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Supercopa 1990 – Grêmio 1×0 Estudiantes

August 28, 2018

1990 Gremio1x0 Estudiantes supercopa jandir peinado valdir friolin a2

Em 1990, Grêmio e Estudiantes se enfrentaram pelo segundo ano seguido na Supercopa.Novamente nas quartas de final. Novamente com o jogo de ida sendo realizado em Porto Alegre.

Mas em 1990 o Grêmio, já sob o comando de Evaristo de Macedo, saiu na frente, fazendo o 1×0 em casa com um gol contra de Prátola.

Interessante notar nas matérias abaixo (mais precisamente na reportagem do Pioneiro), que já havia um debate sobre poupar jogadores no Brasileirão
1990 Gremio1x0 Estudiantes supercopa Craviotto Assis valdir friolin b

GRÊMIO VENCE ESTUDIANTES NA RAÇA
O jogo foi violento, teve três expulsões, mas o Grêmio mostrou bom preparo físico e venceu por 1 a 0. Agora o empate serve

Numa partida extremamente nervosa e com muitos lances violentos, o Grêmio venceu ao Estudiantes por 1 a 0, ontem à noite, no Estádio Olímpico, em sua estréia na terceira edição da Supercopa. O gol foi do zagueiro Pratula, contra, aos 33 minutos do segundo tempo. Agora, o clube gaúcho enfrenta os argentinos em La Plata, no próximo dia 8, jogando apenas por um empate.

Uma derrota por um gol de diferença leva a decisão para os pênaltis.
No primeiro tempo, houve de tudo. Menos futebol. O Grêmio bem que tentou, mas ficou muito difícil. O Estudiantes fechava os espaços. As
ações ofensivas ficaram limitadas a algumas iniciativas de Assis, de fora da área e a uma cabeçada de Nilson, que Yorno defendeu bem. Em compensação, o árbitro paraguaio Carlos Maciel foi obrigado a distribuir vários cartões para conter a violência.

No segundo tempo, um pouco mais calmos, os dois times trataram de jogar futebol. Os argentinos continuaram eficientes na marcação, mas inexistentes no ataque. Em contrapartida, o Grêmio seguiu tentando e mostrou porque é vice-líder do Campeonato Brasileiro, mostrando excelente preparo físico, superando os argentinos. O gol aconteceu aos 33 minutos, depois de excelente jogada de Caio: depois do chute, a bola bateu no zagueiro Pratula e entrou. O time gaúcho perdeu várias oportunidades para ampliar o placar. No outro jogo da noite, pela Supercopa, o, River Plate goleou o Olímpia por 3 a O. gois de Berti e Medina Bello (2), em Buenos Aires. ” (Antonio Bavaresco e José Evaristo Villalobos, Zero Hora, 1º de novembro de 1990)

DEPOIS DA GUERRA, UM AMBIENTE DE ALEGRIA
Foi um jogo muito disputado, catimbado pelos argentinos que resistiram até os 33 minutos do segundo tempo. Mas o Grémio venceu e garantiu a vantagem para a partida de volta, quarta-feira da próxima semana, em La Plata. O técnico Evaristo de Macedo estava muito contente com o resultado final:
— Foi excelente para nós. Jogamos melhor, atacamos mais. Eles chegaram poucas vezes no nosso gol. No início, o pessoal entrou um pouco na catimba deles, mas no intervalo, com calma, nos recompomos e chegamos à vitória, que foi mesmo o resultado mais justo.
Entre os jogadores o sentimento era o mesmo. Todos reconheceram que foi muito difícil, mas importante, vencer em Porto Alegre:
— O que se viu em campo hoje ontem não foi um jogo, mas sim uma guerra. E o Grémio mostrou que está pronto para superar todo o tipo de dificuldade que enfrentar — destacou o ponteiro Maurício.
O meio-campista Assis mostrava aos repórteres as marcas em suas pernas dos pontapés recebidos pelos adversários e confia em novo resultado positivo em La Plata:
— O Grêmio mostrou ter uma equipe mais entrosada e o estado do gramado, pesado, nos prejudicou muito. Se não tivesse chovido, creio que poderíamos ter vencido por mais gols. ” (Antonio Bavaresco e José Evaristo Villalobos, Zero Hora, 1º de novembro de 1990)

BANDEIRA PREVIU AS EXPULSÕES
O vice de futebol do Grêmio, Rafael Bandeira dos Santos, confessou ter vivido momentos de muita apreensão durante o jogo de ontem, especialmente no primeiro tempo, devido à catimba do Estudiantes:
— Senti que o árbitro estava muito complacente e previ que só com expulsões o ambiente ficaria mais calmo. Bastou isso acontecer para o Grêmio se impor e poderíamos ter deixado o campo com um resultado ainda mais favorável. Houve uma melhora significativa em relação ao ano passado, quando perdemos em Porto Alegre para o mesmo adversário — lembrou.
Bandeira disse que o Estudiantes veio a Porto Alegre pensando apenas em não perder e tentando complicar. Mas confia na obtenção de outro bom resultado em La Plata:
— Passamos por uma grande fase e, por isso, a idéia é jogar com os titulares disponíveis em Juiz de Fora, contra o Flamengo, para manter o conjunto.
Jandir, com três amarelos, está fora. Donizete retorna.” (Antonio Bavaresco e José Evaristo Villalobos, Zero Hora, 1º de novembro de 1990)

TRISTEZA DE VILSON, UM GUERREIRO
Ele esteve envolvido em atritos com os adversários desde o inicio da partida. Vilson entrou duro nos lances, reagiu à catimba dos adversários, levou cartão amarelo e depois o vermelho. Teve seu nome gritado pela torcida quando deixou o campo:
– Fico chateado por ter sido expulso, mas mantive meu estilo de jogo sério, enquanto os adversários queriam confusão. Infelizmente, recebi cartão amarelo e, depois de uma outra confusão causada pelos argentinos no segundo tempo, acabei expulso.
Vilson garante que será um torcedor especial de seus companheiros em La Plata:
– No ano passado, estava na reserva do Edinho, que foi expulso no início, e entrei. Também deu muita confusão em campo, mas o Grêmio mostrou muita raça, não se intimidou com o ambiente hostil criado e obteve o resultado positivo. Tenho certeza de que meus companheiros não irão decepcionar.” (Antonio Bavaresco e José Evaristo Villalobos, Zero Hora, 1º de novembro de 1990)

