Archive for the ‘Flamengo Copa do Brasil’ Category

Confrontos contra o Flamengo pela Copa do Brasil no Maracanã

August 15, 2018

O Grêmio já enfrentou o Flamengo em seis ocasiões no Maracanã pela Copa do Brasil. Abaixo a relação com links para fichas e reportagens de cada um desses jogos:

1989 – Semifinal – Jogo de Ida – Flamengo 2×2 Grêmio
1993 – Semifinal – Jogo de Ida –  Flamengo 4×3 Grêmio
1995 – Semifinal – Jogo de Ida – Flamengo 2×1 Grêmio
1997 – Final – Jogo de Volta – Flamengo 2×2 Grêmio
1999 – Oitavas de final – Jogo de Volta – Flamengo 2×2 Grêmio
2004 – Quartas de final – Jogo de Volta – Flamengo 0x0 Grêmio

A média desses públicos nesses jogos é de 31.519 pagantes.

Advertisements

Copa do Brasil 1995 – Flamengo 2×1 Grêmio

August 15, 2018

1995 Flamengo 2x1 Gremio Fernando Gomes ZH

Em 1995, Flamengo e Grêmio se enfrentaram pelo jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil do Maracanã. Como se pode ver nas matérias abaixo, Sávio foi o grande personagem da partida, marcando os dois gols do time da casa (Jardel marcou no finalzinho para o Grêmio, aumentando consideravelmente as chances do tricolor para partida de volta).

Acho que cabe aqui fazer um prevê paralelo do Sávio de 1995/1996 com o Neymar de 2018. Assim como acontece hoje com o Neymar, a imprensa não cansava de repetir a narrativa de que Sávio era caçado por seus marcadores (a sua caneleira especial de fibra de carbono entrou para o folclore futebolístico dos anos 90). E assim como Neymar faz hoje, Sávio gostava muito de exagerar nos saltos quando recebia contato dos adversários (Para ser totalmente justo é preciso dizer que ele melhorou bastante nesse aspecto quando foi jogar no Real Madrid)

É interessante notar nas colunas transcritas abaixo que Ruy Carlos Ostermann elogiou o árbitro da partida enquanto Washington Rodrigues o considerou um “fracasso absoluto”. O curioso é que alguns meses depois o “Apolinho” deixaria a crônica esportiva de lado para assumir como treinador do Flamengo. E uma das suas primeira orientações aos jogadores foi a seguinte: “a partir de agora, ninguém escova dentes, se penteia ou faz a barba. Vamos assustar os caras na entrada em campo.” O objetivo era assustar os jogadores do Velez na Supercopa. Aparentemente não deu muito resultado.

1995 Flamengo 2x1 Gremio Jardel Fabinho Fernando Gomes ZH

GRÊMIO PERDE E VAI DECIDIR A VAGA EM CASA
A equipe gaúcha levou 2 a 1 do Flamengo, dois gols de Sávio, mas Jardel diminuiu o prejuízo no final da partida

Rio – Na primeira partida das semifinais da Copa do Brasil, o Grêmio perdeu para o Flamengo por 2 a 1 (gols de Sávio e Jardel), ontem à noite, no Maracanã. Com este resultado, a equipe gaúcha terá que vencer a partida de volta em Porto Alegre — no próximo dia 31 — para chegar às finais da competição. Uma vitória simples de 1 a O classifica o Grêmio para a decisão contra Corinthians ou Vasco da Gama.

Com o objetivo de perturbar a equipe gremista psicologicamente, o Flamengo retardou a sua entrada em campo em quase 10 minutos. Este artificio, entretanto, não abalou os jogadores do Grêmio que começaram a partida com empenho e personalidade. Para tentar anular os atacantes Romário e Sávio, o técnico Luiz Felipe optou em escalar o volante Gélson ao lado de Dinho, e liberou Goiano para a armação de jogadas no meio-campo. Com esta formação compacta e uma forte marcação, o Grêmio não deu espaços para o toque de bola do adversário e dominou a partida nos primeiros 20 minutos, tendo inclusive duas oportunidades para marcar por intermédio de Jardel e Paulo Nunes.

Mas a partir da metade da etapa inicial, o Flamengo equilibrou a partida e começou a explorar o lado direito da defesa gremista. Por ali, a equipe carioca criou as suas melhores chances de abrir o marcador, especialmente nas jogadas talentosas de Sávio. O atacante flamenguista foi o grande destaque da partida, com grandes arrancadas e dribles envolventes. E foi em um lance individual que Sávio fez o primeiro gol do Flamengo, driblando três jogadores do Grêmio e chutando cruzado. Com o placar desfavorável, o Grêmio se lançou ao ataque, mas a bola poucas vezes chegou em boas condições para o centroavante Jardel tentar o cabeceio.

No início do segundo tempo logo aos três minutos — o volante Dinho foi expulso do jogo depois de falta em Sávio, e o Grêmio teve que tentar uma reação com apenas 10 jogadores. Perdendo um homem de marcação no meio-campo, o treinador Luiz Felipe deslocou Arílson para a frente da área e a equipe ficou sem criatividade no setor. Conseqüentemente, o Flamengo voltou a crescer na partida, principalmente depois da entrada do ponteiro Mauricinho. Com jogadas em velocidade pelas pontas, o time carioca chegou várias vezes com perigo ao gol de Danrlei — que fez defesas importantes, evitando dois gols.

Quando parecia que o resultado terminaria mesmo no 1 a O, a estrela de Sávio brilhou novamente — dois minutos depois que Romário deixou o campo com problemas musculares — e fez o segundo gol em uma jogada rápida de contra-ataque. Mas, aos 43 minutos, o Grêmio descontou com uma cabeçada certeira do centroavante Jardel, transferindo a decisão para o Olímpico” (Zero Hora – 24 de maio de 1995)

FLAMENGO GRÊMIO
8 Conclusões a gol 8
4 Escanteios a favor 4
11 Faltas cometidas 14
2 Impedimentos 1

Ruy Carlos Ostermann – O GOL DA HORA
O segundo jogo na quarta feira vai ser de baixas. Não joga Dinho, talvez não jogue Carlos Miguel. Arílson pode estar suspenso e no Flamengo sai Válber, o elegante e eficiente zagueiro do Maracanã, e talvez: não jogue Romário. Ele puxou a perna, disseram que era joelho, desconfio que seja o músculo.

O Grêmio precisa de apenas uma vitória. Não é uma tarefa impossível, é mesmo bem razoável. O Flamengo teve Sávio, magnífico duas vezes, dois gols, mas teve pouco mais, uma bola tocada, duas ou três coisas de Romário e muita vacilação defensiva. Acontece que o Grêmio não jogou bem. A bola alta não entrou para fardel, quando entrou no fim do jogo, foi gol. Uma vantagem que não pode ser desperdiçada. Dinho foi expulso na abertura do segundo tempo, e Dinho é muito importante no meio campo, mas o Grémio jogou 35 minutos com um jogador a menos, jogando melhor que o Flamengo. Tivesse perdido de 2 a O, talvez a situação no Olímpico fosse, até certo ponto, delicada. Mas o gol de Jardel fora, o gol em dobro, coloca o Grêmio no caminho da classificação

Ah, o mineiro Lincoln Alfonso Bicalle foi como um árbitro experiente, superior e, qualidade maior de quem dirige um jogo, invisível.” (Ruy Carlos Ostermann -Zero Hora – 24 de maio de 1995

LESÃO AFASTA MAGNO POR CINCO MESES
O avante foi atingido por Fabiano, do Flamengo, teve ruptura dos ligamentos e só deve voltar a jogar em outubro

O atacante Magno, 21 aos, sofreu a ruptura total de dois ligamentos do„, joelho direito na partida contra o Flamengo na última terça-feira, e vai ser operado na próxima semana. O prazo mínimo de recuperação do jogador será de cinco meses, conforme o diagnóstico dos médicos Celso Jacobus, João Zanini e Luiz Roberto Marckzyk. A lesão ocorreu numa entrada dura do zagueiro flamenguista Fabiano, na segunda participação de Magno na partida em que o Grémio perdeu de 2 a 1 no Maracanã. Magno, ao tentar evitar a marcação teve o pé preso pelo adversário e ao girar a perna sentiu a forte dor causada pelo rompimento. O departamento médico do Grêmio pedirá a permissão do Flamengo, clube ao qual o Jogador tem o passe vinculado, para realizar a cirurgia. O protesto do clube carioca quanto à suposta violência da equipe gremista revoltou Magno. “Se um time usou de truculência, o meu caso prova que foi o Flamengo” disse. Mesmo abatido com a situação, Magno tratou de inocentar Fabiano de ter agido com deslealda de. “Afinal, eu sou o seu padrinho de casamento e ainda pertenço ao Flamengo” A única mágoa de Magno era o fato de Fabiano não ter feito contato até a tarde de ontem. Emprestado ao Grêmio em Janeiro, Magno considerava o jogo do Maracanã como a chance de reverter o resultado do jogo, “Entrei com muita disposição e pressenti que poderia criar muitas jogadas para o Jardel, lembrou. Seu pressentimento durou menos de dois minutos. “O pior é ficar de fora das partidas decisivas de todas as competições”, lamentou. Magno vai passar o período de recuperação pós-operatória em Curitiba, sua cidade natal, sob os cuidados da família. O atleta ficará três semanas com joelho engessado, um mês com urna proteção especial e, conforme a recuperação muscular, voltara a treinar em cinco meses. A lesão de Magno foi semelhante à do meia Emerson. Em fevereiro, o meio-campista também teve ruptura total de dois ligamentos na partida com o Brasil, de Farroupilha, em Porto Alegre. “A diferença é que ocorreu com o Magno o comprometimento total de um ligamento, o colateral medial, — localizado na face interna do joelho lesão que exige um repouso mínimo de dois meses para a regeneração natural” explicou João Zanini. A recuperação de Émerson está sendo anterior ao prazo previsto de seis meses e poderá retornar aos treinos em um mês. “O importante é evitar o desânimo, seguir as recomendações e valorizar a força de vontade” recomendou Émerson, 19 anos, ao amigo Magno” (Zero Hora – 26 de maio de 1995)

1995 Flamengo 2x1 Gremio Savio Arce Fernando Gomes ZH

FLAMENGO VENCE GRÊMIO POR 2 A 1
O Flamengo venceu o Grêmio por 2 a 1 pelas semifinais da Copa Brasil e agora joga pelo empate no segundo jogo contra os gaúchos, na próxima quarta-feira, em Porto Alegre. Romário torceu o joelho esquerdo e pode desfalcar a equipe no clássico de domingo contra o Vasco, pelo Campeonato Estadual.

O Flamengo dominava as ações, mas era a equipe gaúcha que atacava com mais decisão. Paulo Nunes perdeu grande chance, aos 18m. Mas o Flamengo saiu na frente, graças ao talento de Sávio. O camisa 10 da Gávea pegou uma bola na intermediária aos 23m, driblou quatro adversários e chutou cruzado, já dentro da área.

O Flamengo voltou para o segundo tempo com Fabiano no lugar de Branco, contundido — Charles passou para a lateral direita. ficando Marcos Adriano na esquerda. As mudanças desarticularam o já frágil sistema defensivo rubro-negro. Só que a tarefa da equipe carioca foi facilitada aos 5m do segundo tempo. Dinho, que já tinha cartão amarelo, fez falta dura em Sávio e foi expulso.

O Grêmio tentou buscar o empate trocando Paulo Nunes por Magno, que se contundiu logo na primeira jogada e foi substituído. Aos 37m, Romário torceu o joelho esquerdo ao tentar uma arrancada e deixou o Flamengo também com 10 homens. Dois minutos depois. Sávio driblou o goleiro e marcou o segundo do Flamengo. Aos 44, Jardel, de cabeça. diminuiu. “ (Jornal do Brasil -24 de maio de 1995)

Washington Rodrigues – O TOMBO DO GUERREIRO
Um pique forte pela esquerda na disputa de uma bola lançada pelo goleiro Roger, Romário ganha do zagueiro do Grêmio na corrida, prepara-se para partir para área e levantar outra vez a galera quando acontece o pior. Diminui a velocidade, manca, bota a mão na perna e deixa o campo. A torcida se cala como se soubesse antes do médico o que acabara de acontecer. O Flamengo ganha o jogo mas perde o seu guerreiro, lesão de menisco. Fora do campeonato, fora da Copa do Brasil e muito provavelmente fora das futuras convocações para a seleção, quem sabe até da Copa América. Pouco antes o presidente Kléber Leite tinha, feito um comentário se lamentando de que tudo tem sido muito difícil para o Flamengo. No campo as vitórias são sempre suadas e quando chega na hora das decisões as dificuldades aumentam. O fato vem confirmar isso, o Flamengo entra na reta final, parte para o confronto que vai determinar quem será o campeão, órfão do Romário. Cada jogador terá que multiplicar os seus esforços para tentar suprir a sua falta. Não vai ser fácil mas é um desafio que eles não podem enfrentar sozinhas. A galera rubro-negra tem que se aquecer para pegar junto com o time. Só ela é quem pode entrar no lugar do Romáro.

JOGO RÁPIDO
• • • Encontrei Eurico Miranda antes do jogo do Vasco com o Coríntians, ontem a noite, cuspindo abelhas africanas com a indicação do árbitro Valdomiro Mathias da Silva. A CBF deve mesmo fazer uma reavaliação criteriosa do seu quadro de árbitros. O que apitou Flamengo x Grêmio, Lincoln Borjaille, foi um fracasso absoluto. No final só deixou uma dúvida entre os observadores: se é ruim assim mesmo, estava doente ou é desonesto.

