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Brasileirão 1990 – Inter 0x1 Grêmio

January 24, 2021

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Na segunda rodada do Brasileirão de 1990, o Grêmio venceu o Gre-Nal disputado no Beira-Rio

No lado tricolor era possível ver uma transição da equipe que ganhara o hexa gaúcho meses antes para esse time que seria semifinalista do Brasileirão. Uma das principais mudanças foi no gol gremista, que deixou de ser ocupado por Mazaropi. Naquela tarde, Gomes teve atuação destacada, recebendo uma nota 10 da Zero Hora.

Uma curiosidade foi a presença de Paulo Roberto Falcão no estádio, dez dias após ele assumir o comando da seleção brasileira.

Foto: José Doval (Zero Hora)

NO DIA DAS CARAS NOVAS, VANTAGEM DA EXPERIÊNCIA

Análise técnica

Foi a vitória da maior qualidade sobre o esforço. Quem assistiu ao Gre-Nal de ontem viu o melhor futebol do Grêmio pelo menos até fazer seu gol – Nilson, aos 18 minutos – especialmente no meio-campo onde havia uma perfeita sintonia entre Jandir e Donizete, marcadores, liberando Caio para um ataque forte com a entrada do agressivo Maurício, do matador Nilson e do perigoso Egídio. O Inter levou o gol ao natural, sem criatividade alguma no meio-campo, limitando-se a responder através de escanteios e de jogadas isoladas de Edu. Os chutes foram tentados de todas as distâncias mostrando que o goleiro Gomes era sinônimo de insegurança. Mas ele esteve muito vem e acabou com as esperanças coloradas.

O Inter foi melhor no segundo tempo, quando Alberto cresceu muito de produção e fez a ligação defesa-ataque. E ameaçou ainda mais após as entras de Alex e Hamilton. Mas seguia a falta de qualidade dos laterais. Célio e Ricardo, que não apoiavam, além da falta de maior objetividade de Marcelo Prates, que correu muito e produziu pouco.

Na experiência, tranquilidade e ótima atuação de Gomes, o Grêmio garantiu o resultado. E teve, através de Caio, a grande chance de marcar o segundo gol, depois de um contra-ataque iniciado por Nilson.

 

Análise tática

Quem mudaria o esquema era o Grêmio, a partir da entra de Maurício no lugar de Darci e isso, pelo menos teoricamente, poderia beneficiar o Inter. O desentrosado Inter que, por um erro do seu técnico, surpreendentemente, entrou em campo sem Hamilton e com Marcelo Prates, formação nunca testada durantes os treinos da semana.

Isso foi muito bom para o Grêmio que mostrava uma defesa bem protegida por dois centromédios sem ser molestada diante da falta de um ataque adversário, prejudicado pela ausência da qualidade Hamilton, o que poderia desequilibrar num momento de partida que a bola quase não chegava à frente. Taticamente, o Inter tinha quatro marcadores, enquanto o Grêmio atacava com o mesmo número de jogadores e até tirava proveito disso.

No segundo tempo, Bianchini tentou mudar com o ingresso de Alex. Retirou um centromédio marcador (Júlio) apostou num ponta aberto e deslocou Marcelo Prates para o meio. A resposta de Evaristo veio em seguida com as entrada de Vander e Darci, deixando o time mais cauteloso. O Grêmio suportava bem a pressão, os laterais não mais passavam do meio-campo, mas a verdade é que o Grêmio sempre esperou fazer o segundo gol. Por determinação de Evaristo, Paulo Egídio e um atacante, Nilson e depois Vander, ficaram sempre à frente.”

 

PRINCIPAIS LANCES

6 minutos – Nilson, impedido, marca gol. O árbitro anula, acertadamente.

8 minutos – China cobra falta de longe, com força. A bola raspa a trave. 1

8 minutos-  Paulo Egídio cobra escanteio no primeiro pau, a bola raspa na cabeça de Zaballa e Nilson cabeceia no ângulo esquerdo. Grêmio, 1 a 0.

20 minutos – Edu cobra falta da direita, Júlio cabeceia. Gomes faz grande defesa.

30 minutos – Edu chuta de longe, por cima da goleira

36 minutos – Alberto passa para Edu, que chuta. A bola raspa a trave.

40 minutos – Marcelo Pratas cruza, China, de cabeça salva para escanteio

44 minutos – Edu cobra falta. Gomes defende com segurança.

Segundo tempo:

6 minutos -Edu cobra falta, Gomes espalma para escanteio.

12 minutos – Edu cobra escanteio, Márcio Rossini cabeceia raspando.

15 minutos – Nilson cobra falta de longe, com força. Outra defesa de Gomes.

19 minutos – Prates perde a bola para Nilson, que lança Caio, livre, chuta por cima, já dentro da área

32 minutos – Boa conclusão de Hamilton, por cima

39 minutos – Última tentativa do Inter em obter o empate. Edu cruza da esquerda, com força, mas João Marcelo afasta para escanteio.”  (José Evaristo Villalobos, Zero Hora, segunda-feira, 27 de agosto de 1990)

 

Placar – O JOGO: “O Grêmio confirmou o favoritismo, apesar de jogar bem somente nos primeiros minutos e ter sido muito pressionado no final.” (Tabelão Placar/Revista Semana em Ação, 1990)

“VÍTORIA DO GRÊMIO NO SUL
 Nilson marca e o goleiro Gomes garante o resultado

José Mitchell PORTO ALEGRE — Num Grenal emocionante e muito disputado, apesar da tarde cinzenta e dos nove cartões amarelos, o Grêmio derrotou o Internacional por 1 x O, no Beira-rio, com um gol de cabeça de Nilson, ainda no primeiro tempo. Maurício foi o melhor dos nove jogadores dos dois times que estrearam, mas foi o goleiro Gomes quem garantiu a vitória tricolor. Donizete (ex- Fluminense) teve uma atuação discreta e terminou sendo expulso no seu primeiro clássico no sul.

O publico gaúcho voltou a encher o estádio, motivado por tantas estréias, e proporcionou uma renda superior à Cr$ 10 milhões, com 23 mil pagantes. Nem mesmo a chuva no final do jogo estragou a alegria dos torcedores. Enquanto os gremistas comemoravam a vitória, os colorados, amargando um jejum de título de seis anos, aplaudiam o time, considerado o melhor dos últimos tempos.

 A motivação dos torcedores estava centrada nos novos jogadores e o ponteiro Maurício foi o primeiro a empolgar. Antes dos 10 minutos realizou três excelentes ataques pelas pontas e foi o destaque do primeiro tempo Mas tantas estréias mostraram também times desentrosados. E foi o Inter o maior prejudicado. Prova disso, foi o gol do Grêmio. Aos 18 minutos, Nilson marcou de cabeça, aproveitando uma indecisão dos zagueiros Márcio Rossini e Zaballa.

Na segunda etapa, o Internacional pressionou e obrigou o goleiro Gomes a fazer sucessivas defesas. Aos 15 minutos. Márcio Rossini quase empatou, mas foi o Grêmio, aos 25, que perdeu ótima chance, com Caio, após vencer um zagueiro na corrida e chutar por cima do gol de Maizena. O Internacional até merecia o empate pelo domínio no segundo tempo, mas não teve sorte, apesar dos 10 escanteios a seu favor.” (José Mitchell, Jornal do Brasil, segunda-feira, 27 de agosto de 1990)

 

“UM GRE-NAL DE SATISFAÇÕES

Após a vitória do Grêmio no Gre-Nal de ontem, no Estádio Beira-Rio, o clima nos vestiários era de otimismo. No lado tricolor, pelo resultado e pela liderança do grupo, junto com Cruzeiro e Inter de Limeira. No Inter, apesar da derrota, a esperança de um bom time. A prova disso foram os aplausos ao final da partida pela própria torcida.

O goleiro Gomes, do Grêmio, escolhido como o melhor em campo, muito emocionado, era um dos jogadores mais festejados na saída do gramado. O meia Donizete, que estreava, disse que sua expulsão foi justa por já ter recebido o cartão amarelo. O vice de futebol, Rafael Bandeira, estava eufórico com a vitória, mas ao mesmo tempo, criticava a arbitragem, que, na sua opinião, não deveria ser gaúcha.

Pelo lado colorado, mesmo derrotado, o técnico Orlando Bianchini, que fazia sua estréia, adiantou que o resultado mais justo seria o empate. “Nosso rendimento cresceu após as substituições. Tomamos um gol num momento ruim da partida. Falta apenas um elemento que se aproxime do centroavante”, destacou.” (Pioneiro, segunda-feira, 27 de agosto de 1990)

 

Foto: Marconi Mattos (Folha de Hoje)

 

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Inter 0x1 Grêmio

INTERNACIONAL: Maizena; Célio Lino, Zabala, Márcio Rossini e Ricardo Costa; Caçapava, Júlio (Alex Rossi), Marcelo Prates e Alberto Félix; Edu Lima e Nílson Aragão (Hamílton)
Técnico: Orlando Bianchini

GRÊMIO: Gomes; China, Vílson, João Marcelo e Hélcio; Jandir, Volnei Caio (Vânder) e Donizete Oliveira; Maurício (Darci), Nílson e Paulo Egídio
Técnico: Evaristo de Macedo

Brasileirão 1990 – 1º Turno – 2ª Rodada
Data: 26 de agosto de 1990, domingo, 16h00min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, RS
Público: 23.022 pagantes
Renda: Cr$ 10.341.000,00
Árbitro: José Mocellin
Auxiliares: Urbano Knorst e César Carrasco
Cartões Amarelos: Caçapava, Júlio, Marcelo Prates; Vílson, João Marcelo, Hélcio, Vânder e Maurício
Cartão Vermelho: Donizete Oliveira (36 do 2ºT).
Gol: Nílson, aos 18 minutos do 1º tempo

Copa do Brasil 1990 – São Paulo 0x0 Grêmio

December 28, 2020

Foto: Orlando Kissner (Placar)

Na partida de volta das oitavas de final da Copa do Brasil de 1990 o Grêmio não conseguiu sair do 0x0 com o São Paulo no Morumbi e acabou sendo eliminado da competição.

 

O TORNEIO DOS ERROS
São Paulo Elimina o Grêmio

Aos 14 minutos do segundo tempo, o meia Assis do Grêmio errou um lançamento e presenteou a bola ao são-paulino Carrasco. A torcida vibrou com a possibilidade do contra-ataque, mas logo se enfureceu. O armador uruguaio deixou a bola passar e teve de usar o braço. Num jogo de tantos erros, domingo no Morumbi, só podia mesmo dar 0 x 0, um resultado que classificou o São Paulo para a terceira fase da confusa Copa do Brasil.

