Archive for the ‘Arbitragem’ Category

E o cartão amarelo?

November 2, 2012

Na vitória contra o Sport, na Ilha do Retiro, Kléber recebeu cartão amarelo. Na súmula, o árbitro da partida afirma que advertiu o avante gremista, aos 41 minutos, por “colocar a mão na bola”. Escrevi na ocasião, e reitero, que o juiz ignorou a regra do jogo.

No vídeo do lance fica claro que Kléber, em uma jogada de ataque, acabou usando o braço ao tentar dominar uma bola passada por um companheiro. Mas nem todo o toque de mão é passível de punição com cartão. Muito antes pelo contrário. As regras do jogo são bem restritivas na apresentação de cartões nesse tipo de jogada. São 3 hipóteses:

–  tocar a bola com a mão para impedir que um adversário tenha posse da mesma ou desenvolva um ataque (exceto o goleiro dentro de sua própria área penal) – CARTÃO AMARELO
– tocar a bola com a mão para tentar marcar um gol (não é necessário que consiga)- – CARTÃO AMARELO
– impedir um gol ou acabar com uma oportunidade clara de gol, com uso intencional de mão na bola (isso não vale para o goleiro dentro de sua própria área penal)- CARTÃO VERMELHO

Não há como incluir o lance do Kléber em nenhuma dessas hipóteses. O que torna o cartão recebido completamente ilegal. No jogo em questão não houve um prejuízo imediato, mas Kléber ficou de fora da partida seguinte contra o Botafogo, quando o Grêmio teve que se valer de juniores para completar o banco de reservas.
E quem era juiz da partida em questão? Francisco Carlos do Nascimento. Era de se supor que a comissão de arbitragem tomaria alguma atitude em relação à um juiz que contraria a regra do jogo. Mas na semana seguinte lá estava Francisco do Nascimento escalado para apitar na série B.
E quem foi o principal responsável pela grande confusão do jogo entre Inter e Palmeiras? Francisco Carlos do Nascimento, que incrivelmente titubeou para marcar o toque de mão de Barcos (supostamente se valendo de auxílio externo) no que seria o gol de empate alviverde. Um detalhe que vem passando quase despercebido é que, se foi marcado o toque de mão, deveria também ser apresentado o cartão amarelo para o atacante palmeirense  (que tocou a bola com a mão para tentar marcar um gol). 
Surpreendentemente (para não dizer revoltantemente) o status quo da arbitragem nacional ensaia usar esse detalhe na defesa do árbitro. Isso mesmo, na DEFESA do juiz, tentando justificar um erro com outro erro. O argumento é risível.Se não se sabe quem foi o jogador que cometeu, como foi possível dizer para qual time deveria ser marcada a falta? É de se imaginar que tal argumento de pronto caia no rídiculo, mas não dá pra se duvidar de nada em um país no qual Carlos Simon foi escolhido para apitar 3 Copas do Mundo.
O debate sobre o uso de meios eletrônicos no auxílio da arbitragem no futebol está caindo de maduro. Mas no Brasil o buraco é bem  mais em baixo.O problema reside na falta de critérios e na simples aplicação das regras. Como é que se permite a escala de um juiz que apita de forma contrária as regras do jogo? Por que a comissão de arbitragem só toma providências quando certos times são prejudicados?

Desconhecimento da regra

September 4, 2012
Como já escrevi aqui no blog, eu tenho a impressão de que a grande maioria das pessoas que se põe a discutir sobre arbitragem de futebol jamais abriu o livro de regras. E isso acaba tendo um efeito nefasto no debate sobre o tema.

