Archive for the ‘1985’ Category

Brasileirão 1985 – Santos 1×1 Grêmio

October 11, 2020

 

No Brasileirão de 1985, Santos e Grêmio se enfrentaram no Morumbi em jogo da primeira fase. Um gol sofrido nos acréscimos impediu que o tricolor saísse de São Paulo com a vitória.

Foi o jogo que antecedeu o Gre-nal do primeiro turno do Brasileirão daquela temporada. A estreia de Alejandro Sabella já era cogitado, mas isso só foi acontecer duas semanas mais tarde.

EMPATE NO FINAL CASTIGA O GRÊMIO
Gaúchos lutaram muito e se frustraram com gol do Santos no último minuto

A forma como o Grêmio empatou com o Santos de 1×1, ontem à noite, em São Paulo, pode não ter agradado aos torcedores que assistiram à partida pela televisão. Afinal, o time estava vencendo a partida até os 45 minutos do segundo tempo e, 30 segundos depois, surgiu o gol do Santos. No entanto, com esse resultado, o Grêmio mantem sua invencibilidade, assegurou seis pontos e continua líder do grupo A (o Fluminense tem cinco pontos e um jogo a menos).

Com exceção de escassos cinco minutos de partida, quando o Santos ameaçou uma pressão na área, o Grêmio realizou boa partida no segundo tempo. Defendeu-se bem e teve tranquilidade e técnica para sair jogando de seu campo com absoluta autoridade. No entanto, essa boa atuação não tinha correspondência ofensiva, pois além de Luis Fernando estar sem criatividade o centroavante Roberto César submetia-se à marcação dos zagueiros. Assim, a armação das jogadas ficava sob a responsabilidade do talento de Valdo, que realizou excelente primeiro tempo. Mas as chances de gols foram raras.

No início do segundo tempo, o Santos novamente procurou decidir a partida de saída e teve duas boas conclusões e duas grandes defesas de Mazaropi. Aos 24 minutos, com o gol de Renato, o Grêmio (desde os 13 minutos com Tarciso no lugar de Ademir) estabilizou-se em campo, tocou a bola com calma e esperou a reação do Santos. Aos 32, Minelli decidiu assegurar a vitória e retirou Roberto César, colocando Sérgio Peres para estabelecer a igualdade de quatro jogadores no meio-campo. O time, é verdade, ficou mais protegido m., num lance isolado, 30 segundos além do tempo regulamentar, o Santos conseguiu o empate através de Humberto. O momento em que surgiu o empate é que frustrou o Grêmio. mas o resultado foi bom para um time que está em formação e ainda invicto na Taça de Ouro.” (Pedro Macedo, Zero Hora, sexta-feira, 8 de fevereiro de 1985)

O placar

RENATO para o Grêmio — 1×0 aos 24 minutos do segundo tempo — Depois de uma boa jogada de Ronaldo pela direita, a bola sobrou para Renato que, da entrada da área, pela meia direita, bateu forte de pé esquerdo. A bola raspou em Chiquinho, enganou o goleiro Silas e entrou no canto direito.

HUMBERTO para e Santos — 1×1 a 45min30seag — Jaime Boni levantou a bola na área , Lima tocou de cabeça, para baixo e Marinho bateu com o joelho na bola. Humberto, quase na área pequena, acertou uma bicicleta maravilhosa, indefensável. A bota entrou no angulo direito de Mazaropi.

Atuação do juiz
Nei Andrade Nunes Mala teve uma arbitragem tranqüila do ponto de vista disciplinar. Mas, tecnicamente, ficou claro que ele tem alguns defeitos, pois coloca-se mal em campo e engana-se com freqüencia na marcação das infrações Os auxiliares estiveram bem. NOTA 7.” (Zero Hora, sexta-feira, 8 de fevereiro de 1985)

TIME DE MINELLI SÓ SERÁ DEFINIDO DOMINGO
O técnico Rubens Minelli deixou o gramado do estádio ido Morumbi, rumo ao vestiário, lamentando o empate: “Sofremos um gol em cima da hora, Infelizmente isto aconteceu quando já sentíamos a vitória”, reclamava o técnico do Grêmio. O preparador físico Gilberto Tim, no entanto, achou o resultado justo: “Futebol é assim. E só o time vacilar um segundo e…”.

