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30 anos da Libertadores de 1983 – Flamengo na Bolívia

April 8, 2013

Como já vimos, na Libertadores de 1983 apenas um clube de cada grupo avançava a fase seguinte. O Grêmio começou bem na primeira fase, com um empate em casa e duas vitórias na Bolívia. Ocupava assim a liderança, mas poderia ser alcançado pelo Flamengo, que viajaria até Santa Cruz de La Sierra e La Paz, onde enfrentaria Blooming e Bolívar, respectivamente.
O Grêmio acompanhava os confrontos a distância. Nos jogos “de volta” pegaria as duas equipes bolivianas no Olímpico, mas teria que ir até o Rio para enfrentar o Flamengo no Maracanã. Assim seria interessante um tropeço rubro-negro nessas partidas. E foi o que aconteceu.
O Flamengo passava por um momento de turbulência. Carpegianni havia sido demitido e era substituído pelo interino Carlinhos. Em Santa Cruz de La Sierra, no dia 05 de abril,  Zico & Cia não saíram do 0x0 com o Blooming e não altitude de La Paz, em 08 de abril , o Bolívar superou a equipe carioca por 3×1.
Esses resultados deixaram o Grêmio na liderança isolada do Grupo 2 (Tabela abaixo), após terem sido disputadas a metade das partidas prevista.

“O jogo foi mais um prova da péssima fase que o time do Flamengo atravessa, física e tecnicamente. Jogando contra o Blooming – uma equipe de futebol primário – o Flamengo ficou num empate de 0 a 0, dando um verdadeiro show de incompetência, desorganização e falta de objetividade.

O Flamengo chegou a criar algumas oportunidades, tal a fragilidade do adversário, mas desperdiçou-as infaltimente, expondo mais uma vez esse defeito crônico de sua equipe, que nenhum técnico ou preparador consegue corrigir: a péssima finalização em gol. Agora, a vaga na Taça Libertadores está bastante ameraçada(Jornal do Brasil – 06 de abril de 1983)

Blooming 0x0 Flamengo

BLOOMING: Terraza; Herrera, Gallardo, Vilallon (Noro) e Vaca; Castillo, Milton Melgar e Taborda; Revelis (Wilton Pereira), Sanchez e Rojas
Técnico: Raul Pino

FLAMENGO: Raul; Leandro, Figueiredo, Marinho (Mozer) e Junior; Vitor, Adilio e Zico; Robertinho (Felipe), Baltazar e Édson
Técnico: Carlinhos

Data: 05 de abril de 1983, terça-feira, 22h30min
Local: Estadio Ramón Tahuichi Aguilera, em Santa Cruz de la Sierra na Bolivia
Juiz: Abel Gnecco (ARG)
Cartões Amarelos: Leandro, Gallardo, Herrera e Sanchez

“O resultado de ontem deixou o Flamengo em péssima situação na Taça Libertadores da América, pois se o Grêmio derrotar os times bolivianos em Porto Alegre – e já venceu os dois até na Bolívia – o Flamengo estará eliminado. Mesmo que o Grêmio empate um dos jogos – o que já é difícil – o Flamengo fica em má situação.

sem condição física


Até que o Flamengo começou jogando bem, muito melhor que no primeiro jogo. Vitor dominava o meio-campo, fez duas excelentes jogadas, chutou bem em gol, mas logo depois cansou (já havia passado mal antes por causa da altitude) mas bastou que o Bolívar fizesse o primeiro gol, num corner em que toda a defesa do Flamengo falhou e o zagueiro Navarro, de 38 anos, cabeceou para marcar, para que o time se complicasse.
O pior foi que houve um segundo gol logo depois, este de Salinas, também de cabeça na cobrança de um corner, em nova falha da defesa. O Flamengo se desorganizou completamente, mas ainda criou algumas oportunidades com Zico, Felipe e Vitor.
No segundo tempo, porém, quando se esperava pelo menos um esboço de reação, o time não tinha mais a menor condição física, se arrastava em campo, inteiramente entregue ao adversário, que aumentou aos 6 minutos, num chute de Borja, em que até Raul falhou. Não havia mais força nem ânimo para reagir. Zico estava sumudo. Adílio, como sempre, entrava de perna mole nas bolas divididas. O gol de Edson, quase no fim, foi apenas uma melancólica despedida.” (Jornal do Brasil – 9 de abril de 1983)

Bolívar 3×1 Flamengo

BOLÍVAR: Elso; Angulo, Navarro, Urizar e Vargas; Gallo, Salinas e Romero; Borja, Silva (Arías) e Quiroga (Merlo)
Técnico: Ramiro Blacut

FLAMENGO: Raul; Leandro, Figueiredo, Mozer e Junior; Vitor (Élder), Adilio e Zico; Felipe, Baltazar (Ronaldo) e Édson
Técnico: Carlinhos
Data: 08 de abril de 1983, sexta-feira, 21h30min
Local: Estádio Hernando Siles, em La Paz – Bolívia
Juiz: Juan Carlos Lusto (Argentina)
Gols: Navarro aos 10 e Salinas aos 16 minutos do primeiro tempo. Borja aos 6 e Edson aos 35 minutos do 2º tempo.

