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Brasileirão 2000 – Grêmio 2×1 Sport Recife

September 20, 2022
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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

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Foto: José Ernesto (Correio do Povo)

No Brasileirão de 2000, o Grêmio recebeu o Sport pelo jogo de ida das quartas de final da competição.

Como se pode ver nas matérias transcritas abaixo, o destaque foi todo para Ronaldinho, que marcou os dois gols gremistas.

O treinador do Sport, Emerson Leão, havia sido anunciado como treinador da seleção brasileira pouco mais de um mês antes dessa partida. Com o resultado do jogo do Olímpico, Leão acabou sendo muito questionado pela não convocação do atacante gremista para confronto contra o Colômbia pelas eliminatórias.

Acho que as finais do Gauchão de 1999 acabaram sendo mais marcantes pelo título, vitória em clássico e dribles em cima do Dunga, mas eu acho que o melhor período do Ronaldinho no Grêmio foi justamente nesse mata-mata da Copa João Havelange, onde ele jogava “solto” no ataque.

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

“É RONALDINHO

Apenas por exercício de raciocínio, façamos o seguinte. Tentamos imaginar o jogo de ontem contra o Sport sem Ronaldinho. Não haveria nem a jogada que culminou na falta e muito menos a cobrança do primeiro gol, certo? Assim como não haveria a ginga, o zagueiros tontos, o chute rasteiro cruzado – e o seguindo gol

Já pensou? Que chatice seria? Mas o Grêmio tem Ronaldinho, com direito a show e molecagens com a bola nos pés que muitos treinadores ainda insistem em censurar. E foi através dele que a vitória por 2 a 1 foi construída. Agora, o Grêmio joga por qualquer empate em Recife, no domingo.

O Primeiro gol foi completamente construído por Ronaldinho. Houve, antes, a virada de jogo perfeita de Zinho, o único que conseguiu não ser ofuscado pelo brilho intenso da luz do craque.

Ele driblou e driblou e recebeu a falta. E cobrou no canto, com força. Eram 41 minutos do primeiro tempo. Até aquele instante, a rigor, as chances de marcar foram do Sport. Uma aos 3, quando Sydnei chutou livre de marcação por cima, e outra aos 35, depois de um bate-rebate na pequena área. Quando todos pensaram, que a cota de talento da primeira etapa estava esgotada, o artilheiro surgiu de novo.

Desta vez, aplicou o mesmo drible de corpo destinado a descadeirar zagueiros com que driblou Ronaldão em Campinas, e serviu na medida para Zinho fazer o gol. Só que, ao contrário do Moisés Lucarelli, estava na área. Então em vez de passar, bateu direto. Romário, que já afirmou está entre os seus sonhos formar dupla de ataque com o gremista no Maracanã, pela seleção, balançou as redes dezenas de vezes dessa forma: chute cruzado, rasteiro, no canto. O placar de Ronaldinho – 2 a 0 – era perfeito. Só uma catástrofe tiraria a classificação no Recife. Mas Leão foi ousado. Arriscou. E se deu bem. No segundo tempo, o técnico da Seleção colocou o time ainda mais à frente. Tirou Ranielli e fez entrar o habilidoso Adriano. Retirou o improdutivo Almir e colocou o meia Marquinhos. Ambos jogadores do meio para frente. Em pouco tempo o Sport pressionou e cavou um escanteio. Aos 16 minutos, Leonardo cruzou. Tailson, ex- Brasil-Pe, subiu mais alto que Marinho e descontou de cabeça. O Grémio recuou, recuou e recuou. Perdeu o meio-campo. Mal conseguia reter a bola, facilitando a pressão adversária. O segundo tempo foi do Sport como o primeiro foi do Grêmio. A torcida pediu um atacante. Roth substituiu Warley por Rodrigo Mendes. Os torcedores queriam a saída de Itaqui e aplaudiram Warley. Depois, ao 42, Eduardo Costa entrou no lugar de Gavião.” (Diogo Olivier, Zero Hora, 1º de dezembro de 2000)

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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

RONALDINHO DÁ A VITÓRIA AO GRÊMIO CONTRA O SPORT

Com dois gols de Ronaldinho, ambos no primeiro tempo, o Grêmio bateu o Sport por 2 a 1, na noite desta quarta-feira, em Porto Alegre.

