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Brasileirão 1996 – Grêmio 2 x 0 Portuguesa

December 15, 2011

Em 15 de dezembro de 1996, o Grêmio entrava em campo pela segunda partida da final do Campeonato Brasileiro tendo que devolver os dois gols sofridos no Morumbi.

O clima no Olímpico era indescrítivel. A pressão tricolor foi forte, e depois de uma sequência de escanteios, Paulo Nunes abriu o placar, logo aos 3 minutos. O jogo seguiu nervoso, brigado, até os 39 minutos do segundo tempo, quando Aílton marcou o golaço que iniciou a festa no Olímpico.

Detalhes sobre a campanha do Grêmio naquele campeonato podem ser encontrados em:

Abaixo seguem algumas fotos e textos dos jornais Correio do Povo, Folha de São Paulo e Zero Hora:

Ironia lusa contrapõe ameaça gremista
No vestiário da Portuguesa, momentos antes de o time entrar em campo, os jogadores rezavam.
Dava para escutar os gritos da torcida: “Ê, ê, ê, paulista vai morrer” ou “Ó Portuguesa pode esperar, a sua hora vai chegar”.
Foi sob um clima de guerra que o time se preparou, durante uma hora e 45 minutos, no estádio Olímpico, para encarar o Grêmio.
A reportagem da Folha acompanhou a Portuguesa nos momentos que antecederam o jogo.
Para controlar a tensão, a ansiedade e a expectativa, a tática era falar bastante. O assunto não interessava, o importante era falar.
Valia conversar sobre a torcida, as férias que se aproximavam, a família, o tempo, como em qualquer bate-papo normal dentro de um elevador, ou até fazer piadas dos gritos de guerra dos gremistas.
“Alguém tem que avisá-los que eu sou do Maranhão”, brincava o goleiro Clêmer, referindo-se às ameaças contra os paulistas.
“Não vão vocês gritar contra os gaúchos, porque eu sou do Rio Grande”, disse o meia Caio, que nasceu no interior do Estado e defendeu o Grêmio até janeiro de 94.
A recepção
A comissão técnica da Portuguesa tentou despistar a torcida do Grêmio, chegando a Porto Alegre antes do horário previsto. O time deixou São Paulo, às 10h, pousando em Porto Alegre às 12h.
Um ônibus contratado pelo clube e que esperava os jogadores na pista do aeroporto transportou-os para um hotel no centro da cidade.
No trajeto ao hotel e depois ao estádio, vários torcedores com camisas do Grêmio xingavam o time e mostravam dois dedos das mãos, insinuando o placar de 2 a 0.
No caminho, no entanto, torcedores com camisas do Internacional, rival do Grêmio, aglomeraram-se para dar apoio aos paulistas. Candinho e seus pupilos acenavam, agradecendo o incentivo.
E uma surpresa curiosa: as ruas e avenidas que cercam o Olímpico estavam pintadas de verde, vermelho e branco, cores da Portuguesa. É que a Prefeitura de Porto Alegre preparou a decoração de Natal antes de conhecer os finalistas.
Protegidos por seguranças do Inter, os paulistas chegaram ao estádio às 17h15.
A preleção
Na última hora, já dentro do vestiário do Olímpico, o técnico Candinho, mais do que um estrategista, vira um psicólogo. A análise tática do adversário, as orientações, a estratégia de jogo foram passadas ao elenco em São Paulo e no hotel.
Conversando “de verdade” com os atletas, no estádio, Candinho só descontrai o ambiente, acalma o time, motiva-o e brinca. “Já que o avião não caiu, estamos aqui, haverá jogo, vamos para ganhar.”
Mas também fala sério e elogia o elenco. “Fizemos história na Portuguesa, mostramos nosso valor. Estamos em alto-mar”, lembrou, referindo-se aos comentários de que o time costumava nadar, nadar e morrer na praia.
O goleiro Clêmer, um dos líderes do grupo, é o que mais palpita. Além de dar as instruções finais para seus companheiros de defesa, pede cuidado com a arbitragem.
O aquecimento
O preparador físico José Roberto Portella comanda os quase 30 minutos de exercícios dos jogadores antes do início do jogo. “Sem o aquecimento bem feito, o risco de alguma contusão é grande”, diz.
Diferentemente do Grêmio, que aqueceu no campo de treinamento que fica do lado de fora do estádio, a Portuguesa teve que se contentar em se aquecer no vestiário, já que o gramado do Olímpico era palco de um jogo preliminar.
Portella, que trabalhou no futebol português, preparou exercícios individualizados. “Cada um tem uma necessidade diferente, uma característica específica.”
A imagem
A diretoria da Portuguesa, porém, não contava só com a preleção de Candinho, o aquecimento de Portella ou a técnica dos jogadores. Uma imagem de Nossa Senhora de Fátima também foi levada ao vestiário para dar sorte.
“No Canindé, estamos acostumados com a imagem”, afirmou o zagueiro César, que diz ser evangélico. “É uma força a mais.”
A ausência foi o mascote Nirlei Tigre, 5, chamado pelos jogadores de “campeão”. Sem lugar no avião fretado pelo clube, ele ficou torcendo em casa, pela televisão.
O grupo de apoio da equipe, formado por roupeiro, massagista, treinador de goleiros e seguranças, acendia velas no vestiário e fazia promessas. “É a macumba portuguesa”, brincava Carioca, treinador de goleiros do time.
É a a tal história: em decisão, vale tudo. Bola para o mato que o jogo é de campeonato. (JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO – Folha de São Paulo)

Portuguesa perde controle dos nervos e título inédito
Pela primeira vez, desde o início da fase final do Brasileiro, a Portuguesa sentiu ontem, diante do Grêmio, em Porto Alegre, a pressão de estar jogando uma partida decisiva fora de casa.
Isso foi determinante para a derrota do time por 2 a 0 e a perda do inédito título brasileiro, sofrendo o gol fatal a nove minutos do fim.
A equipe paulista entrou em campo apavorada pelos gritos ensurdecedores da torcida gremista e tomou o primeiro gol aos 2min.
Depois de um passe de Zé Alcino, Paulo Nunes bateu forte de pé esquerdo, marcando seu décimo sexto gol no Brasileiro.
Ele terminou a competição como artilheiro do campeonato, ao lado de Renaldo, do Atlético-MG.
Tomar um gol no começo era tudo que o técnico Candinho mais temia. E isso se provou no fim.
Sua estratégia de valorizar a posse de bola e explorar rápidos contra-ataques com Alex Alves e Rodrigo não funcionou.
O Grêmio marcava a saída de bola, enervando os zagueiros César e Emerson, e não deixava o time paulista respirar. O lateral-direito Arce, que atuou sentindo uma contusão, era a principal arma ofensiva da equipe gaúcha.
O primeiro chute a gol da Portuguesa só aconteceu aos 15min, com Rodrigo.
Mas o domínio do Grêmio foi completo. O time cobrou 13 escanteios só no primeiro tempo e exigiu, pelo menos, três grandes defesas de Clêmer.
Aos 46min, César, de cabeça, salvou o que seria o segundo gol.
No segundo tempo, a ansiedade do Grêmio em fazer o gol e a impaciência da torcida tornaram o jogo melhor para a Portuguesa.
O time passou a organizar perigosos contra-ataques, sem oferecer espaços em sua defesa.
Mas, aos 39min, todo o esforço foi por água abaixo. Numa rebatida da defesa, Aílton, que acabara de entrar, acertou um belo chute, garantindo o título para o Sul. (Arnaldo Ribeiro – Folha de São Paulo – 16/12/1996)