“Isso o Flamengo não fez na Bolívia. Mas houve outros erros, que Raul faz questão de apontar: “Faltou seriedade e raça na partida contra o Blooming. O time esteve muito apático, perdeu chances de gol incríveis”. (Revista Placar – edição Nº 673 – 15 abril de 1983

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30 anos da Libertadores de 1983 – Bolívar 1×2 Grêmio

March 25, 2013
No seu terceiro compromisso na Libertadores de 1983, o Grêmio teria que enfrentar o Bolívar e os 3600 metros de altitude de La Paz. De todo o plantel, apenas Tita e De León tinha experiência em tal situação.
Por óbvio que a preparação do Grêmio para essa partida virou assunto dominante nos jornais de época.Sobre os efeitos da altitude, Tarciso disse que “Parece até aquela história do monstro do lago lá da Europa. É pura lenda. Acho que está muito da cabeça de cada um.” Por sua vez Renato Portaluppi disse que era “tudo história”  e que iria “pagar pra ver“, justificando da seguinte forma: “Afinal eu nasci num lugar alto; em Bento Gonçalves também faz frio”. O folclórico político e torcedor gremista Alceu Collares encontrou a delegação tricolor na Bolívia e garantiu que a maior parte dos problemas era de ordem psicológica. Experiente em Libertadores, o ex-zagueiro Ancheta alertava que em La Paz a “bola parece que não obedece a lei da gravidade“.
A bola em si merece um comentário a parte. Os jogadores gremistas estranharam a pelota usada pelas equipes bolivianas. O goleiro Remi chegou a usar tal fato para justificar a sua falha no gol sofrido pelo Grêmio.

Um fato curioso é que o planejamento inicial do Grêmio foi alterado já na Bolívia. Influenciados pelas experiências dos dirigentes do Blooming, os comandantes tricolores determinaram que o descolacamento de Santa Cruz de la Sierra para La Paz só seria feito no dia do jogo.

Outro episódio pitoresco dessa viagem foi protagonizado pelo presidente de Bolívar, Sr. Mário Mercado. Após ter assistido ao confronto do Grêmio e Blooming, ele teria se espantado com o baixo rendimento do time gaúcho e teria que prometido que sua equipe não proporcionaria o mesmo clima de “cavalheirismo” visto em Santa Cruz, e que seus atletas fariam um “jogo violento” em La Paz.

Diante de todo esse cenário, Valdir Espinosa decidiu simplicar o seu conceito de toque de bola. Pediu que os atletas fizessem um “bobinho” em campo, na sua já celébre “preleção de um minuto“. E as ordens do treinador gremista deram certo, muito embora o gol da vitória não tenha surgido em toques curtos, e sim num chute de longa distância de China. Diante dos bons resultados da excursão, a delegação gremista foi recebida com festa no aeroporto Salgado Filho.

O jogo foi transmitido pela TV Gaúcha. O Grêmio vendeu os direitos de televisionamento dos seus 3 primeiros jogos na Libertadores por Cr$ 40.000.000,00 (Cerca de 150 mil dólares). O curioso é que eu só encontrei imagens em vídeo da partida. Os principais jornais de Porto Alegre enviaram jornalistas para Bolívia, mas esses não fizeram registro fotográfico do jogo. E a revista Placar só publicou fotos do jogo contra o Blooming.

*Quarta-feira, 23 de março de 1983
Equipe embalada para jogar em La Paz.

A vitória sobre o Blooming por 2 a 0 cobriu de entusiasmo e confiança o plantel gremista. O resultado deixou o Tricolor na liderança do Grupo 2 com três pontos ganhos e um novo resultado positivo no jogo seguinte, contra o Bolívar, encaminharia a classificação para a fase semifinal da melhor maneira possível já que a equipe gremista iria enfrentar os bolivianos no Olímpico, nos jogos de volta.
Dentro de um projeto visando minimizar os efeitos da altitude, em La Paz, a delegação seguiu hospedada em Santa Cruz de La Sierra com partida marcada para La Paz apenas no dia do jogo.
No dia seguinte à vitória sobre o Blooming, os jogadores que atuaram os 90 minutos receberam folga. O resto do grupo realizou um treinamento leve sob o comando do preparador Ithon Fritzen.
Em todos os momentos com o grupo, Valdir Espinosa tratou de preparar a cabeça do jogador para que o assunto “altitude” não viesse a influenciar o psicológico de cada um.A tática não poderia ter sido melhor. (Gremio.net)

