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Brasileirão 1973 – Fortaleza 0x1 Grêmio

January 8, 2021

Carlinhos é quem ameaça o goleiro Lulinha, em lance que até parece o golo marcado pelo ponteiro gremista” (Correio do Povo, 17 de janeiro de 1974)

 

O primeiro confronto da história entre Fortaleza e Grêmio aconteceu no estádio Castelão, numa situação muito semelhante com a de agora. Um jogo disputado em janeiro, válido pelo campeonato brasileiro do ano anterior.

Lendo a matéria do Correio do Povo transcrita abaixo eu fico me perguntando por que nunca ficou definido que GOLO é a única grafia correta.

 


 

“REABILITAÇÃO GREMISTA COM GOLO DE CARLINHOS

FORTALEZA (João Carlos Belmonte, enviado especial) — O Grêmio, fazendo excelente apresentação, se recuperou totalmente da sua estréia na semifinal do Campeonato Nacional, ganhando do Fortaleza, ontem à noite no Castelão, por 1 a 0 — gol de Carlinhos no segundo tempo.

Depois de enfrentar muitos problemas para a formação do seu time, o Grêmio, na noite de ontem, conseguiu a escalação de uma das suas melhores formações (com Tarciso principalmente) sobrando chance inclusive para que Mazinho, ainda sem sua melhor forma, fosse poupado pois Humberto Ramos, que domingo só entrou no segundo tempo, tinha melhores condições. E desde o início o Grêmio mostrou que poderia repetir as suas boas partidas da fase de classificação, usando muito bem as deficiências do time adversário e desde cedo criando oportunidades para marcar. Aos 16 minutos, Tarciso, com um trabalho muito bom, já conseguia um bom chute, que bateria na trave para salvar o Fortaleza do primeiro gol, depois de boa jogada de combinação do ataque do Grêmio com lançamento para o seu ponta-de-lança. O primeiro tempo terminou com zero a zero mas o Grêmio, por tudo que conseguiu fazer, merecia melhor sorte desde a etapa inicial de partida. O pequeno goleiro Lulinha, durante os primeiros 45 minutos, foi bastante exigido.

Para chegar a esta boa atuação, o Grêmio contou com um trabalho muito bom de seu meio-campo, principalmente de Paulo Sérgio. A defesa estava segura, e os laterais, principalmente Claudio, tinham muita liberdade para subir ao apoio. A partir do meio-campo, depois de um trabalho certo de marcação de Zé Carlos e Zé Roberto, Paulo Sérgio tinha muita categoria para fazer lançamentos, aproveitando-se muito bem, do espaço que a defesa do Fortaleza deixava, alegadamente porque Wilson, que não jogava há muito tempo, não fazia o trabalho normal de Queirós, segundo o seu técnico e alguns de seus jogadores, muito mais acostumado a jogar ao lado de Pedro Basílio. Este espaço no lado esquerdo da defesa do Fortaleza sempre foi muito bem aproveitado pelo Grêmio, principalmente por Paulo Sérgio.

No segundo tempo, sem fazer nenhuma alteração no começo, o Grêmio continuou apertando o ritmo, criando situações e aos 19 minutos, numa excepcional jogada de Paulo Sérgio, Carlinhos marcou o golo da vitória. Paulo Sérgio, avançando ao sentir o espaço deixado pelo quarto zagueiro, tocou certo para Carlinhos. Ele partiu muito bem e, na saída do goleiro, tocou por cima, com categoria. A bola entrou mansamente no 1 a 0 do Grêmio.

Exatamente no memento do golo, Froner já tratava de colocar Mazinho no lugar de Humberto Ramos, já cansado. E. o Grêmio, depois do golo, ainda teve outras oportunidades muito boas — Tarciso, em jogada de Paulo Sérgio, obrigou Lulinha a uma defesa muito difícil. E Carlinhos, que fez o golo da vitória, ainda teve duas oportunidades excelentes, talvez melhores do que aquela que terminou no golo, semente perdendo porque já estava cansado para apanhar lançamentos tão bons como fazia Paulo Sérgio.

A segunda modificação do time do Grêmio visou apenas segurar um pouco mais a principal jogada do Fortaleza, no apoio de Louro. Bolívar entrou no lugar de Loivo e com isso o Grêmio protegeu melhor o lado esquerdo de sua defesa, muito atacado pelas subidas de Louro em combinação com Amilton Rocha.

O Fortaleza, entretanto, reagiu um pouco no final, mas a última boa chance do jogo foi do Grêmio. Outra vez Paulo Sérgio fez grande lançamento, Carlinhos partiu livre mas cansado, perdendo a bola quase na linha de fundo.” (João Carlos Belmonte, Correio do Povo, quinta-feira, 17 de janeiro de 1974)

“GRÊMIO             1
FORTALEZA        0

FORTALEZA (Do correspondente Egídio Serpa) — O Grêmio conseguiu arrancar uma Importante vitória, pelo diminuto placar de 1 a 0, ao Fortaleza, na noite de ontem, no Estádio Plácido Castelo, numa partida multo disputada e com bastante equilíbrio na primeira fase. O gol único foi assinalado por Carlinhos, para os gaúchos, aos 19 minutos do segundo tempo. O juiz foi Romualdo Arpi Filho, auxiliado por Sílvio Silveira e Bartolomeu Lordelo.” (Egídio Serpa , Jornal dos Sports, quinta-feira, 17 de janeiro de 1974)


