Archive for the ‘Nem tudo é Gre-Nal’ Category

Nem Tudo é Gre-Nal – 4º Curta – "Além do Rio Grande"

February 5, 2014

No sábado passado a RBS TV passou o quarto e último capítulo da série “Nem tudo é Gre-Nal“. O tema dessa vez foi “Além do Rio Grande”, que aborda a relação do futebol gaúcho com a seleção brasileira e pode ser visto nos vídeos acima ou no seguinte link.
Achei muito acertada a escolha dos fatos históricos contados no programa. De fato o Pan-americano de 1956 e o jogo entre a seleção Gaúcha contra a seleção do Zagallo em 1972 são os exemplos mais extremos dessa relação atribulada, conflituosa que o futebol gaúcho tem com a CBF.
Mas eu acho importante acrescentar alguns fatos que ajudam a explicar o porque dessa relação difícil. O primeiro seria a não convocação de Falcão para a Copa de 1978, o que também oportunizou um jogo entre a seleção gaúcha e o time treinado por Coutinho naquele ano. Em 1986, houve o polêmico corte de Renato Portaluppi as vésperas da Copa do México por um suposto caso de indisciplina (matérias abaixo). E em 1997 houve a polêmica convocação de Paulo Nunes para o Torneio da França e Copa América daquele ano, que acabou prejudicando imensamente o Grêmio na Libertadores, uma vez que ficou sem o jogador para enfrentar o Cruzeiro nas quartas-de-final (o time mineiro, por sua vez, teve tratamento diferenciado do CBF nas convocações de Ricardinho e Dida).

“Renato comentou o fato de que em cinco jogadores afastados três são gaúchos afirmando que, infelizmente “a gente mora no cantinho do País”” (Zero Hora 3 de maio de 1986)

“Telegrama do prefeito Alceu Collares para o presidente da CBF, Otávio Pinto Guimarães: “Lamentamos profundamente o corte de Gilmar, Renato e Mauro Galvão. Caracteriza-se inaceitável discriminação contra o vitorioso futebol do Rio Grande”. (Zero Hora 3 de maio de 1986)

“o técnico Rubens Minelli também critica a dispensa de Renato: Ele foi um dos principais articuladores das jogadas que nos deram os gols contra a Bolívia e Paraguai nas eliminatórias.

[…]

Hans Hening, um dos principais colunistas espanhóis, escreveu: “agradeço a Telê, em nome dos espanhóis, o corte de Renato” (Zero Hora 3 de maio de 1986)

“O treinador Telê Santana deu ontem as primeiras justificativas para os cortes, mas sem entrar em detalhes individuais. Entretanto, deu a entender que a dispensa de Renato não se deve unicamente a motivos técnicos: “O afastamento de um jogador não se dá apenas por critérios técnicos” – afirmou, sem referir-se respectivamente a nenhum jogador. Esclareceu, apenas, que o corte de Gilmar foi determinado pela opinião do treinador de goleiro, Valdir Moraes.” (Zero Hora 3 de maio de 1986)

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Nem Tudo é Gre-Nal – 3º Curta – "Peleia Gaúcha"

February 1, 2014
No dia 25 de janeiro, sábado passado, a RBS TV exibiu o 3º curta da série “Nem tudo é Gre-Nal“. O tema desse episódio é “Peleia Gaúcha” e pode ser visto no vídeo acima (ou neste link). Eu sempre acho interessante observar como o time treinado por Foguinho foi paradigmático na história do Grêmio e do próprio futebol gaúcho.
Creio que é importante frisar que a idéia de time que Foguinho aplicou no Grêmio nos anos 50 não era a mera repetição do que ele fez na sua época de jogador. Houve uma nítido aprimoramento nos seus conceitos, com um importante intercâmbio. No final de 1953, início de 1954, Foguinho era o treinador do Cruzeiro de Porto Alegre que excursionou pela Europa. Lá ele conseguiu absorver importantes evoluções nas equipes europeias (algo que, segundo ele, os seus pares no Brasil não conseguiram ver nos atletas “cansados do pós-guerra” que se apresentaram na Copa de 1950).

