Archive for the ‘estádio’ Category

Médias de Público do Grêmio em 2014

December 22, 2014

Em 2014 o Grêmio fez 34 jogos como mandante. A média de público total foi de 23.302 e a média de pagantes foi de 20.916, o que representa um ligeiro acréscimo em relação ao ano passado. Achei importante colocar os números desde 2011 para estabelecer um comparativo (duas últimas temporadas no Olímpico e as duas primeiras temporadas na Arena)

Considerando apenas os jogos disputados na Arena a média da atual temporada é bem parecida com a de 2013. Contudo, é importante lembrar que no ano passado foram realizadas promoções em apenas 3 jogos (Vasco, Flamengo e Goiás), contra 11 partidas com algum tipo de promoção em 2014 (Lajeadense, Aimoré, Novo Hamburgo, Veranópolis, Passo Fundo, Fluminense, Chapecoense, São Paulo, Figueirense, Vitória e Flamengo)

Como se vê, a média de público na Libertadores aumentou. Em 2014 o Grêmio conseguiu sua segunda melhor marca nesse quesito na competição (ficando apenas atrás da participação de 2007). Contudo, mesmo na competição mais atrativa, a ocupação do estádio fica longe do máximo.

No Gauchão, o clube conseguiu a sua melhor presença de público desde 2008. Imagino que o fato de ter jogado dois Grenais com titulares na Arena tenha contribuído para tanto.

Quanto ao Brasileirão, acho importante mencionar o levantamento do Ricardo Araújo, que verificou que a o aumento da média de público de 2013 para 2014 foi acompanhado de uma queda na arrecadação:

“Vale ressaltar ainda, que em 2013, em 19 jogos, o clube arrecadou um total de R$ 15.388.480,00, com  público médio de 20.910, e TM de R$ 36,49. Esse ano, talvez para atender ao clamor dos “precistas”, apesar de baixarem o TM em 18%, o público cresceu apenas 6%, e a receita atingiu R$ 12.571.007,00, em 17 jogos. Mesmo projetando 2 jogos a mais, a receita total do Brasileiro de 2014 seria R$ 1,5 milhão menor que em 2013.”

E na Copa do Brasil, infelizmente, o Grêmio só pode disputar uma partida em casa em 2014, o que prejudica as comparações.

Goleira "Padrão FIFA" ?!?

February 22, 2014

A rivalidade Gre-Nal tem características marcantes, com aspectos positivos e aspectos negativos. As vezes vejo nela uma polarização que me parece forçada, mas acreditava que justamente por conta dessa dicotomia o Grêmio iria acabar se afastando do famigerado “padrão FIFA”  como o diabo foge da cruz.
Pois então tive a infeliz surpresa de ler no site do clube uma notícia saudando a troca das goleiras da Arena por novas traves no “Padrão FIFA”. Não tenho nada contra a substituição em si, cedo ou tarde o clube teria que aposentar o antigo equipamento (Muito embora pudesse questionar o abandono de um “símbolo” que há pouco mais de um ano foi considerado tão importante). Meu maior problema é ver o Grêmio embarcando com gosto num padrão pensado por alguém em Zurique e imposto goela abaixo do resto do mundo, padrão que sequer foi unanimidade no palco da final da Copa do Mundo.
O futebol passa por um triste processo de padronização, onde os jogos, campeonatos e estádios estão cada vez mais parecidos e “insossos”. É muito estranho que o Grêmio, que sempre prezou por ter suas próprias características e peculiaridades, que teimosamente sempre fez as coisas do seu jeito, não se importando em estar na vanguarda ou em estar indo contra a corrente, faça parte desse processo.

Não Pagantes 2012 x Não Pagantes 2013

November 13, 2013
Já abordei essa questão dos não pagantes em março desse ano e ao final do primeiro semestre, mas esse é um tema que merece atenção contínua. Para efeitos de comparação, acho importante lembrar dos números de 2012.