Depois, no vestiário. Minelli achou o resultado bom. Achou seu time brilhante nos primeiros 30 minutos: “Aí aconteceu uma desarrumação no meio-campo, corrigida no Intervalo. Melhoramos novamente no segundo tempo, fizemos o gol, mas depois, numa desatenção, surgiu o empate”. Sobre o Gre-Nal, Minelli falou pouco. Mas disse que o Inter “é merecedor do favoritismo, em conseqüencia dos títulos conseguidos em 84, já que o Grêmio não ganhou nada no ano passado”. O time ele só define no domingo. Porém garantiu que Sabella não tem possibilidades de jogar.” (Zero Hora, sexta-feira, 8 de fevereiro de 1985)

Fotos: Zero Hora

 

Santos 1×1 Grêmio

 

SANTOS: Silas; Chiquinho, Davi, Toninho Carlos e Jaime Bôni; Dema, Gilberto Costa (Formiga, 30 do 2ºT) e Humberto; Mário Sérgio (Mazinho Oliveira 27 do 2ºT), Lima e Zé Sérgio
Técnico: Castilho

GRÊMIO: Mazaropi; Ronaldo, Baidek, Luis Eduardo e Casemiro; China, Valdo e Luis Fernando (Ademir); Renato Portaluppi, Roberto César (Sérgio Peres, 31 do 2ºT) e Ademir (Tarciso 12 do 2ºT)
Técnico: Rubens Minelli

Brasileirão 1985 – 1ª Fase – 1º Turno – 4ª Rodada
Data: 7 de fevereiro de 1985, quinta-feira, 21h00min
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo-SP.
Público: 8.298 (7.750 pagantes e 548 menores)
Renda: Cr$ 41.656.000
Árbitro: Nei Andrade Nunes Maia
Auxiliares: Garibaldo Mattos e Djamie Sampoaio
Cartões Amarelos: Baidek, Ronaldo e Humberto
Gols: Renato, aos 23 do 2º tempo e e Humberto aos 45 do 2º tempo

Brasileirão 1985 – Grêmio 2×0 Inter

October 2, 2020

Foto: Mauro Mattos (Zero Hora)

Até hoje foram disputados 58 Gre-Nais pelo Campeonato Brasileiro. Nesses 58 clássicos foram 23 vitórias do Grêmio, 16 empates e 19 vitórias do Inter (a esta conta devem ser acrescentados dois empates, se também considerarmos o Gre-Nais pela Seletiva para a Libertadores em 1999).

Desses 58 Gre-Nais, 6 foram realizados na Arena, 34 no Beira-Rio, 1 no Centenário e 17 no Olímpico. Curiosamente os dez primeiros Gre-Nais pelo Brasileirão foram todos de mando do Inter.

O primeiro Gre-Nal do Brasileirão no Olímpico aconteceu em 10 de fevereiro de 1985, vitória tricolor por 2×0. O grande destaque daquela noite de domingo foi Renato Portaluppi, que deu passe para o primeiro e marcou o segundo gol.

Evaristo de Macedo, então técnico da Seleção, esteve presente no Olímpico nesse dia. Contudo, não convocou Renato durante sua curta passagem como treinador da CBF (vale fazer a ressalva de que Renato teve uma série de lesões nesse primeiro semestre de 1985).

Uma curiosidade dessa partida é o uso do calção branco pelo Grêmio no clássico. Só encontrei outro registro disso na década de 40 (em 1975 o Grêmio usou camisa celeste no Beira-Rio, em 1983 camisa branca no Beira-Rio e em 1997 a camisa “negresco” no Olímpico, mas em todas essas ocasiões o calção utilizado foi o preto).

