Archive for the ‘Gre-Nal’ Category

Gauchão 1995 – Grêmio 2×1 Inter

August 13, 2020

Foto: Ricardo Chaves (Zero Hora)

 

Há exatos 25 anos o Grêmio conquistava o Campeonato Gaúcho de 1995, ao ganhar o clássico Gre-Nal por 2×1 no estádio Olímpico, na partida de volta da final do certame.

O público total de 57.407 pessoas é o maior do Grêmio como mandante em Gre-Nais nos últimos 30 anos.

Foto: Guaracy Andrade (Zero Hora)

Foto: Paulo Franken (Zero Hora)

Foto: Guaracy Andrade (Zero Hora)

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

GRÊMIO SE IMPÕE O GANHA O TÍTULO

A aposta de Luiz Felipe foi mais uma vez correta e garantiu o 30º campeonato para a equipe

Nos últimos dias Porto Alegre se enfeitou em tons de azul e vermelho, preparando-se para a grande festa do futebol gaúcho, o Gre-Nal decisivo pela 75ª edição do campeonato, ontem à tarde, no Estádio Olímpico. Ao longo dos 90 minutos, o Grêmio, que vive uma fase fascinante, se impôs ao seu eterno rival, venceu por 2 a 1 com méritos (depois de empatar no Beira Rio em 1 a 1) e conquistou o seu 30º título gaúcho, aproximando-se dos 32 do Inter. Um excelente público – 57.407 espectadores — prestigiou o espetáculo em uma tarde quente e abafada, e o avermelhado anoitecer foi invadido por um azul conste e vibrante.

O Grêmio começou a vencer antes do jogo, na capacidade tática e na esperteza psicológica do técnico Luiz Felipe. Depois de anunciar um time com apenas três titulares (Rivarola, Luciano e Dinho), mais três eram acrescentados na hora de entrar em empo (Carlos Miguel, Paulo Nunes e Roger). O Grêmio havia decidido arriscar. E deu certo. A partir desta configuração se impôs a um Inter atônito, sem vibração e mal estruturado. Abel escalou Marcelo e Nando, dois meias lentos, e expurgou o eficiente ponta-de-lança Zé Alcino para a ponta-esquerda. O Grêmio dominou o meio-campo, confundiu a marcação de Marcio e Marcelo com os deslocamentos de Paulo Nunes para a esquerda e Carlos Miguel para a direita, enquanto Roger conteve o veloz. Loiola.

O chute de Carlos Miguel, aos cinco minutos, no poste esquerdo, foi o primeiro sinal desta superioridade. A defesa do Inter, mal posicionada, teve outro momento de indecisão aos 7min30seg e o centroavante Nildo soube aproveitar um rebote e chutar com perfeição, de pé esquerdo, sem chances para Goycochea: 1 a 0. Aos 25 minutos, Gélson acertou o poste esquerdo e o Inter acordou. A reação, no entanto foi lenta, desconexa.

Se o objetivo do Grêmio era manter o domínio no meio, apesar da lentidão de Mancini, o lnter precisava reagir. O lance em que o goleiro gremista Silvio disputa a bola com Leandro e este cai na área, foi duvidoso e o juiz nada marcou nada. Mas era um indicio. O empate aos 71min30seg em chute de Zé Alcino, foi justo pela dedicação — talvez o único mérito colorado. A ilusão do equilíbrio durou exatos 4 segundos, quando Marcão falhou e Carlos Miguel fez 2 a 1.

 Enquanto apenas uma peça do sistema gremista estava desajustada, no Inter ocorria o contrário, porque só Leandro, César Prates e Goycochea conseguiam bons resultados. Abel arriscou e colocou Caíco na vaga de Zé Alcino aos 16 minutos e aos 20, Vagner no lugar de Marcelo. O time melhorou, mas não o suficiente para empatar. Wagner teve essa chance aos 42 minutos, mas o goleiro Silvio fez uma excepcional defesa – e garantiu a festa.” (Júlio Sortica, Zero Hora, segunda-feira, 14 de agosto de 1995)

O DESEMPENHO DAS EQUIPES (Zero Hora, 14 de agosto de 1995)
GRÊMIO INTER
Chutes a gol 16 8
Cabeceadas a gol 0 3
Escanteios a favor 0 3
Impedimentos 1 4
Faltas 22 18
Cartões Amarelos 5 4
Cartões Vermelhos 1 1
Roubadas de bolas 30 22

 

OS PRINCIPAIS MOMENTOS

Primeiro tempo:

5min — No rebote de um, jogada de Marco Antônio, pela direita, Carlos Miguel chutou na trave.

7min30s — Paulo Nunes, pelo meio, passou para Marco Antonio, que cruzou pela direita. Argel falhou, e Nildo, calmamente, chutou no canto direito de Goycochea. Gol do Grêmio.

24min — Mancini cruzou pela direita, a zaga colorada rebateu e Gélson pegou o rebote, chutando na trave.

42min — Marco Antonio chutou no meio do gol e Goycochea defendeu em dois tempos.

Segundo tempo:

2min40s — Nando, pela esquerda, chutou forte, Silvio fez boa defesa parcial, mas Leandro conseguiu pegar o rebote. A torcida colorada reclamou de passível falta sobre o centroavante colorado.

7min — Loiola cruzou duas vezes, para Zé Alcino no chutar forte, no ângulo direito de Sílvio. Gol do Inter.

8min — Resposta imediata do Grêmio. Nildo recebeu na frente área e fez o passe para Carlos Miguel, pela esquerda, que, cara a cara com Goycochea, chutou forte para marcar o gol do título.

16min — Caíco substituiu Zé Alcino.

20min — Vágner substituiu Marcelo

26min — Expulsão de Nildo, que deu carrinho por trás em Loiola.

27min — Arce substituiu Paulo Nunes.

29min — Expulsão de Márcio, que desobedeceu a distância regulamentar para a cobrança de uma falta.

38min — Alexandre substituiu Marco Antônio.

39min — Em sua primeira jogada, Alexandre perdeu o gol no contra-ataque gremista, na boa intervenção de Marco Antônio

41min — Ótima jogada de Wagner, que entrou a drible, da esquerda para meio, e chutou forte no canto direito de Silvio, que fez exuberante defesa.

45min — Carlos Miguel cobrou falta, no ângulo esquerdo de Goycochea. Outra grande defesa, desta vez do goleiro colorado.”(Marcelo Ferla, Zero Hora, segunda-feira, 14 de agosto de 1995.”

O MELHOR DO GRENAL

— O Campeonato Gaúcho voltou aos velhos tempos, pelo menos na sua final. Mais de 45 mil torcedores motivados para um Gre-Nal decisivo, combativo e com poucas jogadas de violência, normais neste tipo de jogo.

— O comportamento das torcidas foi exemplar, incentivar, do as suas equipes durante toda a tarde, sem provocar brigas. Enquanto a violência nas arquibancadas é um sério problema do futebol brasileiro, as torcidas gaúchas dão uma boa mostra de esportividade.

— A presença de menores e mulheres no estádio é uma bela realidade. Foram 7.330 crianças até 12 anos presentes ao jogo. Cada vez mais mulheres e jovens vão aos estádios. Um interessante e salutar fenômeno comportamental, que indica longa vida ao futebol tetracampeão do mundo.

— Aos gritos de “ela fica”, a torcida gremista divertiu-se antes da partida. Tudo por conta de um casal de jovens colorados que tentou ver o jogo das cadeiras especiais do estádio Olímpico. “Expulso” civilizadamente das cadeiras tricolores, o casal foi conduzido para o lado colorado, apesar de a massa gremista pedir a permanência da bela torcedora rival.

-O santanense Fábio Perez, que ficou conhecido como o “Torcedor 24 Horas” na Copa América, por estar sempre à frente do hotel do Brasil, esteve no Olímpico para fazer uma campanha pela paz nos estádios. É gremista.

– Os centroavantes merecem destaque: Nildo, por ter feito dois gols nas finais, e vencido um terrível período de lesão, depois de consagrado como o herói da Copa do Brasil do ano passado. Leandro, por demonstrar mais uma vez, e apesar de ter poucas chances, muita qualidade e amor ao clube.” (Marcelo Ferla, Zero Hora, segunda-feira, 14 de agosto de 1995)

O PIOR DO GRENAL

— O presidente colorado, Luiz Fernando Zachia, falou de um complô para a vitória gremista. É discutível um lance de Sílvio com Leandro (seria pênalti para o Inter), mas a declaração do dirigente é um exagero.

— Foi incrível o número de passes errados dados pela equipe colorada no primeiro tempo. Qualquer tentativa de fazer a bola chegar ao ótimo Leandro ficou inviabilizada.

— Em formação, mas dedicada exclusivamente ao campeonato gaúcho, contrariamente ao Grêmio, que está envolvido de forma prioritária em outras competições, a equipe colorada decepcionou mais uma vez. A grandeza do Sport Club Internacional e de sua torcida não suporta mais um time apenas razoável.

— As torcidas organizadas do Inter reclamaram dos critérios do Grêmio, que proibiu a colocação das faixas nas muretas das arquibancadas e cadeiras.

— Mais uma vez não havia reserva de cabines para os repórteres dos jornais que trabalharam na partida, dificultando o trabalho da imprensa.

— Depois de expulso, o meia campista colorado Márcio teve atritos com alguns companheiros da própria equipe, ainda no campo. Uma atitude negativa que atrapalhou o Inter, diminuindo o tempo de recuperação (o placar era adverso), e do ponto de vista ético. O treinador e a direção coloradas parecem não ter gostado do comportamento de Márcio.