GRÊMIO ESTRÉIA COM VITÓRIA NA SUPERCOPA
O Grêmio estreou com o pé direito na Supercopa dos Campeões da América, vencendo o Estudiantes de La Plata por 1×0, ontem à noite no Estádio Olímpico. O gol foi contra, num cruzamento de Caio que foi chutado por Alfinete, aos 34 minutos da etapa final. O jogo teve ainda duas expulsões: Vílson, do Grêmio, e Craviotto do Estudiantes. O Grêmio só não ampliou o marcador porque encontrou uma equipe de marcação muito forte, não deixando a equipe gremista jogar. Mas no segundo tempo o Grêmio voltou determinado a marcar e desde os primeiros minutos levava perigo ao gol de Yorno. Até que aos 34 minutos, num cruzamento de Caio, Alfinete chutou e a bola desviou no zagueiro argentino, abrindo o marcador. Aos 42 minutos da etapa final quase Assis amplia o marcador, não fosse a grande defesa do goleiro argentino. O Grêmio volta a jogar pela Supercopa no dia 8 de novembro, quando fará a partida de volta, contra o mesmo Estudiantes. A equipe de Evaristo precisa somente de um empate para chegar à semifinal e sonhar com o único título que ainda falta. ” (Folha de Hoje, 1º de novembro de 1990)

GRÊMIO ARRANCA COM VITÓRIA NA SUPERCOPA

Depois de enfrentar o Estudiantes pela Supercopa ontem à noite e vencer por 1 a 0 com gol contra de Patrula no final do 2º tempo, o Grémio volta a pensar no Campeonato Brasileiro e convive com um dilema: usar os melhores jogadores contra o Flamengo, domingo em Juiz de Fora — o Maracanã esta interditado — e lutar pela liderança geral, ou preservar alguns titulares visando o jogo de volta da Supercopa, quarta-feira, em La Plata contra o mesmo Estudiantes. O técnico Evaristo de Macedo prefere ser cauteloso: – é uma questão para se pensar. Já estamos classificados no Campeonato Brasileiro, mas realmente seria ótimo assumir a liderança, caso consigamos nova vitória e o Atlético perca ponto. Mas não podemos esquecer que vamos enfrentar o Estudiantes de novo. E lá fora.

No jogo de ontem o Grêmio cometeu alguns erros, principalmente no setor de meio campo quando o time foi envolvido pela catimba dos argentinos. Assim, depois da revisão médica de hoje o Evaristo decide se preserva alguns jogadores. O técnico, com certeza, não poderá contar com Jandir — terceiro cartão amarelo —, mas terá a volta de Donizete, que jogou a partida da Seleção Brasileira contra o resto do mundo, ontem à tarde, na festa dos 50 anos de Pele, em Milão. Porém, que o goleiro Sidmar tenha uma nova chance, assim como o lateral China e o meia Darci, reservas que precisam de movimentação. A vitória de ontem deu um pouco de tranqüilidade ao time gremista, porém sabe que o jogo em La Plata vai ser uma verdadeira guerra. ” (Pioneiro – 1º de novembro de 1990)

Fotos: Valdir Friolin (Zero Hora)

Grêmio 1×0 Estudiantes

GRÊMIO: Gomes; Alfinete, João Marcelo, Wilson e Hélcio; João Antonio (Darci), Jandir, Caio e Assis; Mauricio e Nilson
Técnico: Evaristo de Macedo

ESTUDIANTES: Yorno; Craviotto, Iribarren, Prátola e Erbin; Peinado, Trotta e Commiso; Gonzalez, Luna (MacAllister), Centurión (Loza)
Técnico: Humberto Zucarelli

Supercopa 1990 – Quartas de final – jogo de ida
Data: 31 de Outubro de 1990, quarta-feira
Local: Estádio Olímpico Monumental, em Porto Alegre, RS
Público: 15.103 pagantes
Renda: Cr$ 6.659.000,00
Árbitro: Carlos Maciel (Paraguai)
Auxiliares: Astério Martins e Sabino Faria
Cartões Amarelos: Vilson, Craviotto e MacAllister
Cartões Vermelhos: Vilson, Centurion e MacAllister
Gol: Prátola, contra, aos 33 minutos do segundo tempoo

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Supercopa 1990 – Estudiantes 2×0 Grêmio

August 6, 2018

1990 estudiantes 2x0 gremio juiz fernando gomes zh

O último jogo de mata-mata entre Estudiantes e Grêmio aconteceu em La Plata, em novembro de 1990, valendo pelas quartas-de-final da Supercopa daquele ano.

O tricolor havia vencido o jogo de ida no Olímpico por 1×0, mas para a volta os argentinos tentaram (e aparentemente foram bem sucedidos) criar um clima de “flash back” da Batalha de sete anos antes. Num jogo de sete expulsões, os argentinos conseguiram chegar ao 2×0 que os classificava aos 44 minutos do segundo tempo

1990 estudiantes 2x0 gremio Trotta gol fernando gomes zh

GRÊMIO PERDE A GUERRA DE LA PLATA
Foi uma noite terrível. Os gaúchos caíram por 2 a 0, atuando com sete homens num jogo de extrema violência gerada pelo Estudiantes.

Estava na cara que, mais do que um jogo, seria uma guerra. O clima de vingança criado pela imprensa e até pelos jogadores argentinos, encaminhava a partida
entre Grêmio e Estudiantes para isso. E, mais acostumados a este tipo de clima, os jogadores do clube de La Plata se saíram melhor e ganharam a partida por 2 a 0, eliminando o Grêmio da Supercopa dos Campeões da América.

Só no primeiro tempo, quatro jogadores foram expulsos, João Antônio e Maurício do Grêmio, Trotta e Centurión, do Estudiantes. Trotta, expulso aos 32, foi o mesmo jogador que marcou o primeiro gol da partida, aos 16. Foi após uma cobrança de escanteio, feita por Capria, aproveita-da pelo centromédio que sem marcação, cabeceou no canto esquerdo de Gomes. O time gaúcho até tentou a reação em seguida, mas as constantes interrupções no jogo, em conseqüência das muitas faltas, e a insegurança resultante da má postura da defesa, impediam que surgissem oportunidades claras de gol.

A arbitragem do chileno Enrique Marín não ajudava o Grêmio a reagir. As faltas duvidosas eram todas assinaladas como favoráveis ao Estudiantes, resultado da pressão da torcida, que jogava pilhas e mirava foguetes para dentro do campo. No segundo minuto do segundo tempo o grupo gremista chegou a ameaçar abandonar o jogo, tal a agressividade dos torcedores. Mas o jogo seguiu. Virou um ringue aos 22, quando o centroavante Nílson e o goleiro Yorno brigaram e foram expulsos (Caio, agredido por Yorno, foi à nocaute e se recuperou), e se transformou numa tragédia para os gaúchos quando aos 44 minutos, após cobrança de escanteio, a bola sobrou para Peinado que fez o segundo gol. O que os argentinos necessitavam para continuar na competição.” (Antonio Bavaresco – Zero Hora – 9 de novembro de 1990)

CAIO DESMAIA.E REVELA MEDO PELA VIOLÊNCIA
Os jogadores gremistas esta-vam desolados ao final do jogo em La Plata. E nem chegaram a reclamar que o árbitro chileno Enrique Marin deixou de dar cinco minutos de descontos. O meia Caio, que ficou desmaiado depois de receber um soco do goleiro Yorno, mostrou sua revolta: — Isso não é futebol. Na Argentina não existe lealdade. E o juiz não deveria ter permitido continuar o jogo. Para mim, que estou começando a carreira, é um desânimo. Mas a solução é levantar a cabeça e seguir em frente no Brasileiro. Já o zagueiro João Marcelo, o último a ser expulso, explicou que o jogo foi duro ” e eles conseguiram fazer dois gols e vencer“. (Antonio Bavaresco – Zero Hora – 9 de novembro de 1990)

