Archive for the ‘torcida’ Category

Médias de Público do Grêmio em 2014

December 22, 2014

Em 2014 o Grêmio fez 34 jogos como mandante. A média de público total foi de 23.302 e a média de pagantes foi de 20.916, o que representa um ligeiro acréscimo em relação ao ano passado. Achei importante colocar os números desde 2011 para estabelecer um comparativo (duas últimas temporadas no Olímpico e as duas primeiras temporadas na Arena)

Considerando apenas os jogos disputados na Arena a média da atual temporada é bem parecida com a de 2013. Contudo, é importante lembrar que no ano passado foram realizadas promoções em apenas 3 jogos (Vasco, Flamengo e Goiás), contra 11 partidas com algum tipo de promoção em 2014 (Lajeadense, Aimoré, Novo Hamburgo, Veranópolis, Passo Fundo, Fluminense, Chapecoense, São Paulo, Figueirense, Vitória e Flamengo)

Como se vê, a média de público na Libertadores aumentou. Em 2014 o Grêmio conseguiu sua segunda melhor marca nesse quesito na competição (ficando apenas atrás da participação de 2007). Contudo, mesmo na competição mais atrativa, a ocupação do estádio fica longe do máximo.

No Gauchão, o clube conseguiu a sua melhor presença de público desde 2008. Imagino que o fato de ter jogado dois Grenais com titulares na Arena tenha contribuído para tanto.

Quanto ao Brasileirão, acho importante mencionar o levantamento do Ricardo Araújo, que verificou que a o aumento da média de público de 2013 para 2014 foi acompanhado de uma queda na arrecadação:

“Vale ressaltar ainda, que em 2013, em 19 jogos, o clube arrecadou um total de R$ 15.388.480,00, com  público médio de 20.910, e TM de R$ 36,49. Esse ano, talvez para atender ao clamor dos “precistas”, apesar de baixarem o TM em 18%, o público cresceu apenas 6%, e a receita atingiu R$ 12.571.007,00, em 17 jogos. Mesmo projetando 2 jogos a mais, a receita total do Brasileiro de 2014 seria R$ 1,5 milhão menor que em 2013.”

E na Copa do Brasil, infelizmente, o Grêmio só pode disputar uma partida em casa em 2014, o que prejudica as comparações.

Cadastramento de torcedores no Taylor Report

May 8, 2014
Recentemente causou grande revolta a notícia de que “Uma reunião entre Ministério Público, Brigada Militar, representantes da Arena Porto Alegrense e direção do Grêmio definiu que a arquibancada norte do Estádio da Arena será destinada apenas para as torcidas organizadas. Para tanto, o Grêmio irá cadastrar, conforme prevê o Estatuto do Torcedor, os integrantes interessados até 30 de junho. A partir dessa data, só será permitido o ingresso de quem estiver no cadastro. O público em geral que quiser assistir aos jogos no local deverá, obrigatoriamente, escolher uma das organizadas e se cadastrar.”
A diretoria do Grêmio publicou nota dizendo que não teria concordado de imediato com essa proposta, uma vez que “Na ata da reunião realizada na sede do MP, consta, nas linhas 28 e 29, a seguinte informação: O Coronel Élvio informa que estará encaminhando cópia desta ata, ao Conselho Deliberativo, para a devida análise.“, e de fato tal trecho consta na ata, o que acaba ficando, no mínimo meio dúbio em face de uma frase anterior no mesmo documento onde se lê que o decidido foi “consignado, por consenso, entre os presentes”.
Poderíamos aqui questionar a legitimidade e a postura do representante do Grêmio nessa reunião, mas por ora me chama mais atenção a conduta do Ministério Público no caso, uma vez que diante da controvérsia voltou a afirmar que “que o cadastro das torcidas organizadas e sua separação ocorrem por força de lei (Estatuto do Torcedor).”
Pois bem, reli a lei 10.671 e confesso que não encontrei ali nenhuma previsão sobre a necessidade de um setor específico para torcidas organizadas. Tampouco achei alguma norma que sustentasse a proposta de que alguém deveria ser obrigado a se cadastrar numa torcida organizada para poder frequentar algum setor do estádio.  Bem que tentei, mas não consegui entender no que se baseia o ministério público ao querer impor um cadastro para os torcedores.
Uma das vantagens de não ser estar na vanguarda (para não dizer estar no atraso) dessa questão do tratamento de torcedores é poder aprender com erros e acertos dos órgãos públicos e clubes de outros países. E na questão de segurança nos estádios não há outro paradigma que não a Inglaterra e o Taylor Report (tema já tratado anteriormente aqui no blog).
Após a tragédia de Heysel, o governo conservador de Margaret Thatcher buscou implementar uma série de medidas para solucionar a questão do hooliganismo nos estádios ingleses. A mais infame delas foi a proposição do o “Football Spectators Act 1989”, que previa um tal de “membership scheme” onde todo e qualquer torcedor precisaria ter um cadastro e um cartão de identidade correspondente para frequentar as arquibancadas da Inglaterra e País de Gales.