Um exemplo claro de tal fato pode ser lido hoje no principal jornal de Porto Alegre, na coluna de um jornalista que, supostamente, é especializado em futebol. Ao comentar a expulsão de Klébler contra o Palmeiras, Wianey Carlet escreveu:

“Já virou rotina atacar a arbitragem após resultados menos satisfatórios. Vanderlei Luxemburgo, como profissional do ramo, sabe que reclamar do árbitro não é prerrogativa de ninguém. Nem de capitão de equipe. Os árbitros fazem concessão quando permitem recriminações. Se a CBF tivesse mínimo compromisso com a disciplina, baixaria uma resolução: cartão para qualquer tipo de reclamação. Jogador entra em campo para jogar e não tem autorização nem para falar com o árbitro. Está no livrinho”

O referido colunista sugere que a CBF “baixe uma resolução”* sobre algo que já está previsto no livro de regras. A Regra 12 prevê o ato de “desaprovar com palavras ou gestos as decisões da arbitragem” deve ser punido com cartão amarelo.

Assim, é possível perceber que o jornalista esqueceu de consultar o livro de regras antes de publicar a sua coluna. E até o momento não foi corrigido por ninguém.

Como é que se pode esperar uma melhora no desempenho dos juízes se o debate público sobre a arbitragem é feito em cima de tamanho desconhecimento?

* Como visto no post anterior, a CBF divulgou uma orientação no sentido oposto, contrária a banalização do cartão amarelo.

Arbitragens na imprensa – Bahia

August 6, 2012
Muitos não gostam de discutir sobre arbitragem. Eu sou um dos que acham que a análise de erros, acertos e interpretações pode melhorar o nível do jogo. Acho positivo que o tema entre em discussão, só não entendo o rumo que o assunto toma em diversas vezes.

Tenho dificuldade de aceitar o uso de expressões como “a banca paga e recebe” ou “errou para os dois lados”. O juiz que erra para os dois lados erra duas vezes. Acho que o debate não pode se encerrar com esses chavões.

Também não consigo entender porque certos erros ganham mais espaço do que outros. Por que alguns lances geram maior repercussão?

Um bom exemplo desse tipo de diferença está no jogos da dupla Grenal contra o Bahia nesse primeiro turno do Brasileirão. Obviamente não são lances iguais, mas é estranho que a arbitragem só se tornou centro das atenções em uma das partidas. É possível notar isso nos dois principais jornais de Porto Alegre:

GRÊMIO 3X1 BAHIA

O juiz de Grêmio 3×1 Bahia foi muito mal. Favoreceu o time da casa validando um gol ilegal de Kléber. Contudo, creio que um dos seus poucos acertos foi anular o que seria o segundo gol do Bahia, pois Fahel estava em posição irregular (imagem acima).

O lance pode ser difícil, mas a Zero Hora e seus dois colunistas (W.Carlet e D.Olivier) não tiveram nenhum pudor em afirmar que o juiz errou na jogada. O Correio do Povo menciona reclamações do Bahia, mas não lista o lance. Contudo o seu colunista e editor de esportes (H.Mombach) escreve que “pareceu gol legal”.

BAHIA 1X1 INTER
Há pouco mais de um mês, Bahia e Inter ficaram no 1×1. E os mandantes reclamaram de duas jogadas em que o árbitro teria ignorado o pênalto cometido pela zaga colorada (vídeo acima).

A Zero Hora chegou a registrar a reclamação de Fahel no primeiro lance, mas não citou o lance ocorrido no segundo tempo. E dessa vez, os dois colunistas do jornal (W.Carlet e D.Olivier) nada escreveram sobre a arbitragem. No Correio do Povo não há nenhuma menção aos lances, nem mesmo na coluna do editor (Hiltor Mombach).


Adianta reclamar?

June 29, 2012
Eu falei aqui no blog sobre a criação da “ouvidoria de arbitragem” pela CBF. Esperava que o Grêmio fizesse bom uso de tal canal. Mas para minha surpresa (até o dia 23 de junho) o clube não encaminhou nenhuma reclamação sobre a arbitragem de seus jogos no Brasileirão. Conforme explica o ex-juiz Leonardo Gaciba em seu blog:

“Esta semana mantive um contato com Aristeu Leonardo Tavares, responsável pela ouvidoria de arbitragem da CBF.

Estava curioso a respeito do número de reclamações oficiais dos clubes depois de aproximadamente 3 meses da criação deste canal oficial para que as equipes brasileiras possam mostrar seu descontentamento com a atuação dos árbitros que dirigem as competições oficiais da entidade.