• • • O regulamento da Copa do Brasil prega o antijogo. Se o Flamengo ficasse retrancado dando bicos para a geral e garantisse a vitória por apenas 1 x O levaria vantagem. Jogaria pelo empate e ainda teria uma nova chance se perdesse por 1 x 0 em Porto Alegre porque disputaria a classificação nos pênaltis. Foi buscar o segundo gol, levou um e agora se vencer por apenas 1 x 0 o Grêmio está classificado.” (Washington Rodrigues – Jornal dos Sports – 25 de maio de 1995)

Mário Neto – GOL DE PLACA
Sávio realizou contra o Grêmio, pela Copa do Brasil, a sua melhor atuação deste ano, disparado. Marcou dois golaços e foi o fator decisivo para a vitória. O seu primeiro gol, quando driblou espetacularmente quatro jogadores do Grêmio, além de ser o mais bonito deste ano, entrou para a galeria dos grandes lances no estádio Mario Filho. Foi uma pintura, que chegou a lembrar, sem exagero nenhum, as arrancadas do maior de todos os tempos, Pelé. Outro &acaço, useiro e vezeiro neste tipo de jogada, era Zico. Sem essa de comparação, vou logo avisando. Grande jogador — a meu ver falta pouco para ser considerado um craque na acepção da palavra — Sávio neste ano vem alternando boas e médias atuações. Queixa-se, na maioria das vezes com razão, de que vem sendo marcado deslealmente. Mas é bom não esquecer que neste jogo pela Copa do Brasil Sávio também não teve refresco, foi muito marcado e por duas ou três vezes o Dinho entrou para rachar. Mesmo assim ele acabou com o jogo. Ultimamente Sávio está mais preocupado em brigar com os árbitro. Quanto ao jogo, que diante da atuação do Sávio ficou em segundo plano, o Flamengo jogou “fora”, literalmente, a chance de se classificar já para a final do campeonato. O primeiro tempo foi equilibrado, mas o Sávio fez a diferença num único lance. Romário não estava nos seus melhores dias. Colocava-se muito bem em campo, uma válvula de escape para o time, mas na hora “H” e não completava a jogada. No segundo tempo só deu Flamengo, notadamente depois da expulsão merecida do meio de campo Dinho, na sua terceira ou quarta entrada violenta. Daí em diante foi um show de gols perdidos. Além de outro golaço do Sávio, o Fla desperdiçou umas três ou quatro chances claras de liquidar 1 com o Grêmio e o que é pior, acabou levando um gol no último minuto, a que devolveu ao Grêmio a aspiração de chegar à final: joga pela vitória. Antes teria que marcar dois gols para ir aos pênaltis. Outra baixa foi a contusão de Romário. Distensão ou torção no joelho é coisa preocupante. Acabou a novela: Edmundo é, do Flamengo. Grande contratação, comparável a de Romário. Como o Fla vai pagar, não é problema nosso. O que interessa é que o “Animal” sabe tudo de bola. Ganham todos. “ (Mário Neto – Jornal dos Sports – 25 de maio de 1995)

copadobrasil_95_fla1995 Flamengo 2x1 Gremio Goiano Roger Fernando Gomes ZH

Fotos: Fernando Gomes (Zero Hora)

Flamengo 2×1 Grêmio

FLAMENGO: Roger; Marcos Adriano, Jorge Luis, Valber e Branco (Fabiano); Charles. Fabinho. Marquinhos e Sávio: Romário e Mazinho (Mauricinho)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Luciano, Adilson e Roger; Dinho, Goiano, Gélson e Arilson: Paulo Nunes (Magno depois Nildo) e Jardel
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Copa do Brasil 1995 – Semifinal – Jogo de ida
Data: 23 de maio de 1995, terça-feira, 20h45min
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ
Público: 28.707 (25.220 pagantes)
Renda: R$ 238.095,00
Árbitro: Lincoln Afonso Borjaille Bicalho-MG
Auxiliares: Marco Antonio Martins e Antonio Williams Gomes
Cartões amarelos: Marcos Adriano, Charles, Sávio, Mauricinho, Luciano, Dinho, Goiano e Luciano
Cartão vermelho: Dinho, aos 5 minutos do 2º tempo
Gols: Sávio, aos 23 minutos do primeiro tempo e aos 39 minutos do segundo tempo; Jardel aos 44 minutos do segundo tempo

Copa do Brasil 1993 – Flamengo 4 x 3 Grêmio

August 14, 2018
1993 zh dener flamengo ida

Foto: Guaracy Andrade (Zero Hora)

Na partida de ida da semifinal da Copa do Brasil de 1993, Flamengo x Grêmio fizeram um jogo bastante movimentado (com direito à invasão de campo pelos dirigentes flamenguistas)  que terminou em 4×3 para os mandantes. Como curiosidade, vale destacar que Renato Portaluppi, à época, estava no outro lado (e conseguiu marcar um gol e ser expulso em menos de 20 minutos em campo).

Como é possível ler nas matérias abaixo, especialmente nos jornais cariocas, os rubro-negros reclamaram bastante da arbitragem. O estranho é que o vídeo ao final não sustenta todas as queixas. O gol de Gaúcho foi de fato equivocadamente anulado, mas o pênalti marcado para o tricolor no final da partida é claríssimo.

Mas esses vídeos de melhores momentos nem sempre registram tudo. Esse jogo foi o de estreia de Dener com a camisa do Grêmio. E essa estreia (ao menos na minha memória e conforme a coluna do Paulo Sant´ana transcrita abaixo) foi espetacular, e isso não transparece no vídeo. Lembro bem do impacto inicial de ver o Dener trajando azul, preto e branco na transmissão feita pela TVE (que mal pegava na minha casa). Repito o que disse no post que fiz sobre a passagem do Dener pelo tricolor que nesse jogo ele fez o drible de “dar chute no ar” com muito mais habilidade do que o Valdivia (que acabou se consagrando por esse tipo de lance).

1993 flamengo ida jb

“FLAMENGO VENCE O GRÊMIO
Partida teve tumultos, muitos gols, e até o retorno de Renato, que acabou expulso
Flamengo e Grêmio, ontem à noite, pela Copa do Brasil, no Maracanã, fizeram uma partida com muitos ingredientes: sete gols, três expulsões, seis cartões amarelos, pênalti inexistente, gol mal anulado, o retorno de Renato Gaúcho e a estréia de Dener no Grêmio. No final, aos 54m do segundo tempo, vitória do Flamengo (4 a 3), que agora joga pelo empate na segunda partida, quinta-feira, no Olímpico.
O Flamengo fez 1 a O com gol de Nélio, aos 12m, numa bela jogada de Djalminha. Aos 38m, o Grêmio conseguiu o empate com gol de Juninho, numa falha conjunta de Gilmar e Rogério. No segundo tempo, aos 5m, Djalminha, que teve boa atuação, desempatou numa bola que bateu em Geraldão e enganou o goleiro. Aos 12m. Gilson voltou a igualar em outra falha de Gilmar.
Renato entrou aos 13m e, aos 29m, fez seu gol. Porém, se envolveu num tumulto com Geraldão e ambos foram expulsos. Aos 41m, Djalminha novamente ampliou, mas, aos 46m, o juiz marcou pênalti (convertido por Eduardo) numa jogada em que a bola bateu na mão de Rogério. Além da péssima atuação do árbitro Paulo César Gomes, os dirigentes do Flamengo trataram de protagonizar um triste espetáculo: invadiram o campo o tumultuando o final da partida.” (Jornal do Brasil – 21 de maio de 1993)

COBRAF ADMITE ERRO AO ESCALAR JUIZ
O presidente da Comissão de Arbitragens, Ivens Mendes, admite ter errado ao escalar o capixaba Paulo César Gomes, que é policial federal, para atuar na partida Flamengo x Grêmio, pela Copa do Brasil. “Como ele já havia apitado outros jogos não só este ano como no ano passado, achei que era hora de testá-lo para saber até onde poderia chegar”, justificou-se. Na avaliação de Ivens Mendes, o árbitro falhou ao anular o gol de Gaúcho — “O juiz alega que estava encoberto e guiou-se pela marcação do auxiliar” —, mas não pensa da mesma forma em relação ao pênalti, que os dirigentes do flamengo dizem não ter existido. Sobre a invasão de campo, o juiz relatou na súmula que “aos 41 minutos do segundo tempo, ao marcar escanteio em favor do Flamengo, pôde observar que o fosso destinado ao time carioca estava cheio”. Ivens disse que na descrição, o juiz cita nominalmente o presidente rubro-negro, Luiz Augusto Veloso, como um dos invasores. Em Porto Alegre, o vice-presidente de futebol do Grêmio, Luís Carlos Silveira Martins, prometeu “uma guerra contra o Flamengo” na próxima partida da Copa do Brasil, quinta-feira. “Mas sem violências. Os gremistas vão vaiá-los intensamente desde o hotel até o campo. Aqui eles não vão intimidar ninguém, como tentaram fazer no Maracanã. Se fosse com a gente, seríamos suspensos”, aposta.”(Jornal do Brasil – 22 de maio de 1993)

BAIANO DÁ EXEMPLO PAIA DIRIGENTES
Zagueiro, que foi ameaçado de punição por agressão, contém os exaltados ‘cartolas’, que insinuam suborno ao juiz capixaba
Não faz um mês e os dirigentes do Flamengo queriam multar Júnior Baiano. O motivo: a agressão a Gilmar do São Paulo, em jogo pela Taça Libertadores. Quinta-feira, no final da partida com o Grêmio, o mesmo Júnior Baiano ajudou a deter os cartolas em pleno gramado do Maracanã. O motivo: eles queriam agredir o juiz capixaba Paulo César Gomes. “Fui ao ataque tentando um gol. Quando vi a confusão, procurei evitar que o Flamengo fosse: prejudicado. Tive medo de que o jogo fosse anulado. Estávamos vencendo”, lembrou. Na Gávea, só se falou na má arbitragem do desconhecido juiz e no pacificador Júnior Baiano. Logo após a partida, o presidente Luiz Augusto Veloso admitiu que os erros de Paulo César Gomes não justificaram a invasão. Ontem, levantou dúvidas quanto as intenções do árbitro: “Os antecedentes dele não são bons. Pediremos á COBRAF que apure a razão de uma atuação tão desastrosa e, se necessário, vamos pedir quebra de sigilo bancário”, adiantou, inocentando o Grémio. No clube, há quem acredite numa trama “anti rubro-negra” que poderia partir até de pessoas do próprio Flamengo. Comenta-se sobre suborno, mas ninguém aponta o responsável. Enquanto alguns dirigentes falavam sério sobre o assunto, outros faziam piadinhas irônicas sobre a invasão ao gramado, lembrando, às gargalhadas, a caçada ao juiz. Paulo César Gomes anulou, erradamente, um gol de Gaúcho no primeiro tempo e por pouco não foi agredido no final. Ao encerrar a partida, mergulhou no túnel para chegar ao vestiário antes de ser alcançado. “Na hora o sangue esquenta e o pessoal perde a cabeça”, tentou explicar o tranquilo Júnior Baiano.
Os invasores
• Getúlio Brasil, Vice-Presidente Geral
• Haroldo Couto, Presidente do Conselho Fiscal
• Carlos Peixoto, Vice de Relações Institucionais”
(Mauro Cezar Pereira – Jornal do Brasil – 22 de maio de 1993)

“Sérgio Noronha
Pode-se compreender o nervosismo da direção do Flamengo, diante dos vários problemas internos que enfrenta. pode-se entender a revolta com a fraca arbitragem de Paulo César Gomes, mas nada justifica a invasão do campo no jogo contra o Grêmio. Parte da culpa, porém, é dos próprios árbitros, que permitem um excesso de gente nos bancos e (iradas que dão acesso ao gramado do Maracanã. Ali não é o lugar do presidente e de seus amigos e assessores. e tudo pode ser sanado apenas com a aplicação das regras do futebol. Mas se os árbitros não sabem aplicá-las dentro do campo, o que dirá fora dele.” (Jornal do Brasil – 22 de maio de 1993)

flamengo ida cp1

“AGORA GRÊMIO TERÁ QUE VENCER
Empate no Olímpico classificará o Flamengo, que ganhou por 4 a 3
O Grêmio até que conseguiu um bom resultado, ontem à noite, no Maracanã, ao perder de 4 a 3 para o Flamengo. O resultado poderia ser pior diante dos inúmeros erros individuais do time e também se o árbitro não tivesse invalidado um gol legítimo de Gaúcho aos 28 minutos do 1º tempo. No próximo jogo o Grêmio se classifica à final da Copa do Brasil com vitórias de 1 a 0, 2 a 1 ou 3 a 2.
O festival de gols começou aos 13 minutos. Nélio recebeu entre a zaga e desviou do goleiro com categoria, marcando 1 a 0. Aos 26, Dener fez a primeira de suas belas jogadas ao longo do jogo, deixando Juninho livre para marcar. Juninho demorou e a zaga defendeu. Dois minutos depois, o gol anulado de Gaúcho, que recebeu um passe “milimétrico” de Paulão dentro da pequena área. Paulo César Gomes assinalou impedimento do centroavante sob violentos protestos do time carioca. Aos 38, o Grêmio, que já merecia empatar, chegou ao 1 a 1 através de Juninho após boa jogada de Fabinho, um dos destaques do time ao lado do estreante Dener. No segundo tempo, aos 5, Júnior chuta e a bola desvia na defesa: 2 a 1. Mas, aos 12, a resposta. Dener arrancou em velocidade, driblou dois e deixou Gílson livre para fazer 2 a 2. Aos 29, Renato, que voltou depois de três meses fora do futebol, fez 3 a 2, recebendo passe de Gaúcho de cabeça. O centroavante saltou mais alto que a dupla Paulão-Geraldão, que continua deixando os gremistas aterrorizados. Logo depois. Renato e Geraldão se desentenderam e foram expulsos. Aos 41 minutos, um lance grotesco. Paulão foi para a área receber um lançamento de Eduardo, que cobrou uma falta no meio do campo. E Dener, com todo o seu talento, ficou na marcação no campo do Grêmio. Paulão, como era de se esperar, não conseguiu controlar a bola, o Flamengo saiu no contra-ataque e fez 4 a 2. Na área do Grêmio, brigando pela bola, Dener. Vantagem para Djalminha sobre os escombros da defesa gremista. Nos últimos minutos, mesmo com um jogador a menos (Jamir havia sido expulso no começo do segundo tempo), o Grêmio na raça e na coragem, partiu em busca de um resultado melhor. Dener e Fabinho puxavam os ataques. Aos 47 minutos, Pingo recebeu de Caio e chutou forte. O zagueiro Rogério defendeu com os braços dentro da área. Pênalti corretamente assinalado pelo árbitro. Eduardo cobrou com muita habilidade e deixou o jogo em 4 a 3. No segundo jogo pela semifinal da Copa Brasil o Flamengo não terá Júnior Baiano e Renato. O Grêmio jogará sem Jamir e Geraldão.” (Correio do Povo, 21 de maio de 1993)

