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Brasileirão 1995 – Palmeiras 3×0 Grêmio

November 23, 2019
1995 palmeiras 3x0 gremio b

Foto: Zero Hora

Esse foi o último dos setes confrontos entre Palmeiras e Grêmio no ano de 1995.  Um detalhe interessante é que em todos esses sete jogos há uma pequena variação dos uniformes dos times. Nesse, o Palmeiras estava usando sua nova camisa da Rhummel, com o scudetto de campeão brasileiro de 1994, enquanto o Grêmio entrou em campo com um calção todo preto (sem a listra nas laterais usada nos jogos anteriores).

Mesmo com a vitória (iniciada com um gol de mão de Edilson) o Palmeiras não conseguiu a classificação para as semifinais, tendo empatado com o Juventude no Alfredo Jaconi na última rodada da primeira fase.

A última matéria da Folha de São Paulo transcrita abaixo menciona que os jogadores do Palmeiras recebiam R$ 700,00 por resultado positivo. Esse valor, ajustado pelo IGPM, corresponderia a cerca R$ 4.300,00 atualmente.

1995 palmeiras 3x0 gremio emerson b

Foto: Zero Hora

GRÊMIO NÃO RESISTE AO BOM FUTEBOL DO PALMEIRAS
Os paulistas mantêm a liderança isolada no grupo com 22 pontos ganhos e são favoritos para garantir a classificação

O sétimo encontro do clássico do ano teve vantagem paulista. O Palmeiras fez 3 a 0 em um Grêmio desfalcado, mas aguerrido, e é favorito para ganhar a vaga do Grupo A, agora com 22 pontos, contra 19 do Cruzeiro (um jogo a menos). Sem cinco titulares, o Grêmio surpreendeu com a volta de Émerson, depois de sete meses recuperando-se de cirurgia no joelho. O time gaúcho fica em nono lugar.

O Palmeiras jogou-se ao ataque logo no início. Aos 10 minutos, Muller recebeu um lançamento às costas de André Vieira. Cruzou na medida para a cabeça de Edilson. A bola ainda tocou `no braço do atacante e entrou. Com desvantagem, o Grêmio reagiu. Arilson e Emérson, em freqüentes deslocamentos, confundiram o bom meio-de-campo paulista e levaram vantagem. A volta de Émerson ficou marcante em um chute de pé esquerdo, aos 20 minutos. A bola raspou o travessão. Depois de ter sido tirado do futebol por uma falta de Pedrinho, do Brasil, de Farroupilha, Émerson teve fôlego para jogar 55 minutos.

O Grêmio perdeu a partida pelo lado direito. O segundo gol do Palmeiras nasceu de um cruzamento em que André Vieira tentou rebater e Wágner Fernandes não alcançou. Cafu fez o corta-luz, a bola sobrou para Rivaldo, que chutou de bico, rasteiro. O goleiro Danrlei tentou tirar com os pés, mas não teve sorte. A bola passou por entre suas pernas aos 15 minutos do segundo tempo.

O nervosismo ameaçou reprisar a tensão dos jogos da Libertadores. Goiano acertou Antônio Carlos logo no início. E Cléber revidou sobre Arilson. Ao ‘final (36 minutos), Rivaldo arrancou do meio e marcou o terceiro.” (Zero Hora, segunda-feira, 2 de outubro de 1995)

Revista Placar

O JOGO: A necessidade da vitoria empurrou a Palmeiras ao ataque e a primeiro gol saiu logo no início. Com a vantagem, o time explorou – e bem – os contra-ataques.

