Archive for the ‘ISL’ Category

Votação da Reunião do Conselho – 1º/setembro/2011

September 2, 2011
A reunião do conselho de ontem foi triste. O clima era pesado e melancólico ao mesmo tempo. Farei um relato mais detalhado depois. Aqui eu vou apenas tentar esclarecer o que foi votado.

Depois da leitura do parecer da Comissão para Assuntos Legais e Estatutários e algumas intervenções foi submetida ao conselho a seguinte votação:

Aprovo integralmente o parecer da Comissão de Assuntos Legais e Estatutários (Reabertura do processo sob o aspecto ético disciplinar)

Não aprovo por entender que o processo está encerrado em face da decisão do CD de 13.08.07 e seus efeitos

Eram esses os votos possíveis. Não estava sendo posta em votação exclusão do ex-presidente Guerreiro, não estavamos votando sobre os efeitos da decisão do processo judicial, tampouco está sendo avaliada a gestão do ex-presidente Guerreiro e/ou do período da ISL.

Como já tinha dito no twitter, a reunião de hoje passava muito pelo que foi decidido pelo conselho no dia 13 de agosto de 2007. Eu não era conselheiro naquela época. Na semana passada, estive no Olímpico, lendo a ata daquela sessão, para me inteirar do que havia sido discutido e decidido na ocasião. A decisão foi clara:


“foi decidido que não haveria a suspensão do processo para aguardar a decisão do Poder Judiciário”

[…]

“foi decidido que o processo seria arquivado, com exclusão dos associados apenas se houver sentença condenatória com trânsito em julgado”

No meu entender, a única discussão possível no conselho era se houve ou não uma sentença condenatória com trânsito em julgado, mas não era isso que estava sendo votado.

Assim sendo, a questão do processo administrativo (dentro do Grêmio) já estava decidida desde 2007. Repito que não era conselheiro em 2007, discordei do decidido na época e sigo discordando. Ocorre que tal decisão é soberana, não havendo, infelizmente, um justo motivo para alterá-la.

Desse modo, votei por não aprovar o parecer. Não foi uma decisão fácil, refleti bastante sobre o meu voto, discutindo o caso com colegas advogados, magistrados, conselheiros e sócios. Estou com a consciência tranquila pela decisão que fiz, baseada na técnica e na racionalidade.

O resultado final da votação foi a seguinte: 66 conselheiros aprovaram o parecer, 101 conselheiros não aprovaram e 10 conselheiros se abstiveram.

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Acórdão ISL

May 8, 2008
Saiu um matéria na coluna espaço vital do jornal do comércio de terça com a notícia sobre a publicação do acórdão do caso ISL.

Li o acórdão, e a sensação é que o caso não foi esclarecido. Não ficou claro quem pediu o dinheiro a ISL e aonde o dinheiro foi parar.Parece que responsabilizaram o Guerreiro por ser o presidente do Grêmio e Wesley Cardia por ser o representante da ISL no Brasil. Além disso, tem uma questão no processo que está caindo de maduro, mas ninguém comenta. Eu tenho posição formada sobre ela, mas não vou falar aqui, acredito que quem acompanhou o caso sabe do que eu estou falando.

Dito isso, penso que seria muito interessante, mas muito mesmo, ter acesso ao relatório que foi arquivado no conselho sem sequer ser lido.

Não sendo possível, fica aí o link para o processo na página do Tribunal de Justiça.

E a notícia do Espaço Vital:

Acórdão do caso Grêmio-ISL admite “fraude” e “obtenção ilícita” num negócio de R$ 2 milhões

O TJRS publicou o acórdão que reduz a condenação de José Alberto Machado Guerreiro e Wesley Callegari Cardia – beneficiados, por maioria, pela prescrição que lhes extinguiu a punibilidade – e o ex-presidente do Grêmio já interpôs embargos de declaração. O julgamento da apelação criminal ocorreu no dia 27 de março, a publicação do julgado no DJ Online aconteceu em 24 de abril e o novo recurso – ainda não julgado – foi protocolado no dia 30 de abril.