*Quinta-feira, 24 de março de 1983
O fantasma da altitude

Nenhum aspecto extra campo ficou de fora dos preparativos do Grêmio para a partida contra o Bolívar, na altitude de La Paz. A diretoria, auxiliada pelo departamento médico e a equipe de preparação física, pensou em todos os detalhes, desde uma alimentação especial organizada por nutricionistas até a viagem para La Paz no mesmo dia do jogo.
O técnico Valdir Espinosa, preocupado com o efeito psicológico que o fantasma da altitude poderia provocar sobre o grupo de atletas, procurou amenizar e tranqüilizar cada um dos jogadores. Uma conversa franca deixou o grupo ciente de que enfrentar a altitude de La Paz não seria um bicho de sete cabeças.
Evitando o desgaste, a equipe realizou um trabalho leve na manhã de quinta-feira no gramado do estádio Tauichi Aguilera, onde o Tricolor vencera o Blooming na terça-feira passada, comandado pelo preparador Ithon Fritzen.
A viagem para La Paz ficou marcada para a manhã de sexta-feira, dia do confronto contra o Bolívar.
*Sexta-feira, 25 de março de 1983
Vitória heróica com gol espetacular
O vôo de Santa Cruz de La Sierra para La Paz foi rápido e a delegação gremista desembarcou por volta das 10h.
Ainda no aeroporto, os sintomas da altitude já se fizeram presentes: o vice-presidente de Futebol, Alberto Galia, sentiu fortes tonturas e teve que ser atendido no local.
A delegação seguiu imediatamente para o hotel.
Seguindo determinação do médico Alarico Endres, os jogadores permaneceram descansando nos quartos para evitar desgastes desnecessários.
Dentro do processo de preparação para este confronto, o Grêmio não deixou de fora nenhum detalhe. Até mesmo a alimentação ingerida pelos atletas passou por uma minuciosa análise feita por uma equipe de nutricionistas. Foi privilegiada uma alimentação baseada em carboidratos e suplementos de fácil absorção com destaque para os doces.
Após o almoço, os jogadores seguiram descansando até o horário da palestra do técnico Valdir Espinosa.
Uma palestra, aliás, que merece uma atenção especial: estando todos os jogadores, dirigentes e comissão técnica reunidos em uma ala do hotel, Valdir Espinosa pediu a palavra. Caminhou pela sala e, olhando para os jogadores soltou: “chocolate neles”.
Foi a palestra mais rápida da história do Grêmio.
Na verdade, era a senha para que os jogadores colocassem em prática tudo aquilo que já havia sido trabalhando tanto dentro de campo quanto mentalmente.
– Naquele momento, precisava diminuir ao máximo a adrenalina dos jogadores, pois o efeito, na altitude, é prejudicial. Já havíamos conversado bastante sobre o que fazer, não precisava dizer mais nada naquela hora. Explicou Espinosa.
Quem não gostou nada da palestra do treinador gremista foi o presidente Fábio Koff.
– Ele ficou indignado. Queria a demissão do Espinosa. Sorte que conseguimos a vitória. Lembrou Antônio Carlos Verardi, Supervisor do Clube.
Mas não foi uma vitória fácil.
Empurrado pela torcida e num ritmo frenético, o Bolívar partiu pra cima do Grêmio.
Acuado, o Tricolor tratou de se segurar como podia. Remi foi se transformando no grande nome do jogo com pelo menos duas defesas à queima roupa com os atacantes bolivianos.
O Grêmio respondeu em duas oportunidades com Tita. Numa delas, em bola parada, o meia gremista levou perigo.
Depois de tanto pressionar, o Bolívar abriu o marcador aos 35 minutos. Gallo chutou forte, rasteiro, da entrada da área. Remi calculou mal a defesa e deixou a bola escapar de seus braços. No rebote, o zagueiro Navarro empurrou para o gol aberto.
Atrás no marcador e tendo que enfrentar a altitude de quase 4 mil metros de La Paz, o Grêmio chegou a perder a cabeça em algumas oportunidades. China cometeu uma falta feia e levou apenas cartão amarelo.
O apito do árbitro determinando o intervalo veio na hora certa.
No vestiário, mais uma vez Espinosa foi sucinto na conversa com os jogadores:
– Eu pedi para que eles fizessem como se estivessem em uma roda de “bobinho”, colocando o adversário na roda e partindo pra cima quando tivessem a oportunidade. Lembrou o treinador gremista.
O Bolívar voltou para o segundo tempo disposto a matar o jogo. Aos oito minutos, depois de um escanteio, Vargas acertou o poste direito de Remi.
Escapou o Grêmio.
Coincidência ou não, o Grêmio chegou ao empate um minuto depois da entrada de Tarciso. Ele ingressou na partida aos 20 minutos, no lugar de César, e o Grêmio marcou aos 21: Casemiro recebeu na esquerda e cruzou com perfeição. Osvaldo entrou de cabeça e venceu o goleiro. 1 a 1!
O gol chegou na hora certa. O time cresceu em campo e o Bolívar se encolheu sentindo a força do Tricolor.
O toque de bola pedido por Espinosa surtiu efeito e o Grêmio passou a dominar a partida.
A altitude, até então o maior fantasma, parecia não existir mais e o Tricolor passou a sobrar em campo na parte física.
Espinosa colocou Bonamigo no lugar de Tonho fazendo com que Tita pudesse se movimentar mais comandando o jogo no meio campo.
Sentindo que poderiam obter um resultado melhor que o empate, os jogadores partiram pra cima.
No minuto 37, surgiu o gol da vitória gremista. Um gol espetacular.
Depois de envolver o adversário no toque de bola, Tita virou o jogo para China, poucos metros à frente da linha do meio campo. China dominou e mandou a bomba. Um chute inacreditável. A bola viajou por aproximadamente 50 metros até encobrir o goleiro Elso. Grêmio 2 a 1!
Três minutos depois, Tarciso ainda perdeu a chance de ampliar.
No final, grande vitória gremista reconhecida como uma das mais difíceis da competição.
Um dia histórica para o Grêmio e para China que, segundo ele, marcou o gol mais bonito de sua vida. (Gremio.net)


Sobre esse jogo é interessante o relato do Valdir Espinosa:

Preleção de um minuto.

O jogo da Seleção Brasileira neste final de semana em La Paz traz a tona, novamente, o problema de jogar nos 3.600 metros de altitude em La Paz e me recorda quando estive lá pela primeira vez, com o Grêmio, para enfrentar o Bolívar pela Copa Libertadores da América em 1983.
Primeira fase da competição sulamericana. Grupos de 4 equipes. Classificava-se apenas uma e no nosso grupo tínhamos que enfrentar Bolívar, Blooming e Flamengo. Os problemas acarretados pela altitude eram maiores, o conhecimento destes efeitos ainda não eram tão estudados e a preparação física estava iniciando a era científica. Na semana do jogo em La Paz todos estavam assustados em Porto Alegre com o fantasma da altitude, imprensa, torcida, direção, jogadores e comissão técnica.
A preparação foi toda diferente, mudança na alimentação, nos horários dos treinamentos, tudo para atenuar os efeitos da altitude. Até aquela oportunidade, me parece, que nenhuma equipe estrangeira havia conquistado duas vitórias na Bolívia, pois enfrentava-se as duas equipes do outro país na mesma semana na casa deles e depois eles vinham ao Brasil. Jogamos em Santa Cruz de la Sierra e vencemos o Blooming, viajamos para La Paz no dia do jogo, chegamos ao meio-dia para jogar a noite. Sabia que não poderíamos enfrentar o Bolívar tentando impor velocidade.
Iniciei a preleção as 18:00 horas. Pela primeira vez naquela temporada estavam presentes o supervisor do Grêmio, Verardi, e o presidente Fábio Koff. Comecei falando que aquele jogo deveria ser organizado como uma rodinha de bobo, aonde estivesse a bola deveriam estar quatro jogadores nossos, quando chegasse um deles trocassem o local da roda. Não deveríamos ter a preocupação de atacar e sim de ter a bola. Desejei sorte para todos. Encerrei a preleção.
O presidente, assustado, falou para o Verardi:”No final do jogo pode mandar esse treinador embora. Em um dos jogos mais importantes da história do Grêmio ele dá uma preleção de um minuto só.”
Primeiro tempo, só posse de bola e a rodinha de bobo. No intervalo eu disse : ‘Agora vamos movimentar a rodinha em direção ao gol deles, vamos atacar.’ Perdíamos por 1 a 0 e viramos o jogo com gols de Osvaldo e China. Final Bolívar 1 x 2 Grêmio. Terminamos o jogo ainda mais descansados do que a equipe do Bolívar.
Após isso tudo o Dr. Fábio Koff entendeu que era um jogo em que tínhamos que entrar em campo tranquilos, sem muita adrenalina, por isso não seria correto fazer uma preleção com altas doses de motivação.
O resultado da história voces sabem… Continue empregado e fomos Campeões da Copa Libertadores da América.” (Valdir Espinosa)

