosário Central teve apenas uma grande oportunidade para marcar: 42 min., pararam Vicente, Ladinho e Ancheta, deixando Orte entrar sozinho e chutar para fora. Além disso, nada mais, exceto ataques esporádicos.

O Grêmio sempre tomou as iniciativas na partida. Mesmo com a meia-cancha desarrumada, o time gaúcho forçou até mesmo com insistência. Aos cinco minutos, por exemplo, André perdeu um golo certo, quando Éder chutou forte e o goleiro Ferrero soltou.

Éder, devido a falta de solidariedade do meio-campo, passou todo o primeiro tempo se movimentando praticamente por todo o campo. E, sem dúvida, foi por intermédio do ponteiro que surgiram os melhores momentos para o empate.

No todo, um primeiro tempo para empate com muita justiça e não houvesse uma injusta penalidade máxima.

SEGUNDO TEMPO

De imediato, a constatação: Fantoni, neste período, tentou transformar todo o time do Grêmio. E as alterações foram profundas: a retirada preventiva de André — que estava ameaçado de expulsão — a entrada de Jurandir que foi para a ponta, enquanto Tarciso para o comando do ataque — Dirceu na lateral esquerda e, como medida tática, o deslocamento de Renato Sá para o lado esquerdo, passando Paulo César a jogar onde realmente sabe, pela meia-direita.

O Grêmio cresceu, cresceu muito em movimentação. E, aos 16 minutos, Éder fazia 1 x 1, cobrando uma falta com violência, venceu o goleiro Ferrero, com a bola entrando no ângulo esquerdo do Rosário Central. Um minuto após, sempre respondendo com rapidez as investidas dos argentinos, o Grêmio estabelecia a vantagem: Dirceu apoiou e fez o cruzamento, Tarciso na área deu um toque para Jurandir, que chutou para as redes. O tricolor virava o escore.

Na saída do segundo golo do Grêmio, o Rosário Central desceu perigosamente com Trama, que deu um toque com mão na bola e passou por Ancheta na área gremista. O juiz, de novo, inverteu o lance, assinalando nova penalidade máxima inexistente contra o Grêmio. Eram 19 minutos e Heredia batia forte no canto esquerdo para Manga fazer uma defesa sensacional e manter o escore de 2 x 1.

 A partir do segundo pênalti e com a vantagem no marcador, o Grêmio fez o que realmente era necessário: tratou de fechar o meio-campo, colocando Valderez ao lado de Vitor Hugo, saindo Éder. Com isso, ficaram poucos espaços para o Rosário Central tentar a ofensiva. E, assim, o time tricolor ainda teve condições de ameaçar a defesa argentina. O Grêmio teve muita garra até o final, com torcida e árbitro jogando ao lado do Rosário Central. Uma vitória para recuperar o prestigio do futebol gaúcho na Argentina.

DETALHES TÉCNICOS

Primeiro tempo — 1×0 para o Rosário, através de uma penalidade máxima duvidosa, que Garcia, aos 11 minutos, cobrou com precisão. JUIZ — Alberto Lucatelli, atuação comprometida pela sinalização de duas penalidades inexistentes contra o Grémio. Na preliminar, Independiente 2, Quilmes 0. “ (Plinio Nunes, Correio do Povo, 23 de fevereiro de 1979)

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O Grêmio, ao vencer ontem o torneio da cidade de Rosário, confirmou que está mesmo com uma equipe preparada para grandes conquistas em 79. Ao contrário do jogo de estréia, quando goleou o Independiente e mostrou excelentes qualidades técnicas, ontem, ao derrotar o Rosário Central, virando um marcador negativo de 0 a 1 para 2 a 1, mostrou também força e valentia. Deixou-se envolver pelo nervosismo e violência da partida no primeiro tempo, sofrendo ainda as conseqüências do mau posicionamento de Renato Sá, mas, no segundo período, sem a perturbação de André e com a presença do novo lateral Dirceu, o Grêmio chegou à vitória com categoria, através de dois golos (Éder e Jurandir) em dois minutos, tendo ainda Manga, em seguida, defendido um pênalte. “(Antônio Goulart, Correio do Povo, 23 de fevereiro de 1979)

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Foto: José Doval (Correio do Povo)

