Archive for the ‘Estudiantes’ Category

Libertadores 2018 – Estudiantes 2×1 Grêmio

August 8, 2018

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Durante boa parte do primeiro tempo o Grêmio pareceu estar sempre num nível mais baixo de concentração e vontade do que o Estudiantes. E assim levou 2×0 em menos de 40 minutos de jogo.

Talvez isso se explique pelo desgaste da equipe gremista. Talvez seja uma certa autossuficiência. Talvez se explique por equívocos na escalação (O time que entrou em campo tinha uma média de idade mais elevada e pouca capacidade de combater no meio de campo). Talvez seja uma soma de todos estes fatores.

Menos mal que Kanemann descontou ainda na etapa inicial e que o time conseguiu mostrar algum poder de reação, retomando o controle da partida, no segundo tempo. O 2×1 foi justo e é plenamente reversível na Arena.

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Ficou muito ruim a resposta de Renato sobre a escalação do Marcelo Oliveira. Renato tem desenvoltura suficiente nos microfones para se desvencilhar de perguntas mais chatas/complicadas com bem mais graça e inteligência.

Eu acho essa combinação “A la Manchester City) de camisa e calções azuis com meias brancas muito ruim.

O Grêmio poderia tranquilamente ter usado a camisa tricolor com calção branco (como já havia usado em 1983).

43868275602_0bfb01f787_kFotos: Lucas Uebel (Grêmio.net) e Martin Acosta (Terra)

Estudiantes 2×1 Grêmio

ESTUDIANTES: Andújar; Facundo Sánchez, Schunke, Campi e Erquiaga (Noguera, aos 43/2ºT); Iván Gomez, Zuqui e Lucas Rodrigues; Pellegrini (Cascini, aos 34/2ºT), Apaolaza e Luguercio (Lattanzio, aos 29/2ºT)
Técnico: Leandro Benítez

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Léo Moura, Kannemann, Geromel e Marcelo Oliveira; Maicon, Cícero, Ramiro; Luan (Douglas, aos 34/2ºT)e Pepê (Marinho, aos 25/2ºT); André (Jael, aos 17/2ºT).
Técnico: Renato Portaluppi

Libertadores 2018 – Oitavas de Final – Jogo de ida
Data: 07 de agosto de 2018, Terça-feira, 21h45min
Local: Estádio José Luis Meiszner, em Quilmes-ARG
Árbitro: Andrés Cunha (URU).
Assistentes: Nicolás Taran (URU) e Mauricio Espinosa (URU).
Cartões amarelos: Lucas Rodriguez, Zuqui, Erquiaga, Sánchez, Kannemann, Maicon
Cartão vermelho: Zuqui
Gols: Apaolaza, aos 8, e Campi, aos 37 minutos do 1º tempo, Kannemann, aos 43 minutos do 1º tempo.

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Supercopa 1989 – Estudiantes 0x3 Grêmio

August 7, 2018

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O confronto mais famoso entre Estudiantes e Grêmio sem sombra de dúvidas é a “Batalha de La Plata de 1983“. Mas aquele jogo valia pelo triangular semifinal da Libertadores daquele ano. O primeiro mata-mata entre as equipes aconteceu seis anos depois, pelas quartas-de-final da Supercopa de 1989.

Na partida de ida, o Estudiantes saiu em vantagem, levando a vantagem de 1×0 para a Argentina. Mas o Grêmio conseguiu se recuperar no Jorge Hirschi, fazendo 3×0, com um gol de Paulo Egídio e dois de Cuca.

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Grêmio goleia Estudiantes e segue em frente na Supercopa
Poucos esperavam que o Grêmio obtivesse recuperação expressiva em La Plata, depois de ter perdido para o Estudiantes no Olímpico. Mas a equipe venceu por 3 a O ontem à noite, e agora enfrenta o Boca Júniors numa das semifinais da competição. A partida foi equilibrada no lº tempo, mas Paulo Egídio aproveitou-se de uma falha dos argentinos para fazer 1 a O, aos 37 minutos do 1º tempo. Cuca, em duas jogadas individuais muito bem trabalhadas, completou o marcador, aos 7min e 36min do 2º tempo. No final Alfinete, Edinho e Trotta foram expulsos” (Jornal Pioneiro – 2 de Novembro de 1989)