[…]

Confesso que fiquei surpreendido ao ser informado que foram recebidas apenas 3 reclamações formais durante este período. Não estou falando apenas do campeonato brasileiro da série “A”, na verdade, a principal competição do futebol brasileiro teve apenas 1 reclamação.

Falo do jogo entre Ponte Preta e Atlético MG onde a equipe paulista solicitou a análise de um lance de área a seu favor. Além dessa, na série “B”, o CRB reclamou de um gol impedido do Goiás na partida entre essas equipes e na copa do Brasil, o Bahia de Feira solicitou análise do pênalti marcado contra sua equipe e consequente expulsão de seu goleiro no jogo contra o São Paulo.

Aristeu, com a ética e sinceridade que lhe é peculiar, não entrou em detalhes, mas falou que em dois casos considerou que houve equivocos dos árbitros e/ou assistentes. Deixou claro que a ouvidoria respondeu e realizou relatório a todos os clubes solicitantes via federação de origem com cópias para o presidente da CBF e para a comissão de arbitragem.

Não sei se os clubes ainda não se acostumaram com este novo meio de comunicação com a CBF ou preferem a reclamação via mídia. (Blog do Gaciba – 23/junho/2012)

E será que o Grêmio não tem nada do que reclamar?

– Eu acho que o clube deve pedir esclarecimentos sobre o gol anulado do Miralles contra o Vasco (vídeo abaixo). Foi um lance bem confuso, de suposta interferência do quinto-árbitro numa jogada em que não se enxerga falta.
– E também penso que não custa nada questionar os critérios usados pelo juiz na partida contra o Náutico. Reparem no vídeo abaixo que Manoel Nunes Lopo Garrido não mostrou cartão amarelo para jogadores do Náutico em faltas muito mais duras do que as que causaram a expulsão de Douglas Grolli.
Será que não seria bom o Grêmio comunicar ao comando da arbitragem a sua insatisfação?

Será que o clube não poderia guardar a resposta da ouvidoria como uma carta na manga para futuras discussões?

Adianta reclamar?

O campeonato pode ser decidido nesse tipo de detalhe?

Último homem?

June 9, 2012
Eu tenho a impressão de que no futebol muitos discutem arbitragem, mas poucos consultam o livro de regras. Isso acaba gerando uma série de confusões e perpetuando diversos conceitos equivocados sobre como o jogo deve ser apitado.

Um exemplo: A tal previsão de quando um atleta comete uma falta e é o “último homem” o juiz deve obrigatoriamente expulsá-lo. Será que isso efetivamente existe? Vejamos o que diz um “especialista”:

“Não existe a expressão “último homem”, embora consagrada no futebol. O que a Regra diz é chance clara e manifesta de gol. ______ passava pelo defensor e teria apenas o goleiro ____. isso caracteriza uma chance para marcar. Não é lance interpretativo. A expulsão era obrigatória.”

Interessante. Será que conseguimos ilustrar essa explicação com algum vídeo?

Vamos tentar completar as lacunas do texto acima com os atletas envolvidos no lance do vídeo postado:

“Não existe a expressão “último homem”, embora consagrada no futebol. O que a Regra diz é chance clara e manifesta de gol. MARCELO MORENO passava pelo defensor e teria apenas o goleiro MURIEL. isso caracteriza uma chance para marcar. Não é lance interpretativo. A expulsão era obrigatória.”
Encaixou, não? Mas será que era esse o lance ao qual o “especialista” se referia?

O lance era sim de um grenal. Mas não esse e não de um clássico disputado nesse ano. Foi uma falta de Réver em Nilmar, no Grenal de Erechim em 2009, onde o “especialista” em questão considerou um erro capital do juiz o fato do defensor gremista não ter sido expulso:

Não existe a expressão “último homem”, embora consagrada no futebol. O que a Regra diz é chance clara e manifesta de gol. Nilmar passava pelo defensor e teria apenas o goleiro Victor. isso caracteriza uma chance para marcar. Não é lance interpretativo. A expulsão era obrigatória

Mas será que os lances são tão diferentes assim? Porque o mesmo “especialista” classificou um lance de erro capital e sequer mencionou o outro nos seus comentários?

