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Copa do Brasil 1993 – Flamengo 4 x 3 Grêmio

August 14, 2018
1993 zh dener flamengo ida

Foto: Guaracy Andrade (Zero Hora)

Na partida de ida da semifinal da Copa do Brasil de 1993, Flamengo x Grêmio fizeram um jogo bastante movimentado (com direito à invasão de campo pelos dirigentes flamenguistas)  que terminou em 4×3 para os mandantes. Como curiosidade, vale destacar que Renato Portaluppi, à época, estava no outro lado (e conseguiu marcar um gol e ser expulso em menos de 20 minutos em campo).

Como é possível ler nas matérias abaixo, especialmente nos jornais cariocas, os rubro-negros reclamaram bastante da arbitragem. O estranho é que o vídeo ao final não sustenta todas as queixas. O gol de Gaúcho foi de fato equivocadamente anulado, mas o pênalti marcado para o tricolor no final da partida é claríssimo.

Mas esses vídeos de melhores momentos nem sempre registram tudo. Esse jogo foi o de estreia de Dener com a camisa do Grêmio. E essa estreia (ao menos na minha memória e conforme a coluna do Paulo Sant´ana transcrita abaixo) foi espetacular, e isso não transparece no vídeo. Lembro bem do impacto inicial de ver o Dener trajando azul, preto e branco na transmissão feita pela TVE (que mal pegava na minha casa). Repito o que disse no post que fiz sobre a passagem do Dener pelo tricolor que nesse jogo ele fez o drible de “dar chute no ar” com muito mais habilidade do que o Valdivia (que acabou se consagrando por esse tipo de lance).

1993 flamengo ida jb

“FLAMENGO VENCE O GRÊMIO
Partida teve tumultos, muitos gols, e até o retorno de Renato, que acabou expulso
Flamengo e Grêmio, ontem à noite, pela Copa do Brasil, no Maracanã, fizeram uma partida com muitos ingredientes: sete gols, três expulsões, seis cartões amarelos, pênalti inexistente, gol mal anulado, o retorno de Renato Gaúcho e a estréia de Dener no Grêmio. No final, aos 54m do segundo tempo, vitória do Flamengo (4 a 3), que agora joga pelo empate na segunda partida, quinta-feira, no Olímpico.
O Flamengo fez 1 a O com gol de Nélio, aos 12m, numa bela jogada de Djalminha. Aos 38m, o Grêmio conseguiu o empate com gol de Juninho, numa falha conjunta de Gilmar e Rogério. No segundo tempo, aos 5m, Djalminha, que teve boa atuação, desempatou numa bola que bateu em Geraldão e enganou o goleiro. Aos 12m. Gilson voltou a igualar em outra falha de Gilmar.
Renato entrou aos 13m e, aos 29m, fez seu gol. Porém, se envolveu num tumulto com Geraldão e ambos foram expulsos. Aos 41m, Djalminha novamente ampliou, mas, aos 46m, o juiz marcou pênalti (convertido por Eduardo) numa jogada em que a bola bateu na mão de Rogério. Além da péssima atuação do árbitro Paulo César Gomes, os dirigentes do Flamengo trataram de protagonizar um triste espetáculo: invadiram o campo o tumultuando o final da partida.” (Jornal do Brasil – 21 de maio de 1993)

COBRAF ADMITE ERRO AO ESCALAR JUIZ
O presidente da Comissão de Arbitragens, Ivens Mendes, admite ter errado ao escalar o capixaba Paulo César Gomes, que é policial federal, para atuar na partida Flamengo x Grêmio, pela Copa do Brasil. “Como ele já havia apitado outros jogos não só este ano como no ano passado, achei que era hora de testá-lo para saber até onde poderia chegar”, justificou-se. Na avaliação de Ivens Mendes, o árbitro falhou ao anular o gol de Gaúcho — “O juiz alega que estava encoberto e guiou-se pela marcação do auxiliar” —, mas não pensa da mesma forma em relação ao pênalti, que os dirigentes do flamengo dizem não ter existido. Sobre a invasão de campo, o juiz relatou na súmula que “aos 41 minutos do segundo tempo, ao marcar escanteio em favor do Flamengo, pôde observar que o fosso destinado ao time carioca estava cheio”. Ivens disse que na descrição, o juiz cita nominalmente o presidente rubro-negro, Luiz Augusto Veloso, como um dos invasores. Em Porto Alegre, o vice-presidente de futebol do Grêmio, Luís Carlos Silveira Martins, prometeu “uma guerra contra o Flamengo” na próxima partida da Copa do Brasil, quinta-feira. “Mas sem violências. Os gremistas vão vaiá-los intensamente desde o hotel até o campo. Aqui eles não vão intimidar ninguém, como tentaram fazer no Maracanã. Se fosse com a gente, seríamos suspensos”, aposta.”(Jornal do Brasil – 22 de maio de 1993)

