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30 anos da Libertadores 1983 – Grêmio 2×1 Peñarol

July 28, 2013

Hoje é o dia de se prestar todas as homenagens a conquista do título da Libertadores da América de 1983.
De todos o jogos que eu vi (seja ao vivo ou por VT), Grêmio 2×1 Peñarol em 28 de julho de 1983 certamente é a partida mais marcante e emocionante da história do estádio Olímpico. Todos os elementos elementos de um confronto épico estavam (e ainda estão) presentes. 
30 anos passados e alguns detalhes e curiosidades seguem sendo revelados. Uma informação que sempre me faltava era saber de onde saiu um segundo troféu que os atletas carregaram na volta olímpica. A resposta é um tanto sem graça: Era uma taça oferecida pela RBS para o time vencedor da partida.
De León afirmou ter jogado com a camisa do Nacional por baixo do fardamento tricolor. Justificou dizendo que “nunca perdi para eles com essa camisa“. Quem quer ver uma amostra de como um zagueiro pode empurrar sua equipe para o ataque deve reparar na atuação do capitão gremista nesse jogo.

 
Renato passou toda semana que antecedeu o jogando batendo boca com o zagueiro Olivera do Peñarol via imprensa. Desafiou o capitão adversário ao falar que “quero ver se ele é macho aqui no Olímpico”. Prometeu evitar provocações e expulsões. E conseguiu cumprir sua promessa até os 42 minutos do segundo tempo, quando tomou as dores de Mazaropi, que havia sido atingido no chão por Venancio Ramos, e acertou um chute no avante uruguaio. Renato afirmou que “foi a expulsão mais gostosa que já tive”. E assim explicou o ocorrido na sua saída de campo:

“Pensei que o árbitro não tinha visto. Quando vi que ele me procurava tentei sair de fininho, mas ele me expulsou mesmo. Aí, como já estava expulso mesmo, quis levar um deles comigo. O Bossio, aquele que rasgou minha perna lá no Centenário, veio me empurrar para fora, eu deixei ele que ele chegasse bem perto. Quando ele tentou empurrar de novo, dei um soco na sua cara”

 


Jogos para Sempre – Goldogremio.blogspot.com

GRÊMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso.
Técnico: Valdir Espinosa


PEÑAROL: G.Fernández, W.Olivera, Gutiérrez, Montelongo, Diogo, Bossio, Silva, Saralegui, Morena, Zalazar, V.Ramos.
Técnico: Hugo Bagnulo

Data: 28 de julho de 1983, quinta-feira, 21h00min
Local: Estádio Olímpico, Porto Alegre
Público: 73.093 pessoas
Renda: Cr$ 110.551.500
Juiz: Edison Perez – Peru
Auxiliares: Carlos Montalvan e Henrique Labo
Cartões Amarelos: Paulo Roberto, Tita, Renato (G). Oliveira, Saralégui e Morena (P)
Cartão Vermelho: Renato (G) e Ramos (P) aos 42min do 2° tempo

Gols: Caio aos 10 do 1º; Morena aos 25 e César aos 31 do 2º tempo

30 anos da Libertadores de 1983 – Peñarol 1×1 Grêmio

July 22, 2013
A final da Libertadores de 1983 começou quente antes mesmo da bola rolar. Os dirigentes de Grêmio e Peñarol tiveram uma longa reunião para definir os detalhes da decisão. Os gaúchos queriam que a disputa se iniciasse no dia 22 de julho e pretendiam que um eventual jogo-desempate fosse marcado para Santiago no Chile. Já os uruguaios queriam mais tempo, querendo que o primeiro jogo fosse marcado para o dia 26 e postulava que o jogo-desempate fosse realizado em Buenos Aires. O comitê executivo da Conmebol tomou uma decisão salomônica e marcou a primeira partida para o dia 22 e designou o estádio do Vélez Sarsfield como local do terceiro jogo (caso fosse necessário).
O estádio Centenário foi o local do primeiro jogo, o foi do agrado de ambas as equipes (O Grêmio pretendia decidir no Olímpico e o Peñarol se vangloriava de te conquistado todas seus troféus continentais longe de casa). E foi uma “fumaceira” como é de se imaginar.
 Logo no começo do jogo Bossio pisou na canela de Renato, o que rendeu alguns pontos na perna do camisa 7 tricolor. Mas o Grêmio não se intimidou e tratou de pressionar nos minutos iniciais, sendo devidamente recompensado com um gol cedo. Aos 11, Tarciso cobrou escanteio e Tita cabeceou para as redes. Aos 16 Caio exigiu boa defesa do goleiro Fernandez, numa conclusão que o avante gremista afirma ter ultrapassado a linha do gol. Mas o Peñarol foi se reencontrando em campo e chegou ao empate com Fernando Morena, aos 35 minutos. Pouco depois, o bandeirinha argentino Arturo Ithurralde se machucou e (sendo substituído pelo uruguaio Juan Cardelino). A lesão do auxiliar serviu para esfriar jogo, mas o Grêmio ainda teve que segurar a pressão durante todo o segundo tempo para garantir o empate.


 

 

 
HUGO BAGNULO: “Respeito muito o Grêmio, mas todos devem saber uma coisa: jogar aqui ou em Porto Alegre para o Penharol não interessa. Nós sempre somos los locales”
HUGO BAGNULO: “Historicamente, meu time rende mais fora de casa. Por isso, garanto que esse primeiro round não quis dizer nada”
FERNANDO MORENA: “Somos campeões do mundo. Quem tem de provar alguma coisa é o Grêmio

FÁBIO KOFF: “O bandeirinha se lesionou, caiu, machucou o braço e o árbitro parou o jogo e mandou chamar o representante do Grêmio para ver se a gente aceitava a troca do bandeirinha por um uruguaio.
– Diz pra ele que eu vou responder lá dentro.
– Não pode entrar.
– Então eu não vou falar nada, vai parar essa merda e ninguém vai jogor.
Ai abriram o portão, eu entrei e veio todo o time do Grêmio comigo. Eu disse:
– Olha aqui, seu safado, não estás vendo que o Renato está caído e estão dando pontapé nele? Bota a merda que tu quiseres na bandeirinha aí. Ele só dizia:
– Tira el loco!
Aí a polícia veio e me tirou. No dia seguinte o jornal botou: “Pela primeira vez o centenário foi invadido”. O De León botava a boca nele, o Tita não ficava quieto, também. Eu sei que botou o tal bandeira, ele estava nervoso, mas apitou bem”

RENATO:  “Estava difícil, são muitas faltas, não se pode jogar. O importante é que não revidei, procurei ajudar o time. Também voltei à defesa e até segurei o lateral. Agora o título está no papo.

RENATO: “ele viu que eu estava caído e torceu o pé dele em cima da minha perna” 

RENATO: O cara me acertou, pisou na minha perna quando eu estava caído. Mas quem quer ser campeão da Libertadores tem que enfrentar também essas coisas. Libertadores é isso mesmo, não adianta”

TITA: “Foi uma partida de força. Felizmente o Grêmio soube responder à altura, não revidamos a s jogadas duras e temos tudo para garantir a vitória em Porto Alegre com o apoio da torcida. Só não podemos comemorar o título antes de ganhar dentro de campo. Não queremos surpresas numa hora dessas”

DIOGO:Eu já esperava muito trabalho com o Renato, ouvi muita gente conhecida reconhecendo o futebol do ponteiro e quando o treinador Hugo Bagnulo me colocou na lateral esquerda até pensei que iria sofrer para pará-lo, mas nem foi tão difícil quanto esperava. Ele foi um touro domável. Mesmo assim, provou que é um jogador dificílimo na marcação. Tive melhor sorte porque o aguardava com o pé direito e o Renato não teve chance de buscar a linha de fundo quando tentava o meio, ficava mais fácil pra mim”
FERNANDEZ: “Eles tiveram sorte e fizeram uma boa partida. Na verdade o Grêmio é um time de segunda linha no futebol brasileiro. Está muito distante de equipes com um Flamengo ou um São Paulo. O time de 1982 era muito melhor que esse”

OLIVERA: “O Grêmio nem parece time brasileiro. Seu estilo tosco não nos criou maiores problemas.

SARALEGUI:O Grêmio não mostrou grande coisa. Mostrou o que todos nós já sabíamos, isto é, a habilidade do Tita no meia e a força de Renato na frente. O problema na sexta-feira foi que o Penharol não teve a objetividade necessária nos momentos de conclusão”

“Havia nos vestiários do Grêmio curiosidade para saber o efeito das bolas altas na área. Até por brincadeira todos queriam saber como os zagueiros tinham suportado tudo e Casemiro explicou dizendo que “é mais fácil perguntarem pelas dores nas costas que estamos sentindo por causa dos empurrões. O pescoço está inteirinho, nos saímos bem.” (Zero Hora – 23 de julho de 1983)

CORPO-A-CORPO
O que acontece de mais notável, significativo ontem à noite no Centenário foi o empate, porque o jogo em si não foi de boa qualidade. O Penharol forçou muito sobre o Grêmio, usando muito corpo-a-corpo mas o time de Espinosa resistiu bem” (Ruy Carlos Ostermann – Zero Hora – 23 de julho de 1983

“Aqui o jogo deve ser melhor que em Montevidéu. Por que a grama é mais macia e fica melhor para o drible. A grama segura a bola.
O gramado irregular do estádio Centenário impedia o melhor controle da bola, o que dificultava dribles e cruzamentos. Houve um cruzamento no segundo tempo, que Renato chutou a bola alto e pela linha de fundo. A culpa, diz ele, é do campo. Mas não foi só o campo que impediu melhores jogadas na sexta-feira. Bossio, por exemplo, pisou em sua canela (“ele viu que eu estava caído e torceu o pé dele em cima da minha perna” conta) logo no início. O resultado foi um corte já suturado com dois pontos duplos. Aqui, desafia Renato, a violência dos uruguaios deve ser menor:
– Quero ver se eles vão ser malandros aqui. Tomara até que sejam, que falam falta perto da área. Aí o Tita bate. Lá, o Olivera que ficava dizendo que ia nos bater e tudo. Para nos amedrontar. Aqui ele não dirá isso.
O lateral-esquerdo Diogo, no entanto, não foi violento, testemunha o ponta:
– É contra este tipo de jogador que é bom jogar. Ele foi rígido na marcação, mas foi leal. Aqui a marcação será mais rígida, mas acredito que ele continuará leal” (Folha da Tarde – 25 de julho de 2013)

“Caminhando com dificuldade, o centroavante Caio, que saiu no intervalo me consequência de uma pancada sofrida no primeiro tempo, lamentou que a arbitragem não tenha visto que o goleiro Fernandez puxou a bola de dentro da goleira aos 17 minutos.