O retrato mais fiel dessa confusão era o técnico Pablo Forlan, que, apesar da classificação de seu time, não se mostrava muito entusiasmado depois da partida. “Não sei se preparo o time para a Copa do Brasil ou para o Campeonato Brasileiro”, reclamou o treinador. De fato, o Brasileiro deve iniciar antes do final deste torneio, que ninguém sabe quando vai terminar. Por enquanto, o certo é que o tricolor enfrentará o vencedor de Criciúma x Coritiba (dias 8 e 12). Quem sobrar daí joga contra o Goiás. A outra semifinal também vai custar: Remo x Santa Cruz decidem no próximo dia 10 (a primeira partida foi 0x0) quem disputa com o Náutico. Só depois desses dois jogos, o Flamengo conhecerá seu adversário. Até lá, o Brasileiro já terá iniciado (começa dia 18) e ninguém mais vai prestar muita atenção na Copa do Brasil.

Tanto isso é verdade que, mesmo agora, o público não tem comparecido. Na quinta-feira, menos de 6 000 pagantes foram ao Beira-Rio, em Porto Alegre, para ver o 1 x 1 entre os tricolores. No domingo, o Morumbi recebeu 6 500 torcedores, que devem ter-se arrependido por enfrentar o frio para ver um jogo tão ruim. O Grêmio, sem Cuca (vendido para a Espanha) e sem criatividade no meio-campo, não soube fazer o gol que precisava contra um São Paulo preocupado somente em não sofrer.

Na falta de futebol, sobrou violência. Uma sucessão de cotoveladas e pontapés que culminou com a expulsão do centroavante Nilson no último minuto do jogo. Um fecho digno para uma partida que teve pênalti perdido por Flávio, do São Paulo, contusões dos gremistas Hélcio e Fábio, chutões e muita discussão. Os gremistas, campeões da última Copa do Brasil, saem dela sem deixar saudade. Os são-paulinos, porém, eliminados no Paulistão, ficam sem saber se fizeram um grande negócio.” (Placar, edição n.º 1.051, 10 de agosto de 1990)

 

RETRANCA DO SÃO PAULO ALCANÇA CLASSIFICAÇÃO

O São, Paulo empatou em O a O com o Grêmio, ontem à tarde no Morumbi, e classificou- se para as quartas-de-final da Copa do Brasil. A vaga foi obtida por ter feito um gol na casa do adversário, quinta-feira passada, no empate em 1 a 1 em Porto Alegre (RS).

O próximo adversário do São Paulo sairá do confronto entre Coritiba e Criciúma. O primeiro jogo está marcado para quarta-feira, em Curitiba (PR), e o segundo domingo, em Criciúma (SC). Quem vencer jogará uma das semifinais contra o Goiás. Não há datas definidas pela CBF para os jogos das quartas nem das semifinais.

O técnico uruguaio Pablo Forlan manteve o esquema defensivo com cinco jogadores no meio-campo e apenas um atacante para assegurar o empate, como já havia feito na primeira partida, A tática não deu chance ao Grêmio nem ao próprio São Paulo de jogar ofensivamente,

Num ataque esporádico, o volante Bernardo, um dos três utilizados por Forlan, invadiu a área e foi derrubado pelo zagueiro João Marcelo, campeão brasileiro pelo Bahia em 88. Mas o também volante Flávio chutou o pênalti fraco e para fora, aos 19min do primeiro tempo, No intervalo, ele não arrumou nenhuma desculpa pela cobrança mal feita. “Errei mesmo”, disse.

O trio de atacantes do Grêmio, formado por Paulo Egídio, Nilson e Assis, não passou pela muralha defensiva do São Paulo até ser favorecido pela expulsão do meia Betinho. Ele já tinha recebido um cartão amarelo por colocar a mão na bola quando impediu um contra-ataque gaúcho segurando o lateral China pela camisa. Só então o Grêmio, com um jogador a mais, ganhou força para tentar a vitória.

Mesmo assim, não criou nenhuma chance para marcar. As jogadas ofensivas foram conduzidas sem precisão pelo ponta-esquerda Paulo Egídio. Ora cruzava mal, ora não passava pela marcação do lateral Zé Teodoro ou pela cobertura de Flávio ou do zagueiro Antônio Carlos. A pressão ainda ofereceu alguns perigosos contra-ataques ao São Paulo, que não soube aproveitai-los em Jogadas individuais dos uruguaios Juan Carrasco e Diego Aguirre.

A eliminação iminente levou o centroavante Nilson ao desespero quando, a três minutos do rural, após ser desarmado no meio-campo, agrediu com um soco na cabeça o zagueiro Antônio Carlos. Foi fazer companhia a Betinho, também expulso.

O Grêmio manteve sua rotina neste ano de só se dar bem no campeonato estadual, quando conquistou o hexacampeonato, Além de estar fora da Copa do Brasil, onde lutava pelo bicampeonato, já havia sido eliminado da primeira fase da Taça Libertadores da América, ficando em quarto lugar num grupo com quatro clubes que classificou três, Olimpia e Cerro Porteño, do Paraguai, e Vasco.” (Fernando Santos, Folha de São Paulo, Segunda-feira, 6 de agosto de 1990)

Foto: Orlando Kissner (Placar)

 

GRÊMIO DESPEDE-SE DA COPA DO BRASIL

O Grêmio não teve forças ofensivas ontem à tarde, no Morumbi, e acabou ficando no 0 a 0 com o São Paulo. Com o resultado, o he­xacampeão gaúcho se despede da Copa do Brasil, dando lugar ao São Paulo, que soube segurar-se na defe­sa e garantir o resultado que lhe era favorável. O jogo foi bastante corri­ do, porém muito truncado, com muitas faltas de parte a parte.

A equipe gremista errou muitos passes, foi pouco objetiva no ataque, setor que apresentou muitos problemas na partida de ontem. Até 28 minutos do primeiro tempo, o Grê­mio esteve bem até o meio-de-campo, mas, no ataque, Nílson e Paulo Egídio ficavam isolados, sem alguém que lhes auxiliasse. Já a equi­pe paulista, que prossegue na competição graças ao empate, prendeu muito a bola no meio-de-campo, em­ bolando o setor. Aos 17 minutos do primeiro tempo, o zagueiro João Marcelo, do Grêmio, cometeu pênal­ti em Bernardo, que Luís Carlos Félix, assinalou. Mas Flávio desper­diçou, para alívio da torcida gremista. Para o segundo tempo, o Grêmio veio com mais disposição e melhorou de rendimento, porém os problemas ofensivos continuavam, e, no meio-de-campo, João Antônio apresentava deficiências, pois é um joga­ dor de pouca habilidade. Aos 20 mi­ nutos da segunda etapa, Betinho, do São Paulo, fez falta por trás em China e foi expulso, já que possuía anteriormente o cartão amarelo. O São Paulo estava com dez homens, mas a equipe porto-alegrense não soube tirar proveito disso e acabou tendo o centroavante Nílson expul­so. O empate sem gols acabou sen­do um resultado justo pelo que apresentaram São Paulo e Grêmio.” (Folha de Hoje, 6 de agosto de 1990)

 

GRÊMIO EMPATE DE NOVO E SAI DA COPA DO BRASIL

Campeão da Copa do Brasil de 1989, o Grêmio foi prematuramente eliminado da competição deste ano após dois empates com o São Paulo. O último deles aconteceu ontem: 0 a 0, no Morumbi. Agora o campeão gaúcho pensa no Campeonato Brasileiro e na Supercopa e admite que vai precisar reforçar-se.

O Grêmio, ainda se ressentindo da ausência de Cuca, não conseguiu vencer o São Paulo ontem à tarde, no Morumbi, e acabou eliminado da Copa do Brasil. Com o resultado de O a O, o São Paulo ficou com a vaga em função de ter obtido um empate com marcação de gol em Porto Alegre (1 a 1).

Na 1ª etapa, o jogo foi equilibrado. O são Paulo, especialmente no início, teve algumas chances, enquanto o Grêmio, aos poucos, foi recuperando o terreno. Mas as principais jogadas ofensivas foram do São Paulo. A principal delas aconteceu aos 17min, quando Bernardo realizou boa jogada individual e acabou derrubado por João Marcelo. O árbitro carioca Luís Carlos Félix marcou pênalti que Flávio cobrou muito mal, colocando a bola para fora.

No 1° tempo, as principais jogadas do São Paulo aconteceram com Zé Teodoro, o lateral-direito, que subia para o ataque e não era acompanhado por Paulo Egídio. Na fase final, o Grêmio foi para cima do adversário, pois precisava marcar gols. A equipe do técnico Evaristo de Macedo teve maior volume de jogo, mas pecou nas finalizações. Durante toda esta parte do jogo, apenas em duas vezes o Grêmio esteve próximo da marcação de seu gol.

A tarefa tricolor parecia ter ficado facilitada quando o atacante do São Paulo, Betinho, foi expulso aos 13min. Ao final do jogo, nova expulsão aconteceu. Desta vez, o centroavante gremista Nilson perdeu a calma e partiu para a agressão contra o zagueiro Antônio Carlos, alegando que havia sido atingido antes. Félix não perdoou e expulsou o jogador gremista.

FUTURO

Com a eliminação, o Grêmio passa a preocupar-se com o Campeonato Brasileiro, competição onde estréia no próximo dia 19 jogando contra o Coríntians, em Porto Alegre. A direção promete contratações para esta semana. Sidimar, da Portuguesa, é dado como certo no Olímpico, enquanto Donizetti e Silas são lembrados para a vaga de Cuca, mas custam muito caro.” (Pioneiro, 06 de agosto de 1990)

Foto: Orlando Kissner (Placar)

São Paulo 0 x 0 Grêmio

SÃO PAULO: Gilmar Rinaldi; Zé Teodoro, Antônio Carlos, Ronaldão, Ivan; Bernardo, Flávio, Betinho, Cafu; Carrasco (Raí), Diego Aguirre (Vizolli)
Técnico: Pablo Forlan

GRÊMIO: Mazaropi; China, João Marcelo, Vilson, Hélcio (Fábio, depois Vander); Jandir, João Antônio, Caio, Assis; Nílson, Paulo Egídio
Técnico: Evaristo de Macedo

Copa do Brasil 1990 – Oitavas de final – Jogo de volta
Data: 05 de agosto de 1990, Domingo, 16h00min
Local: Estádio do Morumbi
Público: 6.501
Renda: Cr$ 2.600.400,00
Juiz: Luiz Carlos Félix-RJ
Auxiliares: Sérgio Cristiano Nascimento e Reinaldo Barros
Cartões Amarelos: Raí e João Marcelo
Cartões Vermelhos: Betinho aos 19 e Nílson aos 44 do 2º

Copa do Brasil 1990 – Grêmio 1 x 1 São Paulo

December 21, 2020

Foto: José Doval (Zero Hora)

O primeiro confronto entre Grêmio e São Paulo pela Copa do Brasil aconteceu na edição de 1990. Pelas oitavas de final.

O Grêmio era o mandante mas, por uma interdição do Olímpico imposta pela FGF, foi obrigado a jogar no Beira-Rio (na partida anterior, pela última rodada do Gauchão, o Grêmio jogou a arquibancada superior do Olímpico fechada).

E sigo sem ter uma explicação de porque o Grêmio utilizou uma camisa sem o logo da Penalty.

