Archive for the ‘1982’ Category

Amistoso em 1982 – Atlético Nacional 2×3 Grêmio

April 1, 2014
O primeiro confronto entre Atlético Nacional e Grêmio aconteceu no início do ano de 1982 em Medellín. Foi a segundo de uma série de dois amistosos que o tricolor fez na Colômbia (o primeiro foi com o América de Cali), aproveitando-se da sua recém adquirida fama de campeão brasileirão. 

Em 9 de fevereiro a Zero Hora afirmou que o Grêmio recebeu Cr$ 9 milhões por esta breve excursão, o que serviria para “amenizar um pouco a situação financeira do clube comprometida pelos Cr$ 12 milhões de juros mensais que o clube paga para saldar empréstimos que fez num banco, a fim de contratar Batista e Júlio César”
Na Folha da Tarde do mesmo dia consta a informação de que a excursão renderia ao Grêmio cerca de 30 mil dólares, o que era considerado uma boa quantia na comparação com as 6 partidas que o clube tinha feito até então no Campeonato Brasileiro que renderam aproximadamente Cr$ 10 milhões líquidos.  Nessa mesma edição consta a seguinte afirmativa:  “Koff nega que o Grêmio esteja pagando CR$ 14 milhões por mês de juros pelo empréstimo que fez para pagar Batista.”

Em campo o Grêmio levou um gol logo de cara, conseguiu uma virada antes dos 10 minutos de jogo, tomou um empate no segundo tempo quando o adversário tinha um jogador a menos, mas chegou a vitória com um gol de Paulinho no último minuto do tempo regulamentar.

Fontes: El Mundo Deportivo, El Tiempo, Folha da Tarde e Zero Hora

Atlético Nacional 2×3 Grêmio

ATLÉTICO NACIONAL: Carrabs; Luna, Suárez, Dragonetti e Porras; Peluffo, Sarmiento, Cueto (Ricaurte); Barrabás Gómez, Herrera e “Pillo” Cardona.
GRÊMIO: Leão; Uchoa (Paulo Roberto), Vantuir (Newmar), De Léon e Dirceu; Batista, Paulo Isidoro e Vilson Tadei; Tarciso (Tonho), Baltazar (Paulinho) e Júlio César (Odair)
Técnico: Ênio Andrade

Amistoso

Data: 11 de fevereiro de 1982, quinta-feira, 23h00min
Local: Estádio Atanasio Girardot, em Medellin, Colômbia
Juiz: Octavio Sierra
Cartão Vermelho: Dragonetti (no 2º tempo)
Gols: Barrabás Gomez, aos 2 minutos, Tarciso aos 8 e Baltazar aos 9 minutos do primeiro tempo;  Barrabás Gomez, aos 18 minutos e Paulinho, aos 44 minutos do segundo tempo.

Roubo na final do Brasileirão de 1982

April 25, 2012

Hoje, completam-se 30 anos de um dos maiores roubos da história do Estádio Olímpico. Um dos maiores “erros” de arbitragem de todas as ediçoes do Campeonato Brasileiro. Enfim, uma das maiores roubalheiras da história do futebol.

Foi em 25 abril de 1982. Era o terceiro jogo da final do Brasileirão daquele ano. No primeiro, empate em 1×1 no Maracanã. No segundo houve novo empate, dessa vez por 0x0, no Olímpico. José Roberto Wright apitou as duas primeiras partidas. Oscar Scolfaro estava no trio escolhido pela cobraf para para comandar o confronto decisivo e ganhou o sorteio para ser o árbitro principal.

O juiz paulista já havia beneficiado o Flamengo naquela competição, nas oitavas de final, quando anulou um gol legítimo do Sport Recife que eliminaria o time da Gávea.

No Olímpico, Scolfaro causou péssima impressão em virtude da má forma física e consequente má colocação em campo. Aos 35 minutos do primeiro tempo, não marcou um pênalti em Tonho.

Mas o lance que entrou para história aconteceu aos 10 minutos do segundo tempo. Após um escanteio, houve um lance de bate e rebate na área rubro-negra e Andrade tirou a bola de dentro do gol com a mão, para depois ter a ajuda de Raul na “complementação” da defesa.

Na transmissão da rede Globo (vídeo acima), o narrador Luciano do Valle e os comentaristas Márcio Guedes e Juarez Soares afirmam que a bola entrou.

