Archive for the ‘Corinthians’ Category

Brasileirão 2021 – Grêmio 0x1 Corinthians

August 29, 2021

Foto: Rodrigo Coca (Agência Corinthians)

O Grêmio está jogando muito pouco. Felipão parece não conseguir achar o melhor esquema para o time, que aparenta enorme dificuldade para criar jogadas de ataque.

Mas isso não autoriza ou justifica os erros de arbitragem. A falta que originou o gol de Jô é, no mínimo, discutível. E é preciso fazer um grande contorcionismo retórico para negar que Diego Souza teria “uma clara oportunidade de gol” caso não fosse derrubado por Cássio.

A transmissão do Premiere, bem como o pós-jogo do Sportv exibiram a exaustão as reclamações de Maicon e Diego Souza mas sem exibir os lances dos quais os atletas se queixavam.

 

Conforme os dados da Gremiopédia, desde 19/10/2008 Ricardo Marques Ribeiro apitou 35 jogos do Grêmio (por Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana). Com ele o Grêmio teve 5 vitórias (14,29%), 13 empates (37,14%) e 17 derrotas (48,57%). No mesmo período, por essas mesmas competições, o Grêmio fez 670 jogos com 320 vitórias (47,77%), 169 empates (25,22%) e 181 derrotas (27,01%). Me parece que esses números deveriam, ao menos, iniciar algum debate.

Foto: Lucas Uebel (Grêmio FBPA)

Foto: Lucas Uebel (Grêmio FBPA)

Grêmio 0x1 Corinthians

GRÊMIO: Gabriel Chapecó; Vanderson, Ruan, Rodrigues, Rafinha; Thiago Santos, Villasanti, Alisson, Campaz (Maicon, 19’/2ºT), Ferreira (Léo Pereira, 19’/2ºT); Borja (Diego Souza, 29’/2ºT)
Técnico: Luiz Felipe Scolari

CORINTHIANS: Cássio; Du Queiroz, João Victor, Gil, Fábio Santos; Gabriel, Gustavo Mosquito (Gabriel Pereira, 42’/2ºT), Giuliano, Roni (Renato Augusto, 19’/2ºT), Luan (Vitinho, 19’/2ºT); Jô
Técnico: Sylvinho

18ª Rodada – Brasileirão 2021
Data: 27 de agosto de 2021, Sábado, 21h00min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre, RS
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (MG)
Assistentes: Guilherme Dias Camilo (FIFA-MG) e Ricardo Junio de Souza (MG)
VAR: Emerson de Almeida Ferreira (MG)
Cartões amarelos: Diego Souza ; Cássio e João Victor
Cartão vermelho: Maicon
Gol: Jô, aos 33 minutos do 2º tempo

Copa do Brasil 2001 – Final – Jogo de Volta – Corinthians 1×3 Grêmio

June 17, 2021


Há exatos 20 anos o Grêmio conquistou sua quarta Copa do Brasil, vencendo o Corinthians, no Morumbi por 3×1.

Ao meu ver foi a final que o Grêmio teve a atuação mais consistente/dominante da sua história.

Na minha memória o Marinho estreou as suas chuteiras brancas nesse jogo (ainda não encontrei nenhuma imagem dele usando elas antes disso). De início me pareceu uma temeridade (por motivos de superstição/lembrança do Amato), mas ele talvez tenha sido o melhor jogador em campo.

E até hoje eu nunca tinha reparado que o Eduardo Martini estava no banco com uma camisa onde o distintivo do Grêmio e o símbolo da Kappa estão nas posições trocadas.

Foto: Lance

Foto: Alexandre Battibugli (Placar)

Foto: Lance

Foto: Lance

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Tostão – “VERDADEIRO NÓ TÁTICO

Raramente o esquema tático de uma equipe é o fator determinante no resultado de uma partida de futebol, como o da vitória do Grêmio sobre o Corinthians.
No jogo, o chavão “nó tático” nunca foi tão verdadeiro.
Tite, técnico do time gaúcho, já tinha usado o mesmo laço para dar um nó no Vadão, treinador do São Paulo, no mesmo estádio do Morumbi.
Vadão ficou tonto, nocauteado, perdeu o emprego e ainda não retornou ao trabalho.
O nó que Luxemburgo recebeu do Tite foi tão apertado que o técnico do Corinthians ficou paralisado.
De vez em quando soluçava. Só não perdeu a pose. Não parava de ajeitar os óculos, como fazem os pseudo-intelectuais.
O Grêmio deu um baile no Corinthians. Escalou três zagueiros, sendo um na sobra, adiantou a marcação, pressionou, tomou a bola com facilidade no meio-campo e esteve sempre próximo ao gol do Timão.
A vitória do Grêmio foi a do novo e verdadeiro futebol moderno sobre o velho e ultrapassado esquema tático tradicional brasileiro.
De onde Tite tirou a inspiração para a brilhante maneira de jogar de seu time?
Não me refiro ao desenho com três zagueiros e dois alas. Foi o que menos importou. Não teve nada de novo e especial. O mais importante foi a espetacular marcação e facilidade com que o Grêmio dominou a partida e criou situações de gol.
O time gaúcho repetiu a filosofia tática da seleção argentina -única do mundo que marca pressionando em todas as partidas. A França, que não usa o esquema com três zagueiros, alterna a marcação por pressão com o recuo e contra-ataque.
Os franceses são mais prudentes e racionais do que os apaixonados argentinos. Encantam menos, porém jogam com mais segurança.
O início da filosofia de marcação por pressão começou na Copa de 1974. Cruyff conta que, 15 dias antes do Mundial, o técnico holandês Rinus Michels reuniu os jogadores e resolveu fazer algo diferente, surpreendente, já que não dava tempo para treinar o trivial. Os treinadores comuns, normais, fariam o contrário. Os holandeses decidiram se divertir na Copa. E encantaram o mundo.
O técnico colocou a defesa, o meio-campo e o ataque bem próximos. Adiantou a marcação e congestionou o meio-campo. Quando o adversário ia dominar a bola, havia um bando de holandeses. Parecia uma pelada. Tomavam a bola e, com velocidade e habilidade, chegavam ao gol adversário. Até os zagueiros se transformavam em atacantes.
Uma deliciosa e eficiente loucura tática.
Acabaram a Copa e o sonho. Algumas equipes espalhadas pelo mundo tentaram imitar a Laranja Mecânica, mas não deu certo. Não conseguiam repetir a marcação. Levaram muitas goleadas. Era o fim da utopia e do futebol total.
No entanto, aquela gostosa loucura ficou no inconsciente coletivo do futebol. Era preciso recuperar o sonho, mesmo que distorcido. Há alguns anos, criou-se algo parecido.
Algumas equipes, como a Argentina, em vez de recuar e fechar os espaços defensivos, passaram a pressionar e marcar a saída de bola do adversário.
É um esquema de alto risco. Se a marcação for vencida no meio-campo, a defesa fica desprotegida. Para diminuir esse problema, é essencial um zagueiro na sobra. Outro problema é o cansaço. É impossível jogar dessa maneira durante 90 minutos. Se o time perder o primeiro tempo, terá muitas dificuldades em inverter o placar.
Para fazer bem essa marcação, são necessários treinos e a participação de todos os jogadores, inclusive dos atacantes.
Quando estão perdendo, os técnicos brasileiros correm para a lateral do campo para gritar e pedir a marcação na saída de bola. Não adianta. Os jogadores não têm o hábito de executá-la.
Essa postura independe do desenho tático. Pode-se utilizá-la com três ou quatro zagueiros. Como a maioria das equipes utiliza dois atacantes fixos, não é preciso mais do que uma linha com três zagueiros.
Antes da vitória do time gaúcho, Felipão disse que pretendia escalar três autênticos zagueiros, o que é bem diferente de recuar um volante no momento da jogada, como fazem os técnicos brasileiros.
O volante corre para trás e chega sempre atrasado. Os zagueiros estão de frente, olhando o passe, a bola e o atacante.
Parece que o Scolari mudou de idéia por causa da provável ausência do Antônio Carlos.
O zagueiro da Roma não é tão especial assim para a definição do esquema tático depender de sua presença.
Muito mais importante do que o desenho tático será a filosofia ofensiva ou defensiva do treinador. Se o time jogar com três zagueiros recuados, mais dois volantes na frente e os alas como se fossem laterais, terá oito defensores e dois atacantes isolados. É isso que fazem os técnicos brasileiros quando jogam nesse esquema. Viram o galo cantar e não sabem onde.
Sugiro que Felipão convide o Tite, técnico do Grêmio, para auxiliá-lo. Poderia, inclusive, ocupar a vaga do Antônio Lopes, já que a função de coordenador técnico é decorativa. A seleção ganharia um bom reforço.” (Tostão, Folha de São Paulo, 20 de junho de 2001)

José Geraldo Couto: “TRATOR GAÚCHO

Nem o mais fervoroso corintiano haverá de negar: o Grêmio deu um “banho de bola” no Corinthians. O placar de 3 a 1 foi até modesto para traduzir o desnível entre os dois times.
A equipe gaúcha congestionou o meio-campo e marcou em cima os principais articuladores adversários -Marcelinho e Ricardinho-, obrigando o time alvinegro a apelar para a sempre inócua “ligação direta” entre os zagueiros e os atacantes. Quando retomava a bola, o Grêmio partia rapidamente para o ataque, quase sempre com Zinho ou Marcelinho. Ambos estavam em tarde inspirada, mas pecaram nas finalizações, para sorte do Corinthians.
A ausência de André Luiz -meia-lateral com habilidade e visão de jogo- ajuda a explicar a dificuldade corintiana de sair para o jogo. Nunca ficaram tão evidentes as limitações técnicas de Otacílio, de Marcos Senna e de Rogério. Pereira, mais técnico que os três, deveria, a meu ver, ter começado jogando.
Seria fácil também responsabilizar a defesa corintiana pela derrota, já que nos três gols gremistas houve falhas dos zagueiros. No primeiro e no terceiro, o erro foi de colocação, deixando o adversário livre para finalizar.
No segundo gol, João Carlos -xodó de Luxemburgo, da Fiel e de grande parte da mídia- mostrou toda a sua falta de intimidade com a bola.
Mas a razão principal do resultado foi mesmo a excelente atuação do Grêmio, tanto em termos táticos quanto técnicos. Mesmo antes da expulsão de Scheidt, parecia haver mais gremistas em campo.
É uma pena que Marcelinho Paraíba esteja de partida para a Alemanha. Confirma-se com isso o triste destino dos clubes brasileiros da atualidade, que raramente conseguem manter um time de qualidade por mais de uma temporada.
Quanto ao Corinthians, o balanço do semestre foi altamente positivo, sobretudo se lembrarmos que no início do ano a equipe apanhava mais do que índio em filme de faroeste.
Perder a final da Copa do Brasil foi importante para arrefecer um pouco a falta de modéstia em torno do time e, principalmente, de seu treinador.
Terminada a festa, é hora de cair na real: o Corinthians de hoje está longe de ser o supertime de dois anos atrás, e Wanderley Luxemburgo está longe de ser o santo milagroso pintado por certas crônicas esportivas.
Para voltar a ser verdadeiramente poderoso e conquistar um lugar na Taça Libertadores, o clube do Parque São Jorge terá que se reforçar em algumas posições: no gol, na zaga, na lateral direita e no meio-campo (refiro-me a um volante).
E Luxemburgo terá que ser avaliado pelo que vale, e não pelo que pensa que vale.
A propósito: foi constrangedor ver Falcão e Casagrande tentando eximir o técnico de responsabilidades pela derrota diante do Grêmio. Então tá. Quando o time ganha, o mérito é de Luxemburgo; quando perde, a culpa é dos jogadores. Assim, até eu.
Um lance para guardar na memória: Mauro Galvão, 39 anos, mancando visivelmente, olha para o banco e pergunta quanto falta para acabar o primeiro tempo. Havia esperança de que o intervalo fosse suficiente para a recuperação. Não deu. Ficou a imagem de um grande jogador e um homem de fibra.” (José Geraldo Couto, Folha de São Paulo, 18 de junho de 2001)

Paulo Roberto Falcão – “BANHO COMPLETO 

O Grêmio deu um nó tático no Corinthians, um show de preparo físico e ainda jogou um futebol de campeão. Marcou o adversário no seu campo no primeiro tempo, como já havia feito com o São Paulo e construiu o resultado com absoluta naturalidade, aproveitando-se dos erros de uma defesa que não conseguia sair jogando nunca. Depois, administrou como quis a vantagem, reagindo ao sufoco corintiano na metade do segundo tempo com um terceiro e decisivo gol.