Enquanto essa respostas não chegam eu recomendo a leitura do livro de regras, especialmente a parte que trata da “opurtunidade clara de gol”:


Infrações sancionáveis com expulsão:

impedir oportunidade clara de gol da equipe adversária, quando um jogador se movimenta em direção à meta adversária, mediante infração punível com tiro livre ou tiro penal.

Comissão de arbitragem – Paulo Jorge Alves

May 28, 2012
Assim como já tinha feito contra o Atlético-PR na Copa do Brasil, o Palmeiras anunciou que “vai se queixar à CBF sobre arbitragem de jogo contra o Grêmio“. Ignorando a eventual tentativa de condicionamento, acho que o clube faz certo, é preciso tomar medidas contra erros de arbitragem.
Entendo que o Grêmio também deveria encaminhar a sua reclamção em relação ao jogo contra o Vasco e também poderia (mas acho que aí já não deveria) reclamar de alguns lances do jogo contra o Palmeiras (como uma falta em André Lima, na entrada da área, que não foi marcada).

A própria CBF (que torna pública as suas orientações aos árbitros) criou um procedimento para que os clubes encaminhem suas queixas em relação a arbitragem. A iniciativa é louvável, mas será que é suficiente? Será que trará algum resultado? Eu tenho minhas dúvidas.

O comunicado da CBF afirma que o Ouvidor da arbitragem receberá as reclamações, estudará medidas cabivéis e encaminhará para análise da Comissão de arbitragem. E aí que começam os problemas. Quem são os membros dessa comissão? Sérgio Corrêa Da Silva , Luiz Cunha Martins , Manoel Serapião Filho e Paulo Jorge Alves.

O nome de Paulo Jorge Alves é de triste recordação para a torcida gremista. Foi ele o bandeirinha que assinalou um impedimento inexistente de Jardel na semifinal da Copa do Brasil de 1996.

Em razão do reencontro das duas equipes nesse ano, a Zero Hora decidiu resgatar uma entrevista feita com Paulo Jorge Alves e com o árbitro Dacildo Mourão, sobre o fatídico lance:

No final de 2010, para a série de reportagens No Último Minuto, Zero Hora entrevistou o ex-árbitro Francisco Dacildo Mourão e o ex-auxiliar Paulo Jorge Alves. Confira trechos da conversa:

Zero Hora – O senhor reconhece que errou?
Francisco Dacildo Mourão – Veja bem, acho que nós erramos.
ZH – Foi o maior erro da sua carreira?
Mourão – Acho o seguinte: quando o bandeira erra, eu sou sincero, eu credito o erro ao bandeira. Foi o maior erro da carreira do bandeira. O árbitro não tem condições de ver, é muito difícil.
ZH – O senhor se arrepende de ter atendido ao aceno do bandeira?
Mourão – Lógico.
ZH – Sabia que após o senhor anular o gol morreram do coração dois torcedores do Grêmio?
Mourão – Sabia não, sabia não. Coitados. Estou sabendo agora. Que eles estejam bem com Deus.

Zero Hora – Dacildo Mourão afirma que o erro foi seu.
Paulo Jorge Alves – Não teve erro. Existe uma imagem da TVA que mostra o impedimento. A CBF provou isso. O Ivens Mendes, que era diretor de arbitragem, conseguiu o teipe e divulgou. Só que a imprensa gaúcha não quis divulgar, não soube, ou não quis saber.
ZH – Mourão admitiu a falha.
Alves – Ele jamais poderia admitir. É o lance da minha vida, mas graças a Deus, foi provado que eu estava certo.
ZH – O senhor sabia que morreram duas pessoas do coração após a anulação do gol?
Alves – Tenho certeza de que essas pessoas que desencarnaram estão bem. Se soubesse que isso aconteceria, faria diferente. A vida tem muito mais valor do que um impedimento. Naquela semana, também morri um pouco, mas depois ficou provado que eu estava certo.