Três atletas do Grêmio estavam em cima do lance, disputando a bola. Eis os seus relatos:

Paulo Isidoro: “Tivemos três pênaltis e ele não marcou nenhum. O primeiro foi em Tonho, no primeiro tempo; o outro foi em mim mesmo, e o terceiro, acho, o juiz podia ter dado gol. Digo com sinceridade, se foi gol eu não vi bem, mas que o Andrade pôs a mão na bola, isto eu tenho certeza.” (Zero Hora – 26 de abril de 1982)

Newmar: “Cabeceei e Marinho ou o Figueiredo, não sei ao certo, deu um tapa na bola. Se o árbitro estivesse perto do lance, como deveria, teria dado o pênalti. Esse Scólfaro está fora de forma, gordo.” (Folha da Tarde – 26 de abril de 1982)

Renato Portaluppi: “A bola tava entrando e o Andrade esticou o corpo junto com o braço. Eu acredito que tenha sido com o braço. Tava em cima da linha, aí podia ter sido pênalti, se tivesse colocado o braço na bola ou de repente a bola até tivesse entrado já.” (Entrevista a Regis Roesing, TV Globo -2009)

Em 2009, Andrade praticamente confessou a sua infração:

Andrade:Eu pensei em retirar a bola com mão” […] “pra te dizer a verdade eu não sei o que aconteceu, eu não sei se eu levei a mão na bola ou se eu fui com a bola realmente de/com a cabeça” (Entrevista a Regis Roesing, TV Globo -2009)

Folha da Tarde: “Oscar Scolfaro teve um erro grave aos 35 minutos, que poderia mudar o jogo. Afinal, num pênalte, a maior possibilidade é do atacante, e no mínimo 90 por cento dos pênaltis assinalados são convertidos em gol. Mas Scolfaro preferiu mandar a jogada prosseguir quando Tonho foi visivelmente derrubado dentro da área. A área do Flamengo um lugar onde dificilmente os árbitros erram contra o Flamengo. […] Aos dez minuos de jogo, numa confusão na área, Raul tirou a bola de dentro do gol.” ( 26 de abril de 1982)

Vilson Tadei:Meu desejo é ressaltar os erros do juiz, que foram prejudiciais aos nossos interesses” Tadei lembra que houve três jogadas em que o árbitro podia ter marcado pênalti a favor do Grêmio, e que ele não deu nada, “Numa delas, em que o Andrade tocou a bola com a mão, ele até podia ter dado gol, porque a bola tinha entrado” (Zero Hora – 26 de abril de 1982)
Batista: “Se o juiz tivesse um pouco mais de tranquilidade teria dado o pênalti, no lance do segundo tempo, em que um jogador do Flamengo tirou a bola com a mão de dentro do gol”. (Folha da Tarde – 26 de abril de 1982)

De León:Está certo que são 11 contra 11, mas hoje (ontem), foi demais. O Scolfaro beneficiou muito ao Flamengo, pois além de estar mal posicionado em campo, deixou de marcar um pênalti a nosso favor e muitas outras coisas, como aquele lance em que o Raul tirou a bola lá de dentro do gol deles.” (Zero Hora – 26 de abril de 1982)

Ruy Carlos Ostermann: “Oscar Scolfaro deu azar na decisão. Lento, distanciou-se do lance. Não deu pênalti em Tonho (ele foi calçado por trás), considerou normal o confuso lance da área do Flamengo em que a bola tapeada ou simplesmente ultrapassara a linha de gol, errou muitas vezes na marcação de faltas, e flagrantemente, relevou as reclamações dos jogadores do Flameno. E não deu descontos num jogo que foi marcado pela interrupção e pelo propósito de não reiniciá-lo logo.” (Zero Hora – 26 de abril de 1982)

Loureiro Junior – Rádio Globo SP: “O erro do juiz determinou a vitória do Flamengo, uma vez que deixou de marcar um pênalti claro do time carioca. Se ele desse a falta, isto mudaria o espírito da partida, que levaria a uma prorrogação, podendo até o Grêmio ganhar” (Zero Hora – 26 de abril de 1982)

Folha de São Paulo – “E até Batista, incansável no combate a Zico, foi tentar o empate. Na verdade, o time gaúcho esteve bem perto dele. Como logo no início, quando após uma cobrança de escanteio pela esquerda, ocorreu uma grande confusão na pequena área e o zagueiro Marinho, ao perceber que não conseguiria impedir o gol do adversário usando a cabeça, devolveu-a com a mão. Mas Oscar Scolfaro ignorou o pênalti e deixou o lance seguir, para desespero dos jogadores gremistas.” (26 de abril de 1982)

As imagens são da Zero Hora, Correio do Povo e Folha da Tarde.