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Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 1ª Rodada – São Paulo 3×0 Grêmio

March 8, 2021

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

Há exatos 40 anos o Grêmio fazia o seu primeiro jogo pela segunda fase do Brasileirão de 1981 (a décima partida da campanha). E iniciava mal, com um dura derrota por 3×0 para o São Paulo no Morumbi.

O tricolor paulista estava vivendo um grande momento. Três dias antes a equipe havia vencido o Cosmos num amistoso em São Paulo. E 7 dos seus atletas haviam sido convocados para a Seleção Brasileira que jogaria pelas eliminatórias para a Copa de 1982.

Por outro lado, o Grêmio passava por uma certa “turbulência”. O preparador físico Eroíno Machado pediu demissão após fazer críticas públicas sobre a conveniência da viagem do Grêmio para um torneio amistoso no Uruguai. Julio Espinosa foi contratado para o seu lugar.

Comparando essa derrota com outros revezes de temporadas anteriores, Tarciso vaticinou: “este ano estou convencido de que a escrita vai mudar. Este ano a paulada foi cedo, logo no primeiro jogo.”

 

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

GRÊMIO PERDEU PARA UM FUTEBOL SUPERIOR

Um time cheio de lances ensaiados, com um ataque forte e inspirado, o São Paulo foi irresistível para, o Grêmio que tinha esperanças no jogo

 

Bem que o Grêmio tentou surpreender o São Paulo, com Ênio Andrade tendo mandado Tarciso explorar os espaços surgido: na defesa adversária com os avanços de Marinho. Mas o São Paulo ganhou a partida no Morumbi, por 3 a 0, e até poderia ter marcado mais gols, devido ao seu futebol sempre ofensivo, ou a criatividade de seus jogadores, especialmente Zé Sérgio. Nem o campo molhado (choveu muito antes da partida) ajudou o Grêmio no sentido de ficar livre das investidas de seu adversário.

 

E o São Paulo deixou claro logo no Início que iria atacar quando Éverton deu um chute muito forte para Leão defender, e quando Marinho, quatro minutos após, fez o mesmo. A torcida delirava, e China, o esforçado centromédio do Grêmio, levou cartão amarelo por jogo violento. Nem foi criticado por seus companheiros, pois esta era mesmo a única forma de parar o ataque adversário.

 

O São Paulo mostrava um time cheio de lances ensaiados, e com jogadores habilidosos, Paulo César, tabelando com Getúlio, deixou o lateral livre para iniciar o lance do seu primeiro gol. Serginho marcou, e Leão apenas colocou a mão na cabeça, desolado, ouvindo o torcida adversária gritar.

 

Zé Sérgio também fazia seu carnaval no lado esquerdo, mesmo cercado por Uchoa e De León. Serginho era uma presença constante na área, Paulo César ameaçava, e o Grêmio resistia. Até com certa bravura, pois ainda ia à frente: Tarciso era seu melhor jogador, e a defesa do São Paulo mostrava defeitos no jogo pelo alto, notadamente depois que Dario Pereira deixou o campo, lesionado. O Grêmio perdeu boas chances para empatar os 27 e 40 minutos, quando Tarciso (seu melhor jogador) criou lances para os companheiros.

 

Azar do Grêmio. Depois, o São Paulo voltou a dominar, e Serginho perdeu três boas oportunidades para ampliar a vantagem de seu time. Ele concluiu lances iniciados por Zé Sérgio (sempre ele), Éverton, e no último, aos 45 minutos, ficou livre à frente de Leão para chutar desviado.

 

PASSEIO NO SEGUNDO TEMPO

 

O Grêmio voltou para o segundo tempo pensando em empatar, e sua pequena torcida no Morumbi agitou-se quando Tarciso ficou livre à frente de Valdir Perez, aos seis minutos. Mas o goleiro defendeu e mais do que isso, ali o Grêmio terminou. Vicente deixou sua vaga para Casemiro, lesionado e pessoalmente escapou do pior.

 

É que o São Paulo começou a atacar novamente, e agora com mais força, com seus jogadores mais entrosados e rendendo melhor. Zé Sérgio iniciou um verdadeiro carnaval no lado esquerdo, sempre bem assessorado por Marinho, agora mais livre para apoiar, depois que Tarciso passou a ser esquecido por seus companheiros. Os outros gols eram só uma questão de tempo.

 

Serginho marcou o segundo aos 15 minutos, num lance de Zé Sérgio, que terminou com o cruzamento de Marinho. Paulo César desperdiçou outras duas boas oportunidades e a torcida fazia festa. O campo ¡á estava em bom estado, e o São Paulo passeava em campo.

 

Zé Sergio aprontou de novo, aos 35 minutos, e o Grêmio levou o terceiro. Aí, os jogadores do São Paulo mostravam todas as suas qualidades individuais, e evitavam os lances mais bruscos, já pensando na Seleção Brasileira.

 

O resumo de tudo? Ganhou o melhor. E o Grêmio, que fez o que pôde, nem teve ânimo para reclamar um pênalti a seu favor: um lance na hora em que o São Paulo ganhava por 2 a 0, quando Éverton empurrou Renato Sá sem que Wright tivesse se apercebido disso.

 

O PLACAR

Serginho para o São Paulo, 1 a 0 aos 15 minutos do primeiro tempo — Paulo César tabelou com Getúlio, e o lateral cruzou forte para a área. Os zagueiros do Grêmio não cortaram e Serginho ficou livre à frente de Leão, para chutar no canto direito.

 

Serginho para o São Paulo, 2 a 0, aos 15 minutos do segundo tempo — Zé Sérgio lançou Marinho, este fez o cruzamento alto para a área do Grêmio e Serginho, sempre bem colocado, e sem marcação, acertou o canto direito de Leão.

 

Serginho para o São Paulo, 3 a 0, aos 35 minutos do segundo tempo — Uma repetição do segundo gol: Zé Sérgio deu a bola para Marinho que cruzou para a área. Serginho, outra vez livre, deu um leve toque para o canto direito.” (José Evaristo Villalobos Neto, Zero Hora, segunda-feira, 09 de março de 1981)

 

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

 

 

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)

 

“— Este jogo da próxima quinta-feira aqui, contra o Fortaleza é chave para as nossas pretensões. Se vencermos bem, iremos para o outro jogo em Limeira com moral, embalados e aí tenho certeza de que a situação muda.

 

Com a experiência de tantos anos de Grêmio e de situações semelhantes a esta, atual, o ponteiro Tarciso definiu ontem o pensamento de seus companheiros para a próxima partida, depois da derrota para o São Paulo (Grêmio perdeu antes para Brasília e Operário). O jogo contra o Fortaleza — colocado em segundo lugar no grupo ao lado do Inter de Limeira — é decisivo para a classificação do time à etapa seguinte. Tarciso disse isto a exemplo de outros jogadores, lembrando-se de derrotas anteriores nesta mesma fase, como contra a XV de Piracicaba, em 1979 ou contra o Corintians, em 1980.

 

— E muito difícil de explicar estas derrotas que todo ano nos acontecem — disse ele. Sei que ninguém acredita mais nas desculpas e são tantos os aspectos. Mas este ano estou convencido de que a escrita vai mudar. Este ano a paulada foi cedo, logo no primeiro jogo. Eu até não acredito ainda. No primeiro tempo do jogo em São Paulo até falei para o Isidoro que nós iríamos empatar.” (Zero Hora, terça-feira, 10 de março de 1981)

 

 

“FÁCIL PARA A “SELEÇÃO” DO MORUMBI

 A “seleção brasileira do Morumbi”, ou seja, o time do São Paulo, deu ontem à tarde mais uma boa demonstração do seu poderio técnico, impondo-se com categoria ao Grémio, pela contagem de 3 a 0. Um resultado que não deixa qualquer dúvida sobre a superioridade são-paulina, que assim larga com uma importante vitória nesta nova fase da Taça de Ouro do Campeonato Brasileiro de Futebol. Apesar do estado do gramado, principalmente no primeiro tempo, em virtude das chuvas, o time do São Paulo esteve bem, o do Grémio teve alguns bons momentos, mas não fez o suficiente para impedir o triunfo são-paulino. Não seria nenhum exagero se o São Paulo tivesse marcado pelo menos mais um gol, pois para tanto criou um bom número de oportunidades.

Serginho foi o grande artilheiro da partida, marcando os três gols, todos com jogadas iniciadas pelas pontas, setores que sem dúvida foram o ponto alto da equipe paulista, Pela direita, os gaúchos também tiveram bons momentos, com Tarciso e Paulo Isidoro, mas não conseguiram o mesmo êxito, pois não chegaram ao gol.

Com apenas 5 minutos de jogo, o São Paulo já tinha experimentado o goleiro Leão por duas vezes, com chutes de Everton e de Marinho, este último cobrando falta. Nas duas oportunidades, Leão apareceu bem, defendendo sem maiores preocupações. Até a marcação do primeiro gol o São Paulo apareceu melhor e conseguiu o que queda aos 15 minutos, vencendo pela primeira vez a meta de Leão. A jogada começou pelo setor direito, com Getúlio e Paulo César. O cruzamento foi do lateral, passando a bola rasteira pela defesa e encontrando Serginho livre para entrar sem qualquer’ problema para a conclusão. Um gol que ao contrário do que se poderia Imaginar, não abalou o time do Grémio, que passou a forçar, aparecendo um pouco melhor. Porém, é preciso frisar que o Silo Paulo, depois do gol, preferiu ficar um pouco mais cauteloso, não indo à frente com o mesmo empenho.

Nesta reação, o Grêmio teve algumas boas jogadas, com Valdir Peres defendendo bolas chutadas por Paulo Isidoro e Baltazar. Aos 30 minutos, uma presença perigosa dos gaúchos na área do São Paulo e foi só até o final do primeiro tempo. O tricolor, por sua vez, teve duas excelentes oportunidades no minuto final: Na primeira, Zé Sérgio preparou tudo na medida para Everton, que chutou por cirna; na segunda, Serginho avançou a livre, preferiu chutar antes do tempo e a bola acabou saindo pela esquerda, com Leão tirando o ângulo do atacante.

Se no primeiro tempo o São Paulo explorou bem o seu setor direito, no segundo preferiu: o esquerdo, de onde saíram os dois gols que consolidaram a vitória. Na fase final, o. Grêmio ficou um tanto quanto desanimado depois de ter sofrido o segundo gol. A equipe perdeu praticamente a disposição que vinha apresentando e pouco realizou de prático. Logo de saída, Everton chutou rasteiro de longe, com Leão pegando fácil. Aos 6 minutos, o Grêmio poderia ter chegado ao empate, se a tentativa de Tarciso tivesse dado certo. Livre, ele tentou encobrir Valdir Perez mas não conseguiu, defendendo o goleiro: Aos 16 minutos surgiu o gol que acabaria com o time gaúcho, um gol que foi praticamente unia repetição do primeiro. Everton desceu pela esquerda e aproveitando a descida de Marinho Chagas, deu um ótimo passe na frente. O lateral cruzou na medida e novamente a entrada oportuna de Serginho para concluir com facilidade.

Aos 20 minutos o árbitro José Roberto Wright tirou do Grêmio aquela que poderia ser a sua chance para diminuir a diferença. É que ele deixou de marcar um pênalti de Everton em Paulo Isidoro. O jogador gaúcho foi empurrado dentro da área. Digno de registro, este foi o único lance importante do Grêmio até o final da partida: Não fez nada por merecer melhor sorte no placar e a presença dó São Paulo foi marcante, comandando o jogo sem qualquer tipo de problema. Esta superioridade resultou na marcação do terceiro gol, aos 35 Minutos.  Pela esquerda, a troca de passes entre Zé Sérgio e Marinho Chagas e o cruzamento deste último pata o arremate de Serginho. Leão ainda chegou a tocar na bola. Alguns minutos antes, o São Paulo já poderia ter marcado, quando Zé Sérgio, depois de passar por Uchoa e De Léon, cruzou para Paulo César, livre de frente para o gol: A cabeçada do ponteiro não foi certeira e a bola passou por cima.

O São Paulo, com 3 a 0, deixou o tempo passar, não forçou muito, o Grêmio conformado com o seu destino e assim a partida chegou ao seu final com uma última tentativa sendo) feita por Marinho Chagas: chutou de fora dá área o Leão desviou para escanteio.”  (AroldoChiorino, Folha de São Paulo, 9 de março de 1981)

 

 

Placar: Um jogo maravilhoso. O São Paulo foi massacrante e o Grêmio conseguiu ser grande para evitar uma goleada maior.