— O zagueiro Argel, já convocado para Seleção Brasileira, não justificou a fama nas finais. Falhou muitas vezes, inclusive no lance que originou o primeiro gol do Grêmio, marcado por Nildo.” (Marcelo Ferla, Zero Hora, segunda-feira, 14 de agosto de 1995)

Fonte: Zero Hora

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Foto: Placar

Grêmio 2×1 Inter

GRÊMIO: Sílvio; Marco Antônio (Alexandre Xoxó), Rivarola, Luciano e Roger; Dinho, Gélson, Vágner Mancini e Carlos Miguel; Paulo Nunes (Arce) e Nildo
Técnico: Luiz Felipe Scolari

INTERNACIONAL: Goycochea; Marcão, Argel, Jonílson e César Prates; Márcio Bittencourt, Marcelo Rosa (Wagner Aquino) e Nando; Mazinho Loyola, Leandro Machado e Zé Alcino (Caíco)
Técnico: Abel Braga

Campeonato Gaúcho 1995 – Final – Jogo de volta
Data: 13 de agosto de 1995, domingo, 16h00min
Local: Olímpico, em Porto Alegre (RS)
Público: 57.407 (45.232 pagantes)
Renda: R$ 377.426,00
Árbitro: Sílvio Oliveira
Auxiliares: Altemir Hausmann e Silvio Rogeri Silva
Cartões Amarelos: Carlos Miguel, Roger, Dinho, Sílvio; Argel, Marcão e Jonílson
Cartões Vermelhos: Nildo; Márcio Bittencourt
Gols: Nildo, aos 7 minutos do 1º tempo; Zé Alcino, aos 7 minutos e Carlos Miguel, aos 8 minutos do 2º tempo

Gauchão 2020 – Grêmio 2×0 Inter

August 6, 2020

Foto: Mauro Schaefer (Correio do Povo)

Foto: FGF

Foto: Lucas Uebel (Grêmio.net)


GRÊMIO: Vanderlei, Orejuela, Geromel, Kannemann e Cortez; Maicon, Matheus Henrique (Lucas Silva), Everton, Jean Pyerre (Isaque) e Alisson; Diego Souza
Técnico: Renato Portaluppi

INTER: Lomba, Rodinei, Fuchs, Cuesta e Moisés; Musto, Edenílson (Pottker), Marcos Guilherme (Patrick) e Boschilia; Thiago Galhardo e Guerrero
Técnico: Eduardo Coudet

Gauchão 2020 – Segundo Turno – Final
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre -RS
Data: 05 de agosto de 2020, quarta-feira, 21h30min
Árbitro: Leandro Vuaden
Assistentes: Lúcio Beiersdorf Flor e José Eduardo Calza
VAR: Jean Pierre Lima
Cartões amarelos: Matheus Henrique, Paulo Victor e Kannemann; Boschillia, Guerrero, Moisés, Thiago Galhardo e Musto
Cartões Vermelhos: Orejuela e Patrick
Gols: Maicon, aos 4 minutos e Isaque, aos 35 minutos 2º tempo

Gauchão 1995 – Inter 1×1 Grêmio

August 5, 2020

 

Foto: José Doval (Zero Hora) – Fonte: Acervo Histórico do Grêmio

 

Tenho lembrado aqui no blog, de jogos memoráveis da temporada de 1995 do Grêmio, no exato dia que completam 25 anos de seu acontecimento. Da mesma maneira, tenho tentado lembrar algum confronto prévio do próximo adversário do tricolor, pela mesma competição, com o mesmo mando de campo.

Aproveitando o gancho da final do segundo turno do Gauchão de 2020, a ser disputada na Arena, tomei a liberdade de contornar um pouco essa regra, postando sobre o primeiro jogo da Final do Gauchão de 1995 alguns dias antes.

Foram essas finais que consagraram o “Banguzinho” gremista. Nessa partida do Beira-Rio Felipão escalou apenas 3 titulares, sendo que Arílson atuou improvisado de lateral-esquerdo (opção que o técnico tricolor tinha descartado para as finais da Copa do Brasil daquele ano).

Vale lembrar que, aquela altura da temporada, o Grêmio já havia feito 16 partidas a mais que o Internacional. Esse confronto de ida foi o 62º compromisso do Grêmio no ano, enquanto os colorados estavam entrando em campo “apenas” pela 46ª vez.

Foto: Porthus Junior (Pioneiro)

O EMPATE NO GRE-NAL DEIXA TUDO IGUAL

O título de campeão gaúcho da temporada será definido no clássico do próximo domingo no estádio Olímpico

O clássico de ontem, disputado numa ensolarada tarde de inverno diante de mais de 45 mil pessoas, se caracterizou muito mais pela combatividade do que pelo talento. Uma tradição, aliás, que acompanha e tantos Gre-Nais. Nem Inter nem Grêmio – que jogou com a equipe reserva – conseguiu se impor tecnicamente para garantir uma vitória. Os gols de Loiola, aos 28min do primeiro tempo, e de Nildo, também aos 28min, mas do segundo tempo, ficaram como a expressão maior de uma partida de raros lances de gols e momentos de emoção,

Se nas arquibancada o confronto entre colorados e gremistas dava ampla vantagem aos donos da casa, com mais de 70% da torcida, em campo os dois times mostraram desde o começo do jogo que o Gre-Nal seria essencialmente equilibrado. Os primeiros minutos já evidenciava as principais características do clássico de ontem: muitas disposição dos jogadores, alto número de faltas (57 no total) e raros instantes de inspiração.

O Inter conseguiu se colocar em vantagem com gol de Loiola ainda no primeiro tempo. Numa falha de marcação, o atacante colorado não perdeu tempo e venceu o goleiro Silvio num chute cruzado pela direita. O 1 a 0, no entanto, não era consequência de uma vantagem técnica coletiva e sim o bom aproveitamento de uma jogada circunstancial.

Atrás no placar, o Grêmio passou a batalhar em busca da igualdade. A partir do gol colorado, tornou-se uma equipe mais ousada e insistente nas jogadas de ataque. Bem posicionada em campo, tentava alternas seus lances ofensivos pela direita e pela esquerda, ao contrário do primeiro tempo, quando quase sempre avançava pela direita. O Inter sentiu a pressão e tentava segurar a vitória. A recompensa gremista surgiu aos 28min do 2º tempo, quando Nildo venceu o até então imbatível Goycochea.

A rigor, o empate em 1 a 1 encaminhou a partida para um final quase sem situações que reservassem outras emoções aos torcedores. Os últimos 19 minutos do clássico se arrastaram numa alternância de substituições, faltas e pouca bola rolando de pé em pé. A exceção de um único lance, aos 47min, momentos antes do árbitro Luiz Cunha Martins encerrar o jogo, quando Nando perdeu uma chance de gol ao dividir a bola com o goleiro Silvio” (Pedro Haase Filho, Zero Hora, 7 de agosto de 1995)

Foto: Arivaldo Chaves (Zero Hora)

O DESEMPENHO DAS EQUIPES (Zero Hora, 7 de agosto de 1995)
INTER GRÊMIO
Conclusões a gol 6 12
Escanteios a favor 5 5
Faltas cometidas 28 30
Impedimentos 6 6 1

Foto: Guaracy Andrade (Zero Hora)

OS PRINCIPAIS MOMENTOS

PRIMEIRO TEMPO

6min — Marco Antônio cruza fechado da direita. Goycochea sai bem do gol e coloca para escanteio

8min — Loiola é lançado, avança pela ponta, cruza som perigo e Silvio evita a conclusão de Leandro

10min – Grêmio tem uma falta na entrada da grande área. Goiano chuta mal, na barreira

15min – Marco Antônio cobra falta com força. Goycochea está bem colocado e defende com tranquilidade

26min — Argel, sem marcação, tem a chance de marcar o gol mas chuta cruzado e forte para fora

27min – Leandro tenta cabecear, a bola sai fraca, sem perigo para o goleiro Silvio

28min — Loiola recebe pelo meio, livre, avança pela grande área e chuta cruzado para fazer 1 a O

30min – Marco Antônio cobra falta com for’:-‘ esquerda, Goycochea faz boa defesa

34min- Tabela de Márcio e Marco Antônio na direita, este cruza com perigo, mas Goycochea evita a conclusão de Nildo

45min – Rivarola perde o gol, concluindo para fora quase em cima da linha do gol de Goycochea

SEGUNDO TEMPO

40S — Goiano tenta o chute pelo meio, mas a bola vai para fora, sem perigo para Goycochea

4min — Paulo Henrique é lançado pela esquerda, dribla Rivarola e chuta cruzado para uma boa defesa de Silvio

11min — No contra-ataque, Márcio avança pelo meio sozinho e ao tentar driblar Goycochea perde a bola para o goleiro

13min — Goiano chuta com força falta pela esquerda, Goycochea faz grande defesa

18min— Rebote na entrada da área, Goiano chuta desequilibrado, por cima e sem perigo

20min — A bola sobra para Élson, sem marcação, na frente do gol, que não consegue cabecear e Sílvio defende

28min — Arílson faz grande jogada pela esquerda, cruza para a grande área e Nildo cabeceia para encobrir Goycochea e fazer o gol do empate em 1 a 1

42min — Argel cobra falta de longe e chuta forte mas por cima, longe da goleira

47min — Nando recebe livre pelo meio, entra na área e divide a bola com o goleiro Silvio, que consegue cortar o lance.”(Pedro Haase Filho, Zero Hora, 7 de agosto de 1995)

O PIOR DO JOGO

– Às 15h20min de ontem, exatamente 40 minutos antes do início do Gre-Nal, um torcedor do Grêmio protagonizou uma perigosa e inútil proeza no Beira-Rio, tendo como únicas recompensas os aplausos de alguns companheiros e a entrada de graça no estádio. O torcedor conseguiu escalar uma das janelas ao lado da rampa 2, e foi puxado por outros gremistas, depois de balançar perigosamente no ar durante intermináveis segundos. Foi o registro negativo — notado apenas por poucas pessoas — numa tarde de muitos destaques positivos, mas que poderia ter acabado em tragédia.

– Um vendedor de churrasquinho colocou o seu equipamento bem na passagem ao lado do Gigantinho, atrapalhando a circulação dos torcedores. Ninguém o molestou. O vendedor de rádios também não fez grandes negócios, embora com a proximidade do início do jogo tenha rebaixado o preço de cada unidade para RS 10,00. “E ainda leva as pilhas de promoção, doutor”, gritava.

– Dentro do estádio, os torcedores aplaudiram, xingaram, gritaram, se emocionaram — e vigiaram. O pessoal da coréia que viu o zagueiro Argel sair com uma camiseta do Grêmio nas mãos, no intervalo, não perdoou e cobrou. “Joga ela fora, Argel”, pediram os coreanos. O pedido não foi atendido.

