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Brasileirão 1988 – Grêmio 0x0 Flamengo

January 27, 2021

Foto: Nico Esteves (Placar)

Grêmio e Flamengo já se enfrentaram antes em um dia 28 de janeiro. Foi pelo Brasileirão de 1988, que, assim como a atual edição, começou em um ano e só foi ser finalizado no seguinte.

Naquela ocasião houve uma parada de mais de um mês entre o fim da fase da classificação, em meados de dezembro, e o início dos mata-mata. Na sua preparação para o jogo, o Flamengo recebeu a visita da  Rainha do seu Baile Vermelho e Preto, Monique Evans, enquanto o maior agito na concentração tricolor em Gramado foi uma conta não paga em um clube da cidade serrana.

Como é possível ver nos textos transcritos abaixo, o Presidente Paulo Odone não gostou nenhum pouco do fato do jogo ter sido marcada para as 16 horas de um sábado em plena temporada de veraneio no Rio Grande do Sul. Buscando evitar um baixo público, o mandatário gremista tentou barrar a transmissão pela TV Globo e reduziu consideravelmente o preço dos ingressos. A redução se mostrou uma medida acertada, uma vez que mais de 53 mil pagantes se fizeram presentes no Olímpico naquela tarde.

Em campo o Grêmio não conseguiu sair do 0x0, resultado mais favorável ao Flamengo, que tinha a vantagem de jogar por empate numa prorrogação numa eventual igualdade após o fim do tempo regulamentar da segunda partida.

Acho bem curiosa a numeração usada pela equipe tricolor nesse período. Na foto a abaixo podemos ver o lateral-esquerdo Airton com a camisa 5, enquanto a camisa  4 ficou com o meio-campista Cristóvão Borges.  Por falar em Cristovão, já comentei antes no twitter que gosto muita dessa braçadeira com os dizeres “CAPITÃO” usada por eles nesse jogo.

 

Foto: Nico Esteves (Placar)

 

Foto: Nico Esteves (Placar)

EMPATE DEIXA FLA MAIS PERTO DA SEMIFINAL

A torcida rubro-negra comemorou o resultado como se fosse uma vitória, num jogo disputado c equilibrado, apesar do calor. E o empate em 0 a 0 com o Grêmio, em Porto Alegre, deixou o Flamengo numa situação muito confortável na busca da classificação para as semifinais do campeonato Brasileiro. O próximo jogo das duas equipes será na quinta-feira à noite, no Maracanã, quando uma vitória no tempo normal basta ao time do Rio.

O Flamengo começou com mais fôlego. Zinho arriscava dribles e Bebeto lançava sempre para Sérgio Araújo na direita, sem que houvesse maior perigo nas finalizações. O Grêmio buscava marcar o adversário no meio-campo e encontrou pelo setor direito do ataque o caminho mais fácil para atingir a área do Flamengo, através de jogadas de Alfinete, Jorginho e Serginho. Foram nos escanteios cobrados por Jorginho que o Grêmio levou maior perigo à meta de Zé Carlos e, se não houve um gol neste primeiro tempo, isso se deve à sucessão de erros de Jorge Veras na pequena área e na presença quase milagrosa de Aldair, que desarmou o adversário em praticamente todas as investidas.

No segundo tempo, o Flamengo novamente começou com mais garra e, até os 12 minutos, conseguiu cinco escanteios a seu favor. A partir daí, o técnico Minelli ordenou que a defesa de fechasse ainda mais, abafando outras investidas rubro-negras. Pelo Flamengo, as jogadas de maior perigo foram aos 15 minutos, quando Zico cobrou uma falta na intermediária num belíssimo lançamento para Sérgio Araújo que, da meia-lua, deu um chutão sobre o travessão. E aos 41, quando Jorginho, após jogada de Renato (que substituiu Zico) buscou a linha de fundos, cruzou para a pequena área, mas Sérgio Araújo novamente errou o chute, cara a cara com Mazaropi. Nos minutos finais, os dois times alternaram jogadas de perigo, mas Zé Carlos e Mazaropi conseguiram manter o marcador. “ (Jornal do Brasil, domingo, 29 de janeiro de 1989)

 

 

TELÊ NÃO CANTA VITÓRIA

Porto Alegre — O empate teve sabor de vitória para o Flamengo, que agora conta com a vantagem de jogar em casa, na próxima quinta-feira, por mais um empate para se classificar. Por isso, quando faltavam dez minutos para terminar o jogo, a torcida rubro-negra ja cantava a vitória do seu time.