Foto: Marco Aurelio Couto (Pioneiro)

 

RETRANCA DO SÃO PAULO VOLTA DO SUL COM EMPATE

Da Reportagem Local

Graças a um gol de bicicleta do centroavante Diego Aguirre e a um forte esquema defensivo, o São Paulo empatou em 1 a 1 com o Grêmio, ontem à tarde no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS), na primeira partida pela segunda fase da Copa do Brasil.

Os dois times voltam a jogar domingo, no Morumbi, em São Paulo. Quem vencer se classifica para a terceira fase. O São Paulo joga pelo empate em 0 a 0 por ter feito um gol no campo do adversário. Se a partida terminar novamente em 1a 1, a decisão da vaga será em cobranças de pênaltis. Empate em dois ou mais gols classifica o Grêmio.

O técnico uruguaio Pablo Forlan jogou com cinco jogadores no meio-campo no seu esquema 4-5-1. Pôde contar com o volante Flávio que, sem contrato, voltou atrás e aceitou jogar com um seguro de Cr$ 4 milhões. Vizolli (que terá seu contrato encerrado hoje) ficou no banco, ainda fora de forma física, mas entrou no final para segurar o resultado.

A muralha defensiva da São Paulo resistiu até os 27min do primeiro tempo. Após a cobrança de um escanteio, o zagueiro Wilson ainda teve de se abaixar para cabecear sem chances de defesa para o goleiro Gilmar. O Grêmio já poderia ter marcado num pênalti ignorado pelo juiz catarinense Dalmo Bozano. num toque de mio do zagueiro António Carlos na grande área.

A arbitragem também prejudicou o São Paulo. Logo em seguida ao toque de António Carlos, Caiu foi lançado nas costas da defesa gaúcha. O bandeirinha deu condições de jogo, mas o juiz marcou impedimento. No intervalo. Dalmo Bozano respondeu irônico à TV Bandeirantes sobre a sua má forma física. Perguntado sobre seu peso. disse: “Estou bem menos do que podia”.

Sem alterar seu esquema, o São Paulo conseguiu o empate no início do segundo tempo. Contou com a habilidade do centroavante uruguaio Diego Aguirre e com a falha de marcação da defesa do Grêmio. O volante Bernardo cabeceou para trás e Aguirre marcou de bicicleta, livre, na marca do pênalti, aos 4min.

O gol motivou o São Paulo a jogar no ataque. Cafu foi liberado para ter uma atuação mais ofensiva e teve duas chances para chegar à vitória. O Grêmio não conseguiu furar a retranca de Forlan e ainda esbarrou no goleiro Gilmar. Ele só cometeu uma falha ao tentar cortar um cruzamento em que o ponta Paulo Egidio cabeceou para fora.

Como o estádio Olímpico do Grêmio está interditado pela Federação Gaúcha para reformas em suas estruturas de concreto, o jogo foi realizado no Beira-Rio, do Internacional. Mantendo a rivalidade entre os dois clubes. o Inter cedeu o vestiário principal ao São Paulo. O Grêmio. apesar de mandante do jogo. ficou com vestiário do visitante.” (Folha de São Paulo, sexta-feira, 3 de agosto de 1990)

 

Foto: Claudir Tigre (Correio do Povo)

 

GRÊMIO EMPATA COM SÃO PAULO

O Grêmio não conseguiu superar o franco São Paulo ontem à tarde, no estádio Beira-Rio, pela Co­pa do Brasil, cedendo o empate em 1×1, depois de ter arrancado na fren­te. Agora, o hexacampeão gaúcho ficou em situação difícil, obrigado a vencer a partida de volta, no Morumbi ou empatar em 2×2, porque gol marcado fora vale dobrado na competição.

Embalado pela conquista do título­ regional, no último domingo, o tricolor começou determinado a buscar a vitória. No início do jogo, Nil­son foi atropelado pelo zagueiro Antônio Carlos dentro da área, num pênalti claro, não marcado pelo juiz, de péssima atuação. Mas aos 27min. Vilson aparou de cabeça a cobrança de escanteio, abrindo o placar. O time ainda desperdiçou outras oportu­nidades para liquidar o São Paulo no primeiro tempo.

Somente aos 37 min., o São Pau­lo levou perigo à defesa gremista. O centroavante Diego Aguirre, que já jogou no Inter, chutou forte, sur­preendendo Mazaropi, que fez gran­de defesa. Era o prenúncio das difi­culdades que viriam na etapa final. O tricolor paulista voltou mais disposto do intervalo e, logo aos 4min., o mesmo Aguirre marcou um lin­do gol, de bicicleta, aproveitando lançamento de Ivan. O São Paulo continuou atacando e o Grêmio, na tentativa desesperada de conseguir a vitória, quase acabou perdendo o jogo. O Grêmio empatou com Maza­ropi, Fábio, João Marcelo, Vilson e Hélcio, João Antônio, Assis e Caio, Darci, Nilson e Paulo, Egídio. Técni­co: Evaristo de Macedo. O São Pau­lo saiu satisfeito com o resultado conseguido por Gilmar, Zé Teodoro, Antônio Carlos, Ronaldo e Zigomar, Vizolli, Bernardo, Flávio e Carras­co, Cafu e Diego Aguirre. Técnico: Pablo Forlan.” (Folha de Hoje, sexta-feira, 3 de agosto de 1990)

GRÊMIO NO BEIRA-RIO CONTRA O SP

“O Grêmio pode ser obrigado a en­frentar o São Paulo, amanhã à tarde, pela segunda fase da Copa do Brasil, no estádio do Inter. É que a Federação Gaúcha de Futebol interditou o Olímpico, por causa das arquibancadas superiores, que trepidam, sempre que o público toma este setor.

Preocupada com um possível acidente, a FGF resolveu interditar, O Próprio Grêmio lacrou a área para o Gre-Nal, temendo pelo pior.

O Presidente do Grêmio, Paulo Odone Ribeiro, argumenta que a interdição não passa de uma represália por causa dos desentendimentos do clube com a entidade. Os dirigentes passaram a tarde de ontem, enfurnados em uma sala de reunião para decidir qual a medida que o clu­be vai adotar para contornar a situação.” (Folha de Hoje, 1º de agosto de 1990)

NO ESTÁDIO DO INTER, GRÊMIO X SÃO PAULO

 Os torcedores gremistas mais fanáticos podem até ficarem constrangidos por ter que ir ao Beira-Rio assistirem a seu time jogar não um Gre-Nal, mas uma partida da Copa do Brasil, hoje, às 17h, contra o São Paulo. O local do jogo foi mudado por causa da confusão criada com a interdição do Estádio Olímpico pelo presidente Rubens Hoffmeister, em represália às agressões verbais sofridas da parle do presidente gremista Paulo Odone.

O assunto do Estádio Olímpico (que realmente tem problemas, mas que já era do conhecimento da própria Federação e do clube, que nada fizeram antes), é passado em termos de futebol. O que importa ao torcedor é a bola rolando, com o Grêmio enfrentando o São Paulo pela 2ª fase da Copa do Brasil.

O técnico Evaristo de Macedo não terá mais os jogadores Cuca e Luís Eduardo, e ainda aguarda a condição de jogo do lateral-direito China. Na defesa, Vílson fará companhia a João Marcelo, enquanto João Antônio está cotado para a vaga do Cuca. O resto do time permanece o mesmo.

Já o São Paulo passa por uma completa reformulação, inclusive na comissão técnica, formada pelo treinador Pablo Forlan e um preparador físico uruguaio. Rebaixado no futebol paulista, mesmo tendo sido campeão em 89, o São Paulo apresenta poucos nomes conhecidos: o goleiro Gilmar e o atacante Diego Aguirre, ex-Inter, o lateral Zé Teodoro e o meio-campo Bernardo. O São Paulo, hoje, jogará por um empate, deixando para definir a vaga domingo, no Morumbi.” (Pioneiro, quinta-feira, 2 de agosto de 1990)

 

GRÊMIO JOGA À TARDE NO BEIRA-RIO

Hoje à tarde, a partir das 17 horas, Grêmio e São Paulo come­çam a decidir, na melhor de duas partidas, quem continua disputando as fases seguintes da Copa do Brasil. Por motivo da interdição do seu estádio pela Federação Gaúcha de Futebol, que alega falta de segurança, o Grêmio jogará a partida no estádio Beira-Rio, cedido pelo Inter.

Para o jogo de hoje á tarde, o téc­nico Evaristo de Macedo promove­ rá dois novos titulares: Vilson, no lu­gar de Luis Eduardo e João Antônio, no de Cuca, que foram vendidos pa­ra o Valladolid da Espanha na sema­ na passada. O Grêmio precisa vencer o jogo, para ,domingo no Mo­rumby, com um simples empate ficar com a vaga.

O São Paulo, chegou a Porto Ale­gre no finalzinho da tarde de ontem e não quis fazer reconhecimento do Beira-Rio, aguardando apenas a hora do jogo. A intenção dos paulistas é obter, pelo menos, um empate, deixando a decisão para o domingo, em casa.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 2 de agosto de 1990)

 

Foto: Silvio Avila (Folha de Hoje)

Grêmio 1 x 1 São Paulo

GRÊMIO: Mazaropi; Fábio, João Marcelo, Vilson, Hélcio; Jandir, João Antônio, Darci (Caio) e Assis; Nílson, Paulo Egídio
Técnico: Evaristo de Macedo

SÃO PAULO: Gilmar Rinaldi; Zé Teodoro, Antônio Carlos, Ronaldão, Ivan; Bernardo, Flávio (Edmílson), Betinho (Vizolli), Cafu; Carrasco, Diego Aguirre.
Técnico: Pablo Forlan

Copa do Brasil 1990 – Oitavas de Final – Jogo de ida
Data: 02 de agosto de 1990, Quinta-feira, 17h00min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Público: 5.945 pagantes
Renda: Cr$ 1.696.200,00
Juiz: Dalmo Bozzano
Auxiliares: Getúlio Barreto De Souza e Delmo Tadeu Finger
Cartões Amarelos: Antônio Carlos, Bernardo, Flávio
Gols: Vilson, aos 27 minutos do 1º tempo; Diego Aguirre aos 3 minutos do 2º tempo

Gauchão 1990 – Grêmio 6×0 Novo Hamburgo

August 2, 2020

Foto: José Doval (Zero Hora)

Na campanha do Hexa, no Gauchão de 1990, a maior goleada gremista ocorreu diante do Novo Hamburgo, no Olímpico, em jogo que o Grêmio poupou seus titulares para os jogos contra Olimpia e Cerro Porteño pela Libertadores daquele ano.

Numa primeira leitura, reclamação dos dirigentes do Noia sobre a utilização de reservas parece não fazer muito sentido. Contudo, vale lembrar que na época a equipe visitante tinha participação na renda do jogo.

“RESERVAS GOLEIAM E O GRÊMIO CONTINUA LÍDER

A tarde era quente, feia, ameaçando chuva. O sábado não estava mesmo para futebol. Mas os poucos torcedores que foram ao olímpico saíram entusiasmados com a goleada de 6 a 0 do Grêmio, vitória que valeu a liderança do Gauchão. Antes da partida as dirigentes do Novo Hamburgo reclamavam que Poletto havia escalado reservas, poupando os principais jogadores para os jogos no Paraguai pela Libertadores. No final, certamente agradeceram pela mudanças.