–  Também no intervalo houve novamente uma distribuição de bolas à torcida, chutadas pelos garotinhos das escolinhas de futebol do Inter. Na pista de atletismo, o torcedor Xuxu, gordíssimo, andava de um lado para outro, nervoso apesar da vitória parcial de 1 a 0. Xuxu está precisando confiar mais no seu time. E de um regime.

– A volta do Inter para o segundo tempo demorou 22 minutos, muito além dos 15 consentidos para o intervalo. Até os torcedores colorados já estavam começando a ensaiar algumas vaias, num raro momento de impaciência. Mas quando o Grêmio empatou o jogo, eles conseguiram continuar cantando o nome do seu time, -Inter, Inter”,com orgulho e generosidade.” (Cláudio Dienstmann, Zero Hora, 7 de agosto de 1995)

Foto: Ricardo Chaves (Zero Hora)

Inter 1×1 Grêmio

INTERNACIONAL: Goycochea, Marcao, Argel, Jonilson e Cesar Prates; Marcio Bittencourt, Elson, Marcelo (Nando); Mazinho Loyola, Leandro e Paulo Henrique (Ze Alcino).
Técnico: Abel Braga

GRÊMIO: Silvio, Marco Antonio, Rivarola, Scheidt e Arilson; Gelson, Luis Carlos Goiano e Vagner Mancini; Marcio (Arce), Nildo e Alexandre Xoxó (Jaques)
Técnico: Luiz Felipe

Gauchão 1995 – Final – Jogo de Ida
Data: 06 de agosto de 1995, domingo, 16h00min
Local: Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Publico: 45.480 (36.904 pagantes)
Renda: R$ 263.312,00
Juiz: Luiz Cunha Martins;
Auxiliares: José Carlos Oliveira e Cesar Arruda
Cartões amarelos: Argel, Cesar Prates, Marcio Bittencourt, Elson, Scheidt, Arilson, Goiano, Vagner Mancini, Marcio, Alexandre e Jaques
Gols: Mazinho Loyola, aos 28 minutos do 1° tempo; e Nildo aos 28 do 2°tempo;

Gauchão 1990 – Grêmio 4×1 Inter

July 29, 2020

Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

 

Há exatos 30 anos, o Grêmio goleava o Internacional por 4×1 e conquistava o Gauchão de 1990, o seu sexto título estadual em sequência. Vale lembrar que o tricolor precisava apenas de um empate para levantar a taça.

Nessa última partida o Olímpico recebeu 24.916 pagantes. O baixo público se explica pelo fato de a diretoria gremista ter interditado a arquibancada superior do Olímpico, se antecipando a uma futura interdição pela Federação Gaúcha de Futebol (interdição que foi provocada pela denúncia do ex-dirigente colorado e então colunista Hugo Amorim).

 

 

Foto: Luiz Avila (Zero Hora)

VALEU A PENA ESPERAR PELO HEXA COM GOLEADA

Análise técnica

Uma goleada que a torcida gremista não vai esquecer. 4 a 1, ao natural, sem precisar forçar muito em cima de um Inter totalmente desestruturado. Apesar da goleada histórica, foi um jogo de baixo nível técnico. O Grêmio, cauteloso em conseqüência de erros defensivos de jogos anteriores, entrou em campo visivelmente com a intenção de não se abrir, esperando que o Inter desse espaços para o contra-ataque. E como Assis fez um gol de falta logo no quinto minuto, a disposição defensiva se evidenciou ainda mais.

Mazaropi ficava a trocar passes com os zagueiros, os laterais marcavam forte, até com violência, Jandir ficava plantado à frente da zaga, e até o ponteiro Paulo Egídio ajudava a marcar no meio. Diante de tamanha preocupação defensiva, os setores de meio-campo e ataque do Inter, normalmente pouco produtivos, se mostraram ainda mais ineficientes. Era o lateral Chiquinho quem tentava compensar, somando-se ao ataque. Mas era muito pouco.

Foi após falta cobrada por Chiquinho, no início do segundo tempo, que o Inter empatou. Ajuda do acaso. E o jogo, se ganhava em emoção, continuou ruim em qualidade. De bonito, o grande gol de Cuca aos 19, o que acabou de vez com as chances cobradas. A partir dele a violência aumentou, Marcelo Pratas foi expulso e Paulo Egídio fez dois gols em falhas horrorosas de um medíocre Inter.

Análise tática

Ao Inter só interessava vencer na tarde de ontem. Daí que se esperava uma disposição tática mais ofensiva do time que entrou em campo para tentar estragar o hexacampeonato do Grêmio. Mas frustraram-se aqueles que esperavam tal ofensividade. Para começar, o técnico Ernesto Guedes optou por colocar na lateral-esquerda um jogador bom na marcação, mas ruim no apoio, que é Célio, deixando Daniel no banco. No meio colocou dois centromédios, Norberto e Júlio; e no ataque apenas Nelson e Edu, sendo que este último ainda sem a obrigatoriedade de ficar na ponta para ganhar o duelo com Fábio.

Assim, ficou fácil para o Grêmio controlar o jogo. Os quatro zagueiros do time de Evaristo Macedo ficaram presos à defesa (exceção feita a Luís Eduardo que fez duas investidas no ataque), Jandir era um quinto zagueiro, de grande eficiência, e do meio para a frente todos ajudavam na marcação, inclusive o centroavante Nilson, que em momento algum deixou Zabala ou Sandro sair com a bola dominada de trás.

No segundo tempo, quando o jogo estava 2 a 1 para o Grêmio e o campeonato praticamente definido, Guedes fez duas tardias tentativas de mudar o panorama do jogo. Tirou o meia-esquerda Luís Fernando, que nada havia feito, e colocou o ponteiro-direito Rudinei. E tirou Célio, colocando Daniel. Mas a equipe já estava psicologicamente arrasada. As trocas deram em nada.” (Nico Noronha, Zero Hora, 30 de julho de 1990)

NÚMEROS (Zero Hora, 30 de julho de 1990)
GRÊMIO INTER
Conclusões 7 4
Escanteios a favor 3 2
Faltas cometidas 27 14
Passes certos 47 34
Passes errados 25 16
Impedimentos 4 10
Defesas 4 4

Principais lances

PRIMEIRO TEMPO

 5 minutos — Falta na ponta-direita. Assis, surpreendentemente, cobra direto, no ângulo esquerdo. Gol (com ajuda do goleiro Maizena).

8 minutos — Edu cobra escanteio. Mazaropi falha e a bola entra no ângulo esquerdo. O juiz, equivocadamente, marca falta de Nelson no goleiro.

 20 minutos — Luís Eduardo atravessa todo o campo, ganha dividida com Sandro, mas na hora de chutar bate fraco, rasteiro e Maizena defende.

25 minutos — Nelson vira na frente de dois adversários e chuta. Mas a bola vai no meio do gol e Mazaropi defende.

34 minutos — Nelson cruza e Célio, desequilibrado dentro da pequena área, cabeceia fraco, para defesa de Mazaropi.

43 minutos — Chiquinho cobra falta de longa distância. Mazaropí faz a defesa no canto inferíor esquerdo.

SEGUNDO TEMPO

2 minutos — Chiquinho cobra falta. Fábio tenta aliviar, dá uma “rosca” para cima e a bola sobra para Zabala, que acerta o canto direito. 1 a 1.

19 minutos — Cuca domina fora da área, deixa a bola picar e então bate forte, alto, no meio do gol. Maizena, adiantado, não impede o gol.

31 minutos — Sandro tenta sair jogando e entrega a bola para Paulo Egídio, que invade a área, escolhe o canto direito e chuta rasteiro. 3 a 1.

40 minutos — Assis bate falta da direita, a bola desvia na barreira e vai a Paulo Egídio, que — sem marcação — cabeceia no canto esquerdo. 4 a 1.” (Zero Hora, 30 de julho de 1990)

 

Foto: Lemyr Martins (Placar)

“HUGO AMORIM: 

SEM ILUSÕES

Se o Internacional tivesse ganho o Gre-Nal, mesmo assim o Grêmio seria hexa, pois o Caxias não foi além de um empate com o Juventude.

Eu fiz o que pude, até nestas últimas semanas nas quais pela lógica tudo já estava perdido, para ajudar o Caxias, tentando impedir a conquista gremista. Fi-lo por ser um dever, mas em nenhum momento acreditei fosse possível. Não sou bobo. O time do Grêmio é medíocre, porém a diferença de pontos era grande demais e OS times dos outros são piores. O Internacional, no quadrangular, ganhou quatro pontos em 12…

O escore (goleada, 451) do Gre-Nal foi exagerado, as duas equipes jogaram pouco. O Grêmio ganhou por aquilo que sempre falei: Cuca, Nilson e P. Egydio. Esta é (ou era, já que venderam Cuca) a diferença. Taticamente, o Internacional foi engraçado: Nelson atuou na ponta-direita e ninguém jogou de centroavante. Isto contra um Grêmio em cuja área qualquer bola, sobretudo alta, é meio gol. Deve ser “futebol moderno”…

Não é difícil formar um time superior ao do Grêmio. Todavia, o Internacional está longe disto. Este jogo deixou isto bem claro.

Objetivamente, não tenho ilusões. Em 68, uma goleada como a de ontem se constituiu em umas das motivações para a reviravolta de 69, o grande time de 74/75/76, o octa e tri brasileiro. Hoje, não vejo capacidades para algo similar.

Olímpico semi-interditado
Ficou lúgubre o Olímpico com as arquibancadas vazias. A direção do clube, não tendo conseguido um laudo favorável à consistência desta parte do estádio, sensatamente não a usou no Gre-Nal. Eu, denunciante solitário do gravíssimo problema, cumprimento-a por isto. É melhor arcar com o terrível ônus de demolir e reconstruir (quando for possível) tudo aquilo do que colocar em risco milhares de vidas. No entanto, conto o Odone falou que na 6ª o Hofmeister tentou interditar o estádio, talvez a medida tenha sido apenas para “correr na frente”.” (Hugo Amorim – Zero Hora, 30 de julho de 1990)

Foto: José Doval (Zero Hora)

“O Grêmio pode ser obrigado a en­frentar o São Paulo, amanhã à tarde, pela segunda fase da Copa do Brasil, no estádio do Inter. É que a Federação Gaúcha de Futebol interditou o Olímpico, por causa das arquibancadas superiores, que trepidam, sempre que o público toma este setor.