CENAS DE UMA BATALHA NA ARGENTINA
Há trinta horas sem dormir, com os uivos e gritos dos “pincharatas” ainda retumbando e a sensação de que o Barão de Coubertein decidamente não imaginava a inversão de valores quando proclamou que o importante é competir, fica difícil explicar, para quem não presenciou, o que realmente se passou em La Plata. O que for relatado parecerá exagero e ainda assim será menos do que o clima que vivemos – todos os brasileiros, sem distinção – na aprazícel capital da Província de Buenos Aires. Um terror que começou muito antes do apito do atordoado árbitro chileno Enrique Marin e continuou muito depois de conseguida a classificação. É de se refletir. Vale a pena se investir no futebol para decidir um jogo a socos e na intimidação?

36 HORAS DE TENSÃO
Durante as cerca de 36 horas que o Grêmio permaneceu em La Plata – especialmente nas primeiras 24 – a pressão psicológica foi intensa. A todo instante, passava algum dos fanáticos “pincharata” e com o dedo apontado cruzando o pescoço em uma diagonal, ameaçavam: – Vamos a ganar negrón! A reação dos jogadores foi diferente. Enquanto alguns demonstravam total tranquilidade, outros estavam visivelmente ansiosos por colocar um final naquela situação angustiante. A polícia vigiava a entrada do hotel.

EMPRESÁRIO IRRITANTE
O empresário argentino Luiz Scalccioni rondou o Hotel El Corregedor, onde o Grêmio se hospedou, desde a quarta-feira pela manhã, aparentemente para prestar ajuda (ele pertence à diretoria do Estudiantes). Excessivamente solícito e amável, ele não se furtava em fazer aquele tipo de comentário de quem ameaça, sem assumir o risco. A estratégia ia irritando tanto a nós, que tentávamos nos desvencilhar de Scalccioni – conhecido por ter intermediado a transferência de Ancheta para o futebol brasileiro – quanto (e principalmente) à comissão técnica gremista. Resultado: o técnico Evaristo de Macedo saiu do sério e, dedo em riste, gritou alto: – O senhor fique calado e não se aproxime de nenhum de meus jogadores.

UMA RUIDOSA RECEPÇÃO
Na noite que antecedeu o jogo ninguém dormiu antes da 1 da madrugada, nas cercanias do El Corregedor. Antes a passividade dos policiais, torcedores argentinos batiam tambores e soltavam foguetes. Mas, naquela ocasião, o clima era de uma intimidação provinciana, que em nada fazia prever aquilo que se viu na hora da partida. Até então, todos encararam esta provocação com naturalidade e isso não chegou a perturbar o ambiente. Exceto para os moradores locais.

TRANSMISSÃO AMEAÇADA
A chegada dos brasileiros ao Estádio Jorge Hirschi, precedida de um enorme aparato militar, foi – diante do quadro geral – até tranquila. Os problemas surgiram depois. Os selvagens torcedores começavam a aprontar. Com a ajuda de canivetes e isqueiros, cortaram os cabos das duas emissoras gaúchas – Rádio Gaúcha e Rádio Guaíba – que cobriam a partida. Um dos repórteres ainda tentou reagir, puxando o fio. Mas era tarde. Lá se iam 25 metro de cabo, com microfone e tudo.

EM CAMPO, A VIOLÊNCIA
O jogo foi exatamente como as emissoras de rádio descreveram. Truncado. violento, nervoso e desleal. Os entre-choques eram constantes. O primeiro deles aconteceu quando João Antônio e Trotta — autor do gol do Estudiantes — trocaram pontapés. Os dois foram expulsos, Minutos depois, foi a vez de Ion levar uma cotovelada de Centurión. Maurício tirou satisfações, foi ofendido, agrediu o adversário. Cartão vermelho para ambos. Os foguetes são jogados a toda hora sobre o goleiro Gomes. No segundo tempo, o árbitro chileno chega a determinar o encerramento do jogo, mas volta atrás. Nílson e Yorno trocam agressões, Caio — que foi apartar — é covardemente agredido pelo goleiro. Mais duas expulsões. Finalmente, quando o Grêmio equilibra e até se supera no jogo, com João Marcelo como destaque, vem o castigo. Enrique Marin tira o zagueiro e o segundo gol torna-se inevitável.”

FUGA NA MADRUGADA
Diante das cenas de selvageria, um radialista gaúcho estava decidido a dormir na cabine e esperar que não houvesse um “pincharrata” sequer num raio de vários quilômetros. Aí, sim, voltaria ao hotel. Uma fuga do estádio. Sim, fuga! Escondidos, os jornalistas que estavam no 57 y 1 (como é conhecido o Estádio Jorge Hirschi) saíram sem poder falar muito, para não chamar a atenção. E finalmente, tudo estava terminado. Fim da guerra. Voltamos a ser “hermanos”. O engraçado é que fomos para cobrir um jogo de futebol, não uma revolução portenha. Mas o futebol fica para a próxima.”

UM ‘CORREDOR POLONÊS’
A entrada do jogadores gremistas no gramado foi um capitulo à parte. Para oferecer maior segurança, os argentinos costumam usar um túnel Estava tudo pronto para a sua utilização, quando os cabos que alimentavam o ventilador foram rompidos. O jeito foi entrar correndo ante uma chuva de toda a sorte de objetos, numa especie de “corredor polonês”, tentando se esquivar das agressões. sem qualquer proteção da polícia de choque, amedrontada demais para isso.

COMEMORAÇÃO E SARCASMO
No restaurante do Catio (La Taba) – um bom amigo que fizemos, o único – uma hora da manhã e a ópera tem seu capítulo final e mais sarcástico. Entramos conversando – finalmente – e mal nos recomposemos, quando percebemos a presença de alguns “inchas de Estudiantes”. Entramos sorrindo (que remédio!) e recebemos a informação em primeira mão: – Os jogadores estão no andar de cima, comemorando a vitória e gostariam de tirar um foto com vocês. Tiramos.
E a ironia continua. Na mesa ao lado, quem comemora a vitória é o Comissário de Polícia Geral de La Plata e seu primeiro escalão. Enquanto isso, no Hotel Corregedor, onde se hospedou o Grêmio, um policial segurava um lenço ensanguentado junto à orelha esquerda, marca da “guerra”.(Antonio Bavaresco – Zero Hora – 10 de novembro de 1990)