.

Foto: Mauro Mattos (Zero Hora)

TALENTO DE RENATO DECIDIU O GRE-NAL
Ponteiro fez jogada brilhante no gol de Ademir e marcou o segundo, em chute violento

O Grêmio venceu com méritos o Gre-Nal de ontem no Estádio Olímpico por 2×0, numa partida em que o grande destaque foi o talento do ponteiro-direito Renato — que marcou o segundo gol e fez toda a jogada do primeiro. Foi falsa a impressão do primeiro tempo de que os dois times estariam satisfeitos com um empate. No início do segundo, empurrados pelo entusiasmo das duas torcidas, os times passaram a se comportar de uma forma menos cuidadosa, transformando a partida num dos mais atraentes jogos da Taça de Ouro.

No início, com esquemas extremamente cuidadosos, tanto o Grêmio como o Internacional realizaram raríssimas jogadas ofensivas, tanto que o primeiro chute a gol só surgiu aos 18 minutos — Ruben Paz bateu prensado com Baidek, de dentro da área, e Mazaropi segurou. Aos 36, Renato bateu da entrada da área, rasteiro, mas fraco, facilitando a defesa de Gilmar. Fora disso, as conclusões se limitaram a chutes de média distância, geralmente fora do gol, o que criava uma expectativa de empate num jogo que não agradava a ninguém.

No segundo tempo, por obra e iniciativa das torcidas, houve uma transformação total do jogo: os dois times estavam mais ambiciosos em campo e a vantagem ficou com o Grêmio, que marcava melhor, mesmo que fosse necessário cometer uma infinidade de faltas. Seguro na defesa e com a confiança que essa segurança assegurava, o Grêmio marcou um gol logo aos 14 minutos — Ademir — e completou concretamente uma vantagem que começava a aparecer em campo. Esse gol desestruturou — pelo menos do ponto de vista defensivo — o time do Internacional: bem marcado no ataque e procurando a pressão sobre o adversário, o Inter começou a errar na marcação. O segundo gol, de Renato, aos 20 minutos, estabeleceu definitivamente a vitória do Grêmio e a liderança isolada do grupo A da Taça de Ouro.” (Pedro Macedo, Zero Hora, segunda-feira, 11 de fevereiro de 1985)

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

DEU GRÊMIO POR CAUSA DO PONTEIRO RENATO
A velocidade, o drible e a força do ponta-direita Renato, exibidas em duas jogadas no segundo tempo, deram a vitória de 2 a 0 ao Grêmio contra o Internacional, domingo, à noite, no Olímpico Aos 14 minutos, Renato driblou Mauro Galvão, deu uma meia-lua em Ademir e passou para Ademir Padilha marcar. Aos 20, ele venceu na corrida o lateral André Luís e disparou uma bomba, que o goleiro Gilmar não conseguiu segurar.

A rigor, essas foram as duas grandes jogadas do Gre-Nal, que durante o primeiro tempo apresentou um futebol truncado, cheio de faltas no meio de campo. O primeiro chute perigoso só aconteceu aos 36 minutos, quando o mesmo Renato arrematou rasteiro, exigindo que o goleiro Gilmar fizesse boa defesa para escanteio. O Inter não conseguia boas jogadas, pois o cérebro do time, Ruben Paz, estava apagado.

No segundo tempo, até acontecer o primeiro golo, a partida permanecia sem bons lances de área. Mas Renato, em apenas seis minutos, despertou, fez duas grandes Jogadas e levou o Grêmio à vitória, garantindo a liderança do time no seu grupo na Taça de Ouro.