Preocupada com um possível acidente, a FGF resolveu interditar, O Próprio Grêmio lacrou a área para o Gre-Nal, temendo pelo pior.

O Presidente do Grêmio, Paulo Odone Ribeiro, argumenta que a interdição não passa de uma represália por causa dos desentendimentos do clube com a entidade. Os dirigentes passaram a tarde de ontem, enfurnados em uma sala de reunião para decidir qual a medida que o clu­be vai adotar para contornar a situação.” (Folha de Hoje, 1º de agosto de 1990)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Foto: Arivaldo Chaves (Zero Hora)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

placar paulo egidio

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

GRÊMIO: Mazarópi; Fábio Lima, João Marcelo, Luiz Eduardo e Hélcio; Jandir, Darci e Cuca; Assis, Nílson e Paulo Egídio
Técnico: Evaristo de Macedo

INTERNACIONAL: Maizena; Chiquinho, Célio Lino (Daniel Franco), Sandro Becker e Zabala; Júlio, Norberto e Luiz Fernando Gomes (Rudinei); Marcelo Prates, Nélson Bertollazzi e Edu Lima
Técnico: Ernesto Guedes

Data: 29 de julho de 1990, domingo, 15h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre – RS
Público: 24.916 pagantes
Renda: Cr$ 9.672.100,00
Árbitro: Renato Marsiglia
Auxilares: Carlos Kruse e Justimiano Almeida Gularte
Cartões Amarelos: Hélcio, Darci, Cuca; Júlio, Norberto e Marcelo Prates).
Gols: Assis 4’/1; Zabala 2’/2 ; Cuca 19’/2 ; Paulo Egídio 30’/2 (G); Paulo Egídio 40’/2 .

Gauchão 1990 – Inter 0x1 Grêmio

July 15, 2020
1990 gol nilson jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

Em 15 de julho de 1990, o Grêmio venceu o Gre-Nal 304 no Beira-Rio, em clássico válido pelo quadrangular final do Gauchão daquele ano.

O tricolor chegou até essa partida em uma condição mais favorável, tendo vencido a o compromisso de estreia na fase decisiva e carregando um ponto extra pela melhor campanha na fase classificatória. Por sua vez, o Inter estava bastante pressionado. Fora derrotado para o Caxias na primeira rodada do quadrangular, o que culminou com o pedido de demissão de Valdir Espinosa três dias antes do clássico. Ernesto Guedes reassumiu a equipe no Gre-nal, três meses depois de ter deixado o cargo.

Assim como aconteceu nosjogos da Copa do Brasil daquela temporada, o Grêmio entrou em campo com um fardamento sem a marca da Penalty. Na Placar há menção ao fato de da camisa, originalmente de manga longa, ter sido cortada para ficar do agrado dos jogadores, mas isso não explica porque não se vê a marca do fornecedor do material esportivo.

Esse foi o último jogo de Taffarel pelo Inter.

1990 gol 2 nilson jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

“GRÊMIO VENCE GRE-NAL E ESTÁ MAIS PERTO DO HEXA

Com a vitória de ontem a tarde, em pleno Beira-Rio, o Grêmio deu um passo importante para a conquista do título do campeonato gaúcho. Nilson, ex-jogador Colorado, fez o único gol da partida. A cinco pontos ao maior adversário, para o Inter, resta o consolo do Caxias conquistar o título da temporada, ao invés do tradicional rival. Na quarta-feira o Grêmio coloca em jogo a liderança, no Centenária, contra o Caxias, enquanto o Inter receber o Ju, no Beira-Rio.

Com a vitória no Gre-Nal de ontem, no Beira-Rio, o Grêmio praticamente assegurou o hexacampeonato. Com cinco pontos de vantagem sobre seu maior adversário a equipe de Evaristo de Macedo poderá dar um passo decisivo para conquistar o título se ganhar do Caxias, quarta-feira, no Centenário. O Inter com a derrota ficou na última colocação e pode ter dado adeus ao sonho de quebrar a hegemonia gremista neste ano.

Mas o técnico Ernesto Guedes que retornava ao Inter, falou toda semana que iria vencer, não cumpriu sua palavra. Sua equipe começou melhor com a iniciativa da partida já que o único resultado que lhe interessava era a vitória. Logo aos 13 min, Chiquinho acerta uma bola na trave de Mazaropi. A pressão colorada era forte. Marcelo Prates e Luís Fernando se movimentavam muito, confundindo a marcação gremista. O Grêmio não tinha espaços para jogar. Assis e Cuca eram figuras apagadas em campo. Seu ataque era improdutivo, Paulo Egidio não voltava para marcar. O 1° tempo terminou sem chances de gol para ambas os limes.

Na etapa final, Evaristo corrigiu a má postura do seu meio-campo. Ao contrário do 1º tempo, o Grêmio começou a arrematar na meta de Taffarel. Aos 3 min, após uma falta cobrada por Assis, quase Caio abre o placar. Aos 19 min. Cuca perdeu um gol feito, de cabeça depois do escanteio batido por Assis. A resposta do Inter só foi acontecer aos 22, numa grande defesa de Mazaropi, num chute perigoso de Nelson. O Inter começou a reagir. Edu quase marcou após uma confusão na área tricolor. Mas o Grêmio nos contragolpes perdia uma boa chance com Caio se atrapalhando todo na hora de concluir. Assis começou a se destacar no Gre-Nal. E foi através dele numa jogada pela esquerda que nasceu o único gol da partida, marcado pelo artilheiro do campeonato, Nilson.

No final, na tentativa de empatar, o Inter se lançou todo ao ataque. Se o empate não era bom resultado a derrota, então, praticamente eliminaria a equipe da disputa do titulo gaúcho. No desespero Guedes colocou o júnior de 17 anos, Rudinei, ponteiro, no lugar do lateral Célio. No Grêmio, João Antônio substituiu Paulo Egidio para segurar o escore. Nos contra-ataques, Assis chutando na trave e Nilson na defesa de Taffarel, por pouco não ampliaram para 2 a 0 liquidando a fatura. Agora, o Grêmio é líder absoluto na tabela do quadrangular. Para o Inter, não resta outra alternativa se não ganhar todos os quatro jogos que ainda restam, mesmo assim dependendo dos resultados dos adversários.
HORÁRIO As direções de Grêmio, Inter, Caxias e Juventude que disputam a fase final do Gauchão, tentam junto a Federação Gaúcha de Futebol, alterar o horário da 3ª rodada do quadrangular. As partidas que inicialmente estão marcadas para às 18h30m, conforme reunião do conselho arbitral podem passar para às 20h. O motivo alegado é que o comércio fechando às 19h, poucos torcedores tem tempo de chegar ao estádio. Ainda hoje, deve ser decidida a questão.

No Grêmio, o campeonato não está decidido

Após a vitória sobre o Internacional, o ambiente no vestiário tricolor, era de muita alegria. Com o resultado de 1 a O, a equipe encaminhou a conquista do hexacampeonato. Mas o pensamento no Olímpico é de que nada está ganho ainda, apesar de manter uma diferença de cinco pontos sobre o tradicional rival e a dois do Caxias, seu próximo adversário.

O autor do único gol da partida, o centroavante Nilson, deu uma resposta aos dirigentes colorados. “Meu gol, foi uma prova a eles de que não faço gols em decisões”, desabafou. O jogador Assis, eleito o melhor em campo, diz que sua atuação é fruto de um trabalho sério, por um lugar no time.

O vice-presidente de futebol, Rafael Bandeira dos Santos, avisa que tem muita coisa pela frente e que o campeonato não está decidido. ” Vamos para Caxias procurar manter o mesmo rendimento, saindo de lá com o título”, adiantou. O presidente Paulo Odone, aproveitou para conclamar a torcida tricolor a comparecer em massa no Centenário, quarta-feira. “Vamos pintar a serra de azul e festejar mais uma vitória”.

Para quarta-feira, a direção do Grêmio colocará ônibus de graça de Porto Alegre a Caxias para seus torcedores, cobrando apenas o valor do ingresso, a exemplo do que aconteceu em 1988.” (Pioneiro, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

“O prêmio do Gre-Nal pode motivar ainda mais os jogadores do Olímpico: Cr$ 20 mil para o caso de vitória. Nos tempos atuais, sem reajustes periódicos, o bicho estipulado eqüivale aos salários de vários jogadores no Grêmio, principalmente os jovens, que ganham nessa faixa” (Pioneiro, 14 de julho de 1990)

1990 luiz avila zh paulo egidio marcelo prates

Foto: Luiz Avila (Zero Hora)

GRÊMIO VENCE E DISPARA NO CAMPEONATO

[…]

O pentacampeão gaúcho começou o jogo apresentando defeitos táticos que permitiram uma boa presença ofensiva do Inter no primeiro tempo. Mas voltou modificado para a etapa final, corrigindo os erros de marcação na zaga e ocupando melhor os espaços no meio de campo que se aproximou mais do ataque. O gol surgiu naturalmente originado numa jogada coletiva do ataque que culminou com o meia Assis deixando Nilson na cara de Taffarel para  marcar o único gol da partida aos 31 minutos.  […]” (Luiz Reni Marques, Folha de Hoje, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

1990 paulo egidio sandro jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

GRÊMIO VENCE E FICA PERTO DO HEXA

Análise técnica

Assis é um jogador de qualidade técnica superior. E foi esta qualificação, o fator de desequilíbrio no jogo de ontem, no Beira-Rio. Sim, porque havia uma disputa muito grande no meio, a bola era dividida com força, o que tornava espetáculo feio e com várias faltas. Faltava o lance inteligente que superasse essas dificuldades. Pois no segundo tempo Assis jogou com esta inteligência. Ele achou o seu espaço em campo (entre a meia e a ponta esquerda), o time todo passou a ser cadenciado por ele, e a vitória premiou o Grêmio por ter se moldado ao seu futebol.