 

FORTALEZA: Lulinha; Louro, Pedro Basílio, Wilkson e Bauer; Zé Carlos e Zé Roberto; Hamilton Rocha, Hamilton Melo (Lucinho), Marciano e Reginaldo (Beijoca)
Técnico: Mozart Gomes

GRÊMIO: Picasso; Cláudio, Ancheta, Renato Cogo e Jorge Tabajara; Carlos Alberto, Humberto Ramos (Mazinho) e Paulo Sérgio; Carlinhos, Tarciso e Loivo (Bolívar)
Técnico: Carlos Froner

Campeonato Brasileiro 1973 – Terceira Fase – 2ª Rodada
Data: 16 de janeiro de 1974, quarta-feira
Local: Estádio Castelão, em Fortaleza, CE
Público: 14.194
Renda: Cr$ 101.578,00
Árbitro: Romualdo Arpi Filho
Auxiliares: Sílvio Silveira e Bartolomeu Lordelo
Gol: Carlinhos aos 20 minutos do segundo tempo.

Brasileirão 1973 – São Paulo 1×0 Grêmio

October 17, 2020

Foto: Correio do Povo

O isolamento imposto pela pandemia me forçado a fazer um exercício de tentar postar material inédito sem retornar aos museus.

Esse jogo do post foi a primeira derrota do Grêmio para o São Paulo em uma competição oficial. Era partida válida pela segunda fase do Brasileirão de 1973 (que foi disputado até fevereiro de 1974).

É interessante notar que a Folha de São Paulo considerou o desempenho do juiz Arnaldo Cezar Coelho como “fraco”, enquanto no Jornal do Brasil considerou sua atuação como “excelente”.

Ancheta é um dos jogadores gremista que eu mais lamento não poder ter visto jogar. Aqui ele foi novamente muito elogiado, mesmo tendo feito um gol contra (vale lembrar que ele recebeu a “Bola de Ouro” da Placar como melhor jogador daquela edição do Brasileirão).

O GRÊMIO PERDEU NO PRIMEIRO TEMPO

O Grêmio precisava pelo menos empatar com o São Pauto, no Morumbi, pala garantir, assim, uma campanha razoável no Campeonato Nacional de Clubes, fase semifinal. Mas o São Paulo começou melhor, mais organizado, um time disposto, que foi escalado minutos antes do jogo sem o seu principal jogador — Pedro Rocha —, vetado pelo departamento médico, e ganhou de 1 o 0.

O técnico Poy foi obrigado a recuar Zé Carlos e deu chance para o ex-juvenil Silva ser o terceiro homem de meio-campo. O Grêmio começou a partida mostrando claramente que pretendia empatar o jogo, na verdade um bom resultado. Notava-se nos primeiros movimentos que seria difícil conter o São Paulo, um time com ímpeto e decisão em todas as jogadas, principalmente pela ponta esquerda, onde seu garoto de 19 anos — Zé Roberto — crescia a cada lance, a ponto de terminar como o melhor atacante sampaulino, superando até Mirandinha, cotado para a seleção. Zé Roberto, embora bom jogador, mostrou-se extremamente violento, chegando a tirar de campo o lateral direito Cláudio, com suspeita de fratura.

O GOLO
A saída de Cláudio obrigou Froner a tirar Beto do banco de reservas (ele acabaria sendo no final o melhor da defesa) para coloca-lo no lugar de Renato, deslocando este para a lateral direita. Nos primeiros movimentos Renato teve dificuldade de adaptação e enquanto ele procurava se entrosar melhor na posição surgiu o golo da vitória. Zé Carlos serviu a Gilberto, lateral esquerdo, que se soltou para o ataque e na altura da meia-esquerda, com Carlos Alberto e Renato a marca-lo, saiu o passe para Zé Roberto, livre na ponta esquerda. O jogador recolheu e chutou forte e cruzado na direção do golo. O goleiro Picasso saiu certo mas Ancheta, tentando defender de cabeça, desviou a trajetória do chute, tendo a bola parado no fundo da rede. Daí em diante o Grêmio começou a crescer e terminou o primeiro tempo melhor que o São Paulo.

SEGUNDO TEMPO
Na etapa complementar o Grêmio poderia ter empatado, e até fez várias jogadas para que seus avantes assinalassem, se o São Paulo conlassem, e o São Paulo continuava se defendendo. Com a tentativa de tornar o time mais ofensivo, Froner lançou Mazinho retirando Paulo Sérgio. A melhor oportunidade surgiu num chute com barreira que Loivo atirou no poste direito com Valdir Perez já batido. Minutos antes Mazinho entrou livre pelo meio e quase marcou num cruzamento de Carlinhos, não fosse a excelente colocação e defesa parcial do goleiro paulista. Faltavam dois minutos quando o Grêmio construiu a última jogada para empatar a partida, através de Tarciso. O ponta de lança recebeu na entrada da área e atirou com o pé esquerdo, rente ao poste. O Grêmio perdeu jogando bem no segundo tempo.” (Correio do Povo, terça-feira, 22 de janeiro de 1974)

S.PAULO DERROTA GRÊMIO MESMO SEM MERECER

São Paulo (Sucursal) — O empate seria o resultado mais justo ontem à tarde, no Morumbi, mas o São Paulo conseguiu vencer o Grêmio por 1 a 0, gol do zagueiro Ancheta, contra, depois de forte chute do ex-juvenil Zé Roberto. O juiz foi Arnaldo César Coelho, com excelente atuação, e a renda somou Cr$ 125 mil 167.