Nos 36 jogos disputados no Olímpico no ano passado a média de não pagantes foi de 5.123 (correspondente a 20,77% do público total). Se desconsiderarmos as seis partidas jogos onde ocorreram promoções que franqueavam entrada de torcedores (confrontos contra Novo Hamburgo, Avenida, Figueirense, Atlético-GO, Náutico e Ponte Preta) a média de não pagantes cai para 3.637 (correspondente a 15,24% do público total).
Até aqui em 2013 foram disputadas 28 partidas do Grêmio na Arena. A média de não pagantes é de 1.950 (correspondente a 7,77% do público total). É de se supor que essa diminuição ocorreu em virtude da mudança na política de ingresso de menores. No Olímpico, menores de 12 anos não pagavam para assistir os jogos no anel inferior. Na Arena, apenas as crianças de colo (menores de 2 anos) ficam isentadas de ingresso. Ainda assim, seria interessante saber quem exatamente são esses torcedores que não pagam ingressos para frequentar o novo estádio gremista.
Curiosamente o clube faz hoje a primeira promoção do tipo de liberar acompanhantes de sócios na Arena. Eu sou totalmente favorável a medidas que visem aumentar o público presente no campo, mas entendo que as promoções devam sempre prestigiar os sócios e/ou visar potenciais novos sócios. Dessa maneira, acho que a medida de liberar ingressos para mulheres é bem questionável, especialmente se considerarmos que elas representam um percentual significativo do quadro social do clube.

Taxa de ocupação e assentos vazios

September 5, 2013
Um estudo da Pluri Consultoria analisou a venda de ingressos em partidas de 30 competições disputadas no Brasil em 2012 (Copa do Brasil, Séries A,B,C e D + 25 estaduais) e chegou a conclusão de que a “taxa de ocupação dos estádios Brasileiros é de 21,8%“.
O economista Fernando Ferreira, responsável pelo levantamento, afirma queEm uma temporada completa (estaduais+nacionais) vendem-se 15 milhões de ingressos e encalham 55 milhões” e questiona: “Em qualquer setor da economia, quando você tem um produto com tal nível de encalhe, é de se esperar que se tomem medidas visando a redução de seu preço e/ou a melhora da qualidade do mesmo, de forma a resolver tal problema. Por que no futebol tem que ser diferente?” Ainda que se considere as peculiaridades do esporte/futebol me parece que o questionamento é bastante válido.
Esse é um ponto que tem me incomodado na Arena em 2013, o espaço ocioso (e os ingressos que deixam de ser vendidos). O economista Ricardo Araújo, autor do blog sobre Novas Arenas na revista exame, fez um raio-x sobre a Arena tricolor e abordou o tema:
A Arena, como projeto arquitetônico e execução, é muito boa. Funcional, possui ótimos espaços que podem ser aproveitados comercialmente (o número de lojas poderia ser maior), bem setorizada, bom acabamento geral, confortável para todos os públicos (público, atletas, e imprensa), visibilidade excelente de todos os setores (além de boa acessibilidade para cadeirantes), vagas internas de estacionamento em número razoável, boa quantidade de banheiros e pontos de alimentação, espaços de circulação amplos, áreas de hospitalidade muito confortáveis (bem decoradas e com metragem adaptável) e com bom espaço para ações corporativas.
Em relação à operação do estádio, ainda existem alguns desafios a vencer. Em termos de ocupação do mesmo, é preciso estabelecer rapidamente uma política de revenda dos ingressos não utilizados/confirmados pelos sócios do Grêmio. Lugar demandado e não ocupado, é prejuízo. Em termos comerciais, ainda existe dificuldade na venda dos camarotes, de estabelecer uma agenda mais profícua de eventos, na locação das lojas, e na venda dos direitos de nomeação. Além disso, ainda não foi encontrada uma solução tecnológica viável, em termos de custo x benefício, para permitir transmissão de dados suficiente para tornar a arena uma plataforma de negócios relevante
. “

E afinal, qual é a taxa de ocupação da Arena em 2013*? Abaixo segue uma tabela com os números da nova casa gremista, onde se vê que na média a ocupação nesses primeiros 19 jogos foi de 45,35%.

