Archive for the ‘torcida’ Category

Biometria – Cadastramento é um sucesso?

September 27, 2018

diogo olivier zh 2018 09 26

Em 26 de setembro de 2018, Diogo Olivier escreveu o seguinte texto na sua coluna na Zero Hora:

BIOMETRIA – Exatos 23.809 gremistas já deixaram suas digitais no processo de biometria definido em acordo com o Ministério Público (o Inter também é signatário do termo) para facilitar a identificação de eventuais brigões. O cadastramento é um sucesso e segue a pleno, especialmente em dia de jogo. A biometria é um dos temas que motivaram a bronca da Geral com Romildo Bolzan Jr.. O presidente devolveu o boicote da torcida no Gre-Nal do Beira-Rio proibindo a banda na Arena. Líderes de organizadas, de Norte a Sul do país, claro, querem distância do MP”

Há uma série de afirmações e ilações sem fundamento nesse pequeno parágrafo:

  • 1) Não há nenhum elemento factual para afirmar que o “cadastramento é um sucesso”. Obviamente o colunista não inventou que 23.809 pessoas foram cadastradas. Alguém do Grêmio, Arena ou Ministério Público lhe informou esse dado. Ocorre que o número, isoladamente, não comprova nada. Ou melhor, comprova que 23 mil pessoas fizeram cadastro. Não diz se essas pessoas são sócias do clube ou se efetivamente foram na Geral depois de feito o cadastro. Não diz se ajudou a reduzir episódios de violência dentro do estádio (que sempre foram bastante raros). E não diz se medida, por seu caráter draconiano, não acabou criando outros tipos de problemas. 

    Ao menos um desses problemas é inegável. O aumento das filas para ingressar nos portões que dão acesso à arquibancada norte (existe um perfil no twitter que documenta essa questão). Uma das grandes melhorias na mudança do Olímpico para Arena foi o acesso para dentro do estádio e essa medida da biometria implica em grave retrocesso nesse aspecto.

    Ademais, é razoável questionar o esvaziamento de público no setor. Dados completos que atestem isso são de difícil obtenção, porque o Grêmio não divulga os borderôs de competições internacionais e nos borderôs das competição nacionais/estaduais o número de sócios patrimoniais/contribuintes presente nos jogos não costuma ser separado por setor, de maneira que dificilmente saberemos o total de torcedores presentes na arquibancada norte em cada jogo.

    Todavia, temos alguns elementos que podem dar indícios desse esvaziamento. O setor Arquibancada Norte costumava ser  o que tinha ingressos esgotados mais rapidamente. Depois da Biometria isso mudou completamente. Como exemplo, podemos comparar Grêmio X Rosario Central pelas oitavas da Libertadores de 2016, com menos de 32 mil pagantes onde os ingressos para a Geral se esgotaram em pouco mais de um dia, enquanto em Grêmio X Estudiantes pelas oitavas da Libertadores de 2018, com mais de 45 mil pagantes, quando nem todos os ingressos de geral foram vendidos

    Poderíamos pegar também o último jogo em casa, contra o Ceará, às 11 de um domingo, com 36 mil pagantes, onde foram vendidos 2.143 ingressos (para sócio-torcedor diamante, ouro e torcida em geral) para a Arquibancada Norte, enquanto, num jogo equivalente em 2016, Grêmio X Figueirense, igualmente às 11h de um domingo, com 34 mil pagantes, foram vendidos 3.996 ingressos para a geral. (Não fosse isso o bastante, bastaria comparar as fotos dos dois jogos publicadas pelo Ducker para ver a diferença de lotação do setor nesses dois jogos.)

    A segurança nos estádios não pode ser um fim em si mesmo. Deveria servir para melhorar a experiência de quem vai no estádio e aumentar o público presente. Quando isso não verifica, é de se questionar se a medida em questão é mesmo um sucesso. Isso sem adentrar no seu caráter discriminatório, uma vez que se destina a um único setor do estádio, justamente o mais popular.

  • 2) A comparação com o acordo feito entre o Ministério Público e Internacional é despropositada. No Beira-Rio somente os membros de torcidas organizadas são submetidos à biometria. Na Arena, QUALQUER torcedor que deseje ir na Arquibancada Norte precisa obrigatoriamente enfrentar a biometria.
  • 3) Igualmente descabida é a ideia do presidente ter “devolveu o boicote”. A palavra boicote não condiz com a forma que o Presidente Romildo vem conduzindo os assuntos do Grêmio. E nenhuma relação entre torcida e presidente de clube pode funcionar na base de boicotes.

