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Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 5ª Rodada – Fortaleza 0x4 Grêmio

March 28, 2021
1981 fortaleza fora edson pio o povo

Foto: Edson Pio (O Povo)

Há exatos 40 anos o Grêmio goleou o Fortaleza no Castelão pela penúltima rodada da segunda fase do Brasileirão de 1981.
Interessante notar que as fontes divergem sobre o autor do último gol do jogo. Pelo vídeo parece que foi Paulo Isidoro, o que seria um hat-trick do Tiziu. E mesmo assim ele saiu do jogo dizendo que gostaria de sair do clube ao final da competição (por não ter recebido um aumento, supostamente prometido pela diretoria após o Mundialito do Uruguai).
Já havia postado sobre sobre esse jogo em outubro de 2019, mas agora acrescento algumas matérias da Zero Hora sobre a partida, as colunas de Antônio Goulart do Correio do Povo e de Paulo Santana da Zero Hora. O detalhe é que na edição da Zero Hora que consultei no Museu Hipólito José da Costa tinha uma falha na impressão da página da crônica do jogo, que deixou alguns trechos ilegíveis.
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GRÊMIO GOLEOU NOS ÚLTIMOS 26 MINUTOS
No primeiro tempo, o time errou nas conclusões
Depois da entrada de Héber, a vitória surgiu

O Grêmio aumentou ainda mais as suas chances de classificação à próxima fase da Taça de Ouro depois de vencer ao Fortaleza por 4 a O sábado à noite, na capital cearense. Mas o resultado pode até ser considerado exagerado pelo que foi a partida em seus 90 minutos. Somente nos últimos 15 minutos de jogo — depois que Héber, o melhor, estava em campo — o time de Ênio Andrade mostrou um futebol de acordo com a goleada. Agora o clube fica à espera do resultado entre São Paulo e Inter de Limeira quarta-feira à noite no Morumbi, para definir suas possibilidades para o último jogo, contra a Inter, no próximo domingo, no Olimpico.

A exemplo do que havia acontecido contra o São Paulo, a partida contra o Fortaleza serviu para mudar a formação do time titular do Grêmio. Ênio Andrade depois do jogo já confirmava Héber como o novo centroavante, merecidamente, pois foi ele na verdade o principal responsável pela goleada da equipe […], criou suas próprias dificuldades e teve sorte de também resolvê-las.

Animados pelo “bicho extra” da Inter de Limeira, os jogadores do Fortaleza mostraram muita movimentação enquanto tiveram condição física para tanto e boas jogadas na meia-cancha e no ataque. Mas o Grêmio já poderia ter definido o jogo logo nos primeiros minutos aproveitando-se das deficiências do setor defensivo da equipe cearense. A oito minutos, por exemplo, Baltazar entrou livre pela esquerda mas não chutou, nem passou, só cruzou para ninguém. Logo em seguida o Fortaleza teve urna de suas grandes oportunidades. Numa jogada de Odilon pela esquerda Tiquinho chutou mal, por cima, sozinho dentro da área.

O primeiro tempo foi assim: o Grêmio perdia gols Incríveis e permitia a reação do Fortaleza, que chegou a dominar em muitos momentos. Aos 11 minutos Baltazar, depois de receber passe de China, […] de todos os atacantes gremistas errarem em diversas conclusões. Mazolinha obrigou Leão a fazer uma difícil Aos 35 Odair, sozinho pela esquerda, chutou para fora. Um minuto depois Sérgio defendeu uma cabeçada de Baltazar que em seguida perdeu o gol mais incrível: depois de tirar a bola do último zagueiro ele avançou livre para o gol, tentou driblar e perdeu a bola para Sérgio.

Outro gol perdido por Baltazar, logo primeiros minutos do segundo tempo, definiu sua substituição por Héber, que no primeiro chute a gol conseguiu marcar- O Fortaleza tentou reagir mas o Grêmio estava melhor posicionado e mais confiante. E nos últimos 26 minutos surgiu a goleada. Os três gols de Isidoro saíram ao natural diante do limitado preparo físico do adversário e das excelente jogadas criadas por Héber: a solução de Ênio para uma equipe que estranhamente tinha sido mais cautelosa e mais nervosa do que o […]

Placar

HEBER aos 16 minutos do segundo tempo: 1 a 0 para o Grêmio — De Léon avançou pela esquerda e deu para Héber na entrada da área. Ele devolveu para o zagueiro, correu para a direita, recebeu e chutou de pé direito bem no canto direito do gol de Sérgio.

PAULO ISIDORO aos 88 minutos do segundo tempo: 2 a 0 para o Grêmio — Tarciso foi até a linha de fundo e cruzou na medida para Héber que tentou deslocar de cabeça ao goleiro. Sérgio defendeu parcialmente, e Isidoro, sozinho, de cima, apenas concluiu para dentro.

PAULO ISIDORO aos 40 minutos do segundo tempo: 3 a 0 para o Grêmio — Héber dominou a bola na esquerda, carregou pelo meio em direção à direita. Deu para Tarciso, recebeu, entrou na área sem ângulo e tocou de calcanhar direito exatamente onde estava Isidoro que chutou para cima, com força

PAULO ISIDORO aos 45 minutos do segundo tempo: 4 a 0 para o Grêmio — Héber deu para Casemiro, que entrava livre pelo lado esquerdo. O lateral tocou para Isidoro que depois de dominar de costas para o gol tentou encobrir o goleiro. Sérgio defendeu parcialmente e próprio, Isidoro foi concluir junto com Tarciso.” (Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)

ÊNIO COM ESPERANÇA: – PRECISAMOS GARANTIR A CLASSIFICAÇÃO
No intervalo em Fortaleza ele chamou a atenção dos jogadores que não cumpriam com suas orientações

No intervalo do jogo contra o Fortaleza, depois de um primeiro tempo de muitos erros e até certo nervosismo por parte da maioria dos jogadores do Grêmio, o técnico Ênio Andrade teve que repreender o time todo pelas falhas apresentadas em 45 minutos. Depois, a equipe voltou ao campo, goleou o adversário e todos os jogadores admitiram que a conversa cio vestiário teve grande influência no comportamento do time:

— Eu não sei o que estava acontecendo — revelou Ênio Andrade. Porque se nós treinamos uma semana inteira um determinado tipo de marcação, era surpreendente que o Grêmio deixasse o adversário jogar livre, e que marcassem linha. E foi sobre isso que conversamos no vestiário, acertando detalhes e relembrando ó que ensaiamos tantas vezes no Estádio Olímpico.

No segundo tempo, já com os principais defeitos corrigidos, “o Grêmio chegou à vitória com toda a naturalidade porque marcou corretamente”. Para isso, no entanto, foi preciso ainda outra modificação — a substituição de Baltazar por Heber que, segundo Ênio Andrade, “deu ao time mais condição para, a tabela com os meias. Ele mereceu agora ficar com a posição de titular e inicia o jogo contra o Inter de Limeira”.

— O problema é que o Grêmio possui o goleador do Brasil em 1980, o Baltazar, e tinha que lhe dar uma oportunidade de se recuperar em campo. Mas o Heber entrou bem, deu condição para que o meio-campo jogasse mais e provou também no campo que pode ser titular”.

Para vencer o Fortaleza, Ênio Andrade teve que corrigir não apenas a disposição tática da equipe mas ainda orientar alguns jogadores para erros Importantes que estavam cometendo. Por exemplo: Ênio disse que Tarciso estava entrando em diagonal, o que diminuía o espaço de Paulo Isidoro; que Odair é orientado para receber lançamentos e estava voltando para buscar o jogo; e que De León estava jogando em linha com o Newmar, criando sérias dificuldades defensivas:

— O importante — disse Ênio — é que conseguimos superar tudo no segundo tempo, chegando a uma goleada com naturalidade, sem exageros. Agora, precisamos garantir a classificação.” (Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)

“ELOGIOS
 
O melhor na situação de Héber é que não foi apenas o técnico Ênio Andrade que admitiu sua superioridade em relação a Baltazar no momento — ou, pelo menos, o fato de que ele é mais útil à equipe do que o ex-titular. 
 
No intervalo do jogo, o ponteiro direito Tarciso dizia que “no momento em que todos os jogadores soltarem a bola, o time marca os gols”, referindo-se evidentemente a Baltazar, que raramente procura a tabela ou o passe com um companheiro. 
 