– Eu vi o goleiro puxar a bola. Foi gol mas o árbitro não deu. Agora, vou fazer um tratamento para poder jogar na quinta” (Folha da Tarde 23 de julho de 1983)

“O goleiro Mazaropi, por sua vez, lamentou não ter evitado o gol de Morena:
– Por pouco não peguei a bola. Cheguei a tocar nela. Mas tudo bem, o empate foi um ótimo resultado. Vamos decidir no nosso estádio, junto com a nossa torcida” (Folha da Tarde 23 de julho de 1983)

“O empate foi bom, o Grêmio agora joga por dois resultados em Porto Alegre. Tem que ganhar, mas até mesmo um empate levará a decisão para um terceiro jogo. Ontem, se comportou muito bem definitivamente, passou um enorme sufoco nos primeiros 25 minutos do segundo tempo, mas poderia tentar mais o contra-ataque. Isso faltou, Renato voltou para combater e ficou muito atrás. Havia um buraco pelo seu lado e o Grêmio não explorou. Mas valeu. Aqui a arbitragem não poderá ser tão complacente com a garra de farmácia do Penharol.” (Edegar Schimidt – Folha da Tarde 23 de julho de 1983)

“Um início de grande força ofensiva e depois uma defesa segura. Para o Grêmio, uma vitória.

O volante China bloqueou o meio-campo com perfeição e ponta-de-lança Tita foi um leão em campo, marcando o gol do seu time e chegando até a enfrentar corajosamente o provocador Olivera. Com um time assim bem arrumado, sem excesso de confiança e jogando sério, o tricolor não terá realmente o que temer” (Lemyr Martins – Revista Placar – 29 de julho de 1983)

Fontes: Zero Hora, Folha da Tarde, Placar, Correio do Povo e o livro “Até a Pé Nos Iremos” de Ruy Carlos Ostermann

Penãrol 1 x 1 Grêmio

PENAROL: Fernandes; Montelongo, Olivera, Gutiérrez, Diogo, Bossio, Zalazar, Saralegui, Silva (Villareal), Venancio Ramos e Morena
Técnico: Hugo Bagnulo
GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, Caio (César) e Tarciso (Tonho).
Técnico: Valdir Espinosa
Data: 22 de julho de 1983, sexta-feira, 21h15min
Local: Estádio Centenário, em Montevideo (Uuruguai)
Árbitro: Teodoro Nitti (Argentina)
Auxiliares: Juan Romero e Arturo Ithurralde (depois Juan Cardelino)
Cartões Amarelos: Bossio e Morena
Gols : Tita aos 12 minutos do 1º tempo e  Fernando Morena aos 35 minutos do 1º tempo

30 anos da Libertadores de 1983 – America de Cali 0x0 Estudiantes

July 19, 2013

O jogo que colocou o Grêmio na final da Libertadores de 1983 não teve a participação de nenhum atleta Grêmista. Foi o empate em 0x0 entre América de Cali e Estudiantes em 15 de julho de 1983. Como vimos no post anterior, após o 3×3 em La Plata no Grêmio, para avançar a final, precisava torcer para que o Pincha não vencesse o seu último jogo na Colombia. O problema é que, como sói acontecer em triangulares, o América já estava eliminado antes mesmo dessa última rodada e a preocupação era a motivação dos escarlatas  para este compromisso.

O presidente do clube colombiano enviou um telegrama (imagem acima) para o Presidente Koff, o convidando para  a partida, prometendo empenho total. O treinador Gabriel Ochoa Uribe disse que não facilitaria a vida de ninguém, especialmente a do Estudiantes.

Na época, Fábio Koff declarou aos jornais locais que não iria oferecer um bicho extra ao América. Mas posteriormente deu um depoimento contando que levou a Cali “numa daquelas guaiacas vinte e cinco mil doláres”, quantia que foi educadamente recusada pelos colombianos.

Outro tema que gerou polêmica foi a participação dos jogadores argentinos do América, uma vez que se suspeitava que eles pudessem favorecer os seus compatriotas. O meia Alfaro e o atacante Teglia foram retirados do time titular. Apenas o goleiro Falcioni permaneceu na equipe, sendo um dos principais responsáveis pelo 0x0 que colocou o Grêmio na sua primeira final de Libertadores de América.

Um fato pouco lembrado é que em fevereiro de 1984, o Grêmio voltou a Cali para realizar um amistoso contra o America, no que ficou conhecido como “jogo da gratidão”. O resultado foi um empate em 1×1, com gols de La Rosa para o time de casa e Osvaldo para o Grêmio.

Fontes: Zero Hora, Folha da Tarde e  “Até a Pé Nos Iremos” de Ruy Carlos Ostermann

America de Cali 0x0 Estudiantes de La Plata


AMERICA: Falcioni; Valencia, Espinoza, Reyes e Chaparro; Caicedo, Gonzales e Sierra (Penagos); Bataglia, Ortiz e De Ávila (Cassales)
Técnico: Gabriel Ochoa Uribe
ESTUDIANTES: Bertero; Malvarez, Herrera, Gette e Gugnalli; Russo, Sabella e  Aguero; Monzon (Rezza), Trama e Gurrieri
Técnico: Eduardo Manera
Libertadores 1983
Data: 15 de julho de 1983, sexta-feira, 22h45min
Local: Estádio Pascoal Guerrero, em Cali -Colômbia
Árbitro: Elias Jacone (Equador)
Auxiliares: Guillermo Quirola e Jorge Orelana (Equador)
Cartão Vermelho: Espinoza aos 19 do 1º tempo e Aguero aos 7 minutos do segundo tempo

30 anos da Libertadores de 1983 – Estudiantes 3×3 Grêmio

July 8, 2013
 

Há 30 anos, Estudiantes e Grêmio empatavam em 3×3 pelo triangular semifinal da Libertadores, na partida que  antes  mesmo de ser realizada já era chamada de “Batalha de La Plata”.  Em 30 anos muitas histórias foram contadas, recontadas, inventadas e desmentidas sobre esse jogo. Penso que é importante ressaltar alguns pontos:

Argentina e Brasil viviam um crise diplomática. No final de junho de 1983 o jornal Zero Hora fotografou aviões militares ingleses, que se dirigiam as ilhas Falkland, sendo abastecidos em Canoas e Florianópolis. Tal fato serviu para reavivar o boato de que o Brasil deu guarida as aeronaves britânicas na guerra das Malvinas, ocorrida no ano anterior.
– Desde o final da década de 1960 o Estudiantes gozava de uma má reputação, especialmente pelo anti-jogo que promovia nos seus domínios. Em 1983 a fama persistia. O América de Cali havia alertado ao Grêmio que recusasse o ônibus fornecido pelo time de La Plata aos visitantes, uma vez que os colombianos foram submetidos a um trajeto especialmente demorado, com duração de mais de 3 horas, visando atrasar o preparo da equipe. Devidamente avisada, a direção gremista tratou de providenciar o seu próprio transporte na Argentina.
– O juiz uruguaio Luis de La Rosa foi muito elogiado pela sua coragem em expulsar diversos atletas do time da casa. Contudo, um detalhe pouco lembrado é que ele anulou, sem nenhum motivo aparente, um gol de César para o Grêmio quando o placar era de 3×2 para o tricolor.
– O Grêmio, com apoio da FGF e CBF, pediu a Conmebol que eliminasse o Estudiantes da competição em razão de todos os incidente ocorridos. Fábio Koff encaminhou tal solicitação com descrença. Descrença essa que só aumentou após o presidente da Conmebol, o peruano Teófilo Salinas, anunciar que o adiamento da decisão para depois do último jogo entre America e Estudiantes, justificando o atraso em um suposta dificuldade técnica de analisar o video-tape da partida.
O empate manteve o Grêmio na frente da tabela, mas na incomoda situação de poder ser superado caso o Estudiantes vencesse o já eliminado América em Cali.

 


Texto do site do Gremio:

No dia 08 de julho de 1983, o Grêmio viveu um dos momentos mais dramáticos de sua história. Era uma sexta-feira à noite e o Tricolor enfrentava os argentinos do Estudiantes em busca de uma vaga na decisão da Copa Libertadores. O acanhado estádio de La Plata estava repleto de torcedores fanáticos e raivosos. Além da tradicional rivalidade futebolística entre os dois países, no ar ainda pairava o ressentimento pelo fato dos gaúchos terem permitido o pouso de jatos ingleses na Base Aérea de Canoas quando a Argentina lutava pela posse das Ilhas Malvinas no ano anterior. A raiva canalizada para os jogadores e dirigentes gremistas criou um clima insuportável de tensão desde a chegada do Tricolor ao estádio até o término da partida. Antes mesmo do início do jogo, o árbitro uruguaio Luis de la Rosa apresentou cartão amarelo para o atacante Trobbiani, um fato inusitado

Empurrado pela torcida mas sem nenhuma obediência tática, o time argentino dominou a partida nos minutos iniciais. Passado os primeiros 15 minutos de pressão, o Grêmio começou a fazer prevalecer seu toque de bola e chegou com perigo em contra-ataques puxados por Tarciso.

Aos 30 minutos, o mesmo Trobbiani que havia levado cartão amarelo antes do início da partida agrediu China com um pontapé revidando uma falta feita pelo volante gremista e foi expulso. Raivosos, os jogadores do Estudiantes partiram para a reclamação. Ponce empurrou o árbitro uruguaio e acabou recebendo cartão vermelho.

Com nove em campo, os argentinos abriram o marcador na cobrança de falta: Gurrieri aproveitou falha na defesa gremista e mandou para as redes.Com mais espaço para jogar, o Tricolor chegou ao empate no último minuto da primeira etapa: Osvaldo concluiu dentro da área um passe de Tarciso

A violência dos argentinos continuou até mesmo no intervalo de jogo. Na saída para os vestiários, em um túnel único para as duas equipes, Caio foi covardemente agredido por jogadores e dirigentes do time da casa. Resultado: não conseguiu retornar para a segunda etapa.