No Trivela, Ubiratan Leal explicou bem o clima na Inglaterra na virada dos anos 80 para 90:

“O senso comum credita muita das mudanças que ocorreram no futebol inglês a Thatcher, mas ela teve pouca ou nenhuma influência em tudo o que aconteceu. A principal bandeira do Partido Conservador britânico era identificar os torcedores com carteirinhas, sob o Ato de Espectadores de Futebol de 1989. Houve um protótipo disso no Luton Town, cujo presidente David Evans era membro do parlamento pelos Conservadores. “Você teria que passar o cartão pela catraca para ganhar acesso. Cada torcedor teria o seu. Não teria como funcionar, especialmente naquela época em que a tecnologia não havia avançado o suficiente. Teria sido um desastre. De certa forma, Hillsborough salvou o futebol inglês de algo que não daria certo”, analisa o jornalista inglês Tim Vickery, correspondente da BBC no Brasil. A exigência da carteirinha pode parecer boba aos olhos brasileiros, mas é uma atitude agressiva em um país em que não há a cultura de se carregar identidade, e nem da polícia de pedir por essa identificação.”

O gabinete da Primeira Ministra se esforçou muito pela aprovação de referida medida, mas acabou esbarrando nas conclusões do Lord Justice Taylor em seu paradigmático relatório que, ao analisar algumas críticas ao projeto (A desproporcionalidade, a injustiça, os espectadores casuais,  a diminuição da renda dos clubes, o perigo de congestionamento e desordem, a real probabilidade de eliminar os hooligans e os reforços policiais) concluiu que não só achava a ideia pouco prática e ineficaz como também temia que a medida poderia aumentar os problemas fora do estádio. Tal conclusão está no parágrafo 419 do Taylor Report:

“419. I therefore have grave doubts whether the scheme will achieve its object of eliminating hooligans from inside the ground. I have even stronger doubts as to whether it will achieve its further object of ending football hooliganism outside grounds. Indeed, I do not think it will. I fear that, in the short term at least, it may actually increase trouble outside grounds.”. (Numa tradução livre: “Eu temo que, ao menos em curto prazo, ele possa na verdade aumentar o problema fora dos estádios)


O interessante é que existe ampla documentação sobre esse debate na internet. Há um site sobre o Hillsborough Independente Panel que revela alguns memorandos trocados entre membros do governo sobre o assunto na época. Destaco três deles nos links abaixo.
Memo from Cabinet Office: briefing for PM Margaret Thatcher; Taylor’s conclusions on National Membership Scheme; Government response and line to take

Nesse trecho, o líder do Partido Trabalhista, Neil Kinnock, perguntou  a Primeira Ministra se ela  “entendia que membros de ambos os lados da Câmara dos Comuns e as pessoas por todo o país iriam considerar a decisão dela de forçar a passagem do seu esquema de cartões de identidade como uma ofensa ao bom senso e a decência?

Nessa nota enviada para a Primeira Ministra, o secretário de estado explica as conclusões do relatório Taylor e seu possível impacto nas medidas pensadas por Thatcher. Consta no trecho sublinhado “De fato, ele (o relatório) sugere que se você tratar as pessoas como animais elas irão se comportar como animais

 

 Há quem defenda que o modelo adotado na Inglaterra não serve para o Brasil. Tal posição me parece bem razoável, visto que não se pode simplesmente importar medidas sem observar a cultura local. Contudo, não considero ser muito sábio ignorar os exemplos vindos de fora e toda a experiência de nação futebolística que passou anteriormente por uma situação bem parecida.