China foi recebido como herói após marcar um golaço em La Paz
Renato desembarcou em Porto Alegre com um portentoso chapéu

Bolívar 1×2 Grêmio

BOLIVAR: Elso; Vargas, Navarro, Urizar e Arias (Figueroa); Ângulo, Gallo e Romero; Borja, Salinas e Silva (Baldessari)
Técnico:  Ramiro Blacut

GREMIO: Remi; Silmar, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, César (Tarciso) e Tonho(Bonamigo).
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Baidek, Bonamigo, Tarciso e Lambari.


Fase de Grupos – 3ª rodada – Libertadores 1983

Data: 25 de março de 1983, sexta-feira, 21h30min
Local: Estádio Hernando Siles em La Paz- Bolivia
Juiz: Ernesto Filippi (Uruguai)

Auxiliares: Ramón Barreto e Jose Luis Bazan 
Cartões Amarelos: Renato, Casemiro, China,  Arias e Navarro
Gols: Navarro (BOL – 35 do 1ºT) Osvaldo (21 do 2ºT) China (37 do 2ºT)

30 anos da Libertadores de 1983 – Blooming 0x2 Grêmio

March 22, 2013

Depois do empate na estréia em casa contra o Flamengo, o Grêmio preparou cuidadosamente a sua viagem até a Bolívia, onde enfrentaria o Blooming e Bolívar.  O tricolor enfrentava uma sequência dura de jogos, uma vez que também disputava o Campeonato Brasileiro naquele momento. A equipe principal era usada nos dois torneios. Comissão técnica e atletas davam declarações políticas sobre querer ganhar os dois torneios, mas o presidente Fábio Koff não escondia a sua preferência pela Libertadores.

Uma reportagem de Joabel Pereira, publicada no Correio do Povo, noticiava que o bicho por vitória na Libertadores era de 300 mil cruzeiros, bastante superior aos Cr$ 60 mil oferecidos por triunfo na segunda fase do Brasileirão (Cr$ 36 mil na primeira fase).
O planejamento inicial passava por conquistar 3 dos 4 pontos que seriam disputados em solo boliviano. O primeiro compromisso estava marcado para o dia 22 de março, contra o Blooming, adversário sobre o qual o Grêmio não tinha muitas informações. Espinosa admitiu que “o máximo que conseguiu foi o endereço de um brasileiro que mora em Santa Cruz de la Sierra e gosta de futebol”. Diante disso, o treinador gremista falava que o tricolor teria que “impor sua filsofia de jogo”, e naquela época isso consistia em valorizar a posse de bola, a troca de passes, com um meio de campo afeito a cadenciar o jogo.
E o plano deu certo. Apesar de não ter sido brilhante, o Grêmio foi eficiente. Segurou o jogo no primeiro tempo e saiu para marcar dois gols no segundo, conquistando importante vitória no grupo.

*Segunda-feira, 21 de março de 1983.
Operação Bolívia.

Sem muitas informações sobre os dois adversários bolivianos do Grupo 2 da Libertadores, o Grêmio desembarcou em Santa Cruz de la Sierra com a obrigação de conquistar resultados positivos em território inimigo.
A principal preocupação ficava por conta do Bolívar, campeão do país e adversário da sexta-feira. Na semana anterior, o time de La Paz havia feito sua estréia jogando em casa e aplicando uma goleada de 6 a 0 sobre o Blooming.
O resultado deixou a equipe na liderança do Grupo por pontos e ainda com um excelente saldo de gols.
Porém, antes do combate contra o Bolivar, o objetivo era não perder o foco do Blooming. Apesar da fragilidade, era um adversário desconhecido e jogaria com o apoio de sua torcida e com a obrigação de vencer após a derrota na estréia.
O ponta-esquerda Tonho, lesionado, era a principal dúvida de Valdir Espinosa no ataque. Lambari era a opção.
Renato, completamente recuperado de uma lesão muscular, havia ganho a posição de Tarciso na direita após os últimos jogos pela Taça Brasil.
No meio, Osvaldo voltava ao time após ficar de fora na estréia.
O lateral-direito Paulo Roberto nem viajou para a Bolívia. Ficou em Porto Alegre negociando sua transferência para o São Paulo. Silmar ocuparia sua vaga. (Gremio.net)

 

*Terça-feira, 22 de março de 1983 
Vitória importante em Santa Cruz de La Sierra.