 

DERROTA CONTUNDENTE DO GRÊMIO E UMA VITÓRIA MUITO DIFÍCIL DO INTER
 
A dupla Gre-Nal não agradou na abertura da segunda fase da Taça de Ouro. Enquanto o Grêmio caiu feio no Morumbi, o Internacional, no Beira-Rio, passava apertado pelo modesto Goiás. Apesar do escore, uma importante vantagem colorada na nova etapa da competição.
 
No Morumbi, o São Paulo não teve dificuldades para fazer um dilatado três a zero no bicampeão gaúcho. Pior ainda: O representante do Olímpico demonstrou um péssimo condicionamento físico, parando em campo.
 
[…]
 
A derrota gremista em São Paulo e a vitória colorada aqui fizeram um registro que preocupa. Ao Inter, a necessidade de aprimorar suas jogadas ofensivas; ao Grêmio mais na força na defesa e um melhor preparo físico, para proporcionar maior movimentação em campo.” (Correio do Povo, terça-feira, 10 de março de 1981)

 

ÊNIO RECONHECE QUE TIME ERROU MAS TAMBÉM REALÇA QUALIDADES DO ADVERSÁRIO
 
[…]
 
OS ERROS 
 
Ênio Andrade admite que a equipe ainda apresentou muitos erros no jogo do Morumbi. mas reconhece a qualidade da equipe do São Paulo. Para o treinador o seu time ainda foi prejudicado pela lesão sofrida por Vicente, que o obrigou. a deslocar Dirceu para a área, colocando Casemiro na lateral. Dirceu não está acostumado a jogar naquela posição e por isso também encontrou dificuldades de entrosamento com Hugo De León. 
 
O treinador,. porem, ficou satisfeito com o rendimento do time e com o bom número de situações de ataque criadas mas desaproveitadas. ” (Correio do Povo, terça-feira, 10 de março de 1981)

São Paulo 3 x 0 Grêmio

 
SÃO PAULO: Valdir Peres, Getúlio, Oscar, Dario Pereyra (Gassém, 27 do 1º) e Marinho Chagas; Almir, Renato (Assis 37 do 2º) e Éverton; Paulo Cesar, Serginho e Zé Sérgio.
Técnico: Carlos Alberto Silva
 
GRÊMIO: Leão; Uchoa, Vicente (Casemiro), De León e Dirceu; China, Renato Sá e Paulo Isidoro; Tarciso, Baltazar e Odair (Heber)
Técnico: Ênio Andrade
 
Brasileiro 1981 – 2ª fase – 1ª Rodada
Data: 08 de março de 1981, domingo, 16h00min
Local: Morumbi, em São Paulo
Público: 34.301 pagantes
Renda: Cr$ 6.179.550,00
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Auxiliares: Rubem de Souza e Amauri Ponciano
Cartões Amarelos: China, Éverton, Marinho Chagas, Renato Sá e Uchoa
Gols: Serginho aos 16 do 1º, 15 e 35 do 2º.

Brasileirão 1981 – Operário 2×1 Grêmio

February 21, 2021

Há exatos 40 anos o Grêmio fazia a sua última partida pela primeira fase do Brasileirão de 1981. A derrota para o Operário deixou o Grêmio na quarta posição do Grupo B (7 dos 10 times de cada grupo avançavam a segunda fase)

Nas quatro partidas que fez em casa nessa etapa, o Grêmio teve média de 16.658 pagantes por jogo.

 

“GRÊMIO ESCAPA DE GOLEADA EM CAMPO GRANDE

Sem a recepção da torcida, o Grêmio retornou a Porto Alegre ontem, depois de perder para o Operário por 2 a 1, no sábado, em Campo Grande. Com um primeiro tempo equilibrado, o time da casa conseguiu se destacar no segundo tempo, quando Pastoril e Cleber marcaram para o Operário. De pé esquerdo, Odair descontou, aos 39 minutos.

(2) Operário: Neneca; Loti (Da Silva), Ramiro, Paulo Marcos e Escurinho; Garcia, Pastoril e Arturzinho; Baianinho, Lima e Cleber (Serginho).Técnico: Castilho

(1) Grêmio: Leão; Uchoa, De León, Vicente e Dirceu; China (Heber), Paulo Isidoro e Renato Sá (Tadei); Tarciso, Baltazar e Odair. Técnico: Ênio Andrade

O texto acima foi publicado na edição de segunda-feira, 23 de fevereiro de 1981.” (Zero Hora / Seção “Há 30 anos em ZH” em 23 de fevereiro de 2011) Fonte: gremionobrasileiro1981.tumblr.com

CLASSIFICAÇÃO PG J V E D GP GC SG

   Portuguesa (SP)

14 9 6 2 1 13 7  6

   Operário (MS)

11 9 5 1 3 11 8  3

   Goiás (GO)

11 9 4 3 2 10 6  4

   Grêmio (RS)

10 9 4 2 3 11 9  2

   Corinthians (SP)

10 9 4 2 3 10 8  2

   Galícia (BA)

9 9 4 1 4 10 10  0

   Botafogo (RJ)

9 9 4 1 4 15 12  3

   Pinheiros (PR)

8 9 1 6 2 9 11 -2

   Brasília (DF)

6 9 2 2 5 10 15 -5

  10º Desportiva (ES)

2 9 0 2 7 4 17 -13

 

 

OPINIÃO: O Operário dominou o meio-campo e teve chance de ampliar a contagem. Bom jogo no 2.º tempo”(Silvio Andrade, Revista Placar, edição n.º 563, 27 de fevereiro de 1981

 

Operário-MS 2 x 1 Grêmio

OPERÁRIO: Neneca; Lóti, Paulo Marcos, Ramiro e Escurinho; Garcia, Pastoril e Arturzinho; Baianinho, Lima e Cléber (Serginho, 30 do 2º)
Técnico: Carlos Castilho

GRÊMIO: Leão; Uchoa, Vicente, De León e Dirceu; China (Éber 33 do 2º), Paulo Isidoro e Renato Sá (Vilson Tadei 25 do 2º); Tarciso, Baltazer e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

Brasileirão 1981 – 9ª Rodada – 1ª fase
Data: 21 de fevereiro de 1981,  Sábado
Local: Pedro Pedrossian (Morenão), Campo Grande
Público: 10.428
Renda: Cr$ 1.829.100,00
Juiz: José Assis de Aragão – SP
Cartão Amarelo: Pastoril, China e Garcia
Gols: Lima aos 15, Cléber aos 18 e Odair aos 40 do 2ºtempo

Brasileirão 1981 – Grêmio 1×2 Brasília

February 15, 2021

Foto: Correio do Povo

 

Há exatos 40 anos o Grêmio sofreu sua primeira derrota na campanha do Campeonato Brasileiro de 1981. E foi uma das maiores zebras da história do Brasileirão, tendo o tricolor levado uma virada do modestíssimo Brasília Futebol Clube.

Foto: Correio do Povo

 

“BRASÍLIA DERRUBA O GRÊMIO NO OLÍMPICO
O “Colorado” jogou como se estivesse decidindo a Copa Brasil e mandou gaúchos pro vinagre
  
Surpreendente sob todos os aspectos foi a derrota do Grêmio para o Brasília por 2 a 1 no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, pelo Grupo B da Taça de Ouro do Campeonato Brasileiro. A torcida do Grêmio saiu do seu estádio sem entender a derrota, pois há 14 jogos que o campeão gaúcho não perdia no Olímpico.
  
Tudo parecia que o Grêmio chegaria facilmente à vitória, pois marcou primeiro. Logo a 1 minuto e 40 segundos do primeiro tempo, Tarcísio fez o gol do Grêmio. A reação do Brasília veio ainda na fase inicial. Aluísio, aos 23, e Vander, aos 25 minutos, marcaram os gols do Brasília.
  
O árbitro Iolando Rodrigues teve uma boa atuação, inclusive na marcação de impedimento de Dirceu, anulando um gol do Grêmio, aos 39 minutos do segundo tempo.” (Correio Braziliense – 16 de fevereiro de 1981 – Fonte: Blue Corner)
BRASÍLIA FOI LÁ
 
No Estádio Olímpico, o nosso Colorado virou o jogo e desbancou o Grêmio de forma espetacular: 2×1
Após levar um gol logo no primeiro minuto de jogo, o Brasília reagiu e obteve espetacular vitória sobre o Grêmio, por 2 x 1, ontem à tarde, no Estádio Olímpico de Porto Alegre, pelo Grupo B do Campeonato Brasileiro. Os gols do Colorado foram marcados por Aloisio e Wander, aos 23 e 25 minutos do primeiro tempo respectivamente e ao final do jogo a torcida gremista deixou o estádio atônita, já que o seu time há 14 jogos não perdia uma partida no Olímpico.
 
O árbitro do encontro foi Iolando Rodrigues, que teve boa atuação, inclusive na marcação de impedimento de Dirceu, anulando um gol do Grêmio quando eram decorridos 39 minutos da etapa complementar.
 
Ainda ontem, pela Copa de Ouro, o Vasco da Gama perdeu para o Colorado por 1 x 0, em Curitiba; o Flamengo venceu o CRB por 3 x 2, em Alagoas, enquanto o Fluminense perdeu para o Sport Recife por 1 x 0, no Maracanã e o Santa goleou o Cruzeiro por 3 x 0, no Mineirão.
 
Pelas eliminatórias da Copa do Mundo, a Bolívia venceu a Venezuela por 3 x 0, em Caracas, conseguindo sua primeira vitória nessa primeira fase visando a classificação para a Copa do Mundo da Espanha. Telê Santana, que foi assistir a partida (sic), disse após o jogo que a Seleção Brasileira que enfrentará os bolivianos domingo, em La Paz, deverá ser a mesma que goleou o Equador por 6 x 0, sábado, em Quito.” (Correio Braziliense – 16 de fevereiro de 1981 – Fonte: Rdiasnet.com.br)
“BRASÍLIA 2×1 – MESMO EM CASA GRÊMIO DANÇOU
 
O Brasília Esporte Clube conseguiu excelente vitória, ontem, no Estádio Olímpico, de Porto Alegre, ao vencer o Grêmio por 2 x 1, pelo Grupo B da Taça de Ouro do Campeonato Brasileiro. A vitória brasiliense foi ainda mais vibrante em razão da virada no marcador, já que começou perdendo por 1 x 0, surpreendido que foi por um gol de Tarciso no primeiro minuto de jogo.
 
Após o jogo, ainda atônica (sic), a torcida do Grêmio deixou o estádio praticamente sem entender a derrota, pois há quatorze jogos que o campeão gaúcho não perdia em seu reduto.
 
Os gols do Colorado foram marcados por Aluísio, aos 23, e Wander, aos 25 minutos, também da etapa inicial. O árbitro Iolando Rodrigues teve boa atuação, inclusive destacando-se pela anulação de um gol do Grêmio aos 39 minutos da fase complementar, coisa difícil de acontecer quando a marcação é contra o time da casa. Com esse resultado, mais a derrota do Botafogo, sábado, melhoraram as coisas para o representante brasiliense.” (Correio Braziliense – 16 de fevereiro de 1981 – Fonte: Rdiasnet.com.br)

Foto: Zero Hora

 

BRASÍLIA REAGE E SUPREENDE GRÊMIO EM PORTO ALEGRE

 Porto Alegre — Em resultado surpreendente, o Brasília derrotou o Grêmio, ontem à tarde, em pleno Estádio Olímpico, por 2 a 1, dando uma zebra  de apenas 9% na Loteria Esportiva. Esta foi a primeira vez neste ano que o técnico Ênio Andrade conseguiu escalar o Grêmio com sua força máxima, inclusive com a presença de Paulo Isidoro, em sua volta da Seleção Brasileira.

 A torcida, que compareceu ao Estádio Olímpico, certa de assistir a uma goleada de sua equipe, teve seus prognósticos aumentados, pois logo a um minuto e 30 segundos de jogo, Tarciso abriu o marcador, entrando pelo meio para aproveitar um cruzamento do ponteiro Odair, pela esquerda. E foi justamente após marcar logo de início que o Grêmio permitiu ao Brasília sair para o ataque, pois somente a vitória manteria as esperanças de uma classificação à fase seguinte da Taça de Ouro do Campeonato Brasileiro.