Já disse aqui no blog que a biometria, se não é diretamente inspirada, certamente encontra precedente/paradigma no National Membership Scheme (NMS) proposto pelo Governo Thatcher na Inglaterra em 1988. O Guardian descreve o NMS como um “projeto deploravelmente mal concebido“, enquanto o Telegraph o caracteriza como um “esquema inviável, de legitimidade questionável quanto aos direitos civis“. Essa proposta foi abandonada após a publicação do Taylor Report (Lord Justice Taylor trata de tema a partir do parágrafo 377 do seu relatório)

Em suma, o Taylor Report conclui que  o uso de um cadastramento obrigatório proposto pela Primeira Ministra Margareth Thatcher como medida para coibir a violência equivaleria a “usar uma marreta para abrir uma noz”

Não obstante essa brilhante síntese, o Lord Justice Taylor esmiúça diversas questões problemáticas relacionadas a proposta. Muitas delas me parecem se aplicar ao cadastro biométrico proposto pelo Ministério Público. Tentei, numa tradução livre, transcrever algumas delas abaixo:

taylor 380 382

Risco já existente de congestionamento
380. Congestionamentos do lado de fora das catracas e as consequentes lesões ou desordem são riscos já conhecidos. Esses riscos são aumentados pelo número limitado de catracas disponíveis e pela capacidade limitada para aumentar sua quantidade em diversos estádios antigos. Os riscos são igualmente aumentados pela entrada tardia de grande parcela do público, o que é uma ocorrência comum.

381. Durante os movimentados 20 minutos antes do apito inicial, filas, ou por vezes uma multidão de torcedores, tende a se acumular. Se a passagem pelas catracas é atrasada ou diminuída, esse acúmulo aumenta e a pressão retarda ainda mais o funcionamento das catracas. O próximo estágio é aquele em que os que estão esperando ficam impacientes, temendo que não irão entrar antes do começo da partida. O barulho do estádio, comprovando que os times estão entrando em campo, aumenta a impaciência. Reside aí um fundado perigo de pressão em direção as catracas, ocasionando lesões e pânico ocasionando desordem. Foi isso que aconteceu em Hillsborough. […]

Tempo extra para checar os cartões
382. Esses riscos já existiam sem o sistema nacional de cadastro. Uma vez que o sistema exige que todos os espectadores que estão passando pelas catracas apresentem seus cartões de identificação para verificação/checagem, é inevitável que algum tempo extra seja acrescido para cada espectador

taylor report 398

“Além disso, o esquema pode causar perigosas acumulações caso a tecnologia falhe completamente ou caso a tecnologia não funcione no ritmo esperado”

taylor 415 419
415. Eu já constatei que o hooliganismo dentro do estádio foi reduzido, principalmente pelas câmeras de vigilância, mas se transferiu para o lado de fora do estádio.
[…]

416. Isso, juntamente com outros dados/provas policiais que eu recebi, demonstra que, embora o futebol de maneira geral, e a partida, em particular, proporcionem a ocasião e o ponto focal para as ações dos hooligans, muitos hooligans não consideram essencial entrar no estádio. Eles precisam da junção de multidões e a rivalidade interclubes ou animosidade da partida para estabelecer o cenário para a sua violência. Eles não precisam do futebol propriamente dito.

[…]

417. Eu temo que seja puro devaneio/pensamento mágico presumir que os hooligans proibidos de ingressar nos estádios, não irão, se livres para tanto, aparecer e criar problemas no lado de fora, em bares e nas ruas.
Seria surpreendente se os hooligans descritos no grupo I do Sr. Juiz Popplewell (parágrafo 48 acima) abandonassem totalmente suas atividades de acossamento e agressão dos torcedores visitantes tão somente por que eles não podem mais entrar no estádio.

[…]

419. Portanto eu tenho sérias dúvidas se o esquema irá atingir seu objetivo de eliminar os hooligans de dentro dos estádios. Eu tenho dúvidas ainda mais sérias se irá atingir seu objetivo adicional de acabar com o hooliganismo fora dos estádios. De fato, eu não creio que irá. Eu temo que, ao menos em curto prazo, talvez até aumente a confusão fora dos estádios.

Enfim, é uma pena que estejamos sendo submetidos a medidas feitas “para inglês ver” e deixando de ver o que os ingleses já fizeram.

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Média de Público no Brasileirão – Primeiros 100 jogos na Arena Vs Últimos 100 jogos no Olímpico

August 9, 2018

 

br arena olimpico

Contra o Flamengo,  o Grêmio realizou seu centésimo jogo pelo Brasileirão na Arena. 

Achei que seria válido fazer um rápido comparativo da média de público nos primeiros 100 jogos de Campeonato Brasileiro na Arena com os últimos 100 jogos de Campeonato Brasileiro no Olímpico. O resultado está na tabela acima. 

Como se pode ver, a média no Olímpico é levemente superior. Isso talvez se explique que somente no Olímpico o Grêmio chegou a ficar em primeiro lugar no Brasileirão e de fato disputar o título enquanto na Arena o tricolor teve mais sucesso em outras competições (o que implicou em time reserva/desinteresse em alguns jogos de campeonato brasileiro disputados no novo estádio).