O Internacional, depois dos golos, ainda tentou esboçar reação. Mas esbarrou no sistema defensivo gremista, que esteve sempre muito atento. Ruben Paz, em noite opaca, permaneceu não conseguindo armar as jogadas de ataque. A vitória do Grêmio acabou sendo justa, mas a qualidade do clássico ficou aquém da expectativa dos torcedores.” (Pioneiro, terça-feira, 12 de fevereiro de 1985)

GRE-NAL I
Inter não poderia mesmo ter vencido ao Grêmio no domingo à noite. Seu ataque esteve irreconhecível. Os ponteiros Jussiê e Silvinho foram medíocres, Para Silvinho havia a explicação da gripe que o acometeu durante a semana, mas Jussiê não tinha desculpa. Sem abastecimento dos ponteiros e com Ruben Paz e Luis Freire não jogando nada, Kita afundou. O Inter como conjunto teve um desempenho apagado por causa das más atuações individuais.

GRE-NAL II
Apesar da badalação feita pela crônica, o time do Grêmio também não foi o primor que se pintou. Os dois a zero, nascidos em lances individuais de Renato – belíssimos, diga-se de passagem -, foram das poucas coisas que o time produziu. Teve alguns arremates de longa distância, mas as jogadas de penetração estiveram ausentes. Algumas individualidades luziram com regularidade, como Valdo e outras por alguns instantes, como foi o caso de Renato. Foi o suficiente para ganhara jogo.” (Guiomar Chies, Pioneiro, terça-feira, 12 de fevereiro de 1985)

Foto: Jurandir Silveira (Placar)

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

MINELLI VENCE A PRIMEIRA
Há 17 clássicos que o Grêmio não derrotava o velho rival

“O jogador passa, mas a bola não”, avisava antes do jogo o zagueirão Baidek. Mas foi o contrário: quem não passou, domingo no Olímpico, foram os homens do Inter. O Grêmio cometeu praticamente o dobro de faltas, o que acabou sendo o ingrediente mais picante da receita de Rubens Minelli para chegar à vitória em seu primeiro Gre-Nal como técnico tricolor (também a primeira do time nos últimos 17 clássicos oficiais). “Foi a saída que encontramos para truncar um adversário com mais conjunto”, ensinava ele.

Para construir os 2 x 0, e ganhar a liderança dos grupos A e B. com oito pontos ganhos em cinco jogos, o Grêmio acrescentou um condimento igualmente forte: o futebol de Renato. assistido pelo treinador da Seleção. Evaristo de Macedo. No primeiro gol, ele driblou dois adversários antes de cruzar na medida para Ademir emendar no ar. No segundo, arremeteu como um touro furioso e, mesmo com pouco ângulo, soltou um torpedo certeiro.

Não faltou nem mesmo o lance psicológico no clássico gaúcho: Minelli e o preparador físico Gilberto Tim ressaltaram o favoritismo do Inter em todas as entrevistas anteriores ao jogo, o que aguçou a vontade dos jogadores gremistas e deixou muito confiante, os craques colorados. Conclusão: enquanto os primeiros se matavam em campo, os últimos paravam ao perder um lance.

De tal maneira empenhados que pareciam se multiplicar em campo, os tricolores deixaram uma dúvida no ar: onde vai entrar o clássico porém lento meia argentino Sabella? Justamente no lugar de Valdo, que é quem mais se movimenta?(Placar, Edição n.º 769, 15 de fevereiro de 1985)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: Guaracy Andrade (Zero Hora)

GRÊMIO: Mazaropi; Ronaldo, Baidek, Luis Eduardo e Casemiro; China, Luis Fernando (Sérgio Peres, intervalo) e Valdo; Renato, Roberto César e Ademir (Tarciso, 31 do 2ºT).
Técnico: Rubens Minelli

INTER:  Gilmar; Luis Carlos Winck, Aloísio, Mauro Galvão e André Luiz; Ademir Kaeffer, Luis Freire e Rubén Paz; Jussiê, Kita e Silvinho (Paulo Santos, 22 do 2ºT)
Técnico:  Otacílio Gonçalves

