Archive for the ‘1990’ Category

Gauchão 1990 – Grêmio 6×0 Novo Hamburgo

August 2, 2020

Foto: José Doval (Zero Hora)

Na campanha do Hexa, no Gauchão de 1990, a maior goleada gremista ocorreu diante do Novo Hamburgo, no Olímpico, em jogo que o Grêmio poupou seus titulares para os jogos contra Olimpia e Cerro Porteño pela Libertadores daquele ano.

Numa primeira leitura, reclamação dos dirigentes do Noia sobre a utilização de reservas parece não fazer muito sentido. Contudo, vale lembrar que na época a equipe visitante tinha participação na renda do jogo.

“RESERVAS GOLEIAM E O GRÊMIO CONTINUA LÍDER

A tarde era quente, feia, ameaçando chuva. O sábado não estava mesmo para futebol. Mas os poucos torcedores que foram ao olímpico saíram entusiasmados com a goleada de 6 a 0 do Grêmio, vitória que valeu a liderança do Gauchão. Antes da partida as dirigentes do Novo Hamburgo reclamavam que Poletto havia escalado reservas, poupando os principais jogadores para os jogos no Paraguai pela Libertadores. No final, certamente agradeceram pela mudanças.

No primeiro tempo, do grupo que não vinha jogando regularmente, Caio foi o destaque, movimentando-se por todos os setores do gramado, garantiu a vantagem de 1 a 0 aos 28 minutos e ainda marcou o quarto gol aos 19 do segundo. No período final o espetáculo ficou por conta do habilidoso e insinuante Almir, que não deu folga a Solis e ainda fez o terceiro gol aos 15 minutos.

Mas quem estava muito inspirado era Nando, que por duas vezes dançou lambada para os torcedores, no segundo gol, aos 13 e no quinto, 25 minutos. A goleada foi concluída aos 40 minutos por Gilson, que entrou no lugar Hélcio, para que João Antônio fosse deslocada à lateral-esquerda.

João Antônio e Geverton fecharam as portas ao ataque do Novo Hamburgo, possibilitando a Caio e Assis atuarem com mais liberdade na frente, confundindo a defesa do adversário, que em nenhum momento da partida conseguiu organizar-se.” (Antonio Celso Sampaio, Zero Hora, segunda-feira, 26 de março de 1990)

GRÊMIO: Gomes; Fábio Lima, Luís Fernando, Vílson (Ion) e Hélcio (Gílson Cabeção); João Antônio, Géverton, Caio e Assis; Almir e Nando Lambada
Técnico: Poletto

NOVO HAMBURGO: Marquinhos; Édson D Ávila, Gilberto, Solis e Nestor; Saulo, João Pedro, Sérgio Winck e Marcelo Lima (Preto); Sabará e Vanderlei (Leandro)
Técnico: Ronaldo Becker

Data: 24 de março de, Sábado
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS, BRA
Juiz: Ivan Carlos Godoy
Auxiliares: Eroni Gomes e Helio Hoppe
Público: 2.532 pagantes
Renda: Cr$ 157.590,00
Cartão Amarelo: Fábio Lima , Gilberto, Nestor, Sérgio Winck
Cartão Vermelho: Solis
Gols: Caio aos 28 do primeiro tempo, Nando Lambada aos 13, Caio aos 15 do 2ºt; Almir aos 19′, Nando Lambada aos 25 do 2ºt, Gílson Cabeção aos 40 do 2º tempo’.

Grêmio Hexacampeão Gaúcho 1990

July 30, 2020

Na campanha do Hexa de 1990 o Grêmio realizou Foram 18 vitórias, 9 empates e 5 derrotas em 32 partidas.

A média de público nos 16 jogos em casa foi de 8.377 pagantes. Em apenas 3 dos jogos realizados no Olímpico o público superou a casa dos dez mil pagantes. O maior público foi registrado no Gre-Nal do primeiro turno (34.840 pagantes).

Abaixo todos os jogos da campanha:

———-

1.° TURNO

Foto: Zero Hora

Ypiranga 0x1 Grêmio

Grêmio 4×1 Caxias

Glória 0x1 Grêmio

Grêmio 3×0 Esportivo

Lajeadense 1×1 Grêmio

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Grêmio 1×1 Aimoré

Grêmio 4 x1 Passo Fundo

Santa Cruz 1×0 Grêmio

Guarany 0x2 Grêmio

Foto: Arivaldo Chaves (Zero Hora)

Grêmio 0x1 Internacional

Grêmio 6×0 Novo Hamburgo

Pelotas 0x1 Grêmio

Grêmio 3×0 Juventude

primeiro turno

Fonte: Pioneiro

 

2º TURNO

Grêmio 1×1 Ypiranga

Foto: Nereu de Almeida (Folha de Hoje)

Caxias 4×2 Grêmio

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Grêmio 3×0 Glória

Esportivo 1×0 Grêmio

 

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Grêmio 2×0 Lajeadense

Aimoré 1×5 Grêmio

Grêmio 3×1 Santa Cruz

Passo Fundo 0x0 Gremio

Grêmio 3×3 Guarany

Internacional 1×0 Grêmio

Novo Hamburgo 0x3 Grêmio

Foto: Nico Esteves (Placar)

Grêmio 0x0 Pelotas

Juventude 0x0 Grêmio

placar bbb

Fonte: Placar

 

QUADRANGULAR FINAL

Grêmio 3×1 Juventude

Internacional 0x1 Grêmio

Caxias 1×1 Grêmio

Grêmio 1×1 Caxias

Juventude 3×3 Grêmio

Grêmio 4×1 Internacional

Gauchão 1990 – Grêmio 4×1 Inter

July 29, 2020

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

 

Há exatos 30 anos, o Grêmio goleava o Internacional por 4×1 e conquistava o Gauchão de 1990, o seu sexto título estadual em sequência. Vale lembrar que o tricolor precisava apenas de um empate para levantar a taça.

Nessa última partida o Olímpico recebeu 24.916 pagantes. O baixo público se explica pelo fato de a diretoria gremista ter interditado a arquibancada superior do Olímpico, se antecipando a uma futura interdição pela Federação Gaúcha de Futebol (interdição que foi provocada pela denúncia do ex-dirigente colorado e então colunista Hugo Amorim).

 

 

Foto: Luiz Avila (Zero Hora)

VALEU A PENA ESPERAR PELO HEXA COM GOLEADA

Análise técnica

Uma goleada que a torcida gremista não vai esquecer. 4 a 1, ao natural, sem precisar forçar muito em cima de um Inter totalmente desestruturado. Apesar da goleada histórica, foi um jogo de baixo nível técnico. O Grêmio, cauteloso em conseqüência de erros defensivos de jogos anteriores, entrou em campo visivelmente com a intenção de não se abrir, esperando que o Inter desse espaços para o contra-ataque. E como Assis fez um gol de falta logo no quinto minuto, a disposição defensiva se evidenciou ainda mais.

Mazaropi ficava a trocar passes com os zagueiros, os laterais marcavam forte, até com violência, Jandir ficava plantado à frente da zaga, e até o ponteiro Paulo Egídio ajudava a marcar no meio. Diante de tamanha preocupação defensiva, os setores de meio-campo e ataque do Inter, normalmente pouco produtivos, se mostraram ainda mais ineficientes. Era o lateral Chiquinho quem tentava compensar, somando-se ao ataque. Mas era muito pouco.

Foi após falta cobrada por Chiquinho, no início do segundo tempo, que o Inter empatou. Ajuda do acaso. E o jogo, se ganhava em emoção, continuou ruim em qualidade. De bonito, o grande gol de Cuca aos 19, o que acabou de vez com as chances cobradas. A partir dele a violência aumentou, Marcelo Pratas foi expulso e Paulo Egídio fez dois gols em falhas horrorosas de um medíocre Inter.

Análise tática

Ao Inter só interessava vencer na tarde de ontem. Daí que se esperava uma disposição tática mais ofensiva do time que entrou em campo para tentar estragar o hexacampeonato do Grêmio. Mas frustraram-se aqueles que esperavam tal ofensividade. Para começar, o técnico Ernesto Guedes optou por colocar na lateral-esquerda um jogador bom na marcação, mas ruim no apoio, que é Célio, deixando Daniel no banco. No meio colocou dois centromédios, Norberto e Júlio; e no ataque apenas Nelson e Edu, sendo que este último ainda sem a obrigatoriedade de ficar na ponta para ganhar o duelo com Fábio.

Assim, ficou fácil para o Grêmio controlar o jogo. Os quatro zagueiros do time de Evaristo Macedo ficaram presos à defesa (exceção feita a Luís Eduardo que fez duas investidas no ataque), Jandir era um quinto zagueiro, de grande eficiência, e do meio para a frente todos ajudavam na marcação, inclusive o centroavante Nilson, que em momento algum deixou Zabala ou Sandro sair com a bola dominada de trás.

No segundo tempo, quando o jogo estava 2 a 1 para o Grêmio e o campeonato praticamente definido, Guedes fez duas tardias tentativas de mudar o panorama do jogo. Tirou o meia-esquerda Luís Fernando, que nada havia feito, e colocou o ponteiro-direito Rudinei. E tirou Célio, colocando Daniel. Mas a equipe já estava psicologicamente arrasada. As trocas deram em nada.” (Nico Noronha, Zero Hora, 30 de julho de 1990)

NÚMEROS (Zero Hora, 30 de julho de 1990)
GRÊMIO INTER
Conclusões 7 4
Escanteios a favor 3 2
Faltas cometidas 27 14
Passes certos 47 34
Passes errados 25 16
Impedimentos 4 10
Defesas 4 4

Principais lances

PRIMEIRO TEMPO

 5 minutos — Falta na ponta-direita. Assis, surpreendentemente, cobra direto, no ângulo esquerdo. Gol (com ajuda do goleiro Maizena).

8 minutos — Edu cobra escanteio. Mazaropi falha e a bola entra no ângulo esquerdo. O juiz, equivocadamente, marca falta de Nelson no goleiro.

 20 minutos — Luís Eduardo atravessa todo o campo, ganha dividida com Sandro, mas na hora de chutar bate fraco, rasteiro e Maizena defende.

25 minutos — Nelson vira na frente de dois adversários e chuta. Mas a bola vai no meio do gol e Mazaropi defende.

34 minutos — Nelson cruza e Célio, desequilibrado dentro da pequena área, cabeceia fraco, para defesa de Mazaropi.

43 minutos — Chiquinho cobra falta de longa distância. Mazaropí faz a defesa no canto inferíor esquerdo.

SEGUNDO TEMPO

2 minutos — Chiquinho cobra falta. Fábio tenta aliviar, dá uma “rosca” para cima e a bola sobra para Zabala, que acerta o canto direito. 1 a 1.