HISTÓRIA: CONFRONTO - PALMEIRAS X GRÊMIO

PALMEIRAS BATE GRÊMIO E É O FAVORITO À VAGA
O Palmeiras derrotou ontem o Grêmio por 3 a 0 no Parque Antarctica. Com o resultado, a equipe paulista mantém a liderança no Grupo A e o favoritismo à vaga nas finais do Brasileiro.
O técnico palmeirense, Carlos Alberto Silva, surpreendeu ao escalar Cafu na lateral-direita e Alex Alves no ataque, tirando o lateral Índio da equipe.
Com isso, o Palmeiras modificou sua maneira habitual de jogar, abandonando as tabelas rápidas e adotando os lançamentos para aproveitar a velocidade de Alex.
O bicampeão brasileiro marcou logo aos 9min de jogo. Muller recebeu um passe em profundidade de Wágner pela esquerda e cruzou. Edílson, desmarcado, tocou de cabeça. A bola ainda resvalou na sua mão e entrou.
A desvantagem não intimidou o Grêmio. A equipe gaúcha manteve a partida equilibrada.
O Palmeiras concentrava demais suas investidas pelo lado esquerdo. Na direita, Cafu não recebia ajuda de ninguém do meio-campo ou do ataque.
Além disso, ao insistir excessivamente nos lançamentos, o Palmeiras acabava devolvendo a posse da bola ao time gaúcho com muita facilidade.
O Grêmio teve, aos 36min, a sua melhor oportunidade na primeira etapa. O lateral-esquerdo Roger penetrou na área e chutou colocado. Velloso espalmou para escanteio.
Para a segunda etapa, o Palmeiras voltou com Índio no lugar de Alex Alves. Cafu foi para o meio-campo e Edílson, para o ataque.
A modificação devolveu ao time o seu estilo de toques habitual, além de reequilibrar os dois lados da equipe e melhorar a marcação no meio-campo.
O segundo gol palmeirense saiu aos 13min. Cafu cruzou rasteiro da linha de fundo, Muller deixou a bola passar e Rivaldo chutou fraco. A bola acabou passando por entre as pernas de Danrlei.
Rivaldo fez também o terceiro gol, quando o Grêmio já não tinha chance de reação. Ele partiu com a bola dominada do meio-campo, driblou dois adversários e tocou na saída de Danrlei.” (Folha de São Paulo, segunda-feira, 2 de outubro de 1995)

PALMEIRAS DERROTA GRÊMIO E CONTINUA LÍDER NO GRUPO A
O Palmeiras derrotou ontem o Grêmio por 3 a 0. Com o resultado, a equipe paulista mantém a liderança no grupo A e o favoritismo à vaga nas finais do Brasileiro.
O Palmeiras marcou logo aos 9min de jogo. Muller puxou um contra-ataque rápido pela esquerda e cruzou. Edílson, desmarcado, tocou de cabeça. A bola ainda resvalou involuntariamente na mão.
A desvantagem não intimidou o Grêmio. A equipe gaúcha manteve a partida equilibrada.
Teve aos 36min a sua melhor oportunidade na primeira etapa. O lateral-esquerdo Roger penetrou na área e chutou colocado. Velloso espalmou para escanteio.
Para a segunda etapa, o Palmeiras voltou com Índio no lugar de Alex Alves. Cafu foi para o meio e Edílson, para o ataque.
O segundo gol palmeirense saiu aos 13min. Cafu cruzou rasteiro da linha de fundo, Muller deixou a bola passar e Rivaldo chutou fraco. A bola acabou passando por entre as pernas de Danrlei.
Rivaldo fez também o terceiro. Ele partiu com a bola dominada do meio-campo, driblou dois adversários e tocou na saída de Danrlei.” (Folha de São Paulo, segunda-feira, 2 de outubro de 1995)

TIME EXIBE ESTILOS DIFERENTES
O Palmeiras exibiu estilos diferentes em cada tempo da partida. No primeiro, a entrada de Alex Alves no ataque mudou radicalmente o perfil ofensivo da equipe.
Por ser um atacante veloz, Alex levou o time a adotar um estilo à base de lançamentos longos às costas dos zagueiros adversários.
Essa estratégia tornou-se ainda mais evidente, ontem, pelo fato de o Palmeiras ter marcado seu primeiro gol logo no início -aliás, numa jogada de lançamento para Muller na ponta esquerda.
Em contrapartida, os meias-ofensivos palmeirenses tiveram pouca participação na criação.
Como o time preferiu a velocidade ao toque, Edílson e Rivaldo evitaram reter a bola em busca de tabelas ou jogadas individuais.
Ao mesmo tempo, o lado direito, que costuma funcionar bem com Índio na lateral e Cafu na meia, praticamente desapareceu.
A substituição de Alex Alves por Índio, no intervalo, devolveu ao Palmeiras o estilo “natural” de toque de bola rápido e o equilíbrio entre os dois lados do time, além de aumentar o poder de marcação, graças ao deslocamento de Cafu para o meio-campo.” (Mário Moreira e Arnaldo Ribeiro, Folha de São Paulo, segunda-feira, 2 de outubro de 1995)

