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Copa do Brasil 1997 – Vitória 3×3 Grêmio

July 27, 2021

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

Este foi o segundo confronto entre Grêmio e Vitória pela Copa do Brasil em Salvador (o primeiro havia sido em 1994, também pelo jogo de volta pelas quartas de final).

O Grêmio tinha tudo para encaminhar a classificação com tranquilidade. Havia vencido a partida de ida por 2×0 e saiu na frente na Fonte Nova logo aos 8 minutos. Rodrigo Gral marcou o segundo aos 27, mas Gil Baiano descontou dois minutos depois. Foi aí que Danrlei foi expulso na sua folclórica mania de não permitir que os adversários buscassem a bola no fundos das redes. Obviamente a situação tricolor na partida piorou muito, mas no fim os comandados de Evaristo de Macedo conseguiram a classificação para as semifinais com um empate em 3×3.

Neste jogo o time utilizou a peculiar combinação de um calção azul royal com a tradicional camisa tricolor (algo que foi repetido em, ao menos, outras 5 oportunidades na temporada de 1997)

Foto: Edson Ruiz (Correio do Povo)

GRÊMIO PERDE TITULARES NA DECISÃO
Expulsão de Danrlei pôs em risco a vaga na Copa Brasil. Amanhã não jogarão Rivarola e Zé Alcino

Vários titulares desfalcarão o time do Grêmio em dois jogos decisivos, esta semana. Amanhã, no Olímpico, contra o Guarany do Paraguai, pela Libertadores, não atuarão Rivarola, cumprindo suspensão, Émerson, com lesão no joelho e, possivelmente Zé Alcino, ainda se recuperando de problema no joelho. O time gaúcho precisa vencer para chegar às quartas-de-final. Quinta, em São Paulo, frente ao Corinthians, não atuará Danrlei, expulso de forma inconseqüente em Salvador. O time empatou em 3 a 3 com o Vitória, sábado, num jogo que tornou-se dramático pela inferioridade numérica do Grémio a partir dos 29 minutos do 1° tempo.

Para quem podia até perder por diferença mínima, o Grémio arrancou com uma grande vantagem. Aos 7 minutos, fez 1 a 0, gol contra de Nilson, que jogou a bola para dentro das próprias redes, num escanteio cobrado por Arce. Aos 27, Rodrigo Gral, de cabeça, fez 2 a 0, em notável jogada de Carlos Miguel. O Vitória descontou por Gil Baiano, aos 29, e chegou ao empate com Agnaldo, aos 40. Com apenas 10, o Grêmio recuou todo. Sofreu o 3° gol aos 10 do 2° tempo, por Chiquinho. A classificação veio aos 32, por Paulo Nunes, em grande jogada individual pela direita.” (Correio do Povo, segunda-feira, 5 de maio de 1997)

 

DANRLEI É CRITICADO POR EXPULSÃO

O goleiro Danrlei foi repreendido por alguns jogadores do Grêmio no intervalo da partida contra o Vitória, devido a sua expulsão. “Ele sabe que ninguém tem o direito de deixar os companheiros na mão”, afirmou Luiz Carlos Goiano. Danrlei garante que ninguém fez cobranças, até porque outros jogadores também já foram expulsos e ninguém chamou a atenção”. Aos 29 minutos da partida de sábado, ao tentar reter a bola dentro da goleira, após o l° gol do Vitória, Danrlei envolveu-se numa grande confusão. Terminou por dar uma cabeçada em Agnaldo e foi expulso. No intervalo, Evaristo Macedo afirmou que o goleiro colocara a classificação em risco. Danrlei está ameaçado de ser multado pela diretoria.

Irritado com perguntas sobre a mudança feita na equipe – o questionamento quanto a saída de Otacílio para a entrada do goleiro Silvio -, Evaristo Macedo recusou-se a seguir dando entrevista a um repórter de rádio. Em altos brados, disse que não admitia ser chamado de burro.

