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Copa do Brasil 1998 – São Paulo 2×0 Grêmio

December 29, 2020

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

O ano de 1998 não foi dos melhores para o Grêmio, mas quando entrou em campo para enfrentar o São Paulo no Morumbi pelas oitavas de final da Copa do Brasil a equipe gremista vivia um momento relativamente tranquilo, sem ainda ter estreado no Campeonato Gaúcho e liderando o seu grupo na Libertadores. De tal modo, a derrota por 2×0 foi um dos primeiros golpes que o time sofreu ao longo da temporada.

Nas matérias abaixo é possível notar que a Placar, Folha de São Paulo e Zero Hora ainda chamavam Ronaldinho de Ronaldo.

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

 

“GRÊMIO PERDE E DECIDE NO OLÍMPICO
O time não soube segurar a velocidade paulista e agora tentará reverter o resultado em casa, dia 14 de abril

Carlos Miguel cumprimentou antes do jogo cada um dos gremistas em campo. Foi no banco de reservas do adversário, saudou a comissão técnica. Enfim, fez tudo que um mestre de cerimônias faria com elegância. Quando São Paulo e Grêmio começou, porém, a camaradagem terminou. Foi ele o maestro time paulista. Lançou, correu, fez gol e ajudou a construir os 2 a 0 sobre seu ex-time. Agora, resta ao Grêmio devolver as mesuras a Carlos Miguel no Olímpico. Dia 14, o time gaúcho precisa fazer três gols para passar à próxima fase. Se fizer dois, e não sofrer nenhum, terá de decidir nos pênaltis a vaga à Copa do Brasil.

O São Paulo foi um time pretensioso no início. Tocou a bola de um lado para o outro, exagerou na troca de passes pelo centro, tentou um drible a mais, desfilou talento. Só não chutou a gol. Do outro lado, havia a objetividade do Grêmio. E então Guilherme recuperou um rebote, avançou sobre Rogério e só não marcou aos 22 minutos porque o goleiro tocou para escanteio. O São Paulo voltou a dar 10 mil toques na bola, até Ronaldo fugir em contra-ataque e chutar forte, rasteiro, cruzado, mas para fora. Foi a melhor chance de gol no primeiro tempo. E o time de craques teve de se contentar com uma falta isolada cobrada pelo goleiro-goleador Rogério, espalmada por Danrlei.

O técnico Sebastião Lazaroni segurou bem o jogo com as suas anunciadas triangulações. Aílton flutuou pelo lado esquerdo, deu cobertura a Roger, evitou os avanços de Zé Carlos, enfim, fez funcionar o triângulo da esquerda. Mas do outro lado, Itaqui sofreu. O garoto Ronaldo, razoável na frente, não acompanhava Serginho. Assim foi o primeiro tempo. Assim começou o segundo, com uma diferença: o São Paulo partiu resoluto ao ataque. Denílson ainda acertou um chutão no poste. Três minutos depois, Serginho partiu dois quilômetros atrás de Itaqui. Chegou à frente e cruzou numa velocidade meteórica. A bola caiu nos pés de Carlos Miguel, que fez o 1 a 0, aos 14 minutos do segundo tempo.

Lazaroni reagiu de imediato. Retirou Ronaldo e apostou no contra-ataque com Zé Alcino. Mas Denílson apareceu na área gremista, serviu Aristizábal, que deixou França em condições de entrar com bola e tudo. Era o 2 a 0. Então o Grêmio resolveu ser mais parecido com o Grêmio. Goiano cedeu lugar para Otacilio. Fez chuver bolas na área, mas Rogério estava lá. Então, o São Paulo trocou os toques pelos contra-ataques, sempre através de Carlos Miguel. No final, o jogo ficou aberto, emocionante. Denílson perdeu dois gols (e podia ter liquidado o Grêmio). Beto e Itaqui também erraram. E deixaram de amenizar o sofrimento gremista.” Zero Hora, sexta-feira, 20 de março de 1998)

 

“LAZARONI LAMENTA CHANCES PERDIDAS

O abatimento no vestiário gremista depois da partida denunciava a decepção pela derrota. A partida era propicia para o Grêmio garantir a  vantagem para o segundo jogo em Porto Alegre, dia 14 de abril. O São Paulo concedeu generosos espaços no primeiro tempo e permitiu que o Grêmio desperdiçasse duas grandes oportunidades de marcar. “Poderia ter sido a bola do jogo”, lamentou-se o técnico Sebastião Lazaroni, recostado a uma parede do vestiário do Morumbi. Elegantemente vestido e transpirando muito, Lazaroni lamentou a falta de experiência de alguns “Só jogando eles vão adquirir maturidade”, conformou-se.

