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Na Assembleia Geral vote contra as alterações de nº 15 à 28

December 4, 2019
CONSELHO DELIBERATIVO – EDITAL
Em cumprimento aos artigos 55, 59 e 122, caput e inciso II, do Estatuto Social e obedecendo ao que dispõe o artigo 59, caput e inciso II, do Código Civil, convoco os Associados maiores de 16 (dezesseis) anos, pertencentes ao quadro social há mais de 02 (dois) anos ininterruptamente e em situação regular com o Grêmio, com a mensalidade do mês de outubro de 2019 paga até 05 (cinco) de novembro de 2019 para, no dia 07 de dezembro de 2019, sábado, das 10h às 15h, aprovarem ou não as seguintes alterações estatutárias apresentadas e votadas favoravelmente pelo Conselho Deliberativo:
1. Alteração do artigo 3º para ingresso no clube na qualidade de Associado visando a adaptação às práticas atuais em operação no Quadro Social do Clube através do preenchimento da ficha de inscrição ou da informação dos dados pessoais para os agentes do Grêmio; do pagamento de taxa de expediente, de joia, de eventuais débitos anteriores, da primeira mensalidade e da taxa de emissão da carteira social; e do comprometimento e do respeito às disposições do Estatuto do Clube e das regras de modalidade associativa.
2. Alteração do artigo 21 que passa a determinar que o Associado Proprietário pague ao Grêmio, mensalmente, uma contribuição social que será fixada pelo Conselho de Administração.
3. Alteração do artigo 26 que passa a determinar que a categoria dos Associados Contribuintes seja composta pelos Associados que efetuam pagamento de contribuição social e não possuam títulos de propriedade ou patrimonial, não se enquadrando ainda nas categorias de titulados, remidos ou infantis.
4. Alteração do artigo 27 que passa a determinar que o candidato ao ingresso na categoria de Associado Contribuinte, com idade inferior a 16 anos, deve apresentar autorização firmada por seu responsável legal.
5. Alteração do artigo 28 que passa a determinar que a categoria dos Associados Infantis, composta pelos Associados com idade inferior a 12 (doze) anos, são isentos do pagamento de contribuição mensal, arcando, apenas, com as despesas da emissão da carteira social.
6. Alteração do artigo 29 que passa a determinar que o local originalmente destinado ao Associado do Grêmio ocupar na Arena poderá ser alterado, em decorrência de obras de qualquer natureza, ou motivo de força maior, pelo tempo que perdurar, de acordo com o limite das possibilidades alcançadas pelo Clube.
7. Revogação do artigo 32, que contemplava a inclusão no cadastro social dos familiares dos Associados, prática em desuso no clube desde a migração para a Arena.
8. Alteração do artigo 33 que passa a determinar que o Conselho de Administração do Grêmio poderá autorizar a inscrição de menores de 12 anos indicados por um Associado.
9. Revogação do artigo 38, que regulava a inclusão de cônjuge sobrevivente de associado no Quadro Social, prática em desuso no clube, desde a migração para a Arena.
10. Alteração do artigo 59 que atualiza os meios de convocação dos Associados para as futuras Assembleias Gerais a serem realizadas, prevendo sua divulgação através da publicação em 1 (um) jornal de grande circulação do Estado do Rio Grande do Sul, da publicação no site do Grêmio e do envio de correio eletrônico a todos os Associados com direito a voto. A convocação para Assembleia Geral que tenha a sua ordem do dia a eleição de Conselheiros Deliberativos, Conselheiros de Administração e/ou o Presidente do GRÊMIO será publicada em jornal de grande circulação no Estado do Rio Grande do Sul por três edições.
11. Adição de Parágrafo Único ao Artigo 106 determinando que o GRÊMIO aplique integralmente seus recursos na manutenção e no desenvolvimento dos seus objetivos sociais.
12. Adição do 4º Parágrafo ao Artigo 78 que assegura a participação de Atletas na composição da Diretoria não remunerada do GRÊMIO.
13. Alterar o Artigo 57 que passa explicitar que as chapas inscritas para concorrer nas eleições para o Conselho Deliberativo do GRÊMIO deverão conter os nomes dos candidatos na condição de 150 membros efetivos e 30 suplentes.
14. Adição de Parágrafo Único ao Artigo 71 prevendo a aclamação na hipótese de haver apenas uma chapa inscrita para o cargo de Presidente e Vice-Presidente do Conselho Deliberativo, e também de membros do Conselho Fiscal, dispensando a realização de escrutínio secreto.
15. Alteração do inciso II do Artigo 56 que passa a determinar que compete à Assembleia Geral, em escrutínio secreto, eleger os membros efetivos e suplentes do Conselho Deliberativo, incumbindo a este a outorga de Diplomas, Títulos e concessão da condição de Conselheiro Jubilado nos termos do Artigo 65, VIII.
16. Alteração do Artigo 63 que passa a determinar que o Conselho Deliberativo é o órgão representante dos associados do GRÊMIO, cabendo-lhe, além das matérias de sua competência privativa, todas as atribuições que não são específicas de outros órgãos; e que os Conselheiros Jubilados, com e sem direito a voto, constituam o Conselho Deliberativo.
17. Alteração do caput do Artigo 63-A que passa a determinar que a condição de Conselheiro Jubilado poderá ser adquirida pelo Conselheiro do GRÊMIO, titular ou suplente, com mais de 75 (setenta e cinco) anos de idade, que esteja no exercício do mandato ao qual foi eleito e que tenha sido eleito para o Conselho Deliberativo por período igual ou superior a quatro mandatos, de forma consecutiva ou alternada.
18. Alteração do Parágrafo Primeiro do Artigo 63-A que passa a determinar que a condição de Conselheiro Jubilado deverá ser requerida pessoalmente pelo Conselheiro interessado, manifestando-se pela opção do direito a voto ou não. Tal condição, em caráter vitalício, será concedida pelo Presidente do Conselho Deliberativo, complementada por ratificação em Sessão do Conselho Deliberativo.
19. Alteração do Parágrafo Terceiro do Artigo 63-A que passa a determinar que o Conselheiro Jubilado poderá participar dos debates e integrar as Comissões no âmbito do Conselho Deliberativo.
20. Alteração do Parágrafo Quarto do Artigo 63-A que passa a regulamentar as obrigações e penalidades atribuídas à condição de Conselheiro Jubilado sem direito a voto.
21. Alteração do Parágrafo Quinto do Artigo 63-A que passa a regulamentar a presença, o quórum e instalação das sessões que constituem o Conselho Deliberativo.
22. Alteração do Parágrafo Sexto do Artigo 63-A que passa a regulamentar a ascensão à vaga de Conselheiro Titular aberta pelo optante da condição de Conselheiro Jubilado sem direito a voto.
23. Alteração do Parágrafo Oitavo do Artigo 63-A que passa a regulamentar o pedido de renúncia da condição de Conselheiro Jubilado.
24. Acréscimo do Parágrafo 11 ao Artigo 63-A que estabelece que não há limite de vagas para a concessão da condição de Conselheiro Jubilado com e sem direito a voto.
25. Acréscimo do Parágrafo 12 ao Artigo 63-A que estabelece para os atuais Conselheiros Jubilados, e para aqueles que tenham cumprido os requisitos para jubilar, o modo, o prazo preclusivo e a submissão às penalidades por descumprimento das obrigações estatutárias.
26. Acréscimo do Parágrafo 13 ao Artigo 63-A que estabelece a regra e regulamenta o período de transição decorrente da elevação do requisito de idade para requerer a condição de Conselheiro Jubilado.
27. Alteração do Inciso VIII do Artigo 65 que estabelece a competência do Conselho Deliberativo para conceder a condição de Conselheiro Jubilado com e sem direito a voto.
28. Alteração do Artigo 66 que passa a regulamentar a obrigatoriedade da presença do Conselheiro Jubilado com direito a voto nas Reuniões do Conselho Deliberativo, estabelecendo as penalidades por ausência; prever a exclusão da Condição de membro do Conselho Deliberativo por desligamento do Quadro Social ou outro motivo estatutário; estabelecer que o Conselheiro Jubilado se submeta às regras de obrigatoriedade de suspensão do mandato nos casos cabíveis; e prever a perda do mandato do Conselheiro Eleito e Jubilado bem como sua substituição.
O associado deverá estar com os seus dados atualizados no cadastro do Quadro Social (nome completo, CPF, data de nascimento, endereço eletrônico, senha e, principalmente, número de celular com DDD), até as 23h59min do dia 05/12/2019.
O VOTO será exclusivo PELA INTERNET, apenas no dia da eleição, das 10h às 15h, e ocorrerá através do endereço eletrônico votacao.gremio.net, utilizando a matricula, senha e código SMS enviado para o celular do cadastro. Cada associado deverá ter o seu número de celular cadastrado, não podendo o mesmo número ser utilizado por mais de um sócio para receber o código SMS de votação.
A empresa SEC2B SEGURANÇA EM TECNOLOGIA S.A. foi contratada para fazer auditoria dos sistemas informatizados do GRÊMIO para a Assembleia Geral realizada pela Internet, cujo trabalho se prolongará até a proclamação do resultado.
OBSERVAÇÃO: Para efeito do art. 3º, § 2º, alínea “d”, do Regimento Eleitoral, ficam os associados cientes de que não haverá, no dia da votação, 07/12/2019, na ARENA DO GRÊMIO, computadores e outros equipamentos disponibilizados pelo Clube para a efetivação do voto via INTERNET.
A Comissão Permanente para Assuntos Eleitorais é composta pelos seguintes Conselheiros: ALMIR PORTO DA ROCHA FILHO (PRESIDENTE), CARLOS AUGUSTO PEIXOTO REIS, FABIANO SILVA BRASIL, MARCELO CABRAL DE AZAMBUJA, RAFAEL HANSEN DE LIMA, TELMO LUIZ BENEDETTI e TIAGO MALLMANN SULZBACH, além do Assessores JEFERSON THOMAS e PAULO ROBERTO DA SILVA PINTO.
Porto Alegre, 29 de novembro de 2019.
CARLOS BIEDERMANN
PRESIDENTE DO CONSELHO DELIBERATIVO