O acórdão lavrado pelo desembargador Alfredo Forster tem dois pontos principais. Um assinala “a fraude arquitetada pelos agentes, por cobrarem multas por atraso no pagamento pela transferência de jogadores de futebol, valendo-se da parceria estabelecida entre o Grêmio e a ISL – International Sport Leisure”.

O segundo reconhece “evidenciada a obtenção de vantagem ilícita para outrém, pois os cheques emitidos para pagamento dessas multas foram compensados por instituição bancária, desimportando, para isso, não haver informação do destino dado a esses valores”. Na mesma linha votou o desembargador Sylvio Baptista Neto.

O imbroglio tem como início o ano de 2000, quando celebrada uma parceria entre o Grêmio e a ISL, cujo objetivo principal era a exploração da marca e dos dividendos de marketing gremista.

Em contrapartida, o clube gaúcho receberia uma prestação pecuniária destinada à aquisição de jogadores, pagamento de dívidas, despesas de infra-estrutura e custeio. Esse acordo, deveria perdurar por 15 anos, com o investimento total de R$ 95 milhões – que seriam pagos de maneira parcelada.

No mês de janeiro de 2000 e antes da formalização da referida parceria, já alinhavada, o Grêmio contratou os atletas Leonardo Astrada (do River Plate), Gabriel Amato (do Rangers da Escócia), e Arílson de Paula Nunes – o Paulo Nunes – do Palmeiras. As compras dos passes tiveram seu pagamento parcelado, com o último vencimento em 10 de março de 2000. Mas verbas originárias da ISL somente aportaram ao clube no dia 23 do mesmo mês, circunstância que – ante o atraso – possibilitou a prática de simulação de que os três clubes estavam a cobrar as multas decorrentes do atraso.

Com isso, um esquema (cartas e telefonemas) iludiu a ISL, fazendo que essa remetesse – nominais ao Grêmio – para que pagasse ao River, ao Rangers e ao Palmeiras – dois cheques de R$ 125.503,00 (cada) e um terceiro cheque de R$ 304.793,00. Os cheques foram endossados, não entraram nas contas do Grêmio, nem dos três outros clubes, mas circularam nas contas de laranjas. River, Ranger e Palmeiras – que seriam os supostos favorecidos – jamais cobraram as imaginárias multas.

O acórdão do TJRS é longo (tem 61 páginas), contém revelações instigantes e, seguramente, sua leitura deve interessar a dirigentes e torcedores gremistas.

Ficou uma talvez insolucionável dúvida final: apesar da participação de doleiros, da abertura de contas por terceiros etc. não foi apurado o destino final do dinheiro. Insinuante foi o voto da desembargadora Naele Ochoa Piazzetta – que não diminuiu a pena imposta em primeiro grau a Guerreiro e Cardia – e, assim, não reconheceu a ocorrência de prescrição.

A(s) pessoa(s) que ficou/aram com o dinheiro fizeram a “coisa bem feita” – a menos que os desdobramentos dos próximos recursos (já há um, também, do Ministério Público) tragam uma improvável revelação final: qual o destino do montante que – em moeda brasileira, com correção e juros, conforme cálculo feito pelo Espaço Vital – corresponde hoje a apreciáveis R$ 2.009.988,62 (Proc. nº 70022256309). (Espaço Vital – 06/05/2008)

Guerreiro ISL

March 28, 2008

Estou me esforçando para não fazer grandes comentários. Por enquanto posso dizer que tudo aconteceu conforme a previsão dos céticos:

Guerreiro
Por dois votos a um, por entender que houve prescrição da pena, a Sétima Câmara do Tribunal de Justiça extinguiu ontem o processo contra o ex-presidente José Alberto Guerreiro pelo Caso ISL. Dia 4 de outubro de 2007, em primeira instância, Guerreiro e o ex-presidente da ISL do Brasil, Wesley Cardia, haviam sido condenados por estelionato, tendo suas penas convertidas em prestação de serviços comunitários. Também foram condenados a pagar 360 salários mínimos ao Grêmio e 150 ao Estado.