Dacildo, ao menos, tem a dignidade de admitir o erro. Já a postura de Paulo Jorge Alves é um tanto estranha. Vale-se da benção de Ivens Mendes (presidente da Conaf afastado por suspeita de corrupção) e de um suposto vídeo da TVA para dizer que estava certo. A ESPN Brasil era o canal de esportes da TVA a época e no vídeo da emissora Jardel segue tendo condição legal.

Dito isso, fica a pergunta: Um sujeito que é incapaz de reconhecer seu próprio erro, mesmo depois de mais de 15 anos, vai conseguir identificar analisar o erro de outros árbitros? Vai ter o desprendimento de indicar medidas educativas/punitivas?

Coletiva sobre arbitragem

March 27, 2012
Eu acho que, depois das lesões de Mário Fernandes e Kleber, o Grêmio fez bem se posicionar em relação ao que vem acontecendo nas arbitragens do campeonato gaúcho.

Talvez não fosse necessáriao convocar uma coletiva (e todo o clima dela), mas o pronunciamento da direção do Grêmio me pareceu oportuno e feito em bom tom. Em suma o clube pediu que a FGF tome medidas em relação aos seus juízes para que o nível de arbitragem aumente.

Parecia um pedido razoável, mas sabe-se lá por que foi mal recebido. Alguns insinuaram que se trata de um tentativa de condicionamento de arbitragem. E o presidente da FGF, que pelo cargo que ocupa teria a obrigação de sentar e escutar o que Grêmio tem a dizer, tratou de minimizar e tergivesar sobre o ocorrido com argumentos surreais que não encontram classificação dentro do campo da minima racionalidade.

É triste, mas ao menos o episódio serviu para demonstrar mais uma vez a enorme dificuldade que o “mundo do futebol” tem em falar sobre arbitragem. Jogadores, treinadores e dirigentes são duramente cobrados, mas os juízes e os responsáveis pelas arbitragens raramente são questionados.

O Grêmio atendeu anseios da sua torcida e da imprensa e investiu bastante para essa temporada. Tem objetivos maiores, mas em nome da tradição usa força máxima no Campeonato Gaúcho, e nessa competição acaba tendo dois dos seus melhores jogadores seriamente lesionados. Pode ser puro azar ou coincidência, mas chama a atenção o fato de que as partidas em questão foram apitadas pelo principal juiz do estado, que pouco o nada fez para punir a brutalidade dos lances. E nada foi feito em relação ao juiz conivente.

Isso tudo deveria motivar uma reflexão sobre o estilo e os critérios da arbitragem no estado, e não uma manifestação ufanista sobre a qualidade dos juízes gáuchos. O debate precisa ir além das acusações de “roubo” vindas de um lado contra a blindagem incondicional vinda do outro.

Da mesma forma, não é mais possível adiar a discussão sobre a forma de participação da dupla Grenal no Gauchão e a dependência dos times do interior em relação a esta competição.

Arbitragens na Imprensa III

November 18, 2011
Com tudo o que aconteceu em Fluminense e Grêmio, resolvi que era um bom momento de repetir uma “brincadeira” feita aqui no blog: Verificar como a imprensa trata os erros de arbitragem em jogos da dupla grenal.

As partidas em questão foram Fluminense 5×4 Grêmio e Inter 1×0 Bahia, que foram disputadas concomitantemente. Procurei nos relatos dos jogos as menções aos erros de arbitragem. Para tanto, considerei os três penaltis não marcados no jogo do Inter e “apenas” o impedimento de Fred no segundo gol do Fluminense e o pênalti cometido por Marquinho. Desconsiderei a suposta falta em Brandão no último gol, a reclamação sobre o pênalti marcado para o Fluminense e uma jogada em cima de Leandro mencionada por Celso Roth.

O resultado está na tabela abaixo. Como se pode perceber, apenas um veículo não registrou todos os pênaltis do jogo do Beira-Rio, enquanto foram raras as menções aos erros que prejudicaram o Grêmio.