A maior ocupação ocorreu no Grenal (69,65%), a menor foi no jogo contra o Cerâmica (22,10%). Nunca é demais lembrar que a ocupação é um conceito relativo a capacidade do estádio. E capacidade da Arena oscilou no primeiro semestre de 2013. A capacidade máxima da Arena na partida contra a LDU era de 60.500 espectadores. Com o fechamento do setor da geral essa capacidade caiu para 52.000 torcedores (o que foi utilizada em todos os jogos do Gauchão e nas demais partidas da Libertadores). Com a readequação e liberação do setor da geral a capacidade máxima usada nas partidas do Brasileirão e Copa do Brasil foi de 57.500 pessoas. Mas para não ficarmos apenas em termos percentuais, podemos citar o dado de que  a média de público nesses primeiros 19 jogos foi de 25.102 espectadores (média de 23.134 pagantes por jogo).
E será que isso significa um acréscimo em relação a 2012? A média de público nos 36 jogos disputados no Olímpico no ano passado** foi de 24.55 (19.532 pagantes por jogo). Se considerarmos que a capacidade máxima do Olímpico em 2012 era de 47.000 lugares ***, a taxa de ocupação foi de 52,45%.
Ou seja, houve um ligeiro aumento na presença de público, mas o número de assentos vazios também aumentou. E o que fazer com essa capacidade ociosa? Será que esses lugares vagos não poderiam ser aproveitados para aumentar as possibilidades ofertadas hoje ao sócio-torcedor? É válido repetir que o já citado Ricardo Araújo afirmou recentemente no evento “IV Futebol em Debate”: A principal motivação do sócio é o acesso aos ingressos de forma fácil e com descontos“.

* Importante lembrar que o Grêmio jogou 4 partidas no Olímpico em 2013 (Todas pelo gauchão). A média de público desses jogos foi de 7.644 (6.545 pagantes por jogo), constituindo assim uma taxa de ocupação de 16,26% 

**Ao contrário do que se possa imaginar, o ano de despedida do Olímpico não teve um público acima da média recente. Um estudo da INDG apresentado no Conselho Deliberativo no ano passado fez uma análise do público no Estádio Olímpico Monumental entre 2007 a 2011 e chegou a conclusão de que média de público no período fica na casa dos 26 mil espectadores por jogo. 

*** Segundo a CBF, a atual capacidade do Estádio Olímpico é de 45.000 lugares. Contudo, tivemos registros de públicos superiores a 46 mil no ano passado. Assim achei por bem arbitrar em 47.000 a capacidade do Olímpico em 2012 para fins do cálculo da taxa de ocupação. 
 

Presença de público na Arena no 1º semestre de 2013

July 14, 2013

Na figura acima temos os números dos públicos dos 12 jogos disputados na Arena no primeiro semestre de 2013. A média de público pagante foi de 22.024 e a média de não pagantes foi de 2.042. É curioso que o estádio não chegou nem perto de ter uma ocupação máxima nessas primeiras partidas (Com a devida ressalva de que em o setor da Geral só esteve liberado nos confrontos contra LDU e São Paulo.) .
Ainda assim é possível afirmar que houve um acréscimo de pagantes em relação ao mesmo período do ano passado. Nos 17 jogos que o Grêmio fez como mandante nos 6 primeiros meses de 2013 a média de público total foi de 19.448 e a média de pagantes foi de 17.649. No primeiro semestre de 2012 o Grêmio igualmente fez 17 partidas em casa e a média de público total foi de 19.285 e a média de pagantes foi de 15.888. É importante lembrar que esse ano o Grêmio participou da Libertadores, fato que não ocorreu no ano passado, e talvez isso, juntamente com o elemento de “novidade” da Arena, explique o maior público de 2013.
De qualquer forma, eu esperava uma maior ocupação na Arena no seu primeiro ano de funcionamento. Penso que alguns ajustes que poderiam aumentar a média de público estão demorando demais para acontecer. No início de abril, o diretor da Arena Gilmar Machado disse que a administração do estádio já estava trabalhando com na criação de um projeto de “check-in”. Até agora tal sistema não foi implementado. Da mesma forma, quando da renegociação entre Grêmio e OAS, se afirmou que seria estabelecida uma nova política de preços e descontos para os sócios-torcedores (aumentando a oferta de setores e os descontos dados), contudo para o próximo jogo, contra o Botafogo, essa promessa ainda não saiu do papel

