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Brasileirão 1997 – Grêmio 1×0 Criciúma

May 18, 2022
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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

No Brasileirão de 1997 o Grêmio venceu o Criciúma por 1×0, graças a um golaço do centroavante Guilherme no final da partida.

Acho que os jornais da época foram um pouco preciosistas ao descrever a conclusão como uma “puxeta”

Bonita a frase feita pelo técnico Hélio dos Anjos: “Não podemos viver em função de sonhos”.

 

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

“O DIA EM QUE O GRÊMIO EXORCIZOU UM FANTASMA
O time de Hélio dos Anjos errou nas conclusões, mas Guilherme marcou aos 43 minutos finais, espantou o perigo do rebaixamento a conduziu a equipe ao 12º lugar no campeonato

Os últimos minutos da vitória de 1 a 0 não, perderam em nada para restantes finais da decisão do Campeonato Brasileiro contra a Portuguesa, no ano passado. Nas arquibancadas, os torcedores, desesperados, praguejavam o árbitro Sidrack Marinho dos Santos e pediam o final do jogo. Na pista atlética, os reservas e os integrantes do departamento médico gesticulavam com as mãos implorando pelo último apito. O goleiro Silvio, e o preparador físico Francisco Gonzalez já haviam dispensado os gandulas de perto da casamata e assumido a tarefa de repor a bola em campo. Os gremistas sofreram durante 88 minutos. Até que Guilherme, em uma bonita puxeta finalmente sepultou as ameaças de rebaixamento que pairavam sobre o Olímpico.

O Grêmio teve ontem à tarde todos os ingredientes para finalmente acabar com a má fase que atormentou as suas últimas semanas. O sol brilhou e deixou o domingo perfeito para o futebol A torcida compareceu em bom número e disposta apenas a apoiar. E o Criciúma… Bem, o Criciúma foi um time medíocre, sem força ofensiva. Os atacantes parecem tem ojeriza por jogar na área adversária. Mas o primeiro tempo do Grêmio não ficou muito longe da mediocridade. O time criou poucas chances para marcar. A principal delas, aos 12 minutos, caiu nos pés de Zé Alcino. Como tem se repetido, Zé Alcino acertou em cheio o goleiro. Aos 42, Dinho bateu falta e forçou Jeferson  a uma difícil defesa. O primeiro tempo foi isso. A torcida, atendendo aos apelos do presidente Luiz Carlos Silveira Martins, Cacalo, apenas aplaudiu

No segundo tempo, entretanto, o Grêmio mostrou vigor e encurralou o Criciúma. O centroavante Flávio conseguiu encostar na bola só aos 35 minutos. Em compensação, Jéferson saiu de campo extenuado pelo excesso de trabalho. O Grêmio chutava de perto, de longe, de fora da área, e nada. O fantasma do rebaixamento parecia perturbar. Guilherme, na frente do goleiro, chutou por cima. Beto se ajoelhou e pediu ajuda divina.

Até o gol de Guilherme, aos 43 minutos, os torcedores não desistiram. Na saída do estádio, houve carnaval no estacionamento. O vestiário superlotou com empolgados conselheiros e dirigentes, que colocaram o Grêmio entre os candidatos à classificação às finais. “Não podemos viver em função de sonhos”, definiu Hélio das Anjos.” (Leonardo Oliveira, Zero Hora, segunda-feira, 20 de outubro de 1997)

 

 

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

“O PRESIDENTE CACALO RETOMA O DIREITO DE SORRIR

Ele andara devorando caixas e caixas de bombom de tanta ansiedade. Engordo, corria até risco de ficar manco. Os problemas do clube do coração, que empilhava insucessos e agora estava diante do fantasma do rebaixamento, lhe consumiam por completo, até o impediam de fazer fisioterapia. Em Montevidéu, depois da derrota para o Peñarol por 3 a 2 e mais um fracasso, desta vez na Supercopa, sequer conseguiu concluir uma entrevista para o repórter Sérgio Boaz, da Rádio Gaúcha. Encobriu o rosto com as mãos e chorou. Mas ontem foi o dia de o presidente Luiz Carlos Silveira Martins, o Cacalo, um gremista até a medula, daqueles de se virar de costas para o campo quando o seu time está sendo pressionado, voltar a sorrir. “Eu não agüentava mais ouvir falar em rebaixamento”, admitiu Cacalo no vestiário festivo depois da vitória suada sobre o Criciúma.