Zero Hora Fluminense 5×4 Grêmio: O jornal não menciona a posição duvidosa de Fred no 2º gol do Fluminense mas menciona toque de mão de Marquinho na área do Fluminense. Afirma que Adílson cometeu o pênalti e relata a reclamação do Grêmio sobre a falta em brandão
Zero Hora Inter 1×0 Bahia: O jornal menciona os três pênaltis não marcados por Paulo Cesar de Oliveira
Globo Esporte – Fluminense 5×4 Grêmio: O site não menciona a posição duvidosa de Fred no 2º gol e o toque de mão de Marquinho na área do Fluminense
Globo EsporteInter 1×0 Bahia: O site menciona os três pênaltis não marcados por Paulo Cesar de Oliveira

UOL Fluminense 5×4 Grêmio: O site não menciona a posição duvidosa de Fred no 2º gol e o toque de mão de Marquinho na área do Fluminense. Afirma que “Carlinhos sofreu pênalti de Adílson” O nome do árbitro sequer é mencionado no texto.
UOLInter 1×0 Bahia: O site menciona os três pênaltis não marcados por Paulo Cesar de Oliveira

Correio do Povo Fluminense 5×4 Grêmio: O jornal não menciona a posição duvidosa de Fred no 2º gol e o toque de mão de Marquinho na área do Fluminense, muito menos sobre o pênalti cometido por Adílson (penúltimo gol) e a falta em brandão no último gol. O nome do árbitro sequer é mencionado no texto.
Correio do Povo Inter 1×0 Bahia: O jornal menciona os três pênaltis não marcados por Paulo Cesar de Oliveira

O SulFluminense 5×4 Grêmio: O jornal não menciona a posição duvidosa de Fred no 2º gol, contudo cita um pênalti não marcado para o Grêmio e afirma que a penalidade marcada para o Fluminense foi inexistente
O SulInter 1×0 Bahia: O jornal menciona os três pênaltis não marcados por Paulo Cesar de Oliveira

IGInter 1×0 Bahia: O site menciona os três pênaltis não marcados por Paulo Cesar de Oliveira
IGFluminense 5×4 Grêmio: O site não menciona a posição duvidosa de Fred no 2º gol e o toque de mão de Marquinho na área do Fluminense. Contudo, caracteriza o pênalti para o Fluminense como duvidoso e menciona uma “suposta falta” em Brandão no último gol.

Terra – O site fala na posição duvidosa de Fred no segundo, mas não menciona o pênalti cometido por Marquinho.
Terra – O site menciona os pênaltis de Fabinho e Bolívar, mas não menciona o pênalti de Diego Jussani.


Arbitragens na imprensa II

February 27, 2011
Esse tema envolvendo erros de arbitragem e a repercussão deles na mídia é um assunto que muito me interessa. Depois dos primeiros jogos da fase de grupos da Libertadores eu decidi repetir um “levantamento” que fiz no ano passado, sobre a forma como a imprensa trata da questão da arbitragem nos jogos do Grêmio e do Inter.

Foram analisados dois lances em que praticamente há um consenso que a arbitragem favoreceu a dupla grenal. O primeiro foi o pênalti marcado para o Grêmio no jogo contra o Oriente Petrolero. O outro, foi o impedimento não marcado no segundo gol colorado na vitória contra o Emelec.

Foram analisados 10 veículos, entre jornais, telejornais e portais de internet.
– Somente 2 deles falaram da posição irregular de Cavenaghi no gol do Inter.
– Todos falaram sobre o lance do pênalti para o Grêmio, sendo que apenas dois deles descreveram o lance como “confuso” ou “polêmico”, tendo os demais registrado o equívoco da arbitragem.