A decepção do técnico era principalmente pelo panorama em que se apresentou o jogo. A torcida do São Paulo abandonou a equipe e compareceu em número muito reduzido ao Morumbi. Aliás, o futebol não tem sido o melhor programa para os são-paulinos nos últimos tempos. Ontem, além dos últimos decepcionantes resultados e do horário (21h40min), a transmissão do jogo para a capital paulista colaborou para afugentar os torcedores. Pouco mais de 3 mil pessoas compareceram. O reformado e imponente Morumbi ficou atirado às moscas. Alguns setores nem foram abertos.

O estádio estava tão vazio que era possível ouvir os diálogos entre os jogadores nas cabines. Foi um festival de “pega”, “fica” e “sai”. Talvez a técnico Sebastião Lazaroni não necessitasse berrar tanto para passar instruções para a equipe. As suas orientações eram ouvidas pelos torcedores na arquibancada superior localizada no outro lado do gramado. Para completar, os momentos mais empolgantes para os são-paulinos foram escassos e se resumiram a três lances, até o golaço de Carlos Miguel. No mais, se resumiram ao pagode emanado pelas caixas de som antes do jogo e no intervalo. A pasmaceira do time Nelsinho Batista era tamanha que, ao fim do Primeiro tempo, a torcida pediu a entrada de Susi, craque da equipe feminina do clube e da Seleção Brasileira “Se ao menos segurássemos o resultado, eles se perturbariam e abririam mais espaços”, afirmou volante Fabinho.

A mobilização para a partida de volta iniciou antes mesmo de os jogadores entrarem no vestiário. O vice-presidente Dênis Abrahão repetiu a atitude tomada depois da derrota de 2 a O para Portuguesa no Brasileirão e prometeu reação “a cobra vai fumar no Olímpico”, avisou Abrahão.“ (Leonardo Oliveira, Zero Hora, sexta-feira, 20 de março de 1998)

 

“PELO LADO ESQUERDO, SÃO PAULO BATE O GRÊMIO NA COPA DO BRASIL

O São Paulo venceu ontem o Grêmio por 2 a 0, no Morumbi, pela Copa do Brasil, e pode perder por até um gol diferença a segunda partida da série entre os dois times para se classificar para as quartas-de-final da competição.
As duas equipes voltam a jogar no dia 14 de abril, em Porto Alegre. Nas quartas-de-final, o vencedor dessa série vai enfrentar o Vasco da Gama. O primeiro jogo será no Rio de Janeiro.

O São Paulo concentrou suas jogadas pelo lado esquerdo de seu ataque, com o meia Denílson e o lateral Serginho. Com uma marcação forte e abusando das faltas, os gremistas conseguiram barrar a maioria das jogadas.
Os dois atacante dos São Paulo – Aristizábal e Marcelo Sergipano- ficaram isolados, pouco produzindo. A primeira oportunidade da partida foi numa falta batida pelo goleiro são-paulino Rogério. Danrlei defendeu.
O Grêmio respondeu logo depois. O jovem atacante Ronaldo, 17, campeão mundial sub17, avançou sem marcação e cruzou na pequena área do São Paulo. Porém nenhum atleta gaúcho apareceu para completar o passe.
Mesmo dominando a maioria das ações no primeiro tempo, o São Paulo teve outra chance de gol somente aos 34min. Carlos Miguel cruzou e Fabiano cabeceou, rente ao gol gremista.

Para tentar abrir o placar, o técnico Nelsinho, do São Paulo, fez duas alterações na sua equipe no começo do segundo tempo.
Ele tirou Fabiano e Marcelo Sergipano para a entrada de, respectivamente, Gallo e França.
As alterações não mudaram o perfil tático do São Paulo, que continuou concentrando suas jogadas ofensivas pelo lado esquerdo de seu ataque. Dessa maneira, aos 11min, o São Paulo teve sua primeira oportunidade no segundo tempo. Denílson, na entrada da área do rival, chutou na trave.
Mantendo o estilo, o São Paulo abriu o placar aos 13min. Carlos Miguel, que jogou por nove anos na equipe gaúcha, passou para Serginho e avançou para a área do Grêmio. O lateral e cruzou para o meia completar: 1 a 0.