Brasileirão 1985 – 1ª Fase – 1º Turno – 5ª Rodada
Data: 10 de fevereiro de 1985, domingo, 20h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 32.341 pagantes
Renda: Cr$ 186.994.000,00
Árbitro: Carlos Martins
Auxiliares: Justimiano Gularte e César Carrasco

Trofeo Ciudad de Valladolid 1985 – Universidad Catolica 2×2 Grêmio (U. Catolica 3×0 nos pênaltis)

September 16, 2020

Foto: Zero Hora

 

O primeiro confronto da história entre Universidad Catolica e Grêmio ocorreu em solo europeu, em 1985. Era oitavo de onze jogos que o tricolor fez na sua excursão ao velho continente naquela temporada. Vale lembrar que o Grêmio havia encerrado sua participação no Brasileirão daquele ano em meados de abril e só iria estrear no Gauchão em setembro.

Sem Renato, com uma lesão muscular, o Grêmio não fez uma grande partida, cedendo o empate nos minutos finais e desperdiçando todas suas cobranças na disputa de pênaltis.

Foto: Zero Hora

GRÊMIO FRACASSA DE NOVO

Torneio de Valladolid – Universidad Católica chegou ao empate no final. Depois venceu nos pênaltis. Equipe de Minelli acabou na última colocação

 

De favorito para ganhar o 13º Torneio Cidade de Valladolld (que conquistou em 1981), o Grêmio terminou como último colocado após a derrota de ontem, na decisão por pênaltis para o Universidad Catolica do Chile, por 3 a 0. No tempo regulamentar o resultado foi de 2 a 2, com o Grêmio cedendo o empate nos últimos cinco minutos do jogo, quando ganhava por 2 a O. Os espanhóis não gostaram da partida e vaiaram as duas equipes. Bonamigo e Lepe foram expulsos.

 

O temor de sofrer gols nos contra-ataques, como ocorrera na estréia, contra o Ujpest, mostrou um Grêmio excessivamente cauteloso no primeiro tempo. Os laterais Raul e Ronaldo ficaram presos na marcação, o meio-de-campo não se organizou e a defesa acabou sobrecarregada, com destaque para Luis Eduardo, que fez uma ótima apresentação. Bonamigo recuado, Osvaldo temeroso e Sabella sem lucidez, formavam um meio-de-campo frágil. Por isso Bira, isolado, só concluiu uma vez a gol, de cabeça. E Valdo e Ademir, em lances individuais, não conseguiram objetividade.

 

Melhor posicionado o time chileno explorou bem os deslocamentos de Neira e Mardonez, para as conclusões de Vargas e até do lateral Espinoza. O Universidad chegou a merecer um gol, pois criou cinco boas chances, algumas defendidas por Mazaropi e outras para fora. A defesa estava firme porque Bira, isolado, pouco trabalho apresentava e assim os laterais foram ao apoio.

 

No segundo tempo o Grêmio voltou modificado, com China no lugar de Sabella, mas jogando como centromédio. Assim, Bonamigo foi liberado para armar jogadas e junto com Osvaldo aproximar-se do centroavante e tabelar com os ponteiros. Caio Jr. substituiu Bira. Minelli queria mais chutes a gol e aos três minutos Osvaldo fez 1 a O em cruzamento de Valdo.

 

Até os 20 minutos o Grêmio foi superior, perdendo algumas chances com Caio Jr., Valdo e Osvaldo. O Universidad, aparentemente cansado, não tinha pressa e aos 32 minutos sofreu o segundo gol, em jogada de China. Mas o técnico Prieto reagiu e colocou Soto, depois Abarca e Lepe em campo, aos 35 minutos buscando a recuperação. E deu certo, pois aos 40 minutos, Baidek fez pênalti em Soto, que Neira converteu. Bonamigo e Lepe se agrediram mutuamente e foram expulsos. Perturbada, a defesa do Grêmio falhou logo a seguir, permitindo o empate, por Diaz, aos 44 minutos. Na decisão por pênaltis, Neira, Espinoza e Oscar Lyn converteram, enquanto Valdo chutou mal e Toledo defendeu, para logo depois Osvaldo cobrar para fora e Caio Jr. também chutar para o goleiro defender.” (João Carlos Belmonte, Enviado Especial, Zero Hora, sexta-feira, 23 de agosto de 1985)

 

 

O placar

– OSVALDO, para o Grêmio, 1 a 0, aos três minutos do segundo tempo — Valdo cruzou da direita e Osvaldo, na área, concluiu de pé direito.