Segue abaixo o levantamento:

Zero Hora

Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero 18 de Fevereiro – “E, aos 43, Gabriel entrou na área pela direita e tentou dar um balãozinho em Caamaño. A bola bateu no dente do boliviano, mas o árbitro achou que foi na mão e assinalou pênalti.”
Inter 4 x 0 Jaguares24 de Fevereiro -“E ele chegou aos 43. Zé Roberto cobrou falta para dentro da área, Cavenaghi escorou de cabeça e, na ponte aérea, Bolatti também de cabeça escorou para o gol”

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Correio do Povo

Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero 18 de Fevereiro – “Aos 41, veio a penalidade para o Grêmio. Imprudente, Terrazas mergulhou em direção à bola que pegou no seu rosto, mas o árbitro Líber Prudente marcou penalidade
Inter 4 x 0 Jaguares24 de Fevereiro – “Em seguida, aos 42, Zé Roberto cobrou falta para a área, Sorondo desviou de cabeça e Cavenaghi também. Na área, Bolatti apareceu de surpresa e mandou para as redes de cabeça.”————————————————————————————————————

O Sul
Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero18 de Fevereiro – “O placar foi aberto graças a um lance polêmico aos 43. Após cruzamento de Gabriel, Terrazas se projetou contra a pelota para afastá-la da área. O árbitro entendeu que a bola bateu no braço do jogador, marcando pênalti.
Inter 4 x 0 Jaguares24 de Fevereiro – “Só que Bolatti estava lá para resolver a questão. Numa falta lateral cobrada por Zé Roberto, Sorondo desviou, Cavenaghi tocou para a pequena área e volante testou para as redes: 2 a 0
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Jornal do Comércio
Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero 18 de Fevereiro“Aos 40 minutos, Gabriel avançou e Terrazas conseguiu cortar de cabeça, mas Líber Prudente correu para marca do pênalti, alegando toque de mão do zagueiro boliviano. “
Inter 4 x 0 Jaguares24 de Fevereiro“O volante argentino – que também havia marcado no Equador, no empate diante do Emelec e pedido para que os torcedores não se acostumassem com os gols – já era o artilheiro da equipe na competição, quando Zé Roberto tomou distância para uma cobrança de falta da intermediária. A bola colocada na segunda trave encontrou Cavenaghi. O atacante escorou para a entrada da pequena área. Bolatti apareceu por trás da zaga, cabeceou paras as redes, anotou seu terceiro gol no torneio e ampliou a vantagem colorada para 2 a 0, aos 43 minutos do primeiro tempo.”
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Bom Dia Rio Grande

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Globo Esporte
Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero18 de Fevereiro – “No fim do primeiro tempo, quando o 0 a 0 parecia irreversível até o intervalo, o árbitro uruguaio Líber Prudente equivocou-se. Todo atrapalhado, o meio-campista Terrazas tentou bloquear um drible quase sobrenatural de Gabriel. E o boliviano achou melhor cortar a bola com a boca. Dentro da área, o juiz viu mão. Pênalti inexistente, bem cobrado por Douglas, aos 43: 1 a 0. “
Inter 4 x 0 Jaguares 24 de Fevereiro – “O encanto da torcida com o volante não minguou entre os 19 e os 43 minutos do primeiro tempo. E aí explodiu de vez. Zé Roberto cruzou, Sorondo desviou, Bolatti marcou. “
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UOL
Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero18 de Fevereiro – “Aos 41 do primeiro tempo, quando a partida parecia definida com placar em branco, brilhou a estrela de Gabriel. O lateral-direito deu lindo drible em seu marcador e tentou cruzamento. A bola tocou no rosto de Terrazas, mas o árbitro assinalou pênalti entendendo que havia sido no braço.”
Inter 4 x 0 Jaguares 24 de Fevereiro – “Quando o enredo parecia se complicar, Bolatti surgiu de novo. Mais uma vez com a bola parada. O gringo aparou uma bola do alto, depois do desvio de Sorondo e Cavenaghi. Tudo começou com a cobrança de uma falta, ao lado da grande área. Agora, a pressão estava arrefecida de vez.”
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Terra
Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero18 de Fevereiro – ” Três minutos antes, o lateral Gabriel entrou na área pela direita, tentou dar o drible e a bola bateu no rosto do zagueiro. O juiz uruguaio Líber Prudente viu mão e assinalou a penalidade, gerando muita reclamação dos bolivianos”
Inter 4 x 0 Jaguares 24 de Fevereiro – “Aos 43min, Zé Roberto levantou na área, Sorondo desviou e Cavenaghi – em posição irregular – escorou para o meio, onde o volante argentino apareceu livre para cabecear para o fundo do gol.”
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iG
Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero18 de Fevereiro – “Aos 41, Terrezas foi todo desajeitado, com os braços abertos, marcar Gabriel. A bola bateu no rosto do boliviano, mas o árbitro Líber Prudente marcou pênalti. Douglas bateu e abriu o placar antes do intervalo.
Inter 4 x 0 Jaguares24 de Fevereiro“Quando o primeiro tempo se encaminhava para o fim com o 1 a 0 sendo um grande resultado, o Inter ainda marcou de novo. Zé Roberto lançou para a área, Cavenaghi escorou de cabeça, e Bolatti cabeceou para fazer 2 a 0”
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FinalSports
Grêmio 3 x 0 Oriente Petrolero18 de Fevereiro – “Aos 41 min, Gabriel fez jogada pelo lado direito e em um lance confuso, o árbitro uruguaio marcou toque de mão de Diego Terrazas, pênalti para o Grêmio.”
Inter 4 x 0 Jaguares24 de Fevereiro – “Aos 43min, falta na intermediária. Em cobrança ensaiada, Zé Roberto colocou na área, Sorondo deu um toque até Cavenaghi que em posição ilegal escorou para o meio da área onde estava seu conterrâneo Bolatti. O gringo cabeceou reto para dentro do gol e ampliou para o alvirrubro”
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A comemoração do quinto árbitro