O castigo veio logo aos 8 minutos: Cesar, que havia entrado no lugar de Caio, virou o jogo para o Grêmio depois de grande jogada de Renato
Com a vantagem no marcador, o time tratou de tocar a bola com o único objetivo de fugir das divididas mais fortes onde os argentinos nem faziam questão de esconder o desejo de tirar algum jogador gremista da partida na base da violência

Mesmo assim, aproveitando os espaços, o Tricolor ampliou o marcador com Renato, depois de uma grande jogada individual. O gesto de Renato que, depois do gol, mandou a torcida calar a boca, foi o que faltava para que os argentinos enlouquecessem de vez. Três minutos depois do gol de Renato, aos 21, o auxiliar Ramón Barreto foi agredido com uma pedrada na cabeça. Estirado no gramado, coberto de sangue, o auxiliar uruguaio teve que ser atendido pelo médico gremista, Dirceu Colla. Na confusão, Camino recebeu cartão vermelho e deixou o gramado. Mesmo destino de Tevez, expulso 4 minutos depois ao agredir Renato

Mesmo com apenas 7 jogadores em campo e se aproveitando da excessiva cautela dos jogadores gremistas que evitavam as divididas o Estudiantes descontou aos 31 minutos com Gurrieri. Logo depois, o até então corajoso árbitro uruguaio Luis de la Rosa, anulou um gol legítimo marcado por César ao atender o aceno de impedimento do bandeirinha Ramón Barreto. Naquelas circunstâncias de jogo, ninguém reclamou.


Só mesmo quem esteve presente nesta inesquecível passagem de história centenária do Grêmio poderia explicar o que se passou lá. Seja como for, a famosa partida de La Plata pela Copa Libertadores de 1983 foi um dos acontecimentos responsáveis pelo surgimento do estilo guerreiro, sanguíneo com que o Grêmio joga futebol e que, de certa forma, está enraizado dentro do espírito de cada gremista.” 
(Texto: Márcio Neves da Silva, Assessoria de Comunicação Social )


 

A Batalha de La Plata

A inesquecível Batalha de La Plata mereceia um capítulo todo especial para contar esta trajetória que levou o Grêmio a seu primeiro título sul-americano.

Fatores muito além do futebol estiveram envolvidos na partida decisiva do dia 8 de julho de 2008 na cidade argentina de La Plata.

O país vizinho vivia a realidade da guerra das Malvinas contra a Inglaterra. A inferioridade diante do exército bretão atingia em cheio uma das mais exacerbadas características do povo argentino: o orgulho.

Em meio a tudo isso, surgiu a notícia de que aviões ingleses haviam recebido auxílio do Brasil possibilitando que pousassem na Base Aérea da cidade de Canoas para reabastecimento. A informação, procedente ou não, revoltou os argentinos justo às vésperas do Grêmio desembarcar no país.

Com pouco tempo de descanso após a vitória da quarta-feira contra o América, a delegação optou por mudar o vôo para a capital portenha: ao invés de descer no aeroporto de Ezeiza, na grande Buenos Aires, o grupo preferiu o vôo com escala em Montevidéu e pouso no Aeroparque, quase no centro da cidade. Por incrível que pareça, o Grêmio ganhou duas horas a mais chegando ao hotel por volta das 20h ao invés das 22h como apontava a programação anterior.

Líder do grupo, o Grêmio desembarcou em La Plata com 4 pontos ganhos contra 2 pontos de América e Estudiantes. A vitória garantia o Tricolor na grande decisão da Libertadores. Um empate, por sua vez, deixaria o Grêmio dependente da última partida da fase entre América e Estudiantes, na Colômbia.

As hostilidades começaram antes mesmo do ônibus que levava a delegação estacionar ao lado do acanhado estádio Jorge Luis Hirschi. Várias pedras atingiram o veículo. Jogadores e dirigentes tiveram dificuldades para entrarem no vestiário.

Já no gramado, a pressão e as hostilidades vinham de todas as partes: cânticos racistas contra brasileiros e torcedores atirando pedras.

Antes do início da partida, o árbitro uruguaio Luis de La Rosa (que substituiu Martinez Basan em cima da hora) apresentou cartão amarelo para o atacante Trobbiani. Uma pequena amostra do que ele viria a enfrentar durante os 90 minutos.

Com a bola rolando, o Estudiantes buscava tirar proveito de todos os fatores locais: com uma agressividade descontrolada, distribuíam patadas nos brasileiros e pressionavam a arbitragem.

Aos 32 minutos, China cometeu falta em Trobbiani e foi chutado pelo argentino. O árbitro apresentou cartão vermelho para o atleta do Estudiantes e amarelo para o gremista. Revoltados com a decisão, os jogadores do time dono da casa passaram a empurrar o árbitro até que Ponce também foi expulso.

Mesmo com dois jogadores a menos em campo, foram os argentinos que abriram o marcador justamente na cobrança da falta que originou toda a confusão. Gugnale aproveitou falha da defesa tricolor e chutou forte na saída de Mazarópi. Eram 38 minutos.

Tocando bem a bola no péssimo gramado, o Grêmio chegou ao empate aos 44: Osvaldo, pela esquerda, chutou cruzado de dentro da área. 1 a 1.

A violência dos jogadores argentinos seguiu até mesmo durante o intervalo da partida. No túnel que levava os jogadores aos dois vestiários, o atacante Caio foi agredido com socos e chutes tendo fratura da tíbia. César voltou para o segundo tempo em seu lugar.

E foi o mesmo César que virou o placar para o Grêmio aos 8 minutos. Grêmio 2 a 1.

Logo após o Estudiantes ter mais um jogador expulso, Renato desceu em velocidade pela direita, driblou dois adversários e chutou na saída do goleiro. Grêmio 3 a 1 aos 18 minutos.

Aos 31 minutos, Gurrieri marcou o segundo gol dos argentinos para delírio da torcida.

Completamente descontrolados, os jogadores se atiraram com tudo para frente acuando os gremistas.

Logo depois, o Grêmio chegou ao quarto gol que foi inexplicavelmente anulado por um impedimento inexistente de Osvaldo.

Faltando apenas quatro minutos para o final, Russo conseguiu o que parecia impossível: o gol do empate.

O resultado trouxe de volta um pouco do orgulho argentino e impossibilitou ao Grêmio a classificação para a final de forma antecipada.

Mais do que a vergonha de ceder o empate contra apenas sete jogadores em campo, para o Grêmio restou o consolo de deixar La Plata com vida.

O Tricolor passou a depender de pelo menos um empate do eliminado América de Cali contra este mesmo Estudiantes para garantir vaga na final.

Fábio Koff tratou de trabalhar nos bastidores. (Site do Grêmio)

Depoimento do Valdir Espinosa sobre o jogo:

Na Libertadores de 83,um dos jogos mais difíceis foi em La Plata ,jogando contra o Estudiantes. Muito mais do que as dificuldades de campo ,o clima de guerra que envolveu aquela partida ,nos fazia temer por nossas vidas ,receando não sairmos sãos e salvos de lá!
O jogo ,só para lembrar,estava 3×0 para nós e o Estudiantes com apenas 7 jogadores,conseguiu empatar. Mas isto é assunto para outro dia ,pois o que quero é relatar os acontecimentos do intervalo do jogo.
Terminado o primeiro tempo, as 2 equipes foram para os vestiários .Este caminho era tão estreito que obrigava-nos a andar em fila indiana. Do campo até o vestiário ,muitos gritos e xingamentos. Entramos ,fechamos a porta e o nosso segurança encostado nela ,disse:

-“Fiquem tranquilos, que aqui ninguém entra”
Enquanto os jogadores tomavam água, lavavam-se e trocavam o material molhado ,a porta parecia que viria abaixo com pancadas de socos e pontapés. E o nosso segurança, encostado na porta já com os braços abertos, continuava afirmando:
-“Tranqüilos! Aqui ninguém entra”!
Jogadores sentados para ouvirem as instruções do intervalo. Começo ,então,a falar e quando vou corrigir o ataque , pergunto:
-“Cadê o Caio”?
Todo mundo se olha ,observa o vestiário e…nada do Caio! Então ,imediatamente olhamos para o segurança e eu grito:
-“Abre esta porta”!!!
Nosso Super-Homem abre e quem entra? O Caio! Chorando ,com o tornozelo inchado e cheio de hematomas pelo corpo. Ele havia ficado para trás, e durante todo aquele tempo em que batia na porta, estava apanhando dos argentinos! Seu tornozelo estava tão inchado ,que tive que substituí-lo no intervalo.
Como voces podem ver ,nosso segurança realmente não deixou ninguém entrar, nem mesmo o Caio!” (Valdir Espinosa)

CAIO: “Foi incrível. Algo que eu jamais poderia imaginar que fosse acontecer, apesar do clima de guerra que havia lá. Eu ia para o vestiário, quando fui cercado por três jogadores, que passaram a me agredir. Levei um chute tão forte no tornozelo que não pude voltar para o jogo e não está dando nem para caminhar direito. Dói muito. Não dá pra aceitar um túnel apenas para os dois times e também para o árbitro. É incrível isso, reclama Caio.

 
Reportagem do Jornal Clarin sobre os 20 anos daquela partida nesse link. Destaque-se as declarações do hoje treinador Miguel Angel Russo sobre aquele jogo:

Fue el partido que más grabado me quedó en toda mi carrera. Mirá que salí campeón varias veces, pero aquella noche fue incomparable, imborrable” (Russo)
“El Gremio pasó de ronda y ganaron todo, Libertadores e Intercontinental. Yo estoy convencido que si pasábamos nosotros, Estudiantes era otra vez campeón de la Libertadores” (Russo)


 


Fontes: Correio do Povo, Folha da Tarde, Grêmio.net, Placar e Zero Hora

Estudiantes 3×3 Grêmio

ESTUDIANTES: Bertero; Camino, German (Teves), Aguero, Gugnali, M.A. Russo, Sabella, J.D. Ponce, Trama, Trobbiani e Gurrieri
Técnico: Eduardo Manera

GREMIO: Mazaropi, Paulo Roberto, Leandro, De Leon, Casemiro, China, Osvaldo, Tita, Renato, Caio (César), Tarciso (Tonho)
Técnico:Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Newmar , Róbson, Tonho e Cesar


Triangular semifinal – 4° jogo – Libertadores 1983

Data: 08 de Julho de 1983, sexta-feira, 22h00min
Estádio: Jorge Luis Hirschi, em
La Plata (Argentina)
Juiz: Luis de la Rosa (Uruguai), 
Auxiliares: Ramón Barreto e Artemio Sension
Cartão Vermelho: Ponce e Trobbiani aos 33 do 1ºt; Camino aos 24 e Tevez aos 30 do 2ºt
Gols: Gurrieri aos 39min, Osvaldo aos 45 do 1ºtempo ; César aos 7, Renato aos 18, Gurrieri aos 31 e Gugnali aos 42 do 2º tempo.