O São Paulo foi melhor no início e quando o Grêmio reagiu, a partir dos 20 minutos, acabou sofrendo o gol contra. A partida foi monótona no primeiro tempo mas na etapa final surgiram as melhores jogadas, que acabaram agradando o público regular que foi ao Morumbi.

O gol contra

A torcida do São Paulo já estava preocupada com a reação do Grêmio, que iniciou a partida sem muita organização. Após uma investida sem objetividade, o time paulista marcou o gol, com um chute de Zé Roberto, desviado por Beto. Picasso não teve condições de defesa.

No segundo tempo o São Paulo procurou manter o resultado e o Grêmio deixou de jogar na retranca, organizando melhor seu ataque, embora sem sorte nas finalizações. A equipe gaúcha passou a comandar as ações mas o goleiro Valdir não se descuidou. Carlos Froner reforçou o time, substituindo Paulo Sérgio por Mazinho. Tarciso, um bom jogador, ganhou um companheiro mais eficiente, e a defesa adversaria foi pressionada até o final. Aos 41 minutos Loivo perdeu a melhor oportunidade de empate, chutando na trave.” (Jornal do Brasil, Segunda, feira, 21 de janeiro de 1974)

São Paulo 1×0 Grêmio

SÃO PAULO: Valdir Perez; Pablo Forlan, Paranhos, Arlindo e Gilberto; Chicão, Zé Carlos e Silva (Jesum): Piau, Mirandinha e Zé Roberto
Técnico: Poy

GRÊMIO: Picasso; Cláudio (Beto Bacamarte), Ancheta, Renato Cogo e J.Tabajara: Carlos Alberto, Paulo Sérgio (Mazinho) e Humberto Ramos; Carlinhos, Tarciso e Loivo
Técnico: Carlos Froner

Brasileirão 1973 – Segunda Fase – 3ª Rodada
Data: 20 de janeiro de 1974, domingo
Local: Morumbi, em São Paulo-SP
Público: 14.025 pagantes
Renda: Cr$ 125.167,00
Árbitro: Arnaldo Cezar Coelho
Auxiliares: Moacir Miguel dos Santos e Wanderley Moreira Ferreira
Gol: Ancheta (contra), aos 20 minutos do primeiro tempo

Brasileirão 1973 – Grêmio 1×1 Cruzeiro

December 5, 2019
1974 darci menezes helio mazinho carlos alberto

Foto: Correio do Povo

 

Essa partida foi disputada em janeiro de 1974, mas ainda pelo Brasileirão de 1973. O gol de empate sofrido no fim foi trágico para as pretensões do Grêmio na competição, uma vez que não conseguiu classificação para o quadrangular final, tendo ficado três pontos atrás do próprio Cruzeiro.

 

GRÊMIO CEDE EMPATE NO FIM

O Grêmio jogou melhor que o Cruzeiro de Belo Horizonte, ontem à noite, mas não conseguiu a vitória que tanto precisava. Mas esteve bem perto dela, pois só sofreu o golo de empate quando faltavam 30 segundos para terminar a partida. O Cruzeiro — e seu técnico reconheceu — não jogou bem e o Grêmio enquanto estava empatando foi sempre melhor que o adversário, empurrado pela vibração da torcida e pelo trabalho perfeito de destruição através de Carlos Alberto e Paulo Sérgio.

A melhor oportunidade de gol no primeiro tempo de jogo foi uma cabeçada de Mazinho que acabou no poste direito do goleiro Hélio. O Cruzeiro, com. Palhinha e Dirceu Lopes jogando mal, procurou tocar a bola e quando tentou a jogada para a frente encontrou sempre uma defesa bem postada. E nas poucas vezes que a defesa foi batida houve a falta, como no lance que Palhinha ganhou de Beto na corrida e foi derrubado na entrada da área.

SEGUNDO TEMPO
Na etapa final o Grêmio aumentou mais o ritmo do jogo e antes do golo surgiram duas ótimas oportunidades. A primeira foi um centro de Renato Cogo que Tarciso, livre, cabeceou para fora e a segunda uma escapada de Tarciso que atrasou certo para Mazinho chutar no canto direito e Hélio atirar para escanteio. Foi na cobrança do mesmo que Tarciso, numa falha do goleiro e de marcação da zaga, ficou livre para cabecear e marcar aos 11 minutos o golo da, vitória parcial. A partir do golo o Cruzeiro subiu na partida e ficou melhor que o Grêmio, que esporadicamente conseguia atacar, mas apenas com Carlinhos e Tarciso. Ai o técnico Carlos Froner, sentindo o maior volume de jogo do Cruzeiro, resolveu reforçar a meia-cancha, colocando um jogador mais descansado na partida, e trocou Mazinho por Humberto Ramos. Mas a substituição foi errada, porque se Carlos Froner queria um jogador para combater a meia-cancha do Cruzeiro, melhor teria sido colocar Orcina que, se tecnicamente não é bom, pelo menos sabe desarmar e combater, virtudes que Humberto nunca teve. E além do mais o Humberto Ramos entrou mal no jogo, errou muitos passes, não reteve a bola, não combateu. e foi culpado do lance que acabou dando empate ao time de Belo Horizonte.

