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Taça da Legalidade 1962 – Grêmio 4×1 Operário Ferroviário

August 9, 2022
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Foto: Folha da Tarde Esportiva

O único confronto entre Grêmio e Operário Ferroviário em Porto Alegre aconteceu em 1962, pela Taça da Legalidade. Vitória tricolor por 4×1.

Acho muito interessante perceber como são minuciosas as crônicas dos jogos publicadas na Folha da Tarde Esportiva daquela época.

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Foto: Folha da Tarde Esportiva

GRÊMIO PASSOU BRINCANDO PELO OPERÁRIO: 4 X 1

O Grêmio Pôrto Alegrense com tranquilidade — 1.º tempo fêz 4 x O no Operário Ferroviário de Ponta Grossa, Paraná, polo Torneio da Legalidade. No tempo final aconteceu um toque de justiça: o ponto de honra dos visitantes, fixando a contagem em 4×1. Os vice-campeões doRio Grande provaram diferença fundamental de football no 1º tempo sôbre os vice da terra araucariana. Aproveitando o mau trabalho dos homens de área do Operário, sempre desatentos, aos deslocamentos dos avançados, os gremistas foram tranquilamente impondo seu melhor football.

Enquanto a peleja não tinha o sua definição espelhada e, consequentemente, obrigava a um  trabalho mais árduo, a gente de Ênio Rodrigues deixou claro sua inconteste vantagem  sobre os” ponta-grossenses. Isto foi irrefutável. Não pode haver um paralelo de comparação, enquanto o jogo não estava decidido.

Os avançados tricolores, na 1ª parte do espetáculo, aproveitaram-se das constantes indecisões da linha de zagueiros Paranaense. Com os costados mal guarnecidos e com Ribamar e Laércio incapazes tecnicamente, e sem velocidade para contar Marino, Juarez e com Hélio Silvestre. vendo Elton, por um “binóculo” quando o médio ingressava na área, paulatinamente o cotejo ganhava um colorido unilateral, Era o Grêmio que dava a toada do match. Impunha sua melhor ordenação geral ante um team, bravo é verdade, porém carecendo de melhor estrutura defensiva: Somando-se ao bom trabalho ofensivo, empurrado por Elton e Milton, os gaúchos contavam ainda cem o total desacerto das linhas mais recuadas dos visitantes.

Os leves pecados iniciais de Sérgio (uma vez), Brandão e Mourão (que se recuperaram rápidos) não serviram para gerar ocasiões para boas descidas da rapaziada do Paraná, isto nos 45 minutos iniciais. Elton e Milton punham em constante movimentação seus companheiros de frente e o chefe dos médios foi figura que cumpriu saliente papel nas arremetidas contra o retângulo do ótimo guardião Arlindo.

Com muita folga e os donos do Olímpico fizeram 4×0 no Operário. É verdade que nos últimos 15 minutos da 1ª fase, já se notava uma visível poupança dos gremistas.

Para o período derradeiro, o vice-campeão Paranaense despontou com mais vontade e acerto. Alguns fatores influíram para que tanto acontecesse. O Grêmio – e o marcador em parte justificava isso — parou muito e aquele ritmo rápido, nervoso e acertado do 1º tempo desapareceu. Elton e Milton excelentes no tempo primário — ”sentaram um pouco na retranca”. O ataque lutou com mais dificuldades e alguns de seus homens (Vieira por duas vezes), Marino (igual número), Adroaldo e Juarez (uma cada um), foram bisonhos e revelaram uma falta de habilidade espantosa ao perderem “goals feitos”. Deste desperdício, o vice local pagou pesado pecado; não marcou tentos no período conclusivo.

Por seu turno, os de Ponta Grossa, solidificavam sua linha de zaga com o ingresso de Pacheco como homem de área e a retirada de um homem que claudicava: Daniel, conto lateral direito. Laércio foi para a asa média e ficaram na área Pacheco e Ribamar.

Mesmo dando-se o desconto que o Grêmio parou, foi excelente estio alteração. Hélio Silvestre moveu-se um pouco melhor e Fiuza funcionou com mais rapidez e inteligência. O ataque foi pôsto em funcionamento. A defensiva, consequentemente, dos gaúchos foi chamada a arcar com a responsabilidade maior do que no 1.º tempo. Os do Operário insistiram em descidas contra a meta de Irno. Notou-se, então, certas hesitações do bloco mais recuado tricolor, O trabalho de Sérgio em Otavinho já não era aquele muito bom do começo; Airton lutava contra Sílvio, um jogador valente; Leocádio ganhava alguma progressão contra Brandão e Mourão desdobrava-se para não permitir liberdades maiores a Jairo.