30 anos da Libertadores de 1983 – Grêmio 2×1 América de Cali

July 6, 2013

Já vimos que, na primeira metade das partidas disputadas no grupo B do triangular da semifinal da Libertadores havia um equilíbrio entre os participantes, com uma vitória para cada lado (Estudiantes tinha melhor saldo). Grêmio e América iniciaram o segundo turno no Olímpico no dia 5 de julho a noite, mas as fortes chuvas que caíam sobre o sul do país naquele época fizeram com que o tricolor buscasse o adiamento do jogo. A Conmebol foi convencida e remarcou a partida para o dia seguinte, as 3 da tarde de uma quarta-feira.
Quem não deve ter gostado muito do adiamento foi Renato, que estava concentrado desde a sexta-feira, para evitar as tentações. Mas o esforço valeu a pena, pois o camisa 7 foi uma das principais figuras do Grêmio em campo. Valdir Espinosa surpreendeu a todos ao escalar o ataque com Caio, Renato e Tarciso. O jogo do Grêmio fluiu, varias chances foram criadas. O problema é que o tricolor teve alguma dificuldade em converter estas oportunidades. No primeiro tempo apenas Caio conseguiu superar o goleiro Falcioni, com uma cabeçada precisa aos 23 minutos.
Na segunda etapa o America reagiu e chegou ao empate aos 15 minutos do segundo tempo, no chute rasteiro de Bataglia da entrada da área. A resposta tricolor foi rápida, Osvaldo desempatou a partida no minuto seguinte. Mas o 2×1 não trouxe tranquilidade a torcida gremista. O America seguia ameaçando e aos 23 minutos teve um pênalti marcado a seu favor (um discutível toque de mão de Baidek). O experiente Willington Ortiz executou a cobrança e Mazaropi entrou para história ao espalmar a bola para a linha de fundo.


RENATO PORTALUPPI: “Pois eu vou continuar concentrado, estou convencido que corri os 90 minutos porque não tinha ido a festa. Sempre gostei de sair à noite, mas agora é a vez do título. O Espinosa me disse que depois do jogo em La Plata posso me soltar até no avião”
RENATO PORTALUPPI: “Nem tudo que passa pela minha cabeça são mulheres. Quero este título mais do que ninguém. Elas estão até me escolhendo como o rapaz mais lindo da cidade, mas nada disso vai me influenciar. O que importa agora é seguir os meus companheiros e voltar da Argentina com a classificação garantida”
 
 

VALDIR ESPINOSA: “A gente sempre corre riscos. Mas é preciso arriscar, só que é fundamental agir com consciência. Eu acreditava que deveria começar com o Tarciso. E apostei nisso. Nós tinhamos que eliminar o líbero e o zagueiro que não larga o centroavante. Com três atacantes velozes sabíamos que daria certo. O Renato ficou mais na sua posição, enquanto que Tarciso e Caio se revezaram, confundindo a marcação. Felizmente deu tudo certo e vencemos. Poderíamos ser uma goleada, mas a vitória já é excelente.”
VALDIR ESPINOSA: “Tinha que haver o segredo, o senhor Ochoa é pessoa muito esperta, tira proveito dos mínimos detalhes, jamais poderia deixar escapar uma modificação importante dessas. Se a informação tivesse vazado, certamente a vitória teria sido bem mais difícil. O senhor Ochoa deve ter se preocupado com o centroavante fixo, tradicional, e nada disso ocorreu em campo. Começamos a vencer por aí, pelos deslocamentos rápidos.



*Quarta-feira, 06 de julho de 1983
Brilha a estrela do goleiro Mazarópi

O mau tempo desabou sobre Porto Alegre naquela primeira semana de julho. O inverno rigoroso teve influência direta na campanha do Grêmio na Copa Libertadores: após a derrota contra o América, em Cáli, o Tricolor voltava a enfrentar a equipe colombiana no jogo do Olímpico. Primeiramente, um encontro marcado para o dia 05 de julho, uma terça-feira à noite. Nesta data, uma forte chuva desabou sobre a capital gaúcha deixando o gramado do Monumental impraticável. Sem muita opção, a partida acabou sendo transferida para o dia seguinte, às 15h.

Além de ser um dia de semana prejudicando público e renda, o Grêmio passou a se preocupar com o pouco tempo de recuperação para a partida da sexta-feira, contra o Estudiantes, em La Plata: pouco mais de 48 horas.

Com a intensão de pedir o adiamento da partida contra os argentinos, a direção gremista, via Federação Gaúcha e Confederação Brasileira de Futebol, encaminhou um telex para a Sul-Americana, mas o pedido não foi aceito e a partida acabou confirmada para sexta-feira, à noite.

Apesar do horário e do mau tempo, mais de 24 mil pagantes estiveram presente no Olímpico, na tarde de quarta-feira.

Na escalação, Espinosa surpreendeu colocando Tarciso na ponta-esquerda, no lugar de Tonho. O objetivo era “entrar em campo com três atacantes e liberar o líbero e o zagueiro que gruda no centroavante”, afirmou o treinador gremista. A decisão de colocar Tarciso como titular foi tomada após uma reunião secreta antes do treinamento de segunda-feira, com as presenças de De León e Tita. A idéia de Espinosa foi aceita pelo grupo.

O Grêmio começou a partida disposto a decidir logo nos primeiros minutos. Renato estava endiabrado e tratou de colocar os colombianos na roda apesar das péssimas condições do gramado.

Ainda com toda a superioridade e total domínio, a bola teimava em não entrar fazendo do goleiro Falcione o melhor homem em campo.

Aos 23 minutos da primeira etapa, Renato cruzou da direita e Caio entrou de cabeça para abrir o marcador. Grêmio 1 a 0 no primeiro tempo.

Sem muito a perder, os visitantes voltaram para a etapa final dispostos a empatar a partida. E conseguiram logo aos 13 minutos: Bataglia entrou à drible pela esquerda e chutou rasteiro, no canto direito de Mazarópi. 1 a 1.

A alegria colombiana durou pouco: dois minutos depois, após uma cobrança de falta e confusão na área do América, Osvaldo pegou a sobra e chutou fraco. A bola bateu na trave e morreu no fundo das redes. Era o gol da vitória gremista: 2 a 1.

Apesar do susto do gol do empate, a partida transcorria normalmente com o Grêmio pressionando em busca de um placar mais dilatado. Porém, aos 23 minutos da etapa final, uma bola cruzada da esquerda pelo ataque do América foi parar no braço de Baidek. O árbitro chileno, Hernán Silva, apontou penalidade máxima para desespero dos gremistas. Não era pra menos, um empate deixava a equipe tricolor praticamente alijada da possibilidade de chegar à final.

O centroavante Ortiz partiu para a bola e chutou forte, alto, no meio do gol. Mazarópi esticou o braço mandando a bola para escanteio. Uma das mais importantes defesas da história do Grêmio. O goleiro gremista, além de justificar sua contratação e todo o esforço da direção gremista para fazer sua inscrição, garantiu o Tricolor com chances na competição.

Sem tempo para treinar, era hora de embarcar para Argentina buscar a classificação pra final em La Plata, contra o Estudiantes. (Gremio.net)

Luva usada por Mazaropi na partida

 

MAZAROPI: “Percebi que o Ortiz estava preocupado. Quando caminhou para a bola dava a impressão de não saber o que fazer. Senti, então, que a bola viria do meu lado, ergui o braço esquerdo e evitei o segundo gol do América”
MAZAROPI: “Eu vi que ele foi devagar quando se preparou para bater. Aí falei com ele para deixá-lo nervoso. E quando bateu, eu não me mexi. Ele ficou sem saber em que canto eu ia. Quem bate devagar, espera ver onde vai o goleiro”
MAZAROPI: “Só no Vasco eu defendi 21 pênaltis. Eu acho que tenho um segredo, pois quando o adversário corre para cobrar, sempre acho que vou defender. As vezes dou sorte. Hoje fui feliz. Fico estático no meio do gol para que o cobrador não saiba onde chutar.”

GABRIEL OCHOA URIBE: “Foi um resultado certo para o Grêmio que teve mais presença em campo, aproveitou as oportunidades e por isso não tenho restrições à vitória. Apenas lamento a chance que perdemos em sair daqui com um empate que seria um excelente resultado para as pretensões do América.”
GABRIEL OCHOA URIBE:Se o Tonho tivesse jogado, o América teria um jogador a menos para marcar, pois ele recua pelo meio. Com Tarciso é diferente e por isso uma das jogadas que planejamos acabou ficando sem efeito. Até cumprimento o técnico Espinosa pela sua inteligência ao escalar o Tarciso, um jogador forte e muito perigoso”


” O Grêmio teve exatas 12 chances de gols, mas só aproveitou duas. Poderia ter goleado.” (Eugênio Bortolon – Revista Placar – 15 de julho de 1983)
“Na vitória de 2 a 1 contra o América, de Cáli, no Olímpico, Baidek saiu de campo a cinco minutos do final com um afundamento de malar. Submetido a uma cirurgia, recebeu a informação dos médicos: estava proibido por 15 dias de sequer tocar numa bola de futebol. Mas o valente zagueiro não se entregou” (Arquivo Gremista)

Fontes: Correio do Povo, Folha da Tarde, Grêmio.net, Placar e Zero Hora

Grêmio 2×1 América de Cali

GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek (Leandro), De León e  Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Tarciso, Renato e Caio.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Leandro , Róbson, Tonho e Cesar.

AMERICA: Falcioni; Porras, Reyes, Espinosa, Chaparro;   Gonzales, Aquino e Alfaro, Bataglia, Willington Ortiz e Teglia.
Técnico: Gabriel Ochoa Uribe

Triangular Semifinal – 3° jogo – Libertadores 1983

Data:  6 de julho de 1983, quarta-feira, 15h00min
Local: Estádio Olímpico (Porto Alegre)
Renda: Cr$ 21.002.100,00

Público: 24.043 pagantes
Juiz: Hermann Silva (Chile), 
Auxiliares: Guillermo Budge e Mario Lira (CHI)
Cartão Amarelo: Renato, Reyes e Alfaro
Gols: Caio 23 do 1º, Bataglia 15  e Osvaldo 16 do 2º tempo


30 anos da Libertadores de 1983 – América de Cali 1×0 Grêmio

June 24, 2013
 Logo após a vitória contra o Estudiantes no Olímpico, o Grêmio iniciou sua viagem rumo a Cali, onde enfrentaria o América no seu segundo jogo pela triangular semifinal da Libertadores de 1983. O deslocamento do tricolor até a Colômbia foi longo, e teve um fato inusitado na última escala em Bogotá: Uma ameaça de bomba no avião, que atrasou a chegada ao local do jogo e fez com que o roupeiro Hélio e massagista Banha ficassem retidos na capital colombiana para acompanhar o exame que  a polícia local faria na bagagem da delegação gremista.
Em campo o Grêmio também não encontrou facilidade e acabou sofrendo a sua única derrota na competição. Os jogadores reclamaram muito das chances desperdiçadas e de um pênalti não marcado em Renato. Uma semana depois o Estudiantes venceria o América em La Plata e Grupo B das semifinais chegou a metade dos seus jogos com igualdade na classificação.