Sangue azul – Por JUCA KFOURI
O Olímpico é um oceano azul banhado pela mais bela luz deste país, o sol que se põe na capital gaúcha.
Tudo pronto para fazer a nau lusitana afundar em alto mar.
O primeiro torpedo vem do comandante Paulo Nunes, nem bem a batalha havia começado. O artilheiro não estava mesmo ali por acaso.
A intranquilidade toma conta da tripulação do Canindé, que acusa o golpe e bate cabeça, o que era natural.
O capitão Capitão, mais que uma redundância, um herói, berra com César. Ave, César, que susto!
“Grêmiôôô, Grêmiôôô”, o grito de guerra inunda o palco do combate.
Ave, Caio, quase! Danrlei defende o indefensável.
O menino Rodrigo vira gigante, a Lusa cresce.
Por todos os lados, os gremistas atacam, atacam e atacam.
As escaramuças se sucedem em cada convés, como não convém mas é inevitável.
Clêmer salva a pátria-mãe novamente.
O mais argentino dos times brasileiros, que seria campeão até na Alemanha, tem dois paraguaios para ajudar a evitar que o toque africano rubro-verde faça o vira que vale o troféu.
O mundo da bola gira eletrizante no sul do Brasil.
Navegar é preciso, viver não é preciso. O arqueiro Clêmer sobe. E desce. E sobe.
Caía a noite. Era hora de ajustar as bússolas. Estava tudo justo e nada resolvido. Piscava a segunda estrela mosqueteira. E a primeira portuguesa.
Batalha reiniciada, os piratas aparecem de preto e amarelo. Uma bandeira mal içada impede que a vela lusa infle em direção à meta adversária, na arrancada de Rodrigo.
A luta é por cada palmo de espaço. Emerson pela esquerda, Zé Alcino pela direita, o segundo míssil ronda o casco português.
Rodrigo perde chance, o Grêmio perde o grande Rivarola, o que, para quem já não tinha Adílson, não é pouca coisa.
“Grêmiôôô, Grêmiôôô”, a massa queria jogar.
Os piratas reaparecem, agora contra o Grêmio, que busca força sabe-se lá de onde, tão visível é o desgaste de sua gente.
Aí, Aílton, sangue novo, nobre, fulmina sem piedade e inunda o porto de alegria.
Justa alegria, Grêmio grande campeão.
E porque tudo vale a pena se a alma não é pequena, a Lusa é uma enorme vice-campeã.” (Folha de São Paulo – 16 de dezembro de 1996)


FUNDAMENTOS (Folha de São Paulo)

Grêmio 49 – Bolas perdidas – 47 Portuguesa
Grêmio 41 Faltas cometidas – 33 Portuguesa
Grêmio 22 – Faltas na Defesa – 14 Portuguesa
Grêmio 19 – Faltas no ataque – 19 Portuguesa
Grêmio 7 – Finalizações certas – 1 Portuguesa
Grêmio 8 – Finalizações erradas – 6 Portuguesa
Grêmio 8 – Lançamentos certos – 3 Portuguesa
Grêmio 11 – Lançamentos errados – 1 Portuguesa
Grêmio 15 – Escanteios conquistados – 4 Portuguesa
Grêmio 3 – Impedimentos – 7 Portuguesa
Grêmio 198 Passes certos – 215 Portuguesa
Grêmio 81 – Passes errados – 215 Portuguesa

“GRÊMIO É O CAMPEÃO!
O Grêmio barrou a tentativa de “ascensão” social da Portuguesa para o quadro de grande times do país e conquistou ontem, em Porto Alegre, o título do Campeonato Brasileiro de Futebol.
É o segundo do Grêmio na competição. A equipe, anteriormente, já havia vencido em 1981.
O time, também, se tornou o segundo da história a reverter a vantagem no mata-mata da decisão, após perder o primeiro jogo. Antes, só o Flamengo, em 1980 e 83.
Além do troféu, o time ganhou o direito de disputar a Taça Libertadores da América em 1997, o mais importante torneio interclubes da América do Sul.
A vitória por 2 a 0 consagra o técnico Luiz Felipe, da equipe gaúcha, como um dos profissionais mais vitoriosos do país.
No comando do Grêmio, o técnico já conquistou o Campeonato Gaúcho, a Copa do Brasil e a Libertadores. O Brasileiro era o único título que faltava para Luiz Felipe no cenário nacional.
Agora, o “passe” do treinador passa a ser mais valorizado. Ele tem propostas do Palmeiras e do futebol japonês para 1997.
O grande destaque da campanha do Grêmio é o atacante Paulo Nunes, autor do primeiro gol do jogo. O atacante terminou a competição como artilheiro, ao lado de Renaldo (Atlético-MG), com 16 gols.
“Eu amo vocês. Esse título é para vocês”, disse o jogador, após a partida, quando jogou sua camisa aos torcedores que lotaram o estádio Olímpico.
“É o melhor time do mundo”, disse o meia Aílton, autor do segundo gol gremista.
A equipe gaúcha terminou o Brasileiro com 48 pontos. É o melhor ataque da competição, com 52 gols. Sua defesa tomou 34 gols. (Alexandre Gimenez – Folha de São Paulo 16 de dezembro de 1996)

Vestiário oscila entre tensão e decepção
O clima no vestiário da Portuguesa era semelhante ao de um velório logo após a partida.
Os jogadores, cabisbaixos, mal tinham ânimo para falar.
A decepção contrastava com o a empolgação da equipe antes do jogo. A reportagem da Folha acompanhou, com exclusividade, a Portuguesa nos momentos que antecederam a finalíssima.
“É duro engolir uma derrota quando estávamos a seis minutos do título”, lamentou o goleiro Clêmer. “Foi uma tragédia.”
Os atletas reconheceram que o time entrou tenso em campo.
“Não sei o que foi, talvez os gritos da torcida, a pressão que sofremos desde que chegamos a Porto Alegre… O fato é que entramos meio desligados no jogo”, disse o zagueiro Émerson.
“Somos jovens e, pelo menos uma vez, temos o direito de dizer que sentimos a pressão”, disse o zagueiro César.
“Mas depois melhoramos e poderíamos ter conseguido um resultado melhor.”
O técnico Candinho também achou que os minutos iniciais foram decisivos para a derrota. “Levar um gol no começo dá força para o adversário.”
Candinho diz que faltou o gol. “Futebol é simples. Podem ridicularizar minha frase, mas foi isso. Faltou o gol.”
Para o vice-presidente de futebol Ilídio Lico, o título do Grêmio foi merecido. “Jogavam por dois resultados iguais e conseguiram. Estão de parabéns.”
A preparação
Apesar da derrota, a torcida da Portuguesa aplaudiu a saída do time. “Reconheceram nosso esforço. O vice-campeonato foi um feito inesquecível”, disse o presidente Manuel Pacheco.
A Portuguesa bem que tentou se preparar para o clima de guerra da torcida gaúcha.
A comissão técnica tentou despistar a torcida do Grêmio, chegando a Porto Alegre antes do horário previsto.
Durante a semana, Candinho anunciara que a delegação partiria para o Sul entre 14h e 14h30.
Ele dizia que o almoço seria na concentração, em São Paulo, e que assim que o time chegasse a Porto Alegre iria direto ao estádio.
O trajeto
O time, porém, deixou o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 10h, pousando no Salgado Filho, em Porto Alegre, às 12h.
Um ônibus contratado pelo clube e que esperava os jogadores na pista do aeroporto transportou-os para um hotel no centro da cidade.
No trajeto ao hotel e depois ao estádio, vários torcedores com camisas do Grêmio xingavam o time.
Para controlar a tensão, a ansiedade e a expectativa, a tática era falar bastante.
Valia conversar sobre a torcida, as férias que se aproximavam, a família, o tempo, como em qualquer bate-papo normal dentro de um elevador, ou até fazer piadas dos gritos de guerra dos gremistas.
“Alguém tem que avisá-los que eu sou do Maranhão”, brincava o goleiro Clêmer, referindo-se às ameaças contra os paulistas.
Na última hora, já dentro do vestiário do Olímpico, o técnico Candinho, mais do que um estrategista, virou um psicólogo. A análise tática do adversário, as orientações e a estratégia de jogo foram passadas ao elenco em São Paulo e no hotel em Porto Alegre.
No vestiário, a tática era tentar tranquilizar os jogadores, lembrando que eles já tinham ido longe demais na disputa.
O goleiro Clêmer, um dos líderes do grupo, foi, dos jogadores, o que mais palpitou. Além de dar as instruções finais para seus companheiros de defesa, pediu cuidado com a arbitragem.
O preparador físico José Roberto Portella comandou os quase 30 minutos de exercícios dos jogadores dentro do vestiário.
“O ideal seria ter feito o aquecimento dentro do campo, porque o vestiário era acanhado”, comentou depois do jogo.
Como o estádio Olímpico era palco de um jogo preliminar, a Portuguesa não conseguiu sair do vestiário.
O Grêmio aqueceu-se no campo de treinamento ao lado do estádio.
A diretoria da Portuguesa levou uma imagem de Nossa Senhora de Fátima ao vestiário para dar sorte.
O grupo de apoio da equipe, formado por roupeiro, massagista, treinador de goleiros e seguranças, acendia velas no vestiário.
No final, além da melancolia, sobraram restos de velas e rosas vermelhas.
“Não deu. Fica para outra. O problema é que eu não sei quando”, afirmou Gallo, sintetizando a tristeza lusitana. (Folha de São Paulo – JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO – 16/12/1996)

“O técnico Luiz Fellipe atendeu ao pedido do volante Dinho, que pediu para sair, justamente para que Aílton entrasse na equipe. Mesmo correndo o risco de abrir o setor do meio-de-campo, o treinador fez a mudança. “A equipe precisava ser mais ofensiva”, justificou o volante

O meia explicou que teve dificuldade para se movimentar em campo, porque nesse momento a Portuguesa estava recuada, tentando garantir a derrota por 1 a 0, que daria o título ao clube paulista. “O técnico pediu que desse o máximo nos 10 minutos que faltavam para terminar a artida”, explicou. “Tinha de ajudar no ataque e voltar rápido.”