BAIANO DÁ EXEMPLO PAIA DIRIGENTES
Zagueiro, que foi ameaçado de punição por agressão, contém os exaltados ‘cartolas’, que insinuam suborno ao juiz capixaba
Não faz um mês e os dirigentes do Flamengo queriam multar Júnior Baiano. O motivo: a agressão a Gilmar do São Paulo, em jogo pela Taça Libertadores. Quinta-feira, no final da partida com o Grêmio, o mesmo Júnior Baiano ajudou a deter os cartolas em pleno gramado do Maracanã. O motivo: eles queriam agredir o juiz capixaba Paulo César Gomes. “Fui ao ataque tentando um gol. Quando vi a confusão, procurei evitar que o Flamengo fosse: prejudicado. Tive medo de que o jogo fosse anulado. Estávamos vencendo”, lembrou. Na Gávea, só se falou na má arbitragem do desconhecido juiz e no pacificador Júnior Baiano. Logo após a partida, o presidente Luiz Augusto Veloso admitiu que os erros de Paulo César Gomes não justificaram a invasão. Ontem, levantou dúvidas quanto as intenções do árbitro: “Os antecedentes dele não são bons. Pediremos á COBRAF que apure a razão de uma atuação tão desastrosa e, se necessário, vamos pedir quebra de sigilo bancário”, adiantou, inocentando o Grémio. No clube, há quem acredite numa trama “anti rubro-negra” que poderia partir até de pessoas do próprio Flamengo. Comenta-se sobre suborno, mas ninguém aponta o responsável. Enquanto alguns dirigentes falavam sério sobre o assunto, outros faziam piadinhas irônicas sobre a invasão ao gramado, lembrando, às gargalhadas, a caçada ao juiz. Paulo César Gomes anulou, erradamente, um gol de Gaúcho no primeiro tempo e por pouco não foi agredido no final. Ao encerrar a partida, mergulhou no túnel para chegar ao vestiário antes de ser alcançado. “Na hora o sangue esquenta e o pessoal perde a cabeça”, tentou explicar o tranquilo Júnior Baiano.
Os invasores
• Getúlio Brasil, Vice-Presidente Geral
• Haroldo Couto, Presidente do Conselho Fiscal
• Carlos Peixoto, Vice de Relações Institucionais”
(Mauro Cezar Pereira – Jornal do Brasil – 22 de maio de 1993)

“Sérgio Noronha
Pode-se compreender o nervosismo da direção do Flamengo, diante dos vários problemas internos que enfrenta. pode-se entender a revolta com a fraca arbitragem de Paulo César Gomes, mas nada justifica a invasão do campo no jogo contra o Grêmio. Parte da culpa, porém, é dos próprios árbitros, que permitem um excesso de gente nos bancos e (iradas que dão acesso ao gramado do Maracanã. Ali não é o lugar do presidente e de seus amigos e assessores. e tudo pode ser sanado apenas com a aplicação das regras do futebol. Mas se os árbitros não sabem aplicá-las dentro do campo, o que dirá fora dele.” (Jornal do Brasil – 22 de maio de 1993)