Presença de público no Gauchão (2007/2013)

May 7, 2013
E o Gauchão 2013 chegou ao seu esperado fim. Poderíamos aproveitar a ocasião para falar, mais uma vez, de assuntos como calendário, arbitragem e fórmula, mas por ora acho mais proveitoso tratar do tema da presença da torcida gremista nos jogos desta competição. Na análise dos números desse ano, o primeiro dado que salta aos olhos é o fato de o Grêmio ter tido a maior média de público pagante (Com 10.110 pagantes por jogo nos seus estádios), mesmo tendo feito somente um jogo decisivo em seu estádio.
Ainda que possa ser considerado bom, tal número fica abaixo da média tricolor nos últimos 7 estaduais. Em 65 jogos como mandante no Gauchão entre 2007 e 2013 o Grêmio tem uma média de pagantes de 12.266 e uma média de público total de 14.822 (tabela acima).  É sabido que o Brasileirão gera mais interesse que o Gauchão, ainda assim acho válido comparar os números antes citados com os dos jogos no Olímpico nas últimas 7 edições do campeonato nacional, onde a média de público pagante foi de 22.345 espectadores e a média de público total foi de 25.900 torcedores nos 130 jogos disputados em casa no período.

A grande questão de 2013 é saber qual o efeito da Arena na presença de público. Em abril passado os comandantes do clube e da Arena Porto-Alegrense se mostravam bastante satisfeitos com os números da torcida gremista no novo estádio:

“a presença de público nos primeiros três meses da Arena é comemorada, tanto por dirigentes gremistas, como pela Arena Porto-Alegrense — especialmente a média nas partidas do Campeonato Gaúcho, já que a presença alta na Libertadores era esperada.
Estamos espantados. Público assim para sábado à noite é fantástico. Ainda mais que a Geral está fechada”, comemora o integrante do Conselho de Administração, Nestor Hein. O Grêmio conseguiu levar 17.749 torcedores em um sábado, às 21h, diante do Caxias. “Estamos com uma média muito boa. É fora do padrão. Só mesmo a Arena, o time que o Grêmio montou para isso”, salienta o gerente de marketing da Arena Porto-Alegrense, Gilmar Machado. Isso que a Arena ainda não foi palco de um jogo no domingo, às 16h” (Correio do Povo – 07 de abril de 2013)
E quais seriam esses números? Nos 5 jogos disputados na Arena pelo Gauchão a média de pagantes foi de 12.963 e a média de público total foi de 15.070 (tabela acima) Na comparação com os últimos anos esses números de fato se mostram positivos, mas ainda não representam um aumento significativo em relação ao Olímpico.
Mas é importante lembrar que nenhum desses jogos foi disputado numa tarde de domingo, e apenas um deles era um jogo eliminatório. Nenhum era clássico ou mesmo final de turno, que costumam chamar mais público. Assim acho que o mais válido seria fazer a comparação apenas com a média dos jogos da fase classificatória, conforme se mostra na tabela abaixo.

Também é preciso lembrar que não tivemos nenhum Grenal na Arena ainda, de modo que talvez seja preciso desconsiderar o clássico nesse levantamento (tabela abaixo):

Outra questão palpitante é a questão sobre o dia em que o jogo é marcado. O levantamento abaixo demonstra que os jogos em finais de semana levam mais gente a campo do que os jogos de meio de semana. Uma conclusão parecida a que se chegou ao analisar essa questão nos números do campeonato Brasileiro.

Quando se exclui os clássicos Grenais do cálculo a média dos jogo de final de semana cai, mas segue sendo superior as das partidas disputadas durante a semana.

E mesmo que se exclua os jogos eliminatórios (quartas, semis, finais de turno e final de campeonato) e os grenais a média dos jogos realizados em fins de semana segue sendo maior.