O dia 24 de junho marcou a primeira e única derrota do Grêmio dentro da Copa Libertadores de 1983.
Depois de vencer o Estudiantes de La Plata, no Olímpico, na abertura da fase semifinal da competição, a equipe viajou para Cáli, na Colômbia, com o objetivo de trazer mais um resultado positivo no embate contra o América.
Apesar da superioridade dentro de campo, a equipe de Espinosa acabou sentindo o desgaste da viagem na etapa final.
O Tricolor teve duas boas chances de marcar nos primeiros 45 minutos, mas Tonho desperdiçou. O goleiro argentino Falcioni passou a ser o grande nome da partida.
Aos 35 minutos, Renato foi derrubado dentro da área quando se preparava para concluir. O árbitro peruano Carlos Montalban consultou o auxiliar e nada marcou.
A decisão revoltou dirigentes e jogadores do Grêmio que deixaram o gramado no intervalo reclamando bastante. O mais exaltado era o vice de futebol, Alberto Galia.
Empurrados pela torcida, os donos da casa voltaram melhor para o segundo tempo.
O Grêmio, por sua vez, sentiu a pressão e acabou cedendo espaço até o gol do América que abriu o marcador: Gonzáles Aquino pegou uma sobra na entrada da área e chutou forte para vencer Mazarópi.
América 1 a 0.
Tentando reverter o placar, Valdir Espinosa colocou Tarciso e César nos lugares de Tonho e Caio, respectivamente.
Infelizmente, as modificações não surtiram efeito e o Grêmio acabou retornando da Colômbia com seu primeiro resultado negativo.
As duas equipes voltariam a se enfrentar no dia 5 de julho, no Olímpico.
Antes disso, Estudiantes e América jogariam em La Plata, no dia 1º.
O resultado não foi desesperador, mas uma vitória sobre o América, em casa, passou a ser fundamental. (Site do Grêmio)

“NO FINAL, AS CRÍTICAS AO ÁRBITRO

Logo que iniciou a partida, o ponteiro Renato fez uma jogada dura com um zagueiro do América. Isto foi o bastante para que o time colombiano inteiro se voltasse contra ele e quase o agredisse. Por pouco o árbitro peruano Carlos Montalban não colocou o atacante gremista e outros jogadores do América para rua, já nos primeiros minutos. O pior de tudo é que o Grêmio deixou de ter um pênalti a seu favor, quando Renato foi derrubado dentro da grande área, aos 35 minutos de partida. Os dirigentes e o ponteiro saíram de campo indignados.” (Zero Hora – 25 de junho de 1983)

“A partida foi disputada no dia 24 de junho de 83, em Cáli. O América venceu com um gol de Gonzales Aquino, aos 23min do 2º tempo. Mas antes, o tricolor havia desperdiçado diversas chances – e houve até um erro de arbitragem.
– O Tita marcou um gol legítimo, mal anulado. E o erro não foi por pressão porque, ao contrário de La Plata, em Cáli o estádio era grande, e não havia muita influência da torcida – compara China”. (ClicRBS)


“GRÊMIO NÃO RESISTIU AO AMÉRICA

O empate servia, mas o Grêmio não conseguiu resistir ao América e acabou perdendo por 1 a 0, com gol de Gonzales Aquino, aos 24 minutos do segundo tempo. Os dois times tiveram muitas oportunidades para marcar. Mas o Grêmio criou mais situações de perigo. Porém, errou muito nas conclusões.

Foi um jogo emocionante, com os dois times jogando cautelosamente, mas procurando sempre o gol. O Grêmio começou agressivo, o que desnorteou o time colombiano, que esperava um adversário retrancado e pouco ousado. Aos 11 minutos, o primeiro susto na torcida: Falcione largou a bola na área, Tonho parou e chutou por cima, com a goleira vazia.

Esse lance despertou o América, que foi ao ataque, apoiado por sua entusiasmada torcida. Aos 24, Teglia perdeu boa oportunidade, cabeceado para fora. Aos 28, Mazaropi brilhou, segurando firme um chute forte de Caicedo. A partir daí, o Grêmio reequilibrou o jogo, chegando inclusive a empurrar o América para o seu campo.

No segundo tempo, o Grêmio foi dominado, não conseguindo manter o ritmo inicial. Teve ótima situação aos 6 minutos, mas Tita perdeu o gol. Aos 24 minutos, depois de muita pressão, o América marcou seu gol. A defesa do Grêmio parou, Teglia atrasou para Gonzales Aquino, que bateu forte fazendo 1 a 0. Aos 29, Tarciso substituiu a Tonho. O Grêmio foi todo ao ataque na busca do empate. Aos 37 minutos, De Léon chutou e Falcione, mais uma vez, salvou e garantiu o resultado.” (Folha da Tarde – 25 de junho de 1983)

DERROTA FOI CASTIGO AO GRÊMIO

CALI – Um gol de Gonzales Aquino, aos 24 minutos do segundo tempo, acabou dando a vitória ao América sobre o Grêmio, de 1 x 0, ontem à noite, em jogo que o time gaúcho teve de tudo para se impor no marcador, especialmente na fase inicial. Mas o Grêmio conseguiu levar ao placar sua superioridade. Desperdiçou gols, teve um grande goleiro pela frente e ainda um pênalti não marcado pelo árbitro. O resultado colocou América e Grêmio iguais na tabela das semifinais da Libertadores da América – Grupo B. ”  (Correio do Povo – 25 de junho de 1983)

“As taxas de televisionamento vão salvar o Grêmio nesta fase da Libertadores. Pelo menos, por dois jogos no Olímpico, vai receber 65 milhões de cruzeiros, dos quais 13 tocarão aos atletas como direito de arena, sobrando portanto 42 milhões. Não fosse isso o prejuízo seria devastador. Para vir a Cáli o Grêmio gastou 19 milhões em passagens para 25 pessoas e mais dois milhões e quatrocentos mil cruzeiros em diárias de hotel. No Olímpico, no próximo dia 5 de julho, a receita mínima para cobrir as despesas deverá ser da ordem de 30 milhões. Pior, porém, é a situação do América, em casa, pois nenhuma televisão quis comprar os jogos por serem caros” (Lasier Martins – Correio do Povo – 25 de junho de 1983)


“Melhor no Início, depois o Grêmio trocou o futebol pelos chutes sem direção e nos adversários
” (Placar)

“Poderia ter dito mais: no gol do América, o veterano atacante Ortiz levantou o pé no rosto de Baidek, numa falta visível que o juiz não deu. Resultado: o lance acabou nos pés de Gonzalez, que emendou no canto direito de Mazarópi, sem defesa” (Marcelo Rezende-Placar)

DE LEON: “Poderíamos ter ganho no primeiro tempo, mas não marcamos” ” Eu mesmo perdi um gol frente a frente com o goleiro e Tita também chutou em cima do próprio Falcioni de dentro da pequena área. E não podemos esquecer-nos do pênalti em Renato, calçado na área por Espinosa” (Placar)

VALDIR ESPINOSA: “Perdemos muitos gols no primeiro tempo, e, no segundo, começamos a dar chutões. O América se aproveitou e nos venceu por 1 x 0”

VALDIR ESPINOSA: “Numa Libertadores, só se pode jogar mal uma vez. Esta foi a nossa”

Fontes: Correio do Povo, Folha da Tarde, Grêmio.net, Placar e Zero Hora

América de Cali 1×0 Grêmio

AMERICA: Falcione; Porras, Espinoza, Reyes,  e Chaparro; Caicedo, Gonzales Aquino, Alfaro (Sierra 23 do 2º), De Ávila (Lugo aos 20 do 2º) Ortiz e Teglia
Técnico: Ochoa Uribe

GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China (César 41 do 2º), Osvaldo e Tita; Renato, Caio e Tonho (Tarciso 34 do 2º)
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Leandro José, Róbson, Tarciso e Cesar

Triangular semifinal – 2ª rodada – Libertadores 1983

Data: 24 de junho de 1983, sexta-feira, 22h30min
Local: Estádio Pascual Guerrero em Cáli-Colômbia
Juiz: Carlos Montalbán (Peru)

Auxiliares: Edson Peres e Enrique Labo
Cartão Amarelo: Baidek, Renato e Falcioni

Gol: González Aquino, aos 24 minutos do 2º tempo

30 anos da Libertadores de 1983 – Grêmio 2×1 Estudiantes

June 21, 2013

Já vimos aqui como o Grêmio passou pela primeira fase da Libertadores. No triangular semifinal o tricolor teria o Estudiantes de La Plata e o America de Cali como adversários. Apenas um time avançaria. Antes de regressar ao campo o clube tinha que enfrentar algumas disputas de bastidores. A direção gremista tinha dois pleitos na reunião da Conmebol: Disputar o primeiro e o  último jogos dessa etapa no Olímpico e abrir novas inscrições de atletas na competição.
O Grêmio teve parcial sucesso nas suas reivindicações. Conseguiu inscrever Mazaropi (que havia estreado com a camisa tricolor no dia 16 de junho, contra o Inter-SM pelo Gauchão) mas não conseguiu montar a tabela a seu gosto. O primeiro jogo previsto era Grêmio Vs. Estudiantes, dia 21 de junho, no Olímpico.
A Libertadores era prioridade total na Azenha. Espinosa escalou um time reserva no confronto com o Esportivo no sábado anterior. No domingo, Renato Portaluppi dormiu demais e perdeu o treino dos titulares, o que gerou polêmica. Polêmico também foi o pronunciamento do técnico do Estudiantes, Eduardo Manera, ao dizer que seu time não era violento, ao contrário da famigerada formação de Bilardo, Veron e cia.
E jogo foi duro, “guerreado”, mas se resolveu com dois golaços. O primeiro de Osvaldo, num chutaço logo aos cinco minutos de jogo. O Estudiantes empatou ainda no primeiro tempo e segurava bravamente o empate. Espinosa resolveu colocar Tarciso no lugar de Renato (e posteriomente confessou que temeu a reação da torcida). A mudança deu certo. Aos 40 do segundo tempo Caio fez uma jogada espetacular pela ponta esquerda e cruzou para o Flecha Negra marcar o gol da vitória tricolor.
Um dado para os supersticiosos é que nesse jogo o Grêmio vestiu pela primeira vez na competição o calção branco, o que viria a repetir na final contra o Peñarol e no mundial em Tóquio.