 Imagine-se então como o presidente ao jogo de ontem, das cabines do Estádio Olímpico. Caminhava de um lado a outro, passava as mãos nos cabelos em desalinho e se virava de costas. Destilava rios de suor, uma marca registrada sua em momento do Grêmio, seja contra o Ajax, da Holanda, ou contra o Kabure, No momento do gol pulou feito um endemoniado, ignorando as recomendações de funcionários pata evitar excessos. “Vamos terminar o ano com dignidade, graças a Deus, porque ninguém consegue ganhar todos campeonatos que disputa”, desabafou, como se retirasse das costas um fardo de uma tonelada. “A torcida me ouviu e ajudou até o fim, que lindo isso, que lindo”, sorria, embevecido ao ver o torcedor cantando outra vez, ao contrário das vaias e críticas que já se incorporavam ao cotidiano tricolor. Em vez do presidente cabisbaixo, triste e se explicando por mais uma derrota, Cacalo voltou a ser o dirigente de oratória fácil, das frases de efeitos, das alfinetadas, da ironia, como sempre fez nos dias de glória nem tão distante.

Agora, para pensar só em 1998 e esquecer de vez o segundo semestre de 1997, resta ao Grêmio escapar do fantasma do rebaixamento também na Supercopa. Lanterna  do Grupo 4, com três pontos, precisa vencer o Estudiantes, quarta-feira, no Olímpico. (Zero Hora, segunda-feira, 20 de outubro de 1997)

 

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

“GRÊMIO VENCE E SAI DA ZONA DE RISCO
Drama acabou no belo gol de Guilherme, quase ao final da partida contra o Criciúma. Afastado o fantasma do rebaixamento

O fantasma do rebaixamento já não assusta mais o Grêmio. A vitória dramática sobre o Criciúma, por 1 a 0, ontem à tarde, no Olímpico, deixou o time com 28 pontos, afastando a angústia que já tomava conta de todos.

O primeiro tempo foi de dar pena. Precisando vencer, o Grêmio conseguiu apenas um arremate em jogada trabalhada. Foi aos 13 minutos, quando Zé Alcino recebeu de Sérgio Manoel, mas demorou muito a concluir, chutando sobre a zaga. A outra chance foi numa falta, quando Dinho concluiu forte, para boa defesa de Jéferson. De resto, o Grêmio foi um time sem criatividade. Dinho errou muitos passes, Zé Alcino não escapou nunca da marcação e Guilherme teve pela frente um zagueiro de ótima colocação, o jovem Fábio.

O Grêmio empurrou o Criciúma para trás no segundo tempo. Aos 9 minutos, Guilherme chutou por cima, quase na pequena área. A produção foi maior a partir da entrada de Tinga e Gilmar. Sérgio Manoel perdeu boa chance aos 18 minutos. Quando o empate parecia consumado, Arce cruzou, Rivarola ajeitou de cabeça e Guilherme, de puxeta, terminou com o desespero gremista: 1 a 0. O jogo já tinha 43 minutos.” (Correio do Povo, segunda-feira, 20 de outubro de 1997)

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“CLUBE PROJETA 98 E PASSA A BUSCAR ACIONISTAS
Grêmio já começa a projetar o próximo ano. Márcio Bolzoni, atual diretor de futebol, poderá ter mais poderes, assumindo inclusive a vice-presidência, conforme se especulava ontem à tarde. O clube buscará reforços para a lateral direita e a zaga,dado o afastamento de Arce e Rivarola, a serviço da seleção paraguaia na Copa da França. “O Grêmio Seguramente terá reforços”, informa o vice-presidente, Dênis Abrahão.

Carlos Biedermann, vice-presidente de Finanças, estima um prazo de seis meses para que seja adotada a idéia de clube-empresa. “Vamos colocar cotas no mercado, reservando ao clube a maior parte das ações”. Aos acionistas, será oferecida participação no passe de jogadores e de outros bens que integrarão o chamado ativo da empresa.