JUCA KFOURI
[…]E que o Palmeiras voltou a a se organizar mais cedo do que seria razoável esperar. Aliás, com frequência, querem saber: o que a coluna tem contra o jogador Muller?
A resposta é sempre a mesma: nada. A não ser a indiferença que ele confunde com frieza, por mais que se argumente que ganhou quase tudo que disputou no São Paulo, etc e tal -até fazendo gol sem querer na decisão do mundial de clubes contra o Milan, em 93.
Pois bem. Agora a coluna faz a mesma pergunta com mão invertida: o que o craque Muller tem contra a coluna?
Porque é estranho saber ao voltar que ele tem feito a diferença e é o maior responsável pela ascensão alviverde. Será mesmo?
A partida contra o Grêmio mostrou que sim. Muller participou até pouco, mas deu o primeiro gol, foi espertíssimo no segundo e sempre tocou de primeira. Mostrou que nada tem contra a coluna. E vice-versa, estamos entendidos?” (Juca Kfouri, Folha de São Paulo, segunda-feira, 2 de outubro de 1995)

HISTÓRIA: CONFRONTO - PALMEIRAS X GRÊMIO

ALBERTO HELENA JR. – PALMEIRAS VENCE COM AS ARMAS DO RIVAL
O mais curioso é que o Palmeiras venceu o Grêmio ontem, no Parque Antarctica, com folga no marcador, com as armas desse seu recente e feroz rival: o contragolpe. Talvez, por estar fora do páreo, na qualidade de livre-atirador, o Grêmio veio a São Paulo seduzido pela idéia de que poderia pregar uma peça no Palestra.
E se transfigurou em campo: de humilde, modesto e disciplinado guerreiro, atirou-se de peito aberto sobre a área inimiga. Pimba, um contra-ataque rápido pela esquerda, o cruzamento exato de Muller para a cabeçada de Edílson, e eis o Palmeiras com a vantagem que pediu a Deus. E assim foi até o final.
No segundo tempo, mais duas pontadas e mais dois gols de Rivaldo. Isso sem que o Palmeiras brilhasse, nem mesmo impusesse sua técnica mais refinada.
Na verdade, nem precisou.” (Alberto Helena Jr. – Folha de São Paulo, segunda-feira, 2 de outubro de 1995)

DANRLEI SE DIZ ARREPENDIDO
Ontem, definitivamente, não foi um bom dia para o goleiro gremista Danrlei, 22.
Seu time perdeu por 3 a 0, ele levou um gol entre as pernas e foi xingado durante todo o jogo pelos torcedores palmeirenses.
Aos gritos de “covarde”, Danrlei deixou o campo tranquilamente. “Isso não me abala”, disse.

Folha – Os palmeirenses ainda não perdoaram o soco que você deu no Válber, no jogo pela Taça Libertadores, e te xingaram muito. Isso não te incomodou?
Danrlei – Não. Quem não souber trabalhar nessas condições, não pode ser jogador. Eu gosto de jogar assim. Dá mais vontade.
Folha – Você não se sente arrependido?
Danrlei – Isso já passou. Vi o erro que fiz e me arrependo dele. Esse tipo de coisa não vai mais acontecer.
Folha – O Grêmio vai continuar desprezando o Campeonato Brasileiro?
Danrlei – Vamos continuar nos preparando para a decisão do Mundial interclubes, em novembro.” (Arnaldo Ribeiro, Folha de São Paulo, segunda-feira, 2 de outubro de 1995)

RIVALDO VOLTA A MARCAR GOLS
O meia-atacante Rivaldo, 23, fez ontem seus dois primeiros gols no Brasileiro. Não marcava desde 22 de julho, contra o Mogi Mirim, pelo Paulista.
Para ele, a formação tática do Palmeiras no segundo tempo funcionou melhor que a do primeiro.