Mas no primeiro tempo, sem dúvida alguma, o Inter havia sido superior. Marcelo Prates, como um ponta de recuo, mostrava uma mobilidade muito boa; e Luís Fernando, igualmente numa função mais defensiva que o normal, conseguia jogadas de grande qualidade, embora faltasse a ele o arranque necessário para tornar mais objetivos esses lances que criava. Pois no segundo tempo, enquanto Marcelo se lesionava e Luís Fernando dava sinais de cansaço, crescia Assis, invertendo totalmente o panorama da partida.

Assim, se não chegou a ser um clássico de grande qualificação técnica, ao menos ficou a certeza de que ele girou basicamente em torno de jovens jogadores surgidos nas categorias inferiores de Grêmio e Inter. Essa realidade agrada. A renovação existe.

Análise tática

Para o Grêmio, o empate até que servia. Por isso, foi estranho ver o time entrar em campo com uma formação tática teoricamente mais ofensiva. Jandir como homem de marcação e dali para frente cinco jogadores com características de atacantes (Cuca, Assis, Caio, Nilson e Paulo Egidio). E se o Inter tivesse mais objetividade no ataque, teria liquidado com tal esquema ainda no primeiro tempo, pois encontrou facilidade para trocar bolas na intermediária gremista, e chutar a gol. Uma bola bateu no poste, outra Mazaropi botou a escanteio, outra raspou o travessão, enfim…

Mas no segundo tempo, embora todos os jogadores continuassem os mesmos, e o Grêmio permanecesse frágil em seu setor de marcação na intermediária, Evaristo fez a alteração tática que determinou o desequilíbrio. Ele exigiu maior movimentação de alguns jogadores — Caio e Nílson, principalmente — e deu a Assis a orientação para cair mais para a esquerda, tentando a triangulação com Paulo Egídio e Hélcio. E foi ali na esquerda, ao natural, que a realidade do jogo se inverteu, inclusive com a criação do lance fatal.

Ernesto Guedes, que já substituíra Marcelo Prates por Guga, ainda tentou dar mais ofensividade ao time, tirando o lateral alio e colocando o atacante júnior, Rudinei, em seu lugar. Mas a idéia não trouxe resultados e ficou provado, mais uma vez, que não é o número de atacantes que determina a capacidade ofensiva de uma equipe.” (Nico Noronha, Zero Hora, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

Foto: Fernando Gomes(Zero Hora)

NÚMEROS (Zero Hora, 16 de julho de 1990)
INTER GRÊMIO
Conclusões 12 10
Escanteios a favor 8 2
Faltas cometidas 30 27
Passes certos 39 36
Passes errados 23 19
Impedimentos 5 0
Defesas 3 6

1990 alfinete nelson valdir friolin zh

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

PRINCIPAIS LANCES
Primeiro tempo

13 minutos — Chiquinho arrisca o chute de fora da área e acerta o poste direito.
17 minutos — Falta. Edu encosta para Maurício que chuta forte, mas nas mãos de Mazaropi.

21 minutos — Após a falta, a bola sobra para Chiquinho que chuta de fora da área para nova defesa de Mazaropi.
28 minutos — Outro chute de longe por Chiquinho. Mazaropi põe a escanteio.
40 minutos — Cuca recebe na entrada da grande área e chuta de virada. Taffarel defende.

Segundo tempo
2 minutos — Falta na meia-esquerda. Assis chuta forte, Taffarel defende e no rebote Caio chuta por cima.
19 minutos — Assis cobra escanteio e Cuca cabeceia à direita de Taffarel.
22 minutos — Chiquinho lança Nelson e este bate rasteiro, para defesa de Mazaropi.
31 minutos — Boa troca de passes pela esquerda, Assis recebe e bate forte, rasteiro, e a bola passa pela pequena área. Nilson, no segundo pau, apenas empurra para dentro.
37 minutos — Nelson é lançado na grande área, mas Mazaropi se atira em seus pés e fica com a bola.
40 minutos — Assis bate escanteio fechado c a bola acerta o travessão.
44 minutos — Alfinete rouba a bola de Luis Fernando e passa a Nilson, que chuta fraco. Taffarel defende.” (Zero Hora, Segunda-feira, 16 de julho de 1990)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

1990 grenal assis paulo egidio placar

Foto: Lemyr Martins (Placar)

 

O HEXA ESTA AÍ

O centroavante Nilson era um artilheiro de mão única em Gre-Nais: só havia marcado gols pelo Internacional. Domingo passado, finalmente, ele alcançou a condição de goleador de mão dupla —e na mais gratificante das situações. Ao disputar seu terceiro clássico com a camisa tricolor, o primeiro do ano a valer alguma coisa, Nilson fez o 1×0 que botou a torcida gremista a cantar o hexacampeonato, além de reduzir seu ex-time a mero lanterninha do quadrangular decisivo.

Foi seu 19.º no Gauchão, cinco mais que o Nilson do Caxias, o que o torna praticamente inalcançável na artilharia do campeonato. Tudo isso teve, sobre o próprio centroavante, o efeito de uma descarga. “Liquidei com o time deles”, desabafou num vestiário com clima de campeão.

Com a diferença concreta de dois pontos sobre o Caxias, segundo colocado, e cinco na frente do Internacional, o time de Nilson mostrou nessas duas rodadas do quadrangular que a lógica é muito mais implacável do que os ingênuos cobrados poderiam imaginar. O Grémio não é nenhuma potência, mas desde o início pintou como o melhor time do campeonato. Da mesma forma, com a vitória sobre o Inter na quarta (2 x 1) e o empate diante do Juventude (O x O) no domingo, o Caxias demonstrou que tem mais estrutura que o próprio cobrado.

Na reabilitação de Nílson esteve também presente o dedo do técnico Evaristo de Macedo: “Para nos puxar a orelha no intervalo”, confessou o artilheiro. No primeiro tempo, o tricolor deixava um buraco no meio-campo. “Mandei a defesa subir mais rápido, o ataque recuar um pouco e ficamos compactos”, explicava Evaristo com sua habitual calma de monge. Bastou. Antes e depois do gol de Nilson, aos 31, o Grêmio esteve a ponto de marcar mais três vezes.

Enquanto o tricolor se impunha, o Internacional era o resultado lógico do caldeirão em que se transformou o Beira-Rio nos últimos tempos. Na quinta-feira, o quarto técnico da temporada, Valdir Espinosa, pediu o boné alegando que não agüentava mais as cornetagens do presidente José Asmuz. Em seu lugar entrou Ernesto Guedes, que também saíra brigado com o dirigente no decorrer deste campeonato. Para culminar, o clube anunciou no sábado a venda de Taffarel. Tensa, a equipe mostrou o futebol que se esperava e nem ameaçou o gol do gremista Mazarópi.

Agora, o Grêmio decide tudo com o Caxias, que hoje é seu grande adversário, quarta-feira no Centenário e domingo no Olímpico. Nos bons tempos, esse papel era do Internacional. “ (Revista Placar, Edição n.º 1048, 20 de julho de 1990)

1990 ASSIS jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

1990 ingressos

Esses 200 Cruzeiros de julho 1990 corresponderiam a cerca de 22 reais nos dias de hoje (corrigidos até junho de 2020 pelo IGPM)

1990 mazaropi nelson fernando gomes zh

Foto: Fernando Gomes(Zero Hora)

1990 gaucha

1990 cuca taffarel jose doval zh

Foto: José Doval (Zero Hora)

Inter 0x1 Grêmio

INTERNACIONAL: Taffarel; Chiquinho; Sandro, Maurício e Célio Lino(Rudinei); Norberto, Marcelo Prates (Guga), Luis Carlos Martins e Luís Fernando; Nélson e Edu
Técnico: Ernesto Guedes

GRÊMIO: Mazarópi, Alfinete, Luis Eduardo, Vilson e Hélcio; Jandir, Cuca e Assis; Caio, Nilson e Paulo Egídio (João Antônio)
Técnico: Evaristo de Macedo

Gauchão 1990 – Quadrangular final – 2ª Rodada
Data: 15 de julho de 1990, domingo, 15h30min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Público: 19.399 pagantes
Renda: Cr$ 8.811.200,00
Juiz: Luís Cunha Martins
Auxiliares: Eroni Gomes e João Carlos Braga
Cartões amarelos: Célio, Marcelo Prates, Jandir, Luís Eduardo e Cuca
Gol: Nilson, aos 31 minutos do 2º tempo

Gauchão 2000 – Grêmio 1×0 Internacional

June 7, 2020
2000 grenal ronaldinho paulo franken zh

Foto: Paulo Franken (Zero Hora)

 

Há exatos 20 anos, o Grêmio vencia o Gre-Nal 346 no Olímpico, graças a um gol de Ronaldinho no final da partida.

O clássico era válido pela penúltima rodada do segundo turno da segunda fase do Gauchão de 2000 (O Caxias já estava garantido na final tendo vencido o primeiro turno).

O empate era mais interessante para os colorados, que estavam dois pontos a frente do tricolor. Pela minha lembrança o jogo foi pavoroso, tendo entrado para o folclore/história dos Gre-Nais unicamente em razão do lance que decidiu o confronto: Aos 44 minutos Ronaldinho cobrou falta com força, a bola desviou na barreira e foi morrer dentro do gol colorado.

O detalhe irônico é que nos dias que antecederam o jogo o goleiro Hiran anunciou/blefou que não iria pedir barreira nas cobranças de falta contra a sua meta, alegando que com isso iria tirar “o ponto de referência de Ronaldinho”. O jovem atacante gremista respondeu dizendo que a sua referência era o fundo da rede.

2000 grenal julio cordeiro h

Foto: Julio Cordeiro (Zero Hora)

VITÓRIA DA DECISÃO
Gol de Ronaldinho colocou o time na liderança do turno

Aos 45 minutos do segundo tempo, a torcida do Grêmio vibrou e a do Inter prendeu a respiração. Ronaldinho caminhou lentamente, bateu em curva, a bola desviou na barreira e entrou no ângulo esquerdo, garantindo a vitória de 1 a 0 no Gre-Nal de ontem à noite no Estádio Olímpico.