Apesar do forte calor e do clima abafado, Grêmio entrou em campo no estádio Ramón “Tahuichi” Aguilera encontrando um ambiente surpreendentemente favorável para enfrentar o Blooming. Depois da derrota para o Bolívar na estréia, o torcedor compareceu desanimado para o enfrentamento contra o Tricolor. Aquele clima de pressão característico dos jogos pela Libertadores realizados na Argentina, Uruguai e Chile praticamente não existiu.
Para o Grêmio, bastava colocar a bola no chão e enfrentar o Blooming sem se preocupar com os fatores externos.
Já nos primeiros minutos de jogo, ficou evidente a superioridade gremista.
Lambari apresentava dificuldades para vencer o lateral e o time passou a forçar as jogadas pela direita.
Renato tratou de infernizar a defesa boliviana, porém exagerando um pouco na individualidade.
No meio, César e Osvaldo se movimentavam bastante aparecendo com força no ataque.
O time criou bastante nos primeiros 45 minutos e teve a oportunidade de abrir o marcador em pelo menos quatro lances. No melhor deles, Tita cobrou uma falta no poste direito do goleiro Terrazas. No rebote, Lambari perdeu.
Certamente, no intervalo, o técnico Valdir Espinosa pediu um pouco mais de empenho aos jogadores e mais tranqüilidade na hora de concluir.
A segunda etapa começou com um susto: logo no primeiro minuto, o ponta Reveliz chutou, a bola desviou em Silmar, tirou Remi da jogada e bateu no travessão.
Não demorou muito para o time responder: Renato recebeu de Tita na frente do goleiro, driblou e chutou para o gol aberto. O zagueiro Gallardo salvou sobre a linha mandando para escanteio.
Na cobrança do escanteio da esquerda de Lambari, Tita marcou de cabeça se antecipando à zaga, no primeiro pau.
Grêmio 1 a 0.
Dois minutos depois, a qualidade técnica de Renato surtiu efeito sobre o marcador. Bola levantada da esqueda no segundo pau. César ajeitou de cabeça. Renato dominou, deu um drible desconcertante no zagueiro e chutou na saída do goleiro.
Com 2 a 0 no marcador e sobrando em campo, a equipe diminuiu o ritmo tratando de tocar a bola. Provavelmente já pensando no desgaste que iriam enfrentar na altitude de La Paz na sexta-feira, dia 25.
Ainda que não tenha melhorado o saldo de gol, o Grêmio comemorou o primeiro lugar no Grupo”.(Grêmio.net)

UMA VITÓRIA SEM RESTRIÇÃO
LA PAZ (UPI) – A imprensa esporiva local comentou de forma unânime que o Grêmio, vice-campeão brasileiro de 1982, obteve legítima vitória de 2 a 0 sobre o Blooming, vice-campeão boliviano, nas eliminatórias do Grupo 2 da Libertadores da América.
O jornal “El Diario” comentou que o “Grêmio mostrou que tem bons jogadores, especialmente seus ponteiros Renato e Lambari”, o que justifica sua vitória. Acrescentou que o resultado complia o Bolívar, porque este terá que ganhar todas as partidas em casa e, além disso, obter alguma bom resultado no Rio de Janeiro e Porto Alegre para alcançar a pretendida classificação”.
Por seu lado, o jornal católico “Presencia” destacou que o Blooming, que havua prometido compensar sua derrota para o Bolívar, não conseguiu o objetivo porque enfrentou “um rival superior em todas as linhas”, “O Grêmio mostrou ser uma equipe bem plantada, com jogadores muito hábeis, que mostraram a diferença que existe entre nosso futebol e o brasileiro. Não se acredite que o Blooming jogou mal, não. Simplesmente, o Grêmio foi muito superior, sendo o resultado um correto prêmio à sua atuação”, afirmou”  (Correio do povo – 24 de março de 1983)

O GRÊMIO DÁ O SEGREDO PARA O FLA
Na estréia diante do Blooming,  a inofensivos 400 m a cima do nível do mar, o Grêmio estudou o adversário no primeiro tempo e liquidou-o no segundo, ao constatar a sua fragilidade. O jovem ponta-direita Renata e o meia-esquerda Tita marcaram os dois gols e foram os principais destaques desse jogo, em que o vice-campeão brasileiro de 1982 só não goleou porque se poupou para o segundo compromisso, três dias depois.” (Revista Placar – 1º de abril de 1983)

PREJUÍZO DO GRÊMIO
A partida contra o Blooming rendeu 15 mil dolares e o Grêmio ganhou 3.000 dólares para as despesas. Esta quantia é insuficiente para enfrentar as despesas que tem na Bolívia. Só com o hotel o Grêmio gastará 11.000 dólares, sem falar nas passagens. E sem contar seis milhões de cruzeiros de prêmio pela vitória contra o Blooming.” (João Carlos Belmonte – Correio do povo – 25 de março de 1983) 

PETRY E AS GENTILEZAS
Rudi Armin Petry é um dirigente experiente e que já viajou por vários lugares do mundo com o Grêmio. Mas ficou entusiasmado com a recepção dos dirigentes do Blooming: “Difícil encontrar no Exterior uma acolhida tão bonita e tão gentil como a que tivemos em Santa Cruz de La Sierra”, disse-me ele” (João Carlos Belmonte – Correio do povo – 25 de março de 1983)

COM LAMBARI, 2 VITÓRIAS
Já na primeira etapa de ontem o Grêmio demonstrava ser melhor que o fraco Bloooming. Tita tinha mandado uma falta na trave e o goleiro defendera outra espetacularmente. E mais uma vez se destacava na defesa um jogador que está direitinho, certinho há cinco jogos consecutivos: Leandro. Não está fazendo bobagem e seguramente se mostra superior a De León na zaga. Sem falar nos três gols salvos por Leandro, debaixo dos paus, em três partidas dessas cinco. A vitória sobre o Blooming, pois, deu ao Grêmio maior confiança para enfrentar o verdadeiro e difícil obstáculo da Bolívia na sexta-feira o Bolívar, que ganhou do derrotado de ontem por 6 a 0.” (Paulo Sant´Ana – 23 de março de 1983)

IDÉIA DA VITÓRIA
Futebol tem disso: situações ilusórias. Não se pode traçar o perfil de uma equipe apenas em resultados isolados. O Grêmio que vi, por exemplo, impondo uma goleada sobre o Sergipe no Olímpico não me impressionou e nem acrescentou novidade ao já conhecido. Foi uma vitória natural e obrigatória do muito mais forte sobre o muito mais fraco. Algo parecido a televisão nos mostrou anteontem de Santa Cruz de la Sierra. Um adversário de futebol primário mas que, em vários momentos, andou complicando a movimentação do vice-campeão brasileiro. Significa que o Grêmio não anda em inteira paz com o seu futebol.” (Antônio Goulart – Correio do povo – 24 de março de 1983) 