“KOFF PROMETE DAR O TROCO
“Este treinador é um moleque. Ainda bem que não o contratamos. Mas em Porto Alegre vamos dar o troco.” O desabafo do presidente Fábio Koff, normalmente muito equilibrado, contra o treinador Jair Pereira mostra a irritação que tomou conta do Grêmio com a confusão armada por Pereira e pelos dirigentes do clube carioca quase ao final do jogo, tumultuando tudo. Quando o árbitro Paulo César Gomes marcou pênalti a favor do Grêmio, aos 45 minutos do 2º tempo, o Flamengo reclamou muito. Depois disso, os dirigentes invadiram o campo para agredir o juiz, forçando uma paralisação e pressionando de todas as formas. Assim que Paulo César apitou o final da partida, houve nova invasão e nem a Polícia conseguiu evitar a perseguição contra o juiz, que escapou correndo e com sorte se escondeu no vestiário.” (Correio do Povo, 21 de maio de 1993)

1993 fla ida

“MENGÃO VENCE JOGO TUMULTUADO
Time meteu 4 a 3 no Grêmio, e jogará pelo empate em Porto Alegre
O Flamengo derrotou o Grêmio, ontem, à noite, no Maracanã, por 4 a 3 numa partida recheada de emoção e tumulto. Na próxima quinta-feira, no estádio Olímpico, em Porto Alegre, o time rubro-negro poderá garantir a vaga à finalíssima da Copa do Brasil com um empate diante do tricolor gaúcho. Unia vitória simples do Grêmio, porém, lhe assegurará a classificação. Até que Flamengo e Grêmio fizeram um primeiro tempo movimentado. Os dois times estavam equilibrados em campo. Logo aos três minutos, Fabinho cruzou da direita e o centroavante Gilson cabeceou para uma importante defesa de Gilmar. Dez minutos depois (13), Djalminha executou um lançamento primoroso deixando Nélio na cara de Eduardo. O atacante rubro-negro apenas desviou do goleiro tricolor e fez Flamengo 1 a 0. A partir deste gol o Flamengo passou a dominar a partida. Aos 28 minutos Gaúcho emendou para o fundo da rede, mas o juiz Paulo César Gomes anulou equivocadamente — o gol alegando impedimento. Sé que a bola fora atrasada pelo próprio zagueiro Paulão. Mas se o Flamengo tem Djalminha, o Grêmio tem Dener. O atacante, emprestado pela Portuguesa cruzou da direita aos 39 minutos, Gilmar falhou, e Juninho aproveitou o rebole para empatar o jogo: 1 a 1. As emoções estavam por vir na etapa final. Já aos cinco minutos, Djalminha chutou, a bola desviou em Geraldão e entrou: Flamengo 2 a 1. Aos 12, o centroavante Gilson voltou a decretar o empate: 2 a 2. Aos 29, Renato Gaúcho, que voltava ao time rubro-negro após três meses na “geladeira”, desempatou (3 a 2). O ponta, entretanto, só permaneceu 18 minutos em campo, pois foi expulso juntamente com o zagueiro Geraldão. Aos 41 minutos, Djalminha tabelou com Luís António e fez 4 a 2 num lance de pura plástica no Maracanã. Quando todos pensavam que o jogo estava definido, Eduardo diminuiu (4 a 3) aos 47 minutos, num pênalti inventado pelo juiz” (Jornal dos Sports – 21 de maio de 1993)

DJALMA CONDUZ FLA À VITÓRIA
Djalminha foi o grande condutor do Flamengo à vitória. Marcou o quarto gol (o seu segundo na Copa do Brasil) após bela tabelinha com Luís António e foi o responsável pela jogada que redundou no gol de Nélio. Além disso, de seus pés saíram os lances mais bonitos da partida. Arriscou alguns chutes de fora e apresentou a técnica que lhe é peculiar. Satisfeito com a vitória, ele só lamentou a atuação do juiz. — Conseguimos marcar quatro, mas fomos prejudicados no finalzinho com um pênalti que não existiu. Agora não adianta chorar. Temos é que nos concentrar no jogo lá, em Porto Alegre, que com certeza será muito difícil. Vivendo a melhor fase de sua carreira, a cada jogo Djalminha mostra a razão de ter conquistado a posição de titular do time. A displicência que o caracterizava em épocas passadas foi substituída por espírito de luta, que ele mostrou ontem durante os noventa minutos. Ele, que é uma das principais armas do Flamengo para o clássico de domingo com o Vasco, pode-rá decidir o destino da Taça Rio. — Será um jogo decisivo. Uma derrota poderá significar a eliminação de nosso time do campeonato. Mas sinto que isso não irá acontecer, pois o Flamengo cresce nos momentos decisivos. Sem dúvida será um grande clássico — comentou o herói dos 4 a 3.” (Jornal dos Sports – 21 de maio de 1993)

ÁRBITRO REVOLTA OS RUBRO-NEGROS
A revolta tomou conta dos dirigentes do Flamengo, que chegaram a invadir o campo quase no final do jogo para ofender o juiz Paulo César Gomes. O presidente Luís Augusto Veloso, bastante nervoso, considerou a arbitragem um escândalo. “Foi uma provocação ao Flamengo”, gritou. Segundo ele e todos os jogadores e comissão técnica, o time foi muito prejudicado. Não apenas pela marcação do pênalti aos 47 minutos do segundo tempo em favor do Grêmio, mas em toda a partida. Paulo César Gomes deixou o gramado correndo, e tropeçou nas escadarias que dão acesso ao vestiário. Julgamento — O STJD absolveu Júnior de ter agredido o juiz Jorge Travassos com uma cabeçada, no Flamengo x Vasco pela última Taça Rio. Após uma eleição que terminou 6 a 3, o relator Luís Valter manteve a punição imposta pelo TJD da Ferj, de quatro jogos, convertida em multa. O desempenho do advogado de defesa Clóvis Sahioni foi importante para convencer os juízes. Ele chegou a citar um depoimento de Eurico Miranda, em que o dirigente diz que não houve da parte de Júnior a intenção de agredir Travassos, que, por sinal, apitou muito mal esta partida.” (Jornal dos Sports – 21 de maio de 1993)

Paulo Sant´ana – TEM QUE COMPRAR O DENER!
Não me lembro de que uma derrota da dupla Gre-Nal em toda a história que tenha servido ao mesmo tempo de campo a um entusiasmo tão grande de uma torcida pela atuação de um Dener, anteontem, no Maracanã. Recém entrado no time, sem entrosamento com seus companheiros, Dener encantou a que puderam ver, nos intermitentes da transmissão defeituosa, as suas jogadas de pura arte e objetividade, confirmando inteiramente o seu cartaz e referendando um talento raro nos dias de hoje, tempos de futebol muito mais tático e físico do que técnico.
Não há nada individualmente parecido com Dener no futebol brasileiro ultimamente, em matéria de habilidade. A única tristeza que se derivou de sua estupenda apresentação foi subjetiva: não é possível que um jogador de tais atributos fique apenas três meses entre nós. A provável grandeza remanescente do Grêmio será testada em Dener: é preciso que se desfeche desde já um gigantesco movimento que leve o clube a comprar definitivamente o passe do jogador. A maioria das pessoas mais importantes do Rio Grande é gremista. É impossível que ela não saiba encontrar jeito de tirar da seiva extraordinária de paixão que incendeia a grande torcida tricolor os recursos para adquirir o passe de Dener.
Só para dar uma idéia de que não é utópico o projeto, basta dizer que, se cada gremista contribuir com um dólar (apenas Cr$ 40.000,00), Dener será para sempre do Grêmio. E há mais de 1.500.000 gremistas no território gaúcho, totalizando os US 1.500.000 necessários.
Eu estou aí à disposição para costurar este colossal e relativamente fácil empreendimento.” (Paulo Sant´ana – Zero Hora – 22 de maio de 1993)

Flamengo 4 x 3 Grêmio

FLAMENGO: Gilmar Rinaldi; Uidemar, Rogério, Júnior Baiano, Piá; Júnior, Marquinhos, Djalminha, Nélio, Marcelinho Carioca (Renato Portaluppi); Gaúcho (Luiz Antônio)
Técnico: Jair Pereira

GRÊMIO: Eduardo Heuser; Jackson, Paulão, Geraldão, Eduardo; Pingo, Jamir, Juninho (Dorival Júnior); Fabinho; Gílson (Caio); Dener.
Técnico: Sérgio Cosme

Copa do Brasil 1993 – Semifinal – Jogo de ida
Data: 20 de maio de 1993, 21h40min
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ
Público: 16.270
Renda: CrS 782.420.000,00
Árbitro: Paulo César Gomes
Cartões Amarelos: Uidemar, Júnior, Marquinhos, Júnior Baiano, Nélio e Jackson
Cartões Vermelhos: Jamir, Geraldão e Renato
Gols: Nélio 12/1T, Juninho 38/1T, Djalminha 05/2T, Gílson 13/2T, Renato Portaluppi 29/2T, Djalminha 41/2T, Eduardo 45/2T

Copa do Brasil 1999 – Flamengo 2×2 Grêmio

August 13, 2018
IMG_1190

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Na partida de volta das quartas de final da Copa de Brasil de 1999, o Grêmio precisa de uma vitória no Maracanã para avançar a próxima fase. Não conseguiu, ficando num empate por 2×2 que garantiu a classificação flamenguista.

Depois dessa partida o elenco tricolor sofre algumas reformulações (a mais notada delas foi a titularidade de Ronaldinho) que foram resultar no título de campeão gaúcho daquela temporada

IMG_1194 - Cópia

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

IMG_1193

 

QUASE DEU GRÊMIO
Empate em 2 a 2 com o Flamengo elimina o time de Celso Roth, que anuncia contratações e lista dispensas
Sabe aquela sensação de que faltou um pouquinho apenas para chegar lá. Foi isso que o Grêmio experimentou ontem no Maracanã. Mesmo com o time aos pedaços, fez o Flamengo passar por momentos de pavor antes de garantir o 2 a 2 e a classificação. Mas não faltou apenas o gol. O Grêmio careceu de um pouco mais de qualidade. Nunca Roger, Agnaldo, Capitão e, principalmente, o lateral Zé Carlos tiveram as suas ausências tão sentidas. Agora, resta ao Grêmio se dedicar ao Gauchão e a azeitar o time para o segundo semestre. Ao final do jogo, Roth anunciou a elaboração de uma lista de dispensas e a retomada das contratações. Mas, por mais que isso seja válido, ninguém digere a forma como o Grêmio foi desclassificado. O Flamengo, historicamente, parece jogar anestesiado no Maracanã. Como estava com a vantagem construída em Porto Alegre, passava a impressão de estar desinteressado. Tão manso quanto a fala do seu técnico, Carlinhos. Um carioca legítimo, daqueles que utilizam boné com a aba para cima. Fabão marcou de cabeça aos oito minutos, numa falha da defesa gremista, e deixou o Flamengo ainda mais relaxado em campo. O Grémio entrou com três volantes e Itaqui no meio-campo. Éder tem boa vontade em jogar na lateral, mas apenas isso. É zagueiro. No lado direito, Walmir foi decepcionante. A questão é que, enquanto Fabão marcava o gol, o meia Beto deixava o campo com uma lesão no tornozelo. A desvantagem fez com que Roth trocasse Djair por Ronaldinho. Foi a sua decisão mais feliz da noite. O Flamengo é generoso quando joga no ataque. Concede espaços, deixa o adversário solto. E Ronaldinho é craque, joga fácil, desequilibra. Em apenas 10 minutos, criou quatro chances de gol. Na última delas, aos 37, deixou Zé Alcino livre para empatar. Depois dessa atuação exuberante, Roth admitiu no vestiário que Ronaldinho está virando titular. O problema é que o Grêmio teve um segundo de desatenção e, contra Romário, isso é fatal. Num contra-ataque, aos 41, Leandro cruzou e ele desempatou o jogo, se antecipando como um jato a Danrlei e Scheidt, de quem virou amigo na viagem de volta da Espanha. O troco do zagueiro veio no início do segundo tempo. Aos 13, Scheidt empatou de cabeça. O risco iminente de eliminação deixou o Flamengo em estado de alerta. Mas ainda vulnerável. Roth colocou Arílson no meio e formou o ataque com Ronaldo e Rodrigo Gral. O jogo ficou eletrizante. O Grêmio perdeu, ao menos, cinco chances de marcar. O Flamengo, aturdido, só conseguiu chutar a gol aos 33 minutos, com Rodrigo Mendes. Depois disso, a partida ficou aberta, emocionante. O Grêmio investia, o Flamengo respondia com contra-ataques. Arílson quase marcou. Mas ficou nisso. Restou o reconhecimento pela valentia e o sentimento de que faltou muito pouco. — Foi difícil por que o adversário era o Grêmio — disse Romário ao deixar o campo, cercado por dezenas de repórteres e seguranças. “(Leonardo Oliveira, Zero Hora, Sexta-feira, 30 de abril de 1999)