Vitória fundamental na abertura das semifinais
Com 11 pontos conquistados na fase classificatória, o Grêmio chegou à etapa de semifinal com o melhor retrospecto dentre os três participantes do Grupo A.
Invicto até então, o Tricolor fez seis jogos com cinco vitórias e um empate.
Como adversários, o campeão argentino do Estudiantes de La Plata e os colombianos do América de Cali.
Os argentinos sofreram duas derrotas na primeira fase e ainda assim conseguiram a classificação no último jogo contra o Ferro Carril.
A campanha do América já foi melhor: terminou o Grupo 3 invicto, com quatro vitórias e dois empates.
O calendário apresentou o Grêmio fazendo sua estréia na semifinal contra o Estudiantes, em Porto Alegre.

Após o afastamento de Remi do time titular, a direção gremista tratou de buscar uma alternativa para o gol. Fábio Koff anunciou a contratação do experiente Mazarópi, campeão carioca de 1982 pelo Vasco da Gama.
Restava ao Clube utilizar sua influência política para conseguir a inscrição do atleta junto à Sul-Americana. Naquela época, a inscrição de um novo jogador só era permitida em caso de lesão de um jogador previamente listado.
Aproveitando-se da reunião da entidade na cidade de Lima, no Peru, quando foram decididos os grupos e os jogos da fase semifinal, o presidente Fábio Koff acabou fazendo prevalecer seu pedido e Mazarópi foi inscrito com a camisa número 24 no lugar de Odair, lesionado.
No dia 16 de junho de 1983, Mazarópi entrava em campo no Estádio Olímpico para fazer sua estréia com a camisa do Grêmio.
Era a abertura do Gauchão 83 contra o Inter de Santa Maria: vitória gremista por 2 a 0.
Cinco dias depois, numa noite fria de terça-feira, o Tricolor voltava ao Olímpico para abrir a fase semifinal da Copa Libertadores contra o Estudiantes.

Pouco mais de 24 mil torcedores estiveram presentes no Monumental para empurrar o time à vitória sobre os campeões argentinos.
Apesar da superioridade gremista durante toda a partida, a vitória foi conquistada de forma dramática, no finalzinho.
Osvaldo abriu o marcador logo aos cinco minutos de partida: ele recebeu de Caio e arriscou da intermediária. A bola encobriu o goleiro Bartero e entrou no ângulo direito.
O início fulminante terminou por aí.
O Estudiantes abandonou seu esquema defensivo e partiu pra cima do Grêmio.
Aos sete minutos, Mazarópi fez grande defesa em cobrança de falta e, quatro minutos depois, Gurrieri marcou o gol de empate. 1 a 1.
Passado o susto, o time de Espinosa voltou a dominar as ações. O poder ofensivo da equipe na primeira etapa transformou o goleiro Bartero no principal nome da partida.
O ritmo diminuiu no segundo tempo, mas ainda assim o Grêmio seguiu dominando.
Aos 12 minutos, Espinosa surpreendeu tirando Renato e colocando Tarciso. A substituição dividiu a torcida. Ainda que não estivesse bem, Renato era a principal opção ofensiva da equipe.
Apesar da polêmica, Tarciso foi figura decisiva na vitória gremista.
Foi dele o segundo gol já no final do jogo.
Caio driblou dois marcadores e cruzou forte. Tarciso entrou feito um foguete e mandou a bola para o fundo das redes. Grêmio 2 a 1!
Festa e alívio da torcida gremista.
Uma vitória na abertura da semifinal era fundamental.
Agora o próximo adversário seria o América, em Cáli. (Grêmio.net)

Sangue Frio e autocontrole que o Grêmio mostrou no jogo contra o Estudiantes, em Porto Alegre, quando dominou o jogo, impôs se toque de bola e liquidou a forte equipe argentina, com gols de Osvaldo e Tarciso, este completando excelente jogada do centroavante Caio pela esquerda, para alegria dos 25544 torcedores que pagaram para ver o tricolor” (Marcelo Rezende – Revista Placar 1º de julho de 1983)

“A vitória do Grêmio surgiu muito mais do heroísmo e da vontade de seus jogadores do que uma clara superioridade sobre o adversário. No início, o Grêmio parecia um time extremamente nervoso, errando passes, se livrando da bola de qualquer maneira e inclusive marcando mal. Só que logo aos cinco minutos estavam em vantagem no marcador com um gol de Osvaldo.” (Zero Hora – 21 de junho de 1983)


“China – O único que respondeu bem à violência do adversário: batendo também e sem discutir. NOTA 6”

“Tarciso – Pode não ter sido o melhor jogador do Grêmio até porque atuou menos tempo – apenas 33 minutos. Mas sua velocidade foi fundamental para confundir a defesa bem organizada do adversário. E, para completar, marcou o gol que garantiu a vitória do Grêmio. NOTA 7” (Zero Hora – 21 de junho de 1983)

VALDIR ESPINOSA: “O jogo foi muito bom. Guerreado, corrido, mas acho que o nosso time foi melhor. Vencemos graças ao esforço do grupo e, mais uma vez, provamos que estamos no caminho certo para novas vitórias. O importante era a vitória e graças a Deus conseguimos. Agora vamos a Cali parra buscar mais dois pontos. E o time só será definido lá.”  (Zero Hora – 21 de junho de 1983)
EDUARDO MANERA sobre o Grêmio: “É um bom time. Além de ter conjunto, possuiu jogadores de técnina pessoal que podem desequilibrar uma partida. Com esta vitória a situação do Grêmio ficou excelente“. (Zero Hora – 21 de junho de 1983)

TARCISO: “Venho falando que o Grêmio é um grupo unido. Não quero levar todas as honras pela vitória, pelo amor de Deus! A torcida aplaudiu o Renato quando ele saiu de campo; é isto que deve ser feito. Nunca me sentiu humilhado por estar na reserva do Renato, ao contrário, tenho orgulho disto, pelo valor do seu futebol. Vejam só, estas vitórias aparecem quando se acredita no trabalho; seja jogando ou permanecendo no banco. Este jogo serviu de exemplo para todos que consideram o Grêmio desunido”  (Zero Hora – 21 de junho de 1983)

RENATO PORTALUPPI: “A substituição é um problema do técnico. Se ele achou que eu deveria sair e me retirou é problema dele. Eu acho que os jogadores que estão no Grêmio, hoje, todos têm condições de serem titulares. Não tenho culpa se não consegui jogar cem por cento. Quanto ao Tarciso, eu o considero um grande jogador. Se ele entrou e fez o gol, tudo bem. Nós faturamos o bicho da partida e ele provou que também pode jogar no time titular” (Zero Hora – 21 de junho de 1983)

“Nada mais justo. O Grêmio foi sempre superior ao campeão argentino e mereceu chegar ao final com a vitória de 2 a 1, iniciando sua participação na fase semifinal da Libertadores como líder do grupo. Mas foi um jogo difícil, sofrido. O Estudiantes resistiu bem e até ameaçou. 

Mas o Grêmio foi sempre melhor, apesar de força do adversário. Largou na frente, com um gol sensacional de Osvaldo aos quatro minutos e meio. Ele recebeu passe de Caio e arriscou da entrada da área. O chute foi forte e surpreendeu, alto, e surpreendeu ao excelente goleiro Bartero. A torcida vibrou e passou a incentivar seu time ainda mais” (Folha da Tarde – 22 de junho de 2013)

 CAIO: “Tarciso é muito experiente, sabe onde vai cair a bola. Acalma a gente em campo.”

OSVALDO sobre o primeiro gol: “O Caio preparou bem a jogada. Mas o mais importante foi termos começado bem esta fase e agora vamos pensar no América”

“Manera, treinador do Estudiantes, admitiu que o Grêmio foi melhor, mas que o empate seria  o mais justo. Ele criticou muito a arbitragem chilena: Os jogadores do Grêmio deram pontapés á frente do árbitro, que nada fez” (Folha da Tarde – 22 de junho de 2013)

” O Grêmio não chegou a fazer uma partida brilhante, porque não conta com recursos para tanto e também porque Tita, sentindo uma lesão, não esteve bem, e Renato, abusando do individualismo, pouco fez de prático e acabou sendo substituído. Mas foi uma equipe que demonstrou aplicação e jogo com objetividade. Caio, pela sua movimentação e pela participação nos dois gols, foi o destaque do jogo, sobrando para Tarciso, que saiu do banco de reservas, o privilégio do lance definitivo, o do gol da vitória e determinar um novo destino para a ponta-direita tricolor.” (Antônio Goulart – Folha da Tarde – 22 de junho de 2013)
“Em confronto de bom nível técnico, o time gaúcho acabou prevalecendo com justiça, impondo sua maior determinação em campo, embora o gol da vitória só acontecesse nos cinco minutos finais. E em lance de grande porte, já que Caio iludiu três adversários e serviu na conta Tarciso, que acabou como o herói do jogo.” (Correio do Povo – 22 de junho de 1983)


“TARCISO AGRADECEU

Uma grande partida. O Grêmio mereceu os 2 a 1. O Estudiantes é um time observador da cartilha segundo a qual o melhor ataque é uma boa defesa. É um time defensivo, sem ser retranqueiro. Usa do toque de bola para contra-ataques muito insinuantes. Ponce, tabela e Trebiani, suas grandes figuras de ontem à noite.