Ao conjugar um técnico jovem com um time experiente, o clube encontrou a fórmula do sucesso e comprovou mais uma vez que a Copa do Brasil é a sua competição preferida. No ano em que perdeu o raro talento de Ronaldinho, o Grêmio redescobriu a força do conjunto. Chegou ao título sem depender de um ou dois jogadores. Pelo contrário, o grupo é que acabou sendo o destaque, pois a cada perda de um jogador importante sempre entrou em campo outro que deu conta do recado.” (Paulo Roberto Falcão, Zero Hora, 18 de junho de 2001)

Wianey Carlet : “TITE, TETRA, TCHÊ

Dois títulos em três competições disputadas, nada mal para um time que até três meses atrás era tido como incapaz de grandes proezas. Ontem foi no Morumbi, contra o poderosíssimo Corinthians, do não menos poderoso fundo de pensão norte-americano, tradicional clube do riquíssimo Estado de São Paulo e dono de uma das mais fiéis torcidas do país. Agora já são seis títulos nacionais, o que faz do Grêmio um supercampeão, três deles buscados fora do Olímpico, fato que credencia o clube como um autêntico vencedor, seja em que terreno for. Esta Copa do Brasil te sotaque gaúcho, tchê! É a quarta do Grêmio e a primeira do senhor Adenor Bachi, o excepcional Tite, que em seis meses organizou em grande time e já atravessou no peito duas faixas de campeão. A Copa do Brasil deste ano tem em grande vencedor. Nem o mais desvairado corintiano pode negar. O Brasil é azul. Na São Paulo do apagão, Tite apagou a estrela de Luxemburgo. Tite é tetra, tchê!

Para tornar-se o clube brasileiro que mais conquistou títulos nacionais, o Grêmio contou como principal arma o seu apego pelo futebol de alta competitividade. Sempre que conseguiu sintonizar-se com a sua histórica identidade, como está conseguindo, chegou a grandes conquistas.

Desta vez os gremistas não têm autoridade para repetir que tudo é sofrido na vida do Grêmio. O título de ontem foi conquistado quase sem dor. E o escore de 3 a 1 só não pode ser tido como injusto porque uma goleada não foi aplicada por exclusiva culpa do próprio Grêmio. Tivesse convertido metade das chances construídas no primeiro tempo e o Morumbi teria desabado em uma das mais humilhantes jornadas do futebol paulista. Foi um totó histórico.

A excepcional força coletiva do Grêmio acabou destacando algumas figuras que foram essenciais na conquista do título. Marinho, Marcelinho e Danrlei foram, possivelmente, as mais visíveis. Mas esteve na experiência serena de Zinho e de Mauro Galvão a razão silenciosa do sucesso gremista na Copa do Brasil.

O terceiro gol do Grêmio foi umas das mais primorosas obras coletivas que se tem visto por aí. Zinho, Fábio Baiano e Marcelinho tabelaram com a graça e a leveza de um movimento de balé. É verdade que Scheidt já tinha sido cantado pela torcida gremista pro sua expulsão, mas esta é outra história.” (Wianey Carlet, Zero Hora, 18 de junho de 2001)

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

CORINTHIANS: Maurício; Rogério (Andrezinho 21/2), Scheidt, João Carlos e Kléber; Otacílio; Marcos Senna (Pereira 01/2); Ricardinho e Marcelinho Carioca; Müller (Gil 02/2) e Éwerthon.
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

GRÊMIO: Danrlei; Marinho, Mauro Galvão (Alex Xavier 01/2) e Roger; Anderson Lima (Itaqui 35/2); Anderson Polga, Tinga, Zinho e Rubens Cardoso; Luís Mário (Fábio Baiano 10/2) e Marcelinho Paraíba
Técnico: Tite

Data: 17 de junho de 2001, domingo, 15h00min
Local: Morumbi, São Paulo
Juiz: Antonio Pereira da Silva-GO
Auxiliares: Jorge Paulo de Oliveira Gomes e Aristeu Leonardo Tavares
Cartões Amarelos: Roger, Anderson Lima
Gols: Marinho 42/1T, Zinho 01/2T, Éwerthon 29/2T, Marcelinho Paraíba 42/2T

Copa do Brasil 2001 – Final – Jogo de Ida – Grêmio 2×2 Corinthians

June 10, 2021

 

Eu tenho a impressão que se fala muito pouco de como a entrada de Claudio Pitbull no segundo tempo foi importante para o Grêmio conseguir buscar o empate. Ele mudou completamente a postura do ataque do Grêmio.

Foto: Jefferson Bernardes (Folha Press)

EX-CORINTIANO ESTRAGA FESTA DE PAULISTAS
Luiz Mário, que foi liberado pela diretoria corintiana por deficiência técnica, marcou os dois gols do Grêmio ontem
 
Um ex-corintiano estragou o que seria praticamente a festa antecipada do título da Copa do Brasil para o Corinthians. Após ter aberto vantagem de 2 a 0, o time paulista cedeu o empate ao Grêmio, ontem à tarde, no estádio Olímpico, em Porto Alegre.
Os dois gols da equipe gaúcha foram marcados pelo meia-atacante Luiz Mário, que foi “expulso” do Parque São Jorge por deficiência técnica.
Mesmo tendo cedido o empate ao Grêmio, o Corinthians está bem perto de seu segundo título da Copa do Brasil e, consequentemente, da vaga na Taça Libertadores da América de 2002.
Como fez dois gols no Sul, o time paulista precisa de apenas um empate em até 1 a 1, no próximo domingo, no Morumbi, para repetir a conquista de 1995, diante do mesmo Grêmio.
Um novo empate em 2 a 2 leva a decisão do título para os pênaltis.
O Grêmio só fica com a taça da Copa do Brasil pela quarta vez se empatar em três ou mais gols ou se vencer fora de casa.
O jogo começou bastante equilibrado, com as duas equipes marcando por pressão.
O Grêmio tentava as jogadas pelas duas laterais -com Anderson Lima e Rubens Cardoso-, mas parava nos zagueiros João Carlos e Scheidt, que fizeram um excelente primeiro tempo.
Já o Corinthians, bem posicionado na defesa, pouco arriscava. Marcelinho e Ricardinho, marcados, tinham dificuldades para lançar para Ewerthon e Muller.
Em uma das poucas vezes que chutou a gol, exatamente no momento em que os gaúchos mais pressionavam, o Corinthians abriu o placar.
Aos 29min, Marcelinho recebeu de André Luiz na intermediária e bateu forte. O zagueiro Marinho tentou desviar, mas acertou uma cabeçada e tirou de Danrlei a possibilidade de defesa.
O gol dos paulistas calou o Olímpico, que recebeu mais de 50 mil pessoas ontem.
Até o fim do primeiro tempo, os gremistas insistiam no “chuveirinho” e nas jogadas de bola parada, mas não conseguiram superar o goleiro Maurício.
Na etapa final, o time de Wanderley Luxemburgo voltou melhor e, logo aos 7min, ampliou.
Muller recebeu passe de Marcelinho após escanteio, deu um belo drible em um zagueiro gremista e fulminou Danrlei. Foi o segundo gol do atacante, que conquistou a Copa do Brasil em 2000 com o Cruzeiro, após sua volta ao Parque São Jorge – o primeiro havia sido contra o Flamengo-PI, também pela Copa do Brasil.
O segundo gol parecia que havia “matado” os gaúchos. Mas foi a partir da entrada do atacante Cláudio no lugar de Warley, que não entrou com 100% de condições, que o time da casa cresceu.
A “ressurreição” dos gaúchos começou a 26 minutos do final, quando os 2.200 corintianos que estiveram em Porto Alegre já comemoravam. O gol de Luiz Mário, após bate-rebate na área, acabou com a invencibilidade de seis jogos da defesa do Corinthians, a maior em dez anos.
Aos 25min do segundo tempo, Maurício, que havia feito pelo menos quatro grandes defesas e era umas das principais figuras dos visitantes em campo, falhou e não defendeu chute fraco, de fora da área, de Luiz Mário.
Após o empate, o Grêmio, empurrado por seus torcedores, ainda pressionou para a virada, mas Maurício fez mais duas boas intervenções e segurou o resultado.
Após o partida, Luiz Mário criticou a diretoria corintiana. “Fui o último a saber de meu empréstimo para o Grêmio. Mas não tem nada não. Mostrei hoje [ontem” que tenho futebol para jogar em qualquer lugar. Graças a Deus joguei bem, fiz dois gols, e o Grêmio ainda está vivo”, completou o jogador, que, mesmo com a bela atuação de ontem, deve voltar para a reserva para dar lugar a Marcelinho. O meia-atacante cumpriu suspensão automática. (FERNANDO MELLO ENVIADO ESPECIAL A PORTO ALEGRE, LEO GERCHMANN – DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE) (Folha de São Paulo, segunda-feira, 11 de junho de 2001)
“LANCE A LANCE
Primeiro tempo

3min – Kléber sobe pela esquerda e cruza. Bola desvia em zagueiro gremista e Danrlei defende com facilidade.
6min – Rubens Cardoso faz boa jogada pela esquerda e cruza na cabeça de Luiz Mário, que manda à esquerda do gol de Maurício.
10min –Zinho bate falta cometida por André Luiz da entrada da área. A bola sai direto à esquerda do gol do Corinthians.
16min –Depois de tabela no ataque, Warley é derrubado por João Carlos na entrada da área, mas o juiz não marca falta.
20min – Anderson Lima bate falta no ângulo direito de Maurício, que faz grande defesa e põe a bola para escanteio.
28min – Maurício faz novamente boa defesa depois de chute de Luiz Mário.
29min – Marcelinho chuta de fora da área e conta com o desvio de Marinho para marcar o primeiro gol do Corinthians.
33min –Warley chuta da esquerda, a bola desvia em João Carlos, mas Maurício consegue espalmar para escanteio.
44min –Marcelinho cruza da esquerda e João Carlos cabeceia com perigo, mas a bola sai por cima do gol.

Segundo tempo

4min – Marcelinho faz boa jogada pela direita, fica na cara do gol, mas erra o chute cruzado. Ewerthon, que entrava pelo meio, reclama com o companheiro de time.
5min –Muller recebe passe de Marcelinho e fica livre pela esquerda. No cruzamento, Mauro Galvão salva a equipe gremista desviando a bola para escanteio.
7min –Mais uma vez pela esquerda, Muller domina na área, passa por dois marcadores, gira e marca um golaço: Corinthians 2 a 0.
19min – Rubens Cardoso cruza da esquerda, mas Kléber se antecipa e cabeceia para escanteio.
19min – Marinho recebe na área e chuta em cima de Rogério. Luiz Mário aproveita sobra e marca o primeiro gol do Grêmio.
21min – Cláudio cabeceia de frente para o gol, mas Maurício faz ótima defesa.
25min –O Grêmio empata com um chute de fora da área de Luiz Mário, que conta com uma falha do goleiro Maurício.
32min –Marinho desperdiça boa chance após cobrança de escanteio. Cabeceia para fora, à direita do gol.
40min –Cláudio chuta forte de fora da área. Mas a bola sai direto.
46min –
Gil invade a área sozinho, mas o juiz marca impedimento.”(Folha de São Paulo, segunda-feira, 11 de junho de 2001)

Foto: Ricardo Duarte (Zero Hora)

Tostão: “CONTROLE REMOTO
No segundo tempo da partida entre Corinthians e Grêmio, resolvi variar de canal.
Passei da ESPN Brasil para a Rede Globo. O time paulista tinha todas as facilidades no contra-ataque, fez o segundo gol e estava próximo do terceiro. Aí, numa jogada isolada, o Grêmio marcou seu primeiro gol.
Como faz a maioria dos técnicos, Luxemburgo imediatamente tirou o Muller, o mais lúcido jogador do Corinthians, autor de um belíssimo gol, e colocou mais um atleta para segurar o jogo.
Galvão Bueno, que entende de futebol, não gostou. Passou a bola para os comentaristas. Como sempre, perguntou induzindo a resposta:
– Falcão, o Corinthians estava muito bem no contra-ataque com Muller. Gostou da substituição?
– Luxemburgo mexeu certo. O Corinthians está respeitando o Grêmio. É preciso reforçar a marcação.
Falcão adora reforçar a marcação.
Não satisfeito, Galvão continuou o papo com o Casagrande.
– Casagrande, com Muller e Marcelinho abertos o Corinthians estava chegando fácil ao gol do Grêmio. O que achou da substituição?
– Gostei. O Corinthians já fez dois gols na casa do adversário e não pode arriscar.
O Grêmio pressionou, empatou e quase fez o terceiro.
Luxemburgo, então, enxergou o erro. Retirou um dos volantes (André Luiz) e colocou um atacante (Gil). O Corinthians melhorou e voltou a atacar com perigo.
Retornei para a ESPN Brasil, de onde não deveria ter saído.” (Tostão, Folha de São Paulo, 13 de junho de 2001)

 

GRÊMIO: Danrlei, Marinho, Mauro Galvão (Roger) e Ânderson Polga; Ânderson Lima, Eduardo Costa, Tinga, Zinho e Rubens Cardoso; Luís Mário e Warley (Cláudio Pitbul).
Técnico: Tite
CORINTHIANS: Maurício, Rogério, João Carlos, Scheidt e Kléber; Otacílio, André Luís (Gil), Marcelinho (Pereira) e Ricardinho; Müller (Marcos Senna) e Éwerthon.
Técnico: Wanderley Luxemburgo
Data: 10/06/2001, Domingo, 16h00min
Local: Olímpico (Porto Alegre/RS )
Público: 50.313  (40.491 pagantes).
Renda: R$ 509.482,00
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG);
Auxiliares: Jorge Paulo de Oliveira Gomes e Aristeu Leonardo Tavares
Cartões Amarelos: Rubens Cardoso, Eduardo Costa, Éwerthon, Otacílio, Scheidt e André Luís
Gols: Marcelinho Carioca 29′ do 1º; Müller 6′, Luís Mário 18′ e 25′ do 2º;

Brasileirão 1981 – Grêmio 1 x 0 Corinthians

January 31, 2021

Foto: Luiz Avila e Vilmar Calistro (Zero Hora)

Há exatos 40 anos o Grêmio fez sua quinta partida no Brasileirão de 1981, vencendo o Corinthians por 1×0 no Olímpico (gol marcado numa cabeçada de Tarciso).