O departamento médico do Grêmio aguarda para hoje a chegada de uma tornozeleira inflável, importada dos Estados Unidos, que poderá possibilitar a utilização de Zé Alcino no jogo de amanhã, contra o Guarany. Em condições normais, o jogador está afastado até da partida frente ao Corinthians, 5′ feira, em São Paulo. “Zé Alcino sofreu lesão nos ligamentos do tornozelo e suas chances de jogar são de apenas 5%”, informa o médico João Zanini. O lateral Roger sofreu novas dores no púbis após o jogo contra o Vitória.”(Correio do Povo, segunda-feira, 5 de maio de 1997)

 

 

 

“UMA TARDE DE SOFRIMENTO E NERVOSISMO

Uma lenda na história recente das imediações da Avenida Azenha diz que cada etapa ultrapassada pelo clube em qualquer campeonato sempre deixa o seu torcedor à beira de um ataque de nervos ou de uma visita ao cardiologista mais próximo. Ontem, em Salvador, contra o Vitória, tudo apontava para o contrário. Até os 31 minutos do primeiro tempo, o campeão brasileiro passeava no gamado alto e fofo da Fonte Nova. Entrara em campo podendo perder de 1 a 0 e ganhava por 2 a 0. Se todas as imagens de santos veneradas nas 365 igrejas de Salvador se unissem em uma corrente improvável, ainda assim seria difícil supor qualquer esboço de reação baiana. O Vitória precisava fazer cinco gols. Mas diz a lenda que no Estádio Olímpico nada pode ser tranquilo, nada. Veio a expulsão do goleiro Danrlei. E o sábado gremista virou algo próximo às batalhas heróicas do tempo das Cruzadas, na Idade Média.

Parecia não haver mais tempo para os pouco mais de 50 mil torcedores emoldurarem o cenário imaginado pelos rubro-negros: o abafa desde o começo da partida, como prometera o técnico Arthurzinho. Mas ao sofrer o gol de Gil Baiano, aos 29 minutos do primeiro tempo, Danrlei retardou a reposição da bola em jogo. Terminou expulso. Como o reserva Sílvio está com dedo mínimo da mão esquerda quebrado e inacreditavelmente torto, começava ali o drama gremista. A torcida, que já estava revoltada com o gol de Galvão, se inflamou com a expulsão de Danrlei. Quando Agnaldo empatou, aos 41, a Fonte Nova entrou em ebulição e só não desabou por alguma obra de engenharia eficaz.

Das gerais, choviam pilhas, pedras, latas de cerveja, tênis, pedaços de pau. Próximo às cabines de rádio improvisadas em meio às sociais, um torcedor ensandecido circulava entre os jornalistas. “Digam o que estão fazendo na nossa casa, vocês têm que dizer!”, berrava, batendo nas mesas, atrapalhando a visão dos profissionais gaúchos e utilizando um vocabulário bem menos elegante que o usado pela diplomacia britânica. No campo, a temperatura estava bem acima dos 28°C apontados pelos termômetros.

Irritado com os repórteres baianos, que tinham permissão para ficar ao lado dos reservados, o técnico Evaristo de Macedo discutiu com um deles. O preparador físico Francisco Gonzales, um monges budista de serenidade, perdeu a calma e o empurrou. Confusão. Mais revolta da torcida e policiais militares no reservado gremista. Quando os episódios tornavam rumos realmente perigosos —dois torcedores já tinham invadido o campo para bater no juiz — a Polícia Militar radicalizou: despejou 82 homens dentro na pista atlética. Ao final do jogo, este contingente ultrapassava os 100 policiais. Era como se estivessem em campo Iraque e Arábia Saudita, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. “Foi um jogo para quem tem coração forte, desabafou Evaristo, ofegante. “O mais difícil desde que cheguei ao Grêmio”. Passar pelo inferno da Fonte Nova valeu mais que uma vaga nas semifinais. De acordo com o vice de finanças. Carlos Biedermann, o resultado significará um ingresso de receita de USS 1 milhão nos cofres. Projetando rendas contra o Guarani, pela Libertadores, a as partida de volta contra o Corinthians, no Olímpico, e a venda de objetos com a marca Grêmio.” (Zero Hora, segunda-feira, 5 de maio de 1997)

 

 

“MESMO COM DEZ, GRÊMIO SE CLASSIFCA
Sem o goleiro Danrlei durante a maior parte do jogo (ele foi expulso aos 28min do primeiro tempo), o Grêmio empatou em 3 a 3 com o Vitória, anteontem, em Salvador, e se classificou para as semifinais da Copa do Brasil.
O adversário do time gaúcho será o Corinthians, e a primeira partida acontece na próxima quinta-feira, em São Paulo.
Arce, cobrando escanteio, Rodrigo Graal e Paulo Nunes marcaram para o Grêmio. Gil Baiano, Agnaldo e Chiquinho descontaram para os baianos.” (Folha de São Paulo, 5 maio de 1997)

 

Juca Kfouri: “Para variar, o Grêmio chega à sua quinta semifinal seguida na Copa do Brasil. E chega heroicamente, na Fonte Nova cheia. E com apenas dez jogadores, graças a mais um gesto impensado do goleiro Danrlei, bem expulso por tentativa de retenção de bola pelo árbitro Cerdeira _que, também, validou incorretamente o primeiro gol gaúcho, não marcando a intenção de mão na bola de Mauro Galvão.

