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Brasileirão 1981 – Oitavas de final – Jogo de Volta – Grêmio 2×0 Vitória

April 12, 2021

Foto: Antonio Carlos Mafalda (Zero Hora)

Há exatos 40 anos o Grêmio vencia o Vitória por 2×0, pela partida de volta das oitavas de final do Brasileirão de 1981.

Um detalhe interessante é que naquele domingo foram realizados dois jogos do Brasileirão. O do Grêmio, no Olímpico às 16h e Inter Vs. Atlético-MG no Beira-Rio às 17h.

Foto: Zero Hora

 

“GRÊMIO FOI SUPERIOR E PODERIA TER GOLEADO
O Vitória só se defendeu. Agora, o time pensa no Operário

O resultado de 2 a O para o Grémio, ontem à tarde, no Olímpico até que foi pouco. A equipe de Ênio Andrade Poderia ter goleado o Vitória neste togo em que os baianos precisavam ao menos empatar para continuar na próxima fase da Taça de Ouro. Mas foi o Grémio que superou o Vitória e garantiu a vaga, depois da derrota de 2 a 1 na quinta-feira passada na Fonte Nova em Salvador.

O gol que desarrumou o Vitória surgiu bem no início da partida, aos 6 minutos da primeira fase. Os baianos foram surpreendidos pelo futebol aplicado dos gaúchos que, apoiado pelo incentivo de uma torcida entusiasmada, desde o começo jogava no abafa, tocando o adversário para seu próprio campo.

A equipe do Grémio, desta vez, corrigiu alguns problemas na defesa e no meio-campo, onde a presença de Vilson Tadei despontou, principalmente na organização das jogadas, bem-auxiliado por China na frente da zaga e pela intensa movimentação de Paulo Isidoro. A partir daí, o Grêmio tinha o domínio da partida, tranquilizando ainda mais a defesa: De León e Newmar não viam dificuldades em anular as jogadas pelo meio do ataque do adversário, o mesmo acontecendo com os laterais Paulo Roberto e Casemiro.

O ataque do Grêmio teve no centroavante Heber o seu jogador mais lúcido mesmo quando voltava para fugir da marcação da zaga do Vitória e tentava as tabelas com os companheiros.

As oportunidades, no entanto, Surgiram pelas pontas. Tarciso e Odair tiveram espaços de seus marcadores, mas não souberam aproveitar as falhas do esquema do treinador Belisco.

 

RETRANCA

No tempo final, esperava-se que o Vitória fosse uma equipe mais ambiciosa. Porém, novamente o Grêmio marcava aos 6 minutos, através de uma jogada perfeita de ataque com Odair, Heber e a cabeçada de Tarciso. Na única vez que o Vitória ameaçou o gol de Leão, foi aos 30 minutos, através de Paulinho num chute fora de área: a bola tocou de leve no travessão.

Aliás, o Vitória nunca chegou a preocupar o Grêmio que sempre teve as iniciativas do logo. E, durante a maior parte da partida, ficou mais tempo com a bola no campo do adversário, perdendo inclusive boas situações para aumentar o marcador com Heber (também acertou um chute no travessão de Gelson), Tarciso e Paulo Isidoro, que no final desperdiçou uma bola perto da pequena área, chutando por cima do gol adversário.

Para uma equipe que jogava por um empate, o Vitória mostrou multo pouco. Sem um esquema definido, os baianos, como no jogo em Salvador, mostraram que não tinham condições de passar para a quarta fase do Campeonato. Desde o começo da partida, notava-se uma preocupação exagerada dos jogadores: reter a bola no seu campo, esperando as avançadas do Grêmio, para somente depois tentar os contra-ataques. ê

Como o Grémio conseguiu largar na frente no início do primeiro tempo, restou ao Vitória explorar uma eventual falha defensiva adversária. Mas como está não surgiu, o resultado não poderia favorecer ao time que antes do jogo tinha as melhores chances matemáticas para garantir a vaga. E que afinal, merecidamente, ficou desclassificada. Agora é o Grêmio que parte para a outra fase do nacional, enfrentando o Operário de Campo Grande. O primeiro logo será no Olímpico: a equipe do Ênio Andrade precisa somar os primeiros pontos para ficar mais tranquilo no segundo jogo fora de casa.

 

Placar

1 X 0— Paulo Isidoro, de cabeça, para o Grêmio, aos 6 mín. do primeiro tempo. Depois de um momento de pressão na área do Vitória, a bola foi para escanteio. Odair cobrou pelo lado direito, e Paulo Isidoro, de cabeça, acertou o gol adversário.

2 x 0 — Tarciso, de cabeça, para o Grêmio, aos 3 min do segundo tempo A bola foi lançada de Odair para Heber, caindo pelo lado esquerdo. O atacante fez o cruzamento, e Tarciso, mesmo com pouco ângulo, enganou o goleiro Gelson.” (Zero Hora, segunda-feira, 13 de abril de 1981)

 

Foto: Zero Hora

 

“OPINIÃO: O Grêmio precisava ganhar, por qualquer diferença, para passar para próxima fase. Teve sorte de conseguir fazer um gol no começo do jogo e de ter pela frente um Vitória incapaz de qualquer reação. O segundo gol, no início do 2.ºtempo, foi apenas uma consequência do melhor nível do Grêmio.” ( Revista Placar, Edição n.º 570 – 17 de abril de 1981)

 

Foto: Correio do Povo

 

Grêmio 2×0 Vitória

GRÊMIO: Leão; Paulo Roberto, Newmar, De Léon e Casemiro; Chinao, Paulo Isidoro e Vílson Tadei (Renato Sá, 35 do 2º); Tarciso, Héber e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

VITÓRIA: Gélson; Róbson, Xaxá, Otávio Souto e Marquinhos; Zé Augusto, Edson Silva, e Joel Zanata; Ronaldo Cruz (Wílton, intervalo), Tadeu Macrini (Anílton, 24 do 2º), e Paulinho
Técnico: Belisco

Brasileirão 1981 – Oitavas de final – jogo de volta
Data: 12 de abril de 1981, domingo, 16h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 36.536 pagantes
Renda: Cr$ 4.716.910,00
Árbitro: José de Assis Aragão (SP);
Auxiliares: Rubens Vera Fuzaro e Mario Isau Ireijo
Cartões Amarelos: Paulo Roberto (GRE) e Otávio Souto (VIT)
Gols: Paulo Isidoro (GRE) 6′ do 1º; Tarciso (GRE) 3′ do 2º;

Brasileirão 1981 – Oitavas de final – Jogo de ida – Vitória 2×1 Grêmio

April 9, 2021

Foto: Zero Hora

 

Há exatos 40 anos o Grêmio era derrotado pelo Vitória, em Salvador, pelo jogo de ida das oitavas de final do Brasileirão de 1981. O tricolor até que fez um bom primeiro tempo e saiu em vantagem em um pênalti sofrido por Vilson Tadei e convertido por Tarciso, mas levou a virada num período de 3 minutos no segundo tempo.

A crônica da Placar chega a sugerir que o treinador BELISCO deu um “nó tático” em Ênio Andrade.

 

 

“OPINIÃO: As substituições feitas pelo técnico Belisco levaram o vitória a virar o jogo com muita justiça, depois de um mal primeiro tempo. Grêmio falhou muito no primeiro tempo.” (Roque Mendes, Revista Placar, Edição n.º 570 – 17 de abril de 1981)

 

Vitória 2×1 Grêmio

VITÓRIA: Gélson; Róbson, Xaxá, Otávio Souto e Marquinhos; Edson Silva, Carlinhos Procópio (Joel 11 do 2º) e Zé Augusto; , Ronaldo Cruz, Anílton (Tadeu Macrini, intervalo), e Paulinho
Técnico: Belisco

GRÊMIO: Leão; Dirceu, Newmar, De Léon e Casemiro; Bonamigo, Paulo Isidoro, Vílson Tadei; Tarciso, Héber (Baltazar 33 do 2º) e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

Brasileirão 1981, Oitavas de final – Jogo de Ida
Data: 09 de abril de 1981, quinta-feira, 21h00min
Local: Fonte Nova,, em Salvado, BA
Público: 25.256
Renda: Cr$ 5.027.250,00
Árbitro: Emídio Marques de Mesquita (SP);
Auxiliares: Sérgio Bertgnolli e Euclides Zamperetti
Cartões Amarelos: Gélson, Róbson , Odair, Newmar e Vílson Tadei
Gols: Tarciso (de pênalti) 37 minutos do 1º tempo;;  Zé Augusto (de pênalti) aos 19 minutos e Róbson aos 21 minutos do 2ºtempo;

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 6ª Rodada – Grêmio 1×0 Inter de Limeira

April 5, 2021

Foto: Correio do Povo

 

Há exatos 40 anos o Grêmio enfrentava a Inter de Limeira pela última rodada da segunda fase do Brasileirão de 1981. O tricolor, precisando de um empate para se classificar às oitavas de final, venceu por 1×0, gol de Newmar, marcado logo aos 9 minutos de jogo.

 

Uma pequena nota publicada pela Zero Hora dá conta de que nessa partida ocorreu a estreia da torcida Explosão Azul,  “a nova torcida “gay” do Grêmio”. Pela única outra fonte que encontrei que mencionava tal torcida, parece ser um grupo formado por ex-integrantes da Coligay

Foto: Correio do Povo

Foto: Zero Hora

 

GRÊMIO CLASSIFICADO. AGORA É O VITÓRIA
1 a 0 foi bom, pois agora com dois empates o time segue no campeonato

Um empate era suficiente para o Grêmio, mas como a vitória favorecia aos interesses imediatos do Grêmio, o time lutou por ela e chegou lá com 1 a 0 gol de Newmar – logo aos nove minutos do primeiro tempo e vingou-se da derrota que sofreu a Inter em Limeira no turno anterior.

Com este resultado combinado com o  1 a 0 do São Paulo em Fortaleza, o Grêmio ficou em segundo lugar no seu grupo e agora disputará a próxima fase do Campeonato Brasileiro com o Vitória, numa melhor de quatro pontos. O primeiro jogo será quarta-feira, em Salvador, e a decisão neste fim de semana aqui no Olímpico.

O jogo de ontem foi engraçado. No seu início, o Grêmio precisando apenas empatar para se classificar tratava de vencer, enquanto a Inter, precisando da vitória, comportava-se em campo como se desejasse empatar. Razão: precisando de um ponto para se classificar, o Grêmio tratava de obter dois, com medo de ser surpreendido. Já a Inter, necessitando dos dois pontos, tentava chegar a ele com calma, procurando primeiro garantir um…

Mas a Inter, ao menos desta vez, esteve sem sorte nem teve força para resistir à pressão gremista do início do jogo. Não teve sorte porque sofreu um gol “chorado” de Newmar, ainda no começo de jogo, e não teve força porque o gol, mesmo inesperado, fazia justiça ao melhor time em campo, ao time que lutava pela vitória e que já havia criado ao menos duas boas oportunidades para consegui-la, até aquele momento: uma cabeçada de Heber, que o goleiro defendeu com dificuldade e um lançamento perfeito de Tadei, que Tarciso por muito pouco não alcançou em excelentes condições de concluir.

 

QUEDA E REAÇÃO

Depois do gol a partida não teve o mesmo desenvolvimento. Aos poucos o time paulista foi se arrumando, equilibrando o volume de jogo com seu adversário e até teve chance de chegar ao empate: aos 18 minutos, numa cobrança de falta de Marcão, o goleiro Leão teve de se esforçar muito para tocar a bola para escanteio e evitar a igualdade.

O Grêmio ainda no segundo tempo só teve de destacável uma conclusão de Casemiro, numa de suas rara subidas após tabelar com Heber.

No segundo tempo o andamento da partida não foi muito diferente da do primeiro tempo. O jogo prosseguiu monótono, desinteressante e com raros lances de área: um chute de Tadei por cima, uma jogada de Odair na área que a torcida reclamou pênalti e um lançamento perfeito de Heber a Tarciso, que o ponteiro não soube aproveitar.

Mas a culpa pela queda de nível do jogo não era apenas do Grêmio que estava garantido a classificação e que não desejava ser o primeiro colocado do seu grupo, para pegar um adversário mais frágil na fase seguinte da Taça de Ouro. A culpa era também da Inter, que em campo não correspondia ao cartaz que o antecedeu: precisando vencer, não conseguiu criar nenhuma oportunidade de gol.

Na parte final do segundo tempo o Grêmio, porém, pode dar um pouco mais de alegria à numerosa torcida que compareceu ao Olímpico. Isto porque sabendo que o São Paulo estava vencendo em Fortaleza, pode voltar a jogar para valer, com um show particular de Paulo Isidoro, e criar várias oportunidade de gols, numa demonstração de que tem mais futebol para apresentar nesta Taça de Ouro.