A SUBIDA DOS ANDES
O Grêmio fez uma exibição relativamente pobre contra o Blooming. Mas poderá justificá-la até pela inexperiência e tensão do jogo. Libertadores é competição que enerva mais. É campeonato superior, o ambiente no Exterior também influi no ânimo e, particularmente, no caso, quando há um fantasma esperando – como a atitude, que terão pela frente -, o pessoal se abala. Como, no entando, mesmo jogando pouco deu para ganhar 2×0, talvez com o tempo de esperar até sexta-feira algumas coisas possam ser corrigidas, como, por exemplo, o posicionamento de César – que nada jogou anteontem: China, que errou demais os passes; Tita e Osvaldo – que estão ajudando pouco na marcação adversária, etc.” (Lasier Martins – Correio do povo – 24 de março de 1983) 

BLOOMING: Terrazas; Herrera, Gallardo (Noro) Villalon e Vaca. Melgar, Castillos (Paniagua) e Taborga; Reveliz, Sanchez e Rojas.
Técnico: Raul Pino

GREMIO: Remi; Silmar, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, César e Lambari.
Técnico: Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Baidek, Bonamigo, Robson e Tarciso.


Fase de Grupos – 2ª rodada – Libertadores 1983
Data: 22 de março de 1983, terça-feira, 22h30min
Local: Ramon Tauhichi Aguilera em Sta. Cruz de La Sierra – Bolivia
Juiz: Ramon Barreto (Uruguai)

Auxiliares: Jose Martinez e Ernesto Filippi 
Gols: Tita, aos 7 minutos do 2º e Renato aos 9 minutos do 2º tempo

30 anos da Libertadores de 1983 – Grêmio 1×1 Flamengo

March 4, 2013
Há 30 anos o Grêmio começa a sua jornada na Libertadores de 1983. Logo de cara o tricolor recebeu o Flamengo no Olímpico. Um jogo importantíssimo, uma vez que o regulamento previa que apenas 1 das 4 equipes de cada grupo avançaria para a segunda fase.
Valdir Espinosa ainda estava buscando a formação ideal para o time. O treinador insistia na ideia de usar Tonho como um “ponta-esquerda falso”, fechando como quarto homem de meio campo. Além disso, especificamente para o confronto contra o Rubro-negro, foi escalado um meio-campo mais defensivo, com Bonamigo no lugar do recém-contratado Osvaldo. Espinosa assim explicou a sua escalação:
“Só tirei o Osvaldo desta partida porque precisava de mais um marcador no meio-campo para conter Zico e Adílio.” ; “Olha, o Osvaldo foi excepcional. Quando eu falei a ele sobre a nossa intenção ele disse que era para o bem do grupo e até ficava contente em sair. E o Bonamigo cumpriu à risca as determinações. A vantagem dele nesse jogo era poder marcar o adversário e também atacar. Fez isso muito bem e contribuiu para a boa atuação”
A tensão para o jogo era grande. Baltazar e Tita faziam o primeiro confronto contra os seus antigos clubes. Para piorar clima, a diretoria do Flamengo tentou vetar a escalação do juiz Arnaldo Cesar Coelho. Depois do jogo, os dirigentes do Grêmio reclamaram que a pressão flamenguista surtiu efeito na arbitragem.
Mas apesar das marcações polêmicas, não foi Arnaldo o personagem da partida, e sim Hugo de Leon. O uruguaio foi tentar sair jogando e perdeu uma bola para Zico, o que acabou gerando o gol do Flamengo, marcado logo aos 16 minutos por Baltazar. Buscando se redimir, o capitão gremista passou o resto do jogo empurrando o time para o ataque. E aos 35 minutos do segundo tempo foi ele que marcou o gol do peleado empate gremista. Conforme o próprio conta: 
“Tive muito azar naquela jogada em que perdi a bola para o Zico. Mas o esforço coletivo de toda  a equipe acabou permitindo que o Grêmio empatasse um jogo extremamente difícil. Só o chute foi meu no gol do empate, o trabalho e o esforço foi de todos os companheiros que lutaram muito para evitar a derrota”
João Saldanha, então colunista do Jornal do Brasil, entendeu que “o resultado fez justiça aos dois times”. Para Antônio Goulart, do Correio do Povo, o 1 a 1, “acabou sendo justo“. Tudo muito parecido com o “Se fez justiça“, que Ruy Carlos Ostermann colocou no título da sua coluna na Zero Hora. Na Placar, Divino Fonseca afirmou que “O Grêmio atacou mais, mas o Fla se defendeu bem”.  Abaixo seguem mais algumas matérias sobre essa partida:

“Quem não foi ao Olímpico perdeu um dos melhores jogos dos últimos tempos. O empate de 1 a 1 entre Grêmio e Flamengo na primeira partida pela Libertadores, premiou o público presente porque a partida foi vibrante. Baltazar fez um belíssimo gol para o Flamengo e Hugo de León respondeu com outro golaço. O Grêmio foi combativo, ofensivo, teve duas bolas no poste e merecia vencer porque taticamente foi perfeito. Mas com um estilo calmo e paciente o Flamengo suportou a pressão.