O presidente Luiz Carlos Silveira Martins vai insistir para que dois empresários passem a auxiliá-lo mais diretamente a partir de 98. Ricardo Vontobel, que já foi vice de Marketing, teve reunião reservada com Cacalo no fim de semana e poderá retornar ao cargo. Marcos Hermann, de Tintas Renner, foi abordado pelo presidente na saída do vestiário, após a partida, ouvindo o seguinte recado: “Preciso conversar contigo esta semana”.

Mais aliviado, o técnico Hélio dos Anjos desabafou: “Se eu não continuar no Grêmio, certamente estarei trabalhando num outro clube dia 3 de janeiro de 98”. Outra vez, Cacalo não garantiu a permanência do atual treinador para o próximo ano.” (Correio do Povo, segunda-feira, 20 de outubro de 1997)

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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

 

“O JOGO: O Criciúma neutralizou o Grêmio no primeiro tempo. Mudanças efetuadas pelo técnico Hélio dos Anjos deram resultado na etapa final e os gaúchos saíram do sufoco que era a ameaça de rebaixamento. Vitória sofrida, comemorada como decisiva pelos gremistas.” (Tabelão Placar, Ano 1997, n.º 10)

“GOL NO FINAL SALVA O GRÊMIO
Guilherme marcou aos 43 minutos do segundo tempo e garantiu triunfo contra o Criciúma, ontem

Porto Alegre – Com um gol marcado no final da partida, o Grêmio venceu ontem o Criciúma e livrou-se da ameaça de rebaixamento. Guilherme converteu aos 43 minutos da segunda etapa. Agora, o atual campeão brasileiro alcançou os 28 pontos. Surpreendentemente, a equipe ainda mantém, embora remotíssimas, chances de classificação.

O Grêmio partiu logo para a pressão, mas encontrou um Criciúma fechado na sua retaguarda. Zé Alcino voltou a errar gols e o jogo se complicou com o passar do tempo.

Só aos 17 minutos do segundo tempo, com as substituições de Dinho e Zé Alcino por Tinga e Gilmar, respectivamente, o Grêmio cresceu em campo e passou a buscar o gol com maior insistência. Depois, Hélio dos Anjos ainda colocou outro atacante, Dauri.

O gol ocorreu quando o empate parecia definido. Arce acionou o zagueiro Rivarola, que tocou para Guilherme. Ele girou e marcou 1 x O, provocando suspiros de alívio no estádio.” (Pioneiro, segunda-feira, 20 de outubro de 1997)

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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

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GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola, Ronaldo e Roger; Dinho (Tinga), Djair, Beto e Sérgio Manoel (Dauri); Zé Alcino (Gilmar) e Guilherme.
Técnico: Hélio dos Anjos

CRICIÚMA: Jéferson; Jomar, Fábio, Augusto e Biro; Marcão, Manco Aurélio, Humberto (Magno) e Adíl; Magno Alves (Leandro) e Flávio Guarujá (Marcelo Rocha)
Técnico: Pepe

Brasileirão 1997 – Primeira Fase
Data: 19 de outubro de 1997, domingo, 17h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 12.408 (9.571 pagantes)
Renda: R$ 61.215,00, para
Juiz: Sidrack Marinho dos Santos
Auxiliares: Eriberto Pessoa e Roberto Braatz

Brasileirão 1997 – Juventude 0x1 Grêmio

June 30, 2021

Foto: Sílvio Ávila (Zero Hora)

 

No Brasileirão de 1997 o Grêmio foi a Caxias enfrentar o Juventude pelo Brasileirão numa situação muito parecida com a que se encontra hoje. Naquela edição o tricolor tinha somado apenas 3 pontos nas seis primeiras partidas e estava numa sequência de 14 jogos sem vitórias.

Um gol marcado por Luis Carlos Goiano no final do primeiro tempo foi o suficiente para garantir os três pontos para a equipe comandada por Helio dos Anjos (que havia assumido a equipe no início da semana. Evaristo de Macedo fora demitido após a derrota para Portuguesa na 4ª rodada)

Sempre que lembro desse período da história do Grêmio fico com a sensação de que o clube tomou uma série de decisões precipitados neste processo de desmonte/transição da equipe vencedora de 94-97.