 

fla 2x2 gremio o globo capa

FLA GARANTE VAGA NA COPA DO BRASIL COM UM EMPATE DRAMÁTICO: 2 A 2
Time rubro-negro elimina o Grêmio e enfrentará o Palmeiras nas quartas-de-final
• O Grêmio, como de costume, complicou. Só não estragou a festa porque o Flamengo com uma resistência dramática, sustentou o empate em 2 a 2, ontem à noite, no Maracanã, garantindo a vaga nas quartas-de-final na Copa do Brasil. O adversário é o Palmeiras e o primeiro jogo será no Rio, dia 14. O segundo, dia 21. O Flamengo começou pressionando e depois de estar vencendo por duas vezes, caiu de produção, deixou o time gaúcho empatar. Logo aos dois minutos, o rubro-negro perdeu Beto, machucado no tornozelo direito. Mas Iranildo ia cumprindo bem sua missão, de armar as jogadas de ataque. Aos 8 minutos, Iranildo cobrou falta da esquerda, Fabão raspou de cabeça, marcou 1 a O para o Flamengo e, imitando Romário, exibiu uma camisa pedindo paz. Inexplicavelmente, o rubro-negro deu espaço ao Grêmio, que de tanto pressionar acabou empatando aos 37, numa jogada individual de Zé Alcino. Mas o time gaúcho não teve muito tempo para festejar. Quatro minutos mais tarde, Leandro recebeu passe de Iranildo e centrou na medida para Romário mamar 2 a I, com um toque sutil de direita.
Mantendo a tradição, o craque, que marcou seu 22º gol em 21 jogos este ano, tinha uma camisa por baixo da rubro-negra, uma mensagem antidrogas: “Be a winner, don’t take drugs” (Seja um vencedor, não use drogas). No segundo tempo, Romário cansado e Leonardo substituindo Pimentel machucado, o Flamengo caiu de produção e passou a errar jogadas fáceis. Aos 13 minutos, Scheidt empatou, de cabeça. Começou aí o drama. O Grêmio atacou, criou chances mas esbarrou nas boas defesas de Clemer.” (Antonio Maria Filho e Paulo Julio Clement, O Globo, Sexta-feira, 30 de abril de 1999)

IMG_1189

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Flamengo Flamengo 2×2 Grêmio Grêmio

FLAMENGO: Clemer; Pimentel (Leonardo Inácio), Fabão, Luiz Alberto e Athirson; Jorginho, Maurinho, Iranildo e Beto (Vágner e depois Rodrigo Mendes), Leandro Machado e Romário.
Técnico: Carlinhos

GRÊMIO: Danrlei; Walmir, Ronaldo Alves, Scheidt e Éder; Djair (Ronaldinho), Fabinho, Goiano e Itaqui; Macedo (Arílson) e Zé Alcino (Rodrigo Gral).
Técnico: Celso Roth

Copa do Brasil 1999 – Oitavas de final – Jogo de volta
Data: 29 de abril de 1999, quinta-feira, 20h30min
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ
Público: 20.366 pagantes
Renda: R$ 133.708,00.
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG)
Auxiliares: Marco Antônio Martins e Helbert Costa Andrade
Cartões Amarelos: Leandro Machado, Goiano e Itaqui
Gols: Fabão aos 8 minutos do 1º tempo, Zé Alcino aos 37 e Romário aos 41; Scheidt aos 13 minutos do 2º tempo

Copa do Brasil 2004 – Flamengo 0x0 Grêmio

August 10, 2018
20 maio 2004 gilvan dos santos futura press

Foto:  Gilvan dos Santos (Futura Press)

O último confronto entre Flamengo e Grêmio pela Copa do Brasil no Maracanã aconteceu em 2004. Na ida, o tricolor havia sido derrotado no Olímpico por 1×0.

Na volta o tricolor não conseguiu sair do 0x0 com os rubro-negros, que avançaram na competição até a final, quando foram derrotados pelo Santo André.
20 maio 2004 o globo

EMPATE COM SABOR DE VITÓRIA
Fla segura o O a O com o Grêmio e enfrenta baianos na semifinal da Copa do Brasil
Num jogo de multa correria e pouquíssima técnica, o Flamengo se classificou para a semifinal da Copa do Brasil ao segurar o empate em O a O com o Grêmio, ontem à noite, no Maracanã. Como vencera no Olímpico por 1 a O, o time rubro-negro enfrentará o Vitória, que superou o Corinthians ontem por 2 a O, em Salvador, e também se classificou. Na outra quartas-de-final, o 15 de Campo Bom-RS classificou-se ao vencer o Palmas por 1 a O, em Tocantins, e enfrentará Palmeiras ou Santo André, que jogam hoje. Na partida de ida, o placar foi 3 a 3. O Flamengo recebeu um reforço de última hora para o jogo. Horas antes de a bola rolar, os advogados do clube conseguiram efeito suspensivo para Abel, que fora suspenso por 30 dias pelo Tribunal de Justiça Desportiva. Com o seu treinador em campo, o rubro-negro começou com dificuldades de se livrar da marcação. Mesmo assim, era quem mais se aproximava do gol. Aos 23, Felipe pôs a bola entre as pernas de Tiago e chutou, mas a a zaga gremista salvou.

Com mais volume de jogo, o Flamengo ainda teve boa chance num lance em que Tavarelli segurou uma bola atrasada. No tiro livre dentro da área, Felipe fez um golaço mas a cobrança deveria ser em dois lances. O Grêmio começou o segundo tempo um pouco mais ousado. Com menos de dois minutos, Marcelinho obrigou Júlio César a espalmar para escanteio. O Flamengo deu a resposta em contra-ataque desperdiçado por Jean, que chutou para fora quando tinha duas boas opções de passe. Aos poucos, o rubro-negro foi cedendo espaço para os gaúchos, que começavam a rondar a área perigosamente. A entrada de Athirson no lugar de Zinho deixou o Flamengo mais vulnerável. Sorte que o Grêmio era muito fraco ofensivamente e o rubro-negro pôde comemorar a vaga com sua torcida. Antes do jogo, a torcida do Flamengo engrossou o pedido feito por Felipe logo depois do jogo contra o Internacional, no último domingo. Com uma faixa, pediu a volta dos jogos do time para o Rio: “Volta Redonda, não. Maracanã, sim”. “(O Globo, Quinta-feira, 20 de maio de 2004)

ATUAÇÕES
FLAMENGO
JÚLIO CÉSAR: Duas defesas em chutes de Marcelinho, uma em cada tempo e só. • Nota 6,5.
REGINALDO ARAÚJO: Seguro, mas sem brilho. Com Felipe aberto na direita, quase não foi ao fundo. Apareceu mais atacando em diagonal e até tentando a cabeçada na área. • Nota 6,5.
ANDRÉ BAHIA: Sem muito trabalho na marcação, ainda saiu em arrancadas com a bola dominada. • Nota 6.
FABIANO ELLER: Teve certa dificuldade para conter Marcelinho. Depois de levar um drible entre as pernas, fez falta em Christian que levou muito perigo. • Nota 5.
ROGER: Pouco apoiou, preocupado com o setor mais forte do Grêmio enquanto Marcelinho esteve em campo. Soltou-se mais no fim, mas pouco fez. • Nota 5,5.
DA SILVA: Sua regularidade pouco aparece para a torcida mas dá equilíbrio do time. Saiu machucado. • Nota 7.
JULIANO entrou no fim e pouco fez. • Nota Sem nota.
DOUGLAS SILVA: Um passe errado que quase complica o jogo no fim. Foi sempre melhor na marcação do que no apoio. • Nota 4,5.
IBSON: Preso á marcação, não brilhou mais evitou que o time corresse riscos. • Nota 6.
ZINHO: Boa movimentação, deu ritmo ao time até ser substituído. • Nota 6,5
ATHIRSON entrou, buscou o ataque e assim reduziu a pressão do Grêmio. • Nota 5,5.
FELIPE: Depois de um início apagado, soube segurar a bola no ataque com categoria, mas voltou a cair no fim do jogo. • Nota 7.
JEAN: É mais perigoso pelas pontas. Pelo meio, prendeu a bola quando tinha companheiros livres. Deu um chute com perigo e perdeu duas chances. • Nota 5,5. Foi substituído por DIOGO que nada fez. • Nota Sem nota.
ABEL BRAGA: Com o forte bloqueio que armou no meio, seu time teve o domínio da posse de bola e quase não foi atacado. • Nota 7.

GRÊMIO
Um time fraco em todos os setores. Marcelinho fez uma boa jogada em cada tempo.” (O Globo, Quinta-feira, 20 de maio de 2004)

JOGO RUIM, EMPATE E GRÊMIO FORA
Tricolor gaúcho teve baixa produção diante do Flamengo, na noite de ontem, no Maracanã. Time carioca segue para as semifinais do torneio e Grêmio volta suas
atenções ao Brasileiro
Dessa vez não deu certo para o time especialista em Copa do Brasil. Grêmio e Flamengo fizeram um espetáculo de baixo nível técnico e o empate por 0 a 0, ontem à noite, no Maracanã, foi justo. O resultado, porém, tirou o clube gaúcho da caminhada rumo ao quinto título nessa competição. O Fla se beneficiou da vitória de 1 a 0 no jogo de ida, realizado no Olímpico, e segue para as semifinais, em que enfrentará o Vitória, da Bahia, que eliminou o Corinthians Paulista.
Como precisava da vitória, o Grêmio iniciou o jogo pressionando o Flamengo. Logo aos três minutos, Marcelinho passou por dois adversários, mas o arremate saiu fraco, facilitando a vida de Júlio César. O ímpeto do time gaúcho, no entanto, acabou aí. O Flamengo também não jogou bem e apenas em lances esporádicos de Felipe, a equipe conseguiu alguma coisa. 
O goleiro Tavarelli quase entregou o ouro aos 31 minutos do primeiro tempo, quando Claudiomiro atrasou uma bola para ele, na pequena área. Assustado pela presença de Jean, ele errou o chute e acabou mergulhando para segurar a bola com as mãos. Falta indireta dentro da área quase na linha de fundo, mas Felipe cobrou direto para as redes e o gol não valeu.
Na etapa final, apesar de ter a posse da bola por um tempo maior, o Flamengo não conseguiu transformar esse domínio em gols. Nos minutos finais, o time carioca abdicou do ataque, enquanto o desorganizado Grêmio buscou, sem sucesso, o gol que levaria o jogo para a decisão dos pênaltis.” (GAZETA DO SUL, Quinta-feira, 20 de maio de 2004)

20 maio 2004 gazeta do sul

GRÊMIO ESTÁ FORA DA COPA DO BRASIL
Time não teve bom desempenho e ficou no 0 a 0 com o Flamengo no Rio. Eliminação aumenta a tensão no estádio Olímpico
O Grêmio está fora da Copa do Brasil. Ontem, o time não teve forças para fazer um gol no Flamengo e está desclassificado da competição. O empate em 0 a 0, no Maracanã garantiu vaga à equipe carioca e aumentou a tensão no Olímpico.
A etapa inicial chamou mais a atenção por alguns lances isolados do que pela disputa tática das equipes. Primeiro, em uma janelinha que Felipe aplicou em Tiago Prado, que não teve maiores conseqüências porque a zaga afastou para escanteio. Segundo, em uma jogada curiosa envolvendo Tavarelli. O goleiro recebeu passe de Claudiomiro e errou o chute. Em seguida, segurou a bola com a mão, cedendo falta ao Flamengo. Felipe cobrou direto e acertou o ângulo. Como a jogada era em dois lances, o gol foi anulado por Héber Roberto Lopes.
De resto, o Grêmio, que precisava reverter a vantagem obtida pelo Flamengo na primeira partida, acomodou-se na defesa e apostou nos contra-ataques, sem sucesso. Com Christian jogando mais recuado e Marcelinho apostando nos cruzamentos, o time apenas viu o adversário ameaçar.
A necessidade do gol obrigou o Grêmio a atacar com mais força na segunda etapa. O time voltou melhor e com dez minutos já havia levado mais perigo do que o primeiro tempo inteiro. A melhor chance até então foi desperdiçada com Bruno, que cobrou por cima uma falta da entrada da área.
O ímpeto gremista, porém, cedeu espaço para o contra-ataque rubro-negro, e por pouco, aos 12 minutos, Jean não tornou quase impossível a missão gremista, ao desperdiçar boa chance de gol.
Adílson então sacou Marcelinho, Élton e Claudiomiro para as entradas de Pitbull, Léo Inácio e George. O time e a partida pouco mudaram e, com a proximidade do final, os erros de passe cresceram na mesma medida da ansiedade do Grêmio.” (Correio do Povo – 20 de maio de 2004)