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Rosario Central 1×2 Grêmio

ROSARIO CENTRAL: Ricardo Ferrero; Magistral, Crayacich, Van Tuyne (Heredia) e Jorge Alberto Garcia; Gaitan, Eduardo Giuliano e Eduardo Bacas; Orte, Trama e Rubén Diaz.
Técnico: Ángel Zof

GRÊMIO: Manga; Eurico, Ancheta, Vicente e Ladinho (Dirceu); Vitor Hugo, Renato Sá e Paulo César Caju; Tarciso, André Catimba (Jurandir) e Éder (Valderez).
Técnico: Orlando Fantoni

Torneio Ciudad de Rosario – Final
Data: 22 de fevereiro de 1979, quinta-feira, 22h00min
Local: Estádio Gigante de Arroyito, em Rosario – ARG
Árbitro: Alberto Ducatelli
Auxiliares: Norberto Rodrigues e Juan Carlos Mansur
Gols: Garcia (de pênalti) aos 11 minutos do primeiro tempo. Éder aos 16 minutos e Jurandir aos 17 minutos do segundo tempo

Gauchão 1979 – Brasil de Pelotas 0x0 Grêmio

February 17, 2019
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Foto: Zero Hora

Em 1979, Brasil de Pelotas e Grêmio empataram em 0x0 pela Primeira Fase do Gauchão daquela temporada. Sem André Catimba, o técnico Orlando Fantoni escalou Tarciso como centroavante, o que acabou sendo insuficiente para furar a retranca dos donos da casa.

Mas o jogo entrou para história pela suposta superlotação do Bento Freitas, que teria causado a queda do alambrado. No meio da confusão, uma cena insólita: Um torcedor deixava o campo carregando sua própria perna mecânica (imagem que vi pela primeira vez no antigo Impedimento, graças ao envio do Colecionador Xavante)

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Foto: Zero Hora

OUTRA MÁ PARTIDA DO GRÊMIO E O EMPATE COM O BRASIL
Tumultos nas arquibancadas diminuíram bastante o entusiasmo das duas torcidas ontem em Pelotas

O Grêmio deixou o Juventude líder do campeonato gaúcho ao empatar, ontem, tarde, em zero com o Brasil de Pelotas. E a torcida do Brasil foi mais uma vez a dona do espetáculo no estádio superlotado do Bento Freitas. Os próprios jogadores do Brasil dizem que sua torcida é responsável por pelo menos 50 por cento das vitórias. Ontem à tarde ela provou mais urna vez que pode acabar influenciando decisivamente as partidas de sua equipe.

O jogo em si foi monótono, truncado sem chances de gol — exceto aos minutos finais quando o Grêmio ensaiou uma pressão mais forte, sem grandes resultados no entanto. Fatos mais importantes sem dúvida foram aqueles proporcionados pelos torcedores que destruíram os alambrados das arquibancadas — primeiro no intervalo, depois a quatro minutos do segundo tempo — quase provocando uma tragédia de maiores proporções.

E retardando o início de jogo com prejuízo em seu andamento. Enquanto houve tranqüilidade suficiente para se jogar futebol, a equipe de Orlando Fantoni mostrou mais uma vez erros na construção das jogadas e uma visível incapacidade coletiva para escapar da retranca bem armada pelo técnico Laone Luz, do Brasil, colocando Odir grudado em Paulo César e Doraci sempre acompanhando a Nardela, o técnico pelotense isolava Tarciso entre seus dois zagueiros — Renato e Renato Cogo impedindo que o Grêmio se utilizasse da sua principal arma no ataque: a velocidade de Tarciso, já que

Eder e Jurandir eram bem marcados pelos dois laterais.
Com estas determinações o Brasil garantia-se atrás. Na frente, sua força ofensiva limitava-se a lançamentos de Djair, o jogador mais lúcido do time do Pelotas, responsável pelas melhores jogadas de ataque, numa destas, aos 24 minutos o Brasil teve a grande chance de abrir o marcador quando Tadeu Silva depois de receber um passe de Djair, driblou a Eurico e Vantuir com uma jogada de corpo e chutou no canto para uma boa defesa de Manga.