 

Foto: Sílvio Ávila (Zero Hora)

GRÊMIO ROMPE A MÁ FASE E VENCE O JUVENTUDE
A equipe ainda não teve a atuação exigida por Hélio dos Anjos, mas já mostrou um esboço da velha garra e agora aposta em contratações de Ricardo Rocha e de Giovanni

Acabou o jejum. Depois de 14 jogos sem vitória, finalmente o Grêmio conseguiu comemorar um resultado positivo, ontem, no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, contra o Juventude. O campeão brasileiro venceu por 1 a 0, alcançou seis pontos na tabela e recuperou, pelo menos por enquanto, a tranqüilidade para continuar reagindo no certame em busca de um lugar entre os oito melhores nesta primeira fase. A conquista, no entanto, teve ingredientes de heroísmo. A equipe do técnico Hélio dos Anjos não jogou uma boa partida. Errou muitos passes, criou raras oportunidades de gol, mas soube conter o adversário, mesmo com 10 jogadores na maior parte do segundo tempo.

A obrigatoriedade de vencer parece afetar o desempenho dos jogadores do Grêmio. Ninguém arrisca jogada individual, a bola quase não para nos pés dos articulado as e as melhores oportunidades quase sempre acontecem através de lance com bola parada. Com muitos cuidados na marcação, o Grêmio começou o jogo sem ambição de atacar e só conseguiu ameaçar o inimigo aos 10 minutos, quando Arce bateu falta e a bola passou perto do gol de Márcio. Nem este lance mexeu com os caxienses. Eles continuaram acanhados em campo. E o jogo ficou sem graça.

Aos 23 minutos, o Grêmio perdeu uma grande chance. De bola parada, Sérgio Manoel quase marcou um gol olímpico, terceira chance, também foi decorrente de um escanteio. Arce levantou e Rivarola ganhou dos adversários na cabeça, mandando a bola na trave. Quando os dois times já pareciam satisfeitos com o empate na primeira etapa, o Grêmio marcou. De escanteio. Sérgio Manoel cobrou na primeira trave e Goiano surgiu livre, desajeitado e, de cabeça mandou para as redes.

Na volta para o segundo tempo, quando parecia que o Juventude seria ofensivo, cheio de iniciativas e capaz de chegar ao gol de Danrlei, nada disso aconteceu. Nem mesmo depois da expulsão de Otacilío, logo aos 8 minutos, por jogada violenta. O time de Gilson Nunes abusou dos passes laterais. E somente chegava à área gremista com levantamentos, que eram facilmente aliviados pela dupla Rivarola e Luciano. Chance mesmo, o Juventude teve apenas uma, Itaqui bateu falta e Alexandre, sem marcação, cabeceou no canto. Danrlei estava atento e salvou o gol. Mesmo inferiorizado, a melhor oportunidade ficou para Sérgio Manoel, no finalzinho. Ele penetrou pelo lado direito e concluiu forte, de pé esquerdo, quase ampliando o marcador.” (Adroaldo Guerra Filho, Zero Hora, segunda-feira, 29 de julho de 1997)

 

“GRÊMIO QUEBRA TABU E FAZ CARNAVAL
Time de Hélio dos Anjos derrota Juventude por 1 a 0 e espanta crise. Torcedor vibra como se fosse a conquista de um título

Acabou a agonia. Depois de 14 jogos, o Grêmio quebrou ontem um tabu quase insuportável e obteve sua 1ª vitória no Campeonato Brasileiro. A vítima foi o Juventude, um velho freguês. O resultado de 1 a 0 para o Grêmio provocou um verdadeiro carnaval nas arquibancadas do estádio Alfredo Jaconi logo após o apito final do árbitro. Não faltou o tradicional ‘ah, eu sou gaúcho’, grito utilizado pelos torcedores em circunstâncias bem mais nobres. ‘Cheguei a ter vontade de chorar’, confessou o meia Sérgio Manoel.