GRÊMIO CAÇA OS ARGENTINOS
o Grêmio mostrou que o trauma contra o Estudiantes faz parte do passado. Na quarta-feira, 1º, deu um passeio em La Plata, na Argentina, e goleou por 3 x O, classificando-se para a semifinal da Supercopa Libertadores. Além de se vingar da derrota de 1 x O no Olímpico, na semana anterior, apagou da memória um histórico e tumultuado jogo da Taça Libertadores em 1983. O tricolor vencia por 3 x 1, mas cedeu o empate diante de um adversário com sete jogadores em campo. A vingança até fez o presidente Paulo Odone delirar. “Estamos preparados para vencer o Campeonato Argentino”, ironizava. É que, em sua trajetória na Supercopa, o tricolor já havia despachado o River Plate e, ao bater o Estudiantes, credenciou-se a encarar o também argentino Boca Juniors. E a overdose portenha só acaba na decisão. Se os gaúchos chegarem à final, enfrentarão o vencedor de Independiente x Argentinos Jrs. o Grêmio, porém, não deverá ter moleza no primeiro jogo, no Olímpico. Alfinete e Edinho foram expulsos contra o Estudiantes e desfalcam a equipe. “Mas, na guerra na casa deles, nosso time estará completo”, garante o técnico Cláudio Duarte. De fato, o jogo de volta certamente apresentará ânimos acalorados. Afinal, o Estádio de La Bombonera é um tradicional caldeirão onde o Boca costuma encurralar os inimigos. “Não vamos nos intimidar”, sentencia o meia Cuca, autor de dois gols da vitória. Com esse pensamento o Grêmio espera atropelar seu próximo inimigo. E, de quebra, conquistar o simbólico Campeonato Argentino.” (Revista Placar – 10 de Novembro de 1989)

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Fotos: Paulo Nunes (Correio do Povo) e José Doval (Placar e Zero Hora)

Estudiantes 0x3 Grêmio

ESTUDIANTES: Battaglia; Craviotto, Aguero, Trota e Ramirez; Vargas, Peinado e Cardoso (Kuyumchoglu); Cariaga, Marques (Di Carlo) e MacAllister .
Técnico: Eduardo Miguel Solari

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinete, Luís Eduardo, Edinho e Fábio; Jandir, Lino,  Adílson Heleno e; Cuca, Paulo Egídio e  Kita (Vílson)
Técnico: Cláudio Duarte

Supercopa 1989 – Quartas de final – jogo de volta
Data: 1º de novembro de 1989, quinta-feira, 21h00min
Local: Estádio Jorge Hirschi, em La Plata, Argentia
Público: 15.232 pagantes
Árbitro: Gaston Castro (CHI)
Auxiliares: Salvador Imperatore e Sergio Vasquez
Cartões amarelos: Jandir e Cuca
Cartões vermelhos: Alfinete (38 do 2ºT), Trotta (39 do 2ºT) e Edinho (43 do 2ºT)
Gols: Paulo Egídio, aos 37 minutos do 1º tempo; Cuca aos 7 e aos 36 minutos do 2º tempo

Amistoso em 1963- Estudiantes 1×1 Grêmio

August 6, 2018

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O primeiro confronto entre Estudiantes e Grêmio em solo argentino ocorreu em 1963, em La Plata. Em março daquele ano o tricolor fez uma rápida excursão aos vizinhos do prata, na qual o jogo contra o “Pincha” foi o último dos quatros compromissos da viagem. O placar foi de 1×1, com Marino marcando para o Grêmio e Adolfo Bielli para os donos da casa.

As fotos do post são do Correio do Povo. Na primeira vemos a delegação (que contava com somente 16 atletas) no momento do embarque no Aeroporto Salgado Filho em 11 de março de 1963. Na última, vemos Marino, Milton Kuelle, João Severiano e Airton no desembarque em Porto Alegre.

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GRÊMIO RETORNOU DE MADRUGADA
Encerrando sua excursão pelos gramados argentinos, o elenco do Grêmio jogou e empatou na noite de anteontem, em La Plata, com o Estudiantes. Mais uma vez, agradou plenamente a exibição dos pupilos de Sergio Torres e o empate para os argentinos somente foi possível pela arbitrarem facciosa do arbitro que, inclusive, puniu o Grêmio com uma penalidade máxima, a qual foi transformada no tento do empate do Estudiantes. Marino, no primeiro tempo, marcou o tento do Grêmio. Assim, invicto na Argentina, retornou o Grêmio voo noturno, chegando de madrugada a nossa Capital. Os tricolores realizaram quatro jogos em sua rápida “gira”. Perderam, em Montevidéu, para o Penharol por 5×4. Venceram ao Colon por 2 x 1 e ao Newell’s Old Boys, por 2 x 1, empatando com o Estudiantes de La Plata em um tento.” (Jornal do Dia  – 23 de março de 1963)