Em agosto de 2000, a ISL do Brasil pagou ao Grêmio em cheques o total de R$ 555.799. O dinheiro serviria para pagar multas relativas à contratação de Amato, Astrada e Paulo Nunes. Após a falência da ISL, empresa parceira do Grêmio, ficou constatado que o valor não haviam entrado no clube. Nominais ao Grêmio, os cheques foram endossados e depositados em contas de terceiros (Zero Hora 28 de março de 2008)

Em tempo o Blog Grêmio Imortal, corrige a Zero Hora:

A 7a. Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por maioria (2×1), deu parcial provimento aos recursos de José Alberto Guerreiro e Wesley Cardia para REDUZIR A PENA DESSES ACUSADOS PARA 2 ANOS DE RECLUSÃO, e , de ofício, declarou extinta a punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva.
Vencida a Desembargador Naele Piazzeta que negava provimento aos apelos.” (Blog Grêmio Imortal)

Ainda assim acertaram os céticos

ISL – Guerreiro Condenado

October 4, 2007


A notícia saiu ontem poucas horas antes do jogo e acabou ganhando pouco espaço:

“Ex-presidente do Grêmio José Alberto Guerreiro é condenado por estelionato a dois anos e dois meses de prisão

Dois anos e dois meses após denúncia do Ministério Público, foi proferida ontem (03) a sentença da juíza Kátia Elenise Oliveira da Silva, da 1ª Vara Criminal de Porto Alegre, para o “caso Grêmio-ISL”.

Denunciados por infração ao artigo 171 do Código Penal (estelionato), o ex-presidente do Grêmio José Alberto Guerreiro e o ex-presidente da ISL do Brasil, Wesley Callegari Cardia, foram condenados a dois anos e dois meses de prisão. Primários até agora, Guerreiro e Cardia tiveram as penas convertidas para a prestação de serviços comunitários.

A condenação também inclui o pagamento, pelos dois, de multa de 360 salários mínimos (R$ 136.800,00) ao clube e 150 salários mínimos (R$ 57.000,00) ao Estado. O réu Jamel Nasser também foi condenado à pena substitutiva e pagamento de multa. Guerreiro e Cardia foram absolvidos da acusação de formação de quadrilha (artigo 288). Os réus poderão interpor apelação ao TJRS. Os demais denunciados foram absolvidos. O Ministério Público também pode recorrer” (Em Espaço Vital)

“Guerreiro e Cardia foram absolvidos da acusação de formação de quadrilha (artigo 288). O advogado Paulo Olimpio Gomes de Souza, que representa o ex-presidente gremista, considerou a sentença injusta e garantiu que irá apelar.

– Vamos até o fim para provar a sua inocência – afirmou Olimpio, acrescentando que o litígio só terá fim em 2008.

Cardia também mostrou indignação. Ele disse ter ficado sabendo da decisão através da imprensa.

– Fui pego de surpresa, isso é um absurdo – declarou.

Oito réus foram absolvidos no caso ISL: Walmor Schaefer, Nilton Maia Leão, César Roweder, Celso Roweder, Emerson Borges de Jesus, Tcharles de Abreu, Dody Sirena, representado por Marco Antônio Campos, e Martinho Faria, por Mathias Nagelstein. Em 24 de agosto, Leão, Sirena e Martinho já haviam tido a absolvição recomendada pelo Ministério Público.” (Em Zero Hora)

Depois de tantas reviravoltas nesse caso nem sei mais o que comentar. Vale lembrar que os três cheques do caso somaram R$ 555.799,oo Com a correção monetária pelo IGP-M, sem juros, o valor corresponde hoje a R$ 1.056.921,72; com os juros legais, chega a R$ 1.802.051,54. ( Os cálculos de atualização foram feitos pelo Espaço Vital). Seria bem interessante ler a sentença.