A opinião de Tarciso acabou confirmada no segundo tempo porque Héber é realmente mais habilidoso e solidário do que Baltazar, faz bons passes e prepara muito bem as jogadas para os jogadores que estão chegando na área. Tanto que os dois meias da equipe. Paulo Isidoro e Wilson Tadei fizeram muitos elogios ao novo centroavante, sempre ressaltando sua capacidade de colocar outros jogadores em boa situação para a conclusão. 
 
— Quando entrou o Héber — disse Tadei — houve maior variedade de jogadas porque ele sabe segurar jogo, mesmo de costas para o adversário, até que alguém se aproxime para o passe. Isso não quer dizer que o Baltazar não mereça também elogios. É apenas uma questão de estilo: enquanto o Baltazar prefere jogar mais fixo na área, o Héber se movimenta mais para os lados, recebe e devolve em boas condições. 
 
Paulo Isidoro também concordou que a diferença básica entre Baltazar e Heber, é a característica de cada um. “O Baltazar já garantiu muitas vitórias difíceis e isso ninguém pode negar. Mas o Héber sabe preparar a jogada, ele joga com a mente e a prova disso foi aquele passe para o nosso segundo gol, em que ele deixou a bola parada para que eu chutasse sem marcação de ninguém. Agora problema é do treinador e ele vai saber escolher o melhor para o Grêmio.” (Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)

Paulo Santana – “HÉBER, O FEÉRICO 

Se Baltazar era o iluminado, Héber pode vir a ser o Feérico. Iluminado é o que tem luz. Feérico é o que tem e dá luz. Vou explicar, sem querer bancar o sábio, o que as pessoas que entendem de futebol não precisavam ver assim repetido: o melhor centroavante não é o que faz mais gols; o melhor centroavante é aquele que permite que seu time faça mais gols; ou ainda, o melhor centroavante é aquele que erra menos gols. Todo mundo que é inteligente e entende de futebol não duvida dessas verdades. O diabo é que existem pessoas inteligentes que não entendem de futebol, que exercitam suas funções em torno do futebol porque à época havia vagas, elas se meteram no negócio e vão levando, às vezes até com êxito. Só que chega na hora de opinar sobre o básico, erram feio e nunca vão deixar de errar. Mas aprendam por favor enquanto aqueles que entendem de futebol estão vivos: o melhor, centroavante é o que colabora para que seus companheiros, lógico que também ele próprio, façam mais gols. Foi por isso que o Héber se consagrou em Fortaleza: teve 20 minutos de atuação que o Baltazar jamais alcançou em seus dois anos de Grêmio. Ou seja, participou de todos os quatros gols do Grêmio. Enquanto que o Baltazar, grande goleador do ano passado, só participa dos gols dele. Se vocês acham que estou sendo severo nesta análise, pois vou dar a palavra a um jogador do Grêmio que estava em campo, sábado em Fortaleza. Vejamos o que Tarciso disse no intervalo, depois que Baltazar aterrorizou todo mundo ao errar quatro gols feitos. Fala, Tarciso: “Não tem explicação os gols que erramos. Se nós nos conscientizássemos, na hora da conclusão, de que existe um companheiro melhor colocado para fazer o gol, se nós passássemos a bola para esse companheiro, nós não perderíamos tantos gols”. Isso foi o que Tarciso disse na Rádio Gaúcha. Não sou eu que estou inventando. Só quero, embora o Tarciso não pudesse ser mais claro, lembrar o que sempre escrevi e falei sobre Baltazar, desde que o vi jogar pela primeira vez, unindo ao que disse Tarciso: “Baltazar é cristão fora do campo. No campo ele não é cristão. Se fosse, passaria a bola para seus companheiros”. Não se trata de criticar Baltazar, até mesmo porque ele só tem 21 anos e um dia pode possuir a felicidade de topar com um treinador que pense como este comentarista, que o corrigirá. Mas se trata, isso sim, de deixar bem claro agora, para que os preenchedores de vagas não mais incomodem, é que Héber oxigenou o time do Grêmio, Héber não só fez o gol, não só participou dos outros três, como também solta a bola para os colegas, solta e vai colocar-se, tem sentido de coletivismo. E Héber tem uma vantagem sobre Baltazar que André também tinha: Héber tem quatro ferramentas, enquanto Baltazar tem só uma. Vejam as quatro de Héber, pelo que se viu sábado: pé direito, pé esquerdo, cabeça e calcanhar. Baltazar só tem o pé direito. Então o Ênio Andrade está com a razão: Héber é o novo centroavante titular do Grêmio. Héber, o Feérico. 

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 Com Vitor Hugo de libero, de grande líder, no dizer dos que gostam dele como libero e líder, o Grêmio perdeu de 3 a 0 para o 15 de Novembro em 79 e foi desclassificado do campeonato nacional; em 80, com o Vitor Hugo, o Grêmio perdeu de 5 a 0 para o Corinthians, sendo desclassificado; em 81, com Vítor Hugo, o Palmeiras levou 6 a 0 Internacional e está quase desclassificado. Esta crônica não é contra Vitor Hugo. Ela apenas quer que as viúvas do Vítor Hugo, as que tentaram envenenar a torcida do Grêmio ao dizer que Vítor Hugo estava fazendo falta, nunca mais voltem a falar nesta barbaridade. Calem-se sempre. Vocês estão se queimando com o público. Que libero é este?”  (Paulo Santana, Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)

1981 fortaleza fora placar
“OPINIÃO: O gás do Fortaleza só deu para um tempo, no segundo, o Grêmio deslanchou” (Luciano Luque, Revista Placar, Edição n.º 568 – 3 de abril de 1981)

Antônio Goulart – “PONTARIA E MARCAÇÃO

Não sei se foi intuição retardada ou consequência de sobra de tempo para treinamentos. A verdade é que tolo Andrade começou ontem a tentativa de correção de dois pontos fracos de sua equipe: chutes a gol e marcação individual em todo o campo. O Grémio vem-se caracterizando, ultimamente, como um time perdedor de gols feitos; a exceção foram os 26 minutos finais contra o Fortaleza. Por isso, o técnico tratou de exercitar a pontaria de seus atacantes, com bolas cruzadas de todos os lados, a qualquer distância, para finalizações, tanto com o pé direito como com o esquerdo e de cabeça. E o tipo de treino que deveria ser feito todos os dias. Garanto que os resultados seriam bem diferentes.

O Grêmio de agora também vem mostrando que a marcação, fora do quinteto defensivo, não é o seu ponto forte. Pois ontem Ênio Andrade chamou a atenção de sua meia-cancha e deu uma nova tarefa aos jogadores do setor: marcar o adversário no campo todo. Sob este aspecto, houve um recado especial para Vilson Tadei. O próprio técnico reconhece que é preciso que todos os jogadores, os atacantes também, se acostumem com a tarefa de marcar.” (Antônio Goulart, Correio do Povo, 2 de abril de 1981)

Antônio Goulart  –   “O PODER DAS GOLEADAS

Sem dúvida, a grande revelação do Grêmio em Fortaleza foi Héber, tanto que garantiu sua escalação para o próximo jogo, no lugar de um goleador titular que vinha perdendo muitos gols. A substituição não significa, porém, que todos os problemas do time de Ênio Andrade estejam resolvidos. Aquela vitória não pode ser tornada como reflexo de uma plena recuperação. Um jogador sozinho não salva uma equipe. Bem marcado, pode frustrar muita gente. E o técnico da Inter de Limeira, a esta altura, já deve estar sabendo de quase tudo e virá ao Olímpico, no final da semana, preparado para tentai anular a nova arma do ataque tricolor.

O banco de reserva deverá, de Início, ser um pouco constrangedor para Baltazar. Mas, com certeza, irá lhe fazer bem. No meu modo de ver, dois fatores contribuíram para que o centroavante do Grêmio diminuísse o seu rendimento em campo. Em primeiro lugar, o casamento que, como é natural, alterou sensivelmente sistema de vida do jogador, sua rotina do dia-a-dia, antes dedicada quase que integralmente ao clube. Em segundo lugar, talvez com maior influência, foi o fato de Baltazar não ter, até há pouco, um reserva especialista da posição. A quase certeza de que a camisa 9 não poderia ser dada a outro, nem em treinos e muito menos nos jogos, é provável que o tenha levado a abandonar a preocupação permanente de brigar por ela.