flamengo ida cp1

“AGORA GRÊMIO TERÁ QUE VENCER
Empate no Olímpico classificará o Flamengo, que ganhou por 4 a 3
O Grêmio até que conseguiu um bom resultado, ontem à noite, no Maracanã, ao perder de 4 a 3 para o Flamengo. O resultado poderia ser pior diante dos inúmeros erros individuais do time e também se o árbitro não tivesse invalidado um gol legítimo de Gaúcho aos 28 minutos do 1º tempo. No próximo jogo o Grêmio se classifica à final da Copa do Brasil com vitórias de 1 a 0, 2 a 1 ou 3 a 2.
O festival de gols começou aos 13 minutos. Nélio recebeu entre a zaga e desviou do goleiro com categoria, marcando 1 a 0. Aos 26, Dener fez a primeira de suas belas jogadas ao longo do jogo, deixando Juninho livre para marcar. Juninho demorou e a zaga defendeu. Dois minutos depois, o gol anulado de Gaúcho, que recebeu um passe “milimétrico” de Paulão dentro da pequena área. Paulo César Gomes assinalou impedimento do centroavante sob violentos protestos do time carioca. Aos 38, o Grêmio, que já merecia empatar, chegou ao 1 a 1 através de Juninho após boa jogada de Fabinho, um dos destaques do time ao lado do estreante Dener. No segundo tempo, aos 5, Júnior chuta e a bola desvia na defesa: 2 a 1. Mas, aos 12, a resposta. Dener arrancou em velocidade, driblou dois e deixou Gílson livre para fazer 2 a 2. Aos 29, Renato, que voltou depois de três meses fora do futebol, fez 3 a 2, recebendo passe de Gaúcho de cabeça. O centroavante saltou mais alto que a dupla Paulão-Geraldão, que continua deixando os gremistas aterrorizados. Logo depois. Renato e Geraldão se desentenderam e foram expulsos. Aos 41 minutos, um lance grotesco. Paulão foi para a área receber um lançamento de Eduardo, que cobrou uma falta no meio do campo. E Dener, com todo o seu talento, ficou na marcação no campo do Grêmio. Paulão, como era de se esperar, não conseguiu controlar a bola, o Flamengo saiu no contra-ataque e fez 4 a 2. Na área do Grêmio, brigando pela bola, Dener. Vantagem para Djalminha sobre os escombros da defesa gremista. Nos últimos minutos, mesmo com um jogador a menos (Jamir havia sido expulso no começo do segundo tempo), o Grêmio na raça e na coragem, partiu em busca de um resultado melhor. Dener e Fabinho puxavam os ataques. Aos 47 minutos, Pingo recebeu de Caio e chutou forte. O zagueiro Rogério defendeu com os braços dentro da área. Pênalti corretamente assinalado pelo árbitro. Eduardo cobrou com muita habilidade e deixou o jogo em 4 a 3. No segundo jogo pela semifinal da Copa Brasil o Flamengo não terá Júnior Baiano e Renato. O Grêmio jogará sem Jamir e Geraldão.” (Correio do Povo, 21 de maio de 1993)

“KOFF PROMETE DAR O TROCO
“Este treinador é um moleque. Ainda bem que não o contratamos. Mas em Porto Alegre vamos dar o troco.” O desabafo do presidente Fábio Koff, normalmente muito equilibrado, contra o treinador Jair Pereira mostra a irritação que tomou conta do Grêmio com a confusão armada por Pereira e pelos dirigentes do clube carioca quase ao final do jogo, tumultuando tudo. Quando o árbitro Paulo César Gomes marcou pênalti a favor do Grêmio, aos 45 minutos do 2º tempo, o Flamengo reclamou muito. Depois disso, os dirigentes invadiram o campo para agredir o juiz, forçando uma paralisação e pressionando de todas as formas. Assim que Paulo César apitou o final da partida, houve nova invasão e nem a Polícia conseguiu evitar a perseguição contra o juiz, que escapou correndo e com sorte se escondeu no vestiário.” (Correio do Povo, 21 de maio de 1993)