Depois do gol, o técnico Sebastião Lazaroni, do Grêmio, tirou Ronaldo e colocou o atacante Zé Alcino para tentar o empate.
A equipe adiantou sua marcação e passou a pressionar o São Paulo dentro do campo do adversário.
Num bom contra-ataque, novamente pelo lado esquerdo, o São Paulo definiu a partida. Denílson, numa jogada individual, passou para Aristizábal. O atacante cruzou na pequena área para França, que tocou para o gol: 2 a 0.
A desvantagem desnorteou os gremistas, que passaram a atacar o São Paulo sem coordenação.

Aos 40min, a equipe paulista teve a chance de ampliar. Denílson invadiu a área do Grêmio e cruzou. A defesa gaúcha cortou.
Aos 42min, Aristizábal tabelou com Carlos Miguel. Porém o atacante chutou para fora.
Aos 43min, o Grêmio teve a chance de diminuir. Capitão cortou, de cabeça, um cruzamento nos pés do meia Beto. Porém o atleta chutou para fora.” (Folha de São Paulo, 20 de março de 1998)

“GRÊMIO PERDE E SE COMPLICA
São Paulo de Nelsinho fez 2 a 0 e deixou a equipe gaúcha em situação dramática na Copa do Brasil

O Grêmio não resistiu ao habilidoso setor esquerdo do São Paulo e acabou perdendo de 2 a 0, ontem à noite, no Morumbi, pela segunda fase da Copa do Brasil. Um dos principais destaques do jogo, Carlos Miguel, abriu o caminho da vitória sobre seu ex-clube. Dia 14, no Olímpico, o Grêmio precisa vencer por três gols de diferença para seguir na competição e 2 a 0 levam aos pênaltis.

Com um posicionamento correto no setor de marcação, o Grêmio conseguiu controlar o rápido ataque do São Paulo no primeiro tempo. Na direita, Itaqui contou com a ajuda decisiva de Goiano no combate a Denílson. Além disso, Ronaldinho, bisonho ontem com a bola nos pés, foi eficiente no primeiro combate a Serginho.

Os dois times abusaram das faltas. No primeiro tempo, Danrlei fez uma grande defesa na cobrança de falta do goleiro Rogério. No segundo tempo, o time de Nelsinho encontrou mais espaço pelo seu lado esquerdo. Aos 12, Denílson, livre, chutou na trave. Aos 14, Serginho arrancou espetacularmente e cruzou para Carlos Miguel fazer 1 a 0. Aos 28, Aristizabal cruzou para França marcar 2 a 0.” (Correio do Povo, 20 de março de 1998)

 

 

“DESTA VEZ, CARLOS MIGUEL DEIXA O CAMPO COMO CARRASCO DOS GREMISTAS

Com um belo gol aos 14 minutos do segundo tempo, Carlos Miguel foi o carrasco do Grêmio, ontem à noite. Além de marcar o gol que deu tranqüilidade ao São Paulo e fez com que o seu ex-time se abrisse para buscar o empate, Carlos Miguel foi um maestro em campo, tocando a bola com precisão e mostrando a Denílson que não é preciso abusar dos dribles para chegar ao gol. No final, saiu consagrado pela torcida e fez questão de destacar seu carinho pelo clube que o projetou. “Vibrei no gol como sempre faço, ainda mais num jogo difícil. Não teria por que sentir um gostinho especial, porque nada tenho contra o Grêmio. Pelo contrário, só tenho amigos lá.”

Carlos Miguel salientou, ainda, que o objetivo foi alcançado: “A gente sabe como é a Copa do Brasil. Precisávamos vencer por dois gols para jogar com boa chance de classificação em Porto Alegre e conseguimos isso”. No vestiário gremista, o presidente Cacalo lamentou a derrota e considerou o resultado injusto: “O Grêmio não merecia perder, e muito menos por 2 a 0. Mas nada está perdido. No Olímpico, com a ajuda da torcida, vamos buscar a vaga”.”(Correio do Povo, 20 de março de 1998)

 

HILTOR MOMBACH – PELA ESQUERDA
A pedra havia sido cantada. Não apenas por mim, não, mas por quem se dispôs a arriscar opiniões sobre o jogo. Estava claro: o São Paulo forçaria pela esquerda. Ali atuam Denílson, Serginho e Carlos Miguel, todos de estupenda habilidade.