Agora, com Héber na sombra, Baltazar deverá se empenhar com muito mais vontade. E poderá recuperar a posição, não por forca apenas do seu prestígio ou de suas estatísticas de goleador, mas jogando futebol.” (Antônio Goulart, Correio do Povo, 31 de março de 1981)

1981 fortaleza fora gaucha

Fortaleza 0 x 4 Grêmio

FORTALEZA: Sérgio; Totó, Marcão (Roberto, intervalo), Rôner e Dudé; Chinesinho (Beto, 20 do 2º), Odilon e Adriano; Mazolinha, Rogério e Tiquinho.
Técnico: Martins Monteiro (interino)

GRÊMIO: Leão; Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Paulo Isidoro e Vílson Tadei; Tarciso, Baltazar (Heber 10 do 2ºT) e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 5ª Rodada
Data: 28/03/1981, Sábado, 21h00min
Local: Castelão, em Fortaleza – CE
Público: 1.628
Renda: Cr$ 165.250,00
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Auxiliares: Antonio Carminha e Artur Braz
Cartão Amarelo: Marcão
Gols: Heber aos 15, Paulo Isidoro aos 40, 42  44 minutos do 2ºtempo

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 2ª Rodada – Grêmio 2×0 Fortaleza

March 12, 2021
1981 zh fortaleza casa newmar

Foto: Zero Hora

 

Há exatos quarenta anos o Grêmio vencia o Fortaleza pelo Campeonato de Brasileiro de 1981. Já havia feito um post sobre esta partida em junho de 2019. Repito agora, acrescentando a chamada do Grêmio para o jogo com o preço dos ingressos, a crônica e uma foto do jogo do Correio do Povo, bem como as colunas de José Antônio Ribeiro, Paulo Santana, Ruy Carlos Ostermann (estes três da Zero Hora) e Antônio Goulart (do Correio do Povo)

O primeiro jogo da história entre Grêmio e Fortaleza em solo gaúcho.

O confronto foi válido pela segunda rodada da segunda fase do Brasileirão de 1981. Na partida anterior, o Grêmio foi duramente derrotado pelo São Paulo no Morumbi, o que fez com que o técnico Ênio Andrade começasse a promover alterações na equipe. Casemiro fez seu primeiro jogo oficial como titular (ainda como lateral direito) na temporada e Newmar fez sua estreia na competição.

Newmar marcou o primeiro gol do jogo e (o então muito questionado) Baltazar fechou o placar no segundo tempo.

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Foto: Zero Hora

 

GRÊMIO SUPERA O FORTALEZA MAS A TORCIDA NÃO GOSTA
Apesar da vitória, o time do Olímpico, nervoso, mostrou muitos erros

O Grêmio venceu ao Fortaleza sem entusiasmar sua torcida no Estádio Olímpico. Com um gol de Newmar no primeiro tempo e Baltazar no início do segundo, o time de Ênio Andrade conseguiu assim assumir a vice-liderança do Grupo. Está ao lado do Internacional de Limeira contra quem joga domingo próximo, mas ganha o confronto por ter uma vitória enquanto o time paulista tem dois empates. O 2 a 0 não satisfez os torcedores e alguns jogadores inclusive reclamaram.

A vitória do Grêmio satisfez os otimistas e pessimistas. Os otimistas porque somente uma equipe teve iniciativa, apresentou um trabalho coletivo aceitável e construiu excelentes oportunidades de gol. Os pessimistas porque foi o Grêmio também que continuou mostrando problemas individuais ¡á conhecidos como a pouca objetividade de Odair e Renato Sá — sem falar em suas dificuldades para concluir com perigo — e a má fase de Baltazar que chegou a irritar a torcida com seus impedimentos sucessivos e gols perdidos.

Por isso junto com os aplausos ao final do primeiro tempo podiam ser ouvidas vaias que voltaram durante o segundo tempo ¡unto com os pedidos de alguns torcedores por Heber. Mas foi Baltazar o primeiro a levantar a torcida quando fez um gol, anulado, aos 10 minutos de jogo por causa de uma falta no goleiro. Não demorou muito para Newmar fazer o seu e tranqüilizar mais a torcida. Mas quem não mostrou tranqüilidade foi o time do Grêmio.

Mesmo enfrentando uma equipe fraca, com preparo físico deficiente e praticamente sem ataque — o Fortaleza só teve mesmo o ponteiro Mazola a tentar algo — o Grêmio mostrou muito nervosismo nas conclusões perdendo grandes situações de gol. Aos 27 por exemplo Baltazar perdeu de cima ao chutar no travessão uma cruzada de Tarciso. Na seqüência Renato Sá chutou para fora.

O segundo tempo iniciou bem, com um gol de Baltazar, logo a três minutos e o Grêmio seguiu dominando, criando boas situações de gol mas a repetição dos erros nas conclusões fez com que o resultado permanecesse o mesmo. Baltazar foi substituído por Heber e saiu bastante vaiado. Odair saiu para a entrada Vilson Tadei. Casemiro e Newmar, as novidades, saíram-se bem especialmente o primeiro que foi importante na ligação da defesa com o ataque.
Depois de De León obrigar Ado a fazer mais uma boa defesa tentando aumentar o resultado, foi a vez de Paulo Isidoro ter excelente chance. Nos últimos minutos Heber marcou mas o juiz não validou: o centroavante concluiu e Marcão tirou de dentro. Tanto o árbitro como o bandeirinha estavam mal colocados e não deram o gol.

O Placar

1 x 0 — Newmar para o Grêmio aos 13 min. do primeiro tempo. Odair cobrou o escanteio e o zagueiro de cabeça acertou o canto esquerdo do goleiro Ado que falhou, a bola veio de longe.

2 x 0 — Baltazar para o Grêmio aos 3 min. do segundo tempo. A jogada começou com um cruzamento de Casemiro pelo lado direito. Baltazar acertou o travessão do Fortaleza e no rebote, o centroavante marcos o segundo gol gaúcho.” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

Foto: Correio do Povo

 

REABILITAÇÃO NO OLÍMPICO MAS O TIME NÃO DESLANCHOU

Não foi a apresentação que a torcida esperava. Mas a vitória de 2 a 0 sobre o Fortaleza serviu para reabilitar a equipe, que vinha de três derrotas consecutivas. O Grêmio, ontem à noite no Olímpico, voltou a ser um time inseguro, com muitos defeitos. Os estreantes Casemiro e Newmar saíram-se bem e devem ser mantidos por Ênio Andrade para o jogo de domingo, em Limeira. O Fortaleza foi uni adversário fraco, em nenhum momento chegou a ameaçar o bicampeão gaúcho. Com esta vitória e o empate do São Paulo, o Grêmio subiu à vice-liderança no Grupo 1.

PRIMEIRO TEMPO — Após um início nervoso, o Grêmio, aos 10 minutos, dominava a partida, e tudo fazia prever que venceria fácil, já que o adversário não demonstrava nenhuma qualificação para impedir a derrota. Aos 8 minutos Baltazar atirava para as redes, mas o árbitro anulou o lance, marcando falta no goleiro Ado. Aos 18 minutos, Newmar inaugurava o, marcador, aliviando a tensão da torcida. Tarciso cobrou bem um escanteio da direita, e zaga do Fortaleza confundiu-se e o zagueiro, de cabeça, surpreendeu Ado. A partir daí o Fortaleza abriu-se, dando espaços para as penetrações gremistas, que no entanto não foram aproveitadas, desperdiçando sucessivas chances de ampliar o placar. Aos 30 minutos, o domínio do time de Ênio Andrade era total, Baltazar, depois de excelente jogada de Isidoro, atirou no travessão. Aos 37 nova chance foi desperdiçada, com Renato Sá arrematando para boa defesa de Ado. Faltou maior tranqüilidade para o ataque do Grêmio.

SEGUNDO TEMPO — Nos 45 minutos finais a equipe gremista voltou com maior disposição, e logo a 1 minuto Tarciso deixou de marcar o segundo. Na seqüência da jogada, a bola sobrou Para o lateral Casemiro, que lançou paria área, onde Baltazar estava colocado para concluir no paste. No rebote, Casemiro serviu novamente Baltazar que concluiu para as redes, marcando o segundo gol gremista. A partir daí o domínio do time de Ênio Andrade foi total, pois o adversário acabou sendo envolvida, limitando-se a um esquema defensivo paria evitar a goleada. A superioridade do Grêmio foi tão notória que o goleiro Leão, em toda a partida, fez apenas urna defesa. E isso aos 29 minutos, quando Tiquinho, num dos raros ataques do Fortaleza, chutou de fora da área.