1993 fla ida

“MENGÃO VENCE JOGO TUMULTUADO
Time meteu 4 a 3 no Grêmio, e jogará pelo empate em Porto Alegre
O Flamengo derrotou o Grêmio, ontem, à noite, no Maracanã, por 4 a 3 numa partida recheada de emoção e tumulto. Na próxima quinta-feira, no estádio Olímpico, em Porto Alegre, o time rubro-negro poderá garantir a vaga à finalíssima da Copa do Brasil com um empate diante do tricolor gaúcho. Unia vitória simples do Grêmio, porém, lhe assegurará a classificação. Até que Flamengo e Grêmio fizeram um primeiro tempo movimentado. Os dois times estavam equilibrados em campo. Logo aos três minutos, Fabinho cruzou da direita e o centroavante Gilson cabeceou para uma importante defesa de Gilmar. Dez minutos depois (13), Djalminha executou um lançamento primoroso deixando Nélio na cara de Eduardo. O atacante rubro-negro apenas desviou do goleiro tricolor e fez Flamengo 1 a 0. A partir deste gol o Flamengo passou a dominar a partida. Aos 28 minutos Gaúcho emendou para o fundo da rede, mas o juiz Paulo César Gomes anulou equivocadamente — o gol alegando impedimento. Sé que a bola fora atrasada pelo próprio zagueiro Paulão. Mas se o Flamengo tem Djalminha, o Grêmio tem Dener. O atacante, emprestado pela Portuguesa cruzou da direita aos 39 minutos, Gilmar falhou, e Juninho aproveitou o rebole para empatar o jogo: 1 a 1. As emoções estavam por vir na etapa final. Já aos cinco minutos, Djalminha chutou, a bola desviou em Geraldão e entrou: Flamengo 2 a 1. Aos 12, o centroavante Gilson voltou a decretar o empate: 2 a 2. Aos 29, Renato Gaúcho, que voltava ao time rubro-negro após três meses na “geladeira”, desempatou (3 a 2). O ponta, entretanto, só permaneceu 18 minutos em campo, pois foi expulso juntamente com o zagueiro Geraldão. Aos 41 minutos, Djalminha tabelou com Luís António e fez 4 a 2 num lance de pura plástica no Maracanã. Quando todos pensavam que o jogo estava definido, Eduardo diminuiu (4 a 3) aos 47 minutos, num pênalti inventado pelo juiz” (Jornal dos Sports – 21 de maio de 1993)

DJALMA CONDUZ FLA À VITÓRIA
Djalminha foi o grande condutor do Flamengo à vitória. Marcou o quarto gol (o seu segundo na Copa do Brasil) após bela tabelinha com Luís António e foi o responsável pela jogada que redundou no gol de Nélio. Além disso, de seus pés saíram os lances mais bonitos da partida. Arriscou alguns chutes de fora e apresentou a técnica que lhe é peculiar. Satisfeito com a vitória, ele só lamentou a atuação do juiz. — Conseguimos marcar quatro, mas fomos prejudicados no finalzinho com um pênalti que não existiu. Agora não adianta chorar. Temos é que nos concentrar no jogo lá, em Porto Alegre, que com certeza será muito difícil. Vivendo a melhor fase de sua carreira, a cada jogo Djalminha mostra a razão de ter conquistado a posição de titular do time. A displicência que o caracterizava em épocas passadas foi substituída por espírito de luta, que ele mostrou ontem durante os noventa minutos. Ele, que é uma das principais armas do Flamengo para o clássico de domingo com o Vasco, pode-rá decidir o destino da Taça Rio. — Será um jogo decisivo. Uma derrota poderá significar a eliminação de nosso time do campeonato. Mas sinto que isso não irá acontecer, pois o Flamengo cresce nos momentos decisivos. Sem dúvida será um grande clássico — comentou o herói dos 4 a 3.” (Jornal dos Sports – 21 de maio de 1993)

ÁRBITRO REVOLTA OS RUBRO-NEGROS
A revolta tomou conta dos dirigentes do Flamengo, que chegaram a invadir o campo quase no final do jogo para ofender o juiz Paulo César Gomes. O presidente Luís Augusto Veloso, bastante nervoso, considerou a arbitragem um escândalo. “Foi uma provocação ao Flamengo”, gritou. Segundo ele e todos os jogadores e comissão técnica, o time foi muito prejudicado. Não apenas pela marcação do pênalti aos 47 minutos do segundo tempo em favor do Grêmio, mas em toda a partida. Paulo César Gomes deixou o gramado correndo, e tropeçou nas escadarias que dão acesso ao vestiário. Julgamento — O STJD absolveu Júnior de ter agredido o juiz Jorge Travassos com uma cabeçada, no Flamengo x Vasco pela última Taça Rio. Após uma eleição que terminou 6 a 3, o relator Luís Valter manteve a punição imposta pelo TJD da Ferj, de quatro jogos, convertida em multa. O desempenho do advogado de defesa Clóvis Sahioni foi importante para convencer os juízes. Ele chegou a citar um depoimento de Eurico Miranda, em que o dirigente diz que não houve da parte de Júnior a intenção de agredir Travassos, que, por sinal, apitou muito mal esta partida.” (Jornal dos Sports – 21 de maio de 1993)