ADÍLSON SE DESCULPA JUNTO AO TORCEDOR
A desclassificação do Grêmio na Copa do Brasil é de responsabilidade de Adílson Batista. A afirmação foi feita pelo técnico ontem, ao final do jogo. Ele iniciou a entrevista coletiva pedindo desculpas ao torcedor gremista pelo fracasso na competição. ‘A responsabilidade é toda do treinador. Essa é a nossa cultura’, afirmou.
O técnico considera que a desclassificação se deu em Porto Alegre, quando o Grêmio perdeu a primeira partida contra o Flamengo por 1 a 0. Adílson ressaltou que sabia das dificuldades em reverter o quadro, já que o time carioca conta com jogadores de Seleção. Ele assegurou ainda não estar preocupado com as conseqüências que um insucesso frente ao Paysandu, teria no seu futuro no clube.
Adílson explicou que retirou Marcelinho de campo no segundo tempo também em função da convocação do atacante para a seleção sub-20, no dia anterior. ‘Jogador convocado a gente sabe, é natural que fique com a cabeça na seleção’, disse.
A incapacidade do Grêmio para ter sucesso sobre a defesa do Flamengo foi admitida pelos jogadores ao final do jogo. O lateral Michel elogiou a capacidade de marcação do adversário, enquanto o centroavante Christian apenas resignou-se que o trabalho agora será voltado para o Campeonato Brasileiro, no qual ocupa o 15º lugar.
Para o volante Cocito, a postura do Flamengo merece elogios. ‘Eles jogaram com inteligência. Não tem mais essa de que o futebol carioca não marca. Hoje em dia, são os jogadores e o técnico que fazem um time’, disse.” (Correio do Povo – 20 de maio de 2004)

20 maio 2004 cp

Flamengo 0x0 Grêmio

FLAMENGO: Júlio César; Reginaldo Araújo, André Bahia, Fabiano Eller e Roger; Da Silva (Juliano), Douglas Silva, Ibson e Zinho (Athirson); Jean (Diogo) e Felipe
Técnico: Abel Braga

GRÊMIO: Tavarelli; Claudiomiro (George Lucas), Baloy e Tiago Prado; Michel, Cocito, Leânderson, Bruno e Élton (Léo Inácio); Marcelinho (Cláudio Pitbull) e Christian
Técnico: Adílson Batista

Copa do Brasil 2004 – Quartas de final – Jogo de volta
Data: 19 de maio de 2004, quarta-feira, 21h45min
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ
Público: 22.163 (19.968 pagantes)
Renda: R$ 205.709,00
Árbitro: Héber Roberto Lopes (PR)
Cartões amarelos: Leanderson, Cocito, André Bahia.

Copa do Brasil 2018 – Grêmio 1×1 Flamengo

August 2, 2018

Gremio x Flamengo

Sofrer o empate no último lance foi um castigo duro para o Grêmio, mas não dá pra dizer que foi um castigo injusto. O tricolor até que fez um bom primeiro tempo, quando teve uma leve superioridade sobre o Flamengo e saiu na frente com Luan aos 37 minutos, após grande jogada de Léo Moura.

Contudo, a segunda etapa foi quase toda disputada no campo de ataque rubro-negro. O Grêmio não conseguia armar contra-ataques e os meias flamenguistas raramente eram desarmados (esse acaba sendo um dos problemas de jogar com Maicon e Cícero de volantes). A sensação era de havia sido o Flamengo, e não o Grêmio, que poupara seu time titular no fim de semana*. A linha defensiva gremista iria se tornar protagonista de um suado 1×0, mas no apagar das luzes, Lincoln apareceu na área para completar para as redes a jogada construída por Everton Ribeiro e Renê.

Luan foi um pouco distante/displicente na marcação de Everton Ribeiro na origem do gol flamenguista. Mas essa falha é compreensível, visto que ele é um jogador de frente que estava correndo desde o primeiro minuto. O que eu não consegui entender foi a movimentação do Leonardo Gomes (que não completou 30 minutos em campo) na jogada. Ele não bloqueou o lateral esquerdo adversário, não tentou entrar na “linha” do cruzamento para interceptar a bola e igualmente não acompanhou o centroavante adversário.

* Não podemos esquecer que o Flamengo (ainda que utilize mais seu time titular) demonstradamente, viaja menos que o Grêmio, tendo, por consequência, mais tempo para descansar e treinar seus atletas

Gremio x Flamengo2018 flamengo gilvan de souza

Sei que estou sendo repetitivo, mas dessa vez não foram só os jogadores do Grêmio, mas também alguns atletas do Flamengo que jogaram com uma malha de manga longa em um tom diferente da cor da camisa de manga curta. Para mim isso passa uma ideia de improviso, o que não é condizente com a grandeza dos clubes e dos fornecedores de material esportivo em questão.

– Média de público da Arena em 2018
24.416 (22.259 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil 2018
26.234 (24.238 pagantes)

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil desde 1989
23.330 pagantes

– Média de público do Grêmio na Copa do Brasil na Arena
31.037 (28.717 pagantes)

– Média de público do Grêmio em quartas-de-final de Copa do Brasil desde 1989
29.384 pagantes

– Média de público do Grêmio em quartas-de-final de Copa do Brasil na Arena
34.712 (32.327 pagantes)

– Média de público do Grêmio contra o Flamengo na Copa do Brasil
38.455 pagantes

2018 flamengo gilvan de souza goFotos: Lucas Uebel (Grêmio.net) e Gilvan de Souza (Flamengo)

Grêmio 1×1 Flamengo

GRÊMIO: Marcelo Grohe, Léo Moura (Leonardo Gomes 26’/2ºT), Geromel, Kannemann e Marcelo Oliveira; Maicon, Cícero, Ramiro, Luan e Everton (Marinho 31’/2ºT), André (Jael  21’/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

FLAMENGO: Diego Alves; Rodinei, Réver, Léo Duarte e Renê; Cuéllar, Lucas Paquetá, Diego e Everton Ribeiro; Marlos Moreno (Vitinho – 16’/2ºT) e Uribe (Lincoln – 31’/2ºT)
Técnico: Maurício Barbieri

Copa do Brasil 2018 – Quartas de final – jogo de volta
Data: 1º de agosto de 2018, quarta-feira, 21h45min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre-RS
Público: 40.075  (37.358 pagantes)
Renda: R$ 1.919.531,00
Árbitro: Raphael Claus – FIFA/SP
Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Carvalho Van Gasse
VAR: Rafael Traci, Alex Ang Ribeiro e Luiz Flavio de Oliveira
Cartão Amarelo: Lincoln
Gols: Luan, aos 37 minutos do primeiro tempo e Lincoln, aos 48 minutos do segundo tempo.

Confrontos contra o Flamengo pela Copa do Brasil – Médias de público

August 1, 2018

copa

 

O Grêmio já recebeu o Flamengo em seis ocasiões pela Copa do Brasil. Abaixo a relação com links para fichas e reportagens de cada um desses jogos:

1989 – Semifinal – Jogo de Volta – Grêmio 6×1 Flamengo
1993 – Semifinal – Jogo de Volta – Grêmio 1×0 Flamengo
1995 – Semifinal – Jogo de Volta – Grêmio 1×0 Flamengo
1997 – Final – Jogo de Ida – Grêmio 0x0 Flamengo
1999 – Oitavas de final – Jogo de ida – Grêmio 1×2 Flamengo
2004 – Quartas de final – Jogo de ida – Grêmio 0x1 Flamengo

A média desses públicos nesses jogos é de 38.638 pagantes. Já a média do Grêmio em todos os jogos que fez como mandante na Copa do Brasil é de 23.165 pagantes. Somente na Arena, a média é de 30.472 (28.177 pagantes)

Copa do Brasil 1999 – Grêmio 1×2 Flamengo

August 1, 2018
1999 Gremio 1x2 Flamengo Valdir Friolin ZH

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Em 21 de abril de 1999, o Grêmio recebeu o Flamengo em casa, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil.

Como se pode ver abaixo, os relatos são unânimes ao dizer que o 2 a 1 para os visitantes saiu barato.

 

FLAMENGO, AO NATURAL
Foi fácil identificar as causas da derrota do Grêmio para o Flamengo por 2 a 1, ontem à tarde, no Olímpico. Há tem alguns nomes próprios bem conhecidos do torcedor. Dois deles: Palhinha e Arílson. A dupla de articuladores do Grêmio é mesmo descansada. Ontem, parecia que eles estavam disputando uma partidinha de futebol de praia com os amigos. Palhinha e Arílson jogam hoje como Rivelino jogava em 1974, esperando a bola chegar. A diferença e que, quando a bola chegas a Rivellino, ele dava um lançamento de 60 metros no pé de Jairzinho, ou aplicava o drible elástico no marcador, ou desferia a sua celebre patada atômica. Palhinha e Arilson não. Eles caem. Ou são desarmados. Ou bocejam. São mesmos descansados.
Mas a derrota tem outros nomes. Como Agnaldo, O centroavante presente de Natal dá uma certa impressão de que é bom jogador. Pena que ainda não deu para comprovar isso. É que, embora tenham se passado quatro meses desde que chegou ao clube, ele nau consegue jogar meia dúzia de partidas em sequência. Ontem, saiu lesionado aos 14 minutos. Do primeiro tempo
A derrota também atende por um último, mas não menos importante, nome: Flamengo. O Flamengo foi muito melhor do que o Grêmio. Tocou a bola, como o Flamengo sempre toca. Mas com velocidade, objetividade e verticalidade. O Flamengo é um time bem-disposto, que sabe o que quer. E na sua intermediária circula um jogador que é um Sandoval com mais técnica: Iranildo. Iranildo lança, arma os contra-ataques, abre o jogo, prende a bola quando preciso e até vai lá atrás, ajudar a defender.. Aos 43 minutos, por exemplo, levou um cartão amarelo por fazer uma falta que interrompeu um contragolpe do Grêmio. Com lranildo dizendo e mostrando o que fazer, o Flamengo envolveu o Grêmio principalmente no primeiro tempo. Aos 22 minutos, Scheidt tirou uma bola de dentro do gol, aos 23, Fábio Baiano chutou para fora com perigo, aos 25, foi a vez de lranildo perder o gol, aos 40, o mesmo Iranildo acertou um chute forte no travessão, aos 42, Athirson bateu cruzado e Danrlei defendeu com dificuldade. Conte: cinco chances. Se o Grêmio tivesse levado dois ou três gols, seria pouco.Ironicamente, o Flamengo foi marcar no segundo tempo, quando o Grêmio melhorou com as saídas de Palhinha, no intervalo, e Arílson, que levou uma vaia estrepitosa ao dar lugar a Zé Afonso. Walmir substituiu Palhinha, mas o meio-campo foi recomposto por Itaqui, que se movimentou, se esforçou, correu, marcou, fez tudo que os outros dois não fizeram. Se que aos seis minutos, num contra-ataque, lranildo deixou Romano livre na pequena área para fazer 1 a 0. E aos 9 Romário cruzou para Caio ampliar.
A partir de então, no empenho, na dedicação, sem muita qualidade ou organização, mas com galhardia, o Grêmio se impôs, construiu oportunidades e descontou, aos 14 minutos, numa jogada inspirada de Zé Alcino, que passou para Macedo marcar. Ainda havia tempo para tentar o empate. Mas onde encontrar o futebol? O futebol, afinal, estava do outro lado, trajando vermelho e preto, tocando a bola com inteligência, esperando o tempo passar” (David Coimbra – Zero Hora – 22 de abril de 1999)

CELSO ROTH:O resultado não diz o que foi a partida. O Flamengo foi muito melhor”

CELSO ROTH:Temos que conversar com os jogadores e a comissão técnica. Não é possível o Agnaldo e o Arílson saírem com lesão no início do jogo”

CELSO ROTH: “Está faltando força física, força de vontade. Estou irritado com a apatia Ao time”

CELSO ROTH: “Esse não é o Grêmio que eu quero. O Grêmio não foi vibrante’

ROTH CRITICA ARÍLSON E AGNALDO
Sobrou para todo mundo. O técnico Celso Roth não poupou o time pela segunda derrota acachapaste em três dias. Falou da equipe e, desta vez. deu nome e sobrenome. Foi direto. Criticou Arílson e Agnaldo por acusarem dores musculares com poucos minutos de jogo. Disse que precisa investigar o que está acontecendo. Reclamou da pouca participação de Palhinha na marcação e vinculou a derrota à falta de vibração do time. Enfim. segundo ele. a equipe deixou-o na mão justamente no momento decisivo da Copa Sul e da Copa do Brasil. – Está faltando força física e força de vontade ao time – desabafou. – Agora. a nossa mobilização e tomar vergonha na cara As declarações de Roth retumbaram no vestiário. O diretor médico Luiz Eurico Vallandro apareceu em seguida alegando que as lesões dos jogadores já foram investigadas. O problema, justifica Vallandrro, é o calendário. A lesão sentida ontem por Agnaldo não foi no mesmo local da que o afastou do time por 20 dias. Agnaldo se defendeu das insinuações. – Eu tenho lesões, quem pode explicar são os médicos – afirmou o atacante. A direção agiu rápido e marcou para hoje uma reunião com Vallandro para discutir o assunto. O vice de futebol André Krieger exige justificativa por parte dos médicos. – E problema médico ou pessoal – tentou entender André Krieger. Roth reconheceu que a saída de Agnaldo aos dez minutos desestabilizou o time. O esquema com dois meias ofensivos não funcionou. A defesa ficou vulnerável, exposta as investidas de Beto e Iranildo. – Esse é um risco que corremos quando adotamos essa postura explicou-se o técnico.” (Leonardo Oliveira – Zero Hora – 22 de abril de 1999)