Taílson descontou para o Sport no segundo tempo. Com o resultado, o Grêmio joga por um empate na Ilha do Retiro, neste fim de semana. Uma vitória de 1 a 0 serve para o Sport conseguir a classificação.

A primeira chance foi do Sport, quando Sidney foi lançado e arrematou por cima do gol. O Grêmio quase marcou com Ronaldinho e Zinho. Ronaldinho concentrava todas as jogadas. Warley estava mal e não conseguia concluir. Em resposta, o Sport incomodava nos contra-ataques. Seus laterais subiam com freqüência, enquanto Sidney, Leonardo e Taílson mostravam-se à vontade nas imediações da área. O meio-campo e o ataque gremistas decepcionavam e a defesa exibia a insegurança habitual.

Para sair o gol só mesmo de bola parada e por obra de Ronaldinho. Foi o que ele fez, depois de cobrar falta sofrida por Sandro Blum, no final do primeiro tempo. A bola ainda bateu na trave antes de entrar. O gol abriu caminho para mais um. Ronaldinho entrou na grande área, driblou dois adversários e chutou para estabelecer o 2 a 0.

No segundo tempo, o Grêmio preferiu proteger a vantagem obtida, apenas experimentando os contra-golpes. Quase chegou aos 3 a 0 com Ronaldinho e Warley. Mas quem descontou foi o Sport. Após cobrança de escanteio, Taílson subiu e fez 2 a 1. O Grêmio reagiu e, de novo, perdeu o terceiro gol, primeiro com Patrício e depois com Warley.

Apesar da reação gremista, a equipe de Emerson Leão preocupava e quase empatou com Marquinhos. Aos 33 minutos, foi a vez do Grêmio com Rodrigo Mendes acertando a trave. Adriano, do Sport, entretanto, arrematou outra na trave e, logo, Leonardo também perdeu sua oportunidade na pressão dos pernambucanos. Mesmo com dificuldades, o Grêmio manteve sua vantagem.” (Terra, Quinta-feira, 30 Novembro de 2000, 23h39min)

 

ERROS DE PASSE IRRITAM O ANIVERSARIANTE ROTH

A comemoração pelos 43 anos completados na quinta-feira poderia ter sido mais tranqüila para Celso Roth, técnico do Grêmio. Ao ter seu nome anunciado nos alto-falantes do Olímpico antes de enfrentar o Sport, uma vaia foi ouvida no estádio. Talvez a reação da torcida e a importância da decisão tenham deixado Roth mais tenso do que o habitual.

Já nos minutos iniciais da partida, ele mostrou toda sua impaciência com o time, principalmente pelos passes errados e a marcação deficiente. Até a primeira metade da etapa inicial, Roth cobrava jogadas pelo lado esquerdo do ataque, com Sandro Neves e Ronaldinho, e também mais proximidade para a troca de passes. Mesmo presenteado com os dois gols de Ronaldinho, o técnico não gostou do desempenho da equipe.

– Tivemos muita ansiedade e falhas na marcação no primeiro tempo – comentou Roth – No segundo, melhoramos na marcação e tivemos a oportunidade de marcar o terceiro gol.

A segunda etapa, o gol e a enorme pressão feita pelo Sport em um Grêmio que se abateu, acentuaram ainda mais os defeitos que Roth tentou, sem sucesso, corrigir.

– Até o gol deles, o time estava bem. Depois, o jogo ficou igual. Na tentativa de buscar mais um gol, abrimos espaços para o Sport – disse.

Roth anunciou que não pretende alterar a equipe para o jogo em Recife, para garantir o empate e a vaga:
– O sufoco que eles podem dar lá é o mesmo que eles tomaram aqui.” (Marcelo Perrone, Zero Hora, 1º de dezembro de 2000)

PERGUNTAS SOBRE RONALDINHO IRRITAM LEÃO

Os dois gols de Ronaldinho que deram a vitória de 2 a 1 e a vantagem do empate para o Grêmio na partida de volta, domingo, em Recife, deixaram o técnico do Sport, Émerson Leão, irritado. A exasperação do treinador da equipe pernambucana e da seleção brasileira pôde ser percebida durante a coletiva. Ao ser questionado sobre a qualidade e a importância do craque no jogo, Leão não respondeu e encerrou a entrevista.