1990 estudiantes 2x0 gremio fernando gomes zh

IMPRENSA LOCAL FAZ ELOGIOS
O El Dia, único jornal diário da cidade de La Plata, encarnou a garra e o espírito dramalhesco dos jogadores do Estudiantes, e ontem, dia seguinte à vitória sobre o Grêmio, estampou a seguinte manchete: “Classificação custou sangue, suor e lágrimas ao Estudiantes”. Saudava a conquista e valorizava pouco as agressões dos jogadores e a violência da torcida. Os jornais da capital argentina, Buenos Aires, foram menos emocionais e mais informativos. O Clarin contou que o “Estudiantes passou de fase em partida acidentada”, e na crônica do jogo referiu-se a “fatos lamentáveis”, “batalha campal”, e a “abundância de agressões”. Desgraçadamente, disse o jornal, tiveram êxito aqueles que criaram um clima de guerra, entre estes os próprios gremistas, em especial os torcedores, que “maltrataram os jogadores do Estudiantes em Porto Alegre”. O La Nacion, também de Buenos Aires, seguiu a mesma linha critica. “Estudiantes se impôs ao Grêmio e é semifinalista”, disse na manchete, comentando nas linhas seguintes que os torcedores argentinos haviam recebido o Grêmio com bombas e todo o tipo de projéteis. “Mandaram os nervos”, resumiu, elogiando apenas um fato: o de o Estudiantes ter perseguido sempre a vitória, único aspecto positivo de uma noite violenta.” (Zero Hora – 10 de novembro de 1990)

GRÊMIO MORRE NA BATALHA DE LA PLATA E ESTÁ FORA
Sonho da Supercopa terminou em meio a uma verdadeira selvageria. Sete jogadores foram expulsos. Eliminação veio no último minuto
E a guerra que estava prevista em La Plata acabou se confirmando ontem à noite. O Grêmio não teve forças para sair vivo da cidade argentina e assim permanecer na Supercopa deste ano. A derrota por 2 a 0 para o Estudiantes elimina o time gremista da competição, ao lado de Santos e Cruzeiro. O jogo teve sete expulsões e muita confusão, com lances de agressão e brigas generalizadas entre jogadores e dirigentes. Os gols foram de Trotta e Peinado, um em cada tempo.
Além de lutar contra a violência do adversário e a fúria da torcida argentina, o Grêmio ainda teve pela frente a fraca arbitragem chilena que prejudicou a equipe brasileira. Logo nos primeiros 20min parecia que o jogo ia ser tranquilo. A partir daí não houve mais futebol. O Estudiantes, que em Porto Alegre havia dado mostras da sua deslealdade, agredia covardemente os jogadores gremistas tentando intimidá-los. O arbitro Enrique Marin fazia vistas grossas mas não deixou de expulsar dois jogadores de cada lado no 1º tempo.
Para o 2° tempo, o clima piorou. O gramado que já parecia mais um campo de batalha foi alvo de foguetes a pedras, além do reservado gremista ser atingido com um tijolo. O jogo chegou a ser paralisado por 5min. No recomeço, o Grêmio, com mais preparo físico, voltou pressionando mas sem criar chances de gol. No final, o Estudiantes reagiu e depois de Gomes ter operado dois milagres, Peinado, aos 44min, aparando um rebate de fora da área, decretou o placar final. Agora resta ao tricolor pensar no Campeonato Nacional.” (Pioneiro, 9 de novembro de 1990)

1990 joao antonio b - CópiaFotos: Fernando Gomes (Zero Hora)

Estudiantes 2×0 Grêmio

ESTUDIANTES: Yorno, Ramírez, Iribarren, Pratola, Erbin, Trotta, Peinado, Commiso, Capria (Aredes), Bello (Sanelli), Centurión
Técnico: Humberto Zuccarelli

GRÊMIO: Gomes, Alfinete, João Marcelo, Íon, Hélcio (Biro-Biro), João Antonio, Jandir, Caio e Assis; Mauricio e Nilson.
Técnico: Evaristo de Macedo

Supercopa 1990 – Quartas de final – Jogo de volta
Local: Estádio Jorge Luis Hisrch, em La Plata (ARG)
Data: 8 de novembro de 1990, 21h30min
Árbitro: Enrique Marin (Chile)
Auxiliares: Gaston Castro e Ivan Guerreiro (Chile)
Cartões amarelos: João Marcelo, Gomes, Ion, Caio, Hélcio e Jandir; Bello, Trotta e Erbin
Cartões vermelhos: João Antonio, Mauricio, Nilson e Joao Marcelo; Trotta, Centurion e Yorno
Gols: Trotta, aos 16 minutos dos primeiro tempo; e Peinado, aos 44 minutos do segundo tempo.

Libertadores 1990 – Grêmio 0x0 Cerro Porteño

April 30, 2018

1990 cerro casa libertadores Lemyr Martins Placar

A primeira vez que o Grêmio recebeu o Cerro Porteño em casa foi em 27 de abril de 1990, pela última rodada da fase de grupos da Libertadores daquele ano.

O tricolor, comandado por Evaristo de Macedo, precisava de uma vitória simples para avançar para a próxima fase (3 das 4 equipes de cada grupo passavam para as oitavas de final) mas o time não saiu do 0x0 no Olímpico.

1990 cerro casa JORNAL DO BRASIL

“GRÊMIO É ELIMINADO PELO CERRO

A euforia dos jogadores do Cerro Porteño ao final do 0 a 0 contra o Grêmio, no Estádio Olímpico, mostra bem o que representa, para paraguaios e outros sul-americanos, a Taça Libertadores da América. A garra, o bom senso de marcação e alguma sorte valeram a eles a classificação, em pleno Brasil, para a segunda fase da competição. O Grêmio, que em seis jogos só ganhou um, terminou esta etapa em último lugar, num grupo de quatro equipes, que classificava três, e esta eliminado.

O tricolor gaúcho bem que tentou, muito mais na base do abafa do que na técnica. Teve lá as suas chances. Na fase inicial, Alfinete, Cuca e Nilson perderam gols. O Cerro, com 10 homens na defesa, tratava de tirar o perigo de sua área de qualquer jeito – tarefa facilitada pela irritante insistência do Grêmio em tentar o chuveirinho.

Na fase final, não adiantou nem o apoio da torcida. Aos 22 minutos,  no lance de maior perigo para os paraguaios, Nilson entrou pela direita e chutou na trave. Fora isso, o bom goleiro Roberto Fernandez teve mais trabalho cortando os cruzamentos do que em defesas difíceis. No último minuto, outro exemplo da determinação (premiada) do Cerro: antes da cobrança do córner, os jogadores pediam raça uns aos outros

O Grupo Cinco terminou com o Olimpia, também do Paragauia, em primeiro lugar (sete pontos). O Cerro veio em segundo, com seis, como o Vasco, mas fez mais gols que o time carioca – oito contra cinco. Agora, em agosto, o Vasco pega o Nacional, de Medellin, atual campeão.” 
(Jornal do Brasil – 28 de abril de 1990)

jornal dos sports 1990 abril 28 gremio cerro

GRÊMIO FORA DA COMPETIÇÃO

Incompetência. Assim pode ser explicado o empate em O a O do Grêmio de Porto Alegre, ontem, no Estádio Olímpico, diante do Cerro Porteño, do Paraguai, time que em momento algum demonstrou interesse pelas jogadas eficientes de ataque, senão em míseros contra-ataques propiciados pelo clube gaúcho.