19 minutos — Cuca domina fora da área, deixa a bola picar e então bate forte, alto, no meio do gol. Maizena, adiantado, não impede o gol.

31 minutos — Sandro tenta sair jogando e entrega a bola para Paulo Egídio, que invade a área, escolhe o canto direito e chuta rasteiro. 3 a 1.

40 minutos — Assis bate falta da direita, a bola desvia na barreira e vai a Paulo Egídio, que — sem marcação — cabeceia no canto esquerdo. 4 a 1.” (Zero Hora, 30 de julho de 1990)

 

Foto: Lemyr Martins (Placar)

“HUGO AMORIM: 

SEM ILUSÕES

Se o Internacional tivesse ganho o Gre-Nal, mesmo assim o Grêmio seria hexa, pois o Caxias não foi além de um empate com o Juventude.

Eu fiz o que pude, até nestas últimas semanas nas quais pela lógica tudo já estava perdido, para ajudar o Caxias, tentando impedir a conquista gremista. Fi-lo por ser um dever, mas em nenhum momento acreditei fosse possível. Não sou bobo. O time do Grêmio é medíocre, porém a diferença de pontos era grande demais e OS times dos outros são piores. O Internacional, no quadrangular, ganhou quatro pontos em 12…

O escore (goleada, 451) do Gre-Nal foi exagerado, as duas equipes jogaram pouco. O Grêmio ganhou por aquilo que sempre falei: Cuca, Nilson e P. Egydio. Esta é (ou era, já que venderam Cuca) a diferença. Taticamente, o Internacional foi engraçado: Nelson atuou na ponta-direita e ninguém jogou de centroavante. Isto contra um Grêmio em cuja área qualquer bola, sobretudo alta, é meio gol. Deve ser “futebol moderno”…

Não é difícil formar um time superior ao do Grêmio. Todavia, o Internacional está longe disto. Este jogo deixou isto bem claro.

Objetivamente, não tenho ilusões. Em 68, uma goleada como a de ontem se constituiu em umas das motivações para a reviravolta de 69, o grande time de 74/75/76, o octa e tri brasileiro. Hoje, não vejo capacidades para algo similar.

Olímpico semi-interditado
Ficou lúgubre o Olímpico com as arquibancadas vazias. A direção do clube, não tendo conseguido um laudo favorável à consistência desta parte do estádio, sensatamente não a usou no Gre-Nal. Eu, denunciante solitário do gravíssimo problema, cumprimento-a por isto. É melhor arcar com o terrível ônus de demolir e reconstruir (quando for possível) tudo aquilo do que colocar em risco milhares de vidas. No entanto, conto o Odone falou que na 6ª o Hofmeister tentou interditar o estádio, talvez a medida tenha sido apenas para “correr na frente”.” (Hugo Amorim – Zero Hora, 30 de julho de 1990)

Foto: José Doval (Zero Hora)

“O Grêmio pode ser obrigado a en­frentar o São Paulo, amanhã à tarde, pela segunda fase da Copa do Brasil, no estádio do Inter. É que a Federação Gaúcha de Futebol interditou o Olímpico, por causa das arquibancadas superiores, que trepidam, sempre que o público toma este setor.

Preocupada com um possível acidente, a FGF resolveu interditar, O Próprio Grêmio lacrou a área para o Gre-Nal, temendo pelo pior.

O Presidente do Grêmio, Paulo Odone Ribeiro, argumenta que a interdição não passa de uma represália por causa dos desentendimentos do clube com a entidade. Os dirigentes passaram a tarde de ontem, enfurnados em uma sala de reunião para decidir qual a medida que o clu­be vai adotar para contornar a situação.” (Folha de Hoje, 1º de agosto de 1990)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Foto: Arivaldo Chaves (Zero Hora)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

placar paulo egidio

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

GRÊMIO: Mazarópi; Fábio Lima, João Marcelo, Luiz Eduardo e Hélcio; Jandir, Darci e Cuca; Assis, Nílson e Paulo Egídio
Técnico: Evaristo de Macedo

INTERNACIONAL: Maizena; Chiquinho, Célio Lino (Daniel Franco), Sandro Becker e Zabala; Júlio, Norberto e Luiz Fernando Gomes (Rudinei); Marcelo Prates, Nélson Bertollazzi e Edu Lima
Técnico: Ernesto Guedes

Data: 29 de julho de 1990, domingo, 15h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre – RS
Público: 24.916 pagantes
Renda: Cr$ 9.672.100,00
Árbitro: Renato Marsiglia
Auxilares: Carlos Kruse e Justimiano Almeida Gularte
Cartões Amarelos: Hélcio, Darci, Cuca; Júlio, Norberto e Marcelo Prates).
Gols: Assis 4’/1; Zabala 2’/2 ; Cuca 19’/2 ; Paulo Egídio 30’/2 (G); Paulo Egídio 40’/2 .

Gauchão 1990 – Caxias 1×1 Grêmio

July 18, 2020
1990 caxias zh jose doval simao cuca

Foto: José Doval (Zero Hora)

 

Em 18 de julho de 1990, o Grêmio empatou com Caxias em 1×1 no Centenário, perdendo seu 100% de aproveitamento no quadrangular final do Gauchão, mas se mantendo na liderança da fase decisiva, com dois pontos de vantagem sobre o segundo colocado (que era o próprio Caxias)

A direção gremista disponibilizou transporte gratuito para os torcedores que adquirissem ingressos para a partida e 42 ônibus viajaram até o estádio Centenário.

Foto: Luiz Chaves (Folha de Hoje)

 

CAXIAS ADIA A DECISÃO DO GAUCHÃO

O Grêmio se apresentou para o jogo com o Caxias, ontem à noite, no estádio Centenário, com o objetivo determinado para não perder a partida. Isto é tão verdade, que Evaristo Macedo montou um esquema com cinco jogadores no meio de campo: Jandir, Cuca, Assis, Caio e Luis Antônio. A rigor, somente Nílson no ataque. A jogada preferencial, e pré-determinada, era sempre com Assis, caíndo pelo lado esquerdo, armando o contra-ataque com o centro-avante. Para neutralizar a principal jogada do Caxias com João Carlos, o técnico gremista escalou João Antônio e Hélcio.

Em alguns momentos da primeira etapa esta estratégia deu certo, porque Ranieli não conseguia se movimentar, sobrecarregando os homens do meio. No único chute da primeira etapa, numa falha decisiva do goleiro Marcos, o Grêmio marcou seu gol, aos 8min. Foi só.

Na segunda etapa, Bianchini mandou Caçapava jogar em cima de Assis e colocou em campo Manoel e Paulo Alves, retirando Ranieli e Mezzari, tornando o Caxias mais ofensivo e decidido a mudar o resultado. O Grêmio apenas se defendeu, ainda mais com a entrada de Almir e Geverton, saindo Assis e Caio.

De tanto martelar em cima da confusa defesa gremista, o Caxias chegou ao empate aos 23min, através do goleador Nilson, aproveitando uma sobra de bola dentro da área gremista. Os minutos finais da partida foram terríveis para o Grêmio, pois o Caxias esteve perto de marcar o seu gol da vitória. Agora, fica tudo transferido para domingo, no Olímpico.” (Alfeu de Oliveira, Elizeu Evangelista e Osny Freitas de Oliveira, Folha de Hoje, Quinta-feira, 19 de julho de 1990)

 

MATEMÁTICA (Folha de Hoje, 19 de julho de 1990)
Caxias GRÊMIO
Faltas 17 20
Impedimentos 2 5
Chutes a gol 8 1
Escanteios 3 2

zh caxias capa1990 caxias zha

CAXIAS JOGA MELHOR MAS EMPATA COM GRÊMIO

O Grêmio foi um time que usou a cautela como sua principal estratégia no jogo de ontem à noite, contra o Caxias. Iniciou somente com Nilson na frente, e explorava a velocidade de Caio, Cuca e Assis. Por causa deste posicionamento, o time de Porto Alegre acabou encurralado em seu próprio campo. Para sair, tentava o contra-ataque.

A 4min28seg, Assis cobrou escanteio e João Marcelo cabeceou livre, mas para fora. Dois minutos depois, João Antônio chutou a bola na rede pelo lado de fora. Aos 7min50seg, Nilson entrou pelo meio da área do Caxias, fugiu da marcação dos zagueiros e chutou forte. O goleiro Marcos defendeu parcialmente, mas, ao levantar-se, atrapalhou-se e colocou a bola para dentro do seu gol. Grêmio 1 a 0.

O ponteiro Edelvan, o melhor do jogo, aos 10min, cruzou da esquerda e Nilson, sem marcação e de costas para o gol, quis concluir de bicicleta e acabou desperdiçando a chance. O Caxias insistia na jogada de ataque, mas o Grêmio marcava bem. A partir dos 33min, o time de Evaristo começou a se poupar.

No 2° tempo, Ranieli, que não havia jogado bem, dava o seu lugar para Manoel. O Grêmio marcava e só saia na boa, enquanto que o Caxias partia para cima. Mesmo exagerando na marcação, o time da capital perdia no meio-campo. A situação se complicaria para o Grêmio depois dos 19min. Paulo Alves entrou para a saída de Mezzari. O Caxias ficou mais ofensivo. Caçapava passou a jogar ao lado do Carlinhos, Ricardo foi para o meio e Joel Marcos se colocou mais pelo setor direito de defesa. Evaristo retirou Caio e fez entrar Almir. O Caxias era a melhor equipe em campo. Aos 23min, depois de um escanteio, Nilson, com um chute forte, empatou a partida. Paulo Alves organizou o Caxias. Por outro lado, o Grêmio mostrou muitos defeitos e Geverton entrou para tentar reforçar.” (Pioneiro, Quinta-feira, 19 de julho de 1990)

 

caxias onibus

folha de hoje silvio avila 1990 caxias

Foto: Silvio Avila (Folha de Hoje)

Gauchão 1990 – Inter 0x1 Grêmio

July 15, 2020
1990 gol nilson jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

Em 15 de julho de 1990, o Grêmio venceu o Gre-Nal 304 no Beira-Rio, em clássico válido pelo quadrangular final do Gauchão daquele ano.

O tricolor chegou até essa partida em uma condição mais favorável, tendo vencido a o compromisso de estreia na fase decisiva e carregando um ponto extra pela melhor campanha na fase classificatória. Por sua vez, o Inter estava bastante pressionado. Fora derrotado para o Caxias na primeira rodada do quadrangular, o que culminou com o pedido de demissão de Valdir Espinosa três dias antes do clássico. Ernesto Guedes reassumiu a equipe no Gre-nal, três meses depois de ter deixado o cargo.