[…]

O Grêmio jogou melhor, merecia a vitória mas além de Zico, o Flamengo apresentou outro grande jogador: Raul.” (Zero Hora – 05 de março de 1983)
FÁBIO KOFF CHAMOU ARNALDO DE LADRÃO
Dirigentes gremistas disseram que ele foi condicionado

“O Arnaldo César Coelho é um ladrão. Ele não marcou um pênalti”. Descontrolado, o presidente do Grêmio, Fábio Koff entrou rapidamente no vestiário, após o empate com o Flamengo, acusando o árbitro da FIFA que apitou a partida decisiva do Mundial da Espanha. Mesmo requisitado pelos repórteres não quis dar entrevista na hora, preferiu conversar com seus companheiros que também lamentavam a atuação do árbitro carioca.
Mais calmo, mostrando tranquilidade, mas também reclamando de Arnaldo Cesar Coelho, quem falou sobre arbitragem foi o vice presidente de futebol, Alberto Galia:
– Eu não gosto de comentar a arbitragem, mas desta vez foi demais. Todo o estádio viu os erros deste juiz. Eu imaginava que ele na condição de árbitro da FIFA, não poderia ser atingido pela pressão. Mas foi. Foi condicionado pelas palavras do presidente do Flamengo. E isto é lamentável. Milhões de pessoas que assistiram aos lances do jogo puderam comprovar os erros deste árbitro. O Grêmio foi prejudicado e perdemos um ponto em nossa casa. Agora, vamos tentar recuperá-lo fora do Olímpico. Ele deixou de marcar um pênalti a nosso favor.
SORRISOS

No vestiário do Flamengo, ao saber da atitude e das palavras de Fábio Koff, o presidente do Flamengo, Antônio Dunshee de Abranches não falou nada. Apenas limitou-se a sorrir. Entre os jogadores ninguém criticou a arbitragem de Arnaldo César Coelho, um árbitro que vinha sendo vetado pelo Flamengo.” (Zero Hora – 05 de março de 1983)

 

“Atuação do juiz

Nota 8

A única restrição que se pode fazer ao trabalho de Arnaldo César Coelho refere-se ao lance surgido aos 28 minutos do segundo tempo, quando Marinho derrubou Bonamigo dentro da área. Foi um lance difícil, do qual ele não estava muito próximo e em que o auxiliar nada marcou. Em todos os outros lances reclamados pelos torcedores (pênaltis em Tonho e Tita, no primeiro tempo) Arnaldo Agiu corretamente sem deixar dúvidas. Uma boa atuação.  (Zero Hora – 05 de março de 1983)


“Grêmio e Flamego empatarem em 1×1 na abertura do grupo 2 da Libertadores de América, em jogo empolgante, ontem a noite no Olímpico, e cujo resultado acabou sendo camarada para o time carioca, considerando o predomínio gaúcho em campo. Como se não bastasse, o Grêmio teve duas bolas no poste e lances duvidosos na área flamenguista, totalmente ignorados por Arnaldo César Coelho”

[…] 

Aos 36 minutos, Tita entrou driblando na defesa carioca, foi derrubado, mas Arnaldo considerou lance legal.” (Correio do povo – 05 de março de 1983)

“[…]

O intervalo foi bom para o Flamengo. O time voltou mais solto, aguerrido. Com dois minutos já poderia ter feito dois gols. Zico chutou uma bola no travessão, cobrando falta. Baltasar quase fez outro gol. O jogo ficou muito corrido. O Grêmio, incentivado pela torcida, praticamente não perdia uma dividida. E, na base da garra, conseguiu equilibrar de novo a partida. Renato, que entrou no lugar de Tarciso, chutou na trave. Bonamigo perdeu um gol. Raul, um dos melhores em campo, fez defesas incríveis. Aos 28 minutos, a maior falha do tolerante juiz Arnaldo César Coelho: Bonamigo foi derrubado na área do Flamengo, em pênalti claro que ele não marcou. Apesar de Lambari, que entrou no lugar de Tonho, o Grêmio conseguia manter o domínio, até que De Leon empatou.” (Jornal do Brasil – 05 de março de 1983)

Quinta-feira, três de março de 1983:
Os preparativos:

Uma boa estréia na competição era de vital importância para as pretensões gremistas de encaminhar a classificação no Grupo 2, que contava ainda com as participações dos bolivianos do Blooming e do Bolívar. Ao contrário do que ocorre hoje em dia, apenas o campeão do grupo é que garantia classificação.

O jogo aumentava de importância já que os dois próximos seriam realizados fora de casa, na Bolívia.
Desde cedo, as duas diretorias trabalhavam forte nos bastidores.

O presidente do Flamengo, Antônio Augusto Abranches, passou a criticar publicamente a escalação do árbitro Arnaldo César Coelho para comandar a partida no Olímpico. Do outro lado, Fábio Koff definiu a manobra do dirigente carioca como “uma clara tentativa de pressionar a arbitragem”. Nenhuma novidade, já que o mesmo cartola havia utilizado o mesmo artifício quando da decisão do Campeonato Brasileiro do ano anterior.
Dentro de campo, mistério de ambas as partes: pelo Grêmio, o técnico Espinosa treinou uma equipe, mas surpreendeu na hora do jogo. A derrota no final de semana para o
Atlético Paranaense em pleno estádio Olímpico, e com a equipe titular, deixou uma pulga atrás da orelha do comandante gremista fazendo com que o time fosse modificado em cima da hora. Pelo Flamengo, o treinador Paulo César Carpeggiani aguardava um parecer do Departamento Médico sobre a situação do lateral-esquerdo Júnior, que sentia dores.
Apesar do resultado negativo de domingo pela Taça de Ouro contra os paranaenses e a marcação do jogo para uma sexta-feira à noite, a mobilização da torcida era grande. Principalmente pela possibilidade de uma revanche contra os rubro-negros.

Era certeza de casa cheia. (Gremio.net)
 

*Sexta-feira, quatro de março de 1983.
A estréia em um jogo emocionante:

Mais de 43 mil pagantes lotaram o estádio Olímpico para a estréia do Tricolor na Copa Libertadores de 1983.
Além de ser a abertura do Grupo 2, e contra um adversário que estava entalado na garganta, a partida estava recheada de atrativos para o torcedor. Pela primeira vez, Tita atuava contra o time que o revelou para o futebol. Do outro lado, o artilheiro Baltazar, autor do gol do título Brasileiro de 1981, também atuava contra seu ex-clube.
A TV Gaúcha transmitiu ao vivo para todo o País na narração de Galvão Bueno.
A vitória não veio, mas quem esteve presente viu um dos melhores jogos dos últimos tempos.