edital assembleia geral destaque

O edital acima foi publicado no Jornal do Comércio e na Zero Hora do dia 29 de novembro. Eu recebi um email (também em 29 de novembro), com informações sobre a assembleia geral. Contudo, creio que as pessoas que não militam na política do Grêmio terão alguma dificuldade para compreender o que está sendo colocado em votação nesta assembleia.

Chamo a atenção para os pontos 15 à 28, que tratam da alteração que permitirá que os conselheiros jubilados passem a ter direito a voto. Falei no post anterior sobre o trâmite dentro do Conselho Deliberativo dessa proposta.

Reitero que a proposta é muito ruim para o processo democrático do clube. Através dela, sera criada uma nova classe de conselheiros, escolhidos pelo próprio Presidente do Conselho. Uma classe que terá mandato vitalício, sem nenhuma necessidade de ter esse mandato periodicamente referendado pelos associados (o que por si só contraria os preceitos mais básicos da democracia representativa. E o Conselho Deliberativo é o órgão de representação de todos os sócios do Grêmio).

 Hoje são 27 os conselheiros jubilados.  Se a metade deles optar por ter direito a voto, já teremos um número suficiente para causar desequilíbrio nas votações internas do conselho. Um exemplo disso reside no fato de que nas últimas três eleições para Presidência do Conselho Deliberativo os candidatos apoiados pela gestão foram derrotados por uma diferença nunca superior a 13 votos.

Além disso, a existência de conselheiros jubilados com direito a voto fará com que o quórum para votação de novas reformas estatutárias seja aumentado. Não é demais salientar que a alteração proposta determina expressamente que “Não há limite de vagas para concessão da condição de Conselheiro Jubilado com e sem direito a voto.”

Diante disso, não é desarrazoado imaginar que uma maioria circunstancial poderá facilmente se transformar em uma maioria permanente, indissolúvel.

É de se lamentar também a forma como que esta assembleia geral está sendo conduzida. Não há clareza para o sócio sobre o que exatamente está em jogo, qual será de fato a alteração promovida no estatuto e quais as consequências dessa mudança. Não me parece que essa condução esteja de acordo com os parâmetros de transparência e governança que um clube moderno deveria obedecer. Neste aspecto, cabe salientar que, para alterações de estatuto de sociedades que operam na bolsa de valores, a CVM exige que seja fornecido aos seus acionistas “no mínimo […] cópia do estatuto social contendo, em destaque, as alterações propostas; e  relatório detalhando a origem e justificativa das alterações propostas e analisando os seus efeitos jurídicos e econômicos”. Em contraste, os sócios do Grêmio recebem pouquíssima informação sobre a matéria que será votada (não houve qualquer chamamento aos sócios nos últimos seis  “Guia da Partida“).