Os não pagantes na Arena

March 20, 2013
Um fato que me chamou a atenção nos primeiros jogos da Arena foi o baixo número de não pagantes em relação ao público total. Nos números divulgados se vê uma séria redução na comparação com os números Olímpico no ano passado.
Dos 36 jogos disputados na Azenha em 2012, apenas 3 tiveram um púbico de não pagantes correspondente a menos de 10% do público total. Nos dois primeiros jogos da Arena em 2013 esse número ficou abaixo dos 5%.
A suposição que eu fiz foi a de que tal mudança se deu em razão da alteração na política de ingresso de menores. No Olímpico, menores de 12 anos não pagavam para assistir os jogos no anel inferior. Na Arena, apenas as crianças de colo (menores de 2 anos) ficam isentadas de ingresso.

Contudo, já no jogo contra o Caracas o número de não pagantes praticamente dobrou, sem que houvesse um acompanhamento do número de pagantes. E contra o Lajeadense o percentual de não pagantes saltou para espantosos 14%, que era o costumeiro do Olímpico.

O que explica esse aumento? Quem são de fato os não pagantes? Esses números dos últimos jogos são registros pontuais ou efetivamente essa prática vai retornar ao patamar do Olímpico?

Quebra de promessa e Restrição

February 8, 2013

“Com os fatos que aconteceram, tivemos que compatibilizar as duas situações. A primeira, colocar as cadeiras. Não há outra alternativa. E segundo, evitar que um estádio de futebol como esse se torne privilégio para poucos. Vamos assegurar naquele local um ingresso popular” (Presidente Fábio Koff, 07 de fevereiro de 2013)
Esse anúncio da colocação de cadeiras no setor da geral me incomodou bastante. Nem tanto pela medida adotada (que é reversível), mas por que ela me remete a dois fenômenos negativos que vem se repetindo, e não exclusivamente no Grêmio ou no futebol, e sim na sociedade como um todo. São eles a quebra de promessas e o aumento das restrições.
Quebra de promessa: Durante todo o período de idealização e construção da Arena, o Grêmio (aqui entendido no sentido amplo, no conjunto dos seus dirigentes e gestões) prometeu ao seu torcedor que o espaço da geral seria mantido, que haveria um setor para o torcedor acompanhar o jogo de pé e que a avalanche seguiria acontecendo no novo estádio. Agora, diante da primeira dificuldade essa promessa é quebrada.

– Restrição: Mais uma vez a solução para apresentada para um problema é uma medida restritiva. Uma restrição exagerada, que não guarada relação direta com a causa do problema. A segurança do torcedor não passa por ficar de pé ou sentado. A existência de um fosso no estádio não representa um perigo? Por que não averiguar se o número de pessoas no setor era o adequado? Será que não houve um erro no projeto ou mesmo uma falha na execução da obra?

Transição e Fator Local

January 16, 2013
O chamado “fator local” é um elemento importantíssimo no mundo dos esportes. Diversos estudos acadêmicos foram feitos sobre a existência de vantagem em jogar em casa em competições esportivas.  Sob os mais diversos enfoques, estes estudos tem, invariavelmente, verificado que de fato os times mandantes possuem vantagem em relação aos visitantes, tendo um percentual superior de vitórias/pontos conquistados.

Um caso interessante é o do Campeonato Brasileiro, onde as distâncias percorridas pelos visitantes parecem exercer forte influência sobre a vantagem do time da casa. É interessante notar que, nas edições do Brasileirão disputadas entre 2003 e 2007, o Grêmio conquistou 67,87% dos seus pontos em casa, o que é um percentual elevado na comparação com os demais clubes.

Mas o estudo que mais me chamou a atenção recentemente foi  um que avalia o efeito que uma mudança de estádio pode ter no fator local. Num trabalho entitulado “Evidence of a reduced home advantage when a team moves to a new stadium“, publicado em 2002 (e atualizado em 2006), o professor Richard Pollard, da California Polytechnic State University, confrontou o desempenho por temporada de 40 equipes da NBA, NHL e MLB que trocaram de estádio. A sua conclusão é a seguinte:

Uma queda significativa na vantagem em casa é verificada na primeira temporada no novo estádio. Entretanto, a vantagem em casa na segunda temporada no novo estádio é significativamente maior do que na primeira temporada. Ainda, a vantagem na segunda temporada não é diferente da última temporada no velho estádio.”