Ainda, não seria totalmente fora de sentido supor que na Arena, com um estádio maior e com o crescimento do quadro social o público seria maior, mas isso (ainda) não se verificou.

brasileirao a cada 5 mil

 

Nessa questão do tamanho do estádio, cabe salientar que em quase 2/3 terços dos jogos de Brasileirão na Arena a ocupação do estádio fica abaixo dos 50% (como se pode ver na tabela acima).arena meio fim

Nessas últimas tabelas eu fiz a divisão por jogos em meio de semana e em finais de semana. A proporção nos dois cenários é praticamente a mesma. 

 

olimpico meio fim

Cadastro biométrico na Arquibancada Norte é discriminatório

July 7, 2017

biometria

Em 23 de junho o Grêmio anunciou a exigência de um cadastro biométrico para todos os torcedores que frequentam a arquibancada norte da Arena, sendo que a identificação biométrica será obrigatória para todos os Sócios Arquibancada a partir do jogo de 09/07.

Vários elementos deste anúncio causam espanto. O primeiro deles é a exiguidade da medida. Foram menos de 20 dias entre o anúncio e o prazo final de adaptação dos sócios.  Ademais, essa nova exigência não foi discutida ou sequer informada ao Conselho Deliberativo (que é o órgão de representação dos sócios). Ainda, é importante lembrar que essa imposição contraria decisão tomada na reunião do Conselho Deliberativo de 29 de abril de 2014, onde se refutou a ideia proposta pelo Ministério Público de tornar a arquibancada norte um setor exclusivo para as torcidas organizadas.  Naquela ocasião vários conselheiros se manifestaram contra a proposta, inclusive integrantes do atual Conselho de Administração.

Todos esse elementos acima citados revelam a total falta de diálogo por parte da direção do clube ao implementar o cadastro biométrico. Contudo, ainda que se considere esse um problema “menor”, de mera falta de comunicação, não há como superar o fato de que a medida, tal como se apresenta, é discriminatória. Uma exigência que só é feita a um grupo de sócios e torcedores é discriminatória. Uma exigência que só é aplicada em um único setor do estádio (justamente o mais popular) é sim discriminatória.

É possível questionar se os alegados “eventuais desvios de conduta” ocorrem só na geral/arquibancada ou também nos demais setores e no próprio entorno do estádio? Se “eventuais desvios de conduta” são exclusividade da torcida do Grêmio ou também se verificam em outros estádios e outros clubes do país? E se o problema de violência é exclusivo do futebol ou é comum a sociedade como um todo?

A primeira pergunta é fácil de responder. Basta lembrar que o principal “distúrbio” registrado na Arena em 2017 teve início na cadeira superior. Em 2014 o Grêmio foi punido em função de uma ofensa feita por um torcedor, que estava na cadeira gramado, ao zagueiro Paulão do Inter. Em 2013 houve um briga entre a torcida do Grêmio e a do Fluminense na cadeira superior. Assim, além de discriminatória, a exigência de cadastro biométrica se mostra também inócua e arbitrária.

Inicialmente, nenhuma manifestação do clube falava em estender a biometria para os demais setores. Na nota de esclarecimento divulgada no site oficial é mencionado que o clubeestuda a possibilidade de estender este mesmo sistema de identificação e controle de acesso para as demais localidades do estádio“. E ainda que isso seja feito (o que eu duvido muito), o clube, ao assim proceder, estaria colocando o seu torcedor numa condição pior do que torcedores de outros times da cidade ou do estado. Seria possível ver jogo no Passo D´areia, no Bento Freitas, no Alfredo Jaconi sem biometria. Mas na Arena, o torcedor do Grêmio estaria sujeito a biometria.

Cumpre ressaltar que, ao contrário do que afirma o representante do Departamento do Torcedor Gremista, não existe qualquer disposição no Estatuto Social do Grêmio  vedando o “empréstimo de carteirinha”.  O artigo 40 do estatuto determina o seguinte:
artigo 40O que existe, isso sim, é um dispositivo do Código de Ética (art.8º) e Regulamento Geral (art.11) que impede o aluguel ou venda de carteirinha:

artigo 8 código de ética
A expressão “a título remunerado” deixa bem claro que não é proibida a cessão gratuita da carteirinha a um terceiro.

E ainda que assim não fosse, é válido lembrar que o próprio clube incentiva ou anui com a pratica do “empréstimo de carteirinha, na medida que permite que um mesmo sócio tenha mais de uma cadeira na Arena (tal qual já acontecia no Olímpico).

Confesso que tenho certa dificuldade em acreditar nas ações propostas pelo Departamento do Torcedor Gremista.  Para ilustrar essa dificuldade, transcrevo trecho de notícia publicada no site do Tribunal de Justiça do Estado sobre ocorrências registradas na Arena na final da Copa do Brasil: “Um torcedor impedido de comparecer aos jogos do Grêmio foi flagrado tentando acessar a Arena usando uma pulseira que garante acesso ao estádio a quem está a serviço. Outro membro do Departamento do Torcedor Gremista atuou para facilitar o acesso do acusado. Os dois foram citados em um termo circunstanciado emitido pela Polícia Civil.”.  Ora, que legitimidade o referido departamento tem em propor medidas de controle para o torcedor em geral quando sequer é capaz de controlar o comportamento de seus próprios integrantes?