ROMÁRIO: ´ERA PARA TER SIDO MAIS DOIS OU TRÊS´
Atacante festejou a vitória, mas lamentou o placar

Ele só foi tocar na bola aos 14 minutos de jogo. E, ainda assim, só fez a paredinha para Caio tentar uma infrutífera investida rumo ao gol de Danrlei. Depois, ficou mais um bom tempo tão distante da partida quanto Palhinha e Arílson da marcação no meio-campo. Esnobou, tentou fazer gol e lançamento de letra. De produtivo mesmo, nada no primeiro tempo. Mas bastaram dois momentos no segundo te-po para Romário estraçalhar o Grêmio. Um gol de cabeça, do alto de seu 1m68cm, outro passe milimétrico nos pés de Caio mais adiante. Pronto: o Flamengo estava com 2 a O no placar. No vestiário, exibiu um de seus traços mais característicos: o de dizer o que bem entende, sem preocupação com o politicamente correto. — Era para ter ido mais uns dois ou três, podia ser no mínimo quatro — resumiu Romário. — A gente respeita o Grêmio, mas tornamos as coisas fáceis e perdemos um monte de gols. — Eu sou assim mesmo: digo o que penso e não me preocupo se vão gostar. Acho que as pessoas já se acostumaram com este meu jeito — disse o atacante na véspera da partida, sentado no Hotel Embaixador, onde se hospedou a delegação rubro-negra. Ali, estava de ótimo humor. Até pediu uma camiseta para o comentarista Paulo Roberto Falcão de presente, para es-tampar na parede do seu bar, o Café Gol. Ontem, no entanto, estava especialmente irritado, por algum motivo misterioso. Xingou quase todos os companheiros. Aos 5 minutos vociferou contra Beto, depois de um erro de passe no ataque. Aos 19 minutos, foi até a beira do campo pedir para o técnico Carlinhos tomar alguma providência com a saída de bola, errada ao seu juízo. Antes, protestara com Caio e Mau-rinho, especialmente Maurinho. Luiz Alberto chegou a pedir-lhe desculpas. Ninguém contestou as reclamações, piscou, disse um ai. Nada No final da partida, trocou de camiseta com Fabinho e saiu correndo para o vestiário — que, aliás, se resume a ele. Um segurança fica ao seu lado esperando-o se vestir. Sim, porque todos só querem falar com Romário. Ontem, além dele, só deram entrevistas o técnico Carlinhos e os meias Beto e Iranildo. E ainda assim muito rapidamente, enquanto o baixinho não se aprontava. Quando ele terminou de se vestir, bem, aí ninguém mais parecia existir por ali. Romário é mesmo o dono do Flamengo — que lhe deve R$ 2,5 milhões, inclusive. Para falar com ele ainda no campo é preciso correr. Ribeiro Neto, repórter da TV Bandeirantes, mostrando invejável preparo físico, tentou arrancar uma frase, da forma mais educada possível. — Tira a mão de mim! — grunhiu o atacante, reclamando, com exagero, porque o microfone tocou-lhe levemente o peito durante a corrida de repórter e entrevistado. Depois, impaciência no vestiário. O repórter de uma emissora carioca tentou iniciar uma conversa dizendo que o seu gol fora de oportunismo puro, aproveitando-se do vacilo da zaga. Romário detestou. — Faz quinze anos que eu faço gols e sempre é a zaga que vacila. Mas tudo bem. Mas e o que se diz no Flamengo sobre os humores de Romário? Serão irritantes? Com a palavra, Caio, um dos que aceitou os xingões do capitão do time sorrindo. — É o jeito dele, mas é incrível. Ele sempre resolve. Hoje, a gente sabe que o negócio é botar a bola nele: o Romário pode errar uma, duas, até três vezes. Mas uma ele vai acertar, isso é certo. E, na maioria das vezes, é o suficiente — resumiu Caio.” (Diogo Olivier – Zero Hora – 22 de abril de 1999)

1999 Gremio 1x2 Flamengo Mauro Vieira ZH

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

GRÊMIO APÁTICO LEVA SÓ 2 A 1 DO FLA
Este resultado deixa o time gaúcho em situação complicadíssima na Copa do Brasil. Cariocas poderiam ter feito mais gols

Ao perder de 2 a 1 para o Flamengo, ontem à tarde, no estádio Olímpico, o Grêmio tornou distante o sonho de buscar o título da Copa do Brasil, seu principal objetivo no semestre. Assim, em apenas quatro dias, o Grêmio colheu resultados que o colocam na iminência de perder duas competições. Domingo, terá de vencer o Paraná, em Curitiba, para conquistar a Copa Sul e, dia 29, precisará bater o Flamengo em pleno Maracanã.

São dois obstáculos que em outros tempos poderiam ser transpostos até com naturalidade, mas que hoje, com o futebol apático e ruim que o time vem apresentando, se tornam quase impossíveis. No primeiro tempo de ontem, o Flamengo ignorou o fator local e só não marcou por detalhe. Aos 22, Scheidt salvou de cima da risca uma conclusão de Iranildo. Aos 40, o mesmo Iranildo, que sozinho correu e armou mais que Palhinha e Arílson juntos, acertou a trave.

No segundo tempo, quando o Grêmio, ironicamente, equilibrava o jogo e ia ao ataque com força, o Flamengo, em duas jogadas rápidas, fez os seus gols. Aos 6 minutos, Iranildo venceu Roger pela direita e cruzou na medida para Romário completar de cabeça e fazer 1 a 0. Três minutos depois, outro golpe na torcida: Romário escapou pela direita e cruzou rasteiro para Caio, que desviou de Danrlei.

O Grêmio, que já contava com Walmir na lateral e Itaqui no meio, na vaga de Palhinha, ficou atordoado, assim como a torcida que quase lotava a arquibancada. Foi aí que o time começou a depender da raça e da velocidade de Zé Alcino, já que Arílson só queria bola no pé e Macedo não resistia ao choque com a zaga. Aos 14, o criticado Zé Alcino passou por três jogadores e tocou para Macedo, que livrou-se da marcação e chutou forte para a rede: 2 a 1.

O gol deu novo ânimo ao time, mas o Flamengo continuou administrando a vantagem. Celso Roth apelou para Zé Afonso, que participou de boas jogadas ofensivas, mas continuou faltando qualidade ao time.” (Correio do Povo, 22 de abril de 1999)

ROTH PEDE ´VERGONHA NA CARA´
A relação entre o técnico Celso Roth e os jogadores do Grêmio começa a dar sinais claros de estremecimento. Ontem, após a partida contra o Flamengo, Roth reclamou da desmobilização do grupo, já demonstrada na derrota para o Paraná, domingo. ‘O time tem que ter vergonha na cara para sair dessa situação. Não estou entendendo tanta apatia, já que sempre peço mobilização nas palestras’, desabafou.

A ausência de Zé Carlos e Capitão, não inscritos na Copa do Brasil, de Cleison, lesionado, e de Ronaldinho e Rodrigo Gral, servindo à seleção de juniores, também é lamentada pelo técnico. ‘Às vezes, quem critica não observa esses detalhes.’ Ele estranha o atual comportamento do Grêmio, ‘que sempre deu exemplo aos outros clubes brasileiros e que hoje não tem mais a mesma capacidade de reação’. Fabinho não concorda que o time tenha perdido a identidade. ‘Isso aconteceu somente nos dois últimos jogos’, afirma.

O vice de futebol, André Krieger, prefere ressaltar as virtudes do Flamengo. ‘O Grêmio pegou, foi combativo, só não criou como esperávamos. Não perdemos para um adversário qualquer, o Flamengo já está invicto há 12 partidas.’” (Correio do Povo, 22 de abril de 1999)

Médico fala das lesões musculares
Agnaldo e Arílson, que já desfalcaram o Grêmio este ano em razão de lesão muscular, voltaram a apresentar o mesmo tipo de problema na partida contra o Flamengo. Agnaldo esteve em campo apenas por 14 minutos. Arílson saiu aos 10 minutos do segundo tempo.
‘A situação seria melhor se o Grêmio não tivesse que disputar tantas partidas’, garante o médico Luiz Eurico Valandro. O presidente José Alberto Guerreiro não vê razões para tantas críticas ao departamento médico. ‘Além de Agnaldo e Arílson, só Itaqui se lesionou’.” (Correio do Povo, 22 de abril de 1999)

FLA VENCE O GRÊMIO E QUEBRA UM TABU NO OLÍMPICO
Romário e Iranildo comandam a vitória por 2 a 1. No Rio, o time poderá até perder por 1 a 0.
• PORTO ALEGRE. Com a confiança adquirida a partir da conquista da Taça Guanabara, o Flamengo jogou com autoridade ontem, chegou perto de uma goleada e venceu o Grêmio por 2 a 1, em pleno Estádio Olímpico. Mais do que quebrar o tabu de jamais ter vencido o tricolor gaúcho no Olímpico pela Copa do Brasil, o flamengo ficou em ótima situa-, ção na competição. Na próxima quinta-feira, no Maracanã, o time poderá até perder por 1 a O que estará classificado à próxima fase porque, para efeito de desempate no saldo de gols, o gol na casa do adversário vale por dois. — Foi um ótimo resultado em termos de classificação. Vamos ver se mantemos essa regularidade — disse o técnico Carlinhos. Apesar de o Grêmio ter chega-do com perigo por duas vezes ‘ nos primeiros minutos — aos quatro com Goiano em cobrança de falta e, aos seis, com Scheidt • foi o Flamengo quem teve sempre as melhores oportunidades. Romário reclama das chances perdidas pela equipe Não é difícil entender por quê. O Grêmio tem tradição, mas hoje é formado por jogadores refuga-dos por outros clubes, como Palhinha, Arílson e Macedo, que não demonstraram qualquer entusiasmo durante o jogo. Quando percebeu que o adversário estava longe do nível esperado, o Flamengo se soltou e, sempre com Iranildo, conseguiu ótimas jogadas. Aos 21, Iranildo teve a melhor oportunidade. Ele recebeu de Beto, tocou na saída de Danrlei e Scheidt salvou em cima da linha. Aos 24, novamente Iranildo apareceu. Ele foi à linha de fundo e cruzou rasteiro. Jorginho, na pequena área, não alcançou. Aos 39, mais lranildo, que tabelou com Fábio Baiano e chutou com violência, no travessão. Curiosamente, apesar de seu ti-me ser superior, Romário pratica-mente estava sumido. Tocou na bola pela primeira vez aos 15 minutos. Depois, foi visto errando uma conclusão de letra. O craque foi para o intervalo irritado: — Não estou com espaço; outros jogadores estão. O Flamengo está perdendo gols demais. Romário sabia o que dizia. Aos seis minutos do segundo tempo, Iranildo levantou na pequena área, Danrlei não saiu e o artilheiro, em sua primeira oportunidade, deu uma lição de como se conclui. Cabeceou colocado, fora do alcance do goleiro. O Grêmio sentiu e, aos nove, Beto lançou Romário na direita, o atacante cruzou e Caio fez 2 a 0. A partida parecia decidida, mas o Grêmio teve um lampejo de reação. Aos 14 minutos, Macedo driblou Fabão e chutou forte, sem chances para Clemer: 2 a 1. Giovanni e Leonardo, reforços que estão nos planos do Fia Uma equipe determinada parti-ria decidida em busca do empate. Mas o Grêmio, mesmo em casa, não tinha a força necessária. O jogo caiu muito e, apenas no final, o Grêmio ameaçou. Aos 37, quase Fabão fez contra. Aos 41, Macedo errou o passe que deixaria Zé Afonso diante do gol. Mas, apesar de deixar cair o ritmo no segundo tempo; o Flamengo não merecia ser castigado com o empate. O time jogou bem, acreditou em si e poderia ter saído daqui com mais gols — disse Romário. Apesar da vitória, uma baixa. Fábio Baiano, com estiramento na virilha, não enfrentará o Ola-ria, sábado, no Maracanã, pelo Campeonato Estadual. Vágner e Leandro voltarão ao time. O presidente Edmundo Santos Silva confirmou que, em 40 dias, terá a resposta definitiva da pro-posta feita à ISL, empresa alemã de marketing esportivo que deve-rá explorar a imagem do clube por 25 anos. O flamengo sugeriu um adiantamento de US$ 80 milhões, que pagaria as suas dívidas. As cifras não estão definidas e, a partir da criação de Fla-Licenciamentos S/A, o Flamengo pode-rá receber dois reforços para o time. Giovanni, do Barcelona, e Leonardo, do Milan, interessam. Apesar de as negociações estarem adiantadas, falta a aprovação do Conselho Deliberativo” (André Jockyman – O Globo – 22 de abril de 1999)

 

Grêmio 1×2 Flamengo

GRÊMIO: Danrlei; Itaqui, Ronaldo Alves, Scheidt e Roger; Fabinho, Goiano, Palhinha (Walmir) e Arílson (Zé Afonso); Macedo e Agnaldo (Zé Alcino).
Técnico: Celso Roth
FLAMENGO: Clemer; Fábio Baiano (Pimentel), Fabão, Luís Alberto e Athirson; Jorginho, Maurinho, Beto e Iranildo; Caio (Rodrigo Mendes) e Romário.