– Não foi o Ronaldinho que desequilibrou, e sim o Sport que dominou as ações no segundo tempo – disse, antes de finalizar a coletiva.

O técnico considerou o resultado injusto. Ressaltou que seu time jogou em igualdade de condições com o Grêmio desde o primeiro tempo. Mais: foi melhor do que a equipe de Celso Roth no segundo tempo, e merecia pelo menos o empate.

– Criamos quatro situações claras de gol. Empurramos o Grêmio e mostramos que não temos medo de ninguém”, afirmou Leão. – O segundo tempo será na Ilha e tenho certeza de que será um bom jogo.

A verdade é que Ronaldinho preocupou Leão desde o primeiro minuto de jogo. Isso pôde ser percebido quando o técnico, logo aos seis minutos, mandou o zagueiro Erlon grudar no atacante. Mais: ao ver que Ronaldinho estava obtendo vantagem sobre seu marcador, pediu para o volante Sidney recuar um pouco mais para acompanhar a movimentação do craque. Pouco adiantou. Ronaldinho outra vez definiu o jogo. Azar de Leão, alegria do torcedor no Olímpico.” (Sérgio Villar, Zero Hora, 1º de dezembro de 2000)

“TORCIDA CRITICA APATIA, DIREÇÃO ELOGIA VITÓRIA
Dirigentes e torcida do Grêmio fizeram uma análise distinta da vitória por 2 a 1 sobre o Sport, na noite de quinta-feira, no Olímpico. Enquanto torcedores criticaram a apatia da equipe no segundo tempo, o vice de futebol, Antônio Vicente Martins, valorizou o resultado, que deixa o time a apenas um empate das semifinais.

– O importante é ganhar. Jogamos com raça e fizemos a lição de casa” avaliou Vicente.

Zinho e Polga entraram em contradição na análise da atuação do Grêmio no segundo tempo. Enquanto o capitão da equipe atribuiu as dificuldades ao crescimento do adversário, Polga foi enfático:

– Paramos na partida e tomamos gol em bola parada, o que não pode acontece – reclamou.

Zinho admitiu que o gol do Sport provocou uma queda de rendimento. Mesmo assim, considera que a vantagem adquirida poderá desequilibrar na hora da decisão.

– É importante lembrar que vamos começar o jogo classificados. Teremos que ter personalidade para segurar o resultado – afirmou.

Os problemas da equipe também foram notados pelo presidente José Alberto Guerreiro. Ele considerou que, no segundo tempo, faltou maior proteção na frente da zaga. E disse esperar que esse defeito seja corrigido pelo técnico Celso Roth, domingo, em Recife.

Guerreiro perdeu a paciência diante da afirmativa de que o Grêmio é dependente de Ronaldinho.

– Isso é uma grande bobagem. Só não depende de Ronaldinho quem não conta com um jogador como ele – afirmou.

Autor do único gol do Sport, o atacante Taílson recordou que, em 1998, atuando pelo Brasil de Pelotas, contribuiu para tirar o Grêmio da decisão do campeonato gaúcho” (Zero Hora, 1º de dezembro de 2000)

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“WARLEY E MARINHO BUSCAM RECUPERAÇÃO
Atacante vive má fase e zagueiro falhou no gol

Warley tornou o jogo em Recife, contra o Sport, muito mais dramático para o Grêmio.

Quinta-feira, aos 30min do segundo tempo, quando recebeu um dos tantos passes milimétricos com que Ronaldinho costuma brindar os companheiros, o atacante trazido da Udinese fez o que ninguém esperava. Chutou alto, longe da meta, tendo apenas o goleiro pela frente.

– Foi excesso de confiança – desculpou-se Warley, ontem.

O único consolo foi ter deixado o gramado sob aplausos dos torcedores, uma forma de reconhecimento por seu esforço.

Sem marcar desde 11 de novembro, quando o Grêmio goleou o Atlético-PR por 3 a 0 no Olímpico, pela fase classificatória, Warley admite que vive má fase. Mas procura manter a calma, dizendo que tornará a situação mais difícil se ficar afobado.

– Os gols terão que voltar naturalmente – diz o atacante, que já marcou sete vezes na Copa João Havelange.