– CHINA, para o Grêmio, 2 a 0, aos 32 minutos do segundo tempo — Bonamigo roubou a bola na intermediária, tabelou com China, que avançou e na saída de Toledo chutou forte de pé esquerdo.

– NEIRA, de pênalti, para o Universidad, 2 a 1, aos 40 minutos do segundo tempo. Baidek fez falta em Soto na grande área, pelo setor esquerdo.  Neira cobrou o pênalti no centro do gol, convertendo.

– DIAZ, para o Universidad, 2 a 2, aos 44 minutos do segundo tempo. Mardonez cobrou o escanteio com rapidez. A defesa do Grêmio ficou parada e Diaz saltou sozinho, concluindo de cabeça.” (Zero Hora, sexta-feira, 23 de agosto de 1985)

 

MINELLI, IRRITADO, CRITICA OS JOGADORES

O técnico Rubens Minelli estava muito irritado após o mau resultado do Grêmio, ontem à tarde, na Espanha. Ele criticou duramente o comportamento dos seus jogadores e usou uma frase forte para caracterizar o momento do Grémio, — Tem gente comendo mortadela e arrotando peru — disse Minelli, após o Grêmio ter terminado o Torneio Cidade de Valladolid em quarto lugar Minelli garantiu que o Grêmio subestimou o adversário, que 24 horas antes havia perdido para o Real Atlético Valladolid por 3 a O: — Tinha gente (jogadores) gozando o Universidad. Mas alerto a todos dizendo que uma partida é diferente da outra e sempre, é necessário respeitar o adversário. Hoje o Grêmio é um time bem diferente daquele que venceu os torneios de Rotterdam e Palma de Mallorca. Mas não posso me queixar. O resultado da partida foi justo, principalmente pelo número de gols que o time chileno perdeu no primeiro tempo. E depois, na cobrança de pênaltis, os jogadores foram simplesmente horríveis — explicou o inconformado Minelli.” (Zero Hora, sexta-feira, 23 de agosto de 1985)

 

 

ESQUEMA, DIFICULDADE PARA BIRA

O jogo contra o Universidad Catolica deveria servir para que Bira fosse observado e, a partir disso, efetivado como titular da equipe. Mas o centroavante foi substituído no intervalo para que Minelil tentasse mudar o jogo com Caio Jr. no comando do ataque. É verdade que Bira não teve urna boa atuação nos primeiros 45 minutos, mas por culpa do esquema de jogo, retraído e cauteloso do Grêmio:

— Só tive chance de cabecear urna bola a gol e dar um chute em condições ruins — justificou o centroavante ao sair de campo.

Bira foi prejudicado porque o Grêmio encontrou dificuldades para organizar as jogadas de ataque, pois Sabella esteve mal, Osvaldo recuado e o centroavante ficou isolado entre os zagueiros. O técnico Rubens Minelli não quis confirmar a equipe que joga em Cádiz, pois estava tão irritado que preferiu deixar a definição para hoje à tarde. Mas é certo que fará mudanças.” (Zero Hora, sexta-feira, 23 de agosto de 1985)

RUY CARLOS OSTERMANN – A DENÚNCIA

Minelli, chateado, lembrou uma tendência do comportamento do jogador brasileiro de futebol. No dia anterior, assistindo ao jogo do Real de Valladolid e do Universidad Católica do Chile, os jogadores se divertiram com os erros, as precariedades gerais com que jogavam. Estavam, por isso, certos de sua irremediável superioridade. Minelli disse ao Belmonte que falou com os jogadores que nem sempre é assim, que o adversário na hora se supera, etc. Enfim, falou que jogo só se ganha no campo, jamais na arquibancada.