Estranho ainda que não há nenhum benefício previsto como contrapartida para quem será submetido a biometria. Mesmo com a identificação biométrica, o torcedor continuará tendo que apresentar a carteirinha. O processo de ingresso no estádio será mais demorado, justamente no único setor da Arena em que é feito uma segunda revista na frente das catracas (e não só nas rampas de acesso a esplanada como para os demais setores).

Finalizando, reforço que a minha inconformidade com a medida reside, especialmente em dois pontos: 1) o fato de o cadastro biométrico ter sido imposto sem qualquer tipo de diálogo com o Conselho, contrariando decisão tomada em 2014. 2) o fato da diretoria, ao permitir essa medida excepcional, estar atribuindo (ou estar permitindo que seja atribuída) a pecha de que sua torcida (ou parte dela) e seu estádio (ou um setor dele) é particularmente difícil de ser controlada e por isso precisa de maior observância por parte das autoridades. É uma pecha que traz graves consequências e que acaba se tornado difícil de se livrar.

Médias de Público do Grêmio em 2014

December 22, 2014

Em 2014 o Grêmio fez 34 jogos como mandante. A média de público total foi de 23.302 e a média de pagantes foi de 20.916, o que representa um ligeiro acréscimo em relação ao ano passado. Achei importante colocar os números desde 2011 para estabelecer um comparativo (duas últimas temporadas no Olímpico e as duas primeiras temporadas na Arena)

Considerando apenas os jogos disputados na Arena a média da atual temporada é bem parecida com a de 2013. Contudo, é importante lembrar que no ano passado foram realizadas promoções em apenas 3 jogos (Vasco, Flamengo e Goiás), contra 11 partidas com algum tipo de promoção em 2014 (Lajeadense, Aimoré, Novo Hamburgo, Veranópolis, Passo Fundo, Fluminense, Chapecoense, São Paulo, Figueirense, Vitória e Flamengo)

Como se vê, a média de público na Libertadores aumentou. Em 2014 o Grêmio conseguiu sua segunda melhor marca nesse quesito na competição (ficando apenas atrás da participação de 2007). Contudo, mesmo na competição mais atrativa, a ocupação do estádio fica longe do máximo.

No Gauchão, o clube conseguiu a sua melhor presença de público desde 2008. Imagino que o fato de ter jogado dois Grenais com titulares na Arena tenha contribuído para tanto.

Quanto ao Brasileirão, acho importante mencionar o levantamento do Ricardo Araújo, que verificou que a o aumento da média de público de 2013 para 2014 foi acompanhado de uma queda na arrecadação:

“Vale ressaltar ainda, que em 2013, em 19 jogos, o clube arrecadou um total de R$ 15.388.480,00, com  público médio de 20.910, e TM de R$ 36,49. Esse ano, talvez para atender ao clamor dos “precistas”, apesar de baixarem o TM em 18%, o público cresceu apenas 6%, e a receita atingiu R$ 12.571.007,00, em 17 jogos. Mesmo projetando 2 jogos a mais, a receita total do Brasileiro de 2014 seria R$ 1,5 milhão menor que em 2013.”

E na Copa do Brasil, infelizmente, o Grêmio só pode disputar uma partida em casa em 2014, o que prejudica as comparações.

Cadastramento de torcedores no Taylor Report

May 8, 2014
Recentemente causou grande revolta a notícia de que “Uma reunião entre Ministério Público, Brigada Militar, representantes da Arena Porto Alegrense e direção do Grêmio definiu que a arquibancada norte do Estádio da Arena será destinada apenas para as torcidas organizadas. Para tanto, o Grêmio irá cadastrar, conforme prevê o Estatuto do Torcedor, os integrantes interessados até 30 de junho. A partir dessa data, só será permitido o ingresso de quem estiver no cadastro. O público em geral que quiser assistir aos jogos no local deverá, obrigatoriamente, escolher uma das organizadas e se cadastrar.”
A diretoria do Grêmio publicou nota dizendo que não teria concordado de imediato com essa proposta, uma vez que “Na ata da reunião realizada na sede do MP, consta, nas linhas 28 e 29, a seguinte informação: O Coronel Élvio informa que estará encaminhando cópia desta ata, ao Conselho Deliberativo, para a devida análise.“, e de fato tal trecho consta na ata, o que acaba ficando, no mínimo meio dúbio em face de uma frase anterior no mesmo documento onde se lê que o decidido foi “consignado, por consenso, entre os presentes”.
Poderíamos aqui questionar a legitimidade e a postura do representante do Grêmio nessa reunião, mas por ora me chama mais atenção a conduta do Ministério Público no caso, uma vez que diante da controvérsia voltou a afirmar que “que o cadastro das torcidas organizadas e sua separação ocorrem por força de lei (Estatuto do Torcedor).”
Pois bem, reli a lei 10.671 e confesso que não encontrei ali nenhuma previsão sobre a necessidade de um setor específico para torcidas organizadas. Tampouco achei alguma norma que sustentasse a proposta de que alguém deveria ser obrigado a se cadastrar numa torcida organizada para poder frequentar algum setor do estádio.  Bem que tentei, mas não consegui entender no que se baseia o ministério público ao querer impor um cadastro para os torcedores.
Uma das vantagens de não ser estar na vanguarda (para não dizer estar no atraso) dessa questão do tratamento de torcedores é poder aprender com erros e acertos dos órgãos públicos e clubes de outros países. E na questão de segurança nos estádios não há outro paradigma que não a Inglaterra e o Taylor Report (tema já tratado anteriormente aqui no blog).