O Grêmio perdeu-se em toques excessivos e jogadas em profundidade que encontravam uma severa retranca paraguaia.

O time paraguaio chegou a Porto Alegre disposto a obter o empate que o classificava na segunda etapa da Taça Libertadores da América e conseguiu. Assim, Sanabria e Palacios ficavam bem abertos pelas extremas e o restante do time atras, esperando a retomada da bola. Esta era feita até com relativa facilidade, pois que os jogadores do Grêmio insistiam em carregar a bola em demasia. Houve momentos em que dois paraguaios cercavam um brasileiro, normalmente Paulo Egídio ou Lino, os donos da bola, além de Alfinete em desastradas subidas ao ataque. Poderiam jogar a noite toda que o gol não sairia.

O Grêmio jogou com Mazaropi; Alfinete, Vilson, Luis Eduardo e Hélcio; João Antonio, Lino e Cuca; Darci (Almir), Nilson e Paulo Egldio. O Cerro Porteño com Fernandes; Barrios, Cristaldo, Rivarola e Jacquet; Garay, Rívero e Sortelo; Battaglia (Struway), Sanabria e Palacio (Peres).

(Jornal dos Sports – 28 de abril de 1990)

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“GRÊMIO ELIMINADO PELOS PARAGUAIOS

Ninguém esperava, mas o Grêmio empatou novamente ontem, no Olímpico, desta vez contra o Cerro, em O a O. O resultado, combinado com a vitória vascaína sobre o Olímpia, eliminou o Grêmio precocemente da Libertadores, numa grande frustração para seus torcedores

Aquilo que parecia uma barbada acabou se transformando numa tragédia, e os mais de 20 mil torcedores que compareceram ao Olímpico no início da noite de ontem deixaram o estádio decepcionados com a apresentação do time de Evaristo de Macedo e a precoce desclassificação do Grêmio da Taça Libertadores, ao empatar com o Cerro, do Paraguai, em O a 0. Numa chave de quatro clubes, onde Três se classificaram, o Grêmio acabou ficando em último lugar.

O time gremista entrou era campo sabendo que precisava vencer a partida, pois, com a vitória do Vasco sobre o Olímpia, por 1 a 0, ocorrida na tarde de ontem, em São Januário, Vasco e Olimpia garantiram classificação para a outra fase da Libertadores. O Grêmio iniciou a partida com quatro pontos, um a menos que o adversário, sabendo que um empate o afastava da competição.

Porém, o time gremista não pensava encontrar um adversário bem postado, tem do no goleiro Fernandes o melhor jogador da partida, ao fazer excelentes defesas. O Grêmio teve uma grande chance de gol no primeiro tempo nos pés de Cuca, aos 36min. Porém, a individualidade do meio-campista determinou que o arqueiro Fernandes fizesse excelente defesa. Nilson, quase no final da etapa inicial, acabou perdendo outra oportunidade.

No segundo tempo, o técnico Evaristo tirou Darci do time c colocou Almir em seu lugar. Mesmo assim, o time continuou errando as jogadas de meio-campo, principalmente na aproximação com o ataque. O Grêmio era um time que não conseguia se encontrar em campo. Aos 32min, o técnico colocou em campo Nando, em substituição a Lino. Com dois centroavantes parecia que o time de Evaristo iria furar o bloqueio do Cerro, mas aconteceu o contrário, pois foi o time do Paraguai que começou ameaçar a meta de Mazaropi.

Muito abatido após a partida, Evaristo inocentou o grupo pela desclassificação. “O nosso time foi brilhante na partida contra o Olímpia. Porém, não conseguimos um melhor resultado naquele jogo. Foi ali que começou a desclassificação do time” afirmou.”

(Pioneiro – 28 de abril de 1990)

1990 cerro casa folha de hoje Paulo Dias folha de hoje
Fotos: Lemyr Martins (Placar) e Paulo Dias (Folha de Hoje)

Grêmio 0x0 Cerro Porteño

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinete, Luis Eduardo, Vílson e Hélcio; Lino, João Antônio, Cuca e Darci (Almir 46); Paulo Egídio (Nando 32 do 2º tempo) e Nílson
Técnico: Evaristo de Macedo

CERRO PORTEÑO: Gato Fernandez; Teófilo Barrios, Blás Cristaldo, Catalino Rivarola e Justo Jacquet; Pedro Garay, José Riveros e Juan Battaglia; Gustavo Sotelo, Miguel Sanabria (Estanislao Struway 43 do 2ºT), e Emelio Palácios (Mauricio Pérez 37 do 2ºT).
Técnico: Sérgio Markarián

Copa Libertadores da América 1990 – Grupo 5 – 6ª Rodada
Data: 27 de abril de 1990, sexta-feira, 18h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre – RS
Público: 19.659 pagantes
Renda: Cr$ 3.609.540,00
Árbitro: Roberto Otello (URU)
Assistentes: Ernesto Fillipi e José Nieves
Cartões amarelos: Luís Eduardo, João Antonio, Fernandez, Garay, Riveros e Palacios

Libertadores 1990 – Cerro Porteño 3×1 Grêmio

April 17, 2018

1990 Libertadores Cerro Porteno 3x1 Grêmio Cuca Valdir Friolin Zero Hora

O primeiro confronto entre Cerro Porteño e Grêmio pela Libertadores aconteceu em 30 de março de 1990,  no Defensor Del Chaco.

O jogo era válido pela 3ª rodada do Grupo 5. O tricolor estreara com vitória contra o Vasco em casa, mas perdeu para o Olimpia em Assunção na segunda rodada.

O Cerro, que contava com Catalino Rivarola na sua defesa, ganhou de virada, sendo que o placar de 3×1 foi todo construído no segundo tempo. O resultado negativo e o mau futebol apresentando no Paraguai acabou resultando na demissão do técnico Paulo Sérgio Poletto na volta do Grêmio para Porto Alegre.