O Grêmio só foi levar perigo ao gol de Jocelí aos 28 minutos através de uma jogada individual de Paulo César, que dentro da área dominou no peito e chutou por cima na frente do gol, aliás, jogadas como esta, devido a técnica individual de seus jogadores foram a tônica nas melhores oportunidades de gol desfrutadas pelo time de Orlando Fantoni, André fez muita falta a sua equipe em Pelotas.

BOLAS PARADAS

Mesmo no segundo tempo com a equipe mais disposta e um pouco mais organizada coletivamente, o Grêmio só obteve boas chances na cobrança de faltas ou nos escanteios cobrados por Eder, aos 10 minutos Tarciso sofreu uma falta na entrada da área e Dirceu pediu para cobrar, chutou forte, colocada, mas Joceli conseguiu espalmar para escanteio. Na cobrança através de Eder, a bola bateu no poste depois do tapinha do goleiro do Brasil. Na cobrança seguinte, Vantuir subiu bem, mas outra vez Joceli defendeu, desta vez firme.

Era o melhor momento do Grêmio na partida, comprovado aos 14 minutos quando Tarciso perdeu o gol chutado para fora quando só tinha Joceli na sua frente, depois de receber um lançamento de Eder. Mas aos poucos o Brasil foi novamente equilibrando o jogo, mesmo que violentamente. Nardela foi um dos que mais sofreu com a dura marcação do adversário. A salda de Fantoni foi colocar Jesum — fazendo sua estréia — na ponta direita, passando Jurandir para o meio, e retirando Nardela. Minutos depois, sentindo que o meio-campo do Brasil estava livre para avançar, colocou Valderez no lugar de Jurandir.

As modificações não trouxeram bons resultados. O Grêmio continuou errando muito nos passes e nas tentativas de chegar a área com a bola dominada. Com o tempo passando, também a intranqüilidade começou a prejudicar. Ao Brasil, sem o centro-avante Otávio que lesionado foi substituído por Paulo Garça (meia cancha), restava segurar o empate. Na pista a presença de brigadianos ao redor de todo o gramado lembrava os acontecimentos lamentáveis. A torcida do Grêmio cantava “Parabéns a Você” para o rival e festejava a derrota do Inter em Porto Alegre, responsável pelas raras ocasiões de vibração da torcida do Grêmio. O resultado ao final fez justiça pelo que as duas equipes fizeram.” (Geanoni Peixoto, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 1979)

“OS MELHORES

VITOR HUGO
O Grêmio não teve um grande destaque. No total foi uma apresentação regular. Mas o trabalho de Vitor Hugo à frente da área, na cobertura aos zagueiros ou no primeiro combate aos atacantes do Brasil, foi importante dentro do contexto da partida. Praticamente ele não perdeu nenhuma dividida e sempre que algum dos zagueiros subia, ele guarnecia com segurança o setor. Além do mais o centromédio do Grêmio vem mostrando uma melhora no terreno disciplinar. Depois de dois cartões amarelos nas duas primeiras partidas, ele mudou seu comportamento e agora não reclama mais da arbitragem ou mesmo do adversário. Nota 7

JOCELI
Mesmo não tendo muito trabalho com o ataque do Grêmio, o goleiro do Brasil fez quatro defesas importantíssimas dentro da partida e provou que tem muitas qualidades decisivas para um arqueiro: boa colocação e principalmente tranqüilidade. Quando o Grêmio teve seu melhor momento no Jogo, logo após a momentânea paralisação da segunda etapa, ele defendeu em lances seguidos uma falta cobrada por Dirceu, o escanteio de Éder e uma cabeçada de Vantuir, todos com endereço certo. Minutos depois conseguiu fechar o gol ao sair em Tarciso, quando este entrava livre pela área. Nota —7.

ATUAÇÃO DO JUIZ
O principal mérito de Luiz Louruz, ontem à tarde, foi saber conduzir o ânimo de Jogadores e dirigentes das duas equipes depois de todos os acontecimentos com a torcida do Brasil. Depois com a alambrado escorado por madeiras e soldados espalhados por toda a pista ele sempre procurou dar tranqüiliade a todos, evitando maiores problemas. Soube evitar também que a violência dos zagueiros do Brasil acabasse provocando reações por parte dos jogadores do Grêmio, mostrando cartão amarelo, sempre que fosse necessário. Por isso mostrou cinco cartões amarelos todos para Jogadores do Brasil: Odir, Tino, Renato Cago, Luizinho e Paulo Garça.” (Geanoni Peixoto, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 1979)