Nos últimos anos o Grêmio, através da luta de diversas pessoas, teve uma série de melhorias e progressos no regramento e estrutura do seu processo democrático. Infelizmente a criação dos conselheiros jubilados com direito a voto aponta para o lado oposto destas últimas alterações, significando um grave retrocesso na questão da abertura política do clube.

 

 

Artigo 63 comparação

Atualização sobre minha atuação no Conselho Deliberativo

December 4, 2019

Acho que a última vez que fiz um relato aqui no blog das minhas atividades como conselheiro do clube foi em novembro de 2016. Esse silêncio tem, em parte, uma justificativa:   A partir de 30 de março de 2015 , assumi (à convite do Presidente Milton Camargo)  a função do Secretário do Conselho, na qual permaneci (também no período gestão do Presidente Carlos Biedermann) de até 18 de outubro 2018 (quando pedi sair em razão de questões particulares). Uma das atribuições  (talvez a principal) do Secretário do Conselho é a elaboração das Atas das Sessões. E creio que eu não poderia repetir aqui no blog o mesmo texto que fiz para registro no livro de atas do Conselho.  É uma pena que mais ninguém se dispõe a falar abertamente sobre o andamento das reuniões do conselho, salvo em posts pontuais de Twitter e Facebook.

Mas nesse meio tempo muita coisa aconteceu. Quem acompanha com o mínimo de interesse a vida política do clube deve saber que acabei sendo o único conselheiro a manifestar minha posição contrária a proposta levado ao Conselho Deliberativo de “alteração estatutária para o fim de consolidar interpretação do artigo 82 do Estatuto Social, com a inserção da seguinte regra nas Disposições Transitórias:Art. 124-B. Fica assegurada a atual composição do Conselho de Administração do Grêmio (gestão 2017-2019) o direito de concorrer à reeleição, para um mandato de 3 (três anos).” Na ocasião, manifestei minhas razões ao jornalista Felipe Duarte da Zero Hora. Sigo convicto delas. Sigo acreditando que é um casuísmo. Sigo acreditando que é uma manobra que pode trazer prejuízos (ao menos em longo prazo) para o clube. Sigo acreditando a interpretação dada é descabida (até mesmo porque uma “interpretação” que acrescenta artigo ao estatuto não é mais uma mera interpretação). Sigo acreditando que a alternância do poder é um dos pilares da democracia. Nas palavras de Montesquieu “Até a virtude precisa de limites“. Mas essa é uma questão que está superada.

Contudo, uma atualização necessária na matéria da Zero Hora. Não faço mais parte do Movimento Grêmio Independente (MGI) desde agosto desse ano, quando entendi que o grupo deixou de se manifestar em diversas questões que são de extrema importância para mim.

Uma delas foi a questão da biometria na Geral. Outra foi a do direito a voto dos Conselheiros Jubilados.

Aqui cabe uma breve explicação. A categoria dos Conselheiros Jubilados foi criada em julho de 2012, com o propósito declarado de abrir espaço para novos conselheiros sem prescindir da presença/vivência de conselheiros com maior experiência. Para isso se oferecia a POSSIBILIDADE dos conselheiros maiores de 70 anos e com no mínimo de 4 mandatos se tornarem jubilados, permanecendo vitaliciamente no conselho (independente da sua frequência nas reuniões), mas sem direito a voto (abaixo o texto do estatuto que, por ora, regula essa questão):

Art. 63-A. O conselheiro do GRÊMIO, titular ou suplente, com mais de 70 (setenta) anos de idade, que esteja no exercício do mandato, e que tenha integrado o Conselho Deliberativo por período igual ou superior a quatro mandatos, de forma consecutiva ou alternada, PODERÁ adquirir a condição de Conselheiro Jubilado.

§ 1°. A condição de Conselheiro Jubilado deverá ser requerida pessoalmente pelo conselheiro interessado, sendo concedida pelo Presidente do Conselho Deliberativo, em caráter vitalício, após a verificação do cumprimento dos requisitos, em decisão fundamentada.

§ 2°. A secretaria do Conselho Deliberativo publicará anualmente, no mês de março, a relação de conselheiros aptos a requerer a condição de Conselheiro Jubilado.

[…]

§ 3°. O Conselheiro Jubilado poderá participar dos debates e expressar livremente sua opinião no âmbito do Conselho Deliberativo, não tendo, porém, direito de voto.” (grifei)

Enfatizo que o “jubilamento” é um direito, uma possibilidade. Nenhum conselheiro que preencha essa condição está obrigado a se tornar conselheiro jubilado, podendo optar por permanecer concorrendo e se elegendo como conselheiro com direito a voto.

Ocorre que, a partir 2014 alguns dos conselheiros jubilados passaram a pleitear o direito ao voto. Em 2015 a proposta de direito a voto aos jubilados foi colocada em votação no conselho, e foram registrados 112 votos a favor e 111 contra (no caso de alteração estatutárias é necessária a maioria do voto dos conselheiros e não dos presentes, por isso a proposta não passou). Em 2018 a proposta foi novamente levada ao conselho, mas dessa vez a proposta foi rejeitada uma análise prévia da Comissão de Assuntos Legais. Contudo em 2019 a proposta voltou a pauta. A Comissão de Assuntos Legais, com os mesmos componentes de 2018, deu parecer favorável a proposta. E na reunião de 19 de agosto de 2019 a proposta passou com 180 votos a favoráveis (28 contrários). O Artigo 63-A, caso aprovado pela Assembléia Geral, passará a ter a seguinte redação:

“Art. 63-A. O Conselheiro do GRÊMIO, titular ou suplente, com mais de 75 (setenta e cinco) anos de idade, que esteja no exercício do mandato ao qual foi eleito, nos moldes do art. 56, e que tenha sido eleito para o Conselho Deliberativo por período igual ou superior a quatro mandatos, de forma consecutiva ou alternada, poderá adquirir a condição de Conselheiro Jubilado.