Pois por ali, exatamente por onde se previa, o São Paulo venceu a partida. Numa cruzada precisa de Serginho, Carlos Miguel bateu Danrlei para fazer 1 a 0. Logo Carlos Miguel: o ex-companheiro de conquistas se transformou num vibrante carrasco.

O segundo gol, de França, foi todo ele também construído pela esquerda. Poderá haver o pensamento mágico de que aqui o torcedor resolverá tudo. Este São Paulo precisará de um pouco mais do que o estádio lotado para cair: o Grêmio terá que ousar. Isto significa arriscar numa partida onde levar um gol significa o fim da linha. Antecipa-se um jogo dramático. Bem ao estilo do Grêmio.” (Hiltor Mombach – Correio do Povo, 20 de março de 1998)

 

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

São Paulo 2×0 Grêmio

SÃO PAULO: Rogério; Zé Carlos, Capitão, Márcio Santos e Serginho; Alexandre (Edmílson), Fabiano (Gallo), Carlos Miguel e Denílson; Marcelo Sergipano (França) e Aristizabal
Técnico: Nelsinho Batista
GRÊMIO: Danrlei; Itaqui, Jorginho, Scheidt e Roger (André Silva); Fabinho, Luiz Carlos Goiano (Otacílio), Aílton e Beto; Ronaldinho (Zé Alcino) e Guilherme
Técnico: Sebastião Lazaroni

Copa do Brasil 1998 – Oitavas de final – Jogo de ida
Data: 19 de março de 1998, quinta-feira, 21h40min 
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (FIFA/MG)
Auxiliares: Herbert Costa Andrade e Marco Antônio Gomes
Cartões Amarelos: Capitão, Carlos Miguel, Jorginho, Roger e Fabinho
Gols: Carlos Miguel aos 14 do 2º tempo e França aos 28 minutos do 2º tempo

Copa do Brasil 1998 – Grêmio 0x2 São Paulo

December 22, 2020

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

Nas oitavas de final da Copa do Brasil de 1998 o Grêmio recebeu o São Paulo no Olímpico precisando, no mínimo, devolver os 2×0 que tinha levado no Morumbi. Para isso a diretoria gremista esperava contar com o forte apoio da sua torcida, e assim a chamada para o jogo (imagem abaixo) fazia o chamado/previsão de 55 mil torcedores no estádio.

A torcida até compareceu em bom número (32 mil pagantes) mas isso não foi suficiente para obter a classificação. Fazendo dois gols cedo, o São Paulo repetiu o placar da ida e avançou para as quartas-de-final.

 

GRÊMIO ESCAPA DE GOLEADA NO OLÍMPICO
São Paulo fez 2 a 0 em 20 minutos e sempre teve o controle da partida que eliminou o time de Sebastião Lazaroni

Sabe aquelas noites em que você toma um banhozão de 45 minutos, se perfuma todo, veste a sua camisa xadrezinha que sempre faz sucesso e sai de casa todo pimpão, pronto para o romance mais efervescente do mundo com a morena de olhos amendoados? Sabe? E aí fura o pneu do carro, você se suja de graxa trocando, o macaco hidráulico cai no seu dedão, você chega atrasado, tropeça na entrada do bar, derruba o chope no colo da moça e ela começa a dar bola para o músico. Sabe? Sabe? Pois é. Aconteceu mais ou menos isso com o Grêmio ontem à noite, na derrota para o São Paulo por 2 a 0, que resultou na sua eliminação da Copa do Brasil.

Deu tudo errado para o Grêmio. Mas também é imperioso dizer que não foi por isso que o Grêmio perdeu o jogo. Não. Perdeu por uma outra razão, mais substanciosa: porque o São Paulo é melhor. O São Paulo tem mais time, mais calma, mais organização, melhores jogadores. O São Paulo tem um capeta no ataque, Denílson, um Garrincha canhoto. Ele sempre consegue dar o drible, sempre abre espaços na defesa, sempre é endemoninhado. O São Paulo tem um papa-léguas no lado esquerdo da defesa, Serginho, que, quando vai à frente não leva vantagem, atropela. O São Paulo tem dois homicidas frios no meio da área do inimigo, Dodô e França, que matam, sopram a fumaça da pistola e depois sorriem de lado.