Fim de partida, e o alívio substituiu o cansaço da equipe, que saiu de campo com a sensação de que o pior tinha passado. Zico, substituído no início do segundo tempo, achou que faltou às duas equipes, além de gols, preparo físico. “Depois das férias, os times voltam sem aquele ritmo de jogo rápido”, acrescentou.

 O técnico Telê Santana foi talvez o único no Flamengo que não sentiu nenhum gosto de vitória com o empate. “Nós viemos a Porto Alegre para ganhar. É claro que o resultado nos favoreceu, mas eu sempre disse que íamos atacar”, salientou.

O Flamengo soube administrar o nervosismo do Grêmio, empurrado por sua torcida, e foi inteligente. Soube segurar o jogo no final, tanto que quem mais trocou passes nos últimos minutos foi o goleiro Zé Carlos com a defesa. Ainda assim, Telê prefere atribuir a falta de conclusões, de um lado e de outro, ao preparo físico ainda deficiente dos jogadores. “O calor atrapalha e a torcida do Grêmio também pressionou muito o nosso time”.

Uma coisa Telê garante: o Flamengo será um time ofensivo na quinta-feira. “Não podemos pensar no empate só porque ele nos classifica, ainda mais jogando com a nossa torcida junto.” Essa é exatamente a maior preocupação do treinador do Grêmio, Rubens Minelli, ou seja, o ataque do Flamengo no Maracanã.

O técnico do Flamengo acha pouco tempo até o próximo jogo para que o time alcance preparo físico satisfatório, mas está confiante na vitória, até porque a partida será a noite, com temperatura mais amena.“ (Jornal do Brasil, domingo, 29 de janeiro de 1989)

 

 

PÚBLICO, CONSOLO GREMISTA

“Perdemos gols que não poderíamos perder”, lamentou o treinador Rubens Minelli, sintetizando as opiniões entre os gremistas no final da partida com o Flamengo. Cuca, o melhor atacante do Grêmio, perdeu dois gols, mas a partida de ontem mostrou que, para quinta-feira, no Maracanã, o Grêmio continua’ com o mesmo problema: não tem centroavante nem agressividade no ataque.

O lateral-esquerdo Airton, que prometia uma grande atuação contra seu ex-clube, foi apenas regular. Ele admitiu que o time gaúcho “não teve tranquilidade para marcar, mas em decisão não se pode brincar”. Embora lamentando o empate, o presidente do Grêmio, Paulo Odone, estava eufórico com a presença de 53.842 pagantes no Estádio Olímpico, que proporcionaram uma renda de NCz$ 34.346,40, mesmo sendo sábado à tarde. Ele acha que o público deu uma “lição e um depoimento ao vivo” e pensa, seriamente, cm manter os preços baixos, pelo menos nas gerais (NCz$ 0,20) e arquibancadas (NCz$ 0,50).

O Grêmio cobrou preços mais baixos, inclusive inferiores à tabela da Sunab, em protesto à decisão da CBF de marcar a partida para uni sábado, quando normalmente a maioria dos porto-alegrenses está na orla atlântica. Com os preços baixos, o Estádio Olímpico apresentou uma das maiores lotações dos último três anos.“(Jornal do Brasil, domingo, 29 de janeiro de 1989)

 

 

FLAMENGO JOGA POR NOVO EMPATE NO RIO

Porto Alegre – Emygdio Felizardo –  Enviado Especial – Deu 0 a 0 no primeiro jogo das quartas-de-final da Copa União. Na verdade, Flamengo e Grêmio não realizaram boa atuação ontem à tarde no Olímpico, em Porto Alegre, cometendo muitos erros, principalmente nas finalizações, e frustraram o grande número de torcedores que praticamente lotou as dependências do estádio. O resultado foi justo e beneficiou o time carioca que terá o direito de decidir sua passagem para a semifinal quinta-feira, no Maracanã, com a vantagem de dois empates — no tempo normal e na prorrogação — para eliminar o Grêmio.

O Flamengo, começou o jogo em ritmo quente, bem distribuído em campo, mostrando eficiência na marcação e partindo rápido nos contra-ataques, com os lançamentos para as pontas, onde encontrava muita liberdade para trabalhar a bola, principalmente pelo lado direito, com Sérgio Araújo. Desta forma, o time carioca foi dominando as ações, mas apresentando erros nos cruzamentos.