Cheques ISL (atualizado)

August 25, 2007

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 24 DE AGOSTO DE 2007
Caso Grêmio/ISL apresenta novidade
Ministério Público sugere a absolvição de três dos 11 denunciados no caso que começou em 2005. Sentença pode ser proferida em outubro
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Carlos Corrêa
Depois de dois anos, o caso Grêmio/ISL caminha rumo ao seu final. Nesta semana, a promotora Carmen Conti, do Ministério Público Estadual, apresentou as suas alegações finais sobre a questão que está na Justiça desde 2005.
Houve a sugestão de que três dos 11 denunciados sejam absolvidos: o empresário Dody Sirena, o ex-vice de finanças do Grêmio Martinho de Faria e o ex-funcionário da ISL Brasil Nílton Leão. Os outros oito citados no processo são José Alberto Guerreiro, Wesley Cardia, Jamel Nasser, Celso Roweder, César Roweder, Valmor Schaefer, Emerson de Jesus e Tcharles de Abreu.
A tendência é que a sentença em primeiro grau possa ser dada pela juíza da 1ª Vara Criminal de Porto Alegre, Katia Elenise Oliveira da Silva, ainda em outubro.
A denúncia à Justiça foi feita pelo promotor Ivan Melgaré em 23 de julho de 2005. No entanto, como ele passou a atuar como coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal, a promotora Carmen Conti assumiu o processo.
As alegações apresentadas pela promotora não têm valor final. ‘Essa é apenas a posição do Ministério Público, não a sentença’, ressalva Paulo Olímpio, advogado do ex-presidente do Grêmio José Alberto Guerreiro. Mathias Nagelstein, advogado de Martinho de Faria, disse estar alegre por o parecer ter sido favorável.
Na semana que vem, a juíza Kátia Elenise Oliveira da Silva deve divulgar um edital para que as defesas apresentem as suas alegações finais. Habitualmente, o prazo estabelecido é de três dias. No entanto, como o processo envolvendo o caso Grêmio/ISL é considerado muito complexo – já soma 22 volumes -, ficou definido que o prazo para as apresentações será de dez dias.
O caso teve início em março de 2005, quando o delegado André Mocciaro abriu inquérito para apurar o destino final de três cheques que, somados, passavam de R$ 555 mil e que teriam supostamente sido solicitados de forma irregular pelo Grêmio à ISL, multinacional que à época investia no clube.
Uma reunião realizada na semana passada no Conselho do Grêmio definiu pelo arquivamento de um relatório feito por uma comissão de ética sobre o caso. Se a Justiça condenar o ex-presidente Guerreiro, ele então será excluído do quadro social do clube, cumprindo o estatuto.

No mínimo estranha essa notícia. O pedido de absolvição de alguns do envolvidos é conflitante com as notícias iniciais sobre o caso e principalmente com a denúncia do MP:

notícia do site Espaço Vital:
Os três cheques do golpe de US$ 310 mil – valor que a ISL enviou ao Grêmio para que pagasse três supostas multas – fizeram uma rota de labirinto para dificultar que, em caso de risco, houvesse a descoberta do destino do dinheiro.

* 1º passo: os cheques foram emitidos pela International Sport Leisure do Brasil, no Rio, em 10 de agosto de 2000, após formais insistências, por escrito, em correspondências assinadas por José Alberto Guerreiro e Martinho Camelo Faria. Eram pagáveis no Banco Itaú – nominais ao Grêmio F.B.P.A.- e foram assinados pelo diretor da ISL do Brasil, Wesley Cardia. Os três cheques somaram R$ 555.799. Com a correção monetária pelo IGP-M, sem juros, o valor corresponde hoje a R$ 1.000.359,95; com os juros legais, chega a R$ 1.435.516,53. Os cálculos de atualização foram feitos pelo Espaço Vital.