A vitória foi justa, e o resultado de 2 a O não refletiu o domínio do Grêmio, que deixou de aplicar uma goleada no time cearense.

DETALHES TÉCNICOS

Arbitragem do paranaense Eraldo Palmerini, com um trabalho apenas regular. Foi auxiliado pelos catarinenses Iolando Rodrigues e Alvir Renzi” (Correio do Povo, sexta-feira, 13 de março de 1981)

1981 zh fortaleza casa baltazar

Foto: Zero Hora

 

“Jogo ruim onde o Grêmio chutou 27 bolas a gol marcou só duas vezes, prova da fragilidade do Fortaleza e da inoperância do ataque gremista” (Emanuel Mattos, Revista Placar, Edição n.º 566 – 20 de março de 1981)

 

1981 chamada gaucha gremio fortaleza

TARCISO E ISIDORO PEDEM MAIS APOIO

O jogo recém havia terminado e foi o ponteiro Tarciso o primeiro a fazer críticas ao comportamento da torcida do Grémio durante o jogo contra o Fortaleza. “É uma pena a torcida não ter compreendido e não nos aplaudir nesta vitória muito importante” disse ele. Logo depois foi a vez de Paulo Isidoro desabafar:

— Acho que é bobagem ficar se preocupando com isto. Mas se a torcida não está satisfeita que entre ela em campo e faça o que nós estamos fazendo!

Todos os jogadores sem exceção estranharam as atitudes da torcida impaciente em muitos momentos e inclusive vaiando a alguns jogadores especialmente a Baltazar. Tadei chegou a fazer um apelo dizendo que “este e o início de urna nova etapa onde todos precisam se unir para ajudar o clube”. E o zagueiro Newmar, tentou dar uma pista para o problema: “creio que é uma consequência dos erros nas conclusões” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

ÊNIO VAI MANTER TADEI NA EQUIPE

Com o resultado de 2 a 0 definido desde o início do segundo tempo, o técnico Ênio Andrade tratou de aproveitar os 21 minutos finais para testar aquela que deverá ser a formação da equipe no jogo contra o Internacional: com Vilson Tadei na meia cancha e Renato Sá na ponta esquerda, saindo Odair.

— O Tadei e um jogador de habilidade e como o Renato faz um trabalho Importante na ligação do ataque com a meia cancha, tornando a equipe menos vulnerável, poderei escalar os dois neste jogo em Limeira.

Enio Andrade diz que estranhou o comportamento da torcida vaiando alguns jogadores em determinados momentos, elogiou o trabalho de Casemiro, e Newmar na primeira partida de ambos na equipe explicando que eles poderão continuar, o mesmo acontecendo com Vilson Tadei. “Com o jogo definido tratei de já ir testando esta nova formação”, disse ele. ” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

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Fonte: Zero Hora

 

RUY CARLOS OSTERMANN: “TORCEDOR E TIME

A indispensável vitória veio. Dois a zero, mas com ela vieram também as situações desperdiçadas, o fracasso do Baltazar para a hora de fazer o gol o a irritação da torcida. Prestei atenção. Uma parte se justifica porque o torcedor exige mais qualidade em campo. Mas outra parte pertence a uma relação conflituada do torcedor com alguns jogadores. O exemplo mais evidente é o de Renato Sá. Jogou relativamente bem, justificou-se. Não é craque mas cumpriu com o seu trabalho, sacrificou-se, enfim, correspondeu. O técnico do Fortaleza, depois do jogo, inocente em relação ao ambiente, disse que número dez do Grêmio é bom demais. E até repetiu para o repórter da Rádio Gaúcha.

Há, portanto, duas coisas: os fatos e as opiniões. Geralmente deveriam estar combinadas mas na avaliação do time de Ênio Andrade não estão. Há queixas, azedumes, ressentimentos interferindo na apreciação do time que está em campo. E estas dificuldades pessoais ficam quase graves quando reaparece o erro demasiado, tão comum com o time do Grêmio. O gol perdido, o chute errado, o passe mal feito, o desencontro irritam muito ao torcedor. O Grêmio vive um momento de difícil aceitação mútua, torcedor e time. O 2 a 0 deveria ter sido quatro ou cinco. E mesmo assim não sei.” (Ruy Carlos Ostermann, Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

 

PAULO SANTANA: “SÓ A VITÓRIA

Se o leitor esperava encontrar aqui, hoje, um espaço de um gremista que iria espanejar-se na alacridade de uma vitória sobre o Fortaleza, enganou-se, pelo que lhe peço desculpas. Acontece que eu não só não gostei do time do Grêmio como também passo a encarar com medo e desânimo a própria classificação, que deveria ser fácil, uma vez que o grupo que tocou ao Grêmio é modestíssimo. Pelo menos o Grêmio venceu a partida, deixando no ar uma esperança de classificação, Mas só resta a esperança. Em matéria de indicio, prova e perspectiva de atuações capazes de levar o Grêmio às finais, aconteceu um desencanto na partida de ontem.

Basta que se diga que o Grêmio teve 27 arremessos a gol no jogo. 27. Isso porque o Fortaleza é um dos piores times brasileiros. Levou 8 a 0 do Flamengo. Daí que o Grêmio teve 27 arremessos a gol. Incrível. Só dois foram aproveitados. O que quer dizer que o ataque do Grêmio teve ontem um aproveitamento de menos de 10%, o que em futebol profissional é inadmissível. Vejam bem, com relação a esse detalhe, basta que se faça um cálculo para que se fique aterrorizado: se ó Grêmio quiser fazer um gol no campeonato nacional, de acordo com os números de ontem, terá que arrematar 11 bolas a gol. Portanto, qualquer equipe média que consiga não permitir que o Grêmio chute 11 bolas a gol, sairá de campo sem levar gol do time de Ênio Andrade. Tal é o horror que nos transmitiu ontem a ineficiência e despreparo do ataque do Grêmio.

Baltazar chegou ao exagero de errar 9 gols. Errou nove e acertou um. Quando eu dizia, antes do Bira ser operado, que achava o n. 9 colorado melhor que o Baltazar, o Resende, o Bastos, o Bisol e vários acólitos desses três grandes gremistas queriam me matar. Ontem, o Baltazar chutou 9 bolas a gol e cabeceou 3. Fez um gol e errou nove. O mesmo com o resto do ataque do Grêmio ou com China, Casemiro e Renato Sá quando arremataram. Não há time nenhum do mundo que aguente um tal índice de desaproveitamento. Em vários comentários meus às 7 e 40 da manhã na Rádio Gaúcha, tentei fazer ver que o problema do Grêmio não se resume só à meia cancha. É de ataque também. Ontem, esse detalhe ficou terrível e claramente confirmado. Não sabem chutar a gol os jogadores comandados por Ênio Andrade.

O empate da Inter de Limeira com o São Paulo, ontem, acabou por perigar o horizonte gremista de classificação. Aparentemente e talvez concretamente a partida do próximo domingo, em Limeira, decide a sorte do Grêmio no campeonato nacional. Uma vitória dará ao Grêmio, praticamente, a classificação. Um empate fará do Grêmio ainda candidato. E uma derrota será, talvez, fatal. Como se vê, resta rezar. Porque em três dias o Ênio Andrade não vai conseguir calibrar a pontaria desviada de todos os dianteiros fixos e eventuais.

Por teimosia, Ênio Andrade, que não deveria ter nenhuma culpa nas más atuações do Grêmio, inscreve-se entre os responsáveis. Ele já tinha sido alertado para o fato que era errado o posicionamento de De León, mais adiantado que o outro qualquer central que jogue ao seu lado. Contra o São Paulo, por esse erro imperdoável de Ênio Andrade, De León chegou atrasado nas três bolas dos três gols de Serginho. Ontem, nos três únicos ataques do Fortaleza, De León assistiu em dois deles o Newmar e o Dirceu a brigar com os atacantes na marca do pênalti. Sabem onde estava De León? Fora da área. Por erro e teimosia de Ênio Andrade, que deveria fazer de De León o zagueiro de espera, aquilo que os antigos chamavam de baluarte. O bom tem que ficar na espera. Era assim com Airton, foi assim com Figueroa. Ênio não vê isso e decreta o seu próprio suicídio.” (Paulo Santana, Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

 

JOSÉ ANTÔNIO RIBEIRO – O EDITOR:

“O Grêmio fez dois gols no Fortaleza, errou mais de meia dúzia, apresentou um futebol confuso, chegou até a ser vaiado pela torcida e mereceu nossa manchete: apenas passou por mais este jogo da segunda fase da Taça de Ouro.