Aos poucos, no entanto, o Grêmio foi crescendo em campo, equilibrando o jogo e depois conseguindo reverter a situação, passando de dominado para dominador. Com a subida de produção do time gaúcho, foram surgindo falhas gritantes no sistema de marcação do Flamengo, a partir do meio-campo. O Grêmio pressionou muito após os 20 minutos e esteve muito próximo de sair para o intervalo com a vantagem no placar.

As principais investidas dos gaúchos na primeira etapa surgiram pelo lado direito, através de boas combinações entre Jorginho e Alfinete. Nas cobranças de escanteios, o Grêmio deixou o  Flamengo em grandes apuros, com a defesa atabalhoada, escapando de sofrer gol pela grande fase de Aldair. Na frente, o Flamengo também foi muito prejudicado pelas precipitações de Sérgio Araújo nas finalizações.

Os melhores momentos ao primeiro tempo pertenceram ao Grêmio, aos 12 e 20 minutos. No primeiro, Jorginho cobrou falta, Leonardo falhou e Cuca bateu por cima, da entrada da pequena área. O segundo foi em um corner. A defesa do Flamengo não interceptou mas o ataque do Grêmio também bobeou.

Na etapa complementar, o Grêmio voltou a ficar com as melhores chances de gols. Uma aos 13 minutos, com Cuca chutando fraco em cima de Zé Carlos, depois de boa investida pela esquerda, e outra aos 24, numa falha de Aldair. Aos 41 minutos, Sérgio Araújo, na pequena área, perdeu a maior oportunidade do Flamengo. No finalzinho do jogo aconteceram dois bons momentos — um para cada lado —, mas Zé Carlos e Mazaropi seguraram o 0 a 0.” (Emygdio Felizardo, Jornal dos Sports, domingo, 29 de janeiro de 1989)

 

 

ATUAÇÕES

 

FLAMENGO

Zé Carlos — Falhou em dois lances no primeiro tempo, quando saiu mal em cobranças de escanteios. Mas na etapa complementar fez boas defesas, sendo a melhor delas aos 44 minutos. Nota 7

Jorginho — Esteve muito bem na marcação e com boas Investidas de apoio. No entanto, foi prejudicado pela afobação de Sérgio Araújo, correndo muitas vezes à toa. Nota 7

Aldair – Só falhou em um lance no segundo tempo, que quase acaba sendo fatal. No restante, esteve firme, justificando sua convocação para a Seleção Brasileira. Nota 8

Rogério — Outra boa atuação. Cobriu muito bem a falha de Aldair. Nota 7.

Leonardo — Ficou em sérios apuros com as investidas de Alfinete e Jorginho. Mas acabou dando conta do recado. Nota 7

Delacir — Novamente mostrou combatividade. Mas apresentou falhas, cometeu faltas desnecessárias e errou passes. Nota 4

Ailton — Esteve um pouco melhor que Delacir. Também é limitado. Nota 5

Zico — O problema estomacal o deixou muito abatido. Atuou mais no sacrifício e, por isso, não rendeu tudo o que sabe. Além disso, esteve afastado do time por contusão. Nota 6.

Renato entrou com disposição e deu bom chute a gol. Nota 6

Sérgio Araújo — Atrapalhou o ataque do Flamengo. Esqueceu o espirito de companheirismo. Nota 4

Bebeto — Lutou muito durante os 90 minutos. A individualidade de Sérgio Araújo também o atrapalhou. Nota 7

Zinho — Começou bem e depois caiu um pouco. Mas, ainda assim, preocupou a defesa. Nota 7.

 

GRÊMIO

Mazaropi — Os arremates de longa distância do Flamengo facilitou sua atuação. Mas também mostrou boa saída do gol, se antecipando aos atacantes adversários. Nota 7

Alfinete – No início foi envolvido por Zinho, mas foi se firmando na marcação e apoiou com eficiência, trabalhando bem com Jorginho. Nota 7

Trasante — Um zagueiro multo duro. É bom tanto nas bolas altas quanto rasteiras, mas abusa das faltas Nota 6

Luís Eduardo — No mesmo nível de seu companheiro. Também bate muito. Nota 6

Aírton — Deixou Sérgio Araújo muito solto durante a maior parte do tempo. Com isso, poderia comprometer toda a defesa do Grêmio, se o ponta não fosse “fominha”. Nota 4

Bonamigo — Um jogador habilidoso, que sabe fazer lançamentos. No entanto, andou pipocando algumas vezes. Nota 6

Sérginho — Se movimentou bem em campo, criando espaços e lançando. Na hora que procurou finalizar mostrou deficiência. Note 6

Cristóvão — Também trabalhou multo no meio-campo do Grêmio. Lutou com disposição e criou bons lances de ataque. Nota 7

Jorginho — Puxou os principais contra-ataques do Grêmio e criou pânico para a defesa do Flamengo nas cobranças de escanteios. Nota 8

Cuca — Lutou multo e perdeu vários gols. Nota 6

Jorge Veras — Veloz mas não demonstrou multa qualidade técnica. Nota 6.