Mesmo com o Grêmio deixando de marcar (criou muito mais situações aflitivas), isto por falta de habilidade de seus avantes, foi justíssimo o ponto de honra conquistado em cima da hora, por Leocádio. Não padeceu dúvidas, o liquido triunfo do Grêmio, mesmo permitindo ao adversário presença no tempo final. Foi o triunfo daquele que deixou patente ter mais condições coletivas e individuais como esquadra de football. O Grêmio valeu quando o match ainda era uma incógnita. Daí, o alto mérito de seu triunfo. Depois, com um marcador já de 4×0, relaxou bastante os movimentos e deu chance ao team de Agustin Martinez despontar com alguma inspiração. Mesmo parecendo um paradoxo, perdendo por 4×1, o Operário-Ferroviário (em que pese a diferença fundamental) deixou impressão em pouco melhor no que diz respeito á ofensiva, do que aquilo que rendeu contra o Internacional, num match que findou zero a zero. O cotejo teve em sua primeira etapa a parte mais interessante e correta. No período derradeiro não chegou a entusiasmar inteiramente, não obstante o esforço e o relativo bom comportamento dos rapazes do Paraná, .

DETALHES TÉCNICOS
Local: Olímpico.
Renda: Cr$ 567.790.00
Equipes:
GREMIO PA (4) — Irno, muito bom; Sérgio, ótimo no princípio para cair um pouco no tempo final; Airton, com momentos de alto gabarito para se descuidar no fim: Brandão, regular: Mourão, firme na maioria dos movimentos; Elton, grande peleja no início para parar no final; Milton, igual ao “Alemão”; Adroaldo, dono de jogadas rápidas e corretas; Marino muito bom no 1º tempo. Caiu de produção e foi substituído por Abílio sem vantagem alguma: Juarez, quando “aligeirou” o jogo esteve bens, depois “amarrou” muito; Vieira, perdeu dois gols impossíveis, lances que comprometeram seu excelente 1º tempo.

OPERARIO-FERROVIÁRIO (1) — Arlindo, voltou a luzir: Daniel, muito mal, depois Laércio que jogou multo mais na lateral do que dentro da área; Ribamar, vulnerável no 1º tempo. Depois cresceu um pouco; Candinho, perdeu a batalha no 1.º tempo para jogar mais desafogado no fim. Hélio Silvestre, não reeditou seu bom trabalho do jogo contra o Internacional. Foi notado quando Elton parou bastante; Fiuza pareceu no 2º tempo; Jairo, Sílvio, Leocádio e Otavinho, com nota melhor para a bravura de Sílvio. Jogou melhor o ataque do que contra o campeão gaúcho.” (ANTONIO CARLOS PORTO, Folha da Tarde Esportiva, Sábado, 24 de fevereiro de 1962)

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OPERÁRIO NÃO RESISTIU AO PODERIO DO GRÊMIO E FOI GOLEADO NO OLÍMPICO: 4X1

[…]
Aos 14 minutos de ações, magnificamente lançado por Milton, Elton invadiu a área adversária e frente a frente com Arlindo, enviou a pelota para as redes. Seis minutos após. Marino realizou com êxito um impressionante «rush» e arrematou de pé esquerdo, anotando o tento número dois Aos 31 minutos. Marino cruzou forte e Ribamar, tentando a defesa, desfiou a pelota para dentro de suas próprias redes e o quarto tento dos tricolores foi também, fruto de uma jogada infeliz de Candinho que. Muito afoito, enviou a pelota para dentro de seu próprio arco, após uma defesa parcial de Arlindo, aos 45 minutos de jogo. […]” (Jornal do Dia, Sábado, 24 de fevereiro de 1962)

 

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Foto: Folha da Tarde Esportiva

 

“GRÊMIO CONTINUA NA CAMINHADA: VENCEU O OPERÁRIO, ONTEM
4 x 1 foi o resultado do embate — Marcaram os tentos: Elton, Marino (2) e Adroaldo; Leocádio marcou para o Operário — Regular a atuação do árbitro paranaense — Renda da partida : Cr$ 567.790,00

Grêmio e Operário Ferroviário jogaram ontem, no Olímpico mais uma partida, em prosseguimento ao Torneio Sul Brasileiro Inter-Clubes. Os tricolores, pelo que realizaram na fase inicial, venceram por 4×1. Os primeiros 45 minutos pertenceram aos locais, que bens coordenados, dominaram completamente as jogadas. Já no segundo tempo, o assunto mudou. O Operário estive bem melhor, porém seu ataque não produziu o esperado, o que de resto aconteceu na fase inicial e por ocasião do primeiro jogo entre nós.