Mas, aos 39 minutos do segundo tempo, Aílton, livre de marcação na área, pegou um rebote sem tempo para dominar a bola, acertou um chute potente de pé esquerdo, no canto esquerdo do quase instransponível goleiro Clemar, num belíssimo sem-pulo. “Decidi arriscar o chute e tive muita sorte”, declarou Aílton.” (Correio do Povo – 16 de dezembro de 1996)


“Com os olhos cheios de lágrimas, o técnico Candinho, que deve deixar o time no final do ano, disse que o Grêmio mereceu o título. “A torcida, o Luiz Felipe e os jogadores está de parabéns”, felicitou o treinador derrotado. Depois do final da aprtida, Candinho demonstrou elegância e cumprimentou o juiz Márcio Rezende de Freitas. “Apitaste muito bem, obrigado”, agradeceu o técnico ao árbitro. Para Candinho, o gol sofrido no começo do jogo foi o fator decisivo para a perda do título. “Se tivéssemos segurado o Grêmio no início, tenho certeza que o resultado seria outro.
” (Zero Hora – 16 de dezembro de 1996)


No festivo vestiário do Grêmio, o meia Aílton, autor do gol que deu o título brasileiro ao time, disse que entrou em campo no segundo tempo com “fé”.
Jogador mais contestado pela torcida do Grêmio, foi mantido pelo técnico Luiz Felipe, admirador do futebol do atleta, que joga tanto na meia como na lateral, contra a vontade dos próprios torcedores.
No final do jogo, quando todos os jogadores se reuniram em comemoração no meio do campo, Aílton correu sozinho em direção às arquibancadas, gritando palavrões.
*
Folha – Você se acha o herói do jogo? O que sentiu quando fez o gol do título?
Aílton – Entrei em campo com fé e confiante na vitória, ou com um gol meu ou de outro, feio ou bonito, pouco importava.
Folha – Mas foi você o autor do gol…
Aílton – Sou pé-quente, vencedor por onde passo. Felizmente, mais uma vez a sorte esteve ao meu lado.
Folha – Houve algum momento em que você achou que não daria para o Grêmio fazer o segundo gol e ganhar o título?
Aílton – Não. Acreditei sempre, nunca perdi a confiança em Deus. Apertamos o adversário durante toda a partida e, como prêmio, conseguimos o placar que necessitávamos.
Folha – O Grêmio mereceu o título?
Aílton – Mereceu pelo futebol que vem jogando faz tempo, pela luta e pela união de jogadores e dirigentes. Estou muito feliz com o gol, com o título, com tudo de bom que aconteceu comigo hoje “ (Folha de São Paulo – 16/12/1996)


O JOGO: O Grêmio precisava vencer por dois gols de diferença e, empurrado por sua torcida entusiasmada, conseguiu. No primeiro tempo, foi totalmente superior à Portuguesa. No segundo, a Lusa cresceu de produção, mas não foi suficiente para deter as investidas gaúchas. Foi um gol no início e outro no final, com os pés esquerdos de dois destros.

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola (Luciano 15 do 2º), Mauro Galvão e Roger; Dinho (Aílton 30 do 2º), Goiano, Émerson (Zé Afonso 15 do 2º) e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Zé Alcino
Técnico: Luis Felipe Scolari

PORTUGUESA: Clemer; Valmir, Émerson, César e Carlos Roberto (Flávio 40 do 2º); Capitão, Gallo, Caio e Zé Roberto; Alex Alves e Rodrigo Fabri (Tico 40 do 2º).
Técnico: Candinho

Campeonato Brasileiro 1996 – Final – Jogo de volta
Data: 15 de dezembro de 1996, 19h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 54.112(42.587 pagantes)
Renda: R$ 502.151,00
Juiz: Márcio Rezende de Freitas (MG)
Auxiliares: Klever Gonçalves e Marco Antônio Martins – MG
Cartão Amarelo: Gallo, Flávio, Goiano e Dinho
Gols: Paulo Nunes aos 3 do 1ºtempo e Aílton aos 39 do 2º.


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Brasileirão 1996 – Portuguesa 2 x 0 Grêmio

December 12, 2011

Na noite de 11 de dezembro de 1996, Grêmio e Portuguesa jogavam a primeira partida das finais do Campeonato Brasileiro daquele ano.

O Grêmio chegava para a decisão com a vantagem da melhor campanha; A Lusa chegava como a “namoradinha do Brasil”, unindo não só os quatro grandes de São Paulo, como também a imprensa do centro do País na sua torcida.

O jogo começou bem para o tricolor, mas a questionável expulsão de Marco Antônio e o gol de Gallo na sequência acabaram mudando os rumos da partida.

“O Grêmio, ontem, provou do próprio veneno. Enfrentou um time sólido na defesa, eficiente na marcação e agudo nos contra-ataques. O Grêmio jogou bem, atacou com insistência, perdeu chances de gol, em certos momentos perdeu a calama e, pior, perdeu o jogo: 2 a 0 para a Portuguesa, na noite chuvosa do Estádio Morumbi, em São Paulo. “ (Zero Hora – 12 de dezembro de 1996)

“Foi um resultado injusto para o time comandado por Luiz Felipe, que, inclusive, começou pressionando o adversário em busca do gol. Aos 18 minutos, Carlos Miguel acertou um forte chute de fora da área e Clemer salvou para escanteio” (Correio do Povo – 12 de dezembro de 1996)

“Enquanto quase todos os jogadores da Portuguesa conversavam com os repórteres depois do fim do último treinado para a partida contra o Grêmio, na ensolarada manhã de terça-feira passada, o volante Gallo não se importou com o assédio da mídia e tratou de ensaiar cobranças de faltas. Depois de quatro chutes consecutivos na trave, o técnico Candinho se aproximou e perguntou o que estava se passando. “Não se preocupe, Candinho, porque no jogo a bola vai entrar”, assegurou o confiante Gallo. E entrou mesmo. Gallo abriu o caminho da vitória da Portuguesa por 2 a 0 com uma cobrança de falta perfeita aos 38 minutos do primeiro tempo.

[…]
“O Gallo é a alma da equipe”, disse Candinho, depois do jogo.” (Alexandre Corrêa – Zero Hora – 12 de dezembro de 1996)

“Irritado, vermelho de raiva e de tanto gritar, ilhado em um canto do vestiário do Morumbi por dezenas de microfones, o técnico Luiz Felipe começou o comentário da derrota em São Paulo pela atuação do árbitro: “O Sidrack tem critérios diferentes, em Minas não deu cartão para preservar jogadores e contra nós ele chegou a expulsar no primeiro tempo!” Inconformado com os dois cartões de Marco Antônio, o treinador disse que o lance da primeira punição foi injusto. “Não era jogada para cartão”.

[…]

Mal terminou o jogo, o atacante Paulo Nunes saiu correndo do gramado. Já à beira do gramado, arfando, ele só teve força de dizer três palavras: “Dá pra reverter”. Os demias jogadores o acompanharam. Todos eles, depositaram na torcida a esperança de vitória no segndo jogo do Olímpico: “Vou ficar gritando junto com a torcida para a gente vencer de qualquer jeito”, declarou Adílson. “O resultado de ontem foi meio injusto, tomamos gol de bola parada, tivemos um jogador expulso e agora dependemos da nossa superação.” Goiano se virou para a cabisbaixa comissão técnica gremista e disse uma frase emotiva. “Vai dar, sim”, falou. “O juiz complicou demais”, lamentou-se Goiano. (Alexandre Côrrea -Zero Hora – 12 de dezembro de 1996)

PLACAR – O JOGO: O equilíbrio da partida acabou aos 36 minutos do primeiro tempo com a expulsão de Marco Antônio e o gol de Gallo. A partir daí, o Grêmio ficou no dilema entre segurar o resultado ou tentar o empate. Não fez nem uma coisa nem outra. Tomou mais um gol e por pouco não perdeu de mais porque faltou empenho à Lusa.

ZERO HORA – O JOGO: Prejudicado pela expulsão de Marco Antônio e o gol de Gallo, no minuto seguinte, o Grêmio ainda tentou esboçar uma reação para garantir a vantagem de dois empates. Mas um gol de Rodrigo, no segundo tempo, atrapalhou os planos do Grêmio e obrigou
a equipe a trabalhar dobrado no Olímpico.