Folha – Havia muito tempo que você não marcava. Estava com saudade de fazer gols?
Rivaldo – É, fazia dois jogos e meio que eu não marcava, desde que renovei contrato. Fazer gol é sempre importante para um jogador. Graças a Deus, consegui marcar dois. No último, senti que os zagueiros deram uma puxada para o lado e que o campo estava livre para eu avançar.
Folha – O Palmeiras usou táticas diferentes no primeiro e no segundo tempo. Qual foi a melhor?
Rivaldo – A do segundo tempo. No primeiro, insistimos nos lançamentos para o Alex Alves e erramos quase todos. Depois, com o Cafu no meio-campo, ficamos mais fortes na marcação.” (Mário Moreira, Folha de São Paulo, segunda-feira, 2 de outubro de 1995)

ALEX ALVES SE IRRITA E VAI EMBORA NO INTERVALO
O atacante Alex Alves não gostou de ser substituído no intervalo e, irritado, deixou o Parque Antarctica antes do segundo tempo.
Ao saber da atitude do jogador, o técnico Carlos Alberto Silva disse que Alex “tem de se ajustar e dizer por que foi embora”.
Apesar disso, ele afirmou que pretende conversar com o atacante para, só então, decidir se toma alguma medida disciplinar.
O vice-presidente de futebol, Seraphim Del Grande, disse que os jogadores substituídos não têm obrigação de esperar o fim das partidas para ir embora, mesmo com a possibilidade de serem sorteados para o exame antidoping.
“Em princípio, não há motivo para punir o Alex”, afirmou.
Silva explicou que substituiu o jogador porque o Palmeiras estava errando os lançamentos para ele e perdendo sempre a posse da bola.
“Não é que o Alex estivesse mal. O time é que não estava trabalhando a bola. Depois, com o Cafu no meio-campo, o setor se fortaleceu.”
O ministro do Planejamento, José Serra, torcedor do Palmeiras, assistiu ao jogo e foi ao vestiário cumprimentar o time pela vitória.
“É a quarta vez que venho e o Palmeiras ganha. Quando precisarem, contem comigo”, brincou.
O técnico Luiz Felipe, do Grêmio, reclamou muito da arbitragem de Antônio Pereira da Silva.
Segundo ele, o juiz errou ao validar o primeiro gol do Palmeiras, marcado por Edílson.
“Todo mundo viu que a bola bateu na mão dele antes de entrar. Faz oito jogos que não vencemos com as arbitragens desse juiz. Não pode ser só coincidência.”
Luiz Felipe, porém, achou justo o resultado da partida. “O Palmeiras hoje é melhor que o Grêmio e mereceu vencer.” (Mário Moreira e Arnaldo Ribeiro, Folha de São Paulo, segunda-feira, 2 de outubro de 1995)