Divisão de público em 2013 e 2012

January 22, 2014
Eu tenho observado com alguma atenção os borderôs dos últimos jogos do Grêmio. Existem informações bem interessantes ali. É possível verificar a divisão de público na estádio, quantos são os sócios patrimoniais/contribuintes em cada partida, quantos dos presentes são da modalidade sócio/torcedor, quantos são não-sócios que compram ingresso e quantos são os não pagantes. 
Fiz um levantamento de como se dividiu o público, na média, nos 31 jogos que o Grêmio disputou na Arena em 2013. O resultado está nas três primeiras colunas da tabela acima. Para efeito de comparação, fiz o mesmo com os borderôs dos jogos do Olímpico em 2012 (as duas últimas colunas). Contudo, é preciso fazer a ressalva que não consegui os boletins financeiros das três partidas da Sul-americana de 2012. Se alguém puder me disponibilizar esses documentos eu ficaria extremamente agradecido.
A primeira questão que chama atenção na comparação dos dois últimos anos é a considerável redução no número de não-pagantes (tema já tratado aqui no blog antes). Outro dado a ser considerado é pequena redução na percentagem de sócios-torcedores presentes nos jogos (o que infelizmente pode ser reflexo numa redução do quadro social, ou do aumento do preço dos ingressos, ou do pouco desconto dado nas entradas do anel inferior). Além disso é interessante salientar que houve um aumento significativo (tanto em termos percentuais como absolutos) no número de não sócios que compraram ingressos, o que, com alguma boa vontade, pode ser visto com um potencial para novos sócios. 
Resta saber como o Grêmio pode estudar esses números para aumentar a taxa de ocupação do seu novo estádio e com isso aumentar suas receitas.
Nos primeiros dias do ano, os departamentos de marketing do clube e da Arena anunciaram que irão repetir as promoções praticadas no final de 2013, onde era possível levar um acompanhante gratuitamente no jogo. De fato isso já se verifica no primeiro jogo desse ano. Não me parece ser a medida mais adequada. Se isolarmos os 3 jogos do ano passado onde ocorreram essas promoções (Vasco, Flamengo e Goiás) veremos que a média de público total permaneceu na casa dos 24 mil. Contudo, essa marca foi atingida com o aumento de não pagantes (28,5% nessas três partidas contra 9,7% do ano todo). As demais categorias (Sócio patrimonial, sócio-torcedor e não sócios) tiveram uma redução no comparecimento quando da ocorrência dessas promoções.
Assim, me parece claro que esse tipo de promoção não é a que melhor cumpre com os objetivos do ISO9001 do quadro social do clube (“aumentar a satisfação dos associados; Ampliar o número de associados: Aumentar receita oriunda do Quadro Social; Aumentar participação dos associados nos eventos e promoções do Grêmio”). É claro que a equação não é tão simples, mas para efetivamente encher o estádio e  atingir esses objetivos talvez seja necessário diminuir preço de ingressos, aumentar a oferta de descontos e o percentual dos descontos oferecidos ao sócio-torcedor, reajustar o valor das mensalidades, implementar o check-in, e não simplesmente permitir a entrada gratuita de acompanhantes.
Por fim, como curiosidade, deixo algumas mínimas e máximas dos públicos da Arena em 2014:
PÚBLICO TOTAL
– O jogo com maior público total foi do Atlético-PR na Copa do Brasil: 43.899 espectadores
– O jogo com menor público total foi do Cerâmica no Gauchão: 11.496 espectadores
PÚBLICO PAGANTE
– Em termos absolutos o jogo com maior público pagante foi do Atlético-PR na Copa do Brasil: 41.244
– Em termos percentuais o jogo com maior público pagante foi do Santa-Fé na Libertadores: 96,6%
– Em termos absolutos o jogo com menor público pagante foi do Cerâmica no Gauchão: 10.162
– Em termos percentuais o jogo com menor público pagante foi do Goiás no Brasileirão: 69,5%
NÃO-PAGANTES
– Em termos absolutos o jogo com maior público não-pagante foi do Goiás no Brasileirão: 10.471
– Em termos percentuais o jogo com maior público não-pagante foi do Goiás no Brasileirão: 30,5%
– Em termos absolutos o jogo com menor público não-pagante foi do Cruzeiro no Brasileirão: 801
– Em termos percentuais o jogo com menor público não-pagante foi do Santa-Fé na Libertadores: 3,40%
SÓCIOS PATRIMONIAIS
– Em termos absolutos o jogo com maior nº de sócios patrimoniais foi do Fluminense na Libertadores:  20.711
– Em termos percentuais o jogo com maior nº de sócios patrimoniais foi do Santos no Brasileirão: 62,01%
– Em termos absolutos o jogo com menor nº de sócios patrimoniais foi do Cerâmica no Gauchão: 5.882
– Em termos percentuais o jogo com menor nº de sócios patrimoniais foi  do Goiás no Brasileirão: 34,8%