Mas o quadro visitante trabalhou a contento, em que pese alguns defeitos de seus defensor. O trabalho da defensiva do Operário foi bom e quase certo. Arlindo voltou a brilhar, tendo ainda sorte em algumas jogadas, salvando tentos certos. Por outro lado, os atacantes do Grêmio perderam grandes oportunidades, estando nessas condições Marino e Vieira. Este, em duas vezes seguidas, deixou de marcar com o arco aberto. Mas na fase final, o ataque do Grêmio não caminhou como aliás se esperava, dado o resultado do primeiro tempo. Caíram os atacantes locais na armadilha dos defensores do Operário, que com habilidade abandonavam a grande área, e em consequência, os dianteiros gremistas ficavam impedidos. Isso aconteceu várias vêzes, principalmente com Juarez. O quadro do Operário trabalhou bem na fase derradeira, tendo inclusive envolvido os tricolores, por momentos. Mas a defensiva local esteve sempre firme, claudicando apenas no tento de honra dos visitantes, ao apagar das luzes. E o tento de Leocádio, foi o coroamento do esforço do quadro, que na verdade andou bem melhor que na fase final. Há um outro detalhe interessante. O quadro do Grêmio, com o resultado do primeiro tempo (4×0) voltou desinteressado no placar, procurando apenas defender-se e esporadicamente atacar. Os tentos não surgiram mais e todos estavam certos que o jogo terminaria com o resultado da primeira fase. Mas não aconteceu. Os visitantes no final do prélio marcaram o tento de honra. A vitória do Grêmio, foi, na verdade, a conquista do melhor quadro. Apareceu a hierarquia e os tricolores continuam liderando o torneio, invictos.

QUADROS, TENTOS, ÁRBITRO E RENDA

Os dois quadros jogaram assim firmados:

GRÊMIO — Irno; Sérgio, Airton, Brandão e Mourão; Elton e Milton; Adroaldo, Marino (Abílio) e Vieira.

OPERÁRIO — Arlindo; Daniel (Laércio); Ribamar, Laércio (Pacheco) e Candinho; Hélio Silvestre e Flua; Jairo. Silvio, Leocádio e Otavinho.

— Os tentos foram assinalados por Elton, Marino (2), sendo que o último, a pelota raspou em Ribamar e Adroaldo. Antes da pelota entrar no arco, bateu em Candinho. O tento de honra do Operário foi obra de Leocádio.

— Dirigiu a partida, regularmente, o sr. José Barbosa de Lima Neto, da FPF.

— A renda do embate foi boa: Cr$ 567.790,00.” (Correio do Povo, Sábado, 24 de fevereiro de 1962)

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Foto: Correio do Povo

 

“GRÊMIO CONTINUA SUA MARCHA EM BUSCA DO TÍTULO DA LEGALIDADE: OPERÁRIO 4X1” (Diário de Notícias, Sábado, 24 de fevereiro de 1962)

 

“OPERÁRIO GOLEADO PELO GRÊMIO NO OLÍMPICO: 4X1
— O Operário Ferroviário de Ponta grossa foi goleado hoje à noite, no Estádio
Olímpico, por 4×1, pelo Grêmio Portoalegrense, no cotejo de despedida dos alvinegros. A peleja apresentou duas fases distintas, e na primeira, o placar de 4 x 0. diz tudo o que foi aquela etapa, quando o “fantasma” esteve multo longe e corresponder a expectativa do público presente ao estádio do Grêmio” (Diário do Paraná, Sábado, 24 de fevereiro de 1962)

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Foto: Revista do Grêmio n.º 37

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GRÊMIO: Irno; Sérgio Airton, Brandão e Mourão; Elton e Milton; Adroaldo, Marino (Abílio) e Vieira
Técnico: Ênio Rodrigues

OPERÁRIO: Arlindo; Daniel (Laércio); Ribamar, Laércio (Pacheco) e Candinho; Hélio Silvestre e Flua; Jairo. Silvio, Leocádio e Otavinho
Técnico: Agustin Martinez

Taça da Legalidade 1962 – Operário Ferroviário 0x1 Grêmio

April 27, 2022

O Grêmio só jogou com o Operário Ferroviário em Ponta Grossa em uma única ocasião, na Taça da Legalidade (Campeonato Sul-Brasileiro de 1962). Vitória gremista por 1×0.