O zagueiro Marinho admitiu ter falhado no gol de Taílson. Ontem, antes do embarque para Recife, ele ainda comentava a forte discussão que teve com o volante Gavião logo após o Sport ter descontado.

– O Gavião pediu que eu marcasse mais de perto. Na hora, retruquei. Mas, agora, sei que ele estava certo – disse Marinho.

Patrício garante não estar abalado com as críticas que vem recebendo. A constante mudança de posição pode ser a principal causa do rendimento insatisfatório, acredita o jogador.

Domingo, por exemplo, ele deverá ser improvisado novamente no lado esquerdo, diante do retorno de Anderson ao time, recuperado de lesão no tornozelo direito.

– Como a tradição do Grêmio sempre foi a de ter grandes laterais, a torcida torna-se exigente – afirma.

De volta à reserva, Sandro Neves, outro lateral contestado, acha que só ganhará confiança, inclusive para chutar a gol, como na época do Caxias, com a seqüência de partidas.” (Luis Henrique Benfica, Zero Hora, sábado, 2 de dezembro de 2000)

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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

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GRÊMIO: Danrlei, Patrício, Marinho, Nenê e Sandro Neves; Polga, Gavião (Eduardo Costa), Itaqui e Zinho; Ronaldinho e Warley (Rodrigo Mendes)
Técnico: Celso Roth

SPORT: Bosco: Saulo, Érlon, Sandro Blum e Dutra; Leomar. Sidney, Raníelli (Adriano) e Almir (Marquinhos); Leonardo e Tailson
Técnico: Emerson Leão

Data: 30 de novembro de 2000, quinta-feira, 21h40min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 40.183 ( 34.656 pagantes)
Renda: R$ 230.114,00
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (FIFA-MG),
Auxiliares: Marco Antônio Mastins (MG) e Helbert Costa Andrade (MG)
Cartões amarelos: Tailson, Érlon. Sandro Blum e Ronaldinho.
Gols: Ronaldinho aos 41 e 45 minutos do primeiro tempo. Tailson, aos 17 minuto do segundo tempo.

Brasileirão 2000 – Grêmio 1×0 Ponte Preta

July 23, 2022
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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

Em novembro de 2000, o Grêmio recebeu a Ponte Preta no Olímpico pelo jogo de ida das oitavas de final do Brasileirão.  Eu sei que a chamada que Copa João Havelange foi sobretudo uma maneira de tentar contornar as reclamações do Gama no caso Sandro Hiroshi, mas ainda assim eu achava interessante a fórmula de disputa (com exceção do gol qualificado e da ausência de vantagem para o time de melhor campanha na fase anterior).

As reportagens transcritas abaixo dão conta de um jogo muito faltoso. Não lembro de muito detalhes desse jogo, mas por alguma razão tenho a vaga memória de que o Ronaldão “cagou o Ronaldinho a pau”.

Um detalhe interessante. Os cinco reais (valor do ingresso mais barato daquele jogo), corresponderiam a R$ 30,69 aplicando a correção pelo IGPM até junho de 2022 (ou R$ 19,30 se o índice aplicado fosse o IPCA). Outra referência poderia ser a taxa de câmbio do dólar, que em novembro de 2000 estava mais o menos em R$ 1,95 para  cada US$ 1,00.

Da mesma forma, o prêmio de R$ 17.000,00 pela classificação para as quartas de final corresponderia a cerca de R$ 104.000 (corrigidos IGPM até junho de 2022) ou cerca de R$ 65.000 pelo IPCA. Outra referência pode ser vista nesse anúncio do Pioneiro, onde uma revenda da Volkswagen anunciava um Gol por R$ 18 mil.

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Foto: Ricardo Giusti (Correio do Povo)

“RONALDINHO FAZ O GOL DA DIFERENÇA EM CAMPINAS
Grêmio vence Ponte Preta por 1 a 0 e decide vaga domingo

Ronaldinho, Ronaldinho, mil vezes Ronaldinho.

Em um jogo de defesas como o de ontem, com chances de gol reduzidíssimas, só o talento individual poderia fazer a diferença. E Ronaldinho matou a competente Ponte Preta, aos 25 do segundo tempo, cobrando uma falta com matizes cinematográfico. Golaço e vitória do Grêmio por 1 a O.