Assim como aconteceu nosjogos da Copa do Brasil daquela temporada, o Grêmio entrou em campo com um fardamento sem a marca da Penalty. Na Placar há menção ao fato de da camisa, originalmente de manga longa, ter sido cortada para ficar do agrado dos jogadores, mas isso não explica porque não se vê a marca do fornecedor do material esportivo.

Esse foi o último jogo de Taffarel pelo Inter.

1990 gol 2 nilson jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

“GRÊMIO VENCE GRE-NAL E ESTÁ MAIS PERTO DO HEXA

Com a vitória de ontem a tarde, em pleno Beira-Rio, o Grêmio deu um passo importante para a conquista do título do campeonato gaúcho. Nilson, ex-jogador Colorado, fez o único gol da partida. A cinco pontos ao maior adversário, para o Inter, resta o consolo do Caxias conquistar o título da temporada, ao invés do tradicional rival. Na quarta-feira o Grêmio coloca em jogo a liderança, no Centenária, contra o Caxias, enquanto o Inter receber o Ju, no Beira-Rio.

Com a vitória no Gre-Nal de ontem, no Beira-Rio, o Grêmio praticamente assegurou o hexacampeonato. Com cinco pontos de vantagem sobre seu maior adversário a equipe de Evaristo de Macedo poderá dar um passo decisivo para conquistar o título se ganhar do Caxias, quarta-feira, no Centenário. O Inter com a derrota ficou na última colocação e pode ter dado adeus ao sonho de quebrar a hegemonia gremista neste ano.

Mas o técnico Ernesto Guedes que retornava ao Inter, falou toda semana que iria vencer, não cumpriu sua palavra. Sua equipe começou melhor com a iniciativa da partida já que o único resultado que lhe interessava era a vitória. Logo aos 13 min, Chiquinho acerta uma bola na trave de Mazaropi. A pressão colorada era forte. Marcelo Prates e Luís Fernando se movimentavam muito, confundindo a marcação gremista. O Grêmio não tinha espaços para jogar. Assis e Cuca eram figuras apagadas em campo. Seu ataque era improdutivo, Paulo Egidio não voltava para marcar. O 1° tempo terminou sem chances de gol para ambas os limes.

Na etapa final, Evaristo corrigiu a má postura do seu meio-campo. Ao contrário do 1º tempo, o Grêmio começou a arrematar na meta de Taffarel. Aos 3 min, após uma falta cobrada por Assis, quase Caio abre o placar. Aos 19 min. Cuca perdeu um gol feito, de cabeça depois do escanteio batido por Assis. A resposta do Inter só foi acontecer aos 22, numa grande defesa de Mazaropi, num chute perigoso de Nelson. O Inter começou a reagir. Edu quase marcou após uma confusão na área tricolor. Mas o Grêmio nos contragolpes perdia uma boa chance com Caio se atrapalhando todo na hora de concluir. Assis começou a se destacar no Gre-Nal. E foi através dele numa jogada pela esquerda que nasceu o único gol da partida, marcado pelo artilheiro do campeonato, Nilson.

No final, na tentativa de empatar, o Inter se lançou todo ao ataque. Se o empate não era bom resultado a derrota, então, praticamente eliminaria a equipe da disputa do titulo gaúcho. No desespero Guedes colocou o júnior de 17 anos, Rudinei, ponteiro, no lugar do lateral Célio. No Grêmio, João Antônio substituiu Paulo Egidio para segurar o escore. Nos contra-ataques, Assis chutando na trave e Nilson na defesa de Taffarel, por pouco não ampliaram para 2 a 0 liquidando a fatura. Agora, o Grêmio é líder absoluto na tabela do quadrangular. Para o Inter, não resta outra alternativa se não ganhar todos os quatro jogos que ainda restam, mesmo assim dependendo dos resultados dos adversários.
HORÁRIO As direções de Grêmio, Inter, Caxias e Juventude que disputam a fase final do Gauchão, tentam junto a Federação Gaúcha de Futebol, alterar o horário da 3ª rodada do quadrangular. As partidas que inicialmente estão marcadas para às 18h30m, conforme reunião do conselho arbitral podem passar para às 20h. O motivo alegado é que o comércio fechando às 19h, poucos torcedores tem tempo de chegar ao estádio. Ainda hoje, deve ser decidida a questão.

No Grêmio, o campeonato não está decidido

Após a vitória sobre o Internacional, o ambiente no vestiário tricolor, era de muita alegria. Com o resultado de 1 a O, a equipe encaminhou a conquista do hexacampeonato. Mas o pensamento no Olímpico é de que nada está ganho ainda, apesar de manter uma diferença de cinco pontos sobre o tradicional rival e a dois do Caxias, seu próximo adversário.

O autor do único gol da partida, o centroavante Nilson, deu uma resposta aos dirigentes colorados. “Meu gol, foi uma prova a eles de que não faço gols em decisões”, desabafou. O jogador Assis, eleito o melhor em campo, diz que sua atuação é fruto de um trabalho sério, por um lugar no time.

O vice-presidente de futebol, Rafael Bandeira dos Santos, avisa que tem muita coisa pela frente e que o campeonato não está decidido. ” Vamos para Caxias procurar manter o mesmo rendimento, saindo de lá com o título”, adiantou. O presidente Paulo Odone, aproveitou para conclamar a torcida tricolor a comparecer em massa no Centenário, quarta-feira. “Vamos pintar a serra de azul e festejar mais uma vitória”.

Para quarta-feira, a direção do Grêmio colocará ônibus de graça de Porto Alegre a Caxias para seus torcedores, cobrando apenas o valor do ingresso, a exemplo do que aconteceu em 1988.” (Pioneiro, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

“O prêmio do Gre-Nal pode motivar ainda mais os jogadores do Olímpico: Cr$ 20 mil para o caso de vitória. Nos tempos atuais, sem reajustes periódicos, o bicho estipulado eqüivale aos salários de vários jogadores no Grêmio, principalmente os jovens, que ganham nessa faixa” (Pioneiro, 14 de julho de 1990)

1990 luiz avila zh paulo egidio marcelo prates

Foto: Luiz Avila (Zero Hora)

GRÊMIO VENCE E DISPARA NO CAMPEONATO

[…]

O pentacampeão gaúcho começou o jogo apresentando defeitos táticos que permitiram uma boa presença ofensiva do Inter no primeiro tempo. Mas voltou modificado para a etapa final, corrigindo os erros de marcação na zaga e ocupando melhor os espaços no meio de campo que se aproximou mais do ataque. O gol surgiu naturalmente originado numa jogada coletiva do ataque que culminou com o meia Assis deixando Nilson na cara de Taffarel para  marcar o único gol da partida aos 31 minutos.  […]” (Luiz Reni Marques, Folha de Hoje, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

1990 paulo egidio sandro jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

GRÊMIO VENCE E FICA PERTO DO HEXA

Análise técnica

Assis é um jogador de qualidade técnica superior. E foi esta qualificação, o fator de desequilíbrio no jogo de ontem, no Beira-Rio. Sim, porque havia uma disputa muito grande no meio, a bola era dividida com força, o que tornava espetáculo feio e com várias faltas. Faltava o lance inteligente que superasse essas dificuldades. Pois no segundo tempo Assis jogou com esta inteligência. Ele achou o seu espaço em campo (entre a meia e a ponta esquerda), o time todo passou a ser cadenciado por ele, e a vitória premiou o Grêmio por ter se moldado ao seu futebol.

Mas no primeiro tempo, sem dúvida alguma, o Inter havia sido superior. Marcelo Prates, como um ponta de recuo, mostrava uma mobilidade muito boa; e Luís Fernando, igualmente numa função mais defensiva que o normal, conseguia jogadas de grande qualidade, embora faltasse a ele o arranque necessário para tornar mais objetivos esses lances que criava. Pois no segundo tempo, enquanto Marcelo se lesionava e Luís Fernando dava sinais de cansaço, crescia Assis, invertendo totalmente o panorama da partida.

Assim, se não chegou a ser um clássico de grande qualificação técnica, ao menos ficou a certeza de que ele girou basicamente em torno de jovens jogadores surgidos nas categorias inferiores de Grêmio e Inter. Essa realidade agrada. A renovação existe.

Análise tática

Para o Grêmio, o empate até que servia. Por isso, foi estranho ver o time entrar em campo com uma formação tática teoricamente mais ofensiva. Jandir como homem de marcação e dali para frente cinco jogadores com características de atacantes (Cuca, Assis, Caio, Nilson e Paulo Egidio). E se o Inter tivesse mais objetividade no ataque, teria liquidado com tal esquema ainda no primeiro tempo, pois encontrou facilidade para trocar bolas na intermediária gremista, e chutar a gol. Uma bola bateu no poste, outra Mazaropi botou a escanteio, outra raspou o travessão, enfim…

Mas no segundo tempo, embora todos os jogadores continuassem os mesmos, e o Grêmio permanecesse frágil em seu setor de marcação na intermediária, Evaristo fez a alteração tática que determinou o desequilíbrio. Ele exigiu maior movimentação de alguns jogadores — Caio e Nílson, principalmente — e deu a Assis a orientação para cair mais para a esquerda, tentando a triangulação com Paulo Egídio e Hélcio. E foi ali na esquerda, ao natural, que a realidade do jogo se inverteu, inclusive com a criação do lance fatal.

Ernesto Guedes, que já substituíra Marcelo Prates por Guga, ainda tentou dar mais ofensividade ao time, tirando o lateral alio e colocando o atacante júnior, Rudinei, em seu lugar. Mas a idéia não trouxe resultados e ficou provado, mais uma vez, que não é o número de atacantes que determina a capacidade ofensiva de uma equipe.” (Nico Noronha, Zero Hora, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

Foto: Fernando Gomes(Zero Hora)

NÚMEROS (Zero Hora, 16 de julho de 1990)
INTER GRÊMIO
Conclusões 12 10
Escanteios a favor 8 2
Faltas cometidas 30 27
Passes certos 39 36
Passes errados 23 19
Impedimentos 5 0
Defesas 3 6

1990 alfinete nelson valdir friolin zh

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

PRINCIPAIS LANCES
Primeiro tempo

13 minutos — Chiquinho arrisca o chute de fora da área e acerta o poste direito.
17 minutos — Falta. Edu encosta para Maurício que chuta forte, mas nas mãos de Mazaropi.

21 minutos — Após a falta, a bola sobra para Chiquinho que chuta de fora da área para nova defesa de Mazaropi.
28 minutos — Outro chute de longe por Chiquinho. Mazaropi põe a escanteio.
40 minutos — Cuca recebe na entrada da grande área e chuta de virada. Taffarel defende.