Achei interessante que na revista do Grêmio sobre a conquista do título é transcrito a crônica da partida feita pelo Correio do Povo e publicado uma imagem do jogo em Porto Alegre, que foi disputado à noite como sendo dessa partida em Ponta Grossa. Ocorre que esse confronto teve seu ponta-pé inicial marcado para as 16h00min. Nas imagens dos jornais de Curitiba inclusive é possível ver que o Grêmio utilizou uma meia escura, listrada, nessa partida.

 

“GRÊMIO VENCEU OPERÁRIO: GOAL MARCADO AO APAGAR DAS LUZES
Mais uma derrotas do Operário Ferroviário que desta vez jogou melhor que outras oportunidades – Renda não chegou a quatrocentos mil cruzeiros” (Diário da Tarde, segunda-feira, 5 de fevereiro de 1962)

 

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“GRÊMIO SOFREU CONTRA O OPERÁRIO MAS MANTEVE A LIDERANÇA: 1 x 0

PONTA GROSSA, 4 (Esportiva) — O Grêmio manteve a liderança invicta do Torneio Sul-Brasileiro, ao vencer, esta tarde, no Estádio de Vilas Oficinas, o Operário Ferroviário pela contagem de um a zero. O team tricolor não realizou uma boa partida. Esteve longe de ser aquêle mesmo quadro que venceu ao Metropol por 3×0. A defesa voltou a marcar de homem para homem. Com Isso, muitas vêzes Airton e Ortunho foram envolvidos pelos pontas-de-lança contrários. Por muitas vezes, a meta de Irno andou perigando. Além disso, a meia-cancha também não trabalhou muito bem. Gilnei não deu conta do recado. Um pouco lento e descuidado na marcação o “gigante” não trabalhou como devia. E no ataque, eram os pontas-de-lança que falhavam. Joãozinho e Juarez não foram ne sombra daquêles que jogaram contra o campeão catarinense. Mas, mesmo assim, criaram algumas situações de goal. Isso foi o que aconteceu na primeira fase com o quadro gremista.

Para o segundo tempo o Grêmio não mudou o sistema de jogar. Continuou tudo no mesmo. A defesa andou se complicando, enquanto o ataque não dava combate necessário à defensiva contrária. Todavia, os tricolores criaram algumas situações de goal. E foi Juarez, que não trabalhou bem, quem salvou o Grêmio de uma derrota, dando excelente passe para Vi marcar.

O Operário Ferroviário, por seu turno, merecia melhor sorte nessa partida. Com Otavinho e Hélio Silvestre trabalhando otimamente na meia-cancha, o vice-campeão paranaense deu muito trabalho à defesa do Grêmio. E somente  não marcou porque a sorte não ajudou. Silvio, inclusive, acertou um “tiraço” no travessão do arco de Irno.

O conjunto local fêz por merecer um empate. Lutou do início ao fim de igual par igual com o Grêmio. Ao se ataque, faltou mais tranquilidade nos arremates finais. E também a sorte não ajudou muito ao Operário Ferroviario.

Em resumo, a partida foi boa. As duas equipes lutaram muito. Pela movimentação, pela técnica, o cotejo agradou ao bom público presente à praça de esportes local.

O GOAL — Aos 36 minuto desceu o ataque do Grêmio. Juarez, como sempre, entrou área a dentro. Passou por um adversário e entregou para Vi. Este, da altura do penalty, fuzilou à meia-altura no canto direito, vencendo a Arlindo.