SÓCIO TORCEDOR
– Em termos absolutos o jogo com maior nº de sócio torcedor  foi do LDU na Libertadores:  8.036
– Em termos percentuais o jogo com maior nº de sócio torcedor foi do LDU na Libertadores: 19,4%
– Em termos absolutos o jogo com menor nº de sócio torcedor foi do Cerâmica no Gauchão: 570
– Em termos percentuais o jogo com menor nº de sócio torcedor  foi  do São Luiz no Gauchão: 4,5%

NÃO-SÓCIOS
– Em termos absolutos o jogo com maior nº de não-sócios  foi do Atlético-PR na Copa do Brasil:  15.871
– Em termos percentuais o jogo com maior nº de não-sócios  foi do Corinthians na Copa do Brasil: 43,6%
– Em termos absolutos o jogo com menor nº de não-sócios  foi do Vasco no Brasileirão: 2.634
– Em termos percentuais o jogo com menor nº de não-sócios  foi  do Caracas na Libertadores: 17,4%

Médias de Público do Grêmio em 2013

December 19, 2013

Em 2013 o Grêmio fez 36 jogos como mandante (curiosamente o mesmo número de partidas que mandou na temporada passada). A média de público total foi de 22.698 e a média de pagantes foi de 20.417. Na comparação imediata com 2012 houve um queda do público total e uma diminuição no público pagante.
Mas é preciso apontar algumas diferenças nas duas temporadas. A primeira  é que no ano passado o Grêmio mandou todos os seus jogos no Olímpico. Já em 2013 o Grêmio fez 31 jogos na Arena, 4 no Olímpico e 1 no Alfredo Jaconi. Se considerarmos apenas os jogos disputados no novo estádio as médias sobem um pouco (Especialmente na questão dos pagantes). Outro dado importante de ser ressaltado é que em 2012 ocorreram promoções de ingressos em 6 partidas (Novo Hamburgo, Avenida, Figueirense, Atlético-GO, Náutico e Ponte Preta) enquanto nesse ano foram só 3 promoções (Vasco, Flamengo e Goiás)

Das 36 partidas, 5 foram pela Libertadores, 9 pelo Gauchão, 19 pelo Brasileirão e 3 pela Copa do Brasil.

Como já vimos, os números do público na Libertadores 2013 foram interessantes, acima da média histórica do Grêmio na competição.

No Gauchão houve uma queda em relação a 2012, que precisa ser relativizada, uma vez que nesse ano o Grêmio fez somente um mata-mata na Arena e não disputou clássico no seu estádio.
No Brasileirão a média ficou abaixo do que o time teve em edições recentes. Esse fato talvez se explique pelo número excessivo de partidas que o Grêmio teve no meio de semana na Arena.

Nos 10 jogos que mandou em finais de semana a média de público tricolor foi de 27.179 (23.765 pagantes). Nos 9 jogos realizados na Arena no meio da semana a média caiu para 17.279 (15.319 pagantes).

A renda média desses 19 jogos foi de R$ 755.411,00. A renda média dos jogos em finais de semana é de R$ 1.130.000,00; Já a renda média dos jogos em meio de semana é de R$ 418.000,00.  

Na Copa do Brasil, num primeiro olhar, se percebe um considerável aumento na comparação com 2012. Contudo, as médias ficam parecidas se considerarmos apenas os jogos das oitavas em final adiante (34.073 total e 30528 pagantes no ano passado).

Nº de ingressos da torcida visitante em Gre-Nal entre 2002 e 2013

August 2, 2013

Após um diálogo com os clubes, a Brigada Militar recuou da sua posição inicial e decidiu que permitir a presença de torcida colorada no Gre-Nal do dia 04 de agosto na Arena.
A questão é que serão vendidos somente 1.500 ingressos para a torcida visitante. O que é muito pouco. A capacidade do setor destinado a torcida adversária na Arena é de 3.897 lugares. Desse modo, teremos mais de 2.000 assentos ociosos no domingo. Diante desse quadro, é possível perguntar se esse número reduzido não é apenas “para inglês ver”? Não seria mais civilizado ofertar um número maior de ingressos aos visitantes, haja visto que o espaço comporta mais torcedores?
O fato é que a presença de torcida adversária em Gre-Nal vem se reduzindo ano a ano. Isso pode ser observado na tabela abaixo, onde eu compilei os números de ingressos disponibilizados para as torcidas visitantes desde 2002. É claro que vários fatores contribuíram para essa diminuição, como o aumento do quadro social dos clubes  e reformas/readequação dos estádios. Mas ainda assim a redução é impressionante.

As fontes consultadas foram os Borderôs da FGF, Correio do Povo, Grêmio.net, Terra, UOL, Zero Hora, Gazeta do Sul e Estadão. Não consegui os dados de três clássicos disputados no interior (Bento Gonçalves em 2004, Erechim em 2010 e Rivera em 2011), mas penso que o foco da análise são as partidas realizadas em Porto Alegre.