 Com 1 a 0 antes dos dois minutos de jogo, o Grêmio passou a rolar bola, subestimando o adversário. E com alguma razão, pois logo em seguida surgiram novas chances de ampliar o marcador. Mas o Brasília também saiu para o ataque e, antes de empatar a partida, teve duas chances incrivelmente perdidas por seus atacantes. A primeira com Aluísio, quando Leão fez grande defesa. A segunda com Afonso, que chutou por cima.

 Aos 22, Aluísio, de grande atuação, arriscou um chute da intermediária e teve a felicidade de acertar o angulo direito de Leão, que nada pôde fazer. E aos 24, Vânder, na meia-lua, recebeu um cruzamento da esquerda e colocou no mesmo canto. Já em desvantagem, o Grêmio, mesmo nervoso, continuou criando chances para empatar a partida. Tarciso, Baltasar e Renato Sá perderam gols incríveis. Ao final do jogo, Dirceu marcou aquele que seria o gol de empate, mas o juiz anulou, assinalando impedimento erradamente.” (Jornal do Brasil,segunda-feira, 16 de fevereiro de 1981)

 
Enfrentar o Grêmio no Estádio Olímpico é difícil para qualquer time do mundo. Imagine então para uma equipe fundada na época há apenas seis anos, com expressão limitada ao campeonato do Distrito Federal. Mas, no dia 15 de fevereiro de 1981, o que era anunciado como uma goleada transformou-se em silêncio na casa tricolor. Um adversário com as cores do arquirrival venceu o time que tinha De León, Paulo Isidoro e Baltazar e seria campeão brasileiro naquela mesma temporada. O modesto Brasília derrubou o Grêmio em Porto Alegre e a loteria esportiva no país inteiro.
 
– Quem iria apostar no Brasília? Absolutamente ninguém. Com o gol de Tarcísio logo no começo (aos 30 segundos de jogo), então… Mas o Brasília tinha o Aluísio. Era um robozinho, corria muito. Uma hora, meio que para se livrar da bola, deu um pontapé para frente, de longe. Fez o gol e acabou com todas as apostas (Vander completou o placar a favor dos visitantes) – lembrou Gustavo Mariani, renomado historiador esportivo no Distrito Federal.
 
No dia seguinte, o jornal “Correio Braziliense” exaltou o feito dos visitantes e estampou a seguinte manchete: “O ‘Colorado’ jogou como se estivesse decidindo a Copa Brasil e mandou gaúchos pro vinagre.” (Helena Rebello, Globo Esporte, 3 de novembro de 2010)
 

Foto: Adolfo Gerchmann (Placar)

 
Placar: “OPINIÃO:O Grêmio deu a impressão de que iria golear ao marcar logo aos 2 min, mas o Brasília foi para cima, virou e teve mais time para segurar o resultado.” (Emanuel Mattos, Revista Placar, edição n.º 562, 20 de fevereiro de 1981)
 
 
“[…]  Contra o Brasília, contrariando a indiferença dos narradores e a visão, por certo encoberta, dos repórteres  de campo, eu vi o Leão falhar nos dois gols. O primeiro até o velho pipoqueiro que passava na arquibancada me garantiu – “Esta eu pegava, moço!” E, sinceramente, não duvido. Chute lá da Capital Federal que o Leão aceita, fazendo um vôo bonito, mas atrasado como a droga do meu relógio. […]” (Nilo Vaz, Correio do Povo, terça-feira, 17 de fevereiro de 1981)
 

 

Grêmio 1×2 Brasília

 
GRÊMIO: Leão; Uchoa, Vantuir, De León e Dirceu; China, Paulo Isidoro e Renato Sá (Vilson Tadei); Tarciso, Baltazar (Éber) e Odair
Técnico: Ênio Andrade
 
BRASÍLIA: Deo; Luisinho, Mário, Foca e Zé Mário (Ricardo); Alencar, Marco Antônio e Vânder; William, Afonso e Aluísio (Paulinho)
Técnico: Alaor Capela
 
8ª Rodada – 1ª fase –  Brasileirão 1981
Data: 15 de fevereiro de 1981, domingo, 17h00min
Local: Olímpico, Porto Alegre
Público: 13.525 pagantes
Renda: Cr$ 1.098.200,00
Juiz: Iolando Rodrigues – SC
Gols: Tarciso aos 2, Aluísio aos 22 e Vânder aos 25 do 1º tempo.

Brasileirão 1981 – Botafogo 2×3 Grêmio

February 7, 2021
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Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

Há exatos 40 anos o Grêmio conseguiu sua primeira vitória fora de casa no Brasileirão de 1981, ao vencer Botafogo no Maracanã por 3×2, em jogo válido pela 7ª rodada da Primeira Fase. Um dos destaques daquela tarde foi Baltazar, autor dos três gols gremistas.

Outro jogador com atuação destacada nesse dia foi Vilson Tadei, que fez sua primeira partida como titular na competição (antes disso ele somente havia entrado no segundo tempo do jogo contra o Goiás)

Nessa etapa, 7 dos 10 times de cada grupo avançavam para a fase seguinte. O Botafogo, treinado por Paulinho de Almeida (que havia sido campeão gaúcho pelo Grêmio em 1980) avançou até as semifinais.

 

1981 botafogo tarciso china

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

FALTOU FORÇA PARA O GRÊMIO GOLEAR
Daí, o Botafogo reagiu e quase chegou ao empate no segundo tempo

A reação do Botafogo, sábado, no Maracanã, foi sensacional, chegando a ameaçar uma “virada” no jogo após estar perdendo por diferença de três gols. Mas o Grêmio mereceu a vitória por 3 a 2 porque aproveitou melhor as chances de gols, e embora tenha tido o domínio de jogo apenas no primeiro tempo, conseguiu garantir sua vantagem. Os gols foram marcados por Baltazar (3) no primeiro tempo, descontando Mendonça (2) para o Botafogo na etapa final. Com este resultado o Grêmio isolou-se na vice-liderança do Grupo B, com dez pontos, apenas um de diferença da Portuguesa.

No primeiro tempo o Grêmio fez o que quis em capo, impondo um ritmo forte de jogo e marcando três gols, através de Baltazar. E só não fez mais porque parou de atacar. Logo no início, a um minuto, Tadei lançou Baltazar, às costas de Gaúcho. Ele dominou no peito mas concluiu mal de pé esquerdo. Aos quatro minutos Uchoa fez um gol, mas estava impedido. Aos dez minutos Baltazar transformou a vantagem do Grêmio em 1 a O. A equipe de Ênio Andrade tinha um bom ritmo de jogo, com Vilson Tadei destacando-se pela boa presença no meio-campo. Fez tabelas com Renato Sá e China, lançando os ponteiros e o centroavante. Rocha, Marcelo e Mendonça ficaram completamente perdidos.

O Botafogo assustou-se e tomou o segundo e o terceiro gol. A galera previa urna goleada incrível. A própria crônica carioca esperava isso com resignação, achando que o Grêmio realmente mostrava um bom esquema tático de proteção a defesa, a segurança de Hugo De Léon no combate a Miradinha e o bom trabalho do meio-de-campo, mais a vantagem de Tarciso e Baltazar sobre a confusa defesa do Botafogo: Gilmar, Zé Eduardo, Gaúcho e Serginho estavam apavorados.

Já no Intervalo Paulinho de Almeida pensou que seu time estava muito mal e fez a primeira mudança, com muito acerto: tirou Marcelo, lento e sem combatividade, colocando o habilidoso e esforçado Jérson. Mudou tudo e até Mendonça pode desenvolver seu futebol na frente.

Os erros do primeiro tempo foram corrigidos, com o time carioca marcando melhor no meio e jogando rápido pelas pontas Edson deu trabalho a Dirceu e Mendonça chegava perto da área. O Grêmio resolveu segurar o resultado num esquema de troca de passes e retardamento a Leão: teve o merecido, pois tomou dois gols, como poderia ter levado mais.

A torcida do Botafogo, depois da briga nas arquibancadas, vendo o time melhorar, passou ao incentivo e os jogadores de Paulinho reagiram. Tiveram boas chances mas o Grêmio estava em boa tarde, resistindo aos ataques no final. Paulinho ainda fez uma alteração, tirando Ziza e colocando Revelles na direita, passando Edson para a ponta-esquerda. Ênio tentou rebater, colocando Heber e Bonamigo no lugar de Baltazar e Odair, respectivamente. Para segurar o jogo.

O placar

BALTAZAR, para o Grêmio — 1 a 0 aos dez minutos do primeiro tempo. Dirceu cobrou uma falta pela intermediária do Botafogo, pelo lado esquerdo, passando a De León. O zagueiro chutou sem muita força mas a bola bateu no pé de Baltazar, desviando para o canto esquerdo do goleiro Paulo Sergio.

BALTAZAR, para o Grêmio 2 a 0 aos 16 minutos do primeiro tempo. Tarciso cobrou o escanteio pela ponta-esquerda, colocando na pequena área. O goleiro esperou pela ação da zaga, que ficou parada e Baltazar cabeceou sem multo esforço no canto direito.

BALTAZAR, para o Grêmio 3 a 0 — aos 23 minutos do primeiro tempo. Novamente o escanteio pela esquerda foi cobrado por Tarciso. Odair tocou de calcanhar para a área e Vantuir cabeceou para Zé Eduardo tirar parcialmente. China chutou a gol e a zaga rebateu. Baltazar acabou colocando para dentro do gol de pé direito.

MENDONÇA, para o Botafogo 3 a 1 se, aos 13 minutos do segundo tempo. De León fez falta em Mirandinha na intermediária, pelo lado esquerdo do Grêmio. Leão orientou a barreira, mas Mendonça cobrou por cobertura, com perfeição, colocando no canto direito do goleiro, sem chances.

MENDONÇA, para o Botafogo 3 a 2 aos 37 minutos do segundo tempo. Serginho fez um lançamento em diagonal para a área. Mendonça aparou no peito, passando a bola por sobre a cabeça de Dirceu e completando com um chute forte de pé direito, sem deixar a bola cair no chão.” (Julio Sortica, Zero Hora, Segunda-Feira, 9 de fevereiro de 1981)

1981 botafogo vilson tadei

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

COTAÇÃO – TADEI GARANTE SEU LUGAR NO TIME
Ele armou, lançou e ainda deu cobertura para sua área, jogando um futebol de alto nível

Botafogo

PAULO SÉRGIO — Não teve culpa nos gols: foi enganado no primeiro e nos outros falha foi da zaga. Poderia ter orientado os companheiros. Nota 5

GILMAR — Reserva de Perivaldo, não se complicou porque Odair foi muito mal. Não apoiou no primeiro tempo e marcou mal. Melhorou na etapa final. Nota 5

ZÉ EDUARDO — Completamente errado no início, marcando mal, levando desvantagem com Baltazar. Recuperou-se no final, quando teve bom trabalho com Gaúcho. Nota5

GAÚCHO — Zagueiro alto, mostrou-se desatento, mal na marcação e bom no apoio. Perdeu lances para Baltazar na cabeça e só melhorou na etapa final. Nota 5

SERGINHO — Era um dos mais fracos da defesa e Tarciso aproveitou o nervosismo do garoto. Batido no início, recuperou-se no final. Nota 5

ROCHA — Foi envolvido por Vilson Tadei. Tem pouco senso de jogo, em termos de visão. Errou passes e perdeu a tranqüilidade. Melhorou no segundo tempo, colocando a bola no chão. Nota 5

MARCELO — Um trabalho de baixo nível no início, foi dominado por China e Tadei. Acabou substituído por Jérson. Nota 3

EDSON — Ponteiro rápido e habilidoso, deu muitos dribles em Dirceu. Mas falta objetividade no seu futebol. Nota 4

MIRANDINHA — Bom atacante, sabe driblar bem e chuta com os dois pés. Deu trabalho a Vantuir e De León. Por ser individualista, sumiu do jogo no final. Nota 3

ZIZA — Já não é mais o jogador do Passado. No início ficou isolado na esquerda e foi para o meio. Melhorou levemente mas não rendeu bem. Acabou substituído por Revelles. Nota 3

JERSON – Um dos melhores do time. Rápido, boa visão de jogo e muita mobilidade. Já está merecendo uma vaga no time titular. Responsável pela reação do Botafogo. Nota 7

REVELLES – Entrou no lugar de Ziza, jogou na direita mas não fez nada. Nota 3

Grêmio

LEÃO — Foi um dos destaques do time, principalmente no segundo tempo. Fez boas saídas aos pés dos atacantes, interceptou bem os cruzamentos e não teve culpa nos gols do Botafogo. Nota 7.