Antes do golo o Cruzeiro já tinha trocado os dois ponteiros que jogam recuados (Eduardo e Lima) por homens mais ofensivos (Baiano e Joãozinho). A torcida gremista já se preparava para começar a comemoração de outra vitória quando a alegria experimentada no fim do jogo contra o Santos, transformou-se em tristeza no jogo de ontem. Humberto perdeu a bola para Palhinha, que sofreu falta de Ancheta. Nelinho, o lateral direito e melhor jogador do Cruzeiro no jogo, perfeito cobrador de faltas, ajeitou a bola e encobriu a barreira, colocando o empate no canto esquerdo do goleiro Picasso. Agora o Grêmio vai jogar contra o Botafogo no Rio e depois em Recife contra o Santa Cruz e não pode perder pontos nas duas partidas para decidir a classificação em Porto Alegre, contra o Vitória. “ (Correio do Povo, quinta-feira, 31 de janeiro de 1974)

GRÊMIO SEM SORTE EMPATA COM CRUZEIRO

Porto Alegre (Sucursal) — A falta de sorte impediu que o Grêmio ficasse em ótima colocação no Grupo II, pois empatou de 1 a 1 no Estádio Olímpico com o Cruzeiro, que marcou seu gol aos 44,5 minutos do segundo tempo e depois de ser inferior em campo durante quase todo o jogo.

Tarciso fez 1 a 0 aos 11 minutos da fase final, mas logo depois o técnico Carlos Froner cometeu o erro de substituir Mazinho por Humberto Ramos, mandando que a equipe recuasse para garantir a vantagem. Mais tarde, Ancheta se contundiu mas continuou em campo e, sem condições físicas, fez a falta Em Palhinha e que originou o gol dos mineiros. A renda foi de Cr$ 256 mil e o juiz Oscar Scolfaro.

Com velocidade

O Grêmio foi muito superior no primeiro tempo e perdeu ótimas chances de gol, principalmente através de Tabajara e Mazinho, o primeiro furando quando tinha o gol vazio pela frente e o outro mandando a bola na trave ao tentar colocar.

Sempre marcando bem a Zé Carlos e Dirceu Lopes, o Grêmio começou o segundo tempo ainda mais agressivo e usando de muita velocidade, e logo aos 11 minutos Tarciso marcou de cabeça. Depois o Grêmio recuou e o Cruzeiro partiu para o ataque, mas não chegou a criar jogadas de perigo.

Aos 44,5 minutos Nelinho cobrou muito bem uma falta de Ancheta em Palhinha e obteve o empate para o time mineiro, que reconheceu a superioridade do adversário quando o técnico Hilton Chaves disse que “o Grêmio foi excelente e merecia a vitória.” (Jornal do Brasil, quinta-feira, 31 de janeiro de 1974)

ingressos

Grêmio 1 x 1 Cruzeiro

GRÊMIO: Picasso; Renato, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Carlos Alberto, Paulo Sérgio e Mazinho (Humberto Ramos); Carlinhos, Tarciso e Loivo
Técnico: Carlos Froner

CRUZEIRO: Hélio dos Anjos; Nelinho, Darci, Procópio Cardozo e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Eduardo (Baiano), Palhinha e Lima (Joãozinho)
Técnico: Hilton Chaves

Data: 30 de janeiro de 1974, quarta-feira, 21h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Renda: Cr$ 256.000,00.
Juiz: Oscar Scolfaro
Auxiliares: Geraldino César e Gérson Vendrame
Gols: Tarciso, aos 11 minutos do segundo tempo. Nelinho, aos 44 minutos do segundo tempo

Brasileirão 1973 – Atlético Paranaense 2×0 Grêmio

November 26, 2019
1973 athletico pr fora placar sergio lopes

Foto: Placar

 

No Brasileirão de 1973, Atlético Paranaense e Grêmio se enfrentaram no Couto Pereira. Vitória dos mandantes por 2×0.

Mesmo com o revés, o Grêmio permaneceu na segunda posição geral da primeira fase (tendo encerrado essa etapa três pontos atrás do líder Palmeiras).

 

1973 athletico pr fora diario da tarde caio primeiro gol

Foto: Diário da Tarde

FOI A 2.ª DERROTA DO GRÊMIO

Curitiba — O Grêmio perdeu para o Atlético Paranaense por 2 a 0, no Estádio Belfot Duarte e ao final o técnico Carlos Froner disse que não poderia falar apenas na ausência de Mazinho, Tarciso e Humberto Ramos “porque um time que creditar’ a derrota à falta de três dos seus jogadores não pode entrar no Campeonato Nacional”. Isso só seria um exagero se os três jogadores ausentes fossem simples peças de um time não as peças mais importantes de um esquema, como são Mazinho, Humberto Ramos e Tarciso. Sem eles o Grêmio abriu o seu meio-campo, desprotegeu a sua defesa e teve enorme dificuldade quando com a bola dominada de passar ao ataque, A falta de Mazinho deixou Carlos Alberto sobrecarregado na marcação, perturbou a defesa e Ancheta teve que cobrir todas as posições porque Beto, com uma fita apache encobrindo um curativo na testa não podia cabecear e isso preocupou desde o início.