Foi a primeira atuação unanimemente convincente do tricolor. De León foi um dos destaques Grêmio, recebendo nota 9 na cotação da Zero Hora e sendo o personagem da reportagem da Placar daquela semana.

Foto: Telmo Cúrcio da Silva  (Zero Hora) 

Foto: Luiz Avila e Vilmar Calistro (Zero Hora)

“VITÓRIA VALEU A LIDERANÇA DO GRUPO B
No sábado, o Grêmio venceu e mostrou um bom futebol. Agora é a vez da Portuguesa

A vitória de 1 a 0 diante do Corintians, sábado a tarde, deve ter deixado satisfeitos os torcedores do Grêmio que estiveram no Estádio Olímpico. E por dois motivos: o primeiro a liderança do grupo B junto com o Botafogo; o segundo a mais importante, todos puderam perceber na equipe um esquema bem definido, um bom esquema tático onde o talento de De León acabou utilizado era sua totalidade, ficando certos os torcedores – definitivamente – que o zagueiro uruguaio em seguida será o grande desta que do Grêmio pela sua seriedade e liderança, além de sua liderança, agora bem explorada pela equipe

 Nos primeiros minutos de logo, é possível que alguns torcedores tivessem chegado a imaginar que o Grêmio repetiria a atuação ruim da partida contra a Desportiva – o Corintians ficou todo em seu próprio campo e o Grêmio não conseguia uma boa jogada ofensiva. Engano de quem pensou assim, pois o time começou a pressionar bastante, só errando por não explorar mais as jogadas pelas pontas.

 Mesmo esquecendo, às vezes, de Tarciso e Odair, o time aos poucos tomou conta do adversário e ficou buscando penetrações Aos 21 minutos, Flávio colocou uma bola atrás de Djalma para que Baltazar entrasse livre, mas o centroavante bateu torto perdeu o gol. Aos 24, numa cobrança de escanteio, Zé Maria rebateu mal e Odair teve outra chance, chutando para fora. Aos 37 novamente Baltazar deixou de marcar, pois ficou só na frente do goleiro depois de um lançamento de De León, e permitiu que Djalma tocasse para escanteio. Sete minutos depois, Tarciso teve espaço para o cruzamento e colocou a bola na área. Renato Sá penetrou atrás de Amaral mas tocou na bola com a cabeça e com o ombro, na frente de Solitinho — a bola saiu pela linha de fundo.

Poucos erros

Enquanto isso, Leão não precisou fazer uma única defesa, o que evidenciou que o Grêmio havia conseguido uma síntese importante em futebol: atacou com frequência sem jamais arriscar-se a um contra-ataque do adversário. Assim, a vitória do primeiro tempo a partir dos 42 minutos com o gol de Tarciso estabelecia claramente a superioridade do Grêmio sobre um Corintians irreconhecível — lento, sem criatividade nem força para uma tentativa ofensiva.

No segundo tempo apareceram alguns defeitos no Grêmio, principalmente durante os 15 primeiros minutos – o Corintians deu a impressão de que recuperara sua força no vestiário, procurando lugar com Vaguinho na direita. Aos seis e aos 11 minutos o Corintians poderia ter empatado: na primeira oportunidade Dirceu errou a cabeçada,  Eli dominou no peito e bateu por cima;. na outra, Vaguinho recebeu um cruzamento da esquerda e cabeceou para a entrada de Geraldo que simplesmente  errou da bola.

Mas parou aí a reação do Corintians que voltou a ser dominado pelo Grêmio e ficou confinado apenas na velocidade de Vaguinho, seu melhor jogador.

O PLACAR

TARCISO para o Grêmio – 1 a 0 aos 42 minutos do primeiro tempo – Dirceu recebeu de Flávio na intermediária, avançou rápido e cruzou alto para a área. Tarciso saltou mais do que Vladimir e cabeceou forte, no canto direito de Solitinho que não saltou na bola.” (Pedro Macedo,  Zero Hora, segunda-feira, 02 de fevereiro de 1981)

 

Foto: Luiz Avila e Vilmar Calistro (Zero Hora)

 

“TARCISO CABECEOU CERTO EM GOL

 Ao final do Jogo de sábado, Tarciso fez questão de trocar do camisa com o lateral— esquerdo Vladimir do Coríntians, que foi seu marcador muito firme durante os 90 minutos. O ponteiro-direito do Grêmio havia feito o gol da vitória aos 42 do primeiro tempo, aproveitando de cabeça uma bola cruzada do Dirceu para dentro da área:

 — Se ganharmos todas por 1 a 0, poderemos chegar à classificação. Sinto que o time está se entrosando e com mais treino e tempo de jogo vamos começar a nos entender multo melhor. Já temos tranquilidade, o que é importante, e a torcida também nos apoia, mas eu peço que os torcedores apoiem mesmo é ao China, Flávio, Bonamigo, Odair, pois estes garotos serão o Grêmio de amanhã. Eles precisam de toda a força da massa.

 O ponteiro-direito gremista lembrou que o seu gol não foi apenas obra sua:

 — O mérito deste gol é do Dirceu. Ele soube usar uma jogada de treino e teve presença de espírito para lançar a bola dentro da área. Eu só complementei um trabalho iniciado por ele, lá pela meia-cancha. Se alguém tem que receber abraços, é meu amigo Dirceu; eu só tive a sorte de marcar o gol.

Marcar gol é trabalho do centroavante Baltazar, que há dias vem errando na conclusão:

— O Baltazar é imprevisível. Numa hora está bem, noutra parece meio aéreo. Mas, o Baltazar é centroavante de ofício e sabe jogar dentro da área. Isto tudo vai passar.” (Zero Hora, segunda-feira, 02 de fevereiro de 1981)

Foto: Luiz Avila e Vilmar Calistro (Zero Hora)

Foto: Luiz Avila e Vilmar Calistro (Zero Hora)

 

Placar: “OPINIÃO: Vitória justa do Grêmio porque soube pressionar o Corinthians até a marcação do gol e teve capacidade para segurar a reação paulista.” (Emanuel Mattos, Revista Placar, edição n.º 560, 06 de fevereiro de 1981)

 

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO VENCE CORÍNTIANS E ASSUME LIDERANÇA DO GRUPO

 Com um gol de cabeça de Tarciso, aos 42 minutes do primeiro tempo, o Grêmio venceu, ontem, no estádio Olímpico, ao Corintians de São Paulo. A vitória, alcançada num jogo bastante movimentado, elevou o tricolor gaúcho, ao lado do Botafogo do Rio de Janeiro,  à liderança do Grupo B. O Botafogo, que estava invicto tendo vencido, inclusive, os quatro primeiros jogos, perdeu ontem, no Maracanã, para a Portuguesa, de São Paulo, pelo escore mínimo.

Durante todo o primeiro tempo, o Grêmio forçou muito o ataque, sobretudo pelas pontas, mas encontrou poucos espaços na compacta defesa do Coríntians; no segundo tempo, bem mais movimentado, o time de Ênio Andrade voltou a jogar na frente, enquanto o Coríntians limitou-se a alguns contra-ataques, sempre muito perigosos.

O Grêmio atuou Leão, Uchoa, Vantuir, De León (este, em sua melhor apresentação no time). Dirceu, China, Flávio (depois Bonamigo) Renato Sá, Tarciso,  Baltazar e Odair. O Coríntians contou com Solitinho Zé Maria, Amaral. Djalma, Vladimir, Biro-Biro, Basílio. Vaguinho, Toninho (depois Geraldão) e Vilsinho.

Vinte e quatro mil e nove pessoas assistiram ao jogo, um púbico excelente para o início de feriadão, e a renda alcançou dois milhões e setenta e um mil cruzeiros.” (Correio do Povo, 3 de fevereiro de 1981)

 

Foto: Correio do Povo

Grêmio 1 x 0 Corinthians

GRÊMIO: Leão; Uchôa, Vantuir, De León e Dirceu; China, Flávio (Bonamigo 31 do 2º) e Renato Sá; Tarciso, Baltazar e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

CORINTHIANS: Solitinho; Zé Maria, Amaral, Djalma e Vladimir; Biro-Biro, Basílio e Eli (Paulinho 24 do 2º); Vaguinho, Toninho (Geraldo) e Wilsinho.
Técnico: Osvaldo Brandão

5ª Rodada – 1ª Fase – Brasileirão 1981
Data: 31 de janeiro de 1981 – Sábado
Local: Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 24.009 (20.900 pagantes)
Renda: Cr$ 2.071.000,00
Juiz: Arnaldo Cezar Coelho – RJ
Auxiliares: Rui Canedo e Zeno Escobar Barbosa
Cartão Amarelo: Biro-Biro
Gol: Tarciso, aos 42 minutos do 1º tempo

Brasileirão 2020 – Corinthians 0x0 Grêmio

November 23, 2020

Foto: Lucas Uebel | Grêmio FBPA

A rodada do fim de semana e o jogo foram se desenrolando de maneira favorável ao Grêmio. Contudo o tricolor não soube jogar contra um adversário com menos atletas, tendo inclusive ficado mais perto de levar o gol do que de fazer quando tinha 11 jogadores contra 9.

Renato fez bem em tirar Darlan ao fim do primeiro tempo. O juiz estava muito inseguro na partida e o risco do volante do Grêmio ser expulso era muito alto. Contudo, acho que técnico gremista alterou demasiadamente seu meio de campo. Matheus Henrique e Jean Pyerre, que são os jogadores mais habilidosos da equipe, acabaram ficando longe do gol do adversário.

Sigo sem entender porque o Grêmio não usa meias azuis quando enfrenta o Corinthians fora de casa.

Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

 

CORINTHIANS: Cássio; Fágner, Gil, Marllon e Fábio Santos; Gabriel (Camacho, 40’/2ºT), Cantillo (Xavier, 25’/2ºT), Otero, Luan (Léo Natel, 40’/2ºT) e Jonathan Cafu (Lucas Piton, 25’/2ºT); Davó (Bruno Méndez, 33’/1ºT)
Técnico: Vágner Mancini

GRÊMIO: Vanderlei; Orejuela (Churín, 29’/2ºT), Geromel, Rodrigues e Cortez (Diogo Barbosa, intervalo); Darlan (Pinares, intervalo), Matheus Henrique (Victor Ferraz, 37’2ºT), Luiz Fernando, Jean Pyerre (Isaque, 37’/2ºT) e Pepê; Diego Souza
Técnico: Renato Portaluppi

22ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2020
Data: 22 de novembro de 2020, domingo, 20h30min
Local: Arena Corinthians, em São Paulo (SP)
Árbitro: Caio Max Augusto Vieira (RN)
Assistentes: Jean Marcio dos Santos e Vinicius Melo de Lima (ambos RN)
VAR: Pablo Ramon Goncalves Pinheiro (RN)
Cartões amarelos: Cantillo, Otero; Darlan
Cartões vermelhos: Marllon, Otero

Brasileirão 1975 – Corinthians 3×2 Grêmio

November 21, 2020

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

No Brasileirão de 1975, o Grêmio enfrentou o Corinthians pela antepenúltima rodada da segunda fase. As duas equipes conseguiram classificação para a fase seguinte, na qual foram eliminadas.