No primeiro tempo, do grupo que não vinha jogando regularmente, Caio foi o destaque, movimentando-se por todos os setores do gramado, garantiu a vantagem de 1 a 0 aos 28 minutos e ainda marcou o quarto gol aos 19 do segundo. No período final o espetáculo ficou por conta do habilidoso e insinuante Almir, que não deu folga a Solis e ainda fez o terceiro gol aos 15 minutos.

Mas quem estava muito inspirado era Nando, que por duas vezes dançou lambada para os torcedores, no segundo gol, aos 13 e no quinto, 25 minutos. A goleada foi concluída aos 40 minutos por Gilson, que entrou no lugar Hélcio, para que João Antônio fosse deslocada à lateral-esquerda.

João Antônio e Geverton fecharam as portas ao ataque do Novo Hamburgo, possibilitando a Caio e Assis atuarem com mais liberdade na frente, confundindo a defesa do adversário, que em nenhum momento da partida conseguiu organizar-se.” (Antonio Celso Sampaio, Zero Hora, segunda-feira, 26 de março de 1990)

GRÊMIO: Gomes; Fábio Lima, Luís Fernando, Vílson (Ion) e Hélcio (Gílson Cabeção); João Antônio, Géverton, Caio e Assis; Almir e Nando Lambada
Técnico: Poletto

NOVO HAMBURGO: Marquinhos; Édson D Ávila, Gilberto, Solis e Nestor; Saulo, João Pedro, Sérgio Winck e Marcelo Lima (Preto); Sabará e Vanderlei (Leandro)
Técnico: Ronaldo Becker

Data: 24 de março de, Sábado
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS, BRA
Juiz: Ivan Carlos Godoy
Auxiliares: Eroni Gomes e Helio Hoppe
Público: 2.532 pagantes
Renda: Cr$ 157.590,00
Cartão Amarelo: Fábio Lima , Gilberto, Nestor, Sérgio Winck
Cartão Vermelho: Solis
Gols: Caio aos 28 do primeiro tempo, Nando Lambada aos 13, Caio aos 15 do 2ºt; Almir aos 19′, Nando Lambada aos 25 do 2ºt, Gílson Cabeção aos 40 do 2º tempo’.

Grêmio Hexacampeão Gaúcho 1990

July 30, 2020

Na campanha do Hexa de 1990 o Grêmio realizou Foram 18 vitórias, 9 empates e 5 derrotas em 32 partidas.

A média de público nos 16 jogos em casa foi de 8.377 pagantes. Em apenas 3 dos jogos realizados no Olímpico o público superou a casa dos dez mil pagantes. O maior público foi registrado no Gre-Nal do primeiro turno (34.840 pagantes).

Abaixo todos os jogos da campanha:

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1.° TURNO

Foto: Zero Hora

Ypiranga 0x1 Grêmio

Grêmio 4×1 Caxias

Glória 0x1 Grêmio

Grêmio 3×0 Esportivo

Lajeadense 1×1 Grêmio

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Grêmio 1×1 Aimoré

Grêmio 4 x1 Passo Fundo

Santa Cruz 1×0 Grêmio

Guarany 0x2 Grêmio

Foto: Arivaldo Chaves (Zero Hora)

Grêmio 0x1 Internacional

Grêmio 6×0 Novo Hamburgo

Pelotas 0x1 Grêmio

Grêmio 3×0 Juventude

primeiro turno

Fonte: Pioneiro

 

2º TURNO

Grêmio 1×1 Ypiranga

Foto: Nereu de Almeida (Folha de Hoje)

Caxias 4×2 Grêmio

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Grêmio 3×0 Glória

Esportivo 1×0 Grêmio

 

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Grêmio 2×0 Lajeadense

Aimoré 1×5 Grêmio

Grêmio 3×1 Santa Cruz

Passo Fundo 0x0 Gremio

Grêmio 3×3 Guarany

Internacional 1×0 Grêmio

Novo Hamburgo 0x3 Grêmio

Foto: Nico Esteves (Placar)

Grêmio 0x0 Pelotas

Juventude 0x0 Grêmio

placar bbb

Fonte: Placar

 

QUADRANGULAR FINAL

Grêmio 3×1 Juventude

Internacional 0x1 Grêmio

Caxias 1×1 Grêmio

Grêmio 1×1 Caxias

Juventude 3×3 Grêmio

Grêmio 4×1 Internacional

Gauchão 1990 – Grêmio 4×1 Inter

July 29, 2020

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

 

Há exatos 30 anos, o Grêmio goleava o Internacional por 4×1 e conquistava o Gauchão de 1990, o seu sexto título estadual em sequência. Vale lembrar que o tricolor precisava apenas de um empate para levantar a taça.

Nessa última partida o Olímpico recebeu 24.916 pagantes. O baixo público se explica pelo fato de a diretoria gremista ter interditado a arquibancada superior do Olímpico, se antecipando a uma futura interdição pela Federação Gaúcha de Futebol (interdição que foi provocada pela denúncia do ex-dirigente colorado e então colunista Hugo Amorim).

 

 

Foto: Luiz Avila (Zero Hora)

VALEU A PENA ESPERAR PELO HEXA COM GOLEADA

Análise técnica

Uma goleada que a torcida gremista não vai esquecer. 4 a 1, ao natural, sem precisar forçar muito em cima de um Inter totalmente desestruturado. Apesar da goleada histórica, foi um jogo de baixo nível técnico. O Grêmio, cauteloso em conseqüência de erros defensivos de jogos anteriores, entrou em campo visivelmente com a intenção de não se abrir, esperando que o Inter desse espaços para o contra-ataque. E como Assis fez um gol de falta logo no quinto minuto, a disposição defensiva se evidenciou ainda mais.

Mazaropi ficava a trocar passes com os zagueiros, os laterais marcavam forte, até com violência, Jandir ficava plantado à frente da zaga, e até o ponteiro Paulo Egídio ajudava a marcar no meio. Diante de tamanha preocupação defensiva, os setores de meio-campo e ataque do Inter, normalmente pouco produtivos, se mostraram ainda mais ineficientes. Era o lateral Chiquinho quem tentava compensar, somando-se ao ataque. Mas era muito pouco.

Foi após falta cobrada por Chiquinho, no início do segundo tempo, que o Inter empatou. Ajuda do acaso. E o jogo, se ganhava em emoção, continuou ruim em qualidade. De bonito, o grande gol de Cuca aos 19, o que acabou de vez com as chances cobradas. A partir dele a violência aumentou, Marcelo Pratas foi expulso e Paulo Egídio fez dois gols em falhas horrorosas de um medíocre Inter.

Análise tática

Ao Inter só interessava vencer na tarde de ontem. Daí que se esperava uma disposição tática mais ofensiva do time que entrou em campo para tentar estragar o hexacampeonato do Grêmio. Mas frustraram-se aqueles que esperavam tal ofensividade. Para começar, o técnico Ernesto Guedes optou por colocar na lateral-esquerda um jogador bom na marcação, mas ruim no apoio, que é Célio, deixando Daniel no banco. No meio colocou dois centromédios, Norberto e Júlio; e no ataque apenas Nelson e Edu, sendo que este último ainda sem a obrigatoriedade de ficar na ponta para ganhar o duelo com Fábio.

Assim, ficou fácil para o Grêmio controlar o jogo. Os quatro zagueiros do time de Evaristo Macedo ficaram presos à defesa (exceção feita a Luís Eduardo que fez duas investidas no ataque), Jandir era um quinto zagueiro, de grande eficiência, e do meio para a frente todos ajudavam na marcação, inclusive o centroavante Nilson, que em momento algum deixou Zabala ou Sandro sair com a bola dominada de trás.

No segundo tempo, quando o jogo estava 2 a 1 para o Grêmio e o campeonato praticamente definido, Guedes fez duas tardias tentativas de mudar o panorama do jogo. Tirou o meia-esquerda Luís Fernando, que nada havia feito, e colocou o ponteiro-direito Rudinei. E tirou Célio, colocando Daniel. Mas a equipe já estava psicologicamente arrasada. As trocas deram em nada.” (Nico Noronha, Zero Hora, 30 de julho de 1990)

NÚMEROS (Zero Hora, 30 de julho de 1990)
GRÊMIO INTER
Conclusões 7 4
Escanteios a favor 3 2
Faltas cometidas 27 14
Passes certos 47 34
Passes errados 25 16
Impedimentos 4 10
Defesas 4 4

Principais lances

PRIMEIRO TEMPO

 5 minutos — Falta na ponta-direita. Assis, surpreendentemente, cobra direto, no ângulo esquerdo. Gol (com ajuda do goleiro Maizena).

8 minutos — Edu cobra escanteio. Mazaropi falha e a bola entra no ângulo esquerdo. O juiz, equivocadamente, marca falta de Nelson no goleiro.

 20 minutos — Luís Eduardo atravessa todo o campo, ganha dividida com Sandro, mas na hora de chutar bate fraco, rasteiro e Maizena defende.

25 minutos — Nelson vira na frente de dois adversários e chuta. Mas a bola vai no meio do gol e Mazaropi defende.

34 minutos — Nelson cruza e Célio, desequilibrado dentro da pequena área, cabeceia fraco, para defesa de Mazaropi.

43 minutos — Chiquinho cobra falta de longa distância. Mazaropí faz a defesa no canto inferíor esquerdo.

SEGUNDO TEMPO

2 minutos — Chiquinho cobra falta. Fábio tenta aliviar, dá uma “rosca” para cima e a bola sobra para Zabala, que acerta o canto direito. 1 a 1.

19 minutos — Cuca domina fora da área, deixa a bola picar e então bate forte, alto, no meio do gol. Maizena, adiantado, não impede o gol.

31 minutos — Sandro tenta sair jogando e entrega a bola para Paulo Egídio, que invade a área, escolhe o canto direito e chuta rasteiro. 3 a 1.

40 minutos — Assis bate falta da direita, a bola desvia na barreira e vai a Paulo Egídio, que — sem marcação — cabeceia no canto esquerdo. 4 a 1.” (Zero Hora, 30 de julho de 1990)

 

Foto: Lemyr Martins (Placar)

“HUGO AMORIM: 

SEM ILUSÕES

Se o Internacional tivesse ganho o Gre-Nal, mesmo assim o Grêmio seria hexa, pois o Caxias não foi além de um empate com o Juventude.