Segundo tempo
2 minutos — Falta na meia-esquerda. Assis chuta forte, Taffarel defende e no rebote Caio chuta por cima.
19 minutos — Assis cobra escanteio e Cuca cabeceia à direita de Taffarel.
22 minutos — Chiquinho lança Nelson e este bate rasteiro, para defesa de Mazaropi.
31 minutos — Boa troca de passes pela esquerda, Assis recebe e bate forte, rasteiro, e a bola passa pela pequena área. Nilson, no segundo pau, apenas empurra para dentro.
37 minutos — Nelson é lançado na grande área, mas Mazaropi se atira em seus pés e fica com a bola.
40 minutos — Assis bate escanteio fechado c a bola acerta o travessão.
44 minutos — Alfinete rouba a bola de Luis Fernando e passa a Nilson, que chuta fraco. Taffarel defende.” (Zero Hora, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

1990 grenal assis paulo egidio placar

Foto: Lemyr Martins (Placar)

 

O HEXA ESTA AÍ

O centroavante Nilson era um artilheiro de mão única em Gre-Nais: só havia marcado gols pelo Internacional. Domingo passado, finalmente, ele alcançou a condição de goleador de mão dupla —e na mais gratificante das situações. Ao disputar seu terceiro clássico com a camisa tricolor, o primeiro do ano a valer alguma coisa, Nilson fez o 1×0 que botou a torcida gremista a cantar o hexacampeonato, além de reduzir seu ex-time a mero lanterninha do quadrangular decisivo.

Foi seu 19.º no Gauchão, cinco mais que o Nilson do Caxias, o que o torna praticamente inalcançável na artilharia do campeonato. Tudo isso teve, sobre o próprio centroavante, o efeito de uma descarga. “Liquidei com o time deles”, desabafou num vestiário com clima de campeão.

Com a diferença concreta de dois pontos sobre o Caxias, segundo colocado, e cinco na frente do Internacional, o time de Nilson mostrou nessas duas rodadas do quadrangular que a lógica é muito mais implacável do que os ingênuos cobrados poderiam imaginar. O Grémio não é nenhuma potência, mas desde o início pintou como o melhor time do campeonato. Da mesma forma, com a vitória sobre o Inter na quarta (2 x 1) e o empate diante do Juventude (O x O) no domingo, o Caxias demonstrou que tem mais estrutura que o próprio cobrado.

Na reabilitação de Nílson esteve também presente o dedo do técnico Evaristo de Macedo: “Para nos puxar a orelha no intervalo”, confessou o artilheiro. No primeiro tempo, o tricolor deixava um buraco no meio-campo. “Mandei a defesa subir mais rápido, o ataque recuar um pouco e ficamos compactos”, explicava Evaristo com sua habitual calma de monge. Bastou. Antes e depois do gol de Nilson, aos 31, o Grêmio esteve a ponto de marcar mais três vezes.

Enquanto o tricolor se impunha, o Internacional era o resultado lógico do caldeirão em que se transformou o Beira-Rio nos últimos tempos. Na quinta-feira, o quarto técnico da temporada, Valdir Espinosa, pediu o boné alegando que não agüentava mais as cornetagens do presidente José Asmuz. Em seu lugar entrou Ernesto Guedes, que também saíra brigado com o dirigente no decorrer deste campeonato. Para culminar, o clube anunciou no sábado a venda de Taffarel. Tensa, a equipe mostrou o futebol que se esperava e nem ameaçou o gol do gremista Mazarópi.

Agora, o Grêmio decide tudo com o Caxias, que hoje é seu grande adversário, quarta-feira no Centenário e domingo no Olímpico. Nos bons tempos, esse papel era do Internacional. “ (Revista Placar, Edição n.º 1048, 20 de julho de 1990)

1990 ASSIS jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

1990 ingressos

Esses 200 Cruzeiros de julho 1990 corresponderiam a cerca de 22 reais nos dias de hoje (corrigidos até junho de 2020 pelo IGPM)

1990 mazaropi nelson fernando gomes zh

Foto: Fernando Gomes(Zero Hora)

1990 gaucha

1990 cuca taffarel jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

Inter 0x1 Grêmio

INTERNACIONAL: Taffarel; Chiquinho; Sandro, Maurício e Célio Lino(Rudinei); Norberto, Marcelo Prates (Guga), Luis Carlos Martins e Luís Fernando; Nélson e Edu
Técnico: Ernesto Guedes

GRÊMIO: Mazarópi, Alfinete, Luis Eduardo, Vilson e Hélcio; Jandir, Cuca e Assis; Caio, Nilson e Paulo Egídio (João Antônio)
Técnico: Evaristo de Macedo

Gauchão 1990 – Quadrangular final – 2ª Rodada
Data: 15 de julho de 1990, domingo, 15h30min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Público: 19.399 pagantes
Renda: Cr$ 8.811.200,00
Juiz: Luís Cunha Martins
Auxiliares: Eroni Gomes e João Carlos Braga
Cartões amarelos: Célio, Marcelo Prates, Jandir, Luís Eduardo e Cuca
Gol: Nilson, aos 31 minutos do 2º tempo

Gauchão 1990 – Grêmio 3×1 Juventude

February 28, 2020

Foto: José Doval (Zero Hora)

No Gauchão de 1990 o Grêmio recebeu o Juventude pela primeira rodada do quadrangular final. O tricolor iniciava essa etapa derradeira da competição com um ponto de vantagem por ter conseguido classificação no primeiro e no segundo turno.

Assis foi o destaque da vitória gremista, e isso rendeu uma coluna “um pouco” exagerada de Paulo Sant’ana (transcrita abaixo).

Um detalhe interessante é que o Grêmio trocou de camisa no intervalo, passando da tricolor para a branca. É curioso que por vezes se considera que a camisa verde e branca do Juventude pode gerar confusão com a camisa tricolor e por vezes nao se pensa nisso (o mesmo acontecia com a camisa listrada do Palmeiras nos primeiros anos da Era Parmalat).

Tentei mas nao descobri por que o jogo foi marcado para as 18h30min de um dia de semana.

Foto: José Doval (Zero Hora)

ASSIS BRILHA E O GRÊMIO É LÍDER
O Grêmio trocou de camisetas e de futebol na etapa final: venceu o Juventude. É o líder, pois tinha um ponto extra. Agora é Gre-Nal

O Grêmio venceu ao Juventude por 3 a 1, e manteve a liderança isolada do Quadrangular Final do Gauchão 90, em um jogo com dois tempos bem distintos. É claro que a iniciativa foi sempre gremista, mas a maneira como as equipes se comportaram na primeira e na segunda etapa foi diferente. O Grêmio começou sem imaginação e usando muito o miolo do campo. Paulo Egídio era bem marcado, assim como Darci e Alfinete, no outro lado. Hélcio era o único que tinha liberdade, mas não soube aproveitá-la. O resultado foi uma partida ruim, em que as maiores emoções aconteceram nos dois gols, nos cinco minutos finais.

O segundo tempo mostrou um Grêmio mais eficiente no ataque. E um Juventude desatento nos primeiros minutos. O que resultou no gol de Cuca, que abriu caminho para a vitória do Grêmio. Assis começou a se soltar mais. E criava praticamente todas as jogadas ofensivas gremistas. O Juventude, por sua vez, saia desordenadamente para a frente, permitindo os contra-ataques perigosos do adversário. Gérson Lopes não foi o mesmo jogador inspirado de outras partidas e o sistema defensivo do time de Fito também deixou a desejar. Ele terá muito o que arrumar para o difícil clássico de domingo contra o Caxias.” (Antônio Bavaresco, Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Foto: Luis Tajes (Zero Hora)

PRINCIPAIS LANCES

Primeiro tempo

7 minutos — Assis pega o rebote de uma bota da defesa e chuta por cima

10 minutos — Hélcio recebe na pequena área, mas na hora da conclusão erra e perde a chance.

24 minutos — Nílson recebe de Cuca, avança livre, mas erra na finalização, permitindo a defesa do goleiro Beto, que tocou para escanteio.

41 minutos — Assis marca o gol do Grêmio em uma jogada individual, chutando de perna esquerda, no ângulo superior direito do goleiro, que não teve chances.

44 minutos — Neni empata a partida, depois de boa jogada de Pichetti e da falha da defesa gremista. A bola sobrou para ele, que só encostou para o gol.

Segundo tempo

2 minutos — Nilson, livre, cabeceia ao lado do gol.

3 minutos — Cuca, faz o segundo do Grêmio, aos 3 minutos do segundo tempo, depois de um lindo passe de Assis.

27 minutos — Nilson, de cabeça, marca o terceiro do Grêmio, novamente depois de uma excelente jogada de Assis.

37 minutos — Neni acerta a trave de Mazaropi, que depois faz a defesa.

39 minutos — Caio entra livre, avança e chuta, mas o goleiro Beto faz uma boa defesa e evita o quarto gol.” (Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Gauchão 1990 - Grêmio 3x1 Juventude - AssisFoto: Paulo Dias (Folha de Hoje)

Foto: Paulo Dias (Folha de Hoje)

PAULO SANT’ANA – MELHOR QUE O PELÉ

Tive ontem uma das maiores emoções da minha vida depois que Assis fez um gol genial que abriu o marcador de uma partida que parecia ir terminar empatada, depois que Cuca fez um grande gol servido por uma jogada e uma passe de Assis que simplesmente carecem idiomaticamente de adjetivos, fui ovacionado entusiasticamente pelo povo gremista que estava nas sociais e nas cadeiras cativas do Grêmio

Recebi desinteressadamente aqueles aplausos de gratidão. Porque nem sou candidato nem vou encher mais o saco de ninguém, nunca mais, em torno de opiniões futebolísticas. Os leitores são testemunhas de que estou me afastando do futebol: esta coluna derivou desiludidamente para outros assuntos, embora agora eu vá começar a dar de relho em toda a periferia no que se refere a eles. Muito obrigado pelos aplausos de gratidão. Só que, a cada uma dos cerca de 300 torcedores que conseguiram chegar em mim, eu disse o seguinte: “Não agradeçam a mim. Façam isso ao Evaristo, que teve a luminosidade de lançar o Assis no primeiro jogo sério e decisivo deste campeonato. Vão lá e abracem o Evaristo, ele é que merece. Ele e o Rafael Bandeira, que agora está permitindo ao treinador que Assis seja escalado. Com outros treinadores, Rafael não permitia. O Rafael merece também o agradecimento de vocês.