Mas o Grêmio foi melhor. Buscou o ataque permanentemente. Acabou ganhando aos 40 minutos num gol providencial de Tarciso, exigido pela torcida aos 12 do segundo tempo, porque Renato não correspondia. Acho que Tarciso não perderá o lugar por algum tempo. Com ele o time é mais coletivo e menos individualista. Caio foi o nome do jogo: armou dois gols, o de Osvaldo e o do Tarciso e foi o atacante mais batalhador. O Grêmio arrancou bem para a classificação” (Lasier Martins – Correio do Povo – 22 de junho de 1983)

 “ARGENTINOS DESTACAM CAIO
Somando e diminuindo, a imprensa argentina considerou justa a vitória do Grêmio sobre o Estudiantes. No sumo das apreciações dos enviados especiais de “Clarin” e “La Nacion” transborda a opinião de que “venceu a equipe mais arrojada, ofensiva, diante de uma que procurou mais o resguardo”.
Outra constatação visível na apreciação das individualidades, é a de que Caio mereceu as principais honras. Na apreciação de Hector Hugo Cardozo, do “Clarin”, cita que, em determinado tempo de partida mais precisamente no seu final “as ações se desenvolviam sem muito brilho, com o empate parecendo definitivo e que somente Caio, com seu futebol envolvente, decidido, conseguiu desequilibrar”

Carlos Ferraro, em artigo para “La Nacion”, foi mais longe a respeito da atuação do centroavante gremista. “Caio, um brilhante ariete. Chegou várias vezes até Bertero, que foi fundamental para que a equipe brasileira não conseguisse um placar mais avantajado” Mais adiante registra: “Mas para o Grêmio restava os recursos de Caio. Ele arrastou Brown por toda a defesa visitante, abrindo caminho para seus companheiros. E foi uma talentosa manobra do centroavante que originou o gol da vitória brasileira que, ao final, colocou justiça no escore. O Grêmio quis e conseguiu jogar ante um rival que somente veio para se defender” (Correio do Povo – 23 de junho de 1983)

  
Fontes: Correio do Povo, Folha da Tarde, Grêmio.net, Placar e Zero Hora

Grêmio 2×1 Estudiantes

GREMIO: Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato (Tarciso, aos 12/2ºtempo), Caio e Tonho.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar
ESTUDIANTES: Bertero; Camino, Brown, Aguero, Gungali, Russo, Ponce, Sabela, Trama, Trobiani, Gurrieri.
Técnico: Eduardo Manera


Triangular semifinal – 1ª rodada – Libertadores 1983

Data: 21 de junho de 1983, Terça-feira,  21h15min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 24.544 pagantes

Renda: Cr$ 17.106.500,00
Juiz: Juan Silvagno (Chile), 
Auxiliares: Gaston Castro e Sergio Vasquez
Cartões Amarelos: Tonho, Ponce e Brown
Gols: Osvaldo aos 4 e Gurieri aoos 11 do 1ºtempo; Tarciso aos 40 do 2ºtempo
 

Como foi o lançamento dos uniformes em 1983?

June 17, 2013

O Grêmio lançou na semana passada o seu fardamento para atual temporada inspirado nos uniformes usados em 1983. Dessa vez o clube lançou a nova coleção na metade da temporada e decidiu revelar o uniforme em diversos pontos da cidade. E fica a dúvida: Como  foi o lançamento dos uniformes em 1983?
O time iniciou aquele ano com o uniforme da temporada passada (da Olympikus). A camisa tricolor da Adidas foi estreada em 4 de março, no empate em 1×1 com o Flamengo, pela Libertadores no Olímpico. Já o uniforme reserva foi usado pela primeira vez contra o Botafogo, em novo empate por um gol no Olímpico, no dia 16 de março, em jogo válido pelo Brasileirão daquele ano.

Contudo, a coleção completa só foi oficialmente lançada em 29 de março de 1983, num evento no Hotel Plaza São Rafael.

(Zero Hora – 29 de março de 1983)
“GRÊMIO RECEBE O NOVO UNIFORME

Com um coquetel, ontem à noite no Hotel Plaza São Rafael, foi apresentado o novo uniforme do Grêmio, da coleção da Adidas. Estiveram presentes, além de toda a direção do Grêmio, vários jogadores, entre eles De León e Tita, representantes de federações esportivas e imprensa. O presidente Fábio Koff entregou a Renê Rezende, representante da Adidas para a Região Sul, uma bandeira do Grêmio. Primeiro foi mostrada toda a coleção da Adidas incluindo sacolas, abrigos, fardamentos, toalhas e roupas esportivas. Ao final, ao som do hino do Grêmio, foi apresentado o novo fardamento do time.” (Folha da Tarde – 29 de março de 1983)

Osvaldo, César e Tita com a camisa de treino no estádio Olímpico

Espinosa em um treinamento

 Valdir Espinosa na social do Olímpico

De León em uma viagem do Grêmio em 1983

Newmar, Paulo César Magalhães e Tarciso no Olímpico

César em um treino de 1983

30 anos da Libertadores de 1983 – Flamengo 1×3 Grêmio

June 5, 2013

 

Já vimos que o Grêmio conseguiu a classificação antecipada na 1ª fase da Libertadores no jogo contra o Bolívar no Olímpico. O confronto contra o Flamengo, no dia 5 de junho de 1983, virou um mero compromisso burocrático para o tricolor. É difícil dizer que foi uma amistoso de luxo, uma vez que  o oponente mostrou pouquíssimo interesse pela partida. Uma semana antes o Flamengo tinha vencido o Santos e conquistado o seu terceiro troféu de campeão brasileiro. E a semana posterior ao título foi e sentimento divididos para a torcida rubro-negra, que comemorava a conquista enquanto acompanhava o desenrolar da venda de Zico para a Udinese.
O time gremista não deu muita bola para a situação do adversário e aproveitou um Maracanã quase vazio para conquistar sua quinta vitória (em seis jogos) naquela Libertadores. Em menos de meia hora de bola rolando o Grêmio resolveu a partida. Tita, Caio e Osvaldo marcaram para o Grêmio e o Flamengo só foi conseguir marcar o seu gol de honra aos 25 minutos do segundo tempo. Tita, mais uma vez, foi o grande destaque do jogo. Tanto pelo desempenho dentro de campo, como também pelas notícias que especulavam sobre o seu retorno para Gávea para vestir a camisa 10 deixada por Zico.
O técnico do America de Cali seguia observando o tricolor e esteve no Maracanã para fazer  observações. Obviamente que o Grêmio também já pensava na fase seguinte. A direção projetava que a classificação obtida injetaria cerca de Cr$ 655 milhões nos cofres do clube. Pela venda dos direitos de televisionamento dos  dois jogos que faria em casa no triangular semifinal o Grêmio recebeu Cr$ 65 milhões (cerca de 130 mil dólares na época). Depois do jogo, Fábio Koff e Valdir Espinosa embarcaram rumo a Argentina, onde observariam  Ferro Carril Vs. Estudiantes, jogo que poderia definir o segundo adversário gremista nos jogos da segunda fase. Koff considerava o Estudiantes o adversário mais duro entre os times do grupo 1. 

*Domingo, 05 de junho de 1983

Fechando com chave de ouro 
Foi com uma grande vitória sobre o Flamengo, no Maracanã, que o Grêmio terminou sua participação na primeira fase da Copa Libertadores de 1983.
Já classificado por antecipação para a fase semifinal, o Tricolor chegou ao Rio de Janeiro apenas para cumprir tabela. Um jogo domingo à tarde, algo incomum em matéria de Libertadores. O adversário, completamente desmotivado, ainda não contava com as presenças de Zico, Júnior, Leandro e Mozer. E a torcida, sempre fator importante de desequilíbrio no maior estádio do mundo, não compareceu. Pouco mais de 6 mil pagantes, boa parte formada por gremistas. O interesse da imprensa era apenas voltado para o meia Tita, já que o Flamengo acertava a venda de Zico para o Udinese e o retorno de Tita à Gávea era dado como certo após o término do contrato com o Grêmio, dia 21 de dezembro. O técnico Valdir Espinosa decidiu manter Paulo Roberto e Baidek no setor defensivo. No gol, Beto seguiu como titular enquanto, fora de campo, o presidente Fábio Koff estruturava a inscrição do goleiro Mazaropi para a fase final da competição: concessão feita pela Conmebol apenas em caso de lesão. Remi estava mesmo descartado. Não demorou muito para o Grêmio abrir o marcador e fazer prevalecer sua superioridade: aos oito minutos, Tita recebeu na entrada da área e mandou por cobertura fazendo um golaço! O Grêmio tratou a partida com seriedade e, antes dos 30 minutos, o placar do Maracanã já apontava a vitória gremista por 3 a 0: Caio marcou o segundo aos 15 e Osvaldo ampliou aos 26. Uma verdadeira aula de futebol nos primeiros 45 minutos. O Flamengo retornou para a etapa final com duas modificações e com o objetivo de evitar uma goleada histórica. Já o Grêmio, por sua vez, diminuiu o ritmo e tratou de administrar a ampla vantagem. Tarciso entrou no lugar de Renato e criou duas boas chances pela direita. O Grêmio só não aumentou porque Cesar perdeu dois gols feitos. O Flamengo ainda descontou com Elder e a partida terminou no 3 a 1. Festa da torcida gremista no Maracanã e vaia dos poucos flamenguistas. Agora todas as atenções estavam voltadas para a cidade de Lima, no Peru, onde a Confederação Sul-Americana iria sortear os dois grupos semifinais que dariam seqüência à competição. (Gremio.net)

  

 “SANTOS VEIO BUSCAR RENATO. E NÃO LEVOU
Fábio Koff não quer nem ouvir falar no interesse do Santos e Flamengo pelo ponteio Renato. “É inegociável” diz o presidente, que na última sexta-feira recebeu um telefonema da Rádio Cultura, de Santos, consultando-o sobre o preço do jogador:
– Podem mandar emissário a Porto Alegre, tragam uma mala cheia de dinheiro que não vão levar. Ninguém tira o Renato do Grêmio. É um assunto que nasceu morto e não deve avançar. A menos que o tal representante santista tenha quatro milhões de dólares para oferecer – brincou o dirigente.
O vice-presidente de Futebol, Alberto Falia, foi outro que negou qualquer possível negociação em torno de Renato. Mas o ponteiro recebeu muito bem a notícia de interesse do Santos. E sabia mais ainda:
– O Santos? É uma grande equipe, fico honrado pela preferência. Soube também que o Flamengo deixou uma pessoa no Maracanã só para me ver jogar; tudo isto me faz feliz, porque é o time dos meus sonhos” (Zero Hora 06 de junho de 1983)