Portuguesa fica próxima da história

Time bate o Grêmio por 2 a 0 e pode até perder por um gol de diferença, domingo, no Sul, que será campeão

Portuguesa fica próxima da história
da Reportagem Local
A Portuguesa derrotou o Grêmio por 2 a 0, ontem, no Morumbi, e está próxima do feito mais importante de sua história.
O time pode perder por um gol de diferença, domingo, em Porto Alegre, que conquistará o inédito título brasileiro, garantindo vaga na Taça Libertadores de 97.
Pela terceira vez, desde o início da fase final do Brasileiro, a equipe, que jamais havia passado da sétima colocação, conseguiu reverter a vantagem do adversário.
Os jogadores e a torcida deixaram o campo otimistas.
Domingo, a Portuguesa poderá contar com os retornos do zagueiro César e do lateral Carlos Roberto, enquanto o Grêmio não terá o lateral Marco Antônio e o zagueiro Adílson, suspensos.
Em um gramado em perfeitas condições, apesar das chuvas, a Portuguesa teve muitas dificuldades no início do jogo.
O time, com três volantes (Capitão, Gallo e Roque), foi mais cauteloso que de costume, como prometera o técnico Candinho. O que o treinador não esperava era o nervosismo de alguns jogadores.
O Grêmio, mesmo com a ausência do lateral Arce, foi mais perigoso, insistindo nas jogadas pela direita, nos espaços deixados por Zé Roberto, que avançava pelo meio.
Com o domínio gremista, o goleiro Clêmer precisou fazer duas grandes defesas, numa cabeçada de Goiano e num chute forte de Carlos Miguel.
O jogo começou a virar somente aos 36min, quando Marco Antônio, que já tinha o cartão amarelo, foi expulso ao derrubar Alex Alves.
Na cobrança, Gallo, que não havia acertado nem uma sequer nos treinos de terça-feira, colocou a bola no ângulo direito de Danrlei.
No segundo tempo, mesmo com um atleta a mais, a Portuguesa caiu surpreendentemente de produção. Aos 11min, Clêmer evitou o gol de empate, em chute de Zé Alcino.
Mas, quatro minutos depois, a Portuguesa definiu o jogo. Caio cruzou da direita, e Rodrigo desviou para as redes, arrancando os gritos de ”É campeão!” da torcida.
Depois do segundo gol, o time pressionou em busca de uma vantagem maior, com as entradas dos atacantes Tico e Flávio.
Mas o Grêmio, bem armado taticamente, não deu chances, mantendo suas esperanças (Folha de São Paulo)


“Árbitro acusado de prejudicar a equipe gaúcha
O árbitro sergipano Sidrack Marinho dos Santos não escapou das críticas do técnico do Grêmio após a partida. Descontente com a expulsão de Marco Antônio ainda no 1º tempo. Luiz Felipe Scolari lançou suspeitas sobre o árbitro, “que não havia dado qualquer cartão amarelo a jogadores da Portuguesa já na partida contra o Atlético Mineiro”. Para Felipe, faltou, novamente, maior força política a seu clube. “Não temos força para agir contra a arbitragem.
Também na opinião do preparador Paulo Paixão, houve influência direta da arbitragem, “que truncou muito a partida”. Só mostrou alegria com a força do tome, “que teve superação mesmo com 10 jogadores”. O goleiro Danrlei não conseguiu esconder seu abatimento com o fato de o time ter criado várias chances, sem conseguir marcar sequer um gol. “Agora, complicou”, entende. “Vai ser difícil, mas temos qualificação para obter um resultado diferente no estádio Olímpico”, avalia o lateral direito paraguaio Arce, que se recupera de lesão no tornozelo, em Porto Alegre.
A vitória foi festejada sem excessos pelos jogadores da Portuguesa. “Ainda estamos muito longe”, entende Rodrigo, autor do 2º gol. Para o craque da Portuguesa, será preciso administrar a partida do próximo domingo. “Já fizemos isso contra o Cruzeiro e Atlético.”
(Correio do Povo – 12 de dezembro de 1996)


Candinho reclama da violência

da Reportagem Local
O técnico Candinho reclamou de jogadas faltosas do Grêmio.

Ele está preocupado com a escolha de Márcio Rezende de Freitas para apitar o segundo jogo. ”O Grêmio joga duro e às vezes chega a ser violento. Espero que o juiz saiba punir quando tiver a pressão da torcida.”
Candinho gostou da atuação da Portuguesa. ”Jogamos com velocidade e provamos que estamos preparados para decisões.”
”Depois de nos classificarmos duas vezes no Mineirão, não é agora que vamos tremer”, afirmou. (Folha de São Paulo)

Paulistas tentaram adiar o jogo
da Reportagem Local
O presidente Manuel Pacheco, da Portuguesa, não teve sucesso em adiar o jogo de ontem.
O dirigente, preocupado com as dificuldade
s causadas pela forte chuva de ontem, pressionou a CBF para que transferisse a partida para hoje.
”Infelizmente o Farah e o Gilberto Coelho lavaram as mãos”, afirmou, referindo-se ao presidente da Federação Paulista e ao diretor técnico da CBF.
A diretoria do Grêmio aprovou a decisão do árbitro.
Acidente A Portuguesa viveu momentos de tensão para chegar ao estádio.
Na saída do hotel, o ônibus que levava a delegaç
ão chocou-se, de leve, com os carros do preparador físico José Roberto Portella e do diretor Toninho Duque.
A Portuguesa chegou ao Morumbi às 20h33. ”O atraso prejudico
u o aquecimento e enervou todo o nosso time”, disse Portella.
A torcida da Portuguesa também enfrentou problemas antes do início do jogo. Vários torcedores com ingresso na mão não puderam assistir à primeira partida da final.
No Canindé, por exemplo, 50 ônibus que partiriam ao Morumbi ficaram ”ilhados”, não podendo deixar o estádio da Portuguesa.
Os ônibus, cedidos pelo patrocinador do clube, fariam o tran
sporte gratuitamente.
Familiares e amigos do volante Capitão, que foram ao Morumbi nos ônibus da Portuguesa, chegaram no fim do primeiro tempo. (Folha de São Paulo)

“OS DESEMPENHOS
Portuguesa 08 –CHUTES A GOL– 12 Grêmio
Portuguesa 01 – CONCLUSÕES DE CABEÇA– 01 Grêmio
Portuguesa 06 –ESCANTERIOS CEDIDOS– 03 Grêmio
Portuguesa 21 –FALTAS COMETIDAS – 18 Grêmio
Portuguesa 05 –IMPEDIMENTOS – 05 Grêmio”
(Zero Hora – 12 de dezembro de 1996)

“O ÁRBITRO
O sergipano Sidrack Marinho dos Santos usou cartões amarelos para colocar ordem no jogo. Errou ao expulsar Marco Antônio, pois quem cometeu a falta em Alex Alves foi Rivarola. Inverteu algumas faltas e falhou em marcações laterais no segundo tempo.“(Zero Hora – 12 de dezembro de 1996)

FRASES 1

”O Grêmio bateu demais.”
Rodrigo, meia-atacante

”No começo do segundo tempo vacilamos.”
Clêmer, goleiro

”O Grêmio, apesar da derrota, mostrou que é forte. No Sul, vamos ter que nos preparar, porque vai ser duro.”
Gallo, volante

”Não tomei cartão amarelo e vou jogar a final.”
idem

”Este time já entrou para a história.”
Capitão, volante (Folha de Sã0 Paulo)

”O Sidrack está aprontando. Pergunte a ele a razão da expulsão do Marco Antônio.”
Luiz Felipe, técnico

”O Gallo está de parabéns. Ele bateu bem a falta, sem chances de defesa. É difícil, mas podemos vencer em casa”
Danrlei, goleiro

”Dá para reverter o resultado. É só o juiz não apitar da mesma maneira que o Sidrack apitou”
Paulo Nunes, atacante (Folha de São Paulo)



PORTUGUESA: Clemer; Valmir, Émerson, Marcelo e Roque; Capitão, Gallo, Zé Roberto e Caio; Rodrigo (Tico 44 do 2º) e Alex Alves (Flávio 45 do 2º)
Técnico: Candinho

GRÊMIO: Danrlei, Marco Antônio, Rivarola, Adílson e Roger; Dinho (Mauro Galvão 44 do 2º), Goiano, Émerson (João Antônio 37 do 2º) e Carlos Miguel (Aílton 24 do 2º); Paulo Nunes e Zé Alcino.
Técnico: Luis Felipe Scolari

Campeonato Brasileiro 1996 – Final – jogo de ida
Data: 11 de dezembro de 1996, 21h40min
Ingressos: R$ 10,00 (arquibancada) R$ 25,00 (numerada superior)
Local: Morumbi, São Paulo
Público: 29.359 pagantes
Renda: R$ 363.550,00
Juiz: Sidrak Marinho dos Santos (SE)
Auxiliares: Antônio Hora Filho e Luis Eduardo Souza
Cartão Amarelo: Roger, Adílson, Émerson e Valmir
Cartão Vermelho: Marco Antônio
Gols: Gallo aos 38 do 1º e Rodrigo Fabri aos 15 do 2º tempo

Brasileirão 1996 – Grêmio 2 x 2 Goiás

December 11, 2011

Depois da grande vantagem conquistada no Serra Dourada, o Grêmio recebia o Goiás no Olímpico podendo perder por até dois gols de diferença que ainda assim se garantiria na final.