UCHOA — Está melhorando de rendimento. No primeiro tempo não tomou conhecimento de Ziza e apoiou bem. Nota7.

VANTUIR — Um excelente primeiro tempo, bem na antecipação, na cobertura e nas bolas altas. Na etapa final andou vacilando em alguns lances. Nota 6.

DE LEON — Com Tadei, o melhor do Grêmio no primeiro tempo. Dominou completamente Mirandinha e ainda partiu para o apoio, lançando e fazendo passes. Caiu na etapa final. Nota 6

DIRCEU — O pior da defesa, pois na etapa inicial foi bem (como todo o time), mesmo permitindo alguns cruzamentos de Edson. No final, perdeu lances individuais e errou na marcação. Nota 5.

CHINA — Do bom trabalho de bloqueio, passes e cobertura no primeiro tempo, passou a ser envolvido e precipitado na etapa final. Talvez tenha sido emoção. Nota 4.

RENATO SÁ – No esquema de Ênio ele tem que recuar e marcar. Preocupa-se demais com isso e esquece de ir ao ataque. Regular no primeiro tempo e mal no segundo. Nota 4.

TARCISO — Taticamente, o melhor do ataque. Dominou a Serginho fez bons cruzamentos e deslocou-se para o meio. Nota 7

BALTAZAR — Entusiasmou os cariocas com seu oportunismo, posicionamento e sorte. Marcou os três gols do Grêmio, no início. Bem marcado, passou trabalho. Saiu para Héber “prender” o jogo na frente. Nota. 8.

ODAIR — Está na pior fase da sua carreira no Grêmio. Confunde-se taticamente, indo muito pelo meio e esquecendo da ponta. Nota 3

HÉBER – Entrou no lugar de Baltazar aos 37 minutos e não pode mostrar nada. Sem nota.

BONAMIGO – Entrou aos 30 minutos no lugar de Odair e quase complicou sua defesa num lance. Nota 3.

Os melhores

VILSON Tadei, com seu futebol objetivo e rápido, mostrou que pode ganhar a condição de titular. Contra o Botafogo ele fez de tudo: armou jogadas, fez tabelas, lançou e esteve até na área, para cobertura e retardamento de bolas a Leão. Foi dono do jogo no primeiro tempo. Na etapa final acabou cansando para marcar o meio-campo adversário. Fora de ritmo, ainda assim teve fôlego para agüentar os 90 minutos. Nota 9

MENDONÇA, talvez o único grande jogador que o Botafogo possui no momento, fez por merecer o respeito da torcida. No início foi envolvido pelo bom trabalho do meio de campo do Grêmio. Ficou retraído e só foi ao ataque depois dos 30 minutos. Na etapa final, junto com Jérson, mandou no jogo. Cobrou uma falta com perfeição e mostrou excelente visão de jogo e deslocamento. Fez o segundo gol do seu time na reação da etapa final. Nota 8

Atuação do juiz
Nota: 8
O árbitro paulista José Assis de Aragão é multo visado pelos dirigentes e jogadores. No jogo de sábado à tarde, no Maracanã, no entanto, foi quase perfeito. Acompanhou os lances de perto, marcou bem as faltas e talvez tenha sido exagerado apenas ao mostrar cartão para Rocha, Mirandinha e De León. Apenas um erro ao aceitar a marcação do bandeira Carlson Gracie num impedimento de Baltazar. Bom o trabalho dos auxiliares Carlson Gracie e Mário Santos.” (Julio Sortica, Zero Hora, Segunda-Feira, 9 de fevereiro de 1981)

1981 botafogo de leon

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

 

“ÊNIO MANTÉM A MESMA EQUIPE PARA DOMINGO
O treinador não muda o time que venceu Botafogo no sábado

Ênio gostou do time no primeiro tempo, mas no início da etapa final sentiu que o Botafogo havia se modificado e vinha modificado taticamente. O treinador concluiu que também deveria mexer na sua equipe e colocar jogadores descansados:

— O Botafogo colocou mais um jogador no ataque, tirando um do meio campo e reforçando sua força ofensiva. Isto perturbou nosso meio campo e com aquele gol de falta, eles ganharam mais motivação. Assim, eu tirei o Baltazar e coloquei o Heber, para não deixar os zagueiros do Botafogo saírem jogando, ele estava mais descansado que o Baltazar. Acho que no primeiro tempo dominamos bem o jogo e no segundo tempo o time meio que largou a bola. Acontece que com um resultado destes logo no início da partida, qualquer equipe fica morna, se desinteressa da movimentação, diminui a produção e acaba se perturbando. Mas, nosso objetivo é conseguir o primeiro lugar nesta chave. Veja só, temos no domingo o Brasília no Olímpico e quinta-feira o Operário, em Campo Grande, poderemos chegar aos 12 ou 14 pontos, o que poderá nos, dar a primeira colocação na chave B, e assim teremos vantagens nos próximos jogos.

O treinador reconheceu que o time todo diminuiu sua produção no segundo tempo, mas não chegou a se perturbar com isto. Para ele, fo. tudo uma reação natural:

— O time se desmotivou por causa do resultado. O importante é que eu gostei de tudo o que vi e não creio que haja modificação no time para o jogo do próximo domingo. Terei uma semana para pensar nisto, mas é quase certo que não farei alterações. Gostei desta equipe e vou escalar os mesmos jogadores contra o Brasília.” (Julio Sortica, Zero Hora, Segunda-Feira, 9 de fevereiro de 1981)

 

“TADEI SOUBE ESPERAR

Tadei esperou até ganhar um lugar no time, sem nunca reclamar. Treinava diariamente entre os reservas, só aguardando a chance que Ênio daria. Ela surgiu contra o Botafogo, no Maracanã e ele foi considerado como o melhor em campo:

— Todo o time foi bem, no primeiro tempo, mas no segundo houve uma acomodação. Conseguimos segurar o resultado e isto aí é importante. Claro que não poderíamos ter nos acomodado como aconteceu, mas são coisas de futebol e isto acontece. O importante é que ganhamos os dois pontos, garantimos nossa classificação e agora vamos lutar pelo primeiro lugar na chave. Eu soube esperar minha oportunidade, ela veio e se Deus quiser eu não sairei tão cedo. Tenho certeza que cumpri aquilo que o seu Ênio me pediu, mas reconheço que acabei cansando um pouco no segundo tempo. Isto se explica pois estou há muito sem jogar com a equipe principal. Com o tempo o entrosamento vai aumentando e poderei me adaptar em seguida com os titulares. Sei também que o time acomodou no segundo tempo, mas ainda bem que nos acordamos quase no final e conseguimos dar um sufoco no Botafogo.” (Julio Sortica, Zero Hora, Segunda-Feira, 9 de fevereiro de 1981)

 

BOTAFOGO REAGE TARDE: GRÊMIO VENCE COM 3 DE BALTAZAR

Depois do primeiro tempo em que (apresentou uma atuação totalmente falho no setor defensivo, quando tomou três gols, o Botafogo reagiu no segundo tempo, mas não conseguiu o empate e foi derrotado por 3 o 2 pelo Grêmio. Baltazar, com uma grande atuação, marcou os três gols no primeiro tempo. Mendonça fez os dois gols do time carioca. 

Para surpreso dos 17.161 torcedores que foram Estádio Mário Filho, o Grêmio começou jogando bem e dominando inteiramente o Botafogo. O time gaúcho encontrou uma defesa totalmente falha, fez o que quis e só não terminou com uma goleada no primeiro tempo por falto de sorte […]” (Jornal dos Sports, 08 de fevereiro de 1981)

BOTAFOGO ESCAPA DE SER GOLEADO PELO GRÊMIO

Depois de jogar de forma lamentável no primeiro tempo, quando se deixou envolver inteiramente pelo Grêmio — que chegou fácil aos 3 a 0 e ameaçou ganhar de goleada — o Botafogo, embora desordenadamente e mais na base do empenho, reagiu e acabou reduzindo o marcador para 3 a 2.

O Grêmio fez uno boa partida, sabendo aproveitar os erros gritantes da defesa do Botafogo e a inoperância de seu ataque que em todo o tempo, mesmo na fase de reação, não exigiu grande esforço de Leão, vencido nas duas únicas bolas, perigosas que foram a seu gol.  […]”  (Jornal do Brasil, 08 de fevereiro de 1981)

Placar: Se no primeiro tempo o jogo foi todo do Grêmio, que marcou em cima, no segundo o Botafogo melhorou muito chegando a ter oportunidade de empatar.” (Milton Costa Carvalho, Revista Placar, edição n.º 561, 13 de fevereiro de 1981)

GRÊMIO GANHA DO BOTA E INTER VOLTA A EMPATAR

Enquanto o Grêmio fez uma boa partida no Maracanã, vencendo o Botafogo por 3 a 2 e recuperando-se da derrota em São Paulo, o Internacional, no Beira-Rio voltou a decepcionar, empatando sem gols com o Bangu. E, por isso, a torcida colorado vaiou o time.

O Grêmio começou com um notável primeiro tempo. Com futebol rápido, jogadas organizadas com inteligência por Vilson Tadei e movimentação intensa de Baltazar e Tarciso, o tricolor inibiu o adversário. E, assim. surgiram os três gols de Baltazar.

No segundo tempo, porém, o Grêmio facilitou. Em decorrência, o Botafogo cresceu e marcou dois gols. Leão, Uchoa, Vantuir, De León, e Dirceu; China, Tadei e Renato: Tarciso, Baltazar (Éber) e Odair (Bonamigo) jogaram pelo Grêmio, no jogo que rendeu CrS 2.270.200.00.

Aqui, com os torcedores revoltados, Benitez, Carlos Alberto, Wagner, André, Minero (Bereta); Ademir, Jair, Galvão; Paulo Santos. Jones (Birra) e Mário Sérgio não conseguiram vencer o time carioca.

Nos resultados, a classificação automática da dupla, ontem.” (Correio do Povo, 08 de fevereiro de 1981)

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Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

Botafogo 2 x 3 Grêmio

BOTAFOGO: Paulo Sérgio; Gilmar, Zé Eduardo, Gaúcho e Serginho; Rocha, Mendonça e Marcelo Oliveira (Jérson, intervalo); Édson, Mirandinha e Ziza (Revelles, 17 do 2ºT)
Técnico: Paulinho de Almeida

GRÊMIO: Leão; Uchoa, Vantuir, De León e Dirceu; China, Vilson Tadei, e Renato Sá; Tarciso, Baltazar (Éber 37 do 2ºT) e Odair (Bonamigo 30 do 2ºT)
Técnico: Ênio Andrade

Brasileirão 1981  – 1ª Fase – Grupo B – 7ª Rodada
Data: 07 de fevereiro de 1981, sábado, 17h00min
Local: Estádio Maracanã, Rio de Janeiro
Público: 17.161 pagantes
Renda: Cr$ 2.270.200,00
Árbitro: José de Assis Aragão – SP
Auxiliares: Carlson Gracie e Mário Leite Santos
Cartões Amarelos: Rocha, De León e Mirandinha
Gols: Baltazar 10, 16 e 23 minutos do 1º tempo; Mendonça 13 e 37 do 2º

Brasileirão 1981 – Portuguesa 1×0 Grêmio

February 4, 2021

Foto: Correio do Povo

Há exatos 40 anos o Grêmio sofreu sua primeira derrota na campanha do título brasileiro de 1981. 1×0 para a Portuguesa no Canindé;

Esse foi o primeiro jogo do tricolor transmitido (pela RBS/TV Gaúcha) na competição

Foto: Zero Hora

GRÊMIO PERDEU A PRIMEIRA EM SÃO PAULO
A Portuguesa acabou com a invencibilidade dos gaúchos na Taça de Ouro

A Portuguesa derrubou mais um invicto. Ontem à noite em seu estádio, num jogo equilibrado, o time de Mário Travagliní teve melhor aproveitamento nas conclusões e através de uma falta convertida por Carrasco, aos cinco minutos do segundo tempo, venceu o Grémio por 1 a O. Foi a vitória da equipe que sempre mostrou-se mais disposta em campo e teve mais acertos.