O time do Grêmio ontem fracassou diante da Universidad. Terminou o primeiro tempo jogando muito mal e a zero. No intervalo, além da repreensão do vestiário, Minelli tirou Sabella e colocou China, tirou Bira e colocou Caio Jr. Não sei se foi por essas trocas mas a dois minutos do segundo tempo Osvaldo fazia o primeiro gol. Mais tarde, China fazia o segundo. E dali para frente, afundou tudo: houve pênalti de Baidek, gol do Universidad, expulsões de Bonamigo e um chileno, e, no fim do jogo, haveria ainda gol de empate do Universidad. Um desastre só piorado pelas cobranças dos pênaltis que o Grêmio, melancolicamente, não acertou nenhum.

Não poderia ter sido pior. Foi ruim contra o Ujpest, foi pior ontem. Ficam, como lembranças as vitórias contra o Feynoord, Bayern, Gijon e Barcelona. Elas dão razão ao técnico e denunciam os jogadores.

 

Pequena conclusão

O Grêmio tem, agora, o Torneio Ramon Carranza em Cádiz. Joga contra o Sevilha na estréia. Depois desse torneio, terá um amistoso de despedida em Madrid.” (Ruy Carlos Ostermann, Zero Hora, sexta-feira, 23 de agosto de 1985)

PAULO SANT´ANA – TERCEIRA DERROTA

A campanha do Grêmio começa a se tornar perigosamente irregular na Europa. Perdeu três para fraquíssimos adversários: Pádua, Ujpest e Universidad Católica. Nas duas primeiras através de cinco gols de contra-ataques, ridicularizando a tática de impedimento de Minelli, exaltada pelo treinador gremista como fórmula infalível de jogar contra os europeus. Ontem, com falhas horrorosas na defesa, depois de estar ganhando por 2 a 0 e ceder o empate. Mais vexaminoso ainda: dos três pênaltis cobrados pelo Grêmio no desempate, nenhum foi aproveitado. Nem por Osvaldo nem por Valdo nem por Caio Jr. Isto é, enquanto o Minelli não faz o que todo mundo quer (nomear logo o Bira centroavante titular) e não joga o Renato, a defesa é uma peneira e os atacantes parecem que não treinam nem chutes de pênaltis. Que deveriam treinar porque é assim que se decidem os jogos em torneios europeus. Lógico que a volta de Renato e uma providência que talvez tenha que ser até administrativa de fazer o Bira titular melhorarão o time. Mas a defesa do Grêmio não inspira confiança para o Regional. E a excursão, em vez de prometer para o Gauchão, está começando a nos meter medo. “ (Paulo Sant´ana, Zero Hora, sexta-feira, 23 de agosto de 1985)

 

 

 

 

 

 

U. CATOLICA: Toledo; Espinosa, Marchioni, Lihn e Yonma (Abarca); Neira, Mardones e Pérez; Díaz, Vargas (Lepe) e Astudillo (Sotó)
Técnico: Ignacio Prieto

GRÊMIO: Mazaropi; Raul, Baidek, Luis Eduardo, Renaldo; Bonamigo, Osvaldo e Sabella (China); Valdo, Bira (Caio Junior) e Ademir
Técnico: Rubens Minelli

Troféu Ciudad de Valladolid – Decisão 3º Lugar
Data: 22 de agosto de 1985, quinta-feira
Local: Estádio Municipal José Zorrilla, em Valladolid (ESP)
Árbitro: José Enrique Rubio Valdivieso
Auxiliares: Araus Nunez e Hernandez Velasquez
Cartões vermelhos: Bonamigo e Lepe
Gols: Osvaldo aos 3 minutos do 2º tempo, China aos 32, Neira (de pênalti) aos 40 e Diaz aos 44 minutos do 2º tempo

Sabella no Grêmio – 1985/1986

September 29, 2011

Um fato marcante da semana que passou foi a fotografia de Mano Menezes entregando uma camiseta tricolor para Alejandro Sabella. O técnico da seleção Argentina foi atleta do clube nos anos de 1985 e 1986.