A reclamação de Ênio Andrade sobre o pênalti marcado para o Corinthians, na matéria da Zero Hora transcrita abaixo, não se sustenta. No vídeo fica claro que Picasso não tinha segurado a bola. Porém fica a dúvida, o carrinho que o atacante corintiano deu no goleiro gremista foi legal?

Foto: Domicio Pinheiro

 

NOS TRÊS GOLS, TODA A FORÇA DE VAGUINHO.

Grêmio jogou ontem à tarde no estádio do Morumbi contra o Corintians e manteve a tradição de nunca ter vencido ao “Timão” de São Paulo. Apesar de os dois gols de Tarciso e da pressão final em busca do empate, o time de Ênio Andrade não jogou bem e o Coríntians mereceu a vitória. Agora, ainda com 11 pontas ganhos, em terceiro lugar no seu grupo, o Grêmio precisa vencer o América do Rio, quarta-feira, no Olímpico para garantir a classificação à fase final.

A partida iniciou com o Grêmio se defendendo e o Coríntians explorando a velocidade de Vaguinho em busca da jogada de fundo. Com o tempo, Neca demonstrou ser um dos melhores jogadores do Grêmio na partida, mesmo deixando Russo jogar desmarcado. lúra não jogava bem e falhava na marcação a Adãozinho A única opção de ataque do Grêmio eram os lançamentos longos para Tarciso, isolado na frente.

Apesar de todos os erros do Grêmio, o Corintians só conseguiu fazer seu primeiro gol no final do primeiro tempo. Bolívar chutou Vaguinho sem bola, depois de estar batido na jogada, e levou cartão amarelo aos 44 minutos. Na jogada seguinte, o lateral cedeu escanteio displicentemente e assistiu Zé Maria fazer o passe para Vaguinho. O ponteiro centrou, Adilson dominou a bola no risco da pequena área e chutou forte, de meia-virada, junto ao travessão, sem chance de defesa para Picasso. 1 a 0. Eram 45 minutos.

Já no início do segundo tempo o Corintiansf ez outro gol, numa falha de Beto Fuscão. Adilson fez um lançamento nas costas de Bolívar aos três minutos, Beto Fuscão foi na cobertura mas atrasou fraco para Picasso. Vaguinho disputou a bola com o goleiro do Grêmio, ambos cairam e o atacante sofreu pênalti de Picasso ao tentar levantar-se. Cláudio fez a cobrança com perfeição aos quatro minutos, 2 a 0.

O Grêmio, entretanto, não se entregava. Aos 12 minutos Neca deu um balãozinho em Sérgio mas não conseguiu fazer o gol Tarciso, aos 14 minutos, é que aproveitou uma confusão na área do Coríntians, depois que Bolívar fez o centro e Sérgio soqueou a bola, e no sétimo toque do ataque do Grêmio conseguiu mandar a bola, de leve, para o canto esquerdo do gol adversário, fazendo 2 a 1.

O Coríntians continuava jogando melhor que a equipe de Ênio Andrade e aos 19 minutos Pita ganhou de Celso e Tadeu, fez o centro e conseguiu lançar Vaguinho, pelo outro lado. O ponteiro-direito cruzou forte, Vladimir, que estava na marca do pênalti, se abaixou e cabeceou tranqüilamente, 3 a 1 para o Coríntians.

O Grêmio ainda conseguiu seu segundo gol aos 30 minutos, através de Tarciso. Loivo cobrou uma falta de Vladimir em Cacau, pelo lado direito, Sérgio soltou a bola, Neca e Tarciso entraram e o centroavante tocou para as redes do Coríntians, 3 a 2.” (Danilo Miralles, Zero Hora, segunda-feira, 3 de novembro de 1975)

 

Foto: Domicio Pinheiro (Tardes de Pacaembu)

O CORÍNTIANS, QUASE NAS FINAIS

O Corintians voltou a perder gols incríveis, teve momentos brilhantes e medíocres, foi corajoso e medroso, mas mesmo com um futebol irregular e sem ritmo, mereceu ganhar do Grêmio por 3 a 2 ontem no Morumbi, praticamente garantindo, com 10 pontos, a sua classificação para o primeiro turno da fase final do Campeonato Brasileiro.

Durante 45 minutos do primeiro tempo, o Corinthians jogou como quis, dominou o meio de campo. Sérgio não fez uma única defesa e os atacantes perderam três excelentes oportunidades de gol, Mesmo assim, no último minuto conseguiu abrir a contagem com um gol de Adilson, ganhou ânimo para o segundo tempo, quando os dois times tiveram maior número de falhas individuais e táticas, mas fizeram quatro gols, numa repetição constante de, jogadas ofensivas e erros das retaguardas, construindo um resultado justo e inesperado.

Pelo ritmo imposto pelo Grêmio nos primeiros 10 minutos de jogo (acompanhado das vaias da torcida, normal seria se esperar por mais um jogo sem gols ou então a vitória do Corintians, que mais procurava o gol de Picasso, por um a zero. Logo aos 8 minutos, o Corintians perdeu a grande chance de sair na frente: Vaguinho cruzou, Picasso rebateu e Russo, livre na pequena área, chutou prensado, formando uma confusão sem que a bola chegasse a entrar. Aos 21 minutos, num toque sutil de Adãozinho, a bola cobriu Picasso e o gol, saiu rente à trave. Aos 41′, outro gol perdido: Zé Maria ganhou de Bolívar, chegou livre à frente do goleiro e chutou, vendo a bola mansamente tomar o caminho da linha de fundo, com. César chegando atrasado.

Nesses três lances, o Corintians resumiu o domínio total a um adversário indeciso e sem a mínima coragem para partir em busca da vitória, Apenas Neca, inteligente e habilidoso, tentava as jogadas individuais, porem deixando Tarciso isolado entre Cláudio e Darei, enquanto os ponteiros Zequinha e Nenê eram dominados por Zé Maria e Vladimir.

Para perder essas três chances, o Corintians contou com a falta de imaginação de seus atacantes, com boa vontade mas sem nenhum sentido prático, principalmente pela péssima atuação de Vaguinho nessa fase e pelos seguidos passes errados de Adilson, sem que Russo ou Adãosinho tivessem o domínio de meio campo prejudicado, pois como o Grêmio apenas se defendia, Pita também podia atacar, porém sem noção.

Pelo quadro indefinido do primeiro tempo, mesmo com o gol de Adilson (aproveitou com um chute forte, da pequena área, o bom cruzamento de Vaguinho, após receber de Zé Maria), seria difícil sequer imaginar a correria e quatro gols no segundo tempo, quando muitos outros gols ainda poderiam ter sido marcados.

Logo aos 3 minutos, o Corintians chegou aos dois a zero e, pela movimentação dos atacantes, até a goleada passou a fazer parte das previsões. O gol foi de pênalti (bem cobrado por Cláudio), mas precedido de uma jogada inteligente: Adilson fez o lançamento longo para a corrida de Vaguinho. Ele venceu Bolivar, perdeu o pique e a bola para Beto que atrasou curto, permitindo a entrada de Vaguinho que chutou e não pode aproveitar o rebote ao ser seguro por Picasso pelas pernas.

Sérgio fez uma defesa excelente em cabeçada de Neca, mas foi indeciso no lance que originou o primeiro gol do Grêmio, aos 14 minutos. Rebateu uma bola alta que poderia segurar e Cláudio confundiu-se com Darci, deixando a sobra para o atacante Tarciso diminuir. Entretanto, como continuava ganhando o meio de campo e seus Jogadores se movimentavam em alta velocidade’ foi fácil chegar a três a um’ depois de boa jogada de Pita, cruzamento de Vaguinho e gol de cabeça de Vladimir, aos 19 minutos. Três a um suficientes para o Corintians parar.

O Grêmio criou coragem, diminuiu para 3 a 2 dez minutos depois (Volmir cobrou uma falta, Sérgio falhou e rebateu, Tarciso só tocou para o gol ) e, como o Corintians, perdeu outras chances de gol. A melhor de todas, com Zequinha, aos 34′ e, pelo Corintians, de Adilson’ aos 41′.

Até os 25 minutos, quando vencia por 3 a 1, o Corintians ainda foi superior e calmo, mas foi caindo, mesmo mantendo a vantagem. Russo parou em campo e deixou Adãosinho perdido entre Neca, lura e Cacau, que ainda contavam com o apoio de Volmir. Pita sentiu cansaço, César deixou de correr e, Milton Buzetto, manteve ao seu lado, no banco, o Volante Helinho, quando o Grêmio ganhava no centro do campo e partia para contra-ataques perigosos e envolventes, que só teve coragem de iniciar quando o jogo estava praticamente perdido” (Flavio Adauto, Folha de São Paulo, segunda-feira, 3 de novembro de 1975)

 

Foto: Terceiro Tempo – Tardes de Pacaembu

 

ÊNIO ANDRADE ARRANJOU UMA DESCULPA: O JUIZ.

Reclamações, em futebol, principalmente depois de resultados negativos, já é algo comum por parte dos perdedores. Sempre, entre os derrotados, há alguém para culpar o juiz como o responsável pela vitória do time adversário. Ao finalizar a partida de ontem á tarde, frente ao Coríntians em São Paulo, dirigentes, treinador e jogadores do Grémio não esqueciam de justificar suas falhas apontando Luis Carlos Félíx como mal intencionado contra o Grêmio.

No inicio de suas explicações sobre a vitoria do Corintians, Ênio Andrade fez questão de dizer que não tem o hábito de acusar as arbitragens, mas quanto a de ontem ele não podia ficar quieto. Segundo o treinador do Grêmio, sua equipe foi bastante prejudicada pelo juiz, que estava influenciado pela torcida paulista e por isso prejudicou o Grêmio, principalmente em lances decisivos.

Para ele, antes de fazer falta em Vaguinho o lance que ocasionou o pênalti – Picasso tinha a bola segurada.

Para ele, Vaguinho empurrou Picasso e assim ele soltou a bola. Somente nesse momento o juiz assinalou falta e contra o Grêmio. Ênio garante que aquele lance não poderia ser pênalti, porque a primeira falta era a favor do Grêmio.

Depois de encontrar um culpado para a derrota , Ênio Andrade disse que o Grêmio, no período inicial, procurou observar o esquema tático do Coríntians e jogar da maneira mais tranqüila, para ir à frente, como fez no segundo tempo, Mas ele não esperava que o Coríntians, também procurasse jogar ofensivamente.” (Danilo Miralles, Zero Hora, 3 de novembro de 1975)

 

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

“CORÍNTIANS 3 X GRÊMIO 2

São Paulo — O Coríntians, jogando com aplicação tática e inteiramente na ofensiva, conseguiu com justiça uma boa vitória ontem, por 3 a 2, sobre o Grêmio, tendo no atacante Vaguinho sua principal figura em campo.
Os gols do Coríntians foram marcados por Adilson, Cláudio de pênalti e Vladimir, assinalando Tarciso 2 para o Grêmio. A renda foi de Cr$ 442 mil 884, com 28 mil 126 pagantes, e o juiz foi Luis Carlos Félix, com excelente atuação.

REAÇÃO DESESPERADA O Coríntians atuou com Sérgio, Zé Maria, Darci, Cláudio e Vladimir; Russo, Adãozinho e Pita; Vaguinho, Adilson e César (Geraldo). O Grêmio, com Picasso, Celso, Tadeu, Beto e Bolívar; Cacau (Oscar), Iura e Neca; Zequinha, Tarciso e Nenê (Loivo).

Desde os primeiros minutos de jogo, o Coríntians se lançou inteiramente ao ataque. As oportunidades de gol foram surgindo a todo instante, mas Vaguinho, Adãozinho, Adilson e Pita as desperdiçavam infantilmente. Somente aos 45 minutos da primeira etapa foi que o quadro paulista traduziu em gol sua superioridade em campo: Zé Maria cobrou um córner curto para Vaguinho e este centrou certeiramente para Adilson completar para as redes.

No segundo tempo, o panorama do jogo não se modificou. Aos 4 minutos, Picasso cometeu um pênalti em Vaguinho. Cláudio cobrou e ampliou o placar para 2 a 0. Embora de maneira desordenada, principalmente pelo desentrosamento do meio de campo, o Grêmio reagiu na base do espirito de luta e aos 16 minutos marcou seu primeiro gol, através de Tarciso.