Os repórteres que foram ao Olímpico, ontem à noite, continuaram com a mesma opinião: a equipe realmente não mostra nada que entusiasme. Da defesa ao ataque é um conjunto sem acertos que não responde realmente à pretensão de uma torcida intensamente acenada com a possibilidade de um título brasileiro.

Assim, os erros de Baltazar, somados aos constantes equívocos de seus companheiros de ataque e ainda auxiliados no afundamento pela completa indecisão de uma meia-cancha sem esquema, levaram a torcida a uma irritação tal que, mesmo na vitória, Paulo Isidoro foi levado a ser extremamente duro nos microfones, ao fim da partida: — Que venham jogar no meu lugar. Disse. O futebol do Grêmio, sua vice-liderança nos números do grupo e a noite no Olímpico estão bem abordados na cobertura.” (José Antônio Ribeiro, Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

 

ANTÔNIO GOULART: “NÃO FOI O ESPERADO

O resultado foi positivo, mas o rendimento da equipe não foi satisfatório: O Grêmio dominou o Fortaleza com naturalidade, mas não com a tranqüilidade esperada. Ouvi torcedores reclamando, à saída do Olímpico: “Quando o time tem tudo para dar uma goleada, acaba se complicando”: Realmente, o Grêmio mostrou-se complicado ontem à noite; não com o adversário, que foi vulnerável, abriu espaços e facilitou muita coisa, mas com seus próprios problemas e perturbações.

 A defesa gremista, com mudanças no setor  direito — Casemiro e Newmar — a rigor, não teve trabalho, o ataque do Fortaleza não existiu. As dificuldades maiores estiveram na meia-cancha com Renato Sá e Paulo Isidoro, confusos, previ= pitados e errando muito nas finalizações. O Grêmio deixou a impressão nítida que ainda carrega resquícios dos problemas resultantes nas derrotas anteriores. A torcida também não contribuiu para melhorar o ambiente. Não houve vaias, mas vi muita gente sacudir a cabeça, contrariado, depois de diversos lances errados.

Os dois a zero sobre o fraco Fortaleza devem significar para o Grêmio, no entanto, um estímulo e um passo para a reabilitação. Já ficou em segundo lugar no Grupo, com um ponto apenas atrás do líder (São Paulo, e junto com o Inter de Limeira, o adversário do próximo domingo.” (Antônio Goulart, Correio do Povo, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

Grêmio 2×0 Fortaleza

GRÊMIO: Leão; Casemiro, Newmar, De León e Dirceu; China, Paulo Isidoro e Renato Sá; Tarciso, Baltazar (Eber) e Odair (Vilson Tadei)
Técnico: Ênio Andrade

FORTALEZA: Ado; Roberto, Marcão, Totó e Roner; Chinesinho, Odilan (Bosco) e Dudé; Mazola, Chico Explosão (Rogério) e Tiquinho.
Técnico: César Morais

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – Grupo I – 2ª Rodada
Data: 12 de março de 1981, quinta-feira, 21h00min
Local: Estádio Olímpico- Porto Alegre
Público: 16.044 (14.947 pagantes)
Renda: Cr$ 1.691.630,00
Árbitro: Eraldo Palmerini (PR)
Auxiliares: Iolando Rodrigues e Alvir Renzi (SC)
Gols: Newmar aos 13 minutos do 1º tempo e Baltazar aos 3 minutos do 2º tempo

Brasileirão 2020 – Fortaleza 0x0 Grêmio

January 10, 2021

É muito difícil acreditar que de fato Renato tenha “motivos científicos” para não ter escalado quatro titulares nessa partida. É difícil acreditar que os “dados científicos” sejam os mesmos para quatro jogadores de posições e idades distintas.

Sigo achando que o clube adota uma política equivocada na forma como administra a utiliza titulares e reservas no Campeonato Brasileiro. Ao anunciar com tanta antecedência a ausência de atletas, o clube acaba (ainda que inadvertidamente) passando uma ideia de desmobilização que acaba sendo (ainda que inconscientemente) captado por diversos envolvidos, como torcedores, imprensa, arbitragem e até mesmo os próprios atletas.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Fortaleza 0x0 Grêmio

—-
FORTALEZA: Felipe Alves; Gabriel Dias, Paulão, Wanderson e Carlinhos; Ronald (Derley, 47’/2ºT) e Felipe; Romarinho, João Paulo (Yuri César, 21’/2ºT) e Osvaldo (Bruno Melo, 34’/2ºT); Wellington Paulista (Igor Torres, 47’/2ºT)
Técnico: Enderson Moreira

GRÊMIO: Paulo Victor; Victor Ferraz, Paulo Miranda, Rodrigues e Cortez; Lucas Silva (Darlan, 20’/2ºT) e Matheus Henrique; Alisson, Pinares (Thaciano, 20’/2ºT) e Pepê; Diego Churín (Ferreira, 33’/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

29ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2020
Data: 09 de janeiro de 2021, sábado, 21h00min
Local: Arena Castelão, Fortaleza (CE)
Árbitro: Jefferson Ferreira de Moraes (GO)
Assistentes: Leone Carvalho Rocha (GO) e Cristhian Passos Sorence (GO)
VAR: Gilberto Rodrigues Castro Júnior (PE)
Cartões amarelos: Derley, João Paulo, Felipe e Wellington Paulista (Fortaleza); Lucas Silva e Paulo Miranda (Grêmio)

Brasileirão 1973 – Fortaleza 0x1 Grêmio

January 8, 2021

Carlinhos é quem ameaça o goleiro Lulinha, em lance que até parece o golo marcado pelo ponteiro gremista” (Correio do Povo, 17 de janeiro de 1974)

 

O primeiro confronto da história entre Fortaleza e Grêmio aconteceu no estádio Castelão, numa situação muito semelhante com a de agora. Um jogo disputado em janeiro, válido pelo campeonato brasileiro do ano anterior.

Lendo a matéria do Correio do Povo transcrita abaixo eu fico me perguntando por que nunca ficou definido que GOLO é a única grafia correta.

 


 

“REABILITAÇÃO GREMISTA COM GOLO DE CARLINHOS

FORTALEZA (João Carlos Belmonte, enviado especial) — O Grêmio, fazendo excelente apresentação, se recuperou totalmente da sua estréia na semifinal do Campeonato Nacional, ganhando do Fortaleza, ontem à noite no Castelão, por 1 a 0 — gol de Carlinhos no segundo tempo.

Depois de enfrentar muitos problemas para a formação do seu time, o Grêmio, na noite de ontem, conseguiu a escalação de uma das suas melhores formações (com Tarciso principalmente) sobrando chance inclusive para que Mazinho, ainda sem sua melhor forma, fosse poupado pois Humberto Ramos, que domingo só entrou no segundo tempo, tinha melhores condições. E desde o início o Grêmio mostrou que poderia repetir as suas boas partidas da fase de classificação, usando muito bem as deficiências do time adversário e desde cedo criando oportunidades para marcar. Aos 16 minutos, Tarciso, com um trabalho muito bom, já conseguia um bom chute, que bateria na trave para salvar o Fortaleza do primeiro gol, depois de boa jogada de combinação do ataque do Grêmio com lançamento para o seu ponta-de-lança. O primeiro tempo terminou com zero a zero mas o Grêmio, por tudo que conseguiu fazer, merecia melhor sorte desde a etapa inicial de partida. O pequeno goleiro Lulinha, durante os primeiros 45 minutos, foi bastante exigido.

Para chegar a esta boa atuação, o Grêmio contou com um trabalho muito bom de seu meio-campo, principalmente de Paulo Sérgio. A defesa estava segura, e os laterais, principalmente Claudio, tinham muita liberdade para subir ao apoio. A partir do meio-campo, depois de um trabalho certo de marcação de Zé Carlos e Zé Roberto, Paulo Sérgio tinha muita categoria para fazer lançamentos, aproveitando-se muito bem, do espaço que a defesa do Fortaleza deixava, alegadamente porque Wilson, que não jogava há muito tempo, não fazia o trabalho normal de Queirós, segundo o seu técnico e alguns de seus jogadores, muito mais acostumado a jogar ao lado de Pedro Basílio. Este espaço no lado esquerdo da defesa do Fortaleza sempre foi muito bem aproveitado pelo Grêmio, principalmente por Paulo Sérgio.