 

ARBITRAGEM

O árbitro Romualdo Arpi Filho cumpriu à risca as determinações que foram Impostas pelo presidente da nova Cobraf, Áureo Nazareno. Antes do início da partida, o árbitro chamou os dois capitães e pediu que transmitisse aos jogadores que seria rigoroso na arbitragem e que não admitiria jogo violento. Por isso o jogo começou com cinco minutos de atraso. Na partida o árbitro Romualdo Arpi Filho, só deixou de dar um cartão ao zagueiro Trasante, que na passagem de uma bola segurou o atacante Bebeto. Aplicou cartão amarelo em Delacir e Luiz Eduardo, com muita segurança e conseguiu levar o Jogo até o seu final com multa tranqüilidade. Os seus auxiliares poucos trabalho tiveram demonstrando, que o de modo geral, trio de arbitragem esteve muito bem. “ (Jornal dos Sports, domingo, 29 de janeiro de 1989)

Foto: Sérgio Sade (Placar)

 

VETO A TELEVISÃO TEVE MOTIVO POLÍTICO

Os motivos que levaram o presidente do Grêmio, Paulo Odone, a criar toda a celeuma contra a TV Globo, ameaçando, inclusive, a impedir a transmissão do jogo de ontem no Estádio Olímpico, foram, na verdade, de fundo político. Isso, porque a Oposição vem conseguindo um grande crescimento, tornando-se cada vez mais forte para a próxima eleição que apontará o novo presidente do clube.

O pleito somente acontecerá 20 dias após a última participação do Grêmio nesta Copa União. A finalidade do dirigente no período pré-eleitoral é também unificar o clube e a torcida, para reconquistar o prestígio da atual administração e ganhar novo voto de confiança nas urnas. A atitude do presidente ainda teve além do cunho político, a intenção de motivar o espetáculo no Estádio Olímpico. Paulo Odone sabe que nos finais de semana. Porto Alegre torna-se uma cidade vazia, com as viagens para o litoral e que, por este motivo, a polêmica sobre a marcação da data para o televisionamento tornou-se a única maneira de despertar uma maior motivação para que o público comparecesse em bom número a fim de incentivar o time gremista na primeira batalha pela classificação nas quartas-de-final.” (Jornal dos Sports, domingo, 29 de janeiro de 1989)

 

 

Grêmio 0x0 Flamengo

GRÊMIO: Mazaropi, Alfinete (Fábio), Trasante, Luiz Eduardo e Aírton; Bonamigo, Cristóvão e Cuca; Jorginho, Serginho e Jorge Veras
Técnico: Rubens Minelli

FLAMENGO: Zé Carlos, Jorginho, Aldair, Rogério e Leonardo; Delacir, Aílton e Zico (Renato Carioca); Sérgio Araújo, Bebeto e Zinho
Técnico: Telê Santana

Brasileirão 1988 – Quartas de final – jogo de ida
Data: 28 de janeiro de 1989, sábado, 16h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 53.842 pagantes
Renda: NCz$ 34.346,00
Juiz: Romualdo Arpi Filho
Auxiliares: Oswaldo Ramos e Darcio Pereira
Cartões Amarelos: Delacir e Luis Eduardo

Brasileirão 1988 – Atlético Mineiro 1×0 Grêmio

September 26, 2020

Foto: Nélio Rodrigues (Placar)

No Brasileirão de 1988, o Grêmio perdeu para o Atlético Mineiro no Mineirão, pela quarta rodada da primeira fase. Apesar desse resultado negativo, o Grêmio conseguiu classificação para as quartas de final ao terminar na segunda colocação do seu grupo.

Eu sei que essa foi a tradição por muito tempo, mas para mim essa combinação de camisa branca, calção preto e meia branca é a pior possível para o uniforme reserva do tricolor.