Paulo Sant´ana – TEM QUE COMPRAR O DENER!
Não me lembro de que uma derrota da dupla Gre-Nal em toda a história que tenha servido ao mesmo tempo de campo a um entusiasmo tão grande de uma torcida pela atuação de um Dener, anteontem, no Maracanã. Recém entrado no time, sem entrosamento com seus companheiros, Dener encantou a que puderam ver, nos intermitentes da transmissão defeituosa, as suas jogadas de pura arte e objetividade, confirmando inteiramente o seu cartaz e referendando um talento raro nos dias de hoje, tempos de futebol muito mais tático e físico do que técnico.
Não há nada individualmente parecido com Dener no futebol brasileiro ultimamente, em matéria de habilidade. A única tristeza que se derivou de sua estupenda apresentação foi subjetiva: não é possível que um jogador de tais atributos fique apenas três meses entre nós. A provável grandeza remanescente do Grêmio será testada em Dener: é preciso que se desfeche desde já um gigantesco movimento que leve o clube a comprar definitivamente o passe do jogador. A maioria das pessoas mais importantes do Rio Grande é gremista. É impossível que ela não saiba encontrar jeito de tirar da seiva extraordinária de paixão que incendeia a grande torcida tricolor os recursos para adquirir o passe de Dener.
Só para dar uma idéia de que não é utópico o projeto, basta dizer que, se cada gremista contribuir com um dólar (apenas Cr$ 40.000,00), Dener será para sempre do Grêmio. E há mais de 1.500.000 gremistas no território gaúcho, totalizando os US 1.500.000 necessários.
Eu estou aí à disposição para costurar este colossal e relativamente fácil empreendimento.” (Paulo Sant´ana – Zero Hora – 22 de maio de 1993)

Flamengo 4 x 3 Grêmio

FLAMENGO: Gilmar Rinaldi; Uidemar, Rogério, Júnior Baiano, Piá; Júnior, Marquinhos, Djalminha, Nélio, Marcelinho Carioca (Renato Portaluppi); Gaúcho (Luiz Antônio)
Técnico: Jair Pereira

GRÊMIO: Eduardo Heuser; Jackson, Paulão, Geraldão, Eduardo; Pingo, Jamir, Juninho (Dorival Júnior); Fabinho; Gílson (Caio); Dener.
Técnico: Sérgio Cosme

Copa do Brasil 1993 – Semifinal – Jogo de ida
Data: 20 de maio de 1993, 21h40min
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ
Público: 16.270
Renda: CrS 782.420.000,00
Árbitro: Paulo César Gomes
Cartões Amarelos: Uidemar, Júnior, Marquinhos, Júnior Baiano, Nélio e Jackson
Cartões Vermelhos: Jamir, Geraldão e Renato
Gols: Nélio 12/1T, Juninho 38/1T, Djalminha 05/2T, Gílson 13/2T, Renato Portaluppi 29/2T, Djalminha 41/2T, Eduardo 45/2T

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Copa do Brasil 1993 – Grêmio 1×0 Flamengo

July 30, 2018
1993 zh dener flamengo 2

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Em 27 de maio de 1993 o Grêmio recebeu o Flamengo no Olímpico pela jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil de 1993. Com o 4×3 para o Rubro-Negro no Maracanã no confronto de ida, o tricolor precisava de um simples 1×0 para classificar em Porto Alegre.  E foi exatamente esse o placar da partida, construído com um gol de Gílson Cabeção no início do segundo tempo.