OUTROS DETALHES — Aparicio Viana e Silva foi o juiz e a renda somou Cr$ 316.520,0 Os dois quadros formaram da seguinte maneira: GREMIO: Irno; Sérgio. Airton, Ortunho e Mourão; Gilnei e Milton; Adroaldo, Joãozinho, Juarez e Vi. OPERARIO FERROVIARIO: Arlindo; Pacheco, Ribamar, Laércio e Candinho; Hélio Silvestre e Otavinho; Jairo, Silvio, Leocádio (Roberto) e Fiuza.” (Folha Esportiva, segunda-feira, 5 de fevereiro de 1962)

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TRICOLORES VENCERAM SEM CONVENCER EM PONTA GROSSA

PONTA GROSSA. 5 (CP) — Em jogo determinado pelo carnet do “Torneio da Legalidade”, jogaram ontem, nesta cidade. os conjuntos representativos do Operário-Ferroviário e do Grêmio Pôrto Alegrense, respectivamente vice-campeões do Paraná e do Rio Grande do Sul. Havia expectativa par ao encontro, pois o conjunto visitante realizaria seu primeiro jogo na “Princesa dos Campos”, como ainda defendia a liderança absoluta do torneio em apreço. De fato, bom público anuiu ao gramado da Vila Oficinas mas a equipe visitante, embora vencendo por 1×0, não chegou a convencer, bem como não chegou a justificar a fama de que vinha precedida. Não obstante seu triunfo foi liquido, mas fruto mais da oportunidade aproveitada do que uma ampla superioridade nas ações.

Coube ao ponteiro Vieira decretar o único tento da partida e aquêle que daria a vitória ao seu quadro. O “goal” surgiu aos 36 minutos da etapa complementar, quando Juarez passou por um contrário e estendeu a Vieira. O ponteiro esquerdo, na altura do penalty, atirou forte, à meia-altura, vencendo a Arlindo. Os dois quadros estavam assim organizados:

GREMIO — Irno; Sérgio, Airton, Ortunho e Mourão; Gilnei e Milton; Adroaldo, Joãozinho, Juarez e Vieira

OPERARIO-FERROVIÁRIO — Arlindo; Pacheco, Ribamar. Laércio e Candinho; Hélio Silvestre e Otavinho Jairo, Silvio, Leocádio (Roberto e Fiuza.

Na arbitragem esteve Aparício Viana e Silva, que acompanha a missão visitante. Sua atuação foi apenas regular. A renda foi boa: Cr$ 316.520,00.” (Correio do Povo, terça-feira, 6 de fevereiro de 1962)

 

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Taça da Legalidade 1962 – Inter 1 x 2 Grêmio

March 9, 2012
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No dia 11 de março de 1962 o Grêmio, já campeão da Taça da Legalidade ia até o Estádio dos Eucaliptos enfrentar o Internacional pela último rodada do campeonato sul-brasileiro. Era a chance de coroar aquela campanha com uma vitória em clássico, uma vez que o Grenal do primeiro turno terminou empatado.
O Grêmio terminou os primeiros 45 minutis atrás do marcador, mas se recompos no segundo tempo e conseguiu a virada com gols de Vieira e Joãozinho, sagrando-se assim campeao invictro do torneio.

“Na foto acima, vemos um flagrante do match clássico de anteontem, no momento em que a meta tricolor passou por apuros: Gilberto,da extrema esquerda, chutou forte: a bola passou entre todos os jogadors, para finalmente sair pela linha de fundo da meta guardada por Irno. É interessante salientar ainda, como pode ser observado, o número de “penetras” que se encontrar localizado atrás da cidadela então guarnecida por Irno (no 1ºtempo). Felizmente, para acabar com tais abusos, a Polícia, de acordo com a alta direção da FRGF, determinará de agora em diante que somente entrarão no local da disputa pessoas credenciadas e portadoras de emblemas especiais, medida que de fato há muito tempo merecia ser olhada pelas direções dos nossos clubes.” (Correio do Povo – 13 de março de 1962)


Inter 1 x 2 Grêmio

GRÊMIO: Irno, Sérgio, Airton, Ortunho e Mourão; Elton, e Milton; Adroaldo, Gessi, (Juarez) Joãozinho e Vieira
Técnico: Ênio Rodrigues

INTERNACIONAL: Gainete, Zangão, Ari, Cláudio e Nilo; Sérgio Lopes e Osvaldinho; Sapiranga, Flávio (Tite), Larri (Vevé) e Gilberto.
Técnico: Carlos Froner


Taça da Legalidade (Campeonato Sul-brasileiro) – 10ª Rodada
Data: 11 de março de 1962, domingo
Local: Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre
Renda: Cr$ 1.497.100,00
Juiz: Romulado Arpi Filho
Gols: Sapiranga, Joãozinho e Vieira

Taça da Legalidade 1962 – Grêmio 1 x 1 Inter

February 10, 2012

Há 50 anos, Grêmio e Inter se enfrentavam pela 5ª rodada da Taça da Legalidade. A competição, também chamada de “torneio sul-brasileiro“, reunia os campeões e vice dos estaduais do sul do país em 1961.