 

O PLACAR

NEWMAR para o Grêmio 1 a 0, aos nove minutos do primeiro tempo. A jogada iniciou com uma cobrança de escanteio pelo lado direito. A bola foi jogada para a área, o zagueiro Beto Lima teve pouco impulso para cabeceá-la e com isso permitiu que o zagueiro do Grêmio mesmo meio desequilibrado tocasse de cabeça para dentro do gol.” (Zero Hora,  segunda-feira, 6 de abril de 1981)

 

Foto: Zero Hora

 

[…] INTER de Limeira entrou por trás da goleira que fica a direita das sociais, se benzendo. E ali levou o gol de Newmar.

ÊNIO Andrade entrou em campo com a camisa oficial do Grêmio de número 14.

GRÊMIO entrou atrasado em campo e Leão ainda foi trocar de camisa, numa manobra clara para cuidar do jogo de Fortaleza e São Pauo, cujo resultado interessava no Olímpico.

EXPLOSÃO Azul é a nova torcida “gay” do Grêmio que estreou ontem, muito animada.” (Zero Hora, segunda-feira, 6 de abril de 1981, página 45)

 

Foto: Zero Hora

 

“OPINIÃO: Vitória justa do Grêmio, que marcou na pressão inicial e depois soube segurar o resultado graças ao bloqueio perfeito na meia-cancha onde Tóinzinho e Elói nunca tiveram espaço para jogar.” (Emanuel Mattos, Revista Placar, Edição n.º 569 – 10 de abril de 1981)

 

Foto: Zero Hora

Foto: Zero Hora

 

Grêmio 1 x 0 Inter de Limeira

GRÊMIO: Leão; Paulo Roberto (Dirceu 17 do 2ºT), Newmar, De Léon e Casemiro, China, Paulo Isidoro e Vilson Tadei; Tarciso, Héber e Odair
Técnico: Ênio Andrade

INTER-SP: Serginho, Suemar, Beto Lima, Bolívar e Donizetti; Celso (Tornado 14 do 2ºT), Toinzinho e Elói; Camargo, Marcão e Simões (Almir, 29 do 2ºT)
Técnico: João Francisco

2 ªFase – 6ª Rodada – Campeonato Brasileiro 1981
Data: 05 de abril de 1981
Local: Olímpico, Porto Alegre, RS
Público: 54.120 pagantes
Renda: Cr$ 6.315.160,00
Árbitro: Luís Carlos Felix – RJ
AuxiliaresCarlson Gracie e Cid Marival da Fonseca
Cartões Amarelos: Donizetti e China
Gol: Newmar aos 9 minutos do 1º tempo

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 5ª Rodada – Fortaleza 0x4 Grêmio

March 28, 2021
1981 fortaleza fora edson pio o povo

Foto: Edson Pio (O Povo)

Há exatos 40 anos o Grêmio goleou o Fortaleza no Castelão pela penúltima rodada da segunda fase do Brasileirão de 1981.
Interessante notar que as fontes divergem sobre o autor do último gol do jogo. Pelo vídeo parece que foi Paulo Isidoro, o que seria um hat-trick do Tiziu. E mesmo assim ele saiu do jogo dizendo que gostaria de sair do clube ao final da competição (por não ter recebido um aumento, supostamente prometido pela diretoria após o Mundialito do Uruguai).
Já havia postado sobre sobre esse jogo em outubro de 2019, mas agora acrescento algumas matérias da Zero Hora sobre a partida, as colunas de Antônio Goulart do Correio do Povo e de Paulo Santana da Zero Hora. O detalhe é que na edição da Zero Hora que consultei no Museu Hipólito José da Costa tinha uma falha na impressão da página da crônica do jogo, que deixou alguns trechos ilegíveis.
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GRÊMIO GOLEOU NOS ÚLTIMOS 26 MINUTOS
No primeiro tempo, o time errou nas conclusões
Depois da entrada de Héber, a vitória surgiu

O Grêmio aumentou ainda mais as suas chances de classificação à próxima fase da Taça de Ouro depois de vencer ao Fortaleza por 4 a O sábado à noite, na capital cearense. Mas o resultado pode até ser considerado exagerado pelo que foi a partida em seus 90 minutos. Somente nos últimos 15 minutos de jogo — depois que Héber, o melhor, estava em campo — o time de Ênio Andrade mostrou um futebol de acordo com a goleada. Agora o clube fica à espera do resultado entre São Paulo e Inter de Limeira quarta-feira à noite no Morumbi, para definir suas possibilidades para o último jogo, contra a Inter, no próximo domingo, no Olimpico.

A exemplo do que havia acontecido contra o São Paulo, a partida contra o Fortaleza serviu para mudar a formação do time titular do Grêmio. Ênio Andrade depois do jogo já confirmava Héber como o novo centroavante, merecidamente, pois foi ele na verdade o principal responsável pela goleada da equipe […], criou suas próprias dificuldades e teve sorte de também resolvê-las.

Animados pelo “bicho extra” da Inter de Limeira, os jogadores do Fortaleza mostraram muita movimentação enquanto tiveram condição física para tanto e boas jogadas na meia-cancha e no ataque. Mas o Grêmio já poderia ter definido o jogo logo nos primeiros minutos aproveitando-se das deficiências do setor defensivo da equipe cearense. A oito minutos, por exemplo, Baltazar entrou livre pela esquerda mas não chutou, nem passou, só cruzou para ninguém. Logo em seguida o Fortaleza teve urna de suas grandes oportunidades. Numa jogada de Odilon pela esquerda Tiquinho chutou mal, por cima, sozinho dentro da área.

O primeiro tempo foi assim: o Grêmio perdia gols Incríveis e permitia a reação do Fortaleza, que chegou a dominar em muitos momentos. Aos 11 minutos Baltazar, depois de receber passe de China, […] de todos os atacantes gremistas errarem em diversas conclusões. Mazolinha obrigou Leão a fazer uma difícil Aos 35 Odair, sozinho pela esquerda, chutou para fora. Um minuto depois Sérgio defendeu uma cabeçada de Baltazar que em seguida perdeu o gol mais incrível: depois de tirar a bola do último zagueiro ele avançou livre para o gol, tentou driblar e perdeu a bola para Sérgio.

Outro gol perdido por Baltazar, logo primeiros minutos do segundo tempo, definiu sua substituição por Héber, que no primeiro chute a gol conseguiu marcar- O Fortaleza tentou reagir mas o Grêmio estava melhor posicionado e mais confiante. E nos últimos 26 minutos surgiu a goleada. Os três gols de Isidoro saíram ao natural diante do limitado preparo físico do adversário e das excelente jogadas criadas por Héber: a solução de Ênio para uma equipe que estranhamente tinha sido mais cautelosa e mais nervosa do que o […]

Placar

HEBER aos 16 minutos do segundo tempo: 1 a 0 para o Grêmio — De Léon avançou pela esquerda e deu para Héber na entrada da área. Ele devolveu para o zagueiro, correu para a direita, recebeu e chutou de pé direito bem no canto direito do gol de Sérgio.

PAULO ISIDORO aos 88 minutos do segundo tempo: 2 a 0 para o Grêmio — Tarciso foi até a linha de fundo e cruzou na medida para Héber que tentou deslocar de cabeça ao goleiro. Sérgio defendeu parcialmente, e Isidoro, sozinho, de cima, apenas concluiu para dentro.

PAULO ISIDORO aos 40 minutos do segundo tempo: 3 a 0 para o Grêmio — Héber dominou a bola na esquerda, carregou pelo meio em direção à direita. Deu para Tarciso, recebeu, entrou na área sem ângulo e tocou de calcanhar direito exatamente onde estava Isidoro que chutou para cima, com força

PAULO ISIDORO aos 45 minutos do segundo tempo: 4 a 0 para o Grêmio — Héber deu para Casemiro, que entrava livre pelo lado esquerdo. O lateral tocou para Isidoro que depois de dominar de costas para o gol tentou encobrir o goleiro. Sérgio defendeu parcialmente e próprio, Isidoro foi concluir junto com Tarciso.” (Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)

ÊNIO COM ESPERANÇA: – PRECISAMOS GARANTIR A CLASSIFICAÇÃO
No intervalo em Fortaleza ele chamou a atenção dos jogadores que não cumpriam com suas orientações

No intervalo do jogo contra o Fortaleza, depois de um primeiro tempo de muitos erros e até certo nervosismo por parte da maioria dos jogadores do Grêmio, o técnico Ênio Andrade teve que repreender o time todo pelas falhas apresentadas em 45 minutos. Depois, a equipe voltou ao campo, goleou o adversário e todos os jogadores admitiram que a conversa cio vestiário teve grande influência no comportamento do time:

— Eu não sei o que estava acontecendo — revelou Ênio Andrade. Porque se nós treinamos uma semana inteira um determinado tipo de marcação, era surpreendente que o Grêmio deixasse o adversário jogar livre, e que marcassem linha. E foi sobre isso que conversamos no vestiário, acertando detalhes e relembrando ó que ensaiamos tantas vezes no Estádio Olímpico.

No segundo tempo, já com os principais defeitos corrigidos, “o Grêmio chegou à vitória com toda a naturalidade porque marcou corretamente”. Para isso, no entanto, foi preciso ainda outra modificação — a substituição de Baltazar por Heber que, segundo Ênio Andrade, “deu ao time mais condição para, a tabela com os meias. Ele mereceu agora ficar com a posição de titular e inicia o jogo contra o Inter de Limeira”.

— O problema é que o Grêmio possui o goleador do Brasil em 1980, o Baltazar, e tinha que lhe dar uma oportunidade de se recuperar em campo. Mas o Heber entrou bem, deu condição para que o meio-campo jogasse mais e provou também no campo que pode ser titular”.

Para vencer o Fortaleza, Ênio Andrade teve que corrigir não apenas a disposição tática da equipe mas ainda orientar alguns jogadores para erros Importantes que estavam cometendo. Por exemplo: Ênio disse que Tarciso estava entrando em diagonal, o que diminuía o espaço de Paulo Isidoro; que Odair é orientado para receber lançamentos e estava voltando para buscar o jogo; e que De León estava jogando em linha com o Newmar, criando sérias dificuldades defensivas:

— O importante — disse Ênio — é que conseguimos superar tudo no segundo tempo, chegando a uma goleada com naturalidade, sem exageros. Agora, precisamos garantir a classificação.” (Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)

“ELOGIOS
 
O melhor na situação de Héber é que não foi apenas o técnico Ênio Andrade que admitiu sua superioridade em relação a Baltazar no momento — ou, pelo menos, o fato de que ele é mais útil à equipe do que o ex-titular. 
 
No intervalo do jogo, o ponteiro direito Tarciso dizia que “no momento em que todos os jogadores soltarem a bola, o time marca os gols”, referindo-se evidentemente a Baltazar, que raramente procura a tabela ou o passe com um companheiro. 
 
A opinião de Tarciso acabou confirmada no segundo tempo porque Héber é realmente mais habilidoso e solidário do que Baltazar, faz bons passes e prepara muito bem as jogadas para os jogadores que estão chegando na área. Tanto que os dois meias da equipe. Paulo Isidoro e Wilson Tadei fizeram muitos elogios ao novo centroavante, sempre ressaltando sua capacidade de colocar outros jogadores em boa situação para a conclusão. 
 
— Quando entrou o Héber — disse Tadei — houve maior variedade de jogadas porque ele sabe segurar jogo, mesmo de costas para o adversário, até que alguém se aproxime para o passe. Isso não quer dizer que o Baltazar não mereça também elogios. É apenas uma questão de estilo: enquanto o Baltazar prefere jogar mais fixo na área, o Héber se movimenta mais para os lados, recebe e devolve em boas condições. 
 