Sei porque a torcida me ovacionou. Porque o gol de Assis fez nem Pelé faria. De novo os leitores não vão acreditar em mim – e por isso todos se quebram. Acreditem: nem o Pelé faria. Uma vez escrevi que Valdo era melhor que Didi. Valdo faz sucesso na Europa. Didi fracassou na Espanha. Pois agora vou escrever uma coisa que ninguém vai acreditar – e eu com isso, cedo ou tarde se provará: se deixaram Assis jogar, se ele não foi mais incrivelmente barrado na escalação do Grêmio, vira um jogador melhor que Pelé. Lógico que o Assis tem que tirar aquela máscara dele e deixar de ser bodoso. Tem que ter humildade, trabalhar muito nos treinos e aprender que para ir para Itália tem que antes consagrar-se no Grêmio. Aplicar-se. Aí vai ser uma barbada. É craque, é gênio, é megaestrela. Eu sempre disse. Mas jamais qualquer pessoa acreditou. Por isso é que vou me consagrar daqui por diante escrevendo sobre outros assuntos. A burrice que domina o futebol me cansou. Se Assis tivesse jogado na Copa, não haveria tri alemão. Era tetra nossos. Mas ninguém acredita. E eu não tenho mais idade para dar murro em faca de ponta. Menos mal que ontem me ensurdecem de aplausos” (Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

GRÊMIO VENCE E JÁ É LÍDER ISOLADO DO CAMPEONATO

O Juventude jogou bem, mas não consegui resistir à qualidade gremista e perdeu por 3 a 1 na estréia no quadrangular

O Grêmio arrancou bem no quadrangular final do campeonato gaúcho, confirmando a liderança isolada, graças ao ponto extra obtido na fase classificatória, vencendo o Juventude por 3 x 1, no estádio Olímpico, ontem à noite. O tricolor encontrou dificuldades apenas no primeiro tempo, quando o time caxiense conseguiu fechar os espaços e conter o ataque gremista.

O Grêmio começou o jogo marcando por pressão, mas só conseguiu abrir o placar aos 42 minutos, numa jogada de craque de Assis que deu um lençol no zagueiro e bateu forte sem chances para o goleiro Beto. Aos 44 minutos, Neni aproveitou boa jogada de Pichetti pela direita e empatou. Na etapa final, o pentacampeão gaúcho voltou com mais força ofensiva. Assis, o melhor jogador em campo, matou no peito, aos 2 minutos e tabelou com Cuca que marcou o segundo gol. Aos 23 minutos, outra vez Assis lançou para a cabeceada certeira do goleador NiIson fechando o placar.

Além de Assis, Cuca também apresentou grande movimentação, contribuindo decisivamente para a perfeita articulação gremista e rompendo o esquema defensivo armado pelo treinador Fito. Os jogadores gremistas parece que não foram influenciados pelo futebol defensivista e de raros gols mostrados no Mundial na Itália. O time atuou o tempo todo buscando os gols que acabaram surgindo ao natural. Ao Juventude, considerado o mais fraco participante do quadrangular, resta a reabilitação.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Foto: José Doval (Zero Hora)

FITO RECONHECE SUPERIORIDADE GREMISTA NA PARTIDA DE ONTEM

Apesar da derrota, o Juventude apresentou qualidades ontem. O técnico Fito montou um eficiente esquema tático que resistiu ao Grêmio, praticamente durante todo o primeiro tempo. Bem postado na defesa e ocupando os espaços no meio do campo, o posicionamento do Ju agradou o treinador e foi elogiado pelo experiente técnico gremista, Evaristo de Macedo.

“O Juventude mostrou um futebol moderno e aplicado, foi um adversário difícil e bem estruturado que ainda pode surpreender neste campeonato àqueles que imaginavam um time fraco”, destacou Evaristo. Já o técnico Fito, abatido com a derrota, disse que “as vitórias de Grêmio e Caxias confirmaram a boa fase das duas equipes, apontadas como favoritas para vencer o campeonato”. Contudo, garantiu que confia numa boa apresentação e na vitória no clássico.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

“ASSIS FOI O CRAQUE TRICOLOR NA PARTIDA

O melhor elogio ao futebol exuberante apresentado pelo meia Assis, ontem à noite, no Olímpico, partiu do treinador Fito, do Juventude que atribuiu a ele o papel decisivo na vitória do Grêmio. “O Assis desequilibrou o jogo, principalmente no segundo tempo. Espero que não apareça um técnico na seleção brasileira para tolher o seu talento”, afirmou. O jovem jogador gremista mostrou todo a categoria habitual. Mas ontem apresentou ainda uma movimentação intensa por todo o campo e muita garra, como no primeiro gol, quando apareceram todas estas características.

Alegre com a sua atuação, Assis foi humilde e destacou o trabalho de toda a equipe, sobretudo de Cuca, facilitando a sua movimentação. “Todo o Grêmio esteve bem, podíamos até ter conseguido um resultado mais amplo. Mas o importante foi a vitória que colocou o Grêmio na liderança isolada do campeonato. Agora, esperamos manter esta vantagem até o final do quadrangular”.

Assis não quis falar em transferência para o futebol europeu, garantindo que no momento está preocupado apenas em ganhar o gauchão, valorizando ainda mais o seu futebol. “Quando chegar a hora, vamos pensar no futuro”, concluiu o meia.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Gauchão 1990 - Grêmio 3x1 JuventudeFoto: Marco Aurélio Couto (Pioneiro)

Foto: Marco Aurélio Couto (Pioneiro)

Grêmio 3×1 Juventude

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinete, João Marcelo, Luís Eduardo e Hélcio; Jandir (Geverton), Assis e Cuca; Darci (Caio), Nilson e Paulo Egídio.
Técnico: Evaristo de Macedo

JUVENTUDE: Beto; Tarantini, Amarildo, Dorotéo Silva e Marcão (Gilmar), Simão, Neni e Gérson Lopes, Nelsinho, Ferreira e Pichetti
Técnico: Fito Neves

Gauchão 1990 – Quadrangular Final – Primeira Rodada
Data: 11 de julho de 1990, Quarta-feira, 18h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 5.465 pagantes
Renda: Cr$ 1.288.800,00
Árbitro: Jorge Schaefer
Auxiliares: Adão Alípio Soares e Sérgio Chagas.
Cartões amarelos: Nelsinho e Hélcio
Gols: Assis, aos 41 minutos; Neni, aos 44 minutos do primeiro tempo; Cuca, aos 3 minutos; e Nilson, aos 27 minutos do segundo tempo

Gauchão 1990 – Caxias 1×1 Grêmio

February 20, 2020
1990-folha-de-hoje-silvio-avila

Foto: Silvio Avila (Folha de Hoje)

 

No Gauchão de 1990, Caxias e Grêmio se enfrentaram no Centenário pela terceira rodada do quadrangular final. Empate em 1×1, com gols marcados por Nílson Esídio pelo tricolor e Nilson Aragão pelos mandantes.

O Caxias estava desfalcado do goleiro Barbirotto (eternizado em um episódio do Chaves) que sofrera uma séria lesão na última partida do segundo turno

Foto: José Doval (Zero Hora)

 

CAXIAS REAGE E CONTINUA COM CHANCES
O empate de 1 a 1 foi um resultado justo, e o Grêmio ainda terá que esperar mais duas rodadas para comemorar o hexa. O Caxias vive!

Evaristo de Macedo surpreendeu a todos com escolha de João Antônio para substituir a Paulo Egídio que, lesionado, não jogou. A opção acabou sendo providencial. Em primeiro lugar porque proporcionou uma melhor cobertura ao lateral Hélcio na marcação do veloz e habilidoso João Carlos. Em Segundo porque a entrada dele deu mais liberdade pra Assis, embora o campo pesado não tenha permitido uma melhor movimentação do jogador gremista. Enquanto isso, o Caxias do primeiro tempo insistia no chuveirinho, facilitando as coisas para a defesa do Grêmio. O resultado foi o domínio e a vitória parcial gremista no primeiro tempo, com um gol de Nilson, aos oito minutos.

Na segunda etapa, Orlando Bianchini colocou Manuel no time, no lugar de Ranielli e mudou todo o panorama do jogo. Foi a partir desta modificação que o Caxias equilibrou o jogo e passou a dominar o jogo até chegar ao empate, aos 23 minutos, través de Nilson, com justiça. Evaristo foi obrigado a fazer duas alterações, tirando Caio e colocando Almir e trocando Assis, cansado, por Geverton. Com isso, freou um pouco o ímpeto do Caxias e até conseguiu alguns bons contra-ataques. O final foi dramático, mas o empate acabou sendo um resultado justo. ” (Antônio Celso Sampaio, Zero Hora, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

 

CAXIAS ADIA DECISÃO DO GAUCHÃO

O Grêmio se apresentou para o jogo com o Caxias, ontem à noite, no estádio Centenário, com o objetivo determinado para não perder a partida. Isto é tão verdade, que Evaristo Macedo montou um esquema com cinco jogadores no meio de campo: Jandir, Cuca, Assis, Caio e Luis Antônio. A rigor, somente Nílson no ataque. A jogada preferencial, e pré-determinada, era sempre com Assis, caindo pelo lado esquerdo, armando o contra-ataque com o centroavante. Para neutralizar a principal jogada do Caxias com João Carlos, o técnico gremista escalou João Antônio e Hélcio.

Em alguns momentos da primeira etapa esta estratégia deu certo, porque Ranieli não conseguia se movimentar, sobrecarregando os homens do meio.

No único chute da primeira etapa, numa falha decisiva do goleiro Marcos, o Grêmio marcou seu gol, aos 8min. Foi só. Na segunda etapa, Bianchini mandou Caçapava jogar em cima de Assis e colocou em campo Manoel e Paulo Alves, retirando Ranieli e Mezzari, tornando o Caxias mais ofensivo e decidido a mudar o resultado. O Grêmio apenas se defendeu, ainda mais com a entrada de Almir e Geverton, saindo Assis e Caio.

De tanto martelar em cima da confusa defesa gremista, o Caxias chegou ao empate aos 23min, através do goleador Nílson, aproveitando uma sobra de bola dentro da área gremista. Os minutos finais da partida foram terríveis para o Grêmio, pois o Caxias esteve perto de marcar o seu gol da vitória. Agora, fica tudo transferido para domingo, no Olímpico.” (Alfeu de Oliveira, Elizeu Evangelista, Osny Freitas de Oliveira – Editoria de Esportes, Folha de Hoje, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

 

 

PRINCIPAIS LANCES
Primeiro tempo

8 minutos — Nilson faz o gol do Grêmio, na falha do goleiro Marcos, que defendeu o primeiro chute e depois não evitou que a bola entrasse no gol

11 minutos — Caio entra livre, mas a defesa salva.

17 minutos — Edelvan chuta forte e Mazaropi defende.