Isso e o calor absurdo que fazia naquela tarde fez com o que a atuação do time tricolor não fosse tão brilhante como de costume. Ainda, claramente havia o temor de que o Goiás repetisse a façanha feita na última partida da primeira fase.

O Grêmio saiu atrás e teve que buscar o empate em duas vezes. Dois gols do Capitão Adílson. Com o 2×2 o time garantiu não só a vaga na final, como também, trouxe a segunda partida da decisão para o Olímpico, com a vantagem de jogar por resultados iguais (O que foi motivo de festa na arquibancada nos minutos finais do jogo).

‘Exibição’ frustra torcedores do Grêmio

Gaúchos empatam em 2 a 2 com o Goiás; resultado foi o suficiente para garantir o time na final do Brasileiro

O Grêmio decepcionou sua torcida e apenas empatou, em 2 a 2, com o Goiás. O resultado serviu para ratificar a passagem do Grêmio à final do Brasileiro.
O que era para ser ”exibição” tornou-se uma verdadeira tortura para as pessoas que lotaram o estádio Olímpico, em Porto Alegre (RS). O time gaúcho sempre esteve atrás no placar.
”Jogamos mal. Temos que nos concentrar muito para a partida contra a Portuguesa. A vantagem que temos é enganosa”, disse o goleiro Danrlei.
O técnico do Goiás, Paulo Gonçalves, começou a partida com uma surpresa tática. Necessitando da vitória, escalou o meia Túlio no lugar do atacante Dill.
Com isso, Gonçalves posicionou o meia Lúcio, um dos destaques do Brasileiro, no ataque, ao lado de Alex. A modificação fez o ataque do Goiás mais ágil, levando preocupação aos defensores gaúchos.
Para tentar conter a principal jogada do Goiás na partida de quinta-feira, o apoio do lateral-direito Índio, o técnico do Grêmio, Luiz Felipe, posicionou o atacante Zé Alcino no setor do jogador goiano.
Com isso, o Goiás centralizou suas jogadas ofensivas pelo meio, sendo facilmente interceptadas pela defesa gaúcha. Mas, sem Carlos Miguel e Dinho _suspensos_ o Grêmio não conseguiu armar contra-ataques.
A marcação do Grêmio se mostrou eficiente até aos 22min. O meia Evandro lançou Lúcio no meia da zaga do Grêmio, que dividiu a bola com o goleiro Danrlei e marcou o primeiro gol da partida.
Depois do gol, Luiz Felipe deslocou Zé Alcino para o lado direito do ataque do Grêmio, servindo como um suporte para os avanços do lateral Arce.
Aos 45min, Arce bateu um escanteio e Adílson escorou de cabeça, empatando a partida: 1 a 1.
Segundo tempo
O Grêmio começou a segunda etapa tentanto decidir a partida logo nos primeiros minutos.
Em menos de dez minutos, em duas faltas batidas, respectivamente, por Goiano e Arce, o time gaúcho quase chegou ao gol.
Mas o Grêmio continuou tendo problemas na criação das jogadas ofensivas. O time centralizava suas jogadas pelo meio campo.
O Goiás não conseguiu manter o mesmo ímpeto ofensivo do primeiro tempo. Mas aos 36min, numa falha da defesa do Grêmio, Evandro marcou, de cabeça, o segundo gol de seu time.
Mas o sofrimento da torcida do Grêmio não durou muito. Aos 40min, Paulo Nunes sofreu um pênalti. Adílson cobrou e fez seu segundo gol na partida: 2 a 2.
A diretoria do Grêmio vai pedir que os paraguaios Arce e Rivarola não sejam convocados para a partida que o Paraguai faz no dia 15, contra a Bolívia, pelas eliminatórias da Copa da França. (Folha de São Paulo, ALEXANDRE GIMENEZ e LÉO GERCHMANN)

Grêmio leva susto, mas está na final.
O empate em 2 a 2 com o Goiás foi obtido à custa de muito sacrfício. A decisão será contra a Portuguesa.

Na hora da decisão, valeu a liderança e a personalidade do Capitão América. Com um gol de cabeça e um de pênalti, Adílson garantiu o empate em 2 a 2 com o Goiás, ontem à tarde no Estádio Olímpico, e, o mais importante, a presença do Grêmio nas finais do Campeonato Brasileiro, contra a Portuguesa de Desportos. Mas ainda: o resultado levou a segunda partida da decisão para Porto Aelgre.
Mas não foi fácil. A resistência do Goiás foi firme e inesperada. Tocando bem a bola, envolvendo o meio-campo do Grêmio, o Goiás mostrou qualidade e esteve duas vezes com vantagem no placar. Os meis Lúcio e Evandro e os laterais Índio e Augusto não deram sossego à defesa do Grêmio e demonstraram por que o Goiás chegou às semifinais.” (Zero Hora – 9 de dezembro de 1996)

Zero Hora – O Jogo: Com a vantagem de perder por até dois gols de diferenças, o Grêmio entrou em campo descomprometido com a vitória. O desleixo propiciou ao Goiás o contrle do jogo e a vantagem no placar em duas oportunidades. Adílson foi o grande destaque, marcndo os dois gols do Grêmio.

Placar -O JOGO: O Grêmio podia perder por até dois gols de diferença. Limitou-se a administrar um resultado que o levasse às finais. Mesmo jogando mal, conseguiu o que queria.

“A atuação na partida de ontem mereceu algumas críticas de Luiz Felipe. Em sua avaliação, a equipe não esteve bem e só conseguiu o resultado na base da força física. A apatia do Grêmio diante da precisa marcação dos goianos também não agradou Koff. Segundo ele, a vantagem provocou um certo relaxamento na equipe. “os jogadores atuaram de sangue doce”, opinou o presidente”. (Zero Hora, 9 de dezembro de 1996)


“Luiz Felipe explicou a decisão de tirar Roger na metade do segundo tempo pelo cansaço que o lateral sentiu. “Ele não tinha mais condições nem de dar um pique”, afirmou.

[…]

“Conforme o treinador, a equipe está desgastada pela maratona de jogos. A partida de ontem à tarde foi a de número 84 do Grêmio nesta temporada. “Quero que alguém me aponte um time que jogou mais vezes neste ano”, desafiou” (Zero Hora – 9 de dezembro de 1996)


“O desgaste físico dos jogadores do Grêmio é a principal preocupação do técnico Luiz Felipe Scolari para as duas partidas finais do Campeonato Brasileiro. “Disputamos nossa 87ª partida e vários jogadores estão atuando na base do sacrifício”, afirma o técnico, citando Adílson, Émerson e Paulo Nunes como os mais prejudicados. Ele usa o desgaste para explicar o desempenho apenas regular na partida de ontem, contra o Goiás. “Fomos razoáveis”, avalia. “Fazíamos ligações diretas da defesa com o ataque e perdemos muitos rebotes”.”
(Correio do Povo, 9 de dezembro de 1996)

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola, Adílson e Roger (André Silva 13 do 2º); Goiano, João Antônio, Émerson (Mauro Galvão 33/2º) e Aílton; Paulo Nunes e Zé Alcino (Zé Afonso 24/2º)
Técnico: Luis Felipe Scolari

GOIÁS: Kléber; Índio, Sílvio Criciúma, Richard e Augusto; Romeu, Reidner, Túlio (Dill 37 do 2º) e Lúcio; Evandro e Alex (Maurílio, 20 do 2º)
Técnico: Paulo Gonçalves

Campeonato Brasileiro 1996 – Semifinal – jogo de volta
Data: 8 de dezembro de 1996, domingo, 17h00min
Local: Olímpico, Porto Alegre
Público: 51.604 (40.917 pagantes)
Renda: R$ 403.761,00
Juiz: Cláudio Vinícius Cerdeira (RJ)
Auxiliares: Aristeu Tavares e Nilton Moutinho
Cartão Amarelo: André Silva, Arce, Rivarola, Adílson, Émerson, Zé Alcino, Zé Afonso, Augusto, Sílvio Críciuma, Índio, Lúcio e Dill
Gols: Lúcio aos 22 e Adílson aos 45 do 1º; Evandro aos 35 e Adílson (pênalti) aos 40 d0 2º tempo

Brasileirão 1996 – Goiás 1 x 3 Grêmio

December 6, 2011

No dia 5 de dezembro de 1996, o Grêmio iniciava a briga por um vaga nas finais do Campeonato Brasileiro de 1996. O adversário era o Goiás, que já havia surpreendido o tricolor na última rodada da fase de classificação.
Com uma campanha superior a do Goiás na soma de todas as fases, o Grêmio tinha a vantagem de decidir em no Olímpico e de jogar por resultados iguais. Contudo a classificação foi praticamente definida já no Serra Dourada.