E o Atlético, bem armado, ia à frente com força e desde o início criou jogadas perigosas, principalmente através de Lourival, Caio e Sicupira, seus principais jogadores. A falha de marcação na defesa era explorada com tabelas rápidas, e para superar o meio-campo do Grêmio, o Atlético usava quatro jogadores de bom toque de bola à exceção de Sergio Lopes, mais plantado, de extrema movimentação. Logo aos 6 minutos, depois de boa jogada de Caio e Sicupira, Didi Duarte quase marcou. E aos 12 minutos, depois de saída errada da defesa do Grêmio, Cláudio perdeu para Didi Duarte, este tabelou com Caio, foi derrubado e na cobrança da falta com barreira, Caio chutou muito bem, com efeito, vencendo a Picasso e marcando 1 a 0.

Até os 35 minutos o Grêmio não acertou nenhum chute no golo de Nascimento, e só o Atlético jogava na frente, sempre disposto e criando mais oportunidades. Quase no fim do primeiro tempo, Sicupira foi à linha de fundo e cruzou. Caio esperou a queda da bola, cabeceou no travessão e na volta Sidnei chegou atrasado, quase embaixo do golo, perdendo a chance de fazer o segundo. O Grêmio, pouco antes, teve uma bola chutada contra o travessão do golo de Nascimento, com Carlos Alberto tentando de fora da área.

MUDANÇA — A entrada de Lairton aos 8 minutos do segundo tempo, em lugar de Iura, parecia resolver o problema do Grêmio. Em poucos minutos ele já tinha conseguido duas jogadas de multo perigo em um chute certo no golo, que Nascimento evitou fazendo boa defesa. Paulo Sérgio já estava bem colocado. Oberti voltava um pouco para ajudar na preparação e o placar poderia mudar a qualquer momento. Mas o Atlético, que se jogava na defesa, teve acima tudo sorte — na base de um contra-ataque, Caio cabeceou para trás, a bola caiu entre os zagueiros e Sicupira, passando na corrida, tomou a frente na jogada, avançou um pouco e chutou fazendo 2 a 0, aos 13 minutos. A partir daí o jogo ficou resolvido. O Grêmio continuou todo no ataque, às vezes desordenadamente (depois Froner tirou Paulo Sergio e colocou Bolivar), o goleiro Nascimento fez defesas excelentes mas no todo o Atlético estava bem colocado e garantiu a vitória por 2 a 0, ganhando melhores condições para disputar uma vaga entre os 20 classificados para as semi-finais.” (Edegar Schmidt, Correio do Povo, 27 de novembro de 1973)

1973 athletico pr fora correio do povo caio beto

Foto: Correio do Povo

 

“Sempre bato faltas desta maneira. Tinha eu , o Sicupira e o Sidney, mas achei que a distância e a colocação eram para mim. Acertei e partimos na frente do Grêmio. No Grêmio eu não batia faltas, porque o Flecha era o principal cobrador, por isso a surpresa deles”, comentava Caio, autor do primeiro gol atleticano na vitória de domingo, frente ao seu ex-clube, o Grêmio. No Atlético tudo e alegria e fé na classificação, que agora já ficou mais perto. “Com esta vitória frente ao Grêmio, tudo melhorou, passamos para o 22º lugar, está bem melhor, né?” dizia Didi Duarte.” (Diário do Paraná, terça-feira, 27 de novembro de 1973)

1973 athletico pr fora diario da tarde 01

Foto: Diário da Tarde

A ÚNICA COISA RUIM DESSE JOGO: A RENDA

Esse jogo de ontem em Belfort Duarte foi assim: de um lado, um time jogando para o gol – jogando certo, com poucas falhas, quase perfeito:: do outro um time se defendendo muito, indo de vez em quando ao ataque. Resultado, teria que ganhar o tine de futebol certo, que procurava o gol e, esse foi o Atlético Paranaense, que derrotou o Grêmio Portoalegrense por dois gols a zero, num jogo de técnica e velocidade e, que teve como única coisa ruim a arrecadação (Cr$ 78.317,00), que trouxe novos prejuízos para o rubro-negro […]” (Diário da Tarde, segunda-feira, 26 de novembro de 1973)

1973 athletico pr fora diario da tarde ladinho

Foto: Diário da Tarde

Atlético Paranaense 2×0 Grêmio

ATLÉTICO-PR: Nascimento; Julio, Di, Alfredo e Ladinho; Lourival e Sergio Lopes; Sidnei, Sicupira (Bene). Caio e Didi Duarte (Renatinho).
Técnico: Lanzoninho

GRÊMIO: Picasso; Claudio, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Carlos Alberto e Paulo Sergio (Bolivar); Carlinhos, Iura (Lairton), Oberti e Loivo.
Técnico: Carlos Froner

Brasileirão 1973 – Primeira fase – Returno – 4ª Rodada
Data: 25 de novembro de 1973, domingo, 16h00min
Local: Estádio Couto Pereira, em Curitiba-PR
Publico: 8.751
Renda: Cr$ 78.317,00
Juiz: Luis Carlos Felix – RJ
Auxiliares: Joaquim Gonçalves e Josias Paulino
Gols: Caio, aos 12 minutos do 1º tempo e Sicupira, aos 13 minutos do 2º tempo

Brasileirão 1973 – Grêmio 0x0 Corinthians

October 4, 2019
1973 gremio 0x0 corinhtians paulo sergio rivellino cp

Foto: Correio do Povo

Eu ainda não criei um nome para essa série sobre alguns dos posts que tenho feito aqui no blog. Tinha pensado em “Partidas (não tão) Aleatórias”, onde posto matérias sobre jogos com o mesmo adversário do próximo compromisso do Grêmio, pelo mesmo campeonato, com o mesmo mandato, mas num jogo que não teve nenhum aspecto particularmente memorável.