1990 Libertadores Cerro Porteno 3x1 Grêmio paulo egidio b Valdir Friolin Zero Hora
Fotos: Valdir Friolin (Zero Hora)

“GRÊMIO PERDE QUATRO PONTOS E A VOZ
Cerro virou o placar, 3 a 1, Poletto mexeu errado outra vez e os jogadores recusaram—se a falar no Paraguai. O Olímpico vai ferver
O Grêmio mudou o time, trocou de camisa, entrou em campo cumprindo um ridículo pacto de silêncio contra a imprensa gaúcha (como se fosse ela a culpada pelo mau futebol da equipe), mas nada disso adiantou. Voltou a perder, desta vez para o Cerro Portenho, por 3 a 1, e ficou numa situação ruim no grupo 5 da Libertadores da América, com apenas dois pontos em três jogos. Foi a terceira derrota em nove dias, e o técnico Poletto volta a Porto Alegre ameaçado de perder seu cargo, prova maior da crise que se abateu sobre o clube.
Isso que a disposição do Grêmio contra o Cerro foi bem diferente daquela apresentada contra o Olímpia, na terça-feira. Ontem a equipe estava mais corajosa, mais ofensiva, e através de uma intensa movimentação de Darci e Paulo Egídio, conseguia atacar com frequência. Só não atingia melhores resultados porque Nilson, perdido no comando do ataque, não acompanhava a boa produção dos ponteiros. Neste primeiro período do jogo, a equipe só foi ameaçada pelos paraguaios numa única oportunidade, aos 32 minutos, quando o árbitro não assinalou impedimento de Jacquet e o lateral, na cara de Mazaropi, chutou mal, para fora.
No segundo tempo, um jogador que estivera “apagado” no primeiro, começou a se destacar: Cuca. Ele concluiu com perigo aos 9 minutos, e fez um gol aos 10. Parecia que a vitória se consolidaria com facilidade. Mas o Cerro, com uma disposição que não tivera no início, foi para cima, e aos 22 minutos, através de Sanabria (que substituíra Perez), conseguiu o empate. Torcedores e jogadores paraguaios enlouqueceram, assustaram os gremistas, e um minuto depois Garay conseguia o segundo gol. Virada. Aos 42 minutos Sanabria voltou a marcar, consolidando a vitória. O fracasso gremista no Paraguai foi completo. Ainda pela Libertadores, no Equador o Emelec empatou com o Petrolero em 2 a 2″ (Antonio Celso Sampaio – Enviado ao Paraguai – Zero Hora 31 de março de 2018)

“O Engano de Assunção
Quem leu as livros de Edgar Allan Poe sabe que o escritor norte-americano era mestre em criar histórias de terror, perseguições, de assombrações. Pois parece que os jogadores do Grêmio gostam muito do mestre maldito da literatura universal. Tanto que resolveram entrar para a galeria de seus personagens e encenaram a montagem de uma peça que tem como argumento a perseguição da imprensa ao grupo de atletas. Como nas páginas de Poe, eles vêem fantasmas onde não existem e sombras nascidas de uma única palavra: covardia, que foi usada pelo repórter Sérgio Boaz, da Rádio Gaúcha, no final da partida contra o Olímpia.
Parece que os jogadores não entenderam o contexto em que a palavra foi mencionada e inverteram tudo. Ela não quis caracterizar os atletas como homens acovardados, medrosos, mas pretendeu definir a omissão ofensiva da equipe em campo, a satisfação com o empate num jogo que se tivesse o ritmo forçado poderia ter rendido os dois pontos e a liderança do grupo consolidada. O que se referia ao plano tático foi levado para o lado pessoal. Triste engano.
O resultado foi a indignação e a lei do silêncio os jogadores resolveram não dar mais entrevistas a nenhum jornalista brasileiro em Assunção. Para os repórteres um prejuízo provocado pelo lamentável erro de interpretação acontecido depois de uma derrota dolorosa, no calor dos acontecimentos e mantido do, conto quem insiste em ver fantasmas e terror. Todos querem vitórias gaúchas. Isso traz prestigio para as próprios jogadores. Quem sabe os do Grêmio deixam as assombrações para os livros de Edgar Poe, cerram as cortinas desta peça sem humor e põem os pés no chão? Especificamente no gramado, ali é o lugar de se dar as resposta, com belas jogadas e gritos de gol. E nunca com o silêncio, como em Assunção” (Antonio Celso Sampaio – Enviado ao Paraguai – Zero Hora 31 de março de 2018)

“Gols:  para o Grêmio, 1 a 0 aos 10 minutos do segundo tempo – Paulo Egídio cobrou escanteio, Nilson desviou e Cuca, caindo, chutou para marcar.

Sanabria para o Cerro Portenho, 1 a 1 aos 22 minutos do segundo tempo — O jogador paraguaio, que substituíra Perez, se livrou com facilidade da zaga e chutou forte no canto direito.

Garay para o Cerro  Portenho, 2 a I aos 23 minutos do segundo tempo — Outra falha da confusa zaga gremista. A bola sobra para Garay que chuta sem defesa para Mazaropi.

Sanabria para o Cerro Portenho, 3 a 1 aos 42 minutos do segundo tempo — Após falta, Palacios desviou de cabeça e Sanabria completou para as redes.” (Zero Hora 31 de março de 2018)

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Cerro Porteño 3×1 Grêmio

CERRO PORTEÑO: Roberto Fernandez; Teófilo Barrios, Blás Cristaldo, Catalino Rivarola e Justo Jacquet,; Pedro Garay, José Riveros e Juan Battaglia; Mauricio Pérez (Miguel Sanabria 15 do 2ºT), Emelio Palácios e Ceferino Villagra
Técnico: Sérgio Markarián

GRÊMIO: Mazaropi, Alfinete, Luis Eduardo, Vílson e Hélcio; Jandir, Darci (Assis 23 do 2ºT), Cuca e Geverton (Nando 37 do 2ºT); Paulo Egídio e Nílson.
Técnico: Paulo Sérgio Poletto

Copa Libertadores da América de 1990 – Grupo 5 – 3ª Rodada
Data: 30 de março de 1990, sexta-feira, 21h00min
Local: Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, Paraguai
Árbitro: Oscar Ortubé (BOL)
Auxiliares: Jorge Antequera e Mario Prado
Gols: Cuca, aos 10 minutos; Sanabria, aos 22; Garay, aos 23 e Sanabria aos 42 minutos do segundo tempo

Brasileirão 1990 – Grêmio 1×0 São Paulo

October 2, 2014
Como se avizinha mais um jogo de Grêmio e São Paulo no Brasileirão, acho válido lembrar mais um episódio da história desse confronto. Em 1990, vinte times disputaram o Campeonato Brasileiro. A fórmula da competição, conforme o Bola na Área, era a seguinte: “A fase de classificação é dividida em dois turnos. No primeiro, o Grupo A enfrenta o B. No segundo os jogos são dentro dos próprios grupos. O vencedor de turno em cada grupo e os outros quatro clubes de melhor campanha no geral, seguem para as quartas-de-final.
Pois na primeira fase, o Grêmio não só foi o vencedor do Grupo B no 1º turno como também teve a melhor campanha no geral. Nas quartas de final o time comandado por Evaristo de Macedo passou pelo Palmeiras, em dois jogos bastante tensos, com direito a uma dantesca cena  de um Frei tentando conter a briga entre a Brigada Militar e a torcida Palmeirense na partida de volta no Olímpico.
Todo esse furdunço visto nas partidas contra o Palmeiras serviu como estopim para um guerra de declarações e bastidores para a semifinal entre Grêmio e São Paulo. O encontro de ida, no Morumbi, de fato foi quente, com o São Paulo fazendo 2×0 num jogo em que aconteceu uma batalha campal e com Márcio Rezende de Freitas deixando de dar um pênalti claro para o Grêmio.
Eduardo Farah, presidente da Federação Paulista, disse que a partida de volta  era de “alto risco” e pediu para que a CBF enviasse observadores para Porto Alegre. Evaristo se indignou com uma fala parecida de Telê sobre o tema. Enquanto isso, Rubens Hoffmeister, ignorava tudo o que acontecia, uma vez que estava com relações rompidas com o Grêmio. Pressionada, a CBF tomou a polêmica medida de escalar o juiz Carlos Wilson dos Santos, um carioca filiado à Federação Paulista, para o jogo no Olímpico. O Grêmio se revoltou, não só pela escolha, como também pelo fato de ter sido informado depois do São Paulo sobre o que fora decidido.
Pelos relatos, o jogo não foi tão violento como se previa. O Grêmio conseguiu abrir o marcador aos três minutos do segundo tempo, com Maurício aproveitando bom passe de Darci para driblar Zetti e tocar pro fundo das redes. Contudo o segundo gol, que traria a classificação, não aconteceu. Os jogadores gremistas reclamaram muito de dois pênaltis não marcados, um em Alfinete e outro Maurício (O segundo me pareceu claro). Assim o São Paulo avançou para a final, onde faria um confronto paulista com o Corinthians (para delírio da TV Bandeirantes, que havia comprado os direitos de transmissão daquele torneio com exclusividade)