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Foto: (Revista Extremo Sul) – Fonte: Colecionador Xavante

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Foto: (Revista Extremo Sul) – Fonte: Colecionador Xavante

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Foto: (Revista Extremo Sul) – Fonte: Colecionador Xavante

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” VAI DESABAR” 

Muitas versões para o início do tumulto ontem à tarde no Bento Freitas. Segundo os encarregados do policiamento, alguém no meio da multidão gritou irresponsavelmente

Urna avalanche de gente”, como disse o assustado Orlando Fantoni mais tarde. O alambrado do estádio Bento Freitas resistiu pouco, os postes de sustentação foram se partindo como se fossem de papel. Gente caindo, feridos, crianças, mulheres chorando. A partida entre Brasil e Grêmio estava no seu Intervalo em Pelotas ontem, as duas equipes e trio de arbitragem descansavam nos vestiários quando os lamentáveis acidentes iniciaram.

Felizmente durou pouco e não teve vítimas.

Enquanto o médico Ziuton Bongahren, do Grêmio, ajudava a tratar de alguns feridos, ainda no gramado, os rapazes da maca transportavam os casos mais graves para o Departamento Médico do clube local. As rádios de Pelotas pediam que todas as ambulâncias em disponibilidade na cidade rumassem para o Bento Freitas.

Duas pessoas foram hospitalizadas, uma das quais com suspeita de fratura da espinha. Uns garantiam que alguém sacou de um revólver durante uma briga e deu origem à confusão e ao pânico, outros falaram que duas cobras grandes haviam sido as responsáveis pelo tumulto.

 Aos poucos tudo foi se acalmando e os soldados da Brigada Militar se dividiam entre tirar torcedores do gramado e improvisar a sustentação do alambrado atrás do gol que fica à direita das sociais — com painéis de propaganda, cordas e até uma goleira móvel de treinos. Confirmada a continuação da partida, após conversa do árbitro Luis Louruz com o chefe do policiamento, capitão Queiróz, que até já mandara buscar um pelotão de reforço, os torcedores se acomodaram da melhor maneira possível. Até mesmo um rapaz com perna mecânica, que fora salvo do meio da confusão por dois amigos, um dos quais conseguiu levar a perna postiça junto, para que mais tarde ele a recolocasse e pudesse voltar para casa sem problemas.” (Geanoni Peixoto, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 1979)

OUTRO “ESTOURO” E INSEGURANÇA GERAL

Quando todos pensavam que a confusão tinha terminado – o segundo tempo já começara há quatro minutos – outro “estouro” de gente nas arquibancadas. Desta vez maior, com uns correndo para a direita, outros para a esquerda. Pânico outro vez. Luiz Louruz parou a partida, os jogadores viam aquele cenário trágico assustados, paralisados, principalmente os do Grêmio.

Paulo César confessou que nunca havia visto nada parecido em sua vida, Jésum se preocupou em olhar alguns feridos mais de perto e não conseguiu esconder seu espanto. Dirigentes e jogadores da capital pressionavam o inseguro e também assustado árbitro para suspender definitivamente a partida, enquanto o chefe do policiamento já não garantia mais nada e os dirigentes do Brasil de Pelotas tudo fazia para que Louruz desse andamento ao jogo.

Nessa segunda confusão a pequena torcida do Grêmio também se viu envolvida mas os feridos – agora dois garotos, um dos quais desacordado – saíra outra vez da massa xavante. O risco de vida fez com que muita gente abandonasse o Estádio Bento Freitas naquele momento, aproveitando a calma para evitar outros acidentes.

Mas a partida continuou, Paulo César sequer teve tempo de fazer um roteiro em súmula. Os jogadores do Grêmio não escondiam a insegurança e muitos perguntavam: “O que vai acontecer se a gente fizer um gol?”