O Grêmio, que contava com Dener, Carlos Miguel, Dorival Junior, Eduardo Heuser , Luís Carlos Winck (entre outros) era treinado por Sérgio Cosme, que chegava a sua segunda final seguida da Copa do Brasil em um intervalo de seis meses (ele havia disputado a final de 1992, em dezembro, pelo Fluminense)

flamengo dener andrei - Cópia - Cópia

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

O GRÊMIO SOFRE, VENCE, E VAI À FINAL
O time gaúcho mostrou dificuldades mas o gol de Gilson garantiu vaga nas finais que começam domingo, no Olímpico
O Grêmio é, pela terceira vez, finalista da Copa do Brasil, competição que chega a sua 5ª edição. A vaga foi garantida na noite de ontem, no Estádio Olímpico, com a vitória sobre o Flamengo por 1 a O. No primeiro jogo, no Rio, os cariocas ganharam por 4 a 3 e precisavam do empate. O Grêmio começa a decisão do título e uma vaga para a Libertadores em dois jogos contra o Cruzeiro, o primeiro no domingo, no Olímpico e o segundo no dia 3 de junho em Minas. A torcida gremista fez e muito bem a sua parte. Encarou as gangues que atacavam perto do estádio, conseguiu enganar a segurança e estourar seus foguetes, e incentivou o time com gana incomum. Bom seria que os jogadores tivessem começado o jogo com o mesmo entusiasmo. Mas estiveram longe disso. A zaga saía errado, Pingo e Júnior se mandavam desprotegendo o meio de forma irresponsável, e lá na frente o time só aparecia em escassas investidas do habilidoso Dener. Sem ser brilhante, o Flamengo era um time melhor, chegando a assustar os gremistas com um escanteio cobrado no travessão por Djalminha. A conversa no vestiário, feito mágica, mudou tudo. A insegurança do primeiro tempo deu lugar a objetividade e velocidade, com resultados imediatos: aos 5 minutos Eduardo Souza fez bom cruzamento e Gilson, sempre ele, cabeceou para marcar 1 a O. O Flamengo já não tinha o zagueiro Rogério, machucado e substituído por Andrei, e isso trazia prejuízos. Dener, dois minutos depois da abertura do placar, esteve próximo de ampliar, pois entrou área a dentro driblando todos que via pela frente, mas Gottardo salvou sobre a risca.
PRESSÃO – A conhecida irregularidade gremista ainda resultaria em sustos para os 50 mil fiéis que passaram por cima do frio e foram apoiar o time. Por momentos o controle do jogo escapava e o Flamengo tirava proveito para tentar o empate. Djalminha teve a melhor chance mas, assim como no primeiro tempo, acertou o poste. Gílson fez o mesmo na goleira de Gilmar, a três minutos do final, numa seqüência de oportunidades que, aproveitadas, teriam resultado em vantagem maior. “( Zero Hora – 28 de maio de 1993)

Gilson e Dener fizeram a diferença no Olímpico
Somente um craque como Dener e um goleador como Gílson para desequilibrarem na noite da classificação para a final da Copa do Brasil. O meia criou boas situações, com dribles e lançamentos precisos. O centroavante ameaçou o goleiro Gilmar durante os 90 minutos. O artilheiro da Copa do Brasil só acertou uma vez, mas foi o gol da vitória, seu 22° na temporada e o sétimo na competição. “Eu faço mesmo”, gritou Gilson aos 5 minutos do segundo tempo. Gílson espera manter a boa média de gols e prometeu fazer 50 até o final do ano. “Estou marcando mais de urna vez por partida e, às vezes, até mais”, avaliou o centroavante. Mas não escondeu a satisfação de decidir a partida na noite de ontem. “É sempre bom fazer um gol num jogo importante como este”, reconheceu. “Foi uma jogada belíssima do Eduardo e o matador estava lá para fazer”, elogiou o técnico Sérgio Cosme. Dener foi o outro destaque do time, pois sempre que pegava a bola, ameaçava a zaga do Flamengo com grandes jogadas individuais, e mostrou que sabe deixar seus companheiros livres em ótimas condições para marcar. “O ti-me foi bem, todo mundo lutou e mostramos que somos capazes de chegar à final”, destacou o jogador que no segundo tempo enganou duas vezes a zaga do Flamengo.” (Zero Hora – 28 de maio de 1993)

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

GRÊMIO É NOVAMENTE FINALISTA
Despachou (1 a 0) o Flamengo e decide o título da Copa do Brasil com o Cruzeiro