DELEGAÇÃO
A delegação tricolor, que deixou ontem a capital gaúcha as 11:40 em avião da Varig, foi chefiada pelo presidente Renato Souza, assessorado pelo dirigente Rudy Petry. Seguiram ainda o médico dr. Sérgio Ferreira; técnico Sérgio Moacir Nunes; massagista Ataíde Carvalho; e os jogadores Henrique, Irno, Renato, Airton, Altemir, Ortunho, Áureo, Sérgio, Gilnei, Milton, Fernando, Marino, Joãozinho, Alcindo, Lumumba e Volnei. Na comitiva seguiu ainda nosso companheiro Ataíde Ferreira que, juntamente com Ruy Carlos Ostermann, fará a cobertura para os órgãos da Cia. Jornalística Caldas Junior dos jogos do Grêmio no exterior.” (Correio do Povo – 12 de março de 1963)

GRÊMIO DESDE ONTEM ENTRE NÓS

Desde ontem à noite, já se encontra de volta à nossa Capital a delegação do Grêmio Futebol Porto- Alegrense que realizou curta temporada pelas Republicas do Prata. Festiva foi a recepção que tiveram os integrantes da comitiva tricolor em sua chegada ao aeroporto Salgado Filho, vendo-se crescido número de simpatizantes do clube das três cores, alémde dirigentes e altos próceres e familiares dos recém-vindos

 Tecnicamente, a representação gremista obteve bons resultados em sua curta gira pelo Uruguai e Argentina Dos quatro jogos disputados, o conjunto campeão estadual de 62 obteve duas vitórias, um empate e uma derrota. As vitórias foram assinaladas em Rosário de Santa Fé, na Argentina, com 2×0 ante o Colón e 2×1 ante o Newell’s Old Boys. O empate em 1 goal foi assinalado em La Plata, frente ao Estudiantes; e finalmente o revés por 5×4, foi em pleno Estádio Centenário, ante o Peñarol, pentacampeão oriental.” (Correio do Povo – 23 de março de 1963)

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Supercopa 1990 – Estudiantes 2×0 Grêmio

August 6, 2018

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O último jogo de mata-mata entre Estudiantes e Grêmio aconteceu em La Plata, em novembro de 1990, valendo pelas quartas-de-final da Supercopa daquele ano.

O tricolor havia vencido o jogo de ida no Olímpico por 1×0, mas para a volta os argentinos tentaram (e aparentemente foram bem sucedidos) criar um clima de “flash back” da Batalha de sete anos antes. Num jogo de sete expulsões, os argentinos conseguiram chegar ao 2×0 que os classificava aos 44 minutos do segundo tempo

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GRÊMIO PERDE A GUERRA DE LA PLATA
Foi uma noite terrível. Os gaúchos caíram por 2 a 0, atuando com sete homens num jogo de extrema violência gerada pelo Estudiantes.

Estava na cara que, mais do que um jogo, seria uma guerra. O clima de vingança criado pela imprensa e até pelos jogadores argentinos, encaminhava a partida
entre Grêmio e Estudiantes para isso. E, mais acostumados a este tipo de clima, os jogadores do clube de La Plata se saíram melhor e ganharam a partida por 2 a 0, eliminando o Grêmio da Supercopa dos Campeões da América.

Só no primeiro tempo, quatro jogadores foram expulsos, João Antônio e Maurício do Grêmio, Trotta e Centurión, do Estudiantes. Trotta, expulso aos 32, foi o mesmo jogador que marcou o primeiro gol da partida, aos 16. Foi após uma cobrança de escanteio, feita por Capria, aproveita-da pelo centromédio que sem marcação, cabeceou no canto esquerdo de Gomes. O time gaúcho até tentou a reação em seguida, mas as constantes interrupções no jogo, em conseqüência das muitas faltas, e a insegurança resultante da má postura da defesa, impediam que surgissem oportunidades claras de gol.