* 2º passo: depois de emitidos pela ISL Brasil, os três cheques nominais foram endossados, no verso, por duas assinaturas não identificáveis até agora, colocadas acima dos dizeres carimbados com o nome do Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense . As aparências indicam que esse carimbo foi mandado fazer apenas para esses três atos do endosso, porque seu uso não foi localizado em nenhum outro documento do clube. Nos demais carimbos em uso no Grêmio, a expressão “Porto-Alegrense” jamais aparece em palavras compostas separadas por hífen.

* 3º passo: Após o endosso, os três cheques foram depositados em contas de “laranjas”, no Brasil. Feita a compensação, o dinheiro foi sacado – pelos próprios “laranjas” – e entregue aos doleiros. Estes não lembram a quem foi entregue o “produto” final. Os “laranjas” receberam suas módicas comissões. O caso do “laranja” Emerson Borges de Jesus tem a singularidade de que uma nova conta bancária, em nome dele, foi aberta, em Blumenau, para receber, exclusivamente, o depósito de um dos três cheques. “

Trecho das Denúncia feita pelo Ministério Público (disponível no mesmo site):

De posse das cártulas, emitidas pelos imputados Wesley Cardia e Nilton Leão, todos os denunciados trataram de liquidá-las, providenciando os endossos no verso dos títulos e da afixação de um falso carimbo com os dizeres “Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense” (grifei).

A esse respeito, observe-se que o carimbo foi anotado como falso e que os endossos não são nem foram identificados, guardando as assinaturas “convergências muito significativas” com a firma de Jorge Sirena. Essa circunstância não resta suficientemente esclarecida pela prova inquisitorial, havendo frontal divergência entre o sucinto laudo oficial elaborado pelo Instituto Geral de Perícias (fl. 2200/2209) e os documentos acostados pelos indiciados (fl. 2092/2105).

Importante anotar que as indicações bancárias constantes no documento enviado à vítima apresentam incrível coincidência com bancos, agências e contas anteriormente utilizados pela empresa Bahia International, em transação que contou com a participação do acusado Jorge Pereira Sirena (fl. 2081), para o recebimento do valor referente à compra do atleta Dejan Petkovich, pelo Clube de Regatas Flamengo, em 04 de janeiro de 2001. Tais dados constam no Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito, instaurada pelo Congresso Nacional, a fim de investigar irregularidades nas transações do futebol. Nesse sentido, elabora-se o seguinte quadro demonstrativo gráfico.

*** Atualização***
Notícia nova um pouco mais esclarecedora:

A promotora de Justiça Carmen Conti, que atua perante à 1ª Vara Criminal de Porto Alegre, sustenta que há “insuficiência de provas” contra os três réus. No decorrer da instrução do processo não foram carreadas provas robustas para atestar, por exemplo, a participação do denunciado Jorge Sirena. Carmen Conti salienta que as assinaturas atribuídas ao acusado nos endossos dos cheques foram, inclusive, examinadas por peritos oficiais do Departamento de Criminalística e da Polícia Federal que concluíram: “as assinaturas não se originaram de seu punho”. A juíza Katia Elenise Oliveira da Silveira deferiu prazos sucessivos de dez dias para que as defesas apresentem suas alegações finais. A expectativa é de que a sentença de 1º grau possa ser dada até o final deste ano.”

Arquivamento

August 14, 2007

Do site do Grêmio:

Foram necessárias duas votações nominais para que os conselheiros do Grêmio Foot – Ball Porto Alegrense, reunidos nesta segunda-feira (13/8), durante convocação extraordinária, aprovassem o arquivamento do relatório da Comissão de Ética que tratariam da exclusão dos ex-dirigentes, José Alberto Machado Guerreiro e Martinho Clóvis de Camelo Faria.