24 minutos — Cuca tenta a tabela com Nilson, mas o goleiro Marcos pega.

31 minutos — João Marcelo falha na pequena área e Joel Marcos não aproveita.

41 minutos — Assis bate falta por cima do gol.

44 minutos — Assis, outra vez, tenta de fora da área, mas a bola sai torta.

Segundo Tempo

2 minutos — Manoel chuta forte, mas a bola saí desviada pela linha de fundo.

5 minutos — Jandir cobra falta e o goleiro Marcos defende.

14 minutos — Caçapava pega um rebote de fora da área e bate forte, mas Mazaropi, bem colocado defende.

22 minutos — João Carlos entra livre, mas Mazaropí salva.

23 minutos — Nilson empata o jogo para o Caxias, depois da cobrança de escanteio por João Carlos da esquerda.

36 minutos — Manoel outra vez arrisca de fora da área, mas a bola sai por cima.” (Zero Hora, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

Foto: Luiz Chaves (Folha de Hoje)

 

EVARISTO LAMENTA OS GOLS PERDIDOS

Mesmo reconhecendo que o Caxias foi um adversário difícil, Evaristo de Macedo disse que o Grêmio poderia ter liquidado o jogo no primeiro tempo, quando perdeu várias chances de gol. Também elogiou João Antônio:

— Na primeira etapa fomos muitos superiores. No segundo tempo o Caxias, mesmo desordenadamente, foi melhor e poderíamos ter perdido o jogo se eles soubessem aproveitar a chance. E o João foi o melhor em campo, pois anulou o perigoso lado direito do adversário. Ele jogou muito.

Já Orlando Bianchini, do Caxias, lamentou a falha de Marcos no gol do
Grêmio e disse que vai montar um esquema ofensivo para domingo, no Estádio Olímpico:

— Não podemos mudar o nosso estilo de jogo. Vamos para o tudo ou nada, pois ainda temos chances de chegar ao título. O Caxias vai jogar como sempre, no ataque. Não pode ser diferente” (Zero Hora, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

1990 caxias ingressos

 

CAXIAS: Marcos: Ricardo, Carlinhos, Mezzari e Alexandre; Caçapava, Joel Marcos e Ranielli (Manoel); João Carlos, Nilson Aragão e Edelvan
Técnico: Orlando Bianchini

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinete, João Marcelo, Luis Eduardo e Hélcio; Jandir, João Antônio, Cuca e Caio (Almir); Nilson e Assis (Geverton)
Técnico: Evaristo de Macedo

Campeonato Gaúcho 1990 – Quadrangular Final – 3ª Rodada
Data: 18 de julho de 1990, quarta-feira, 20h00min
Local: Estádio Centenário, em Caxias do Sul – RS
Público: 5.098 pagantes
Renda: Cr$ 2.132.200,00
Árbitro: Silvio Oliveira
Auxiliares: João Roberto Scherer e Juarez Mariano.
Cartões amarelos: Assis e João Antônio; João Carlos
Gols: Nilson aos 8 minutos do primeiro tempo; Nilson Aragão, aos 23 minutos do segundo tempo.

Gauchão 1990 – Grêmio 1×1 Caxias

January 22, 2020

1990 placar caxias lemyr martins

Foto: Lemyr Martins (Placar)

No Gauchão de 1990, Grêmio e Caxias empataram em 1×1 no Olímpico, em jogo válido pela 4ª Rodada do Quadrangular Final.

O empate em casa não foi tão ruim para o tricolor, visto que o time comandado por Evaristo de Macedo seguia com vantagem de dois pontos na liderança, faltando duas rodadas para o término do certame.

Foto: Arivaldo Chaves  (Zero Hora)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

CAXIAS EMPATA NO OLÍMPICO E MOSTRA FORÇA

A festa que o Grêmio pretendia realizar ontem foi para o espaço com a boa atuação do Caxias. Equipe do técnico Orlando Bianchini começou ganhando no início do 2º tempo mas cedeu o empate. Chances, porém, ainda são boas

Os 18.569 torcedores que compareceram ontem à tarde no Estádio Olímpico, não saíram decepcionados. Grêmio e Caxias realizaram um belo espetáculo de futebol. O empate em 1 a1 coroou a excelente partida proporcionada pelas duas equipes, num jogo franco, aberto e ofensivo.. Com o resultado, o Grêmio continua na liderança do Gauchão, mantendo uma diferença de dois pontos do Caxias. […]”
(Pioneiro, 23 de julho de 1990)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

Foto: Arivaldo Chaves  (Zero Hora)

CAXIAS EMPATA E SEGUE NO PÁREO PARA CONQUISTAR O TÍTULO GAÚCHO

O Caxias prometeu e cumpriu. Não tomou conhecimento do time e da numerosa torcida gremista no estádio Olímpico. Partiu para o ataque, abriu o marcador, mas cedeu o empate no final do jogo e saiu de Porto Alegre lamentando o resultado. O Grêmio começou mais determinado, apresentando grande volume de jogo e buscando decidir a partida ainda no primeiro tempo. O Caxias não se intimidou, conteve as ataques tricolores e ainda respondeu com perigosos contra-ataques, assustando o goleiro Mazaropi.

A 1 minuto do segundo tempo, João Carlos construiu boa jogada peia ponta direita, cruzou na área pata Nilson que desviou sem chances para Mazaropi, fazendo 1×0 e surpreendendo o Grêmio. Bem posicionado na defesa e fechando os espaços no meio-campo, o time de Orlando Bianchini dificultava a movimentação gremista. Somente aos 28 minutos, em cobrança de escanteio de Paulo Egídio, o zagueiro João Marcelo comparceu para empatar de cabeça.

O jogo continuou emocionante, apresentando chances alternadas de ataque para os dois times. Caxias e Grêmio proporcionaram ontem uma das melhores partidas do campeonato, mexendo com os torcedores e provando a grande […].” (Luiz Reni Marques, Folha de Hoje, 23 de julho de 1990)

1990 placar caxias lemyr martins b

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Foto: Valdir Friolin  (Zero Hora)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

Grêmio 1×1 Caxias

GRÊMIO: Mazaropi; Fábio, João Marcelo, Luis Eduardo e Hélcio; João Antônio, Cuca, Darci e Assis; Nilson e Paulo Egidio
Técnico: Evaristo de Macedo

CAXIAS: Marcos: Marques, Eduardo, Carlinhos e Ricardo; Caçapava, Joel Marcos e Manoel(Ranielli); João Carlos, Nilson Aragão e Edelvan
Técnico: Orlando Bianchini

Gauchão 1990 – Quadrangular final – 4ª Rodada
Data: 22 de julho de 1990, domingo, 15h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS,
Público: 18.245 pagantes
Renda: Cr$ 5.208.200,00
Árbitro: José Mocellin
Auxiliares: José Calza e Luís Augusto Mühle
Gols: Nilson Aragão, a 1 minuto do segundo tempo e João Marcelo, aos 28 minutos do segundo tempo

Supercopa 1990 – Grêmio 1×0 Estudiantes

August 28, 2018

1990 Gremio1x0 Estudiantes supercopa jandir peinado valdir friolin a2

Em 1990, Grêmio e Estudiantes se enfrentaram pelo segundo ano seguido na Supercopa.Novamente nas quartas de final. Novamente com o jogo de ida sendo realizado em Porto Alegre.

Mas em 1990 o Grêmio, já sob o comando de Evaristo de Macedo, saiu na frente, fazendo o 1×0 em casa com um gol contra de Prátola.

Interessante notar nas matérias abaixo (mais precisamente na reportagem do Pioneiro), que já havia um debate sobre poupar jogadores no Brasileirão
1990 Gremio1x0 Estudiantes supercopa Craviotto Assis valdir friolin b

GRÊMIO VENCE ESTUDIANTES NA RAÇA
O jogo foi violento, teve três expulsões, mas o Grêmio mostrou bom preparo físico e venceu por 1 a 0. Agora o empate serve

Numa partida extremamente nervosa e com muitos lances violentos, o Grêmio venceu ao Estudiantes por 1 a 0, ontem à noite, no Estádio Olímpico, em sua estréia na terceira edição da Supercopa. O gol foi do zagueiro Pratula, contra, aos 33 minutos do segundo tempo. Agora, o clube gaúcho enfrenta os argentinos em La Plata, no próximo dia 8, jogando apenas por um empate.

Uma derrota por um gol de diferença leva a decisão para os pênaltis.
No primeiro tempo, houve de tudo. Menos futebol. O Grêmio bem que tentou, mas ficou muito difícil. O Estudiantes fechava os espaços. As
ações ofensivas ficaram limitadas a algumas iniciativas de Assis, de fora da área e a uma cabeçada de Nilson, que Yorno defendeu bem. Em compensação, o árbitro paraguaio Carlos Maciel foi obrigado a distribuir vários cartões para conter a violência.

No segundo tempo, um pouco mais calmos, os dois times trataram de jogar futebol. Os argentinos continuaram eficientes na marcação, mas inexistentes no ataque. Em contrapartida, o Grêmio seguiu tentando e mostrou porque é vice-líder do Campeonato Brasileiro, mostrando excelente preparo físico, superando os argentinos. O gol aconteceu aos 33 minutos, depois de excelente jogada de Caio: depois do chute, a bola bateu no zagueiro Pratula e entrou. O time gaúcho perdeu várias oportunidades para ampliar o placar. No outro jogo da noite, pela Supercopa, o, River Plate goleou o Olímpia por 3 a O. gois de Berti e Medina Bello (2), em Buenos Aires. ” (Antonio Bavaresco e José Evaristo Villalobos, Zero Hora, 1º de novembro de 1990)

DEPOIS DA GUERRA, UM AMBIENTE DE ALEGRIA
Foi um jogo muito disputado, catimbado pelos argentinos que resistiram até os 33 minutos do segundo tempo. Mas o Grémio venceu e garantiu a vantagem para a partida de volta, quarta-feira da próxima semana, em La Plata. O técnico Evaristo de Macedo estava muito contente com o resultado final:
— Foi excelente para nós. Jogamos melhor, atacamos mais. Eles chegaram poucas vezes no nosso gol. No início, o pessoal entrou um pouco na catimba deles, mas no intervalo, com calma, nos recompomos e chegamos à vitória, que foi mesmo o resultado mais justo.
Entre os jogadores o sentimento era o mesmo. Todos reconheceram que foi muito difícil, mas importante, vencer em Porto Alegre:
— O que se viu em campo hoje ontem não foi um jogo, mas sim uma guerra. E o Grémio mostrou que está pronto para superar todo o tipo de dificuldade que enfrentar — destacou o ponteiro Maurício.
O meio-campista Assis mostrava aos repórteres as marcas em suas pernas dos pontapés recebidos pelos adversários e confia em novo resultado positivo em La Plata:
— O Grêmio mostrou ter uma equipe mais entrosada e o estado do gramado, pesado, nos prejudicou muito. Se não tivesse chovido, creio que poderíamos ter vencido por mais gols. ” (Antonio Bavaresco e José Evaristo Villalobos, Zero Hora, 1º de novembro de 1990)