No de hoje, posto sobre um 0x0 entre Grêmio e Corinthians pelo Brasileirão de 1973 no Olímpico.

1973 gremio 0x0 corinhtians guaiba

EMPATE FOI PRÊMIO PARA DUAS GRANDES EQUIPES

Grêmio e Corintians não mereciam perder, ontem à noite, na mais empolgante partida que a torcida gremista assistiu, no Olímpico, no atual campeonato Nacional. O jogo foi bom, foi rápido, emocionante, dois times bem organizados, o público viu vários lances emocionantes. O empate foi um prêmio justo para os dois grandes adversários. Grande público assistiu à partida que teve a presença ilustre de Emílio Garrastazu Médici, presidente da República.

O Grêmio encontrou um adversário forte, bem colocado na defesa, adiantando a zaga para deixar o ataque em impedimento e muitas vezes conseguindo. O Corintians procurou no primeiro tempo — e conseguiu — tirar todo o espaço para a jogada do Grêmio em profundidade. E partindo com segurança nas organização da jogada, o Coríntians conseguiu, no primeiro tempo, as melhores oportunidades para marcar.

A primeira foi quando Paulo Borges passou a bola para o lateral Zé Maria, na grande área, centrar forte e Picasso defender. O rebote foi apanhado por Roberto que cabeceou no canto oposto mas o goleiro do Grêmio foi bem no lance e agarrou a bola. Logo depois houve o choque de Mazinho com Roberto, Mazinho saiu com suspeita de fratura na perna esquerda entrando Humberto Ramos. Ainda no primeiro tempo a segunda chance do Coríntians: Rivelino entrou para marcar e Beto calçou na hora mas Roberto apanhou rebote novamente e outra vez Picasso salvou o Grêmio.

SEGUNDO TEMPO — Tarciso, a pedido de Froner, ainda conseguiu jogar 10 minutos depois entrou Oberti, sem reflexos mas tentando acertar. O jogo nos primeiros minutos do segundo tempo não teve o mesmo ritmo do primeiro tempo e o Grêmio cresceu mas custou a criar as chances de golo. A meia-cancha, sem espaço, retinha a bola e quando o mesmo surgia — Tabajara deu piques, três vezes — nem Humberto, nem Paulo Sérgio conseguiam a visão do lance para soltar a bola. O Corintians trocou Vaguinho por Lance mas nada conseguiu porque a defesa do Grêmio esteve perfeita, com Beto sendo o melhor dos zagueiros. A partir dos 30 minutos o Grêmio manteve o mesmo ritmo e aproveitou a queda de produção do Corintians e aí a equipe de Froner ganhou a melhor oportunidade. Cláudio projetou-se pela direita e levantou para a área quando Carlinhos cabeceou.

O goleiro Ado saiu mal e a cabeçada de Carlinhos bateu no poste direito. O Grêmio continuou pressionando mas o jogo era de zero a zero, nenhum time merecia perder no excelente Grêmio e Corinthians. ” (Correio do Povo, 15 de novembro de 1973)

1973 gremio 0x0 corinhtians jb

GRÊMIO 0x0 CORINTIANS

Porto Alegre (Sucursal) — Numa partida emocionante e bem disputada, que teve inclusive a presença do Presidente Mediei, Grêmio e Corintians empataram de 0 a 0 no Estádio Olímpico. O time gaúcho foi melhor no segundo tempo quando, graças ao seu excepcional preparo físico, esteve sempre criando chances de gol.”  (Jornal do Brasil, 15 de novembro de 1973)

GRÊMIO: Picasso, Cláudio, Ancheta, Beto e Jorge Tabajara; Carlos Alberto e Paulo Sérgio; Carlinhos, Mazinho (Humberto Ramos), Tarciso (Oberti) e Loivo
Técnico: Carlos Froner

CORINTHIANS: Ado, Zé Maria, Laércio, Vagner e Vladimir; Tião c Rivelino; Paulo Borges, Roberto, Vaguinho (Lance) e Adãozinho
Técnico: Yustrich

Campeonato Brasileiro 1973
Data: 14 de novembro de 1973
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$196.749,00
Juiz: Armando Marques
Auxiliares: Hernani José de Castro e José Carlos Bezerra

Brasileirão 1973 – Grêmio 1×0 Santos – O último jogo de Pelé no Olímpico

April 25, 2019
Brasileirao 1973 Gremio 1x0 Santos edu renato cogo ancheta cp b

Foto: Correio do Povo

Em jogo válido pelo Brasileirão de 1973, mas disputado em janeiro de 1974, Pelé fez seu último jogo no Estádio Olímpico.

E o Grêmio ganhou por 1×0, com um gol de Carlinhos, já nos acréscimos do segundo tempo.

Brasileirao 1973 Gremio 1x0 Santos vespera cp

SENSACIONAL VITÓRIA DO GRÊMIO

O Grêmio precisava da vitória para aspirar a uma classificação ou continuar lutando por ela. O importante golo de Carlinhos, no fim do jogo, confirmou a melhor exibição gremista, principalmente no segundo tempo. O Santos veio a Porto Alegre com Pelé (que não jogou bem) e uma das melhores campanhas na fase semifinal do campeonato nacional.