– Falamos tanto na barreira que ela acabou nos ajudando – ironizou o alegre Ronaldinho, lembrando a promessa do goleiro Hiran (com quem trocou a camiseta no fim da partida) de retirar a barreira em alguns lances de falta.

Com o resultado, o Grêmio assume a liderança do segundo turno (16 pontos ganhos) e só depende de outra vitória, contra o Caxias, sábado, independentemente do jogo do Inter (15 pontos) contra o Juventude, para garantir a vaga a decisão do campeonato. Em caso de empoe nos dois jogos, o Grêmio também fica com o título do returno

Foi a vitória pessoal de alguém predestinado. Durante todo o clássico, o Grêmio, que precisava vencer, teve um ataque absolutamente nulo. Tão nulo que o melhor lance do centroavante Amato, escalado para fazer gols, foi uma jogada típica de zagueiro, aos oito minutos do segundo tempo, quando salvou o lance na pequena área. O Inter, bem organizado no meio, firme na defesa, perigoso no ataque – foram dele as melhores chances de gol -, estava conseguindo um grande resultado e a vantagem para a última rodada. Até que Rodrigão fez a falta.

Ronaldinho marcou, vibrou, fez a torcida do Grêmio esquecer de todas as dificuldades enfrentadas no Gre-Nal e conduziu o goleiro Hiran a um inferno astral. Nas arquibancadas, os torcedores gozavam do goleiro, perguntavam se ele continuaria desprezando as barreiras. No gramado, os jogadores se abraçavam como se a vitória tivesse garantido algum título Tudo por causa de Ronaldinho.

– Foi sorte – disse o técnico Zé Mário.

Mas a quem a sorte costuma ajudar nestes momentos?

Depois do gol, não houve mais jogo nos três minutos restantes. As bolas sumiram, alguns dirigentes do Grêmio invadiram a pista atlética pedindo o fim da partida, enquanto Paulo Nunes e André brigavam a socos, antes de serem expulsos pelo árbitro Carlos Simon. Até ali, o Inter dera um bom exemplo de organização. Competente na defesa, firme no meio, rápido no ataque, principalmente no segundo tempo, quando Elivélton, aos 11 minutos, e Rodrigão, aos 23, em duas jogadas de Fabiano, perderam as maiores chances de gol da partida O Grêmio tinha sérias dificuldades. Estava tranqüilo atrás com a competência de Marinho, mas não achava soluções na frente. Seu melhor lance aconteceu aos 19 minutos do segundo tempo, quando Anderson bateu escanteio e acertou o travessão.

Assim, só mesmo alguém predestinado para decidir. Alguém como Ronaldinho.” (Mário Marcos de Souza – Zero Hora, 08 de junho de 2000)

Foto: Paulo Franken (Zero Hora)

RONALDINHO FAZ A DIFERENÇA
Ele marcou o gol da vitória cobrando uma falta, que bateu na barreira, atrapalhando Hiran. Vantagem agora é toda do Grêmio

Com um esquema de jogo mais consistente e de forte marcação, o Inter foi melhor que o Grêmio e merecia o empate que o deixaria como favorito para disputar a final do Gauchão, mas um time que tem Ronaldinho guarda uma reserva técnica inestimável. E foi Ronaldinho, que até nem fazia boa partida, quem acabou revertendo tudo ao marcar o gol da vitória gremista no Olímpico, aos 45 minutos do segundo tempo, cobrando falta na entrada da área.

A bola desviou na barreira, enganando Hiran. A partir daí o Gre-Nal transformou-se em uma guerra, não faltando sequer uma briga a socos entre Alex e Paulo Nunes já nos acréscimos. Houve invasão de campo e por pouco a briga não envolveu outros jogadores.

Antes do gol de Ronaldinho, o que se viu foi um clássico em que o Grêmio insistia na troca de passes para buscar o gol, enquanto o Inter explorava os contra-ataques, especialmente com Fabiano, o melhor do jogo. Outro destaque foi Marinho. Paulo Nunes, que pouco antes da partida havia pedido para Antônio Lopes, para ser escalado como titular, entrou no segundo tempo no lugar de Amato e foi expulso após envolver-se em uma briga escandalosa com o lateral Alex. Lopes considerou a atitude de Paulo Nunes como infantil e desnecessária.” (Correio do Povo, 8 de junho de 2000 – Fonte: Grêmio Dados)

Foto: Fernando Gomes (Pioneiro)

MENOS DO QUE SE PENSA

Quem vê o Olímpico assim do alto muitas vezes não entende como a capacidade de público pode ser tão reduzida, como costumam mostrar os borderôs de jogos importantes. É que o estádio do Grêmio tem uma série de limitações.

Para o Gre-Nal da próxima quarta-feira, por exemplo, serão vendidos apenas 26.100 ingressos – 25.080 menos do que a capacidade do estádio.

Os demais lugares são ocupados por sócios, dependentes, menores, proprietários de cadeiras cativas e de camarotes. Mas não todos. Por medida de segurança, do clube e da Brigada Militar, os espaços não são inteiramente ocupados.

É por isso que, muitas vezes, quando ouve a informação sobre público no estádio, o torcedor se surpreende.” (Mário Marcos de Souza, Zero Hora, junho de 2000)

Os ingressos para o Gre-Nal estão esgotados – as alternativas são os cambistas. Foram colocados à venda 27.083 ingressos, divididos assim:

Olímpico – 12.896

Beira-Rio – 5.687

Postos de venda de Zero Hora – 8.500” (Zero Hora, 7 junho de 2000)

 

Gênio? Ele cobra uma falta, e a bola bate na barreira e desvia. Isso é ser genial? Então, eu sou cego, burro ou louco – desdenhou o paraguaio.

[…]

Falaram que do outro lado havia um gênio. Não vi. Gênio tem de fazer as coisas acontecerem. Ronaldinho é um bom jogador, mas não é melhor do que o Fabiano – cutucou Enciso.” (Zero Hora, 09 de junho de 2000)

POR QUE O ATACANTE CHOROU?

Confusão instalada no final do Gre-Nal. Sopapos, empurrões e xingões rolavam soltos entre os jogadores da dupla. Nervoso com a situação, Fabiano transformou sua raiva em lágrimas. Foi a forma, segundo ele, de não partir para a agressão de um adversário.

– Fiquei supernervoso com tumulto. Não consegui segurar e chorei, para extravasar – Justificou ele, que ontem arrastava a perna direita devido a dores causadas pelas faltas que levou durante o Gre-Nal.

Fabiano, no entanto, não foi exatamente um anjinho em campo. As câmeras de televisão mostraram duas agressões do atacante, um soco e um pontapé, no lateral Anderson.” (Zero Hora, 09 de junho de 2000)

Foto: Mauro Vieira (Zero Hora)

O FIASCO DOS BRIGÕES

Foi um Gre-Nal de doer com a bola rolando. Por isso, ficou de bom tamanho o desfecho com uma confusão generalizada, agressões e muita discussão. Paulo Nunes lembrou seus tempos de Palmeiras. Não pelo futebol, mas por parecer um integrante da família Gracie, os Pelés do Vale-tudo. Paulo Nunes levou uma cotovelada do lateral Alex fora da bola e revidou com socos e pontapés, como fizera com o coritiano Edilson no ano passado. Acabou expulso junto com Alex.

— Ele esbarrou em mim e me agrediu — defendeu-se Alex.

O estopim para o início de uma batalha em campo. Os jogadores trocaram sopapos e houve muita correria no gramado. Não fosse a intervenção da Brigada Militar, dos seguranças e de alguns jogadores mais comedidos, como o goleiro Hiran e o lateral Roger, o clássico não teria terminado. Danrlei, sumido dos noticiários, reapareceu. Invadiu o campo, mas para acalmar. Tranqüilizou Fabiano que, transtornado, tentava partir para o revide a todo custo. Chorando muito, o atacante foi consolado pelo paraguaio Enciso e retirado do tumulto.

O gol de Ronaldinho perturbou os colorados e esquentou o clima. Antes da briga, o Grêmio escondeu as bolas no vestiário e parou o jogo. Uma delas caiu em frente ao reservado e, rapidamente, foi escondida pelo volante Eduardo. Os dirigentes invadiram a pista e, na beira do gramado, Antônio Lopes pedia o final do jogo. O árbitro Carlos Simon só recomeçou a partida depois de retirados todos da pista atlética. Sem bola para jogar e indignado, Enciso discutiu com o técnico e criticou a sua postura.

— Você não está sendo correto — protestou, com o dedo em riste para Lopes.

Do outro lado, Ronaldinho comemorava. — Futebol precisa de alegria — gritava quem deu luz a um Gre-Nal de pouca inspiração e, infelizmente, transpiração demais.” (Zero Hora, 8 junho de 2000)

 

GRÊMIO 1 x 0 INTERNACIONAL

GRÊMIO: Silvio, Anderson Lima, Marinho, Fabrício e Roger; Anderson Polga, Gavião, Itaqui (Jé) e Zinho (Nenê); Ronaldinho e Amato (Paulo Nunes)
Técnico: Antônio Lopes

INTERNACIONAL: Hiran, Márcio Goiano, Lúcio, Ronaldo (Fernando Cardozo) e Alex; Enciso, Leandro Guerreiro, Marcelo (Leonardo) e Elivélton; Fabiano e Rodrigão
Técnico: Zé Mário

Gauchão 2000 – Segunda Fase – Segundo Turno – 6ª Rodada
Data: 7 de junho de 2000, quarta-feira, 21h15min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 34.848 (32.897 pagantes)
Renda: R$ 209.692,00
Juiz: Carlos Eugênio Simon
Auxiliares: Marcos Ibañez e Paulo Conceição
Cartões amarelos: Anderson Lima, Fabrício, Roger, Ronaldinho Gaúcho, Amato, Ronaldo, Marcelo, Fernando Cardozo, Rodrigão e Elivélton; Expulsão: Paulo Nunes e Alex
Cartões vermelhos: Paulo Nunes e Alex
Gol: Ronaldinho, aos 44 minutos do 2º tempo

Libertadores 2020 – Grêmio 0x0 Inter

March 13, 2020

Obviamente que não é todo dia que vemos 8 expulsões em um jogo de futebol. Entendo que esse número ganhe destaque na cobertura da partida. Mas me pareceu um tanto exagerados os repúdios à confusão no final do confronto (houve muito mais empurra-empurra do que uma briga propriamente dita).