Segundo Pollard, essa constatação é uma prova de que a familiaridade com o estádio/campo de jogo é um fator fundamental para explicar porque os times mandantes tem desempenho superior aos visitantes. Abaixo, os números que demonstram esse decréscimo na temporada inaugural dos novos estádios:

Bom, e o Grêmio está passando justamente por esse processo de mudança de estádio. E será que o tricolor também sofrerá uma queda de desempenho no seu primeiro ano na nova casa? Será que o processo de familiarização à Arena será demorado?

É justamente essa dúvida o que mais me incomoda em toda essa história envolvendo o anúncio de que o Grêmio voltará a jogar no Estádio Olímpico em 2013. Isso me preocupa mais do que qualquer outra discussão  de caráter técnico, político ou financeiro.

Será que, com essa medida, o Grêmio não corre o  risco é perder parte da empolgação inicial com a Arena  e prorrogar ainda mais o já complicado processo de transição do velho para o novo estádio?

Catracas, portões e acessos

October 2, 2012
 

O vídeo acima teve enorme repercussão ontem. Nele é possível ver uma série de pessoas tendo seu acesso liberado na catraca de um dos portões da social. Em nota oficial publicada no seu site o Grêmio explicou o episódio da seguinte forma:

tratou-se de uma questão de natureza administrativa, em que foram remanejados torcedores adquirentes de ingressos que não conseguiram atravessar a boca do túnel nos portões 10 e 13, devido ao grande volume de pessoas no local que dá passagem para as arquibancadas da Geral do Grêmio.
Para solucionar o problema, os torcedores foram deslocados para o portão 5, onde houve a liberação da catraca, visto que os ingressos já haviam sido entregues anteriormente. A operação, também realizada no portão 17 onde os torcedores foram redirecionados para os portões 16 e 18, por não conseguirem ultrapassar a barreira humana que se formou nos acessos, foi acompanhada pelos profissionais da área de jogos e eventos, com o apoio da Brigada Militar e da Federação Gaúcha de Futebol (FGF).”
Posteriormente o autor do vídeo acrescentou alguns detalhes de como o vídeo foi feito e o que lhe motivou a publica-lo. Não obstante todas estas declarações, me parece que continuam sendo necessários maiores esclarecimentos sobe o ocorrido. Assim como seguem sendo necessários esclarecimentos sobre o que aconteceu no jogo contra o Atlético-GO no mês passado e no jogo contra o Cruzeiro em 2009.
Por óbvio que vídeo causou debates em diversas áreas, como as eleições no clube, a eleição para vereador em Porto Alegre, o respeito aos sócios, a administração do dinheiro  do clube.  E, excetuado o oportunismo, hipocrisia e incoerência de alguns penso que são temas válidos de se debater. Mas o que efetivamente me preocupa é a possível violação as normas da segurança.

Porque, no fim das contas,  o sócio pode ser indenizado/compensado, o dinheiro pode ser ressarcido, uma eleição pode ser anulada, uma candidatura pode ser impugnada, mas não há como repor uma vida perdida em um estádio super lotado. E, sim, as pessoas podem morrer num estádio super lotado.

Não é de hoje que eu questiono a questão dos portões de acesso ao estádio Olímpico. Para quem não sabe, um sócio contribuinte pode entrar em qualquer um dos portões do anel inferior do Olímpico. Uma carteirinha das cadeiras garante acesso tanto nas referidas cadeiras como também na arquibancada e na social. Como o clube controla o número adequado de pessoas por setor/portão?

Segundo a nota de esclarecimento, houve um remanejo de torcedores antes do jogo começar. Tal versão é questionável, mas mesmo que se admita ela como verdadeira fica a pergunta: Não é perigoso fazer esse remanejo poucos minutos antes da bola rolar?

O fechamento de um portão não pode causar revolta e correria no pátio do Olímpico? A superlotação de um setor não pode causar dificuldades numa eventual  evacuação de emergência?

Contam-se nos dedos os jogos que ainda restam no Olímpico e o Grêmio está bem no campeonato. A comoção é grande e tende a aumentar. Não seria hora de adotar medidas preventitvas na organização dos jogos?