O goiano Paulo Nunes convocou a torcida do Vila Nova, seu time do coração, para ajudar o Grêmio na arquibancada. No campo, o tricolor freou o entusiasmo esmeraldino e construiu o placar numa atuação madura, com direito a golaço de Arce.

Abaixo algumas matérias da Folha de São Paulo, Correio do Povo e Zero Hora.


Correio do Povo: “Émerson desequilibrado no lance contra o lateral Índio. Zé Alcino apenas observa a jogada (TELEFOTOS/SÉRGIO MOREIRA)

Grêmio derrota Goiás, amplia a vantagem e é virtual finalista

O Grêmio venceu ontem, em Goiânia, o Goiás, por 3 e 1, e aumentou sua vantagem na série semifinal do Campeonato Brasileiro disputada entre as duas equipes.
Agora, o Grêmio pode até perder por dois gols de diferença no próximo domingo, em Porto Alegre, que garantirá sua classificação para a final do campeonato.
A postura tática adotada pelo técnico Luiz Felipe, do Grêmio, deu resultado.
O treinador colocou seu time na defesa, deixando apenas o atacante Paulo Nunes na frente para tentar contra-ataques. Após o primeiro gol do Grêmio, o time goiano deu mostras de um bom futebol, concentrando as jogadas pelo lado direito do seu ataque, com o apoio constante do lateral Índio.
Mas os atacantes falharam muito nas finalizações. O segundo gol do Grêmio, que surgiu de uma falha de marcação da zaga do Goiás, praticamente acabou com o ímpeto dos goianos.
O Grêmio reforçou seu perfil defensivo no segundo tempo e contou com uma mais uma falha da defesa goiana para marcar o terceiro gol. O Goiás só conseguiu marcar seu gol nos descontos, quando não tinha mais chances de reverter o placar. (Folha de São paulo)

ZERO HORAContra o cerco: o meia Emerson, autor do segundo gol, enfrenta dois adversários ao tentar organizar um dos ataques do Grêmio” (Foto: Cacalos Garrastazu)

“Goiano de nascimento, era natural que Paulo Nunes fosse o mais visado pela torcida do Goiás. As brincadeiras protagonizadas por ele durante a semana ampliaram a fúria do adversário. Prometer um gol para a torcida do Vila Nova, o grande inimigo do Goiás, convenhamos, foi a superema provocação. O mais odiado dos últimos dias, o mais assediado durante o dia de ontem, o mais xingado a cada toque na bola. Paulo Nunes acabou cometendo também o supremo desaforo. Fez o “gol Vila Nova”, o terceiro do Grêmio, comemorou com a coreografia de uma música de Leandro e Leonardo, e mandou embora boa parte dos torcedores. Aquilo fora demais para eles.

“Todo o povo de Goiás está em meu coração”, afirmou ao final da partida, enquanto tentava livras-se da briga por sua camiseta que envolveu até integrantes do policiamento” (Eliziário Goulart Rocha, Zero Hora , 6 de dezembro de 1996)

ZERO HORA: “Disputa: Carlos Miguel fica prensado entre o goleiro Cléber (D) e o lateral Índio (E)” (Foto: Cacalos Garrastazu)

A voz embargada denunciava tudo aquilo que o técnico do Goiás, Paulo Gonçalves, procurava esconder depois da derrota de 3 a 1. Ainda perplexo com a a marcação implacável do Grêmio, Gonçalves estava desolado, sem esperanças em uma vitória por diferença de três gols no Estádio Olímpico. “Mas ainda faltam 90 minutos”, lembrou, desanimado.

Para o técnico goiano, predmoniou a experiência e o aspecto coletivo do Grêmio na partida. Ele enalteceu a a marcação exercida pelos gaúchos, principalmente no primeiro tempo, que anulou as investidas dos rápidos Lúcio e Evandro. “Nesse aspecto, o Grêmio é a melhor equipe do Brasil”, elogiou” (Zero Hora – 6 de dezembro de 1996)


“Na primeira cobrança de Arece a casa caiu. Aos 6 minutos, Émerson recuperou o primeiro de um balaio de passes errados do Goiás e sofreu falta de Índio. O goleiro Cléber colocou a barreira em um canto e foi para o outro. Foi um erro fatal. O paraguaio fez a bola colar na trave direita de Cléber. Era o 1 a 0.” (Zero Hora , 6 de dezembro de 1996)

 ZERO HORA: “Determinação: o meia Émerson (C) tenta o avanço mesmo diante da falta iminente de Índio (D), enquanto Sílvio Criciúma (E) observa” (Foto: Cacalos Garrastazu)

Placar – O JOGO: O Goiás partiu para cima desde o início, acertando duas bolas na trave. Porém, esbarrou num adversário experiente e mortal nos contra-ataques. Muito bem armado pelo técnico Luiz Felipe e com Paulo Nunes em noite inspirada. (Placar)

Zero Hora – O jogo: O Grêmio entrou na semifinal com a vantagem de ser uma equipe mais madura que o Goiás. E isso foi fundamental. Eufóricos, os goianso foram surpreendidos pelo Grêmio e desmoronaram já no primeiro gol, em uma bela cobrança de Arce. A vitória de 3 a 1 no Serra Dourada garantiu a vaga na final.

GOIÁS: Kléber; Índio, Sílvio Criciúma, Richard e Augusto; Romeu, Reidner, Lúcio e Evandro; Alex (Maurílio 25 do 2º) e Dill (Jacques 25 do 2 º)
Técnico: Paulo Gonçalves

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola, Adílson e Roger; Dinho, Goiano, Carlos Miguel (João Antônio 33 do 2º) e Émerson (Aílton intervalo); Paulo Nunes (Rodrigo Gral 30 do 2º) e Zé Alcino.
Técnico: Luis Felipe Scolari

Campeonato Brasileiro 1996 – Semifinal – jogo de ida
Data: 5 de dezembro de 1996, quinta-feira, 21h40min
Local: Serra Dourada em Goiânia
Público: 38.126
Renda: R$ 569.540,00
Juiz: Carlos Elias Pimentel (RJ)
Cartão Amarelo: Romeu, Lúcio, Dinho, Rodrigo Gral, Paulo Nunes, Aílton e Goiano
Gols: Arce aos 6 e Émerson aos 40 do 1º; Paulo Nunes 21 e Evandro 47 do 2º tempo

Brasileirão 1996 – Palmeiras 1 x 0 Grêmio

December 3, 2011

Depois de vencer por 3×1 a primeira partida das quartas, o Grêmio foi enfrentar o Palmeiras em São Paulo com uma vantagem “relativamente confortavel” no jogo de volta.

O embate se deu num Morumbi reduzido na sua capacidade em virtude de obras de reforma. O Grêmio se mostrou mais sereno e mais consciente em campo. O tempo transcorreu de maneira mais tranquila do que possa sugerir o placar final. O tricolor mandou na partida no primeiro tempo, quando deixou de marcar em mais de uma oportunidade. No segundo tempo só foi ser pressionado nos minutos finais, fruto do despero dos Palmeirenses.

Dinho foi um dos destaques do time de Felião, tendo respondido somente “na bola” as inúmeras provocações de Djalminha.

Esse foi o último dos 12 confrontos entre Grêmio e Palmeiras que marcaram os anos de 1995 e 1996.

“Mais tarde, Luxemburgo, quase choramingando, lamentou a sorte do seu time. “Não é mole sair da competição por causa de um único gol, foi um só gol, pô!”, desabafou o técnico, que a duas horas antes era considerado favorito no Brasileirão.