É claro que alguns dados podem ser questionáveis. Um exemplo disso está no último clássico (que foi disputado em Caxias). Os meios de comunicação divulgaram que a carga de ingressos gremista era de 2.200. Contudo, posteriormente se viu no borderô e a própria diretoria colorada afirmou que carga do Grêmio era de1.800 ingressos.
* A carga de ingressos para a torcida visitante nesse Gre-Nal (2º jogo da final do Gauchão de 2006) era para ser de 8.000. Contudo, a administração do Grêmio alegou que só recebeu 6.000 entradas da direção colorada. Após o jogo, os dirigentes do Inter teriam admitido o equívoco e teriam prometido corrigir o erro.


Gre-Nal sem torcida visitante? Futebol sem torcida é futebol?

July 30, 2013
 A Brigada Militar anunciou que não permitirá a presença da torcida visitante no próximo Gre-Nal a ser disputado na Arena. Não se pode dizer que tal anúncio é uma surpresa. Os rumores de tal decisão ganharam força na última semana. É claro que, antes disso, diversos outros fatores contribuíram para que se chegasse a um cenário onde fosse possível cogitar uma medida tão severa. 
Eu vejo isso tudo com muita tristeza, um sinal claro de fraqueza nas relações sociais. Por óbvio que a responsabilidade (em maior ou menor grau) é de todos, das torcidas, dos clubes, dos governos e da mídia. Mas não há como deixar de questionar a forma como tem atuado a polícia nos estádios de futebol do Rio Grande do Sul. As “soluções” passam sempre por restringir os direitos dos torcedores.
O subcomandante Geral da BM argumenta que não havia como “dar segurança no deslocamento” da torcida visitante. Mas essa afirmativa pouco esclarece e gera diversas outras perguntas: Quem além da Brigada pode dar segurança? É realmente necessário fazer a escolta da torcida adversária até o local do jogo?

Em maio de 2011 eu tentei ir até o Beira-Rio por conta própria, mas quem me forçou ingressar na escolta não foi a torcida do rival, e sim a própria Brigada Militar (que posteriormente obrigou que todos os torcedores do Grêmio tirassem os seus sapatos antes de ingressar no estádio). Essa é a melhor maneira de se criar um clima de paz, segurança e tranquilidade para uma disputa desportiva? Não deveríamos tratar o torcedor com maior civilidade?

Me parece clara a má-vontade do comando da BM com o policiamento de partidas futebol (basta ver a já histórica pretensão de cobrança de taxas pelo serviço). Os últimos episódios de violência na Arena (coincidentemente em dois jogos com o Fluminense) foram potencializados por uma atuação inadequada de alguns brigadianos.

No presente caso o que mais choca é que a forma que se optou pela torcida única. Chega a ser surreal que a própria Brigada Militar é que decide se quer ter mais ou menos trabalho na operação. E quem vai avaliar (e muitas vezes avalizar) a decisão é a imprensa, que em nada é afetada pela medida (seja porque alguns jornalistas jamais pisam no estádio, seja porque outros jornalistas seguirão tendo livre acesso nos dois campos).

Não demorou muito para que aparecesse a infame sugestão de realizar clássicos sem torcida alguma. Aí teríamos o fim do futebol. Sim, porque o futebol só esse fenômeno social, midiático e financeiro em razão das torcidas. Ou, como melhor resumiu Jock Stein, lendário treinador do Celtic:

football without the fans is nothing”

Presença de público na Arena no 1º semestre de 2013

July 14, 2013

Na figura acima temos os números dos públicos dos 12 jogos disputados na Arena no primeiro semestre de 2013. A média de público pagante foi de 22.024 e a média de não pagantes foi de 2.042. É curioso que o estádio não chegou nem perto de ter uma ocupação máxima nessas primeiras partidas (Com a devida ressalva de que em o setor da Geral só esteve liberado nos confrontos contra LDU e São Paulo.) .
Ainda assim é possível afirmar que houve um acréscimo de pagantes em relação ao mesmo período do ano passado. Nos 17 jogos que o Grêmio fez como mandante nos 6 primeiros meses de 2013 a média de público total foi de 19.448 e a média de pagantes foi de 17.649. No primeiro semestre de 2012 o Grêmio igualmente fez 17 partidas em casa e a média de público total foi de 19.285 e a média de pagantes foi de 15.888. É importante lembrar que esse ano o Grêmio participou da Libertadores, fato que não ocorreu no ano passado, e talvez isso, juntamente com o elemento de “novidade” da Arena, explique o maior público de 2013.
De qualquer forma, eu esperava uma maior ocupação na Arena no seu primeiro ano de funcionamento. Penso que alguns ajustes que poderiam aumentar a média de público estão demorando demais para acontecer. No início de abril, o diretor da Arena Gilmar Machado disse que a administração do estádio já estava trabalhando com na criação de um projeto de “check-in”. Até agora tal sistema não foi implementado. Da mesma forma, quando da renegociação entre Grêmio e OAS, se afirmou que seria estabelecida uma nova política de preços e descontos para os sócios-torcedores (aumentando a oferta de setores e os descontos dados), contudo para o próximo jogo, contra o Botafogo, essa promessa ainda não saiu do papel