No segundo tempo, sem fazer nenhuma alteração no começo, o Grêmio continuou apertando o ritmo, criando situações e aos 19 minutos, numa excepcional jogada de Paulo Sérgio, Carlinhos marcou o golo da vitória. Paulo Sérgio, avançando ao sentir o espaço deixado pelo quarto zagueiro, tocou certo para Carlinhos. Ele partiu muito bem e, na saída do goleiro, tocou por cima, com categoria. A bola entrou mansamente no 1 a 0 do Grêmio.

Exatamente no memento do golo, Froner já tratava de colocar Mazinho no lugar de Humberto Ramos, já cansado. E. o Grêmio, depois do golo, ainda teve outras oportunidades muito boas — Tarciso, em jogada de Paulo Sérgio, obrigou Lulinha a uma defesa muito difícil. E Carlinhos, que fez o golo da vitória, ainda teve duas oportunidades excelentes, talvez melhores do que aquela que terminou no golo, semente perdendo porque já estava cansado para apanhar lançamentos tão bons como fazia Paulo Sérgio.

A segunda modificação do time do Grêmio visou apenas segurar um pouco mais a principal jogada do Fortaleza, no apoio de Louro. Bolívar entrou no lugar de Loivo e com isso o Grêmio protegeu melhor o lado esquerdo de sua defesa, muito atacado pelas subidas de Louro em combinação com Amilton Rocha.

O Fortaleza, entretanto, reagiu um pouco no final, mas a última boa chance do jogo foi do Grêmio. Outra vez Paulo Sérgio fez grande lançamento, Carlinhos partiu livre mas cansado, perdendo a bola quase na linha de fundo.” (João Carlos Belmonte, Correio do Povo, quinta-feira, 17 de janeiro de 1974)

“GRÊMIO             1
FORTALEZA        0

FORTALEZA (Do correspondente Egídio Serpa) — O Grêmio conseguiu arrancar uma Importante vitória, pelo diminuto placar de 1 a 0, ao Fortaleza, na noite de ontem, no Estádio Plácido Castelo, numa partida multo disputada e com bastante equilíbrio na primeira fase. O gol único foi assinalado por Carlinhos, para os gaúchos, aos 19 minutos do segundo tempo. O juiz foi Romualdo Arpi Filho, auxiliado por Sílvio Silveira e Bartolomeu Lordelo.” (Egídio Serpa , Jornal dos Sports, quinta-feira, 17 de janeiro de 1974)


 

FORTALEZA: Lulinha; Louro, Pedro Basílio, Wilkson e Bauer; Zé Carlos e Zé Roberto; Hamilton Rocha, Hamilton Melo (Lucinho), Marciano e Reginaldo (Beijoca)
Técnico: Mozart Gomes

GRÊMIO: Picasso; Cláudio, Ancheta, Renato Cogo e Jorge Tabajara; Carlos Alberto, Humberto Ramos (Mazinho) e Paulo Sérgio; Carlinhos, Tarciso e Loivo (Bolívar)
Técnico: Carlos Froner

Campeonato Brasileiro 1973 – Terceira Fase – 2ª Rodada
Data: 16 de janeiro de 1974, quarta-feira
Local: Estádio Castelão, em Fortaleza, CE
Público: 14.194
Renda: Cr$ 101.578,00
Árbitro: Romualdo Arpi Filho
Auxiliares: Sílvio Silveira e Bartolomeu Lordelo
Gol: Carlinhos aos 20 minutos do segundo tempo.

Brasileirão 2020 – Grêmio 1×1 Fortaleza

September 14, 2020

Foto: Eduardo Moura (Globo Esporte)

 

Com a saída de Everton Cebolinha, Diego Souza é inegavelmente o grande destaque do Grêmio na temporada. Mas mesmo assim eu creio que ele não tem direito de cobrar pênaltis de maneira displicente. Na cobrança repetida em função da invasão da área ficou muito claro que as chances de acerto aumentam consideravelmente quando o batedor toma a devida distância antes de chutar.

Foto: Lucas Uebel (Grêmio.net)

GRÊMIO: Vanderlei; Orejuela (Guilherme Azevedo, 44’/2ºT), Geromel, David Braz e Cortez; Darlan e Maicon (Robinho, 32’/1ºT); Alisson, Isaque (Luiz Fernando, intervalo) e Everton (Ferreira, 44’/2ºT); Diego Souza.
Técnico: Renato Portaluppi

FORTALEZA: Felipe Alves; Gabriel Dias, Paulão, Quintero e Carlinhos (Bruno Melo, 43’/2ºT); Juninho, Ronald (Luiz Henrique, 43’/2ºT), Romarinho, David (Yuri César, 26’/2ºT) e Osvaldo (Derley, 32’/2ºT); Wellington Paulista (Marlon, 26’/2ºT).
Técnico: Rogério Ceni

10ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2020
Data: 13 de setembro de 2020, domingo, 16h00min
Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre, RS
Árbitro: Igor Junio Benevenuto de Oliveira (MG)
Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Sidmar dos Santos Meurer (PR)
VAR: Rodrigo Nunes de Sá (RJ)
Cartões amarelos: Robinho (Grêmio); Derley, Osvaldo (Fortaleza)
Cartões vermelhos: Luiz Fernando (Grêmio); Gabriel Dias (Fortaleza)
Gols: Osvaldo, aos 16 minutos do 1º tempo e Diego Souza (de pênalti) aos 5 minutos do 2º tempo

Brasileirão 2019 – Fortaleza 2×1 Grêmio

October 22, 2019

GRÊMIO x FORTALEZA

Eu espero que em algum dia, em um futuro não muito distante, o Grêmio consiga parar de tomar gol do Wellington Paulista.
GRÊMIO x FORTALEZAFotos: Jarbas Oliveira (Grêmio FBPA)

Fortaleza 2×1 Grêmio

FORTALEZA: Felipe Alves, Gabriel Dias, Quintero, Paulão e Carlinhos; Juninho, Felipe (Kieza, aos 24’/2°T), Romarinho (Marlon, aos 24’/2°T) e Edinho (Nenê Bonilha, aos 15’/2°T); Osvaldo e Wellington Paulista
Técnico: Rogério Ceni

GRÊMIO: Phelipe Megiolaro; Rafael Galhardo, David Braz, Paulo Miranda e Juninho Capixaba; Rômulo, Michel (Patrick, aos 16’/2°T), Luciano (Diego Tardelli, aos 38’/2°T) Thaciano e Pepê; André (Everton, aos 16’/2°T)
Técnico: Renato Portaluppi

27ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2019
Data: 19/10/2019, sábado, 17h00min
Local: Arena Castelão, em Fortaleza – CE
Público: 26.801 (26.124 pagantes)
Renda: R$ 208.741
​Árbitro: André Luiz de Freitas Castro (CBF-GO)
Assistentes: Bruno Raphael Pires (FIFA-GO) e Christian Passos Sorence (CBF-GO)
VAR: Elmo Alves Resende Cunha (CBF-GO)
Cartões amarelos: André, Rafael Galhardo; Carlinhos, Marlon, Gabriel Dias
Cartão vermelho: Rafael Galhardo
Gols: Paulo Miranda, aos nove minutos do 1º tempo, para o Grêmio; Wellington Paulista, aos 34 minutos do 1º tempo, e Oswaldo, aos 40 minutos do 1º tempo, para o Fortaleza

Brasileirão 1981 – Fortaleza 0x4 Grêmio

October 19, 2019
1981 fortaleza fora edson pio o povo

Foto: Edson Pio (O Povo)

Em 1981, o Grêmio goleou o Fortaleza no Castelão pela penúltima rodada da segunda fase do Brasileirão.
Interessante notar que as fontes divergem sobre o autor do último gol do jogo. Pelo vídeo parece que foi Paulo Isidoro, o que seria um hat-trick do Tiziu. E mesmo assim ele saiu do jogo dizendo que gostaria de sair do clube ao final da competição (por não ter recebido um aumento, supostamente prometido pela diretoria após o Mundialito do Uruguai)
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Placar: O gás do Fortaleza só deu para um tempo, no segundo, o Grêmio deslanchou” (Placar, 3 de abril de 1981)

“HEBER aos 16 minutos do segundo tempo: 1 a 0 para o Grêmio — De Léon avançou pela esquerda e deu para Héber na entrada da área. Ele devolveu para o zagueiro, correu para a direita, recebeu e chutou de pé direito bem no canto direito do gol de Sérgio.