 E a partir dessas observações é que ele acabou revolucionando o futebol local. Destaquei algumas declarações que sintetizam que ideias eram essas:
Frase de Foguinho, resumindo que características esperava ver nos seus jogadores:

“Precisamos de jogadores que resistam a todos os choques, que sejam velozes do primeiro ao último minuto.” (Revista Grandes Clubes Brasileiros – Grêmio – nº 7 – 1971)

Outra depoimento interessante é a de Milton Kuelle sobre o estranhamento inicial que o conceito de futebol do Foguinho teve no estado:

“Ninguém estava preparado no início para o novo tipo de futebol proposto pelo Foguinho, realmente, nem mesmo o próprio Grêmio. Mas aquele tipo de jogo – forte, de muita velocidade, movimentação constante e até o fim, marcação mais severa – era o único jeito de desmoronar com a técnica do Inter, que de fato era superior”
 “O fato é que o Foguinho fez um selecionamento de mão-de-obra a partir das suas ideias pessoais sobre futebol, escolhendo aqueles jogadores que pudessem assimiliar, aceitar e realizar seu esquema de jogo, sempre com muito sacrifício pessoal” (Depoimento de Milton Kuelle a Cláudio Dienstamann publicado na Zero Hora em julho de 1983)

Um outro elemento que eu acho muito curioso, é o fato de que o maior ícone desse time de força e velocidade Foguinho ter sido Airton Ferreira da Silva, um zagueiro que se destacava pela técnica e pelas jogadas de efeito. Um exemplo  típico dessa característica do Grêmio de ser singular e não se importar em ir contra a corrente.

Nem tudo é Grenal – 2º curta – "As cores da Rivalidade"

January 25, 2014
No último sábado, dia 18 de janeiro, a RBS TV exibiu o 2º curta da série “Nem tudo é Gre-Nal“. O tema desse episódio é “As cores da rivalidade” e pode ser visto no vídeo acima (ou neste link). Falei um pouco sobre primeiro Gre-Nal da história. Acho interessante acrescentar dois pequenos trechos que ajudam a ilustrar como se desenrolou o jogo dos 10×0.


Relato do Correio do Povo de 20 de julho de 1909 sobre o jogo:
“Às 3.25 pelo respectivo referee, sr. Waldermar Bromberg, foi dado signal de kick-off, cabendo este ao center forward Booth, do team azul. Nos primeiros minutos, o jogo esteve indeciso, pois o team azul, que era constituído de excelentes elementos, pretendia conhecer a força do seu rival. Pelo primeiro lance, verificou-se que a linha de forward do Grêmio F.B. era bem combinada e com bizarria atacava seus adversários, sendo rechaçados, por várias vezes, pelo half-backs do team incarnado…” 
Depoimento dado em 1971, por Álvaro Brochado, atleta do Grêmio, sobre aquele primeiro clássico:
“Feito o sorteio, coube ao Internacional a escolha do goal que ocupou fronteiro à sociedade Atiradores. O jôgo ficou logo para os jogadores do Grêmio, que mantiveram a bola sempre no campo adversário, sendo notório que duas únicas vêzes os atacantes do Internacional chutassem contra o goal do Grêmio”(Revista Grandes Clubes Brasileiros – Grêmio – nº 7 – 1971)

Nem tudo é Grenal – 1º curta

January 13, 2014
Por convite do diretor Guilherme Petry, dei um depoimento para o projeto “Nem Tudo é Grenal“, do Curtas Gaúchos da RBS TV. O primeiro curta foi ao ar no último sábado e pode ser visto acima ou neste link. Minha participação começa aos 8 minutos e 8 segundos.
Falei bastante dessa questão da fundação de Grêmio e Inter em um post de 2009, que penso seguir sendo bastante válido. Nunca vi nenhum elemento que pudesse comprovar essa afirmativa de que o Grêmio era clube “fechado dentro de uma comunidade étnica” ou mesmo uma “uma entidade fechada, voltada para a comunidade alemã.”