BANDEIRA PREVIU AS EXPULSÕES
O vice de futebol do Grêmio, Rafael Bandeira dos Santos, confessou ter vivido momentos de muita apreensão durante o jogo de ontem, especialmente no primeiro tempo, devido à catimba do Estudiantes:
— Senti que o árbitro estava muito complacente e previ que só com expulsões o ambiente ficaria mais calmo. Bastou isso acontecer para o Grêmio se impor e poderíamos ter deixado o campo com um resultado ainda mais favorável. Houve uma melhora significativa em relação ao ano passado, quando perdemos em Porto Alegre para o mesmo adversário — lembrou.
Bandeira disse que o Estudiantes veio a Porto Alegre pensando apenas em não perder e tentando complicar. Mas confia na obtenção de outro bom resultado em La Plata:
— Passamos por uma grande fase e, por isso, a idéia é jogar com os titulares disponíveis em Juiz de Fora, contra o Flamengo, para manter o conjunto.
Jandir, com três amarelos, está fora. Donizete retorna.” (Antonio Bavaresco e José Evaristo Villalobos, Zero Hora, 1º de novembro de 1990)

TRISTEZA DE VILSON, UM GUERREIRO
Ele esteve envolvido em atritos com os adversários desde o inicio da partida. Vilson entrou duro nos lances, reagiu à catimba dos adversários, levou cartão amarelo e depois o vermelho. Teve seu nome gritado pela torcida quando deixou o campo:
– Fico chateado por ter sido expulso, mas mantive meu estilo de jogo sério, enquanto os adversários queriam confusão. Infelizmente, recebi cartão amarelo e, depois de uma outra confusão causada pelos argentinos no segundo tempo, acabei expulso.
Vilson garante que será um torcedor especial de seus companheiros em La Plata:
– No ano passado, estava na reserva do Edinho, que foi expulso no início, e entrei. Também deu muita confusão em campo, mas o Grêmio mostrou muita raça, não se intimidou com o ambiente hostil criado e obteve o resultado positivo. Tenho certeza de que meus companheiros não irão decepcionar.” (Antonio Bavaresco e José Evaristo Villalobos, Zero Hora, 1º de novembro de 1990)

GRÊMIO ESTRÉIA COM VITÓRIA NA SUPERCOPA
O Grêmio estreou com o pé direito na Supercopa dos Campeões da América, vencendo o Estudiantes de La Plata por 1×0, ontem à noite no Estádio Olímpico. O gol foi contra, num cruzamento de Caio que foi chutado por Alfinete, aos 34 minutos da etapa final. O jogo teve ainda duas expulsões: Vílson, do Grêmio, e Craviotto do Estudiantes. O Grêmio só não ampliou o marcador porque encontrou uma equipe de marcação muito forte, não deixando a equipe gremista jogar. Mas no segundo tempo o Grêmio voltou determinado a marcar e desde os primeiros minutos levava perigo ao gol de Yorno. Até que aos 34 minutos, num cruzamento de Caio, Alfinete chutou e a bola desviou no zagueiro argentino, abrindo o marcador. Aos 42 minutos da etapa final quase Assis amplia o marcador, não fosse a grande defesa do goleiro argentino. O Grêmio volta a jogar pela Supercopa no dia 8 de novembro, quando fará a partida de volta, contra o mesmo Estudiantes. A equipe de Evaristo precisa somente de um empate para chegar à semifinal e sonhar com o único título que ainda falta. ” (Folha de Hoje, 1º de novembro de 1990)

GRÊMIO ARRANCA COM VITÓRIA NA SUPERCOPA

Depois de enfrentar o Estudiantes pela Supercopa ontem à noite e vencer por 1 a 0 com gol contra de Patrula no final do 2º tempo, o Grémio volta a pensar no Campeonato Brasileiro e convive com um dilema: usar os melhores jogadores contra o Flamengo, domingo em Juiz de Fora — o Maracanã esta interditado — e lutar pela liderança geral, ou preservar alguns titulares visando o jogo de volta da Supercopa, quarta-feira, em La Plata contra o mesmo Estudiantes. O técnico Evaristo de Macedo prefere ser cauteloso: – é uma questão para se pensar. Já estamos classificados no Campeonato Brasileiro, mas realmente seria ótimo assumir a liderança, caso consigamos nova vitória e o Atlético perca ponto. Mas não podemos esquecer que vamos enfrentar o Estudiantes de novo. E lá fora.

No jogo de ontem o Grêmio cometeu alguns erros, principalmente no setor de meio campo quando o time foi envolvido pela catimba dos argentinos. Assim, depois da revisão médica de hoje o Evaristo decide se preserva alguns jogadores. O técnico, com certeza, não poderá contar com Jandir — terceiro cartão amarelo —, mas terá a volta de Donizete, que jogou a partida da Seleção Brasileira contra o resto do mundo, ontem à tarde, na festa dos 50 anos de Pele, em Milão. Porém, que o goleiro Sidmar tenha uma nova chance, assim como o lateral China e o meia Darci, reservas que precisam de movimentação. A vitória de ontem deu um pouco de tranqüilidade ao time gremista, porém sabe que o jogo em La Plata vai ser uma verdadeira guerra. ” (Pioneiro – 1º de novembro de 1990)

Fotos: Valdir Friolin (Zero Hora)

Grêmio 1×0 Estudiantes

GRÊMIO: Gomes; Alfinete, João Marcelo, Wilson e Hélcio; João Antonio (Darci), Jandir, Caio e Assis; Mauricio e Nilson
Técnico: Evaristo de Macedo

ESTUDIANTES: Yorno; Craviotto, Iribarren, Prátola e Erbin; Peinado, Trotta e Commiso; Gonzalez, Luna (MacAllister), Centurión (Loza)
Técnico: Humberto Zucarelli

Supercopa 1990 – Quartas de final – jogo de ida
Data: 31 de Outubro de 1990, quarta-feira
Local: Estádio Olímpico Monumental, em Porto Alegre, RS
Público: 15.103 pagantes
Renda: Cr$ 6.659.000,00
Árbitro: Carlos Maciel (Paraguai)
Auxiliares: Astério Martins e Sabino Faria
Cartões Amarelos: Vilson, Craviotto e MacAllister
Cartões Vermelhos: Vilson, Centurion e MacAllister
Gol: Prátola, contra, aos 33 minutos do segundo tempoo

Supercopa 1990 – Estudiantes 2×0 Grêmio

August 6, 2018

1990 estudiantes 2x0 gremio juiz fernando gomes zh

O último jogo de mata-mata entre Estudiantes e Grêmio aconteceu em La Plata, em novembro de 1990, valendo pelas quartas-de-final da Supercopa daquele ano.

O tricolor havia vencido o jogo de ida no Olímpico por 1×0, mas para a volta os argentinos tentaram (e aparentemente foram bem sucedidos) criar um clima de “flash back” da Batalha de sete anos antes. Num jogo de sete expulsões, os argentinos conseguiram chegar ao 2×0 que os classificava aos 44 minutos do segundo tempo

1990 estudiantes 2x0 gremio Trotta gol fernando gomes zh

GRÊMIO PERDE A GUERRA DE LA PLATA
Foi uma noite terrível. Os gaúchos caíram por 2 a 0, atuando com sete homens num jogo de extrema violência gerada pelo Estudiantes.

Estava na cara que, mais do que um jogo, seria uma guerra. O clima de vingança criado pela imprensa e até pelos jogadores argentinos, encaminhava a partida
entre Grêmio e Estudiantes para isso. E, mais acostumados a este tipo de clima, os jogadores do clube de La Plata se saíram melhor e ganharam a partida por 2 a 0, eliminando o Grêmio da Supercopa dos Campeões da América.

Só no primeiro tempo, quatro jogadores foram expulsos, João Antônio e Maurício do Grêmio, Trotta e Centurión, do Estudiantes. Trotta, expulso aos 32, foi o mesmo jogador que marcou o primeiro gol da partida, aos 16. Foi após uma cobrança de escanteio, feita por Capria, aproveita-da pelo centromédio que sem marcação, cabeceou no canto esquerdo de Gomes. O time gaúcho até tentou a reação em seguida, mas as constantes interrupções no jogo, em conseqüência das muitas faltas, e a insegurança resultante da má postura da defesa, impediam que surgissem oportunidades claras de gol.

A arbitragem do chileno Enrique Marín não ajudava o Grêmio a reagir. As faltas duvidosas eram todas assinaladas como favoráveis ao Estudiantes, resultado da pressão da torcida, que jogava pilhas e mirava foguetes para dentro do campo. No segundo minuto do segundo tempo o grupo gremista chegou a ameaçar abandonar o jogo, tal a agressividade dos torcedores. Mas o jogo seguiu. Virou um ringue aos 22, quando o centroavante Nílson e o goleiro Yorno brigaram e foram expulsos (Caio, agredido por Yorno, foi à nocaute e se recuperou), e se transformou numa tragédia para os gaúchos quando aos 44 minutos, após cobrança de escanteio, a bola sobrou para Peinado que fez o segundo gol. O que os argentinos necessitavam para continuar na competição.” (Antonio Bavaresco – Zero Hora – 9 de novembro de 1990)

CAIO DESMAIA.E REVELA MEDO PELA VIOLÊNCIA
Os jogadores gremistas esta-vam desolados ao final do jogo em La Plata. E nem chegaram a reclamar que o árbitro chileno Enrique Marin deixou de dar cinco minutos de descontos. O meia Caio, que ficou desmaiado depois de receber um soco do goleiro Yorno, mostrou sua revolta: — Isso não é futebol. Na Argentina não existe lealdade. E o juiz não deveria ter permitido continuar o jogo. Para mim, que estou começando a carreira, é um desânimo. Mas a solução é levantar a cabeça e seguir em frente no Brasileiro. Já o zagueiro João Marcelo, o último a ser expulso, explicou que o jogo foi duro ” e eles conseguiram fazer dois gols e vencer“. (Antonio Bavaresco – Zero Hora – 9 de novembro de 1990)

CENAS DE UMA BATALHA NA ARGENTINA
Há trinta horas sem dormir, com os uivos e gritos dos “pincharatas” ainda retumbando e a sensação de que o Barão de Coubertein decidamente não imaginava a inversão de valores quando proclamou que o importante é competir, fica difícil explicar, para quem não presenciou, o que realmente se passou em La Plata. O que for relatado parecerá exagero e ainda assim será menos do que o clima que vivemos – todos os brasileiros, sem distinção – na aprazícel capital da Província de Buenos Aires. Um terror que começou muito antes do apito do atordoado árbitro chileno Enrique Marin e continuou muito depois de conseguida a classificação. É de se refletir. Vale a pena se investir no futebol para decidir um jogo a socos e na intimidação?