 

PAULO ISIDORO aos 88 minutos do segundo tempo: 2 a 0 para o Grêmio — Tarciso foi até a linha de fundo e cruzou na medida para Héber que tentou deslocar de cabeça ao goleiro. Sérgio defendeu parcialmente, e Isidoro, sozinho, de cima, apenas concluiu para dentro.

PAULO ISIDORO aos 40 minutos do segundo tempo: 3 a 0 para o Grêmio — Héber dominou a bola na esquerda, carregou pelo meio em direção à direita. Deu para Tarciso, recebeu, entrou na área sem ângulo e tocou de calcanhar direito exatamente onde estava Isidoro que chutou para cima, com força

PAULO ISIDORO aos 45 minutos do segundo tempo: 4 a 0 para o Grêmio — Héber deu para Casemiro, que entrava livre pelo lado esquerdo. O lateral tocou para Isidoro que depois de dominar de costas para o gol tentou encobrir o goleiro. Sérgio defendeu parcialmente e próprio, Isidoro foi concluir junto com Tarciso.” (Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)

1981 fortaleza fora placar

1981 fortaleza fora gaucha
Fortaleza 0 x 4 Grêmio

FORTALEZA: Sérgio; Totó, Marcão (Roberto, intervalo), Rôner e Dudé; Chinesinho (Beto, 20 do 2º), Odilon e Adriano; Mazolinha, Rogério e Tiquinho.
Técnico: Martins Monteiro (interino)

GRÊMIO: Leão; Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Paulo Isidoro e Vílson Tadei; Tarciso, Baltazar (Heber 10 do 2ºT) e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 5ª Rodada
Data: 28/03/1981, Sábado, 21h00min
Local: Castelão, em Fortaleza – CE
Público: 1.628
Renda: Cr$ 165.250,00
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Auxiliares: Antonio Carminha e Artur Braz
Cartão Amarelo: Marcão
Gols: Éber aos 15, Paulo Isidoro aos 40, 42  44 minutos do 2ºtempo

Brasileirão 2019 – Grêmio 1×0 Fortaleza

June 11, 2019

Gremio x Fortaleza

O Grêmio precisava ganhar. Ganhou. Com um gol “no apagar das luzes”, depois de noventa minutos de uma atuação pouco inspirada.

Eu achei questionável a expulsão do Osvaldo. Me pareceu ser lance de cartão amarelo (embora o vermelho não seja de todo descabido). Sei que o protocolo permite o uso do VAR para “agravamento de punição”, mas não parece ter sido um “erro claro e óbvio” do árbitro.

De 2010 para cá o Grêmio fez sete jogos como mandante fora de Porto Alegre. A média de público nessas partidas é de 8.848 (7.519 pagantes).

Desses sete, cinco foram pelo Brasileirão (os cinco em Caxias do Sul). Média das cinco partidas de Brasileirão disputadas em Caxias é de 11.786 (10.011). O público de sábado foi bem fraco, quase a metade do segundo pior, que foi registrado contra o Botafogo em 2014, numa quarta-feira, as 22 horas.

– Média de público do Grêmio na Arena na atual temporada:
23.255 (21.196 pagantes)

– Média de público do Grêmio como mandante em 2019:
22.173 (20.171 pagantes)

– Média de Público do Grêmio no Brasileirão 2019:
20.769 (19.071 pagantes)

Gremio x FortalezaFotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Grêmio 1×0 Fortaleza

GRÊMIO: Paulo Victor; Léo Moura, Pedro Geromel, Rodriguez e Leonardo Gomes;  Thaciano (André, aos 29/2ºT), Maicon, Alisson, Jean Pyerre  e Diego Tardelli (Patrick, aos 40/2ºT); Felipe Vizeu (Pepê, aos 9/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

FORTALEZA: Felipe Alves; Tinga, Quintero, Roger Carvalho (Natan, aos 30/1ºT) e Carlinhos; Felipe, Juninho, Marlon (Gabriel Dias, aos 31/2ºT), Romarinho e Osvaldo; Kieza (André Luis, aos 16/2ºT)
Técnico: Rogério Ceni

8ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2019
Data: 08/6/2019, sábado, 19h00min
Local: Estádio Centenário, em Caxias do Sul – RS
Público: 4.865 (3.761 pagantes)
Renda: R$ 153.420,00
Árbitro: Sávio Pereira Sampaio (DF)
Auxiliares: Bruno Boschilla (PR) e José Reinaldo Nascimento Júnior (DF)
VAR: José Claudio Roca Filho (SP)
Cartões amarelos: Alisson, Felipe, Marcelo Boeck, Felipe Alves, Carlinhos
Cartão vermelho: Osvaldo
Gol: Pepê, aos 44 minutos do 2º tempo

Brasileirão 1981 – Grêmio 2×0 Fortaleza

June 8, 2019
1981 zh fortaleza casa newmar

Foto: Zero Hora

 

O primeiro jogo entre Grêmio e Fortaleza em solo gaúcho aconteceu justamente no ano do primeiro título nacional do tricolor.

O confronto foi válido pela segunda rodada da segunda fase do Brasileirão de 1981. Na partida anterior, o Grêmio foi duramente derrotado pelo São Paulo no Morumbi, o que fez com que o técnico Ênio Andrade começasse a promover alterações na equipe. Casemiro fez seu primeiro jogo oficial como titular (ainda como lateral direito) na temporada e Newmar fez sua estreia na competição.

Newmar marcou o primeiro gol do jogo e (o então muito questionado) Baltazar fechou o placar no segundo tempo.

1981 zh fortaleza casa baltazar ado

Foto: Zero Hora

 

GRÊMIO SUPERA O FORTALEZA MAS A TORCIDA NÃO GOSTA
Apesar da vitória, o time do Olímpico, nervoso, mostrou muitos erros

O Grêmio venceu ao Fortaleza sem entusiasmar sua torcida no Estádio Olímpico. Com um gol de Newmar no primeiro tempo e Baltazar no início do segundo, o time de Ênio Andrade conseguiu assim assumir a vice-liderança do Grupo. Está ao lado do Internacional de Limeira contra quem joga domingo próximo, mas ganha o confronto por ter uma vitória enquanto o time paulista tem dois empates. O 2 a 0 não satisfez os torcedores e alguns jogadores inclusive reclamaram.

A vitória do Grêmio satisfez os otimistas e pessimistas. Os otimistas porque somente uma equipe teve iniciativa, apresentou um trabalho coletivo aceitável e construiu excelentes oportunidades de gol. Os pessimistas porque foi o Grêmio também que continuou mostrando problemas individuais ¡á conhecidos como a pouca objetividade de Odair e Renato Sá — sem falar em suas dificuldades para concluir com perigo — e a má fase de Baltazar que chegou a irritar a torcida com seus impedimentos sucessivos e gols perdidos.

Por isso junto com os aplausos ao final do primeiro tempo podiam ser ouvidas vaias que voltaram durante o segundo tempo ¡unto com os pedidos de alguns torcedores por Heber. Mas foi Baltazar o primeiro a levantar a torcida quando fez um gol, anulado, aos 10 minutos de jogo por causa de uma falta no goleiro. Não demorou muito para Newmar fazer o seu e tranqüilizar mais a torcida. Mas quem não mostrou tranqüilidade foi o time do Grêmio.

Mesmo enfrentando uma equipe fraca, com preparo físico deficiente e praticamente sem ataque — o Fortaleza só teve mesmo o ponteiro Mazola a tentar algo — o Grêmio mostrou muito nervosismo nas conclusões perdendo grandes situações de gol. Aos 27 por exemplo Baltazar perdeu de cima ao chutar no travessão uma cruzada de Tarciso. Na seqüência Renato Sá chutou para fora.

O segundo tempo iniciou bem, com um gol de Baltazar, logo a três minutos e o Grêmio seguiu dominando, criando boas situações de gol mas a repetição dos erros nas conclusões fez com que o resultado permanecesse o mesmo. Baltazar foi substituído por Heber e saiu bastante vaiado. Odair saiu para a entrada Vilson Tadei. Casemiro e Newmar, as novidades, saíram-se bem especialmente o primeiro que foi importante na ligação da defesa com o ataque.
Depois de De León obrigar Ado a fazer mais uma boa defesa tentando aumentar o resultado, foi a vez de Paulo Isidoro ter excelente chance. Nos últimos minutos Heber marcou mas o juiz não validou: o centroavante concluiu e Marcão tirou de dentro. Tanto o árbitro como o bandeirinha estavam mal colocados e não deram o gol.