Após a tragédia de Heysel, o governo conservador de Margaret Thatcher buscou implementar uma série de medidas para solucionar a questão do hooliganismo nos estádios ingleses. A mais infame delas foi a proposição do o “Football Spectators Act 1989”, que previa um tal de “membership scheme” onde todo e qualquer torcedor precisaria ter um cadastro e um cartão de identidade correspondente para frequentar as arquibancadas da Inglaterra e País de Gales.

No Trivela, Ubiratan Leal explicou bem o clima na Inglaterra na virada dos anos 80 para 90:

“O senso comum credita muita das mudanças que ocorreram no futebol inglês a Thatcher, mas ela teve pouca ou nenhuma influência em tudo o que aconteceu. A principal bandeira do Partido Conservador britânico era identificar os torcedores com carteirinhas, sob o Ato de Espectadores de Futebol de 1989. Houve um protótipo disso no Luton Town, cujo presidente David Evans era membro do parlamento pelos Conservadores. “Você teria que passar o cartão pela catraca para ganhar acesso. Cada torcedor teria o seu. Não teria como funcionar, especialmente naquela época em que a tecnologia não havia avançado o suficiente. Teria sido um desastre. De certa forma, Hillsborough salvou o futebol inglês de algo que não daria certo”, analisa o jornalista inglês Tim Vickery, correspondente da BBC no Brasil. A exigência da carteirinha pode parecer boba aos olhos brasileiros, mas é uma atitude agressiva em um país em que não há a cultura de se carregar identidade, e nem da polícia de pedir por essa identificação.”

O gabinete da Primeira Ministra se esforçou muito pela aprovação de referida medida, mas acabou esbarrando nas conclusões do Lord Justice Taylor em seu paradigmático relatório que, ao analisar algumas críticas ao projeto (A desproporcionalidade, a injustiça, os espectadores casuais,  a diminuição da renda dos clubes, o perigo de congestionamento e desordem, a real probabilidade de eliminar os hooligans e os reforços policiais) concluiu que não só achava a ideia pouco prática e ineficaz como também temia que a medida poderia aumentar os problemas fora do estádio. Tal conclusão está no parágrafo 419 do Taylor Report:

“419. I therefore have grave doubts whether the scheme will achieve its object of eliminating hooligans from inside the ground. I have even stronger doubts as to whether it will achieve its further object of ending football hooliganism outside grounds. Indeed, I do not think it will. I fear that, in the short term at least, it may actually increase trouble outside grounds.”. (Numa tradução livre: “Eu temo que, ao menos em curto prazo, ele possa na verdade aumentar o problema fora dos estádios)


O interessante é que existe ampla documentação sobre esse debate na internet. Há um site sobre o Hillsborough Independente Panel que revela alguns memorandos trocados entre membros do governo sobre o assunto na época. Destaco três deles nos links abaixo.

Memo from Cabinet Office: briefing for PM Margaret Thatcher; Taylor’s conclusions on National Membership Scheme; Government response and line to take

Nesse trecho, o líder do Partido Trabalhista, Neil Kinnock, perguntou  a Primeira Ministra se ela  “entendia que membros de ambos os lados da Câmara dos Comuns e as pessoas por todo o país iriam considerar a decisão dela de forçar a passagem do seu esquema de cartões de identidade como uma ofensa ao bom senso e a decência?
Nessa nota enviada para a Primeira Ministra, o secretário de estado explica as conclusões do relatório Taylor e seu possível impacto nas medidas pensadas por Thatcher. Consta no trecho sublinhado “De fato, ele (o relatório) sugere que se você tratar as pessoas como animais elas irão se comportar como animais
 Há quem defenda que o modelo adotado na Inglaterra não serve para o Brasil. Tal posição me parece bem razoável, visto que não se pode simplesmente importar medidas sem observar a cultura local. Contudo, não considero ser muito sábio ignorar os exemplos vindos de fora e toda a experiência de nação futebolística que passou anteriormente por uma situação bem parecida.

Divisão de público em 2013 e 2012

January 22, 2014

Eu tenho observado com alguma atenção os borderôs dos últimos jogos do Grêmio. Existem informações bem interessantes ali. É possível verificar a divisão de público na estádio, quantos são os sócios patrimoniais/contribuintes em cada partida, quantos dos presentes são da modalidade sócio/torcedor, quantos são não-sócios que compram ingresso e quantos são os não pagantes.