Menos mal que não houve vítimas. A partida chegou a seu final e o empate do Grêmio no interior não ganhou tanto destaque. A direção do Brasil de Pelotas garante que com soas lembraram que durante a semana haviam boatos em Pelotas de que o Bento Freitas não resistiria à superlotação.”(Geanoni Peixoto, Zero Hora, segunda-feira, 2 de abril de 1979)

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Foto: Wilson Lima (revista Extremo Sul) – Fonte: Colecionador Xavante

Foto: Zero Hora

Brasil de Pelotas 0x0 Grêmio

BRASIL: Joceli; Tino, Renato, Renato Cogo e Luís Carlos; Doraci, Djair, Odir, Luisinho, Otávio (Paulo Garça) e Tadeu
Técnico: Laone Luz

GRÊMIO: Manga; Eurico, Vantuir, Vicente e Dirceu; Vítor Hugo, Nardela (Jésum) e Paulo César Caju;  Jurandir (Valderez), Tarciso e Éder
Técnico: Orlando Fantoni

Gauchão 1979 – Primeiro Fase – Primeiro Turno
Data: 1º de abril de 1979, domingo
Local: Estádio Bento Freitas, em Pelotas-RS
Público: 19.891
Renda: Cr$ 891.200,00
Árbitro: Luís Louruz
Auxiliares: Albino Schmidt e Albano Mendes
Cartões amarelos: Luisinho, Odir, Tino, Paulo Graça e Renato Cogo

Gauchão 1979 – Grêmio 7×0 Avenida

February 8, 2019

avenida 1977 zh VANTUIR 2 GOLC

Em 1979 Avenida jogou pela primeira vez com o Grêmio no Olímpico (os confrontos anteriores todos haviam sido disputados em Santa Cruz).

Contando com uma da melhores formações de ataque da sua história (Tarciso, André e Éder) o tricolor goleou o Periquito  por 7 a 0.

Numa das fotos abaixo, que registra o sexto gol do Grêmio, me chamou a atenção o fato da torcida presente na arquibancada do Olímpico ter permanecido sentada enquanto André Catimba executava a cobrança de um pênalti.

avenida 1977 zh CAJU

NUNCA FOI TÃO FÁCIL MARCAR UMA GOLEADA
Grêmio marcou seis no primeiro tempo e depois poupou o fraco Avenida

Vencer o Avenida por 7 a 0 não foi certamente nenhuma novidade para o Grêmio que já goleou e até por resultado maior ainda outras equipes do Interior O que ninguém esperava é que o Avenida, que dificultou tanto a vitória do Inter na semana passada, fosse capaz de urna atuação tão ruim, descuidada e com multas falhas como a de ontem. No primeiro tempo, o time não teve sequer a mínima reação ao domínio do Grêmio e aos seus próprios erros: foi um time fraco e confuso na marcação, permitindo enormes facilidades ao adversário. Depois no segundo tempo, já contando com o desinteresse do Grêmio, o Avenida conseguiu permanecer por maior tempo com a bola dominada e evitou o que provavelmente seria a maior goleada do Grêmio nos jogos oficiais dos últimos anos.

Em toda a partida, a melhor situação do Avenida surgiu logo aos 2 minutos: defesa do Grêmio permitiu que Gilberto entrasse livre pelo meio do campo para dominar uma bola lançada por Marquinhos. Mas Manga saiu do gol, driblou Gilberto e Marquinhos, e chutou pela lateral. Este lance, em que até mesmo o velho goleiro conseguiu enganar dois atacantes jovens, definiu praticamente o que seria o restante da partida: o Grêmio foi multo superior em campo, superando com extrema facilidade os tímidos obstáculos que o Avenida procurava colocar em campo.

Na defesa, o Grêmio não tinha problemas porque o Avenida não mostrou condições de acertar mais do que dois passes no campo do adversário. No meio campo, as facilidades eram ainda maiores, porque a marcação era fraca e nem havia condições de acompanhar a movimentação de Vitor Hugo, Nardela e Paulo César. No ataque, com exceção de Tarciso – que procurava evitar os choques com seu marcador – havia também total liberdade porque os zagueiros exerciam uma marcação de longe, permitindo que André e Éder dominassem calmamente a bola e partisse para a área

Os seis gols marcados no primeiro tempo – e que poderiam ser mais, não fossem a precipitação de André aos 12 minutos, o chute torto de Vicente aos 29 e a boa defesa de Serginho aos 34 – acabaram com todo o entusiasmo do Grêmio na partida. E isto permitiu que o Avenida se livrasse da goleada que os 16 mil torcedores poderiam prever. Sem o mesmo entusiasmo, o Grêmio ainda mantinha o domínio e toda a iniciativa da partida, mas seu ataque já não tinha a mesma eficiência do primeiro tempo, ficando ainda pior quando Jésum substituiu André, aos 19 minutos.