Paulo Isidoro também concordou que a diferença básica entre Baltazar e Heber, é a característica de cada um. “O Baltazar já garantiu muitas vitórias difíceis e isso ninguém pode negar. Mas o Héber sabe preparar a jogada, ele joga com a mente e a prova disso foi aquele passe para o nosso segundo gol, em que ele deixou a bola parada para que eu chutasse sem marcação de ninguém. Agora problema é do treinador e ele vai saber escolher o melhor para o Grêmio.” (Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)

Paulo Santana – “HÉBER, O FEÉRICO 

Se Baltazar era o iluminado, Héber pode vir a ser o Feérico. Iluminado é o que tem luz. Feérico é o que tem e dá luz. Vou explicar, sem querer bancar o sábio, o que as pessoas que entendem de futebol não precisavam ver assim repetido: o melhor centroavante não é o que faz mais gols; o melhor centroavante é aquele que permite que seu time faça mais gols; ou ainda, o melhor centroavante é aquele que erra menos gols. Todo mundo que é inteligente e entende de futebol não duvida dessas verdades. O diabo é que existem pessoas inteligentes que não entendem de futebol, que exercitam suas funções em torno do futebol porque à época havia vagas, elas se meteram no negócio e vão levando, às vezes até com êxito. Só que chega na hora de opinar sobre o básico, erram feio e nunca vão deixar de errar. Mas aprendam por favor enquanto aqueles que entendem de futebol estão vivos: o melhor, centroavante é o que colabora para que seus companheiros, lógico que também ele próprio, façam mais gols. Foi por isso que o Héber se consagrou em Fortaleza: teve 20 minutos de atuação que o Baltazar jamais alcançou em seus dois anos de Grêmio. Ou seja, participou de todos os quatros gols do Grêmio. Enquanto que o Baltazar, grande goleador do ano passado, só participa dos gols dele. Se vocês acham que estou sendo severo nesta análise, pois vou dar a palavra a um jogador do Grêmio que estava em campo, sábado em Fortaleza. Vejamos o que Tarciso disse no intervalo, depois que Baltazar aterrorizou todo mundo ao errar quatro gols feitos. Fala, Tarciso: “Não tem explicação os gols que erramos. Se nós nos conscientizássemos, na hora da conclusão, de que existe um companheiro melhor colocado para fazer o gol, se nós passássemos a bola para esse companheiro, nós não perderíamos tantos gols”. Isso foi o que Tarciso disse na Rádio Gaúcha. Não sou eu que estou inventando. Só quero, embora o Tarciso não pudesse ser mais claro, lembrar o que sempre escrevi e falei sobre Baltazar, desde que o vi jogar pela primeira vez, unindo ao que disse Tarciso: “Baltazar é cristão fora do campo. No campo ele não é cristão. Se fosse, passaria a bola para seus companheiros”. Não se trata de criticar Baltazar, até mesmo porque ele só tem 21 anos e um dia pode possuir a felicidade de topar com um treinador que pense como este comentarista, que o corrigirá. Mas se trata, isso sim, de deixar bem claro agora, para que os preenchedores de vagas não mais incomodem, é que Héber oxigenou o time do Grêmio, Héber não só fez o gol, não só participou dos outros três, como também solta a bola para os colegas, solta e vai colocar-se, tem sentido de coletivismo. E Héber tem uma vantagem sobre Baltazar que André também tinha: Héber tem quatro ferramentas, enquanto Baltazar tem só uma. Vejam as quatro de Héber, pelo que se viu sábado: pé direito, pé esquerdo, cabeça e calcanhar. Baltazar só tem o pé direito. Então o Ênio Andrade está com a razão: Héber é o novo centroavante titular do Grêmio. Héber, o Feérico. 

 • • •

 Com Vitor Hugo de libero, de grande líder, no dizer dos que gostam dele como libero e líder, o Grêmio perdeu de 3 a 0 para o 15 de Novembro em 79 e foi desclassificado do campeonato nacional; em 80, com o Vitor Hugo, o Grêmio perdeu de 5 a 0 para o Corinthians, sendo desclassificado; em 81, com Vítor Hugo, o Palmeiras levou 6 a 0 Internacional e está quase desclassificado. Esta crônica não é contra Vitor Hugo. Ela apenas quer que as viúvas do Vítor Hugo, as que tentaram envenenar a torcida do Grêmio ao dizer que Vítor Hugo estava fazendo falta, nunca mais voltem a falar nesta barbaridade. Calem-se sempre. Vocês estão se queimando com o público. Que libero é este?”  (Paulo Santana, Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)

1981 fortaleza fora placar
“OPINIÃO: O gás do Fortaleza só deu para um tempo, no segundo, o Grêmio deslanchou” (Luciano Luque, Revista Placar, Edição n.º 568 – 3 de abril de 1981)

Antônio Goulart – “PONTARIA E MARCAÇÃO

Não sei se foi intuição retardada ou consequência de sobra de tempo para treinamentos. A verdade é que tolo Andrade começou ontem a tentativa de correção de dois pontos fracos de sua equipe: chutes a gol e marcação individual em todo o campo. O Grémio vem-se caracterizando, ultimamente, como um time perdedor de gols feitos; a exceção foram os 26 minutos finais contra o Fortaleza. Por isso, o técnico tratou de exercitar a pontaria de seus atacantes, com bolas cruzadas de todos os lados, a qualquer distância, para finalizações, tanto com o pé direito como com o esquerdo e de cabeça. E o tipo de treino que deveria ser feito todos os dias. Garanto que os resultados seriam bem diferentes.

O Grêmio de agora também vem mostrando que a marcação, fora do quinteto defensivo, não é o seu ponto forte. Pois ontem Ênio Andrade chamou a atenção de sua meia-cancha e deu uma nova tarefa aos jogadores do setor: marcar o adversário no campo todo. Sob este aspecto, houve um recado especial para Vilson Tadei. O próprio técnico reconhece que é preciso que todos os jogadores, os atacantes também, se acostumem com a tarefa de marcar.” (Antônio Goulart, Correio do Povo, 2 de abril de 1981)

Antônio Goulart  –   “O PODER DAS GOLEADAS

Sem dúvida, a grande revelação do Grêmio em Fortaleza foi Héber, tanto que garantiu sua escalação para o próximo jogo, no lugar de um goleador titular que vinha perdendo muitos gols. A substituição não significa, porém, que todos os problemas do time de Ênio Andrade estejam resolvidos. Aquela vitória não pode ser tornada como reflexo de uma plena recuperação. Um jogador sozinho não salva uma equipe. Bem marcado, pode frustrar muita gente. E o técnico da Inter de Limeira, a esta altura, já deve estar sabendo de quase tudo e virá ao Olímpico, no final da semana, preparado para tentai anular a nova arma do ataque tricolor.

O banco de reserva deverá, de Início, ser um pouco constrangedor para Baltazar. Mas, com certeza, irá lhe fazer bem. No meu modo de ver, dois fatores contribuíram para que o centroavante do Grêmio diminuísse o seu rendimento em campo. Em primeiro lugar, o casamento que, como é natural, alterou sensivelmente sistema de vida do jogador, sua rotina do dia-a-dia, antes dedicada quase que integralmente ao clube. Em segundo lugar, talvez com maior influência, foi o fato de Baltazar não ter, até há pouco, um reserva especialista da posição. A quase certeza de que a camisa 9 não poderia ser dada a outro, nem em treinos e muito menos nos jogos, é provável que o tenha levado a abandonar a preocupação permanente de brigar por ela.

Agora, com Héber na sombra, Baltazar deverá se empenhar com muito mais vontade. E poderá recuperar a posição, não por forca apenas do seu prestígio ou de suas estatísticas de goleador, mas jogando futebol.” (Antônio Goulart, Correio do Povo, 31 de março de 1981)

1981 fortaleza fora gaucha

Fortaleza 0 x 4 Grêmio

FORTALEZA: Sérgio; Totó, Marcão (Roberto, intervalo), Rôner e Dudé; Chinesinho (Beto, 20 do 2º), Odilon e Adriano; Mazolinha, Rogério e Tiquinho.
Técnico: Martins Monteiro (interino)

GRÊMIO: Leão; Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Paulo Isidoro e Vílson Tadei; Tarciso, Baltazar (Heber 10 do 2ºT) e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 5ª Rodada
Data: 28/03/1981, Sábado, 21h00min
Local: Castelão, em Fortaleza – CE
Público: 1.628
Renda: Cr$ 165.250,00
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Auxiliares: Antonio Carminha e Artur Braz
Cartão Amarelo: Marcão
Gols: Heber aos 15, Paulo Isidoro aos 40, 42  44 minutos do 2ºtempo

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – Grêmio 1×0 São Paulo

March 21, 2021

Foto: Zero Hora

 

Há exatos 40 anos o Grêmio vencia o São Paulo por 1×0 no Olímpico, num jogo paradigmático na campanha do título brasileiro de 1981. A equipe gremista precisava superar o então invicto São Paulo para continuar com chances de classificação para as oitavas de final. O Grêmio estava na 3ª posição do Grupo I da segunda fase, com 1 vitória e duas derrotas, sendo que somente os dois primeiros colocados de cada grupo avançavam para a fase seguinte.

Ênio Andrade tinha uma série de desfalques. Uchoa, Vantuir, Vicente e Jurandir estavam lesionados, além de Dirceu e Renato Sá que estavam suspensos. Desse modo o treinador se viu obrigado a promover a entrada de diversos jovens oriundos da base na defesa gremista (Ilgo Wink conta que os setoristas do Grêmio já faziam uma espécie de lobby pelas prata da casa na época).

E a gurizada deu conta do recado e não saiu mais do time. O estreante Paulo Roberto foi um dos destaques do time, na vitória com gol do artilheiro Baltazar.

Uma curiosidade, na Zero Hora da época foi publicada a informação de que o bicho por essa vitória foi de 30 mil cruzeiros (o equivalente a cerca de 3.500 reais nos dias de hoje).

P.S.: Eu tinha publicado esse mesmo post em novembro de 2019. Hoje o repito, com o acréscimo dessas duas primeiras fotos.

Foto: Zero Hora

 

Foto: Zero Hora

Foto: Zero Hora

Foto: Zero Hora

 

GOL DE BALTAZAR DÁ VITÓRIA AO GRÊMIO E ACABA COM A INVENCIBILIDADE DO S.PAULO

Porto Alegre – Com um gol de Baltasar, aos 25 minutos do segundo tempo, o Grêmio venceu o São Paulo (que era o único invicto da Taça de Ouro), ontem à tarde, no Estádio Olímpico, e manteve as esperanças de classificação à fase seguinte do Campeonato. Agora, tem quatro pontos ganhos e ainda lhe faltam dois jogos, um deles em casa, contra o Inter de Limeira, seu principal adversário no grupo I.

Fundamentalmente, a vitória premiou o time que mais a procurou. O São Paulo, praticamente classificado, propôs, durante todo tempo, um jogo defensivo, apenas com Assis e Valtinho na frente, tentando as jogadas de contra-ataque. Mas o Grêmio, levado pela necessidade de vencer e muito incentivado por sua torcida; não deu as mínimas chances ao São Paulo. Além’ de criar inúmeras chances para marcar.

SÓ ATAQUE
Se o São Paulo não chegou a criar lima única situação de gol, o Grêmio teve, nos dois tempos de Jogo, muitas oportunidades para marcar, com o goleiro Toinho fazendo grandes defesas. Com uma movimentação constante no setor de, meio de campo e com o apoio constante dos dois laterais (a estréia do Juvenil Paulo Roberto foi excelente), o Grêmio forçou sempre a zaga paulista

A primeira grande chance do Grêmio foi com Vilson Tadei, aos 25 minutos, do primeiro tempo, quando penetrou pelo meio e obrigou o goleiro Toinho a fazer grande defesa. Aos 35, Casemiro chutou muito forte de fora da área, com a bola batendo na trave direita. Aos 39, o Juvenil Paulo Roberto bateu falta da mela esquerda, e obrigou Toinho a fazer outra grande defesa.

No segundo tempo, logo aos 4 minutos, Tarciso tinha tudo para marcar, quando o zagueiro Nei salvou. Aos 24, Paulo Isidoro cabeceou livre e Toinho fez outra grande defesa. Mas, aos 25, Tarciso bateu falta da direita e Baltazar, no meio da zaga do São Paulo, conseguiu cabecear, vencendo o goleiro Toinho, que passou a ser chamado de “Frangueiro” pela torcida. Os Jogadores do São Paulo, sentindo que a invencibilidade estava sendo perdida, ficaram muito nervosos em campo e Élvio acabou expulso depois de atingir Paulo Isidoro. O lateral Chiquito, no mesmo lance, tentou atingir com a bola o médico do Grêmio, que atendia a Isidoro, ainda em campo. Com essa vitória, o Grêmio soma quatro pontos na tabela de classificação, que deverá ser decidida contra o Inter de Limeira, no Estádio Olímpico. Antes disso, o Grêmio joga contra o Fortaleza, em Fortaleza.” (Jornal do Brasil, domingo, 22 de março de 1981)

Placar: Com muita garra o Grêmio derrotou o último invicto e fez sua melhor partida neste nacional. O São Paulo usou toda a catimba possível mas não pôde evitar a derrota e a perda da invencibilidade.