Com esse encaminhamento, o parecer não foi lido, ficando para a Justiça Comum a decisão final sobre o futuro dos dois conselheiros junto ao quadro social gremista já que, segundo o estatuto do Clube, é automática a exclusão do sócio que for condenado judicialmente”

Estiveram presentes a reunião 235 conselheiros entre suplentes e titulares. No entanto, a votação permitiu apenas a participação de conselheiros titulares que aprovaram o arquivamento por 115 votos contra 89 dos que desejavam a leitura do relatório e a posterior votação do seu parecer naquela sessão, conforme o edital de convocação”

Não concordo com o arquivamento. Essa justificativa de que a questão será tratada na justiça comum é, na minha opinião, insuficiente. Condutas não passiveis de punição na esfera penal podem muito bem motivar a exclusão do associado. Imaginem um exemplo estapafúrdio: um sujeito urina na piscina do seu clube. Obviamente não vai ser punido na justiça comum, mas pode muito bem ser expulso do clube.

Mas para mim isso não é o pior. O pior foi a presença de conselheiros. 235 no total, entre titulares e suplentes. Segundo o site do Grêmio são 350 conselheiros (titulares + suplentes). Há alguma justificativa plausível para a ausência de 115 conselheiros numa reunião tão importante como essa?

Guerreiro e ISL

June 27, 2007
Não tenho ouvido muito rádio ultimamente, não sei da repercussão dessa notícia, sobre o parecer do Conselho de ética. Abaixo transcrevo o que encontrei na mídia impressa. Interessante que nas duas colunas vem a tona o tema da votação no conselho. É discutido se a votação do parecer no conselho deliberativo deve ou não ser aberta.

As notícias não deixam muito claro no que se baseou a comissão de ética para pedir a exclusão. Pensava-se que a comissão esperaria por uma decisão definitiva da justiça, mas não foi o que aconteceu. Salutar que a comissão tenha tomado tal atitude de indepêndencia. Esperar pela justiça seria um ato de “lavar as mãos”.

Num primeiro momento não vejo maiores problemas em a votação ser aberta. Seria muito interessante que o associado gremista soubesse como cada conselheiro votou. Contudo, essa “abertura” pode ficar restrita ao conselho, e aí corremos o risco de os conselheiros serem intimidados pelos demais na hora de votar.

Zero Hora ( 23 de junho de 2007)

Comissão recomenda exclusão de Guerreiro



A comissão de ética do Conselho Deliberativo do Grêmio pedirá a exclusão de José Alberto Guerreiro e Martinho Faria do clube. A decisão foi tomada ontem após análise do suposto envolvimento dos ex-dirigentes no Caso ISL. O parecer será encaminhado ao Conselho, que colocará o tema em votação.

Setenta e nove conselheiros assinaram documento pedindo à comissão que avaliasse possíveis irregularidades. Composto por cinco integrantes, o órgão estudou o caso, ouviu os envolvidos e analisou documentos durante seis meses. Advogados de Guerreiro e Faria pediram que seus clientes fossem julgados apenas após o fim do processo criminal, mas não foram atendidos. Mesmo assim, dispõem de prazo de cinco dias úteis para recorrer antes que a comissão de ética o encaminhe para votação no Conselho.

– Não tenho nada a falar – afirmou Guerreiro, ontem à noite, por telefone.

Hiltor Mombach (Correio do Povo – 26/06/07)

VOTAÇÃO

Comissão de Ética do Grêmio leu, na última sexta-feira, para as partes
interessadas o relatório do caso ISL. Por unanimidade, recomendou a exclusão
do ex-presidente Guerreiro do clube. De Marinho Faria também. Faria não
integra mais o Conselho.

Conforme o site oficial do Grêmio, a Comissão de Ética é integrada por
Geraldo Nogueira da Gama, José de Jesus Peixoto Camargo, Omar Gustavo Panitz
Selaimen e Pedro Ruas.

-Se não houver impeditivo, o Conselho deve se reunir em julho para votar o
parecer da comissão.