A partir da saída de André – Jésum não estava bem e ainda sofria as consequências de estar fora de sua posição – o que restava para o Grêmio era o talento individual de seus jogadores, que praticamente abandonaram o esquema tático e passaram a jogar à vontade. O último gol, marcado por Paulo César, deixou ainda mais evidente que o time só não marcou mais por puro desinteresse. ” (Zero Hora, segunda-feira, 23 de abril de 1979)

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O PLACAR

ÉDER para o Grêmio —1 a 0 aos quatro minutos, primeiro tempo – Ladinho dominou na intermediária e tocou rápido para Éder. O ponteiro entrou livre na área e desviou de Serginho com o pé direito. A bola entrou no canto esquerdo do goleiro.

VANTUIR – 2 a 0 aos 15 minutos – Éder cobrou escanteio da ponta esquerda Vantuir saltou sozinho entre os zagueiros e cabeceou forte, no ângulo.

PAULO CÉSAR – 3 a 0 aos 18 minutos – Ladinho foi derrubado na ponta esquerda e Paulo César decidiu cobrar direto para o gol. O chute saiu forte, rasteiro e a bola ainda enganou o goleiro Serginho, batendo no chão e encobrindo-o.

ANDRÉ – 4 a 0 aos 27 minutos – Novo escanteio pela ponta esquerda que Éder cobrou forte, colocando a bola na área pequena. André saltou sozinho, sem interferência dos zagueiros do Avenida, e cabeceou no canto esquerdo de Serginho

TARCISO – 5 a 0 aos 41 minutos – Éder cobrou mais um escanteio da esquerda. Desta vez, os zagueiros tentaram cortar, se atrapalharam e a bola sobrou para Tarciso. Com o pé esquerdo, ele girou, chutando forte no ângulo direito de Serginho

ANDRÉ – 6 a 0 aos 44 minutos – Paulo César entrou na Área driblando e passou a Nardela, mas foi derrubado por Paulo Aquino. O juiz marcou pênalti que André chutou com força: a bola entrou no canto esquerdo. Serginho saltou para o direito.

PAULO CÉSAR – 7 a 0 aos 40 minutos do segundo tempo – Da meia direita, Eurico tocou para a área, Jésum atrapalhou Zé Carlos, cabeceando fraco. Paulo César, dominou, driblou o mesmo Zé Carlos e tocou franco, no canto direito.” (Zero Hora, segunda-feira, 23 de abril de 1979)

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Fotos: Zero Hora

Grêmio 7×0 Avenida

GRÊMIO: Manga; Eurico, Vantuir (Cassiá), Vicente e Ladinho; Vítor Hugo, Nardela e Paulo César Cajú; Tarciso, André Catimba (Jésum 19 do 2ºT) e Éder Aleixo.
Técnico: Orlando Fantoni

AVENIDA: Serginho; Alceu, Paulo Aquino, Zé Carlos e Paulo Schmidt; Sarará, Adair e Carlos; Marquinhos, Gilberto (Jaime) e Telmo Viana (Norberto)
Técnico: Carlitos

Gauchão 1979 – 1º Turno
Data: 22 de abril de 1979
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 16.690 pagantes
Renda: Cr$ 609.535,00
Árbitro: Nazarino Pinzón
Auxiliares: Albino Schmidt e Albani Mendes

1979 – Rosario Central 4×1 Grêmio

May 5, 2016

O último confronto entre Rosario Central e Grêmio no estádio Gigante de Arroyito aconteceu em maio de 1979. Como já fora explicado num post anterior, a partida valeu pela final do Torneo Ciudad de Rosario (ou Semana de Mayo). A princípio pode parecer estranha essa competição típica de início de temporada jogada no mês de maio, mas há uma explicação: O campeonato argentino estava parado em função de uma excursão de Seleção Argentina a Europa (onde enfrentaria Holanda e Itália). As equipes de Rosario aproveitaram a folga no calendário para organizar esse torneio, convidando Lazio e Grêmio (que havia deixado uma boa impressão nos argentinos após uma sequência de 3 vitórias contra Independiente, Colón e Rosario.Central em fevereiro daquele ano).
Nas semifinais o Grêmio passou pelo Newell´s e o Central ganhou da Lazio por 3×0. Na final, o tricolor levou um constrangedor 4×1 e viu o prêmio de 50 mil dólares ir para o time da casa.
No time do Central jogavam Mário Sérgio, Edgardo Bauza e o goleiro Ricardo Ferrero, que costumava defender o arco canalla usando uma camisa com o distintivo do Grêmio