A primeira informação dada pelos repórteres gaúchos em São Paulo falava do estado do gramado no estádio Caníndé: irregular e com muitos buracos. Mas este detalhe nem chegou a ser muito importante no andamento da primeira etapa de jogo. Conforme já era previsto, a Portuguesa, jogando em seu campo, partiu com decisão para o ataque e mostrou durante os primeiros 45 minutos uma marcação digna de suas intenções. Foi a equipe mais organizada taticamente, melhor posicionada e que sempre tomou a iniciativa.

O Grêmio teve a primeira oportunidade para marcar numa boa jogada de ataque logo a dois minutos de partida quando Venturi deixou Tarciso bem colocado para bater fraco em gol. Daí em diante apenas a equipe paulista conseguiu boas conclusões e chegou a significativa marca de cinco escanteios contra nenhum do time de Ênio Andrade, Era possível notar mesmo uma vacilação na zaga em muitos momentos, mas a presença de De León e China foi decisiva para manter a tranqüilidade.

A Portuguesa, que já conseguira uma boa chance a quatro minutos num chute perigoso de Sodré, teve nova oportunidade a 18 minutos quando Moisés ganhou a jogada em cima de Dirceu, deu a Sodré que na corrida dentro da grande área chutou por cima. O principal mérito do time de Mário Travaglini no entanto ficava na marcação que impedia qualquer tentativa de jogada de criação da meia cancha do Grémio. Apenas aos 42 minutos Tarciso levou perigo: ele recebeu mm passe na medida de China, mas chutou mal para fora.

DERROTA

A um minuto do segundo tempo o Grêmio teve a grande chance para marcar quando Odair arrancou pie-la esquerda e da linha de fundo, na pequena área, cruzou. Tarciso, quase em cima da risca de gol, errou em bola. A resposta da Portuguesa foi total: a cinco minutos Carrasco marcou. A reação do Grêmio aconteceu especialmente a partir de De León que soltou-se para o ataque realizando bons lances. Num deles Odair quase empata aos 14 minutos. Éverton defendeu para escanteio. Héber no lugar de Flávio foi a mudança de Ênio para melhorar a equipe.

Mas não bastou a vontade do uruguaio aparecendo em todas as partes do gramado e iniciando praticamente todos os lances de ataque de sua equipe. Na mais clara situação, das várias construídas pelo time gaúcho mais na base da garra e do esforço pessoal, Odair perdeu o empate. Aos 35 minutos, depois de uma jogada em que todos os atacantes participara m, o ponteiro-esquerdo chutou ao lado do gol de Éverton dentro da grande área, sem marcação. Era o fim da Invencibilidade. De positivo ficava apenas mais uma excelente apresentação de De León.

O placar

VILSON CARRASCO para a Portuguesa – 1 a 0 aos cinco minutos do segundo tempo: numa disputa de De Léon contra um adversário, o juiz marcou toque do uruguaio. Vilson Carrasco bateu certo de pé direito por cima da barreira no canto direito do gol de Leão, que chegou atrasado.” (Zero Hora, quinta-feira, 5 de fevereiro de 1981)

Foto: Zero Hora

Foto: Zero Hora

 

FALTOU FORÇA PARA O ATAQUE DO GRÊMIO

 Depois de um primeiro tempo equilibrado, a Portuguesa, aos 50 minutos, na cobrança de um toque nas proximidades da área fez o único gol de ons tem a noite, no Canindé. Carrasco foi o autor, garantindo a vitória do time paulista. O tricolor tentou a reação, mas, não conseguiu surpreender o adversário.

 PRIMEIRO TEMPO — O jogo começou em velocidade. Também com urna marcação severa. Em decorrência, pouco espaço. Mesmo assim, o Grêmio tentou buscar a ofensiva, organizando contra-ataques que saíam com rapidez da defesa. E a Portuguesa respondendo no mesmo ritmo e estratégia.

 A principal característica da partida foi o equilíbrio na movimentação. Para vencer a marcação, os times tiveram que intensificar as Jogadas, acionar os ponteiros e fazer estocadas de surpresa. Ninguém se mostrava disposto a dar vagem para os lançamentos longos.

 A Portuguesa tinha mais facilidade para chegar na zona defensiva do adversário, mas não conseguia finalizar. O Grêmio, quando conseguia a passagem, era mais perigoso. No todo, porém, um justo zero a zero no final desta fase. Baltazar ficou muito isolado en-tre os zagueiros.

 SEGUNDO TEMPO

 A Portuguesa retornou com mais disposição. Por isso, assumiu as iniciativas. E, aos cinco minutos, conseguiu o prémio pela iniciativa: toque de Vantuir nas proximidades da área. Carrasco cobrou com perfeição, sobre a barreira e vencendo Leão. Portuguesa 1, Grêmio 0.

 Depois do gol, Ênio Andrade tratou de corrigir um erro que Já havia observado no primeiro tempo: posicionamento de Flávio, que não fazia aproximação com Baltazar. E, assim, entrou Eber em seu lugar. A partir daí o Grêmio pôde equilibrar a partida.

 Com a vantagem, porém, a Portuguesa manteve-se segura. O Grêmio buscava os contra-ataques, movimentando Tarciso e Odair, A Lusa só marcava e, na resposta, descia sempre com perigo. O jogo esquentou bastante, com o tricolor gaúcho não conseguindo chegar na zona de conclusões. O Grêmio tentou o empate, mas os paulistas mantiveram o escore, Para assegurar a vantagem, Mario Travaglini retirou Pita e colocou mais um homem de marcação: Mario Reis. No final, a confirmação: Portuguesa 1 x 0.” (Correio do Povo, quinta-feira, 5 de fevereiro de 1981)

 

Placar: “OPINIÃO: Na base da força de vontade a Lusa venceu um Grêmio confuso da defesa ao ataque. Resultado Justo.” (Fábio Sormani, Revista Placar, edição n.º 561, 13 de fevereiro de 1981)

 

Portuguesa 1 x 0 Grêmio

PORTUGUESA: Éverton; Alves, Duílio, Daniel Gonzalez e Fantick; Zé Mario, Wílson Carrasco e Gérson Sodré; Moisés, Beca e Pita (Mário Reis 31 do 2º).
Técnico: Mário Travaglini

GRÊMIO: Leão; Uchoa, Vantuir, De León e Dirceu; China, Flávio (Éber 7 do 2º) e Renato Sá; Tarciso, Baltazar e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

6ª Rodada – 1ª Fase – Brasileirão 1981
Data: 04 de fevereiro de 1981, Quarta-feira
Local: Canindé, em São Paulo, SP
Público: 14.921
Renda: Cr$ 1.564.300,00
Juiz: Wilson Cardoso dos Santos-RJ
Auxiliares: Aureliano Oliveira e Dárcio Pereira
Cartão Amarelo: Duílio, Uchoa e De León
Gol: Wilson Carrasco, aos 5 minutos do 2ºtempo

Brasileirão 1981 – Grêmio 1 x 0 Corinthians

January 31, 2021

Foto: Luiz Avila e Vilmar Calistro (Zero Hora)

Há exatos 40 anos o Grêmio fez sua quinta partida no Brasileirão de 1981, vencendo o Corinthians por 1×0 no Olímpico (gol marcado numa cabeçada de Tarciso).

Foi a primeira atuação unanimemente convincente do tricolor. De León foi um dos destaques Grêmio, recebendo nota 9 na cotação da Zero Hora e sendo o personagem da reportagem da Placar daquela semana.

Foto: Telmo Cúrcio da Silva  (Zero Hora) 

Foto: Luiz Avila e Vilmar Calistro (Zero Hora)

“VITÓRIA VALEU A LIDERANÇA DO GRUPO B
No sábado, o Grêmio venceu e mostrou um bom futebol. Agora é a vez da Portuguesa

A vitória de 1 a 0 diante do Corintians, sábado a tarde, deve ter deixado satisfeitos os torcedores do Grêmio que estiveram no Estádio Olímpico. E por dois motivos: o primeiro a liderança do grupo B junto com o Botafogo; o segundo a mais importante, todos puderam perceber na equipe um esquema bem definido, um bom esquema tático onde o talento de De León acabou utilizado era sua totalidade, ficando certos os torcedores – definitivamente – que o zagueiro uruguaio em seguida será o grande desta que do Grêmio pela sua seriedade e liderança, além de sua liderança, agora bem explorada pela equipe

 Nos primeiros minutos de logo, é possível que alguns torcedores tivessem chegado a imaginar que o Grêmio repetiria a atuação ruim da partida contra a Desportiva – o Corintians ficou todo em seu próprio campo e o Grêmio não conseguia uma boa jogada ofensiva. Engano de quem pensou assim, pois o time começou a pressionar bastante, só errando por não explorar mais as jogadas pelas pontas.

 Mesmo esquecendo, às vezes, de Tarciso e Odair, o time aos poucos tomou conta do adversário e ficou buscando penetrações Aos 21 minutos, Flávio colocou uma bola atrás de Djalma para que Baltazar entrasse livre, mas o centroavante bateu torto perdeu o gol. Aos 24, numa cobrança de escanteio, Zé Maria rebateu mal e Odair teve outra chance, chutando para fora. Aos 37 novamente Baltazar deixou de marcar, pois ficou só na frente do goleiro depois de um lançamento de De León, e permitiu que Djalma tocasse para escanteio. Sete minutos depois, Tarciso teve espaço para o cruzamento e colocou a bola na área. Renato Sá penetrou atrás de Amaral mas tocou na bola com a cabeça e com o ombro, na frente de Solitinho — a bola saiu pela linha de fundo.

Poucos erros

Enquanto isso, Leão não precisou fazer uma única defesa, o que evidenciou que o Grêmio havia conseguido uma síntese importante em futebol: atacou com frequência sem jamais arriscar-se a um contra-ataque do adversário. Assim, a vitória do primeiro tempo a partir dos 42 minutos com o gol de Tarciso estabelecia claramente a superioridade do Grêmio sobre um Corintians irreconhecível — lento, sem criatividade nem força para uma tentativa ofensiva.

No segundo tempo apareceram alguns defeitos no Grêmio, principalmente durante os 15 primeiros minutos – o Corintians deu a impressão de que recuperara sua força no vestiário, procurando lugar com Vaguinho na direita. Aos seis e aos 11 minutos o Corintians poderia ter empatado: na primeira oportunidade Dirceu errou a cabeçada,  Eli dominou no peito e bateu por cima;. na outra, Vaguinho recebeu um cruzamento da esquerda e cabeceou para a entrada de Geraldo que simplesmente  errou da bola.

Mas parou aí a reação do Corintians que voltou a ser dominado pelo Grêmio e ficou confinado apenas na velocidade de Vaguinho, seu melhor jogador.

O PLACAR

TARCISO para o Grêmio – 1 a 0 aos 42 minutos do primeiro tempo – Dirceu recebeu de Flávio na intermediária, avançou rápido e cruzou alto para a área. Tarciso saltou mais do que Vladimir e cabeceou forte, no canto direito de Solitinho que não saltou na bola.” (Pedro Macedo,  Zero Hora, segunda-feira, 02 de fevereiro de 1981)

 

Foto: Luiz Avila e Vilmar Calistro (Zero Hora)

 

“TARCISO CABECEOU CERTO EM GOL

 Ao final do Jogo de sábado, Tarciso fez questão de trocar do camisa com o lateral— esquerdo Vladimir do Coríntians, que foi seu marcador muito firme durante os 90 minutos. O ponteiro-direito do Grêmio havia feito o gol da vitória aos 42 do primeiro tempo, aproveitando de cabeça uma bola cruzada do Dirceu para dentro da área:

 — Se ganharmos todas por 1 a 0, poderemos chegar à classificação. Sinto que o time está se entrosando e com mais treino e tempo de jogo vamos começar a nos entender multo melhor. Já temos tranquilidade, o que é importante, e a torcida também nos apoia, mas eu peço que os torcedores apoiem mesmo é ao China, Flávio, Bonamigo, Odair, pois estes garotos serão o Grêmio de amanhã. Eles precisam de toda a força da massa.