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

GRÊMIO, MEDÍOCRE, PERDE EM MINAS E CAI NA TABELA
Apático, sem ambição e incompetente, time gaúcho foi derrotado e já é quarto no Grupo B

Com uma péssima atuação, o Grêmio perdeu para o Atlético Mineiro por 1 a 0. A realidade é que no time gaúcho apenas o zagueiro Trasante escapou da verdadeira crise de competência que tomou conta da equipe dirigida por Otacilio Gonçalves. Agora, no Grupo B, o Vasco é o primeiro colocado com 12 pontos ganhos, o Guarani e Bahia aparecem depois, com oito, e o Grêmio o caiu para quarto, ao lado do Santos, com apenas sete pontos em quatro partidas No Mineirão, a derrota aconteceu diante de um adversário apenas razoável, desfalcado de três titulares: Luisinho. Sergio Araújo e Éder Lopes, e, antes de tudo, foi um mau resultado frente a um conjunto desarticulado, quase sem nenhuma expressão técnica e com nítidos problemas de marcação. Conclusão: derrota do Grêmio para a sua própria incompetência.

Na primeira etapa, o Grêmio teve uma única conclusão a gol: Trasante, aos 27 minutos, saltou mais alto do que Tobías e roçou de cabeça para uma fácil defesa de Romulo. Enquanto isso, o ponteiro esquerdo Helder deu três perigosos chutes contra Mazaropi. Aos 11 minutos, ele acertou o poste direito, depois de bater de dentro da área. Aos 17, obrigou o goleiro do Grêmio a uma difícil defesa. Aos 21, marcou um gol. Boschillia anulou-o com alegação de falta. Lance duvidoso, no mínimo. Aos 32, Aírton afastou mal. Cartão cruzou e Ailton marcou. Mazaropi, adiantado, foi encoberto.

No segundo tempo, o Grêmio voltou aparentemente mais decidido. Trasante destacou-se na defesa e no ataque. O zagueiro central salvou um gol, embaixo da trave, aos 27 minutos, e deu um chute violento, da intermediária do Atlético, para uma boa defesa de Romulo, aos 30 minutos. Mesmo com a saída de Marcos Vinícius, que praticamente não tocou na bola, a situação do Grêmio não melhorou, pois além do centroavante, Jorge Veras, Serginho e o setor com a tarefa de criação, formado por Cristóvão e Cuca, não fizeram nada. A mediocridade caracterizou o time do gaúcho.

O PLACAR
AILTON, para o Atlético Mineiro, 1 a 0, aos 32 minutos do primeiro tempo. Airton afastou mal uma bota da dentro da sua área. Carlão dominou livre e cruzou. Ailton saltou e tocou de cabeça no melo do gol. Mazaropi estava adiantado e foi encoberto, apesar do esforço para defender com uma mão.” (Zero Hora, segunda-feira, 19 de setembro de 1988)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

O JOGO: Foi uma partida cheia de emoção, com as duas equipes jogando leal e ofensivamente. O ataque do Atlético praticamente não guardou posições fixas. As movimentações de Renato e Marquinhos. em especial, foram fatores de desequilíbrio. O Grêmio tentou reagir, avançando seu meio-campo. o que abriu espaço para os contra-ataques do Atlético” (Placar, Edição n.º 955, 23 de setembro de 1988)

 

“[…] Aílton, um meio-campista de 22 anos, acabou escalado com gripe mesmo, devido à contusão do volante Éder Lopes. E Aílton não só foi o herói do dia como também confirmou sua condição de amuleto alvinegro na Copa União. Com uma bela cabeçada que encobriu o goleiro Mazarópi antes de morrer na rede gremista, o jovem Aílton garantiu a vitória do Galo por 1 x O ainda no primeiro tempo. E mais: agora é o autor dos dois gols de seu time na competição.[…] “ (Placar, Edição n.º 955, 23 de setembro de 1988)

 

 

Atlético Mineiro 1×0 Grêmio

ATLÉTICO: Rômulo; Carlão, Flávio, Tobias e Paulo Roberto; Moacir, Ailton (Edilson), Marquinhos e Renato Morungaba; Saulo e Élder (Lourenço)
Técnico: Telê Santana

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinête, Trasante, Luis Eduardo e Airton; Bonamigo, Cristovão e Cuca; Serginho, Marcus Vinicius (Zé Roberto) e Jorge Veras
Técnico: Otacílio Gonçalves

4ª Rodada – 1ª Fase – Campeonato Brasileiro 1988
Data: 18 de setembro de 1988, domingo
Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, MG
Público: 11.290 pagantes
Renda: Cz$ 4.145.100,00
Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschilla
Auxiliares: Euclides Rodrigues e Reinaldo Teixeira
Cartão Amarelo: Trasante
Gol: Ailton, aos 32 minutos do 1º tempo