Presença de público na Libertadores – 1982/2013

May 29, 2013
Nos cinco jogos que o disputou na Arena pela Libertadores 2013 o Grêmio atingiu a média de 33.580 pagantes por partida. É um número interessante. Claro que poderia ser maior caso o clube tivesse avançado mais na competição, ou conseguisse liberar o espaço da geral ou ainda tivesse  estabelecido um sistema de check-in para disponibilizar os ingressos dos sócios que não iriam ao estádio. Mas, mesmo com todos esses problemas, a média desse ano ficou um pouco acima da média histórica do Grêmio em todas as suas participações em Libertadores (Tabela acima).
Contudo, uma outra leitura que pode ser feita desse número é que, assim como ocorreu no Gauchão, a Arena por si só não representou, até aqui, um motivo para aumento tão significativo na presença de público gremista.
Mas há um elemento que parece ser uma novidade trazida com a Arena. O percentual de não pagantes no estádio (tema já abordado em outro post) foi reduzido na comparação com as últimas quatro edições do torneio que o Grêmio participou (tabela abaixo):

Presença de público no Gauchão (2007/2013)

May 7, 2013
E o Gauchão 2013 chegou ao seu esperado fim. Poderíamos aproveitar a ocasião para falar, mais uma vez, de assuntos como calendário, arbitragem e fórmula, mas por ora acho mais proveitoso tratar do tema da presença da torcida gremista nos jogos desta competição. Na análise dos números desse ano, o primeiro dado que salta aos olhos é o fato de o Grêmio ter tido a maior média de público pagante (Com 10.110 pagantes por jogo nos seus estádios), mesmo tendo feito somente um jogo decisivo em seu estádio.
Ainda que possa ser considerado bom, tal número fica abaixo da média tricolor nos últimos 7 estaduais. Em 65 jogos como mandante no Gauchão entre 2007 e 2013 o Grêmio tem uma média de pagantes de 12.266 e uma média de público total de 14.822 (tabela acima).  É sabido que o Brasileirão gera mais interesse que o Gauchão, ainda assim acho válido comparar os números antes citados com os dos jogos no Olímpico nas últimas 7 edições do campeonato nacional, onde a média de público pagante foi de 22.345 espectadores e a média de público total foi de 25.900 torcedores nos 130 jogos disputados em casa no período.

A grande questão de 2013 é saber qual o efeito da Arena na presença de público. Em abril passado os comandantes do clube e da Arena Porto-Alegrense se mostravam bastante satisfeitos com os números da torcida gremista no novo estádio:

“a presença de público nos primeiros três meses da Arena é comemorada, tanto por dirigentes gremistas, como pela Arena Porto-Alegrense — especialmente a média nas partidas do Campeonato Gaúcho, já que a presença alta na Libertadores era esperada.
Estamos espantados. Público assim para sábado à noite é fantástico. Ainda mais que a Geral está fechada”, comemora o integrante do Conselho de Administração, Nestor Hein. O Grêmio conseguiu levar 17.749 torcedores em um sábado, às 21h, diante do Caxias. “Estamos com uma média muito boa. É fora do padrão. Só mesmo a Arena, o time que o Grêmio montou para isso”, salienta o gerente de marketing da Arena Porto-Alegrense, Gilmar Machado. Isso que a Arena ainda não foi palco de um jogo no domingo, às 16h” (Correio do Povo – 07 de abril de 2013)
E quais seriam esses números? Nos 5 jogos disputados na Arena pelo Gauchão a média de pagantes foi de 12.963 e a média de público total foi de 15.070 (tabela acima) Na comparação com os últimos anos esses números de fato se mostram positivos, mas ainda não representam um aumento significativo em relação ao Olímpico.
Mas é importante lembrar que nenhum desses jogos foi disputado numa tarde de domingo, e apenas um deles era um jogo eliminatório. Nenhum era clássico ou mesmo final de turno, que costumam chamar mais público. Assim acho que o mais válido seria fazer a comparação apenas com a média dos jogos da fase classificatória, conforme se mostra na tabela abaixo.