§ 1º. A condição de conselheiro jubilado deverá ser requerida pessoalmente pelo conselheiro interessado, oportunidade na qual deverá manifestar-se pela opção do direito a voto ou não. A condição, em caráter vitalício, será concedida pelo Presidente do Conselho Deliberativo, após a verificação do cumprimento dos requisitos e inserido em pauta da próxima sessão do Conselho Deliberativo para ratificação.

§ 2º. A secretaria do Conselho Deliberativo publicará anualmente, no mês de março, a relação de conselheiros aptos a requerer a condição de Conselheiro Jubilado. 

§ 3º. O Conselheiro Jubilado poderá́ participar dos debates e expressar livremente sua opinião no âmbito do Conselho Deliberativo, podendo, ainda, integrar as comissões formadas no âmbito do Conselho Deliberativo.

[…]

§ 11. Não há limite de vagas para concessão da condição de Conselheiro Jubilado com e sem direito a voto.” (grifei)

E a obtenção dos votos necessários só foi possível em razão das movimentações  e composições que resultaram na inscrição de uma chapa majoritária (formada por 17 grupos) apoiada pelo presidente Romildo Bolzan. Para integrar o chamado “chapão”, todos os grupos assumiram o compromisso de, no mínimo, não fechar questão contra a proposta que favorece os conselheiros jubilados.

Ao meu ver, a referida proposta não tem qualquer caráter programático,  de modo que ela não deveria estar vinculada a uma negociação para uma chapa de consenso/unidade (penso, inclusive, que ela provavelmente gerará um grave desequilíbrio nas relações de poder na política do clube). A proposta de oferecer o direito a voto vitalício, sem que o conselheiro tenha seu mandato periodicamente referendado pelo sócios nas urnas, é flagrantemente antidemocrática.

E sendo essa uma alteração antidemocrática, entendo que o posicionamento contrário a ela é, por princípio, inegociável. Eu me sentiria extremamente desconfortável tendo que ficar ao lado de quem apoia, anui ou mesmo deixa de se opor a tal alteração. Isto significaria um sério rompimento com tudo o que defendi na minha atuação como conselheiro.

Eleição para Presidente – 2016

November 16, 2016

No sábado, dia 12 de novembro, aconteceu a eleição para a Presidência do Grêmio.  6.602 sócios votaram (2.101 presencialmente e 4.501 pela internet). O resultado foi o seguinte:

– A Chapa 1 de Romildo Bolzan Jr obteve 5.605 votos (85,3%)
– A Chapa 2 de Raul Mendes da Rocha obteve 963 votos (14,7%)
– Foram registrados 6 votos em branco e 28 votos nulos.

Assim Romildo Bolzan Jr terá mais três anos de mandato, tendo como seus vices Adalberto Preis, Claudio Oderich, Duda Kroeff, Marcos Herrmann, Paulo Luz e Sergei Costa.

Apenas como curiosidade: Romildo Bolzan fez 87,4% contra 12,2% de Raul nos votos pela internet. E nos votos presenciais Romildo fez 79,4% contra 19,7% de Raul.

Mais uma vez o baixo número de votantes chamou a atenção. Apesar do menor número de habilitações de votos pela internet (7.500 em setembro contra 6.400 em novembro), houve um leve aumento (de 0,3% ou de 147 votantes)  no comparecimento  na comparação com a eleição para o Conselho Deliberativo realizada em setembro. Mas o comparecimento foi menor, tantos em termos percentuais como também em números absolutos, do que as eleições para Presidente em 2012 e 2014 e do que a eleição para o Conselho Deliberativo de 2013 (quando não havia voto por internet).

Resta saber se este baixo número  de votantes se justifica pelo “desinteresse” em geral pela política (que se verifica até na eleição para Presidente dos Estados Unidos da América) ou se explica por alguma característica própria do processo democrático do clube.

Eleição sem debate

November 11, 2016

A Chapa 1 se mantém afastada dos debates eleitorais como forma de garantir a harmonia indispensável ao clube neste dias que antecedem a disputa em campo

É irrelevante daqui para frente fazermos debates que possam comprometer a qualidade da preparação para a final. Daqui para frente, qualquer conceito não será debater o clube publicamente

A ausência de debates vai contra os interesses do clube. Se não querem debater, não deveriam nem marcar a eleição

Estranho muito essa fuga do debate do presidente. Faço o desafio para que ele venha debater para que os conselheiros sejam esclarecidos

É clara a diferença de entendimento entre as duas primeiras e as duas últimas frases transcritas acima. Mas elas foram ditas por pessoas que integram a mesma Chapa na eleição do próximo sábado.  As duas primeiras são do Presidente Romildo Bolzan, em 2016 e as duas últimas são do Vice-Presidente Adalberto Preis, em 2000 (quando então era candidato a presidente pela oposição).

Entendo que eventual mudança de entendimento possa ser encarada como algo salutar, desde que acompanhada de alguma justificativa concreta e não por mera conveniência. A pertinência ou não de debates me parece ser uma questão essencialmente conceitual, sendo difícil imaginar quais seriam as circunstâncias que explicariam uma mudança neste tema. Eu acho que o debate é tão ou mais importante hoje do que era no 2000.

Tenho a impressão que as discussões no Grêmio, de um modo geral, são bastante rasas. Não é raro que argumentos mais elaborados sejam atropelados por sofismas e falácias. A supressão de debates em períodos eleitorais, com base na tese infundada de “não atrapalhar o time” , só tende a piorar esse cenário.

O momento na cidade, no estado, no país e no mundo, é complicado para falar em política. Entendo o cansaço e a desilusão que muitos tem com o processo democrático, mas acredito que a frase de Churchill de que “a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempo” segue sendo válida. E democracia não pode se resumir a realização de eleições. E uma eleição não pode se resumir em uma votação para referendar mandatos. A importância do debate vai muito além da possível influência no resultado da votação.

O debate é a melhor oportunidade de um diálogo direto entre os candidatos. Um boa oportunidade também de diálogo entre os eleitores e os candidatos. Uma oportunidade da situação fazer um balanço das suas ações, de mostrar seus avanços e também ter um pouco de autocrítica. Uma oportunidade da oposição ser ouvida em suas críticas e sugestões. Uma oportunidade dos candidatos assumirem alguns compromissos públicos. Sem debate, todas essas oportunidades serão perdidas.