O co-irmão mostrou evolução em relação ao primeiro clássico da temporada e teve as chances claras do jogo, mas o tricolor também criou situações em que o placar poderia ter sido movimentado.

Renato não costuma entrar em detalhes táticos/técnicos nas suas coletivas. Dessa vez, contudo, ele apontou que a maior posse de bola do Inter se deu por lances no campo de defesa e os números  sustentam a alegação do técnico gremista.


– Média de público do Grêmio na temporada:
21.013 (18.812 pagantes)

– Média de público dos 15 Gre-Nais disputados na Arena:
45.383 (42.133 pagantes)

– Média de público dos últimos 80 Gre-Nais (2000 para cá):
34.126

– Média de público do Grêmio em jogos de fase de grupos da Libertadores:
26.946

– Média de público do Grêmio em jogos de fase de grupos da Libertadores na Arena:
33.102 (30.706 pagantes)

– Média de público do Grêmio em jogos de Libertadores na Arena:
38.617 (36.040 pagantes)



Fotos: Lucas Uebel (Grêmio FBPA), Raul Pereira (Terra) e Silvio Avila (AFP)

Grêmio 0x0 Inter

GRÊMIO: Vanderlei; Victor Ferraz, Geromel, David Braz e Caio Henrique; Lucas Silva, Maicon (Jean Pyerre, 6/2ºT) e Matheus Henrique; Alisson (Pepê, 17/2ºT), Diego Souza (Luciano, 33/2ºT) e Everton
Técnico: Renato Portaluppi

INTER: Marcelo Lomba; Rodinei, Bruno Fuchs, Cuesta, Uendel (Moisés, intervalo); Musto; Marcos Guilherme, Edenilson e Boschilia; Thiago Galhardo (D’Alessandro, 29/2ºT) e Guerrero (Lindoso, 51/2ºT)
Técnico: Eduardo Coudet

Libertadores 2020 – Grupo E – 2ª Rodada
Data: 12 de março de 2020, quinta-feira, 21h00min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre, RS
Público: 53.389 (49.971 pagantes)
Renda: R$ 3.496.713
Árbitro: Facundo Tello (ARG)
Assistentes: Julio Fernandes e Ezequiel Brailovski (Ambos da Argentina)
Cartões amarelos: David Braz, Alisson e Lucas Silva; Uendel, Musto e Marcos Guilherme
Cartões Vermelhos: Pepê, Luciano, Caio Henrique e Paulo Miranda (no banco); Moisés, Edenílson, Cuesta e Praxedes (no banco).

Médias de Público de Gre-Nais na Arena

March 10, 2020

GRENAIS ARENA

Até hoje foram disputados 14 Gre-Nais na Arena, com uma média de público de  44.811 (41.573 pagantes). Acima a relação deles de maior para menor público (abaixo por ordem cronológica).

Foram 5 vitórias do Grêmio, 8 empates e 1 vitória do Inter. Nesses 14 jogos, o Grêmio marcou 20 gols, contra 7 do co-irmão.

Destes 14 clássicos, apenas três superaram a marca dos 50 mil torcedores presentes. E apenas dois ficaram abaixo dos 40 mil torcedores presentes. Em nenhum deles se registrou a presença de mais de 50 mil pagantes.

Destes 14 clássicos, cinco terminaram empatados em 0x0. Curiosamente, foram os cinco clássicos de maior presença de público na Arena.

– Maior público total: Brasileirão 2016 – 0x0 – 53.287 (47.662 pagantes)
– Maior público pagante: Brasileirão 2018 – 0x0 – 51.870 (48.035 pagantes)
– Menor público (pagante e total): Gauchão 2014 – 1×1 – 24.572 (22.888 pagantes)

Até hoje o Grêmio fez 247 jogos na Arena. Apenas dois Gre-nais estão entre os dez maiores públicos do tricolor na sua nova casa.

Para efeitos de comparação, vale citar que a média de público dos últimos 14 Gre-Nais disputados no Olímpico foi de  33.791 (30.761 pagantes).

GRENAIS ARENA CRONO

 

Gauchão 2020 – Inter 0x1 Grêmio

February 17, 2020

Renato acertou na escalação. Usou um esquema já utilizado por ele anteriormente, com três volantes e três atacantes. Lucas Silva, Maicon e Matheus Henrique ficaram mais fixos, protegendo a defesa, enquanto o trio de ataque pressionava a saída de bola colorada. Com isso, o time teve um bom primeiro tempo, quando poderia/deveria ter saído na frente, especialmente nos dez minutos iniciais, quando teve duas chances claras de gol.

No segundo tempo, mesmo jogando contra dez, o desempenho gremista caiu significativamente. Vanderlei teve algum trabalho com chutes de longa distância do adversário e gol da vitória gremista só foi acontecer nos acréscimos.

– Média de público dos últimos 50 Gre-Nais (de 2009 até hoje): 35.008

– Média de público dos últimos 40 Gre-Nais realizados no Beira-Rio (de 1999 até hoje): 35.522

– Média de público dos 11 Gre-Nais realizados no Beira-Rio após a reforma para a Copa de 2014: 38.328 (34.251 pagantes)

– Média de público dos últimos 20 Gre-Nais válidos pelo Gauchão disputados no Beira-Rio (de 1997 até hoje): 34.480

– Média de público dos últimos 30 Gre-Nais válidos pelo Gauchão (de 2009 até hoje): 32.560

Fotos: Victor Lannes, Manoel Petry e Fabiano do Amaral (Correio do Povo)

 

INTER: Marcelo Lomba; Rodinei (Thiago Galhardo, 48/2ºT), Bruno Fuchs, Cuesta e Moisés; Musto; Edenilson, Lindoso (Zé Gabriel, 44/2ºT) e Boschilia (Marcos Guilherme, 20/2ºT); D’Alessandro e Guerrero

Técnico: Eduardo Coudet

 

GRÊMIO: Vanderlei; Victor Ferraz, Paulo Miranda, David Braz e Bruno Cortez (Caio Henrique, 36/2ºT); Lucas Silva (Pepê, 25/2ºT), Matheus Henrique e Maicon (Thiago Neves, 7/2ºT); Alisson, Diego Souza e Everton

Técnico: Renato Portaluppi

Data: 15 de fevereiro de 2020, sábado, 16h30min

Local: Estádio Beira-Rio, Porto Alegre – RS

Público: 37.157 (33.347 pagantes)

Renda: R$ 1.369.495,00

Árbitro: Jean Pierre Gonçalves Lima

Auxiliares: Lúcio Beiersdorf Flor e Leirson Peng Martins

VAR: Carlos Eduardo Nunes Braga

Cartões amarelos: Musto, Paolo Guerrero; Matheus Henrique, Maicon, Lucas Silva, Thiago Neves, Diego Souza

Cartão vermelho: Musto (41/1ºT)

GolDiego Souza, aos 46 minutos do segundo tempo 

 

Gauchão 1960 – Inter 1×5 Grêmio

February 14, 2020

1960 cp vieira

Foto: Correio do Povo

No primeiro turno da etapa metropolitana do Gauchão de 1960 o Grêmio venceu o Inter por 5×1 nos Eucaliptos. Foi o famigerado classico onde os dirigentes gremistas prometeram, no intervalo do jogo, dobrar o bicho caso a diferença de gols em favor do tricolor fosse dobrada(o primeiro tempo tinha encerrado em 3×1)

Esse bicho de vinte mil cruzeiros equivaleria a cerca de quatro mil reais nos dias de hoje.

Há uma divergência nas fontes históricas sobre os autores dos gols gremistas.

O Diário de Notícias, os livro “A História dos Grenais” e “História do Grêmio, passado e presente de um grande clube” e a Revista Grêmio 70 n.º6 creditam o segundo gol do Grêmio à Juarez. Contudo, o Correio do Povo, o Jornal do Dia e a Revista do Grêmio -Ano V – nº 28 – afirmam que o gol foi de Marino. A questão é saber se a bola ja havia entrado antes de Juarez apanhar o rebote do chute de Marino.

Interessante notar que os jornais da época escalam o Grêmio no WM, colocando Enio Rodrigues ao lado e Elton e posicionando Milton num “quinteto ofensivo. Por tudo que li sobre esse time do Foguinho, acho que o mais adequado seria a escalação no 4-2-4 com Enio Rodrigues na zaga e Milton mais proximo de Elton no meio campo.

1960 cp gol inter

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO EM ESPLÊNDIDA ATUAÇÃO VENCEU O INTERNACIONAL NOS EUCALIPTOS: CINCO A UM

O quadro vencedor foi uma máquina e dominou completamente o seu adversário o, principalmente na fase derradeira — Juarez (2), Marino, Gessi e Vi marcaram para os tricolores — Ivo Diogo, autor do único tento dos rubros — Vitória do Internacional nos aspirantes: 2 x 1— Renda recorde nos Eucaliptos: Cr$ 1.588.050,00

A vitória do Grêmio sobre o Internacional, domingo, foi justa e merecida. O quadro tricolor, desde os primeiros minutos da contenda evidenciou melhor classe e padrão de jogo, dominando completamente as jogadas e a cancha. O resultado final foi 5 a 1, como podia ter sido maior, devendo-se a Silveira, numa tarde de gala, esse resultado. O Grêmio, depois.do empate da contenda, passou a dominá-la mais flagrantemente, infiltrando-se na defesa do Internacional como queria e desejava. O sexteto defensivo dos colorados, salvo o arqueiro, esteve apático, perdido. Sua meia-cancha foi batida irremediavelmente. Vilmar voltou a claudicar, apesar da confiança do treinador Teté. Nesse setor, residiu o maior fracasso dos rubros. Osmar e Louro estiveram sempre ausentes, notadamente Louro. Pelo seu lado Marino entrava com facilidade espantosa, abrindo desde o começo do embate o caminho para a goleada. Kim batalhou bastante, mas acabou perdido com os demais companheiros. Zangão foi outro elemento negativo na tarde de domingo. Vi esteve à vontade e inclusive levou o Grêmio para os ataques. Outro elemento ausente no ataque rubro foi Paulo Vecchio. O “guri” inventou de passar por Airton e por consecutivas vezes não conseguiu o seu intento. Entrou no gramado para dominar o atlético zagueiro tricolor e foi até o fim do prélio sem poder realizar nada de aproveitável. Alfeu, esforçado, e Ivo Diogo fêz o primeiro tento da tarde.