ALEX ALVES DIZ QUE SAIU DO ESTÁDIO POR `PRESSA`
O atacante Alex Alves, do Palmeiras, disse ontem à Folha que deixou o Parque Antarctica no intervalo do jogo contra o Grêmio, na véspera, porque estava “com pressa”.
Ele tivera sua substituição decidida pelo técnico Carlos Alberto Silva para o segundo tempo.
“Tinha que viajar e aproveitei para tentar trocar a passagem para um horário mais cedo”, afirmou Alex. Ele não quis revelar para onde teria viajado.
A Folha telefonou várias vezes para a casa de Alex Alves ontem, mas, antes de o atacante finalmente atender, o meia Paulo Isidoro, que mora com ele, dera informação diferente.
“Quando cheguei do jogo, no domingo à noite, ele já estava dormindo. Hoje (ontem), ele saiu cedo e nós não conversamos”, disse o meia.
Alex Alves admitiu ter ficado chateado pela substituição. “Mas a opção é do técnico. Se ele quiser me tirar, ele é quem manda.”
O jogador acha que estava “muito bem” na partida.
A diretoria do Palmeiras só vai punir Alex Alves se Carlos Alberto Silva pedir.
A informação foi dada pelo vice-presidente de futebol, Seraphim Del Grande. Segundo ele, Silva deve conversar hoje com Alex, na reapresentação dos jogadores, para obter uma explicação.
O atacante, porém, disse não acreditar que o treinador tome essa iniciativa. “A opção de ficar no estádio é minha. Se eu quiser, vou embora.”
Del Grande afirmou que os jogadores substituídos não têm obrigação de esperar o fim das partidas para deixar o estádio, mesmo com a possibilidade de serem sorteados para o exame antidoping.
“Nem me lembrei que podia ficar para o antidoping”, disse Alex. “Se me lembrasse, não teria ido embora.”
Seraphim Del Grande afirmou que o Palmeiras não tem condições de aumentar o valor mínimo dos prêmios por vitória no Campeonato Brasileiro.
Os jogadores alegam que os R$ 700 pagos pelos resultados positivos estão abaixo dos valores pagos por outros clubes grandes.
“Não temos como aumentar o valor dos prêmios porque as rendas estão muito baixas”, disse o dirigente.
“Além disso, os jogadores estão recebendo direito de arena pelas transmissões das partidas pela TV cinco vezes maior do que no ano passado”, acrescentou.” (Mário Moreira, Folha de São Paulo, terça-feira, 3 de outubro de 1995)

Palmeiras 3×0 Grêmio

PALMEIRAS: Velloso; Cafu, Antônio Carlos (Célio Lúcio), Cléber e Wágner; Amaral, Mancuso, Edílson e Rivaldo; Alex Alves (Índio) e Muller
Técnico: Carlos Alberto Silva

GRÊMIO: Danrlei; André Vieira (Carlos Alberto), Rivarola, Wágner Fernandes e Roger; Gélson, Goiano, Émerson (Ranieli) e Arílson; Márcio (Magno) e Jardel
Técnico: Luis Felipe Scolari

Brasileirão 1995 – 1ª Fase – 10ª Rodada
Data: 1º de outubro de 1995, domingo, 19h00min
Local: Estádio do Parque Antarctica, em São Paulo – SP
Público: 7.199 pagantes
Renda: R$ 78.760,00
Juiz: Antônio Pereira da Silva (GO)
Auxiliares: Filomeno Dourado e Elmo Rezende
Cartões amarelos: Wágner Fernandez, Cléber, Edílson, Antônio Carlos e Jardel
Gols: Edílson, aos 9 minutos do primeiro tempo, Rivaldo, aos 13 minutos e aos 41 minutos do segundo tempo

Brasileirão 1995 – Grêmio 2×3 Botafogo

October 26, 2019

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Em 16 de setembro de 1995, Grêmio e Botafogo se enfrentaram no Olímpico pela primeira fase do Brasileirão. O tricolor fazia seu quinto jogo após alcançar o Bicampeonato da Libertadores e parecia mais interessado no jogo seguinte, que seria a estreia na Supercopa. Desse modo o Botafogo conseguiu um importante resultado, conquistando sua primeira vitória fora de casa na campanha do seu último título nacional.

Eu imagino que a declaração dada por Felipão no intervalo dessa partida (ver a crônica da Zero Hora transcrita abaixo) seria bem mais questionada caso fosse feita atualmente.

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BOTAFOGO JOGA BEM, DERROTA O GRÊMIO E LIDERA O GRUPO A

[…]

O Grêmio, ainda de ressaca pela conquista da Libertadores, não foi aquele time  aguerrido, que sufoca os adversários quando joga no Olímpico. Mesmo assim, teve duas chances para marcar, a melhor delas com Carlos Miguel.