Fiz um levantamento de como se dividiu o público, na média, nos 31 jogos que o Grêmio disputou na Arena em 2013. O resultado está nas três primeiras colunas da tabela acima. Para efeito de comparação, fiz o mesmo com os borderôs dos jogos do Olímpico em 2012 (as duas últimas colunas). Contudo, é preciso fazer a ressalva que não consegui os boletins financeiros das três partidas da Sul-americana de 2012. Se alguém puder me disponibilizar esses documentos eu ficaria extremamente agradecido.

A primeira questão que chama atenção na comparação dos dois últimos anos é a considerável redução no número de não-pagantes (tema já tratado aqui no blog antes). Outro dado a ser considerado é pequena redução na percentagem de sócios-torcedores presentes nos jogos (o que infelizmente pode ser reflexo numa redução do quadro social, ou do aumento do preço dos ingressos, ou do pouco desconto dado nas entradas do anel inferior). Além disso é interessante salientar que houve um aumento significativo (tanto em termos percentuais como absolutos) no número de não sócios que compraram ingressos, o que, com alguma boa vontade, pode ser visto com um potencial para novos sócios.

Resta saber como o Grêmio pode estudar esses números para aumentar a taxa de ocupação do seu novo estádio e com isso aumentar suas receitas.
Nos primeiros dias do ano, os departamentos de marketing do clube e da Arena anunciaram que irão repetir as promoções praticadas no final de 2013, onde era possível levar um acompanhante gratuitamente no jogo. De fato isso já se verifica no primeiro jogo desse ano. Não me parece ser a medida mais adequada. Se isolarmos os 3 jogos do ano passado onde ocorreram essas promoções (Vasco, Flamengo e Goiás) veremos que a média de público total permaneceu na casa dos 24 mil. Contudo, essa marca foi atingida com o aumento de não pagantes (28,5% nessas três partidas contra 9,7% do ano todo). As demais categorias (Sócio patrimonial, sócio-torcedor e não sócios) tiveram uma redução no comparecimento quando da ocorrência dessas promoções.

Assim, me parece claro que esse tipo de promoção não é a que melhor cumpre com os objetivos do ISO9001 do quadro social do clube (“aumentar a satisfação dos associados; Ampliar o número de associados: Aumentar receita oriunda do Quadro Social; Aumentar participação dos associados nos eventos e promoções do Grêmio”). É claro que a equação não é tão simples, mas para efetivamente encher o estádio e  atingir esses objetivos talvez seja necessário diminuir preço de ingressos, aumentar a oferta de descontos e o percentual dos descontos oferecidos ao sócio-torcedor, reajustar o valor das mensalidades, implementar o check-in, e não simplesmente permitir a entrada gratuita de acompanhantes.

BRASILEIRAO 2012 Olímpico ARENA

BRASILEIRAO 2013 ARENA
BRASILEIRAO 2012 Olímpico ARENA
Por fim, como curiosidade, deixo algumas mínimas e máximas dos públicos da Arena em 2014:

 

PÚBLICO TOTAL

– O jogo com maior público total foi do Atlético-PR na Copa do Brasil: 43.899 espectadores
– O jogo com menor público total foi do Cerâmica no Gauchão: 11.496 espectadores

 

PÚBLICO PAGANTE

– Em termos absolutos o jogo com maior público pagante foi do Atlético-PR na Copa do Brasil: 41.244
– Em termos percentuais o jogo com maior público pagante foi do Santa-Fé na Libertadores: 96,6%
– Em termos absolutos o jogo com menor público pagante foi do Cerâmica no Gauchão: 10.162
– Em termos percentuais o jogo com menor público pagante foi do Goiás no Brasileirão: 69,5%
NÃO-PAGANTES
– Em termos absolutos o jogo com maior público não-pagante foi do Goiás no Brasileirão: 10.471
– Em termos percentuais o jogo com maior público não-pagante foi do Goiás no Brasileirão: 30,5%
– Em termos absolutos o jogo com menor público não-pagante foi do Cruzeiro no Brasileirão: 801
– Em termos percentuais o jogo com menor público não-pagante foi do Santa-Fé na Libertadores: 3,40%

 

SÓCIOS PATRIMONIAIS

– Em termos absolutos o jogo com maior nº de sócios patrimoniais foi do Fluminense na Libertadores:  20.711
– Em termos percentuais o jogo com maior nº de sócios patrimoniais foi do Santos no Brasileirão: 62,01%
– Em termos absolutos o jogo com menor nº de sócios patrimoniais foi do Cerâmica no Gauchão: 5.882
– Em termos percentuais o jogo com menor nº de sócios patrimoniais foi  do Goiás no Brasileirão: 34,8%

SÓCIO TORCEDOR
– Em termos absolutos o jogo com maior nº de sócio torcedor  foi do LDU na Libertadores:  8.036
– Em termos percentuais o jogo com maior nº de sócio torcedor foi do LDU na Libertadores: 19,4%
– Em termos absolutos o jogo com menor nº de sócio torcedor foi do Cerâmica no Gauchão: 570