E o Grêmio… O Grêmio não tem. Ou, antes, tem pouco. Tem só um atacante, Guilherme. Tem quase nenhuma inspiração. Tem poucos jogadores de marcação no meio-campo, mais especificamente um: Fabinho, um explorado que ontem corria para a esquerda, para a direita e se jogava aos pés dos adversários enquanto os outros assistiam ao jogo. Inclusive Goiano, que só se fez notar em campo ao ser expulso por jogada violenta, aos 42 minutos.

O que não faltou ao Grêmio ontem foi torcida. Os mais de 35 mil gremistas no Olímpico estavam prontos para a epopeia. Gritaram, gritaram, incentivaram o time. Mas, puxa, o cronômetro do juiz ainda não marcara 11 minutos e já estava 1 a O para o São Paulo. Alexandre chutou lá de longe, a bola nem foi tão alta assim, mas Danrlei falhou melequentamente. Foi um melo frango, coxa e peito.

O Grêmio bem que tentou. Pressionou sem inteligência, Tinga deu seus driblezinhos, houve uma seqüência de escanteios em alguns momentos, mas, olha, o São Paulo não estava nem aí. Jogou aos bocejos, tocando a bola com indiferença. Aos 20, França levantou a bola sobre a zaga do Grêmio para Dodô, que deu um lençol em Danrlei: 2 a 0. Depois, os paulistas esperaram o tempo passar vendo os jogadores do Grêmio correndo atrás da bola tão inatingível quanto à morena de olhos amendoados. Uma pena. Mas venceu o melhor.” (David Coimbra, Zero Hora, quarta-feira, 22 de abril de 1998)

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

 

“TRICOLORES
▣ O técnico Sebastião Lazaroni reconheceu a qualidade do São Paulo e rebateu as afirmações de que o grupo do Grêmio ainda carece de reforços. Lazaroni utilizara todos os titulares contra o Esportivo, amanhã, no Olímpico.

▣ Os dirigentes mantive-ram o mesmo discurso. O presidente Luiz Carlos Silveira Martins elogiou o São Paulo. O vice de futebol Marcos Herrmann até achou um lado positivo na eliminação: a folga no calendário.

▣ Denilson reclamou da violência do Grêmio. Ele deixou o campo sentindo uma pancada. Guilherme reagiu, acusando-o de provocações com ofensas e palavrões durante o jogo.

▣  Como a partida contra o Nacional será mesmo dia 29, a direção pretende jogar à tarde, pois à noite Brasil e Argentina se enfrentam no Maracanã.” (Zero Hora, quarta-feira, 22 de abril de 1998)

 

SÃO PAULO VENCE NO SUL E CONQUISTA VAGA

Da reportagem local –

O São Paulo garantiu classificação para as quartas-de-final da Copa do Brasil ao vencer o Grêmio ontem, no estádio Olímpico, em Porto Alegre (RS), por 2 a 0.
Como vencera o primeiro jogo em São Paulo pelo mesmo placar, o time de Nelsinho Batista podia perder por um gol de diferença.
A partida, para o técnico são-paulino, serviu também como um teste para o time, que terá compromisso semelhante no próximo sábado, quando enfrenta o Palmeiras pela semifinal do Paulista podendo perder por um gol.
Nas quartas-de-final da Copa do Brasil, o São Paulo pega o Vasco.
O time gaúcho, empurrado pela torcida, tentou sufocar o São Paulo no começo da partida.
Entretanto, recorria apenas às bolas alçadas na área, para que o atacante Guilherme cabeceasse.
O São Paulo chegava melhor distribuído ao ataque. E no primeiro chute ao gol, abriu o placar.
Alexandre arriscou da intermediária, aos 10min, e marcou um belo gol, acertando o ângulo superior esquerdo do goleiro Danrlei.
O gol fez com que o Grêmio se abrisse mais e o São Paulo não demorou a ampliar.
Aos 19min, Dodô recebeu de França, ajeitou de cabeça e, percebendo Danrlei adiantado, encobriu o goleiro com um leve toque.
O time de Nelsinho Batista ainda teve duas chances claras para marcar no primeiro tempo.
Aos 33min, quando, após cruzamento de Serginho, França, da pequena área, cabeceou por cima.
E aos 38min, quando Dodô recebeu de França e, frente a frente com Danrlei, tocou para fora.
A melhor chance gremista aconteceu aos 32min, quando Guilherme recebeu dentro da área, passou pelo goleiro Rogério, mas teve a conclusão bloqueada por Capitão.
A situação ficou mais complicada para o time gaúcho quando o volante Luís Carlos Goiano foi expulso aos 40min, após carrinho por trás em Alexandre.
Mesmo assim, no começo do segundo tempo, Guilherme desperdiçou a melhor chance gremista para diminuir.
Aos 6min, após falha de Rogério na saída de gol para evitar cruzamento da direita, o atacante cabeceou, mas Capitão conseguiu desviar para escanteio.
Pouco depois, o meia-atacante Denílson foi substituído após se desentender com atletas rivais.
Ele teve que ser protegido por policiais no caminho para o vestiário para não ser atingido por objetos atirados da torcida.
Aos 29min, Tinga desperdiçou a última chance do Grêmio ao bater por cima do gol são-paulino.
França, aos 31min, teve oportunidade para ampliar mas bateu à esquerda do gol de Danrlei.
O São Paulo está contratando o zagueiro Marinho, que disputou o Paulista pelo Guarani.” (Folha de São Paulo, quarta-feira, 22 de abril de 1998)