 O ponteiro-direito gremista lembrou que o seu gol não foi apenas obra sua:

 — O mérito deste gol é do Dirceu. Ele soube usar uma jogada de treino e teve presença de espírito para lançar a bola dentro da área. Eu só complementei um trabalho iniciado por ele, lá pela meia-cancha. Se alguém tem que receber abraços, é meu amigo Dirceu; eu só tive a sorte de marcar o gol.

Marcar gol é trabalho do centroavante Baltazar, que há dias vem errando na conclusão:

— O Baltazar é imprevisível. Numa hora está bem, noutra parece meio aéreo. Mas, o Baltazar é centroavante de ofício e sabe jogar dentro da área. Isto tudo vai passar.” (Zero Hora, segunda-feira, 02 de fevereiro de 1981)

Foto: Luiz Avila e Vilmar Calistro (Zero Hora)

Foto: Luiz Avila e Vilmar Calistro (Zero Hora)

 

Placar: “OPINIÃO: Vitória justa do Grêmio porque soube pressionar o Corinthians até a marcação do gol e teve capacidade para segurar a reação paulista.” (Emanuel Mattos, Revista Placar, edição n.º 560, 06 de fevereiro de 1981)

 

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO VENCE CORÍNTIANS E ASSUME LIDERANÇA DO GRUPO

 Com um gol de cabeça de Tarciso, aos 42 minutes do primeiro tempo, o Grêmio venceu, ontem, no estádio Olímpico, ao Corintians de São Paulo. A vitória, alcançada num jogo bastante movimentado, elevou o tricolor gaúcho, ao lado do Botafogo do Rio de Janeiro,  à liderança do Grupo B. O Botafogo, que estava invicto tendo vencido, inclusive, os quatro primeiros jogos, perdeu ontem, no Maracanã, para a Portuguesa, de São Paulo, pelo escore mínimo.

Durante todo o primeiro tempo, o Grêmio forçou muito o ataque, sobretudo pelas pontas, mas encontrou poucos espaços na compacta defesa do Coríntians; no segundo tempo, bem mais movimentado, o time de Ênio Andrade voltou a jogar na frente, enquanto o Coríntians limitou-se a alguns contra-ataques, sempre muito perigosos.

O Grêmio atuou Leão, Uchoa, Vantuir, De León (este, em sua melhor apresentação no time). Dirceu, China, Flávio (depois Bonamigo) Renato Sá, Tarciso,  Baltazar e Odair. O Coríntians contou com Solitinho Zé Maria, Amaral. Djalma, Vladimir, Biro-Biro, Basílio. Vaguinho, Toninho (depois Geraldão) e Vilsinho.

Vinte e quatro mil e nove pessoas assistiram ao jogo, um púbico excelente para o início de feriadão, e a renda alcançou dois milhões e setenta e um mil cruzeiros.” (Correio do Povo, 3 de fevereiro de 1981)

 

Foto: Correio do Povo

Grêmio 1 x 0 Corinthians

GRÊMIO: Leão; Uchôa, Vantuir, De León e Dirceu; China, Flávio (Bonamigo 31 do 2º) e Renato Sá; Tarciso, Baltazar e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

CORINTHIANS: Solitinho; Zé Maria, Amaral, Djalma e Vladimir; Biro-Biro, Basílio e Eli (Paulinho 24 do 2º); Vaguinho, Toninho (Geraldo) e Wilsinho.
Técnico: Osvaldo Brandão

5ª Rodada – 1ª Fase – Brasileirão 1981
Data: 31 de janeiro de 1981 – Sábado
Local: Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 24.009 (20.900 pagantes)
Renda: Cr$ 2.071.000,00
Juiz: Arnaldo Cezar Coelho – RJ
Auxiliares: Rui Canedo e Zeno Escobar Barbosa
Cartão Amarelo: Biro-Biro
Gol: Tarciso, aos 42 minutos do 1º tempo

Brasileirão 1981 – Pinheiros 1×1 Grêmio

January 28, 2021

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

 

Há exatos 40 anos o Grêmio fazia o seu quarto jogo na campanha do título do Brasileirão de 1981, contra o Pinheiros, no Couto Pereira.

O técnico do adversário era um velho conhecido, Cláudio Duarte, que buscou um empate ao colocar um zagueiro batedor de faltas, Vagner, que acabou anotando o gol do 1×1 aos 45 do 2º tempo

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

 

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

 

GRÊMIO DEIXOU O PINHEIROS EMPATAR NO FINAL DO JOGO
A vitória parecia garantida, mas uma falta perto da área mudou o resultado

 O empate do Grêmio com o Pinheiros ontem à noite, foi um resultado justo, pois as duas equipes jogaram muito mal no primeiro tempo e corrigiram as falhas na segunda etapa quando chutaram em gol. Com este resultado, o Grêmio se distanciou mais ainda do Botafogo, líder do Grupo B, que ontem venceu ao Brasília e agora está com oito pontos ganhos, enquanto que o Grêmio tem seis. 

No final do primeiro tempo, a torcida vaiou as duas equipes. E com muita razão, pois nem Pinheiros e nem Grêmio conseguiram realizar nada em termos de ataque. Os dois goleiros, Leão e Wilson só fizeram intervenções. Tudo isso porque os dois times estavam posicionados defensivamente, e nenhum queria tomar a iniciativa de atacar, com medo dos contra-ataques adversários. Assim mesmo, o Pinheiros era quem tomava a iniciativa do jogo, pois Didi, o melhor de seu meio de campo, fazia bons lançamentos para João Maria na ponta direita e também tentava a aproximação com André no comando do ataque, quando o centroavante tinha a bola dominada.

 AS MUDANÇAS

O Grêmio, que também praticava o mesmo tipo de jogo retrancado do Pinheiros, não teve nenhuma situação de gol a seu favor. E Flávio, que foi fixado no time por causa da sua excelente atuação contra a Desportiva, não tinha uma boa movimentação ontem. Por isso, todo o ataque do Grêmio esteve mal; pois Renato Sá era completamente anulado por Maurício, um centromédio muito aplicado e também por Serginho, que recuava para ajudar o seu companheiro. Com isso, sobrava o esforço inútil de Chi na com seus bons lançamentos e Odair, que tentava muito as jogadas de linha de fundo. Tarciso simplesmente inexistiu nesta primeira etapa. Ele não conseguiu realizar nada, completamente anulado por Dionísio. 

No segundo tempo, Ênio Andrade corrigiu o posicionamento de todo o time, principalmente o meio-campo e ataque e o Grémio já conseguia o seu gol logo aos dez minutos. E depois do gol, o time continuava jogando bem, insistindo no ataque, com jogadas pelas duas pontas e com isso; levando muito perigo ao gol de Wilson. Mas o Pinheiros também mudou o seu estilo de jogo. 

No final do segundo tempo, China, o melhor do jogo, lesionado, foi substituído por Vicente e De León passou para a frente da zaga, onde teve o mesmo bom aproveitamento que teve antes, jogando na quarta-zaga. Mas no final, Wagner empa tato para o Pinheiros numa cobrança de falta, fazendo justiça, já que o time do Paraná, também atacou com algum perigo.

 

 O PLACAR

 BALTAZAR, para o Grêmio: 1×0 aos 10 minutos do segundo tempo — De uma falta sobre Odair, do lado esquerdo da área, Baltazar fez 1×0. Renato Sá lançou a bola no segundo pau e o centroavante de cabeça, vencendo Hermes e Osni que ficaram parados, tocou sem chances de defesa para Wilson,

WAGNER,  para o Pinheiros: 1×1 aos 45 minutos do segundo tempo — O empate do Pinheiros também aconteceu através de uma falta na frente da área. Wagner chutou muito forte, a barreira estava mal formada e a bota entrou no canto esquerdo de Leão. “ (Julio Sortica, Zero Hora, quinta-feira, 29 de janeiro de 1981)

 

 

 

 

PINHEIROS EMPATE COM O GRÊMIO AOS 45 MINUTOS

Com um ótimo público presente ontem à noite, no Alto da Glória, o Pinheiros conseguiu empatar no minuto final de jogo – 1×1, frente o Grêmio Porto-alegrense. Jogo que parecia se definir a favor do clube gaúcho, depois de alguns vacilos do “leão” no primeiro tempo, mas, apesar do gol de Baltazar aos 12 minutos (2ª fase), o técnico pinheirense mudou – pôs Wagner em campo, no lugar de Hermes, para tentar o empate na cobrança de uma falta. E não deu outra – o zagueiro, aos 45 minutos, foi lá e cobrou com perfeição, determinando uma justa igualdade. A partida em si, não agradou de todo, mas foi multo disputada. “ (Diário do Paraná, quinta-feira, 29 de janeiro de 1981)

 

“COLUNA DE VINÍCIUS COELHO – ISOLAMENTO PREJUDICIAL

 Quem assistiu ao jogo de quarta-feira entre Pinheiros e Grêmio, se saiu contente com o resultado, especialmente com o gol pinheirense no final, deve ter saído frustrado com a ausência de bom número de lances de gol. Principalmente pelo fato de que a estrela do espetáculo, o goleiro Leão, não teve participação efetiva no jogo, pouco sendo exigido, o que também aconteceu com o goleiro Wilson. E por que? Porque os dois times jogam da mesma forma, isolam da mesma maneira os pobres de seus pontas de lança, abandonados a guerrilha de área no confronto direto contra dois e as vezes até mais de dois zagueiros.

André ficou sozinho na frente, pois Sérginho, o outro ponta de lança, fazia um estranho revezamento com o lateral Paulinho, completamente fora da zona de perigo e sem qual- quer influência ofensiva. Para ajudai’ o meio de campo não havia necessidade, pois Didi jogava o suficiente para engolir todos os jogadores do Grêmio que passavam pelo setor. Mas o importante é que o André continuava sozinho, sem alguém para tabelar ou tentar vencer a defensiva adversária, pois Maurício não penetrava e o Didi ficava numa zona livre para manobrar e tentar organizar. Mas André sozinho.

 No outro lado a mesma coisa. Baltazar, o artilheiro, vivendo de bolas lançadas para ele disputar contra Hermes, Osni, sem maiores possibilidades. Flávio, China e Renato Sá, jamais foram encarar na área o momento de ajudar ao companheiro. Falha dos treinadores, que teimam em fazer um 4-3-3 pelo meio, mas sem que o terceiro homem se projete ao ataque, o que só facilita a ação da defesa. Daí a frustração de se ver um jogo em que os goleiros foram poucos exigidos e a rigor, só tiveram o trabalho de buscar a bola no fundo do gol nos sucessos partida. “ (Vinicius Coelho, Diário do Paraná, sexta-feira, 30 de janeiro de 1981)

 

 

PLACAROPINIÃO: Resultado justo. Jogo disputado no meio de campo.” (Roberto José da Silva, Revista Placar, edição n.º 560, 6  de fevereiro de 1981)

 

“PINHEIROS EMPATE NO FINAL COM  O GRÊMIO

 Quando o placar parecia definido a favor do Grêmio de Porto Alegre, eis que o Pinheiros surpreendeu ao campeão gaúcho marcando um golaço na cobrança per feita de falta através do zagueiro Wagner, aos 44 minutos, chegando ao empate que fez justiça no marcador pela voluntariedade mostrada pelo quadro paranaense 0 logo no primeiro tempo agradou plenamente, com as equipes atuando em plano de igualdade, sempre pontificando as duas defesas, principalmente o uruguaio De Leon pelo Grêmio e Osny e Paulinho no quadro pinheirense. No final, o Pinheiros caiu um pouco de produção, com o tricolor sulino chegando a marcação do seu foi depois de uma falha do goleiro Wilson, que saiu mal na bola. O Grêmio teve algumas ações mais atrevidas no seu ataque, mas controladas pela retaguarda local Finalmente, quando tudo parecia indicar a vitória gremista. o Pinheiros articulou nova jogada pelo meio, com Vantuir cometendo falta em Jota Maria, que foi transformada no gol de empate já no ocaso da partida. O Pinheiros continua invicto e parte agora decidido a ganhar do Brasília para consolidar sua classificação.

GOLS DO JOGO

Depois de um primeiro tempo em zero a zero, o Grêmio entrou resoluto para a fase final, chegando ao seu gol através de Baltazar, aos 10 minutos Na cobrança de falta da intermediária. Renato Sa levantou para a área, com Wilson saindo mal e Baltazar, sempre oportunista, desviou de cabeça abrindo a contagem Aos 44 minutos, com a falta de Vantuir sobre Jota Maria próxima da área Wagner bateu forte, calculado, no canto esquerdo, com Leão vencido, mas ainda tocando na bola. 1 a 1 o resultado final.