Técnico: Carlinhos

Copa do Brasil 1999 – Oitavas de final – Jogo de ida
Data: 21 de abril de 1999, quarta-feira, 16h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 35.556 (30.408 pagantes)
Renda: R$ 334.554,00
Árbitro: Luciano A. Almeida (DF)
Auxiliares: Jorge Paulo Gomes e Nilson Carrijo
Cartões Amarelos: Jorginho, Iranildo e Zé Afonso
Gols: Romário, aos 6/2ºT, Caio aos 9/2ºT e Macedo aos 14/2ºT

Copa do Brasil 1995 – Grêmio 1×0 Flamengo

July 31, 2018
1995 Gremio 1x0 Flamengo Mazinho Gelson Valdir Friolin ZH

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

O confronto entre Grêmio e Flamengo pela semifinal da Copa do Brasil de 1995 registra o quinto maior público pagante do tricolor como mandante na história da competição (só fica atrás das finais de 1989, 1994, 2016 e do Gre-Nal de 1992).

O grande interesse da torcida por esse jogo pode ser atribuído a vários fatores. Vale lembrar que esse foi o primeiro ano que o SBT exibiu a Copa do Brasil. A transmissão dos jogos em horário nobre por Sílvio Luiz & Cia certamente ajudou a alavancar o prestígio do torneio.

Também é importante lembrar que o Flamengo havia contratado Romário no início de 1995 e na semana anterior havia anunciado Edmundo. Os auto-intitulados “Bad Boys” formariam, juntamente com Sávio, o famigerado “Melhor ataque do mundo”. Contudo, só Sávio atuou em Porto Alegre. O “Baixinho’ estava lesionado e o “Animal” já havia jogado na Copa do Brasil pelo Palmeiras.

Mas creio que o principal fator de entusiasmo dos gremistas era a a própria campanha do tricolor na competição, tendo superado Palmeiras e São Paulo para chegar na semifinal (enquanto o Flamengo, de maneira bastante suspeita, havia tido um caminho bem mais fácil)

O Grêmio precisava de um 1×0. E conseguiu o 1×0. Num cruzamento que terminou com uma tabela entre Paulo Nunes e Jardel (foto abaixo).

O detalhe lendário/folclórico desse jogo é a briga entre os técnicos Luis Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo aos 32 minutos do segundo tempo, após as expulsões de Roger e Mauricinho. Luxa afirmou ter recebido um soco do treinador gremistas, enquanto Felipão alega ter somente empurrado o seu oponente.

1995 Gremio 1x0 Flamengo Julio Cordeiro Zh

Foto: Julio Cordeiro (Zero Hora)

O herói Jardel dedica o gol ao amigo Magno

Herói do Grêmio nos jogos da semifinal da Copa do Brasil, o centroavante Jardel foi um dos jogadores mais festejados pelos torcedores ao final da partida no Olímpico. Emocionado, o artilheiro vibrou muito junto á torcida e fez questão de dedicar o gol decisivo para o ata-cante Magno, que se lesionou no jogo do Rio de Janeiro. “Eu tinha prometido ao Magno e, felizmente, pude cumprir a minha palavra”, disse o goleador.

Mas a festa não foi somente de Jardel. A vitória sobre o Flamengo foi muito comemorada no vestiário gremista. Jogadores e dirigentes eram uma só alegria. O presidente Fábio Koff destacou a união de todo o grupo que soube novamente superar os problemas e também agradeceu o apoio do público. “Com a força desta torcida, seremos novamente campeões”, afirmou o presidente.

O zagueiro Adilson, um dos jogadores mais sérios e ponderados do grupo, desta vez não escondia e emoção pela vitória. Improvisado como volante, Adilson comentou que a equipe não fez uma partida excepcional, mas alcançou o resultado desejado. “Todos estão de parabéns”, resumiu o zagueiro. O volante Goiano enfatizou a garra como fator fundamental.

Passada a euforia inicial, a comissão técnica do Grêmio começa a partir de hoje a projetar primeiro jogo contra o Corinthians, no dia 14. Sem Dinho e Arílson, o técnico Luiz Felipe não terá também o lateral Roger, que foi expulso e cumprirá suspensão. “Teremos que adaptar o Scheidt ou Carlos Miguel na posição, mas ainda é muito cedo para definir isto” analisou o treinador. No sábado, o time reserva joga em Pelotas.” (Zero Hora – 1º de junho de 1995)

TÉCNICOS TROCAM OFENSAS
Longe das câmeras da televisão, aos 33 minutos do segundo tempo, houve incidente entre os técnicos Luiz Felipe (Grêmio) e Wanderley Luxemburgo (Flamengo). Luxemburgo disse que foi agredido pelo treinador gremista. “Fui dizer a ele que um jogo não é uma guerra, mas o Luiz Felipe comprovou que é um mau caráter e me agrediu no queixo e no peito, reclamou. “Hoje acredito quando dizem que ele manda bater”, disse Luxemburgo. Luiz Felipe rebateu: “Naquela agressão do Mauricinho contra o Goiano, Luxemburgo me chamou de marginal, palhaço, que o meu time era um bando de louco”, disse. “Bando de louco são eles, e o Luxemburgo passa por bonzinho”. “Eu não aguentei as ofensas e só dei um empurrão, mas se já estou sendo rotulado de marginal, deveria ter dado um soco”, ressaltou.
Luxemburgo elogiou o estilo do Grêmio e acha que o time gaúcho será campeão, mas deixou claro que não é mais amigo de Luiz Felipe. “Não estou preocupado com isso”, completou o técnico gremista, agora preocupado com a raça do Corinthians” (Zero Hora – 1º de junho de 1995)

” Coluna do Falcão*
MÉRITOS PARA JARDEL

[…]

No ataque, o Grêmio só tinha uma jogada: o centro alto para Jardel. E exagerou nela. Muitas vezes, levantava do meio do campo, em vez de procurar urna zona mais adequada, entre a lateral e a área. O principal marcador de Jardel acabou sendo o goleiro Roger, que com as mãos só podia mesmo levar a melhor. No segundo tempo, porém, o Flamengo resolveu ficar atrás e facilitou a execução da jogada preferencial do Grêmio, em cima de fardel. Recuando, permitiu a bola alçada de perto da área, com mais direção e mais preparada para a conclusão do centroavante, Jardel, aliás, voltou a ser o jogador mais importante do Grêmio, porque é nele que se concentra sempre a esperança de gol. E isso é o que ele melhor sabe fazer, pois é objetivo, tem boa colocação na área e sabe aproveitar o mínimo vacilo dos zagueiros. Foi assim que garantiu ontem a vitória que deixa o Grêmio a um Corinthians do seu terceiro título na Copa do Brasil.” (*Depoimento a Nilson Souza, Zero Hora, 1º de junho de 1995)

Alexandre mudou a história do jogo no segundo tempo
O reserva Alexandre, número 16, mudou a cara do jogo. Depois de um primeiro tempo confuso, com poucas jogadas de ataque, o Grêmio voltou modificado para os 45 minutos decisivos. Cansado e sem ritmo, o titular Carlos Miguel foi substituído e o time cresceu de produção. As facilidades dos cariocas começaram a desaparecer e, aos poucos, o Grêmio foi ganhando confiança. Aberto pelo lado esquerdo, Alexandre passou a preocupar o lateral Marcos Adriano e, principalmente, o treinador Wanderley Luxemburgo. Logo nos primeiros minutos da etapa final, a mudança já mostrava a diferença. Alexandre pegou a bola, partiu para o ataque e foi derrubado, por trás, pelo talentoso Marquinhos, que merecidamente ganhou o cartão amarelo. O Grêmio, a partir deste momento, entrou no jogo. Alexandre passou a ganhar as jogadas, a ir ao fundo do campo e a acertar os cruzamentos. Alexandre mostrava confiança e infernizava o sistema defensivo dos cariocas. A torcida sentiu que o time estava bem melhor e fez o seu papel, apoiando até mesmo nos raros lances errados, O Flamengo sentiu a pressão, cedeu campo e o Grêmio soube explorar este detalhe. Passou a pressionar insistentemente, sempre sob o coman-do de Alexandre, que chamava as jogadas e levava vantagem sobre os adversários, Na metade do segundo tempo, ia com o domínio técnico, o Grêmio fez o que mais necessitava. Marcou o gol, através de Jardel, aproveitando um descuido dos zagueiros. Como já era esperado, o Flamengo partiu desesperadamente em busca do empate. E, a partir deste momento, Alexandre foi mais importante. Prendeu a bola. cavou faltas e continuou jogando em busca do ataque. Seu comportamento tático somente se. alterou aos 33 minutos. com a expulsão do lateral Roger. Sem possibilidades de realizar substituições. Luiz Felipe pediu para Alexandre cuidar do setor e ele não decepcionou, Brigou pela bola, deu chutões e ajudou o Grêmio a chegar mais uma vez à decisão da Copa do Brasil.” (Zero Hora – 1º de junho de 1995)

1995 Gremio 1x0 Flamengo Savio Fernando Gomes ZH

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

Felipão em entrevista à Revista Placar:

“WANDERLEY LUXEMBURGO: “Ele me deu um murro no jogo Grêmio x Flamengo pela Copa do Brasil lá em Porto Alegre. Estava louco”
A RESPOSTA: “Não dei um soco. Eu o empurrei com as duas mãos, porque ele disse que eu era maluco por mandar bater nos adversários” (Placar, Edição n.º 1.107 – Setembro de 1995)

1995 Gremio 1x0 Flamengo Paulo Nunes Valdir Friolin ZH

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

FUTEBOL DO RIO ELIMINADO DA COPA DO BRASIL

Flamengo perde de 1 a 0 do Grêmio e Vasco retorna cabisbaixo de São Paulo

[…]

A lamentação do técnico Vanderlei Luxemburgo deu a tônica no vestiário do Flamengo. “Com chutões para frente ninguém chega a lugar nenhum. Deveríamos ter mantido a tranquilidade do primeiro tempo”, reclamou Vanderlei, que disse ter sido agredido pelo técnico gremista, Luis Felipe, durante a confusão no segundo tempo que resultou nas expulsões da Roger e Mauricinho.

Sávio era o mais revoltado e não poupou críticas ao árbitro Márcio Rezende de Freitas. “Nem conseguia pegar na bola. Sempre que ela chegava, levava uma pancada” lamentou.

Como era de se esperar, o jogo começou com o time gaúcho tentando sufocar o Flamengo em seu próprio campo, perdendo uma boa chance logo aos 5 minutos, com Jardel e Paulo Nunes. Passada a pressão inicial, o Flamengo equilibrou e passou a tocar a bola inteligentemente. Willian aos 14, e Marquinhos aos 22, assustaram o goleiro Danrlei, mas a melhor chance apareceu aos 35, quando Branco deixou Willian na cara do gol. O meia chutou forte, mas por cima.

No segundo tempo, o Grêmio veio pra cima e o Flamengo, inexplicavelmente recuou dando campo ao adversário. O goleiro Roger ainda fez duas excelentes defesas, mas o gol não demorou: aos 23 minutos, Rivarola cobrou falta, Jardel cabeceou para Paulo Nunes, que dentro da área, devolveu a bola. O atacante do Grêmio chutou quase da pequena área e fez 1 a 0. A partir daí o Flamengo acordou e ainda tentou uma reação. Aos 47, Sávio recebeu livre da direita, trocou de perna e chutou em cima de Danrlei, que fez ótima defesa.” (Jornal do Brasil – 1º de junho de 1995)

flamengo_casa jb 95a

Foto: Roberto Santos (Correio do Povo)

Torcida empurra o time para a suada vitória

[…]

Os gremistas lotaram, literalmente, o estádio, com capacidade para 51 mil torcedores. Animados, entoavam gritos de guerra e fazia ola, dando mostrar da força do 12º jogador. Do lado de fora, já com a bola rolando, uma multidão se aglomerava nos portões, ainda na esperança de assistir ao espetáculo.

[…]
O time suportou o primeiro tempo, mas muito recuado, acabou sofrendo o gol no segundo, quando a torcida esteve ainda mais inflamada. Difícil saber se a disposição do time em campo incendiou as arquibancadas ou vice-versa.” (Jornal dos Sports – 1º de junho de 1995)

1995 fla volta 11995 fla volta 2

Foto: Zero Hora

Grêmio 1×0 Flamengo

GRÊMIO: Danrlei; Arce, Rivarola, Luciano e Roger; Adílson, Gélson, Luis Carlos Goiano e Carlos Miguel (Alexandre Xoxó); Paulo Nunes e Jardel (Nildo).
Técnico: Luis Felipe Scolari

FLAMENGO: Roger; Marcos Adriano, Jorge Luis, Gelson Baresi e Branco (Henrique); Charles, Fabinho (Mauricinho), Marquinhos e William; Mazinho e Sávio.
Técnico: Wanderley Luxemburgo

 

Copa do Brasil 1995 – Semifinal -Jogo de volta
Data: 31/05/1995, Quarta-feira, 20h45min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS.
Público: 58.205 (48.905 pagantes)
Renda: R$ 477.997,00
Juiz: Márcio Rezende de Freitas-MG
Auxiliares: Marco Antonio Martins e Marco Antonio Gomes
Cartões Amarelos: Arce, Luciano, Gelson, Branco e Marquinhos
Cartões Vermelhos: Roger (Grêmio) e Mauricinho, aos 32 do 2ºT
Gol: Jardel, aos 23 minutos do segundo tempo

Copa do Brasil 1993 – Grêmio 1×0 Flamengo

July 30, 2018
1993 zh dener flamengo 2

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Em 27 de maio de 1993 o Grêmio recebeu o Flamengo no Olímpico pela jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil de 1993. Com o 4×3 para o Rubro-Negro no Maracanã no confronto de ida, o tricolor precisava de um simples 1×0 para classificar em Porto Alegre.  E foi exatamente esse o placar da partida, construído com um gol de Gílson Cabeção no início do segundo tempo.