[…]

Luxemburgo não acreditava que o seu milionário time terá de sair de férias mais cedo. “Isso dói muito”, desabafou o técnico. Afinal, o sonho de Tóquio transferiu-se para o Paulistão” (Zero hora – 2 de dezembro de 1996)

“O ÁRBITRO
O juiz carioca Cláudio Cerdeira teve uma atuação brilhante. Deixou o jogo correr, concedeu os descontos necessários e puniu as jogadas ríspidas dos dois times. Expulsou o centrovante Saulo corretamente. Os auxiliares também foram bem. Erraram apenas em um lance contra o Grêmio, no final do jogo.” (Zero Hora – 2 de dezembro de 1996)

Desequilíbrio emocional abala Palmeiras

Time mistura apatia e nervosismo, se equivoca no esquema tático e, mesmo vencendo, está desclassificado

A apatia de seus principais jogadores, Rincón e Djalminha, e o nervosismo dos demais acabaram com o sonho do Palmeiras de conseguir uma vaga na Taça Libertadores de 97.
O time, que precisava vencer o Grêmio por dois gols de diferença, ontem, no Morumbi, acabou fazendo apenas 1 a 0 e foi eliminado do Campeonato Brasileiro.
A pressão no início do jogo iludiu a torcida palmeirense. O time fez um péssimo primeiro tempo.
Aconteceu tudo o que o técnico Wanderley Luxemburgo não queria. A equipe não controlou os nervos, errou passes e insistiu nas bolas altas, e os principais jogadores estiveram muito apáticos.
Contra um adversário bem organizado, que atuava aberto, como prometera seu treinador, o Palmeiras viveu de chutes de longa distância, facilmente defendidos por Danrlei.
O Grêmio, explorando as jogadas pela direita, com Arce, foi muito mais perigoso. Aos 25min, Zé Alcino chutou no travessão.
Irritada, a torcida palmeirense passou a pedir ”garra”.
Aos 48min, Dinho e Djalminha discutiram, e o meia palmeirense simulou ter sofrido uma agressão.
Três minutos depois, Zé Alcino, novamente, acertou a trave.
O time paulista voltou para o segundo tempo com Fernando Diniz em lugar de Leonardo e mais determinado. Aos 9min, o árbitro anulou um gol de Fernando Diniz, alegando impedimento.
Logo, porém, o time voltou a repetir os erros do primeiro tempo, mostrando muito nervosismo.
Aos 33min, num lance esporádico, Elivélton acertou um forte chute, fazendo o gol solitário e tornando o jogo dramático.
No final, até o goleiro Velloso foi tentar o gol salvador na área do Grêmio. Em vão.
Vários torcedores ficaram de fora do Morumbi, sem poder entrar, mas nem todos os 31 mil ingressos foram vendidos.
A explicação: o São Paulo, dono do estádio, somente liberou as 5.000 cadeiras cativas para seus proprietários, que não compareceram.

Grêmio elogia determinação

O técnico gremista, Luiz Felipe, elogiou a determinação de seu time. ”Ganhamos a disputa em Porto Alegre. Podíamos ganhar aqui, mas o jogo foi equilibrado.”
Luiz Felipe, que pode deixar o Grêmio ao final deste Brasileiro, surpreendeu o Palmeiras ao colocar em campo uma equipe ofensiva, que criou mais chances de gol.
”Se recuássemos, seríamos pressionados o tempo todo e ficaria difícil”, afirmou.
Sobre a partida de ontem, os jogadores do Grêmio evitaram polêmicas com os palmeirenses. Elogiaram polidamente o adversário.
”O Palmeiras foi bem, mas nós merecemos a classificação. Fizemos o resultado em Porto Alegre e tivemos tranquilidade para decidir aqui”, disse o zagueiro Adílson.
O volante Carlos Miguel destacou a vontade de sua equipe, determinante nas disputas do tipo mata-mata (duas partidas decisivas entre as equipes).
”Sabíamos que seria uma guerra e que venceria quem tivesse mais vontade”, afirmou.
O Grêmio pretende fazer nas semifinais o que o Palmeiras não conseguiu nesta fase.
A equipe faz a primeira partida fora, contra o Goiás, e vai tentar um pelo menos um empate.
Os gremistas consideraram fatal os três gols pelo Palmeiras no jogo em Porto Alegre, e não querem que isso aconteça em Goiânia.
”Jogaremos com cautela em Goiás, para decidir com calma, em Porto Alegre, estádio cheio”, disse o zagueiro Adílson.

“A locomotiva São paulo não tem estádio para sediar um final de Campeonato Brasileiro. O gigante adormecido recebeu apenas 23.533 pessoas para o jogo que muitos consideram ter sido a decisão antecipada do Brasileirão. Um bom número de palmeirenses ficou de fora. O São Paulo, dono do estádio, liberou poucas das 5 mil cadeiras cativas. Alega sofrer muitos processos dos são-paulinos donos das cadeiras. que reclamam dos estragos feitos pelas torcidas adversárias. Tem toda a razão. Além de quebraram algumas cadeiras, truculentos torcedores palmeirenses agrediram fortuitamente dirigentes do Grêmio que arriscaram uma saída da cabine onde estavam” (Marcelo Ferla – Zero Hora – 2 de dezembro de 1996)

Pergunta – O que você achou da eliminação do Palmeiras?
Wanderley Luxemburgo – O Grêmio mereceu a classificação. Não foi hoje (ontem) que perdemos a vaga, mas sim na partida do Sul.Perdemos porque não soubemos controlar a parte emocional no primeiro jogo, o que eu mais temia.
Pergunta – Você reclamou muito da arbitragem. Ela prejudicou o Palmeiras?
Luxemburgo – Não foi isso. Mas o juiz aceitou passivamente o jogo do Grêmio, de muitas faltas e valorização do tempo (Folha de São Paulo, ARNALDO RIBEIRO; HUMBERTO SACCOMANDI)

OS DESEMPENHOS
Palmeiras 10 -Chutes a Gol- 11 Grêmio
Palmeiras 2 Conclusões de Cabeça- 2 Grêmio
Palmeiras 3 -Escanterios cedidos- 15 Grêmio
Palmeiras 26 -Faltas cometidas – 24 Grêmio
Palmeiras 3 -Impedimentos – 3 Grêmio
(Zero Hora – 2 de dezembro de 1996)


Zero Hora – O Jogo
: “Jogando pelo empate, o Grêmio armou-se na defesa a passou a explorar os contra-ataques com Afosno e Zé Alcino, sendo mais incisivo no ataque. O gol de Elivélton, aos 37 do segundo tempo, tornou os últimos minutos aterrorizantes.”

Placar – O JOGO:
“Desmotivado depois da derrota em Porto Alegre, o Palmeiras fez um mau primeiro tempo. No segundo, esboçou uma recuperação, mas esbarrou na competência gremista e não teve tempo para alcançar a vantagem de dois gols necessária para se classificar“.

PALMEIRAS: Velloso; Cafu, Cláudio, Wágner e Júnior; Galeano, Flávio Conceição (Elivélton 18 do 2º), Djalminha e Rincon; Leonardo ( Fernando Diniz intervalo) e Luizão
Técnico: Wanderley Luxemburgo

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola, Adílson e André Silva; Dinho, João Antônio, Émerson (Mauro Galvão 39 do 2º) e Carlos Miguel; Zé Alcino (Aílton 24 do 2º) e Zé Afonso (Saulo 27 do 2º)
Técnico: Luis Felipe Scolari

Brasileirão 1996 – Quartas de Final – Jogo de volta
Data: 1º de dezembro de 1996
Local: Morumbi em São Paulo
Juiz: Cláudio Vínicius Cerdeira (RJ)
Público: 26.503
Renda: R$ 404.762,00
Cartão Amarelo: Zé Alcino, Mauro Galvão, Dinho, André Silva, Carlos Miguel, Leonardo e Luizão
Cartão Vermelho: Saulo 42 do 2º
Gol: Elivélton aos 33 do 2º tempo

Mais sobre o Campeonato Brasileiro de 1996 em:

Brasileirão 1996 – Grêmio 3 x 1 Palmeiras

November 28, 2011

No dia 28 de novembro de 1996, o Grêmio iniciava a sua participação na fase final do Campeonato Brasileiro. 8 dos 24 participantes se classificaram para as quartas de final.

Após uma série de tropeços nos últimos jogos da 1ª fase, o tricolor ficou na 6ª posição, enfrentando o 3º colocado na classificação geral: Palmeiras. Devido a melhor campanha, os paulistas tinham a vantagem de decidir em casa e de jogar por dois resultados iguais.

O jogo de ida, em Porto Alegre, foi memorável. Uma das melhores partidas que eu assisti no estádio Olímpico. Uma virada espetacular.

Lembro bem da magistral atuação de Emerson, que empurrou o Grêmio para a vitória. Felipão também foi brilhante, quando passou Carlos Miguel para a lateral-esquerda e colocou Zé Afonso no ataque tricolor.