No segundo tempo, logo aos 10 minutos, Túlio fez as pazes com o gol. Recebeu bola açucarada de Gottardo, que estava no ataque, e bateu de primeira, sem chances para Danrlei. A torcida pediu e o técnico Luís Felipe colocou o artilheiro Jardel. Mas foi o Botafogo quem marcou. Aos 25, Luciano falhou bisonhamente dentro da área e Túlio, com muita categoria, marcou depois de deixar Danrlei no chão.

Não deu nem para comemorar. Um minuto depois, Paulo Nunes descontou após confusão na área pós confusão na área alvinegra. O. Grêmio se animou e começou a pressionar, explorando as bolas altas para Jardel. Mesmo no sufoco, a defesa do Botafogo segurou a pressão e, aos 46m, Narcisio, que entrara no lugar do displicente Beto, marcou o terceiro em bela jogada individual. Com a vitória garantida, o Botafogo relaxou e aos 48m Jardel, de cabeça, diminui. Não dava mais tempo para nada” (Jornal do Brasil, domingo, 17 de setembro de 1995)

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SÉRGIO NORONHA: “Para um time que tinha sérios problemas de relacionamento, o Botafogo até que demonstrou um belo espírito de solidariedade na vitória sobre o Grêmio. Aliás, o gol que abriu o caminho da vitória foi obra de uma jogada de dois desafetos. Gottardo cruzou e Túlio escorou para marcar. Depois os dois
se abraçaram, levemente constrangidos.

Logo no início o Botafogo deu mesma impressão de que havia um problema de comunicação entre os jogadores. O Grêmio jogava bem, dominava c fazia com facilidade as jogadas de linha de fundo. Paulo Nunes, pela direita, e Roger, pela esquerda, infernizavam a vida do Botafogo.

A reação demorou uns vinte minutos. Mas logo o Botafogo equilibrou o jogo e teve até a melhor oportunidade quando Túlio perdeu, depois de driblar até o goleiro.

E impossível que não tenha havido qualquer tipo de conversa no intervalo. O Botafogo voltou melhor, fez dois gols através de Túlio e Narcísio e acabou vencendo um jogo que lhe parecia inteiramente adverso.

A vitória mostrou que um time não se faz apenas do conjunto. As estrelas são importantes, mesmo que causem alguns ciúmes no elenco.” (Jornal do Brasil, segunda-feira, 18 de setembro de 1995)

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O JOGO: O Grêmio não resistiu ao bom toque de bola do Botafogo e, mesmo em um jogo equilibrado, mostrou desentrosamento e mereceu perder para uma equipe bem colocada no meio-campo.” (Placar, Outubro de 1995)

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O GRÊMIO, FORA DE RITMO, DECEPCIONA A TORCIDA
A derrota por 3 a 2 para o Botafogo, sábado, no Olímpico, deixou os jogadores abatidos para a estréia na Supercopa.

O time bicampeão da Copa Libertadores decepcionou a torcida gremista sábado à tarde, no Estádio Olímpico. Mesmo com nove dos 11 titulares em campo, a equipe de Luiz Felipe não jogou bem e perdeu por 3 a 2 para o Botafogo, pelo Brasileirão. O resultado negativo deixa o time na 10ª colocação no Grupo A. A derrota abalou os jogadores do Grêmio, que evitaram falar à imprensa ao final da partida. Hoje, o treinador começa os preparativos para enfrentar o Racing, da Argentina, pela Supercopa dos Campeões da América, quarta-feira, em Porto Alegre.

O começo do jogo foi favorável ao Grêmio, que atacou o time carioca com insistência. Antes dos cinco minutos, o goleiro Wagner foi obrigado a colocar para escanteio um chute forte do lateral-direito Marco António. A. 20 minutos, porém, o meio-campo do Botafogo acertou a marcação e passou e dominar o setor. Com jogadas rápidas, os meias Sérgio Manoel e Beto faziam a ligação da defesa com o ataque. Aos 42 minutos, Túlío driblou Rivarola e Danrlei, mas chutou para fora.