Arbitragem regular de Luiz Carlos Feliz, com os bandeirinhas, Alceu Conerado e Ivo Tadeu Scatola bons. Arrecadação muito boa, a melhor verificada até agora na capital: Cr$ 1 060 940,00 para um público pagante de 10 211 pessoas. Prova de que o público gosta dos bons espetáculos. “ (Diário da Tarde, sexta-feira, 30 de janeiro de 1981)

Pinheiros 1×1 Grêmio

 

PINHEIROS: Wilson; Paulinho, Hermes (Vágner), Osni e Dionísio; Maurício, Didi e Sérgio Zaia (Vaquinha); João Maria, André e Odair.
Técnico: Cláudio Duarte

 

GRÊMIO: Leão, Uchôa, Vantuir, De León e Dirceu; China (Vicente), Flávio e Renato Sá; Tarciso, Baltazar e Odair
Técnico: Ênio Andrade

 

Campeonato Brasileiro 1981 – Primeira Fase – 4ª Rodada
Data: 28 de janeiro de  1981 – Quarta-feira, 21h00min
Local: Couto Pereira, em Curitiba-PR
Público: 10.211 pagantes
RendaCr$ 1.060.940,00
Juiz: Luís Carlos Félix – RJ
Auxiliares: Alceu Conerado (PR) e Ivo Tadeu Scátolla (PR)
Cartão Amarelo: China
Gols: Baltazar aos 10 minutos e Vágner aos 44 minutos do 2ºtempo

Brasileirão 1981 – Grêmio 2×0 Desportiva

January 25, 2021

Foto: Telmo Cúrcio da Silva  (Zero Hora)

Há exatos 40 anos o Grêmio fazia sua terceira partida na campanha do seu primeiro título nacional.

Um vitória de 2×0 sobre a Desportiva no Olímpico, onde, ao que tudo indica, a atuação não foi das mais convincentes;

Foto: Zero Hora

Foto: Zero Hora

 

GRÊMIO VENCE EM JOGO MUITO FRACO
Só no segundo tempo é que a movimentação melhorou um pouco

[…]

Mas não foi fácil para o time chegar à sua segunda vitória em Porto Alegre. A atuação foi irregular, muito ruim no primeiro tempo do ponto de vista ofensivo, melhor no segundo quando teve a colaboração do garoto Flávio, o melhor da equipe.

A qualidade técnica do jogo esteve muito abaixo das possibilidades do Grêmio que, afinal tem a obrigação de desenvolver um futebol adequado à sua tradição e ao título de bicampeão gaúcho. A torcida até que resistiu bem aos erros da equipe, parecendo disposta a não vaiar ninguém a não ser que, no campo, o time continuasse jogando mal também no segundo tempo. No primeiro, realmente, ninguém conseguia perceber nenhum atrativo no jogo. O Grêmio tinha a iniciativa, procurava atacar, mas por isso mesmo era o time que mais corria o risco de errar — e errou muito mesmo.

[…]

O PLACAR

BALTAZAR para o Grêmio — 1 a 0 aos 20 minutos do segundo tempo —Baltazar entrou na área com a bola dominada e perdeu o equilíbrio e a bola para o zagueiro Adeir. O juiz marcou um pênalti que não existiu. O próprio Baltazar chutou quase no meio do gol, à direita de Rogério.

FLAVIO para o Grêmio — 2 a 0 aos 33 minutos do segundo tempo — A defesa da Desportiva já tinha dominado um ataque do Grémio mas Renato Sa recuperou a bola e passou a Dirceu, que driblou de Paula e cruzou para a área. Flávio, de cabeça, Acertou o canto direito do goleiro.” (Zero Hora, segunda-feira,  26 de janeiro de 1981)

 

 

Placar: “OPINIÃO: A Desportiva montou um retrancão e segurou o Grêmio no primeiro tempo. Com a entrada de Flávio, o Grêmio mudou tudo, forçou o ritmo e se impôs.” (Emanuel Mattos, Revista Placar, edição n.º 559, 30 de janeiro de 1981)

Grêmio 2 x 0 Desportiva

GRÊMIO: Leão; Uchôa, Vantuir, De León e Dirceu; China, Plein (Flávio) e Renato Sá; Tarciso, Baltazar e Odair
Técnico: Ênio Andrade

DESPORTIVA: Rogério, De Paula, Célio, Adeir e Vicente Paixão; Mareco (Amaral), Dario e Vicente Cruz; Giovani, Roberto Londrina e Marcos Rubens.
Técnico: Beto Pretti

3ª Rodada – 1ª fase – Brasileirão 1981
Data: 25/01/1981, Domingo
Local: Olímpico, Porto Alegre
Público: 10.936 pagantes
Renda: Cr$ 961.790,00
Juiz: Moacir Miguel dos Santos – RJ
Auxiliares: Olinto Preussler e Osmar Antonello
Cartão Amarelo: Dario
Gols: Baltazar (de pênalti) aos 20 e Flávio aos 33 minutos do 2º tempo

Brasileirão 1981 – Grêmio 2 x 1 Galícia

January 21, 2021

 

Há exatos 40 anos o Grêmio fazia sua primeira partida em casa na campanha do Brasileirão de 1981. Uma vitória suada contra o Galícia, na noite da estréia de Hugo De León com a camisa tricolor.

 

É interessante ver, nos textos transcritos abaixo, o técnico Ênio Andrade reclamando das vaias e pedindo compreensão para a torcida.

 

 

BALTAZAR ACABOU COM O SUSTO DA TORCIDA
Hugo De León saltou no escanteio e o centroavante marcou no rebote

Na estréia do zagueiro De León e do Iateral Uchoa e no retorno do ponteiro Tarciso, o torcedor do Grêmio tinha direito de desejar um futebol de melhor qualidade técnica — e o Grêmio não satisfez. Mas acabou vencendo o Galícia, vice campeão baiano, por 2 a 1 e este resultado serviu como consolo para a torcida que esperava ver uma equipe bem superior, queria ver os ídolos do time e foi surpreendido com uma boa atuação do garoto China no primeiro tempo.

Mesmo que não tivesse demostrado um futebol de boa qualidade técnica, o time do Grêmio dominou amplamente o primeiro tempo, criando algumas oportunidades de gol. Em parte, essas situações foram consequência da iniciativa que a equipe tomou desde os primeiros minutos, obrigando o Galícia a ficar em seu próprio campo mas sem chance de realizar sequer um bom contra-ataque.

O Grêmio atacou sempre e poderia ter feito gol em vários lancei, como aos 17 quando Dirceu foi uma excelente jogada peta esquerda, chagou próximo à área pequena o bateu forte, mas desviado. Ou então, aos 20 minutos, quando um único lance, Odair deixou de marcar e Baltazar perdeu dois lances. O gol, no entanto, surgiu numa jogada comum, quando Odair bateu escanteio da direita e Vantuir cabeceou no meio do gol.

Porém, uma surpresa aguardava o tranqüilo time do Grêmio aos 41 minutos: Esquerdinha acertou um chute muito forte de fora da área e empatou o jogo. E a surpresa poderia ter sido pior ainda se, dois minutos depois, o meio-campo Washington não tivesse se precipitado no momento da conclusão: ele passou a bola entre as pernas de De León, entrou na área, livrou-se de Dirceu e Vantuir ficando livre na frente de Leão. Mas chutou por cima.

Assim, os jogadores do Grêmio foram para o vestuário apreensivos e, por isso, recomeçaram a partida com muita pressa. O time manteve o ritmo e continuou pressionando o Galícia que permaneceu em seu campa. Aos cinco minutes, Odair cruzou e Renato Sá errou na bola. Dois minutos depois, Tarciso cruzou da direita, cobrando falta, a defesa do Galícia e o goleiro Helinho ficaram parados e Plein cabeceou livre, mas a bola passou por cima do travessão.

 A freqüência com que o Grêmio entrava na área e os erros cometidos nos momentos de concluir as jogadas ofensivas acabaram provocando certo nervosismo no time do Grêmio. Até que Ênio Andrade fez uma substituição importante, colocando Heber no lugar de Renato Sá, que não jogava bem. Dessa forma, o time se tornou um pouco mais ofensivo e aumentou ainda mais o ritmo, até que num dos inúmeros escanteios, Baltazar conseguiu marcar o segundo gol. O resultado da partida foi justo na medida em que o Grêmio é que estava mais interessado em vencer. Mas o futebol apresentado pela equipe de Ênio Andrade, embora superior ao adversário, ainda não foi de qualidade suficiente para dar confiança à torcida que deseja o título brasileiro.

 

O placar

VANTUIR para o Grêmio – 1 a 0 aos 30 minutos do primeiro tempo — Odair cobrou escanteio da direita e a bola encobriu o goleiro Helinho. Vantuir, na área pequena, saltou mais do que Washington e cabeceou forte, no meio do gol.

ESQUERDINHA para o — 1 a 1 aos 41 minutos do primeiro tempo Pirulito carregou a bola pelo meio, livrou-se de dois adversários e deu a Esquerdinha. O ponteiro, na meia esquerda, estava fora da área mas bateu muito forte, acertando o canto direito de Leão.

BALTAZAR para o Grémio — 2 a 1 aos 38 minutos do segundo tempo — O Galícia, pressionado, cedeu muitos escanteios. Num deles, De Leon tentou cabecear, não conseguiu mas permitiu que Baltazar ficasse com o rebote, tocando de cabeça para o gol.” (Zero Hora, quinta-feira, 22 de janeiro de 1981)

Placar:OPINIÃO: Grêmio amassou o Galícia retrancado até marcar o 1ºgol. Depois, os baianos equilibraram a partida. Vitória graças a Baltazar.” (Emanuel Mattos, Revista Placar, edição n.º 559, 30 de janeiro de 1981)

“HUGO DE LEÓN AJUDOU NESTA VITÓRIA
O zagueiro soube ser oportunista

Até os 40 minutos do segundo tempo, Vantuir tinha ido cabecear todos os escanteios. Mas naquele lance Hugo de León pediu para ir até a área do Galícia. Odair cobrou, o zagueiro uruguaio saltou de cabeça e a bola sobrou para Baltazar fazer o gol da vitória. A torcida vibrou com a bola na rede, aplaudiu o centroavante e também ao zagueiro, que teve participação no lance que acabou com o empate com o Galícia. No meio do jogo, de León foi até vaiado em algumas jogadas. Depois, disse:

— É sempre assim, as equipes pequenas vêm aqui se defender e dão muito trabalho para o Grêmio. Mas o importante é que conseguimos marcar o gol da vitória, já que é isto o que mais conta. Agora temos de ir adiante, pois estou descobrindo que as coisas aqui não são fáceis.

Tarciso, que voltou ontem ao time, lembrou que para ser campeão, o Grêmio terá de enfrentar grandes dificuldades, como as de ontem:

— Só lamento não ter podido jogar como sempre, pois estou voltando. Mas eu peço à torcida que dê uma força ao Renato Sá. Ele foi vaiado, mas é um jogador excelente. ” (Zero Hora, quinta-feira, 22 de janeiro de 1981)

ÊNIO: TORCIDA PREJUDICOU O TIME

Ênio Andrade não gostou nem um pouco das vaias da torcida para a equipe, especialmente para Renato Sá. Depois do jogo ele garantiu que o jogador continuará sendo o titular na meia-esquerda, dizendo que sua função foi bem cumprida. E aproveitou para lembrar a torcida:

— A torcida acabou prejudicando o time com suas vaias. A vaia complicou a equipe e isto aí acaba desmotivando os jogadores e nos criando problemas enormes. Eu peço maior compreensão, pois o time está começando o ano, ainda falta muita coisa e isto será conseguido com o tempo. Mas é importante que as vaias não aconteçam. Eu sei que o time precisa melhorar, mas não serão as vaias que vão influir nisto aí.” (Zero Hora, quinta-feira, 22 de janeiro de 1981)

Fotos: Damião Ribas e Antonio Pacheco (Zero Hora)

Grêmio 2 x 1 Galícia

GRÊMIO: Leão; Uchôa, Vantuir, De León e Dirceu; China, Plein e Renato Sá (Éber); Tarciso, Baltazar e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

GALÍCIA: Helinho; Toninho, Morais, Cléber e Flávio; Pirulito, Washington, Rangel, Guta, Vilfredo (Carlos Roberto), Esquerdinha
Técnico: Danilo Alvim

2ª Rodada – 1º Fase – Brasileirão 1981
Data: 21 de janeiro de 1981, Quarta-feira, 21h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 21.271 pagantes
Renda: Cr$ 2.130.400,00
Juiz: Tito Rodrigues – PR
Auxiliares: José Mocelin e Aimoré Silva
Cartões Amarelos: Morais, Pirulito e Guta
Gols: Vantuir, aos 31 minutos do 1º tempo, Esquerdinha aos 42 do 1º tempo e Baltazar aos 37 minutos  do 2º tempo

Brasileirão 1981 – Goiás 0x0 Grêmio

December 11, 2020

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

 

Na estreia do Brasileirão de 1981, o Grêmio foi a Goiânia e ficou no 0x0 com o Goiás. A escalação daquela tarde era um tanto diferente da fase decisiva da competição. De León só estrearia com a camisa tricolor na rodada seguinte e Tarciso estava negociando a renovação do seu contrato.