October 27, 2010
Toda essa discussão em torno da comemoração do quinto árbitro no Grenal acaba fazendo com que, mais uma vez, o trabalho da imprensa esportiva do Rio Grande do Sul seja questionado.

O primeiro aspecto é a dificuldade (ou má-vontade) na hora de dar o crédito para a fonte da notícia. Quem primeiro chamou a atenção para a comemoração do quinto árbitro foi o Blog Alento Gremista. Não é tão difícil assim descobrir isso. Atribuir o YouTube ou a internet como fonte é de uma imprecisão grosseira.

Outro fenômeno que chama a atenção é o costume que muitos jornalistas tem de defender suas teses antes de apurar os fatos. O vídeo por si só até permitiria mais de uma interpretação, ainda que fosse bastante peculiar, mas a imprensa, apressadamente optou por taxar as reclamações dos torcedores de paranóia, sem nem mesmo ouvir os envolvidos no lance. Então vieram as explicações e a dita “teoria da conspiração” ganhou força.

Aí esbarramos em um outro problema que é a tendência que a imprensa tem de ouvir alguns personagens sem jamais questioná-los ou confrontá-los. A tese de Carlos Simon, de que o quinto árbitro “vibrou pela decisão correta” é um despautério, e ainda assim passou como verdade até ser desmentida pelo próprio Alexandre Kleiniche, que garantiu estar somente tentando informar o pênalti ao juiz do jogo.

Contudo, do mesmo modo, a explicação de Kleiniche é insuficiente e conflitante, motivo pelo qual acaba provocando alguns questionamentos, que até agora não foram respondidos por nenhum dos responsáveis (diretos ou indiretos) pela arbitragem do jogo:

– O pênalti foi claríssimo, o estádio inteiro viu, ninguém o questionou. Havia de fato essa necessidade de informar o árbitro principal?
– Desde quando o punho cerrado é um sinal de toque de mão em futebol?
– Se efetivamente estava comunicando sobre o lance ocorrido, por que o 5º árbitro conteve seu gesto repentinamente?

E nunca é demais que, no fim das contas, essa polêmica acabou sendo muito conveniente para Carlos Simon, que se viu livre de ter que dar explicações sobre o lance de pênalti aos 29 minutos do primeiro tempo, uma vez que a imprensa foi incapaz de aproveitar a ocasião para perguntar sobre algumas marcações dele no jogo.