Empurrado pela torcida, o Grêmio partiu pra cima do Flamengo em busca da vitória.
Valdir Espinosa surpreendeu com uma modificação tática. Colocou Bonamigo no lugar de Osvaldo para aumentar o poder de marcação principalmente sobre Zico e Adílio.
O Flamengo acabou ficando sem Júnior, lesionado. Ademar entrou na lateral-esquerda.

Tudo transcorria dentro da normalidade e o Grêmio dominava os primeiros 15 minutos. Aos 16, o zagueiro Hugo de León tentou sair jogando pela direita, ao lado da área. Zico deu o combate e conseguiu roubar a bola do capitão gremista fazendo o cruzamento. O artilheiro Baltazar, ex-Grêmio, dominou com o pé direito, deu um chapéu no marcador que era Leandro e, também de pé direito, com um leve toque, mandou a bola no ângulo esquerdo da meta do goleiro Remi que nem se mexeu.
Foi um golaço.
Inconformado com a falha no lance, De León abandonou qualquer obediência tática e se atirou ao ataque para se redimir.
Aos 24, Tita tabelou com Bonamigo e chutou no poste.
O Tricolor ainda teve três boas oportunidades, mas o goleiro Raul estava em noite inspirada.
Faltando três minutos para o final da primeira etapa, Remi saiu errado da meta e Adílio concluiu de cabeça. O zagueiro Leandro salvou sobre a linha evitando o segun
do gol carioca.
O segundo tempo começou com o Flamengo melhor. Com a vantagem no marcador, Zico comandou o toque de bola no meio campo.

Aos sete minutos, Espinosa colocou o ponteiro Lambari no lugar de Tonho querendo aproveitar a velocidade do atacante. Porém, o time só melhorou mesmo quando, aos 17 minutos, Renato entrou no lugar de Tarciso. Recém promovido das categorias de base, o jovem ponteiro vi
ndo de Bento Gonçalves queria mostrar serviço.
Em sua primeira jogada, acertou o poste do goleiro Raul.
A pressão ficou insustentável.
Aos 24, Bonamigo foi derrubado na área, mas Arnaldo César Coelho nada marcou para desespero do vice-presidente de Futebol, Alberto Galia.
O Flamengo recuou.
Edson entrou no lugar de Robertinho
para ajudar na marcação e Lico ficou isolado. Baltazar passou a ser o único atacante mais avançado.
Aos 35 minutos, o esforço comovente de Hugo de León para se recuperar do erro da primeira etapa foi premiado. Após escanteio da esquerda, a zaga do Flamengo afastou de cabeça para a entrada da área, o capitão gremista pegou de primeira, de pé esquerdo, no ângulo esquerdo de Raul. A bola ainda bateu no poste antes de entrar.
Festa da torcida gremista!
Festa de Hugo de León!

O resultado final não foi aquele esperado, mas acabou fazendo justiça à boa atuação e à qualidade das duas equipes.
O presidente Fábio Koff ficou indignado com a atuação do árbitro e chamou Arnaldo César Coelho de “ladrão”. O Vice de Futebol, Alberto Galia, também mostrou seu descontentamento.
A única alternativa era buscar duas vitórias na Bolívia, contra Blooming e Bolívar, algo inédito até então na história da Libertadores. (Gremio.net)

Entretanto, para passar por esta primeira fase da Libertadores, o time teve mais do que a orientação do zagueiro uruguaio. Precisou também de um gol seu no empate por 1×1 com o Flamengo, em Porto Alegre, em março. No gol adversário, a falha fora sua, perdendo a bola para Zico, que deu o passe para Baltazar. Aí ele virou fera outra vez. Foi para o ataque como um guerreiro e lembrando seus tempos de meia-direita no juvenil do Nacional, acertou um belo chute no ângulo de Raul” (Placar)

BAITA JOGO
O Grêmio mereceu ganhar, saoi barato pro Flamengo. Raul foi o melhor em campo. Não julguemos o Espinosa pelo resultado, mas pela bela atuação do Grêmio, especialmente no primeiro tempo. O erro do treinador do Grêmio foi, ao incluir Renato acertadamente, ter retirado Tarciso, em vez de passá-lo pro meio, no lugar de César. Baltazar no Flamengo nao é culpa do Espinosa. Resultado conveniente pro Mengo, que teve o mérito de sempre saber o que queria e como deveria fazer prá chegar lá” (Lauro Quadro – Folha da Tarde – 5 de março de 1983)

“De León emocionou a todos pela maneira obstinada com que perseguiu a própria redenção – ele perdeu infatilmente a bola para Zico na jogada anterior ao gol de Baltazer. Transformou-se num peladeiro, compreendido e respeitado peladeiro, mas conseguiu marcar o gol do empate” (Divino Fonseca – Revista Placar – 11 de março de 1983)

Grêmio 1×1 Flamengo

GREMIO: Remi; Paulo Roberto, Leandro, De León e Casemiro; China, Bonamigo e Tita; Tarciso (Renato), César e Tonho (Lambari)
Técnico: Valdir Espinosa

FLAMENGO: Raul; Leandro, Figueredo, Marinho e Ademar; Andrade, Adílio e Zico; Robertinho (Édson), Baltazar e Lico;
Técnico: Paulo Cesar Carpegiani

Fase de Grupos – 1ª rodada – Libertadores 1983
Data: 4 de março de 1983, sexta-feira, 21h15min
Local: Estádio Olímpico, em (Porto Alegre-RS
Público:43.125 pagantes
Renda: CR$ 33.610.000,00

Juiz: Arnaldo Cezar Coelho

Auxiliares:  Romualdo Arpi Filho e José de Assis Aragão
Gols:Baltazar, aos 16 do 1ºT; De León  aos 35 do 2ºT