O Grêmio ainda não é o time dos sonhos dos gremistas, mas ao menos está vencendo quando precisa vencer. Ontem à noite, no Olímpico, depois de momentos difíceis diante do Flamengo, se recuperou e fez o gol que o leva à final da Copa do Brasil. Domingo, às 18h, no Olímpico, Grêmio decide com o Cruzeiro.
Muito da vitória se deve ao treinador Sérgio Cosme. Ele colocou em campo Marco Aurélio para melhorar a marcação e Mabília para qualificar o toque de bola. O que se viu, a partir daí, foi um Grêmio que massacrou o Flamengo no segundo tempo. Logo aos 5 minutos, Eduardo foi ao fundo e Gilson cabeceou para fazer 1 a O. Nos últimos minutos, o Grêmio teve pelo menos quatro grandes oportunidades para dar uma goleada no time carioca.” (Correio do Povo – 28 de maio de 1993)

Gilson: ‘Eu estou aqui para fazer gol’
Cercado pelos companheiros, que o abraçavam após a marcação do gol, aos cinco minutos do segundo tempo, o centroavante Gilson foi sincero no desabafo ao repórter Luiz Henrique Benfica, da Rádio Guaíba: “Eu faço mesmo”, disse. Este gol, o seu oitavo na Copa do Brasil. mostra que o jogador está em excelente fase. sendo o artilheiro da competição: “Estou aí para isto mesmo”, afirmou enquanto escutava pela Rádio Guaíba, emocionado, a repetição do gol que levou o time à final contra o Cruzeiro em dois jogos.
O vice-presidente de futebol, Luiz Carlos Silveira Martins, emocionado, quase não conseguia falar. Antes de entrar no vestiário, para comemorar a vitória com os jogadores, ele fez unia convocação para o jogo de domingo: “Todos têm que estar aqui no Olímpico novamente para lotar o estádio, como aconteceu hoje (ontem)”, salientou. Já o zagueiro Paulão, que jogou no Cruzeiro, advertiu que o seu ex-time é experiente em decisões: ´Eles sabem como jogar nesta hora. Mas sou mais Grêmio´.” (Correio do Povo – 28 de maio de 1993)

flamengo volta cp1

FLAMENGO VOLTA A DOMINAR E PERDER
Porto Alegre – Foi a reprise de um filme quatro dias depois. Como no domingo,quando sofreu o gol aos três minutos do segundo tempo, pressionou e não soube empatar com o Vasco, o Flamengo foi novamente derrotado ontem à noite. Precisando pelo menos do empate com o Grêmio, o time dominou no primeiro tempo, sofreu o gol de Gilson aos cinco do segundo, atacou muito, mas não teve competência para empatar. Nos minutos final Gilmar ainda salvou o Flamengo com três grandes defesas.

O Grêmio aproveitou uma falha da zaga rubro-negra — Rogério, contundido, foi substituído por Andrei no intervalo — para decidir. Depois de perder a Libertadores e ser eliminado da Copa do Brasil, o Flamengo. que sonhava ganhar três títulos no primeiro semestre de 93, limita suas chances ao Campeonato Carioca, competição em que só terá chances se o Vasco Tropeçar. Domingo, o time rubro-negro enfrenta o motivado Botafogo no Maracanã.” (Jornal do Brasil – 28 de maio de 1993)