 

“GRÊMIO LEVA 2 A 0 E ESTÁ FORA
Precisava vencer o São Paulo para seguir na Copa do Brasil. Levou dois gols ainda na primeira fase

O Grêmio está fora da Copa do Brasil. Precisava vencer por três gols de diferença e acabou perdendo de 2 a 0, ontem à noite, no estádio Olímpico, que recebeu mais de 35 mil torcedores. Desde 1990, o Grêmio não era eliminado tão cedo (2a fase) da competição.

Para um time que tinha a obrigação de atacar e marcar gols, não poderia ser pior o começo de partida do Grêmio. Nervoso, o time errou demais e, quando conseguiu organizar alguma jogada pelas extremas, teve em Roger e Dário duas inutilidades absolutas, com cruzamentos ridículos. O São Paulo também não conseguia acertar, parecendo sentir a pressão da torcida. Até que, aos 11 minutos, Alexandre dominou pelo meio, ajeitou a bola e chutou no canto direito, com Danrlei saltando tarde na bola: 1 a 0. O time e a torcida sentiram o golpe.

O nervosismo gremista aumentou. Os jogadores do meio de campo não se entendiam, enquanto o time paulista se mostrava cada vez mais perigoso nos rápidos contra-ataques. Aos 20 minutos, o estádio silenciou de novo. Dodô recebeu de França e, livre, esperou a saída de Danrlei para colocar a bola por cima e fazer 2 a 0. O Grêmio, que havia perdido de 2 a 0 no Morumbi, teria de marcar cinco gols para seguir na competição. Para complicar, Goiano foi expulso aos 41.

O Grêmio voltou mais tranqüilo no 2º tempo, conseguindo ao menos organizar jogadas ofensivas. Contudo, não teve sorte nas raras situações de gol que criou, e o resultado do 1O tempo foi mantido.” (Correio do Povo, quarta-feira, 22 de abril de 1998)

Foto: J.Ernesto (Correio do Povo)

Grêmio 0x2 São Paulo

GRÊMIO: Danrlei; Dário (Itaqui), Jorginho, Scheidt e Roger; Fabinho, Goiano, Tinga e Ronaldinho (Djair); Beto (Zé Alcino) e Guilherme
Técnico: Sebastião Lazaroni

SÃO PAULO: Rogério; Zé Carlos, Capitão, Márcio Santos e Serginho; Alexandre, Gallo, Fabiano (Edmílson) e Denílson (Marcelinho Paraíba); França e Dodô (Aristizabal)
Técnico: Nelsinho Batista

Copa do Brasil 1998 – Oitavas de final – Jogo de volta
Data: 21 de abril de 1998, terça-feira, 21h40min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 35.295 (32.256 pagantes)
Renda: R$ 322.389,00
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (FIFA/MG)
Auxiliares: Marco Antônio Machado e e Marco Antônio Martins (MG)
Cartões Amarelos: Tinga, Djair e Serginho
Cartão Vermelho: Goiano, aos 42 minutos do 1º tempo
Gols: Alexandre, aos 10 do 1º tempo e Dodô, aos 20 minutos do primeiro tempo