Eu fiz o que pude, até nestas últimas semanas nas quais pela lógica tudo já estava perdido, para ajudar o Caxias, tentando impedir a conquista gremista. Fi-lo por ser um dever, mas em nenhum momento acreditei fosse possível. Não sou bobo. O time do Grêmio é medíocre, porém a diferença de pontos era grande demais e OS times dos outros são piores. O Internacional, no quadrangular, ganhou quatro pontos em 12…

O escore (goleada, 451) do Gre-Nal foi exagerado, as duas equipes jogaram pouco. O Grêmio ganhou por aquilo que sempre falei: Cuca, Nilson e P. Egydio. Esta é (ou era, já que venderam Cuca) a diferença. Taticamente, o Internacional foi engraçado: Nelson atuou na ponta-direita e ninguém jogou de centroavante. Isto contra um Grêmio em cuja área qualquer bola, sobretudo alta, é meio gol. Deve ser “futebol moderno”…

Não é difícil formar um time superior ao do Grêmio. Todavia, o Internacional está longe disto. Este jogo deixou isto bem claro.

Objetivamente, não tenho ilusões. Em 68, uma goleada como a de ontem se constituiu em umas das motivações para a reviravolta de 69, o grande time de 74/75/76, o octa e tri brasileiro. Hoje, não vejo capacidades para algo similar.

Olímpico semi-interditado
Ficou lúgubre o Olímpico com as arquibancadas vazias. A direção do clube, não tendo conseguido um laudo favorável à consistência desta parte do estádio, sensatamente não a usou no Gre-Nal. Eu, denunciante solitário do gravíssimo problema, cumprimento-a por isto. É melhor arcar com o terrível ônus de demolir e reconstruir (quando for possível) tudo aquilo do que colocar em risco milhares de vidas. No entanto, conto o Odone falou que na 6ª o Hofmeister tentou interditar o estádio, talvez a medida tenha sido apenas para “correr na frente”.” (Hugo Amorim – Zero Hora, 30 de julho de 1990)

Foto: José Doval (Zero Hora)

“O Grêmio pode ser obrigado a en­frentar o São Paulo, amanhã à tarde, pela segunda fase da Copa do Brasil, no estádio do Inter. É que a Federação Gaúcha de Futebol interditou o Olímpico, por causa das arquibancadas superiores, que trepidam, sempre que o público toma este setor.

Preocupada com um possível acidente, a FGF resolveu interditar, O Próprio Grêmio lacrou a área para o Gre-Nal, temendo pelo pior.

O Presidente do Grêmio, Paulo Odone Ribeiro, argumenta que a interdição não passa de uma represália por causa dos desentendimentos do clube com a entidade. Os dirigentes passaram a tarde de ontem, enfurnados em uma sala de reunião para decidir qual a medida que o clu­be vai adotar para contornar a situação.” (Folha de Hoje, 1º de agosto de 1990)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Foto: Arivaldo Chaves (Zero Hora)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

placar paulo egidio

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

GRÊMIO: Mazarópi; Fábio Lima, João Marcelo, Luiz Eduardo e Hélcio; Jandir, Darci e Cuca; Assis, Nílson e Paulo Egídio
Técnico: Evaristo de Macedo

INTERNACIONAL: Maizena; Chiquinho, Célio Lino (Daniel Franco), Sandro Becker e Zabala; Júlio, Norberto e Luiz Fernando Gomes (Rudinei); Marcelo Prates, Nélson Bertollazzi e Edu Lima
Técnico: Ernesto Guedes

Data: 29 de julho de 1990, domingo, 15h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre – RS
Público: 24.916 pagantes
Renda: Cr$ 9.672.100,00
Árbitro: Renato Marsiglia
Auxilares: Carlos Kruse e Justimiano Almeida Gularte
Cartões Amarelos: Hélcio, Darci, Cuca; Júlio, Norberto e Marcelo Prates).
Gols: Assis 4’/1; Zabala 2’/2 ; Cuca 19’/2 ; Paulo Egídio 30’/2 (G); Paulo Egídio 40’/2 .

Gauchão 1990 – Caxias 1×1 Grêmio

July 18, 2020
1990 caxias zh jose doval simao cuca

Foto: José Doval (Zero Hora)

 

Em 18 de julho de 1990, o Grêmio empatou com Caxias em 1×1 no Centenário, perdendo seu 100% de aproveitamento no quadrangular final do Gauchão, mas se mantendo na liderança da fase decisiva, com dois pontos de vantagem sobre o segundo colocado (que era o próprio Caxias)

A direção gremista disponibilizou transporte gratuito para os torcedores que adquirissem ingressos para a partida e 42 ônibus viajaram até o estádio Centenário.

Foto: Luiz Chaves (Folha de Hoje)

 

CAXIAS ADIA A DECISÃO DO GAUCHÃO

O Grêmio se apresentou para o jogo com o Caxias, ontem à noite, no estádio Centenário, com o objetivo determinado para não perder a partida. Isto é tão verdade, que Evaristo Macedo montou um esquema com cinco jogadores no meio de campo: Jandir, Cuca, Assis, Caio e Luis Antônio. A rigor, somente Nílson no ataque. A jogada preferencial, e pré-determinada, era sempre com Assis, caíndo pelo lado esquerdo, armando o contra-ataque com o centro-avante. Para neutralizar a principal jogada do Caxias com João Carlos, o técnico gremista escalou João Antônio e Hélcio.

Em alguns momentos da primeira etapa esta estratégia deu certo, porque Ranieli não conseguia se movimentar, sobrecarregando os homens do meio. No único chute da primeira etapa, numa falha decisiva do goleiro Marcos, o Grêmio marcou seu gol, aos 8min. Foi só.

Na segunda etapa, Bianchini mandou Caçapava jogar em cima de Assis e colocou em campo Manoel e Paulo Alves, retirando Ranieli e Mezzari, tornando o Caxias mais ofensivo e decidido a mudar o resultado. O Grêmio apenas se defendeu, ainda mais com a entrada de Almir e Geverton, saindo Assis e Caio.

De tanto martelar em cima da confusa defesa gremista, o Caxias chegou ao empate aos 23min, através do goleador Nilson, aproveitando uma sobra de bola dentro da área gremista. Os minutos finais da partida foram terríveis para o Grêmio, pois o Caxias esteve perto de marcar o seu gol da vitória. Agora, fica tudo transferido para domingo, no Olímpico.” (Alfeu de Oliveira, Elizeu Evangelista e Osny Freitas de Oliveira, Folha de Hoje, Quinta-feira, 19 de julho de 1990)

 

MATEMÁTICA (Folha de Hoje, 19 de julho de 1990)
Caxias GRÊMIO
Faltas 17 20
Impedimentos 2 5
Chutes a gol 8 1
Escanteios 3 2

zh caxias capa1990 caxias zha

CAXIAS JOGA MELHOR MAS EMPATA COM GRÊMIO

O Grêmio foi um time que usou a cautela como sua principal estratégia no jogo de ontem à noite, contra o Caxias. Iniciou somente com Nilson na frente, e explorava a velocidade de Caio, Cuca e Assis. Por causa deste posicionamento, o time de Porto Alegre acabou encurralado em seu próprio campo. Para sair, tentava o contra-ataque.

A 4min28seg, Assis cobrou escanteio e João Marcelo cabeceou livre, mas para fora. Dois minutos depois, João Antônio chutou a bola na rede pelo lado de fora. Aos 7min50seg, Nilson entrou pelo meio da área do Caxias, fugiu da marcação dos zagueiros e chutou forte. O goleiro Marcos defendeu parcialmente, mas, ao levantar-se, atrapalhou-se e colocou a bola para dentro do seu gol. Grêmio 1 a 0.

O ponteiro Edelvan, o melhor do jogo, aos 10min, cruzou da esquerda e Nilson, sem marcação e de costas para o gol, quis concluir de bicicleta e acabou desperdiçando a chance. O Caxias insistia na jogada de ataque, mas o Grêmio marcava bem. A partir dos 33min, o time de Evaristo começou a se poupar.

No 2° tempo, Ranieli, que não havia jogado bem, dava o seu lugar para Manoel. O Grêmio marcava e só saia na boa, enquanto que o Caxias partia para cima. Mesmo exagerando na marcação, o time da capital perdia no meio-campo. A situação se complicaria para o Grêmio depois dos 19min. Paulo Alves entrou para a saída de Mezzari. O Caxias ficou mais ofensivo. Caçapava passou a jogar ao lado do Carlinhos, Ricardo foi para o meio e Joel Marcos se colocou mais pelo setor direito de defesa. Evaristo retirou Caio e fez entrar Almir. O Caxias era a melhor equipe em campo. Aos 23min, depois de um escanteio, Nilson, com um chute forte, empatou a partida. Paulo Alves organizou o Caxias. Por outro lado, o Grêmio mostrou muitos defeitos e Geverton entrou para tentar reforçar.” (Pioneiro, Quinta-feira, 19 de julho de 1990)

 

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Foto: Silvio Avila (Folha de Hoje)

Gauchão 1990 – Inter 0x1 Grêmio

July 15, 2020
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Foto: José Doval (Zero Hora)

Em 15 de julho de 1990, o Grêmio venceu o Gre-Nal 304 no Beira-Rio, em clássico válido pelo quadrangular final do Gauchão daquele ano.

O tricolor chegou até essa partida em uma condição mais favorável, tendo vencido a o compromisso de estreia na fase decisiva e carregando um ponto extra pela melhor campanha na fase classificatória. Por sua vez, o Inter estava bastante pressionado. Fora derrotado para o Caxias na primeira rodada do quadrangular, o que culminou com o pedido de demissão de Valdir Espinosa três dias antes do clássico. Ernesto Guedes reassumiu a equipe no Gre-nal, três meses depois de ter deixado o cargo.

Assim como aconteceu nosjogos da Copa do Brasil daquela temporada, o Grêmio entrou em campo com um fardamento sem a marca da Penalty. Na Placar há menção ao fato de da camisa, originalmente de manga longa, ter sido cortada para ficar do agrado dos jogadores, mas isso não explica porque não se vê a marca do fornecedor do material esportivo.

Esse foi o último jogo de Taffarel pelo Inter.

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Foto: José Doval (Zero Hora)

“GRÊMIO VENCE GRE-NAL E ESTÁ MAIS PERTO DO HEXA

Com a vitória de ontem a tarde, em pleno Beira-Rio, o Grêmio deu um passo importante para a conquista do título do campeonato gaúcho. Nilson, ex-jogador Colorado, fez o único gol da partida. A cinco pontos ao maior adversário, para o Inter, resta o consolo do Caxias conquistar o título da temporada, ao invés do tradicional rival. Na quarta-feira o Grêmio coloca em jogo a liderança, no Centenária, contra o Caxias, enquanto o Inter receber o Ju, no Beira-Rio.

Com a vitória no Gre-Nal de ontem, no Beira-Rio, o Grêmio praticamente assegurou o hexacampeonato. Com cinco pontos de vantagem sobre seu maior adversário a equipe de Evaristo de Macedo poderá dar um passo decisivo para conquistar o título se ganhar do Caxias, quarta-feira, no Centenário. O Inter com a derrota ficou na última colocação e pode ter dado adeus ao sonho de quebrar a hegemonia gremista neste ano.