– Em termos percentuais o jogo com menor nº de sócio torcedor  foi  do São Luiz no Gauchão: 4,5%

NÃO-SÓCIOS
– Em termos absolutos o jogo com maior nº de não-sócios  foi do Atlético-PR na Copa do Brasil:  15.871
– Em termos percentuais o jogo com maior nº de não-sócios  foi do Corinthians na Copa do Brasil: 43,6%
– Em termos absolutos o jogo com menor nº de não-sócios  foi do Vasco no Brasileirão: 2.634
– Em termos percentuais o jogo com menor nº de não-sócios  foi  do Caracas na Libertadores: 17,4%

Médias de Público do Grêmio em 2013

December 19, 2013

Em 2013 o Grêmio fez 36 jogos como mandante (curiosamente o mesmo número de partidas que mandou na temporada passada). A média de público total foi de 22.698 e a média de pagantes foi de 20.417. Na comparação imediata com 2012 houve um queda do público total e uma diminuição no público pagante.
Mas é preciso apontar algumas diferenças nas duas temporadas. A primeira  é que no ano passado o Grêmio mandou todos os seus jogos no Olímpico. Já em 2013 o Grêmio fez 31 jogos na Arena, 4 no Olímpico e 1 no Alfredo Jaconi. Se considerarmos apenas os jogos disputados no novo estádio as médias sobem um pouco (Especialmente na questão dos pagantes). Outro dado importante de ser ressaltado é que em 2012 ocorreram promoções de ingressos em 6 partidas (Novo Hamburgo, Avenida, Figueirense, Atlético-GO, Náutico e Ponte Preta) enquanto nesse ano foram só 3 promoções (Vasco, Flamengo e Goiás)

Das 36 partidas, 5 foram pela Libertadores, 9 pelo Gauchão, 19 pelo Brasileirão e 3 pela Copa do Brasil.

Como já vimos, os números do público na Libertadores 2013 foram interessantes, acima da média histórica do Grêmio na competição.

No Gauchão houve uma queda em relação a 2012, que precisa ser relativizada, uma vez que nesse ano o Grêmio fez somente um mata-mata na Arena e não disputou clássico no seu estádio.
No Brasileirão a média ficou abaixo do que o time teve em edições recentes. Esse fato talvez se explique pelo número excessivo de partidas que o Grêmio teve no meio de semana na Arena.

Nos 10 jogos que mandou em finais de semana a média de público tricolor foi de 27.179 (23.765 pagantes). Nos 9 jogos realizados na Arena no meio da semana a média caiu para 17.279 (15.319 pagantes).

A renda média desses 19 jogos foi de R$ 755.411,00. A renda média dos jogos em finais de semana é de R$ 1.130.000,00; Já a renda média dos jogos em meio de semana é de R$ 418.000,00.  

Na Copa do Brasil, num primeiro olhar, se percebe um considerável aumento na comparação com 2012. Contudo, as médias ficam parecidas se considerarmos apenas os jogos das oitavas em final adiante (34.073 total e 30528 pagantes no ano passado).

Nº de ingressos da torcida visitante em Gre-Nal entre 2002 e 2013

August 2, 2013

 

Após um diálogo com os clubes, a Brigada Militar recuou da sua posição inicial e decidiu que permitir a presença de torcida colorada no Gre-Nal do dia 04 de agosto na Arena.
A questão é que serão vendidos somente 1.500 ingressos para a torcida visitante. O que é muito pouco. A capacidade do setor destinado a torcida adversária na Arena é de 3.897 lugares. Desse modo, teremos mais de 2.000 assentos ociosos no domingo. Diante desse quadro, é possível perguntar se esse número reduzido não é apenas “para inglês ver”? Não seria mais civilizado ofertar um número maior de ingressos aos visitantes, haja visto que o espaço comporta mais torcedores?

O fato é que a presença de torcida adversária em Gre-Nal vem se reduzindo ano a ano. Isso pode ser observado na tabela abaixo, onde eu compilei os números de ingressos disponibilizados para as torcidas visitantes desde 2002. É claro que vários fatores contribuíram para essa diminuição, como o aumento do quadro social dos clubes  e reformas/readequação dos estádios. Mas ainda assim a redução é impressionante.

413 416407 412401 406ABCDEFGHI
As fontes consultadas foram os Borderôs da FGF, Correio do Povo, Grêmio.net, Terra, UOL, Zero Hora, Gazeta do Sul e Estadão. Não consegui os dados de três clássicos disputados no interior (Bento Gonçalves em 2004, Erechim em 2010 e Rivera em 2011), mas penso que o foco da análise são as partidas realizadas em Porto Alegre.
É claro que alguns dados podem ser questionáveis. Um exemplo disso está no último clássico (que foi disputado em Caxias). Os meios de comunicação divulgaram que a carga de ingressos gremista era de 2.200. Contudo, posteriormente se viu no borderô e a própria diretoria colorada afirmou que carga do Grêmio era de1.800 ingressos.
* A carga de ingressos para a torcida visitante nesse Gre-Nal (2º jogo da final do Gauchão de 2006) era para ser de 8.000. Contudo, a administração do Grêmio alegou que só recebeu 6.000 entradas da direção colorada. Após o jogo, os dirigentes do Inter teriam admitido o equívoco e teriam prometido corrigir o erro.