Entusiasmado com esse gol, o time gaúcho abandonou quase que completamente a defensiva, do que se aproveitou o Coríntians. Aos 21 minutos, Vaguinho centrou para a área e o zagueiro Vladimir cabeceou para as redes.

Depois dos 3 a 1, no entanto, Inexplicavelmente o time do Coríntians recuou. Aos 29 minutos, Tarciso, se aproveitando de uma rebatida do goleiro Sérgio, marcou o segundo gol do Grêmio. O quadro gaúcho voltou a se motivar e partiu decisivamente para o ataque que só não conseguindo o empate pelos erros dos seus próprios atacantes, principalmente Zequinha, na complementação das jogadas.” (Jornal do Brasil, segunda-feira, 3 de novembro de 1975)

 

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

 

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

CORINTHIANS: Sérgio; Zé Maria, Darcy, Cláudio Marques, Wladimir, Russo, Adãozinho, Vaguinho, Adílson, César (Geraldão) e Pita
Técnico: Mílton Buzetto

GRÊMIO: Picasso; Celso, Tadeu, Beto Fuscão e Bolívar; Cacau (Osmar), Iúra e Neca; Zequinha, Tarciso e Nenê (Loivo)
Técnico: Ênio Andrade

Campeonato Brasileiro 1975 – 2ª Fase – 8ª Rodada
Data: 02 de novembro de 1975, domingo, 16h00min
Local: Morumbi, em São Paulo, SP
Público: 28.126
Renda: Cr$ 442.884,00
Árbitro: Luís Carlos Félix
Auxiliares: Manoel Espezin Neto e Juan de La Passion
Gols: Adílson aos 45 do 1º Tempo; Cláudio Marques (de pênalti) aos 4, Tarciso aos 15, Wladimir aos 20 e Tarciso aos 30 do 2º Tempo.

 

Confrontos Grêmio X Corinthians pelo Brasileirão em Porto Alegre

August 15, 2020

A média de público dos Grêmio em casa contra o Corinthians pelo Brasileirão na era de pontos corridos é de 30.113 (25.741 pagantes)

Nos 7 jogos disputados na Arena contra o Corinthians pelo Brasileirão a média é de 33.147 (30.470 pagantes)

 Aproveitando o ensejo, postei mais algumas fotos de confrontos históricos do Grêmio contra o Corinthians pelo Brasileirão no Tumblr, e as posto aqui também.

A primeira é do Correio do Povo, de Paulo Sérgio marcando Rivellino no 0x0 pelo Brasileirão de 1973.

As duas próximas (retiradas da Zero Hora) são de Iura superando o goleiro Tobias e marcando o primeiro gol da vitória por 3×0 pelo Brasileirão de 1976. O público foi de 20.842 pagantes.

1976 a1976

A foto abaixo é do Correio do Povo onde se vê  Odair na vitória por 1×0 no Brasileirão de 1981. O público foi 20.900 torcedores

 

Abaixo vemos Tarciso marcando o terceiro gol (foto da Folha da Tarde) na vitóra por 3×1 na semifinal do Brasileirão 1982. O público foi de 42.912 pagantes.

1982 gremio 3x1 corinthians tarciso ft (2)

Abaixo, Brasileirão 1984 – Grêmio 2 x 1 Corinthians – Renato Vs. Mauro, Sócrates e Wladimir. Público de  32.838 pagantes e renda de Cr$ 65.707.500,00. Foto do Correio do Povo.

Na sequência, Brasileirão 1986 – Corinthians 0x0 Grêmio – Baidek e Raul Vs. Cristovão Borges. Público de  23.191 pagantes e renda de Cz$ 582.685,00. Foto de Alfonso Abraham (Correio do Povo)

Abaixo temos uma foto de Valdir Friolin da Zero Hora, de Roger e Marcelinho Carioca  no jogo Grêmio 0x1 Corinthians no Brasileirão 1994. O público foi de 24.128 (18.850 pagantes).

Brasileirão 1994 - Grêmio 0x1 Corinthians - Roger Vs. Marcelinho
Público: 24.128 (18.850 pagantes)
Renda: R$ 118.082,00
Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

As últimas são de Guilherme Dieckmann (do blog Resenhas dos Meus Discos) da vitória do tricolor por 2×0 no Brasileirão de 2006. O público foi de 31.016 (26.368 pagantes).

 

Brasileirão 1995 – Grêmio 2×1 Corinthians

August 15, 2020

Foto: Carlos Rodrigues  (Zero Hora)

No Brasileirão de 1995 o Grêmio conseguiu fazer o que ainda não havia feito naquela temporada: vencer o Corinthians.

Depois da partida foi noticiado o suposto interesse do Valencia em um troca de Viola por Jardel. Fábio Koff rechaçou tal negócio, por entender que o salário do ex-corintiano (de cerca US$ 45 mil) estava “muito acima” do que o Grêmio poderia pagar.

Vale lembrar que naquele ano o horário de sábado as 16h era o que a Globo transmitia futebol na TV aberta nos finais de semana.

Também cabe destacar que esse foi o último Brasileirão em que os times podiam atuar com calções e meias da mesma cor.

Foto: Guaracy Andrade (Zero Hora)

“VITÓRIA SOBRE CORINTHIANS MELHORA POSIÇÃO NA TABELA

            Apesar do desgaste provocado pelo jogo contra o Racing e a viagem de volta da Argentina – além de ter jogado sem os titulares Arce, Adilson e Dinho -, o Grêmio se superou e venceu o Corinthians sábado, no Estádio Olímpico, por 2 a 1. Jardel marcou os dois gols do Grêmio e Souza diminuiu. O Grêmio terminou o turno em sexto lugar com 12 pontos (ao lado do Juventude e Guarani). Corinthians continua em último, com oito. O próximo jogo do Grêmio será quinta-feira, em Salvador, contra o Bahia.

            A precaução foi a estratégia das duas equipes no primeiro tempo. Consciente que não poderia manter um ritmo forte, O Grêmio procurou marcar e explorar a sua principal jogada de ataque: lançamentos para Jardel. A meta era vencer e melhorar na tabela.

            Carlos Miguel teve uma boa chance aos dois minutos e o Corinthians respondeu com Célio Silva aos 36 minutos, quando a bola rebateu na trave. Mas a ousadia custou caro: no contra-ataque, Paulo Nunes, pela esquerda, cruzou e Jardel fez 1 a 0 de pé direito aos 37 minutos.

            O Grêmio manteve o seu sistema no segundo tempo e logo aos dois minutos Elivélton perdeu a bola para Carlos Miguel, que lançou Arilson na direita. O meia cruzou para Jardel marcar o seu segundo gol. O avante corintiano Serginho foi expulso depois de atingir André Vieira. Logo depois Zé Elias agrediu Jardel – o juiz não viu e foi substituído.

            O gol corintiano aos nove minutos, em belo lance de Souza, que acertou o ângulo superior esquerdo de Danrlei, mudou o plano do jogo. O Grêmio tratou de melhorar a marcação e garantir a vitória. A expulsão de Carlos Miguel, aos 43 minutos, não chegou a causar problema o time resistiu. ” (Zero Hora – Porto Alegre, segunda-feira, 9 de outubro de 1995)

Foto: Guaracy Andrade (Zero Hora)

CORINTHIANS TERMINA 1º TURNO COM DERROTA

O Grêmio derrotou o Corinthians, por 2 a 1, ontem à tarde, no estádio Olímpico, em Porto Alegre, capital gaúcha, com dois gols do atacante Jardel.
O meia-atacante Souza fez o único gol corintiano.
As duas equipes já estavam fora da disputa, neste primeiro turno, da vaga das semifinais do Campeonato Brasileiro.
Com o resultado, o time paulista continua na última colocação do Grupo A com o Flamengo. O Corínthians, campeão paulista, termina o primeiro turno com 8 pontos em 33 possíveis. O Flamengo tem ainda uma partida a disputar, hoje, contra o Cruzeiro.
O Grêmio, campeão gaúcho, que, na quinta-feira passou à segunda fase da Supercopa dos Campeões da Libertadores, termina a primeira fase com 12 pontos.
Na final da Copa do Brasil deste ano, o Corinthians venceu o Grêmio em Porto Alegre com gol de Marcelinho, que ontem não jogou por estar suspenso.
Apesar de os times não terem chances, o jogo foi bastante disputado, com alguns lances violentos.
Serginho, atacante do Corinthians, e Carlos Miguel, meia gremista, foram expulsos por cometerem faltas violentas.
Aos 7min de jogo, o Corinthians fez sua primeira finalização. Após jogada de Serginho, Elivélton, pela esquerda, chutou por cima do gol defendido por Danrlei.
O Grêmio chegou perto do gol adversário aos 12min. Paulo Nunes cruzou a direita e Jardel disputou a bola de cabeça com o zagueiro Célio Silva.
O bola passou por cima do gol. Jardel pediu toque de mão de Célio Silva, mas o árbitro Léo Feldman não marcou.
A melhor chance do Corinthians no primeiro tempo aconteceu aos 35min. Célio Silva, após cobrança de escanteio, passou por zagueiro adversário e chutou na trave.
O primeiro gol do Grêmio aconteceu dois minutos depois: Paulo Nunes avançou pela esquerda e cruzou. Jardel deixou os zagueiros para trás na corrida, e finalizou à direita de Ronaldo, no contrapé.
Os outros dois gols aconteceram logo no início do segundo tempo.
O Grêmio marcou primeiro. Aos 4min., Arílson dominou no lado direito da área corintiana e cruzou para Jardel, que completou na frente do gol, sem marcação.
O Corinthians descontou aos 10min. Jorginho recebeu passe na esquerda e virou para o meia Souza, no lado direito, que dominou a bola no peito e arrematou forte, com o pé direito.” (Folha de São Paulo, domingo, 8 de outubro de 1995)

Foto: Paulo Fraken (Zero Hora)

O JOGO: A partida foi equilibrada, com alguns momentos de domínio de um ou outro time. Só que a Grêmio tinha Jardel, que aproveitou as suas duas únicas oportunidades.” (Placar, Tabelão 1995, nº 9)

“[…] No jogo contra o Grêmio, segundo o Datafolha, o Corinthians finalizou 15 vezes. Dessas, 11 foram erradas.
A expulsão do atacante Serginho no jogo de anteontem também contribuirá para a estréia de Clóvis no Corinthians.
Segundo Serginho, a expulsão foi injusta. “Eu dividi uma bola sem nenhuma maldade. Se acertei alguém, não foi de propósito.”
Com a derrota para o Grêmio, o Corinthians confirmou a sua fraca campanha no primeiro turno do Brasileiro, quando somou apenas oito pontos e acabou nas últimas colocações.
“A tabela ainda não terminou. Temos o desafio de fazer uma campanha totalmente diferente nas próximas partidas. E isso vai ocorrer”, afirmou Amorim.
O treinador corintiano disse que a marcação do time melhorou no jogo contra o Grêmio.
“O jogo foi equilibrado. Mesmo com um jogador a menos no segundo tempo, quase conseguimos reagir”, afirmou.” (Leo Gerchmann, Folha de São Paulo, segunda-feira, 9 de outubro de 1995)

Grêmio critica excesso de jogos

O volante Luís Carlos Goiano disse que vários jogadores do Grêmio estão “sentindo desgaste físico” devido ao excesso de jogos.
Os jogadores chegaram a pedir que a direção do clube tome providências para mudar o calendário.
O Grêmio fez contra o Corinthians a sua 81ª partida em 1995.
“Está muito difícil. Nós jogamos contra o Racing, na Argentina, pela Supercopa e, dois dias depois, pegamos o Corinthians com a obrigação de vencer para não ficarmos na lanterna do Brasileiro”, disse o atacante Jardel.
O técnico Luiz Felipe afirmou que está até mudando seu comportamento para se adaptar ao momento que a equipe atravessa.
“Eu tenho que ser mais compreensivo com os jogadores, chego a ser paternalista”, disse.
Francisco Roig, presidente do Valencia, da Espanha, desmentiu ontem que o clube tenha acertado a troca do atacante Viola pelo gremista Jardel.
Segundo Roig, Viola, que vem enfrentando problemas de adaptação na Espanha, “só voltará ao Brasil em troca de dinheiro”.(Leo Gerchmann, Folha de São Paulo, segunda-feira, 9 de outubro de 1995)

GRÊMIO: Danrlei; André Vieira (Carlos Alberto), Rivarola, Scheidt e Roger; Gélson , Luiz Carlos Goiano, Arílson (Emerson) e Carlos Miguel; Paulo Nunes e Jardel (Magno).
Técnico: Luiz Felipe Scolari

CORINTHIANS: Ronaldo; Vítor , Célio Silva (Fabinho Fontes), André Santos e Silvinho; Zé Elias (Marcelinho Paulista), Júlio César, Souza e Elivélton ; Jorginho (Leônidas) e Serginho
Técnico: Eduardo Amorim

Brasileirão 1995 – 1ª Fase – Grupo A – 1º Turno – 11ª Rodada
Data: 7 de outubro de 1995, sábado, 16h00min
Local: estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 8.155 (5.444 pagantes)
Renda: R$ 52.851,00
Juiz: Leo Feldman (RJ)
Auxiliares: Jorge Carius Silva e Paulo Jorge
Cartões Amarelos: Zé Elias, André Santos; Scheidt, Roger, Goiano, Jardel
Cartões vermelhos:Serginho (7 do 2º tempo) e Carlos Miguel (44 do 2ºtempo)
Gols : Jardel, aos 37 minutos do primeiro tempo e aos 4 minutos do segundo tempo; Souza, aos 10 minutos do segundo tempo

Há 25 anos – Grêmio 0x1 Corinthians no segundo jogo da final da Copa do Brasil de 1995

June 21, 2020

Foto: Mauro Vieira (Folha de São Paulo)

Há 25 anos o Grêmio recebia o Corinthians no Olímpico, pela partida de volta da final da Copa do Brasil de 1995. Infelizmente o tricolor não conseguiu reverter a derrota sofrida no primeiro jogo  no Pacaembu.