Exatamente por isso o técnico Carlos Froner cuidou, inicialmente, de brecar o início das jogadas na meia-cancha do Santos, que tinha o recuo de Pelé. Assim Froner deixou Carlinhos na reserva e colocou Humberto Ramos como falso ponteiro-direito. Fixo na ponta, o jogador mais habilidoso do ataque gremista, ficou, praticamente sem função, pois nunca teve um companheiro para dar continuidade às jogadas. O Santos começou dando um susto no Grêmio quando Mazinho, batendo Jorge Tabajara e cruzando forte, fez Beto, na tentativa de rebater, atirar no poste direito de Picasso. Depois Humberto Ramos foi liberado da função de jogar na ponta e passou a acionar pelo meio e o Grêmio cresceu de produção.

A melhor oportunidade do primeiro tempo foi um escanteio que Loivo cobrou certo para, Mazinho cabecear no travessão, com o goleiro Cejas saltando tarde, e por isso batida totalmente no lance. Pelé adiantado começou a voltar para buscar o jogo que não chegava até ele, e Edu foi marcado por Renato Cogo. Assim o primeiro tempo terminou zero a zero.

SEGUNDO TEMPO
No segundo tempo, o Grêmio cresceu muito de produção e dominou o Santos que passou a contar com o recuo de Pelé e a penetração de Brecha, meia-cancha, como ponta-de-lança. Sentindo a pressão gremista o Santos passou a tocar a bola e a demorar na cobrança de faltas ou laterais, com a clara intenção de fazer o tempo passar, uma vez que o empate seria bom. O treinador Pepe só não contava com a entrada de Carlinhos no lugar de Humberto Ramos. Aí Mazinho fez a função de Humberto e o Grêmio teve a formação mais racional, a que realmente mostrou um time melhor que o Santos e com vontade de ganhar. A primeira grande oportunidade do segundo tempo foi um chute de Tarciso que bateu nos dois postes do goleiro Cejas. Cada vez mais aumentava a pressão gremista e o Santos só teve um grande lance, que Nenê desperdiçou depois de receber ótimo passe de Pelé. Antes Brecha fora lançado pelo mesmo jogador e, livre, arremessou para fora.

E quando parecia que o jogo terminaria mesmo empatado, Carlinhos foi recompensado por sua grande atuação e por ter mudado a feição do jogo. Ele recebeu de C. Alberto, que estava na linha de escanteio, caiu pela meia direita e arrematou em curva com o pé esquerdo, 30 segundos além do tempo regulamentar. A bola ainda raspou em Nenê e encobriu o goleiro Cejas, para estabelecer a mais importante vitória gremista na fase semifinal.” (Correio do Povo, terça-feira, 29 de janeiro de 1974)

 

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Ruy Carlos Ostermann – Correio do Povo, terça-feira, 29 de janeiro de 1974

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Brasileirao 1973 Gremio 1x0 Santos folha

SANTOS CONFIAVA NO EMPATE, O GRÊMIO MARCOU E GANHOU

O Santos não conseguiu dominar e vencer o Grêmio. Como o jogo estava terminando, preferiu optar pelo empate. Mas acabou sendo surpreendido por um gol de Carlinhos nos segundos finais e teve que se conformar com uma derrota inesperada, principalmente pela maneira como vinha jogando ultimamente O favoritismo não adiantou nada.

Os problemas internos que existem no Grêmio são os mesmos que existiam quando, nas eliminatórias, sofreu a goleada de 4 a 0 para o Santos no Pacaembu. Foi o último jogo entre os dois. Acontece que naquele tempo nada transparecia, muito pelo contrário, a imagem do time gaúcho era a mais tranquila possível e todos o apontavam como um exemplo de disciplina dentro e fora do campo.

Hoje a situação é outra, Oberti vendido para o Old Boys da Argentina, depois de acusado pelo técnico Carlos Fronner de jogar dopado, revelou que a situação interna do Grêmio não é o que se dizia mas muito pelo contrário: o ambiente é dos piores, com todo tipo de brigas e interferências no trabalho dos jogadores, técnico, e demais áreas administrativas.

Talvez seja por isto que o jogo de ontem foi tão ruim O Grêmio, para não sofrer nova goleada, e desta ver com repercussão pior ainda, por se tratar do jogo em Porto Alegre, começou na retranca. O Santos, por sua vez, não estava em grande dia. Pelé, que ultimamente tem se cansado de mostrar que continua o melhor jogador do mundo, acompanhou o baixo rendimento do time. Em outras palavras, não fez nada a não ser trocar passes e fazer uns poucos lançamentos visando principalmente a esquerda, na esperança de que Edu fizesse alguma coisa.

O jogo foi se desenrolando assim monótono para a decepção da torcida. No segundo tempo a situação continuava a mesma, com apenas uma diferença: Carlinhos e Tarciso, antes isolados no ataque, ganharam mais um companheiro: o ponta-esquerda Loivo que recebeu ordens para avançar também. Mas só nos momentos de contra-golpes.

O jogo ficou um pouco mais movimentado, Carlinhos, o mais perigoso, passou a jogar mais livre de marcação, pois agora a defesa santista tinha que dividir a atenção pelas duas extremas. Contra-atacando assim, o gol surgiu. Foi muito mais por unta questão de sorte, do que por bom futebol. Aos 45 minutos, quando as esperanças tinham sido abandonadas, Carlinhos, recebeu a bola de Marinho pelo meio e venceu Cejas saiu bem, mas foi enganado com um toque pelo alto e o Grêmio ganhou o jogo. Foi uma vitória apagada onde as boas atuações foram totalmente individuais. Como a de Carlinhos que voltou muito bem, e esforçou-se o tempo todo contra uma das mais respeitadas defesas do país.