Ocorreram debates entre os candidatos a presidência do Grêmio em todas as eleições desde que foi implementada a votação direta para presidente em 2004. É uma pena que essa tradição seja rompida. É uma pena que não teremos discussões sobre check-in, sobre valores de ingressos e mensalidades, sobre o tratamento dispensado ao sócio torcedor, sobre as promoções que privilegiam o não-sócio, sobre a queda nas receitas de marketing, sobre a falta de investimento na base, sobre transparência, sobre o excesso de personalismo na comunicação do clube, sobre o fato de informações oficiais do Grêmio serem divulgadas antes (quando não somente)  em contas pessoas de dirigentes, sobre política de futebol. É uma pena.

Atualização sobre as reuniões do Conselho Deliberativo

November 10, 2016

Ocorreram 3 reuniões desde a eleição que renovou a metade do Conselho Deliberativo no dia 24 de setembro.

A primeira foi realizada no dia 18 de outubro, para eleição e posse do Presidente e do Vice-Presidente do Conselho Deliberativo.”Carlos Biedermann, candidato representante da Chapa 2, tendo Alexandre Bugin ao seu lado, como vice-presidente, obteve 164 votos contra 154 de Gabriel Fadel, candidato da Chapa 1, com Juliano Ferrer como vice“. Votei na chapa 2, de Biedermann e Bugin, por entender que era a mais capacitada para enfatizar a função de fiscalização, transparência e governança do Conselho Deliberativo.

A segunda reunião aconteceu no dia 25 de outubro e tinha a finalidade de “aprovação prévia das chapas concorrentes à eleição do Conselho de Administração“. Duas chapas estavam inscritas.  A chapa 1 é encabeçada por Romildo Bolzan Jr. como presidente, tendo como vices  Adalberto Preis, Claudio Oderich, Duda Kroeff, Marcos Herrmann, Paulo Luz e Sergei Costa. A chapa 2 é encabeçada por Raul Mendes da Rocha como presidente, tendo como vices Adalberto Aquino Filho, Airton Ruschel, Fabio Koff Junior, Jorge Bastos, Omar Selaimen e Pierre Gonçalves. A chapa 1 fez 160 votos (56,9%), enquanto a  Chapa 2, fez 117 votos (41,6%). Foram registrados ainda dois votos nulos e dois votos em branco. Eu sigo entendendo que não deveria existir esse primeiro turno dentro do conselho. Continuo sendo contrário a forma que a cláusula de barreira funciona nas votações do Grêmio. Em função disso e por entender que é fundamental a existência de contraditório no clube eu votei na Chapa 2. Entendo que a gestão Romildo está longe de ser uma unanimidade e não conseguiu fazer o que propunha. Da mesma forma entendo que a atual gestão não teve êxito em agregar pessoas diferentes e congregar esforços para o clube, tendo inclusive perdido parte da sua base de apoio inicial, sendo demasiadamente refratária as ideias que vem “de fora” (quando não agressiva com que tenta propor ideias). Assim acredito ser fundamental que algumas discussões sejam feitas através da eleição e que o sócio tenha uma alternativa de escolha no dia da votação.

A terceira reunião aconteceu em 31 de outubro e tinha como ordem do dia “Examinar os demonstrativos contábeis e financeiros do terceiro trimestre de 2016“. E aqui entra uma questão complicada. A notícia publicada no site do clube sobre essa reunião é por demais incompleta. E não é a primeira vez que isso acontece. Nestas reuniões, os números são apresentados pelo presidente do clube e pelo CEO. Na sequência é apresentado o parecer do Conselho Fiscal  (lido por um dos seus integrantes) e um relatório da Comissão de Finanças (também apresentado por um dos seus integrantes). Não há menção a estes relatórios ou as pessoas que fizeram estas apresentações, mas estranhamente as presenças dos vice-presidentes, chefe de gabinete e dos secretários da presidência do clube são referidas. Os números apresentados na notícia são poucos, quase aleatórios, insuficientes para preencher qualquer critério de transparência. Não há esclarecimento se a receita do quadro social está acima ou abaixo do orçado para o período. Não há referência se as despesas do futebol estão acima ou abaixo do orçado. Não há referência se as luvas recebidas pela renovação com o contrato com a Rede Globo influenciam ou não no resultado do período. Vou cobrar e trabalhar para que a comunicação do Conselho Deliberativo  seja mais eficiente.

Eleição para o Conselho Deliberativo 2016

September 27, 2016

Neste último sábado, dia 24 de setembro de 2016, ocorreu a eleição para a renovação da metade das cadeiras do Conselho Deliberativo do Grêmio.

Foram “1902 votos presenciais e 4553 votos pela internet […] totalizando 6455 associados participantes“.

CHAPA 1 – O GRÊMIO QUE EU QUERO – 880 votos (13,63%)
CHAPA 2 – GRÊMIO FORTE E CAMPEÃO – 1.272 votos (19,71%)
CHAPA 3 – MAIS GRÊMIO – 1.280 votos (19,83%)
CHAPA 4 – JUNTOS SOMOS GRÊMIO – 3.012 votos (46,66%)
6 votos em brancos (00,09%)
5 votos Nulos (00,08%)

Uma vez que a Chapa 1 não ultrapassou a cláusula de barreira de 15% prevista no artigo 57, §3º do Estatuto, as cadeiras no conselho ficaram assim distribuídas:

Chapa 4 – 54,00% das vagas (81 conselheiros e 16 suplentes)
Chapa 3 – 23,33% das vagas  (35 conselheiros e 7 suplentes)
Chapa 2 – 22,67% das vagas (34 conselheiros e 7 suplentes)

Eu concorri e fui reeleito pela chapa 3. Fico muito contente com isso e sigo ciente da responsabilidade envolvida. Lamento que muitos companheiros de chapa, que certamente contribuiriam  para a renovação e qualificação do Conselho, não foram eleitos. Mas em relação ao resultado da eleição só nos caber fazer análises, e não fazer questionamentos diretos a sua legitimidade (muito embora eu permaneça convicto de que não deveria existir cláusula de barreira para o conselho)

Chamou atenção o baixo número de votantes (16,98% é o menor percentual de comparecimento desde 2010), uma vez que 38 mil sócios estavam aptos a votar. A partir disso, uma parte da torcida iniciou a fazer uma série de manifestações negativas sobre a eleição realizada no sábado. Fiquei um pouco incomodado com algumas questões colocadas nessas manifestações.