A arbitragem do chileno Enrique Marín não ajudava o Grêmio a reagir. As faltas duvidosas eram todas assinaladas como favoráveis ao Estudiantes, resultado da pressão da torcida, que jogava pilhas e mirava foguetes para dentro do campo. No segundo minuto do segundo tempo o grupo gremista chegou a ameaçar abandonar o jogo, tal a agressividade dos torcedores. Mas o jogo seguiu. Virou um ringue aos 22, quando o centroavante Nílson e o goleiro Yorno brigaram e foram expulsos (Caio, agredido por Yorno, foi à nocaute e se recuperou), e se transformou numa tragédia para os gaúchos quando aos 44 minutos, após cobrança de escanteio, a bola sobrou para Peinado que fez o segundo gol. O que os argentinos necessitavam para continuar na competição.” (Antonio Bavaresco – Zero Hora – 9 de novembro de 1990)

CAIO DESMAIA.E REVELA MEDO PELA VIOLÊNCIA
Os jogadores gremistas esta-vam desolados ao final do jogo em La Plata. E nem chegaram a reclamar que o árbitro chileno Enrique Marin deixou de dar cinco minutos de descontos. O meia Caio, que ficou desmaiado depois de receber um soco do goleiro Yorno, mostrou sua revolta: — Isso não é futebol. Na Argentina não existe lealdade. E o juiz não deveria ter permitido continuar o jogo. Para mim, que estou começando a carreira, é um desânimo. Mas a solução é levantar a cabeça e seguir em frente no Brasileiro. Já o zagueiro João Marcelo, o último a ser expulso, explicou que o jogo foi duro ” e eles conseguiram fazer dois gols e vencer“. (Antonio Bavaresco – Zero Hora – 9 de novembro de 1990)

CENAS DE UMA BATALHA NA ARGENTINA
Há trinta horas sem dormir, com os uivos e gritos dos “pincharatas” ainda retumbando e a sensação de que o Barão de Coubertein decidamente não imaginava a inversão de valores quando proclamou que o importante é competir, fica difícil explicar, para quem não presenciou, o que realmente se passou em La Plata. O que for relatado parecerá exagero e ainda assim será menos do que o clima que vivemos – todos os brasileiros, sem distinção – na aprazícel capital da Província de Buenos Aires. Um terror que começou muito antes do apito do atordoado árbitro chileno Enrique Marin e continuou muito depois de conseguida a classificação. É de se refletir. Vale a pena se investir no futebol para decidir um jogo a socos e na intimidação?

36 HORAS DE TENSÃO
Durante as cerca de 36 horas que o Grêmio permaneceu em La Plata – especialmente nas primeiras 24 – a pressão psicológica foi intensa. A todo instante, passava algum dos fanáticos “pincharata” e com o dedo apontado cruzando o pescoço em uma diagonal, ameaçavam: – Vamos a ganar negrón! A reação dos jogadores foi diferente. Enquanto alguns demonstravam total tranquilidade, outros estavam visivelmente ansiosos por colocar um final naquela situação angustiante. A polícia vigiava a entrada do hotel.

EMPRESÁRIO IRRITANTE
O empresário argentino Luiz Scalccioni rondou o Hotel El Corregedor, onde o Grêmio se hospedou, desde a quarta-feira pela manhã, aparentemente para prestar ajuda (ele pertence à diretoria do Estudiantes). Excessivamente solícito e amável, ele não se furtava em fazer aquele tipo de comentário de quem ameaça, sem assumir o risco. A estratégia ia irritando tanto a nós, que tentávamos nos desvencilhar de Scalccioni – conhecido por ter intermediado a transferência de Ancheta para o futebol brasileiro – quanto (e principalmente) à comissão técnica gremista. Resultado: o técnico Evaristo de Macedo saiu do sério e, dedo em riste, gritou alto: – O senhor fique calado e não se aproxime de nenhum de meus jogadores.

UMA RUIDOSA RECEPÇÃO
Na noite que antecedeu o jogo ninguém dormiu antes da 1 da madrugada, nas cercanias do El Corregedor. Antes a passividade dos policiais, torcedores argentinos batiam tambores e soltavam foguetes. Mas, naquela ocasião, o clima era de uma intimidação provinciana, que em nada fazia prever aquilo que se viu na hora da partida. Até então, todos encararam esta provocação com naturalidade e isso não chegou a perturbar o ambiente. Exceto para os moradores locais.

TRANSMISSÃO AMEAÇADA
A chegada dos brasileiros ao Estádio Jorge Hirschi, precedida de um enorme aparato militar, foi – diante do quadro geral – até tranquila. Os problemas surgiram depois. Os selvagens torcedores começavam a aprontar. Com a ajuda de canivetes e isqueiros, cortaram os cabos das duas emissoras gaúchas – Rádio Gaúcha e Rádio Guaíba – que cobriam a partida. Um dos repórteres ainda tentou reagir, puxando o fio. Mas era tarde. Lá se iam 25 metro de cabo, com microfone e tudo.