-Juarez Aiquel é conselheiro e atuou como vice de administração da gestão
Guerreiro. Ele é a favor de que a votação seja nominal, aberta: ‘O
conselheiro tem que falar se é contra ou a favor. Eu sou contra a exclusão
e, se precisar, vou convencer outros conselheiros. Assino qualquer lista
para pedir votação nominal. Esse processo tem ranço político’.

——————————

ESTATUTO
– Do estatuto: ‘Art. 49 – Caberá ao associado punido, no prazo de 10 (dez)
dias contados da data do recebimento da notificação, o direito de pedir
reconsideração a quem aplicou a pena. Art. 50 – Confirmada a punição, terá o
associado o direito de, em igual prazo, interpor recurso, endereçado ao
presidente do Grêmio e por este encaminhado ao órgão competente’.

NOMINAL
– A votação poderá ser por consulta ao Conselho Deliberativo, nominal ou
secreta, com os conselheiros depositando o voto em urna.


Wianey Carlet (Zero Hora – 27/06/07)

Justiça

O processo sobre os “Caso dos Cheques da ISL” continua tramitando e ainda não foi julgado nem em primeira instância. Ainda não existe, portanto, conclusão da Justiça. Mesmo assim, a Comissão de Ética do Conselho Deliberativo do Grêmio está sugerindo ao órgão que um dos homens citados no processo, o ex-presidente José Alberto Guerreiro, seja excluído do quadro social do Grêmio. O que dirão se, no final do processo, a Justiça declarar Guerreiro inocente? Nos próximos dias, os conselheiros gremistas votarão o parecer da Comissão de Ética. Certamente o voto será aberto. Os dignos, respeitáveis e honrados membros do CD gremista não aceitarão tomar tão grave decisão encobertos pelo voto secreto.

Pedro Ernesto (em seu blog- 27/06/07)

Condenação Política

O Conselho de Ètica do Grêmio quer a eliminação do Conselho Deliberativo do ex-presidente José Alberto Guerreiro. Além de uma precipitação odiosa, temos aí uma manobra política. Estes Conselho de Ética, formado por conselheiros inexpressivos na história do clube, não deveria se antecipar as decisões judiciais. Se a justiça não condenar o presidente Guerreiro, como farão para reparar a injustiça de tê-lo eliminado, muito antes da decisão, deste conselho. Parece claro que há, antes de tudo uma manobra política de inimigos do presidente Guerreiro dentro do Conselho. Mas vamos convir que os critérios de julgamento não podem ser contaminados por simpatia ou antipatia. Uma pena esta situação que coloca publicamente uma pessoa da sociedade, um ex-presidente do clube, numa situação de constrangimento. Guerreiro foi um presidente que ganhou títulos, cometeu erros, muitos graves, mas a sua situação moral deve ser decidida pela justiça, onde aliás corre processo , e nunca por um grupo de pessoas que o expõe publicamente desta forma.


Notícias da ISL

October 3, 2006
O jornal britânico “The Guardian” fez revelações interessantes sobre a ISL. Aparentemente o administrador da massa falida, Thomas Bauer (o mesmo que esteve em Porto Alegre atrás do dinheiro dos cheques), descobriu uma série de pagamentos indevidos a uma série de dirigentes de futebol. Seu próximo passo foi enviar cartas a 20 destes dirigentes exigindo a devolução do dinheiro. Nunca se soube exatamente quem eram esses dirigentes, pois o ex-presidente da ISL Jean-Marie Weber apressou-se em devolver todo o dinheiro. Essa devolução foi realizda através de um acordo feito por Peter Nobel(que por muito tempo foi advogado pessoal de Joseph Blatter).

Um dos possiveis beneficiados da propina seria Nicolas Leoz, presidente da Conmebol. Um ex-executivo da ISL,Christoph Malms, tentou explicar a decisão dizendo que o pagamento de “inducements“(induzimentos numa tradução literal) a figurões do esporte ocorre desde os anos 70, e diz que sabia, mas não aprovava, essas práticas dentro da ISL.


Fontes – reportagem do “The Guardian”
Blog do jornalista Gustavo Poli