Mas o técnico Ernesto Guedes que retornava ao Inter, falou toda semana que iria vencer, não cumpriu sua palavra. Sua equipe começou melhor com a iniciativa da partida já que o único resultado que lhe interessava era a vitória. Logo aos 13 min, Chiquinho acerta uma bola na trave de Mazaropi. A pressão colorada era forte. Marcelo Prates e Luís Fernando se movimentavam muito, confundindo a marcação gremista. O Grêmio não tinha espaços para jogar. Assis e Cuca eram figuras apagadas em campo. Seu ataque era improdutivo, Paulo Egidio não voltava para marcar. O 1° tempo terminou sem chances de gol para ambas os limes.

Na etapa final, Evaristo corrigiu a má postura do seu meio-campo. Ao contrário do 1º tempo, o Grêmio começou a arrematar na meta de Taffarel. Aos 3 min, após uma falta cobrada por Assis, quase Caio abre o placar. Aos 19 min. Cuca perdeu um gol feito, de cabeça depois do escanteio batido por Assis. A resposta do Inter só foi acontecer aos 22, numa grande defesa de Mazaropi, num chute perigoso de Nelson. O Inter começou a reagir. Edu quase marcou após uma confusão na área tricolor. Mas o Grêmio nos contragolpes perdia uma boa chance com Caio se atrapalhando todo na hora de concluir. Assis começou a se destacar no Gre-Nal. E foi através dele numa jogada pela esquerda que nasceu o único gol da partida, marcado pelo artilheiro do campeonato, Nilson.

No final, na tentativa de empatar, o Inter se lançou todo ao ataque. Se o empate não era bom resultado a derrota, então, praticamente eliminaria a equipe da disputa do titulo gaúcho. No desespero Guedes colocou o júnior de 17 anos, Rudinei, ponteiro, no lugar do lateral Célio. No Grêmio, João Antônio substituiu Paulo Egidio para segurar o escore. Nos contra-ataques, Assis chutando na trave e Nilson na defesa de Taffarel, por pouco não ampliaram para 2 a 0 liquidando a fatura. Agora, o Grêmio é líder absoluto na tabela do quadrangular. Para o Inter, não resta outra alternativa se não ganhar todos os quatro jogos que ainda restam, mesmo assim dependendo dos resultados dos adversários.
HORÁRIO As direções de Grêmio, Inter, Caxias e Juventude que disputam a fase final do Gauchão, tentam junto a Federação Gaúcha de Futebol, alterar o horário da 3ª rodada do quadrangular. As partidas que inicialmente estão marcadas para às 18h30m, conforme reunião do conselho arbitral podem passar para às 20h. O motivo alegado é que o comércio fechando às 19h, poucos torcedores tem tempo de chegar ao estádio. Ainda hoje, deve ser decidida a questão.

No Grêmio, o campeonato não está decidido

Após a vitória sobre o Internacional, o ambiente no vestiário tricolor, era de muita alegria. Com o resultado de 1 a O, a equipe encaminhou a conquista do hexacampeonato. Mas o pensamento no Olímpico é de que nada está ganho ainda, apesar de manter uma diferença de cinco pontos sobre o tradicional rival e a dois do Caxias, seu próximo adversário.

O autor do único gol da partida, o centroavante Nilson, deu uma resposta aos dirigentes colorados. “Meu gol, foi uma prova a eles de que não faço gols em decisões”, desabafou. O jogador Assis, eleito o melhor em campo, diz que sua atuação é fruto de um trabalho sério, por um lugar no time.

O vice-presidente de futebol, Rafael Bandeira dos Santos, avisa que tem muita coisa pela frente e que o campeonato não está decidido. ” Vamos para Caxias procurar manter o mesmo rendimento, saindo de lá com o título”, adiantou. O presidente Paulo Odone, aproveitou para conclamar a torcida tricolor a comparecer em massa no Centenário, quarta-feira. “Vamos pintar a serra de azul e festejar mais uma vitória”.

Para quarta-feira, a direção do Grêmio colocará ônibus de graça de Porto Alegre a Caxias para seus torcedores, cobrando apenas o valor do ingresso, a exemplo do que aconteceu em 1988.” (Pioneiro, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

“O prêmio do Gre-Nal pode motivar ainda mais os jogadores do Olímpico: Cr$ 20 mil para o caso de vitória. Nos tempos atuais, sem reajustes periódicos, o bicho estipulado eqüivale aos salários de vários jogadores no Grêmio, principalmente os jovens, que ganham nessa faixa” (Pioneiro, 14 de julho de 1990)

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Foto: Luiz Avila (Zero Hora)

GRÊMIO VENCE E DISPARA NO CAMPEONATO

[…]

O pentacampeão gaúcho começou o jogo apresentando defeitos táticos que permitiram uma boa presença ofensiva do Inter no primeiro tempo. Mas voltou modificado para a etapa final, corrigindo os erros de marcação na zaga e ocupando melhor os espaços no meio de campo que se aproximou mais do ataque. O gol surgiu naturalmente originado numa jogada coletiva do ataque que culminou com o meia Assis deixando Nilson na cara de Taffarel para  marcar o único gol da partida aos 31 minutos.  […]” (Luiz Reni Marques, Folha de Hoje, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

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Foto: José Doval (Zero Hora)

GRÊMIO VENCE E FICA PERTO DO HEXA

Análise técnica

Assis é um jogador de qualidade técnica superior. E foi esta qualificação, o fator de desequilíbrio no jogo de ontem, no Beira-Rio. Sim, porque havia uma disputa muito grande no meio, a bola era dividida com força, o que tornava espetáculo feio e com várias faltas. Faltava o lance inteligente que superasse essas dificuldades. Pois no segundo tempo Assis jogou com esta inteligência. Ele achou o seu espaço em campo (entre a meia e a ponta esquerda), o time todo passou a ser cadenciado por ele, e a vitória premiou o Grêmio por ter se moldado ao seu futebol.

Mas no primeiro tempo, sem dúvida alguma, o Inter havia sido superior. Marcelo Prates, como um ponta de recuo, mostrava uma mobilidade muito boa; e Luís Fernando, igualmente numa função mais defensiva que o normal, conseguia jogadas de grande qualidade, embora faltasse a ele o arranque necessário para tornar mais objetivos esses lances que criava. Pois no segundo tempo, enquanto Marcelo se lesionava e Luís Fernando dava sinais de cansaço, crescia Assis, invertendo totalmente o panorama da partida.

Assim, se não chegou a ser um clássico de grande qualificação técnica, ao menos ficou a certeza de que ele girou basicamente em torno de jovens jogadores surgidos nas categorias inferiores de Grêmio e Inter. Essa realidade agrada. A renovação existe.

Análise tática

Para o Grêmio, o empate até que servia. Por isso, foi estranho ver o time entrar em campo com uma formação tática teoricamente mais ofensiva. Jandir como homem de marcação e dali para frente cinco jogadores com características de atacantes (Cuca, Assis, Caio, Nilson e Paulo Egidio). E se o Inter tivesse mais objetividade no ataque, teria liquidado com tal esquema ainda no primeiro tempo, pois encontrou facilidade para trocar bolas na intermediária gremista, e chutar a gol. Uma bola bateu no poste, outra Mazaropi botou a escanteio, outra raspou o travessão, enfim…

Mas no segundo tempo, embora todos os jogadores continuassem os mesmos, e o Grêmio permanecesse frágil em seu setor de marcação na intermediária, Evaristo fez a alteração tática que determinou o desequilíbrio. Ele exigiu maior movimentação de alguns jogadores — Caio e Nílson, principalmente — e deu a Assis a orientação para cair mais para a esquerda, tentando a triangulação com Paulo Egídio e Hélcio. E foi ali na esquerda, ao natural, que a realidade do jogo se inverteu, inclusive com a criação do lance fatal.

Ernesto Guedes, que já substituíra Marcelo Prates por Guga, ainda tentou dar mais ofensividade ao time, tirando o lateral alio e colocando o atacante júnior, Rudinei, em seu lugar. Mas a idéia não trouxe resultados e ficou provado, mais uma vez, que não é o número de atacantes que determina a capacidade ofensiva de uma equipe.” (Nico Noronha, Zero Hora, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

Foto: Fernando Gomes(Zero Hora)

NÚMEROS (Zero Hora, 16 de julho de 1990)
INTER GRÊMIO
Conclusões 12 10
Escanteios a favor 8 2
Faltas cometidas 30 27
Passes certos 39 36
Passes errados 23 19
Impedimentos 5 0
Defesas 3 6

1990 alfinete nelson valdir friolin zh

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

PRINCIPAIS LANCES
Primeiro tempo

13 minutos — Chiquinho arrisca o chute de fora da área e acerta o poste direito.
17 minutos — Falta. Edu encosta para Maurício que chuta forte, mas nas mãos de Mazaropi.

21 minutos — Após a falta, a bola sobra para Chiquinho que chuta de fora da área para nova defesa de Mazaropi.
28 minutos — Outro chute de longe por Chiquinho. Mazaropi põe a escanteio.
40 minutos — Cuca recebe na entrada da grande área e chuta de virada. Taffarel defende.

Segundo tempo
2 minutos — Falta na meia-esquerda. Assis chuta forte, Taffarel defende e no rebote Caio chuta por cima.
19 minutos — Assis cobra escanteio e Cuca cabeceia à direita de Taffarel.
22 minutos — Chiquinho lança Nelson e este bate rasteiro, para defesa de Mazaropi.
31 minutos — Boa troca de passes pela esquerda, Assis recebe e bate forte, rasteiro, e a bola passa pela pequena área. Nilson, no segundo pau, apenas empurra para dentro.
37 minutos — Nelson é lançado na grande área, mas Mazaropi se atira em seus pés e fica com a bola.
40 minutos — Assis bate escanteio fechado c a bola acerta o travessão.
44 minutos — Alfinete rouba a bola de Luis Fernando e passa a Nilson, que chuta fraco. Taffarel defende.” (Zero Hora, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

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Foto: Lemyr Martins (Placar)

 

O HEXA ESTA AÍ

O centroavante Nilson era um artilheiro de mão única em Gre-Nais: só havia marcado gols pelo Internacional. Domingo passado, finalmente, ele alcançou a condição de goleador de mão dupla —e na mais gratificante das situações. Ao disputar seu terceiro clássico com a camisa tricolor, o primeiro do ano a valer alguma coisa, Nilson fez o 1×0 que botou a torcida gremista a cantar o hexacampeonato, além de reduzir seu ex-time a mero lanterninha do quadrangular decisivo.

Foi seu 19.º no Gauchão, cinco mais que o Nilson do Caxias, o que o torna praticamente inalcançável na artilharia do campeonato. Tudo isso teve, sobre o próprio centroavante, o efeito de uma descarga. “Liquidei com o time deles”, desabafou num vestiário com clima de campeão.

Com a diferença concreta de dois pontos sobre o Caxias, segundo colocado, e cinco na frente do Internacional, o time de Nilson mostrou nessas duas rodadas do quadrangular que a lógica é muito mais implacável do que os ingênuos cobrados poderiam imaginar. O Grémio não é nenhuma potência, mas desde o início pintou como o melhor time do campeonato. Da mesma forma, com a vitória sobre o Inter na quarta (2 x 1) e o empate diante do Juventude (O x O) no domingo, o Caxias demonstrou que tem mais estrutura que o próprio cobrado.