Em 13 de fevereiro de 1962, o Grenal disputado no olímpico terminou em 1×1. O jogo marcou a estréia de Gainete com a camisa 1 do Inter, que deixou o campo lesionado nos minutos finais, tendo sido considerado um dos destaques da partida.

A renda foi considerada vultuosa, com a arrecadação passando os 3 milhões de cruzeiros. O ingresso mais caro custava 350 cruzeiros, o mais barato saía por 50. Lembrando que no câmbio do dia, 1 dólar correspondia a 310 cruzeiros.

Os debates posteriores ao jogo se voltaram a justiça do placar e a violência que se viu em campo.

O centroavante Juarez, disse que aquele tinha sido o Grenal “mais desleal” que havia disputado.

O presidente do Grêmio, Pedro Pereira, gostou do resultado, afirmando que o 1×1 “nos satisfez, pois continuamos líderes do Torneio Sul-Brasileiro e ainda invictos.”.

Carlos Stechman, diretor de futebol colorado, deu a seguinte declaração “Jogo muito corrido e disputado. Acho que o resultado, pelas circunstâncias do jogo, teve um escore justo“.

Seu treinador, Carlos Froner, pensava de forma diferente: “Injusto o resultado pelo que produziu o Internacional. Era pra ter ganho facilmente

Ênio Rodrigues, técnico tricolor, se queixou de forma lacônica: “Só lamento que o Internacional não tenha vindo a campo para jogar. Honesta e sinceramente, é só que posso dizer“.

As imagens são da Revista do Grêmio e dos jornais “Folha Esportiva” e “Correio do Povo”

Num Gre-Nal que não chegou a ser um espetáculo sob o aspecto técnico, aconteceu um empate em um ponto. Os colorados, numa prova de melhor acerto inicial, saltaram na frente. Os gremistas, melhores no tempo conclusivo, conseguiram igualar.

O clássico – um dos mais violentos dos últimos tempos – teve seu brilho empanado por uma série de jogadas agressivas e ditadas pela má intenção de alguns jogadores. Isto de ambos os lados. Entretando neste particular, cabe uma contundente acusação aos homens de defesa do Internacional, mormente Zangão, Cláudio e Sergio Lopes. que foram os que usaram do expediente de jogar pesado como a intenção visível de atingir os rivais. Por parte do Grêmio, igualmente aconteceram lances plenos de violência. Destacaram-se neste particular Ortunho, Sérgio (que no final se corrigiu) e Mourão.

Por paradoxal que isto pareça, ou seja o excesso de “botinadas”, a atuação do árbitro paulista foi – em linhas gerais – de aceitável para boa. Mesmo em jogadas onde a má fé imperava, com tato e habilidade procurou resolver as dificuldades sem perder a personalidade.

[…]

0 1×1, pelo que o Internacional rendeu nos primeiros 45 minutos e pela produção do Grêmio no período derradeiro, deu-nos a impressão de ter sido justo. Se aconteceram alguns momentos de bom Football, a verdade manda que se diga que na maioria das vezes o embate esteve excessivamente truncado pela deslealdade de muitos jogadores. Uma pena que isto tenha acontecido. Se de outra forma tivesse agido os elementos que mais se destacaram no jogo do “mais homem”, certeza temos que o Gre-Nal 158 seria tecnicamente um bom espetáculo e acompanharia de perto a fabulosa importância arrecadada. (ANTONIO CARLOS PORTO – Folha Esportiva – 14 de fevereiro de 1962)

O Gre-nal de ontem, no Olímpico, terminou empatado em um goal. Resultado, até certo ponto, justo.

A equipe colorada foi quem trabalhou melhor em muitas partes de encontro. Pelo menos seu ataque teve agressividade. Procurou mais o gola, deixando de lago o jogo “tico-tico”. Com uma formação de emergência, que Froner colocou em campo, o Internacional fez mais do que se esperava.