Essa foi a primeira vez que o Grêmio enfrentou o Goiás no Serra Dourada.

 

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

 

GRÊMIO TEVE UMA ESTRÉIA MUITO FRACA
O time mostrou erros em diversos setores e foi envolvido pelo Goiás

A estréia do Grêmio na Taça de Ouro foi decepcionante para os torcedores porque a equipe se apresentou completamente desorganizada, principalmente no meio-de-campo. O empate sem gols foi um prêmio injusto para a equipe de Ênio Andrade porque o Goiás dominou grande parte do jogo, criando várias chances de gol. Só não venceu porque Leão fez pelo menos três excelentes defesas, constituindo-se no melhor jogador da partida. Os reforços precisam ser imediatamente incorporados ao, time porque para uma equipe que pretende ser campeã do Brasil, o Grêmio tem só o desejo.

A desculpa do cansaço pela viagem à Argentina e a demora para chegar a Goiânia poderiam servir de justificativa se a equipe terminasse o jogo esgotada. Não foi assim: os erros do Grêmio foram táticos e técnicos do princípio ao fim do jogo. A equipe de Paulo Emílio impôs-se com um futebol rápido, de tabela, triangulações e bons deslocamentos. Exatamente o que faltava ao Grêmio.

No primeiro tempo ficou evidente o desentrosamento entre China, Plein e Renato Sá, pois entravam afoitos na jogada, erravam passes, eram driblados e permitiam o confronto direto dos meias-canchas do Goiás com a zaga ou os laterais. China ainda conseguiu melhorar um pouco quando saiu para jogar, mas Plein e Renato Sá foram péssimos.

As jogadas aconteciam pelo meio, facilitando o desarme por parte de Matinha, Paulo Roberto ou Luvanor. O Grêmio não teve saídas pelas laterais e Dirceu e Casemiro ficaram quase sempre na marcação e assim mesmo, driblados constantemente. Vantuir e Vicente, no choque direto levaram algumas desvantagens mas Leão estava lá atrás para garantir o empate.

REAÇÃO
O Goiás mostrou o bom trabalho de Nonoca, pela lateral direita, que além de marcar Odair, sempre apoiou com perigo. Argeu dominou Baltazar na base do empurrão e no choque, ficando Alexandre Neto na sobra. Marcelo teve pouco trabalho com Vergara porque este fez poucas jogadas. Paulo Roberto, em boas tabelas com Luvanor, mais os deslocamentos de Ramon e as jogadas de Marco Antonio pela direita foram os melhores.

Se no primeiro tempo o Goiás gastou energia jogando rápido, naturalmente cansou um pouco. Na etapa final permitiu uma reação do Grémio que passou a acionar mais Odair e Vergara, conseguindo quatro oportunidades em doze minutos. Mas houve falta de objetividade e conclusões ruins.

No primeiro tempo o Goiás teve cinco boas chances, principalmente com Paulo Roberto, Luvanor, Ramon e Nonoca. O Grêmio, apenas uma, com Plein, no final. Na segunda etapa, as conclusões mais perigosas foram do Goiás, que teve a melhor aos 21 minutos, quando Ramon, pelo meio (o centroavante Gerson Lopes foi substituído por César), driblou a zaga e na saída de Leão jogou para fora. Depois, aos 28, Luvanor obrigou Leão a uma bela defesa, repetindo uma jogada de perigo aos 43 minutos.

Ênio Andrade colocou Jurandir e Vilson Tadei aos 30 minutos, um pouco tarde para mudar o jogo. No Goiás, a entrada de Carlos Alberto no lugar de Paula Roberto, também pouco alterou o jogo. De qualquer forma ficou evidente que Ênio Andrade terá muito trabalho para arrumar uma boa equipe, que seja competitiva para poder chegar às finais.” (Júlio Sortica, Zero Hora, segunda-feira, 19 de janeiro de 1981)

 

“OPINIÃO: O Goiás fez ama partida extraordinária confirmando o bom prestígio que goza a nível nacional. Apático, o Grémio cedeu espaços consideráveis ao time da casa.” (Placar)

 

GRÊMIO 0X0 GOIÁS

Goiânia — Em jogo corrido e bem disputado, Goiás e Grêmio empataram de 0 a 0, ontem, no Estádio Serra Dourada O time goiano começou melhor, mas o Grêmio equilibrou a partida a partir dos 15 minutos iniciais, destacando-se a atuação de Leão, que em duas oportunidades evitou que o time gaúcho tomasse gol.

Na primeira, Ramon, depois de driblar vários jogadores, entrou livre e ficou sem ângulo para o chute. Na segunda, Luvanor tocou por cobertura, mas Leão, mesmo deslocado, pois a bola bateu num dos zagueiros, saltou para trás e tocou para escanteio.

O juiz Roberto Nunes Morgado, auxiliado por Jefferson de Freitas e Benedito Gonçalves. Renda de Cr$ 2 milhões 101 mil, com público pagante de 21 mil 632 pessoas.” (Jornal do Brasil, segunda-feira, 19 de janeiro de 1981)

 

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

 

ÊNIO ANDRADE RECONHECE AS FALHAS DA EQUIPE

O Grémio não realizou uma boa partida e foi dominado pelo Goiás em grande parte do tempo. E o treinador Ênio Andrade foi o primeiro a admitir as falhas da equipe, considerando-se por isso mesmo muito satisfeito com o empate que o clube conseguiu na estréia na Taça de Ouro. Bem que ele procurou corrigir alguns erros, como explicou depois do jogo:

— No intervalo orientei os jogadores, especialmente no meio-campo, para os problemas que enfrentamos e as causas. Do ponto de vista defensivo, nossa falha era dar muita liberdade ao Paulo Roberto, um jogador habilidoso. Além disso, o meio-campo não estava explorando o Odair com os lançamentos que ele sabe aproveitar tão bem. E no segundo tempo as coisas realmente melhoraram bastante.

Ênio Andrade admitiu também que as substituições feitas na equipe — Jurandir e Vilson Tadei entraram nas posições de Plein e Renato Sá — é que acabaram equilibrando a partida e reduzindo o domínio do Goiás. “Minha idéia foi colocar o Jurandir para melhorar a marcação e o Vilson Tadei para fazer a armação, pois o Plein e o Renato Sá estavam um pouco cansados”. E, na realidade, o pior problema do time foi mesmo as condições físicas deficientes, além das ausências de jogadores importantes:

— Não se pode esquecer que estamos sem dois jogadores extremamente úteis à equipe, o Tarciso e o Paulo Isidoro. E o time sente bastante. Na quarta-feira, jogando no Olímpico e já podendo contar com o Tarciso, tenho certeza que a equipe melhora muito, também Porque teremos três dias de descanso e de treinos.” (Júlio Sortica, Zero Hora, segunda-feira, 19 de janeiro de 1981)

 

 

“EROÍNO LEMBROU O CANSAÇO

Tanto o técnico Ênio Andrade como a maioria dos jogadores do Grêmio lembraram que o condicionamento físico foi o fator principal que prejudicou a atuação da equipe. Nessas condições, o preparador físico do clube é quem deveria estar preocupado mas Eroíno Machado sabia que os comentados sobre o condicionamento dos jogadores não significavam uma crítica ao seu trabalho:

— Todos sabem que enfrentamos problemas que alguns times não tiveram — explicou Eroíno. Começando pelo jogo que disputamos na Argentina e, para completar, as viagens que esgotam a todos e nos tiram tempo que poderia ser aproveitado para treinamentos. O Goiás, assim como muitos outros clubes, apenas treinaram em suas cidades, enquanto o Grêmio desgastou-se.

Eroíno garantiu que quarta-feira no Estádio Olímpico, o rendimento físico da equipe será bem melhor, assim como conseguiu lambem perceber algum progresso do primeiro para o segundo jogo do ano. “Para mim, o time esteve melhor aqui em Goiânia do que em Mar Del Plata e isso que aquela partida foi disputada à noite e hoje (ontem) os jogadores correram no sol e com uma temperatura de 35 graus. Quer dizer, se houve progresso nestas condições, vamos melhorar muito na próxima partida”. (Júlio Sortica, Zero Hora, segunda-feira, 19 de janeiro de 1981)

 

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

LEÃO VAI DISCUTIR HOJE A PROPOSTA DO INDEPENDIENTE

Foram quatro defesas difíceis em toda a partida disputada ontem no Estádio Serra Dourada, em Goiânia, mas suficientes para transformar o goleiro Leão no melhor jogador do Grêmio. Em consequência, o time conseguiu passar sem derrota pelo seu primeiro jogo oficial deste ano, num resultado que todos consideraram satisfatório, já que o Grêmio ganhou um ponto sem chegar a merecer o 0 a 0.

Na saída do campo, Leão parecia um pouco contrariado: “Do ponto de vista pessoal eu estou realmente satisfeito — disse o goleiro — mas não se pode esquecer que mais importante é a atuação coletiva da equipe e ela não foi boa”. Leão justificou essa afirmação dizendo que “o Goiás teve mais consciência das dimensões do campo, correndo nos momentos certos, enquanto o Grêmio cansou um pouco, pois correu demais no primeiro tempo”.

Quando saía do gramado, Leão até ouviu a brincadeira do repórter João Garcia, da Rádio Gaúcha, que o lembrou de que sua atuação dispensava outros argumentos no encontro que terá hoje com o vice-presidente de futebol Rafael Bandeira dos Santos — nesse encontra Leão e Bandeira discutem a proposta do Independiente da Argentina: ou o goleiro e mesmo negociado ou recebe uma compensação financeira do Grêmio.

E a proposta do clube argentino é realmente excepcional Cr$ 49 milhões para o Grêmio, Cr$ 12 milhões de luvas para o goleiro que receberá ainda Cr$ 70 mil por jogo, Cr$ 1 milhão e 200 mil mensais, casa, telefone e um carro. Essa proposta será oficializada ainda nesta semana por Pedro Isso, presidente do Independiente, que viaja a Porto Alegre e tenta contratar Leão.” (Júlio Sortica, Zero Hora, segunda-feira, 19 de janeiro de 1981)

 

Foto: Armênio Abascal (Zero Hora)

Goiás 0x0 Grêmio

GOIÁS: Amauri; Nonoca, Argeu, Alexandre Neto e Marcelo; Matinha, Paulo Roberto (Carlos Alberto Santos 35 do 2ºT) e Luvanor; Marco Antônio, Ramón e Gérson Lopes (César 15 do 1ºT)
Técnico: Paulo Emílio

GRÊMIO: Leão, Casemiro, Vicente, Vantuir e Dirceu; China, Plein (Jurandir 32 do 2ºT) e Renato Sá (Vilson Tadei 32 do 2ºT); Vergara, Baltazar e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

1ª Rodada – 1ª Fase – Campeonato Brasileiro 81
Data: 18 de janeiro de 1981, domingo
Local: Estádio Serra Dourada, em Goiânia-GO
Público: 21.632 pagantes
Renda: Cr$ 2.101.400,00
Juiz: Roberto Nunes Morgado – SP
Auxiliares: Jefferson de Freitas e Benedito Gonçalves
Cartões Amarelos: Paulo Roberto e Plein