Sabella foi trazido do Estudiantes no início de 1985, numa contratação de 170 mil dólares encaminhada por Adalberto Preis e Raul Régis de Freitas Lima.

O meia argentino estreou com a camisa do Grêmio no empate em 1×1 com o Cruzeiro, no Mineirão, em jogo válido pela 7ª Rodada do Campeonato Brasileiro de 1985.


Relato da revista Placar sobre o jogo:

Uns 50 torcedores do Grêmio viajaram do Sul para assistir a estréia do meio-campista argentino Sabella contra o Cruzeiro, no Mineirão. “Não esperem muito dele hoje”, advertiu, porém, o técnico Rubes Minelli. O técnico tinha razão. Mas, apesar da falta de ritmo e da cerrada marcação de Douglas, Sabella conseguiu mostrar lances de muita classe e manter preocupados todos os cruzeirenses.

Ao fim dos 90 minutos, Minelli mostrava-se otimista com Sabella. Mas, mais que isso, aliviado com o empate…” (Placar, 1º de Março de 1985)

Placar: Sabella – Nota 6 – Criativo mas sem ritmo. Bem marcado.

Ficha do jogo:

Cruzeiro 1 x 1 Grêmio

CRUZEIRO: Ademir Maria; Carlos Alberto, Orlando Fumaça, Geraldão e Ademar; Douglas, Eduardo e Tostão; Carlinhos (Dedé de Dora, 38 do 2º), Carlos Alberto Seixas (Aluísio, 29 do 2º) e Joãozinho
Técnico: João Francisco

GRÊMIO: Mazarópi; Ronaldo, Baidek, Luís Eduardo e Casemiro; China, Valdo e Sabella; Renato Portaluppi, Roberto César e Ademir (Osvaldo – intervalo)
Técnico: Rubens Minelli

7ª Rodada – Campeonato Brasileiro 1985
Data: 23 de fevereiro de 1985
Local: Estádio Mineirão, Belo Horizonte – MG
Público: 31.253
Renda: Cr$ 135.489.500,00
Juiz: Manuel Serapião Filho (BA)
Cartão Amarelo: Baidek, Geraldão, Valdo, Ademar, Joãozinho, Roberto César e Osvaldo
Gols: Tostão, aos 41 minutos do 1º tempo e Roberto César aos 18 minutos do 2º tempo.

Sabella no Gauchão de 1986, sendo marcado por Júlio César do Aimoré
Apesar da estreia promissora Sabella não conseguiu se firmar no clube. Sofreu com a adaptação, com o estilo de jogo, com o ritmo da preparação física, com a mudança de função no campo, com lesões e até mesmo com uma virose.

Apesar de reconhecer que Sabella era “adorado” por todos no clube, João Carlos Belmonte considerou o argentino a decepção da excursão européia tricolor em 1985.

Para Rubens Minelli, somente no segundo semestre de 1985 é que os demais atletas foram comprender que Sabella era um “craque de toque curto e preciso e de ótimos lançamentos”. Mesmo assim, o meia foi emprestado ao Estudiantes por três meses no início de 1986.

Voltou ao Olímpico em meio ao Gaúchão de 1986, e ao ter algumas boas atuações, explicou o mau desempenho do ano anterior, detalhando a diferença do papel que exercia em campo e criticando o preparador físico Gilberto Tim por não considerar a idade dos atletas e pela falta de períodos de descanso. Sabella acabou retornando em definitivo a Argentina no final daquele ano, e reconheceu que seus “principais inimigos foram a preparação física, muito puxada, e o estilo veloz do futebol gaúcho”.

As imagens são da Placar e da Zero Hora