EM CAMPO, A VIOLÊNCIA
O jogo foi exatamente como as emissoras de rádio descreveram. Truncado. violento, nervoso e desleal. Os entre-choques eram constantes. O primeiro deles aconteceu quando João Antônio e Trotta — autor do gol do Estudiantes — trocaram pontapés. Os dois foram expulsos, Minutos depois, foi a vez de Ion levar uma cotovelada de Centurión. Maurício tirou satisfações, foi ofendido, agrediu o adversário. Cartão vermelho para ambos. Os foguetes são jogados a toda hora sobre o goleiro Gomes. No segundo tempo, o árbitro chileno chega a determinar o encerramento do jogo, mas volta atrás. Nílson e Yorno trocam agressões, Caio — que foi apartar — é covardemente agredido pelo goleiro. Mais duas expulsões. Finalmente, quando o Grêmio equilibra e até se supera no jogo, com João Marcelo como destaque, vem o castigo. Enrique Marin tira o zagueiro e o segundo gol torna-se inevitável.”

FUGA NA MADRUGADA
Diante das cenas de selvageria, um radialista gaúcho estava decidido a dormir na cabine e esperar que não houvesse um “pincharrata” sequer num raio de vários quilômetros. Aí, sim, voltaria ao hotel. Uma fuga do estádio. Sim, fuga! Escondidos, os jornalistas que estavam no 57 y 1 (como é conhecido o Estádio Jorge Hirschi) saíram sem poder falar muito, para não chamar a atenção. E finalmente, tudo estava terminado. Fim da guerra. Voltamos a ser “hermanos”. O engraçado é que fomos para cobrir um jogo de futebol, não uma revolução portenha. Mas o futebol fica para a próxima.”

UM ‘CORREDOR POLONÊS’
A entrada do jogadores gremistas no gramado foi um capitulo à parte. Para oferecer maior segurança, os argentinos costumam usar um túnel Estava tudo pronto para a sua utilização, quando os cabos que alimentavam o ventilador foram rompidos. O jeito foi entrar correndo ante uma chuva de toda a sorte de objetos, numa especie de “corredor polonês”, tentando se esquivar das agressões. sem qualquer proteção da polícia de choque, amedrontada demais para isso.

COMEMORAÇÃO E SARCASMO
No restaurante do Catio (La Taba) – um bom amigo que fizemos, o único – uma hora da manhã e a ópera tem seu capítulo final e mais sarcástico. Entramos conversando – finalmente – e mal nos recomposemos, quando percebemos a presença de alguns “inchas de Estudiantes”. Entramos sorrindo (que remédio!) e recebemos a informação em primeira mão: – Os jogadores estão no andar de cima, comemorando a vitória e gostariam de tirar um foto com vocês. Tiramos.
E a ironia continua. Na mesa ao lado, quem comemora a vitória é o Comissário de Polícia Geral de La Plata e seu primeiro escalão. Enquanto isso, no Hotel Corregedor, onde se hospedou o Grêmio, um policial segurava um lenço ensanguentado junto à orelha esquerda, marca da “guerra”.(Antonio Bavaresco – Zero Hora – 10 de novembro de 1990)

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IMPRENSA LOCAL FAZ ELOGIOS
O El Dia, único jornal diário da cidade de La Plata, encarnou a garra e o espírito dramalhesco dos jogadores do Estudiantes, e ontem, dia seguinte à vitória sobre o Grêmio, estampou a seguinte manchete: “Classificação custou sangue, suor e lágrimas ao Estudiantes”. Saudava a conquista e valorizava pouco as agressões dos jogadores e a violência da torcida. Os jornais da capital argentina, Buenos Aires, foram menos emocionais e mais informativos. O Clarin contou que o “Estudiantes passou de fase em partida acidentada”, e na crônica do jogo referiu-se a “fatos lamentáveis”, “batalha campal”, e a “abundância de agressões”. Desgraçadamente, disse o jornal, tiveram êxito aqueles que criaram um clima de guerra, entre estes os próprios gremistas, em especial os torcedores, que “maltrataram os jogadores do Estudiantes em Porto Alegre”. O La Nacion, também de Buenos Aires, seguiu a mesma linha critica. “Estudiantes se impôs ao Grêmio e é semifinalista”, disse na manchete, comentando nas linhas seguintes que os torcedores argentinos haviam recebido o Grêmio com bombas e todo o tipo de projéteis. “Mandaram os nervos”, resumiu, elogiando apenas um fato: o de o Estudiantes ter perseguido sempre a vitória, único aspecto positivo de uma noite violenta.” (Zero Hora – 10 de novembro de 1990)