“O Grêmio enfrentou dois adversários na vitória de 1 a 0 sobre o São Paulo, sábado à tarde, no Olímpico: Seu escasso futebol e a CBF, que indicou o árbitro Wilson Carlos dos Santos, um carioca que trabalha na Federação Paulista de Futebol. Ele deixou de marcar dois pênaltis a favor da equipe gaúcha, sobre Alfinete e Maurício.” (Correio do Povo – 10 de dezembro de 1990)
“O jogo foi tranquilo, sem lances de violência, e os poucos cartões amarelos utilizados pelo juiz Wilson Carlos Santos foram em razão de reclamações e atitudes antidesportivas, negando totalmente as declarações dos paulista, que anteviam muitos problemas” (Jornal do Brasil, 10 de dezembro de 1990)
“O ex-presidente da Cobraf (comissão Brasileira de Arbitragem do Futebol) e indicado como observador pela CBF para a partida, Áulio Nazareno, foi diplomático: “Não posso comentar porque não vi o lance. E se tivesse visto, não poderia comentá-lo por uma questão de ética”. Mas, segundo depoimento do radialista Silvio Almeida, da rádio Gaúcha, no momento do lance Áulio comentou: “Que barbaridade”. (Jornal do Brasil, 10 de dezembro de 1990)
“O diretor de futebol Túlio Macedo também reclamou. “Não tenho nada contra a pessoa do sr. Wilson Carlos dos Santos, mas o fato de ele pertencer à Federação Paulista nos faz pensar”” (Folha de São Paulo, 10 de dezembro de 1990)

Fontes: Bola na Área, Correio do Povo, Folha de Hoje, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, Revista Semana em Ação, Pioneiro e Zero Hora

Grêmio 1×0 São Paulo

 

GRÊMIO: Sidmar; Alfinete, João Marcelo, Vilson e Hélcio (Biro-Biro); João Antônio, Donizete, Caio e Assis; Maurício e Nilson (Darci)
Técnico: Evaristo de Macedo

SÃO PAULO: Zetti; Cafu, Antônio Carlos, Ivan e Leonardo; Flávio, Bernardo e Raí; Alcindo (Ronaldo), Eliel e Elivélton
Técnico: Telê Santana

Brasileirão 1990 – Semifinal – Jogo de volta
Data: 8 de dezembro de 1990, Sábado, 18h00min
Local: Estádio Olímpico em Porto Alegre-RS
Público: 40.167 pagantes
Renda: Cr$ 23.227.500,00
Árbitro: Wilson Carlos dos Santos
Cartões Amarelos: Cafu, Alcindo e João Antônio.
Gol: Maurício, aos 3 minutos do segundo tempo

1990 – Brasileirão – Grêmio 2×0 Palmeiras

June 21, 2012

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“Uma pequena tentativa de reação do adversário parou com a saída de Betinho, machucado, logo aos 27 minutos, quando entrou Mirandinha. O Grêmio por pouco não se complicou, indo muito ao ataque quando o placar de 1 a 0 já era suficiente”
(Correio do Povo – 3 de dezembro de 1990)

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O gol logo no início destastabilizou o esquema defensivo armado pelo técnico Dudu. Ele não contava com a falha de seus zagueiros na cobrança de uma falta lateral. Vílson subiu sem marcação, aproveitou a hesitação do goleiro Veloso e cabeceou para baixo, aos 8min. O Palmeiras anda teve a chance do empate em seguida, mas Erasmo perdeu.

[…]

O Palmeiras forçou no segundo tempo e foi surpreendido no contra-ataque. Caio deu um “chapéu” em Eduardo e chutou rasteiro. Veloso rebateu e Nílson fez o segundo gol, aos 19min.” (Folha de São Paulo – 2 de dezembro de 1990)

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“O lateral-direito Odair disse: “Tomamos o gol no momento errado, logo no início. Perdemos para uma grande equipe, a que tem melhor camapnha no campeonato. O Grêmio merece o título”, disse Odair, que não viu falha no gol de Vílson, “Foi mérito dele, que entrou nem e subiu para cabecear” (Folha de São Paulo – 3 de dezembro de 1990)

 

 

E o povo não se arrependeu. Em Porto Alegre viu um Grêmio irresistível, partindo para cima do Palmeiras sem dar a menor chance aos paulistas” (Juca Kfouri)

 

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No intervalo da partida contra o Palmeiras, sábado, o técnico gremista endureceu com o atacante Caio: “Por que você logo cai quando o zagueiro se aproxima?”, prensou para o logo em seguida ordenar: “Nada de chão, tente o drilbe, vá em frente”. Aos 19 minutos do segundo tempo, Caio fugiu das faltas dos adversários e praticamente construiu sozinho o 2×0 de sua equipe. Exemplo de obstinação que, em verdade, parte do zagueiro João Marcelo, e dois meias Jandoir e Donizete. Disciplinados, eles parecem dizer a cada lance aos companheiros: “Dureza neles, pessoal”. (Revista Semana em Ação – 1990)

O JOGO: O Grêmio encurralou o Palmeiras até marcar o primeiro gol. Depois recuou e passou a fustigar o adversário em agudos contragolpes, até fazer o segundo. O verdão lutou muito, mas sem inspiração. (Revista Semana em Ação – 1990)

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Fontes: Correio do Povo, Zero Hora, Semana em Ação, Folha de São Paulo, Pioneiro e Folha de Hoje

 

Grêmio 2×0 Palmeiras

GRÊMIO: Sidmar; Alfinete, Vílson, João Marcelo e Hélcio; Jandir (João Antônio), Donizete Oliveira, Caio e Assis;Maurício e Nílson
Técnico: Evaristo de Macedo