Na reabilitação de Nílson esteve também presente o dedo do técnico Evaristo de Macedo: “Para nos puxar a orelha no intervalo”, confessou o artilheiro. No primeiro tempo, o tricolor deixava um buraco no meio-campo. “Mandei a defesa subir mais rápido, o ataque recuar um pouco e ficamos compactos”, explicava Evaristo com sua habitual calma de monge. Bastou. Antes e depois do gol de Nilson, aos 31, o Grêmio esteve a ponto de marcar mais três vezes.

Enquanto o tricolor se impunha, o Internacional era o resultado lógico do caldeirão em que se transformou o Beira-Rio nos últimos tempos. Na quinta-feira, o quarto técnico da temporada, Valdir Espinosa, pediu o boné alegando que não agüentava mais as cornetagens do presidente José Asmuz. Em seu lugar entrou Ernesto Guedes, que também saíra brigado com o dirigente no decorrer deste campeonato. Para culminar, o clube anunciou no sábado a venda de Taffarel. Tensa, a equipe mostrou o futebol que se esperava e nem ameaçou o gol do gremista Mazarópi.

Agora, o Grêmio decide tudo com o Caxias, que hoje é seu grande adversário, quarta-feira no Centenário e domingo no Olímpico. Nos bons tempos, esse papel era do Internacional. “ (Revista Placar, Edição n.º 1048, 20 de julho de 1990)

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Foto: José Doval (Zero Hora)

1990 ingressos

Esses 200 Cruzeiros de julho 1990 corresponderiam a cerca de 22 reais nos dias de hoje (corrigidos até junho de 2020 pelo IGPM)

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Foto: Fernando Gomes(Zero Hora)

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Foto: José Doval (Zero Hora)

Inter 0x1 Grêmio

INTERNACIONAL: Taffarel; Chiquinho; Sandro, Maurício e Célio Lino(Rudinei); Norberto, Marcelo Prates (Guga), Luis Carlos Martins e Luís Fernando; Nélson e Edu
Técnico: Ernesto Guedes

GRÊMIO: Mazarópi, Alfinete, Luis Eduardo, Vilson e Hélcio; Jandir, Cuca e Assis; Caio, Nilson e Paulo Egídio (João Antônio)
Técnico: Evaristo de Macedo

Gauchão 1990 – Quadrangular final – 2ª Rodada
Data: 15 de julho de 1990, domingo, 15h30min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Público: 19.399 pagantes
Renda: Cr$ 8.811.200,00
Juiz: Luís Cunha Martins
Auxiliares: Eroni Gomes e João Carlos Braga
Cartões amarelos: Célio, Marcelo Prates, Jandir, Luís Eduardo e Cuca
Gol: Nilson, aos 31 minutos do 2º tempo

Gauchão 1990 – Grêmio 3×1 Juventude

February 28, 2020

Foto: José Doval (Zero Hora)

No Gauchão de 1990 o Grêmio recebeu o Juventude pela primeira rodada do quadrangular final. O tricolor iniciava essa etapa derradeira da competição com um ponto de vantagem por ter conseguido classificação no primeiro e no segundo turno.

Assis foi o destaque da vitória gremista, e isso rendeu uma coluna “um pouco” exagerada de Paulo Sant’ana (transcrita abaixo).

Um detalhe interessante é que o Grêmio trocou de camisa no intervalo, passando da tricolor para a branca. É curioso que por vezes se considera que a camisa verde e branca do Juventude pode gerar confusão com a camisa tricolor e por vezes nao se pensa nisso (o mesmo acontecia com a camisa listrada do Palmeiras nos primeiros anos da Era Parmalat).

Tentei mas nao descobri por que o jogo foi marcado para as 18h30min de um dia de semana.

Foto: José Doval (Zero Hora)

ASSIS BRILHA E O GRÊMIO É LÍDER
O Grêmio trocou de camisetas e de futebol na etapa final: venceu o Juventude. É o líder, pois tinha um ponto extra. Agora é Gre-Nal

O Grêmio venceu ao Juventude por 3 a 1, e manteve a liderança isolada do Quadrangular Final do Gauchão 90, em um jogo com dois tempos bem distintos. É claro que a iniciativa foi sempre gremista, mas a maneira como as equipes se comportaram na primeira e na segunda etapa foi diferente. O Grêmio começou sem imaginação e usando muito o miolo do campo. Paulo Egídio era bem marcado, assim como Darci e Alfinete, no outro lado. Hélcio era o único que tinha liberdade, mas não soube aproveitá-la. O resultado foi uma partida ruim, em que as maiores emoções aconteceram nos dois gols, nos cinco minutos finais.

O segundo tempo mostrou um Grêmio mais eficiente no ataque. E um Juventude desatento nos primeiros minutos. O que resultou no gol de Cuca, que abriu caminho para a vitória do Grêmio. Assis começou a se soltar mais. E criava praticamente todas as jogadas ofensivas gremistas. O Juventude, por sua vez, saia desordenadamente para a frente, permitindo os contra-ataques perigosos do adversário. Gérson Lopes não foi o mesmo jogador inspirado de outras partidas e o sistema defensivo do time de Fito também deixou a desejar. Ele terá muito o que arrumar para o difícil clássico de domingo contra o Caxias.” (Antônio Bavaresco, Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Foto: Luis Tajes (Zero Hora)

PRINCIPAIS LANCES

Primeiro tempo

7 minutos — Assis pega o rebote de uma bota da defesa e chuta por cima

10 minutos — Hélcio recebe na pequena área, mas na hora da conclusão erra e perde a chance.

24 minutos — Nílson recebe de Cuca, avança livre, mas erra na finalização, permitindo a defesa do goleiro Beto, que tocou para escanteio.

41 minutos — Assis marca o gol do Grêmio em uma jogada individual, chutando de perna esquerda, no ângulo superior direito do goleiro, que não teve chances.

44 minutos — Neni empata a partida, depois de boa jogada de Pichetti e da falha da defesa gremista. A bola sobrou para ele, que só encostou para o gol.

Segundo tempo

2 minutos — Nilson, livre, cabeceia ao lado do gol.

3 minutos — Cuca, faz o segundo do Grêmio, aos 3 minutos do segundo tempo, depois de um lindo passe de Assis.

27 minutos — Nilson, de cabeça, marca o terceiro do Grêmio, novamente depois de uma excelente jogada de Assis.

37 minutos — Neni acerta a trave de Mazaropi, que depois faz a defesa.

39 minutos — Caio entra livre, avança e chuta, mas o goleiro Beto faz uma boa defesa e evita o quarto gol.” (Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Gauchão 1990 - Grêmio 3x1 Juventude - AssisFoto: Paulo Dias (Folha de Hoje)

Foto: Paulo Dias (Folha de Hoje)

PAULO SANT’ANA – MELHOR QUE O PELÉ

Tive ontem uma das maiores emoções da minha vida depois que Assis fez um gol genial que abriu o marcador de uma partida que parecia ir terminar empatada, depois que Cuca fez um grande gol servido por uma jogada e uma passe de Assis que simplesmente carecem idiomaticamente de adjetivos, fui ovacionado entusiasticamente pelo povo gremista que estava nas sociais e nas cadeiras cativas do Grêmio

Recebi desinteressadamente aqueles aplausos de gratidão. Porque nem sou candidato nem vou encher mais o saco de ninguém, nunca mais, em torno de opiniões futebolísticas. Os leitores são testemunhas de que estou me afastando do futebol: esta coluna derivou desiludidamente para outros assuntos, embora agora eu vá começar a dar de relho em toda a periferia no que se refere a eles. Muito obrigado pelos aplausos de gratidão. Só que, a cada uma dos cerca de 300 torcedores que conseguiram chegar em mim, eu disse o seguinte: “Não agradeçam a mim. Façam isso ao Evaristo, que teve a luminosidade de lançar o Assis no primeiro jogo sério e decisivo deste campeonato. Vão lá e abracem o Evaristo, ele é que merece. Ele e o Rafael Bandeira, que agora está permitindo ao treinador que Assis seja escalado. Com outros treinadores, Rafael não permitia. O Rafael merece também o agradecimento de vocês.

Sei porque a torcida me ovacionou. Porque o gol de Assis fez nem Pelé faria. De novo os leitores não vão acreditar em mim – e por isso todos se quebram. Acreditem: nem o Pelé faria. Uma vez escrevi que Valdo era melhor que Didi. Valdo faz sucesso na Europa. Didi fracassou na Espanha. Pois agora vou escrever uma coisa que ninguém vai acreditar – e eu com isso, cedo ou tarde se provará: se deixaram Assis jogar, se ele não foi mais incrivelmente barrado na escalação do Grêmio, vira um jogador melhor que Pelé. Lógico que o Assis tem que tirar aquela máscara dele e deixar de ser bodoso. Tem que ter humildade, trabalhar muito nos treinos e aprender que para ir para Itália tem que antes consagrar-se no Grêmio. Aplicar-se. Aí vai ser uma barbada. É craque, é gênio, é megaestrela. Eu sempre disse. Mas jamais qualquer pessoa acreditou. Por isso é que vou me consagrar daqui por diante escrevendo sobre outros assuntos. A burrice que domina o futebol me cansou. Se Assis tivesse jogado na Copa, não haveria tri alemão. Era tetra nossos. Mas ninguém acredita. E eu não tenho mais idade para dar murro em faca de ponta. Menos mal que ontem me ensurdecem de aplausos” (Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

GRÊMIO VENCE E JÁ É LÍDER ISOLADO DO CAMPEONATO

O Juventude jogou bem, mas não consegui resistir à qualidade gremista e perdeu por 3 a 1 na estréia no quadrangular

O Grêmio arrancou bem no quadrangular final do campeonato gaúcho, confirmando a liderança isolada, graças ao ponto extra obtido na fase classificatória, vencendo o Juventude por 3 x 1, no estádio Olímpico, ontem à noite. O tricolor encontrou dificuldades apenas no primeiro tempo, quando o time caxiense conseguiu fechar os espaços e conter o ataque gremista.

O Grêmio começou o jogo marcando por pressão, mas só conseguiu abrir o placar aos 42 minutos, numa jogada de craque de Assis que deu um lençol no zagueiro e bateu forte sem chances para o goleiro Beto. Aos 44 minutos, Neni aproveitou boa jogada de Pichetti pela direita e empatou. Na etapa final, o pentacampeão gaúcho voltou com mais força ofensiva. Assis, o melhor jogador em campo, matou no peito, aos 2 minutos e tabelou com Cuca que marcou o segundo gol. Aos 23 minutos, outra vez Assis lançou para a cabeceada certeira do goleador NiIson fechando o placar.

