1972 – O soco de Everaldo

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Há 40 anos, Grêmio e Cruzeiro se enfrentaram pela 12ª Rodada do Campeonato Brasileiro de 1972. O jogo terminou empatado em 1×1, com gols de Lima para os visitantes e Oberti para o tricolor. Mas o dia 18 de outubro de 1972 entrou para história do futebol não por esses gols, e sim pelo soco que Everaldo acertou no juiz Jose Favile Neto.
Everaldo não vivia um  bom momento. Poucos meses antes ele havia sido inexplicavelmente deixado de fora da seleção brasileira por Zagallo (o que motivou o épico 3×3 com a seleção Gaúcha no Beira-Rio). Já Grêmio e Cruzeiro estavam bem no campeonato nacional e faziam uma partida bem disputada no Olímpico.
Aos 25 minutos, Everaldo reclamou do juiz e foi duramente advertido com o cartão amarelo. Aos 32 minutos, Palhinha arrancou em velocidade, ingressou na área, foi desarmado na bola por Beto Bacamarte e caiu no chão. José Favile Neto apitou e enquanto corria para a marca do pênalti recebeu um soco de Everaldo, que atingiu em cheio o seu olho.
Everaldo deixou o gramado sem olhar para trás. Depois de ser prestado o devido atendimento médico ao árbitro o jogo continuou, o Cruzeiro converteu o pênalti e o Grêmio conseguiu o gol de empate ainda no primeiro tempo.
Passado alguns dias Everaldo deu algumas explicações e anunciou que renunciaria ao prêmio “Belfort Duarte”. Todo o episódio provocou um rápido debate sobre a maratona de jogos, sobre a ruindade da arbitragem e sobre a maneira autoritária que os juízes buscam validar essa ruindade. Um debate que, infelizmente, segue atual.

“Quando um jogador como o lateral do Grêmio, modelo de correção e disciplina na sua carreira de atleta, chega ao ponto de mandar o braço na cara do juiz, alguma coisa deve estar errada! É muito mais lógico a gente procurar a origem da atitude do atleta exemplar como o Everaldo, do que a punição pura e simples de um crime de que ele não é o unico autor” (João Saldanha – Zero Hora)

“Aos 25 minutos do primeiro tempo de Grêmio e Cruzeiro, Everaldo reclamou da marcação de José Favile Neto. O juiz não gostou, se irritou demais e acabou fazendo um grande cena para advertí-lo, apresentando uma nova tática ao puxar os cartões vermelho e amarelo ao mesmo tempo. Como o vermelho aparece muito mais, Everaldo levou um susto, pensando que Favile tinha lhe expulso” (Folha da Tarde – 19 de outubro de 1972)

Grêmio 1×1 Cruzeiro

GRÊMIO: Jair; Everaldo, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Jadir e Ivo Wortmann; Buião (Renato Cogo), Oberti, Lairton e Loivo
Técnico: Daltro Menezes
CRUZEIRO: Hélio; Lauro, Darci Menezes, Fontana e Vanderelei; Piazza (Rinaldo) e Zé Carlos; Eduardo Amorim (Misael), Roberto Batata, Palhinha e Lima.
Técnico: Hilton Chaves
12ª Rodada -1ª Fase – Campeonato Brasileiro 1972

Data: 18 de outubro de 1972
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 23.667 pagantes
Renda: Cr$ 147.548,00
Árbitro: José Favile Neto
Auxiliares: Jeferson de Freitas e Airton Bernardoni
Cartões Vermelhos: Everaldo e Fontana
Gols: Lima (pênalti) aos 41 minutos do primeiro tempo e Oberti, aos 47 minutos do 1º tempo

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One Response to “1972 – O soco de Everaldo”

  1. Gremistas na Copa do Mundo – Artilharia Gremista Says:

    […] No Grêmio jogou entre 1964 e 1974 e conquistou três Gauchões (1966 a 1968), além dos torneios amistosos da Copa Rio de la Plata 1968, o Torneio Internacional de Porto Alegre 1971, o Torneio do Atlântico 1971 e o Torneio Internacional de Salvador 1972. Individualmente recebeu os prêmios da Bola de Prata da Revista Placar em 1970 (na primeira edição) e o Belfort Duarte 1972. […]

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