O resultado foi ótimo. Além de vencer e levar vantagem para o Moisés Lucarelli, domingo, o Grêmio não levou gol em casa. Assim, se empatar em Campinas, está classificado. Se perder o jogo por diferença de um gol  – à exceção de 1 a 0, que leva a disputa para os pênaltis – também garante passagem para as quartas-de-final .

Antes de Ronaldinho. Itaqui teve a chance de ouro, aos 14 minutos do segundo tempo. Na pequena área, só ele e o goleiro e o estádio inteiro do seu lado. Mas errou. Chutou mal, a bola beijou a rede, sim, só que pelo lado de fora. Em um jogo truncado, com muitos jogadores de marcação nos dois times, uma oportunidade como a de Itaqui é algo caído do céu, uma lance ímpar. Se não houvesse Ronaldinho e seu talento comum, hoje o Grêmio estaria lamentando. Mas não está. Porque existe o filho da dona Miguelina, o diferencial.

Foi uma partida dificílima, como todas entre os times desde 1970, quando a história entre Grêmio e Ponte Preta começou a ser escrita O técnico Nelsinho Baptista fechou o seu time. Escalou três volantes, retirando o meia ofensivo Marco Aurelio  – aquele do gol do outro lado de campo contra o Atlético-MG –  e colocou Roberto, 20 anos, cabeça de área. Até Ronaldinho resolver tudo batendo cem perfeição a falta sofrida por Zinho, estava dando certo. Para se ter uma idéia da retranca armada pela Ponte Preta, quando André Santos foi  expulso, no começo do segundo tempo, Nelsinho recompôs a zaga com Alex, tirando o goleador Washington.

A rigor, antes do gol de falta, o Grêmio só teve a chance de Itaqui para abrir o placar. De resto, houve uma cabeçada torta de Nené, após escanteio batido por Zinho aos 37 do primeiro tempo e um chute por cima do travessão, fraco, de Warley aos 43. Tanto que Celso Roth mudou o time no intervalo. Gavião saiu por problemas médicos. Estava com diarreia. Eduardo Costa o substituiu. Mas Anderson e Rodrigo Mendes entraram para empurrar o Grêmio à frente. Sandro Neves e Polga, de atuações inseguras, saíram. Houve melhora, mas nada que furasse a retranca da Ponte.

Até surgir Ronaldinho. Mil vezes Ronaldinho. O Grêmio está com uma mão na vaga. Resta agarrá-la com a utra mão, em Campinas.” (Diogo Olivier, Zero Hora, sexta-feira, 24 de novembro de 2000)

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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

“RUY CARLOS OSTERMANN: “Empate já serve
Desta vez, o gol que o Grêmio não poderia admitir no Olímpico foi garantido, mas um gol de falta – obra irrepreensível de Ronaldinho – fez a diferença importante deste primeiro jogo. Em Campinas, o empate já serve.

Foi difícil, enredado, e dois fatos foram decisivos: a expulsão de André Santos a oito minutos do segundo tempo e o gol de falta de Ronaldinho, a rigor única situação de gol em 90 minutos. Uma vantagem assegurada com a garantia, mais uma vez, de um rigoroso controle defensivo.” (Ruy Carlos Ostermann, Zero Hora, sexta-feira, 24 de novembro de 2000)

 

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Foto: Ricardo Giusti (Correio do Povo)

COM UM A MAIS, GRÊMIO BATE PONTE GRAÇA A RONALDINHO

Com um gol de Ronaldinho, cobrando falta aos 26min do segundo tempo, o Grêmio derrotou a Ponte Preta por 1 a 0, na noite desta quinta-feira, no estádio Olímpico, em Porto Alegre.

Com o resultado, o time gaúcho pode empatar a partida de volta, domingo, no estádio Moisés Lucarelli, em Campinas (SP), que carimba um lugar nas quartas-de-final da Copa João Havelange.

A partida, na etapa inicial, foi decepcionante. As duas equipes exageraram na cautela. Na etapa final, o perfil do jogo mudou, principalmente a partir da expulsão do zagueiro André Santos. O Grêmio, com um jogador a mais, foi para o ataque e amassou a Macaca. Porém, o time de Nelsinho Baptista segurou o ímpeto do Tricolor gaúcho e não sofreu uma derrota mais drástica.