VITÓRIA DIFÍCIL MANTÉM GRÊMIO NA LUTA PELA CLASSIFICAÇÃO
A torcida gostou do gol de Baltazar e do ótimo futebol apresentado pelos novos jogadores

O gol de Baltazar que deu a vitória ao Grêmio, sábado à tarde no Olímpico, ficou como a imagem da própria partida: a bola nem chegou até o fundo da goleira —o goleiro Toinho agarrou-a logo que ultrapassou a risca — mas bastou para manter o clube com boas chances de classificação à próxima fase da Taça de Ouro. Difícil, dramático, tenso — assim foi o jogo contra o São Paulo que perdeu sua invencibilidade a muito custo, diante de mais de 30 mil torcedores que ficaram entusiasmados com a nova equipe do grêmio.

Foi realmente um jogo decisivo para o clube em todos os sentidos. A equipe enfrentou todas as espécies de dificuldades. Desde a catimba e provocações dos jogadores adversários até as chances de gol não aproveitadas que serviram para aumentar o nervosismo nas arquibancadas e no gramado. Tudo foi superado. A partir da vitalidade, disposição e garra de garotos como Paulo Roberto e Casemiro — sem falar nas suas qualidades individuais — o time de Ênio Andrade dominou completamente o São Paulo e teve condições de vencer por uma diferença maior.

O Grêmio mostrou que pode ter uma equipe com possibilidades de tentar resultados ainda melhores. Sua vitória convenceu e fez justiça na medida em que apenas uma equipe preocupou-se em construí-la.

OS MENINOS

Se nos primeiros 20 minutos o jogo se manteve equilibrado com o São Paulo adotando até mesmo uma posição ofensiva, De León tratou de usar sua experiência para impor seu futebol e empurrar o restante do time para frente. Se as faltas cometidas pelos paulistas única forma com que os jogadores do Grêmio tentarem o gol neste período não foram aproveitadas tanto por Paulo Isidoro como por Odair — Paulo Roberto provou depois que o time já dispõe de um cobrador: aos 36 minutos do primeiro tempo ele quase acertou, o que se repetiria em duas oportunidades no segundo tempo.

Se o Grêmio não tinha jogadas inteligentes pelo meio da área, Vilson Tadei em tabela com Paulo Isidoro ficou sozinho à frente de Toinho obrigando o goleiro a fazer sua primeira grande defesa aos 25 minutos do primeiro tempo. Se o Grêmio antes não tinha chute de longa distância, Casemiro provou o contrário acertando o poste aos 34 minutos. “O time dos meninos” como diria Ênio Andrade depois do jogo, realmente surpreendeu pela consciência e espírito de luta.

O São Paulo saiu de campo sem ter chutado nenhuma bola ao gol de Leão. E o time paulista acabou perdendo tranquilidade e a elegância. ÉIvio foi expulso por chutar Isidoro e Chiquito depois de uma discussão com o médico Alarico Endres na beira do gramado tentou acertar com urna bolada o reservado do Grêmio. Ás vezes violento, mas sempre disputando o jogo ao final deixava algumas comprovações: o Grêmio superara suas próprias dificuldades, Paulo Roberto tem um futebol de craque e Baltazar é mesmo um jogador com inspiração divina.

Mas a classificação ainda não está garantida, pois o Inter de Limeira fez 5 a 1 no Fortaleza no sábado à noite e o Grêmio ainda continua precisando de grandes vitórias.

O placar

BALTAZAR, aos 26 minutos do segundo tempo : 1 a 0 para o Grêmio – Tarciso sofreu falta de Marinho na ponta direita. Ele mesmo bateu em cruzamento sobre a área. Baltazar cabeceou para baixo, o pique enganou Toinho que deixou a bola passar por cima do seu ombro e cair dentro da goleira no lado direito.” (Geanoni Peixoto e Pedro Macedo, Zero Hora, Segunda-feira, 23 de março de 1981)

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO VENCE SÃO PAULO E PARTE PARA CLASSIFICAÇÃO

Falta ao lado direito. Tarciso é rápido na cobrança, cruzando para a área. Zagueiros do São Paulo vacilam e Baltazar é preciso na cabeçada. Vinte e cinco minutos, segundo tempo, o Grêmio estava vencendo o São Paulo, por 1×0, no Olímpico, iniciando a arrancada rumo à classificação.

Apesar de ser superior ao time paulista, o Grêmio teve um primeiro tempo de muitas ameaças, finalizações e. por azar, grandes defesas do goleiro Toinho. Plenamente ofensivo e explorando o recuo do São Paulo, o tricolor pressionou com insistência. O gol, porém, não saiu nesta fase.

No tempo final, o mesmo domínio. Depois, o gol que fez justiça. O Grêmio mostrou mais futebol. Daí o escore favorável e o apoio da torcida (CrS 3.279.540,00, a arrecadação) que não parou um instante de incentivar os jogadores.

O Grêmio ganhou por 1×0 do São Paulo, com Leão; Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Paulo Isidoro, Tadei; Tamiso, Baltazar e Odair. O São Paulo jogou com Toinho; Chiquito, Nei, Dario Pereira e Marinho; Almir, Élvio (expulso) e Éverton; Valtinho (Tatu), Assis (Marquinho) e Heriberto. Bráulio Zanotto foi um bom árbitro, com Célio Laudelino e José Nunes, os auxiliares.

A vitória gremista foi amplamente festejada. É o que o torcedor esperava. Agora, sem dúvida, passando pelo São Paulo, o time tem condições de continuar lutando pelo objetivo maior: a classificação. Outro fator positivo da vitória: a. excelente estréia do lateral Paulo Roberto. O júnior esteve excelente na marcação e, quando partiu para o apoio, saiu-se com segurança. Portanto, foi outro motivo de grande vibração da torcida. Agora, mais tranqüilo, bicampeão gaúcho prepara-se para enfrentar a próxima jornada. A primeira decisão foi vencida.” (Correio do Povo, 22 de março de 1981)

Foto: Correio do Povo

 

Grêmio 1 x 0 São Paulo

GRÊMIO: Leão; Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Paulo Isidoro e Vílson Tadei; Tarciso, Baltazar e Odair
Técnico: Ênio Andrade

SÃO PAULO: Toinho, Chiquito, Nei, Darío Pereyra e Marinho; Almir, Élvio e Éverton; Valtinho (Tatú 37 do 2º), Assis (Marquinhos 22 do 2º) e Eriberto.
Técnico: Carlos Alberto Silva

Brasileirão 1981 – 2ª Fase- 4ª rodada
Data: 21 de março de 1983, Sábado, 16h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 27.999 pagantes
Renda: Cr$ 3.279.540,00
Juiz: Bráulio Zanotto (PR)
Auxiliares: Celso Laudelino da Silva e José Nunes
Cartão Amarelo: De León
Cartão Vermelho: Élvio, 31 do 2º
Gol: Baltazar, aos 25 minutos do 2ºtempo

Brasileirão 1981 – Inter de Limeira 3×1 Grêmio

March 15, 2021

 

Há exatos 40 anos o Grêmio perdia para a Inter de Limeira por 3×1, pela terceira rodada da segunda fase do Brasileirão de 1981.

Ênio Andrade tirou Odair do time e escalou o time num 4-4-2 pela primeira vez no campeonato. Não deu muito certo.

Bolívar, que chegou a jogar de ponta-esquerda no Grêmio alguns anos antes, era quarto-zagueiro e capitão da equipe de Limeira

 

“GRÊMIO FOI MAL E ESTÁ AMEAÇADO

Time de Ênio Andrade largou na frente da Inter de Limeira, mas acabou levando três. Agora está numa situação ruim na tabela

 O Grêmio ficou em situação o ruim para classificar-se à fase seguinte da Copa de Ouro, depois de perder, ontem, no Estádio Limeirão para a Inter de Limeira por 3 x 1. O Grêmio começou melhor, fez seu gol, mas não conseguiu resistir ao futebol objetivo do time contrário, especialmente de Elói, que além de marcar dois gols, desequilibrando a partida em favor da Inter.

 Quando o jogo começou fazia muito calor em Limeira e torcida local pareceu não acreditar em sua equipe pois compareceu em número reduzido ao Estádio. E o Grêmio tirou proveito disso.  A Inter só tinha Tornado protegendo os seus zagueiros e o esquema de Ênio Andrade com quatro homens no meio campo – China, Renato Sá, Tadei e Paulo Isidoro – sempre fazia com que um destes jogadores ficasse livre para organizar os ataques do seu time. A Inter, então, só se limitava ao talento de Elói, que, marcado por Tadei, ainda não desenvolvia todo seu futebol. Camargo, a grande opção ofensiva da equipe, era muito bem marcado por Dirceu. Só dava Grêmio, mesmo que Tarciso estive (parece) com medo de enfrentar Bolivar.

 O gol dos gaúchos passou a ser uma questão de tempo e acabou surgindo aos 12 minutos. Baltazar criou o lance, Isidoro marcou. O Grêmio continuou melhor e, num chute de Tadei, quase, que Isidoro liquidou com a partida. Só que a esta altura dos acontecimentos a Inter já melhorava. Toinzinho fez um Lance individual e quase empatou. E a zaga do Grêmio, com Newmar intranquilo, começou a errar.

  Aos 23 e 26 minutos, a Inter ameaçou. Sempre por Eloí. E o empate veio sem que ele tivesse participação (um fato raro no campo). Foi Marcão quem avançou num incrível descuido de De León que, ao invés de chutar a bola para o lado, preferiu atira-la contra o corpo do centroavante. E Marcão, muito mais forte, levou vantagem. Até que Leão foi obrigado a cometer pénalti.

Aí, o Grêmio ficou perturbado. E a Inter soube tirar muito proveito disso. Tanto que seu segundo gol — 37 minutos — veio depois de cinco minutos da hora do empate. Marcão marcou num erro de Newmar, um zagueiro muito inseguro. E o terceiro gol só não surgiu num lance criado pelo zagueiro Joílson (até isso acontece com o Grémio). Porque Leão fez uma fabulosa defesa na conclusão de Marcão. Ênio Andrade desceu para o vestiário negando-se a dar entrevistas. E até que ele teve uni pouco de razão, pois era difícil explicar o que houve com o Grémio.

 Quem esperava que o Grémio reagisse no segundo tempo, estava enganado. Os gaúchos voltaram mais dispostos a campo. Até Tarciso que quase empatou a partida, logo aos dois minutos Mas a Inter lambem era outro lime, agora mais cauteloso, procurando manter sua vantagem. Havia sombra no campo e seus jogados ainda mostravam um bom preparo físico.

 Curiosamente, a vontade do Grêmio em empatar foi que o derrotou. Como? Ora, De León partia para o ataque, ajudando os companheiros e apareciam os espaços na zaga gremista. Elói fazia tudo o que queria com a bola e Leão começou a ter excesso de trabalho, passou a evitar a goleada, defendendo lances em chutes de Camargo e Marcão, aos S e II minutos. Ênio Andrade, então, escalou Odair no lugar de Tadei (o Grêmio não podia perder), mas não adiantou. Eram I5 minutos. Aos 20, Baltazar saiu para dar entrada a Héber e a Inter continuava mais perto do terceiro gol. Elói já dava “show” de bola. O Grêmio não tinha mais esquema, apenas raça.

  E Elói marcou um golaço, aos 23 minutos, num lance de rara habilidade: ele encobriu o goleiro Leão. O Grêmio estava perdido e seus jogadores só tinham vontade em mudar o que acontecia. Renato Sá e o zagueiro Joílson foram expulsos. Mais tarde, Dirceu e Tornado. Quase não havia mais nada a se fazer em campo. Bem que o Grêmio tentou reagir e Odair foi quem criou suas melhores oportunidades, mas a zaga da Inter, comandada por Bolívar, estava segura e o tempo foi passando. E foi o time local, sempre através de Elói, quem criou a última grande oportunidade da partida para que Leão fizesse a defesa. Eles foram os dois grandes destaques em campo. Sem dúvida. E o pequeno público que compareceu ao Limeirão foi embora satisfeito para casa.

 

O Placar

 Paulo Isidoro para o Grémio, 1 x 0, aos 12 minutos do primeiro tempo. Baltazar recebeu uma bola livre pela ponta esquerda. Isidoro antecipou-se aos zagueiros da Inter e cabeceou no ângulo esquerdo da goleira de Serginho.

 Elól para a Inter, 1 x 1, aos 33 minutos. De León foi dividir uma bola com Marcão no meio de campo. Ele errou ao tentar vantagem nesta dividida contra o adversário mais forte. Marcão avançou só e foi derrubado por Leão. Elói cobrou o pênalti no canto esquerdo. Com categoria.

Marcão para a Inter, 2 x 1, aos 37 minutos. Simões cruzou a bola do lado esquerdo. Marcão antecipou-se a Newmar, colocou a bola no chão e chutou forte, de pé esquerdo, no canto direito da goleira de Leão que ainda tentou a defesa.