Nos dias anteriores e posteriores a votação se repetiu, sem nenhum pudor, a tese (infundada) de que as eleições atrapalham o rendimento do time. Parece haver uma confusão nos conceitos. Os eventuais excessos nas disputas políticas do Grêmio são um sintoma, e não a causa, da falta de títulos do clube. E mesmo clubes vitoriosos passam por processos eleitorais acirrados (como o Grêmio entre 1981 e 1983, ou o Barcelona entre 2009 e 2011).

Ainda mais preocupante me pareceu a tentativa feita por muitos de usar o baixo número de votantes para justificar um ar blasé ou de desdém com as eleições no clube. Apesar dos pesares, a eleição para o Conselho do Grêmio teve o dobro de votantes do que as últimas eleições para PRESIDENTE do Flamengo e do Corinthians. A realização da votação custa muito dinheiro para o clube, que se obriga a contratar uma série de serviços e  mobiliza mais de uma centena dos seus funcionários para trabalhar no dia do pleito. A isto tudo se somam ainda diversas pessoas que contribuem de forma voluntária para o processo ( e aqui me incluo como Secretário do Conselho).

Sei que a abstenção é uma forma válida de participação no processo democrático. Mas ao contrário do que andam apregoando, não é uma forma revolucionária de participação. Nada no clube vai ser alterado ou aprimorado por meio de abstenção.

Entendo que as pessoas tenham restrições e queixas à forma que é feita a eleição. Mas estas queixas só podem ser atendidas através do diálogo e da participação. Nunca é demais lembrar até 2004 não havia eleição direta para presidente do Grêmio. Até 2007 a eleição para o conselho não era proporcional. A cláusula de barreira, depois de uma tentativa frustrada em 2009, foi reduzida de 30% para 20% em 2011. E foi mais uma vez reduzida, de 20% para 15%, em 2015. Em 2012 foi instituído o voto por correspondência e em 2014 foi implementado o voto pela internet. Nesse ano, sem que haja nenhum proibição nesse sentido, deixamos de ver a repetição das mesmas pessoas em mais de uma chapa. Ou seja, ocorreram significativos avanços e aprimoramentos no processo democrático, ainda que não  tenham acontecido na velocidade que muitos esperavam.

Igualmente compreendo que nem todos consigam captar plenamente quem são os agentes que participam das eleições e quais suas efetivas bandeiras, visto que muito dos materiais de campanha parecem ser feitos de maneira propositalmente genérica ou contraditória. Mas a resposta para tal fato é exigir uma melhor comunicação dos conselheiros, dos movimentos políticos e do próprio clube com o associado (Eu sempre pautei minha atuação no conselho por exigir mais transparência e melhor comunicação, e esta foi uma das propostas defendidas pela chapa que eu integrei). A tentativa de colocar todos os integrantes e todos os concorrentes numa vala comum de desprezo é, no mínimo, injusta.

É preciso entender que o Grêmio não tem dono e ninguém tem o direito divino de comandar o tricolor. A administração do clube é feita pelos próprios sócios, escolhidos pelos seus pares para representar a totalidade do quadro social nos órgãos da entidade (seja no Conselho de Administração, seja no Conselho Deliberativo). Diante disso, o processo democrático no Grêmio deve ser sempre alvo de zelo pelos gremistas e não de menosprezo.

 

 

 

 

Eleição para o Conselho Deliberativo 2013

September 30, 2013

Neste sábado, se encerrou a eleição para a renovação da metade das cadeiras do Conselho Deliberativo do Grêmio. Segundo o site do clube, os números finais do pleito foram os seguintes:

 4.670  sócios votaram por correspondência e 3.854 sócios compareceram na Arena no dia 28 para votar, totalizando assim 8.524 votos, distribuídos da seguinte forma:

Chapa 01 – Grêmio do Prata – 804 votos (9,5%)
Chapa 02 – Faixa no Peito – Unido e Vencedor – 2509 votos (29,5%) 
Chapa 03 – Nação Tricolor – 462 votos (5,4%)
Chapa 04 – Juntos pelo Sócio – 1.122 votos (13,2%)
Chapa 05 – Grêmio Maior – 1.354 votos (15,9%)
Chapa 06 – Somos Grêmio – 454 votos (5,3%)
Chapa 07 – #VemproGrêmio – 1.790 votos (21,1%) 

Apenas as chapas 2 e 7 superaram a a cláusula de barreira, que é de 20%. A chapa 2 elegeu 88 conselheiros titulares e 18 suplentes, enquanto a chapa 7 elegeu 62 conselheiros titulares e 12 suplentes.
Como já disse aqui, fiz campanha para a chapa 7. Estive durante todo o sábado na Arena, e o clima que vi lá era muito bom. Talvez o mesmo não se possa dizer em relação a outros debates feitos, especialmente na internet (em focos bem localizados), mas com certeza houve uma significativa melhora em relação a eleições anteriores.
Era imaginado que com o grande número de chapas poucas delas conseguiram superar a cláusula de barreira. O que é uma pena. E não digo isso por casuísmo, mas sim por sempre defendi a inexistência desse tipo de norma. Entendo que até possam existir mecanismos para impedir as chamadas “candidaturas aventureiras”, mas não parece que seja correto e justo descartar votos dos sócios nesse processo. Na prática é isso que acontece. Contudo é preciso reconhecer que já houve uma evolução, o percentual que foi reduzido de 30% para 20% em 2011. A marca anterior não foi ultrapassada por nenhuma das chapas que concorreram nessa ocasião. Acho salutar que sejam feito debates nesse sentido, mas sem casuísmos, populismo e oportunismo.
Outro dado que me chama a atenção é o comparecimento dos sócios na eleição. Num total de mais de 37 mil sócios aptos a votar, cerca de 8.500 exerceram o seu direito, o que dá um comparecimento de 22, 7%. Não é um número de todo o ruim na comparação com o histórico de comparecimento de sócios. Contudo é preciso considerar que, assim como em 2012, havia a facilidade da votação pelo correio. Eu entendo algumas dificuldades, mas não posso deixar de considerar que há algum descaso de grande parcela do quadro social do clube com o processo democrático. E creio que a abstenção consciente, como forma de protesto, não funciona e não colabora com o futuro do Grêmio. Mas vou continuar com essa e outros considerações sobre as eleições em um outro post.