GRÊMIO MORRE NA BATALHA DE LA PLATA E ESTÁ FORA
Sonho da Supercopa terminou em meio a uma verdadeira selvageria. Sete jogadores foram expulsos. Eliminação veio no último minuto
E a guerra que estava prevista em La Plata acabou se confirmando ontem à noite. O Grêmio não teve forças para sair vivo da cidade argentina e assim permanecer na Supercopa deste ano. A derrota por 2 a 0 para o Estudiantes elimina o time gremista da competição, ao lado de Santos e Cruzeiro. O jogo teve sete expulsões e muita confusão, com lances de agressão e brigas generalizadas entre jogadores e dirigentes. Os gols foram de Trotta e Peinado, um em cada tempo.
Além de lutar contra a violência do adversário e a fúria da torcida argentina, o Grêmio ainda teve pela frente a fraca arbitragem chilena que prejudicou a equipe brasileira. Logo nos primeiros 20min parecia que o jogo ia ser tranquilo. A partir daí não houve mais futebol. O Estudiantes, que em Porto Alegre havia dado mostras da sua deslealdade, agredia covardemente os jogadores gremistas tentando intimidá-los. O arbitro Enrique Marin fazia vistas grossas mas não deixou de expulsar dois jogadores de cada lado no 1º tempo.
Para o 2° tempo, o clima piorou. O gramado que já parecia mais um campo de batalha foi alvo de foguetes a pedras, além do reservado gremista ser atingido com um tijolo. O jogo chegou a ser paralisado por 5min. No recomeço, o Grêmio, com mais preparo físico, voltou pressionando mas sem criar chances de gol. No final, o Estudiantes reagiu e depois de Gomes ter operado dois milagres, Peinado, aos 44min, aparando um rebate de fora da área, decretou o placar final. Agora resta ao tricolor pensar no Campeonato Nacional.” (Pioneiro, 9 de novembro de 1990)

1990 joao antonio b - CópiaFotos: Fernando Gomes (Zero Hora)

Estudiantes 2×0 Grêmio

ESTUDIANTES: Yorno, Ramírez, Iribarren, Pratola, Erbin, Trotta, Peinado, Commiso, Capria (Aredes), Bello (Sanelli), Centurión
Técnico: Humberto Zuccarelli

GRÊMIO: Gomes, Alfinete, João Marcelo, Íon, Hélcio (Biro-Biro), João Antonio, Jandir, Caio e Assis; Mauricio e Nilson.
Técnico: Evaristo de Macedo

Supercopa 1990 – Quartas de final – Jogo de volta
Local: Estádio Jorge Luis Hisrch, em La Plata (ARG)
Data: 8 de novembro de 1990, 21h30min
Árbitro: Enrique Marin (Chile)
Auxiliares: Gaston Castro e Ivan Guerreiro (Chile)
Cartões amarelos: João Marcelo, Gomes, Ion, Caio, Hélcio e Jandir; Bello, Trotta e Erbin
Cartões vermelhos: João Antonio, Mauricio, Nilson e Joao Marcelo; Trotta, Centurion e Yorno
Gols: Trotta, aos 16 minutos dos primeiro tempo; e Peinado, aos 44 minutos do segundo tempo.

Supercopa 1997 – Estudiantes 0x0 Grêmio

August 6, 2018
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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

O último confronto entre Estudiantes e Grêmio na Argentina aconteceu em 1997, pela derradeira edição da Supercopa dos Campeões da Libertadores. Naquele último ano, a competição passou a ter uma fase de grupos, e as equipes entraram em campo em La Plata pela segunda rodada do grupo 4 (que também era composto por Atlético Nacional e Peñarol).

O Grêmio começava a viver aquele medonho segundo semestre de 1997. No início de julho o tricolor perdera a final do Campeonato Gaúcho no Beira-Rio. Após isso, Paulo Nunes, Carlos Miguel, Emerson e Mauro Galvão deixaram o time. No Brasileirão, em 11 rodadas disputadas até ali, o tricolor já havia sido goleado por duas vezes (6×0 para o Goiás no Serra Dourada e 5×2 para o co-irmão no Olímpico). Isso ajuda a explicar o tom das matérias transcritas abaixo, que celebravam o desempenho da defesa gremista.

Como curiosidade, vale destacar que pelo Estudiantes jogou Lionel Scaloni, que recentemente foi escolhido (juntamente com Pablo Aimar) como treinador interino da Seleção Argentina.