 Elói para a Inter, 3 x 1, aos 23 minutos do segundo tempo — um gol lindo. Elói recebeu a bola ao lado da área do Grêmio e, percebendo a má posição de Leão no lance (estava adiantado), encobriu o goleiro ao dar um leve toque na bola com seu pé esquerdo.” (José Evaristo Villalobos, Zero Hora, segunda-feira, 16 de março de 1981)

 

Correio do Povo

 

 

INTERNACIONAL-SP: Serginho; Suemar, Johnathan, Bolívar e Celso; Tornado, Elói e Toinzinho (Salomão); Camargo (Alexandre Pimenta), Marcão e Simões
Técnico: João Francisco

GRÊMIO: Leão; Casemiro, Newmar, De León e Dirceu; China, Vilson Tadei (Odair), Renato Sá e Paulo Isidoro; Tarciso e Baltazar (Heber) .
Técnico: Ênio Andrade

2ªFase – 3ª Rodada
Data: 15/março/1981 – Domingo
Local: Major José Levy Sobrinho – Limeira
Público: 10.144 pagantes
Renda: Cr$ 1.350.800,00
Juiz: Valquir Pimentel (RJ)

Auxiliares: Edson Pessoa Rodrigues e José Maria Barreto
Cartão Amarelo: Dirceu, Leão, Tornado
Cartão Vermelho: Gílson e Renato Sá aos 35, Dirceu aos 42 e Tornado aos 43 do 2ºtempo.
Gols: Paulo Isidoro aos 12, Elói (Pênalti) aos 33 e Marcão aos 36 do 1º, Elói aos 23 do 2º.

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 2ª Rodada – Grêmio 2×0 Fortaleza

March 12, 2021
1981 zh fortaleza casa newmar

Foto: Zero Hora

 

Há exatos quarenta anos o Grêmio vencia o Fortaleza pelo Campeonato de Brasileiro de 1981. Já havia feito um post sobre esta partida em junho de 2019. Repito agora, acrescentando a chamada do Grêmio para o jogo com o preço dos ingressos, a crônica e uma foto do jogo do Correio do Povo, bem como as colunas de José Antônio Ribeiro, Paulo Santana, Ruy Carlos Ostermann (estes três da Zero Hora) e Antônio Goulart (do Correio do Povo)

O primeiro jogo da história entre Grêmio e Fortaleza em solo gaúcho.

O confronto foi válido pela segunda rodada da segunda fase do Brasileirão de 1981. Na partida anterior, o Grêmio foi duramente derrotado pelo São Paulo no Morumbi, o que fez com que o técnico Ênio Andrade começasse a promover alterações na equipe. Casemiro fez seu primeiro jogo oficial como titular (ainda como lateral direito) na temporada e Newmar fez sua estreia na competição.

Newmar marcou o primeiro gol do jogo e (o então muito questionado) Baltazar fechou o placar no segundo tempo.

1981 zh fortaleza casa baltazar ado

Foto: Zero Hora

 

GRÊMIO SUPERA O FORTALEZA MAS A TORCIDA NÃO GOSTA
Apesar da vitória, o time do Olímpico, nervoso, mostrou muitos erros

O Grêmio venceu ao Fortaleza sem entusiasmar sua torcida no Estádio Olímpico. Com um gol de Newmar no primeiro tempo e Baltazar no início do segundo, o time de Ênio Andrade conseguiu assim assumir a vice-liderança do Grupo. Está ao lado do Internacional de Limeira contra quem joga domingo próximo, mas ganha o confronto por ter uma vitória enquanto o time paulista tem dois empates. O 2 a 0 não satisfez os torcedores e alguns jogadores inclusive reclamaram.

A vitória do Grêmio satisfez os otimistas e pessimistas. Os otimistas porque somente uma equipe teve iniciativa, apresentou um trabalho coletivo aceitável e construiu excelentes oportunidades de gol. Os pessimistas porque foi o Grêmio também que continuou mostrando problemas individuais ¡á conhecidos como a pouca objetividade de Odair e Renato Sá — sem falar em suas dificuldades para concluir com perigo — e a má fase de Baltazar que chegou a irritar a torcida com seus impedimentos sucessivos e gols perdidos.

Por isso junto com os aplausos ao final do primeiro tempo podiam ser ouvidas vaias que voltaram durante o segundo tempo ¡unto com os pedidos de alguns torcedores por Heber. Mas foi Baltazar o primeiro a levantar a torcida quando fez um gol, anulado, aos 10 minutos de jogo por causa de uma falta no goleiro. Não demorou muito para Newmar fazer o seu e tranqüilizar mais a torcida. Mas quem não mostrou tranqüilidade foi o time do Grêmio.

Mesmo enfrentando uma equipe fraca, com preparo físico deficiente e praticamente sem ataque — o Fortaleza só teve mesmo o ponteiro Mazola a tentar algo — o Grêmio mostrou muito nervosismo nas conclusões perdendo grandes situações de gol. Aos 27 por exemplo Baltazar perdeu de cima ao chutar no travessão uma cruzada de Tarciso. Na seqüência Renato Sá chutou para fora.

O segundo tempo iniciou bem, com um gol de Baltazar, logo a três minutos e o Grêmio seguiu dominando, criando boas situações de gol mas a repetição dos erros nas conclusões fez com que o resultado permanecesse o mesmo. Baltazar foi substituído por Heber e saiu bastante vaiado. Odair saiu para a entrada Vilson Tadei. Casemiro e Newmar, as novidades, saíram-se bem especialmente o primeiro que foi importante na ligação da defesa com o ataque.
Depois de De León obrigar Ado a fazer mais uma boa defesa tentando aumentar o resultado, foi a vez de Paulo Isidoro ter excelente chance. Nos últimos minutos Heber marcou mas o juiz não validou: o centroavante concluiu e Marcão tirou de dentro. Tanto o árbitro como o bandeirinha estavam mal colocados e não deram o gol.

O Placar

1 x 0 — Newmar para o Grêmio aos 13 min. do primeiro tempo. Odair cobrou o escanteio e o zagueiro de cabeça acertou o canto esquerdo do goleiro Ado que falhou, a bola veio de longe.

2 x 0 — Baltazar para o Grêmio aos 3 min. do segundo tempo. A jogada começou com um cruzamento de Casemiro pelo lado direito. Baltazar acertou o travessão do Fortaleza e no rebote, o centroavante marcos o segundo gol gaúcho.” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

Foto: Correio do Povo

 

REABILITAÇÃO NO OLÍMPICO MAS O TIME NÃO DESLANCHOU

Não foi a apresentação que a torcida esperava. Mas a vitória de 2 a 0 sobre o Fortaleza serviu para reabilitar a equipe, que vinha de três derrotas consecutivas. O Grêmio, ontem à noite no Olímpico, voltou a ser um time inseguro, com muitos defeitos. Os estreantes Casemiro e Newmar saíram-se bem e devem ser mantidos por Ênio Andrade para o jogo de domingo, em Limeira. O Fortaleza foi uni adversário fraco, em nenhum momento chegou a ameaçar o bicampeão gaúcho. Com esta vitória e o empate do São Paulo, o Grêmio subiu à vice-liderança no Grupo 1.

PRIMEIRO TEMPO — Após um início nervoso, o Grêmio, aos 10 minutos, dominava a partida, e tudo fazia prever que venceria fácil, já que o adversário não demonstrava nenhuma qualificação para impedir a derrota. Aos 8 minutos Baltazar atirava para as redes, mas o árbitro anulou o lance, marcando falta no goleiro Ado. Aos 18 minutos, Newmar inaugurava o, marcador, aliviando a tensão da torcida. Tarciso cobrou bem um escanteio da direita, e zaga do Fortaleza confundiu-se e o zagueiro, de cabeça, surpreendeu Ado. A partir daí o Fortaleza abriu-se, dando espaços para as penetrações gremistas, que no entanto não foram aproveitadas, desperdiçando sucessivas chances de ampliar o placar. Aos 30 minutos, o domínio do time de Ênio Andrade era total, Baltazar, depois de excelente jogada de Isidoro, atirou no travessão. Aos 37 nova chance foi desperdiçada, com Renato Sá arrematando para boa defesa de Ado. Faltou maior tranqüilidade para o ataque do Grêmio.

SEGUNDO TEMPO — Nos 45 minutos finais a equipe gremista voltou com maior disposição, e logo a 1 minuto Tarciso deixou de marcar o segundo. Na seqüência da jogada, a bola sobrou Para o lateral Casemiro, que lançou paria área, onde Baltazar estava colocado para concluir no paste. No rebote, Casemiro serviu novamente Baltazar que concluiu para as redes, marcando o segundo gol gremista. A partir daí o domínio do time de Ênio Andrade foi total, pois o adversário acabou sendo envolvida, limitando-se a um esquema defensivo paria evitar a goleada. A superioridade do Grêmio foi tão notória que o goleiro Leão, em toda a partida, fez apenas urna defesa. E isso aos 29 minutos, quando Tiquinho, num dos raros ataques do Fortaleza, chutou de fora da área.

A vitória foi justa, e o resultado de 2 a O não refletiu o domínio do Grêmio, que deixou de aplicar uma goleada no time cearense.

DETALHES TÉCNICOS

Arbitragem do paranaense Eraldo Palmerini, com um trabalho apenas regular. Foi auxiliado pelos catarinenses Iolando Rodrigues e Alvir Renzi” (Correio do Povo, sexta-feira, 13 de março de 1981)

1981 zh fortaleza casa baltazar

Foto: Zero Hora

 

“Jogo ruim onde o Grêmio chutou 27 bolas a gol marcou só duas vezes, prova da fragilidade do Fortaleza e da inoperância do ataque gremista” (Emanuel Mattos, Revista Placar, Edição n.º 566 – 20 de março de 1981)

 

1981 chamada gaucha gremio fortaleza

TARCISO E ISIDORO PEDEM MAIS APOIO

O jogo recém havia terminado e foi o ponteiro Tarciso o primeiro a fazer críticas ao comportamento da torcida do Grémio durante o jogo contra o Fortaleza. “É uma pena a torcida não ter compreendido e não nos aplaudir nesta vitória muito importante” disse ele. Logo depois foi a vez de Paulo Isidoro desabafar:

— Acho que é bobagem ficar se preocupando com isto. Mas se a torcida não está satisfeita que entre ela em campo e faça o que nós estamos fazendo!

Todos os jogadores sem exceção estranharam as atitudes da torcida impaciente em muitos momentos e inclusive vaiando a alguns jogadores especialmente a Baltazar. Tadei chegou a fazer um apelo dizendo que “este e o início de urna nova etapa onde todos precisam se unir para ajudar o clube”. E o zagueiro Newmar, tentou dar uma pista para o problema: “creio que é uma consequência dos erros nas conclusões” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

ÊNIO VAI MANTER TADEI NA EQUIPE

Com o resultado de 2 a 0 definido desde o início do segundo tempo, o técnico Ênio Andrade tratou de aproveitar os 21 minutos finais para testar aquela que deverá ser a formação da equipe no jogo contra o Internacional: com Vilson Tadei na meia cancha e Renato Sá na ponta esquerda, saindo Odair.

— O Tadei e um jogador de habilidade e como o Renato faz um trabalho Importante na ligação do ataque com a meia cancha, tornando a equipe menos vulnerável, poderei escalar os dois neste jogo em Limeira.

Enio Andrade diz que estranhou o comportamento da torcida vaiando alguns jogadores em determinados momentos, elogiou o trabalho de Casemiro, e Newmar na primeira partida de ambos na equipe explicando que eles poderão continuar, o mesmo acontecendo com Vilson Tadei. “Com o jogo definido tratei de já ir testando esta nova formação”, disse ele. ” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

1981 classificaççao

Fonte: Zero Hora

 

RUY CARLOS OSTERMANN: “TORCEDOR E TIME

A indispensável vitória veio. Dois a zero, mas com ela vieram também as situações desperdiçadas, o fracasso do Baltazar para a hora de fazer o gol o a irritação da torcida. Prestei atenção. Uma parte se justifica porque o torcedor exige mais qualidade em campo. Mas outra parte pertence a uma relação conflituada do torcedor com alguns jogadores. O exemplo mais evidente é o de Renato Sá. Jogou relativamente bem, justificou-se. Não é craque mas cumpriu com o seu trabalho, sacrificou-se, enfim, correspondeu. O técnico do Fortaleza, depois do jogo, inocente em relação ao ambiente, disse que número dez do Grêmio é bom demais. E até repetiu para o repórter da Rádio Gaúcha.