Nessa noite aconteceu uma das coisas mais sensacionais que eu presenciei em um estádio de futebol: quando, apesar de ainda faltar alguns minutos para o fim do jogo, ficou claro que o título havia escapado, a torcida começou a cantar o hino do Grêmio, reconhecendo o empenho e o espírito de luta da equipe (no vídeo da transmissão é possível ouvir isso por alguns segundos, na minha memória esse momento foi um tanto mais longo).

É interessante ressaltar que a Copa do Brasil foi a competição na qual o Grêmio teve a maior média de público 37.997 (31.653 pagantes) na temporada de 1995 (e na história do clube nessa competição, no quesito público total só deve ficar atrás da Copa do Brasil de 1989)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Fonte: UOL

CORINTHIANS LEVANTA A TAÇA NO OLÍMPICO

O jogo foi tense desde o começo, com marcação dura, mas o time paulista aproveitou a chance contra o Grêmio

O Olímpico coloriu-se, lotou, preparou-se para uma grande festa ontem à noite. Era para ser uma das maiores festas da história gremista. Era. Mas deu Corinthians na final da Copa do Brasil, 1 a 0, gol de Marcelinho. A tristeza desabou sobre o estádio, sobre o time e sobre todo o povo tricolor, exatamente às 22h52min, quando o árbitro Márcio Rezende de Freitas apitou o final.

Foi uma partida que começou tensa. O Corinthians de tanto ouvir falar que o Grêmio seria violento, tomou a decisão de disparar o primeiro gesto de rispidez: uma rasteira de Viola em Arílson, aos 20 segundos. Desaforo. A resposta veio 40 segundos depois, quando Jardel atropelou Ronaldo e recebeu cartão amarelo. Se antes da decisão alguém tinha dúvidas da disposição dos dois times de buscar a vitória a qualquer preço, ela se desfez no primeiro minuto.

Sobrava disposição ao Grêmio, mas faltava controle emocional e melhor definição da tática ofensiva. Ponteiros inexistiam. Arilson entrava em diagonal, da esquerda para a direita, enquanto Paulo Nunes fazia o inverso, na outra ponta. A bola não chegava à linha de fundo. Nenhum cruzamento, apenas chutões de longa distância, encontrando o imbatível Célio Silva sempre atento.

A torcida tricolor só não chegava a se assustar tanto porque o Corinthians também não tinha presença ofensiva. Perigo, só nos escanteios de Marcelinho, buscando o gol olímpico. E assim o jogo chegou à metade, sem chances claras de gol e com sete cartões amarelos distribuídos por um árbitro à altura da decisão.

Sem alternativa, o Grêmio arriscou tudo no segundo tempo. Adiantou Dinho, Goiano, Gélson, e uma chance desperdiçada por Dinho, aos 12 minutos, deu a impressão de que a mudança traria resultados. O problema é que a defesa ficou desguarnecida e a velocidade de Marcelinho, Viola e Marques passou a render oportunidades melhores para os corintianos.

Marques perdeu um gol, Marcelinho outro, e a torcida foi aos poucos afundando nas arquibancadas. Afundou de vez aos 27 minutos, quando em mais um contra-ataque, a bola foi lançada para Viola no meio da área e aliviada para a esquerda, onde Marcelinho entrava sozinho. Ele chutou rasteiro, no meio do gol, e saiu a agitar os braços, como se fossem hélices, como se quisesse alçar vôo.

O sonho do Grêmio acabou ali. Depois, só desespero, brigas, duas expulsões, invasão de campo e muitas lágrimas de decepção.” (Nico Noronha, Zero Hora, 22 de junho de 1995)

O DESEMPENHO DAS EQUIPES (Zero Hora, 22 de junho de 1995)
Tempo corrido 54´03″
     – – – – –
GRÊMIO
CORINTHIANS
Conclusões a gol
10
4
Escanteios a favor
9
4
Impedimentos
1
3
Faltas
28
35
Quem mais bateu
Arilson – 6
Bernardo -7
Quem mais apanhou
Arilson – 9
Souza – 7
Bolas roubadas
12
13
O maior ladrão
Arilson – 6
Bernardo – 5

TORCIDA CANTA O HINO, MESMO COM A DERROTA
A torcida do Grêmio deu uma das maiores demonstrações de amor pelo seu clube ontem à noite no Olímpico. Faltando quatro minutos para terminar a partida, os mais de 50 mil gremistas começaram a cantar o hino do clube, mesmo sabendo que o time não ganharia o tão esperado título pela terceira vez. Àquela altura da partida o Corinthians ganhava por 1 a 0 e a derrota tricolor era quase certa. Quando o árbitro mineiro Márcio Rezende de Freitas apitou o final, os gremistas, ao invés de vaiar, aplaudiram a equipe reconhecendo o esforço do novo campeão da Copa do Brasil […]” (Alexandre Corrêa, Zero Hora, 22 de junho de 1995)

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

CORINTHIANS CONQUISTA O TÍTULO
Com gol de Marcelinho Carioca, vence o Grêmio por 1 a 0 e é campeão da Copa do Brasil

Ontem à noite, em pleno estádio Olímpico, diante de mais de 50 mil atônitos gremistas, o Corinthians conquistou o título de campeão da Copa do Brasil 95. Venceu o jogo por 1 a 0, quando bastava o empate, e terminou a competição invicto, jogando com a mesma aplicação do Grêmio, mas com técnica superior nas jogadas de ataque.

O Grêmio começou avassalador, encurralando a equipe paulista em seu campo. O time treinado por Luiz clipe exagerou nos lançamentos pelo alto para Jardel, o que acabou consagrando Celio Silva. Apesar da pressão, foram raros os lances de gol. No melhor deles, aos 26 minutos, Paulo Nunes desviou e Ronaldo saltou para trás e fez a defesa.

No segundo tempo, o Grêmio passou a trabalhar mais a bola, mas encontrou o Corinthians ainda mais recuado. Aos 12 minutos, Arilson (o melhor do Grêmio) deixou Dinho livre para marcar. O chute saiu rasteiro para fora.

A torcida continuava incentivando o lime. Aos 18, numa jogada ensaiada, Marques ficou sozinho à frente de Danrlei, que impediu o gol. Um minuto depois, outra vez Danrlei salvou, disputando com Viola. Na sequência, Marcelinho cabeceou e Danrlei voltou a brilhar.

Superado o susto, o Grêmio foi para cima de novo. Em outro contra-ataque, aos 27 minutos. Marques avançou, tocou para Viola entre os zagueiros. Na disputa. Adilson afastou, mas a bola ficou nos pés de Marcelinho Carioca. Ele não perdoou, chutando com categoria na saída de Danrlei: 1 a 0. Aos 32 minutos, confusão. Paulo Nunes e Silvinho são expulsos. Na raça, com a torcida cantando o hino composto por Lupicínio Rodrigues, e Grêmio buscou o gol, que não saiu.” (Correio do Povo, 22 de junho de 1995)

Foto: Pisco del Gaiso (Placar)

CORINTHIANS É O PRIMEIRO PAULISTA A CONQUISTAR O TÍTULO DA COPA DO BRASIL
Time de Eduardo Amorim resiste à pressão do Grêmio e vence seu primeiro campeonato em cinco anos

Corinthians é o primeiro paulista a conquistar a Copa do Brasil.
A equipe chegou ao título ao derrotar ontem o Grêmio no estádio Olímpico, em Porto Alegre.
O único gol foi marcado pelo atacante Marcelinho, aos 27min do segundo tempo.
Eduardo Amorim venceu o primeiro campeonato como técnico.
Com o resultado, o time quebrou um jejum de cinco anos sem títulos -o último havia sido o Campeonato Brasileiro de 90.
Garantiu, também, vaga na Taça Libertadores (principal torneio sul-americano interclubes) de 96.
O Corinthians terminou invicto a Copa do Brasil. Em dez jogos, oito vitórias e dois empates.
Os atacantes Marcelinho e Viola foram os artilheiros corintianos. Cada um marcou seis gols.
O time iniciou a partida de ontem com a vantagem do empate -ganhara o primeiro jogo das finais, em São Paulo, por 2 a 1.
A necessidade da vitória levou o Grêmio a pressionar o rival logo no início do confronto de ontem, principalmente por meio de cruzamentos para o atacante Jardel.
A primeira chance de gol gaúcho aconteceu aos 14min. O atacante Paulo Nunes chutou para fora após uma rebatida deficiente do volante Bernardo.
Aos 26min, Ronaldo defendeu chute de, de novo, Paulo Nunes.
No segundo tempo, Amorim pôs Viola na armação e liberou Marcelinho e Marques ao ataque.
A mudança tática deu certo.
Aos 27min, o meia Souza lançou Marques, que tocou para Viola. Este rolou para Marcelinho abrir o placar: 1 a 0.
Daí para frente, o Corinthians se defendeu e o Grêmio partiu para a violência. Aos 32min, Paulo Nunes e Silvinho foram expulsos.
Um dirigente do Grêmio invadiu o gramado e tentou agredir o juiz Márcio Resende de Freitas.” (Mário Moreira, Folha de São Paulo, 22 de junho de 1995)

´BLITZ´ FRACASSA E GRÊMIO SE DESCONTROLA

Equipe gaúcha não consegue marcar no começo, se desespera e cede espaços para contra-ataques corintianos

O Grêmio não conseguiu realizar os prometidos 20 minutos de blitz inicial contra o Corinthians. Seus jogadores se enervaram e facilitaram a vitória corintiana.
A equipe, que tentava o bicampeonato da Copa do Brasil, precisava de uma vitória por 1 a 0.
O time confiava na tradição de não perder jogos decisivos em casa -triunfara nas duas finais da Copa do Brasil que disputara no Olímpico, 89 e 94.
Apesar da pressionar, a equipe gaúcha não conseguiu articular jogadas de perigo.
Sua melhor chance foi no primeiro tempo, numa bola rebatida e chutada por Paulo Nunes. Ronaldo fez boa defesa.
“O Corinthians marcou bem, mas tivemos quatro oportunidades claras e não aproveitamos”, lamentou o lateral paraguaio Arce.
O Grêmio reclamou um pênalti em Paulo Nunes, não marcado pelo juiz. O meia penetrou na área corintiana pela direita e foi desequilibrado pelo lateral Silvinho.
No segundo tempo, o técnico Luiz Felipe avançou ainda mais o Grêmio, retirando o volante Dinho para a entrada do meia Alexandre.
Suspenso, o treinador dirigiu a equipe das arquibancadas.
A alteração não surtiu efeito ofensivo. O Grêmio chegava à área corintiana ainda menos do que no primeiro tempo.
A troca, sobretudo, enfraqueceu a defesa, criando brechas para o contra-ataque da equipe paulista.
Duas vezes, o goleiro Danrlei teve de desarmar atacantes corintianos. Foi justamente em um contra-ataque que Marcelinho marcou.
Depois do gol, o time gaúcho se desesperou. Seus jogadores passaram a cometer faltas duras.
Aos 32min, Arílson acertou uma cotovelada em Célio Silva.
Houve tumulto e invasão de campo. Paulo Nunes e Silvinho foram expulsos.
Ao final, o Grêmio conseguiu algumas jogadas pelo alto com Jardel, o lance mais temido pelo Corinthians. As bolas pararam, porém, nas mãos de Ronaldo.
“Perdemos para uma grande equipe, que soube jogar futebol e está de parabéns”, disse Jardel.” (Carlos Alberto de Souza,  Folha de São Paulo, 22 de junho de 1995)