Jornal do Brasil 28 05 1993 Gremio 1x0 Flamengo

GOL DE GÍLSON LIQUIDA O MENGO
Porto Alegre — O Flamengo merecia coisa melhor. A derrota de 1 a 0 para o Grêmio (Gilson) só não foi injusta porque o time gaúcho soube administrar a vantagem, principalmente nos últimos 15 minutos, quando infernizou a defesa rubro-negra. Se não fosse Gilmar, o placar seria maior. Desclassificado da Copa do Brasil, sua única esperança, mesmo que remota, é se classificar para as finais do Estadual para sair da crise financeira. Marcando a saída de bola do Grêmio, o Flamengo começou surpreendendo o adversário com rápido toque de bola e jogadas de alto nível técnico no meio campo, com Djalminha e Marquinhos. Apesar da superioridade, o time rubro-negro vacilava pelo lado direito, onde Fabinho era envolvido com as investidas do arisco Dener e do apoiador Carlos Miguel. O frio de 9 graus e o mau estado do gramado não impediam Flamengo pressionar a equipe gaúcha em sua intermediária. Depois de alguns sus-tos, quando Gilmar fez pelo menos três defesas importantes, o time rubro-negro melhorou ainda mais seu toque de bola. Aos 28 minutos, a melhor oportunidade: Piá cruzou para a área, Nélio tocou de cabeça para Marquinhos chutar rente a trave. Pressionado pelos torcedores, o Grêmio voltou mais ousado no segundo tempo. Logo aos 5 minutos, o lateral Eduardo cruzou na área e o atacante Gilson cabeceou sozinho para dentro do gol. Desesperado, o Flamengo foi todo ao ataque, mas não deu sorte nas finalizações. Aproveitando os contra ataques, o time gaúcho bombardeou o gol de Gilmar nos últimos 15 minutos.” (Jornal dos Sports – 28 de maio de 1993)

ATUAÇÕES
Flamengo
Gilmar — Seguro, não teve culpa no gol. Fez pelo menos cinco defesas importantes. Nota 7
Fabinho — Foi envolvido no primeiro tempo, mas melhorou um pouco na etapa final. Nota 5
Gotardo— Teve trabalho na cobertura do lado direito. Tranqüilo, comandou a defesa do Flamengo e ainda tentou algumas jogadas de ataque. Nota 6
Rogério — Mostrou categoria nas antecipações. Mesmo fora de ritmo, jogou com raça. Nota 6. Foi substituído por Andrei, que fez muitas faltas. Nota 4
Piá — Começou errando passes e parecia nervoso. Melhorou no segundo tempo. Nota 5
Uidemar — Não esteve bem. Enfeitou demais as jogadas. Nota 3. Luís Antônio entrou em seu lugar e deu mais mobilidade ao time. Nota 6
Marquinhos — Um dos melhores do jogo. Muita disposição no combate e um toque de classe na armação das jogadas. Nota 7 Júnior — O maestro esteve num dos seus melhores dias. Mostrou habilidade na organização do meio campo. Nota 7
Djalminha — O melhor da partida. Habilidoso, empurrou o time rubro-negro para o ataque com belas jogadas que contagiavam a equipe. Nota 8
Nilson — Lento e sem inspiração. Não foi bem nem nos cabeceios, sua principal característica. Nota 3
Nélio — A mesma eficiência de sempre. Muita raça nas investidas ao ataque. Nota 7

Grêmio
O Grêmio tem uma equipe experiente e provou isso ontem. Mesmo com a desvantagem do empate entrou em campo tranqüilo e soube segurar o placar quando estava na frente. O goleiro Eduardo mostrou segurança. A zaga esteve toda no mesmo nível. Tanto Winck, como Paulão, Luciano e Eduardo aguentaram com categoria a pressão do Flamengo no final. O meio campo com Pingo. Júnior, depois Marco Aurélio, Juninho e, principalmente Dener fizeram a bola correr dentro dos interesses do Grêmio. Na frente, Gilson, o autor do gol, e Carlos Miguel foram outros destaques.” (Jornal dos Sports – 28 de maio de 1993)

1993 fla volta

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Grêmio 1×0 Flamengo

GRÊMIO: Eduardo Heuser; Luiz Carlos Winck (Mabília 33), Paulão, Luciano e Eduardo Souza; Pingo, Dorival Júnior (Marco Aurélio) e Juninho; Dener, Gilson e Carlos Miguel.
Técnico: Sérgio Cosme

FLAMENGO: Gilmar Rinaldi; Fabinho, Wilson Gottardo, Rogério (Andrey) e Piá; Uidemar (Luís António), Marquinhos, Júnior e Djalminha; Nílson e Nélio
Técnico: Jair Pereira

Copa do Brasil 1993 – Semifinal – Jogo de volta
Data: 27 de maio de 1993, quinta-feira
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 42.036 pagantes
Renda: Cr$ 6.314.950.000,00.
Arbitragem: Márcio Rezende de Freitas (FIFA/MG)
Auxiliares: com Evaristo de Souza e Marco Martins.
Cartões Amarelos: Gilson, Juninho e André
Gol: Gílson, aos 5 minutos do segundo tempo