“Eles estão jogando como moças”, reagiu, irritado, o técnico Luiz Felipe no intervalo da partida, referindo-se à falta de empenho do time nas bolas divididas. Depois da conversa com o treinador, os jogadores do Grêmio voltaram com mais vontade e logo no primeiro minuto da segunda etapa, Carlos Miguel chutou nas pernas do goleiro Wagner. Com cinco homens no meio-campo, o Botafogo voltou a equilibrar a partida e, aos 10 minutos, Túlio recebeu a bola dentro da área, girou o corpo e marcou o primeiro gol do jogo. A derrota parcial abalou os jogadores gremistas que começaram a errar passes e lançamentos. A. 25 minutos, o zagueiro Luciano falhou ao afastar uma bola nos pés do goleador Túlio. O artilheiro do Brasileirão driblou Luciano, deixou Danrlei para trás e marcou o segundo gol do jogo.

Com Jardel, que entrou no lugar de Roger, e Paulo Nunes, o Grêmio reagiu e, aos 26 minutos, o ponteiro direito descontou, chutando dentro da pequena área. Aos 46 minutos, Narcisio ampliou para o Botafogo: 3 a 1. Os cariocas relaxaram na marcação e Jardel, de cabeça, colocou a bola nas redes de Wagner.

A derrota por 3 a 2 não estava nos planos de Luiz Felipe. “Uma vitória deixaria o time embalado para enfrentar o Racing”, disse Luiz Felipe. “Vamos tentar corrigir os erros.” De acordo com o técnico, os titulares que receberam folga depois da conquista do bicampeonato de Libertadores sentiram e falta de ritmo de jogo.” (Juan Domingues, Zero Hora, segunda-feira, 18 de setembro de 1995)

 

TÚLIO MOSTROU O TALENDO DE GOLEADOR

O centroavante Túlio, do Botafogo, apareceu pouco durante a vitória de 3 a 2 sobre o Grêmio, sábado. O atacante tocou raras vezes na bola. No primeiro tempo, o jogador recebeu dentro da área gremista, avançou e chutou forte, para fora. Acostumado a acertar lances como aquele, o goleador colocou as mãos na cabeça, inconformado com o erro.

Na etapa final, duas oportunidades foram suficientes para Túlio mostrar o seu talento. Na primeira, o centroavante recebeu de Wilson e deu um toque na bola para fazer 1 a 0. Pouco depois, aproveitou a falha de Luciano, driblou o zagueiro, passou por Danrlei e fez o seu segundo gol no jogo e disparou na artilharia do Brasileirão com oito gols.” (Zero Hora, segunda-feira, 18 de setembro de 1995)

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Fotos: José Doval (Zero Hora)

Grêmio 2×3 Botafogo

GRÊMIO: Danrlei, Marco Antonio (Vagner Mancini 41/2ºT), Luciano, Rivarola e Roger (Jardel 17/2ºT); Dinho, Luis Carlos Goiano, Arilson e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Nildo
Técnico: Luiz Felipe Scolari

BOTAFOGO: Wagner, Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Gonçalves e Andre Silva; Leandro, Jamir, Beto (Marcelo Alves 36/2ºT) e Sergio Manoel; Donizete (Narcisio 43/2ºT) e Tulio
Técnico: Paulo Autuori

Primeira Fase – Campeonato Brasileiro 1995
Data: 16 de setembro de 1995, sábado, 16h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 14.808 (10.629 pagantes)
Renda: R$ 106.318,00;
Juiz: Oscar Roberto de Godoi (SP)
Auxiliares: Epitácio Rodrigues e Carlos Silva
Cartões Amarelos: Luciano, Donizete, Wilson Goiano, Roger, Wilson Gottardo e Vagner
Cartão Vermelho: Rivarola (28/2ºT)
Gols: Túlio, aos 9 e aos 25 minutos, Paulo Nunes aos 26, Narcisio aos 46 e Jardel aos 47 minutos do 2º tempo