PAULISTAS BATEM MAIS NA ´GUERRA DO SUL´
Contrariando a expectativa de jogo violento por parte do Grêmio, os corintianos cometeram mais faltas na decisão de ontem.
Segundo o Datafolha, a equipe paulista cometeu 37 faltas, contra apenas 28 do time gaúcho.
As faltas corintianas, no entanto, foram leves, já que o juiz Márcio Rezende de Freitas mostrou mais cartões amarelos aos jogadores gremistas.
O Corinthians recebeu três amarelos (André Santos, Bernardo e Zé Elias), enquanto o Grêmio foi advertido em cinco oportunidades (Jardel, Gélson, Rivarola, Paulo Nunes e Arilson).
Cada equipe teve um jogador expulso: Paulo Nunes, pelo Grêmio, e Silvinho, pelo Corinthians, aos 32min do segundo tempo, por agressão mútua.
A equipe paulista já liderava em faltas ao final do primeiro tempo (20 contra 17).
O nervosismo da decisão fez os jogadores cometerem mais faltas ontem do que na primeira partida,
Na semana passada, em São Paulo, foram cometidas 62 faltas, contra 65 no jogo de Porto Alegre.
Ontem, a falta mais comum da equipe paulista foi o empurrão (21). O Grêmio apelou mais para os chutes por trás (11), o que explica o número de cartões.
O volante corintiano Bernardo foi o jogador mais violento do Corinthians nas finais. Cometeu 6,5 faltas em média, por partida.
Já o atacante Marcelinho foi o corintiano mais “caçado”, sofrendo também 6,5 faltas por jogo.
Para os campeões, porém, a violência no Sul foi menor do que a esperada.
“O jogo foi menos violento do que se anunciava. Os dois times procuraram mais a bola”, disse o zagueiro Célio Silva.” (Folha de São Paulo, 22 de junho de 1995)

Foto: Antônio Gaudério (Folha de São Paulo)

Grêmio 0 x 1 Corinthians

GRÊMIO: Danrlei, Arce, Rivarola, Adílson e Carlos Miguel; Dinho (Alexandre), Gélson, Luís Carlos Goiano e Arílson; Paulo Nunes e Jardel.
Técnico: Luiz Felipe Scolari

CORINTHIANS: Ronaldo, André Santos, Célio Silva, Henrique e Silvinho; Zé Elias, Bernardo e Souza; Marcelinho Carioca, Viola e Marques (Tupãzinho).
Técnico: Eduardo Amorim

Copa do Brasil 1995 – Final – Jogo de volta
Data: 21/06/1995, Quarta-feira, 20h45min
Local: Estádio Olímpico (Porto Alegre-RS)
Público: 56.600 (47.352 pagantes)
Renda: R$ 740.415,00
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG)
Auxiliares: Marco Martins e Marco Gomes
Cartões Amarelos: Jardel, Rivarola,Gélson, Adílson, André Santos e Bernardo
Cartões Vermelhos: Paulo Nunes e Silvinho
Gol: Marcelinho Carioca, aos 26 minutos do 2º tempo

Há 25 anos – Corinthians 2×1 Grêmio no primeiro jogo da final da Copa do Brasil de 1995

June 14, 2020

Há 25 anos, o Grêmio perdia o primeiro jogo da final da Copa do Brasil para o Corinthians no Pacaembu.  Acho que o fato mais “folclórico” desta partida foi o fato de Viola ter atuada com chuteiras vermelhas (era o único atleta em campo com chuteira colorida).

Por falar em chuteiras vermelhas, confesso que até hoje eu nunca entendi muito bem por que o Matinas Suzuki Jr. tinha tanto espaço/moral no jornalismo esportivo. Para mim as suas colunas eram sempre de um pedantismo sem sentido. A sobre este jogo, transcrita abaixo, se encaixa bem nessa categoria (a tradução mais apropriada de chuteiras vermelhas seria “red boots” e não  “red shoes“).

Vale lembrar que o Grêmio tinha uma séria de desfalques para essa decisão (Arílson, por exemplo, estava cumprindo um inexplicável terceiro jogo de suspensão pela expulsão contra o Palmeiras, ainda nas oitavas de final), o que acabou fazendo com que Felipão se visse obrigado a “desmanchar” o seu meio de campo.

Também não custa apontar que a falta que deu origem ao segundo gol do Corinthians é bem questionável. A crônica do Correio do Povo afirmou que a arbitragem de Antônio Pereira da Silva foi “confusa e com visível favorecimento ao Corinthians“.

Por derradeiro, é importante registrar que esse jogo marcou a estreia da marca das Tintas Renner na camisa tricolor (patrocínio que durou até a estréia do Grêmio na Libertadores de 1998).

Foto: Ricardo Chaves (Zero Hora)

DANRLEI MANTÉM O GRÊMIO VIVO
Time perdeu para o Corinthians por 2 a 1 com goleiro evitando uma diferença maior

O Grêmio manteve suas chances de chegar ao tricampeonato brasileiro ao perder por 2 a 1 para o Corinthians, ontem à noite no Pacaembu, gols de Viola, Marcelinho e Luís Carlos Goiano. O gol de Goiano tem a mesma importância que o gol de Jardel, nos 2 a 1 para o Flamengo, no Maracanã. Na próxima quarta-feira, no Olímpico, o Grêmio poderá mais uma vez jogar pelo 1 a 0, resultado que vale o título da Copa do Brasil.

Não fosse a atuação de Danrlei, a derrota poderia ser por uma diferença maior, o que praticamente colocaria o Corinthians (joga agora pelo empate) com lima mão na taça. A pressão no primeiro tempo foi Intensa, com Danrlei salvando o time. Aos 30 minutos, Dinho saiu lesionado, piorando as coisas Aos 41 minutos, Marcelinho Carioca cruzou uma bola na medida, no espaço entre o goleiro e a zaga. Viola aproveitou e cabeceou no canto esquerdo: 1 a 0.

A vitória era justa para o Corinthians, já que o Grêmio estava muito encolhido. No segundo tempo. a equipe, que tinha Mazaropi (Luiz Felipe está suspenso e trabalhou na arquibancada: munido de um telefone celular) à beira do gramado, voltou com um posicionamento mais adiantado. Já aos 5 minutos, quase Paulo Nunes marcou. Aos 15, Luciano cabeceou e Ronaldo salvou para escanteio. Quatro minutos depois, Danrlei brilhou num arremate de cima, de Viola. No contra-ataque, Arce aparou rebote e a bola sobrou para Goiano, que desviou de Ronaldo e empatou o jogo.

Quando o Grêmio estava melhor em campo e os jogadores corinthianos demonstravam desespero, aconteceu o gol de desempate. Aos 26 minutos. Marcelinho Carioca cobrou falta com perfeição, deixando Danrlei estático no meio da goleira: 2 a 1. A arbitragem confusa e com visível favorecimento ao Corinthians acabou por determinar a expulsão de Mancini, aos 39 minutos, após um desentendimento fora de campo com Bernardo e Marcelinho Carioca.” (Correio do Povo, quinta-feira, 15 de junho de 1995)

GOLEIRO SUBESTIMOU COBRANÇA

O goleiro Danrlei acha que vai ser difícil o Corinthians aguentar a pressão da torcida no Olímpico, em relação ao que foi encontrado pelo time do Grêmio no Pacaembu. “O resultado poderia terminar em igualdade, não fosse eu subestimar a cobrança de falta do Marcelinho Carioca”, justificou. O atacante da equipe paulista colocou a bola por cima da barreira ao fazer os 2 a 1.

O autor do único gol do Grêmio, Luiz Carlos Goiano, garante que no Olímpico o espirito de luta do time será maior. “Estaremos em casa e com o apoio da massa”, lembra o meio-campista. Já o lateral Carlos Miguel credita o resultado negativo à violência imposta pelo Corinthians: “Eles batem muito. Agora, tocando mais a bola no jogo de volta e com a força do torcedor, chegaremos lá”. Apático esteve o atacante Jardel, sem concluir contra o gol de Ronaldo uma única vez: “Me fizeram marcação cerrada. Mas não tem nada, nós vamos ganhar em casa”.  (Correio do Povo, quinta-feira, 15 de junho de 1995)

 “FÁBIO KOFF IRRITADO

O presidente Fábio Koff taxou Marcelinho Carioca de “pipoqueiro” e acredita que “ele vai arrumar uma contusão para não vir ao Sul, no jogo decisivo”. Koff diz que o número sete só realiza “palhaçadas”, tendo merecido receber cartão vermelho do árbitro António Pereira, que foi chamado de “incompetente e mal-intencionado”, pelo vice Luiz Carlos Silveira Martins.

Emocionado, o presidente Koff definiu o resultado favorável ao Corinthians como justo. O dirigente entende que será possível reverter o quadro no Olímpico.” (Correio do Povo, quinta-feira, 15 de junho de 1995)

ARÍLSON RETORNA

O meio-campista Arílson tem vaga assegurada no jogo de volta diante do Corinthians, dia 21, no Olímpico. Ontem, o jogador cumpriu seu terceiro jogo de suspensão imposta pelo Tribunal Especial da CBF, por sua expulsão contra o Palmeiras, ainda pela segunda fase da Copa do Brasil. Quem fica fora mesmo, dia 21, no Olímpico, é o lateral Roger, que foi penalizado pelo Tribunal em dois jogos de suspensão, um deles já cumprido. O técnico Luiz Felipe, mais uma vez, deverá improvisar na esquerda entre Carlos Miguel e Arílson.” (Correio do Povo, quinta-feira, 15 de junho de 1995)

KOFF:´QUEREMOS O TÍTULO EM CAMPO´
Presidente do Grêmio indignado com o clima de guerra criado pela imprensa paulista

O presidente Fábio Koff continua indignado com o comportamento de setores da imprensa paulista, que, segundo ele, tenta criar “um clima de guerra para a decisão da Copa do Brasil”. O dirigente disse que o Grêmio está trabalhando para permitir que o jogo contra o Corinthians transcorra dentro da normalidade. ‘Queremos o título brasileiro dentro de campo”, sentenciou Koff.

Atacado por jornais de São Paulo por suas declarações fortes após o jogo do Pacaembu. Fábio Koff reconhece que se exaltou, mas que em nenhum momento procurou estimular a violência ou o revanchismo. “Uma pessoa só entra para dirigir clube de futebol por três razões: por ser torcedor, por querer projeção política ou fazer negócios. Eu sou um torcedor. Se um dia eu não me emocionar mais com uma vitória ou uma derrota do Grêmio, eu vou para casa”, comentou Koff.

Ele continuou: “Após o jogo eu dei entrevista a uma emissora de rádio paulista e critiquei a arbitragem que caiu na farsa do Marcelinho. E chamei o jogador de pipoqueiro, dizendo que ele arrumaria uma lesão para não vir a Porto Alegre. É claro que ele vem. Já velo antes e até fez gol em nós. Critiquei, também, as três invasões de campo do banco corintiano e disse que aqui isso não irá acontecer”.

Fábio Koff salientou que durante a entrevista os profissionais da emissora paulista insistiram em chamar o Grêmio de violento: “Aí, eu citei os jogadores que temos lesionados, como o Magno, por exemplo. E falei que os paulistas têm a mania de achar que são o centro de tudo, inclusive do futebol. Eu os desafiei dizendo que Grêmio e Inter têm mais títulos nacionais que os oito principais clubes deles, proporcionalmente. Critiquei, ainda, o fato de ter saído de lá com RS 66 mil de um jogo decisivo por falta de estádio. Então, lembrei que a dupla Grenal possui estádio próprio, afirmando que são dois clubes, enquanto lá só tem times de futebol. Eles ficaram furiosos”, reconheceu o dirigente.