O equilíbrio, a forte marcação no setor intermediário e a ausência de lances de perigo deram o tom do primeiro tempo. O atacante Ronaldinho cavou, aos 16min, uma falta na intermediária direita. Ele próprio cobrou, rasteiro, e a barreira amorteceu o disparo e a bola sobrou para a zaga que a despachou para longe.

Aos 24min, Ronaldinho, da boca da área, passou para o atacante Warley, que penetrou pelo lado esquerdo e chutou, com pouca força e rasteiro, no canto direito do goleiro Adriano, que agarrou a bola sem dificuldade.

A melhor chance do Grêmio na etapa inicial ocorreu aos 37’, após o meio Zinho cobrar um escanteio, do córner canhoto, e o zagueiro Nenê, sozinho entre a marca do pênalti e a risca da pequena área, cabecear e a bola se perder sobre o travessão.

Aos 43’, o cabeça-de-área Polga enfiou uma bola para Ronaldinho que, da meia-lua, serviu a Warley. Warley limpou do lateral-direito Daniel e mandou uma bomba, que não levou perigo ao arqueiro da Macaca. Quando o cronometro atingiu os 45’, a Ponte ameaçou pela primeira vez o goleiro Danrlei. O centroavante Washington roubou uma bola do zagueiro Marinho na intermediária esquerda e, sem olhar para os companheiros de time, chutou da entrada da área por cima da baliza.

Na etapa complementar, o jogo foi outro, com a Macaca adiantando a marcação e o Grêmio tentando abrir espaços no bloqueio ponte-pretano. O grande episódio do confronto, que mudou a sorte de ambas as equipe, aconteceu aos 54’, quando o zagueiro André Santos recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Daí em diante, o Grêmio comandou a partida. O meia Itaqui, aos 60’, perdeu um gol claro, de dentro da pequena área — a bola bateu na rede, mas pelo lado de fora. Aos 71’, brilhou a estrela do craque, e foi a de Ronaldinho. O jogador cobrou uma falta, frontal, no ângulo esquerdo de Adriano e fez o gol do Grêmio e da vitória.

No gramado, só dava o Tricolor. O lateral-direito Ânderson Lima, que havia entrado no intervalo, mandou um torpedo da meia-lua que passou sobre o travessão. Dois minutos depois, o meia Rodrigo Mendes bateu uma falta, de mais de 25 metros, e a bola raspou o poste esquerdo. Aos 85’, nova falta para o Grêmio, desta vez cobrada pelo meia Zinho. Do canto esquerdo, Adriano espalmou para fora . Com um homem a menos e com o Grêmio partindo para cima, a Macaca conseguiu se defender e manter o escore baixo.” (Terra, quinta-feira, 23 Novembro de 2000, 22h24)

TORCIDA APITA PARA AJUDAR O GRÊMIO

A torcida do Grêmio decepcionou pelo número –cerca de 31 mil pessoas–, mas entusiasmou pela empolgação. Durante a partida, o estádio atordoou os jogadores da Ponte Preta cada vez que eles tocavam na bola. É que a direção distribuiu 30 mil apitos que provocaram um barulho ensurdecedor, só superado pela comemoração do gol de Ronaldinho, aos 25 minutos do segundo tempo.

Entusiasmados com a presença apenas regular de colorados no jogo com o Atlético-PR, na noite anterior, dirigentes gremistas chegaram a se entusiasmar com a possibilidade de ganhar o Gre-Nal das torcidas.

Só que o público presente ao Olímpico, embora empolgado e disposto a empurrar o time, ficou muito abaixo do esperado. Não foi nem de perto o inferno azul, projetado ao longo da semana pelo vice de futebol, Antônio Vicente Martins.

“Não sei o que aconteceu. Acho que o pessoal está mesmo sem dinheiro”, afirmou o vice presidente de administração, Juarez Aiquel, que comanda em cada partida uma equipe de 60 diretores.