Gre-Nal sem torcida visitante? Futebol sem torcida é futebol?

July 30, 2013
 A Brigada Militar anunciou que não permitirá a presença da torcida visitante no próximo Gre-Nal a ser disputado na Arena. Não se pode dizer que tal anúncio é uma surpresa. Os rumores de tal decisão ganharam força na última semana. É claro que, antes disso, diversos outros fatores contribuíram para que se chegasse a um cenário onde fosse possível cogitar uma medida tão severa. 
Eu vejo isso tudo com muita tristeza, um sinal claro de fraqueza nas relações sociais. Por óbvio que a responsabilidade (em maior ou menor grau) é de todos, das torcidas, dos clubes, dos governos e da mídia. Mas não há como deixar de questionar a forma como tem atuado a polícia nos estádios de futebol do Rio Grande do Sul. As “soluções” passam sempre por restringir os direitos dos torcedores.
O subcomandante Geral da BM argumenta que não havia como “dar segurança no deslocamento” da torcida visitante. Mas essa afirmativa pouco esclarece e gera diversas outras perguntas: Quem além da Brigada pode dar segurança? É realmente necessário fazer a escolta da torcida adversária até o local do jogo?

Em maio de 2011 eu tentei ir até o Beira-Rio por conta própria, mas quem me forçou ingressar na escolta não foi a torcida do rival, e sim a própria Brigada Militar (que posteriormente obrigou que todos os torcedores do Grêmio tirassem os seus sapatos antes de ingressar no estádio). Essa é a melhor maneira de se criar um clima de paz, segurança e tranquilidade para uma disputa desportiva? Não deveríamos tratar o torcedor com maior civilidade?

Me parece clara a má-vontade do comando da BM com o policiamento de partidas futebol (basta ver a já histórica pretensão de cobrança de taxas pelo serviço). Os últimos episódios de violência na Arena (coincidentemente em dois jogos com o Fluminense) foram potencializados por uma atuação inadequada de alguns brigadianos.

No presente caso o que mais choca é que a forma que se optou pela torcida única. Chega a ser surreal que a própria Brigada Militar é que decide se quer ter mais ou menos trabalho na operação. E quem vai avaliar (e muitas vezes avalizar) a decisão é a imprensa, que em nada é afetada pela medida (seja porque alguns jornalistas jamais pisam no estádio, seja porque outros jornalistas seguirão tendo livre acesso nos dois campos).

Não demorou muito para que aparecesse a infame sugestão de realizar clássicos sem torcida alguma. Aí teríamos o fim do futebol. Sim, porque o futebol só esse fenômeno social, midiático e financeiro em razão das torcidas. Ou, como melhor resumiu Jock Stein, lendário treinador do Celtic:

football without the fans is nothing”

Presença de público na Arena no 1º semestre de 2013

July 14, 2013

Na figura acima temos os números dos públicos dos 12 jogos disputados na Arena no primeiro semestre de 2013. A média de público pagante foi de 22.024 e a média de não pagantes foi de 2.042. É curioso que o estádio não chegou nem perto de ter uma ocupação máxima nessas primeiras partidas (Com a devida ressalva de que em o setor da Geral só esteve liberado nos confrontos contra LDU e São Paulo.) .
Ainda assim é possível afirmar que houve um acréscimo de pagantes em relação ao mesmo período do ano passado. Nos 17 jogos que o Grêmio fez como mandante nos 6 primeiros meses de 2013 a média de público total foi de 19.448 e a média de pagantes foi de 17.649. No primeiro semestre de 2012 o Grêmio igualmente fez 17 partidas em casa e a média de público total foi de 19.285 e a média de pagantes foi de 15.888. É importante lembrar que esse ano o Grêmio participou da Libertadores, fato que não ocorreu no ano passado, e talvez isso, juntamente com o elemento de “novidade” da Arena, explique o maior público de 2013.
De qualquer forma, eu esperava uma maior ocupação na Arena no seu primeiro ano de funcionamento. Penso que alguns ajustes que poderiam aumentar a média de público estão demorando demais para acontecer. No início de abril, o diretor da Arena Gilmar Machado disse que a administração do estádio já estava trabalhando com na criação de um projeto de “check-in”. Até agora tal sistema não foi implementado. Da mesma forma, quando da renegociação entre Grêmio e OAS, se afirmou que seria estabelecida uma nova política de preços e descontos para os sócios-torcedores (aumentando a oferta de setores e os descontos dados), contudo para o próximo jogo, contra o Botafogo, essa promessa ainda não saiu do papel