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

GRÊMIO SEGURA EMPATE EM LA PLATA
Time de Hélio dos Anjos mostrou consistência defensiva, mas voltou a revelar pouca criatividade no ataque

Com uma boa atuação defensiva, muitos problemas de criação no meio-campo e inoperância ofensiva, o Grêmio arrancou um empate em 0 a 0 com o Estudiantes, da Argentina, em La Plata, ontem à noite. O resultado deixou o clube gaúcho em segundo lugar no Grupo 4 da Supercopa dos Campeões da Libertadores, com dois pontos. O Estudiantes e o Peñarol, do Uruguai, com quatro pontos, lideram. Foi uma partida com dois tempos absolutamente diversos. Para efeitos de assistência, seria melhor para os amantes do futebol que os primeiros 45 minutos fossem esquecidos. Foi um festival de passes errados, escorregões, lançamentos para ninguém, chutões e raríssimas conclusões. Com muito boa vontade, pode-se dizer que o Estudiantes teve uma chance de abrir o marcador aos 40 minutos, quando Zapata entrou em velocidade pela direita c chutou na rede pelo lado de fora.

O Grêmio teve a sua em um rebote de primeira de André Silva, de fora da área, depois de escanteio cobrado por Arce. E foi só. Até chegar o segundo tempo. Foi como se no vestiário brasileiros e argentinos tivessem acordado de um estado de sonolência. Em menos de cinco minutos, Zé Alcino já havia perdido de cabeça uma chance clara e Roman tinha obrigado Murilo a fazer bela defesa em um voo ao encontro da bola. Com mais movimentação, Estudiantes e Grêmio finalmente ficou com cara de clássico. Em casa, o Estudiantes partiu para cima. Em pelo menos cinco oportunidades, todas em jogadas trabalhadas na entrada da área, Murilo brilhou com defesas difíceis e salvou o time. Apesar da boa atuação de Otacílio, um guerreiro, Murilo foi o melhor jogador em campo. A zaga, com Eder, resistiu a pressão argentina. A exemplo do empate em 1 a 1 com o Vitoria, o garoto emprestou consistência e qualidade ao sistema defensivo tricolor, que parece ter sido acertado pelo técnico Hélio dos Anjos. “Jogamos fora de casa, com todas as dificuldades de enfrentar um adversário argentino, e não levamos gol, o que é um avanço na parte defensiva”, analisou o diretor de futebol Marcio Bolzoni. Os volantes Otacílio e Dario cobriram com eficiência os avanços de André Silva e Arce. Na parte ofensiva, Rodrigo Gral, de má atuação, e Sergio Manoel tentaram, mas outra vez não conseguiram a aproximação com os atacantes Zé Alcino e Guilherme. O centroavante, especialmente, ficou isolado na frente, dependendo de sua habilidade e rapidez em lances esporádicos para tentar decidir. O próximo compromisso do Grêmio será sábado, no Estádio Olímpico, contra o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro.” (Zero Hora – 4 de setembro de 1997)

DESTA VEZ, O ATAQUE FOI MAL 
Até o dia 24 de agosto, o domingo do Gre-Nal. odiento para o Grêmio e glorioso para o Inter, dizia-se que o time do técnico Hélio dos Anjos era bom do meio para frente e ruim do meio para trás. O problema era a defesa. O zagueiro Rivarola, de passado luminoso no clube, foi contestado. O quarto-zagueiro Luciano acabou praticamente queimado. Vaiado pela torcida na partida seguinte, o empate com o Peñarol. Agora, tudo mudou. A defesa teve boa atuação no empate em 1 a 1 contra o Vitoria, na Bahia. O jovem zagueiro Eder entrou bem no time, deu segurança dentro da área e acertou-se com Rivarola. Depois do que ficou mais ou menos estabelecido que, Rivarola e Luciano são da mesma posição e que Eder e André Santos, um ou outro, jogam ao lado deles. Ontem, a zaga foi excelente e, atrás dela, estava uma barreira: Murilo. E este jogador, Murilo, merece uma atenção especial. Estava debaixo das traves nas quatro partidas em que o Grêmio foi goleado no Brasileirão e ainda assim resistiu, trabalhou tranquilamente e ontem foi o melhor em campo. Na frente da área, dois batalhadores voluntariosos Otacílio e Dário. Otacílio jogou. Tanto correu tanto, desarmou tanto que sentiu câimbras.