Abaixo, algumas matérias e imagens da Folha de São Paulo, Correio do Povo e Zero Hora sobre aquela noite:

“Mais de 1 hora antes do início do jogo, todos os 55 mil ingressos já tinha sido vendidos. Às 21h o estádio já estava lotado. Apesar disso, a direção do Grêmio não liberou o o televsionamento da partida para Porto Alegre.” (Correio do Povo – 29 de novembro de 1996)

“A diretoria do Grêmio festejou bastante a vitória por 3 a 1 sobre o Palmeiras, mas tenta conter o cilma de otimismo entre os jogadores. No confronto pela Libertadores do ano passado, o time venceu por 5 a 0 em Porto Alegre e, em São Paulo, perdeu por 5 a 1, quase ficando de fora da competição. “Temos que comemorar, mas é preciso calma”, alertou o zagueiro Adílson. “Nos dará tranqüilidade. Tivemos muita raça e determinação, mas ainda não vencemos, disse Carlos Miguel“. (Correio do Povo – 29 de novembro de 1996)
PLACAR – O JOGO: O Grêmio precisava da vitória em casa para garantir a classificação na partida de volta no Morumbi. Atacou durante todo o tempo e mereceu o resultado.

Cabeçadas definem a vitória do Grêmio
Equipe gaúcha bate o Palmeiras por 3 a 1 e agora pode até perder por um gol diferença para se classificar

O Grêmio bateu o Palmeiras por 3 a 1 e agora pode perder por até um gol de diferença, domingo, para obter a classificação para as semifinais do Campeonato Brasileiro. Todos os gols da partida foram de cabeça.
Para se classificar, o Palmeiras precisa vencer o Grêmio por dois gols de diferença.
O Palmeiras começou a partida com uma postura defensiva, contrariando o discurso do técnico Wanderley Luxemburgo, que disse durante a semana que sua equipe não iria mudar suas características ofensivas.
A equipe errou muitos passes, facilitando o trabalho dos gaúchos.
O Grêmio teve por duas vezes a chance de abrir o placar devido a erros do goleiro Velloso. Na primeira, o goleiro saiu do gol precipitadamente. Adílson cruzou, e Zé Alcino cabeceou, mas Cléber tirou a bola praticamente na linha do gol.
Na segunda, Velloso demorou muito para repor a bola e sofreu um tiro livre indireto, dentro da área, desperdiçado pelo Grêmio.
Com pouco volume de jogo, o gol da equipe paulista saiu da única maneira possível: de bola parada. Djalminha cobrou uma falta e Luizão completou de cabeça, contando com a ajuda da zaga do Grêmio: 1 a 0, aos 34min.
Precisando empatar a partida, o Grêmio reiniciou o jogo pressionando o Palmeiras.
Por sua vez, o time paulista assumiu uma postura defensiva. O meia-atacante Djalminha recuou e deixou Luizão sozinho no ataque do Palmeiras.
A pressão funcionou. O Grêmio não demorou a chegar ao empate, com uma cabeçada de Émerson, aos 8min.
Logo após o empate, Leandro foi expulso, fazendo o técnico Luxemburgo optar, definitivamente, pela retranca. Ele tirou Elivélton, um meia, e colocou Wágner, um lateral-esquerdo.
Aos 21min, Zé Afonso marcou o segundo gol do Grêmio, de cabeça. Goiano fechou o placar, aos 34min, também de cabeça. (Folha de São Paulo)

Luxemburgo culpa cartões e cobra ‘vergonha na cara’
Técnico diz que faltou determinação e controle ao Palmeiras no Sul

O técnico Wanderley Luxemburgo, do Palmeiras, está inconformado com a derrota para o Grêmio, 3 a 1, anteontem, em Porto Alegre.
Segundo ele, a expulsão do volante Leandro, no início do segundo tempo, e a falta de determinação dos jogadores foram os fatores fundamentais para o resultado, que deixou o time em situação difícil no Brasileiro.
Para se classificar, a equipe palmeirense precisa vencer o adversário por, pelo menos, dois gols de diferença, amanhã, no Morumbi.
”Uma expulsão num jogo difícil como esse, contra o Grêmio, faz a diferença. O time vinha jogando bem até então e, depois disso, se descontrolou no aspecto emocional”, disse Luxemburgo, sobre a partida de Porto Alegre.
Segundo ele, o Grêmio mostrou mais vontade de vencer que o Palmeiras e esse quadro precisa ser revertido caso sua equipe deseje a vaga para as semifinais.
”Mais uma vez, os jogadores do Grêmio tiveram uma postura de verdadeiros homens que lutam por um resultado até conseguir”, disse o técnico.
”Quero o mesmo do meus atletas no domingo. Eles precisam me dar uma resposta, assumir a responsabilidade, ter vergonha e dignidade. O Palmeiras pode até sair da competição prematuramente, mas terá que lutar”, acrescentou.
Luxemburgo disse estar envergonhado com a derrota. ”Tenho vergonha mesmo de perder por 3 a 1 de um time que é igual ou inferior ao nosso tecnicamente.”
O discurso inflamado faz parte da estratégia de Luxemburgo, que, agora, vai procurar motivar os jogadores no aspecto emocional. (Folha de São Paulo, ARNALDO RIBEIRO)

O zagueiro Cláudio passou mal no jogo de ontem, teve que ser substituído e chegou a desmaiar nos vestiários. Com dores em todo o corpo, foi conduzido a um hospital por uma ambulância.”” Cláudio teve, anteontem, uma tetania muscular, síndrome que se caracteriza por uma sequência de cãibras em vários músculos do corpo. O jogador mal conseguia se mexer e teve que ser encaminhado ao hospital mais próximo do estádio. ”Senti a falta de ritmo e me desidratei. Agora, estou bem melhor. Só sinto dores na batata da perna. Posso jogar”, disse Cláudio“(Folha de São Paulo)

Guerra de nervos dá o tom e quatro são suspensos
A guerra de nervos entre Grêmio e Palmeiras esteve sempre presente e culminou com as suspensões de Goiano (terceiro amarelo), Paulo Nunes, Leandro e Cléber.
Os quatro não poderão participar do jogo de volta, domingo, em São Paulo. O Palmeiras não terá também os zagueiros Sandro, suspenso pela CBF, e possivelmente Cláudio, que saiu machucado.
A aposta entre Paulo Nunes e Djalminha, para ver quem faria mais gols, e o mistério por parte dos técnicos nas escalações das equipes também incrementaram o clima da partida antes do início.
O Grêmio, por exemplo, aqueceu 25 jogadores antes de entrar em campo. O Palmeiras só definiu o time momentos antes do jogo.
Quando o Grêmio entrou em campo, foram estourados cem mil fogos de artifício. A torcida, que começou a chegar no fim da tarde, vibrou o tempo todo e já lotava o estádio uma hora antes. (Leo Gerchman – Folha de São Paulo, sexta-feira, 29 de novembro de 1996)

“A tão esperada nudez da atriz Taís Araújo, protagonista da novela ”Xica da Silva”, não conseguiu levantar a audiência da Rede Manchete de Televisão.
Quinta-feira à noite, foram exibidas cenas em que a atriz, que completou 18 anos no último dia 25, aparece nua pela primeira vez.
Às 21h50, a novela atingiu o pico de 10 pontos (800 mil telespectadores), contra 38 pontos (3 milhões) da Globo, que exibia o jogo entre Grêmio e Palmeiras.” (Folha de São Paulo)

Grêmio 3 x 1 Palmeiras

GRÊMIO: Danrlei, Arce, Rivarola, Adílson e André Silva (Zé Afonso 13 do 2º); Dinho, Goiano, Émerson (Aílton 34 d0 2º) e Carlos Miguel ; Zé Alcino (Rodrigo Gral 39 do 2º) e Paulo Nunes.
Técnico: Luís Felipe Scolari

PALMEIRAS: Velloso, Cafu, Cláudio (Roque Júnior 32 do 2º), Cléber e Júnior; Galeano, Leandro, Elivélton e Rincón; Luizão (Wágner 42 do 2º) e Djalminha (Rogério 42 do 2º)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Jogo de ida – Quartas de final – Campeonato Brasileiro 1996
Data:28 de Novembro de 1996, quinta-feira, 21h40min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre
Público: 44.430 (38.212 pagantes)
Renda: R$ 398.121,00
Juiz: Sidrak Marinho (SE)
Auxiliares: Antônio Hora Filho e Luis de Souza
Cartão Amarelo: Júnior e Goiano
Expulsão: Leandro aos 11, Cléber e Paulo Nunes aos 30 do 2ºt
Gols: Luizão aos 34 do 1º; Émerson aos 8, Zé Afonso aos 21 e Goiano aos 35 do 2ºtempo