O Placar

1 x 0 — Newmar para o Grêmio aos 13 min. do primeiro tempo. Odair cobrou o escanteio e o zagueiro de cabeça acertou o canto esquerdo do goleiro Ado que falhou, a bola veio de longe.

2 x 0 — Baltazar para o Grêmio aos 3 min. do segundo tempo. A jogada começou com um cruzamento de Casemiro pelo lado direito. Baltazar acertou o travessão do Fortaleza e no rebote, o centroavante marcos o segundo gol gaúcho.” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

Foto: Correio do Povo

 

REABILITAÇÃO NO OLÍMPICO MAS O TIME NÃO DESLANCHOU

Não foi a apresentação que a torcida esperava. Mas a vitória de 2 a 0 sobre o Fortaleza serviu para reabilitar a equipe, que vinha de três derrotas consecutivas. O Grêmio, ontem à noite no Olímpico, voltou a ser um time inseguro, com muitos defeitos. Os estreantes Casemiro e Newmar saíram-se bem e devem ser mantidos por Ênio Andrade para o jogo de domingo, em Limeira. O Fortaleza foi uni adversário fraco, em nenhum momento chegou a ameaçar o bicampeão gaúcho. Com esta vitória e o empate do São Paulo, o Grêmio subiu à vice-liderança no Grupo 1.

PRIMEIRO TEMPO — Após um início nervoso, o Grêmio, aos 10 minutos, dominava a partida, e tudo fazia prever que venceria fácil, já que o adversário não demonstrava nenhuma qualificação para impedir a derrota. Aos 8 minutos Baltazar atirava para as redes, mas o árbitro anulou o lance, marcando falta no goleiro Ado. Aos 18 minutos, Newmar inaugurava o, marcador, aliviando a tensão da torcida. Tarciso cobrou bem um escanteio da direita, e zaga do Fortaleza confundiu-se e o zagueiro, de cabeça, surpreendeu Ado. A partir daí o Fortaleza abriu-se, dando espaços para as penetrações gremistas, que no entanto não foram aproveitadas, desperdiçando sucessivas chances de ampliar o placar. Aos 30 minutos, o domínio do time de Ênio Andrade era total, Baltazar, depois de excelente jogada de Isidoro, atirou no travessão. Aos 37 nova chance foi desperdiçada, com Renato Sá arrematando para boa defesa de Ado. Faltou maior tranqüilidade para o ataque do Grêmio.

SEGUNDO TEMPO — Nos 45 minutos finais a equipe gremista voltou com maior disposição, e logo a 1 minuto Tarciso deixou de marcar o segundo. Na seqüência da jogada, a bola sobrou Para o lateral Casemiro, que lançou paria área, onde Baltazar estava colocado para concluir no paste. No rebote, Casemiro serviu novamente Baltazar que concluiu para as redes, marcando o segundo gol gremista. A partir daí o domínio do time de Ênio Andrade foi total, pois o adversário acabou sendo envolvida, limitando-se a um esquema defensivo paria evitar a goleada. A superioridade do Grêmio foi tão notória que o goleiro Leão, em toda a partida, fez apenas urna defesa. E isso aos 29 minutos, quando Tiquinho, num dos raros ataques do Fortaleza, chutou de fora da área.

A vitória foi justa, e o resultado de 2 a O não refletiu o domínio do Grêmio, que deixou de aplicar uma goleada no time cearense.

DETALHES TÉCNICOS

Arbitragem do paranaense Eraldo Palmerini, com um trabalho apenas regular. Foi auxiliado pelos catarinenses Iolando Rodrigues e Alvir Renzi” (Correio do Povo, sexta-feira, 13 de março de 1981)

1981 zh fortaleza casa baltazar

Foto: Zero Hora

 

“Jogo ruim onde o Grêmio chutou 27 bolas a gol marcou só duas vezes, prova da fragilidade do Fortaleza e da inoperância do ataque gremista” (Emanuel Mattos, Revista Placar, Edição n.º 566 – 20 de março de 1981)

 

1981 chamada gaucha gremio fortaleza

TARCISO E ISIDORO PEDEM MAIS APOIO

O jogo recém havia terminado e foi o ponteiro Tarciso o primeiro a fazer críticas ao comportamento da torcida do Grémio durante o jogo contra o Fortaleza. “É uma pena a torcida não ter compreendido e não nos aplaudir nesta vitória muito importante” disse ele. Logo depois foi a vez de Paulo Isidoro desabafar:

— Acho que é bobagem ficar se preocupando com isto. Mas se a torcida não está satisfeita que entre ela em campo e faça o que nós estamos fazendo!

Todos os jogadores sem exceção estranharam as atitudes da torcida impaciente em muitos momentos e inclusive vaiando a alguns jogadores especialmente a Baltazar. Tadei chegou a fazer um apelo dizendo que “este e o início de urna nova etapa onde todos precisam se unir para ajudar o clube”. E o zagueiro Newmar, tentou dar uma pista para o problema: “creio que é uma consequência dos erros nas conclusões” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

ÊNIO VAI MANTER TADEI NA EQUIPE

Com o resultado de 2 a 0 definido desde o início do segundo tempo, o técnico Ênio Andrade tratou de aproveitar os 21 minutos finais para testar aquela que deverá ser a formação da equipe no jogo contra o Internacional: com Vilson Tadei na meia cancha e Renato Sá na ponta esquerda, saindo Odair.

— O Tadei e um jogador de habilidade e como o Renato faz um trabalho Importante na ligação do ataque com a meia cancha, tornando a equipe menos vulnerável, poderei escalar os dois neste jogo em Limeira.

Enio Andrade diz que estranhou o comportamento da torcida vaiando alguns jogadores em determinados momentos, elogiou o trabalho de Casemiro, e Newmar na primeira partida de ambos na equipe explicando que eles poderão continuar, o mesmo acontecendo com Vilson Tadei. “Com o jogo definido tratei de já ir testando esta nova formação”, disse ele. ” (Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

 

1981 classificaççao

Fonte: Zero Hora

 

RUY CARLOS OSTERMANN: “TORCEDOR E TIME

A indispensável vitória veio. Dois a zero, mas com ela vieram também as situações desperdiçadas, o fracasso do Baltazar para a hora de fazer o gol o a irritação da torcida. Prestei atenção. Uma parte se justifica porque o torcedor exige mais qualidade em campo. Mas outra parte pertence a uma relação conflituada do torcedor com alguns jogadores. O exemplo mais evidente é o de Renato Sá. Jogou relativamente bem, justificou-se. Não é craque mas cumpriu com o seu trabalho, sacrificou-se, enfim, correspondeu. O técnico do Fortaleza, depois do jogo, inocente em relação ao ambiente, disse que número dez do Grêmio é bom demais. E até repetiu para o repórter da Rádio Gaúcha.

Há, portanto, duas coisas: os fatos e as opiniões. Geralmente deveriam estar combinadas mas na avaliação do time de Ênio Andrade não estão. Há queixas, azedumes, ressentimentos interferindo na apreciação do time que está em campo. E estas dificuldades pessoais ficam quase graves quando reaparece o erro demasiado, tão comum com o time do Grêmio. O gol perdido, o chute errado, o passe mal feito, o desencontro irritam muito ao torcedor. O Grêmio vive um momento de difícil aceitação mútua, torcedor e time. O 2 a 0 deveria ter sido quatro ou cinco. E mesmo assim não sei.” (Ruy Carlos Ostermann, Zero Hora, sexta-feira, 13 de março de 1981)

Grêmio 2×0 Fortaleza

GRÊMIO: Leão; Casemiro, Newmar, De León e Dirceu; China, Paulo Isidoro e Renato Sá; Tarciso, Baltazar (Eber) e Odair (Vilson Tadei)
Técnico: Ênio Andrade

FORTALEZA: Ado; Roberto, Marcão, Totó e Roner; Chinesinho, Odilan (Bosco) e Dudé; Mazola, Chico Explosão (Rogério) e Tiquinho.
Técnico: César Morais

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – Grupo I – 2ª Rodada
Data: 12 de março de 1981, quinta-feira, 21h00min
Local: Estádio Olímpico- Porto Alegre
Público: 16.044 (14.947 pagantes)
Renda: Cr$ 1.691.630,00
Árbitro: Eraldo Palmerini (PR)
Auxiliares: Iolando Rodrigues e Alvir Renzi (SC)
Gols: Newmar aos 13 minutos do 1º tempo e Baltazar aos 3 minutos do 2º tempo