Mas o ataque… o ataque só tinha o solitário centroavante Guilherme, habilidoso, rápido, esforçado, mas só. Segundo Hélio dos Anjos, o inoperante meia Rodrigo Gral foi escalado para exercer uma “importante função tática”, e a fez “com inteligência”. Curioso, porque Rodrigo Gral perdeu a bola em quase todos os lances de que participou. Zé Alcino, da mesma forma, foi sempre superado pela marcação. Teve chance de marcar um gol no primeiro tempo, mas chutou torto, para o meio da área, na zaga do Estudiantes. Talvez o Grêmio pudesse ter melhorado, se Hélio dos Anjos tivesse feito substituições antes do que fez. Mas Dinho, que entrou em lugar de Rodrigo Gral, jogou apenas sete minutos. Gilmar jogou ainda menos tempo. Mas, ao participar pela primeira vez de uma jogada, fez mais do que Zé Alcino tentou fazer durante todo o restante da partida: arrancou em velocidade, passou por três marcadores e foi derrubado na entrada da área, cavando uma falta perigosa, cobrada por cima da trave pelo lateral Arce. Hélio dos Anjos também tinha a alternativa de colocar Paulo Cesar Tinga em campo, mas só tomou esta providência aos 45 minutos do segundo tempo. Tinga sequer tocou na bola.” (Leonardo Oliveira – Zero Hora – 4 de setembro de 1997)

“MURILO GARANTE EMPATE EM LA PLATA
Grêmio obteve um bom resultado contra o Estudiantes, resistiu à pressão e garantiu o 0 a 0 em jogo válido pela Supercopa

Depois de controlar bem o adversário no 1º tempo, o Grêmio sofreu enorme pressão na etapa final e teve muitas dificuldades para empatar em 0 a 0 com o Estudiantes, ontem à noite, em La Plata, pela Supercopa. O grande herói gaúcho foi o goleiro Murilo.

Disciplinado taticamente, procurando neutralizar as jogadas do adversário desde a origem, o Grêmio chegou a dar a idéia de que arrancaria uma vitória no caldeirão de La Plata. As maiores dificuldades eram oferecidas pelo gramado, muito pesado e escorregadio, em conseqüência da chuva forte que caíra à tarde em La Plata.

Ofensivamente, o Grêmio buscava preferencialmente as jogadas pelo lado direito, onde Arce apoiava com liberdade. Guilherme, no entanto, não conseguia a vitória sobre a zaga nas bolas aéreas. A melhor oportunidade do time gaúcho ocorreu aos 28 minutos. André Silva apoiou pelo flanco e chutou com violência, com a bola passando perto do gol de Bossio. Marcado em todas as partes do campo, o Estudiantes aos 40 minutos, quando Fúriga, sem ângulo, acertou o lado externo da rede.

Apoiado por sua torcida, o Estudiantes voltou com muito maior disposição no segundo tempo. A entrada de Scaloni no lugar de Catán tornou o time argentino extremamente perigoso. Foi a vez de Murilo, o melhor jogador em campo, mostrar toda a sua qualidade, fazendo defesas difíceis em pelo menos três lances seguidos. Faltava ao Grêmio a capacidade de segurar a bola na frente, para diminuir o ímpeto do adversário.

Aos 30 minutos, o técnico Hélio dos Anjos buscou a solução definitiva para neutralizar o ímpeto adversário, retirando Rodrigo Gral para a entrada de Dinho. O empate já se constituía num grande resultado.” (Correio do Povo – 4 de setembro de 1997)

1997 Estudiantes 0x0 Gremio Rodrigo Gral Fernando Gomes Zero Hora

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

Estudiantes 0x0 Grêmio

ESTUDIANTES:  Bossio; Ramos, Quatrocchi, Ricardo Rojas e Zapata; Catán (Scaloni), Tagliani, Marcelo Ledesma e Aguillar; Fúriga (Carranza) e Román
Técnico: Daniel Córdoba

GRÊMIO: Murilo; Arce, Rivarola, Eder e Andre Silva; Dario, Otacílio, Rodrigo Gral (Dinho) e Sergio Manoel (Tinga); Zé Alcino (Gilmar) e Guilherme.
Técnico: Hélio dos Anjos

Supercopa 1997 – Grupo 4 – 2ª Rodada
Data: 3 de setembro de 1997
Local: Estádio Jorge Hirsch, em La Plata
Publico: 3.500 pessoas
Árbitro: Robert Troxler (FIFA/PAR)
Auxiliares: Cecilio Bejarano e William Weiller
Cartões Amarelos: Dario, Otacílio, Éder e Guilherme