O Grêmio, que contava com Dener, Carlos Miguel, Dorival Junior, Eduardo Heuser , Luís Carlos Winck (entre outros) era treinado por Sérgio Cosme, que chegava a sua segunda final seguida da Copa do Brasil em um intervalo de seis meses (ele havia disputado a final de 1992, em dezembro, pelo Fluminense)

flamengo dener andrei - Cópia - Cópia

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

O GRÊMIO SOFRE, VENCE, E VAI À FINAL
O time gaúcho mostrou dificuldades mas o gol de Gilson garantiu vaga nas finais que começam domingo, no Olímpico
O Grêmio é, pela terceira vez, finalista da Copa do Brasil, competição que chega a sua 5ª edição. A vaga foi garantida na noite de ontem, no Estádio Olímpico, com a vitória sobre o Flamengo por 1 a O. No primeiro jogo, no Rio, os cariocas ganharam por 4 a 3 e precisavam do empate. O Grêmio começa a decisão do título e uma vaga para a Libertadores em dois jogos contra o Cruzeiro, o primeiro no domingo, no Olímpico e o segundo no dia 3 de junho em Minas. A torcida gremista fez e muito bem a sua parte. Encarou as gangues que atacavam perto do estádio, conseguiu enganar a segurança e estourar seus foguetes, e incentivou o time com gana incomum. Bom seria que os jogadores tivessem começado o jogo com o mesmo entusiasmo. Mas estiveram longe disso. A zaga saía errado, Pingo e Júnior se mandavam desprotegendo o meio de forma irresponsável, e lá na frente o time só aparecia em escassas investidas do habilidoso Dener. Sem ser brilhante, o Flamengo era um time melhor, chegando a assustar os gremistas com um escanteio cobrado no travessão por Djalminha. A conversa no vestiário, feito mágica, mudou tudo. A insegurança do primeiro tempo deu lugar a objetividade e velocidade, com resultados imediatos: aos 5 minutos Eduardo Souza fez bom cruzamento e Gilson, sempre ele, cabeceou para marcar 1 a O. O Flamengo já não tinha o zagueiro Rogério, machucado e substituído por Andrei, e isso trazia prejuízos. Dener, dois minutos depois da abertura do placar, esteve próximo de ampliar, pois entrou área a dentro driblando todos que via pela frente, mas Gottardo salvou sobre a risca.
PRESSÃO – A conhecida irregularidade gremista ainda resultaria em sustos para os 50 mil fiéis que passaram por cima do frio e foram apoiar o time. Por momentos o controle do jogo escapava e o Flamengo tirava proveito para tentar o empate. Djalminha teve a melhor chance mas, assim como no primeiro tempo, acertou o poste. Gílson fez o mesmo na goleira de Gilmar, a três minutos do final, numa seqüência de oportunidades que, aproveitadas, teriam resultado em vantagem maior. “( Zero Hora – 28 de maio de 1993)

Gilson e Dener fizeram a diferença no Olímpico
Somente um craque como Dener e um goleador como Gílson para desequilibrarem na noite da classificação para a final da Copa do Brasil. O meia criou boas situações, com dribles e lançamentos precisos. O centroavante ameaçou o goleiro Gilmar durante os 90 minutos. O artilheiro da Copa do Brasil só acertou uma vez, mas foi o gol da vitória, seu 22° na temporada e o sétimo na competição. “Eu faço mesmo”, gritou Gilson aos 5 minutos do segundo tempo. Gílson espera manter a boa média de gols e prometeu fazer 50 até o final do ano. “Estou marcando mais de urna vez por partida e, às vezes, até mais”, avaliou o centroavante. Mas não escondeu a satisfação de decidir a partida na noite de ontem. “É sempre bom fazer um gol num jogo importante como este”, reconheceu. “Foi uma jogada belíssima do Eduardo e o matador estava lá para fazer”, elogiou o técnico Sérgio Cosme. Dener foi o outro destaque do time, pois sempre que pegava a bola, ameaçava a zaga do Flamengo com grandes jogadas individuais, e mostrou que sabe deixar seus companheiros livres em ótimas condições para marcar. “O ti-me foi bem, todo mundo lutou e mostramos que somos capazes de chegar à final”, destacou o jogador que no segundo tempo enganou duas vezes a zaga do Flamengo.” (Zero Hora – 28 de maio de 1993)

flamengo juninho uidemar junior volta1 - Cópia - Cópia

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

GRÊMIO É NOVAMENTE FINALISTA
Despachou (1 a 0) o Flamengo e decide o título da Copa do Brasil com o Cruzeiro

O Grêmio ainda não é o time dos sonhos dos gremistas, mas ao menos está vencendo quando precisa vencer. Ontem à noite, no Olímpico, depois de momentos difíceis diante do Flamengo, se recuperou e fez o gol que o leva à final da Copa do Brasil. Domingo, às 18h, no Olímpico, Grêmio decide com o Cruzeiro.
Muito da vitória se deve ao treinador Sérgio Cosme. Ele colocou em campo Marco Aurélio para melhorar a marcação e Mabília para qualificar o toque de bola. O que se viu, a partir daí, foi um Grêmio que massacrou o Flamengo no segundo tempo. Logo aos 5 minutos, Eduardo foi ao fundo e Gilson cabeceou para fazer 1 a O. Nos últimos minutos, o Grêmio teve pelo menos quatro grandes oportunidades para dar uma goleada no time carioca.” (Correio do Povo – 28 de maio de 1993)

Gilson: ‘Eu estou aqui para fazer gol’
Cercado pelos companheiros, que o abraçavam após a marcação do gol, aos cinco minutos do segundo tempo, o centroavante Gilson foi sincero no desabafo ao repórter Luiz Henrique Benfica, da Rádio Guaíba: “Eu faço mesmo”, disse. Este gol, o seu oitavo na Copa do Brasil. mostra que o jogador está em excelente fase. sendo o artilheiro da competição: “Estou aí para isto mesmo”, afirmou enquanto escutava pela Rádio Guaíba, emocionado, a repetição do gol que levou o time à final contra o Cruzeiro em dois jogos.
O vice-presidente de futebol, Luiz Carlos Silveira Martins, emocionado, quase não conseguia falar. Antes de entrar no vestiário, para comemorar a vitória com os jogadores, ele fez unia convocação para o jogo de domingo: “Todos têm que estar aqui no Olímpico novamente para lotar o estádio, como aconteceu hoje (ontem)”, salientou. Já o zagueiro Paulão, que jogou no Cruzeiro, advertiu que o seu ex-time é experiente em decisões: ´Eles sabem como jogar nesta hora. Mas sou mais Grêmio´.” (Correio do Povo – 28 de maio de 1993)

flamengo volta cp1

FLAMENGO VOLTA A DOMINAR E PERDER
Porto Alegre – Foi a reprise de um filme quatro dias depois. Como no domingo,quando sofreu o gol aos três minutos do segundo tempo, pressionou e não soube empatar com o Vasco, o Flamengo foi novamente derrotado ontem à noite. Precisando pelo menos do empate com o Grêmio, o time dominou no primeiro tempo, sofreu o gol de Gilson aos cinco do segundo, atacou muito, mas não teve competência para empatar. Nos minutos final Gilmar ainda salvou o Flamengo com três grandes defesas.

O Grêmio aproveitou uma falha da zaga rubro-negra — Rogério, contundido, foi substituído por Andrei no intervalo — para decidir. Depois de perder a Libertadores e ser eliminado da Copa do Brasil, o Flamengo. que sonhava ganhar três títulos no primeiro semestre de 93, limita suas chances ao Campeonato Carioca, competição em que só terá chances se o Vasco Tropeçar. Domingo, o time rubro-negro enfrenta o motivado Botafogo no Maracanã.” (Jornal do Brasil – 28 de maio de 1993)

Jornal do Brasil 28 05 1993 Gremio 1x0 Flamengo

GOL DE GÍLSON LIQUIDA O MENGO
Porto Alegre — O Flamengo merecia coisa melhor. A derrota de 1 a 0 para o Grêmio (Gilson) só não foi injusta porque o time gaúcho soube administrar a vantagem, principalmente nos últimos 15 minutos, quando infernizou a defesa rubro-negra. Se não fosse Gilmar, o placar seria maior. Desclassificado da Copa do Brasil, sua única esperança, mesmo que remota, é se classificar para as finais do Estadual para sair da crise financeira. Marcando a saída de bola do Grêmio, o Flamengo começou surpreendendo o adversário com rápido toque de bola e jogadas de alto nível técnico no meio campo, com Djalminha e Marquinhos. Apesar da superioridade, o time rubro-negro vacilava pelo lado direito, onde Fabinho era envolvido com as investidas do arisco Dener e do apoiador Carlos Miguel. O frio de 9 graus e o mau estado do gramado não impediam Flamengo pressionar a equipe gaúcha em sua intermediária. Depois de alguns sus-tos, quando Gilmar fez pelo menos três defesas importantes, o time rubro-negro melhorou ainda mais seu toque de bola. Aos 28 minutos, a melhor oportunidade: Piá cruzou para a área, Nélio tocou de cabeça para Marquinhos chutar rente a trave. Pressionado pelos torcedores, o Grêmio voltou mais ousado no segundo tempo. Logo aos 5 minutos, o lateral Eduardo cruzou na área e o atacante Gilson cabeceou sozinho para dentro do gol. Desesperado, o Flamengo foi todo ao ataque, mas não deu sorte nas finalizações. Aproveitando os contra ataques, o time gaúcho bombardeou o gol de Gilmar nos últimos 15 minutos.” (Jornal dos Sports – 28 de maio de 1993)

ATUAÇÕES
Flamengo
Gilmar — Seguro, não teve culpa no gol. Fez pelo menos cinco defesas importantes. Nota 7
Fabinho — Foi envolvido no primeiro tempo, mas melhorou um pouco na etapa final. Nota 5
Gotardo— Teve trabalho na cobertura do lado direito. Tranqüilo, comandou a defesa do Flamengo e ainda tentou algumas jogadas de ataque. Nota 6
Rogério — Mostrou categoria nas antecipações. Mesmo fora de ritmo, jogou com raça. Nota 6. Foi substituído por Andrei, que fez muitas faltas. Nota 4
Piá — Começou errando passes e parecia nervoso. Melhorou no segundo tempo. Nota 5
Uidemar — Não esteve bem. Enfeitou demais as jogadas. Nota 3. Luís Antônio entrou em seu lugar e deu mais mobilidade ao time. Nota 6
Marquinhos — Um dos melhores do jogo. Muita disposição no combate e um toque de classe na armação das jogadas. Nota 7 Júnior — O maestro esteve num dos seus melhores dias. Mostrou habilidade na organização do meio campo. Nota 7
Djalminha — O melhor da partida. Habilidoso, empurrou o time rubro-negro para o ataque com belas jogadas que contagiavam a equipe. Nota 8
Nilson — Lento e sem inspiração. Não foi bem nem nos cabeceios, sua principal característica. Nota 3
Nélio — A mesma eficiência de sempre. Muita raça nas investidas ao ataque. Nota 7

Grêmio
O Grêmio tem uma equipe experiente e provou isso ontem. Mesmo com a desvantagem do empate entrou em campo tranqüilo e soube segurar o placar quando estava na frente. O goleiro Eduardo mostrou segurança. A zaga esteve toda no mesmo nível. Tanto Winck, como Paulão, Luciano e Eduardo aguentaram com categoria a pressão do Flamengo no final. O meio campo com Pingo. Júnior, depois Marco Aurélio, Juninho e, principalmente Dener fizeram a bola correr dentro dos interesses do Grêmio. Na frente, Gilson, o autor do gol, e Carlos Miguel foram outros destaques.” (Jornal dos Sports – 28 de maio de 1993)

1993 fla volta

IMG_2596 - Cópia

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Grêmio 1×0 Flamengo

GRÊMIO: Eduardo Heuser; Luiz Carlos Winck (Mabília 33), Paulão, Luciano e Eduardo Souza; Pingo, Dorival Júnior (Marco Aurélio) e Juninho; Dener, Gilson e Carlos Miguel.
Técnico: Sérgio Cosme

FLAMENGO: Gilmar Rinaldi; Fabinho, Wilson Gottardo, Rogério (Andrey) e Piá; Uidemar (Luís António), Marquinhos, Júnior e Djalminha; Nílson e Nélio
Técnico: Jair Pereira

Copa do Brasil 1993 – Semifinal – Jogo de volta
Data: 27 de maio de 1993, quinta-feira
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 42.036 pagantes
Renda: Cr$ 6.314.950.000,00.
Arbitragem: Márcio Rezende de Freitas (FIFA/MG)
Auxiliares: com Evaristo de Souza e Marco Martins.
Cartões Amarelos: Gilson, Juninho e André
Gol: Gílson, aos 5 minutos do segundo tempo