Também é preciso lembrar que não tivemos nenhum Grenal na Arena ainda, de modo que talvez seja preciso desconsiderar o clássico nesse levantamento (tabela abaixo):

Outra questão palpitante é a questão sobre o dia em que o jogo é marcado. O levantamento abaixo demonstra que os jogos em finais de semana levam mais gente a campo do que os jogos de meio de semana. Uma conclusão parecida a que se chegou ao analisar essa questão nos números do campeonato Brasileiro.

Quando se exclui os clássicos Grenais do cálculo a média dos jogo de final de semana cai, mas segue sendo superior as das partidas disputadas durante a semana.

E mesmo que se exclua os jogos eliminatórios (quartas, semis, finais de turno e final de campeonato) e os grenais a média dos jogos realizados em fins de semana segue sendo maior.

All Played Out

January 8, 2013

Imagino que todas as pessoas que gostam de futebol sejam minimamente familiarizadas com a mudanças ocorridas no futebol da Inglaterra nos inícios do anos 90. Na década anterior, durante o governo conservador de Margaret Thatcher, os clubes ingleses, ainda quem bem sucedidos dentro do campo, viviam uma séria crise com de hooliganismo e violência nos estádios. Um desastre no exterior (Heysel), o banimento dos times ingleses das competições internacionais e um desastre interno (Hillsborough) eram sinais claros que as medidas adotadas pelos órgãos competentes não resolviam os problemas. A Copa de 1990 se avizinhava e aparecia como uma encruzilhada para o futuro do futebol no país. A Inglaterra precisava mostrar ao mundo que tinha alguma intenção de tomar medidas mais civilizadas no acompanhamento de competições esportivas. O entusiasmo natural dos ingleses com o futebol apresentado na Copa contrastou com o tratamento hostil recebido por eles por parte dos anfitriões. Era preciso mudar a imagem, porque nos olhos de um estrangeiro todo o inglês era visto como um hooligan. Assim, o mundial da Itália acabou servindo como um catalizador para a implementação das medidas sugeridas no “Taylor Report” e para a criação da Premier League, que transformou os clubes ingleses em paradigmas de modernidade.

Um belo relato da participação da Inglaterra na Copa de 1990 é feito por Pete Davies no livro “All Played Out – The full story of Italia ´90. É certamento uma das melhores obras já escritas sobre futebol. Com o compromisso de só lançar o livro após o mundial, o autor teve acesso a concentração, ao técnico e aos jogadores da seleção da Inglaterra. Isso por si só ja tornaria a leitura interessante, mas o escritor não parou aí. Ele acompanhou as eliminatórias, os jogos preparatórios, visitou os jogadores nos seus clubes, foi a Itália meses antes da bola rolar. Ele se misturou a torcida, conversou com hooligans, foi aos centros de imprensa, conversou como seus colegas jornalistas, conversou com dirigentes e organizadores, e fez tudo isso sem mostrar deslumbramento ou um ar blasé. Foi crítico quando necessário e entusiasmado quando o tema era empolgante. O relato é excelente, mas o mais interessante são as reflexões e conclusões do autor. Reflexões sobre o esgotamento daquele velho sistema inglês (daí o título do livro*), sobre a falta de perspectiva do cidadão médio na Inglaterra e a decorrente limitação e falta de visão de mundo dos seus torcedores. Sobre a ingenuidade dos jogadores, ora mostrada sob forma de simploriedade, ora sob forma de arrogância. Sobre a falta de noção dos dirigentes e o seu completo distanciamento com que se passa nas arquibancadas. Sobre os excessos da mídia, do sensacionalismo do tablóides, e  sobre como o governo parece tomar medidas somente para responder o clamor da mídia, e não para efetivamente resolver os problemas.
Um trecho bem interessante do livro trata da cobertura de uma partida das eliminatórias na Suécia. Havia uma grande preocupação com o comportamento dos torcedores ingleses em Estocolmo. Os jornais britânicos relataram um cenário de guerra e o governo, no afã de responder a mídia, resolveu proibir um amistoso que a seleção inglesa faria na Holanda. Mas naquele momento, as instituições inglesas se mostravam completamente perdidas quando o assunto era futebol. Conforme se pode ver nas páginas abaixo o autor mostra que a cobertura da imprensa foi equivocada, e que o governo inglês tomou uma decisão precipitada baseada nas manchetes dos tablóides.