Há, portanto, duas coisas: os fatos e as opiniões. Geralmente deveriam estar combinadas mas na avaliação do time de Ênio Andrade não estão. Há queixas, azedumes, ressentimentos interferindo na apreciação do time que está em campo. E estas dificuldades pessoais ficam quase graves quando reaparece o erro demasiado, tão comum com o time do Grêmio. O gol perdido, o chute errado, o passe mal feito, o desencontro irritam muito ao torcedor. O Grêmio vive um momento de difícil aceitação mútua, torcedor e time. O 2 a 0 deveria ter sido quatro ou cinco. E mesmo assim não sei.” (Ruy Carlos Ostermann, Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

 

PAULO SANTANA: “SÓ A VITÓRIA

Se o leitor esperava encontrar aqui, hoje, um espaço de um gremista que iria espanejar-se na alacridade de uma vitória sobre o Fortaleza, enganou-se, pelo que lhe peço desculpas. Acontece que eu não só não gostei do time do Grêmio como também passo a encarar com medo e desânimo a própria classificação, que deveria ser fácil, uma vez que o grupo que tocou ao Grêmio é modestíssimo. Pelo menos o Grêmio venceu a partida, deixando no ar uma esperança de classificação, Mas só resta a esperança. Em matéria de indicio, prova e perspectiva de atuações capazes de levar o Grêmio às finais, aconteceu um desencanto na partida de ontem.

Basta que se diga que o Grêmio teve 27 arremessos a gol no jogo. 27. Isso porque o Fortaleza é um dos piores times brasileiros. Levou 8 a 0 do Flamengo. Daí que o Grêmio teve 27 arremessos a gol. Incrível. Só dois foram aproveitados. O que quer dizer que o ataque do Grêmio teve ontem um aproveitamento de menos de 10%, o que em futebol profissional é inadmissível. Vejam bem, com relação a esse detalhe, basta que se faça um cálculo para que se fique aterrorizado: se ó Grêmio quiser fazer um gol no campeonato nacional, de acordo com os números de ontem, terá que arrematar 11 bolas a gol. Portanto, qualquer equipe média que consiga não permitir que o Grêmio chute 11 bolas a gol, sairá de campo sem levar gol do time de Ênio Andrade. Tal é o horror que nos transmitiu ontem a ineficiência e despreparo do ataque do Grêmio.

Baltazar chegou ao exagero de errar 9 gols. Errou nove e acertou um. Quando eu dizia, antes do Bira ser operado, que achava o n. 9 colorado melhor que o Baltazar, o Resende, o Bastos, o Bisol e vários acólitos desses três grandes gremistas queriam me matar. Ontem, o Baltazar chutou 9 bolas a gol e cabeceou 3. Fez um gol e errou nove. O mesmo com o resto do ataque do Grêmio ou com China, Casemiro e Renato Sá quando arremataram. Não há time nenhum do mundo que aguente um tal índice de desaproveitamento. Em vários comentários meus às 7 e 40 da manhã na Rádio Gaúcha, tentei fazer ver que o problema do Grêmio não se resume só à meia cancha. É de ataque também. Ontem, esse detalhe ficou terrível e claramente confirmado. Não sabem chutar a gol os jogadores comandados por Ênio Andrade.

O empate da Inter de Limeira com o São Paulo, ontem, acabou por perigar o horizonte gremista de classificação. Aparentemente e talvez concretamente a partida do próximo domingo, em Limeira, decide a sorte do Grêmio no campeonato nacional. Uma vitória dará ao Grêmio, praticamente, a classificação. Um empate fará do Grêmio ainda candidato. E uma derrota será, talvez, fatal. Como se vê, resta rezar. Porque em três dias o Ênio Andrade não vai conseguir calibrar a pontaria desviada de todos os dianteiros fixos e eventuais.

Por teimosia, Ênio Andrade, que não deveria ter nenhuma culpa nas más atuações do Grêmio, inscreve-se entre os responsáveis. Ele já tinha sido alertado para o fato que era errado o posicionamento de De León, mais adiantado que o outro qualquer central que jogue ao seu lado. Contra o São Paulo, por esse erro imperdoável de Ênio Andrade, De León chegou atrasado nas três bolas dos três gols de Serginho. Ontem, nos três únicos ataques do Fortaleza, De León assistiu em dois deles o Newmar e o Dirceu a brigar com os atacantes na marca do pênalti. Sabem onde estava De León? Fora da área. Por erro e teimosia de Ênio Andrade, que deveria fazer de De León o zagueiro de espera, aquilo que os antigos chamavam de baluarte. O bom tem que ficar na espera. Era assim com Airton, foi assim com Figueroa. Ênio não vê isso e decreta o seu próprio suicídio.” (Paulo Santana, Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

 

JOSÉ ANTÔNIO RIBEIRO – O EDITOR:

“O Grêmio fez dois gols no Fortaleza, errou mais de meia dúzia, apresentou um futebol confuso, chegou até a ser vaiado pela torcida e mereceu nossa manchete: apenas passou por mais este jogo da segunda fase da Taça de Ouro.

Os repórteres que foram ao Olímpico, ontem à noite, continuaram com a mesma opinião: a equipe realmente não mostra nada que entusiasme. Da defesa ao ataque é um conjunto sem acertos que não responde realmente à pretensão de uma torcida intensamente acenada com a possibilidade de um título brasileiro.

Assim, os erros de Baltazar, somados aos constantes equívocos de seus companheiros de ataque e ainda auxiliados no afundamento pela completa indecisão de uma meia-cancha sem esquema, levaram a torcida a uma irritação tal que, mesmo na vitória, Paulo Isidoro foi levado a ser extremamente duro nos microfones, ao fim da partida: — Que venham jogar no meu lugar. Disse. O futebol do Grêmio, sua vice-liderança nos números do grupo e a noite no Olímpico estão bem abordados na cobertura.” (José Antônio Ribeiro, Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

 

ANTÔNIO GOULART: “NÃO FOI O ESPERADO

O resultado foi positivo, mas o rendimento da equipe não foi satisfatório: O Grêmio dominou o Fortaleza com naturalidade, mas não com a tranqüilidade esperada. Ouvi torcedores reclamando, à saída do Olímpico: “Quando o time tem tudo para dar uma goleada, acaba se complicando”: Realmente, o Grêmio mostrou-se complicado ontem à noite; não com o adversário, que foi vulnerável, abriu espaços e facilitou muita coisa, mas com seus próprios problemas e perturbações.

 A defesa gremista, com mudanças no setor  direito — Casemiro e Newmar — a rigor, não teve trabalho, o ataque do Fortaleza não existiu. As dificuldades maiores estiveram na meia-cancha com Renato Sá e Paulo Isidoro, confusos, previ= pitados e errando muito nas finalizações. O Grêmio deixou a impressão nítida que ainda carrega resquícios dos problemas resultantes nas derrotas anteriores. A torcida também não contribuiu para melhorar o ambiente. Não houve vaias, mas vi muita gente sacudir a cabeça, contrariado, depois de diversos lances errados.

Os dois a zero sobre o fraco Fortaleza devem significar para o Grêmio, no entanto, um estímulo e um passo para a reabilitação. Já ficou em segundo lugar no Grupo, com um ponto apenas atrás do líder (São Paulo, e junto com o Inter de Limeira, o adversário do próximo domingo.” (Antônio Goulart, Correio do Povo, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

Grêmio 2×0 Fortaleza

GRÊMIO: Leão; Casemiro, Newmar, De León e Dirceu; China, Paulo Isidoro e Renato Sá; Tarciso, Baltazar (Eber) e Odair (Vilson Tadei)
Técnico: Ênio Andrade

FORTALEZA: Ado; Roberto, Marcão, Totó e Roner; Chinesinho, Odilan (Bosco) e Dudé; Mazola, Chico Explosão (Rogério) e Tiquinho.
Técnico: César Morais

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – Grupo I – 2ª Rodada
Data: 12 de março de 1981, quinta-feira, 21h00min
Local: Estádio Olímpico- Porto Alegre
Público: 16.044 (14.947 pagantes)
Renda: Cr$ 1.691.630,00
Árbitro: Eraldo Palmerini (PR)
Auxiliares: Iolando Rodrigues e Alvir Renzi (SC)
Gols: Newmar aos 13 minutos do 1º tempo e Baltazar aos 3 minutos do 2º tempo

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 1ª Rodada – São Paulo 3×0 Grêmio

March 8, 2021

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

Há exatos 40 anos o Grêmio fazia o seu primeiro jogo pela segunda fase do Brasileirão de 1981 (a décima partida da campanha). E iniciava mal, com um dura derrota por 3×0 para o São Paulo no Morumbi.

O tricolor paulista estava vivendo um grande momento. Três dias antes a equipe havia vencido o Cosmos num amistoso em São Paulo. E 7 dos seus atletas haviam sido convocados para a Seleção Brasileira que jogaria pelas eliminatórias para a Copa de 1982.

Por outro lado, o Grêmio passava por uma certa “turbulência”. O preparador físico Eroíno Machado pediu demissão após fazer críticas públicas sobre a conveniência da viagem do Grêmio para um torneio amistoso no Uruguai. Julio Espinosa foi contratado para o seu lugar.

Comparando essa derrota com outros revezes de temporadas anteriores, Tarciso vaticinou: “este ano estou convencido de que a escrita vai mudar. Este ano a paulada foi cedo, logo no primeiro jogo.”

 

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

GRÊMIO PERDEU PARA UM FUTEBOL SUPERIOR

Um time cheio de lances ensaiados, com um ataque forte e inspirado, o São Paulo foi irresistível para, o Grêmio que tinha esperanças no jogo

 

Bem que o Grêmio tentou surpreender o São Paulo, com Ênio Andrade tendo mandado Tarciso explorar os espaços surgido: na defesa adversária com os avanços de Marinho. Mas o São Paulo ganhou a partida no Morumbi, por 3 a 0, e até poderia ter marcado mais gols, devido ao seu futebol sempre ofensivo, ou a criatividade de seus jogadores, especialmente Zé Sérgio. Nem o campo molhado (choveu muito antes da partida) ajudou o Grêmio no sentido de ficar livre das investidas de seu adversário.

 

E o São Paulo deixou claro logo no Início que iria atacar quando Éverton deu um chute muito forte para Leão defender, e quando Marinho, quatro minutos após, fez o mesmo. A torcida delirava, e China, o esforçado centromédio do Grêmio, levou cartão amarelo por jogo violento. Nem foi criticado por seus companheiros, pois esta era mesmo a única forma de parar o ataque adversário.

 

O São Paulo mostrava um time cheio de lances ensaiados, e com jogadores habilidosos, Paulo César, tabelando com Getúlio, deixou o lateral livre para iniciar o lance do seu primeiro gol. Serginho marcou, e Leão apenas colocou a mão na cabeça, desolado, ouvindo o torcida adversária gritar.

 

Zé Sérgio também fazia seu carnaval no lado esquerdo, mesmo cercado por Uchoa e De León. Serginho era uma presença constante na área, Paulo César ameaçava, e o Grêmio resistia. Até com certa bravura, pois ainda ia à frente: Tarciso era seu melhor jogador, e a defesa do São Paulo mostrava defeitos no jogo pelo alto, notadamente depois que Dario Pereira deixou o campo, lesionado. O Grêmio perdeu boas chances para empatar os 27 e 40 minutos, quando Tarciso (seu melhor jogador) criou lances para os companheiros.

 

Azar do Grêmio. Depois, o São Paulo voltou a dominar, e Serginho perdeu três boas oportunidades para ampliar a vantagem de seu time. Ele concluiu lances iniciados por Zé Sérgio (sempre ele), Éverton, e no último, aos 45 minutos, ficou livre à frente de Leão para chutar desviado.

 

PASSEIO NO SEGUNDO TEMPO

 

O Grêmio voltou para o segundo tempo pensando em empatar, e sua pequena torcida no Morumbi agitou-se quando Tarciso ficou livre à frente de Valdir Perez, aos seis minutos. Mas o goleiro defendeu e mais do que isso, ali o Grêmio terminou. Vicente deixou sua vaga para Casemiro, lesionado e pessoalmente escapou do pior.

 

É que o São Paulo começou a atacar novamente, e agora com mais força, com seus jogadores mais entrosados e rendendo melhor. Zé Sérgio iniciou um verdadeiro carnaval no lado esquerdo, sempre bem assessorado por Marinho, agora mais livre para apoiar, depois que Tarciso passou a ser esquecido por seus companheiros. Os outros gols eram só uma questão de tempo.

 

Serginho marcou o segundo aos 15 minutos, num lance de Zé Sérgio, que terminou com o cruzamento de Marinho. Paulo César desperdiçou outras duas boas oportunidades e a torcida fazia festa. O campo ¡á estava em bom estado, e o São Paulo passeava em campo.