Os rubros, no primeiro tempo, trabalharam mais à vontade, procurando o tento de qualquer maneira. Mas, com um sentido prático de jogo. O ataque era bem lançado. Já para a segunda fase, vendo que o quadro não aguentaria o train de jogo, Froner colocou Vevé. Isto para fortalecer o jogo de armação. Foi, então, que caiu de produção o Internacional. Inclusive, o próprio Sapiranga jogou atrasado! Mas, mesmo assim, os escarlates em algumas oportunidades acertaram o goal de Irno. A defesa é que jogou pesada demais. Zangão, Ari, Cláudio e Sérgio Lopes (em algumas oportunidades) distribuiram “ripa” a valer. (Correio do Povo, 14 de fevereiro de 1962)

MARCHA DA CONTAGEM

SÉRGIO LOPES, 11´- Gilberto Ganhou um lance rápido na extrema, servindo Flávio que, incontinente, cedeu a Alfeu. Disparou e defesa na perna de Airton. No rebote, em estilo sensacional, Sério Lopes, num “sem pulo” atirou mortalmente. Grande goal.

ELTON, 69´- Aconteceu uma falta de Ari em Juarez. Elton, que instantes antes já fizera Gainete brilhar em lance idêntico, foi encarregado da cobrança,próximo à área. Atirando rasteiro, forte e com a colaboração de uma “raspada” na perna de Vevé, bateu Gainete, estabelecendo a contagem final: 1×1. (Folha Esportiva – 14 de fevereiro de 1962)

OS GOALS –

No primeiro tempo, vencia o Internacional por 1×0. Gilberto criou confusão na área. Airton quis tirar bonitinho. Flávio chutou e a pelota bateu no zagueiro. Sérgio Lopes, numa meia-virada sensacional, de pé esquerdo, atingiu o canto esquerdo do arco de Irno, sem defesa. Um golaço, que valeu o ingresso! Isto aconteceu aos 11 minutos.

Na fase final, aos 28 minutos, Ari cometeu falta em Juarez. O juiz marcou bem. Elton bateu forte no canto direito, sem defesa para Gainete, que gritava que queria mais atleta na barreira. Mas não foi atendido. (Correio do Povo, 14 de fevereiro de 1962)

O JUIZ – Anacleto Pietrobom andou bem na arbitragem, no aspecto técnico. No aspecto disciplinar deixou muito a desejar. Não exagerando, nada menos do que 5 atletas mereciam expulsão: Ortunho, Sérgio, Zangão, Cláudio e Ari! (Correio do Povo, 14 de fevereiro de 1962)

“PÚBLICO ENORME VIU UM GRENAL SEM VENCEDOR – Lotado o Olímpico, com renda beirando os 3 milhões, uma assistência enorme viu Grêmio e Internacional empatar em 1 ponto. O resultado do clássico foi justo. Os gremistas cederam terreno e deram ocasião dos colorados atuarem muito melhor no 1º tempo. Para o período final aconteceu inversão: o Grêmio atacando e Internacional na defensiv. Na incidência acima Gainete (notável estréia) salta e cata o balão, protegido por Nilo (outra boa estréia), enquanto Marino e Juarez vêm com o propósito de hostilizar” (Folha Esportiva – 14 de fevereiro de 1962)


Grêmio 1 x 1 Inter

GRÊMIO: Irno; Sérgio, Aírton, Ortunho e Mourão; Elton e Milton; Marino, João Severiano, Juarez e Vieira.
Técnico: Ênio Rodrigues

INTER: Gainete (Beno); Zangão, Ari, Cláudio e Nilo; Sérgio Lopes e Osvaldinho; Sapiranga, Alfeu, Flávio (Vevé) e Gilberto.

Técnico: Carlos Froner

5ª Rodada – Taça da Legalidade 1962
Data: 13 de Fevereiro de 1962, terça-feira, 21h15min
Público: 35 mil
Renda: Cr$ 3.023.120,00
Juiz: Anacleto Pietrobom – SP
Auxiliares: Hélio Mesquita e Guilherme Sroka
Gols: Sérgio Lopes (Inter) aos 11 minutos do primeiro tempo; Elton (Grêmio) aos 28 do segundo tempo.