Também é sua atribuição coordenar a equipe de 60 seguranças que trabalham junto às bilheterias. O dirigente estava certo em sua análise. Ao elevar, embora num percentual muito pequeno, o preço das arquibancadas –de R$ 3 para R$ 5-, o Grêmio acabou fazendo com que também o torcedor mais modesto, que não tem em casa o sistema de televisão a cabo, fugisse do estádio. As chamadas acomodações populares, ao preço de R$ 5, abrigaram poucos gremistas, bem diferente do que havia ocorrido contra o Atlético-PR e o Vasco.

O presidente José Alberto Guerreiro utilizou a cabine 9, tendo nas mãos, durante todo o tempo, um terço na cor azul. Ao seu lado, também mantendo a rotina, o vice-presidente médico, Luiz Eurico Vallandro, e os assessores Luiz Arthur Mickelberg e Sérgio Ilha Moreira. Atento ao jogo, Guerreiro nem chega a perceber qualquer movimentação que ocorra.” (Terra, sexta-feira, 24 Novembro de 2000, 08h50)

“RONALDINHO VIRA HERÓI E LEMBRA DOS RESERVAS

O atacante Ronaldinho homenageou os reservas do Grêmio com o gol que garantiu a vitória da equipe gaúcha sobre a Ponte Preta, na noite desta quinta-feira.

O jogador cobrou falta aos 26min do segundo tempo e marcou. Na comemoração, foi abraçar os jogadores do banco, principalmente Paulo Nunes. Foi seu nono gol na Copa João Havelange. “Sei como é ruim ficar de fora. Foi uma forma de dar uma força para quem está sofrendo”, afirmou o atacante.” (Terra, quinta-feira, 23 Novembro de 2000, 22h43)

“RONALDINHO EVITA RÓTULO DE ´SASSÁ MUTEMA´”

Porto Alegre – Sempre que Ronaldinho, o artilheiro do Grêmio na Copa João Havelange com nove gols – mesmo tendo ficado de fora várias rodadas devido à Olimpíada –, decide os jogos, a polêmica volta. Até que ponto o time é dependente dele nas horas decisivas, em partidas encaroçadas como contra a Ponte Preta, no Olímpico?

O gol de falta teve caráter de desabafo para o craque. Alguns repórteres de rádio se aproximaram na hora da comemoração, para registrar o que o craque estava dizendo: ouviram uma saraivada de palavrões. Ronaldinho não quer saber de cobrança para cima dele.

“Não sou salvador da pátria. Tenho cara de Sassá Mutema, por acaso?”, disse o craque.

Sassá Mutema, interpretado por Lima Duarte, era o personagem principal da novela Salvador da Pátria, exibida pela Globo no final dos anos 80.” (Terra, sábado, 25 Novembro de 2000, 05h26)

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GRÊMIO MUDA PREÇOS DOS INGRESSOS

Porto Alegre – O vice de administração do Grêmio, Juarez Aiquel, acertou ontem com os suíços da ISL, a parceira do clube, os preços dos ingressos para a partida de quinta-feira, com a Ponte Preta, no Olímpico. Haverá alterações.

Somente a cadeira lateral seguirá ao preço promocional de R$ 10 utilizado nas partidas contra Atlético-PR e Vasco. Os demais setores terão um acréscimo: a arquibancada passou de R$ 3 para R$ 5, a cadeira central de R$ 10 para R$ 15 e o acompanhante de sócio, de R$ 5 para R$ 10. Todos os ingressos de arquibancada custarão R$ 5, valor utilizado no início da Copa João Havelange apenas para o ingresso popular, atrás das goleiras.

A preocupação da direção foi manter parte da promoção depois de receber a ajuda incontestável da torcida nas partidas em que era preciso vencer em casa. Os dirigentes temem passar a impressão de que só baixam os preços para ter o apoio do torcedor na hora difícil, quando tudo parece perdido. Só que a renda dos jogos, excluída a parte dos sócios, cabe à ISL através de contrato. A empresa, entretanto, aceitou baixar os preços contra Atlético-PR e Vasco, abrindo caminho para promoções do gênero. Ontem, antes do embarque para Porto Alegre, Aiquel conversou com Guerreiro e passou boa parte do tempo ao telefone. Tudo ficou acertado ao final da tarde.

O Grêmio retornou ontem a Porto Alegre. A partida contra a Ponte Preta está marcada para as 20h30min de quinta-feira. A direção espera público superior a 40 mil pessoas.