 

Zé Sergio aprontou de novo, aos 35 minutos, e o Grêmio levou o terceiro. Aí, os jogadores do São Paulo mostravam todas as suas qualidades individuais, e evitavam os lances mais bruscos, já pensando na Seleção Brasileira.

 

O resumo de tudo? Ganhou o melhor. E o Grêmio, que fez o que pôde, nem teve ânimo para reclamar um pênalti a seu favor: um lance na hora em que o São Paulo ganhava por 2 a 0, quando Éverton empurrou Renato Sá sem que Wright tivesse se apercebido disso.

 

O PLACAR

Serginho para o São Paulo, 1 a 0 aos 15 minutos do primeiro tempo — Paulo César tabelou com Getúlio, e o lateral cruzou forte para a área. Os zagueiros do Grêmio não cortaram e Serginho ficou livre à frente de Leão, para chutar no canto direito.

 

Serginho para o São Paulo, 2 a 0, aos 15 minutos do segundo tempo — Zé Sérgio lançou Marinho, este fez o cruzamento alto para a área do Grêmio e Serginho, sempre bem colocado, e sem marcação, acertou o canto direito de Leão.

 

Serginho para o São Paulo, 3 a 0, aos 35 minutos do segundo tempo — Uma repetição do segundo gol: Zé Sérgio deu a bola para Marinho que cruzou para a área. Serginho, outra vez livre, deu um leve toque para o canto direito.” (José Evaristo Villalobos Neto, Zero Hora, segunda-feira, 09 de março de 1981)

 

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

 

 

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

 

“— Este jogo da próxima quinta-feira aqui, contra o Fortaleza é chave para as nossas pretensões. Se vencermos bem, iremos para o outro jogo em Limeira com moral, embalados e aí tenho certeza de que a situação muda.

 

Com a experiência de tantos anos de Grêmio e de situações semelhantes a esta, atual, o ponteiro Tarciso definiu ontem o pensamento de seus companheiros para a próxima partida, depois da derrota para o São Paulo (Grêmio perdeu antes para Brasília e Operário). O jogo contra o Fortaleza — colocado em segundo lugar no grupo ao lado do Inter de Limeira — é decisivo para a classificação do time à etapa seguinte. Tarciso disse isto a exemplo de outros jogadores, lembrando-se de derrotas anteriores nesta mesma fase, como contra a XV de Piracicaba, em 1979 ou contra o Corintians, em 1980.

 

— E muito difícil de explicar estas derrotas que todo ano nos acontecem — disse ele. Sei que ninguém acredita mais nas desculpas e são tantos os aspectos. Mas este ano estou convencido de que a escrita vai mudar. Este ano a paulada foi cedo, logo no primeiro jogo. Eu até não acredito ainda. No primeiro tempo do jogo em São Paulo até falei para o Isidoro que nós iríamos empatar.” (Zero Hora, terça-feira, 10 de março de 1981)

 

 

“FÁCIL PARA A “SELEÇÃO” DO MORUMBI

 A “seleção brasileira do Morumbi”, ou seja, o time do São Paulo, deu ontem à tarde mais uma boa demonstração do seu poderio técnico, impondo-se com categoria ao Grémio, pela contagem de 3 a 0. Um resultado que não deixa qualquer dúvida sobre a superioridade são-paulina, que assim larga com uma importante vitória nesta nova fase da Taça de Ouro do Campeonato Brasileiro de Futebol. Apesar do estado do gramado, principalmente no primeiro tempo, em virtude das chuvas, o time do São Paulo esteve bem, o do Grémio teve alguns bons momentos, mas não fez o suficiente para impedir o triunfo são-paulino. Não seria nenhum exagero se o São Paulo tivesse marcado pelo menos mais um gol, pois para tanto criou um bom número de oportunidades.

Serginho foi o grande artilheiro da partida, marcando os três gols, todos com jogadas iniciadas pelas pontas, setores que sem dúvida foram o ponto alto da equipe paulista, Pela direita, os gaúchos também tiveram bons momentos, com Tarciso e Paulo Isidoro, mas não conseguiram o mesmo êxito, pois não chegaram ao gol.

Com apenas 5 minutos de jogo, o São Paulo já tinha experimentado o goleiro Leão por duas vezes, com chutes de Everton e de Marinho, este último cobrando falta. Nas duas oportunidades, Leão apareceu bem, defendendo sem maiores preocupações. Até a marcação do primeiro gol o São Paulo apareceu melhor e conseguiu o que queda aos 15 minutos, vencendo pela primeira vez a meta de Leão. A jogada começou pelo setor direito, com Getúlio e Paulo César. O cruzamento foi do lateral, passando a bola rasteira pela defesa e encontrando Serginho livre para entrar sem qualquer’ problema para a conclusão. Um gol que ao contrário do que se poderia Imaginar, não abalou o time do Grémio, que passou a forçar, aparecendo um pouco melhor. Porém, é preciso frisar que o Silo Paulo, depois do gol, preferiu ficar um pouco mais cauteloso, não indo à frente com o mesmo empenho.

Nesta reação, o Grêmio teve algumas boas jogadas, com Valdir Peres defendendo bolas chutadas por Paulo Isidoro e Baltazar. Aos 30 minutos, uma presença perigosa dos gaúchos na área do São Paulo e foi só até o final do primeiro tempo. O tricolor, por sua vez, teve duas excelentes oportunidades no minuto final: Na primeira, Zé Sérgio preparou tudo na medida para Everton, que chutou por cirna; na segunda, Serginho avançou a livre, preferiu chutar antes do tempo e a bola acabou saindo pela esquerda, com Leão tirando o ângulo do atacante.

Se no primeiro tempo o São Paulo explorou bem o seu setor direito, no segundo preferiu: o esquerdo, de onde saíram os dois gols que consolidaram a vitória. Na fase final, o. Grêmio ficou um tanto quanto desanimado depois de ter sofrido o segundo gol. A equipe perdeu praticamente a disposição que vinha apresentando e pouco realizou de prático. Logo de saída, Everton chutou rasteiro de longe, com Leão pegando fácil. Aos 6 minutos, o Grêmio poderia ter chegado ao empate, se a tentativa de Tarciso tivesse dado certo. Livre, ele tentou encobrir Valdir Perez mas não conseguiu, defendendo o goleiro: Aos 16 minutos surgiu o gol que acabaria com o time gaúcho, um gol que foi praticamente unia repetição do primeiro. Everton desceu pela esquerda e aproveitando a descida de Marinho Chagas, deu um ótimo passe na frente. O lateral cruzou na medida e novamente a entrada oportuna de Serginho para concluir com facilidade.

Aos 20 minutos o árbitro José Roberto Wright tirou do Grêmio aquela que poderia ser a sua chance para diminuir a diferença. É que ele deixou de marcar um pênalti de Everton em Paulo Isidoro. O jogador gaúcho foi empurrado dentro da área. Digno de registro, este foi o único lance importante do Grêmio até o final da partida: Não fez nada por merecer melhor sorte no placar e a presença dó São Paulo foi marcante, comandando o jogo sem qualquer tipo de problema. Esta superioridade resultou na marcação do terceiro gol, aos 35 Minutos.  Pela esquerda, a troca de passes entre Zé Sérgio e Marinho Chagas e o cruzamento deste último pata o arremate de Serginho. Leão ainda chegou a tocar na bola. Alguns minutos antes, o São Paulo já poderia ter marcado, quando Zé Sérgio, depois de passar por Uchoa e De Léon, cruzou para Paulo César, livre de frente para o gol: A cabeçada do ponteiro não foi certeira e a bola passou por cima.

O São Paulo, com 3 a 0, deixou o tempo passar, não forçou muito, o Grêmio conformado com o seu destino e assim a partida chegou ao seu final com uma última tentativa sendo) feita por Marinho Chagas: chutou de fora dá área o Leão desviou para escanteio.”  (AroldoChiorino, Folha de São Paulo, 9 de março de 1981)

 

 

Foto: Ronaldo Kotscho (Placar)

 

Placar – “OPINIÃO: Um jogo maravilhoso. O São Paulo foi massacrante e o Grêmio conseguiu ser grande para evitar uma goleada maior.” (José Maria de Aquino, Placar, edição n.º 565, 13 de março de 1981)

QUE MARAVILHA, SÃO PAULO!
 
Um baile de Serginho, Marinho e Oscar. Um baile para os 34 mil que foram ao Morumbi. Bom público, sem dúvida, ainda mais se considerarmos a chuva forte que caiu. Mas ainda é pouco para esse maravilhoso time tricolor.
 
Torcedor tricolor, que goste mesmo do São Paulo, não pode nunca mais deixar de ir ver a nova maravilha do futebol brasileiro. De verdade.” (Placar, edição n.º 565, 13 de março de 1981)

 

Foto: Ronaldo Kotscho (Placar)

DERROTA CONTUNDENTE DO GRÊMIO E UMA VITÓRIA MUITO DIFÍCIL DO INTER
 
A dupla Gre-Nal não agradou na abertura da segunda fase da Taça de Ouro. Enquanto o Grêmio caiu feio no Morumbi, o Internacional, no Beira-Rio, passava apertado pelo modesto Goiás. Apesar do escore, uma importante vantagem colorada na nova etapa da competição.
 
No Morumbi, o São Paulo não teve dificuldades para fazer um dilatado três a zero no bicampeão gaúcho. Pior ainda: O representante do Olímpico demonstrou um péssimo condicionamento físico, parando em campo.
 
[…]
 
A derrota gremista em São Paulo e a vitória colorada aqui fizeram um registro que preocupa. Ao Inter, a necessidade de aprimorar suas jogadas ofensivas; ao Grêmio mais na força na defesa e um melhor preparo físico, para proporcionar maior movimentação em campo.” (Correio do Povo, terça-feira, 10 de março de 1981)

 

ÊNIO RECONHECE QUE TIME ERROU MAS TAMBÉM REALÇA QUALIDADES DO ADVERSÁRIO
 
[…]
 
OS ERROS 
 
Ênio Andrade admite que a equipe ainda apresentou muitos erros no jogo do Morumbi. mas reconhece a qualidade da equipe do São Paulo. Para o treinador o seu time ainda foi prejudicado pela lesão sofrida por Vicente, que o obrigou. a deslocar Dirceu para a área, colocando Casemiro na lateral. Dirceu não está acostumado a jogar naquela posição e por isso também encontrou dificuldades de entrosamento com Hugo De León. 
 
O treinador,. porem, ficou satisfeito com o rendimento do time e com o bom número de situações de ataque criadas mas desaproveitadas. ” (Correio do Povo, terça-feira, 10 de março de 1981)

São Paulo 3 x 0 Grêmio

 
SÃO PAULO: Valdir Peres, Getúlio, Oscar, Dario Pereyra (Gassém, 27 do 1º) e Marinho Chagas; Almir, Renato (Assis 37 do 2º) e Éverton; Paulo Cesar, Serginho e Zé Sérgio.
Técnico: Carlos Alberto Silva
 
GRÊMIO: Leão; Uchoa, Vicente (Casemiro), De León e Dirceu; China, Renato Sá e Paulo Isidoro; Tarciso, Baltazar e Odair (Heber)
Técnico: Ênio Andrade
 
Brasileiro 1981 – 2ª fase – 1ª Rodada
Data: 08 de março de 1981, domingo, 16h00min
Local: Morumbi, em São Paulo
Público: 34.301 pagantes
Renda: Cr$ 6.179.550,00
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Auxiliares: Rubem de Souza e Amauri Ponciano
Cartões Amarelos: China, Éverton, Marinho Chagas, Renato Sá e Uchoa
Gols: Serginho aos 16 do 1º, 15 e 35 do 2º.

Brasileirão 1981 – Operário 2×1 Grêmio

February 21, 2021

Há exatos 40 anos o Grêmio fazia a sua última partida pela primeira fase do Brasileirão de 1981. A derrota para o Operário deixou o Grêmio na quarta posição do Grupo B (7 dos 10 times de cada grupo avançavam a segunda fase)

Nas quatro partidas que fez em casa nessa etapa, o Grêmio teve média de 16.658 pagantes por jogo.

 

“GRÊMIO ESCAPA DE GOLEADA EM CAMPO GRANDE

Sem a recepção da torcida, o Grêmio retornou a Porto Alegre ontem, depois de perder para o Operário por 2 a 1, no sábado, em Campo Grande. Com um primeiro tempo equilibrado, o time da casa conseguiu se destacar no segundo tempo, quando Pastoril e Cleber marcaram para o Operário. De pé esquerdo, Odair descontou, aos 39 minutos.