“O gol, logo no início do jogo aumentou o desespero dos flamenguistas que já anteviam uma goleada histórica, que acabou não acontecendo. Porém Tita se firmou como a esperança. Mesmo assim, ao comentar a partida, o principal jogador do Grêmio manteve a discreção:
– Eu me lembro que quando o Flamengo jogava desfalcado sempre mantinha o ritmo. Agora, porém, as circunstâncias da partida foram bem diferentes. Isto é, num jogo amistoso, apenas para cumprir tabela. Não havia muita motivação dos jogadores do Flamengo. Então, não dá para a gente fazer qualquer análise.
Sobre a vitória e também sobre o detalhe de que se o Grêmio continuasse forçando, poderia ter goleado o Flamengo, Tita ponderou que “para o Grêmio o jogo tinha outro aspecto. Nós queríamos nos manter invictos e conseguimos. Nós tivemos melhor campanha desta fase da Libertadores, empatamos apenas uma partida e vencemos todas as outras. Então, você pode ver que cada encarou esta partida de maneira diferente”. (Folha da Tarde – 06 de junho de 1983) 

 “O time teve um aproveitamento de quase 100 por cento no primeiro tempo. Teve um toque de bola muito bom, errou poucos passes e foi um time tranquilo – analisou o treinador Valdir Espinosa, explicando o que havia considerado de mais significativo na bela vitória de 3 a 1 sobre o Flamengo.” (Folha da Tarde – 06 de junho de 1983)
 

Fontes: Grêmio.net, Revista Placar, Zero Hora e Folha da Tarde

Flamengo 1 x 3 Grêmio

FLAMENGO: Raul, Cocada, Figueiredo, Marinho, Ademar,Vitor(Andrade), Elder, Adilio, Robertinho, Baltazar(Felipe) e Júlio Cesar. 
Técnico: Carlos Alberto Torres

GREMIO: Beto; Paulo Roberto, Baidek, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato (Tarciso), Caio e Tonho (Robson). 

Técnico: Valdir Espinosa
Reseravas: Remi, Newmar, Robson, Tarciso e Cesar.


Taça Libertadores da América 1983- Fase de grupos – 6ª rodada
Data:  5 de junho de 1983, domingo, 17h00min
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ
Público: 6.415 pagantes
Renda
:
CR$ 4.141.200,00 

Árbitro: José Assis Aragão,
Auxiliares: Romualdo Arpi Filho e Emidio Marques Mesquita
Cartões Amarelos:Vitor, Renato, China e Osvaldo
Gols: Tita (08 do 1ºT) Caio ( 15 do 1ºT) Osvaldo (26 do 1ºT) Elder (FLA – 25 do 2ºT)

É preciso gastar mais? Essa é a única solução?

May 22, 2013
O Grêmio vive um ciclo estranho nos últimos anos. O time até chega perto, mas não conquista os troféus importantes. Isso cria uma compreensível angustia na torcida. O problema é que parte da torcida aproveita cada insucesso para pregar a tese de que “ninguém serve, ninguém presta, é preciso contratar mais”. E não raro essa tese ganha adeptos entre os dirigentes do clube.

A adoção de tal diagnóstico implica em dois problemas. O primeiro, que já tratei em outro post, é a falta de continuidade, falta de sequência no trabalho de futebol. O segundo, é que contratações implicam em um sério dispêndio financeiro. E é esse o ponto que acho importante abordar.

Não é segredo para ninguém que o Grêmio contratou bastante para 2013. É razoável de se supor que essas contratações implicam em um maior investimento de capital por parte do clube. Vi poucas manifestações da atual diretoria sobre o tema. O assunto foi tratado em uma reunião do conselho deliberativo, mas não acho que caiba a mim abrir estes números aqui. Contudo, acho que é possível extrair alguma informação das manifestações públicas dos membros do conselho de administração.

Nestor Hein falou rapidamente sobre o tema em um programa da TVCOM no último domingo. E, no final de março, Renato Moreira explicou a motivação de alguns gastos em entrevista a Rádio Gaúcha. Abaixo disponibilizei o áudio e transcrição apenas dos trechos em que o assunto “gastos com futebol” foi abordado:


TIME COMPETITIVO X CUSTOS

“Que o Grêmio cumpra com seus compromissos e mantenha o nível de qualidade da sua equipe, para que possa participar de uma Libertadores como está participando, com chances de vitória, para que possa jogar um Campeonato Brasileiro com chance de vitória. Não nos interessa nos apequenarmos para tentar não cair no Brasileiro ou para não ir muito além na Copa Libertadores. É essa a preocupaçao que nós temos. Lamento que o presidente Odone tenha omitido esse fato. Não entendi a razão.”
 
[…]

AUMENTO DE GASTOS
“Claro que acresceu um pouco a folha em relação ao que o Grêmio gastava no ano passado. Tivemos que fazer contratações: Barcos, Vargas, Welliton, André Santos, para citar algumas estrelas, e disputar uma Copa Libertadores em condições de vencê-la. O Grêmio não pode encerrar a disputa sem jogador para ter no banco. Óbvio que há um pequeno acréscimo, mas é inferior ao que a gestão passada implementou em face à gestão anterior.” (Zero Hora – 25 de março de 2013 )

A diretoria deve ter poder de decisão, de saber administrar os recursos para fazer as escolhas que entende serem adequadas. Mas é esse o ponto. Tratam-se de escolhas. Não consigo concordar com esse argumento de que os reforços são imposições. “TIVEMOS que fazer contratações” me soa um tanto exagerado.
O Grêmio tinha um time bem razoável em 2012. Na Copa do Brasil e na Sulamericana a eliminação não se deu contra equipes mais qualificadas que a nossa (muito antes pelo contrário). No Brasileirão não foi o confronto direto com as equipes de cima da tabela que determinou a perda do título. Diante disso, fica a pergunta. Era realmente NECESSÁRIO que fossem feitos acréscimos a equipe?
Também não consigo aceitar o raciocínio de que não contratar implica em se apequenar. Não vejo o futebol dessa forma. E ainda que se leve em conta esse argumento é preciso fazer uma reflexão. O time cheio de contratações de 2013 foi eliminado na mesma fase do que o time de 2011 (do tão criticado Lins). Se foram contratações que faltaram há dois anos, o que faltou dessa vez?
E por isso que não concordo muito com o que se tem dito sobre a política de investimentos no futebol. Gastar mais pode ser uma solução válida. Talvez seja a primeira a ser cogitada, talvez seja a mais óbvia, mas certamente não é a única maneira de se montar equipes competitivas.
Acho importante deixar um exemplo disso. Abaixo transcrevo trecho de duas reportagens da Placar do primeiro semestre de 1983. Nelas fica evidenciado que o Grêmio gastou/investiu menos naquele temporada do que tinha investido no seu time do ano anterior. E isso de maneira alguma resultou em apequenamento ou em eliminações precoces. Todos nós sabemos como foi feliz o final daquele ano para a torcida tricolor.
“O Grêmio desfaz-se de quatro de suas superestrelas – Leão, Batista, Paulo Isidoro e Baltazar – e, em troca, traz apena uma: Tita. O Inter abre mão do líder de sua equipe – Cleo – e não faz nenhuma contratação de vulto. Ao mesmo tempo, ambos estabelecem rígidos tetos salariais. O do Grêmio é de 2,7 milhões mensais, entre luvas e ordenados, e só é alcançado por De León. O do Inter, inferior ao do Grêmio em 1 milhão, abriga apenas Benitez, Mauro Galvão e Edevaldo.
Que é isso? É a recessão chegando ao futebol gaúcho.
Essa tenebrosa palavrinha encaixou-se com naturalidade no vocabulário dos dirigentes dos dois maiores clubes do sul, que exibiam, até 1982, o orgulho de serem os recordistas brasileiros em contratações e o de possuírem as mais gordas folhas de pagamento do país. “Ou caíamos na realidade ou desabávamos no precipício”, declara Alberto Galia, 50 anos, um bioquímico e comerciante guindado à vice-presidência de futebol justamente por sua mágica atuação no departamento de finanças.

[…]

Este ano, como se os dois estivessem sob controle do FMI, as curvas dos gráficos se inverteram. O Grêmio gastou apenas 110 milhões (Osvaldo, Róbson, Lambari e César, ex-Benfica) dos 330 recebidos nas vendas de Paulo Isidoro e Batista. Colocou Leão à venda por 60 milhões e, se trouxe Tita por empréstimo, precisou emprestar Baltazar ao Flamengo.

[…]

Quer dizer, a situação é desoladora. “Assim, como podemos gastar mais do que Rio e São Paulo, se faturamos muito menos do que eles?”, pergunta Galia. E revela: “O Tita ficou satisfeitíssimo com um salário bem inferior ao que o Baltazar estava pedindo” (Divino Fonseca – Revista Placar nº 663 – 04 de fevereiro de 1983)

A contençao de despesas, decretada a partir de um sentido encontro no início do ano dos presidentes Koff e Dallegrave na sede da federação, é uma das razões da crise. Não se diminui investimento em futebol sem que, de algum modo, este fato se expresse no campo. O Grêmio expressou mais: desfez-se de Paulo Isidoro por 120 milhões à vista, de Batista por um número não determinado mas de quase 200 milhões, e facilitou a saída de Leão para o Corinthians por um pouco mais do que havia gastado para comprá-lo do Vasco três anos atrás. Ficou apenas com Hugo de León, que lhe custou uma renovação de contrato cara, mas o zagueiro era o único que, por consenso no Grêmio, não poderia sair.

O Grêmio teve de lidar, reconheça-se, com necessidades financeiras (esses jogadores eram caros e ficariam ainda mais caros com as renovações de contratos, todas calculadas a partir do dobro do salário e das luvas) e como necessidades, digamos, pessoais. Paulo Isidoro, Batista e Leão, por razões diferentes, estavam em dissidência com o clube, com setores da torcida ou da imprensa. Em substituição, o Grêmio tratou de gastar menos e recompor o time: Baltazar, sem ambiente no clube e na torcida, foi trocado por Tita, do Flamengo, Osvaldo foi comprado por 70 milhões à Ponte Preta, César foi encontrado na reserva do Benfica de Lisboa, e os demais vieram do interior do Estado: Róbson, do Inter de Santa Maria, Lambari, do Esportivo de Bento Gonçalves, Silmar do São Borja. E Remi, reserva de Leão e, antes, há quase dez anos, de Cejas, Walter Corbo e Manga, pela ordem, foi efetivado como titular” (Ruy Carlos Ostermann – Revista Placar nº 672 – 8 de abril de 1983)
Me parece que o questionamento de Alberto Galia segue atual. Será que podemos gastar mais? Será que é esse o nosso principal diferencial competitivo?