Iniciada a eleição do Conselho do Deliberativo

August 17, 2013
Encerrou ontem o prazo para inscrições de chapas para a eleição que renovará a metade das cadeiras do conselho deliberativo do Grêmio. 7 chapas foram inscritas. Num primeiro momento tal número pode parecer exagerado. É de se questionar se há tanta variedade de ideias/discurso para justificar tamanha pluralidade. Mas há também como encarar tal cenário de forma otimista. O grande número de postulantes é um indicativo claro de que há forte interesse dos sócios em fazer parte da política do clube e o clube vem se mostrando bem mais aberto a participação democrática.
É uma questão de abertura e de uma certa proporcionalidade. Em 2004 havia 6 mil sócios aptos a votar, e eram 2 as chapas concorrentes. Em 2007 foram registradas 3 chapas para um universo de 10 mil aptos a votar.  3 chapas  também foram inscritas em 2010, quando o eleitorado era de 28 mil sócios. Para a eleição do dia 28 de setembro, teremos mais de 37 mil sócios aptos a votar. Era de se esperar  que o número de candidatos acompanhasse o crescimento que o quadro social teve nos últimos anos.
Eu tenho posição firme e aberta nessa eleição. Sigo apoiando a ideia de que é preciso se distanciar do dualismo personalista que vem dominando o Grêmio nos últimos anos. Creio que não há mais espaço para tanto. Para isso acredito que é preciso criar alternativas, mas alternativas viáveis, responsáveis, que tenham a inteligência, capacidade e maturidade para fazer as mudanças necessárias na mentalidade do clube. Foi isso que busquei fazer em 2012, ao colaborar com a candidatura de Homero Bellini Junior para a presidência. Fico feliz que em 2013 mais grupos e mais pessoas tenham se filiado a essa ideia. Por isso votarei e trabalharei pela chapa “Grêmio de Todos” na eleição do dia 28 de setembro.
Não sou maniqueísta e reconheço virtudes e acertos em diversas outras chapas. Mas as divergências, as diferenças (por mais que possam tentar ser disfarçadas) existem, e por isso a disputa se faz presente. E não vejo mal nenhum em termos uma disputa.
Não consigo concordar com algumas pessoas que tentam atribuir toda a culpa dos insucessos futebolísticos do Grêmio nos últimos anos a disputa política. Temos várias maneiras de administrar um time de futebol, e entre elas se destacam duas formas: Uma é a do clube com dono ( Ex: Milan, Chelsea, Manchester United), que coloca o seu dinheiro e assim pode mandar e desmandar no time. Outra seria a do clube composto por sócios (Ex: Barcelona, Bayern de Munique, Boca Juniors) que elegem seus representantes para gerir o time. Não há e nunca houve nenhuma notícia de que o Grêmio pudesse ser vendido para um dono, assim é possível encaixar o tricolor nesse segundo “modelo” de clube.
Nunca é demais lembrar que o Barcelona, paradigma de sucesso no futebol nos últimos anos, vive intensa disputa eleitoral. Joan Laporta, sofreu uma “moção de censura” que visava afasta-lo da presidência do Barça em 2008. No ano seguinte ele permaneceu no comando e o time ganhou todos os títulos que disputou. Ainda assim, ele não conseguiu eleger o seu sucessor, sendo derrotado por Sandro Rossel, que conquistou o título mundial em 2011. Como se vê, disputa política não afasta o Barcelona dos troféus. Devem ser poucos os barcelonistas que reclamam das eleições. E aqueles que não gostam de exemplos tão longínquos e costumam achar “que a grama do vizinho é sempre mais verde” precisam se ater ao fato de que a última eleição do co-irmão teve nada menos do que 6 chapas concorrendo as vagas do conselho deliberativo
É certo que as eleições não são um fim si mesmo, mas tenho séria desconfiança de quem tem ojeriza a elas. Qual a alternativa que estes propõem? Será que desconhecem a célebre frase de Churchill: “A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”

Comparecimento Eleições – 2004 à 2019

October 23, 2012
No domingo tivemos a maior eleição da história do Grêmio. Achei que seria válido atualizar o levantamento sobre o número sócios aptos a votar e o número de sócio que efetivamente votou em cada eleição no clube desde 2004.
 Além de ter tido um grande número de votantes, a eleição de 2012 também teve o maior comparecimento desde 2004. Votaram 40,86% dos mais 33 mil sócios aptos para tanto. Tamanho crescimento pode também ser atribuído a opção do voto por correspondência. A comparação mais óbvia a ser feita é com a última eleição no co-irmão, que adotou uma sistemática parecida e teve um número total de votantes maior mas com um comparecimento um pouco inferior (36%).
Ainda assim, eu reitero que sempre fico surpreso com grande número de pessoas que não exerce seu direito de voto no clube.

 

2019 – Conselho Deliberativo

A expectativa do clube é de que 5 mil gremistas participem da eleição no sábado. Conforme o presidente do Conselho Deliberativo do Grêmio, Carlos Biedermann, 90% dos votos devem ser feitos pela internet.“(Zero Hora –  27/09/2019)

Aptos para votação: 53.224 sócios
– Esperados: 5.000 sócios
Votaram: 17.402 sócios (32,70%)

2016 – Presidente

São esperados cerca de 10 mil votos, entre presenciais e online.“(Zero Hora –  11/11/2016)

Aptos para votação: 38.201 sócios
– Esperados: 10.000 sócios
Votaram: 6.602 sócios (17,28%)

2016 – Conselho Deliberativo

Segundo o presidente do Conselho Deliberativo, Milton Camargo, dos 38 mil sócios aptos a votar, 7500 podem efetuar o seu voto pela internet. A expectativa é de que 9 mil associados participem da eleição do Conselho Deliberativo.“(Zero Hora –  24/09/2016)

Aptos para votação: 38.000 sócios
– Esperados: 9.000 sócios
Votaram: 6.455 sócios (16,98%)

2014 – Presidente

Mais de 39 mil associados estão aptos a votar, mas o clube espera entre 12 e 15 mil gremistas na Esplanada da Arena, ” (Zero Hora17/10/2014)