No Santos pode ser destacada a atuação do Mazinho e de Clodoaldo, um lutador incansável. Cejas não pode ser culpado pelo gol pois nada podia fazer. Durante o jogo não teve, como Picasso, momentos de grande perigo. Carlos Alberto também esteve bem, apesar de vir de três jogos parado devido à suspensão pelas ofensas ao juiz Carlos Costa numa briga com Cejas.” (Folha de São Paulo, segunda-feira, 28 de janeiro de 1974)

tabela

GRÊMIO VENCE SANTOS NO FINAL

Porto Alegre (Sucursal) — A torcida do Grêmio já estava saindo do Estádio Olímpico, consolada com um empate frente no Santos, quando 30 segundos além do tempo regulamentar Carlinhos chutou forte, a bola bateu em Zé Carlos e foi para as redes sem chance para Cejas, garantindo a vitória do time gaúcho por 1 a 0.

Um grande público assistiu à partida entusiasmado com a possibilidade de ver Pelé, mas o jogador não repetiu suas boas atuações, devido à dura marcação que recebeu da defesa do Grêmio e principalmente de Carlos Alberto que lhe perseguiu por todo o campo. A renda, surpreendente, pois o estádio praticamente lotou, foi de Cr$ 272 mil 768. O juiz Luis Carlos Félix teve uma boa atuação.

Erro do Grêmio

O Grêmio atuou com Picasso, Renato, Ancheta, Beto e Jorge Tabajara, Carlos Alberto, Paulo Sérgio e Mazinho, Humberto Ramos (Carlinhos), Tarciso e Loivo.

O Santos teve Cejas, Carlos Alberto, Marinho, Vicente e Zé Carlos, Clodoaldo, Brecha (Léo) e Nené, Marinho, Pelé e Edu. O Santos começou a partida muito bem, aproveitando as deficiências táticas do Grêmio, já que o técnico Carlos Froner deixou Carlinhos na reserva, preferindo escalar na sua posição o meia Humberto Ramos, que acabou perdido entre a ponta e o meio-campo. Aos 6 minutos, o time paulista perdeu unia boa chance quando Mazinho cruzou forte e Ancheta, na ânsia de defender, acabou mandando a bola na trave, para defesa posterior de Picasso.

Aos 10 minutos, num contra-ataque, o Grêmio por pouco não surpreendeu o Santos, mas Humberto Ramos chutou muito alto, apesar de só ter Cejas pela frente. Mais tarde, vendo o erro tático, Carlos Froner mandou que Mazinho se deslocasse para a ponta e Humberto Ramos voltasse para o meio-campo. A partida ficou mais equilibrada, apesar dos defeitos no ataque. O time gaúcho manteve-se firme na defesa, vigiando incessantemente todos os passos de Pelé. E contendo os pontos de qualquer maneira.

Mazinho, aos 32 minutos, quase colocou o Grêmio em vantagem. Ele escorou um escanteio bem cobrado por Loivo e cabeceou forte, mas a bola acabou batendo na trave e foi para fora.

Santos melhor

Prendendo a bola no meio-campo e esfriando os ataques do Grêmio, o Santos começou melhor o segundo tempo. Aos 10 minutos, a melhor jogada de Pelé: ele recebeu a bola de Clodoaldo e lançou Brecha, que correu sozinho para a área do Grémio e acabou chutando para fora.

Em seguida, o técnico do Grêmio fez a substituição de Humberto Ramos por Carlinhos, que acabou mudando todo o esquema tático da equipe, passando a explorar as jogadas pela ponta-direita. O Santos, sentindo a pressão e o apoio cia torcida ao time gaúcho, passou a catimbar o jogo. Aos 24 minutos, Tarciso realizou duas boas jogadas: na primeira, tentou encobrir Cejas e o goleiro defendeu; na segunda, chutou de fora da área, sendo que a bola bateu na. trave direita, correu na risca do gol e bateu na esquerda, terminando nas mãos do goleiro.

O ritmo de jogo do Grêmio no final foi impressionante, mas a torcida já eslava deixando o Estádio Olímpico quando aconteceu o gol. O lance começou com uma cobrança de escanteio por Loivo. Houve confusão na área e Carlinhos, de pé esquerdo, chutou forte, sendo que a bola foi para as redes depois de bater em Zé Carlos, enganando Cejas. Passavam 30 segundos do tempo regulamentar e o Grémio então, com a vitória, começava a sair da crise interna e a ter novamente esperanças na classificação.” (Jornal do Brasil, segunda-feira, 28 de janeiro de 1974)

colocaçoes

Brasileirao 1973 Gremio 1x0 Santos ingressos

GRÊMIO: Picasso: Renato Cogo, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Carlos Alberto, Paulo Sérgio e Humberto Ramos (Carlinhos); Tarciso, Mazinho e Loivo
Técnico: Carlos Froner

SANTOS: Cejas; Carlos Alberto Torres, Marinho Perez, Vicente e Zé Carlos; Clodoaldo e Brecha (Léo); Mazinho, Nenê, Pelé e Edu
Técnico: Pepe

Data: 27 de janeiro de 1974, domingo, 18h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 262.763,00
Juiz: Luís Carlos Félix
Auxiliares: Eraldo Palmerini e Rubens Carvalho