“They made it sound like the centre of Stockholm got stripped bare.”

“Why didn´t anyone go and check? What´s a journalist supposed to do, if not to check these things?

“And banning the match was nothing less than people in charge of law and order (i.e. the government) panicking and admitting defeat – all in the cause of´ being seen to do something”

“As your support for the return depends upon the behaviour of fans, what criteria will that behaviour be judged by? Because there are people in football who believe that it´s headlines”

“I would like to say that coverage in the British media has been rather exaggerated”
“It seems that the reports of the size of the problem and the damage caused were greatly exaggerated.”
“The Rotterdam fixture was cancelled two days after the game in Stokholm”
“But then, in September, football was nothing to the English government but a problem and – let´s face it – bad headlines.

Todas essas histórias e reflexões podem parecer parte de um passado distante quando olhamos para o atual momento do futebol inglês, mas me parecem que seguem atuais quando olhamos para o que acontece no Brasil.  Meu temor é que podemos estar vendo um exemplo disso na cobertura da briga acontecida na inauguração da Arena. Por óbvio eu lamentei ocorrido. Considero compreensível que, na escassez de futebol na época do ano, o assunto acabe ganhando mais espaço (talvez não nas páginas esportivas, como bem salientou o Ilgo Wink). O que eu não consigo aceitar é o tom sensacionalista na cobertura. Tom esse que em nada contribui para a solução do problema.
Na matéria de capa que iniciou a série de reportagens sobre o assunto, o jornalista Paulo Germano empregou frases como  A violência tem cadeira cativa na Geral do Grêmio” e afirmou que a briga “maculou” a inauguração da Arena. Será que a briga maculou mesmo a festa? Quantos pessoas estavam no estádio? Certamente mais de 50 mil. Quantas pessoas se envolveram na briga? O site do Tribunal de Justiça noticia que a briga “resultou em seis detenções pela Brigada Militar“. O que significa/representa a conduta de meia dúzia de pessoas num universo de dezenas de milhares de torcedores? É o suficiente para “macular” tudo o que de bom aconteceu naquele dia?

No dia seguinte a esta publicação, houve nova matéria, estranhamente assinada pelo setorista do Internacional, requentando as informações do dia anterior e questionando a Brigada Militar, que por sua vez prometeu uma solução rápida. Nesse clima, comentários odiosos no Facebook viraram desculpa para matéria. Na virada do ano, o colunista Diogo Olivier propoes uma reflexão, com medo que aconteçam “mortes nos estádios, algo já nem tão raro assim em São Paulo e Rio. Então as mortes NOS ESTÁDIOS não são raridades no sudeste do país? e quando foi a última vez que isso aconteceu? Não seria mais acertado falar em mortes relacionadas ao futebol? Essa hipérbole é aceitável? Não seria o uso desse expediente uma das principais armas da mídia sensacionalista? 

Futebol é apaixonante, entre diversos motivos, porque atrai multidões. Pessoas das mais variadas crenças, formações e origens. É preciso saber conviver com as diferenças, mas ainda assim eu fiquei um pouco chocado com a falta de visão de mundo que um dos supostos líderes da geral demonstrou ao dar uma entrevista sobre o caso.  Triste.

Por último e mais preocupante é a postura do governo, aqui representado pela Brigada Militar. O Coronel coronel Alfeu Freitas havia ameaçado e ontem finalmente anunciou que os instrumentos musicais, faixas e bandeiras serão proibidos nos jogos da Arena. Uma medida que assemelha ao jogar o sofá fora da famigerada anedota. Uma medida que se repete e que não consegue solucionar problema. E nem pode solucionar, porque não guarda nenhuma relação com a causa. Pergunta-se: Quem a Brigada Militar quer punir? O que a Brigada quer punir? A Brigada tem competência legal para punir? Qual a relação das faixas com a briga? Como que a proibição de instrumentos musicais ajuda a prevenir novas ocorrências? Essa medida não serve muito mais para fornecer uma resposta rápida aos questionamentos da mídia?

É triste, mas o esgotamento desse cenário é parecido com o retratado na Inglaterra do final dos anos 1980. Se não ocorre na mesma intensidade, ao menos se verifica o mesmo infeliz tripé: Torcedores fechados no seu já restrido mundo, uma imprensa com forte viés sensacionalista e um governo que parece não saber como agir em relação ao esporte. 

* Foi feito um documentário chamado “One Night in Turin” baseado no livro. Em função disso as novas edições do livro passaram  também a serem entituladas assim. Considero que o All Played Out retrata melhor o espírito da obra. De qualquer forma recomendo o filme e, especialmente, o livro.