”Agora é a hora do algo mais de dirigentes, jogadores e torcida. Precisamos do apoio de todos para vencer a Ponte e ir a Campinas em vantagem, no domingo”, disse o presidente José Alberto Guerreiro.

O regulamento da competição prevê confrontos agora nos moldes da Copa do Brasil. Os times se enfrentam em partidas de ida e volta. Se houver empate em número de pontos ao final das duas partidas, os critérios de desempate são saldo de gols, maior número de gols marcados na casa do adversário (saldo qualificado) e pênaltis.” (Terra, terça-feira, 21 Novembro de 2000, 02h53)

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

RONALDINHO MARCA, E GRÊMIO BATE A PONTE

Com um gol do atacante Ronaldinho, aos 25min do segundo tempo, o Grêmio derrotou a Ponte Preta por 1 a 0, ontem, em Porto Alegre (RS), e agora decide a vaga para as quartas-de-final da Copa João Havelange precisando apenas de um empate, no próximo domingo, em Campinas.

A Ponte Preta, equipe que teve o ataque mais eficiente na primeira fase da Copa JH, com 49 gols, jogou-se à frente no começo da partida. Não conseguiu, porém, chegar com perigo ao gol, e, aos poucos, o time gaúcho equilibrou.

O Grêmio também não fez o suficiente para ameaçar o goleiro Adriano. O primeiro tempo acabou sendo monótono, com as defesas dominando os ataques.

Quando conseguiu furar o bloqueio defensivo dos paulistas, o ataque gremista falhou muito nas finalizações. A Ponte tentou explorar os contra-ataques, mas não soube aproveitar as poucas chances proporcionadas pelo Grêmio.

Com o jogo truncado, o abuso da violência resultou em cinco cartões amarelos na primeira etapa da partida.

Uma falta violenta de André Santos sobre Warley, aos 8min do segundo tempo, resultou na expulsão do jogador da Ponte e deixou o Grêmio com a vantagem de um jogador a mais em campo.

O técnico Celso Roth aproveitou e, aos 17min, colocou o atacante Rodrigo Mendes no lugar do volante Ânderson Polga.

A pressão aumentou e, aos 25min, numa cobrança de falta, Ronaldinho acertou o ângulo do goleiro Adriano e fez o único gol da partida.

O empate no próximo jogo classifica o Grêmio. A Ponte Preta precisa vencer o jogo do próximo domingo, por pelo menos dois gols de diferença, para ficar na próxima fase da Copa JH.

O técnico da equipe de Campinas, Nelsinho Batista, disse que seu time tem plenas condições de se classificar no domingo.” (Folha de São Paulo, sexta-feira, 24 de novembro de 2000)

TOSTÃO: “Contra fatos há argumentos
No futebol brasileiro, progressivamente houve aumento do número de faltas e da violência. Na quinta-feira, Grêmio e Ponte Preta cometeram 74 faltas. A média está em torno de 55 por partida. Recorde mundial.
Não há mais faltas porque não existe mais tempo e espaço.
Fato absurdo […]” (Tostão, Folha de São Paulo, domingo, 26 de novembro de 2000)

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Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

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GRÊMIO: Danrlei; Patrício, Marinho, Nenê e Sandro Neves (Ânderson Lima); Polga (Rodrigo Mendes) Gavião (Eduardo Costa), Itaqui e Zinho; Ronaldinho e Warley.
Técnico: Celso Roth

PONTE: Adriano; Daniel, André Santos, Ronaldão e Wágner; Fabinho, Mineiro, Roberto e Piá; Hernani (Macedo) e Washington (Alex)
Técnico: Nelsinho Baptista

Data: 23 Novembro de 2000, quinta-feira, 20h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público:  31.369 (27.717 pagantes)
Renda:  R$ 200.095,00
Árbitro: Luciano Augusto Almeida (FIFA/DF)
Auxiliares: Jorge Paulo Gomes e César Augusto de Oliveira
Cartões amarelos: Piá (4′), Ronaldão (15′), Marinho (20′), Sandro Neves (41′) Nenê (58′), Adriano (61′), Roberto (90′) e Mineiro (90’+1′)
Cartão vermelho: André Santos
Gol: Ronaldinho, aos 25 minutos do segundo tempo