Deraldo foi negação, completamente dominado por Figueiró. Pulou multo durante o jogo, fêz “piruetas” em vão e nada de consistente apresentou para o seu quadro. Do onze internacionalista, apenas Silveira pode ser destacado. Os demais foram figuras quase apagadas, notadamente depois da fulminante reação do Grêmio. Antes, ainda alguns atletas do Internacional fizeram alguma coisa. Depois, nada de aproveitável realizaram no gramado. Foi, talvez, dêsses últimos tempos, o Gre-Nal mais fácil para os tetracampeões. Nos fêz lembrar aqueles vários anos de supremacia dos colorados, no futebol metropolitano.

O quadro gremista esteve quase como uma máquina. Tanto é assim, que o golo do Internacional não perturbou a equipe tricolor, que recebeu o contraste naturalmente. Ao em vez de cair, de “achicar-se”, o Grêmio redobrou suas energias, subindo de produção e alcançando urna vitória das mais contundentes sôbre seu adversário. Suas linhas agiram muito bem e Suli, a rigor, não foi empregado a fundo. Fêz algumas defesas, é verdade, mas não foram de molde a exigi-lo demasiadamente. O tento de Ivo Diogo foi surpreendente. O atacante colorado atirou bem, de esquerda, sôbre o canto direito de Suli, batendo-o irremediavelmente. Airton e Ortunho estiveram bem, marcando com precisão. Figueiró dominou sua ala e Elton não parou um instante, levando seus companheiros à luta. Enio Rodrigues atendeu bem o seu setor, demonstrando coesão e segurança. O ataque todo foi uma só peça: esteve explêndido. Com Juarez no centro, os cinco dianteiros fizeram um bom trabalho de deslocamentos, dominando completamente a defensiva colorada. Esse domínio se fêz sentir mais na segunda fase, quando os artilheiros do Grêmio, inclusive, exibiram um futebol como há muito não o faziam. Serenos e produtivos, os cinco atacantes do Grêmio deram uma boa exibição de futebol ao grande público que compareceu aos Eucaliptos. Assim, a rigor, a vitória do Grémio foi justa e liquida. Foi melhor quadro. Teve mais presença no gramado e acima de tudo atirou-se à luta para vencer. E não fosse o Silveira, talvez o resultado tivesse sido bastante maior. O arqueiro salvou pelos menos 4 tentos certos. A conquista, assim, foi do melhor quadro, do melhor conjunto e de quem realmente jogou com sangue e apetite. O Grêmio demonstrou maior coesão e entendimento em suas linhas.

OS SEIS TENTOS DA TARDE

O primeiro tento da tarde foi marcado aos 14 minutos. Foi seu autor o ponta-de-lança Ivo Diogo. O atleta colorado entrou pelo centro, depois de receber de Paulo Vecchio. De pé esquerdo, atirou canto direito do arco confiado a Suli.

Aos 30 minutos surgiu o empate. Juarez foi o autor do tento. Gerou-se uma. confusão frente ao arco de Silveira e surgiu Juarez, para atirar inapelavelmente.

Aos 38 minutos, Marino colocou o Grêmio em vantagem. O ponteiro direito, que agiu com facilidade no seu setor, pois Louro nunca lhe atacou, entrou para o centro, derivando para a esquerda. Daí, sem ângulo, atirou forte. A pelota bateu no travessão e ganhou às rêdes. Juarez, que vinha no lance, completou a jogada e o tento.

Dois minutos depois, coube a Gessi aumentar o marcador para, três, numa jogada explêndida dentro da área colorada. O couro, atirado por Milton, foi de encontro ao travessão, voltando ao gramado. Gessi, atento à jogada, colocou inteligentemente a bola nas rêdes de Silveira. E com 3×1, finalizou a primeira fase do grande embate.

No tempo derradeiro mais dois tentos assinalou o Grêmio. O primeiro por intermédio de Vi, aos 25 minutos dêsse tempo. Foi um tento de “garra” do ponteiro tricolor. Encerrando a contagem, aos 43 minutos, Juarez marcou o último tento da tarde. O centroavante tricolor entrou na área, jogou o corpo para todos os lados, enganou dois adversários e atirou certeiro. Era o último tento da partida, que chegou ao seu final com o resultado de 5×1.

FORMAÇÃO DOS DOIS QUADROS

Os dois quadros atuaram assim formados:

GRÊMIO: Suli: Figueiró, Airton e Ortunho: Elton e Enio Rodrigues; Marino, Gessi, Juarez, Milton e Vieira.

INTERNACIONAL Silveira, Zangão, Osmar e Louro (Ezequiel, quando transcorriam 39′ da 1.a etapa); Kim e Barradinhas; Alfeu, Ivo Diogo, Paulo Vecchio, Vilmar e Deraldo.

BOA ATUAÇÃO DE CLINAMULTE

Dirigiu a contenda, o árbitro baiano Clinamulte Vieira França. Seu trabalho agradou. Esteve sereno e preciso na marcação das faltas. Acompanhou bem as jogadas e dominou a partida. Boa estréia. Por outro lado, a parte disciplinar do embate cooperou para o seu excelente trabalho. Os dois quadros, salvo pequenos senões, comportaram-se com lealdade e disciplina.

PRELIMINAR

Preliminarmente jogaram as equipes de aspirantes. O Internacional, com um esquadrão jovem e cheio de vontade, foi o vencedor por dois a um, tentos de Oli. Para o Grêmio converteu o centromédio Sérgio. Foi um embate disputado e cheio de ótimos lances. Djalma Moura foi o árbitro, com excelente trabalho. Os dois quadros disputaram esse jogo assim constituídos:

INTERNACIONAL – Beno: Joel, Poleto e Dilson: Cláudio e Danúbio; Zózimo, Oli, Paulo Berg e Sepe.

GRÊMIO – Raul; Machado, Mala e Léo; Sérgio e Altino; Adroaldo, Cardoso, Joãozinho, Newton e Volnei.

RENDA RECORDE NOS EUCALIPTOS

A renda atingiu a apreciável soma de Cr$ 1.588.050,00. Foi arrecadação recorde nos Eucaliptos. “(Correio do Povo, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

5X1 NÃO DIZ TUDO: DIFERENÇA DE CATEGORIA FOI PASMOSA

Grêmio: Que Time! Que Futebol! Que Colosso!

Equipe tricolor maravilhou o enorme público presente (1.588.050,00 cruzeiros) praticando um futebol perfeito, de ouro 18 quilates — Internacional “bombardeado” do início ao fim — Juaraz (3), Gessy e Vieira marcaram para o Grêmio, tendo Ivo Diogo descontado (abrindo o escore…) – Grande arbitragem do baiano Clinamulte França.

GRÊMIO BRINCOU DE ‘GATO E RATO’ COM O INTERNACIONAL

(Diário de Notícias, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

“GRÊMIO, NOS EUCALIPTUS, DESMONTOU PEÇA POR PEÇA A EQUIPE ARMADA LABORIOSAMENTE POR TETÉ: 5X1
Marcaram para o Grêmio: Juarez (2), Gessi, Marino e Vieira — Os colorados arrancaram na frente, com um tento de Ivo Diogo, mas não resistiram a avalanche tricolor — Apenas Silveira se salvou no onze rubro, rubricando uma grande atuação – Boa estréia do baiano Clinamulte Vieira França – Arrecadação recorde: Cr$ 1.588.050,00

[…]

“O bicho do Grêmio pela vitória no Grenal já estava estipulado: Cr$ 10.000,00. No caso do escore chegar a cinco tentos o bicho subiria para vinte mil cruzeiros. […] Como se viu, tudo estava previsto no Grêmio – até mesmo a goleada por 5 tentos”

” (Jornal do dia, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

“Pagando o ingresso mais caro do Brasil, uma imensa multidão tomou de assalto o Estádio dos Eucaliptos, avido por assistir as emoções do Grenal de número 153. E o resultado foi esse: renda recorde em Grenais, com uma arrecadação de Cr$ 1.588.050,00.

– O <Bicho> dos gremistas foi excepcional, também recorde nos clássicos: Cr$ 20.000,00. O prêmio oferecido inicialmente era de dez mil cruzeiros, entretanto, os diretores do Grêmio, eufóricos com a vitória parcial, ao término da primeira etapa, prometeram aos seus atletas <> dobrado, se eles conseguissem dobrar, também, a diferença de tentos àquela altura. Os jogadores aceitaram de bom grado a proposta e alcançaram o objetivo, marcaram mais dois tentos na etapa complementar, justificando assim o <bicho-monstro>.

– A nota trágico-cômica do clássico foi o aparecimento de um sapinho, amarrado com fitas tricolores, que surgiu, não se sabe como, junto ao arco que coube a Suli. O arqueiro gremista não gostou do batráquio rondando a sua meta e solicitou a sua remoção. O auxiliar de massagista tricolor entrou em campo e, segurando pelas pontas das fitas, atirou o sapinho por sobre os muros do estádio, na rua Barão de Guaíba” (Jornal do dia, terça-feira, 23 de agosto de 1960)

1960 cp juarez

Foto: Correio do Povo

1960 cp gol gessi

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO: Suli; Figueiró, Airton, Ênio Rodrigues e Ortunho; Elton e Milton Kuelle; Marino, Gessi, Juarez e Vieira.
Técnico: Foguinho

INTER: Silveira; Zangão, Osmar, Louro (Ezequiel); Kim e Barradas; Alfeu, Ivo Diogo, Paulo Vecchio, Vilmar e Deraldo
Técnico: Teté

Gols: Ivo Diogo, aos 14 minutos; Juarez aos 30, Marino aos 38 e Gessi aos 40 minutos do primeiro tempo; Vieira aos 25 e Juarez aos 42 minutos do segundo tempo