PALMEIRAS: Velloso; Odair, Toninho, Eduardo e Abelardo; Júnior, Erasmo (Bandeira) e Ranielli; Jorginho, Careca Bianchesi e Betinho (Mirandinha)
Técnico: Dudu

Campeonato Brasileiro 1990 – Quartas de Final – Jogo de volta
Data: 1º/dezembro/1990
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 41.235 (36.005 pagantes)
Renda: Cr$ 18.486.200,00
Juiz: Joaquim Gregógio dos Santos (CE)
Cartão Amarelo: João Marcel, Mauricio e Abelardo
Gols: Vílson, aos 8 minutos do 1ºTaos 8 minutos do 1ºT e Nílson aos 19 minutos do 2º tempo

1990 – Brasileirão – Palmeiras 1×0 Grêmio

June 21, 2012


“O certo é que o Grêmio não teve futbeol para superar o Palmeiras. No primeiro tempo o time de Evaristo confundiu apatia com demonstração de tranqüilidade. O meio-campo perdeu todas as divididas. Era tanto medo de sofrer gol, que o Palmeiras foi pra cima e por pouco não fez o seu. Curiosamente, no segundo tempo, quando o Grêmio voltou mais corajoso e aplicado, o Palmeiras fez
o gol da vitória. O Grêmio tinha o controle do jogo, mas ainda estava tímido na frente. Culpa siua e do árbitro Bregalda, que anulou todos os contra-ataques gaúchos. Mas aos 38 minutos veio o pênalti desnecessário de Alfinete. Mal colocado, Bregalda não viu o bandeirinha marcar impedimento no lance. Careca bateu e fez 1 a 0, deixando o Palmeiras em condições de jogar por um empate em Porto Alegre. ” (Correio do Povo -26 de novembro de 1990)

O JOGO: O palmeiras soube superar a truculência do time gremista com um futebol de muita determinação. Amparado pela torcida que lotou o Parque Antártica, buscou o gol desde o começo da partida. O pênalti veio coroar o esforço do time e compensar as falhas na finalização. (Revista Semana em Ação – 1990)


“Tapas e socos

O clima de guerra entre Palmeiras e Grêmio cristalizou-se no primeiro tempo: o palmeirense Careca levou um chute por trás de Maurício, depois de cometer uma falta dura em Nílson. Irritado, partiu para cima do gremista e lhe deu um soco na nuca. De troco, recebeu outro na cara. “Não estamos para brincadeira”, disse Careca. “Quem bater, vai levar.” Maurício também tinha explicações para a briga. “Fase final é assim…Todo mundo quer vencer, mesmo no tapa” (Revista Semana em Ação – 1990)

“Na briga perdi por 2 a 1, mas ganhei dois pontos” Careca Bianchesi


“O Palmeiras sofreu para conseguir os dois pontos comemorados por Careca. O gol da vitória surgiu só aos 39 min do segundo tempo. Deois de receber lançamento de Bandeira, Careca driblou Alfinete e foi derrubado na área. Ele mesmo cobrou e fez o seu décimo gol no campeoanto, igualando-se na artilharia a Caio, do Grêmio, e Charles, do Bahia, que não marcaram na rodada de sábado. O resultado positivo não foi conquistado com maior tranquilidade em razão de dois jogadores canhotos inábeis para chutar com o pé direito: Marcelo e Bandeira, os substituos de Betinho, que não se recuperou da entorese no joelho.”
(Folha de São Paulo – 26 de novembro de 1990)


Palmeiras 1×0 Grêmio

PALMEIRAS: Velloso; Odair, Toninho, Eduardo e Dida; Júnior, Erasmo e Ranielli; Jorginho, Careca Bianchesi e Marcelo (Bandeira)
Técnico: Dudu

GRÊMIO: Sidmar; Alfinete, Vílson, João Marcelo e Hélcio; Jandir (João Antônio), Donizete Oliveira, Caio e Assis; Maurício e Nílson
Técnico: Evaristo de Macedo

Campeonato Brasileiro 1990 – Quartas de Final – Jogo de ida
Data: 24/novembro/1990
Local: Estádio Palestra Itália, em São Paulo-SP
Público: 22.631 pagantes
Renda: Cr$ 13.806.500,00
Juiz: Pedro Carlos Bregalda
Auxiliares: José Loureiro e Sérgio do Nascimento
Cartão Amarelo: Odair, Dida, Hélcio e Donizete

Gol: Careca Bianchesi (pênalti) aos 39 minutos do 2º tempo

Copa do Brasil 1990

June 28, 2008

PRIMEIRA FASE

Jogo de ida – 27/06/1990 – Quarta-feira – 21h00min
Joinville-SC 1×1 Grêmio – Estádio: Ernesto Sobrinho

Gols: Nardela (Joi) e Nílson (Grê)

 

Jogo de volta – 05/07/1990 – Quinta-feira – 17h00min
Grêmio 3×1 Joinville-SC – Estádio: Olímpico
Gols: Paulo Egídio {2} e Cuca (Grê); Joel (Joi)

 

OITAVAS DE FINAL

Jogo de ida – 02/08/1990 – Quinta-feira – 17h00min
Grêmio 1 x 1 São Paulo – Estádio: Beira-Rio

GRÊMIO: Mazaropi; Fábio, João Marcelo, Vilson, Hélcio; Jandir, Darci (Caio), João Antônio, Assis; Nílson, Paulo Egídio.

Técnico: Evaristo de Macedo

SÃO PAULO: Gilmar Rinaldi; Zé Teodoro, Antônio Carlos, Ronaldão, Ivan; Bernardo, Flávio (Edmílson), Betinho (Vizolli), Cafu; Carrasco, Diego Aguirre.
Técnico: Pablo Forlan

Juiz: Dalmo Bozzano
Público: 5,945

Renda: Cr$ 1.696.200,00
Cartões Amarelos: Antônio Carlos, Bernardo, Flávio
Gols: Vilson 27/1T, Diego Aguirre 3/2T

1990 são paulo casa folha



 








Jogo de volta – 05/08/1990 – Domingo – 16h00min

São Paulo 0 x0 Grêmio – Estádio: Morumbi

SÃO PAULO: Gilmar Rinaldi; Zé Teodoro, Antônio Carlos, Ronaldão, Ivan; Bernardo, Flávio, Betinho, Cafu; Carrasco (Raí), Diego Aguirre (Vizolli).Técnico: Pablo ForlanGRÊMIO: Mazaropi; China, João Marcelo, Vilson, Hélcio (Fábio, depois Vander); Jandir, João Antônio, Caio, Assis; Nílson, Paulo Egídio.Técnico: Evaristo de Macedo

Juiz: Luiz Carlos Félix-RJ Público: 6,501
Renda: Cr$ 2.600.400,00
Cartão Amarelo: Raí e João Marcelo
Cartão Vermelho: Betinho aos 19 e Nílson aos 44 do 2º

HISTÓRIA DO SÃO PAULO FC


Fontes: Folha de Hoje, Placar, Gazeta Esportiva e Pioneiro