36 HORAS DE TENSÃO
Durante as cerca de 36 horas que o Grêmio permaneceu em La Plata – especialmente nas primeiras 24 – a pressão psicológica foi intensa. A todo instante, passava algum dos fanáticos “pincharata” e com o dedo apontado cruzando o pescoço em uma diagonal, ameaçavam: – Vamos a ganar negrón! A reação dos jogadores foi diferente. Enquanto alguns demonstravam total tranquilidade, outros estavam visivelmente ansiosos por colocar um final naquela situação angustiante. A polícia vigiava a entrada do hotel.

EMPRESÁRIO IRRITANTE
O empresário argentino Luiz Scalccioni rondou o Hotel El Corregedor, onde o Grêmio se hospedou, desde a quarta-feira pela manhã, aparentemente para prestar ajuda (ele pertence à diretoria do Estudiantes). Excessivamente solícito e amável, ele não se furtava em fazer aquele tipo de comentário de quem ameaça, sem assumir o risco. A estratégia ia irritando tanto a nós, que tentávamos nos desvencilhar de Scalccioni – conhecido por ter intermediado a transferência de Ancheta para o futebol brasileiro – quanto (e principalmente) à comissão técnica gremista. Resultado: o técnico Evaristo de Macedo saiu do sério e, dedo em riste, gritou alto: – O senhor fique calado e não se aproxime de nenhum de meus jogadores.

UMA RUIDOSA RECEPÇÃO
Na noite que antecedeu o jogo ninguém dormiu antes da 1 da madrugada, nas cercanias do El Corregedor. Antes a passividade dos policiais, torcedores argentinos batiam tambores e soltavam foguetes. Mas, naquela ocasião, o clima era de uma intimidação provinciana, que em nada fazia prever aquilo que se viu na hora da partida. Até então, todos encararam esta provocação com naturalidade e isso não chegou a perturbar o ambiente. Exceto para os moradores locais.

TRANSMISSÃO AMEAÇADA
A chegada dos brasileiros ao Estádio Jorge Hirschi, precedida de um enorme aparato militar, foi – diante do quadro geral – até tranquila. Os problemas surgiram depois. Os selvagens torcedores começavam a aprontar. Com a ajuda de canivetes e isqueiros, cortaram os cabos das duas emissoras gaúchas – Rádio Gaúcha e Rádio Guaíba – que cobriam a partida. Um dos repórteres ainda tentou reagir, puxando o fio. Mas era tarde. Lá se iam 25 metro de cabo, com microfone e tudo.

EM CAMPO, A VIOLÊNCIA
O jogo foi exatamente como as emissoras de rádio descreveram. Truncado. violento, nervoso e desleal. Os entre-choques eram constantes. O primeiro deles aconteceu quando João Antônio e Trotta — autor do gol do Estudiantes — trocaram pontapés. Os dois foram expulsos, Minutos depois, foi a vez de Ion levar uma cotovelada de Centurión. Maurício tirou satisfações, foi ofendido, agrediu o adversário. Cartão vermelho para ambos. Os foguetes são jogados a toda hora sobre o goleiro Gomes. No segundo tempo, o árbitro chileno chega a determinar o encerramento do jogo, mas volta atrás. Nílson e Yorno trocam agressões, Caio — que foi apartar — é covardemente agredido pelo goleiro. Mais duas expulsões. Finalmente, quando o Grêmio equilibra e até se supera no jogo, com João Marcelo como destaque, vem o castigo. Enrique Marin tira o zagueiro e o segundo gol torna-se inevitável.”

FUGA NA MADRUGADA
Diante das cenas de selvageria, um radialista gaúcho estava decidido a dormir na cabine e esperar que não houvesse um “pincharrata” sequer num raio de vários quilômetros. Aí, sim, voltaria ao hotel. Uma fuga do estádio. Sim, fuga! Escondidos, os jornalistas que estavam no 57 y 1 (como é conhecido o Estádio Jorge Hirschi) saíram sem poder falar muito, para não chamar a atenção. E finalmente, tudo estava terminado. Fim da guerra. Voltamos a ser “hermanos”. O engraçado é que fomos para cobrir um jogo de futebol, não uma revolução portenha. Mas o futebol fica para a próxima.”

UM ‘CORREDOR POLONÊS’
A entrada do jogadores gremistas no gramado foi um capitulo à parte. Para oferecer maior segurança, os argentinos costumam usar um túnel Estava tudo pronto para a sua utilização, quando os cabos que alimentavam o ventilador foram rompidos. O jeito foi entrar correndo ante uma chuva de toda a sorte de objetos, numa especie de “corredor polonês”, tentando se esquivar das agressões. sem qualquer proteção da polícia de choque, amedrontada demais para isso.

COMEMORAÇÃO E SARCASMO
No restaurante do Catio (La Taba) – um bom amigo que fizemos, o único – uma hora da manhã e a ópera tem seu capítulo final e mais sarcástico. Entramos conversando – finalmente – e mal nos recomposemos, quando percebemos a presença de alguns “inchas de Estudiantes”. Entramos sorrindo (que remédio!) e recebemos a informação em primeira mão: – Os jogadores estão no andar de cima, comemorando a vitória e gostariam de tirar um foto com vocês. Tiramos.
E a ironia continua. Na mesa ao lado, quem comemora a vitória é o Comissário de Polícia Geral de La Plata e seu primeiro escalão. Enquanto isso, no Hotel Corregedor, onde se hospedou o Grêmio, um policial segurava um lenço ensanguentado junto à orelha esquerda, marca da “guerra”.(Antonio Bavaresco – Zero Hora – 10 de novembro de 1990)

1990 estudiantes 2x0 gremio fernando gomes zh

IMPRENSA LOCAL FAZ ELOGIOS
O El Dia, único jornal diário da cidade de La Plata, encarnou a garra e o espírito dramalhesco dos jogadores do Estudiantes, e ontem, dia seguinte à vitória sobre o Grêmio, estampou a seguinte manchete: “Classificação custou sangue, suor e lágrimas ao Estudiantes”. Saudava a conquista e valorizava pouco as agressões dos jogadores e a violência da torcida. Os jornais da capital argentina, Buenos Aires, foram menos emocionais e mais informativos. O Clarin contou que o “Estudiantes passou de fase em partida acidentada”, e na crônica do jogo referiu-se a “fatos lamentáveis”, “batalha campal”, e a “abundância de agressões”. Desgraçadamente, disse o jornal, tiveram êxito aqueles que criaram um clima de guerra, entre estes os próprios gremistas, em especial os torcedores, que “maltrataram os jogadores do Estudiantes em Porto Alegre”. O La Nacion, também de Buenos Aires, seguiu a mesma linha critica. “Estudiantes se impôs ao Grêmio e é semifinalista”, disse na manchete, comentando nas linhas seguintes que os torcedores argentinos haviam recebido o Grêmio com bombas e todo o tipo de projéteis. “Mandaram os nervos”, resumiu, elogiando apenas um fato: o de o Estudiantes ter perseguido sempre a vitória, único aspecto positivo de uma noite violenta.” (Zero Hora – 10 de novembro de 1990)

GRÊMIO MORRE NA BATALHA DE LA PLATA E ESTÁ FORA
Sonho da Supercopa terminou em meio a uma verdadeira selvageria. Sete jogadores foram expulsos. Eliminação veio no último minuto
E a guerra que estava prevista em La Plata acabou se confirmando ontem à noite. O Grêmio não teve forças para sair vivo da cidade argentina e assim permanecer na Supercopa deste ano. A derrota por 2 a 0 para o Estudiantes elimina o time gremista da competição, ao lado de Santos e Cruzeiro. O jogo teve sete expulsões e muita confusão, com lances de agressão e brigas generalizadas entre jogadores e dirigentes. Os gols foram de Trotta e Peinado, um em cada tempo.
Além de lutar contra a violência do adversário e a fúria da torcida argentina, o Grêmio ainda teve pela frente a fraca arbitragem chilena que prejudicou a equipe brasileira. Logo nos primeiros 20min parecia que o jogo ia ser tranquilo. A partir daí não houve mais futebol. O Estudiantes, que em Porto Alegre havia dado mostras da sua deslealdade, agredia covardemente os jogadores gremistas tentando intimidá-los. O arbitro Enrique Marin fazia vistas grossas mas não deixou de expulsar dois jogadores de cada lado no 1º tempo.
Para o 2° tempo, o clima piorou. O gramado que já parecia mais um campo de batalha foi alvo de foguetes a pedras, além do reservado gremista ser atingido com um tijolo. O jogo chegou a ser paralisado por 5min. No recomeço, o Grêmio, com mais preparo físico, voltou pressionando mas sem criar chances de gol. No final, o Estudiantes reagiu e depois de Gomes ter operado dois milagres, Peinado, aos 44min, aparando um rebate de fora da área, decretou o placar final. Agora resta ao tricolor pensar no Campeonato Nacional.” (Pioneiro, 9 de novembro de 1990)

1990 joao antonio b - CópiaFotos: Fernando Gomes (Zero Hora)

Estudiantes 2×0 Grêmio

ESTUDIANTES: Yorno, Ramírez, Iribarren, Pratola, Erbin, Trotta, Peinado, Commiso, Capria (Aredes), Bello (Sanelli), Centurión
Técnico: Humberto Zuccarelli

GRÊMIO: Gomes, Alfinete, João Marcelo, Íon, Hélcio (Biro-Biro), João Antonio, Jandir, Caio e Assis; Mauricio e Nilson.
Técnico: Evaristo de Macedo

Supercopa 1990 – Quartas de final – Jogo de volta
Local: Estádio Jorge Luis Hisrch, em La Plata (ARG)
Data: 8 de novembro de 1990, 21h30min
Árbitro: Enrique Marin (Chile)
Auxiliares: Gaston Castro e Ivan Guerreiro (Chile)
Cartões amarelos: João Marcelo, Gomes, Ion, Caio, Hélcio e Jandir; Bello, Trotta e Erbin
Cartões vermelhos: João Antonio, Mauricio, Nilson e Joao Marcelo; Trotta, Centurion e Yorno
Gols: Trotta, aos 16 minutos dos primeiro tempo; e Peinado, aos 44 minutos do segundo tempo.