O gol da vitória surgiu aos 46 minutos do 1º tempo. Sérgio Manoel cobrou escanteio, o goleiro Márcio cometeu uma de suas várias falhas e Luiz Carlos Goiano completou para a rede. Foi a melhor coisa registrada numa fase muito ruim da partida. No 2º tempo, o Grêmio provou que, pelo menos, passou a ser um time mais humilde sob o comando de Hélio dos Anjos.

A expulsão de Otacílio, logo aos 8 minutos, fez com que a equipe se postasse atrás, esperando que o adversário se abrisse para tentar os contra-ataques com Zé Alcino. Paulo César Tinga, que recebia sua 1ª oportunidade, mostrava ser um jogador atrevido, mas acabou sacrificado. Foi ele quem saiu para a entrada de Djair, que reforçou a marcação no meio de campo.

Nem precisava. O Juventude mostrou ser um time improdutivo ofensivamente. Maurílio e Alexandre pouco criaram. O Grêmio acabaria a partida com Rodrigo Gral sendo sua única opção ofensiva, já que Zé Alcino saiu para a entrada de André Santos. ‘O importante era garantir o resultado’, desabafou o técnico Hélio dos Anjos.” (Correio do Povo, segunda-feira, 29 de julho de 1997 – Fonte: Grêmio Dados)

 

Foto: Porthus Junior (Pioneiro)

 

JUVENTUDE RECUPERA O GRÊMIO
Sem criatividade, alviverde não aproveitou vantagem de um atleta a mais no segundo tempo e foi derrotado 1 a 0

Caxias do Sul – o Juventude nunca enfrentou o Grêmio nos últimos anos respaldado por um favoritismo tão grande, mas voltou a amarelar para o tricolor, ontem à tarde, no Estádio Alfredo Jaconi, e perdeu por 1 a 0 o clássico gaúcho válido pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. O único gol da partida, disputada diante de mais de 16 mil pessoas, foi anotado por Goiano, no final do primeiro tempo, e interrompeu a recorde seqüência negativa do Grêmio, que não vencia há 14 partidas.

Diante da forte marcação aplicada pelo Grêmio, que resultou algumas vezes em excesso de faltas, o Juventude, ao invés de tentar as jogadas pelos flancos, insistiu na triangulação pelo meio e pouco concluiu a gol. A estratégia facilitou o bloqueio armado pelo técnico Hélio dos Anjos.

No primeiro tempo, o lance de maior perigo do Juventude foi aos 24 minutos, quando Maurilio escapou em velocidade pela direita e tocou para Alexandre dentro da área. Ele girou o corpo e chutou em Luciano. Antes, a meta de Danrlei fora ameaçada aos oito minutos, num cruzamento de Alexandre que a defesa afastou, e aos 14, num chute de Maurilio sobre o travessão.

O Grêmio chegou com força aos 10 minutos. Arce cobrou falta e Rodrigo Gral quase alcançou de cabeça. Aos 31, Márcio salvou o gol em cabeceio de Rivarola. O gol surgiu num escanteio de Sérgio Manoel, aos 46 minutos. Goiano cabeceou. Márcio tentou a defesa, mas a bola entrou mansamente.

Na segunda etapa, Gilson Nunes procurou aumentar de forma gradativa o poderio ofensivo da equipe colocando atacantes. Mas nem a expulsão de Otacílio, por falta em Maurilio aos oito minutos, foi suficiente para o Juventude ao menos empatar. O Grêmio se fechou mais para suportar a pressão e garantir o resultado. A equipe caxiense esteve muito próxima do gol aos nove minutos. Itaqui cobrou falta, Alexandre cabeceou e Danrlei mandou a escanteio. E foi só. Com um jogador a menos, o Grêmio desistiu do ataque e só tentou contragolpes. Os chutes de fora da área de Arce, aos 16 e 33 minutos, e Zé Alcino, aos 32, foram defendidos sem problemas por Márcio.” (Pioneiro, segunda-feira, 29 de julho de 1997)

 

“JUVENTUDE

Márcio – Bem. Sem culpa no gol.

Itaqui – Não repetiu atuações anteriores.

Adilson – O melhor da defesa. Demonstrou tranqüilidade.