Aptos para votação: 39.000 sócios
– Esperados: 12.000 sócios
Votaram: 9.013 sócios (23,11%)

2013 – Conselho Deliberativo

Estão aptos a votar 37,7 mil associados para renovar 150 conselheiros do clube.“;” São esperados pelo menos 10 mil votos, entre presenciais e por correspondência” (Zero Hora –  21/09/2013)

Aptos para votação: 37.700 sócios
– Esperados: 10.000 sócios
Votaram: 8.524 sócios (22,61%)

2012 – Presidente

Das 33,1 mil cartas enviadas aos associados, em que aparecem os nomes de Fábio Koff, Homero Bellini Júnior e Paulo Odone, 2,093 mil já haviam sido devolvidas até ontem. Com base nesse dado, Moesch estima que 12 mil gremistas votem por correspondência, com a maior parte das cartas chegando ao Olímpico dia 16, véspera do encerramento do prazo. Cerca de oito mil são esperados para votar nas urnas eletrônicas instaladas no Quadro Social. – Projeto cerca de 20 mil votos. Será a a maior eleição da história do clube –  diz Moesch.” (Zero Hora08/10/2012)

Aptos para votação: 33.154 sócios
– Esperados: 12.000 sócios
Votaram: 13.547 sócios (40,86%)

2010 – Conselho Deliberativo

São cerca de 28 mil sócios aptos para votar, e a expectativa é que aproximadamente 10 mil compareçam ao estádio até as 17h.” (Zero Hora11/09/2010)

Aptos para votação: 28.000 sócios
– Esperados: 10.000 sócios
Votaram: 4.624 sócios (16,51%)

2008 – Presidente

Atualmente 20 mil sócios estariam aptos para votar. A direção espera que 6 mil comparecem às urnas.” (O Sul – 10/10/2008)”

A estimativa da direção é que dos 22 mil sócios aptos a votar atualmente, 6 mil deverão comparecer. ” (Correio do Povo – 18/10/08)

Aptos para votação: 22.000 sócios
– Esperados: 6.000 sócios
Votaram: 5.365 sócios (24,39%)

2007 – Conselho Deliberativo

O presidente do Conselho Deliberativo do Grêmio, Mauro Knijnik, estima que, entre os 10 mil sócios do clube aptos a votar, apenas quatro mil irão às urnas neste sábado.” (ClicRBS – 26/09/2007)

Aptos para votação: 10.000 sócios
– Esperados: 4 mil sócios
Votaram: 3.063 sócios (30,63%)

2004 – Presidente

Menos de um terço dos associados deve comparecer à votação que hoje decide o novo presidente do Grêmio. A previsão é do presidente do Conselho Deliberativo, Mauro Knijnik, que espera o comparecimento de no máximo 3 mil sócios de um universo de 11,6 mil aptos a participar do pleito” (Correio do Povo, 16 de Dezembro de 2004)

Aptos para votação: 11.600 sócios
– Esperados: 3.000 sócios
Votaram: 2.427 (20,92%)

2004 – Conselho Deliberativo

Mesmo com cálculos da secretaria do clube mostrando um eleitorado de mais de 6 mil associados, a previsão feita pelo presidente do Conselho Deliberativo, Oly Fachin, é que 2 mil sócios do Grêmio compareçam ao pleito deste domingo” (Correio Do Povo, 26 de Setembro de 2004)

Aptos para votação: 6.000 sócios
– Esperados: 2.000 sócios
Votaram: 2.435 sócios (40,58%)

2º turno da eleição para Presidente

October 22, 2012
Ontem tivemos o tão aguardado desfecho da eleição para a presidência/conselho de administração que comandará o Grêmio em 2013/2014. Eram mais de 33 mil associados aptos a votar. Nesse universo, contou-se com o voto de “13.547 sócios, sendo 7.964 presenciais e 5.583 pela votação por correspondência“. O resultado foi o seguinte:
Chapa 01 – Fábio Koff – 7969 votos – 57,5%
Chapa 03 – Homero Bellini Jr. – 843  votos – 6,25%
Chapa 04 – Paulo Odone – 4951 votos – 36,7%
Eu participei ativamente dessa eleição. Como apoiador da chapa liderada por Homero Bellini Jr. e como fiscal/ representante da chapa no recebimento dos votos por correspondência, na votação presencial e na contagem dos votos que chegaram pelo correio. 
Foi uma tarefa bem cansativa, mas que fiz por gosto e termino essa etapa bastante orgulhoso. Contudo tenho duas pequenas “frustrações”:
– A primeira é da caráter mais objetivo. Sempre ouvi falar na necessidade de democratização do clube. E obviamente sempre concordei com isso. Mas nem todo mundo dá a devida importância para essa ideia. De fato essa foi a maior eleição do clube, mas o comparecimento foi de 40,86%. Mais da metade dos 33 mil sócios aptos a votar sequer exerceu seu direito de voto (que nessa eleição consistia em colocar uma carta no correio). Eu lamento, mas também sou obrigado a reconhecer que não-participação pode ser uma escolha consciente no processo democrático, muito embora acredite que este não é o melhor caminho.
– A segunda é de caráter mais subjetivo. Parecia existir um consenso na torcida sobre a necessidade de pacificação e renovação do Grêmio. A pacificação restou inviabilizada antes da eleição e renovação foi pouco prestigiada no processo. Mas talvez a maioria tenha razão em entender que não era o momento para tanto e talvez o aguardado embate entre Koff e Odone fosse efetivamente necessário para encerrar um ciclo.
Nunca é demais lembrar que essa foi apenas a terceira eleição para presidente do Grêmio com voto dos sócios. A primeira que contou com três candidatos. Os avanços são lentos, mas acontecem. O clima no Olímpico ontem me pareceu muito bom e o resultado da votação é justo e inquestionável.
Gostaria muito de ver toda a energia e todo o zelo no trato das coisas relacionadas ao Grêmio canalizados para o bem do clube durante toda a gestão, não só no período de campanha. Espero que a próxima gestão comande o clube com sabedoria, mantendo avanços, fazendo as correções necessárias nesse período de transição, se valendo da inclusão e não de revanchismo, sabendo respeitar e dialogar com a oposição e com a torcida em geral. Não é uma tarefa simples.