Fotos: Antonio Carlos Mafalda (Zero Hora)

Rosario Central 4×1 Grêmio

ROSARIO CENTRAL: Ferrero; Chazarreta, Bauza, Van Tuyne, Ghielmetti; Gaitán, Manzi, Bacas; Orte, Trama, Díaz (Mario Sergio 27/2ºT).

Técnico :Ángel Zof
GRÊMIO: Manga; Eurico (Vilson, Intervalo), Ancheta, Vantuir e Dirceu; Vitor Hugo, Jurandir e Paulo César Caju; Tarciso, André, Baltazar (Leandro 18/2ºT).
Técnico: Orlando Fantoni

Torneio “Semana de Mayo” – Final
Data: 27 de maio de 1979, domingo, 15h30min
Local: Estadio Gigante de Arroyito, em Rosario-ARG
Árbitro: Jorge Romero-ARG
Gols: Diaz, aos 5 e aos 35 minutos do primeiro tempo; Trama aos 12, Gaitan aos 38 e Paulo Cesar Caju (de pênalti) aos 40 minutos do segundo tempo

1979 – Newell´s Old Boys 1×3 Grêmio

March 18, 2014

O último confronto entre Newell´s Old Boys e Grêmio em território argentino ocorreu em maio de 1979, pelo Torneo Ciudad de Rosario (ou Semana de Mayo). A princípio pode parecer estranha essa competição típica de início de temporada jogada no mês de maio, mas há uma explicação: O campeonato argentino estava parado em função de uma excursão de Seleção Argentina a Europa (onde enfrentaria Holanda e Itália). As equipes de Rosario aproveitaram a folga no calendário para organizar esse torneio, convidando Grêmio (que havia deixado uma boa impressão nos argentinos após uma sequência de 3 vitórias contra Independiente, Colón e R.Central em fevereiro daquele ano) e Lazio.
No dia 20 de maio, o Rosario Central superou o Lazio por 3×0 na primeira semifinal no Gigante de Arroyto. Cinco dias depois, numa tarde de sexta-feira (feriado na Argentina) o Newell´s recebeu o Grêmio no seu estádio. Os leprosos tinham algumas figuras interessantes no seu plantel, como o zagueiro Daniel Killer (reserva de Passarella na Copa de 1978), mas não puderam contar com Américo “Tolo” Gallego, que servia a seleção. Já o tricolor tinha o desfalque de Éder Aleixo, suspenso pela Conmebol em função da sua expulsão contra o Colón de Santa Fé. 
O Grêmio contou com a experiência de Manga, Ancheta e Paulo César Caju para vencer o time da casa por 3×1. Mas o grande destaque foi André Catimba, que anotou num hat-trick na partida. Para participar do torneio o clube recebeu Cr$ 750.000,00 (cerca de 30 mil dólares na época).


Fotos: Antônio Carlos Mafalda (Zero Hora)

Newell´s Old Boys 1×3 Grêmio

NEWELL´S:  Civarelli; Agueropolis, Jara, Killer e Sperandio; Bigolin, Giusti e Alfaro; Sanchez (Almiron), Yazalde e Santamaria
Técnico: Jose Yudica
GRÊMIO: Manga; Eurico, Ancheta, Vantuir e Dirceu; Vitor Hugo, Jurandir e Paulo César Caju; Tarciso, André (Baltazar) e Jésum (Leandro)
Técnico: Orlando Fantoni

Torneio “Semana de Mayo” – Semifinal
Data: 25 de maio de 1979, sexta-feira, 15h30min
Local: Estádio El Coloso del Parque
Juiz: Alberto Clerc (ARG)
Gols: André, aos 9 minutos do primeiro tempo; André aos 2 minutos, Yazalde (de pênalti) aos 17 minutos e André aos 19 minutos do segundo tempo.