Paulo Nunes pode até não ter lugar na seleção mas, sem dúvida, terá um lugar eterno no coração gremista, tal sua competência e dedicação.
O Vitória bem que tentou, mas não foi capaz de tirar a diferença diante do mais copeiro dos times brasileiros. E Bebeto decepcionou.
Em vez de uma semifinal entre os dois clubes patrocinados pelo Excel, teremos a repetição da final de 1995 e a vantagem corintiana é óbvia: joga a primeira em casa contra uma equipe que jogou na quinta-feira pelo Campeonato Gaúcho, sofreu um desgaste brutal em Salvador no sábado e volta a campo amanhã no Olímpico para virar o resultado de 1 a 2 contra o Guarani, do Paraguai, pelas oitavas de final da Taça Libertadores.
Menos mal para o Grêmio que, sem Danrlei, não enfrentará o turbinado Mirandinha, suspenso.
Mas o que se exige do Grêmio mereceria um protesto da Sociedade Protetora dos Animais, já que as entidades defensoras dos direitos humanos não costumam se ocupar das mazelas do calendário do futebol brasileiro.” (Juca Kfouri, Folha de São Paulo, 5 de maio de 1997)

O CHAVECO DO GOLEIRO
O Grêmio vencia o Vitória por 2 x 0, em Salvador, quando o goleiro Danrlei aprontou mais uma das suas. O tricolor brigão engalfinhou-se com os jogadores do Vitória ao catimbar após o primeiro gol baiano. Foi expulso pelo juiz Cláudio Cerdeira e complicou a vida do Grêmio, que se classificou com as calças na mão após um empate de 3 x 3. Mas Danrlei se redimiu. Por uma “incrível coincidência”, na volta de Salvador, o goleiro acabou sentando ao lado do juiz no avião. Conversa vai, conversa vem , os dois acabaram amiguinhos. E em vez de colocar na súmula do jogo a agressão de Danrlei, Cerdeira escreveu “tentiva de retardar a partida”, um crime bem menos grave para o tribunal da CBF” (Placar, Edição n.º 1.128,  Junho de 1997)

Foto: Pisco del Gaiso (Placar)

Coisas do coração
Após o empate com o Vitória em 3 a 3 a classificação para as semifinais da Copa do Brasil, o técnico do Grêmio, Evaristo de Macedo, disse para o presidente do clube, Luís Carlos Silveira Martins, o Cacalo: “Quando as coisas são resultado de uma obrigação profissional, é ótimo. Quando vêm do coração, são melhores ainda.” Cacalo, se disse “emocionado” com o carinho dedicado pelo treinador ao clube.” (Folha de São Paulo, 5 de maio de 1997)

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

Vitória 3×3 Grêmio

VITÓRIA: Nílson; Uéslei (Renato 30/1), Flávio Tanajura, Júnior, Esquerdinha; Hélcio (Humberto 43/2), Bebeto Campos (Baiano 40/2), Chiquinho, Gil Baiano; Agnaldo, Bebeto.
Técnico: Arthurzinho

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Luciano, Mauro Galvão e Roger; Dinho (Djair 11/2), Luiz Carlos Goiano, Otacílio (Sílvio 30/1) e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Rodrigo Gral (Marco Antonio 10/2)
Técnico: Evaristo de Macedo

Copa do Brasil 1997 – Quartas de Final – Jogo de Volta
Data: 3/5/1997, Sábado, 16h00min
Local: Fonte Nova, em Salvador, BA
Público: 52.229 (42.239 pagantes)
Renda: R$ 445.445,00
Juiz: Cláudio Vinícius Cerdeira-RJ
Auxiliares: Aristeu Tavares e Djalma Beltrami
Cartões Amarelos: Luciano, Rodrigo Gral, Djair
Cartão Vermelho: Danrlei 30/1
Gols: Nílson 08/1T (contra), Rodrigo Gral 27/1T, Gil Baiano 29/1T, Agnaldo 40/1T, Chiquinho 09/2T, Paulo Nunes 31/2T