(2) Operário: Neneca; Loti (Da Silva), Ramiro, Paulo Marcos e Escurinho; Garcia, Pastoril e Arturzinho; Baianinho, Lima e Cleber (Serginho).Técnico: Castilho

(1) Grêmio: Leão; Uchoa, De León, Vicente e Dirceu; China (Heber), Paulo Isidoro e Renato Sá (Tadei); Tarciso, Baltazar e Odair. Técnico: Ênio Andrade

O texto acima foi publicado na edição de segunda-feira, 23 de fevereiro de 1981.” (Zero Hora / Seção “Há 30 anos em ZH” em 23 de fevereiro de 2011) Fonte: gremionobrasileiro1981.tumblr.com

CLASSIFICAÇÃO PG J V E D GP GC SG

   Portuguesa (SP)

14 9 6 2 1 13 7  6

   Operário (MS)

11 9 5 1 3 11 8  3

   Goiás (GO)

11 9 4 3 2 10 6  4

   Grêmio (RS)

10 9 4 2 3 11 9  2

   Corinthians (SP)

10 9 4 2 3 10 8  2

   Galícia (BA)

9 9 4 1 4 10 10  0

   Botafogo (RJ)

9 9 4 1 4 15 12  3

   Pinheiros (PR)

8 9 1 6 2 9 11 -2

   Brasília (DF)

6 9 2 2 5 10 15 -5

  10º Desportiva (ES)

2 9 0 2 7 4 17 -13

 

 

OPINIÃO: O Operário dominou o meio-campo e teve chance de ampliar a contagem. Bom jogo no 2.º tempo”(Silvio Andrade, Revista Placar, edição n.º 563, 27 de fevereiro de 1981

 

Operário-MS 2 x 1 Grêmio

OPERÁRIO: Neneca; Lóti, Paulo Marcos, Ramiro e Escurinho; Garcia, Pastoril e Arturzinho; Baianinho, Lima e Cléber (Serginho, 30 do 2º)
Técnico: Carlos Castilho

GRÊMIO: Leão; Uchoa, Vicente, De León e Dirceu; China (Éber 33 do 2º), Paulo Isidoro e Renato Sá (Vilson Tadei 25 do 2º); Tarciso, Baltazer e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

Brasileirão 1981 – 9ª Rodada – 1ª fase
Data: 21 de fevereiro de 1981,  Sábado
Local: Pedro Pedrossian (Morenão), Campo Grande
Público: 10.428
Renda: Cr$ 1.829.100,00
Juiz: José Assis de Aragão – SP
Cartão Amarelo: Pastoril, China e Garcia
Gols: Lima aos 15, Cléber aos 18 e Odair aos 40 do 2ºtempo

Brasileirão 1981 – Grêmio 1×2 Brasília

February 15, 2021

Foto: Correio do Povo

 

Há exatos 40 anos o Grêmio sofreu sua primeira derrota na campanha do Campeonato Brasileiro de 1981. E foi uma das maiores zebras da história do Brasileirão, tendo o tricolor levado uma virada do modestíssimo Brasília Futebol Clube.

Foto: Correio do Povo

 

“BRASÍLIA DERRUBA O GRÊMIO NO OLÍMPICO
O “Colorado” jogou como se estivesse decidindo a Copa Brasil e mandou gaúchos pro vinagre
  
Surpreendente sob todos os aspectos foi a derrota do Grêmio para o Brasília por 2 a 1 no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, pelo Grupo B da Taça de Ouro do Campeonato Brasileiro. A torcida do Grêmio saiu do seu estádio sem entender a derrota, pois há 14 jogos que o campeão gaúcho não perdia no Olímpico.
  
Tudo parecia que o Grêmio chegaria facilmente à vitória, pois marcou primeiro. Logo a 1 minuto e 40 segundos do primeiro tempo, Tarcísio fez o gol do Grêmio. A reação do Brasília veio ainda na fase inicial. Aluísio, aos 23, e Vander, aos 25 minutos, marcaram os gols do Brasília.
  
O árbitro Iolando Rodrigues teve uma boa atuação, inclusive na marcação de impedimento de Dirceu, anulando um gol do Grêmio, aos 39 minutos do segundo tempo.” (Correio Braziliense – 16 de fevereiro de 1981 – Fonte: Blue Corner)
BRASÍLIA FOI LÁ
 
No Estádio Olímpico, o nosso Colorado virou o jogo e desbancou o Grêmio de forma espetacular: 2×1
Após levar um gol logo no primeiro minuto de jogo, o Brasília reagiu e obteve espetacular vitória sobre o Grêmio, por 2 x 1, ontem à tarde, no Estádio Olímpico de Porto Alegre, pelo Grupo B do Campeonato Brasileiro. Os gols do Colorado foram marcados por Aloisio e Wander, aos 23 e 25 minutos do primeiro tempo respectivamente e ao final do jogo a torcida gremista deixou o estádio atônita, já que o seu time há 14 jogos não perdia uma partida no Olímpico.
 
O árbitro do encontro foi Iolando Rodrigues, que teve boa atuação, inclusive na marcação de impedimento de Dirceu, anulando um gol do Grêmio quando eram decorridos 39 minutos da etapa complementar.
 
Ainda ontem, pela Copa de Ouro, o Vasco da Gama perdeu para o Colorado por 1 x 0, em Curitiba; o Flamengo venceu o CRB por 3 x 2, em Alagoas, enquanto o Fluminense perdeu para o Sport Recife por 1 x 0, no Maracanã e o Santa goleou o Cruzeiro por 3 x 0, no Mineirão.
 
Pelas eliminatórias da Copa do Mundo, a Bolívia venceu a Venezuela por 3 x 0, em Caracas, conseguindo sua primeira vitória nessa primeira fase visando a classificação para a Copa do Mundo da Espanha. Telê Santana, que foi assistir a partida (sic), disse após o jogo que a Seleção Brasileira que enfrentará os bolivianos domingo, em La Paz, deverá ser a mesma que goleou o Equador por 6 x 0, sábado, em Quito.” (Correio Braziliense – 16 de fevereiro de 1981 – Fonte: Rdiasnet.com.br)
“BRASÍLIA 2×1 – MESMO EM CASA GRÊMIO DANÇOU
 
O Brasília Esporte Clube conseguiu excelente vitória, ontem, no Estádio Olímpico, de Porto Alegre, ao vencer o Grêmio por 2 x 1, pelo Grupo B da Taça de Ouro do Campeonato Brasileiro. A vitória brasiliense foi ainda mais vibrante em razão da virada no marcador, já que começou perdendo por 1 x 0, surpreendido que foi por um gol de Tarciso no primeiro minuto de jogo.
 
Após o jogo, ainda atônica (sic), a torcida do Grêmio deixou o estádio praticamente sem entender a derrota, pois há quatorze jogos que o campeão gaúcho não perdia em seu reduto.
 
Os gols do Colorado foram marcados por Aluísio, aos 23, e Wander, aos 25 minutos, também da etapa inicial. O árbitro Iolando Rodrigues teve boa atuação, inclusive destacando-se pela anulação de um gol do Grêmio aos 39 minutos da fase complementar, coisa difícil de acontecer quando a marcação é contra o time da casa. Com esse resultado, mais a derrota do Botafogo, sábado, melhoraram as coisas para o representante brasiliense.” (Correio Braziliense – 16 de fevereiro de 1981 – Fonte: Rdiasnet.com.br)

Foto: Zero Hora

 

BRASÍLIA REAGE E SUPREENDE GRÊMIO EM PORTO ALEGRE

 Porto Alegre — Em resultado surpreendente, o Brasília derrotou o Grêmio, ontem à tarde, em pleno Estádio Olímpico, por 2 a 1, dando uma zebra  de apenas 9% na Loteria Esportiva. Esta foi a primeira vez neste ano que o técnico Ênio Andrade conseguiu escalar o Grêmio com sua força máxima, inclusive com a presença de Paulo Isidoro, em sua volta da Seleção Brasileira.

 A torcida, que compareceu ao Estádio Olímpico, certa de assistir a uma goleada de sua equipe, teve seus prognósticos aumentados, pois logo a um minuto e 30 segundos de jogo, Tarciso abriu o marcador, entrando pelo meio para aproveitar um cruzamento do ponteiro Odair, pela esquerda. E foi justamente após marcar logo de início que o Grêmio permitiu ao Brasília sair para o ataque, pois somente a vitória manteria as esperanças de uma classificação à fase seguinte da Taça de Ouro do Campeonato Brasileiro.

 Com 1 a 0 antes dos dois minutos de jogo, o Grêmio passou a rolar bola, subestimando o adversário. E com alguma razão, pois logo em seguida surgiram novas chances de ampliar o marcador. Mas o Brasília também saiu para o ataque e, antes de empatar a partida, teve duas chances incrivelmente perdidas por seus atacantes. A primeira com Aluísio, quando Leão fez grande defesa. A segunda com Afonso, que chutou por cima.

 Aos 22, Aluísio, de grande atuação, arriscou um chute da intermediária e teve a felicidade de acertar o angulo direito de Leão, que nada pôde fazer. E aos 24, Vânder, na meia-lua, recebeu um cruzamento da esquerda e colocou no mesmo canto. Já em desvantagem, o Grêmio, mesmo nervoso, continuou criando chances para empatar a partida. Tarciso, Baltasar e Renato Sá perderam gols incríveis. Ao final do jogo, Dirceu marcou aquele que seria o gol de empate, mas o juiz anulou, assinalando impedimento erradamente.” (Jornal do Brasil,segunda-feira, 16 de fevereiro de 1981)

 
Enfrentar o Grêmio no Estádio Olímpico é difícil para qualquer time do mundo. Imagine então para uma equipe fundada na época há apenas seis anos, com expressão limitada ao campeonato do Distrito Federal. Mas, no dia 15 de fevereiro de 1981, o que era anunciado como uma goleada transformou-se em silêncio na casa tricolor. Um adversário com as cores do arquirrival venceu o time que tinha De León, Paulo Isidoro e Baltazar e seria campeão brasileiro naquela mesma temporada. O modesto Brasília derrubou o Grêmio em Porto Alegre e a loteria esportiva no país inteiro.
 
– Quem iria apostar no Brasília? Absolutamente ninguém. Com o gol de Tarcísio logo no começo (aos 30 segundos de jogo), então… Mas o Brasília tinha o Aluísio. Era um robozinho, corria muito. Uma hora, meio que para se livrar da bola, deu um pontapé para frente, de longe. Fez o gol e acabou com todas as apostas (Vander completou o placar a favor dos visitantes) – lembrou Gustavo Mariani, renomado historiador esportivo no Distrito Federal.
 
No dia seguinte, o jornal “Correio Braziliense” exaltou o feito dos visitantes e estampou a seguinte manchete: “O ‘Colorado’ jogou como se estivesse decidindo a Copa Brasil e mandou gaúchos pro vinagre.” (Helena Rebello, Globo Esporte, 3 de novembro de 2010)
 

Foto: Adolfo Gerchmann (Placar)

 
Placar: “OPINIÃO:O Grêmio deu a impressão de que iria golear ao marcar logo aos 2 min, mas o Brasília foi para cima, virou e teve mais time para segurar o resultado.” (Emanuel Mattos, Revista Placar, edição n.º 562, 20 de fevereiro de 1981)
 
 
“[…]  Contra o Brasília, contrariando a indiferença dos narradores e a visão, por certo encoberta, dos repórteres  de campo, eu vi o Leão falhar nos dois gols. O primeiro até o velho pipoqueiro que passava na arquibancada me garantiu – “Esta eu pegava, moço!” E, sinceramente, não duvido. Chute lá da Capital Federal que o Leão aceita, fazendo um vôo bonito, mas atrasado como a droga do meu relógio. […]” (Nilo Vaz, Correio do Povo, terça-feira, 17 de fevereiro de 1981)
 

 

Grêmio 1×2 Brasília

 
GRÊMIO: Leão; Uchoa, Vantuir, De León e Dirceu; China, Paulo Isidoro e Renato Sá (Vilson Tadei); Tarciso, Baltazar (Éber) e Odair
Técnico: Ênio Andrade
 
BRASÍLIA: Deo; Luisinho, Mário, Foca e Zé Mário (Ricardo); Alencar, Marco Antônio e Vânder; William, Afonso e Aluísio (Paulinho)
Técnico: Alaor Capela
 
8ª Rodada – 1ª fase –  Brasileirão 1981
Data: 15 de fevereiro de 1981, domingo, 17h00min
Local: Olímpico, Porto Alegre
Público: 13.525 pagantes
Renda: Cr$ 1.098.200,00
Juiz: Iolando Rodrigues – SC
Gols: Tarciso aos 2, Aluísio aos 22 e Vânder aos 25 do 1º tempo.