Baggio – Nervoso, limitou-se a dar chutões.

Lino – Sentiu a falta de ritmo de jogo, mas tem qualidades.

Flávio – Apesar de sobrecarregado na marcação, foi um dos melhores.

Serginho – Parecia perdido em campo.

Sandro – Enquanto esteve na partida, organizou boas jogadas.

Maurilio – Bem no primeiro tempo.

Macalé – Sofreu com a forte marcação.

Alexandre – O mais lúcido do time.

Edson – Deu movimentação ao time.

Adriano – Entrou no lugar de Serginho e mostrou muito esforço apenas.

Pontes – Entrou no compromisso e pouco pôde render.

 

GRÊMIO

Danrlei – Firme quando exigido.

Arce – Preocupado em marcar Alexandre, quase não apoiou.

Rivarola – Ajudou a anular Macalé.

Luciano – Bem no desarme.

André Silva – No primeiro tempo, muito bom no apoio. Depois, decaiu.

Otacílio – Até ser expulso (justamente), combateu com eficiência.

Goiano – O melhor do jogo.

Tinga – De muita movimentação e rapidez, é atleta de futuro promissor.

Sérgio Manoel – É a cabeça pensante do meio-campo gremista.

Zé Alcino – Isolado, pouco participou.

Rodrigo Gral – Teve dificuldades para se adaptar como atacante.

Djair – Recompôs a marcação.

André Santos – Entrou quase no final e pouco acrescentou.” (Pioneiro, segunda-feira, 29 de julho de 1997)

 

JOGO APRESENTA POUCOS DESTAQUES
Ponteiro Alexandre, meia Flávio e zagueiro Adilson tiveram atuação um pouco acima da média no Ju

Caxias do Sul – Poucos Jogadores se destacaram no fraco futebol apresentado por Juventude e Grêmio no Estádio Alfredo Jaconi, ontem à tarde. No lado alviverde, o que mais despontou foi o ponteiro-esquerdo Alexandre, bastante acionado em função da sua velocidade. Converteu-se no mais perigoso atacante do time caxiense, embora tenha abusado da individualidade em alguns momentos.

O gol de empate esteve à sua feição aos nove minutos do segundo tempo, quando, com uma cabeçada, obrigou Danrlei a espalmar para escanteio, numa defesa difícil. Além de Alexandre, mereceram elogios as atuações do zagueiro Adilson, com a serenidade de sempre no sistema defensivo, e do volante Flávio, um dos jogadores mais regulares durante a partida.

No Grêmio, o maior nome foi o meia Goiano. Além do gol, importante para acabar com a série de 14 jogos sem vitória da equipe, comandou o forte bloqueio armado por Hélio dos Anjos para segurar o Juventude.

Incansável na marcação, ainda conseguiu chegar com força na área para fazer de cabeça o único gol da partida, aos 46 minutos do primeiro tempo, aproveitando a bola vinda da cobrança de escanteio do lado direito do ataque.

Outro jogador que recebeu muitos votos de melhor em campo por jornalistas foi Sérgio Manoel. Experiente, o meia protegeu a bola com facilidade e contribuiu para a criação de jogadas. Foi de sua autoria o cruzamento no escanteio que resultou no gol gremista. André Silva, destaque no primeiro tempo com o apoio qualificado ao ataque, decaiu de produção na segunda etapa. “ (MARCELO BORELLI E CRISTIANO RIGO DALCIN, Pioneiro, segunda-feira, 29 de julho de 1997)

 

 

“GILSON LAMENTA AUSÊNCIAS E ELOGIA ATLETAS ADVERSÁRIOS

“Perdemos para um grande clube, num momento de injustiça, mas o campeonato é assim”, justificou o técnico Gilson Nunes, que estava tranqüilo, porém chateado com o resultado. De acordo com o técnico, a equipe sentiu a saída do meia Sandro, que teve um problema no músculo adutor da coxa e foi substituído por Edson. “Ele está mais acostumado e, somado aos três desfalques, fez uma falta danada”.