Koff também foi provocado por um repórter, que citou declarações ofensivas do presidente do São Paulo, Fernando Casal del Rei, a respeito do incidente nos camarotes do Olímpico. ‘tu falei, entre outras coisas, que Jamais me preocupei em responsabilizar a direção do São Paulo pelas mortes ocorridas no Morumbi. Aí, um dos meus entrevistadores, sempre em tom agressivo, disse que havia me dado nota dez em um programa de TV e que agora me dava nota zero. Eu respondi que não o conhecia e que não me sensibilizava nem com o dez e menos ainda com o zero. Irritado, o chamei de ratão e saí do ar”, contou Koff.” (Correio do Povo, segunda-feira, 19 de junho de 1995)

GRÊMIO JOGA POR VITÓRIA DE 1 A 0
O Corinthians largou na frente e venceu a primeira partida da decisão do título por 2 a 1

No primeiro jogo das finais da Copa do Brasil 1995, o Grêmio perdeu para o Corinthians por 2 a 1 (gols de Viola. Marcelinho e Goiano), ontem à noite, no Pacaembu, em São Paulo e agora, com uma vitória simples (1 a 0) na partida em Porto Alegre, no dia 21, garante a conquista do tricampeonato. O empate serve ao Corinthians. […]” (Zero Hora, quinta-feira, 15 de junho de 1995)

OS DESEMPENHOS (Zero Hora, 15 de junho de 1995)
CORINTHIANS GRÊMIO
Conclusões a gol 16 6
Escanteios a favor 3 1
Faltas cometidas 28 29
Impedimentos 3 1


CORINTHIANS BATE GRÊMIO E FICA A UM EMPATE DO TÍTULO

O Corinthians venceu o Grêmio-RS por 2 a 1 ontem à noite no Pacaembu, na primeira partida das finais da Copa do Brasil. Marcelinho e Viola marcaram para o time paulista. Goiano fez o gol gaúcho.
Com o resultado, o Corinthians precisa só de um empate em Porto Alegre, na próxima quarta, dia 21, para sagrar-se campeão.
Ao Grêmio, basta uma vitória por 1 a 0. Caso vença por 2 a 1, a decisão será por pênaltis.
Caso haja empate em pontos e número de gols, vence quem tiver mais gols marcados fora de casa. Assim, caso o Corinthians perca por 3 a 2, ainda leva o título.
A Copa do Brasil vale uma vaga na Taça Libertadores, o principal torneio interclubes sul-americano.
O Corinthians dominou completamente o primeiro tempo da partida. Jogando com o meio-campo e a defesa muito recuados, o Grêmio dava espaço para o Corinthians armar suas jogadas de ataque.
Isso permitia a Marcelinho e Souza criar com tranquilidade pela intermediária. Viola, que se movimentava bem, era opção para lançamentos. Vítor também se apresentava para receber pela direita.
Aos 12min, justamente Vítor recebeu na área e tocou para trás. Marcelinho chutou rente à trave.
Aos 23min, Viola, lançado pela esquerda, foi ao fundo e cruzou. Danrlei espalmou e a defesa tirou, quando a bola ia entrando.
Aos 33min, num lance parecido, Viola recebeu lançamento de Souza na área e chutou rasteiro, cruzado. Danrlei conseguiu tocar na bola e desviar para escanteio.
Aos 40min, Viola finalmente acertou. Marcelinho fez bom cruzamento da direita e o atacante marcou de cabeça.
Nessa etapa, o ataque gaúcho foi inofensivo. Jardel, fixo na área, praticamente não participou do jogo. Paulo Nunes se movimentava mais, mas jogava isolado.
Goiano, único meia de ligação com o ataque, estava bem marcado e não conseguia criar jogadas.
No segundo tempo, o panorama da partida mudou. O Grêmio avançou a marcação e diminuiu os espaços para o Corinthians.
A equipe gaúcha passou a dominar e conseguiu seguidos lances de perigo contra o gol de Ronaldo.
Aos 4min, Paulo Nunes recebeu livre na entrada da área, mas se atrapalhou com a bola e perdeu boa chance, chutando fraco.
Aos 15min, Jardel conseguiu sua única boa jogada aérea. Venceu a defesa corintiana de cabeça e obrigou Ronaldo a boa defesa.
Aos 18min, Bernardo dominou na área e quase marcou de bicicleta, num belo lance.
A torcida corintiana levou um susto aos 20min, quando Goiano dominou um chute sem direção e, com um toque sutil, acertou o canto esquerdo de Ronaldo.
O silêncio no Pacaembu durou até os 26min. Marcelinho cobrou falta frontal ao gol, deslocando Danrlei, marcando o segundo gol do Corinthians.
Aos 39min, Wagner Mancini foi expulso, após dar uma cotovelada em Marcelinho. “(Folha de São Paulo, quinta-feira, 15 de junho de 1995)

MARCELINHO RECLAMA DA VIOLÊNCIA GREMISTA

O meia-atacante Marcelinho disse que seu gol de falta foi uma resposta à violência do time do Grêmio na partida de ontem.
“Eles têm raiva de mim porque sempre faço gol contra eles”, disse o jogador.
“Vou à polícia registrar queixa contra o cara que me deu o soco”, disse, referindo-se a Wagner Mancini. Marcelinho sofreu um corte no lábio em virtude da agressão.
O presidente do Grêmio, Fábio Koff, disse que Marcelinho é “pipoqueiro” (jogador que foge dos lances mais ríspidos).
“Ele passou o tempo todo se atirando no chão e pressionando o árbitro contra nós”, afirmou.
“Em Porto Alegre, vamos jogar como equipe da casa, mas não faremos essas coisas para ganhar.”
Marcelinho disse que não se impressionava com as palavras do dirigente. “Não é isso que vai me intimidar para o segundo jogo. Isso é coisa de quem está desesperado porque perdeu uma partida e pode ter perdido o título.”
“Eu nunca disse que o Grêmio era violento, mas, nesta partida, eles foram desleais”, confirmou o volante Marcelinho Souza.
Para ele, a arbitragem terá que ser “firme” em Porto Alegre.
“Violência por violência, os dois times foram iguais”, afirmou o meia gremista Goiano.
O técnico do Corinthians, Eduardo Amorim, considerou “excelente” a atuação de sua equipe no primeiro tempo.
“Recuamos no segundo. Mas isso não vai acontecer no sul. Vamos atacar o tempo inteiro.”
Para o goleiro Danrlei, do Grêmio, a partida mostrou que seu time sabe jogar sob pressão.
“Se tivéssemos que tremer, seria hoje (ontem)”, disse. “Em casa, tudo será a nosso favor.”
O Corinthians terá que arcar com o custo de 50 assentos que foram arrancados no setor amarelo, onde se encontrava a torcida organizada Gaviões da Fiel.” (Arnaldo Ribeiro e Mário Moreira, Folha de São Paulo, quinta-feira, 15 de junho de 1995)

MATINAS SUZUKI JR. – E VIOLA DECIDE USANDO OS “RED SHOES”
Meus amigos, meus inimigos, a Suvinil venceu a Renner na primeira batalha das tintas que decide a Copa Brasil, também chamada de Copa Gaúcha -dada a hegemonia daquele Estado até aqui.
A abertura das cortinas já foi difícil para o Grêmio: um time voluntarioso sente a ausência do comando na linha de combate. E o técnico Luiz Felipe, o estimulador dos guerreiros, estava no celular.
O time “black and blue” entrava em campo sem o lateral-esquerdo Roger, que fez falta e também fará na próxima quarta-feira. Logo depois perdeu o blitz-man Dinho e então a marcação desandou.
Além dessas dificuldades, a fileira meio-campista do Grêmio se perfilou muito próximo à linha defensiva, deixando todo um sistema solar com estrelas e galáxias para o Corinthians se armar.
E entre as estrelas e galáxias o time “black and white” tinha com total liberdade para criar na intermediária: Souza, Marcelinho e o Viola de “red shoes”, o homem do sapato vermelho.
(O time do Milan, por exemplo, com a sua marcação exemplar, faz exatamente o oposto: avança a retaguarda que, ela sim, se aproxima do meio-campo, diminuindo o espaço para o ataque adversário.
O combate à criação do inimigo é feito logo no meio-campo. Os atacantes, com a defesa avançada, ficam espremidos pela lei do impedimento e longe do gol adversário. A coisa é inteligente).
No primeiro tempo, o alvinegro soube trabalhar nos espaços oferecidos e beijou uma vez o gol de Danrlei, mas poderia ter beijado mais como pede rei Charles.
Além disso, o time do Corinthians era o time com a cobiça, ganancioso, pretensioso, sedento da alegria: era o arco teso da promessa, mas que não conseguia vazar o arco retesado do grande Danrlei.
No segundo testamento, o Corinthians, não se sabe por que razão divina, entrou cabisbaixo e cometendo o mesmo erro tático do adversário: colocou o meio-campo na linha da grande área.
Deu espaço a quem não veio procurar espaço (perder de um a zero não era o pior dos mundos para o time “black and blue”). Desconfio que o alvinegro pensou que o adversário estava liquidado.
Mas o galope dos pampas em campo aberto é soberbo: pegou a defesa do Corinthians e o cão de guarda São Bernardo tomando chimarrão. O bom para os gaúchos ficou melhor ainda. Um a um.
Aí entra a diferença entre os dois times: o Grêmio é fogoso, arisco, maverick indomável. Ganha na força o que perde em precisão. Mas tem poucas alternativas táticas e humanas para decidir.
O Corinthians tem duas: Viola e Marcelinho. Na primeira decisão, Marcelinho assistiu Viola que, qual um Shaq em vôo no garrafão adversário, só enterrou.
No segundo, Viola sofreu a falta e o Marcelinho chutou da linha de três pontos. Pegou o Danrlei na contradança, no contrapelo, embarcando na canoa errada.
E então o Pacaembu viu o eliscóptero, os braços abertos para o êxtase.” (Matinas Suzuki Jr. Folha de São Paulo, quinta-feira, 15 de junho de 1995)

ALBERTO HELENA JR.- CONQUISTA GREMISTA SERIA UM MAL PARA O FUTEBOL

Foi assim que o Grêmio desclassificou o Flamengo, na fase semifinal da Copa do Brasil: levou um vareio no Maracanã; perdia de 2 a 0, mas fez o golzinho salvador, que lhe permitiria pular às finais no Olímpico. Sim, porque ontem o Grêmio, apesar da violência incontrolável, que explodiu na expulsão de Mancini, conseguiu escapar do Pacaembu também com uma derrota de 2 a 1, diante do Corinthians, o que lhe dá a vantagem de ganhar lá pelo mínimo, o indigente 1 a 0.
Sem nenhum regionalismo, que isso é burrice, e reverenciando o espírito guerreiro do Grêmio, um dos atributos básicos do campeão, comparando-se os dois times, seria um mal para o futebol a conquista gremista.
Não que o Corinthians seja o paradigma do futebol-arte, longe disso. Mas o Grêmio é a própria síntese daquele pragmatismo quase borgiano: o veneno que assegura o poder. Marca muito bem, bate muito mais, e, de vez em quando, arrisca-se a um contragolpe rápido com Paulo Nunes, ou a um cruzamento alto na área para o gigante Jardel.
É pouco no instante mágico que vaza o futebol brasileiro.
Já o Corinthians, ao menos, tem o menino Souza, cheio de dengos, com aquela canhotinha esperta. Tem Marcelinho e seus tiros e centros traiçoeiros. Ao atirar, colheu o goleiro adversário no contra-pé e assegurou a vitória. Ao centrar, colheu Viola na área, a seta negra, para se contrapor a Di Stéfano, “la saeta rubia”. E tem Viola, um sarro. Queremos o sarro.” (Alberto Helena Jr. Folha de São Paulo, quinta-feira, 15 de junho de 1995)

Fonte: Meu Timão

Corinthians 2 x 1 Grêmio

CORINTHIANS: Ronaldo, Vítor, Célio Silva, Henrique e Silvinho; Marcelinho Paulista, Bernardo (Ezequiel), Marcelinho e Souza; Viola e Fabinho (Elivélton)
Técnico: Eduardo Amorim

GRÊMIO: Danrlei, Arce, Rivarola, Luciano e Carlos Miguel; Dinho (Gélson), Adílson, Luís Carlos Goiano e Alexandre; Paulo Nunes (Vágner Mancini) e Jardel
Técnico: Luís Felipe Scolari

Copa do Brasil de 1995 – Final – Jogo de ida
Data: 14 de Junho de 1995, Quarta-Feira, 21h00min
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo-SP
Público: 29.692 (25.281 pagantes)
Renda: Cr$ 415.212,00
Árbitro: Antônio Pereira da Silva (FIFA/GO)
Auxiliares: Raimundo Araújo Aguiar e Nilson Justino Pereira
Cartões Amarelos: Silvinho, Célio Silva, Marcelinho Paulista,Carlos Miguel, Rivarola, Luciano e Adílson
Cartão Vermelho: Vágner Mancini
Gols: Viola aos 40 do 1º Tempo; Luís Carlos Goiano aos 20 e Marcelinho aos 26 do 2º Tempo.