Além de Assis, Cuca também apresentou grande movimentação, contribuindo decisivamente para a perfeita articulação gremista e rompendo o esquema defensivo armado pelo treinador Fito. Os jogadores gremistas parece que não foram influenciados pelo futebol defensivista e de raros gols mostrados no Mundial na Itália. O time atuou o tempo todo buscando os gols que acabaram surgindo ao natural. Ao Juventude, considerado o mais fraco participante do quadrangular, resta a reabilitação.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Foto: José Doval (Zero Hora)

FITO RECONHECE SUPERIORIDADE GREMISTA NA PARTIDA DE ONTEM

Apesar da derrota, o Juventude apresentou qualidades ontem. O técnico Fito montou um eficiente esquema tático que resistiu ao Grêmio, praticamente durante todo o primeiro tempo. Bem postado na defesa e ocupando os espaços no meio do campo, o posicionamento do Ju agradou o treinador e foi elogiado pelo experiente técnico gremista, Evaristo de Macedo.

“O Juventude mostrou um futebol moderno e aplicado, foi um adversário difícil e bem estruturado que ainda pode surpreender neste campeonato àqueles que imaginavam um time fraco”, destacou Evaristo. Já o técnico Fito, abatido com a derrota, disse que “as vitórias de Grêmio e Caxias confirmaram a boa fase das duas equipes, apontadas como favoritas para vencer o campeonato”. Contudo, garantiu que confia numa boa apresentação e na vitória no clássico.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

“ASSIS FOI O CRAQUE TRICOLOR NA PARTIDA

O melhor elogio ao futebol exuberante apresentado pelo meia Assis, ontem à noite, no Olímpico, partiu do treinador Fito, do Juventude que atribuiu a ele o papel decisivo na vitória do Grêmio. “O Assis desequilibrou o jogo, principalmente no segundo tempo. Espero que não apareça um técnico na seleção brasileira para tolher o seu talento”, afirmou. O jovem jogador gremista mostrou todo a categoria habitual. Mas ontem apresentou ainda uma movimentação intensa por todo o campo e muita garra, como no primeiro gol, quando apareceram todas estas características.

Alegre com a sua atuação, Assis foi humilde e destacou o trabalho de toda a equipe, sobretudo de Cuca, facilitando a sua movimentação. “Todo o Grêmio esteve bem, podíamos até ter conseguido um resultado mais amplo. Mas o importante foi a vitória que colocou o Grêmio na liderança isolada do campeonato. Agora, esperamos manter esta vantagem até o final do quadrangular”.

Assis não quis falar em transferência para o futebol europeu, garantindo que no momento está preocupado apenas em ganhar o gauchão, valorizando ainda mais o seu futebol. “Quando chegar a hora, vamos pensar no futuro”, concluiu o meia.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Gauchão 1990 - Grêmio 3x1 JuventudeFoto: Marco Aurélio Couto (Pioneiro)

Foto: Marco Aurélio Couto (Pioneiro)

Grêmio 3×1 Juventude

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinete, João Marcelo, Luís Eduardo e Hélcio; Jandir (Geverton), Assis e Cuca; Darci (Caio), Nilson e Paulo Egídio.
Técnico: Evaristo de Macedo

JUVENTUDE: Beto; Tarantini, Amarildo, Dorotéo Silva e Marcão (Gilmar), Simão, Neni e Gérson Lopes, Nelsinho, Ferreira e Pichetti
Técnico: Fito Neves

Gauchão 1990 – Quadrangular Final – Primeira Rodada
Data: 11 de julho de 1990, Quarta-feira, 18h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 5.465 pagantes
Renda: Cr$ 1.288.800,00
Árbitro: Jorge Schaefer
Auxiliares: Adão Alípio Soares e Sérgio Chagas.
Cartões amarelos: Nelsinho e Hélcio
Gols: Assis, aos 41 minutos; Neni, aos 44 minutos do primeiro tempo; Cuca, aos 3 minutos; e Nilson, aos 27 minutos do segundo tempo

Gauchão 1990 – Caxias 1×1 Grêmio

February 20, 2020
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Foto: Silvio Avila (Folha de Hoje)

 

No Gauchão de 1990, Caxias e Grêmio se enfrentaram no Centenário pela terceira rodada do quadrangular final. Empate em 1×1, com gols marcados por Nílson Esídio pelo tricolor e Nilson Aragão pelos mandantes.

O Caxias estava desfalcado do goleiro Barbirotto (eternizado em um episódio do Chaves) que sofrera uma séria lesão na última partida do segundo turno

Foto: José Doval (Zero Hora)

 

CAXIAS REAGE E CONTINUA COM CHANCES
O empate de 1 a 1 foi um resultado justo, e o Grêmio ainda terá que esperar mais duas rodadas para comemorar o hexa. O Caxias vive!

Evaristo de Macedo surpreendeu a todos com escolha de João Antônio para substituir a Paulo Egídio que, lesionado, não jogou. A opção acabou sendo providencial. Em primeiro lugar porque proporcionou uma melhor cobertura ao lateral Hélcio na marcação do veloz e habilidoso João Carlos. Em Segundo porque a entrada dele deu mais liberdade pra Assis, embora o campo pesado não tenha permitido uma melhor movimentação do jogador gremista. Enquanto isso, o Caxias do primeiro tempo insistia no chuveirinho, facilitando as coisas para a defesa do Grêmio. O resultado foi o domínio e a vitória parcial gremista no primeiro tempo, com um gol de Nilson, aos oito minutos.

Na segunda etapa, Orlando Bianchini colocou Manuel no time, no lugar de Ranielli e mudou todo o panorama do jogo. Foi a partir desta modificação que o Caxias equilibrou o jogo e passou a dominar o jogo até chegar ao empate, aos 23 minutos, través de Nilson, com justiça. Evaristo foi obrigado a fazer duas alterações, tirando Caio e colocando Almir e trocando Assis, cansado, por Geverton. Com isso, freou um pouco o ímpeto do Caxias e até conseguiu alguns bons contra-ataques. O final foi dramático, mas o empate acabou sendo um resultado justo. ” (Antônio Celso Sampaio, Zero Hora, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

 

CAXIAS ADIA DECISÃO DO GAUCHÃO

O Grêmio se apresentou para o jogo com o Caxias, ontem à noite, no estádio Centenário, com o objetivo determinado para não perder a partida. Isto é tão verdade, que Evaristo Macedo montou um esquema com cinco jogadores no meio de campo: Jandir, Cuca, Assis, Caio e Luis Antônio. A rigor, somente Nílson no ataque. A jogada preferencial, e pré-determinada, era sempre com Assis, caindo pelo lado esquerdo, armando o contra-ataque com o centroavante. Para neutralizar a principal jogada do Caxias com João Carlos, o técnico gremista escalou João Antônio e Hélcio.

Em alguns momentos da primeira etapa esta estratégia deu certo, porque Ranieli não conseguia se movimentar, sobrecarregando os homens do meio.

No único chute da primeira etapa, numa falha decisiva do goleiro Marcos, o Grêmio marcou seu gol, aos 8min. Foi só. Na segunda etapa, Bianchini mandou Caçapava jogar em cima de Assis e colocou em campo Manoel e Paulo Alves, retirando Ranieli e Mezzari, tornando o Caxias mais ofensivo e decidido a mudar o resultado. O Grêmio apenas se defendeu, ainda mais com a entrada de Almir e Geverton, saindo Assis e Caio.

De tanto martelar em cima da confusa defesa gremista, o Caxias chegou ao empate aos 23min, através do goleador Nílson, aproveitando uma sobra de bola dentro da área gremista. Os minutos finais da partida foram terríveis para o Grêmio, pois o Caxias esteve perto de marcar o seu gol da vitória. Agora, fica tudo transferido para domingo, no Olímpico.” (Alfeu de Oliveira, Elizeu Evangelista, Osny Freitas de Oliveira – Editoria de Esportes, Folha de Hoje, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

 

 

PRINCIPAIS LANCES
Primeiro tempo

8 minutos — Nilson faz o gol do Grêmio, na falha do goleiro Marcos, que defendeu o primeiro chute e depois não evitou que a bola entrasse no gol

11 minutos — Caio entra livre, mas a defesa salva.

17 minutos — Edelvan chuta forte e Mazaropi defende.

24 minutos — Cuca tenta a tabela com Nilson, mas o goleiro Marcos pega.

31 minutos — João Marcelo falha na pequena área e Joel Marcos não aproveita.

41 minutos — Assis bate falta por cima do gol.

44 minutos — Assis, outra vez, tenta de fora da área, mas a bola sai torta.

Segundo Tempo

2 minutos — Manoel chuta forte, mas a bola saí desviada pela linha de fundo.

5 minutos — Jandir cobra falta e o goleiro Marcos defende.

14 minutos — Caçapava pega um rebote de fora da área e bate forte, mas Mazaropi, bem colocado defende.

22 minutos — João Carlos entra livre, mas Mazaropí salva.

23 minutos — Nilson empata o jogo para o Caxias, depois da cobrança de escanteio por João Carlos da esquerda.

36 minutos — Manoel outra vez arrisca de fora da área, mas a bola sai por cima.” (Zero Hora, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

Foto: Luiz Chaves (Folha de Hoje)

 

EVARISTO LAMENTA OS GOLS PERDIDOS

Mesmo reconhecendo que o Caxias foi um adversário difícil, Evaristo de Macedo disse que o Grêmio poderia ter liquidado o jogo no primeiro tempo, quando perdeu várias chances de gol. Também elogiou João Antônio:

— Na primeira etapa fomos muitos superiores. No segundo tempo o Caxias, mesmo desordenadamente, foi melhor e poderíamos ter perdido o jogo se eles soubessem aproveitar a chance. E o João foi o melhor em campo, pois anulou o perigoso lado direito do adversário. Ele jogou muito.

Já Orlando Bianchini, do Caxias, lamentou a falha de Marcos no gol do
Grêmio e disse que vai montar um esquema ofensivo para domingo, no Estádio Olímpico:

— Não podemos mudar o nosso estilo de jogo. Vamos para o tudo ou nada, pois ainda temos chances de chegar ao título. O Caxias vai jogar como sempre, no ataque. Não pode ser diferente” (Zero Hora, quinta-feira, 19 de julho de 1990)

1990 caxias ingressos

 

CAXIAS: Marcos: Ricardo, Carlinhos, Mezzari e Alexandre; Caçapava, Joel Marcos e Ranielli (Manoel); João Carlos, Nilson Aragão e Edelvan
Técnico: Orlando Bianchini

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinete, João Marcelo, Luis Eduardo e Hélcio; Jandir, João Antônio, Cuca e Caio (Almir); Nilson e Assis (Geverton)
Técnico: Evaristo de Macedo

Campeonato Gaúcho 1990 – Quadrangular Final – 3ª Rodada
Data: 18 de julho de 1990, quarta-feira, 20h00min
Local: Estádio Centenário, em Caxias do Sul – RS
Público: 5.098 pagantes
Renda: Cr$ 2.132.200,00
Árbitro: Silvio Oliveira
Auxiliares: João Roberto Scherer e Juarez Mariano.
Cartões amarelos: Assis e João Antônio; João Carlos
Gols: Nilson aos 8 minutos do primeiro tempo; Nilson Aragão, aos 23 minutos do segundo tempo.