Com a força coletiva ausente, Gilson Nunes procurou destacar a qualidade individual dos jogadores gremistas, que barraram as iniciativas do Juventude com faltas e muita catimba. “O Grêmio tem jogadores experientes. Arce, Rivarola, o próprio Luciano, o Goiano e o Otacílio, que demorou quatro minutos para sair de campo na expulsão”, comentou. Na opinião de Gilson Nunes, o resultado mais justo da partida seria o empate.

Para o volante Flávio, a maturidade da equipe do Grêmio pesou. “Eles deixavam a gente jogar até a intermediária e na entrada da área faziam as faltas.” Para o atacante Maurilio, o que mais chateou a equipe foi o fato de ter levado um gol com origem de bola parada. “Toda a preleção foi sobre isso. É a única jogada do Grêmio.”

A direção do Juventude pretende anunciar hoje a contratação do novo centroavante. O jogador pretendido disputou a Série A-2 paulista e virá por empréstimo. Especula-se o nome de Silva, canhoto, que trabalhou com Gilson Nunes no São José, de São Paulo.” (MARCELO BORELLI E CRISTIANO RIGO DALCIN, Pioneiro, segunda-feira, 29 de julho de 1997)

 

Foto: Porthus Junior (Pioneiro)

 

Placar:O JOGO: O Grêmio quebrou a sequencia de catorze jogos sem vitória com uma
forte marcação no meio-campo, contendo as jogadas ofensivas do Juventude” (Tabelão Placar 1997, n.º7,  página 165)

“GRÊMIO CONQUISTA VITÓRIA APÓS 14 JOGOS

O campeão do Brasileiro de 1996 e da Copa do Brasil, o Grêmio, quebrou neste domingo um jejum de 14 jogos sem vitória (seis deles no atual campeonato), vencendo o Juventude por 1 a 0.

A partida, muito disputada, foi no estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul. Foi um jogo típico do campeonato gaúcho, em que a garra superou a técnica.

No primeiro tempo, o Grêmio levou vantagem nas jogadas de ataque, mas só conseguiu marcar seu gol aos 46min e 30seg, em uma jogada de bola parada. Luis Carlos Goiano aparou de cabeça um escanteio bem cobrado por Sérgio Manoel.

O Juventude voltou modificado para o segundo tempo, ampliando seu poder de ataque com o ingresso de Édson.

O Grêmio procurou se fechar e reforçou a defesa com a expulsão do volante Otacílio, aos 9min do segundo tempo.

O técnico gremista, Hélio dos Anjos, sacrificou o jovem estreante Paulo César Tinga (dos juniores), colocando mais um volante, Djair.

O sistema de marcação gremista foi reforçado com o ingresso de André Santos no lugar de Zé Alcino.

Gílson Nunes, técnico do Juventude, ainda fez mais duas substituições para reforçar o ataque, mas a defesa do Grêmio resistiu à pressão.” ( Folha Online – 27/07/97 – 19h31min)

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JUVENTUDE: Márcio; Itaqui, Adílson, Baggio e Lino; Flávio, Serginho (Adriano, 13 do 2ºT), Sandro Fonseca (Édson, intervalo) e Maurílio; Macalé (Pontes, 32 do 2ºT) e Alexandre.
Técnico: Gílson Nunes

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola, Luciano e André Silva; Otacílio, Luís Carlos Goiano, Paulo César Tinga (Djair 13 do 2ºT) e Sérgio Manoel; Zé Alcino (André Santos 41 do 2ºT) e Rodrigo Gral.
Técnico: Hélio dos Anjos

Brasileirão 1997 – 1ª Fase – 7ª Rodada
Data: 27 de julho de 1997, domingo, 16h00min
Local: Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, RS
Juiz: Fabiano Gonçalves
Auxiliares: Altemir Hausen e Marcos Ibañez
Público: 16 mil (12.533 pagantes)
Renda: R$ 98.955,00
Cartões amarelos: Sérgio Manoel e Paulo César Tinga, Luciano, Luís Carlos Goiano, Rodrigo Gral e André Silva, Adílson, Macalé, Flávio e Alexandre
Cartão vermelho: Otacílio (14 do 2ºT)
Gol: Luis Carlos Goiano, aos 46min do primeiro tempo